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Dica de turismo

Rota 66 sobre duas rodas Já imaginou percorrer mais de 4 mil quilômetros em cima de uma Harley Davidson? Pois foi exatamente isso que Vicente Linares, sócio da Corgraf, e um grupo de seis amigos fizeram ao encarar o desafio de viajar pela Histórica Rota 66, que cruza os Estados Unidos de Leste a Oeste, atravessando os estados de Missouri, Kansas, Oklahoma, Texas, Novo México, Arizona terminando em Santa Mônica, na Califórnia. Foram 12 dias conduzindo as motos pela estrada, que além de belas paisagens, revela muito da história norte americana. pré•impressão

A ideia da viagem surgiu em um churrasco na casa do Vicente em que o Comandante Schiller estava presente. Ele iria aos EUA fazer um curso e pensou em aproveitar a ida para realizar o antigo sonho de rodar a Rota 66 em cima de uma moto. Ao dividir os planos com os amigos Júnior, Marcos, Júlio, André, Vicente, Beto e Maurício, encontrou o grupo que amadureceria a ideia e a colocaria em prática a grande aventura. Foram quatro meses de preparação, entre pesquisas, reservas, elaboração do plano de viagem e aluguel das motos com o Sr. Irapuan da Yup Turismo, por intermédio de

seu amigoirmão de estrada Paulo Cechin, que trabalha na Corgraf e cuidou da locação das máquinas, compra das passagens aéreas e reserva do hotel na chegada em Chicago e no último dia em Los Angeles. Infelizmente o idealizador Schiller não pode acompanhar os colegas na aventura. www.sigep.org.br


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A data escolhida foi 27 de setembro, pois o outono é um dos períodos mais indicados para fazer esse tipo de viagem, em que os dias não são tão quentes e as noites não tão frias, fenômeno comum no clima desértico da região. Os viajantes foram agraciados por Deus, pois o tempo colaborou muito com a viagem sobre duas rodas, mantendose estável e sem chuvas durante toda a jornada. www.sigep.org.br

No dia 28 de setembro os sete amigos, autointitulados “Bikers of God” (Motociclistas de Deus) desembarcaram em Chicago seguindo para Milwaukee, a 145 km, que abriga o templo de qualquer motociclista: o Museu da Harley Davidson. Lá encontraram desde novembro/dezembro - No 83

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Os americanos que encontramos pelo caminho foram muito prestativos e educados. Não imaginávamos que eles teriam esse tipo de comportamento e nos surpreendemos com a boa vontade em atender os turistas Beto Linares

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Durante toda a viagem o grupo esteve muito unido e com o mesmo objetivo, aproveitar ao mĂĄximo cada instante AndrĂŠ Linares

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o primeiro exemplar da lendária moto até modelos que marcaram época, como do filme “Easy Rider” (Sem destino), motos que foram para guerra e modelos que perpetuam ate nos dias de hoje. No passeio o grupo pôde conhecer a história da marca e de seus criadores, além de ouvir o ronco da evolução de todos os motores ao toque de um botão. No dia seguinte a emoção tomou conta dos sete motociclistas que foram até a loja “Eaglerider”, de locação da Harley Davidson, retirar as máquinas. Na própria loja André e Beto pediram para retirar a bolha de vidro que protege o motociclistas de insetos, poeira e, até mesmo, do vento. “Queríamos adrenalina, sentir o vento na cara enquanto pilotávamos”, explica Beto. Ok, então foi momento de pegar a estrada com as máquinas de 1700 cilindradas e começar a acelerar pela Rota 66. O primeiro desafio foi encontrar o marco do inicio da rota, a placa de “Begin” (início), atravessando a Cidade de Chicago em meio ao transito de uma grande metrópole, sob um calor de 40°C. Quando acharam o ponto de partida a emoção tomou conta de todos. “Estamos no inicio da lenda”, comentou Beto. Lá encontraram solidários americanos que deram dicas e tiraram fotos. “Os americanos que encontramos pelo caminho foram muito prestativos e educados. Não imaginávamos que eles teriam esse tipo de comportamento e nos surpreendemos com a boa vontade em atender os turistas”, conta Maurício. No primeiro dia sobre duas rodas, os Motociclistas de Deus percorreram 456 km, de Chicago a St. Louis. Foi a primeira experiência da viagem, e os amigos puderam sentir o clima americano e a liberdade de conduzir a moto pela rodovia estabelecida em 1926. Ao longo da estrada eles impressionaram-se com grandes ranchos, postos de gasolina antigos, museus de automóveis e da historia da rota que conservam até hoje a estrutura de quase 90 anos atrás. Em uma destas “gás station” (posto característico da época com carros e caminhões antigos em seu quintal e dentro de um barracão, onde também existem totens de figuras lendárias como AL Capone, Elvis pré•impressão

Foto: Saída de Curitiba - casa da Dona Aparecida A. Linares

Foto: Chegada no aeroporto de Miami

Foto: Museu da Harley Davidson - Milwalkee www.sigep.org.br


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Presley, Marilyn Monroe entre outros), o grupo conheceu Gary, um senhor que possui aproximadamente a idade da Rota e acompanhou toda a sua história. Em sua sala há mapas e artefatos que relembram a época em que a estrada era a principal via para atravessar os Estados Unidos de costa a costa. Durante o encontro, Gary serviu-os com um refrigerante personalizado “Rota 66”. “Conversar com o Gary nos fez viajar no tempo e imaginar como era a estrada naquela época. Além disso, ele é uma ótima fonte de informações e pôde dar dicas preciosas aos viajantes”, diz Júnior.

Foto: Moto do filme Easy Rider

Foto: Primeira Harley Davidson

Foto: Retirada das motos - Chicago www.sigep.org.br

Em St. Louis fizeram uma pausa na rota e seguiram rumo ao Sul em outra parada obrigatória, Graceland em Memphis, indispensável para quem gosta do Blues e do bom e velho Rock Roll, segundo os “Motociclistas de Deus”. Estamos falando da casa do Rei do Rock “Elvis Aaron Presley”, que foi transformada em museu e mantém a decoração da época em que o músico viveu ali. Além de exibir um acervo enorme com roupas, guitarras, conta com uma incrível sala de prêmios, com os discos de ouro conquistados por ele. Na parte externa, conserva um rancho, dois aviões particulares e a coleção de carros do cantor. “Eu não sou um grande fã de Elvis, mas após conhecer sua história em Graceland, passei a admirá-lo. Ele foi um gênio da música”, elogia Vicente. Percorrendo aproximadamente 550 km diários o grupo estabeleceu uma rotina para aproveitar bem o dia, com toque de despertar às 6 da manhã, banho, café e momento de devocional e oração às 7h. Em seguida saiam com as motos. “Durante toda a viagem o grupo esteve muito unido e com o mesmo objetivo, aproveitar ao máximo cada instante”, diz André. Com um café da manhã reforçado, os motociclistas faziam pequenos lanches durante o dia e reservavam seu tempo para um bom jantar típico e uma boa conversa. “Procuramos visitar lugares da cultura americana, conhecer a música e comer os pratos tradicionais. Por isso todas as noites procurávamos escolher os melhores restaurantes e bares para curtir”, conta Júlio. novembro/dezembro - No 83

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Para que as despesas fossem pagas de forma igual por todos, criou-se “a Firma”, em que foi estabelecido um acordo, que cada um contribuía diariamente em espécie. O dinheiro era utilizado para pagar as refeições, gasolina, estadia, além de outras despesas do grupo. Os “Motociclistas de Deus” cortaram o deserto fazendo amigos e histórias. Contemplaram a imensidão do Gran Canyon, em Las Vegas, e também impressionaramse com as luzes da cidade, assim como o tamanho dos hotéis e cassinos, capazes de abrigar uma montanha-russa em seu interior. “Estávamos na piscina quando vimos à montanha-russa dentro do nosso hotel. De imediato mobilizamos o grupo para se aventurar nos trilhos suspensos nas alturas. Pra que ninguém desistisse, saímos da piscina e fomos direto para a fila do brinquedo, com calção de banho e corpo molhado mesmo”, relembra Beto. A vida noturna de Las Vegas agitou ainda mais viagem dos sete amigos. Além dos bares e restaurantes, o show de águas do Hotel Bellagio foi uma atração à parte. Com aproximadamente cinco minutos de duração, o movimento das águas, combinado ao som da música e iluminado pelos mais diversos tons de canhões de luzes encantam os espectadores e param os turistas que caminham pelas ruas da cidade. No décimo segundo dia de viagem, muitos quilômetros foram percorridos até Los Angeles. Ao chegar ao Pier em “Santa Mônica”, ponto final da Rota 66, o sentimento de saudade tomou o lugar do entusiasmo e expectativa do início da viagem. A aventura sobre duas rodas havia terminado naquele instante, mas a lembrança dos momentos vividos entre amigos já voltava à memória com gosto de quero mais. “Ficamos felizes ao encontrar o marco que encerrava a rota, ver o lindo Oceano Pacífico, mas ao mesmo tempo já sentíamos saudade daquela viagem inesquecível”, explica Vicente. Dezesseis dias depois de muita emoção, sonhos realizados, o rosto queimado pelo sol e as roupas já puídas pela poeira, o coração batia com a satisfação de missão comprida. Sendo assim, as motos foram entregues e os amigos embarcaram de volta para o Brasil. pré•impressão

Foto: Início da Rota 66 - Chicago

Foto: Na estrada www.sigep.org.br


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Foto: Vicente Linares ao lado da moto utilizada no trajeto

Foto: Avi達o particular do Elvis Presley

Foto: Casa do Elvis Presley - Memphis www.sigep.org.br

Foto: Sala de discos de ouro do Elvis Presley novembro/dezembro - No 83

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CURIOSIDADES Lado Errado Durante toda a viagem os motociclistas contaram com um carro de apoio, que levava as malas, comida, água e refrigerante. Júnior, Marcos e Vicente revezavam na direção do carro. Em certa parada, em uma loja de souvenir, ou “tonterias” como eles diziam, o grupo que estava de moto foi bloqueado no estacionamento por

uma caravana de ônibus. Enquanto Júlio se arrumava em sua moto, o grupo foi saindo por entre os ônibus e ele, sem perceber a movimentação dos colegas, saiu no sentido contrário na estrada, acelerando cada vez mais na tentativa de alcançar o grupo. Marcos estava no carro de apoio e percebeu que Júlio estava equivocado e foi atrás dele.

E Júnior, o último dos motociclistas a sair, também notou o carro e a moto indo para a direção oposta e resolveu segui-los. “Fui atrás de Júlio tentar avisá-lo e quanto mais eu acelerava, mais ele corria tentando encontrar o grupo. Quase não consegui alcançálo”, ri Júnior.

Dividindo a cama de Motel Nos Estado Unidos é comum encontrar motéis na beira de estradas, mas eles não possuem a mesma conotação sexual que no Brasil. São como hotéis, só que mais baratos e simples. E foram nesses motéis que os motociclistas passaram a maior parte de suas noites nos EUA. O detalhe, é que os sete homens dividiram não só o quarto, mas também as camas de casal. “Além de serem duas camas de casal por quarto, tínhamos que dividir até o cobertor, fora o festival de roncos”, lembra Marcos, rindo.

Velho Oeste No Texas, os Motoqueiros de Deus puderam passar por uma experiência tipicamente texana. Hospedados em um motel na cidade, os amigos resolveram jantar em um restaurante típico e informaram-se na recepção sobre as opções na região. André, responsável por averiguar a informação, voltou da recepção com a seguinte informação: “às

nove horas o restaurante mandará uma limusine para nos buscar”. Exatamente às 21h, encostou uma limusine branca com um enorme chifre de boi fixo no capô e desceu um texano de botas e chapéu. “Entramos no carro e fomos ao “tal” restaurante “The Big Texan”, inaugurado em 1960, fazendo parte dos pontos históricos e turístico da Rota 66”, lembra Júlio. Um estilo de

galpão criolo, com decoração igual a dos filmes de bang-bang, cheia de cabeças de boi e outros animais empalhados e pendurados, pessoas trajadas a caráter e um trio de texanos tocando músicas da região. “Fomos muitos bem atendidos e saboreamos uma deliciosa carne. Após o jantar fomos levados ao motel novamente com a limusine. Felizes e de barriga cheia”, conta Maurício.

Turismo “Grand Canyon” Na visita ao parque estadual do Grand Canyon o grupo deparou-se com uma estrutura gigantesca de hotéis e restaurantes para atender os turistas que visitam uma das sete maravilhas do mundo, localizada no estado do Arizona. Os “Motociclistas de Deus” ficaram impressionados com a imensidão e beleza natural do lugar, grandes penhascos e uma paisagem fora do comum emocionaram o grupo. “Ficamos maravilhados com a grandeza, história e beleza natural do lugar, momentos como este nos mostram a grandeza e soberania de Deus”, diz Beto. pré•impressão

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Caráter Para visitar a casa do Elvis, os amigos deixaram suas motos no estacionamento do supermercado Wallmart, em St. Louis, e seguiram de carro até Graceland. Passaram dois dias fora e, ao retornar, Júnior se deu conta que havia esquecido seu capacete no banco na moto. Ao contrário do que imaginou, o objeto estava exatamente onde ele havia deixado, sem que ninguém tivesse mexido. “Fiquei impressionado com o caráter dos americanos. Achei que teriam roubado meu capacete e o encontrei no mesmo lugar”, diz Júnior.

As Águias Júlio é irmão de Vicente e há algum tempo que estava procurando um presente que tivesse um valor diferente, uma história, para retribuir todas as coisas boas que o irmão fez a ele. E durante a viagem, Júlio encantou-se com uma estátua em forma de águia, entalhada em madeira. Para ele, o objeto era imponente e representava a gratidão que ele tinha pelo irmão. Porém, assustou-se ao descobrir que a águia custava muito caro. Fez uma

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busca em outros locais e quando encontrou a estátua do jeito que queria, não hesitou e comprou logo duas. O problema é que cada águia media cerca 60 cm e já não havia mais espaço no carro. Para trazêlas para o Brasil foi outra luta. Uma caixa que foi comprada com o intuito de carregar as águias era pequena demais, mas no último segundo, Beto conseguiu duas

caixas enormes de papelão e as águias chegaram intactas. Chegando ao Brasil, Júlio finalmente revelou ao irmão que o presente era pra ele e entregou a águia para Vicente. “Quis fazer surpresa e só entreguei o presente para o Piru (apelido do Vicente) quando chegamos ao Brasil. A águia é o símbolo dos Estados Unidos e achei que seria bacana para ele lembrar da nossa viagem”, conta Júlio.

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dicas Não esqueça o protetor solar. A exposição ao sol é muito grande durante a viagem e é melhor não deixar com que uma queimadura indesejada atrapalhe o passeio.

Somente três estados americanos exigem o uso de capacete, porém o acessório é indispensável para a segurança do motociclista.

Utilize óculos de sol para proteger os olhos do vento e da poeira. Prefira modelos que fiquem presos à cabeça para evitar perdê-los durante o trajeto.

A variação de temperatura é grande na região do deserto. A combinação jaqueta + camiseta leve é ideal para esse clima.

Fique atento para a localização de postos de gasolina e restaurantes. De Oatman à Ludlow, por exemplo, quase não existem postos em funcionamento.

Yup Turismo Telefone: (41) 3382-7276 Endereço: Rua Dr. Motta Júnior, 1000 – Centro – São José dos Pinhais/PR Site: www.yupturismo.com.br E-mail: contato@yupturismo.com.br pré•impressão

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ROTA 66 - Pré-Impressão - 83  

Recorte da Revista Pré-Impressão 86, que mostra a viajem de Vicente Linares, diretor da Corgraf, em viajem, junto com sua equipe e amigos pe...

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