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nº 123 Novembro de 2019

ADVENTO 2019: “Maria acompanha-nos no nosso caminho para o Natal, para nos ensinar como viver este tempo de Advento na espera do Senhor” (Papa Francisco)


NO PARAÍSO Faleceu a Virgínia!... Viveu a sua vida em total entrega a Deus e aos outros, na vivência da Espiritualidade do ‘serviço por amor’. Virgínia Minelli nasceu no dia 28 de Maio de 1928 e faleceu no dia 19 de Novembro de 2019. Ainda jovem, encontrou Padre Rotondi e deixou-se entusiasmar pela mensagem que ele dirigia, particularmente, aos jovens. Acolheu o chamamento de Deus e consagrou a sua vida ao serviço da renovação da juventude. Braço direito de P. Rotondi, encarnou a proposta da espiritualidade do Movimento Oásis e, com ele, sonhou o Instituto Secular Ancilla Domini, do qual foi Responsável-Geral, desde a sua origem até 2016. Foi, também, Secretária Internacional do Movimento. Grande entusiasta da divulgação internacional do Movimento Oásis, acompanhou P. Rotondi nos seus périplos pelo mundo. Veio, várias vezes, a Portugal, deixando-nos o testemunho de alegria, de dedicação, de interioridade e de desafio a viver a radicalidade do amor a Jesus, por Maria, Ancilla Domini. Sempre manifestou um grande apreço pelo Movimento Oásis vivido em Portugal, sobretudo através do seu cuidado e do seu carinho para com o Ancilla Domini que, entre nós, lançava raízes e se consolidava na fidelidade ao projecto de P. Rotondi. Rejubilava sempre que recebia notícias do nosso viver em Oásis, acompanhando as nossas actividades e apresentando-nos como um exemplo a seguir. Na certeza de que, junto do P. Rotondi, no paraíso, intercede por nós, deixamos o nosso obrigado e a nossa gratidão pelo que ela foi e deu. Rezamos, agradecendo a sua vida, e apresentamos a todos os familiares e amigos da Virgínia a nossa comunhão fraterna e a nossa solidariedade. Crescer on-line - Novembro de 2019 - Página nº 1


OBRIGADO, VIRGÍNIA! O Movimento Oásis e o Ancilla Domini, em Portugal, em comunhão de fé e de esperança com todos os amigos e familiares de Virgínia, manifestam a sua solidariedade e a sua presença orante, agradecendo tudo quanto dela receberam. Apesar da distância física que nos separa de Villa Sorriso, estamos próximos e presentes, por que unidos na oração e na saudade. Damos graças a Deus pela sua vida, pelo seu entusiasmo, pela sua dedicação e pelo seu testemunho de amor ao Oásis e ao Ancilla Domini. Recordamos todos os momentos em que partilhamos a vida, os sonhos e os projectos para o AD e o Movimento. Com gratidão, lembramos a alegria e a familiaridade com que nos acolhia em Villa Sorriso; o entusiasmo com que nos encorajava a construir Oásis, em Portugal; a alegria com que recebia as notícias da vida do Movimento e do Instituto, em Portugal. Várias vezes, esteve em Portugal, deixando-nos a sua marca de mulher de oração, de radicalidade na entrega, de felicidade na vocação e de acolhimento dos novos desafios que a vida colocava à Igreja e ao Ancilla Dimini, alma do Movimento Oásis. Agora, junto de Deus, acreditamos que, com Padre Rotondi, intercede mais fortemente por nós, pelo Ancilla Domini e pelo Movimento Oásis. Continuaremos a falar do seu exemplo, sobretudo aos jovens, apresentando-a como modelo de entrega radical a Deus e aos outros. Com amizade, renovamos o nosso SIM que, também, brotou do testemunho do seu SIM.

Crescer on-line - Novembro de 2019 - Página nº 2


HOMILIA NA MISSA POR OCASIÃO DO FALECIMENTO DA VIRGÍNIA A proximidade do termo do ano litúrgico transporta-nos para um cenário final: o fim da história, quando o tempo se apagar e amanhecer o eterno; o regresso definitivo do Senhor por ocasião da sua segunda vinda. Se o tempo se há de extinguir totalmente, mais direta experiência fazemos da consumação do tempo de cada vida. É, pois, este fim mais concreto que hoje aqui evocamos, quando recordamos a Virgínia que ontem encerrou o tempo da sua vida entre nós para ser acolhida – assim o acreditamos – no amor de Deus que tudo consuma. Independentemente do fim a que nos reportarmos, a palavra que o evoca e ilumina quer-nos bem atentos ao tempo sob inspiração do eterno. Assim o confirma aquela mãe do tempo do Macabeus, que exortou os seus sete filhos a uma fidelidade ao preço da vida, e aquele filho mais novo incapaz de trair a lei mosaica face a qualquer sedução. Nenhum deles despreza a vida no tempo, mas fazem dela fidelidade até ao fim, optando por «morrer com beleza», como, num episódio semelhante do mesmo livro, referia ontem Eleazar. Custa a perceber como pode a morte ser bela ou ser belo o ato de morrer. Tais contornos advêm, no pensar do texto, do facto de a morte poder ser um testemunho de coragem e uma manifestação de virtude. A irrenunciável fidelidade a Deus e o testemunho de uma vida santa dão beleza ao tempo de uma vida, em todas as suas idades, também nas mais longas, como foi o caso da Virgínia. Dando beleza ao tempo de uma vida, a fidelidade a Deus e o testemunho de uma vida santa entregam-nos ao Belo da vida sem tempo, à beleza que configura também o nosso Deus. É ainda do tempo que fala o evangelho na parábola das minas. Evocando provavelmente a viagem de Arquelau a Roma para ser investido pelo senado na sucessão de seu pai Herodes, assim como a viagem daqueles que se lhe opunham para o expressarem na capital do império, o episódio fala-nos da ausência de um nobre que, antes da partida para ser coroado, entrega uma quantia diferenciada a três dos seus servos, que a administram e dela prestam conta no regresso. O tempo da viagem ou da vida é o tempo dado à liberdade, uma liberdade criativa, que não se prenda apenas àquilo que é mais seguro, mas que arrisque perder para ganhar. Fazer investimentos de risco nem sempre compensa financeiramente. Existencialmente, contudo, é preciso perder para ganhar, despojar-se do que se tem para que a vida seja fecunda. Assim o mostra a Páscoa de Jesus, só analogamente passível do confronto com um investimento financeiro. Para a Virgínia, chegou o tempo do regresso do Senhor e a hora da apresentação da colheita de uma vida. Entre a debilidade própria de cada vida humana, que nunca podemos iludir e para que hoje aqui invocamos o perdão divino, poderá certamente mencionar a fecunda colaboração com o P. Rotondi na fundação e no percurso do Movimento Oásis e do Instituto Secular Ancilla Domini. Não precisará certamente de desfiar méritos e invocar testemunhas, mas aquilo que o Movimento Oásis e o Instituto Ancilla Domini são e significam para nós dizem também de quantos os ajudaram a erguer e fizeram caminhar. No quadro deste regresso, cruzada a fidelidade e a liberdade criativa com a misericórdia de Deus, acreditamos que possa ouvir: «Servo bom. Porque foste fiel no pouco…». A generosidade de Deus dá-lhe certamente, como nos quer dar a nós a plenitude dos bens. Para o poder fazer, reclama a nossa modesta criatividade, absolutamente inadequada à recompensa. Enquanto rezamos pela Virgínia e agradecemos tudo que ela deu pelo Movimento Oásis e pelo Instituto Ancilla Domini, abramo-nos a este Senhor que parte e que regressa, no compromisso de trabalharmos humildemente ao seu serviço, com amor, fidelidade e espírito criativo, na certeza de que o nosso tempo também se há de apagar e então desejaremos ouvir: «Servo bom. Porque foste fiel no pouco…». De facto, o tudo que damos e servimos é sempre pouco. Mas este pouco é aurora de eternidade. «Senhor, ficarei saciado, quando surgir a vossa glória». Terça-feira da XXXIII semana do Tempo Comum Ermesinde, 20 de novembro de 2019 Adélio Fernando Abreu

Crescer on-line - Novembro de 2019 - Página nº 3


PALAVRAS DE DESPEDIDA Algumas palavras em nome de todos os membros da Ancilla Domini feminino. Para o Instituto e sobretudo para o Movimento Oásis, a Virgínia sempre se prodigalizou com inteligência, dedicação generosa, tenacidade e serviço inestancável, até ao fim. Reservada naquilo que dizia respeito à sua pessoa, segundo os ensinamentos do Padre Rotondi, ela foi sempre firme e fiel a apontar-nos constantemente a figura de Maria, Senhora do Sim, convidando-nos a imitá-La na sua total, incondicional e confiante aceitação da vontade de Deus. Cada uma de nós conserva dela muitas recordações que temos bem presente na nossa mente e que agora é impossível exprimir. Devemos-lhe muitíssimo: durante longas décadas a Virgínia representou o Instituto. Agora, confiamos o nosso mais fervoroso e reconhecido agradecimento Aquele que sabe e pode retribuir, cem vezes mais, tudo quanto ela deu e realizou. Ela abriu-nos uma estrada e nós iremos procurar percorrê-la o menos indignamente possível, na certeza que – como Padre Rotondi – continuará a sustentar os nossos passos até ao derradeiro encontro, que para ela já se realizou, com o Senhor da Vida. Desejo exprimir também a nossa gratidão à Graça e ao Gabriele, que lhe estiveram sempre próximos e a acompanharam, sobretudo neste último e difícil período. Adeus Virgínia, o nosso afectuoso obrigado! Mariella (Palavras proferidas no dia do funeral da Virgínia)

Crescer on-line - Novembro de 2019 - Página nº 4


TESTEMUNHO SOBRE A VIRGÍNIA Morreu a Virgínia. Recebo a notícia aqui em Roma depois de uma longa viagem pela África e uma passagem rápida por Portugal. Como toda a morte fez brotar em mim uma sentida dor e a solidariedade cristã de uma oração. E se é a morte de um conhecido e amigo, ainda mais. Apesar de já estar há uns 10 anos em Roma não convivi muito com a Virgínia. Mas fiz visitas suficientes a Villa Sorriso para me aperceber de algumas experiências que ela viveu, que se tornaram parte integrante do seu viver. Ao partilhá-las comigo, toraram-se para mim uma riqueza pessoal. Essas experiências, esse modo de ser vinha do Oásis, o Movimento que a viu crescer, onde viveu e onde, finalmente morreu. Lembro-me do acolhimento que me dava e que dava a outros Irmãos Maristas que por ali passávamos a visitá-la. Tinha esse dom de saber acolher as pessoas, de as pôr à vontade, de as escutar atentamente e finalmente de estar com elas. “Dava tempo” às pessoas. Na sociedade apressada em que vivemos, nem sempre é fácil. A Virgínia soube fazê-lo com um sentido acurado de presença e de serviço. Lembro-me da sua simplicidade. E nisto estava em perfeita sintonia com ela, não fosse a simplicidade a virtude característica dos Irmãos Maristas. Na presença da Virgínia nos sentíamos bem e até nem era difícil para nós pedir-lhe algum favor, caso precisássemos. Também me pareceu que ele se sentiu sempre muito à vontade com os Irmãos Maristas, lembrando porventura tempos em que a colaboração entre os Irmãos e o Movimento foi mais profunda com variadas realizações apostólicas que se faziam em conjunto. A simplicidade era, sem dúvida, o elemento que nos unia e que nos fazia caminhar em direção à mesma meta apostólica; sobretudo um apostolado com a juventude. ( Continua na próxima página) Crescer on-line - Novembro de 2019 - Página nº 5


Lembro-me do seu amor ao Movimento ao qual acabou dando a sua vida, como sucessora do Padre Fundador, o Padre Virginio Rotondi. E quando nos encontrávamos vinha sempre à conversa o que podíamos fazer ainda em conjunto, como poderíamos tornar o Movimento mais “movimento”, como poderíamos levar a “Espiritualidade do Serviço” ao mundo de hoje e sobretudo aos jovens. Esta foi, no meu entender, um dos empenhos mais fortes da Virgínia. Era, aliás, o que lhe cabia fazer como sucessora do Fundador. Soube fazê-lo muito bem. Seguiu e muito bem os passos do Fundador.

Lembro-me do seu espírito de serviço, e um “serviço por amor” para utilizarmos o lema do Movimento. Que afinal, não é outro que o lema mesmo do Evangelho, ao pensarmos em Cristo que veio para servir e não para ser servido. E nesse aspeto, a Virgínia, sabia irradiar à sua volta esse “espírito de serviço por amor”. Irradiava e contagiava. Terá sido esse, de uma forma muito discreta, um elemento apostólico de grande importância: propor, não tanto pela palavra, mas pelo exemplo. O exemplo é sempre mais convincente do que a palavra só. A Virgínia sabia disso. É o que mais guardarei dela, dos pouco momentos em que pudemos estar juntos, em alguma partilha de vida muito amena ou em algum evento mais oficial do próprio movimento. Lembro-me de que ia envelhecendo e as forças iam diminuindo. Já lhe custava a subir as escadas. Foi o que partilhou comigo na última vez que a vi, em 2017, quando celebrei os meus 50 anos de Vida Religiosa. Eu alinhava quase no mesmo tom. “Olha, tenho 70 anos, vou pelo mesmo caminho”. Não sei o que lhe terei dito mais. Mas creio que fica bem ao recordá-la, neste momento em que já se encontra com Deus, o que partilhava com os meus amigos oasistas de Lisboa, agora de “idade avançada”, há menos de uma semana, no dia 14 de novembro de 2019. “O envelhecimento no Senhor é também uma graça, que nos prepara ao grande encontro com ELE. O encontro onde tudo será luz e todas as sombras terão desaparecido. O encontro onde experimentaremos a juventude eterna de Deus. Aquela que não perece no tempo, porque está para além do tempo. Aquela que será a eternidade de Deus em nós. E nessa eternidade não podemos envelhecer”. Sim a Virgínia está na juventude eterna de Deus. Foi uma graça para mim tê-la conhecido, ainda que a breve trecho. Teófilo Roma, 20 de novembro de 2019 Crescer on-line - Novembro de 2019 - Página nº 6


PALAVRA DO FUNDADOR Há partir e partir O Padre Sandro Maggiolini falou da dor como caminho para fé, mostrando como Deus pode, sim!, ser cultuado pelas coisas belas, mas também pelos momentos de dificuldade, de sofrimento, quando parece que tudo desaba e perdeu o sentido. Certamente, partir como partiram os marinheiros de Colombo e perguntar-se sempre se, apesar da extensão do mar, existe, ainda, uma terra… ouvir o médico dizer que temos um longo período de internamento e não saber se há a possibilidade de cura… correr um dia inteiro no deserto, em direcção ao oásis, quando o coração diz: é uma ilusão… Isto deve ser bastante triste! É esta a condição dos homens “que não esperam”. Por isso, decorrem lentas e rápidas as horas da vida e, a sua mão, entre os sulcos negros do tempo, semeia pouco a pouco o sorriso da infância, os sonhos e a beleza da juventude, a força e a saúde do homem adulto, a experiência da velhice… com a tristeza das coisas que não voltam mais. E quando a vida, a última semente, também desaparece, os olhos escancaram-se como num salto no escuro. Mas, se existe um fim, bilha a alegria; e quanto mais o fim é belo, tanto mais a alegria se expande, tornando -se êxtase de felicidade. Mas, então, o que pode dizer o cristão: “eu espero… a vida eterna”. Então, onde poderá encontrar motivos para a tristeza? O único motivo seria a incerteza dos meios para atingir este fim. Mas, a nossa esperança não é presunçosa, nem envergonhada. Não se baseia nas nossas forças - que podem faltar de um momento para o outro – nem se ilude com quimeras inexistentes. Alicerça-se, completamente, nos méritos e promessas de Cristo, que não podem falir. Por isso, deixemos aos outros, que “não têm esperança”, aos “desesperados”, a fronte enrugada, os olhos turbos e os saltos no escuro. Nossa é a serena alegria de quem sabe que nada está perdido porque existe um Deus que conta tudo; que nada acontece de mal porque para os eleitos tudo acaba em bem; nada é inútil, porque tudo estava previsto e permitido por um Pai que sabe e que ama; e que as chamadas desgraças, a desventura, as grandes ou pequenas dores são sementes que caem para despontar para a glória e transformar-se numa alegria transbordante. (Ascolta, si fa sera: pág.155-157)

Crescer on-line - Novembro de 2019 - Página nº 7


Movimento Oásis em Portugal (1958 – 2018) 60 ANOS - 60 TESTEMUNHOS 60 anos de Oásis que dá Vida, e Vida em abundância

Era bem pequenino quando pisei pela primeira vez, pela mão dos meus pais, esta Casa de Sonhos, como tão bem nos recorda o nome da rua onde está situada. Desde então, cumpriu na minha vida a função de qualquer oásis: foi um espaço que sempre me permitiu parar, encontrar-me, alimentar-me, contemplar e preparar-me para caminhar. Desengane-se quem pense que este Oásis é um sítio de descanso. Se por um lado é bem certo que a paz que ali se respira contrasta com a pressa e a confusão do nosso dia-a-dia, por outro, sempre provocou em mim o que a primeira parte do seu nome indica: Movimento. Não há palavra que melhor descreva o meu percurso no Oásis e a influência deste na minha vida do que “caminho”. Desde as primeiras tardes de brincadeira na sala verde, passando pela participação nos “Pequenos Amigos de Jesus” e terminando, mais recentemente, com os retiros e acampamentos para adolescentes e jovens, esta casa e este Movimento têm posto a minha própria vida em movimento. Acho que o ponto de partida e a força motriz deste movimento é o encontro com Jesus humano, próximo e presente. Esse encontro tornou-se fácil e palpável principalmente pelas pessoas que sempre pude encontrar nesta casa que O têm como centro das suas vidas e falam Dele com um brilho nos olhos, que, às vezes, transmite mais do que as próprias palavras. Este contacto com Jesus rapidamente se converteu para mim numa relação próxima com um Deus que convida e impulsiona uma vida em movimento, uma vida de entrega, de serviço e de disponibilidade. E aqui chega aquela que foi talvez a maior aprendizagem que o Oásis provocou na minha vida: a capacidade de dizer Sim ao Senhor e aos irmãos. SIM! O facto de esta ser a primeira palavra com que se encontra qualquer pessoa que entre nesta casa, não é casualidade. Mais do que símbolo, fui-me encontrando com o Sim no contacto com as pessoas e com os seus testemunhos de vida. E pouco a pouco acho que esse Sim se foi concretizando em pequenos “Sins” da minha Vida: pequenos serviços aos outros e dar mais espaço a Deus na minha Vida ao jeito de Maria: “Senhor, faça-se em mim segundo a tua Palavra”. A este caminho de pequenos “Sins” somou-se um passo importante que dei no passado mês de julho (de 2017): a primeira profissão como Irmão Marista. A felicidade, a plenitude, o sentido e a certeza que senti nesse dia, em mim e em todos aqueles que me acompanhavam, faz-me agradecer ao Senhor pelo caminho que fez comigo, pelo papel importante que este Movimento tem para mim e querer continuar a cantar desde o coração “Nas tuas mãos Senhor eu ponho a minha vida” com a certeza de que o Sim é, sem dúvida, uma palavra que transforma a Vida. Obrigado! José Luís Carvalho Crescer on-line - Novembro de 2019 - Página nº 8


Baptizados em Cristo, Chamados à Santidade! Escolhidos na Oração, Gerados na Cruz e Animados pelo Espírito Santo! 1.

Escolhidos na Oração (Apresentamos uma síntese da reflexão feita pelo Pe Sérgio no Encontro de Animadores a 14 de Setembro de 2019) (Continuação do número anterior)

Ser animador significa viver uma relação íntima e pessoal com Jesus Cristo. Pois é precisamente aqui que radica a nossa experiência cristã: «no início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo (DCE 1). Escolhidos na oração e intimidade com o Pai cada animador é chamado a ser um homem e uma mulher de oração. A oração não é uma opção na vida do animador, mas algo de absolutamente central, o lugar onde unificamos a nossa vida, onde recentramos a nossa vida, onde encontramos força para a vida e onde forjamos o nosso coração para que a nossa vida toda seja uma grande oração da qual aquilo a que chamamos oração deixa de ser uma parte isolada do resto do nosso dia. São muitas as formas de oração… O importante não é o tempo mas a qualidade da minha oração. Mas se não dedico tempo Àquele que quero que seja o centro e a fonte de sentido da minha vida, então será sempre difícil recentrar a minha vida no essencial e fundamental da minha vida. A oração permite deixar o nosso coração moldar-se por Jesus e encontrar Nele o Divino Oleiro que molda a nossa existência para que ela seja cada vez mais um sinal misericordioso e terno do amor de Deus no mundo. – Oração pessoal: as mais diversas formas de oração da piedade popular (Rosário, a Via-sacra, o Terço da Misericórdia), a oração espontânea, a oração contemplativa pela Natureza, a Liturgia das Horas. Ter ao longo do dia um tempo de oração pessoal que assume uma importância fundamental e que não podemos de jeito nenhum abdicar. É a respiração da nossa alma sem a qual não podemos manter viva e acesa a presença de Deus na nossa vida. – Oração comunitária: rezar em comunidade sublinha a certeza da nossa comunhão e unidade. A oração da comunidade paroquial, mas também a oração nesta fraternidade que constituís como consagradas de um mesmo instituto. O Papa João Paulo II dizia: «uma família que reza unida, permanece unida». Porque não procurar ao longo do ano momentos de oração comunitária que fomentem a comunhão e unidade. – O animador tem consciência que a aventura da fé não é uma aventura isolada, mas sabe que é impossível conceber a fé sem a Igreja, a grande família dos filhos de Deus, por isso, o animador ama a Igreja e vive alegria de pertencer à família dos filhos de Deus. «Tudo com a Igreja, nada sem ela», dizia S. Joana Jugan, fundadora das Irmãzinhas dos Pobres. O animador ama a comunhão e a fraternidade, está disposto a viver com humilde dedicação pela construção da comunhão no seu grupo, no movimento, na comunidade paroquial, na família… ama a comunhão e ama a Igreja como Sua Mãe e ama-a nas suas belezas e virtudes, mas também nas suas rugas e defeitos. Amar a Igreja, amar a Instituição, amar a hierarquia, amar os sacerdotes, amar os religiosos, amar os consagrados… amar a todos, mas não ter medo de anunciar o amor preferencial por aqueles que escolheram amar a todos entregando a sua vida. (Continua na próxima página)

Crescer on-line - Novembro de 2019 - Página nº 9


– O lugar por excelência onde se vive a comunhão familiar é a mesa. É assim em nossa casa. Como é belo uma família sentada à mesa, a experimentar a comunhão e a partilha, a viver a comunhão e o amor. Assim, a grande família dos filhos de Deus que se reúne à volta da mesa, semana após semana para celebrar a Eucaristia. Por isso, o animador escuta a Palavra, celebra a Eucaristia e por ela orienta a sua vida. Por isso, sabe que ao Domingo é imprescindível e de tal modo alimenta a sua vida pela eucaristia, que pouco a pouco a procura celebrar sempre que possível, porque em cada Eucaristia voltamos ao calvário, estamos com Jesus, acolhemos a Sua Palavra, partilhamos o Seu povo e recebemos para a vida um novo alento e uma nova esperança. – Junto com a celebração da Eucaristia está a celebração do Sacramento da Reconciliação. A Eucaristia e a Reconciliação abrem-nos à vida da graça, à perfeição de vida, à transparência de coração e ao desafio permanente da conversão. Deste modo, o animador cultiva a vida da graça na transparência de vida. O Padre Rotondi quando fala da Perfeição junta-lhe a necessidade de tomar consciência que a graça de Deus é depositada na nossa vida como dom a cultivar e a preservar. Sem medo de olhar o desafio da graça em todas as suas dimensões: transcendente, relacional, afectiva, sexual… Cada um, no seu estado de vida, afirma o Padre Rotondi. Perceber que preservar a nossa vida do que nos pode afastar de Deus e do Seu amor, da graça abundante e generosa que Deus deposita na nossa vida. Somos pecadores e limitados, mas profundamente amados por Deus. Pureza de Coração (Sabedoria de um Pobre, p. 137). Na verdade, perseverar na vida da graça pressupõe uma intensa e verdadeira vida de oração que nos permite unificar a vida. Por isso, o importante é que cada um se vá educando e crescendo na arte de viver a intimidade com Jesus Cristo, recordando o permanente convite que Jesus nos faz à santidade. Efectivamente, o animador caminha com radicalidade para a santidade. Deste modo, é sempre necessário como afirma o papa Francisco no n. 2 da Exortação Apostólica Gaudete et Exultate: «fazer ressoar mais uma vez a chamada à santidade, procurando encarná-la no contexto actual, com os seus riscos, desafios e oportunidades, porque o Senhor escolheu cada um de nós «para ser santo e irrepreensível na sua presença, no amor» (cf. Ef 1, 4)» (GE 2). Não é só recordar o refrão que somos chamados à santidade e que o fazemos concebendo a vida como um serviço por amor, mas tomar consciência, meditar, discernir e rezar para perceber de que modo isso se concretiza no aqui e agora, nos actuais riscos, desafios e oportunidades. Contudo, crescer na vida de intimidade com Jesus Cristo, tomar consciência que somos amados e escolhidos na intimidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo, deve levar-nos a ajudar aqueles que se cruzam connosco a viver este encontro e intimidade com Jesus Cristo. Deveríamos ser verdadeiramente facilitadores do encontro com Jesus Cristo. Jesus escolheu doze e constitui-os apóstolos, formou uma comunidade de vida e de fé, que partilhando a vida, o amor e a caminhada, não obstante os seus limites e fragilidades, foram respondendo e correspondendo à missão que lhes foi confiada. É também, contemplando Jesus, o animador daquele primeiro grupo cristão que deveremos encontrar o nosso modo de ser animador. Jesus falava às multidões, falava aos discípulos, falava aos doze, tomava Pedro, Tiago e João, dirigia-se à Samaritana, a Zaqueu, ao jovem rico. Jesus tinha a capacidade de falar a todos, mas também de acolher e escutar cada um com os seus limites e dificuldades, com as suas potencialidades e dons e desafiava-os a ser mais e melhor a partir do Seu amor, lançando, a cada um, um desafio exigente, sem descontos (pensemos no jovem rico), mas à medida de cada um. O nosso ser animador deve viver e respirar este jeito de ser de Jesus: falando a todos, acompanhando a todos, mas acolhendo e acompanhando cada um, com os seus defeitos e fragilidades, com as suas virtudes e potencialidades. Procurando o que se desvia, acompanhando o que se afasta sem nos impormos, amando aqueles que mais ninguém ama para que de verdade como afirma padre Rotondi: «o mundo amado apaixonadamente por Deus não pode deixar de ser amado por nós». Por isso, o nosso ser animador possui esta dimensão missionaria de que fala o Papa Francisco de uma Igreja em saída que não espera que venham ter connosco mas que nunca se cansa de propor ao mundo o amor que brota do Evangelho de Jesus Cristo. Assim desafiava o Papa Francisco os participantes no Congresso Internacional da Pastoral Vocacional, promovido pela Congregação para o Clero, 21 de Outubro de 2016: «Os evangelistas evidenciam muitas vezes um pormenor da missão de Jesus: Ele sai pelas estradas e põe-se a caminho (cf. Lc 9, 51), «percorre cidades e aldeias» (cf. Lc 9, 35) e vai ao encontro dos sofrimentos e das esperanças do povo. É o «Deus connosco», que vive no meio das casas dos seus filhos e não teme misturar-se com a multidão das nossas cidades, tornando-se fermento de novidade onde as pessoas lutam por uma vida diversa. Também no caso da vocação de Mateus encontramos o mesmo pormenor: primeiro Jesus sai de novo para pregar, depois vê Levi sentado no banco dos impostos e, por fim, chama-o (cf. Lc 5, 27). Podemos deter-nos sobre estes três verbos, que indicam o dinamismo de qualquer pastoral vocacional: sair, ver, chamar» Sabemos que toda a nossa acção porque é vocacional há-de ser sempre geradora de vocação, isto é, da consciência de que somos profundamente amados e, por isso, chamados a entrar neste dinamismo de amor, numa forma responsorial de entender a vida, pois o nosso amor é sempre resposta a um amor primeiro que nos desafia a ser mais e melhor. Escolhidos na oração e na intimidade da Santíssima Trindade, somos chamados a fazer entrar neste dinamismo de amor quantos olharem para nós. (Continua no próximo número)

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Exortação Apostólica Pós-Sinodal "Christus vivit" Do Papa Francisco Dirigida aos jovens e a todo o Povo de Deus Sexto capítulo: «Jovens com raízes» O Papa Francisco diz que lhe faz mal «ver que alguns propõem aos jovens construir um futuro sem raízes, como se o mundo começasse agora» (179). Se uma pessoa «vos fizer uma proposta dizendo para ignorardes a história, não aproveitardes da experiência dos mais velhos, desprezardes todo o passado olhando apenas para o futuro que essa pessoa vos oferece, não será uma forma fácil de vos atrair para a sua proposta a fim de fazerdes apenas o que ela diz? Aquela pessoa precisa de vós vazios, desenraizados, desconfiados de tudo, para vos fiardes apenas nas suas promessas e vos submeterdes aos seus planos. Assim procedem as ideologias de variadas cores, que destroem (ou desconstroem) tudo o que for diferente, podendo assim reinar sem oposições» (181). Os manipuladores usam também a adoração da juventude: «O corpo jovem torna-se o símbolo deste novo culto e, consequentemente, tudo o que tenha a ver com este corpo é idolatrado e desejado sem limites, enquanto o que não for jovem é olhado com desprezo. Mas é uma arma que acaba por degradar os jovens» (182). «Queridos jovens, não permitais que usem a vossa juventude para promover uma vida superficial, que confunde beleza com aparência » (183), porque há beleza no trabalhador que regressa a casa sujo e desalinhado, na esposa mal penteada e já um pouco idosa, que continua a cuidar do seu marido doente, na fidelidade dos casais que se amam no outono da vida. Hoje, ao invés, promovem-se «uma espiritualidade sem Deus, uma afetividade sem comunidade nem compromisso com os que sofrem, o medo dos pobres vistos como sujeitos perigosos, e uma série de ofertas que pretendem fazer-vos acreditar num futuro paradisíaco que sempre será adiado para mais tarde» (184). O Papa convida os jovens a não se deixarem dominar por essa ideologia que leva a «autênticas formas de colonização cultural» (185) que desenraíza os jovens das pertenças culturais e religiosas das quais são provenientes com uma tendência para “homogeneizá-los” transformando-os em sujeitos manipuláveis feitos em série (186). Fundamental é a relação com os idosos, que ajuda os jovens a descobrir a riqueza viva do passado, conservando-a na memória. «A Palavra de Deus recomenda que não se perca o contacto com os idosos, para poder recolher a sua experiência» (188). «Isto não significa que tenhas de estar de acordo com tudo o que eles dizem, nem que deves aprovar todas as suas ações» trata-se «simplesmente de se manter aberto para recolher uma sabedoria que se comunica de geração em geração» (190). «Ao mundo, nunca foi nem será de proveito a ruptura entre gerações…É a mentira que deseja fazer-te crer que só o novo é bom e belo» (191). Falando de «sonhos e visões», o Papa Francisco observa: «Se os jovens e os idosos se abrirem ao Espírito Santo, juntos produzem uma combinação maravilhosa: os idosos sonham e os jovens têm visões» (192); se «os jovens se enraizarem nos sonhos dos idosos, conseguem ver o futuro» (193). É preciso, portanto «arriscar juntos», caminhando juntos jovens e idosos: as raízes «não são âncoras que nos prendem», mas «são um ponto de enraizamento que nos permite desenvolver-nos e responder aos novos desafios» (200).

Crescer on-line - Novembro de 2019 - Página nº 11


ENCONTRO DE CASAIS “SEMENTE” E “CRESSER” No domingo 24 deste mês reuniu-se para o encontro mensal, o grupo de casais “Semente” na casa do nosso Movimento. Tiveram como convidados os elementos do grupo “Cresser”. Foi um momento onde sentimos que o nosso Movimento Oásis é também um Movimento de encontro e de partilha e que nos torna a todos mais ricos. Neste encontro falamos sobre a Família à luz da “Amoris Laetitia”, e tivemos como nosso dinamizador o Pe. Paulo Duarte, padre jesuíta, que tem como uma das melhores qualidades, segundo ele e que nós podemos confirmar, o “ser um bom comunicador”! A sua forma de comunicar, a linguagem que tem, que tanto nos remete ao nosso fundador, e a forma entusiasta como comunica foi uma lufada de ar fresco que nos ajudou às nossas reflexões pessoais e em casal. Partindo do “eu”, em todas as suas componentes, chegando ao “tu”, com as suas particularidades, só assim obteremos o “nós”! Só desenvolvendo as nossas capacidades ao máximo, de uma forma harmoniosa, respeitando as que o “tu” possui, podemos construir, florescer e caminhar no “nós” que em tantas relações procuramos! Terminamos, em comunhão, em torno da mesa, onde rimos, conversamos e partilhamos alguns sonhos e objetivos. Ficou a promessa de que esta não será a última experiência em conjunto mas fica agora o desafio de serem vós, grupo Casais “Semente” a escreverem o próximo texto para o Crescer Online no nosso próximo encontro! Um muito OBRIGADO do Grupo “CRESSER”! Diogo Azevedo Crescer on-line - Novembro de 2019 - Página nº 12


BODAS DE PRATA Isabel e Zé Campos Passamos a vida a sonhar com alguém que nos conheça inteiramente, que conheça a nossa nudez mais radical, que é a nossa verdade, o Eu que somos e nos diga "Amo-te". Partimos à aventura... Tantas vezes paramos e olhamos o Hrizonte... As serras, os Mares... e percebemos que nada pára... nada se detém, está tudo em constante movimento, trazendo segredos dos que de nós surgiram, dos que a nós vieram e para quem fomos Margem, Abrigo, Terra, Suporte... Pensando bem somos Graça de um Amor Imenso que não tendo todas as soluções, tem Caminho e Mão estendida, Colo e Silêncio e nos sussurra baixinho "GOSTO DE TI"... Fizemos festa convosco, ouvimos a história até aqui... que ela continue neste contínuo movimento que é a vida… Preenchei-a de um Amor à semelhança do Amor supremo, que através de cada um de vós, sussurre este" Gosto de Ti" cada dia, exprimindo-se no abraço, na atenção e no carinho de que tanto precisamos... caminhamos convosco em busca do mesmo... Parabéns. Luz Reis

Crescer on-line - Novembro de 2019 - Página nº 13


FAÇA VOCÊ MESMO O ‘serviço’ em acção Para concretizar o desafio, lançado no último encontro de Animadores, alguns elementos do grupo de casais “Semente” dedicaram o seu dia de Sábado a cuidar dos exteriores do nosso Centro. A proposta dos Animadores incentivava a criar disponibilidade e a colocar as suas capacidades no zelo pela nossa Casa. Há pequenos serviços que são grandes gestos. Como podemos ver nas fotografias, foi um trabalho árduo, exigente e feliz. A alegria acompanhou este serviço que era uma necessidade urgente para preservar o edifício. O testemunho desta acção seja motivador de outras generosidades para outras tarefas. Obrigado ao grupo “Semente” por este excelente pontapé de saída. Faz tu, também. Disponibiliza-te para, com os teus amigos ou grupo, tornar a nossa casa mais bela. Agradecemos, ainda, a disponibilidade de alguns para colaborem connosco, no apoio à cozinha, nos encontros de fins-de-semana, criando comunhão de família e aliviando as canseiras que acarretam o cuidar de grupos numerosos. A Equipa da Casa Movimento Oásis Centro de Espiritualidade Rua Mirante de Sonhos, 105 4445-511 Ermesinde - tel. 229712935 http://www.movimentooasis.com Contactos : padrearaujo@sapo.pt / oasis@movimentooasis.com Crescer on-line - Maiol de 2019 - Página nº 1

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Crescer On-line - novembro de 2019  

Boletim do Movimento Oásis em Portugal

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