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nº 122 Outubro de 2019

Papa aos jovens do Oásis: “Queridos jovens: Agradeço-vos que tomem consciência do próprio Batismo. Batizados e enviados: o Batismo faz-te sair, põe-te a caminho”.


PALAVRA DO FUNDADOR

SABER ESCUTAR Para o diálogo de que tanto se fala hoje e de que se sente necessidade e urgência – é verdade que é preciso saber falar – é necessário saber escutar. O diálogo – quando quer ser verdadeiro e construtivo – exige um clima de amor, a todos os níveis: conjugal, social e, mesmo, religioso. Ora – como alerta um psicólogo – o primeiro dever do amor é, justamente, saber escutar. Escutando, inconscientemente, exprimimos o interesse e o amor pela pessoa que fala. Aquele que escuta atentamente sabe que cada conversa oferece um modo de enriquecer-se, isto é, aprender qualquer coisa de útil sobre o outro e do outro. Escutar com atenção Não existem conversas insípidas para quem sabe escutar. Mesmo que o interlocutor não diga senão palermices, no seu modo de falar está a revelar-se a si mesmo: ele é já, em si mesmo, um magnífico assunto de observação e de amor. Observai-o, examinai-o, procurai descobrir o seu temperamento, o seu carácter e a sua mentalidade. Fareis descobertas interessantes que enriquecerão a vossa experiência psicológica. Uma menina contou, assim, a história da criação: «Primeiro, Deus criou Adão. Depois, ouviu-o falar. Olhou-o atentamente e disse: ‘Talvez, possa fazer melhor, se tentar de novo’. E criou Eva». Escutar com amor A troca de ideias, durante uma conversa, é um dos mais agradáveis e úteis exercícios da inteligência. A conversa alarga as ideias; o diálogo alimenta o espírito. Mas, exige que os interlocutores alternem a parte de quem fala com a de quem escuta; requer, muitas vezes, uma, ainda que mínima, pausa de escuta, uma pausa de assimilação. Escutai os interlocutores sem preconceitos. Discuti, mas com cortesia. Sabei reconhecer a parte de verdade que existe nas suas afirmações. Roosevelt dizia: «Sempre apreciei, como norma do saber escutar, um provérbio filipino que diz: ‘A mosca não entra na boca fechada’.» Escutar com alegria O saber escutar é prestar homenagem a quem fala; o interlocutor fica lisonjeado, confortado e regozijado. ‘Quando é que estamos sãos de espírito?’ perguntava um psiquiatra. E respondia: ‘Quando nos interessa o que os outros dizem e quando ficamos felizes por fazer o que dá prazer aos outros’. (tre minuti per te, pág. 50-51)

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Movimento Oásis em Portugal (1958 – 2018) 60 ANOS - 60 TESTEMUNHOS Minha família… nossa família Oásis Pensar em Oásis é pensar na minha vida: 60 anos de Oásis em Portugal, para mim são 42 dos meus 68 de idade. Convidada pelo Padre Carlos Alberto Pereira, que considero como meu pai na fé, fiz parte do grupo de universitários do Porto, onde ganhei irmãos de coração, como a Ana Maria e D. Carlos Azevedo. Conheci o Manel, meu marido, no grupo de Coimbra. Poucos dias antes do nosso casamento participámos num encontro de cinco dias com o Padre Rotondi e a presença da Virgínia, Ancilla Domini. Estes dias foram a verdadeira preparação para o nosso Matrimónio. Foi aí que o Padre Rotondi nos explicou o SIM: ao que Deus DIZ, DÁ e PEDE. Já me orientava pelo SIM ao que Deus diz e pede, mas ao que DÁ foi novidade para mim, e foi fundamental para a minha vida a partir daí. Passei a viver com paciência e fé os momentos difíceis. Porque não se vive a fé sozinho, eu e o meu Manel, com o Padre Carlos Pereira, a São Quaresma e o Manel Brito, a Clarinda e o Guilherme, a Teresinha e o Guerreiro, formamos um grupo há tantos e tantos anos! O Padre Carlos é “pai” de todos nós e “avô” dos nossos filhos e nós somos irmãos uns dos outros. Durante alguns anos, participei em acampamentos com jovens do movimento e os amigos “do peito” aumentaram: a Antónia, a Paula Valinhas, a Teresa Mendes, a Luz e o To Zé, e tantos, tantos outros, … e os “manos” Rui e Natália. Assim, Oásis é a minha vida acompanhada por esta GRANDE FAMÍLIA! E como me faz FELIZ! Maria Helena

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Exortação Apostólica Pós-Sinodal "Christus vivit" Do Papa Francisco Dirigida aos jovens e a todo o Povo de Deus

Quinto capítulo: «Percursos de juventude» «O amor de Deus e a nossa relação com Cristo vivo não nos impedem de sonhar, não nos pedem para restringir os nossos horizontes. Pelo contrário, esse amor instiga-nos, estimula-nos, lança-nos para uma vida melhor e mais bela. A palavra «inquietude» resume muitas das aspirações do coração dos jovens» (138). Pensando num jovem o Papa vê aquele que tem os pés sempre um atrás do outro, pronto a arrancar, a partir. Sempre a olhar para diante (139). A juventude não pode ser um «tempo suspenso», porque é «a idade das escolhas» em âmbito profissional, social, político e também na escolha do seu par e na opção de ter os primeiros filhos. A ânsia «pode tornar-se uma grande inimiga, quando leva a render-nos, porque descobrimos que os resultados não são imediatos. Os sonhos mais belos conquistam-se com esperança, paciência e determinação, renunciando às pressas. Ao mesmo tempo, é preciso não se deixar bloquear pela insegurança: não se deve ter medo de arriscar e cometer erros» (142). Francisco convida os jovens a não observar a vida da varanda, a não passar a vida diante de um ecrã, a não se converterem num veículo abandonado, a a não olhar o mundo como turistas. Fazei-vos ouvir! Lançai fora os medos que vos paralisam…Vivei!» (143). Convida-os a «viver o presente» para viver plenamente e com gratidão cada um dos pequenos presentes da vida sem «ser insaciáveis» e «obcecados por prazeres sem fim» (146). Viver o presente, de fato, «não significa abandonar-se a uma libertinagem irresponsável que nos deixa vazios e sempre insatisfeitos» (147). «Não conhecerás a verdadeira plenitude de ser jovem, se… não viveres em amizade com Jesus» (150). A amizade com Jesus é indissolúvel, porque nunca nos deixa (154) e assim como o amigo, «conversamos, partilhamos as coisas mais secretas. Com Jesus, também conversamos»: rezando «abrimos o jogo a Ele, damos-Lhe lugar «para que Ele possa agir, possa entrar e possa vencer» (155). «Não prives a tua juventude desta amizade», «viverás a experiência estupenda de saber que estás sempre acompanhado» como os discípulos de Emaús (156): São Oscar Romero dizia: «O cristianismo não é um conjunto de verdades em que é preciso acreditar, de leis que se devem observar, de proibições. Apresentado assim, repugna. O cristianismo é uma Pessoa que me amou tanto que reclama o meu amor. O cristianismo é Cristo». O Papa falando do crescimento e da maturação, indica portanto a importância de buscar «um desenvolvimento espiritual», de «buscar o Senhor e guardar a sua Palavra», de manter «a união com Jesus…porque não crescerás na felicidade e santidade só com as tuas forças e a tua mente» (158). Também o adulto deve maturar, sem perder os valores da juventude: «Em cada momento da vida, podemos renovar e fazer crescer a nossa juventude. Quando comecei o meu ministério como Papa, o Senhor alargou os meus horizontes e deu-me uma renovada juventude. Continua na proxíma página

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O mesmo pode acontecer com um casal já com muitos anos de matrimónio, ou com um monge no seu mosteiro» (160). Crescer «quer dizer conservar e alimentar as coisas mais preciosas que te oferece a juventude, mas ao mesmo tempo significa estar disponível para purificar o que não é bom» (161). «Lembro-te, porém, que não serás santo nem te realizarás copiando os outros. Quando se fala em imitar os santos, não significa copiar o seu modo de ser e de viver a santidade» (162). Francisco propõe «percursos de fraternidade» para viver a fé, recordando que «o Espírito Santo quer impelir-nos a sair de nós mesmos, para abraçar os outros…Por isso, é sempre melhor vivermos a fé juntos e expressar o nosso amor numa vida comunitária» (164), superando «a tentação de nos fecharmos em nós mesmos, nos nossos problemas, sentimentos feridos, lamentações e comodidades» (166). «Deus ama a alegria dos jovens e convida-os sobretudo à alegria que se vive na comunhão fraterna» (167). O Papa fala depois dos «jovens comprometidos», afirmando que podem correr «o risco de se fechar em pequenos grupos…Têm a sensação de viver o amor fraterno, mas o seu grupo talvez se tenha tornado um simples prolongamento do próprio eu. Isto agrava-se, se a vocação do leigo for concebida unicamente como um serviço interno da Igreja…esquecendo-se que a vocação laical é, antes de mais nada, a caridade na família, a caridade social e caridade política» (168). Francisco propõe «aos jovens irem mais além dos grupos de amigos e construírem a amizade social: «buscar o bem comum chama-se amizade social. A inimizade social destrói. » (169). «O empenho social e o contacto direto com os pobres continuam a ser uma oportunidade fundamental para descobrir ou aprofundar a fé e para discernir a própria vocação» (170). O Papa cita o exemplo positivo dos jovens nas paróquias, escolas e movimentos que «costumam ir fazer companhia a idosos e enfermos, visitar bairros pobres» (171). Enquanto «outros jovens participam em programas sociais que visam construir casas para os sem-abrigo, bonificar áreas contaminadas, ou recolher ajudas para os mais necessitados. Seria bom que esta energia comunitária fosse aplicada não só em ações esporádicas, mas de forma estável». Os universitários «podem unir-se de forma interdisciplinar para aplicar os seus conhecimentos na resolução de problemas sociais e, nesta tarefa, podem trabalhar lado a lado com jovens doutras Igrejas e doutras religiões» (172). Francisco encoraja os jovens a assumirem este compromisso: «Vejo que muitos jovens, em tantas partes do mundo, saíram para as ruas para expressar o desejo de uma civilização mais justa e fraterna…São jovens que querem ser protagonistas da mudança…Não deixeis para outros o ser protagonista da mudança!» (174). Os jovens são chamados a ser «missionários corajosos» testemunhando o Evangelho em toda parte, com a sua própria vida, o que não significa «falar da verdade, mas vivê-la» (175). A palavra, porém, não deve ser mantida em silêncio: «Sede capazes de ir contracorrente, compartilhar Jesus, comunicar a fé que Ele vos deu» (176). Para onde Jesus nos manda? «Não há fronteiras, não há limites: envia-nos a todas as pessoas. O Evangelho é para todos, e não apenas para alguns. Não é apenas para aqueles que parecem a nossos olhos mais próximos, mais abertos, mais acolhedores. É para todos» (177). Não se pode esperar que «a missão seja fácil e cómoda» (178).

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GRUPO DE CASAIS SEMENTE O Grupo de casais Semente no ano Pastoral 2019/2020 pretende enriquecer-se com o contributo de algumas pessoas que pretendemos trazer até nós. Dando cumprimento a esta decisão, no último encontro tivemos connosco o casal Responsável pela Pastoral Familiar da Diocese do Porto que nos veio apresentar o documento “Anunciar o Evangelho da família é a nossa missão - Principais desafios pastorais da Pastoral Familiar da Diocese do Porto à luz da «Amoris Laetitia»”. Foi um bom momento. Luz Reis

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Baptizados em Cristo, Chamados à Santidade! Escolhidos na Oração, Gerados na Cruz e Animados pelo Espírito Santo! 1.

Escolhidos na

Oração

(Apresentamos uma síntese da reflexão feita pelo Pe Sérgio no Encontro de Animadores a 14 de Setembro de 2019) Este ano pastoral 2019-2020 caminharemos acompanhados pelo tema e lema: Baptizados em Cristo, Chamados à Santidade! Em comunhão com a nossa Igreja diocesana queremos ter bem presente o nosso baptismo, conscientes que não fomos baptizados, mas que somos homens e mulheres baptizados e, por isso, enxertados em Jesus Cristo, unidos a Ele como os ramos na videira e queremos dar fruto abundante para que no mundo reine a justiça e o amor, a bondade e a ternura que contemplamos no Deus do Amor que invocamos como Pai. Aquele que quer ser Animador do Movimento Oásis, aquele que já fez algum nível de compromisso, aquele que já consagrou a sua vida em algum ramo do Instituto Secular Ancilla Domini, só pode ser alguém em quem o baptismo recebido em Jesus Cristo, na força do Espírito Santo, o faz sentir verdadeiramente amado pelo Deus a quem invoca como Pai e procura levar a todos esta certeza, concretizando este amor e dando testemunho em gestos concretos de serviço por amor. Apresentarei algumas coordenadas fundamentais e imprescindíveis para ser animador hoje, no concreto contexto em que vivemos e somos chamados a anunciar Jesus Cristo. Por isso, irei dividir a minha apresentação em três partes principais: 1) escolhidos na oração; 2) gerados na Cruz e 3) animados pelo Espírito Santo. Na verdade, somos homens e mulheres escolhidos por Jesus como outrora o grupo dos 12, escolhidos na oração, na intimidade com o Pai e gerados, isto é, chamados a viver da entrega generosa da Cruz que manifesta de modo mais perfeito e acabado o serviço por amor, gratuito e humilde, que nos constitui como testemunhas das maravilhas do Espírito, evangelizadores animados pela força do Espírito divino que faz de nós novas criaturas. Escolhidos na Oração (Lc 6,12-19) «12Naqueles dias, Jesus foi para o monte fazer oração e passou a noite a orar a Deus. 13Quando nasceu o dia, convocou os discípulos e escolheu doze dentre eles, aos quais deu o nome de Apóstolos: 14Simão, a quem chamou Pedro, e André, seu irmão; Tiago, João, Filipe e Bartolomeu; 15Mateus e Tomé; Tiago, filho de Alfeu, e Simão, chamado o Zelote; 16Judas, filho de Tiago, e Judas Iscariotes, que veio a ser o traidor». – Jesus que sobe ao monte… O monte é um lugar tão importante e simbólico ao longo da revelação bíblica. Desde Moisés até Jesus são tantas as passagens bíblicas que evocam este lugar. Também a experiência religiosa de cultos ancestrais se realiza tantas vezes sobre o monte. O monte é um lugar geograficamente mais próximo do Céu e ainda hoje temos tantas capelas situadas em altos montes, tantas vezes lugares isolados, onde ainda hoje rumam peregrinos. Contudo, para mim, o monte traz uma simbologia pela paisagem que dele podemos ver. …. Continua na próxima página Crescer on-line - Outubro de 2019 - Página nº 6


Do cimo do monte, com Jesus e como Jesus podemos ver o mundo, os outros e a realidade de um modo novo. – «Jesus foi para o monte fazer oração e passou a noite a orar a Deus». Alguns exegetas chamam a S. Lucas o Evangelho da Oração, pois muitas vezes Jesus aparece em oração a Deus e a rezar ao Pai, nesta intimidade e diálogo de amor. Já fizemos com certeza esta experiência de estar a falar com um amigo, sobre coisas importantes da nossa vida e ficamos uma longa noite até altas horas em diálogo. – Assim o Filho com o Pai, estão em intimidade, em oração. Nesta intimidade do Filho com o Pai, nasce um momento absolutamente decisivo: a escolha dos doze. E se é verdade que repetidas vezes dizemos ou escutamos que Jesus aparece em oração nos momentos mais decisivos da Sua vida, devemos recordar as palavras de Luciano Manicardi que afirma que é precisamente ao contrário: «a oração de Jesus torna decisivos os momentos do seu viver». – Mas comecemos precisamente por aqui: tal como os discípulos e apóstolos da primeira hora, também nós fomos escolhidos na oração, isto é na intimidade do Pai e do Filho na comunhão do Espírito Santo. Para compreendermos a meta da nossa existência e o modo como devemos moldar a nossa vida cristã e, por isso, a nossa vida de animadores Oásis, temos de inscrever a nossa vida neste mistério de amor que dá origem à escolha que foi feita de cada um de nós: «16Não fostes vós que me escolhes-tes; fui Eu que vos escolhi a vós e vos destinei a ir e a dar fruto, e fruto que permaneça» (Jo 15,16). – Aqui podemos perfeitamente recordar o grande anúncio que o Papa Francisco faz aos jovens no Capítulo IV da sua exortação apostólica Chritus Vivit: Deus ama-te; Cristo salva-te; Ele está vivo. Parecem verdades banais, repetidas vezes sem conta, que as sabemos à memória mas que são o motor da nossa vida. Somos profundamente amados por Deus, por esse amor maior do que o nosso entendimento, as nossas forças ou os nossos esquemas humanos. Somos amados por um Deus que se entrega por nós na Cruz, no Seu Filho Jesus. Quantas vezes, procurando uma cruz bonita para oferecer a alguém, nos esquecemos que estamos a olhar para Aquele que por nós morreu, que ali, onde somos chamados a colocar o nosso olhar, está Jesus, morto, morto, para nossa salvação. Não nos salvou apenas pelo desejo de nos querer bem, mas pela entrega da sua própria vida. E tudo isto seria muito pouco, se Aquele que por nós deu a vida não tivesse ressuscitado. ELE ESTÁ VIVO. Ele caminha connosco os caminhos da história, Ele continua a sustentar o nosso caminho, os nossos passos tantas vezes vacilantes, a escutar e acolher as nossas duvidas e incertezas para que sejamos construtores de um mundo novo, onde a certeza da Sua vida ressuscitada, recorde a todos o amor que nos salva na Cruz e faça chegar ao coração de cada homem e de cada mulher que somos profundamente amados. (Continua no próximo número) Crescer on-line - Outubro de 2019 - Página nº 7


PAPA ENVIA MENSAGEM AOS JOVENS DO OÁSIS “Queridos jovens, que estais reunidos para este fim de semana de espiritualidade: agradeço-vos que

o

façam.

consciência

do

Agradeço-vos

próprio

Batismo.

que

tomem

Batizados

e

enviados: o Batismo faz-te sair, põe-te a caminho. O caminho é a vida, sobretudo com o testemunho. Anunciar a Jesus. Vale a pena que a vossa juventude se coloque ao serviço destas grandes causas que são boas. E semear, semear uma boa semente. Que Deus vos abençoes! Rezo por vós e, por favor, não se squeçam de rezar por mim.” Papa Francisco

Crescer on-line - Outubro de 2019 - Página nº 8


PAPA ENVIA VIDEOMENSAGEM A JOVENS DO PORTO (Notícia do Expresso on line 24/10/2019)

Francisco desafia universitários a colocarem-se ao "serviço das grandes causas", numa mensagem gravada em telemóvel pelo único padre português presente no Sínodo da Amazónia. Sérgio Leal aproveitou um "encontro casual" com o Papa para recolher o depoimento, que foi divulgado no site da Voz Portucalense, o jornal da Diocese do Porto, onde o sacerdote é colaborador permanente. Um exclusivo daquele orgão de Comunicação Social. É um depoimento "inédito", assume o diretor da Voz Portucalense, Manuel Correia Fernandes. O Papa Francisco gravou uma mensagem exclusiva para os jovens universitários, apelando a que adiram às "grandes causas" e a “porem-se a caminho". “O caminho é a vida”, diz o Papa numa declaração em espanhol, que foi incluída na versão on-line do orgão oficial da Diocese do Porto. "Tivemos, de facto, esse exclusivo", explica ao Expresso o diretor adjunto da Voz Portucalense, Rui Saraiva. A 'cacha' foi dada há cerca de uma semana, mas passou relativamente despercebida. Só mesmo a agência Ecclesia noticiou recentemente o facto, mas sem destaque especial, nem direito a manchete. A ideia de uma declaração exclusiva do Papa - e a sua concretização - partiu de Sérgio Leal, padre da diocese do Porto, colaborador da Voz Portucalense ( "para a área da Liturgia", esclarece o diretor) e, sobretudo, o único sacerdote português presente no Sínodo para a Amazónia, que decorre desde dia 6 em Roma e termina este fim de semana. "Num encontro casual com o Papa", o sacerdote português pediu a Francisco para se dirigir aos jovens universitários do Porto. O Papa aceitou prestar declarações, num video gravado em telemóvel por Sergio Leal e enviado para a redação.

Link: https://www.facebook.com/vozportucalense/videos/1386143644885847/ Crescer on-line - Outubro de 2019 - Página nº 9


Os Novos Caminhos da Igreja para a Amazónia e para uma Ecologia Integral A minha participação no Sínodo dos Bispos para a Região Pan-Amazónica ficou marcada para o nosso movimento com o envio de uma vídeo-mensagem do Papa Francisco para os jovens que participaram no Curso de Jovens de 18 a 20 de Outubro. Quando ia para os trabalhos sinodais, ao passar junto à Casa de Santa Marta encontrei o Santo Padre que caminhava sozinho para a Aula do Sínodo e fomos a conversar ao longo do percurso. Entre os vários assuntos que conversamos, falei-lhe do Movimento Oásis, do nosso fundador e do trabalho que fazíamos em Portugal. Tomei a ousadia de lhe pedir uma mensagem para os jovens e o Papa acedeu imediatamente perguntando-me se tinha comigo o telemóvel. Contudo, o Sínodo foi muito mais do que estes encontros pessoais com o Santo Padre que muito me alegraram e renovaram a certeza da proximidade e simplicidade do Papa Francisco. O Sínodo dos Bispos foi uma experiência eclesial única que me permitiu confirmar que o caminho conjunto de diálogo, partilha e encontro nos permite ir mais longe na descoberta daquilo que o Espírito Santo nos pede em cada tempo e cada lugar. No Sínodo respirava-se um ambiente fraterno e orante, marcado por intervenções que despertaram momentos de aplauso, canto e até poesia. A Assembleia Sinodal foi também marcada pelo colorido das plumas e das vestes indígenas que traduziam as alegrias e esperanças, bem como as preocupações e dificuldades dos povos amazónicos. A comunicação social centrou o debate deste Sínodo na ordenação de homens casados e na ordenação diaconal das mulheres. Contudo, desde as assembleias plenárias aos trabalhos de grupos, os cerca de 250 participantes (bispos, missionários da Amazónia, religiosas e religiosos, representantes das tribos indígenas, especialistas das várias áreas teológicas e científicas) acolheram o desafio do Papa Francisco de procurar novos caminhos para a evangelização amazónica, reflectindo sobre a proposta de uma ecologia integral, falando com liberdade e escutando com humildade para que juntos pudessem chegar a uma proposta de renovação da presença da Igreja naquele território. O Documento Final, cuja leitura recomendo a todos, reflecte muito bem o caminho levado a cabo e permite perceber as múltiplas propostas de renovação eclesial. Na verdade, este documento foi votado e aprovado, número por número, e contou com o resultado de uma larga maioria sempre largamente superior a dois terços que manifesta a comunhão e consenso desta assembleia. (Continua na próxima página)

Crescer on-line - Outubro de 2019 - Página nº 10


O Sínodo foi a oportunidade de escutar o grito do Povo Amazónico que testemunhou que diante dos seus dramas, muitas vezes, apenas a Igreja os visita e é sua aliada nas várias ameaças que sofrem: a desflorestação, a perda dos territórios, a violência, o narcotráfico, a exploração sexual, entre outros. A Igreja não pode calar o grito dos pobres e quer ser resposta actual e actuante. Por isso, no Documento Final a Igreja propõe uma verdadeira conversão integral, isto é, uma renovação da Igreja no seu todo para uma resposta mais eficaz. Deste modo, esta conversão integral deve concretizar-se numa conversão pastoral, ecológica, cultural e sinodal. A Igreja tem de ser verdadeiramente missionária, capaz de uma resposta verdadeiramente inculturada, promovendo uma evangelização que envolva todos os seus membros desde os leigos, as famílias, os religiosos aos ministros ordenados, para que juntos sejam capazes de construir a Igreja bela que o Espírito Santo nos pede. Gosto de afirmar que este Sínodo foi capaz de arriscar numa fidelidade criativa à tradição, pois, sem descurar o anúncio fundamental de Jesus Cristo e do Seu Evangelho, procura novos caminhos de actualização e renovação. Dada a importância da Amazónia para o nosso planeta, a questão ecológica foi central e foi possível ouvir intervenções notáveis de vários cientistas e especialistas. Foi proposta a criação de ministérios para o cuidado da “Casa Comum”, bem como o renovar da consciência dos pecados ecológicos como ofensa contra Deus, o próximo e a criação. E porque falamos de uma ecologia integral onde o ser humano não pode ser esquecido, foi proposta a criação de um Observatório Sócio Pastoral para a promoção e defesa da vida. Ao longo dos trabalhos, ficou claro o papel imprescindível que as mulheres têm no contexto da evangelização. Elas coordenam e dinamizam as comunidades, fazem a formação catequética, os baptismos e os funerais, acompanham os doentes e presidem à celebração dominical porque os presbíteros muitas vezes passam apenas uma vez por ano para celebrar a Eucaristia. Deste modo, o Sínodo reconhece o papel fundamental da mulher, que não só deve ser reconhecido, mas valorizado por meio da criação de ministérios adequados àquela cultura. A geografia amazónica é muito exigente e complexa, com locais isolados e de difícil acesso. Um padre dizia-me que ao Domingo para visitar as comunidades vai num pequeno barco a motor por meio de pequenos cursos de água e que para ir de uma comunidade a outra precisa de cerca de três horas de viagem. Não obstante tudo isto, as comunidades amazónicas não deixam de se reunir Domingo após Domingo, mesmo que um presbítero não os possa visitar, e vivem a alegria da fé rezando juntos. Neste Sínodo, pude testemunhar ainda a proximidade e simplicidade dos bispos das regiões amazónicas que invocando o Espírito Santo, procuram encontrar as respostas mais adequadas para levar a cabo a sua missão. A Igreja faz-se presente nos vários âmbitos da promoção da dignidade humana como a defesa dos direitos humanos, a saúde, a educação, entre outros. Pudemos ver no Sínodo uma pequena reportagem sobre o Navio-Hospital Papa Francisco, que presta cuidados de saúde a comunidades isoladas que se encontram a milhares de quilómetros dos núcleos urbanos. Que esta capacidade de caminhar juntos na procura de novos caminhos para a evangelização e para a missão nos sirvam de testemunho para que no nosso movimento, bem como nas diversas comunidades e realidades onde estamos inseridos, numa fidelidade criativa à tradição, possamos continuar a caminhar juntos na descoberta daquilo que o Espírito Santo nos diz, dá ou pede. Sérgio Leal

Crescer on-line - Outubro de 2019 - Página nº 11


NOTÍCIA EM DESTAQUE Por imperativo das solicitações das Paróquias, vamos realizar um novo encontro, para maiores de 14 anos, nos dias 27 a 29 de Março, cujo tema é: Viver o baptismo no serviço por amor.

AGRADECIMENTO O Movimento Oásis muito agradece a tonelada de lenha oferecida por um benfeitor anónimo, para aquecer todos quantos passam pelos Encontros e Cursos do nosso Centro de Espiritualidade, em Ermesinde. Um bem haja pelo gesto de generosidade. Movimento Oásis Centro de Espiritualidade Rua Mirante de Sonhos, 105 4445-511 Ermesinde - tel. 229712935 http://www.movimentooasis.com Contactos : padrearaujo@sapo.pt / oasis@movimentooasis.com Crescer on-line - Maiol de 2019 - Página nº 1

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Boletim do Movimento Oásis em Portugal

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