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nº 116 Março de 2019

“A Quaresma chama os cristãos a encarnarem, de forma mais intensa e concreta, o mistério pascal na sua vida pessoal, familiar e social, particularmente através do jejum, da oração e da esmola” (Papa Francisco, Mensagem para a Quaresma 2019)


Movimento Oásis em Portugal (1958 – 2018) 60 ANOS - 60 TESTEMUNHOS O Oásis na nossa vida… O Oásis foi e é o organizar as ideias que fervilham nas nossas cabeças; primeiro, na fase jovem, no grupo Gota de Água, e, hoje em família, no grupo de casais Semente. É sempre o tentar perceber o que Deus quer de nós, como havemos de orientar a nossa vida. Essa organização baseia-se muito nos cinco pontos do Oásis: Interesse pelo mundo, desenvolvimento das capacidades, humildade, Sim aos outros e Sim a Cristo. O Oásis apresenta uma outra forma de ver o mundo. O Oásis propõe um ritmo para a vida. Um ritmo intenso, uma vontade de aproveitar cada segundo em função d’Ele e em função dos outros. Outra dimensão do movimento é a profundidade como olhamos a nossa vocação. Foi importante para nós, já como noivos, termos estado presentes num curso vocacional. Procuramos, então, que tudo o que fazemos seja feito como parte da nossa missão na vida, da nossa vocação. Isso muda a nossa forma de estar no dia-a-dia, no nosso trabalho, em nossa casa. Procuramos viver com esse sentido de missão, num percurso de Santidade e de Serviço. O Oásis ajuda-nos a saber dizer Sim (o que às vezes implica dizer não) nos projetos pessoais, nos projetos ao nível da paróquia e da sociedade em geral. Assim, ou fazemos, fazendo o melhor possível, ou escolhemos não fazer. Isto implica uma maior exigência em termos pessoais. O Oásis, na sua vertente para casais, permite-nos ter momentos de paragem e de reflexão a dois ou em grupo, dando-nos a tranquilidade de perceber que as nossas dificuldades são as mesmas dificuldades de outros, que nos ajudam a crescer e a encontrar soluções. Tem sido também muito bom para os nossos filhos, pois, desde pequenos, eles nos acompanharam às reuniões do grupo de casais e foram-se tornando, primeiro, pequenos amigos de Jesus, e, hoje, grandes amigos de Jesus. Já fazem parte de outros grupos do Oásis e só faltam às reuniões do seu grupo por um motivo de força maior. Os mais velhos já se sentem animadores animados, do Movimento. Os momentos das festas do Oásis e os acampamentos também são ocasiões marcantes para todos nós, pois são grandes momentos de encontro. Os fins-de-semana no Oásis, com os vários temas, as vigílias de Sábado à noite e as eucaristias são momentos propícios à reflexão e ao silêncio interior, na procura de ouvir a palavra que Deus tem para nós. As idas a Roma e à casa do Movimento em Itália, a Vila Sorriso, permitiram um voltar às origens e uma maior preocupação com o que o fundador do movimento, o Pe. Rottondi, tinha dito ou escrito, como oferta de pistas que nos auxiliem no caminho da vida. No grupo de casais Semente, para além das reuniões mensais, temos aproveitado os fins-de-semana em casal, realizados em diferentes localidades do Norte do País, e as festas de Natal (com a eucaristia, a troca de prendas…) para criarmos uma família alargada, que se vai apoiando uns nos outros. No Centro de Espiritualidade Oásis, em Ermesinde, há um cantinho que, para nós, é muito especial: a Capela, com os seus painéis do Sim. Lá reunimos, lá refletimos, lá rezamos… O refeitório é também um lugar de festa e de partilha. E como se come bem no Oásis! Muito foram e são aqueles que, no Oásis, nos vão acompanhando e a quem muito agradecemos a presença, o carinho e o auxílio: a Irmã Rosa Sá (a animadora do grupo Gota de Água), o Pe. Carlos Pereira (o nosso orientador espiritual e quem nos ajudou, ao longo dos esponsais, a preparar o casamento), o Pe. Araújo (o assistente do nosso grupo de casais, desde sempre), o Dom Carlos, a Ana Maria, a Linda, a Tona, o Pe. Eleutério, a Irmã Maria Amélia, a Rosa Mary, o Pe. Adélio, o Pe. Zé Augusto, o Pe. Zé Pedro (nosso compadre), o Pe. Sérgio, o Pe. Cláudio, o Pe. André, o Pe. Paulo, os nossos casais, e tantos, tantos, outros a quem chamamos amigos… O Oásis foi e é a fonte onde vamos beber da água viva… Matilde, Fernando, Matilde, Bernardo e Francisco

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PALAVRA DO FUNDADOR “Ressurreição”: Cristo ressuscitou dos mortos A história de Jesus não acaba com a condenação, a crucificação, a morte e a sepultura. Na boca dos Apóstolos, que falam e escrevem, há uma só afirmação, constantemente repetida: Cristo ressuscitou dos mortos. Morreu verdadeiramente porque verdadeiramente homem; ressuscitou verdadeiramente porque verdadeiramente Deus. Tinham passado apenas cinquenta dias e já Pedro dirige-se à multidão, com uma linguagem directa, vigorosa, sem violência, sem cobardia, sem espírito polémico. No seu falar, encontramos uma serenidade maravilhosa, um convite cordial, uma estupenda elevação de espírito, uma visão moderada das coisas. Pedro disse: “«Homens da Judeia e todos vós que residis em Jerusalém, ficai sabendo isto e prestai atenção às minhas palavras…Homens de Israel, escutai estas palavras: Jesus de Nazaré, Homem acreditado por Deus junto de vós, com milagres, prodígios e sinais que Deus realizou no meio de vós por seu intermédio, como vós próprios sabeis, este, depois de entregue, conforme o desígnio imutável e a previsão de Deus, vós o matastes, cravando-o na cruz pela mão de gente perversa. Mas Deus ressuscitou-o, libertando-o dos grilhões da morte, pois não era possível que ficasse sob o domínio da morte” (Actos 2, 14. 22-24) Poucos dias depois, Pedro cura, às portas do Templo, um paralítico, apenas com a invocação do nome de Jesus. A multidão, admirada, perguntou-lhe donde lhe vinha aquela força. Pedro respondeu: “Homens de Israel, porque vos admirais com isto?

Porque nos olhais, como se tivéssemos feito andar este homem por nosso próprio poder ou piedade? O Deus de Abraão, de Isaac e Jacob, o Deus dos nossos pais, glorificou o seu servo, Jesus, que vós entregastes e negastes na presença de Pilatos, estando ele resolvido a libertá-lo. Negastes o Santo e o Justo e pedistes a libertação de um assassino. Destes a morte ao Príncipe da Vida, mas Deus ressuscitou-o dos mortos, e disso nós somos testemunhas (Actos 3, 12-15) Por este anúncio, Pedro foi detido e metido na prisão. Convidado a justificar-se por este delito, Pedro disse: “Ficai sabendo todos vós e todo o povo de Israel: É em nome de Jesus Nazareno, que vós crucificastes e Deus ressuscitou dos mortos, é por Ele que este homem se apresenta curado diante de vós. (Actos 4, 10) Passados alguns dias, Pedro foi de novo detido e o chefe do Sinédrio gritou: “Já vos ordenamos, solenemente, para não ensinardes em nome de Jesus”. Mas Pedro e os Apóstolos responderam: «Importa mais obedecer a Deus do que aos homens. O Deus dos nossos pais ressuscitou Jesus, a quem matastes, suspendendo-o num madeiro. Foi a Ele que Deus elevou, com a sua direita, como Príncipe e Salvador, a fim de conceder a Israel o arrependimento e a remissão dos pecados. (Actos 5, 29-31) Repetimos, agora, com plena alegria: Cristo ressuscitou dos mortos; esteve verdadeiramente morto porque era verdadeiramente homem. E ressuscitou verdadeiramente porque é verdadeiramente Deus. (in Ascolta, si fá sera, pag. 92-94)

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Olhares de esperança Uma Igreja de rosto humano, onde transparece a centelha do divino No sexto aniversário do pontificado de Francisco Cumprem-se neste mês de março seis anos sobre a eleição do papa Francisco. A Igreja e o mundo ainda estavam surpresos com o inesperado gesto de renúncia de Bento XVI, quando à varanda da basílica de São Pedro apareceu como seu sucessor o cardeal Bergoglio. A partir de então, não deixou de surpreender, como aconteceu de imediato com a escolha dum nome desconhecido aos papas, a apresentação eclesiologicamente justa como bispo de Roma ou o pedido humilde da bênção dos fiéis. Seria ainda pelos gestos que continuaria a tocar o mundo, recusando um estilo palaciano, escolhendo a proximidade como marca do pontificado, colocado sob a égide de A alegria do evangelho. O seu vocabulário incluirá a linguagem de povos distantes, minorias e parábolas, aumentando a capacidade de dizer. Espontânea e genuinamente apto a comunicar, Francisco começou a olhar a Igreja e o mundo a partir das periferias, para que convidou a Igreja a sair, e a cruzar os olhos com o rosto dos últimos, afinal já evangelicamente primeiros. A Igreja em saída de Francisco escuta há seis anos o grito dos pobres, dos descartados, como gosta de repetir, e abraça as geografias ao encontro dos povos. Em Lampedusa ou em Lesbos, abraçou migrantes e refugiados, evocando tantos outros que as águas do Mediterrâneo sepultaram. Em Bangui, no cenário instável e violento da República Centro Africana, abriu o Jubileu da Misericórdia, todo ele dado à afirmação dela como nome de Deus. No Perú, com os povos da Amazónia face a face, renovou o compromisso pela conservação da criação, tema que já tinha feito seu na encíclica Laudato Si’, trazido novamente à liça na mensagem da Quaresma que estamos a viver. Os destinos das suas viagens colocam em agenda encontros inéditos, proféticos e repletos de esperança, como o que se proporcionou com o Islão em fevereiro, aquando da visita aos Emiratos Árabes Unidos, onde pôde assinar com o Grande Imã Ahmad Al-Tayyib a declaração conjunta A fraternidade humana em prol da paz mundial e da convivência comum. É, aliás, sob o signo da esperança, de que o papa é servidor, que se perspetiva a viagem a Marrocos de final de março. As geografias físicas não esgotam, contudo, as humanas, tal como as periferias não se medem por unidades de distância. Assim o revelam as preocupações pastorais atinentes à família e à juventude, a que Francisco dedicou assembleias sinodais.

Promoveu uma ampla reflexão sobre a boa nova da família, vertida na Amoris laetitia, onde «recordando que o tempo é superior ao espaço», reiterou que «nem todas as discussões doutrinais, morais ou pastorais devem ser resolvidas através de intervenções magisteriais», ao mesmo tempo que, face às situações de rutura matrimonial, convidou a «acolher, discernir e integrar a fragilidade», confiando às Igrejas locais a concretização dos caminhos. Incluiu também os jovens nas suas preocupações de pastor, ouvindo-os em auscultação alargada e trazendo-os a Roma de todos os continentes e horizontes, para com ele e com os bispos, se confrontarem com a própria condição, os desafios e problemas que encontram, as dúvidas e esperanças concretas, num ambiente de escuta recíproca, na consciência da importância da descoberta de Cristo pelas novas gerações.Mas nem só de luz se teceram estes seis anos de pontificado. Colhendo um apreço alargado e denunciando reiteradamente o clericalismo eclesial como abuso de poder que dilacera o corpo eclesial, Francisco encontrou no reduto da Igreja as maiores pedra de tropeço. Assim se deu quando algumas das suas indicações foram objeto de contestação por sectores eclesiais mais conservadores, também por membros do episcopado e cardinalato, ou quando continua a ter de agir face ao drama dos abusos sexuais de menores por parte de membros do clero. Ainda no encontro de finais de fevereiro com os presidentes da Conferências Episcopais teve oportunidade de referir que «a desumanidade do fenómeno, a nível mundial, torna-se ainda mais grave e escandalosa na Igreja, porque está em contraste com a sua autoridade moral e a sua credibilidade ética», enquanto procurou trilhar caminhos que tenham como prioritária a proteção das vítimas e apelou a «um renovado e perene empenho na santidade dos pastores, cuja configuração a Cristo Bom Pastor é um direito do povo de Deus». Foi, aliás, sobre santidade a sua última exortação apostólica, na qual fez ressoar tal chamamento no contexto dos nossos dias, com os seus riscos e dificuldades, mas também com os seus desafios e oportunidades, na certeza de que o Senhor escolheu cada um para ser santo e irrepreensível na sua presença. Se nos surpreende, por vezes, o pecado da Igreja na debilidade dos seus membros, também é nos possível perceber na santidade o seu rosto mais belo. Fazendo-se próximo, escutando, favorecendo gestos simples e eloquentes, discernindo e integrando, colhendo as expectativas das novas e gerações e chamando-as à fé, cuidando casa comum e empreendendo uma renovação eclesial, Francisco vai semeando sinais de esperança no nosso tempo e favorecendo uma Igreja de rosto humano, onde transparece a centelha do divino. Adélio Fernando Abreu

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Saboreando a interioridade No passado fim de semana de 15 a 17 de Março, cerca de 20 pessoas reuniram-se na Casa do Movimento Oásis para viver de forma diferente esta Quaresma. O silêncio, que era visto por todos como um grande desafio, foi algo que se instalou de uma forma muito natural. Ao longo destes dias, fomos aprendendo que o silêncio não é apenas um estado de ausência de barulho ou palavras, mas sim um lugar, um lugar de encontro, de interioridade, de verdade e de redenção. Fomos convidados a olhar o fundo do poço que nós somos. Para isso, precisámos de reconhecer as pedras e a lama que turvam a água límpida que nós verdadeiramente somos. Depois, precisámos de ouvir estes ruídos interiores e integrá-los. Percebemos que se conseguirmos fazer este exercício de redenção e purificação ficamos mais perto do encontro com Deus, que nos pede unicamente para recebermos o Seu amor e sermos nós próprios. No fim deste encontro ficou apenas o desejo de continuar, de nunca sair deste silêncio que nos chama, que nos purifica. Zé e Joana

Crescer on-line - Março de 2019 - Página nº 4


“CRISTO VIVE”

Exortação Apostólica "Christus Vivit", "Cristo vive", sobre o recente Sínodo dos Bispos sobre o tema "os jovens, a fé e o discernimento vocacional" "Cristo vive". Este é o título da Exortação Apostólica pós-sinodal do Papa Francisco sobre o Sínodo dos Bispos, que aconteceu em Roma de 3 a 27 de outubro de 2018, com o tema: “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”. A Exortação Apostólica, publicada como uma Carta aos jovens, foi assinada no dia 25 de março, Solenidade da Anunciação do Senhor, durante a visita que o Papa Francisco realizou ao Santuário Mariano de Loreto. Com esta Carta dirigida aos jovens, o Papa deseja confiar à Virgem Maria o documento que sela o trabalho do Sínodo dos Bispos. Entre os pontos abordados, estão a sinodalidade da Igreja, a escuta e o discernimento. A partir dessa perspetiva, são tratados temas variados como a centralidade da liturgia, a pastoral juvenil, o papel das mulheres na Igreja, a sexualidade, o escândalo de abuso, as perseguições, a espiritualidade, a vocação, as relações entre gerações, a colonização cultural, o mundo do trabalho ou a importância da formação, especialmente a formação de seminaristas. Crescer on-line - Março de 2019 - Página nº 5


Ermesinde, 25 de março de 2019

Caríssimos amigos É com muita alegria que vos anunciamos que no próximo dia 25 de abril a Família Oásis junta-se mais uma vez para fazer Festa! Vivemos o “tempo favorável” da Quaresma… tempo para acolher amorosamente este convite e ir já saboreando a alegria do encontro, da comunhão e da partilha. Celebraremos já em tempo de Páscoa - Cristo vivo no meio de nós! - e por isso com redobrada alegria e em profunda ação de graças por tantas maravilhas que Deus vai fazendo em todos aqueles que se aproximam e se deixam tocar pela espiritualidade do Movimento Oásis. “Olhar o mundo com o olhar de Jesus: do deserto ao oásis” é o lema deste ano do Movimento Oásis e o mote para a Festa. Entre as 9h00m e a 17h00m teremos tempos e espaços de reflexão sobre a Família, o Serviço, a Política e a Ecologia. Depois do almoço partilhado, teremos tempos e espaços para convívio, música e oração. Vai valer muito a pena. E todos fazemos falta! Contamos contigo? Um abraço Movimento Oásis

Movimento Oásis Centro de Espiritualidade Rua Mirante de Sonhos, 105 4445-511 Ermesinde - tel. 229712935 http://www.movimentooasis.com Contactos : padrearaujo@sapo.pt / oasis@movimentooasis.com Crescer on-line - Julho de 2015 - Página nº 2

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Boletim do Movimento Oásis em Portugal

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