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nº 93 Março de 2017

“A Quaresma é um novo começo, uma estrada que leva a um destino seguro: a Páscoa de Ressurreição, a vitória de Cristo sobre a morte”. (Papa Francisco, Mensagem para a Quaresma 2017)


Olhares de Esperança Deus está entre nós Sei-o pelas palavras que pairam E pelo cheiro a eternidade dos gestos Quando te olho é Dele que vem a tua imagem E quanto te estendo a mão é Ele que te toca e alcança Como um espelho mágico cheio de águas profundas onde mergulhamos e misturamos olhares, palavras e gestos Aí estou eu Aí estás tu Aí está Deus, entre nós

Este olhar, o olhar entre aqueles que colocam Deus nas suas relações, é um olhar de esperança. É um olhar que se faz palavra e gesto porque quer, em conjunto, construir um futuro. É um olhar que vê, com o filtro do amor, o que, de forma tão bela, nos é descrito por Jesus na parábola do grão de mostarda quando se refere ao Reino do Céu. No outro, tão parecido connosco, está uma promessa de futuro. E, por isso, este olhar tocado por Deus, cura as feridas para que o outro continue a caminhar. Este olhar, tocado por Deus, potencia os dons do outro para que ele possa sempre servir, servir por amor. Este olhar, tocado por Deus, é um olhar de esperança e vê um outro que é, sem dúvida, presença de Outro. Ana Filipa Crescer on-line - Março de 2017 - Página nº 2


Elogio das lágrimas Ao recordar alguns acontecimentos ou ensinamentos recebidos na minha juventude, sou assolado pelo sentimento de ter vivido uma vida num mundo que não só deixou de existir, como me surge hoje como estranho, se não inverosímil. Assim nestes dias quaresmais, regressa à minha mente como então era frequenta a oração para obter o dom das lágrimas: sim, sim, orava-se para chorar! Hoje, pelo contrário, não vemos facilmente as pessoas chorar, porque as lágrimas são consideradas como um sinal de fragilidade, algo de que se envergonhar, que em todo o caso não é mostrado por ser julgado coisa de crianças ou de mulheres: os adultos sabem dominar as lágrimas e têm o dever de viver e comportar-se "siccis oculis", com os olhos secos. Na realidade, homens e mulheres continuam a chorar e não acredito em quantos afirmam que as lágrimas são frequentes apenas em algumas épocas, como o Romantismo: talvez seja verdade que as artes, a pintura, a música não o testemunham em todos os tempos, mas o coração humano sabe chorar sempre. É certo que, na medida em que reduz o bem ao bem-estar e o mal ao mal-estar, muitos se esforçam por evitar cuidadosamente a possibilidade do sofrimento, até o eliminar e negar: consequentemente não se "deixam andar" a chorar, sobretudo em frente aos outros, todavia por vezes também conhecem o pranto e como ele se impõe. As lágrimas são uma expressão do nosso corpo, ou melhor, dos nossos sentidos, sobretudo desse sexto sentido de que os seres humanos são providos: esse sentido que é arte do estar presente ao outro e do sentir a presença de outros. As lágrimas são eloquentes, são uma linguagem silenciosa: não são palavra mas também não são gestos, afloram dos olhos e, significativamente, escorrem também dos olhos dos que não veem, quase a dizer que o olho, antes de ter como função a vista, tem em si a possibilidade das lágrimas. As lágrimas não são sempre linguagem de dor ou de cólera: podem ser lágrimas de alegria, de sóbria embriaguez, de paz... Podem ser um grito, uma invocação de ajuda ou um protesto, mas também a expressão de uma alegria íntima, da ferida causada por uma presença amorosa, de uma paz - consigo próprio, com os outros, com as criaturas em redor - que nos surpreende e inebria. Ainda hoje, quando sinto que os meus dias se arriscam a passar "siccis oculis", então recito a oração para pedir o dom das lágrimas. E quando eclodem como pura gratuidade, deixo-as escorrer e procuro não temer se outros veem. De resto, o que veem na realidade? O que estou a viver de dor ou de alegria... Sim, quando se têm lágrimas nos olhos, o olhar é como velado mas discerne mais em profundidade: a visão é "ante et retro oculata", vê-se de frente e de trás, vê-se "diferentemente". Um cristão, na oração dos Salmos, encontra muitas vezes as lágrimas: lágrimas que são pão que alguém come, lágrimas que Deus recolhe num odre porque não as esquece mas considera-as preciosas, lágrimas de arrependimento pelo mal feito, lágrimas de exultação que brotam como dança de alegria... E como esquecer que também Jesus chorou, revelando-nos que nele Deus conheceu os sentimentos humanos até ao pranto: chorou sobre a humanidade chorando sobre Jerusalém, chorou por amor do seu amigo Lázaro, chorou pelo próprio sofrimento e morte. A Carta aos Hebreus (5, 7-8) diz-nos também que Jesus, chorando, aprendeu a obediência... Na viagem que fez às Filipinas, o papa Francisco encontrou uma mulher que chorava e exclamou simplesmente: «Aprendamos a chorar... se não aprenderdes a chorar, não podeis ser bons cristãos!». Cioran afirmava que «no último juízo serão pesadas apenas as lágrimas» e Camus reiterava que «nenhuma lágrima deve ser perdida, nenhuma morte deve acontecer sem uma ressurreição». Enzo Bianchi In "Monastero di Bose"

Crescer on-line - Março de 2017 - Página nº 3


PALAVRA DO FUNDADOR Quaresma: tempo forte para aderir a Cristo

O tempo da Quaresma está, de facto, entre aqueles que chamamos ‘tempos fortes’ da nossa vida espiritual. Por isso, temos a plena consciência de sermos peregrinos no caminho de uma vida que não mais será provisória, mas definitiva. O tempo da Quaresma é muito útil para nos recordar que há um acontecimento certíssimo para cada um de nós - a morte: quando a alma se separa do corpo e este, permanecendo sem alma, entra em processo de corrupção. É este o sentido das palavras que nos foram ditas pelo sacerdote, no dia de Cinzas. Ao colocar um pouco de cinza, na nossa cabeça, disse: ‘Recorda-te, ó homem, que és pó e em pó te hás-de tornar’. Nós estamos a caminho e cada dia que passa é um passo que nos aproxima não do fim da vida, mas do seu ‘fim’: o objectivo pelo qual vivemos, a meta para a qual nos movemos. Não estamos, propriamente, exilados – imagem muito usada – mas estamos a caminho, em direcção à verdadeira pátria que nos espera. Para nos fazer chegar a esta meta, Deus chama-nos, alimenta-nos, impulsiona-nos, eleva-nos, volta a chamar-nos: Deus é um agricultor primoroso que não tem pressa, que sabe esperar. É por isso que Cristo é a nossa esperança. São Paulo diz que ‘…primeiramente estáveis sem Cristo… sem esperança e sem Deus. Mas, agora, em Cristo Jesus, vós, que outrora estáveis longe, fostes trazidos para mais perto, pelo sangue de Cristo…’. (cf. Efésios 2, 12-13). (cf. Ascolta, si fa sera, pág. 87-88)

Crescer on-line - Março de 2017 - Página nº 4


Testemunho 1 Nesta visita ao Oásis aprendi como devemos perdoar. Mais uma vez refletimos sobre os nossos sentimentos e pecados que cometemos. Fizemos a Via-Sacra e subimos ao monte para também sabermos os sentimentos sofridos por Jesus, aquando da sua morte. Aquele fim de semana para mim foi muito especial, pois permitiu-nos conhecer pessoas novas e daí fazer amigos muito especiais. Nunca me vou esquecer do fim de semana de 17, 18 e 19 de Março de 2017. E sempre que tiver oportunidade lá irei. Obrigada a todos. Ana Teresa Oliveira

Testemunho 2 Para mim o Oásis foi seguir Jesus… é tão bonito seguir o Senhor. Tenho pena das pessoas que não sabem o que perdem, é fantástico convivermos todos juntos. Mas o que mais me tocou foi a Vigília, eu amei, eu senti que Jesus me abraçou. Muito obrigada pelos dois dias que passamos juntos, convivemos, sorrimos, brincamos e amamos o nosso próximo. Crescer on-line - Março de 2017 - Página nº 5


Um líder inesperado Papa Francisco: 4 anos de pontificado Para além de uma configuração apocalíptica, há dois modos de representar o que a ideia de fim do mundo evoca. Um sublinha a propensão para a conduta isolacionista. Outro concebe o fim do mundo como proveniência, como referência de origem, como margem ou periferia da qual se tende para o centro, da qual se procura alcançar o centro, e sobre a qual se procura atrair a atenção do centro. Hoje a periferia, incarnada na figura de Francisco, toma a palavra, convida o mundo. Com Francisco o mundo quer falar a partir da sua periferia. Tê-lo eleito papa implica por isso uma disposição para escutar essa periferia, a recorrer a ela, a dar-lhe lugar, a deslocá-la para o centro. (CONTINUA NA PÁGINA 7)

Crescer on-line - Março de 2017 - Página nº 6


(CONTINUAÇÃO DA PÁGINA 6)

Pois bem, essa periferia não remete apenas a um limite geográfico. Não indica só e sobretudo uma latitude planetária extrema, uma margem. Implica em primeiro lugar a presença de problemas mandados para trás, renegados, marginalizados, a reação contra o silêncio que habitualmente envolve a periferia, a voz daquilo que é marginal que se faz ouvir. Francisco mostra-se decidido a voltar a dar a palavra a tudo aquilo que foi calado, relegado, excluído, a tudo aquilo que para ele significam termos como "pobre", "pobreza", "empobrecido". Com Francisco sublinha-se por isso uma outra aceção do fim do mundo. O fim do mundo passa assim a significar aquilo que chega ao centro para se fazer ouvir e também para reformular a ideia de centralidade. A palavra de Francisco propõe uma tarefa: transferir a periferia para o centro. A velha cruz de ferro no lugar da cruz de outro. Os velhos sapatos no lugar dos principescos sapatos papais. A humildade do compromisso com a pobreza no centro da prática sacerdotal. A austera simplicidade da fraternidade com quem vive na necessidade no coração da vocação religiosa. Há mais: a Argentina passa, mediante o novo papa, a desempenhar um papel inesperado na reconsideração crítica do futuro do ocidente, na promoção de mudanças indispensáveis, seja na Igreja seja fora dela. Francisco aspira a fazer com que a nossa civilização se interrogue sobre o seu futuro, sobre o que o obscurece e sobre aquilo que lhe poderia voltar a dar consistência e clareza. O ocidente é chamado a deixar de ser, e para sempre, a vanguarda espiritual no mundo? A eficiência no ocidente esmagou definitivamente a ética? Os seus valores decisivos e fundamentais poderão ir além do aspeto financeiro, do consumismo desenfreado, do auge da corrida aos armamentos? Até que ponto a Igreja poderá tornar o seu destino independente daquele que está a acontecer ao mundo secular? A Igreja irá recuperar, encorajando assim o renascimento espiritual da nossa civilização? (...) Espera-se de Francisco, o papa americano, uma sã integração entre tradição e vanguarda. Ela espera-se como algo de indispensável. A Igreja pode contribuir decisivamente através das mudanças que deve enfrentar e promover, para que possamos compreender se o ocidente ainda tem um futuro ou só tem um passado. O cardeal Carlo Maria Martini disse em tempos ainda recentes: «A nossa Igreja está 200 anos para trás, a nossa cultura está envelhecida, os nossos conventos estão vazios, o nosso aparato burocrático cresce». Francisco ligar-se-á a este diagnóstico. Procurará levar coragem à vida onde a coragem definha. Conhece as causas do mal. Conhece o empenho na procura do bem. Procurará voltar a dar atualidade, transparência e firmeza à Igreja. Assim fazendo dará ao ocidente a possibilidade de reencontrar no catolicismo, que é um dos fundamentos da sua civilização, uma fonte revitalizada de energia. Por fim vale a pena recordar que no centro das preocupações daquele que hoje é o papa Francisco palpitam há anos as interrogações em torno da globalização, da bioética, dos desafios ecológicos, da educação e da justiça social. Recorde-se igualmente a sua preocupação perante o papel da mulher dentro e fora da Igreja, os problemas das vocações religiosas, o debate sobre o matrimónio dos sacerdotes. Própria de Francisco é também a reflexão constante sobre o vínculo apaixonante e intenso entre fé e conhecimento, entre ética e política. Em suma, o papa Francisco é sem dúvida um líder inesperado. Tão inesperado como imprescindível num mundo angustiado pela incredulidade. Santiago Kovadloff In "L'Osservatore Romano", 13.3.2017 Crescer on-line - Março de 2017 - Página nº 7


Grupo de Casais “Semente” No domingo 26 de Março, reuniu mais uma vez o grupo de casais “Semente”, na Casa-mãe do Movimento Oásis, em Ermesinde. Como habitualmente a reunião começou a meio da tarde, com o acolhimento e com a oração na Capela. O tema da reunião, apresentado pela Zé e pelo Vitor, foi a educação. “Educar é criar, encantar, amar” – foi o título do power point apresentado. Foi um tema que deu “pano para mangas”… muito interessante e muito participado. Um tema muito prático onde cada casal tinha sempre algo a dizer e a questionar, com base na sua vida prática de ducadores. Foram abordados assuntos como “a formação ética dos filhos”, “o valor da sanção como estímulo”, “educação sexual”, “transmissão da fé”. Recordamos, a terminar, a palavra do Papa Francisco que n’ “A alegria do Amor”, nos diz: “Toda a vida familiar é um ‘pastoreio’ misericordioso”. Percebemos que este ‘pastoreio’ é um educar permanente, uma missão de toda a família.

Os vossos filhos Não são vossos filhos: São filhos e filhas Do chamamento da própria vida. Vêm por vosso meio Mas não de vós; E apesar de estarem convosco, Não vos pertencem. Podeis dar-lhes o vosso amor; Mas não os vossos pensamentos: Porque eles têm pensamentos próprios. (R. Tagore)

Crescer on-line - Março de 2017 - Página nº 8


FESTA DA FAMÍLIA OÁSIS 25 de Abril de 2017 # Para congregar a família Oásis # Para rever amigos da “primeira” e da “última hora” # Para renovar a alegria de dizer Sim # Para testemunhar que vale a pena servir por amor 9H – Acolhimento 9.45H – “Pedaços de vida” 12H – Eucaristia 13H – Almoço 14.15H – “Regresso às raízes” 16H - Partida Movimento Oásis Centro de Espiritualidade Rua Mirante de Sonhos, 105 4445-511 Ermesinde - tel. 229712935 http://www.movimentooasis.com Contactos : padrearaujo@sapo.pt / oasis@movimentooasis.com Crescer on-line - Julho de 2015 - Página nº 2

Crescer On-line - março de 2017  

Boletim do Movimento Oásis em Portugal

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