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nº 81 Março de 2016

“Jesus não é um morto, ressuscitou, é o Vivente! Não regressou simplesmente á vida, mas é a própria vida, porque é o Filho de Deus, que é o Vivente. Jesus já não está no passado, mas vive no presente e lança-se para o futuro; Jesus é o “hoje” eterno de Deus”.


CRISTO, ROSTO DA MISERICÓRDIA DO PAI (1) 27/28 FEVEREIRO 2016 A proposta era simples. Um fim de semana de reflexão, longe das preocupações e rotinas do dia-a-dia, no centro do movimento Oásis, em Ermesinde. E muitos dissemos sim. Cerca de 50 pessoas, oriundas de várias paróquias, unidas por um desejo interior de fazer uma paragem e encontrar espaço e tempo para redescobrir novo sentido para as suas vidas. O tema central do encontro foi “ Cristo, Rosto da Misericórdia do Pai”, abordado e aprofundado por vários oradores e em diferentes perspetivas. Mas comecemos pelo acolhimento, tão importante e essencial neste tipo de encontros, principalmente quando muitos não se conhecem. Recebidos pela Ana Maria e Antónia Alberta com muita empatia naquela sala quentinha à volta da lareira, foi-nos pedido que nos sentíssemos em casa, e após a apresentação das várias etapas e objetivos do encontro, o calor humano que logo ali se gerou, uniu-nos a todos na vontade de aproveitar ao máximo esta grande oportunidade de refletir, partilhar ideias e vivências e tentar mudar algo de profundo dentro de nós, pois, como dizia a Antónia Alberta com a sua experiência, “ uma coisa vos garanto, ninguém vai sair daqui igual ao que entrou…” E a expetativa estava criada! Começamos então os trabalhos com o Sr. Padre Paulo que nos apresentou o tema “ O Rosto de Jesus nas parábolas da misericórdia”. Assim, com base nos textos dos Evangelhos, fomos indo ao encontro de um rosto de serviço, de amor, de acolhimento, de compaixão, mas também um rosto real, relacional, revolucionário e profundo, mostrando que a misericórdia de Deus nunca se exerce sozinha, mas numa relação triangular que nos envolve. Houve ainda tempo para uma reflexão individual baseada em várias questões que nos foram colocadas e cujas conclusões foram debatidas em conjunto. Durante a pausa para o almoço ensaiaram-se alguns cânticos com letras lindíssimas e que nos iriam acompanhar durante todo o encontro. Da parte de tarde a Drª. Rosa Moreira abordou o tema “ Misericordiosos como o Pai”. Partindo da leitura de Lc 6, 36-39, fomos levados a descobrir como podemos abrir o coração e deixar entrar a luz de Deus.

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Tendo como base o logotipo e o lema escolhido para sinalizar o Ano Jubilar, fomos analisando ao pormenor toda a simbologia da imagem escolhida, de Jesus carregando aos ombros o homem perdido, o Bom Pastor que com extrema misericórdia carrega sobre si a humanidade simbolizada em Adão, a profundidade do olhar de Deus que se funde com o olhar do homem, o sentido das cores e da formas usadas, e tudo isto nos levou a uma reflexão muito interessante e aprofundada sobre o tema. Houve ainda tempo para nos serem colocadas 4 questões para refletir e uma troca de impressões sobre a importância do silêncio, do sofrimento e do perdão, a que a oradora emprestou uma autenticidade e vivência que creio nos tocou a todos. Após o lanche foi a vez de ouvirmos a Drª.Esmeralda e marido, Prof. Cabeda, que nos falaram da Misericórdia sentida e vivida nas periferias da doença, da velhice, da catequese e da família e nas melhores formas de acolher e acompanhar, de acordo com a sua prática e testemunho de vida. Depois do jantar e de uns jogos para descontrair e conviver, seguiram-se 2 momentos fortes que nos tinham sido propostos: um momento de reconciliação para quem o pretendesse, com três sacerdotes que estiveram à nossa disposição e uma vigília de oração que nos ajudou a interiorizar e a agradecer tudo o que de bom e transformador tínhamos vivenciado naquele dia. Após o descanso merecido, o Domingo começou com o pequeno- almoço, findo o qual todos se reuniram para a oração da manhã. Seguiu-se então a última reflexão deste encontro , cujo tema foi “A Igreja” e que foi apresentado pela Drª. Isabel Peixoto. Questões como: a Igreja veículo de salvação, a Vida dos Sacramentos e a Pastoral da Fé, a Igreja mediadora, a tensão entre a necessidade de fidelidade e a necessidade de criatividade e a Igreja como agente de misericórdia mas também objeto dessa mesma misericórdia, foram pontos de partida que nos fizeram pensar na importância da nossa relação pessoal com Deus, mas também com o outro e em comunidade e nos muitos desafios a que temos que dar resposta. A clareza e a objetividade, mas também um certo deslumbramento com que este tema nos foi transmitido por alguém de ação no terreno, não nos deixou indiferentes e remeteu-nos para a importância do nosso papel de leigos comprometidos. Terminados os trabalhos propostos e antes do almoço o tempo foi aproveitado para troca de impressões e preparação da Eucaristia, agendada para as 15h. A celebração esteve a cargo do Sr. Padre André Fernando e foi uma Eucaristia participada e vivida intensamente por todos nós, com o coração em paz e cheio de projetos de mudança de vida, na alegria de sabermos que temos um Pai Misericordioso que nos ama e que nos interpela para sermos também nós, hoje, a exemplo de Cristo, rosto da misericórdia do Pai. M .Luiza Baldaque

Nota: Fica aqui um agradecimento à equipa da casa pela maneira como nos recebeu, sempre atenta e empenhada para que tudo corresse da melhor maneira, as refeições impecáveis (porque confecionadas com muito amor, como dizia a Ana Maria) , os docinhos nos intervalos do café, a dinâmica criada no refeitório e na cozinha para que todos colaborassem e se sentissem em família, a alegria e a simplicidade do convívio gerado, o convite para voltarmos sempre que quisermos… Bem hajam!

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CRISTO, ROSTO DA MISERICÓRDIA DO PAI (2) Gostaria de partilhar com todos vós as experiencias fantásticas que o oásis nos traz sempre que dizemos o sim. Assim se realizou no passado 27 e 28 de Fevereiro um encontro para adultos de todas as idades e com uma diversidades de experiencia enormes, e que disseram sim ao tema do encontro “Cristo, rosto da misericórdia do Pai” Maravilhas fez em mim… este cântico que cantamos diversas vezes e que sem dúvida, Deus fez maravilhas em todos os presentes através das pessoas que nos acolheram, nos mimaram, alimentaram não só as nossas almas como o nosso corpo porque também é essencial… deram-nos o seu Amor! Aquela casas transbordou de misericórdia, e todos juntos ficamos a entender melhor o que o Papa Francisco nos quer dizer quando nos propôs o ano Santo da Misericórdia! Um grande bem haja também a todos quantos disponibilizaram os seus testemunhos pessoais e tiveram a capacidade para nos colocar a misericórdia de várias perspectivas reais e terrenas, com vivências do nosso dia a dia onde verdadeiramente podemos marcar a diferença, uma diferença exigente mas urgente e que só passa por cada um de nós seremos responsáveis por sermos verdadeiramente misericordiosos em todas as acções do nosso dia a dia. Foi uma pausa para recarregar as baterias e estar em encontro com Deus, com o próximo e com nós próprios, e por isso, em nome de todos os presentes, vai o meu muito obrigada a quantos tornaram possível este encontro! Maravilhas fez em mim, minha alma canta de gozo… Andreia Andrade

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PALAVRA DO FUNDADOR

Ressurreição: Cristo ressuscitou dos mortos Na boca dos Apóstolos que falam e escrevem, há uma afirmação que é constante e repetida: Cristo ressuscitou dos mortos. Esteve verdadeiramente morto, porque verdadeiro homem, e ressuscitou verdadeiramente porque verdadeiro Deus. Tinham apenas passado cinquenta dias e já Pedro se dirigia à multidão com uma linguagem directa, vigorosa, sem violência, sem cobardia, sem espírito polémico. No seu falar, encontrámos uma serenidade maravilhosa, um convite cordial, uma estupenda elevação de espírito, uma visão moderada das coisas. Disse Pedro: “Homens da Judeia, e todos vós, habitantes de Jerusalém, tomai conhecimento disto e prestai ouvidos às minhas palavras…Jesus de Nazaré, homem de Deus, foi acreditado diante de vós com milagres, prodígios e sinais, que Deus operou por meio d’Ele entre vós, como bem sabeis. Este homem - entregue segundo o desígnio determinado e a presciência de Deus - vós o matastes, crucificando-O pela mão dos ímpios. Mas, Deus ressuscitou-O, libertando-O dos sofrimentos da morte, pois não era possível que Ele ficasse em seu poder”. (Act. 2, 14.22-24) Poucos dias depois, Pedro curou, à porta do templo, um paralítico, apenas com a invocação do nome de Jesus. À multidão admirada que se perguntava donde lhe vinha aquela força, ele respondeu: “O Deus de Abraão, de Isaac e de Jacob, o Deus dos nossos pais glorificou o seu filho Jesus que vós entregastes a Pilatos… Vós renegastes o Santo, o Justo … e matastes o autor da Vida. Mas, Deus O ressuscitou dos mortos e nós somos testemunhas disso… (Act. 3, 12) (…) Digamos nós, também, cheios de alegria: “Cristo ressuscitou dos mortos: morreu porque é verdadeiro homem e ressuscitou porque é verdadeiro Deus”. (…) Cristo ressuscitou e, por isso, não é vã a nossa fé. Vã seria se Ele tivesse permanecido no sepulcro; se Ele nos tivesse iludido dizendo-nos ser o Filho de Deus encarnado. Mas, Ele ressuscitou, verdadeiramente. E, por que é Deus, podemos fiar-nos n’Ele; acolher tudo o que Ele diz; confiarmo-nos a Ele, deixando-nos guiar e moldar por Ele; podemos ser-Lhe dóceis fazendo tudo o que Ele nos pede….” (adaptação de Ascolta, si fa sera, pág. 92-94) Crescer on-line - Março de 2016 - Página nº 1


Convite para Bodas de Prata Caro Oasista: No próximo dia 10 de junho vamos reunir-nos no Centro de Espiritualidade para dar graças pelos 25 anos de serviço sacerdotal dos Padres Araújo e José Augusto. Será concerteza um dia bem passado, para isso, contamos com a tua presença das 9 às 17h. Como é hábito temos almoço partilhado, traz a tua especialidade. Por favor confirma a tua presença para centro de espiritualidade, Tel. 22 971 29 35 ou oasis_pt@iol.pt

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ANO JUBILAR DA MISERICÓRDIA ENTREVISTA com o Papa FRANCISCO (concedida ao semanário “Credere”, em 02.12.2015) 1. Santo Padre, agora que estamos para entrar no âmago do Jubileu, pode explicarnos que movimento do coração o levou a realçar precisamente o tema da misericórdia? A este propósito, qual foi a urgência que sentiu na actual situação do mundo e da Igreja? O tema da misericórdia tem sido realçado, com muito vigor, na vida da Igreja a partir de Paulo VI. Foi João Paulo II a sublinhá-lo, fortemente, com a “Dives in Misericordia”, a canonização de Santa Faustina e da instituição da festa da Divina Misericórdia, na Oitava de Páscoa. Nesta linha, senti que era um desejo do Senhor mostrar aos homens a Sua misericórdia. Isto não me veio, sem mais, à minha mente, mas retomo uma tradição relativamente recente, se bem que sempre existiu. Dei-me conta de que era preciso fazer alguma coisa e continuar esta tradição. O meu primeiro ‘Angelus’ como Papa foi sobre a misericórdia de Deus e, naquela ocasião, falei de um livro sobre a misericórdia, que me foi oferecido pelo Cardeal Walter Kasper, durante o Conclave.

Também, na minha primeira homilia como Papa, no domingo 17 de Março, na paróquia de Santa Ana, falei da misericórdia. Não foi uma estratégia; veio-me de dentro: o Espírito Santo quer alguma coisa. É óbvio que o mundo de hoje precisa de misericórdia; precisa de compaixão, ou seja, de sofrer com. Estamos habituados às notícias más; às notícias cruéis e às maiores atrocidades que ofendem o nome e a vida de Deus. O mundo precisa de descobrir que Deus é Pai, que é misericórdia, que a crueldade não é o caminho; que a condenação não é o caminho. A própria Igreja, por vezes, segue uma linha dura, cai na tentação de seguir uma linha dura, na tentação de realçar apenas as normas morais; mas, quanta gente fica fora!... Veio-me à mente aquela imagem da Igreja como um hospital de campanha depois da batalha; é a verdade!... Quanta gente ferida e destruída! Os feridos são cuidados, ajudados a sarar, não submetidos a análises para o colesterol. Acho que este seja o momento da misericórdia. Todos somos pecadores; todos carregamos pesos interiores. Senti que Jesus quer abrir a porta do seu Coração; que o Pai quer mostrar as Suas entranhas de misericórdia e, por isso, manda-nos o Espírito: para mover-nos e mudar-nos. É o ano do perdão; o ano da reconciliação. Por um lado, vemos o tráfico das armas; a produção de armas que matam; o assassinato de inocentes nas formas mais cruéis alguma vez imaginadas; a exploração de pessoas, de menores, de crianças… Está a realizar-se – permita-me usar a palavra - um sacrilégio contra a humanidade, porque o homem é sagrado, é a imagem do Deus vivo. O Pai diz: "Parai e vinde a mim". Isto é o que eu vejo no mundo.

Movimento Oásis Centro de Espiritualidade Rua Mirante de Sonhos, 105 4445-511 Ermesinde - tel. 229712935 http://www.movimentooasis.com Contactos : padrearaujo@sapo.pt / oasis@movimentooasis.com Crescer on-line - Julho de 2015 - Página nº 2

Crescer On-line - março de 2016  

Boletim do Movimento Oásis em Portugal

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