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ENTREVISTA - ANO 2018 - EDIÇÃO 18

A grande maioria das OSCs nascem por meio do voluntariado, em um momento de crise financeira, como as organizações devem buscar a gestão profissional? Realmente a grande maioria das organizações do Terceiro Setor nascem através de voluntários em algum momento peculiar da vida dos beneméritos. O que acontece é que nem sempre este grupo de voluntários consegue manter a organização sustentável e em crescimento. Deve-se tomar muito cuidado, porque em crise financeira, normalmente, não se tem tempo e recurso para mudar. O ideal é estar sempre analisando a possibilidade de profissionalização e talvez, fazê-la aos poucos, contratando pessoas e montando uma estrutura com maior delegação, mas sempre, com o estabelecimento de planos, metas e controle dos resultados. Qual a melhor forma da organização se tornar sustentável? O primeiro passo é preparar um plano de sustentabilidade. Na preparação deste plano é importante fazer um diagnóstico da organização para saber exatamente o seus volumes de gastos a suas necessidades de recursos. Trabalhar fortemente num projeto de racionalização de custos e eficiência para adequar as necessidades de recursos. Em seguida começar a pensar na geração de rendas. Sou um adepto ao conceito de que a entidade poderá gerar a sua própria renda vendendo, principalmente, o seu produto social que é aquilo que ela sabe fazer de melhor. Qual a importância do planejamento nas organizações? Como ele afeta nos resultados? O planejamento é uma peça fundamental na gestão profissional de uma organização. É neste momento que vamos pensar o que vamos fazer, quanto vamos gastar e de onde virá o dinheiro. De onde virá o dinheiro faz parte do plano de sustentabilidade da organização que deve ser trabalhado por todos. Um dos principais fatores do planejamento é que definimos um foco e um caminho onde todo o grupo gestor da organização deverá percorrer direcionando o seus esforços. Por outro lado, não adianta só ter o planejamento sem fazer um acompanhamento periódico e uma necessária correção de rumos.

“Sou um adepto ao conceito de que a entidade poderá gerar a sua própria renda vendendo, principalmente, o seu produto social que é aquilo que ela sabe fazer de melhor.”

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O que a Lei nº 13.019/2014 trouxe de melhorias para o Terceiro Setor? Eu poderia destacar alguns aspectos: Segurança jurídica - realmente é uma lei que foi talhada especificamente para gerir e organizar as transferências voluntárias de recursos dos poderes públicos para as organizações. No passado convivíamos com uma “colcha de retalhos” de legislação e que eram adaptações e não tinha algo específico para esse tipo de transação. Outro aspecto é a valorização das Organizações da Sociedade Civil. Realmente a lei tem algumas características que podem valorizar a organização desde que ela faça valer o seu direito. Como exemplo, posso citar que a lei é textual de que a conta bancária é isenta de tarifas bancárias. Nem sempre os bancos tem adotado esta isenção, porém as Organizações devem fazer valer seus direitos, até judicialmente, se for o caso. A efetividade das parcerias é outro aspecto muito importante na medida em que a lei exige que o chamamento público tenha que definir metas e indicadores de resultado social a serem conseguidos com o recurso recebidos. Desta forma, tanto o Poder Público como a organização devem estar atentos para o estabelecimento e acompanhamento dessas metas, mostrando que não é só uma questão financeira e sim de resultado social Por que ela ainda sofre resistências? Nós somos resistentes por natureza. Esta lei tem a característica de ter uma abrangência nacional envolvendo tanto os poderes públicos: federal, estadual e municipal, além das organizações e os Tribunais de Contas, portanto um grande volume de pessoas envolvidas, interesses e necessidades que pulverizam a linha de resistência. Acreditamos que o seu uso a evolução tanto das organizações como dos poderes públicos, ao longo do tempo, provocará melhorias contínuas e revisões na lei. Facilitando e melhorando a relação entre os poderes públicos e as organizações do setor. A lei exige que as organizações apresentem resultados sociais, como mensurar esses resultados? Sempre quando pretendemos mensurar algum resultado devemos usar indicadores. Esses indicadores deverão ser definidos, em cada projeto, baseados no objetivo geral e nos objetivos específicos do projeto. Pressupõe-se, portanto, que os objetivos serão traduzidos em metas quantificadas através de indicadores que deverão ser acompanhados e apurados na prestação de contas final do projeto.

Revista APAE em Destaque 18  
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