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APAE em destaque

Publicação da FEAPAE-SP - Federação das APAEs do Estado de São Paulo

Ano 2017 • Edição 15

REVISTA APAE EM DESTAQUE ANO 2017 • EDIÇÃO 15

MAIS QUE UMA CAPACITAÇÃO,

UM PONTO DE PARTIDA “CAPACITAÇÃO PARA NOVOS DIRIGENTES” REÚNE MAIS DE 220 REPRESENTANTES DA DIRETORIA DAS APAES PARA UMA IMERSÃO SOBRE GESTÃO E GOVERNANÇA

ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL E SUAS ATIVIDADES MEIO

FEAPAES-SP INICIA MARATONA DE CONGRESSOS REGIONAIS


CAPA

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SUMÁRIO

MAIS QUE UMA CAPACITAÇÃO,

UM PONTO DE PARTIDA

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APAE EM DESTAQUE

NOTAS APAE

RIBEIRÃO PRETO

11 12 14 15 16 17

RIO GRANDE DA SERRA

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OSVALDO CRUZ

20 21 22 23 25 26 27 28

GALERIA DE FOTOS

MONTE APRAZÍVEL PRAIA GRANDE CHAVANTES

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ESPECIAL VALE CAP

SÃO VICENTE CAÇAPAVA

MIRASSOL NOVO HORIZONTE VALINHOS JUNDIAÍ

52 ENTREVISTA EDUARDO BARBOSA

54 ENTREVISTA FRANCISCO GUETTI

TAQUARITUBA ITAQUAQUECETUBA SANTA FÉ DO SUL

FEAPAES EM REVISTA X FESTIVAL NACIONAL NOSSA ARTE

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NOVOS RECURSOS TECNOLÓGICOS

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PARCERIA COM SANTANDER E GOOGLE

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PROGRAMA INTERNACIONAL DA IBM

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CAMPANHA TROCO SOLIDÁRIO

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PRIMEIRO CICLO DO FUNDO DE PROJETOS

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PARCERIA COM A COOP RENDE MAIS DE R$170 MIL

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FEAPAES-SP INICIA MARATONA DE CONGRESSOS REGIONAIS

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ARTIGOS ELEIÇÕES DOS AUTODEFENSORES: PAROU! VAMOS NOS REPRESENTAR!

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A IMPORTÂNCIA DA LEI DE COTAS PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA

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ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL E SUAS ATIVIDADES MEIO

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EXPEDIENTE

EDITORIAL

DIRETORIA EXECUTIVA Presidente Cristiany de Castro

2º Dir. Financeiro Luis Roberto Roson

Vice-presidente José Marcelo Alduíno

Diretor Social Paulo Arantes

1ª Secretária Patrícia Regina Miranda da Cruz

Diretor de Patrimônio Ivanil de Marins

2º Secretário Celso Roberto Pegorin

Procurador Jurídico Paulo Rogério Geiger

1º Dir. Financeiro Salvador Anésio Ruiz Aylon

CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO

É chegado 2017 e com ele mais uma edição da Revista APAE em Destaque. E como diz o ditado popular “ano novo, vida nova”, não é mesmo? Iniciamos o ano empolgados com as novidades do movimento apaeano. Novidades estas que se estendem para os dirigentes das APAES. Nesta edição, retratamos tudo o que aconteceu no maior evento de governança e gestão do terceiro setor do estado: Capacitação para Novos Dirigentes, que reuniu mais de 220 presidentes e representantes da diretoria executiva das APAES. Seguindo essa tendência de novidade, a 15.ª edição

Celso Aparecido Cassiano Helio Tadeu Zago Jorge Martins Salgado José Carlos da Silva José Luiz Beneciuti José Perez Perez Josiane Claudia da Silva Jacob Lilian Carla de Oliveira Lúcia Helena Gonçalves Senteio Luiz Antonio Lopes Garcia Márcia Cardoso Luquetti Gianoti

CONSELHO FISCAL

Titulares Marcelo Colombo Antônio Pio Neto Eugênia Amorim Ubiali

Marcio Chagas Fernandes da Silva Maria de Fátima Dalmédico de Godoy Maria José de Sousa Nunes Moacyr Fonseca Júnior Nilza Ribeiro Fernandes Afonso Paulo Cesar Zeni Rita de Cássia Ramos Rodrigo de Oliveira Prévide Silvio Filippini Sonia Ap. Martins Bento de Oliveira Vera Lucia Ferreira Lima

Suplentes Celso Bueno José Roberto Guimarães Carlos Eduardo Torres

CONSELHO CONSULTIVO

da Revista APAE em Destaque também está com inova-

Antônio Cândido Naves

ções! A partir de agora, a publicação passa a ser qua-

EQUIPE TÉCNICA | FEAPAES-SP

drimestral. Isso significa que teremos mais tempo para selecionar os melhores conteúdos e histórias do movimento. E, por falar em histórias, nesta edição contamos a de Danilo Pacheco, aluno da APAE de Ribeirão Preto que foi convocado para representar a Seleção Brasileira de Judô em torneios internacionais. Ainda na sessão APAE em Destaque, a unidade de Jundiaí mostra que o antigo também merece destaque. A Senhora APAE completa 60 anos de história, sendo a primeira do estado e a terceira do Brasil. Na sessão FEAPAES-SP em Revista, apresentamos parcerias e inovações tecnológicas da instituição, evidenciando a participação dela no 21.º Corporate Service Corps, programa internacional da IBM. Nas sessões de entrevistas e artigos, temos ícones e especialistas do terceiro setor abordando assuntos importantes para a garantia e defesa dos direitos das pessoas com deficiência. Ah, e não se esqueça de que o congresso estadual vem aí. Estamos ansiosos para o evento mais importante da rede.

Superintendência Fernanda Peres Gomes superintendencia@feapaesp.org.br Comunicação Brenda Pimentel Mtb 80962/SP Débora Simões Mtb 81427/SP comunicacao@feapaesp.org.br Cursos Lays Alves eventos01@feapaesp.org.br Desenvolvimento Institucional Marina Salomão Anna de Ruijter (estagiária) institucional@feapaesp.org.br Financeiro Simone Coelho Fátima Melo Lucas Almeida Eduardo Carlone (estagiário) financeiro@feapaesp.org.br

Marco Aurélio Ubiali

Equipe da Qualidade Aline Lima Bruna Soares Faria Cintia Faccirolli Keila Stefani Lucila de Castro Eliete Travaini coordqualidade@feapaesp.org.br Jurídico Érika Faria Cauê Varjão (estagiário) juridico@feapaesp.org.br Recepção Karla Pereira Veranice Abreu Silva Amanda Cristina da Silva Souza faleconosco@feapaesp.org.br Tecnologia da Informação Rafael Assis tecnologia01@feapaesp.org.br

Edição concluída em 20 de abril de 2017

Nós estaremos por lá, e você? Federação das APAES do Estado de São Paulo

Boa leitura! Brenda Pimentel Jornalista - Mtb 80962/SP comunicacao@feapaesp.org.br

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APAE EM DESTAQUE • ANO 2017 • EDIÇÃO 15

Rua Tomaz Pedro do Couto, 471 | Polo Industrial Abílio Nogueira | Franca/SP CEP: 14406-065 | Fone: 16 3403-5010 | Fax: 16 3403-5015 E-mail: feapaes@feapaesp.org.br www.feapaesp.org.br

Revista APAE em Destaque

Redação: Brenda Pimentel e Lucas Guerra. Edição: Brenda Pimentel. Revisão e Diagramação: Zeppelini Publishers / Instituto Filantropia.


PALAVRA DA PRESIDENTE

DESENVOLVIMENTO INSTITUCIONAL

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entre os principais objetivos da nossa gestão está o desenvolvimento institucional e a profissionalização da gestão das APAES. Para isso, a Federação tem desenvolvido várias capacitações para os profissionais das APAES e diretorias. Ao longo dos anos, a causa da pessoa com deficiência alcançou ­status de política pública e social. Esse fato originou a necessidade de uma governança mais profissional e especializada em todos os âmbitos do terceiro setor. Congregamos todas as metas, os objetivos e as demandas das APAES para promover a Capacitação para Novos Dirigentes, evento que reuniu mais de 220 representantes da diretoria executiva das APAES. Os resultados dessa capacitação foram impressionantes. Abordamos modelos de sucesso, novas técnicas, assuntos de relevância setorial e propusemos ferramentas que auxiliam nossos presidentes a desenvolver estratégias inovadoras, profissionalizando ainda mais suas respectivas APAES. Estamos determinados a seguir essa união de conhecimentos, pois sabemos que só assim seremos cada vez mais fortes e exemplares na defesa e garantia de direitos das pessoas com deficiência não só em território estadual, como também nacional. Cristiany de Castro Presidente da Federação das APAES do Estado de São Paulo

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GALERIA DE FOTOS

CARNAVAL NAS APAES

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REMA

GUARATINGUETÁ 6

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JUNDIA

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NOTAS APAE APAE DE BAURU REALIZA EVENTOS EM HOMENAGEM AO DIA DO AUTISMO

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o dia 2 de abril, as ruas de Bauru foram invadidas por ciclistas e pedestres. Isso porque a APAE local realizou o 4º Passeio Ciclístico da Autodefensoria e a 2ª Caminhada pelo Autismo, ambos em homenagem ao Dia Mundial de Conscientização do Autismo. O evento é planejado e organizado por Matheus Gumiero, aluno do Centro Integrado Profissionalizante, que atua como autodefensor na

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APAE de Bauru. Ele pretende trabalhar a inclusão social das pessoas com deficiência atendidas ao reunir famílias, amigos e público em geral. De acordo com a instituição, mais de 300 pessoas participaram dos eventos, incluindo famílias, funcionários da instituição, pessoas da comunidade e as próprias pessoas com deficiência. Para participar, foi necessário levar 1kg de alimento não perecível e vestir azul. Todos os alimentos arrecadados estão sendo contabilizados e serão utilizados para as refeições dos usuários.

APAE DE FRANCA PARTICIPA DE TROTE SOLIDÁRIO DA UNI-FACEF

o dia 24 de março, a APAE de Franca participou do Trote Solidário do Centro Universitário Municipal de Franca (Uni-FACEF) 2017, que tem por objetivo integrar os calouros à comunidade acadêmica da universidade com ações que demonstrem solidariedade. O Conjunto Portal da APAE-Franca apresentou-se cantando diversas músicas brasileiras e dançou duas coreografias com as músicas da dupla Rio Negro e Solimões, sendo elas Esperando na Janela e Bate o Pé. Para a surpresa do grupo, o cantor Solimões, que era um dos jurados do Trote Solidário, subiu ao palco e dançou com os integrantes. Além da performance, Solimões também cantou a música É na Sola da Bota com o aluno e músico Serginho. De acordo com a instituição, a interação foi muito benéfica para o grupo, que já é presença confirmada há anos no trote solidário.

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SOPHIA ABRAHÃO FAZ VISITA A APAE DE JACAREÍ

o dia 16 de janeiro, a artista Sophia Abrahão visitou a Jacareí Ampara Menores (JAM), entidade vinculada à rede APAE, com o objetivo de proporcionar uma tarde de atividades e brincadeiras com os usuários. Durante a visita, Sophia conheceu os  departamentos da instituição, interagiu com os usuários e assistiu a uma apresentação de dança dos usuários. “Que delícia de tarde. Fui visitar e conhecer melhor o projeto da JAM, estou muito feliz em poder contribuir aqui na minha cidade, onde passei toda a infância, conhecer tantas histórias incríveis e aprender com cada uma delas! Sempre podemos fazer um pouco mais por todas as pessoas que estão ao nosso redor. Grata por essa oportunidade”, declarou Sophia. A atriz colocou sua imagem à disposição da instituição, como forma de contribuição e publicidade para eventos em prol da entidade.

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VEM AÍ O V FESTIVAL DE ATLETISMO DA APAE DE PEDREIRA

o dia 28 de abril, acontecerá o V Festival de Atletismo da APAE de Pedreira. O evento será realizado no Estádio Municipal Wanderley José Vicentini e no Clube Náutico Joaquim Carlos. As atividades terão início às 8h e acontecerão durante todo o dia. As modalidades serão: 50 e 100 metros, salto em distância, arremesso de peso e lance livre. Ao todo, são esperados cerca de 130 competidores, divididos nas categorias infantil, juvenil, adulto e master. A competição será aberta ao público e tem como principal objetivo trabalhar as capacidades físicas e habilidades motoras dos alunos, tendo em vista a evolução da qualidade de vida, promovendo a integração e inclusão por meio das modalidades esportivas.

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APAE DE PALMARES INTENSIFICA AÇÕES DE INCLUSÃO SOCIAL

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o ano de 2016, a APAE de Palmares Paulista intensificou as ações de inclusão social de seus usuários. Pensando em propiciar situações que de fato provoquem a interação social dos usuários, a instituição focou-se em passeios e dias de lazer, aliando diversão e entretenimento ao Currículo Funcional Natural, em que a pessoa com deficiência pode vivenciar situações do dia a dia. Além das atividades in loco, a instituição programou dois grandes passeios: um na cidade de Catanduva, onde o grupo visitou o shopping center, e outro em São José do Rio Preto, em uma visita ao zoológico, que, além da interação social, proporcionou conhecimento e admiração da natureza. De acordo com a instituição, 2017 não será diferente.

3ª FESTA DO BEM REÚNE 980 PESSOAS EM SANTA RITA DO PASSA QUATRO

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oa música, gastronomia e, claro, muita solidariedade. Essas são as palavras que definem a terceira edição da Festa do Bem, realizada pela APAE de Santa Rita do Passa Quatro. O evento reuniu cerca de 980 pessoas das comunidades local e regional, em uma noite de responsabilidade social e cidadania. O evento aconteceu em novembro de 2016, na quadra da instituição, envolvendo amigos, voluntários, pais, colaboradores e a diretoria da APAE. A instituição arrecadou R$ 14.500, verba que foi revertida em melhorias para suas áreas de Assistência Social, Educação e Saúde.


APAE EM DESTAQUE

PROJETO A MAGIA DO NATAL LEVA ALEGRIA PARA USUÁRIOS DE MONTE APRAZÍVEL Comemoração envolveu mais de 400 pessoas e teve até Papai Noel chegando de helicóptero

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tualmente, magia, fantasia e imaginação parecem coisas destinadas apenas a crianças. Com o intuito de quebrar esse paradigma, a APAE de Monte Aprazível resolveu fazer um Natal diferente, envolvendo não só os usuários, mas também toda a comunidade. Entre os meses de novembro e dezembro de 2016, a instituição trabalhou em total sintonia entre funcionários, alunos, familiares e comunidade, para promover no ambiente escolar a vontade de adquirir conhecimento sobre as tradições natalinas de forma criativa, lúdica, participativa e descontraída. Tudo isso com atividades específicas desenvolvidas para cada turma. Segundo a APAE, tanto as crianças como os adultos precisam do espírito de Natal para preservar a alegria e a esperança. Para os usuários, o Natal é uma época mágica, é tempo de esperar Papai Noel. “Eles encaram essa data com muito carinho, amor e fantasia, pois ainda acreditam no bom velhinho e o esperam com ansiedade”, afirma Vera Nilce Regiani Pereira, diretora da APAE. Além das atividades, os usuários tiveram de se empenhar nas apresentações e prepararam-se para uma grande confraternização. No dia 1º de dezembro, eles fizeram diversas apresentações natalinas no Centro Cultural “Ana Maria Ceneviva Berardo”, e o evento contou com espetáculos musicais, jograis e mensagens natalinas, proporcionando um momento fraterno entre professores, alunos e pais. No dia 13 de dezembro, para fechar o projeto com chave de ouro, a APAE de Monte Aprazível realizou para a comunidade o Natal Mágico. A confraternização contou com uma surpreendente chegada do Papai Noel e com o show da dupla

sertaneja Pedro Henrique e Rafael. O evento envolveu mais de 400 pessoas, conseguindo arrecadar presentes para todos os usuários (presentes que foram escolhidos por eles mesmos) e alimentos para a confraternização. O Papai Noel chegou de helicóptero. Tal surpresa só foi possível graças à amizade entre a instituição e um empresário da área sucroalcooleira da cidade, que cedeu, gratuitamente, o helicóptero e instrutores de pouso para trazer o Papai Noel e proporcionar ainda mais magia à festa. “Foi muita emoção. Helicóptero, Papai Noel, balas e presentes, quanta alegria! Com a evolução dos tempos e o clima quente de região, Papai Noel deixou as renas e preferiu um meio de transporte mais rápido e confortável”, explica Vera Nilce.

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APAE EM DESTAQUE

1 CORRIDA E CAMINHADA DA APAE a

DE PRAIA GRANDE REÚNE MAIS DE MIL PESSOAS

A competição em prol da entidade mobilizou toda a região de Praia Grande

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oi dada a largada para a solidariedade em Praia Grande (SP). No dia 12 de março, a cidade uniu-se e correu junta em prol da APAE. Mais de mil pessoas participaram da 1ª Corrida e Caminhada da APAE de Praia Grande, evento que foi idealizado pelos colaboradores da instituição e organizado pela YPS Eventos, com apoio da prefeitura e de mais de 200 voluntários.

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A competição começou às 8h30 na Praia do Boqueirão. Dividida em três etapas — corrida, caminhada e corrida para pessoas com deficiência —, as categorias para a premiação foram definidas por faixa etária, de cinco em cinco anos. Todos os competidores receberam medalhas de participação. Nas corridas, os três primeiros colocados de cada categoria também receberam troféus. Graça Oliveira, 42 anos, a campeã da sua categoria, participa de competições há mais de


13 anos. Segundo ela, o evento foi muito bem organizado e o carinho com os atletas por parte da organização foi incrível. “A iniciativa foi muito legal. Além de levar pessoas com deficiência para praticar atividades esportivas, também arrecada fundos para instituição, o que é muito importante, pois nós sabemos que o trabalho da APAE é um trabalho de resultado, porém os recursos são escassos”, enfatiza Graça. Na categoria de corrida para pessoas com deficiência, o campeão da prova masculina foi Adrian Oliveira Conceição, de 16 anos, que é apaixonado por atletismo. “Gostei muito de participar da corrida. Na próxima semana vou participar de outra, eu gosto cada vez mais do atletismo”, afirma Adrian, que há seis meses faz parte da equipe de atletismo para pessoas com deficiência de Praia Grande. Às 8h a equipe FastWheels fez uma apresentação de corrida de cadeirantes. Campeã em diversas competições nacionais e internacionais, a equipe possui diversos nomes de peso, entre eles Heitor Mariano, tricampeão da Corrida Internacional de São Silvestre. Segundo o Presidente da APAE de Praia Grande, Robson de Oliveira Molica, a apresentação foi uma inspiração para os usuários. “O Grupo FastWheels mostrou que no esporte há espaço para todos, nele não há diferenças”, disse Robson. A convite de Paulo Geiger, advogado da APAE de Praia Grande e procurador jurídico da FEAPAESSP, a presidente da federação Cristiany de Castro também participou da corrida. “Participar da corrida e caminhada de Praia Grande foi motivador. Ver tantas pessoas juntas, por meio do esporte, em prol da APAE, me dá cada vez mais forças para

lutar e trabalhar incessantemente pelos direitos da pessoa com deficiência. O evento foi muito bem organizado, toda a equipe foi muito acolhedora e pude ver que o esporte quebra barreiras e paradigmas”, declara Cristiany, acrescentando que “a apresentação do grupo FastWheels foi fantástica. Eles nos mostram que não há limitações para seguir nosso sonhos”. Durante todo o evento, estiveram à disposição dos competidores água, frutas e isotônicos, além de todo o apoio da Secretaria Municipal de Esportes, do Departamento de Trânsito, da Secretaria de Saúde, da Guarda Civil e da Polícia Militar. Janice da Paz Santos, mãe de Jéssica Francelino, uma atendida da APAE, foi voluntária na competição. Para ela, é muito importante participar dos eventos da entidade que presta serviços para sua filha. “Esse tipo de evento é bom para a população conhecer cada vez mais o trabalho da APAE de Praia Grande. Essa é uma forma de divulgar e de fazer com a instituição cresça”, afirmou Janice. Segundo a organização, o evento foi um sucesso, principalmente pelo apoio dos profissionais, usuários e familiares, que vestiram a camisa da APAE e ajudaram de diversas formas. A competição também contou com parcerias, e, para Robson Molica, a prospecção de parceiros faz-se naturalmente, pois o nome APAE é forte e a palavra-chave é transparência. “Nós da APAE de Praia Grande visamos à transparência, por isso toda vez que firmamos qualquer tipo de parceria, até mesmo com pessoas físicas, mostramos onde o dinheiro vai ser investido e fazemos sempre a prestação de contas. Com isso, o nome da APAE tornou-se referência na cidade”.

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APAE EM DESTAQUE

PROJETO MELHOR “AUMIGO” PROMOVE TERAPIA COM CÃES O contato com os animais de estimação auxilia no tratamento de pessoas com deficiência da APAE de Chavantes

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relação entre seres humanos e animais de estimação vem de muito tempo, e o poder dessa troca está sendo estudado há anos. Atualmente, sabe-se que animais como cães, gatos, cavalos, porquinhos-da-índia, golfinhos e até lhamas têm efeitos terapêuticos sobre as pessoas. Com isso, surgiu a Terapia Assistida por Animais (TAA): uma técnica cientificamente comprovada cujo objetivo específico é utilizar o contato com o animal de estimação para terapia humana. Pensando nisso, a APAE de Chavantes criou o Projeto Melhor Amigo (Pet-Terapia) que, na sua primeira edição, em outubro de 2016, atendeu a 15 usuários de faixa etária entre 5 e 14 anos. Várias atividades foram desenvolvidas, como jogar bolinhas, pequenos passeios e momentos de carinho e descontração em que os usuários alimentaram e brincaram com os pets. Segundo a assistente social e coordenadora técnica da saúde Michele Batista do Nascimento Lopes, o objetivo do projeto foi promover o contato entre os usuários e os animais, que segundo pesquisas proporciona aceitação, maturação, socialização, interação com o animal e ambiente e socialização com as pessoas ao redor, além de melhorar a autoestima e autoconfiança, gerando um momento de prazer, lazer e carinho. “O projeto nos auxilia a trabalhar com o bem-estar e a estimular o desenvolvimento neuropsicomotor por meio da interação com o animal,

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A TERAPIA ASSISTIDA POR ANIMAIS (TAA) É UMA TÉCNICA CIENTIFICAMENTE COMPROVADA E TEM COMO OBJETIVO ESPECÍFICO UTILIZAR O CONTATO COM O ANIMAL DE ESTIMAÇÃO PARA TERAPIA HUMANA.

com o ambiente e com as terapeutas, auxiliando na reabilitação física, mental e emocional”, afirmou Michele. O projeto surgiu porque alguns usuários tinham medo dos animais. Com isso, algumas terapeutas resolveram levar seus cães, devidamente vacinados, vermifugados e dóceis, para interagirem com os usuários e criarem vínculos. A APAE de Chavantes pretende fazer com que o projeto seja mensal, por um período de duas horas, e que cada atendimento seja organizado por rodízio entre os animais de estimação dos próprios usuários, para auxiliar na interação e socialização entre eles, não só na APAE, mas também no dia a dia. Este ano, planeja-se também a comemoração, em julho, do Dia do Amigo, com uma caminhada pelo município dos usuários e seus pets para conscientização e valorização da importância do animal no desenvolvimento dos usuários.


APAE EM DESTAQUE

MAIS QUE UMA CASA,UM LAR

Residência Inclusiva da APAE de São Vicente comemora três anos

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esidências inclusivas são alternativas de moradia destinadas a jovens e adultos com deficiência em situação de dependência. São casas comuns inseridas na comunidade. Em São Vicente/SP, a APAE é responsável, juntamente com os governos Federal, Estadual e Municipal, pela Residência Inclusiva da cidade. Este ano a casa comemora três anos e conta com cinco moradores, todos com Deficiência Intelectual, com idades entre 18 e 59 anos. A Residência Inclusiva de São Vicente tem capacidade para atender a 10 pessoas e faz parte do Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, “Viver Sem Limite”, do Governo Federal. A Residência conta com cinco cuidadores, que dividem as tarefas. A equipe é composta de profissionais de diversas áreas, como assistência social, terapia ocupacional, psicologia, transporte e coordenadoria. Além de acolher pessoas com Deficiência Intelectual, a Residência Inclusiva de São Vicente tem como objetivo ampliar a autonomia e a independência dessas pessoas. Segundo a coordenadora Lúcia Lela, a Residência funciona como uma casa normal, com rotinas e tarefas divididas entre os moradores.

ALÉM DE ACOLHER PESSOAS COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL, A RESIDÊNCIA INCLUSIVA DE SÃO VICENTE TEM COMO OBJETIVO AMPLIAR A AUTONOMIA E A INDEPENDÊNCIA DESSAS PESSOAS. “Tentamos fazer com que eles entendam que esse espaço é deles, que apesar de algumas limitações eles são os responsáveis pela manutenção e organização da casa. Eles fazem as compras em supermercados, têm momentos de lazer nos fins de semana, enfim, possuem uma rotina como em qualquer casa”, afirma Lela. A seleção para a Residência Inclusiva acontece por meio do Centro Especializado de Assistência Social (CREAS), pois é necessária uma avaliação social para averiguar se a pessoa com deficiência não dispõe de condições de autossustentabilidade ou de retaguarda familiar. Essa acolhida e essa convivência promovem o desenvolvimento de capacidades adaptativas à vida diária, a autonomia e a participação social.

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APAE EM DESTAQUE

PROJETO TURMA DA MÔNICA LEVA

DIVERSÃO PARA CRIANÇAS EM CAÇAPAVA

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Usuários da APAE interpretam músicas das personagens da história em quadrinhos

legrar crianças da região de Caçapava é um dos principais objetivos do Projeto Turma da Mônica, idealizado pelos próprios usuários da APAE. Um grupo de cinco usuários, juntamente com o até então voluntário Luis Gustavo Nunes Moura, de 18 anos, criou o projeto, no qual eles encenam as músicas baseadas nas personagens da história em quadrinhos e se apresentam em diversas escolas infantis. A ideia surgiu após a apresentação de alguns professores no Show de Talentos com máscaras das personagens, em outubro de 2016.

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Os ensaios são no contraturno e cada usuário representa uma personagem da Turma da Mônica. Luis Gustavo, que atualmente é inspetor de alunos, representa o Cascão, auxiliando os usuários durante a apresentação. Eles são adultos com idade acima de 30 anos e se apresentaram em seis escolas da cidade em 2016. Logo após a primeira apresentação, várias escolas entraram em contato com a APAE pedindo também uma visita. “As apresentações são momentos de muita alegria. Eles podem interagir com os alunos das escolas, as crianças ficam muito felizes e os usuários ficam muito empolgados. Como o projeto está crescendo, este ano pretendemos levá-lo para hospitais, como o GACC (Grupo de Assistência à Criança com Câncer) de São José dos Campos e a FUSAM (Fundação de Saúde e Assistência do Município de Caçapava). Acho que levar essa alegria deles pode ajudar crianças que estão em leitos de hospitais”, disse Luis Gustavo. Na Semana da Criança de 2016, os usuários se apresentaram na Escola Municipal de Ensino Fundamental Lindolpho Machado a convite da diretora Juliane Orioli dos Santos. Segundo a diretora, o evento foi um sucesso. Cerca de 380 alunos com idades entre 6 e 10 anos assistiram ao espetáculo. Juliane afirmou que as crianças adoraram, interagiram bastante e cantaram as músicas com o grupo. Ela disse, ainda, que o contato foi tão positivo que, após o espetáculo, eles lancharam juntos. “Esse tipo de evento é fundamental nas escolas, pois é uma forma de reconhecer e valorizar a diferença”, declarou Juliane.


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DE RIBEIRÃO PRETO

PARA O MUNDO

Atleta da APAE de Ribeirão Preto é convocado para defender a Seleção Brasileira de Judô em torneios internacionais

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uperação por meio do esporte. Essa é a frase que define a vida de vários atletas, e um deles é Danilo Santa Pacheco, de 30 anos, que foi convocado para defender a Seleção Brasileira de Judô em torneios internacionais. O atleta faz parte do Projeto Rumo ao Pódio, da Secretaria Municipal de Esportes em parceria com a Associação Corpore Sano e a APAE de Ribeirão Preto. Danilo, que é faixa azul de judô, foi diagnosticado com paralisia cerebral ainda criança e desde então busca superar as limitações motoras mediante o esporte. Em 2016, teve grande aproveitamento nas competições, conquistando o título na maioria delas, com destaque para o Torneio Periquito, realizado em São Paulo, no ginásio do Palmeiras, do qual foi campeão. Christopher Rodrigues, treinador e orientador de Danilo na equipe de Ribeirão Preto, diz que o atleta se desenvolveu muito nos últimos anos. “Ele vem lutando todos esses anos para superar as dificuldades, principalmente motoras. No ano passado, teve grande aproveitamento nas competições e mereceu a convocação”, comenta o treinador, que também foi convocado para integrar a comissão técnica nas competições na Europa. Para competir no Velho Continente, Danilo precisou de apoio financeiro. Os custos da viagem, hospedagem e inscrição ficaram em torno de R$  6  mil por pessoa. “Pedimos a colaboração de pessoas físicas e jurídicas, e, felizmente tivemos o apoio que garante nossa participação”, diz o treinador, que para complementar a arrecadação lançou também uma campanha online. Segundo Christopher, além das doações de pessoas físicas, o atleta contou com o apoio financeiro da CETESB de Ribeirão Preto e do Colégio Bassano Vaccarini, localizado na mesma cidade.

Coordenador do Projeto Rumo ao Pódio entrega uniformes e quimonos ao atleta

DANILO, QUE É FAIXA AZUL DE JUDÔ, FOI DIAGNOSTICADO COM PARALISIA CEREBRAL AINDA CRIANÇA E DESDE ENTÃO BUSCA SUPERAR AS LIMITAÇÕES MOTORAS MEDIANTE O ESPORTE. Os torneios internacionais acontecerão em maio, na Itália, e em junho, na França. O coordenador da equipe de judô de Ribeirão Preto e do Projeto Rumo ao Pódio, Cleber do Carmo, garantiu total apoio ao atleta. “Trabalhamos juntamente com toda a nossa equipe, na busca do recurso necessário para que os dois pudessem participar, levando nosso projeto adiante”, afirma Cleber, acrescentando que “todos nós estamos muito felizes por essa conquista”. Até maio, Danilo Pacheco tem dois desafios pela frente, sendo eles o 4º Open Regional Mogiana Para Todos e a Copa São Paulo para Todos, em abril. Segundo Christopher, os treinamentos estão sendo intensos e focados nessas competições. “Ele treina no período da manhã duas vezes por semana, pois trabalha no período da tarde. Quando queremos intensificar ainda mais os treinos, ele me encontra à noite para treinarmos juntos também”, conta o treinador.

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PANIFICAÇÃO E CONFEITARIA

NOS CAMINHOS DA INCLUSÃO VENCE CONCURSO VOLKSWAGEN NA COMUNIDADE

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APAE de Rio Grande da Serra é contemplada com R$ 40 mil para ampliar o projeto m outubro de 2016, a APAE de Rio Grande da Serra foi uma das 10 vencedoras do IX Concurso Volkswagen na Comunidade, com o Projeto Panificação e Confeitaria nos Caminhos da Inclusão, que teve como objetivos

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a ampliação do trabalho já realizado e o desenvolvimento de novas atividades. A premiação, de R$ 40 mil, está sendo aplicada na aquisição de equipamentos, utensílios, matérias-primas, construção de uma área exclusiva para comercialização dos produtos e investimento em cursos de capacitação.


Um dos principais objetivos do concurso é premiar projetos sociais que promovam o desenvolvimento humano e comunitário das comunidades do entorno das unidades fabris da Volkswagen e da MAN Latin America, além dos Escritórios Regionais de Vendas e Serviços Financeiros, fortalecendo seus vínculos com as comunidades. Atualmente 30 usuários, com idades acima de 15 anos, estão inseridos no projeto. Eles fazem parte do grupo socioeducacional, da educação para o trabalho e da oficina ocupacional da APAE. O programa é semanal, e os usuários realizam atividades de panificação e confeitaria, com orientações da assistência social, terapia ocupacional e educação, além do auxílio de um padeiro. “Eu gosto do projeto de panificação, porque ele me ajuda a trabalhar e aprender muitas coisas, fazer pães, salgados. Gosto do padeiro, que ensina a gente direitinho, e a professora também. Eu aprendi aqui e já fiz bolo e pão na minha casa”, afirma Fabrícia Souza Rocha, 25  anos, atendida da APAE. A oficina consiste em realizar atividades na área da alimentação, objetivando o aprimoramento e o desenvolvimento de habilidades de vida diária, favorecendo a independência, a  autonomia e, quando possível, preparando os participantes para a inclusão no mercado de trabalho. Neste ano a APAE está estabelecendo parceria com a JBS, indústria de alimentos, para direcionar os usuários da oficina para vagas de emprego na empresa. Os produtos são feitos para o consumo institucional, em refeições de alunos, e são comercializados internamente uma vez por semana entre os funcionários e a comunidade local. Por se tratar de um projeto socioeducacional, o dinheiro arrecadado mantém os custos de matéria-prima e o salário do padeiro. Em janeiro de 2017 a APAE promoveu o primeiro curso intensivo de panificação para a comunidade e familiares dos usuários. A capacitação teve carga horária de 40 horas, e 26 pessoas participaram. “Adorei o curso, foi muito bom. Aprendi muitas coisas novas, já fiz em casa algumas receitas que aprendi durante o curso, ensinei para minha nora e fizemos esfirra juntas”, diz Aurenisia de Souza Santos, 62 anos, mãe de atendida. A instituição pretende oferecer o curso novamente no próximo semestre.

“EU GOSTO DO PROJETO DE PANIFICAÇÃO, PORQUE ELE ME AJUDA A TRABALHAR E APRENDER MUITAS COISAS...”

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APAEXONADOS POR

ORQUÍDEAS, UM PROJETO DE INTEGRAÇÃO COM A NATUREZA

Orquidário criado pela APAE de Osvaldo Cruz proporciona contato com o meio ambiente

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contato com a natureza é fundamental para o bem-estar humano. Diversas pesquisas comprovam os benefícios dessa interação, que vão desde os efeitos terapêuticos ao auxílio no equilíbrio emocional. Pensando nisso, a APAE de Osvaldo Cruz criou o projeto APAExonados por Orquídeas, que, além de fazer com que os usuários explorem novos ambientes, também promove diversos benefícios nas áreas da saúde, educação e assistência social. O orquidário é realizado em uma Área de Preservação Permanente (APP) cedida pela Prefeitura de Osvaldo Cruz, que está localizada ao lado da instituição. Segundo Ana Cláudia Consolari da Mota, diretora da APAE, o projeto APAExonados por Orquídeas faz com que as pessoas com deficiência aprendam em situações e perspectivas diferentes e sejam mais sensíveis e atentas ao que está acontecendo ao seu redor, pois sentem que fazem parte do contexto. O projeto começou em fevereiro de 2016 e abrange todos os usuários da APAE, 92 usuários ao todo. A iniciativa foi idealizada pelo professor de Educação Física Márcio Balbino e pela assistente social Flordenice Antoniazzi Rizzo. “A área de preservação permanente estava localizada ao lado da APAE. Com isso, toda a equipe começou a pensar em formas para utilizar o espaço em prol dos usuários. Participamos de uma feira de orquídeas em uma cidade ao lado e como achamos as flores muito bonitas tivemos a ideia de plantá-las no espaço. Como o ex-presidente Nelson Silva deu o aval, o projeto surgiu”, conta Márcio. O plantio e o cultivo são realizados pelos alunos juntamente com os profissionais da instituição.

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Além de ser socioeducativo, o orquidário também é um espaço de alegria para todos os envolvidos. O projeto surgiu da necessidade dos usuários de estarem mais próximos da natureza, além de terem mais influência com o meio em que estão inseridos de forma prazerosa e significativa, pois o contato com a terra, as cores e os sons faz com que eles descubram novas percepções. A escolha da orquídea deu-se por ser uma planta que requer muito cuidado e atenção, mas que, após o plantio, não necessita de manutenção diária, fazendo com que os profissionais possam incluir a visita ao orquidário no cronograma de atividades, não afetando os demais atendimentos. Segundo Ana Cláudia, os usuários ficam eufóricos quando as plantas florescem e disputam para ver quais plantas vão florir. Para ela, como o processo de desenvolvimento da orquídea é lento, eles também aprendem a ser pacientes. Juntamente com o orquidário, eles também estudam sobre plantas, e a APAE promove eventos comemorativos como o Dia da Árvore, quando fazem um mutirão e plantam diversas árvores na APP.


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PROJETO DE ARTE

ESTIMULA A CRIATIVIDADE, O SISTEMA MOTOR E A INCLUSÃO Usuários da APAE de Mirassol fazem releitura das obras de Orlando Fuzinelli e recebem visita do artista, em uma mistura de aprendizado e inclusão

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Apae de Mirassol acredita que a arte como forma de educação é uma ferramenta importantíssima, pois estimula a criatividade e cria relações do cotidiano no contexto de cada atendido. Diante dessa visão, o professor de Artes Visuais Felipe Teixeira Rocio idealizou o Projeto Relendo Fuzinelli, em que os alunos fizeram releituras das obras do artista plástico Orlando Fuzinelli. O projeto foi realizado entre setembro e novembro de 2016, com cerca de 200 alunos da APAE, envolvendo profissionais de diversas áreas de atendimento da instituição. Com o objetivo de propor a releitura das obras de um artista pelos alunos da APAE, Relendo Fuzinelli buscou analisar elementos visuais e conceituais dos trabalhos, assim como contextualizá-los. E o diferencial do projeto foi que os alunos puderam ter o contato direto com o artista, pois este visitou a APAE e participou de uma roda de conversa com os usuários. “Muitas vezes estudamos artistas que não são acessíveis ou que já morreram. O fato de eles poderem ter contato faz toda a diferença, deixa de ser abstrato e passa a ser concreto”, diz Felipe.

De acordo com as pesquisadoras de Educação Especial Thaís Bedin e Rosângela Ferigollo Binotto, “o conhecimento da arte abre perspectivas para que o aluno tenha compreensão do mundo, na qual a dimensão artística é entendida como uma forma de comunicação, expressão e linguagem que, se estimulada, contribui para o desenvolvimento da percepção, imaginação, raciocínio criativo e sensibilidade, tornando-se agente desafiador e incentivador das aprendizagens nos processos interdisciplinares”. Segundo o professor, os alunos gostaram bastante. Além de despertar o interesse e a curiosidade, por serem coloridas, as obras de Fuzinelli foram um motivo para a inclusão social. Isso porque durante a visita os alunos interagiram bastante com o artista e fizeram várias perguntas para ele. Orlando Fuzinelli reside atualmente em São José do Rio Preto e tem grande importância para o cenário artístico da região. Em suas obras, reflete sobre os acontecimentos contemporâneos do mundo e muitas vezes o faz com viés crítico. Fuzinelli narra, em suas pinturas, histórias sobre aquilo que o ­circunda. Sua  obra é marcada pela estética naïf, abusando  das cores e dos contornos de maneira harmoniosa e alegre.

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APAE DE NOVO HORIZONTE COMEMORA 13 ANOS DE EQUOTERAPIA

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Com parcerias sólidas, a APAE já atendeu a mais de 70 pessoas com deficiência

m 2017 o Programa de Equoterapia da APAE de Novo Horizonte completa 13 anos. Durante todo esse tempo, o programa já atendeu a mais de 70 pessoas com deficiência na APAE. Segundo a Associação Nacional de Equoterapia (ANDE Brasil), a equoterapia é um método terapêutico que utiliza o cavalo em uma abordagem interdisciplinar nas áreas de saúde, educação e equitação, buscando o desenvolvimento biopsicossocial de pessoas com deficiência. Atualmente, o programa beneficia 25 usuários, e os atendimentos são realizados no Centro de Equoterapia Dr. Adáldio José de Castilho (Equitapae), cujas instalações estão situadas na APAE de Novo Horizonte, ocorrendo semanalmente, às terças-feiras, durante os períodos da manhã e da tarde. Os atendimentos duram cerca de meia hora, e os benefícios são diversos. A equoterapia exige a participação do corpo inteiro, contribuindo, assim, para o desenvolvimento da força muscular, o relaxamento, a conscientização do próprio corpo e o aperfeiçoamento da coordenação motora e do equilíbrio. A interação com o cavalo, incluindo os primeiros contatos, os cuidados preliminares, o ato de montar

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e o manuseio final desenvolvem, ainda, novas formas de socialização, autoconfiança e autoestima. Todos os cinco profissionais que atuam na equipe possuem formação pela ANDE Brasil e seguem todas as normas vigentes. Além deles, a equipe conta com o apoio de dois auxiliares-guias, Elias do Nascimento e Michael André Pedrito — ambos são usuários pela APAE e ajudam a cuidar dos animais e do Equitapae. “Adoro ajudar a APAE, relaxa-me, e estar com animais é muito bom, pois o carinho que eu transmito para os animais é correspondido, eles devolvem para a gente. E estar com os usuários me faz muito bem”, afirma Elias. Já Michael conta que trabalhar na equoterapia faz muito bem para ele e que gosta de aprender coisas novas. “Quando eu comecei não tinha prática em lidar com animais. Hoje já sei selar e colocar o cabresto nos cavalos. Adoro arrumar o centro e puxar os cavalos. Gosto de estar com os usuários e sei que o trabalho é muito importante”, reitera. O Equitapae conta com duas grandes parcerias: as Fazendas Reunidas Castilho são responsáveis por ceder os animais nos dias de equoterapia, e todas as despesas do Centro são custeadas pela Usina Santa Isabel.


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PROJETO A ARTE DE SER ARTISTA CAPTURA SONHOS E TRANSFORMAM-OS EM REALIDADE Usuários da APAE de Valinhos foram fotografados representando personagens dos seus sonhos

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onhar é o que nos motiva a viver, e, em meio a tantos sonhos, surgiu o Projeto A Arte de Ser Artista, em que 10 usuários da APAE de Valinhos foram fotografados representando a personagem dos seus sonhos, por 10 fotógrafos diferentes. Idealizado pelos próprios usuários, o projeto concretizou-se por meio da pedagoga e responsável pelo Grupo de Teatro Vem Ser — do qual eles fazem parte —, Ana Paula Tieko. A professora entrou em contato com fotógrafos da cidade, que toparam o desafio. O contato inicial foi com Ulisses Porto. Por meio dele, alguns integrantes do Fotoclube Valinhos também embarcaram nessa fantasia. Cada fotógrafo sorteou um atendido, e a partir daí um mundo de imaginação e criatividade surgiu. Inspirados em seus desejos de infância, assim como em suas personagens e celebridades favoritas, os usuários escolheram uma personalidade para representar. Deise tem deficiência motora e intelectual, e seu sonho era ser fotografada em pé, como uma secretária executiva. “Essa foto para mim é um orgulho. Desde quando surgiu a ideia de fazer essa exposição, meu sonho foi fazer essa foto em pé. Eu consegui realizar esse desejo e saiu essa perfeição. Porque eu acho que eu me inspirei e estava bem feliz para fazer essa exposição. Eu tenho certeza de que vamos levar essa foto para muitos lugares ainda e tenho o desejo de levá-la para minha casa também”, afirma Deise, que foi fotografada por Gustavo Schiezaro. Alô, Alô, Terezinha! Rodrigo tinha o sonho de se transformar no Chacrinha, um dos maiores comunicadores da televisão brasileira. Alexandre Bertão foi o responsável por fazer o sonho tornar-se realidade.

“Fotografei o Rodrigo como Chacrinha e, de início, pensei que seria trabalhoso, mas quando chegamos ao Parque Municipal, tudo aconteceu da melhor forma. Durante a sessão de fotos, o que era para ser mais uma sessão de fotos virou uma festa. Foram muitos sorrisos, muitas brincadeiras e muita energia positiva. Parecia que o Cassino do Chacrinha estava novamente no ar. Simplesmente inesquecível”, conta Alexandre. Robson queria ser um agente de trânsito. Para ele, a experiência foi incrível, pois as pessoas o confundiram com um e pediram sua ajuda várias vezes. “Faz bastante tempo que eu sonho em ser agente de trânsito. Eu olho na rua e vejo que é um trabalho interessante, por exemplo, tem coisas que acontecem na rua que não se deve fazer, como parar o carro em vaga para cadeirante. Não pode”, enfatiza Robson. “Bola na trave não altera o placar, bola na área sem ninguém pra cabecear, bola na rede pra fazer o gol, quem não sonhou em ser um jogador de futebol?” A música É Uma Partida de Futebol, da banda Skank, diz muito bem sobre o sonho de Ronaldo, que sempre quis ser goleiro. Nome de craque ele já tem, e, graças ao fotógrafo Carlos Eduardo Gertrudes, por algumas horas seu sonho se tornou realidade. “Meu pai me acompanhou para fazer a sessão de fotos. Passamos a manhã inteira juntos e ficamos muito felizes”, relata Ronaldo. Ana Paula Tieko conta como foi a experiência e afirma que os fotógrafos se tornaram amigos do usuários e de suas famílias e que fazem questão de manter contato. “Foi uma experiência boa, porque o carinho dos fotógrafos não tem preço. Começamos as exposições no dia 1º de dezembro com o intuito de as finalizarmos em 15 de dezembro. Porém elas ainda estão acontecendo, pois são um sucesso, sendo inspiração para outras APAES, que entraram em contato conosco”, diz Ana Paula.

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PARTICIPANTES Modelo 1: Dayane (Bailarina) Foto: Tomás Cajueiro Modelo 2: Anderson (Charlie Chaplin) Foto: Marcos Parodi Modelo 3: Ronaldo (Goleiro) Foto: Carlos E. Gertrudes Modelo 4: Nilza (Dona Benta) Foto: Ricardo Tardelli Modelo 5: Deise (Executiva) Foto: Gustavo Schiezaro Modelo 6: Lilian (Professora) Foto: Rafael Teixeira

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Modelo 7: Zé Carlos (Palhaço Sapeco) Foto: Ulisses Porto Modelo 8: Robson (Agente de Trânsito) Foto: Jader Morais Modelo 9: Rodrigo (Chacrinha) Foto: Alexandre Bertão Modelo 10: Michel (Malabarista) Foto: Chris Day

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UMA SENHORA ORGANIZAÇÃO

APAE de Jundiaí comemora 60 anos e festeja pioneirismo no Estado de São Paulo

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o dia 7 de setembro deste ano, a APAE de Jundiaí completará 60 anos de fundação com muita história para contar, a começar pela própria. A organização foi a primeira unidade oficialmente fundada no Estado de São Paulo e a terceira APAE do Brasil. Desde o seu surgimento, em 1957, a instituição tem como missão promover e articular ações de ­defesa de direitos e contribuir para a diminuição da incidência de pessoas com deficiência, além de envolver e prestar apoio às famílias dos usuários, à rede escolar, às instituições, às empresas e aos órgãos governamentais, para facilitar e estimular a inclusão das pessoas com deficiência. Ao longo desses 60 anos, atendeu a inúmeras pessoas de todas as idades, com deficiência intelectual (DI) e com transtorno do espectro autismo, sempre buscando a inclusão desses indivíduos na sociedade. Em números, a APAE de Jundiaí conta com 92 profissionais atuando nas áreas da Saúde, Educação, Assistência Social e Apoio. Desse total, 70% tem formação superior em mais de 15 áreas diferentes. Esses profissionais são responsáveis por acompanhar cerca de 1.600 pessoas por mês em

A ORGANIZAÇÃO FOI A PRIMEIRA UNIDADE OFICIALMENTE FUNDADA NO ESTADO DE SÃO PAULO E A TERCEIRA APAE DO BRASIL. nove diferentes programas de atendimento, oferecendo melhor qualidade de vida para os usuários e seus familiares. Essa “senhora organização” tem muitos planos pela frente. O principal deles: estar cada vez mais forte na prevenção e na inclusão da pessoa com DI. De acordo com a instituição, para os próximos anos, a começar deste, o desafio é fortalecer-se ainda mais para atender à demanda. O desenho dessa nova história contará com o apoio de uma nova diretoria, que tomou posse no dia 2 de janeiro, e também com a soma de esforços de parceiros, amigos e colaboradores. Idade nova, novos desafios, novos esforços na captação de recursos, tudo novo. Nova também será a comunicação dos projetos, que vem com simplicidade mas com toda a força de quem tem muita história para contar.

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CORPO, MENTE E

INCLUSÃO SOCIAL Parceria entre APAE de Taquarituba e academia promove inclusão social por meio da atividade física

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esistências física e mental, concentração, coordenação motora e fortalecimento dos músculos. Esses são alguns dos benefícios da atividade física. Pensando em agregar mais uma vantagem a essa prática, a APAE de Taquarituba, em parceria com a AcquaMundi Academia, desenvolveu um projeto diferenciado que trabalha corpo, mente e inclusão social. “A ideia surgiu depois de uma conversa com a fisioterapeuta e instrutora de pilates Marissa Takabata falando sobre as possíveis trocas de experiência entre sua turma de pilates infantil e uma turma da APAE em que ministro aulas de Educação Física”, conta Rodrigo Pedroso Bergamo, professor da modalidade, acrescentando que “o facilitador para que a ideia saísse do papel foi que ambos trabalhamos nos dois locais”. Tendo como objetivo geral a integração social entre as turmas, as atividades foram divididas em dois dias. No dia 30 de novembro de 2016, a turma de pilates deslocou-se até a APAE para uma aula de Educação Física em conjunto, bem como para conhecer a rotina e a estrutura física da instituição. No dia 7 de dezembro do mesmo ano, foi a vez de a APAE se deslocar para a academia. Nessa ocasião, já mais próximos uns dos outros, as atividades foram todas voltadas ao pilates e ao conhecimento do estúdio.

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AS ATIVIDADES FORAM REALIZADAS EM AMBIENTES DESCONHECIDOS E COM PESSOAS DESCONHECIDAS, E ELES INTERAGIRAM DE FORMA IMPRESSIONANTE, E OS RESULTADOS FORAM ALÉM DE NOSSAS EXPECTATIVAS. Segundo Rodrigo, que está na instituição há sete anos, o resultado foi surpreendente. “A integração, o respeito e a solidariedade entre os alunos foram um espetáculo. As atividades foram realizadas em ambientes desconhecidos e com pessoas desconhecidas, e eles interagiram de forma impressionante, e os resultados foram além de nossas expectativas”, afirma o professor. O projeto envolveu oito jovens da APAE e outros cinco da academia, todos com faixa etária similar. De acordo com Rodrigo Bergamo, o sucesso foi tanto que já estão programando a segunda fase. “Estamos nos programando para que outros alunos da APAE possam aproveitar essa parceria e usufruir os mesmos benefícios”, finaliza.


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APAE DE ITAQUAQUECETUBA PROMOVE PASSEIO

PARA CUIDADORES

Pais e profissionais da saúde tiveram um dia de lazer em Guararema

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air da rotina para ter momentos de lazer é fundamental a todo ser humano. Muitas vezes, porém, uma vida atarefada e cheia de obrigações nos faz esquecer de reservar um tempo para atividades que promovam o bem-estar. Foi pensando nisso que a APAE de Itaquaquecetuba promoveu o passeio de cuidadores, em que os pais dos usuários, juntamente com a equipe da saúde, desfrutaram de uma viagem turística e puderam se conhecer melhor fora do ambiente institucional. Juliana Nobre de Paula, coordenadora clínica, foi a idealizadora do passeio, que teve como destino Guararema, cidade turística a 47 km de Itaquaquecetuba. Ao todo, 20 pessoas participaram da atividade. A prefeitura disponibilizou o transporte, e os participantes tiveram gasto apenas com a alimentação. “O passeio teve como objetivo fortalecer o vínculo entre pais e a equipe da saúde, que geralmente é fraco, pois os atendimentos duram cerca de 40 minutos, além de fazer com que os pais saiam da rotina e tenham um momento de lazer, o que geralmente é difícil, pois dedicam todo o seu tempo aos filhos”, afirmou Juliana.

A viagem contou com visitas a pontos turísticos de Guararema e com um almoço em restaurante que, segundo Juliana, além da ótima comida tinha uma bela paisagem. Localizada à beira do Rio Paraíba e rodeada por áreas de preservação da natureza, como parques e ilhas, a cidade chama a atenção pela quantidade de passeios gratuitos, ideal para quem quer fazer algo diferente sem gastar muito. Vânia Pereira Rocha, que é mãe da atendida Júlia, conta que adorou o passeio, ainda mais porque aproveitou para comemorar seu aniversário. “Foi uma atividade diferenciada. Fomos em lugares que eu não conhecia e pudemos ter um contato diferente com os profissionais da saúde. Como não estávamos com as crianças e fora da APAE, foi um contato mais pessoal, e isso foi muito bacana, pois nos conhecemos melhor”, disse Vânia, ressaltando que, se a APAE promover novos passeios, ela pretende ir novamente e vai convidar o máximo de pessoas. De acordo com a coordenadora clínica Juliana, o passeio foi muito elogiado pelos pais e pela equipe da saúde. Diante disso, a instituição está programando novos passeios com o intuito de reunir ainda mais os pais e profissionais da APAE.

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HORTA ORGÂNICA ABORDA O CURRÍCULO FUNCIONAL NATURAL

A APAE de Santa Fé do Sul utiliza diretrizes do CFN na produção de hortaliças

A HORTA ORGÂNICA, ALÉM DE CAPACITAR PESSOAS COM DEFICIÊNCIA PARA O MERCADO DE TRABALHO, TAMBÉM PROMOVE AUTONOMIA, RESPONSABILIDADE SOCIAL, INTERAÇÃO EM GRUPO E CONHECIMENTO DE MUNDO.

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m dos principais desafios de uma APAE é fazer com que os usuários tenham cada vez mais autonomia. Com foco nesse princípio, surgiu o projeto da horta orgânica da APAE de Santa Fé do Sul, que em parceria com o Sindicato Rural do município trabalha as diretrizes do Currículo Funcional Natural (CFN). O projeto conta com a orientação de profissionais da área de agricultura, que, além de ensinar técnicas de cultivo de hortaliças, instruem sobre como plantar sem uso de agrotóxicos. Segundo a instituição, o programa tem por finalidade capacitar os usuários na produção de verduras e legumes orgânicos, visando a um produto saudável que cause menos agressão ao meio ambiente. O CFN consiste em ensinar conceitos e habilidades necessários à autonomia da pessoa com deficiência e que possam ser úteis ao longo da vida, como convivência familiar e cultural. “As atividades vieram ao encontro do Currículo Funcional Natural, que tem como objetivo levar aos usuários a vivência e o contato direto com o meio ambiente, dando a oportunidade de conquistar seu espaço e preservar o meio onde vivemos”, afirma Roseneide da Fonseca, diretora da APAE, acrescentando que, além de proporcionar um espaço de estudo, o projeto contribui para capacitar os usuários com técnicas de plantio e manejo do solo. Todos os usuários com deficiência intelectual e/ou múltipla têm acesso ao espaço e participam de alguma forma de atividades como plantio, limpeza, decoração (utilizando materiais reciclados como garrafas pet e pneus) e construção de viveiro de mudas. As responsáveis pela horta orgânica são as professoras Rosely Pedrassa e Maria Vital, assim como


a agrônoma Mariley de Castro Almeida da Silva. O programa desenvolve atividades teóricas e práticas de forma simultânea, em que os usuários percebem a importância de uma alimentação saudável sem o uso de agrotóxicos. “Eu normalmente trabalho com adultos, mas consegui adaptar para os usuários e gostei bastante dos resultados. Eles se dedicam muito e as aulas práticas são muito bacanas”, conta Mariley de Castro. O projeto é dividido em vários módulos, que vão desde a preparação do solo até o processo de

certificação do produto. Nesses módulos, os usuários aprendem técnicas de compostagem, produção de mudas, plantio, tratos culturais e colheita. Eles também estudam sobre o motivo do surgimento de pragas e custos de produção, tendo assim a formação completa de todo o processo de produção. Os alimentos não são comercializados e cada usuário realiza atividades que estão de acordo com a sua possiblidade, reforçando as diretrizes do CFN.

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CAPA

MAIS QUE UMA CAPACITAÇÃO,

UM PONTO DE PARTIDA

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Capacitação para novos dirigentes reúne mais de 220 representantes da diretoria das APAES para uma imersão sobre gestão e governança

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dministrar uma instituição nem sempre é tarefa fácil, especialmente para quem está começando ou tem pouca experiência no terceiro setor. Foi pensando em proporcionar um ponto de partida para os novos dirigentes da gestão 2017–2019 das APAES filiadas que a Federação das APAES do Estado de São Paulo promoveu a Capacitação para Novos Dirigentes. Realizado de 10 a 12 de fevereiro, em Águas de Lindoia, o evento reuniu mais de 220 dirigentes e, apesar de ser direcionado aos novos administradores, contou com a participação de quem já está na presidência há alguns anos. Isso porque a capacitação configurou também uma oportunidade de atualização diante dos cenários filantrópicos, que se modificam constantemente. Para Paulo Sérgio Generoso, presidente da APAE de Cotia, a ocasião caiu bem nas duas situações, pois apesar de fazer parte da APAE desde 2011, ano em que ingressou na instituição como diretor financeiro, ele foi eleito para assumir a presidência neste ano. “Eu já conheço minha APAE e todo o funcionamento dela. Independentemente disso, esse tipo de evento é muito importante para que os presidentes e diretores possam se ambientar com a ideia do que é a APAE e de como é ser um membro apaeano”, comenta Paulo. Com os objetivos de orientar e ampliar a performance dos novos e antigos presidentes das APAES do estado, a federação reuniu um time de palestrantes e especialistas em gestão e governança do terceiro setor. Juntos, eles fizeram uma contextualização do movimento apaeano, abordando desde sustentabilidade financeira à governança, contabilidade e representação sindical. “Ao idealizar esse momento, considerei, sobretudo, o cenário atual em que o terceiro setor está envolvido. As APAES são entidades com mais de 60 anos e ao longo do tempo a assistência social foi reconhecida como política federal, originando uma série de leis e normativas, impondo mais profissionalização e adequação ao contexto político e

Solenidade de abertura do evento social”, explica Cristiany de Castro, advogada e presidente da FEAPAES-SP.

A IMERSÃO Buscando incentivar a troca de experiências dentro e fora do salão de palestras, a federação concentrou todos os dirigentes no Hotel Monte Real Resort, local onde foram realizadas todas as conferências, refeições e hospedagens. De acordo com a superintendente da FEAPAES-SP, Fernanda Gomes, a intenção foi proporcionar uma experiência rica e eficaz. “Reunimos palestrantes, dirigentes e equipe de apoio em um só lugar, incentivando o contato e a troca de experiência entre todos”, explica ela, acrescentando que “a federação acredita que essa é a maneira mais eficiente para formar uma rede apaeana cada vez mais forte e coesa”.

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da atuação conjunta das organizações da sociedade civil. As autoridades municipais e estaduais presentes também falaram sobre a importância das APAES para a promoção da qualidade de vida da pessoa com deficiência. Com mais de 30 anos de atuação no movimento, Marco Aurélio Ubiali, que também é médico neurologista, fez uma breve apresentação sobre os avanços da FEAPAES-SP nos últimos anos. Ubiali apresentou projetos, programas, estatísticas e realizações da instituição na área de gestão, introduzindo o evento com cases de sucesso da própria federação. Após a abertura, todos os participantes desfrutaram um jantar de confraternização, dando continuidade às primeiras trocas de conhecimento.

PALESTRAS

Presidente da APAE de Cotia, Paulo Sérgio Generoso e a Presidente da FEAPAES-SP Cristiany de Castro, discutindo a importância da LBI Na sexta-feira, dia 10, essa interação foi sentida desde os primeiros momentos. Na cerimônia de abertura, que teve início às 19h30, os participantes já puderam sentir o que estava por vir. A solenidade contou com a participação de pessoas que são referência no movimento, como por exemplo Eduardo Barbosa, que além de deputado federal é também presidente da Federação das APAES do Estado de Minas Gerais. Ao lado dele estavam Cristiany de Castro; Marco Aurélio Ubiali, ex-presidente da FEAPAES-SP e assessor especial do vice-governador do estado de São Paulo; Washington Sieleman, presidente da Federação das APAES do Estado do Espírito Santo; Júlio César Aguiar, presidente da Federação das APAES do Estado de Santa Catarina; Ricardo Moreira, diretor do Sindicato das Entidades Culturais no Estado de São Paulo (Sindelivre-SP); e José Almero Mota, presidente da Federação Nacional de Cultura (FNAC). Juntos, os membros da mesa de honra deram as boas-vindas aos participantes, destacando a importância do evento e

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“Ao definir a programação, procuramos abordar temas atuais levando em consideração o melhor entendimento de todos. Sabemos que os participantes da capacitação são de diversas áreas de atuação e que os temas são complexos, mas a ideia foi fazer com que todos tivessem um panorama geral do movimento”, conta Cristiany. Para propor essa visão geral, nada melhor do que começar a capacitação com a palestra “Movimento apaeano e seu papel no contexto social”. Ministrada por Eduardo Barbosa, a primeira conferência de sábado (11) teve início às 8h. Barbosa utilizou toda a sua trajetória para compartilhar os avanços e as mudanças do movimento com os participantes. Francisco Guetti também fez uso de sua experiência na captação de recursos para falar de “Sustentabilidade financeira e mobilização da sociedade civil”. Especialista em relacionamento com o setor privado e o governo, Francisco desenvolveu uma visão diferente em responsabilidade socioambiental para que os participantes pudessem refletir sobre oportunidades de captação. Para Paulo Patekoski, novo presidente da APAE de Eldorado, a palestra de Francisco foi importante. “Enxerguei várias possibilidades na área de captação de recursos. Então, abriu muito minha mente e deu um leque de oportunidades”, comenta o dirigente, que também é jornalista. Reforçando ainda mais o tema, no período da tarde, as APAES de Franca e Mogi das Cruzes apresentaram “Cases de sucesso na captação de recursos”. As entidades exibiram toda a programação


Conferencistas de renome marcam o primeiro dia de palestras de suas festas e campanhas de arrecadação, que são referência em captação. Saindo um pouco da arrecadação, foi a vez de Pedro Lins com o tema “Governança e gestão no terceiro setor”. Pedro, que é professor da Fundação Dom Cabral, maior escola de negócios da

América Latina, provocou a reflexão dos dirigentes sobre questões estruturais, operacionais, bem como transparência institucional. Na sequência, a presidente da FEAPAES-SP falou sobre a “Lei Brasileira de Inclusão: defesa dos direitos das pessoas com deficiência”. Cristiany

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COM OS OBJETIVOS DE ORIENTAR E AMPLIAR A PERFORMANCE DOS NOVOS E ANTIGOS PRESIDENTES DAS APAES DO ESTADO, A FEDERAÇÃO REUNIU UM TIME DE PALESTRANTES E ESPECIALISTAS EM GESTÃO E GOVERNANÇA DO TERCEIRO SETOR.

Palestrantes de peso fecham o último dia de capacitação

abordou as inovações da lei e sua relevância para o cumprimento da missão das APAES, que é defender e garantir os direitos desse público. Finalizando o dia e retratando mais uma legislação, a advogada e palestrante Bianca Monteiro, do escritório Tomáz de Aquino, Costa Vilar Sociedade de Advogados, falou sobre “Marco regulatório do terceiro setor”. Membro da turma de multiplicadores do Ministério do Planejamento sobre o tema, Bianca atentou os dirigentes sobre as mudanças que a Lei n.º 13.019/2014 propõe.

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No dia 12, foi a vez de Ricardo Monello abrir o evento. O palestrante, que também é contador, advogado e auditor da Audisa Auditores, falou sobre “Contabilidade e gestão legal para organizações”, às 8h30. Na sequência, às 10h, Marcio Zeppelini, diretor do Instituto Filantropia, apresentou “10 atitudes para desenvolver seu projeto social”. Para finalizar o evento, Carlos Schubert, que também é advogado, abordou a temática “Legislação trabalhista do terceiro setor (Sindelivre)”, fechando o panorama ideal para que os novos dirigentes pudessem conhecer melhor a estrutura e o funcionamento da rede apaeana.


Eduardo Barbosa em palestra sobre o Movimento Apaeano e seu papel no contexto social

Para a MBA em Marketing Estratégico Corina Gomes, que pôde avaliar o evento no palco e na plateia, a experiência foi relevante para as APAES. “Acreditamos que o potencial da rede apaeana está justamente nessa riqueza de experiências e vivências e na facilidade que temos em compartilhar. Esse é um grande diferencial, que temos de aproveitar cada vez mais”, comenta. Júlia Sandoval, publicitária e administradora de empresas, que esteve ao lado de Corina apresentando o case de sucesso da APAE de Franca, também compartilha da mesma ideia. “Durante a participação no evento, percebemos o quanto podemos colaborar com outras APAES, compartilhando um modelo de evento que construímos ao longo de 32 anos de realização”, destaca Júlia.

PÓS-EVENTO A troca de experiências pôde ser verificada em diversas fases do evento. Corina conta que algumas APAES se interessaram pelos projetos de captação apresentados e até entraram em contato. “Recebemos o contato de algumas APAES após o evento, o que nos deixou extremamente felizes, afinal é sinal de que deixamos uma mensagem que despertou nos dirigentes algumas possibilidades

de soluções aos problemas financeiros enfrentados”, conta ela, destacando que as APAES que entraram em contato foram as de Jales, Porto Ferreira e Itápolis. Para Paulo, o intercâmbio foi sentido durante o evento e depois dele. “Encontrei o conselheiro da minha região na capacitação. Conversamos sobre melhorar a comunicação para que não falte envolvimento, e ele até me convidou para uma reunião, dando todo apoio e dispondo-se a me auxiliar nesse caminho”, conta Paulo, que está entrando pela primeira vez na presidência da APAE de Eldorado. Andréa Campos Sales Martins, que também está assumindo a presidência da APAE de Pindamonhangaba pela primeira vez, disse que a capacitação foi produtiva. “Os palestrantes são muito bons e eu espero colocar em prática todas as ideias que eles passaram e todas que eu formulei durante a troca de experiências”. “Recebemos uma devolutiva muito positiva de todos que estiveram envolvidos no evento. Vejo que atingimos nosso propósito, de provocar reflexões e oferecer um novo olhar”, comenta a presidente da FEAPAES-SP Cristiany de Castro.

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FEAPAES EM REVISTA Chegada da delegação ao aeroporto de Recife, Pernambuco

ARTISTAS DO ESTADO

EMOCIONAM NO X FESTIVAL NACIONAL NOSSA ARTE

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Estado de São Paulo foi representado por 53 artistas em seis categorias de apresentação

superação por meio da arte, a garra de defender o seu Estado, a alegria de viajar e aproveitar cinco dias na companhia de amigos e professores. Esses são os sentimentos que, juntos, resultaram na experiência cultural, artística e social que 53 artistas de seis APAES do Estado de São Paulo adquiriram após participarem do X Festival Nacional Nossa Arte. O evento, realizado em Recife, Pernambuco, contou com a participação de centenas de artistas de 21 Estados brasileiros. No total, a delegação de São Paulo foi composta de 71 pessoas, entre artistas, técnicos, acompanhantes, professores e representantes da Federação das APAES do Estado de São Paulo (FEAPAES-SP). O grupo participou de apresentações em seis gêneros, sendo quatro de palco e dois de exposição. No geral, o festival contou com oito categorias de apresentação, sendo as quatro primeiras classificadas como gêneros de exposição e as quatro últimas como gêneros de palco: artes visuais, artes

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literárias, artesanato, cartazes, artes cênicas, artes musicais, dança folclórica e dança. A delegação de São Paulo só não participou das apresentações de artes visuais e de cartazes. Promovido pela Federação Nacional das APAES (FENAPAES), o festival nacional é fruto das etapas regionais e estaduais, que são realizadas de forma independente, a cada três anos. O festival tem como objetivo promover a inclusão social das pessoas com deficiência intelectual e/ou múltipla, garantindo a acessibilidade ao mundo das artes, bem como o intercâmbio de conhecimentos e culturas. Para Simone Follador, coordenadora estadual de artes da FEAPAES-SP, esse objetivo foi alcançado. “É até difícil descrever toda a experiência que tivemos nesses dias de festival e o quanto os artistas vão carregar não só a experiência, mas esse contexto da afetividade de grupo”, comenta. Recheada de descobertas, a etapa nacional foi marcante para os artistas. Isso porque a viagem de avião e a visita à praia foram acontecimentos inéditos para alguns. “Muitos viajaram pela primeira


Votuporanga contagia a todos com a dança “Supere-se, dance e viva” vez de avião e nós acompanhamos isso de perto. A FEAPAES-SP preocupou-se em proporcionar esse voo porque para alguns poderia ser uma experiência única. Além disso, há o compartilhamento de experiências, de passeios que os professores puderam fazer e da própria interação entre os artistas de outros Estados durante todo o festival”, ressalta Simone.

A VIAGEM Ansiosos para embarcar pela primeira vez, os artistas encontraram-se no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, logo pela manhã. Juntamente com seus professores, técnicos e acompanhantes, os artistas já interagiram desde os primeiros instantes. Entre filas e malas para o check-in, a expectativa para os próximos quatro dias imperava. O voo partiu às 10h45 da manhã do dia 30 de novembro, chegando na capital pernambucana por volta do meio-dia. Votuporanga, Bauru, Santa Cruz do Rio Pardo, Mogi das Cruzes, General Salgado e Sorocaba foram as cidades classificadas para a etapa nacional, que aconteceu de 30 de novembro a 4 de dezembro.

A ABERTURA Por volta das 19h, a delegação do Estado de São Paulo chegou ao Centro de Convenções de Pernambuco, local reservado para a abertura, bem como para as apresentações e alimentação dos artistas. A solenidade de abertura teve início por volta das 19h30. Após os discursos de boas-vindas de Amélia Maria, presidente da Federação das APAES do Estado de Pernambuco (FEAPAES-PE), e do vice-presidente da FENAPAES, José Turozi, o cantor sertanejo Daniel enalteceu o trabalho das entidades na vida da pessoa com deficiência, utilizando sua história de vida como exemplo para falar de superação

Bauru emociona o público com “O Fantasma da Ópera”

e inspirar os presentes. Na sequência, a presidente da FENAPAES, Aracy Lêdo, encerrou a cerimônia e declarou aberta a 10ª edição do Festival Nacional Nossa Arte, que foi seguida de um show exclusivo do cantor Daniel para os participantes.

AS APRESENTAÇÕES O período da manhã do dia 1º de dezembro foi marcado pelo reconhecimento de palco. As apresentações oficiais tiveram início às 13h e São Paulo foi o 18º Estado a se apresentar. Representando a categoria de artes cênicas, a APAE de Bauru deu um verdadeiro show de emoção no palco com a releitura de “O Fantasma da Ópera”, fechando com chave de ouro o primeiro dia de apresentações. Michele Fernanda Sabino, artista que encenou representando Bauru, disse que gostou de participar: “Foi bom encontrar pessoas de outros Estados. Gostei muito e quero participar mais”. No dia 2 de dezembro, foi a vez da dança folclórica e das artes musicais invadirem o palco do X Festival Nacional Nossa Arte. As apresentações tiveram início logo cedo, às 8h da manhã. Na categoria de dança folclórica, 20 Estados estiveram representados por suas APAES. A cidade de Santa Cruz do Rio Pardo, que representou as APAES paulistas na categoria, encheu o palco de cores, batuques e tradições do Nordeste brasileiro com “Maracatu Nação”. À noite, o Estado de São Paulo foi representado pela APAE de Mogi das Cruzes, que deu um verdadeiro show ao retratar clássicos do rock, rap, disco e samba reggae, com “As levadas de baterias mais populares entre o grande público”. Para Pedro Lemos, um dos integrantes da banda de Mogi, participar foi emocionante. “Ensaiamos muito e tocamos bem. Espero participar mais vezes, porque foi muito legal para mim”, comenta. Tainá Dionísio,

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Artista de Votuporanga fica ao lado de Daniel na abertura do evento

Oficinas recreativas promovem interação social dos artistas de todo o Brasil

Mogi das Cruzes agita ao som dos clássicos do rock, rap, disco e samba reggae que também toca na banda, compartilha do mesmo sentimento: “Eu não vim pensando se eu ia ganhar ou perder, vim pensando no que eu ia viver e foi lindo para mim. Quero participar mais vezes”. O dia 3 foi marcado por muito movimento, porque 20 APAES apresentaram o gênero de dança. São Paulo, representado por Votuporanga, foi o 18º a se apresentar e encheu o palco de glamour, contagiando o público com “Supere-se, dance e viva”, em uma dança embalada pelo tango. Ao final das apresentações, todos os artistas receberam medalhas de participação. As premiações das categorias aconteceram ao final de cada dia, com exceção para as categorias de exposição, que tiveram seus vencedores conhecidos no dia 3.

A INTERAÇÃO Entre uma apresentação e outra, os artistas de todo o Brasil podiam desfrutar de apresentações culturais, oficinas de recreação e festas de confraternização. Além das atividades do evento, os professores programaram passeios na praia e em alguns pontos turísticos da cidade. De acordo com o professor Rogério da Cruz, da APAE de Santa Cruz do Rio Pardo, conhecer o mar foi o que mais marcou para eles. “Irmos à praia

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VEJA TODAS AS FOTOS DO FESTIVAL EM FACEBOOK.COM/FEAPAESP

já valeu o prêmio para mim; eles entrando na água, gritando, pulando, alguns até chorando. No avião, também. Estávamos em 18 pessoas e apenas quatro já tinham viajado de avião”, comenta Rogério, que é graduado e pós-graduado em Educação Física. O Estado de São Paulo não esteve entre as três primeiras classificações nas categorias em que participou, mas para Francisco Grotto, professor e coordenador de Artes da APAE de Bauru, que participou do início dos festivais no movimento apaeano, os trabalhos vão continuar. “Vejo que é um crescimento, que estamos caminhando para a profissionalização. Antigamente, eram trabalhos bem simples e agora você já visualiza um trabalho bem desenvolvido”, comenta ele, acrescentando que vale a pena proporcionar toda essa experiência aos usuários.

PATROCÍNIO Por conta do apoio financeiro do Vale Cap, certificado de contribuição emitido pela FEAPAES-SP em parceria com o Invest S/A, a FEAPAES-SP efetuou o pagamento de todas as passagens aéreas dos membros da delegação paulista. Foram investidos R$ 71.066,42, configurando importante apoio aos trabalhos de inclusão social promovidos pela FEAPAES-SP.


FEAPAES EM REVISTA

NOVOS RECURSOS TECNOLÓGICOS PARA AS APAES Filiadas já podem emitir boletos e abrir atendimentos para a federação de forma online

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os últimos anos, a Federação das APAES do Estado de São Paulo está cada vez mais buscando inovações tecnológicas para desburocratizar o atendimento às suas 305 filiadas. Este ano, duas novas ferramentas já foram implantadas para modernizar os serviços. Em janeiro a organização informatizou os boletos das mensalidades para as APAES, ampliando a praticidade e a segurança. Agora, os boletos são emitidos por meio do site oficial www.feapaesp.org.br, na aba “APAES”, campo “Acesso restrito”. Além de tornar o processo mais rápido, fácil e seguro, o recurso faz com que a movimentação seja mais transparente, pois cada filiada poderá acompanhar o status de pagamento, bem como consultar boletos já quitados, acompanhando o extrato. Com essa inovação, o carnê de mensalidade não será encaminhado fisicamente para as APAES, transformando o procedimento em uma prática mais sustentável.

O objetivo da organização é estar cada vez mais próxima das filiadas. Para isso, criou-se também o atendimento online. Então, as APAES podem solicitar demandas diretamente para o responsável das diversas áreas da federação. Essa ferramenta também está disponível no acesso restrito e para utilizá-la basta clicar em “Solicitações FEAPAES-SP”. As APAES poderão abrir atendimentos para as áreas de Assistência Social, Educação, Saúde, Administrativo, Jurídico, Financeiro e Comunicação, com prazo para devolutiva e/ou providência. De acordo com a superintendente da federação Fernanda Gomes, essa ação configura importante avanço no assessoramento. “As APAES poderão nos enviar dúvidas, pedidos de análise e divulgação, bem como ocorrências internas de forma rápida, prática e econômica, uma vez que todo o processo é feito por meio do computador”, comenta. Todas as solicitações serão respondidas pelos responsáveis de cada setor, assegurando a veracidade das informações, bem como a utilização de termos e estruturas técnicas necessárias.

ACESSO RESTRITO Lançado em 2015, o acesso restrito é uma ferramenta de intercâmbio de informações entre a federação e suas filiadas. Nesse campo, estão disponíveis manuais, resoluções, documentações, termos, legislações, assim como pesquisas e materiais de divulgação do movimento. Agora, além de todos esses itens, as APAES poderão emitir boletos, conferir extrato financeiro e abrir atendimentos. Dados estatísticos mostram que 252 APAES já utilizam a plataforma. A intenção da FEAPAES-SP é que todas as filiadas estejam envolvidas. Por isso, se você ainda não conhece, acesse o site oficial da federação e faça o login com o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) e a senha.

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FEAPAES EM REVISTA

FEAPAES-SP FECHA PARCERIA COM

SANTANDER E GOOGLE Parcerias visam contribuir para o trabalho das filiadas na área de captação de recursos e tecnologia da informação

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om o intuito de contribuir com o trabalho realizado pelas APAES filiadas do estado de São Paulo em favor das mais de 60 mil pessoas com deficiência intelectual e/ou múltipla do estado, a Federação das APAES do Estado de São Paulo anunciou o fechamento de duas grandes parcerias. A primeira delas, com o banco Santander, visa à captação de recursos, tornando possível que os clientes que possuem o cartão Santander doem os pontos acumulados com compras por meio do Programa Bônus Esfera à FEAPAES-SP. O Santander Esfera é uma rede de benefícios que oferece ofertas e opções para ganhar e acumular bônus. A cada compra realizada com o cartão, o  cliente acumula pontos que podem, posteriormente, ser trocados por mercadorias ou doados para instituições. A FEAPAES-SP é agora uma dessas instituições que podem ser beneficiadas com os pontos do Bônus Esfera. A cada mil pontos doados, a FEAPAES-SP recebe R$ 10. Para doar seus pontos, basta acessar o site http://www.bonusesfera.com.br/t/para-ajudar e selecionar a FEAPAES-SP para recebê-los. Os  valores doados serão revertidos ao Fundo de Projetos trimestralmente, para que as APAES possam enviar projetos a serem financiados. Já na área de tecnologia da informação, as novidades estão na parceria com o Google pelo G Suite, para disponibilizar e-mails personalizados e profissionais para as APAES, por meio do

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Gmail. Cada instituição filiada à federação terá até 30  contas de e-mail disponíveis para uso, e cada uma terá 30 GB de armazenamento na caixa de entrada. Tudo isso com praticidade, segurança e suporte. A parceria, fechada no fim de fevereiro, abrange a versão empresarial do Gmail. Sendo assim, as APAES poderão enviar e-mails profissionais com o endereço de web da instituição, como por exemplo administrativo@apaecidade.org.br. Além do uso do Gmail, as APAES poderão usufruir o armazenamento no Google Drive, formar grupos internos, construir agendas e documentos como planilhas, formulários e apresentações de forma compartilhada. Poderão ainda se comunicar por meio do Hangouts e do Google+. As APAES que já possuem parceria com a federação no Programa de Tecnologia, que engloba o sistema Argus e o website, deverão entrar em contato com o setor de tecnologia da informação para passar as contas de e-mail que desejam migrar para o novo formato. As que não participam, mas se interessam, deverão entrar em contato por telefone para mais informações. Essa migração vai manter todos os e-mails recebidos e enviados anteriormente. De acordo com o processo de tecnologia da informação da FEAPAESSP, o procedimento leva um dia para se concretizar. Para mais informações sobre a parceria com o Santander, entre em contato com institucional@feapaesp.org.br. Para saber mais e solicitar contas de e-mail, escreva para tecnologia01@feapaesp.org.br ou, se preferir, ligue para (16) 3403-5010.


FEAPAES EM REVISTA

FEDERAÇÃO PARTICIPA DE PROGRAMA INTERNACIONAL DA IBM Em sua 21.ª edição, o CSC seleciona funcionários da empresa em todo o mundo para atuar em projetos que contribuam para alavancar a cidadania corporativa

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Cerimônia de abertura com IBMistas e organizações participantes

Representantes da federação e da APAE de São Carlos conhecem os IBMistas escolhidos para o projeto

roca de experiências, aprendizado e inovação social. Essas são as palavras que definem a participação da FEAPAES-SP no Corporate Service Corps (CSC), programa global de cidadania corporativa da IBM que oferece consultorias gratuitas ao mesmo tempo em que promove o desenvolvimento de lideranças. A iniciativa, que está em sua 21ª edição no Brasil, seleciona funcionários da empresa em todo o mundo para atuar em projetos que integram planos de crescimento econômico, gestão de processos e tecnologia. Todos os projetos são desenvolvidos para alavancar organizações do terceiro setor, pequenas empresas ou estruturas governamentais de cidades em desenvolvimento. “O Corporate Service Corps oferece, simultaneamente, desenvolvimento de lideranças e impacto positivo para as comunidades que enfrentam desafios críticos. Desde seu lançamento, em 2008, o programa levou mais de três mil funcionários da IBM para quase 40 países em todo o mundo, resultando na entrega de mais de mil projetos”, comenta Jonathan Colombo, gerente de Cidadania Corporativa da IBM Brasil. Em 2017, além da FEAPAES-SP, outras três instituições — Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e Instituto Inova — foram selecionadas para receber consultoria de funcionários da IBM, que compartilharam, durante todo o mês de março, capital intelectual para a construção coletiva de soluções para problemas apontados pelas organizações. Ao todo,

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foram 12 funcionários da IBM vindos de 10 países (China, Dinamarca, Egito, Emirados Árabes Unidos, Estados Unidos, Filipinas, Hong Kong, Irlanda, República Checa e Turquia). O time subdividiu-se em quatro equipes para mergulhar nas problemáticas pelo período de 30 dias. O início dos trabalhos foi marcado por uma cerimônia de abertura, que aconteceu no dia 13 de março,

DESDE SEU LANÇAMENTO, EM 2008, O PROGRAMA LEVOU MAIS DE TRÊS MIL FUNCIONÁRIOS DA IBM PARA QUASE 40 PAÍSES EM TODO O MUNDO.

na sede do Instituto Inova, em São Carlos (SP), cidade polo dessa edição do CSC. O evento reuniu cerca de 50 participantes, entre eles os 12 IBMistas internacionais. Nessa ocasião, a FEAPAES-SP e a APAE de São Carlos tiveram o primeiro contato direto com EslamAtteya (Egito), Allan Johansen (Dinamarca) e Aleksandra Prodanoska (Irlanda), os IBMistas escolhidos para trabalhar no projeto. Na companhia de uma tradutora, o grupo interagiu com os representantes da federação e da APAE desde os primeiros instantes. Após a abertura, que ocorreu das 10 horas ao meio-dia, a equipe seguiu para um almoço na APAE de São Carlos e deu início aos primeiros trabalhos.

O PROJETO

Allan Johansen, Aleksandra Prodanoska e Eslam Atteya visitam a sede da federação

IBMistas visitaram a APAE de Franca para ampliar o conhecimento sobre a rede apaeana

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No caso da federação, o projeto tem como objetivos gerar um diagnóstico e desenvolver um roadmap (guia) para a gestão de processos e recursos das APAES do estado de São Paulo, tendo a APAE de São Carlos como piloto. Isso porque a cidade de São Carlos está sendo polo dessa edição. “Em São Carlos, que está recebendo a 21ª edição do programa no Brasil, estamos trabalhando com organizações com reconhecida experiência e credibilidade, como a APAE e a Federação das APAES do Estado de São Paulo, para que as consultorias gerem transformações que possam ser percebidas diretamente pelas pessoas que vivem na cidade”, comenta Jonathan. Para conhecer todas as estruturas e os processos da APAE, os consultores realizaram reuniões diárias com os colaboradores e voluntários da instituição durante todo o mês de março, constituindo uma verdadeira imersão. No dia 15, foi a vez de a federação receber o time de IBMistas para um melhor diagnóstico, levando em consideração a história e o atual cenário do movimento apaeano do estado. Após a visita, os IBMistas foram levados para conhecer a APAE de Franca e ampliar o conhecimento sobre a rede. O programa prevê que, ao final do período de consultoria, as equipes da IBM apresentem um relatório que aponte transformações factíveis para uma atuação mais eficiente das organizações participantes. Até o fechamento desta edição, o time aplicou uma pesquisa de satisfação para coletar opiniões na instituição e realizou workshops para professores e equipe médica como ações imediatas.


FEAPAES EM REVISTA

CAMPANHA TROCO SOLIDÁRIO JÁ ESTÁ

DISPONÍVEL EM NOVE CIDADES DO ESTADO DE SÃO PAULO Unidades do Tonin Superatacado, Savegnago Supermercados e Chocolates Munik já contam com as urnas do Troco Solidário FEAPAES-SP

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Federação das APAES do Estado de São Paulo (FEAPAESSP) lançou a campanha Troco Solidário, com parceria do Tonin Superatacado, da Savegnago Supermercados e dos Chocolates Munik, visando à captação de recursos para as APAES, no intuito de viabilizar novos projetos e, sobretudo, suprir as necessidades dessas instituições. A campanha permite que os clientes dessas redes realizem doações voluntárias às APAES locais. O processo é bem simples e propõe ao consumidor, no ato da compra, a doação de parte do troco em prol da instituição, que pode ser depositada nas urnas disponíveis nos caixas. São 267 urnas, distribuídas em 20 lojas de nove cidades de São Paulo. Clientes do Tonin Superatacado poderão auxiliar as APAES de São José do Rio Preto, Araraquara, São Carlos, Araras, Ribeirão Preto, Araçatuba, Catanduva e Franca; nos supermercados da rede Savegnago as doações auxiliarão a APAE de Ribeirão Preto; já a APAE da capital paulista será beneficiada pelo troco depositado nas lojas locais dos Chocolates Munik. A FEAPAES-SP está mobilizando esforços para fechar outras parcerias para essa campanha, de modo a beneficiar o maior número possível de APAES. As APAES podem nos auxiliar nessa tarefa! Incentivem a campanha em sua cidade. O cartaz de divulgação está disponível no

Troco Solídário Tonin Superatacado

Troco Solídário Savegnago Supermercados acesso restrito do site da federação. E se tiverem alguma sugestão de redes estaduais, enviem um e-mail com as ideias para: institucional@ feapaesp.org.br. O processo é bem simples e propõe ao consumidor, no ato da compra, a doação de parte do troco em prol da instituição, que pode ser depositada nas urnas disponíveis nos caixas.

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OITO APAES SÃO

CONTEMPLADAS NO PRIMEIRO CICLO DO FUNDO DE PROJETOS

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Iniciativa da FEAPAES-SP em parceria com Vale Cap investirá R$ 160 mil na primeira fase

o dia 23 de fevereiro, a Federação das APAES do Estado de São Paulo (FEAPAES-SP) divulgou as filiadas aprovadas no primeiro ciclo do Fundo de Projetos. Essa fase teve início em outubro de 2016, período em que a iniciativa foi lançada. No total, a organização recebeu 59 projetos, que abrangeram diversas áreas de Assistência Social, Educação, Gestão e Saúde das APAES. Desses, oito projetos foram aprovados. As APAES contempladas e seus respectivos projetos foram: Areiópolis, com a Sala de Integração Sensorial; Batatais, na formação e qualificação profissional da pessoa com deficiência intelectual e/ou múltipla; Diadema, com Qualificação da Ambiência do Serviço de Atendimento Especializado a Deficientes Intelectuais (SAEDI); Franca, com Serviço de Proteção Social Especial; Jundiaí, com Programa de Atendimento à Família; Presidente Venceslau, com sala de atendimentos socioeducativos; São Caetano do Sul, na revitalização e melhoria da policlínica da organização; e Valinhos, com comunicação alternativa por meio da tecnologia. Fruto de uma parceria entre a FEAPAES-SP e o certificado de contribuição Vale Cap, o Fundo de Projetos é uma plataforma de financiamento de projetos das APAES do Estado de São Paulo, que tem como objetivo contribuir para a melhoria contínua dos serviços prestados pelas APAES aos seus usuários. A iniciativa financia projetos de até R$ 20 mil, e cada APAE pode enviar um só projeto por vez, isto é, por ciclo. Nesse primeiro ciclo, que terá investimento total de R$ 160 mil, já foram investidos R$ 120 mil. Isso porque dois projetos ainda estão nos ajustes finais

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para receber a verba. A expectativa é que na primeira semana de abril todas as APAES contempladas nessa fase recebam os investimentos.

COMISSÃO E RESOLUÇÃO Minunciosamente analisados, todos os projetos passam pela avaliação da comissão julgadora, que foi eleita em reunião conjunta da Diretoria Executiva, do Conselho de Administração e do Conselho Fiscal. Responsável pela análise de todo o conteúdo do projeto, bem como de requisitos para aprovação, essa comissão é integrada por: Rose Mary Pegorim, membro do Conselho de Batatais; Roseli Marinho de Souza, do Conselho de Mogi Mirim; Iara Alves de Lima, do Conselho de Penápolis; e Fernanda Gomes, superintendente da FEAPAES-SP. Todo o processo é orientado pelo Estatuto Padrão das APAES e por meio da Instrução Normativa n.º 460 da Superintendência de Seguros Privados (SUSEP), que determina os limites de aplicação dos recursos. Além desses documentos, o Fundo de Projetos utiliza resoluções próprias. O primeiro ciclo foi regido pela Resolução n.º 03/2016 e agora todos os projetos deverão seguir as normas dispostas na Resolução n.º 01/2017, que estabelece requisitos para habilitação. Tais requisitos vão desde a apresentação de certidões e certificados até disposições do Programa APAE Excelência. As APAES interessadas em enviar projetos para o segundo ciclo deverão acessar o campo “Acesso Restrito”, no site da FEAPAES-SP, e baixar a resolução, bem como o modelo visual do projeto. Os projetos desse ciclo serão aprovados em cinco de junho. Vale lembrar que os projetos não aprovados no primeiro ciclo poderão ser reenviados no que está em vigor. Participe!


FEAPAES EM REVISTA

PARCERIA COM A COOP RENDE MAIS DE R$170 MIL EM TRÊS MESES Desde 2012 as campanhas Troco do Bem e Revista COOP tem contribuído para promover a qualidade de vida da pessoa com deficiência

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irmar parcerias faz parte do universo das corporações, bem como das organizações sociais. E a parceria de sucesso entre a Federação das APAES do Estado de São Paulo e a Cooperativa de Consumo (COOP) continua rendendo bons frutos. Desde 2012, as campanhas Troco do Bem e Revista COOP têm contribuído para promover a qualidade de vida da pessoa com deficiência. Entre os meses de outubro, novembro e dezembro de 2016, foram destinados R$172.132,55 para a Federação e 10 APAES localizadas na área de atuação da cooperativa, sendo elas Diadema, Mauá, Piracicaba, Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, São José dos Campos, São Paulo, Sorocaba e Tatuí. Na campanha Troco do Bem, os consumidores da cooperativa são incentivados a doar parte do troco de suas compras para a Federação. Já no programa Revista COOP, a arrecadação acontece por meio da venda de cada exemplar da publicação. Atualmente, R$1 de cada venda é repassada para a Federação e, posteriormente, para as filiadas. Vendida ao público pelo preço de R$2,30 e com tiragem mensal de 15 mil exemplares, a revista tem 100 páginas de conteúdo, distribuídas em temas como saúde, comportamento, beleza, roteiros turísticos e páginas dedicadas a receitas assinadas por chefes de cozinha. Contando com 28 unidades no estado de São Paulo, a Rede COOP tem sua sede em Santo André, sendo a maior cooperativa de consumo da América Latina. Além de prestar um serviço à sociedade, a rede tem como objetivo promover o cooperativismo, a sustentabilidade e a responsabilidade social.

Trabalhando em conjunto, a COOP e a FEAPAESSP promovem a qualidade de vida de milhares de pessoas com deficiência, contribuindo ainda para a atualização profissional dos colaboradores de suas 305 APAES filiadas, que em 2016 somaram 4.706 profissionais capacitados.

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FEAPAES EM REVISTA

FEAPAES-SP INICIA MARATONA DE

CONGRESSOS REGIONAIS

Serão 11 edições regionais que abordarão as quatro áreas de atuação das APAES

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ano 2017 é marcado por congressos da Federação das APAES do Estado de São Paulo (FEAPAES-SP). Durante o primeiro semestre estão sendo realizadas 11 edições regionais, geograficamente divididas para englobar os 22 Conselhos de Administração da federação, facilitando a participação de todos. Os congressos regionais têm como objetivo difundir conhecimento nas áreas de Assistência Social, Educação, Gestão e Saúde. Para isso, a FEAPAES-SP reuniu uma equipe de especialistas de cada setor para capacitar os profissionais de suas

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305 filiadas e prepará-los para a etapa estadual, que acontecerá em agosto. Como forma de fazer com que as APAES trabalhem de modo sistemático e dinâmico, os palestrantes das 11 edições regionais estão abordando os mesmos conteúdos. Eliete Travaini, coordenadora da equipe da Qualidade da federação, enfatiza a importância dos congressos regionais para o fortalecimento do movimento apaeano. “Penso que os congressos regionais são de extrema importância para a troca de experiências, para que a gente possa rever nosso fazer diário, não só pelos ensinamentos dos palestrantes, que são de alto nível, mas também pelo contato entre as APAES”, pondera Eliete.


Na área de Gestão, a temática mais recorrente é a Lei nº 13.019/2014, conhecida como Marco Regulatório do Terceiro Setor, que entrou em vigor em âmbito municipal no dia 1º de janeiro de 2017 e visa à mais transparência das parcerias entre o Poder Público e Organizações da Sociedade Civil (OSC). Para falar sobre o assunto, a federação convidou o advogado especialista em terceiro setor, Dr. Adriano Melo, que alternará em algumas edições com a advogada e presidente da FEAPAES-SP, Cristiany de Castro, tornando assim os congressos regionais mais dinâmicos. Na área da saúde, a abordagem é voltada ao desenvolvimento neurológico. Tendo como tema central “O Olhar da APAE”, a FEAPAES-SP convidou o neurologista Dr. Marco Aurélio Ubiali. Deise Aparecida Viera de Matos, psicóloga da APAE de Aparecida, participou da edição Guaratinguetá e disse que o congresso regional foi muito bom, que ela adquiriu muito conhecimento e que as palestras de outras áreas complementaram sua visão sobre o trabalho geral da APAE. “A palestra do Dr. Ubiali foi motivadora; ele sempre fala muito bem e deu-me mais vontade de fazer uma pós-graduação em neuropsicologia. Eu gostei muito”, enfatiza. Na educação, um dos temas mais recorrentes é o Plano de Ensino Individualizado (PEI). Para palestrar sobre o conteúdo e outras diretrizes do planejamento educacional, a federação convidou Patrícia Lessi, especialista em educação especial da APAE de Jaboticabal. Na área de Assistência Social, atualmente é indispensável o processo de autodefensoria nas APAES, pois ele visa empoderar os usuários, permitindo mais voz ativa no planejamento da entidade, assim como benefício no sentido de consciência e autonomia em suas vidas. Moira Sampaio Rocha, terapeuta ocupacional e especialista em Educação Especial e em Tecnologia Assistiva, foi convidada para palestrar sobre autodefensoria.

A FEAPAES-SP REUNIU UMA EQUIPE DE ESPECIALISTAS DE CADA SETOR PARA CAPACITAR OS PROFISSIONAIS DE SUAS 305 FILIADAS E PREPARÁ-LOS PARA A ETAPA ESTADUAL, QUE ACONTECERÁ EM AGOSTO.

Vandressa Aparecida de Giuli, assistente social da APAE de Tupã, disse admirar Moira e que ela sempre traz muita bagagem. “O processo de autodefensoria é no dia a dia. Aprendemos com os usuários diariamente; é um passo lento, mas que soma muito. O congresso faz muita diferença, aprendemos bastante. Agora é colocar em prática e fazer valer os direitos das pessoas com deficiência, para que sua qualidade de vida melhore”, finalizou Vandressa. Para fechar o ciclo com chave de ouro, no segundo semestre deste ano a FEAPAES-SP vai promover o Congresso Estadual das APAES, que é um dos eventos mais importantes do movimento apaeano, ao lado do Festival Nossa Arte e das Olimpíadas Especiais. Juntos, esses eventos integram uma das responsabilidades estatutárias da FEAPAES-SP para com suas 305 filiadas, contribuindo para avanços na qualidade de vida da pessoa com deficiência, por meio do esporte, da arte e da atualização profissional. De acordo com a instituição, a etapa estadual selará todos os assuntos tratados nas regionais, sendo um aporte também para a etapa nacional, que acontecerá no final do ano, em Natal, Rio Grande do Norte. As inscrições para o estadual serão abertas no dia 30 de maio, terça-feira, e serão limitadas. Não perca tempo e reserve sua vaga para esse evento!

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ESPECIAL VALE CAP

FELICIDADE TAMBÉM

PARA QUEM COMPRA Ganhadores do Vale Cap comemoram prêmios e ajudam as APAES da região

E Arquivo pessoal

m 2016, muitos sonhos e projetos das APAES do Vale do Paraíba se tornaram realidade graças à promoção da Federação da APAES do Estado de São Paulo (FEAPAES-SP) com o produto Vale Cap: um certificado de contribuição emitido pela instituição, com sorteios lastreados em títulos de capitalização da modalidade de incentivo emitidos pela Invest Capitalização S.A. O objetivo é angariar recursos para promover a qualidade de vida, o bem-estar e a dignidade das pessoas com deficiência e de suas famílias, sendo esse o principal propósito da FEAPAES-SP, bem como de suas 305 filiadas. E tudo isso é possível graças a todos que adquirem o certificado de contribuição Vale Cap e colaboram com a instituição para a realização de suas finalidades estatutárias, e ainda concorrendo a valiosos prêmios. Como o produto é regional, a chance de o contribuidor ganhar prêmios é muito grande. A auxiliar de limpeza Rafaela da Silva, de 33 anos, viu a sorte bater em sua porta não apenas uma, mas duas vezes com o Vale  Cap. Em setembro, ela ganhou uma caminhonete S10 e R$ 20 mil. Após

Graças ao prêmio do produto Vale Cap, Rafaela da Silva e o marido conseguiram realizar o sonho da casa própria.

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quatro meses, ela foi contemplada novamente e recebeu R$ 150 mil! Para Rafaela, o prêmio veio mesmo na hora certa. O marido estava desempregado e eles não tinham uma casa própria para morar com os dois filhos, de 14 e 10 anos de idade. “Com o primeiro prêmio, conseguimos comprar nossa casa própria e, com o segundo, já fizemos a reforma de que precisávamos”, conta a ganhadora, de São José dos Campos. Ela recorda que sempre acreditou que um dia poderia ganhar e viu outras pessoas da família também serem contempladas. “Depois que eu ganhei no primeiro sorteio, muitas pessoas me disseram que queriam adquirir o Vale Cap também. Assim,  eu me tornei vendedora dos certificados. Agora uma senhora que comprou comigo também ganhou”, conta a ganhadora. O certificado de contribuição Vale  Cap pode ser adquirido em qualquer ponto de venda cadastrado da região. Os sorteios são realizados todos os domingos ao vivo pela televisão, abrangendo todas as cidades do Vale do Paraíba e do litoral norte. Semanalmente, no mínimo 14 pessoas são contempladas. Além de realizar sonhos, a contribuição do produto Vale  Cap é de suma importância para as APAES do Vale do Paraíba. Atualmente, 15 APAES recebem repasses da FEAPAES-SP, que são utilizados em benefício de aproximadamente 2.500 pessoas com deficiência. No ano de 2016, foram repassados R$ 2.426.289,43 às APAES beneficiadas, sendo elas das cidades de: Aparecida, Caçapava, Cachoeira Paulista, Campos do Jordão, Caraguatatuba, Cunha, Guaratinguetá, Ilhabela, Jacareí, Lorena, Roseira, São José dos Campos, Pindamonhangaba, Taubaté e Ubatuba. Com os repasses do produto Vale  Cap, muitas APAES promovem melhorias em seus atendimentos e estrutura, contribuindo para a formação de um ambiente de excelência, beneficiando seus usuários.


Na APAE de Ilhabela, a verba repassada pela FEAPAES-SP foi utilizada para a compra de materiais, como, por exemplo, os de uso pedagógico utilizados em oficinas. Também foi usada para a compra de equipamentos que melhoram a infraestrutura da instituição e o bem-estar de seus usuários. Dessa forma, seus 73 usuários são beneficiados com o projeto de melhoria da qualidade dos serviços oferecidos, o que contribui para a formação de um ambiente de excelência. Os repasses da parceria chegaram ao valor de R$ 72.372,75 no ano de 2016.

Com o dinheiro repassado pela parceria FEAPAES-SP com o produto Vale Cap — que chegou aos R$ 113.020,44 em 2016 —, a APAE de Campos do Jordão beneficia seus usuários por meio de um projeto que promove a melhoria da qualidade de vida das pessoas com deficiências intelectual e múltipla, por intermédio da contratação de profissionais como psicólogos, fisioterapeutas e fonoaudiólogos. A parceria torna possíveis a ampliação, a estimulação e a manutenção das capacidades funcionais de todos os seus 114 usuários.

Graças ao apoio da FEAPAES-SP com o produto Vale Cap — que direcionou para a instituição R$ 245.869,04 no ano de 2016 —, a APAE de Guaratinguetá consegue beneficiar os 248 usuários pela contratação da equipe clínica, o que propicia melhorias no atendimento na área de saúde. Assim, o projeto ajuda enormemente na prevenção e recuperação das deficiências do atendido e no seu desenvolvimento integral.

Com a verba obtida pela parceria com a FEAPAES-SP por meio do produto Vale Cap — que foi de R$ 184.401,78 em 2016 —, a APAE de Lorena conseguiu realizar a construção de uma calçada interna, a cobertura de uma quadra de esportes, que pretendem melhorar ainda mais, e estão terminando uma sala de computação novinha. Além disso, a parceria torna possível a manutenção do prédio. Dessa maneira, a instituição garante um serviço de qualidade aos seus 186 usuários, promovendo sua autonomia, inclusão social e a melhoria da qualidade de vida.

Graças aos repasses da parceria da FEAPAES-SP referente ao produto Vale Cap, que somaram R$ 203.238,51 no ano de 2016, a APAE de Pindamonhangaba consegue realizar diversos projetos que possuem a capacidade de contemplar todos os seus 205 usuários. Alguns exemplos bem interessantes são os projetos: Bem Viver, que oferece oficinas de marcenaria, artes e culinária integrada à horta; Horta Adaptada; e de Informática.

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Já a APAE de Taubaté consegue manter seu corpo de pessoal de apoio e de administração, além de promover a informatização e manutenção da instituição, graças aos repasses da Federação, com o produto Vale Cap. A parceria torna possível garantir melhor desempenho das atividades desenvolvidas para seus 273 usuários, contribuindo para a prevenção e redução das vulnerabilidades sociais. No ano de 2016, foi repassado o total de R$ 270.654,23 pela parceria.

A parceria da FEAPAES-SP referente ao produto Vale Cap auxilia em muito a APAE de Cachoeira Paulista, pois torna possível manter funcionários essenciais, como fisioterapeutas, fonoaudiólogos, pedagogos, entre outros tipos de técnicos. Dessa forma, a APAE consegue atender melhor a seus 90 usuários e proporcionar a eles melhor qualidade de vida e autonomia. Os valores repassados à instituição chegaram a R$ 89.226,66 em 2016.

No caso da APAE de Cunha, a parceria da Federação tornou possíveis a ampliação e reforma da sede, trazendo inúmeros benefícios diretos e indiretos aos seus usuários. Por conta dessas reformas, pode-se assegurar a qualidade da educação de seus 94 usuários, que contam com um programa de ensino-aprendizagem acompanhado de apoios terapêuticos. A parceria rendeu à instituição R$ 85.845,71 durante todo o ano de 2016.

Com a parceria da Federação referente ao produto Vale Cap, a APAE de Roseira e seus 47 usuários são auxiliados no projeto voltado para a educação segundo uma perspectiva mais ampla. Graças ao repasse — que em 2016 atingiu R$ 46.596,15 —, a APAE consegue realizar atividades de monitoria nas quais os usuários fazem a confecção de bonecos e pinturas de quadros, proporcionando grande desenvolvimento socioeducativo na instituição. O dinheiro também possibilita o pagamento de vários funcionários e a compra de outros materiais.

Pela parceria da Federação referente ao produto Vale Cap, a APAE de Jacareí conseguiu realizar significativas melhorias na telecomunicação, na manutenção do prédio e investimentos em atividades socioeducativas. O financiamento obtido torna possível a execução de inúmeros projetos que auxiliam bastante no desenvolvimento pessoal de cada um de seus 212 usuários, o que é demonstrado ao final de cada ano em uma apresentação na qual são mostradas as atividades aprendidas durante o ano. Em 2016, os repasses alcançaram a marca de R$ 239.479,05.

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Na APAE de Aparecida, outra beneficiada pela parceria, uma rampa de acesso à quadra de esportes está sendo construída e finalizada graças aos repasses obtidos, que totalizaram R$ 166.556,46 em 2016. O dinheiro da parceria também ajuda a APAE a comprar equipamentos e a manter a equipe técnica de saúde. Todas essas ações possibilitadas pelo dinheiro do repasse beneficiam fortemente o desenvolvimento institucional e pessoal de todos os 168 usuários.

A APAE de Caçapava conseguiu realizar diversas mudanças em sua instituição por meio da parceria com a Federação e o produto Vale Cap, que lhe destinou o total de R$ 210.178,39 no ano de 2016. Duas novas salas foram construídas para serem a diretoria e secretaria, esta última contando com amplo espaço utilizado também para armazenar os materiais de papelaria — também adquiridos com os repasses — usados pelos usuários em oficinas educativas. A sala antiga da diretoria agora é utilizada para receber os pais, e a secretaria antiga virou uma sala de aula. Além disso, foi construída uma sala de esportes que conta com diversos aparelhos para fisioterapia. Todas essas mudanças proporcionam aos seus 212 usuários um espaço de excelência e constante desenvolvimento.

O dinheiro obtido pela parceria Vale Cap contribui para que os 123 usuários da APAE de Ubatuba possuam o melhor atendimento e infraestrutura possíveis. O repasse é destinado majoritariamente à compra de material didático e pedagógico, além de equipamentos para a constante melhora de infraestrutura e suporte às pessoas com deficiência. Ainda, a verba vai auxiliar nas obras da nova sede. No período de julho a dezembro de 2016, foram repassados R$ 61.881,74 para a instituição.

Com o dinheiro da parceria, a APAE de São José dos Campos faz a manutenção de seu pessoal de Recursos Humanos e consegue cobrir outros pequenos gastos. Dessa forma, o apoio do Vale Cap contribui para que a instituição continue aprimorando seus serviços para os 309 usuários e que continue caminhando rumo à constante excelência. No ano de 2016, a instituição arrecadou R$ 306.344,89 em razão da parceria.

Na APAE de Caraguatatuba os recursos advindos da parceria da FEAPAES-SP com o produto Vale Cap, que somaram R$ 130.623,63 no ano de 2016, sempre possibilitaram a compra de materiais para a manutenção e melhoria da infraestrutura da instituição. Atualmente, os recursos estão sendo direcionados para a construção de uma piscina que beneficiará todos os seus 133 usuários, uma vez que oferecerá mais um espaço para o desenvolvimento de atividades.

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ENTREVISTA

DA SOLIDARIEDADE PARA A PROFISSIONALIZAÇÃO “A APAE hoje é muito mais profissional em termos tanto de planejamento quanto de objetivos que querem ser alcançados”, diz Eduardo Barbosa em entrevista exclusiva

S

olidariedade. Essa é a palavra que definiu a atuação das instituições de assistência social do Brasil durante décadas. De lá para cá, muita coisa mudou. As entidades passaram a ter mais demanda por atendimento, fato que ocasionou a necessidade de mais profissionalização e de mais qualidade de atendimento.

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Com uma vasta experiência no movimento apaeano, Eduardo Barbosa abordou as mudanças estruturais e operacionais das APAES do Brasil em sua palestra na Capacitação para Novos Dirigentes, evento da Federação das APAES de São Paulo (FEAPAES-SP) que ocorreu em fevereiro deste ano, em Águas de Lindoia (SP). Com vasta experiência no movimento apaeano, Eduardo Barbosa, que é médico pediatra


NÓS NÃO TEMOS DE AVALIAR A EFICÁCIA E A EFICIÊNCIA DO NOSSO TRABALHO, E SIM A RELEVÂNCIA DELE. E A RELEVÂNCIA É O IMPACTO DAS NOSSAS AÇÕES NA VIDA DO OUTRO.

formado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pós-graduado em Saúde Pública, teve seu primeiro contato com o universo apaeano em 1986, ano em que ingressou na APAE de Pará de Minas (MG) como médico voluntário. O envolvimento com a causa ultrapassou os limites da profissão, fazendo com que Eduardo assumisse a presidência da entidade de 1986 a 1994. Em 1991, Eduardo fundou e presidiu a Federação das APAES de Minas Gerais e, em 1995, tornou-se presidente da Federação Nacional das APAES, onde permaneceu por quatro mandatos. Atualmente, Eduardo é presidente da FEAPAESMG e deputado federal. Com sua trajetória de vida voltada para a defesa de direitos da pessoa com deficiência, o médico participou de diversas missões oficiais em prol desse público. Como reconhecimento, em 2014 recebeu honra ao mérito da Federação Nacional das APAES pelos 60 anos em defesa das pessoas com deficiência. Após sua palestra sobre “O movimento apaeano e seu papel no contexto social”, a Revista APAE em Destaque realizou uma entrevista exclusiva com o deputado.

Você está no movimento apaeano há mais de 30 anos. O que você acha que mudou de lá para cá no que diz respeito à gestão das entidades, especialmente das APAES? Acho que hoje é exigido de nós uma coisa que não se exigia em décadas anteriores, que é planejamento. Um planejamento baseado no conceito do que se deseja para as pessoas com deficiência nos dias atuais. Antigamente, qualquer coisa que se ofertava para a pessoa com deficiência já era muito. Hoje não. Quando elas alcançaram, pela legislação

brasileira, o direito de ter educação, saúde e assistência social, foi necessário rever as propostas de trabalho que fazemos com elas para levá-las à inclusão plena em sociedade. A APAE hoje é muito mais profissional tanto em termos de planejamento quanto de objetivos que querem ser alcançados. E o mais importante é avaliar se o que nós estamos oferecendo para as pessoas com deficiência está mudando a vida delas. Às vezes eu posso ter uma instituição organizada, em seus documentos, equilibrada financeiramente, ter um prédio muito bom, mas será que esse investimento financeiro mudou a vida da pessoa em alguma coisa? Porque, se não mudou, nada valeu. E às vezes uma APAE que tem grandes dificuldades, dependendo das ações, é muito mais transformadora. Isso, dentro da administração pública, se chama relevância. Nós não temos de avaliar a eficácia e a eficiência do nosso trabalho, e sim a relevância dele. E a relevância é o impacto das nossas ações na vida do outro.

Então essa é a maneira ideal para as APAES trabalharem hoje? Sim. A gente tem de ter indicadores e trabalhar com eles. E o indicador que diz que nós precisamos e devemos existir é se a vida das pessoas com deficiência mudou. Esse é o indicador mais importante. Se essas pessoas conseguiram novos espaços comunitários, novos espaços sociais, se estão participando da vida em comunidade, no trabalho, na escola e assim por diante.

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ENTREVISTA

O NOVO CENÁRIO DA CAPTAÇÃO DE RECURSOS Francisco Guetti fala sobre a mudança de olhar das entidades perante o cenário econômico atual

C

aptar recursos, planejar e fidelizar parceiros. Essas são algumas das preocupações que as organizações sociais têm quando se trata de sustentabilidade financeira. Sabendo que esse é um dos assuntos mais pautados entre profissionais e dirigentes do movimento apaeano, a 15.ª edição da Revista APAE em Destaque trouxe, com exclusividade, uma entrevista com Francisco Guetti, especialista em captação ativa com pessoas jurídicas e governo. Guetti, que atualmente é diretor de desenvolvimento institucional do Hospital Amaral Carvalho, localizado na cidade de Jaú, interior de São Paulo, abordou o tema falando da mudança de olhar das entidades diante do cenário econômico brasileiro.

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É visível que hoje as entidades precisam ter uma atuação diferente da de antigamente. O que você acha que falta para uma APAE ou qualquer outra instituição captar recursos com mais eficiência? Acho que as entidades como um todo precisam trabalhar uma maneira mais estratégica, e não olhar como pedinte. O que a gente precisa começar a entender é que as empresas hoje, principalmente nesse momento econômico, estão muito preocupadas em se manter. Por esse motivo, precisamos criar meios inteligentes. Desde quando o Brasil estava bem [economicamente falando], isso já era uma visão, ou seja, de a gente começar a olhar as oportunidades de uma maneira diferente, como criar novas campanhas que não sejam só o que sempre fizeram com cofrinhos,


notas fiscais etc., que é o que está acontecendo no momento. Uma instituição pega uma ideia e replica-a achando que isso vai fazer a mudança. Outra frente que eu acho que tem de ser observada é a parte de as entidades começarem a fazer uma conta de trás para frente, vendo quanto ela custa por ano, quanto ela custa por mês, quais os meios que ela tem de captação e quais as ferramentas que ela tem para buscar captação. A partir disso, ela entende o que precisa fazer. Às vezes ela fala: “Olha, esse meio que eu estou vendo aqui, o que vai me ajudar muito é benefício fiscal”. Então ela vai ter de ter um tempo de investimento para buscar, escrever projetos, e tudo isso é moroso. Fazer projeto, desenvolver um trabalho de vendas nas empresas, até conseguir a captação e usar o recurso. E isso pode demorar até dois anos. Aí, se fala: “Mas eu só vou receber daqui dois anos?”. Tudo bem, mas, se você não pensar hoje, daqui dois anos você continua não tendo o recurso.

Então o que impede a captação por parte das instituições é a falta de planejamento a longo prazo, na sua opinião? Sim. Tem de ter atitude de longo prazo, porque isso se torna a curto prazo depois. E o que as entidades precisam entender é isso. Ela fazendo o que ela já faz vai mantê-la no dia a dia. Ela só vai ter de fazer esse item a mais para ter uma mudança daqui dois anos, e não desesperadamente agora. Se ela não tomar uma atitude, vai continuar sempre tampando buraco o tempo inteiro. É o que a gente vê na maioria das entidades. Pelo lado da APAE, vejo que há uma força muito grande e que se deve pensar em conjunto.

Recentemente, a Federação criou o Fundo de Projetos para financiar iniciativas das APAES filiadas. Um dos grandes focos da gestão atual, presidida por Cristiany de Castro, é fazer com que as APAES atuem captando recursos em conjunto. O que você acha do fundo de projetos? Acho o projeto ótimo e tem de criar outros nesse formato como Federação. Ou também, a Federação trabalhar com projetos macro, administrando grandes verbas. Às vezes, você vai a uma empresa brigar por R$ 100 mil, porém se ela investir R$ 5 milhões de uma vez, sabendo que vai ajudar um número maior de entidades, é muito mais fácil. É melhor, é muito mais defensável, porque ela vai entender: “Disponibilizando a verba de uma vez tenho esse

impacto todo?”. Sim, tem. Só que daí tem de trabalhar um plano de visibilidade uniforme. Certa vez, eu conheci um empresário que ajudava 15 instituições. Depois de seis anos contribuindo, ele escolheu pessoas na empresa e falou: “Visitem essas instituições”. Essas pessoas fizeram as visitas, e, com o feedback, ele parou de ajudar as instituições. Por quê? Não houve transparência. Nunca levaram a informação até ele. Quando ele foi fazer o movimento de entender o que estavam fazendo com o dinheiro, como o dinheiro estava sendo investido, ele percebeu que não estava sendo o que ele realmente esperava, então, cortou a verba. De quem é a culpa? Do empresário ou da pessoa que pediu dinheiro e não soube como utilizá-lo? Em relação ao fundo de projetos, é um bom investimento inicial, porque se entende que isso tem um replique maior quando é revertido para a base. Vejo muito por esse lado. É um projeto legal, e acho que temos muito potencial para crescer em cima disso.

Você tem algo a acrescentar em relação à sustentabilidade financeira das entidades, do momento que estamos vivendo no país? Agora é o momento do foco, de poder fazer e estudar projetos. Quando a gente vem conversar com as APAES, que foi o que aconteceu na Capacitação para Novos Dirigentes, já é um ponto que mostra que as pessoas estão caminhando para a mesma direção. É o momento de as APAES darem as mãos e se unirem. Unirem-se em busca de projetos maiores. É o momento de trabalhar. Na minha percepção, o momento econômico para o terceiro setor, se bem trabalhado, não vai atrapalhar nem tem atrapalhado, e sim ajudado, porque as empresas enxergam isso como um potencial de captação para elas, de aumento de faturamento. Tem muita empresa olhando o social como algo que “apela”, na cabeça deles é um apelar e que isso traga recursos para ela e, tendo recursos, nada mais do que compartilhar.

NA MINHA PERCEPÇÃO, O MOMENTO ECONÔMICO PARA O TERCEIRO SETOR, SE BEM TRABALHADO, NÃO VAI ATRAPALHAR NEM TEM ATRAPALHADO, E SIM AJUDADO, PORQUE AS EMPRESAS ENXERGAM ISSO COMO UM POTENCIAL DE CAPTAÇÃO PARA ELAS, DE AUMENTO DE FATURAMENTO.

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ARTIGO

ELEIÇÕES DOS AUTODEFENSORES: PAROU! VAMOS NOS

É

REPRESENTAR!

inegável que no campo do direito houve inúmeros avanços na área da deficiência. A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e a Lei Brasileira de Inclusão (LBI) são documentos fundamentais que vêm rompendo com o paradigma de que a pessoa com deficiência é incapaz, fomentando a importância de oportunidades cada vez maiores nos espaços da sociedade. No entanto, sabemos que no cotidiano ainda há uma busca para que haja participação assertiva e ativa da pessoa com Deficiência Intelectual e/ou múltipla. Entendemos como conceito de participação o “ter ou tomar parte”; que as pessoas com deficiência possam de fato se manifestar e reivindicar seus direitos. A mudança da realidade só é possível quando se promovem metodologias participativas que as pessoas com Deficiência Intelectual conheçam, se apropriem e experimentem espaços sociais e culturais, além dos muros apaeanos. Exemplos dessas participações são grupos, reuniões, seminários, audiências públicas, conselhos de direitos, entre outros. Para a participação qualificada, é necessário um trabalho anterior, de apoio e interlocução entre pessoa com deficiência, profissional de referência e família. A FEAPAES-SP, juntamente com a Coordenadoria de Autodefensoria, promove neste ano de 2017 as Eleições dos Autodefensores nos âmbitos regional e estadual. A proposta é eleger pessoas com Deficiência Intelectual e/ou múltipla que tenham o interesse e o perfil para contribuir na construção de ações e políticas públicas voltadas à deficiência. O autodefensor tem papel fundamental em suas APAES e fora delas. Ele exerce o protagonismo e rompe com a estrutura de que a vez e a voz sempre

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são ofertadas apenas à sua família ou à organização em que é atendido(a). Objetiva-se que o autodefensor eleito seja visto e ouvido de forma a contribuir à visibilidade da pessoa com Deficiência Intelectual e/ou múltipla. Por que não debater e discutir a defesa e garantia de direitos com as pessoas com deficiência? Por que não oportunizar vivências e fazer parte desse momento delas e com elas? Só rompemos com o preconceito quando aceitamos o novo, quando disponibilizamos abertura ao conhecimento e respeitamos as diferenças. A eleição dos autodefensores é muito mais que o simples ato de votar ou de cumprir protocolos obrigatórios. É uma mudança atitudinal, em que as pessoas com Deficiência Intelectual passam a ser os atores principais. Como dizia o sábio rabino e estudioso Hilel, “se eu não estou por mim, quem estará? Se eu não sou pelos outros, quem sou eu? E se não for agora, quando?”. Em suma, o quando é AGORA. Chegou o momento de tecer as transformações. É a hora de transformar o discurso bonito em uma prática efetiva. Para mais informações sobre as “Eleições do Autodefensores: tecendo transformações”, consulte o regulamento no site da FEAPAES, http://www. feapaesp.org.br, ou pelo telefone (16) 3403-5010/ Coordenadoria de Autodefensoria, http://monicarocha@apaesp.org.br ou (11) 5080-7148.

Mônica Neves Rocha Arten CRESS-SP 34387 Assistente social da APAE de São Paulo e do Programa de Autodefensoria e coordenadora estadual de Autodefensoria da FEAPAESSP.


ARTIGO

A IMPORTÂNCIA DA LEI DE COTAS PARA PESSOAS

COM DEFICIÊNCIA

O

Brasil celebra, em 24 de julho, o 25.º ano da Lei de Cotas, que estabelece nas empresas privadas com 100 ou mais empregados representação de 2 a 5% de pessoas com deficiência do total de contratados. A lei não cria privilégios, mas corrige possíveis desvantagens, visando equiparar oportunidades. Esse foi um marco importante que vem aos poucos mudando o cenário de injustiças cometidas contra pessoas com deficiência. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), elas representam 24,5% da população brasileira, contabilizando mais de 45 milhões de pessoas.

Os dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) de 2014 mostram que, dos 49,5 milhões de trabalhadores formais do Brasil, apenas  381 mil são pessoas com deficiência, incluindo indivíduos com Transtorno do Espectro Autista, que passaram, com a Lei n.º 12.764, de 2012, a ser consideradas pessoas com deficiência para fins de direitos. Não há dúvida de que, em relação ao passado recente, temos muito a comemorar; no entanto o número de trabalhadores com deficiência representa menos de 1% do total de empregados do país, contra uma população que, como dissemos, representa 24,5% da população total. Mas, por qual razão, apesar das importantes e frequentes ações do

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Flávio Gonzalez

A LEI NÃO CRIA PRIVILÉGIOS, MAS CORRIGE POSSÍVEIS DESVANTAGENS, VISANDO EQUIPARAR OPORTUNIDADES. ESSE FOI UM MARCO IMPORTANTE QUE VEM AOS POUCOS MUDANDO O CENÁRIO DE INJUSTIÇAS COMETIDAS CONTRA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA.

Ministério do Trabalho e Emprego e do Ministério Público do Trabalho, esse número ainda é tão reduzido? Essa pergunta torna-se ainda mais relevante quando constatamos que, nos últimos oito anos, o quadro se tornou praticamente inalterado. A resposta pode estar em fatores como o cenário estrutural e conjuntural da economia. Mas será que existem outros? A APAE de São Paulo, que há 55 anos atua no atendimento a pessoas com Deficiência Intelectual, acredita que a metodologia para a inclusão desses profissionais no Brasil não tem sido eficaz. Apesar disso, a organização tem ampliado ano a ano suas ações na área. Com base na Metodologia do Emprego Apoiado, utilizada com sucesso na Europa, no Japão, no Canadá e nos Estados Unidos, a APAE de São Paulo triplicou suas inclusões, passando da média anual de 90 pessoas, em 2012, para atuais 400 pessoas. Não se trata de

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mágica, mas da utilização de uma tecnologia social adequada que vem aos poucos ganhando espaço no Brasil. O Emprego Apoiado pressupõe que qualquer pessoa pode trabalhar desde que sejam oferecidos os apoios necessários, articulados pela mediação de profissionais qualificados. O êxito na aplicação desse programa pela APAE de São Paulo tem despertado o interesse de empresas que têm encontrado nessa ação uma alternativa importante diante das dificuldades para cumprir os dispositivos legais sem serem penalizadas. A APAE DE SÃO PAULO acredita que as 381 mil pessoas com deficiência que atualmente trabalham, em sua maioria, são aquelas que não precisam de apoio, sendo, portanto, um número reduzido que, disputado pelas empresas que trabalham para cumprir a cota, migra de um emprego para o outro, sem  que o crescimento do número de pessoas incluídas seja ampliado significativamente. Existem inúmeros fatores apontados como obstáculos à inclusão, como as chamadas barreiras atitudinais, forjadas a partir de preconceitos históricos e presentes no imaginário coletivo, tidas como o maior obstáculo, mas o desconhecimento de ferramentas já testadas e validadas em países desenvolvidos contribui diretamente para que esse cenário não mude. Robert Zoellick, ex-presidente do Banco Mundial, disse em 2011 que “cuidar da saúde, da educação, do emprego e de outras necessidades de desenvolvimento das pessoas com deficiência é fundamental para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio até 2015”. Enfim, estamos em 2016 e pergunta-se: como estamos? Há  que se celebrar os avanços, mas a realidade é que as pessoas com deficiência continuam, em sua maioria, desempregadas. Esperamos que metodologias como a do Emprego Apoiado, aliadas a ações consistentes de defesa e garantia de direitos, não sejam direitos apenas de pessoas com deficiência, mas  de toda sociedade brasileira e, portanto, possam nos ajudar a atingir patamares mais amplos de civilidade e desenvolvimento humano, econômico e social.

Flávio Gonzalez Supervisor da Qualificação e Inclusão Profissional da APAE DE SÃO PAULO


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ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL E SUAS ATIVIDADES MEIO

N

o mês de novembro de 2016, deparamos com uma decisão surpreendente do Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário (MDSA), que indeferiu o Pedido de Renovação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS) de uma instituição que atua de forma 100% gratuita e preponderantemente na área da assistência social há mais de 20 anos. A Análise Técnica do MDSA, na qual deveria ser pautada a decisão de concessão do Certificado, foi firmada por dois técnicos, que afirmam textualmente que a entidade em questão — cujo nome vamos preservar por ética profissional — de fato “desenvolve ações de assistência social” e “não realiza atividades nas áreas da saúde e educação”. Por exercer exclusiva e preponderantemente a assistência social, o MDSA não encaminhou o Pedido de Renovação da certificação dessa entidade nem para o Ministério da Saúde nem para o Ministério da Educação, contudo deveria ter deferido o pedido de Renovação do CEBAS dessa entidade. Mas não foi isso que aconteceu! O motivo para o indeferimento do Pedido de Renovação do CEBAS dessa instituição decorre da realização de atividades meio por ela mantida com as únicas finalidades de custear, gerar recursos e fomentar toda a sua ação socioassistencial, conforme seus programas e projetos devidamente inscritos e reconhecidos. Conforme constatamos, a atividade meio está prevista no estatuto da referida entidade, assim como a autorização para a sua realização, com a exigência de que o eventual superávit gerado seja totalmente aplicado na sua finalidade (atividade preponderante), que é a assistência social. No caso em tela, a entidade desenvolve como atividade meio a prestação de serviços gráficos e demonstrou

contabilmente que tudo o quanto resulta em razão da prestação de serviços decorrentes dessa atividade gráfica ela aplica/investe nos seus programas e projetos. Ela também mostrou que os serviços são gratuitos aos usuários na forma da lei, bem como, que os membros de sua diretoria não possuem nenhum tipo de benefício ou remuneração. Importa dizer que a Análise Técnica do MDSA observou no item Atividades do Relatório que a entidade em questão efetivamente “realiza atividades socioassistenciais de habilitação e reabilitação de pessoas deficientes, assim como ações de fortalecimento de movimentos sociais e organizações de usuários, tendo como usuários de seus serviços e ações socioassistenciais pessoas com deficiência e suas famílias”. Mesmo atestando que a entidade desenvolve atividades no âmbito da assistência social de forma totalmente gratuita ao público-alvo da assistência social — conforme a Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS) —, o Parecer final do MDSA indefere a Renovação da Certificação (CEBAS), fazendo constar de sua conclusão que: “a) a entidade não atua preponderantemente no âmbito da assistência social; b) a atividade preponderante da entidade está em serviços gráficos, atividade que demanda suas maiores despesas;c) por isso conclui que a entidade não atua preponderantemente no âmbito da assistência social”. A questão que se afigura é de nítida dificuldade de distinção pela equipe do MDSA sobre o que é atividade meio ou fim. Atividade fim, ou seja, a atividade preponderante de uma entidade sem fins lucrativos, podendo ela ser associação, fundação ou organização religiosa, é aquela para a qual a sua criação e o seu funcionamento foram idealizadas — o seu propósito de existir. Isto é, a atividade fim é a razão de ser da entidade, o motivo pelo qual seus idealizadores, associados, fundadores, instituidores a criaram e pelo qual ela trabalha e se dedica permanentemente!

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Ricardo Monello

Maria Esther Atividade meio é uma forma que as entidades sem fins lucrativos encontram para gerar recursos, constituir renda, fomentar sua atividade preponderante, para poder existir de forma sustentável e minimizar a dependência de recursos públicos ou de doações. É o que viabiliza a atividade fim! A atividade meio pode variar, de acordo com as necessidades de sustentabilidade da organização. Já a atividade fim será sempre a razão de ser, o motivo de existir de uma entidade sem fins lucrativos. A própria legislação que imuniza o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (Lei n.º 9.532/1997) estabelece como regra central o critério finalístico da ausência de lucros e, se houver superávit (das atividades,

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inclusive meio), ele deve ser aplicado nas finalidades (reversão nas atividades preponderantes/fim). O fato de uma entidade sem fins lucrativos despender recursos e possuir despesas, com a realização das atividades meio, independentemente do valor, não faz com que a sua atividade fim seja alterada ou maculada. Aliás, é nítido na ciência contábil que GASTOS e DESPESAS ocorrem para gerar RECEITAS. Este é o único objetivo da atividade meio: financiar o FIM, a missão da organização. Nas entidades beneficentes de assistência social, as atividades meio ganham mais relevância e impacto, pois, além das dificuldades na captação de doações e recursos públicos, seus atendimentos — programas, projetos e serviços assistenciais — devem ser integralmente gratuitos aos usuários. Ou seja, se a entidade assistencial não tiver rendas (resultado da atividade meio), ela não conseguirá sustentar suas finalidades assistenciais (fim), o que nos faz deduzir que, quanto mais rentáveis forem essas formas de sustento, melhor será a gestão dessa organização e mais pessoas (carentes) poderão ser atendidas gratuitamente! Também, vale ressaltar que a soma (montante) de receitas ou despesas nessas atividades não constitui aspecto relevante, pois o objetivo é que essas operações gerem algum resultado positivo (superávit), para que este seja revertido às finalidades essenciais da entidade, em perfeito alinhamento com a Constituição Federal (art. 150, VI “c” e § 4.º), com as leis e conforme seu Estatuto (critério finalístico das normas). Não é demais trazer ao conhecimento que essas entidades e suas atividades possuem inscrição no Conselho Municipal de Assistência Social e vínculo com a rede socioassistencial privada no âmbito do Sistema Único da Assistência Social (SUAS). Em relação às atividades das entidades, o artigo 22 da Lei nº. 12.101/2009, em seu parágrafo único, estabelece: “Considera-se área de atuação preponderante aquela definida como atividade econômica principal no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica [CNPJ] do Ministério da Fazenda”. Já o § 1.º do artigo 10 do Decreto n.º 8.242/2014 firma: “A atividade econômica principal constante do CNPJ deverá corresponder ao principal objeto de atuação da entidade, verificado nos documentos apresentados nos termos do art. 3.º, sendo preponderante a área na qual a entidade realiza a maior parte de suas despesas”. A leitura do disposto na Lei n.º 12.101/2009 deve ser de modo a permitir estabelecer para qual ministério


deverá ser direcionado o processo administrativo do Certificado (CEBAS) e, sempre, analisado de acordo com as três áreas que uma entidade pode atuar. Ou seja, que se estabeleça a preponderância entre Saúde, Educação ou Assistência Social. Somente essas três áreas podem ser reconhecidas e certificadas como atividades beneficentes para fins de CEBAS! De qualquer forma, a atividade preponderante deverá corresponder aos serviços assistenciais prestados, seus documentos e registros contábeis, bem como seu Estatuto e CNPJ, e restando claro que nunca uma entidade beneficente terá preponderância comercial (meio), pois em sua essência já não seria possível. Em nenhum momento a Lei n.º 12.101/2009 ou seu respectivo regulamento, o Decreto nº. 8.242/2014, proíbe ou limita ações das entidades beneficentes de assistência social sem fins lucrativos no tocante à realização de atividades meio, nem muito menos a realização de despesas com essas operações, as quais servem para gerar recursos e garantir a sustentabilidade para suas finalidades — ou seja, para a atividade preponderante. Aliás, isso seria um caminho na contramão da realidade das organizações da sociedade civil, pois todas estão em busca de sustentabilidade e profissionalização, aspectos nítidos e conquistados com o avanço legislativo federal (leis n.º 9.532/1997, n.º 12.101/2009 e n.º 13.019/2014), sabiamente permitindo até a remuneração de dirigentes estatutários. Assim, as despesas com a atividade meio são realizadas sempre com a finalidade de geração de superávit, o qual, no tocante à entidade aqui mencionada, há provas contábeis e documental de que foi totalmente investido nas ações de assistência social, 100% gratuitas ao público-alvo da assistência social, atividade preponderante da referida instituição, dentro do território nacional. A lei federal e as normas contábeis (Conselho Federal de Contabilidade: ITG 2002 e TG07) estabelecem que a contabilidade deve reconhecer, registrar e evidenciar de modo segregado tais receitas, custos, gratuidades e despesas de modo a identificar a movimentação das atividades fim ou meio, inclusive os atendimentos gratuitos, aspectos observados pela entidade em comento, e que podem ser atestados pela auditoria independente. Como recomendação, reiteramos que ao desenvolver atividade meio é fundamental, além da observância dos critérios contábeis contidos nas normas especificadas anteriormente, que a entidade procure cumprir com as eventuais obrigações acessórias, especialmente a emissão de documento fiscal (NF) e escrituração nos módulos do Sistema Público de Escrituração Digital (SPED).

Vale salientar que recentemente o egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), em julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN) 2028-5 e do Recurso Extraordinário 566.622/RS, fixou entendimento que os “requisitos para o gozo da imunidade das entidades beneficentes de assistência social devem ser estabelecidos por Lei Complementar”. Apesar de a Lei n.º 12.101/2009 ser lei ordinária e não ser objeto direto das ações mencionadas, e em que pese a possibilidade de novas teses de recurso para esses casos de indeferimento, ainda aguardamos o acórdão e o julgamento das demais ações sobre essa norma legal, de modo que recomendamos a cautela e sua observância, por ora, pelas entidades beneficentes. Por fim, deixamos aqui nossa contribuição e nosso pensamento de que as entidades sem fins lucrativos que atuam de forma preponderante na área da assistência social, ou seja, que existem para realizar ações socioassistenciais, em conformidade com a LOAS, a Resolução do Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) 109/2009 e demais Resoluções que tipificam as ações socioassistenciais, que preenchem os requisitos da Lei n.º 12.101/2009 e do Decreto n.º  8.242/2014, podem e devem realizar atividades meio de modo a garantir-lhes a sustentabilidade, a segurança e a continuidade.

Ricardo Roberto Monello Advogado e Contador, sócio da Advocacia Sérgio Monello e da AUDISA Auditores, editor da Revista Filantropia, diretor de Assuntos Jurídicos da Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas (FENACON), membro do Conselho de Especialistas do Fórum Nacional das Instituições Filantrópicas (FONIF), membro fundador da Comissão de Direito do Terceiro Setor da Ordem dos Advogados do Brasil do Estado de São Paulo (OAB-SP), voluntário da FEAPAES-SP; Maria Esther Piovesan Moretti Reis Advogada, membro da Advocacia Sérgio Monello desde 2000, membro do Núcleo de Estudos Avançados do Terceiro Setor (NEATS) da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP), diretora adjunta da Comissão de Assuntos Institucionais da OAB Pinheiros 2016/2018. APAE EM DESTAQUE • ANO 2017 • EDIÇÃO 15

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2017

Calendário Esportivo 01

JANEIRO

29 - 3º Movimenta Batatais - Batatais

03

MARÇO

11 - Judô - Ribeirão Preto 11 - Corrida e Caminhada - Praia Grande 22 - Dominó - Diadema 24 - Voleibol Adaptado - Taquarituba 31 - Tênis de Mesa - Monte Alto

05

MAIO

11 - Bocha Adaptada - Mogi das Cruzes 17 - Atletismo - Lençóis Paulista 18 - Basquete - Itu 21 - Ciclismo - Mirassol 26 - Voleibol Adaptado Feminino - Taiaçu 26 - Festival de Outono - Porto Ferreira 26 - Futsal - Taquarituba 26 - Tênis de Mesa - Limeira 29 - Queimada - Rio Grande da Serra

09

SETEMBRO

13 - Bocha e Tênis de Mesa - Barra Bonita 15 - Voleibol Sentado - Mairinque 19 - Circuito Motor - Santo André 21 - Tênis de Mesa - Jacareí 22 - Dama e Dominó - Araraquara ** - Atletismo - Pirassununga

11

NOVEMBRO

1

* Datas a Confirmar

2

FEVEREIRO

3

19 - Corrida e Caminhada - Cajuru

4

5

6

DEZEMBRO

** - Futsal - Ubatuba* ** - Voleibol Adaptado - Guaratinguetá* ** - Atletismo, - Araras* DESTAQUEe• Dominó ANO XX • EDIÇÃO X 62 APAE EMFutsal

04

02 - Judô - São Bernando do Campo 12 - Circuito Motor Indoor - Arujá 12 - Atletismo - Itupeva 17 - Futsal - São Caetano do Sul 18 - Atletismo - Araras 26 - Atletismo - Holambra 28 - Dama - Itaporanga 28 - Dama e Dominó - Brodowski

JUNHO

06

07 - Atletismo - Macatuba 17 - Capoeira - Jaú 22 - Capoeira - Guarulhos

08

8

AGOSTO

9

04 - Tênis de Mesa - Aparecida 09 - Atletismo - São Caetano do Sul 16 - Atletismo - Avaré 24 - Dama e Dominó - Ferraz de Vasconcelos 25 - Futsal - Taquarituba

10

OUTUBRO

11

22 - Futsal e Gincana - Itapuí 24 - Natação - Matão ** - Corrida e Caminhada - Porto Ferreira

12

ABRIL

02

12

10

4 a 6 - Olímpíada Regional das APAES (Seletiva 2018) - Caraguatatuba 18 - Atletismo - Itaí 19 - Futsal - Votorantim 20 - Futebol 7 - Aparecida 27 - Atletismo - Jaboticabal 31 - Basquete - Mauá ** - Tênis de Mesa e Natação - Santa Rita Do Passa Quatro Para Incluir novos eventos, entre em contato com:

Roberto Antônio Soares Coordenador Estadual de Educação Física, Desporto e Lazer FEAPAES/SP E-mail: beto10soares@yahoo.com.br


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