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APAE em destaque

Publicação da FEAPAE-SP - Federação das APAEs do Estado de São Paulo

Ano 2016 • Edição 13

REVISTA APAE EM DESTAQUE ANO 2016 • EDIÇÃO 13

A PROFISSIONALIZAÇÃO DA GESTÃO NAS APAES I ENCONTRO DE GESTÃO ESTRATÉGICA TRATOU O TEMA COM FOCO NO MOVIMENTO APAEANO

SHINYASHIKI: “A APAE DEVE TRANSFORMAR O AMOR EM RESULTADOS”

O SUCESSO DOS WORKSHOPS DO PROGRAMA APAE EXCELÊNCIA


CAPA

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SUMÁRIO

FEAPAES-SP PROMOVE EVENTO SOBRE PROFISSIONALIZAÇÃO DA GESTÃO NAS APAES

6 GALERIA DE FOTOS

8 NOTAS APAE

APAE EM DESTAQUE RIBEIRÃO PRETO VALINHOS AVARÉ JÚLIO MESQUITA ITU GENERAL SALGADO JAGUARIÚNA CAJATI

32 ENTREVISTA FRANCISCO GUETTI

34 ENTREVISTA ROBERTO SHINYASHIKI

52 ENTREVISTA CARLOS FERRARI

BATATAIS GUAÍRA ARAÇATUBA BAURU

12 13 14 16 17 18 19 20 22 24 25 26

POLÍTICA EM DESTAQUE CONVÊNIO DA EDUCAÇÃO

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PLEITOS AO GOVERNO FEDERAL

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FEAPAES EM REVISTA PROGRAMA APAE EXCELÊNCIA

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FEAPAES-SP PROMOVE 22 CURSOS

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APAE QUALIDADE DE VIDA E SAÚDE

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XIV FESTIVAL ESTADUAL NOSSA ARTE

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CONCURSO DE CARTÃO DE NATAL

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VENCEDOR DA CAMPANHA APAE NOEL

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CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO DAS APAES

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FEAPAES-SP E METODISTA

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FEAPAES-SP E GERAES

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SETEMBRO VERDE

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LIVOX PARA AS APAES

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REUNIÃO EM VÁRZEA PAULISTA

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APAES RECEBERÃO CADEIRAS DE RODAS

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PARCERIA COM A COOP

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ARTIGOS SAÚDE MATERNO INFANTIL NOVO MARCO REGULATÓRIO DO TERCEIRO SETOR

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EXPEDIENTE DIRETORIA EXECUTIVA

EDITORIAL

Presidente Cristiany de Castro Vice-presidente José Marcelo Alduíno 1ª Secretária Patrícia Regina Miranda da Cruz 2º Secretário Celso Roberto Pegorin 1º Dir. Financeiro Salvador Anésio Ruiz Aylon

2º Dir. Financeiro Luis Roberto Roson Diretor Social Paulo Arantes Diretor de Patrimônio Ivanil de Marins Procurador Jurídico José Andrade Pires

CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO Profissionalização da gestão. Um assunto tão comentado e tão importante para as organizações do Terceiro Setor é o tema central da 13ª revista APAE em Destaque. A matéria de capa dessa edição mostra em detalhes as palestras do I Encontro de Gestão Estratégica realizado em Campinas. Responsável pela apresentação de abertura do evento, o conferencista Roberto Shinyashiki é um dos entrevistados desse número. Francisco Guetti, especialista em captação de recursos, e Carlos Ferrari, membro titular do Conselho Nacional de Saúde e ex-presidente do Conselho Nacional de Assistência Social também concederam entrevistas exclusivas para a revista APAE em Destaque. Na editoria APAE em Destaque histórias de sucesso e iniciativas relevantes das nossas filiadas foram retratadas. A APAE de Avaré, por exemplo, desenvolve um interessante projeto de inclusão social por meio da leitura. Eventos esportivos também receberam destaque nessa edição. Várzea Paulista, Brodowski, Penápolis e Monte Alto promoveram festivais regionais para promover atividades de educação física. Além dessas pautas, foram abordadas as parcerias firmadas pela Federação para beneficiar suas filiadas e, consequentemente, as pessoas com deficiência; os resultados dos workshops do programa APAE Excelência e do programa APAE Qualidade de Vida e Saúde. Boa leitura! Thaici Martins Jornalista - Mtb 60.288/SP comunicacao@feapaesp.org.br

Anna Carolina A. Botelho M. Pacheco Antonio Alceu Belodi Helio Tadeu Zago Jorge Martins Salgado José Carlos da Silva José Luiz Beneciuti José Perez Perez Josiane Claudia da Silva Jacob Lilian Carla de Oliveira Liviana Giuliana Baldon Luiz Antonio Lopes Garcia

CONSELHO FISCAL Titulares Marcelo Colombo Antônio Pio Neto Eugênia Amorim Ubiali

Márcia Cardoso Luquetti Gianoti Marcio Chagas Fernandes da Silva Maria de Fátima Dalmédico de Godoy Maria José de Sousa Nunes Moacyr Fonseca Júnior Nilza Ribeiro Fernandes Afonso Paulo Cesar Zeni Rita de Cássia Ramos Silvio Filippini Sonia Ap. Martins Bento de Oliveira Vera Lucia Ferreira Lima

Suplentes Celso Bueno José Roberto Guimarães Carlos Eduardo Torres

CONSELHO CONSULTIVO Antônio Cândido Naves

Marco Aurélio Ubiali

EQUIPE TÉCNICA | FEAPAES-SP Superintendência Fernanda Peres Gomes superintendencia@feapaesp.org.br Comunicação Thaici Martins Brenda Pimentel comunicacao@feapaesp.org.br Cursos Lays Alves eventos01@feapaesp.org.br Desenvolvimento Institucional Marina Salomão Juliana Prado (estagiária) institucional@feapaesp.org.br Financeiro Simone Coelho Fátima Melo Lucas Almeida financeiro@feapaesp.org.br

Equipe da Qualidade Bruna Soares Faria Cintia Faccirolli Elisa Parra Karina Belanga Karla Borges Keila Stefani Lucila de Castro Marlene Alves coordqualidade@feapaesp.org.br Jurídico Cláudia Fragoso Érika Faria Ana Raquel Pegoraro (estagiária) juridico@feapaesp.org.br Sala de Soluções Nadya Campos Rose Silva Veranice Abreu Silva faleconosco@feapaesp.org.br

Edição concluída em 20 de junho de 2016

Federação das APAES do Estado de São Paulo Rua Demar Tozzi, 340 | São Joaquim | Franca/SP CEP: 14.406-358 | Telefone: 16 3403-5010 feapaes@feapaesp.org.br www.feapaesp.org.br

Revista APAE em Destaque

Redação: Thaici Martins e Brenda Pimentel. Edição: Thaici Martins. Revisão e diagramação: Zeppelini Editorial / Instituto Filantropia.

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PALAVRA DA PRESIDENTE

PROFISSIONALIZAÇÃO DA GESTÃO

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advento da tecnologia e a modernização da administração modificaram o atual panorama das organizações do Terceiro Setor. A profissionalização da gestão nas APAES é necessária e um dos temas mais importantes tratados pela atual Diretoria Executiva da FEAPAES-SP. Estamos pautando as ações da Federação em desenvolver ferramentas e promover capacitações que possam contribuir efetivamente na profissionalização dessa área. É preciso se atualizar. Conhecer novas técnicas, estar em contato com modelos de sucesso e aprender como desenvolver estratégicas inovadoras. A profissionalização da Gestão reflete diretamente na motivação dos funcionários, no bem-estar de colaboradores e consequentemente na melhoria contínua do atendimento e da qualidade de vida das pessoas com deficiência intelectual ou múltipla atendidas nas 305 APAES do nosso Estado. A profissionalização da Gestão já é observada nas ações da FEAPAES-SP há alguns meses. Com o programa APAE Excelência desenvolvemos manuais de Orientações Técnicas nessa área, promovemos workshops, capacitações e, mais recentemente, o I Encontro de Gestão das APAES, em Campinas. Estamos determinados a desenvolver esse tema, trabalhar em equipe, sempre com o apoio das APAES e dos Conselhos, para fortalecer cada vez mais o movimento apaeano no Estado de São Paulo. Cristiany de Castro Presidente da Federação das APAES do Estado de São Paulo

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GALERIA DE FOTOS

DE OLHO NAS APAES

CASA

VIRA

DOU

CA BRAN

PIRAJU

JALES

ITAPETININGA 6

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RO


SANTOS

SÃO JOSÉ DO RIO PRETO

TANABI

REGENTE FEIJÓ

TUPI PAULISTA

APAEAPAE EM DESTAQUE EM DESTAQUE • ANO• ANO 2016XX• EDIÇÃO • EDIÇÃO13 X

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NOTAS APAE APAE DE JAÚ E PREFEITURA FIRMAM CONVÊNIO

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APAE de Jaú firmou convênio com a Prefeitura Municipal e está atendendo, desde 2015, alunos da Educação Precoce e Educação Infantil cuja idade não é abrangida pelo convênio da Secretaria da Educação do Estado. São crianças de zero a cinco anos e onze meses, com deficiência intelectual ou múltipla e transtorno global do desenvolvimento associado a deficiência intelectual, cujas necessidades de recursos e apoios extrapolem comprovadamente, as disponibilidades da escola da rede comum de ensino. O programa tem por objetivo oferecer estímulos atingindo todas as áreas sensoriais, apoios contínuos, diversificando currículos, somando atendimentos complementares terapêuticos dos serviços especializados da área da saúde (psicologia, fonoaudiologia, fisioterapia, terapia ocupacional, nutrição, médico e enfermagem). São duas turmas com cinco alunos em cada sendo uma no período da manhã e outra a tarde.

APAE DE SUZANO FORTALECE ATIVIDADES

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uscando atualizações e cada dia mais cumprir seu papel em defesa das pessoas com deficiência, a APAE de Suzano está fortalecendo suas atividades. Atualmente, a organização conta com área pedagógica, oficina de pintura em vidro, hidroterapia, psicóloga da família, psicóloga (estimulação), fisioterapeuta e fonoaudióloga. Além disso, promoveu e participou de eventos, como o 7º Encontro Desportivo, Feira de Ciência e Projeto Social. “Saímos da verdadeira acomodação gerada pela mudança que nos propomos. Lutamos pelo direito de igualdade tentando mesmo com as dificuldades transmitir à sociedade que juntos somos mais fortes”, comentou Claudinéia Machado, coordenadora da APAE.

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APAE DE CRUZEIRO INOVA NO PLANEJAMENTO PARA O ANO DE 2016

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m 2016, a diretoria da APAE de Cruzeiro resolveu inovar ao iniciar o planejamento para o ano de uma forma diferente. Para a ocasião, a instituição preparou um café comunitário com o objetivo de acolher todos os profissionais da entidade. Denominado “O Afeto Educa”, o planejamento procura destacar as três competências que todo profissional da educação deve ter em mente - a científica, a técnica e a humana.

De acordo com a direção da entidade, é no planejamento que toda equipe escolar se reúne para repensar a instituição quanto sua missão, seus valores, atuação dos profissionais e quais finalidades desejam atingir. Além desta ressignificação o planejamento foi um momento em que todos os atores envolvidos no processo educacional discutiram estratégias diferenciadas para um ensino de qualidade dentro da instituição.

CONSELHO CIENTÍFICO DO INSTITUTO APAE DE SÃO PAULO TEM NOVO SUPERINTENDENTE

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Prof. Dr. Antonio Carlos Lopes, presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica, tomou posse, em abril, como superintendente voluntário do Conselho Científico do Instituto APAE de São Paulo. Lopes é professor livre docente de Clínica Médica pela Unifesp desde 1990 e possui 36 livros publicados. O superintendente terá entre suas principais atribuições ações referentes ao ensino e pesquisa, com destaque para a realização de novos estudos científicos, a união de Organizações Sociais e profissionais que trabalhem com a temática da deficiência no Brasil e no exterior por meio dos cursos de especialização promovidos pela organização e o investimento na ampla inclusão da pessoa com deficiência intelectual na sociedade.

APAE DE COLINA PROMOVE DIA DA BELEZA

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om o objetivo de resgatar a autonomia, fortalecer a autoconfiança e a sensação de bem estar com a aparência, a APAE de Colina realizou em 2016 a terceira edição do projeto Dia da Beleza. Para valorizar as mulheres atendidas pela organização, a APAE contou com o apoio de profissionais de beleza da cidade, que voluntariamente doaram seus serviços. “Foi um dia de muita alegria e descontração. O resultado superou as expectativas”, contaram. No final do dia todos foram presenteados com mimos confeccionados pelos próprios assistidos.

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PROJETO JUDÔ PARA TODOS É SUCESSO EM RIBEIRÃO PRETO

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om o objetivo de melhorar a qualidade de vida dos seus assistidos, a APAE de Ribeirão Preto iniciou em 2015 o projeto Judô para Todos. Os treinos são realizados na própria instituição, duas vezes por semana, no período da manhã e à tarde. Praticante do esporte há 20 anos, o professor Christopher Rodrigues escolheu o judô pelos benefícios que oferece. “É uma modalidade que trabalha a formação das pessoas. Notamos muita diferença nas habilidades sociais dos nossos atletas como: permanecer na atividade, respeitar amigos e professores, ajudar

quando necessário, respeitar regras, compreender o proibido. Os atletas passaram a ajudar mais as suas famílias”, explica. De acordo com o professor, o projeto já tem colhido resultados. “Passamos a viajar mais e com isso desenvolvemos a autonomia, como cuidar dos seus pertences, saber se vestir corretamente, desenvolvemos as habilidades de vida diária e prática. Temos uma parceria com a Secretária Municipal de Esportes e com a 12ª Delegacia Regional de Judô em que nossos atletas são federados e com isso não só representam a APAE, mas defendem a cidade”.

FESTIVAL DE FUTSAL REÚNE OITO APAES EM VOTORANTIM

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APAE de Votorantim sediou em maio o II Festival Regional de Futsal das APAES do Conselho de Itu. O evento contou com a presença de atletas de oito APAES nas categorias feminina e masculina: Cotia, Itapevi, Itu, Piedade, Porto Feliz, Salto, Sorocaba e Votorantim. De acordo com a coordenadora regional de Educação Física, Jociana Santos, o Festival totalizou 101 inscritos. “O evento foi um sucesso, superando as expectativas”, disse.

MONTE ALTO SEDIA ETAPA DO CIRCUITO REGIONAL DE ESPORTES

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cidade de Monte Alto, do Conselho de Jaboticabal, sediou em abril a 1ª etapa da modalidade Tênis de Mesa do 14º Circuito Regional Especial de Esportes das APAES. O evento contou com a participação de 90 atletas de oito APAES: Araraquara, Guaíra, Itápolis, Jaboticabal, Matão, Monte Alto, Taiaçu e Taquaritinga. De acordo com os organizadores, o Circuito Regional Especial de Esportes das APAES – modalidade Tênis de Mesa, contribui para o desenvolvimento motor, intelectual e também no relacionamento social e afetivo dos atletas

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13º FESTIVAL ESPORTIVO DE PENÁPOLIS REÚNE 300 ATENDIDOS

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om sete modalidades e cerca de 300 atendidos, a APAE de Penápolis realizou no primeiro semestre o 13º Festival Esportivo. O evento foi dividido em duas categorias, abaixo e acima dos 15 anos, e em dois níveis, por habilidades. Foram disputados jogos de futsal masculino e feminino, biribol masculino e feminino, basquete feminino, dama e dominó para atendidos com dificuldades motoras e modalidades demonstrativas, como judô e capoeira. Segundo a professora Lucimara Garcia, idealizadora do projeto, o Festival busca a motivação dos atendidos e profissionais inseridos no processo educacional. A APAE de Penápolis acredita que promovendo momentos recreativos, culturais e esportivos, os participantes possam desenvolver suas habilidades e capacidades, aprender a conviver com as vitórias e as derrotas.

BRODOWSKI PROMOVE FESTIVAL DE DAMA E DOMINÓ

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ais de 90 assistidos de dez APAES da região participaram no dia 10 de junho do I Festival de Dama e Dominó organizado pela APAE de Brodowski. O evento contou com a presença das APAES de Altinópolis, Batatais, Brodowski, Cravinhos, Franca, Jardinópolis, Morro Agudo, Patrocínio Paulista, Ribeirão Preto e Serrana. O Festival aconteceu em sistema de rodízio. Cada participante jogava cinco rodadas com adversários de outras cidades. De acordo com os organizadores o objetivo do evento é proporcionar a melhor qualidade de vida através da atividade física.

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VÁRZEA PAULISTA ORGANIZA I FESTIVAL DE FUTSAL

om o objetivo de socializar as APAES da região, o Conselho de Várzea Paulista promoveu no dia 10 de junho o I Festival de Futsal. Cerca de 80 alunos de seis APAES participaram do evento: Campo Limpo Paulista, Mairiporã, Piracaia, Socorro, Valinhos e Várzea Paulista. Cada equipe participou de três jogos, nos gêneros masculino e feminino. O evento teve início com o desfile das delegações ao som do hino da Champions League. “No Festival não houve campeão, todos foram vencedores, pois conseguiram com suas diferenças e limitações, alcançar o objetivo final que é a socialização através do esporte”, explicou o professor André Santos, organizador do evento.

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APAE EM DESTAQUE

APAE DE RIBEIRÃO PRETO CONQUISTA

CERTIFICAÇÃO ISO 9001 Conjunto de normas permitirá análise sobre a gestão da entidade e a satisfação dos assistidos

Q “A GESTÃO A VISTA APRESENTADA ATRAVÉS DE INDICADORES E METAS DOS PROCESSOS DE FORMA TRANSPARENTE PERMITE UMA ANÁLISE DE COMO ESTÁ A ENTIDADE E A SATISFAÇÃO DOS ASSISTIDOS”

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ualidade de atendimento, melhoria contínua de processos e satisfação do usuário. Esses são alguns dos benefícios da implantação da ISO 9001, conjunto de normas de padronização para determinado serviço ou produto. Famoso no meio empresarial, tal sistema de gestão vem conquistando espaço no Terceiro Setor. Antenada a essa tendência, a APAE de Ribeirão Preto conquistou a certificação ISO 9001:2008 pela DQS do Brasil. De acordo com a direção da entidade, esse resultado só foi possível com trabalho em equipe, envolvendo muita garra e determinação. Isso porque, o caminho até a certificação envolve uma série de adequações e implantação de processos que evidenciem e qualifiquem o trabalho desenvolvido no dia a dia da instituição. “A gestão a vista apresentada através de indicadores e metas dos processos de forma transparente permite uma análise de como está nossa entidade e a satisfação de nossos assistidos com a APAE”, comenta o presidente da APAE de Ribeirão Preto, Celso Fujioka, acrescentando que “trata-se de uma conquista que está contribuindo para uma gestão administrativa à vista”. Para a entidade, a meta é manter e melhorar os processos em busca de melhores resultados e eficácia, garantindo a manutenção do conjunto de normas, que deve ocorrer ainda em 2016.


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VALINHOS CONQUISTA

CERTIFICADO DE GESTÃO E TRANSPARÊNCIA

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APAE recebeu a certificação do Instituto Doar

pós receber a certificação ISO 9001 em 2014, a APAE de Valinhos conquistou esse ano o certificado de Gestão e Transparência emitido pelo Instituto Doar. O selo é válido até 2017 e atesta que a APAE está de acordo com o PGT (Padrão de Gestão e Transparência) das organizações sem fins lucrativos. O PGT é um conjunto de práticas e ações recomendadas para associações e foi elaborado a partir de uma extensa pesquisa dos conceitos e critérios adotados por diferentes organismos nacionais e internacionais e das práticas de empresas receptoras e concessoras de recursos para fins sociais e ambientais. Essa é mais uma iniciativa da APAE de Valinhos visando a melhoria contínua do Sistema de Gestão. De acordo com Marcelo Estraviz, presidente do Instituto Doar, o certificado tem como objetivo indicar a doadores em potencial que a entidade é

CERTIFICADO TEM COMO OBJETIVO INDICAR A DOADORES EM POTENCIAL QUE A ENTIDADE É IDÔNEA E OPERA DENTRO DE PADRÕES ADEQUADOS DE TRANSPARÊNCIA, GOVERNANÇA E GESTÃO

idônea e opera dentro de padrões adequados de transparência, governança e gestão. “Ele atesta a sua legitimidade e influencia positivamente a tomada de decisão dos futuros doadores, aumentando o seu potencial de captação de recursos”, explica. Para obter o selo, a APAE de Valinhos foi aprovada no processo de certificação do Instituto. Mais de  100 organizações de todo o Brasil já foram avaliadas, entre elas Greenpeace e Artemisia. APAE EM DESTAQUE • ANO 2016 • EDIÇÃO 13

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APAE EM DESTAQUE

PROJETO MONTEIRO LOBATO INCENTIVA INCLUSÃO SOCIAL POR MEIO DA LEITURA EM AVARÉ

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Iniciativa da APAE local envolve assistidos e alunos da rede regular de ensino

er sempre foi sinônimo de aprendizado, imaginação e diversão. Desde 2008, esse ato ganhou um sinônimo a mais na APAE de Avaré, isso porque a entidade vem desenvolvendo um projeto que além de promover o estímulo à leitura, incentiva a inclusão social da pessoa com deficiência. “É papel da escola assegurar aos alunos o acesso aos bens culturais, o que implica em ampliar o repertório que eles possuem”, comenta a diretora da APAE de Avaré, Célia Maria Carneiro Eto. Aliando tal papel à missão de promover a inclusão social, o projeto Monteiro Lobato conta com o apoio da Secretaria Municipal de Educação na participação de escolas da rede regular. “A adesão é total, a Secretaria nos dá apoio, permitindo que as escolas compareçam nas apresentações e ainda oferece o transporte para esses alunos. É uma parceria consciente da inclusão”, afirma Célia. Desde o início, o projeto vem se aperfeiçoando. Envolvendo 15 alunos, a contação de histórias, eixo principal do projeto, agregou Artes Cênicas. As professoras Vera e Ivone, responsáveis pelo projeto, iniciaram o preparo cênico dos alunos, incluindo personagens do Sítio do Pica-Pau Amarelo, uma das obras mais conhecidas de Monteiro Lobato. “Além de despertar a leitura esse projeto visa homenagear Monteiro Lobato, pelo papel fundamental na história do livro infantil”, acrescenta a diretora. De acordo com as responsáveis pelo projeto, a contação de histórias não se restringe somente

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É PAPEL DA ESCOLA ASSEGURAR AOS ALUNOS O ACESSO AOS BENS CULTURAIS, O QUE IMPLICA EM AMPLIAR O REPERTÓRIO QUE ELES POSSUEM

à literatura de Lobato. De 2008 a 2016, o projeto já apresentou diversas histórias famosas do universo infantil. Dentre ela estão: O Chapeuzinho Vermelho; A Branca de Neve e Cinderela. Segundo Célia, há ainda histórias de autoria de uma das professoras do projeto. “O Menino em terra de Saci, assim como A princesa Raluel e a Lagarta claustrofóbica são alguns títulos de autoria de Vera Veppo”, descreve. Para ajudar na leitura e encenação, os envolvidos no projeto assistem a filmes e participam de jogos dramáticos onde criam situações de personagens, construindo a intimidade com a fala e a atuação. Tamanho trabalho tem resultado em expectativa. “A apresentação para a rede tem agitado as expectativas das crianças do ensino regular, que ficam antecipadamente cobrando as professores para assistir o teatro”, pontua Célia.


PARA AJUDAR NA LEITURA E ENCENAÇÃO, OS ENVOLVIDOS NO PROJETO ASSISTEM A FILMES E PARTICIPAM DE JOGOS DRAMÁTICOS ONDE CRIAM SITUAÇÕES DE PERSONAGENS, CONSTRUINDO A INTIMIDADE COM A FALA E A ATUAÇÃO

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APAE DE JÚLIO MESQUITA É CONTEMPLADA PELO PROJETO VOLUNTARIADO BANCO DO BRASIL Repasse de R$70 mil foi direcionado à melhoria da arena de picadeiro e aquisição de equipamentos específicos

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econhecida pelo Conselho Federal de Medicina como método terapêutico, educacional e social, a equoterapia se consolidou como um importante recurso para promover a qualidade de vida da pessoa com deficiência. E na APAE de Júlio Mesquita não é diferente. Desde 2007 a entidade desenvolve a atividade básica de equoterapia. Sabendo da relevância desse trabalho, o Banco do Brasil local repassou R$70 mil para aprimorar a terapia na unidade de Júlio Mesquita. A verba, fruto do projeto Voluntariado Banco do Brasil, foi direcionada à melhoria da arena de

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picadeiro própria, de acordo com as exigências de segurança, aquisição de equipamentos específicos à prática, apoio as atividades e custear as avaliações médicas aos 18 pacientes que já praticam e aos outros 18 futuros praticantes de equoterapia. Com uma abordagem multidisciplinar que engloba fisioterapeuta, psicóloga, fonoaudióloga e auxiliar guia, a equoterapia em Júlio Mesquita conta com profissionais capacitados pela Ande Brasil (Associação Nacional de Equoterapia). Isso assegura a correta contribuição para o desenvolvimento biopsicossocial, pedagógico e de inserção social ao utilizar o cavalo como agente cinesioterapêutico. Estão envolvidos diretamente no projeto o presidente da entidade Marcos Antôno Zanini, a diretora Gilmara Ferreira Vieira e a assistente social Neide Rodrigues Cruz. De acordo com esses profissionais, os recursos do projeto melhoraram e ampliaram o atendimento de equoterapia visando a qualidade de vida dos assistidos possibilitando tratamento em habilitação e reabilitação aos que apresentam lesões neuromotoras, patologias ortopédicas congênitas ou adquiridas e com disfunções sensórias motoras. Na Educação houve a melhora no desempenho dos alunos com necessidades educativas especiais e na área social, a terapia favoreceu os usuários com distúrbios evolutivos ou comportamentais. Além do repasse, a APAE foi contemplada com o Curso de Equoterapia ministrado pela Ande Brasil, fator que contribuirá para aperfeiçoamento dos profissionais envolvidos e consequentemente ampliando os benefícios da terapia.


APAE EM DESTAQUE

APAE DE ITU

CONSTRÓI NOVA SEDE

Espaço terá três blocos, salas amplas e piscina para hidroterapia

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róxima de completar 50 anos de fundação, a APAE de Itu irá realizar um dos seus grandes sonhos: a sede própria. Após oito anos de trabalho a obra está em fase final de construção, com previsão de término para o último trimestre de 2016. O espaço que irá sediar a APAE conta mais de 14 mil m² e foi fruto de uma troca entre um empresário e a Prefeitura, que havia cedido outro terreno. Para viabilizar a obra a APAE promoveu eventos e contou com a doação de empresários, associados e de verbas arrecadadas via imposto de renda. De acordo com o idealizador e gestor da obra, Armando Micai, as novas instalações são adaptadas às necessidades dos assistidos e construídas em três blocos, subdivididos por área de atuação. “A proposta é oferecer salas mais amplas e adaptadas, assim como ampliarmos os atendimentos e espaços das oficinas de capacitação para o mercado de trabalho, com  cursos de informática, serigrafia, costura, panificação, entre outros”, explica Rodrigo Prévide, gerente geral da entidade.

PARA VIABILIZAR A OBRA A APAE PROMOVEU EVENTOS E CONTOU COM A DOAÇÃO DE EMPRESÁRIOS, ASSOCIADOS E DE VERBAS ARRECADADAS VIA IMPOSTO DE RENDA Um dos blocos conta com auditório, para momentos de lazer dos usuários, palestras, cursos, seminários e encontros. Já o bloco da Saúde terá salas de atendimento e integração sensorial, além de piscina para atendimento de hidroterapia. O terceiro bloco, do refeitório, tem estrutura para a organização de eventos, visando angariar fundos para a manutenção da entidade. “Os usuários, seus familiares, assim como todos que apoiam a causa apaeana, voltam felizes em cada visita que fazem a obra, pois sabem que sua nova APAE agora saiu do papel. Ontem sonho, hoje realidade”, afirma Rodrigo. APAE EM DESTAQUE • ANO 2016 • EDIÇÃO 13

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APAE EM DESTAQUE

GENERAL SALGADO DESENVOLVE

PROJETO DE TRUFAS

Alunos aprendem teoria e prática da produção do doce

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rufa. Aquele doce de chocolate, com várias possiblidades de recheio e apreciado por um grande público se tornou tema de oficina na APAE de General Salgado. A entidade está desenvolvendo um projeto em que 12 alunos acima de 15 anos produzem trufas. A oficina tem como objetivo desenvolver habilidades de coordenação motora e conhecimento dos produtos, além de qualidade, quantidade, tempo, higienização e valores. O grupo é orientado pela professora de sala, professora de artes e a coordenadora pedagógica. As atividades, teóricas e práticas, acontecem uma vez por semana, sempre na quinta-feira.

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A OFICINA TEM COMO OBJETIVO DESENVOLVER HABILIDADES DE COORDENAÇÃO MOTORA E CONHECIMENTO DOS PRODUTOS, ALÉM DE QUALIDADE, QUANTIDADE, TEMPO, HIGIENIZAÇÃO E VALORES De acordo com a diretora da APAE, Ana Lúcia Ferrari, as trufas produzidas pelos alunos do projeto são vendidas na própria entidade e no comércio local. O lucro é utilizado pela APAE em atividades que geram benefícios diretos aos alunos.


APAE EM DESTAQUE

PROJETO “FEITO POR NÓS” PREPARA ASSISTIDOS DA APAE DE JAGUARIÚNA PARA A AUTONOMIA Iniciativa contribui para o desenvolvimento pessoal e profissional dos envolvidos, facilitando a inserção no mercado de trabalho

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ncentivar a autonomia da pessoa com deficiência é sem dúvida um dos fatores mais importantes para a qualidade de vida da mesma. Preparar esse público para o mercado de trabalho contribui para assegurar tanto sua vida financeira, quanto pessoal, além da dignidade e igualdade. Foi pensando nos benefícios dessa ação que a APAE de Jaguariúna criou o projeto “Feito por nós”. Com início em 2014, o projeto segue a todo vapor em 2016, promovendo aprendizado e crescimento pessoal para dezenas de envolvidos. De acordo com a associação, o projeto tem como finalidade proporcionar aos atendidos melhoria na

qualidade de vida, promovendo a inclusão social e preparando-os para a autonomia. O projeto “Feito por nós” consiste na confecção de cadernos, blocos de anotação, caixinhas decoradas, chaveiros e outros, por meio dos atendidos. Além de aprender a manusear diversos objetos, a iniciativa pode contribuir para a inserção no mercado de trabalho. Segundo a direção da entidade, todos os produtos confeccionados são vendidos na instituição, nos eventos e em empresas da cidade. Toda a renda é revertida em passeios para os atendidos ao fim do ano letivo, que também contribuem para a inclusão social devido à aquisição de novas experiências, e para a sustentabilidade do projeto.

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APAE DE CAJATI INICIA

FISIOTERAPIA AQUÁTICA

Modalidade é indicada para tratamentos ortopédicos, neurológicos, reumatológicos e cardiovasculares

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fisioterapia aquática é um recurso da área da reabilitação que vem demonstrando resultados positivos no tratamento e na prevenção de várias deficiências e patologias, ampliando a perspectiva de recuperação para muitos pacientes. Sabendo disso, a APAE de Cajati, localizada no Vale do Ribeira, iniciou em

20 APAE EM DESTAQUE • ANO 2016 • EDIÇÃO 13

2016 a fisioterapia aquática, também conhecida como hidroterapia, na entidade. Atualmente, o tratamento aquático beneficia sete assistidos, atendendo pessoas com deficiência intelectual, múltipla e Síndrome de Menkes. Além da direção da entidade, participam do projeto uma educadora física e dois fisioterapeutas. De acordo com os profissionais envolvidos, a água pode oferecer maior resistência para certos


exercícios e reduzir a força de gravidade, diminuindo o peso do corpo. Isso faz com que a água reduza o impacto do exercício, diminuindo assim as possibilidades de desconforto. Um dos maiores benefícios da fisioterapia na água para os pacientes é o alívio da dor e relaxamento muscular. Além da sensação física, esse tipo de fisioterapia pode ser utilizado para pessoas com deficiência ou com deferimento em algumas áreas do desenvolvimento, sendo indicada para tratamentos ortopédicos, neurológicos, reumatológicos, cardiovasculares, entre outros. Nesses casos, diversos exercícios e alongamentos específicos são combinados para criar objetivos terapêuticos que são adaptados para cada paciente. Devido aos benefícios, a terapia na água pode ser personalizada para auxiliar no desenvolvimento do equilíbrio, da coordenação motora, bem como da caminhada. Pode contribuir também com a amplitude de movimento e agir como ferramenta para ensinar uma forma adaptada de natação para pacientes com deficiência ou lesões que proíbem a gama completa de movimento.

A TERAPIA NA ÁGUA PODE SER PERSONALIZADA PARA AUXILIAR NO DESENVOLVIMENTO DO EQUILÍBRIO, DA COORDENAÇÃO MOTORA E DA CAMINHADA, ALÉM DE CONTRIBUIR COM A AMPLITUDE DE MOVIMENTO

Em Cajati, a fisioterapia aquática é realizada em uma piscina terceirizada, aquecida a uma temperatura próxima à do corpo humano, preparada e adaptada para esta finalidade. Com foco na qualidade de vida da pessoa com deficiência, a APAE de Cajati pretende ampliar o número de assistidos nessa terapia. Ainda nesse segmento, a entidade anunciou que em breve estará trabalhando com o método PediaSuit, terapia conhecida pelos significativos avanços motores.

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APAE EM DESTAQUE

APAE DE BATATAIS INOVA COM CRIAÇÃO DE

DIRETORIA MIRIM

Além de despertar a humanidade, iniciativa pretende estimular o papel social dos jovens em prol da pessoa com deficiência

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ertamente você já ouviu alguém dizer que os jovens são o futuro da nação. Para a APAE de Batatais, essa frase nunca foi tão real como agora. Isso porque a entidade instituiu recentemente, uma Comissão Mirim, composta por jovens da comunidade batataense. Idealizada por Márcio Oliveira, diretor voluntário da instituição, a Comissão Mirim surgiu com objetivo de despertar a solidariedade, convidando jovens para atuarem em prol da pessoa com deficiência. “Ao conhecer o trabalho da APAE mais de perto, quis que meus filhos, uma adolescente e outro ainda criança, de alguma forma, pudessem participar e desenvolver o espírito de solidariedade e amor incondicional que a gente encontra por lá. Sugeri a criação de uma diretoria mirim, com presidente, vice e tudo mais, como forma dessas crianças e adolescentes promoverem ações em benefício de outras pessoas”, disse Márcio. Com uma proposta inovadora, o projeto de formação de uma Diretoria Mirim está em fase de estruturação. “A princípio existe a Comissão Mirim que está aprendendo como a APAE funciona, ou seja, áreas, atendimentos, públicos e qual é o papel da diretoria composta por voluntários”, explica o diretor afirmando que no início de 2017 será empossada a primeira Diretoria Mirim da APAE Batatais.

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PERCEBO QUE MUITAS PESSOAS CRIAM O CONCEITO DE QUE HÁ SOMENTE SÍNDROME DE DOWN OU DEFICIENTES FÍSICOS NA APAE, ENTÃO DESMISTIFICAR ISSO É UM DOS NOSSOS PAPEIS

Apesar de estar em fase de estruturação, a Comissão já desempenha um papel importante para a entidade. Nesse ano, uma das ações da comissão rendeu grande arrecadação de alimentos para a APAE. “A arrecadação foi uma das ações do projeto ‘Batatais, prazer em conhecer’ desenvolvido por eles, que envolve personagens importantes da cidade”, comenta Márcio. Além da gincana entre as escolas do município, o projeto envolveu uma redação, um concurso de cartazes e terá ainda um concurso de fotografia, sendo que todas as ações buscam chamar a atenção para a causa da pessoa com deficiência. Para Tatiana Edith Pozzo Bergoglio, que está na comissão desde 2015, fazer parte desta ação é ponto de partida para a mudança do olhar sobre as pessoas com deficiência. “Na escola pode


surgir alguma situação de brincadeira com a deficiência. Nesses casos nós explicamos como é a APAE e a importância que ela tem. Notamos que o pessoal acaba mudando o conceito, tanto é que na minha classe não vemos mais esse tipo de brincadeira”, relata. Além da mudança de conceito sobre o assistido, a comissão age para desmitificar a visão sobre a própria entidade. “Percebo que muitas pessoas criam o conceito de que há somente Síndrome de Down ou deficientes físicos na APAE, então desmistificar isso é um dos nossos papeis, pois a entidade engloba uma série de deficiências e serviços”, comenta Maria Clara Fonseca. Apesar de ser uma ação simples, a formação da comissão mirim tem surtido efeito significativo na cidade. “A princípio tínhamos um pequeno projeto e depois de todas as ações que realizamos o número de ingressantes na comissão tem aumentado bastante. Espero que no futuro toda a Batatais se conscientize do que é a diretoria mirim e do papel da APAE”, comenta Pedro Tofeti Barragana.

“Como o Pedro mesmo expôs, houve um aumento das pessoas querendo saber sobre a comissão porque estamos divulgando nosso trabalho e fazendo projetos. Quanto mais pessoas, mais projetos podemos fazer e consequentemente vamos ampliar esta transformação” comenta Antônia Cardoso Tofeti Duarte de Oliveira. Com quase 20 membros, a comissão mirim tem sido agente de transformação social na cidade de Batatais e contribui também para o amadurecimento pessoal dos envolvidos. “Posso dizer que minha vida se resume a antes e depois de comissão mirim. A partir do momento que eu entrei aqui passei a ver a vida com outros olhos, sem rótulos” comenta Olívia Porto. Segundo Márcio além de despertar a humanidade, a iniciativa pretende estimular o papel social desses jovens. “É uma maneira de prepará-los para continuar o nosso trabalho na APAE, e caso eles não queiram continuar por aqui, temos a certeza de que alguma ação social eles vão fazer, pois estão sendo estimulados a desenvolver este papel”, comenta.

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APAE EM DESTAQUE

GUAÍRA MOBILIZA

A POPULAÇÃO PARA O DIA MUNDIAL DE CONSCIENTIZAÇÃO AO AUTISMO Comércio da cidade decorou as vitrines com a cor símbolo da campanha

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om o objetivo de chamar a atenção da população para a causa, a APAE de Guaíra firmou uma parceria com a Associação Comercial e Industrial para uma grande mobilização do comércio local no dia mundial de conscientização ao autismo, comemorado em 02 de abril. Os comerciantes decoraram as vitrines das lojas com a cor azul, símbolo da campanha. Além disso, a APAE distribuiu fitilhos em diversos setores do Poder Público e os servidores municipais e a população usaram roupas ou laço azul durante a semana. A imprensa local divulgou todas as ações como forma de adesão a campanha. “Nosso propósito foi conscientizar a sociedade sobre a situação de pessoas com o espectro do autismo, que devem conviver socialmente. Segundo a

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Organização Mundial de Saúde, existem hoje no mundo mais de 70 milhões de pessoas com autismo e dois milhões no Brasil. Nós da APAE ficamos felizes com apoio recebido pelos lojistas, os servidores municipais e pela sociedade civil que aderiram à campanha”, declarou a presidente da APAE, Marivani Medeiros Carvalho Pugliesi. O autismo é um distúrbio com diferentes níveis de comprometimento. “Quanto mais precoce começar as intervenções, melhor o prognóstico. É importante procurar as terapias adequadas o quanto antes, porque o sistema nervoso poderá responder aos estímulos rapidamente”, explica Carla Bruno, diretora técnica da APAE. A campanha de Guaíra também se fortaleceu nas redes sociais. Muitas pessoas se vestiram de azul e compartilharam fotos no Facebook da APAE (facebook.com/apaedeguaira.apae).


APAE EM DESTAQUE

ARAÇATUBA INAUGURA CENTRO ESPECIALIZADO

EM AUTISMO

Espaço de atendimento conta com equipe técnica, diversas salas e casa pedagógica

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om uma metodologia diferenciada, a APAE de Araçatuba inaugurou no primeiro semestre de 2016 o Centro de Atendimento Especializado em Transtorno do Espectro Autista. O espaço conta com salas destinadas a oficina educacional e terapêutica, de integração sensorial, espaço para descanso, leitura e roda de conversa, além de salas individuais para atendimentos nas áreas de psicologia, fonoaudiologia, fisioterapia, terapia ocupacional e uma casa pedagógica mobiliada e organizada de maneira funcional para os pacientes do programa. A equipe de trabalho é composta por terapeuta ocupacional, fisioterapeuta, fonoaudióloga, enfermeiro, monitores, médico neurologista e psiquiatra. Como contrapartida da instituição os pacientes recebem atendimentos de informática, expressão corporal, educação física, apoio nutricional e de médico ortopedista.

De acordo com a APAE, o programa se tornou conhecido devido a uma abordagem educacional, interacionista, responsiva, motivacional e lúdica exclusiva na região. Esse serviço é acompanhado, supervisionado e direcionado pela psicóloga coordenadora do programa Andréia Barcellos. A abordagem é focada no relacionamento, em inspirar a pessoa com autismo a participar ativamente de relacionamentos sociais. “A motivação é a chave para o aprendizado, brincando apreendemos. Algumas crianças e adultos com autismo, quando abordados com inspiração, apreciação e entusiasmo, apresentam grande desenvolvimento de suas habilidades cognitivas, sociais, emocionais e motoras, assim como um aumento significativo de seu bem-estar. Sentir-se inspirado por uma pessoa com autismo é o primeiro passo para ajudá-la a desenvolver a motivação para aprender e para interagir socialmente”, explica a equipe da APAE.

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APAE EM DESTAQUE Capacitação CIF com o professor Mario Cesar Guimarães Battisti

BAURU INVESTE EM QUALIDADE NO TRATAMENTO

DE REABILITAÇÃO APAE está utilizando software para aplicação da Classificação Internacional de Funcionalidade

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Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, assinada em Nova York e ratificada no Brasil com valor constitucional, conceitua a deficiência através da funcionalidade. Dessa forma, a APAE de Bauru se adaptou ao

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novo modelo, avaliando deficiências, limitações e desempenho com base na perspectiva da estrutura e função do corpo e da vida da pessoa em sociedade, chegando a uma hipótese diagnóstica mais próxima do que o paciente vive realmente. Alinhando o novo modelo à filosofia de trabalho de reabilitação da APAE, a equipe técnica da organização começou a ser capacitada há dois


anos para utilizar nas avaliações de saúde a CIF (Classificação Internacional da Funcionalidade, Incapacidade e Saúde). Em 2015, efetivamente, começou a trabalhar estabelecendo a parceria para a utilização do sistema DESB online. Para Juliana Sigolo, coordenadora do setor de Avaliação, o sistema colaborou não só com o trabalho dos profissionais, mas com os próprios pacientes. “Às vezes eles chegam à instituição com a hipótese de uma patologia que não expressa a sua realidade e, após a avaliação, considerando os domínios da CIF, é possível ter informações para oferecer o tratamento mais adequado”, explica. De acordo com a APAE, o sistema é muito prático. O que acontece com o paciente fica registrado, gerando agilidade ao atendimento e garantia de contemplação de tudo o que foi observado durante a avaliação, ou seja, é possível para a equipe fechar relatórios completos e fidedignos, além de possibilitar a reavaliação com dados consistentes sobre o resultado do processo de reabilitação na vida da pessoa. A CIF é usada juntamente com a CID-10 (Classificação Internacional de Doenças, Décima Revisão) para fechar o diagnóstico do paciente, não somente para saber a patologia, mas também toda a limitação que pode causar. A CIF pertence à família das classificações internacionais e foi desenvolvida pela OMS (Organização Mundial da Saúde) para aplicação

A CIF É USADA JUNTAMENTE COM A CID-10 PARA FECHAR O DIAGNÓSTICO DO PACIENTE, NÃO SOMENTE PARA SABER A PATOLOGIA, MAS TAMBÉM A LIMITAÇÃO QUE PODE CAUSAR

em vários aspectos da saúde. As classificações internacionais da OMS proporcionam um sistema para a codificação de uma ampla gama de informações sobre saúde (diagnóstico, funcionalidade e incapacidade, motivos de contato com os serviços de saúde) e utilizam uma linguagem comum, padronizada que permite a comunicação sobre saúde e cuidados em todo o mundo, entre várias disciplinas e ciências. Nas classificações internacionais da OMS, os estados de saúde (doenças, perturbações, lesões, etc.) são classificados principalmente na CID-10, que fornece uma estrutura de base etiológica. A funcionalidade e a incapacidade associadas aos estados de saúde são classificadas na CIF. Portanto, a CID-10 e a CIF são complementares.

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CAPA 28 APAE EM DESTAQUE • ANO 2016 • EDIÇÃO 13


FEAPAES-SP PROMOVE EVENTO SOBRE

PROFISSIONALIZAÇÃO DA GESTÃO NAS APAES

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Encontro de Gestão Estratégica reuniu centenas de profissionais em Campinas

profissionalização da gestão é um dos temas mais tratados pela FEAPAES-SP (Federação das APAES do Estado de São Paulo) nos últimos meses. Para fortalecer o debate sobre esse assunto a organização promoveu, em abril, o I Encontro de Gestão Estratégica. Foram dois dias com palestras focadas em gestão e profissionalização do movimento apaeano. A abertura do evento, realizada no dia 08, contou com uma palestra do conferencista Roberto Shinyashiki, doutor em Administração e Economia pela USP (Universidade de São Paulo). Em sua apresentação, Shinyashiki abordou a modernização da gestão e motivação profissional nas APAES. A palestra está disponível, na íntegra, no site da FEAPAES-SP e no Youtube. (Confira entrevista exclusiva na página 36). O processo de eleição nas APAES foi tema da segunda palestra do dia. Ministrada pelo advogado Maurílio José Martin, procurador jurídico da FEAPAES-ES, a apresentação teve como objetivo discutir as principais dúvidas das APAES sobre eleições. O advogado destacou a importância de formar sucessores para o pleito. “A eleição deve ser preparada desde quando a equipe entra no seu mandato. Só assim você consegue ter gente compartilhando com as ideias e não ter aqueles problemas que geralmente acontecem na época das eleições de não ter pessoas para compor a diretoria. O ponto chave da participação no movimento são as pessoas com deficiência e as respectivas famílias”, disse.

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“A GESTÃO TEM QUE SER ASSOCIADA A UMA VISÃO ESTRATÉGICA PARA SABER ONDE SE QUER CHEGAR E TER UM PLANEJAMENTO”, RICARDO MONELLO

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Martin também abordou a eleição dos autodefensores. “É uma coisa muito simples de se fazer. Essa eleição acontece de três em três anos, geralmente na época da Semana da Pessoa com Deficiência e eles participam efetivamente”, explica. Para fechar o primeiro dia de evento a presidente da FEAPAES-SP, a advogada Cristiany de Castro, palestrou sobre a Lei Brasileira da Inclusão da Pessoa com Deficiência, que entrou em vigor em janeiro desse ano. A Lei é destinada a assegurar e promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais das pessoas com deficiência, visando à sua inclusão social e cidadania. A Gestão para o Terceiro Setor foi o tema central da palestra de abertura do segundo dia de evento. Os sócios da Audisa Auditores, Ricardo Monello e Carlos Silva trataram sobre gestão estratégica (liderança, capacitação e sustentabilidade), planejamento, captação de recursos, gestão financeira e orçamentária, regime tributário, governança, títulos e certificações. Para Ricardo Monello a palestra teve como objetivo conscientizar os participantes. “A gestão tem que ser associada a uma visão estratégica para saber onde se quer chegar e ter um planejamento. Falamos de várias áreas. A proposta foi que cada uma fosse reconhecida como importante para a entidade, que o gestor tenha um plano de ação específico para cada uma delas, inclusive com pessoas, prazos e formas para atender. Feito isso, ele vai ter um controle melhor, qualidade de atendimento, de funcionamento, redução de custos e consequentemente vai sobrar mais para aplicar na finalidade assistencial da entidade”, explicou. Silva e Monello também destacaram uma curiosidade na palestra. Muitas vezes as entidades gastam mais com pessoal do que empresas do mesmo setor. “Isso é uma coisa interessante. A gestão do RH de uma entidade tem que ser como em uma empresa: o profissional tem que ser reconhecido, bem tratado e dentro do orçamento da organização bem remunerado. A gente também percebe que as entidades muitas vezes até pela transitoriedade de quem exerce a direção vai deixando, a mão de obra vai se acomodando, ficando, inchando e aumentando o custo”, comentou Monello. A Estratégia de Captação de Recursos para Entidades do Terceiro Setor foi tema da segunda palestra do dia, com Francisco Guetti, especialista na área e que por muitos anos esteve à frente


da captação ativa com pessoas jurídicas e governo no GRAACC (Grupo de Apoio ao Adolescente e a Criança com Câncer). Guetti apresentou uma pesquisa em que 73% dos colaboradores afirmam que gostariam de trabalhar em uma empresa que ajuda a sociedade ou o planeta. De acordo com o palestrante, o Brasil está em queda no ranking mundial de doadores. Em 2009 o país ocupava a 54ª posição, quatro anos depois caiu para o 91º lugar. (Confira entrevista exclusiva na página 34). Para encerrar o evento, o professor José Alberto Tozzi, mestre em Administração de Empresas com ênfase no Terceiro Setor pela PUC-SP ministrou a palestra Governança e Alteração na Lei 13.204/2015. Tozzi acredita que possam ser enfrentadas dificuldades na implantação da Lei 13.019. “Eu vejo com bons olhos, só me preocupa o imediatismo da implantação, mas acho que vai contribuir para a melhoria nos processos e nos controles das organizações e, principalmente, tira um pouco da insegurança jurídica que até então existia, porque agora você tem uma lei específica para essas transferências voluntárias de recursos”, disse. O professor também manifestou apreensão quanto à remuneração de dirigentes. “É possível pela legislação, mas tem algumas preocupações do dia-a-dia, que é justamente ter o recurso para remunerar o dirigente, que passa a ser um custo fixo da organização e alguns outros problemas que ela pode ter com algumas titularidades, tipo CMDCA, COMAS. A minha principal preocupação é a entidade se comprometer a remunerar a diretoria e ter recursos para tanto. Isso precisa ser tratado estrategicamente no dia-a-dia da entidade”, comentou. Tozzi considerou a participação no evento positiva. “Achei excelente essa visão estratégica, uma coisa não tão comum no Terceiro Setor e que as entidades devem praticar ao longo da sua existência, até para a sua sustentabilidade. Estou a mais de 15 anos no setor e posso observar que está havendo uma forte evolução. A minha grande preocupação é: quem evolui e segue, sobrevive. E quem não faz isso? Pode sucumbir”, finalizou. Para Rafael Geraldino, da APAE Valinhos, participar do evento foi importante. “Vivemos um grande momento de transição no Terceiro Setor e se existe algo fundamental nessa hora é o conhecimento. É uma fonte de riqueza que toda organização precisa ter não só seu recurso humano, patrimonial, mas o seu conhecimento é

fundamental, aliado ao potencial da excelência de serviço, boa vontade”. A opinião positiva foi compartilhada por Edmar Moura, da APAE de Cajati. “Para nós é muito importante ver isso. São pessoas preparadas que estão nos preparando para encarar o atual cenário. Precisamos ter essa consciência de que é necessário organizar, ter um trabalho fortalecido, buscar nossos objetivos e colocá-los em prática”, afirmou. A importância da captação de recursos foi destacada por João Montes, da APAE Mogi das Cruzes. “Não sabemos até quando nós teremos esses subsídios de governos, prefeituras. É uma alerta. E um bom motivo para a gente pensar e buscar novas alternativas. Achei o evento muito rico em informações, palestrantes altamente especializados, capacitados. Isso, com certeza, vai enriquecer todos que passaram por aqui de uma maneira ou de outra”, disse. Marco Rogério de Carvalho, da APAE de Paranapanema, aproveitou o evento para planejar mudanças. “Vou emitir um relatório para a minha presidente, fazendo algumas sugestões de como poderia fazer mudanças exequíveis. É uma excelente oportunidade.” Todas as palestras do evento estão disponíveis no site da FEAPAES-SP, link Material para download.

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ENTREVISTA

A IMPORTÂNCIA DA CAPTAÇÃO DE RECURSOS NO TERCEIRO SETOR Após palestra no I Encontro de Gestão Estratégica, Francisco Guetti comentou um dos temas-chave do movimento apaeano

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aptar recursos, planejar, engajar voluntários. Assuntos que passam pela cabeça de profissionais e dirigentes do movimento apaeano todos os dias e que foram tratados nessa entrevista exclusiva da revista APAE em Destaque com Francisco Guetti, especialista em captação ativa com pessoas jurídicas e Governo.

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O que achou da experiência de conhecer um pouco mais do universo das APAES? Eu acho sempre importante estar conhecendo e representando o fortalecimento do Terceiro Setor. Poder passar experiência nada mais é do que o resultado para todos, tanto para nós, quanto para eles. Ver o que as APAES fazem, poder trazer informações e dar informações, é agregador a pequeno e médio prazo para todos nós.


Como mobilizar as APAES a investir em captação de recursos? Tem que ser feito um trabalho de desenvolvimento, educação, visão. Porque tem APAES que não tem o conhecimento, então você vai falar sobre captação ele já pensa em pessoas, contratação e às vezes não é isso, é tentar trabalhar com aquilo que tem dentro de casa. Nada melhor do que primeiro trabalhar dentro de casa, para depois conseguir recursos para fazer o segundo passo. Parece utopia, mas não, é o passo certo mesmo. Trabalhar primeiro em curto prazo e algumas coisas com visão de longo prazo. Por exemplo, essa APAE eu preciso trabalhar educação, a outra captação, fazer essa troca de experiência e às vezes colocar uma pitadinha com as entidades de referência que estão fora.

Qual a importância de planejar a captação? Não só planejamento por parte das APAES, mas também da Federação. A Federação ter um planejamento num escopo muito maior. Olhando as APAES todas por baixo: quais informações, o que a gente tem que fazer, qual tipo de critério para conseguir um resultado maior. Segundo: alinhar discurso com todas as APAES, que por mais que sejam descentralizadas precisam discutir a mesma coisa. Qual o fim? Qual a missão principal? Qual o papel? Como que é a atuação nas empresas? Por exemplo: Captação - fazer uma linha de captação para as pessoas entenderem. Começa a fazer uma abordagem única. Esse alinhamento parece doloroso no começo, mas é uma necessidade.

Como transformar o sonho da captação de pessoas físicas em realidade? O que estamos percebendo, que é a nossa história ao longo dos anos é: vale a pena ter uma estrutura de captação de pessoa física interna? Em viagens aos Estados Unidos vi que poderíamos terceirizar. Aqui a gente percebe que tem muito o lado do bairrismo. Também tem o lado de que eu não posso captar em outros lugares, etc. O que a gente percebeu é que podemos trabalhar pessoa física dentro da pessoa jurídica. Então a gente tem várias formas e é uma maneira de economizar energia. Têm empresas que têm 15 mil funcionários, 500  funcionários. São 500 pessoas físicas mais fáceis de trabalhar dentro de uma jurídica. Trabalhando essa jurídica, a tendência é um potencial maior. E a prestação de contas você não vai fazer para 500, 15 mil pessoas, você vai fazer para

uma empresa e ajudar eles a disseminar isso. A canalização de energia e o custo médio de ticket por trabalho executado se torna maior.

Qual a importância de prestar contas? O grande fator da prestação de contas está alinhado ao que a gente faz. Quando a gente pede doação escutamos que a pessoa fez doação por tinha que fazer e a pessoa que recebeu a doação fala obrigado, executa a ação e se a pessoa quiser mais informações acesse o meu site. Isso não quer dizer que ele vai garantir ou não garantir a doação, mas pensando em longo prazo pode ser que não tenha um aumento, um incremento, então as pessoas sempre ajudam com 10 reais. Lá no GRAACC nós tivemos casos assim, depois que fizemos a prestação de contas tem pessoa que fala: Nossa eu ajudo com 10 reais, mas agora posso ajudar com 50, 60. A gente não tinha noção que tinha essa capacidade de doação muito maior, mas o culpado não é o parceiro, o doador ou o investidor e sim a gente que não sabia como chegar nele para que ele entendesse a mudança nesse cenário. A partir do momento que ele olha “O GRAACC tá precisando de 90 milhões e eu estou ajudando com 10 reais por mês, 120 reais por ano? Não, eu vou ajudar mais”. Tem potencial para ajudar mais, mas para isso quem tem que fazer esse papel é a própria entidade. A prestação de contas é para não só mostrar o que você faz de verdade, mas potencializar e disseminar isso para aquelas pessoas que estão ao redor dele. Ele se torna uma pessoa mais engajada. A partir do momento que você está prestando contas, você está tendo mais relacionamento, está falando mais do projeto, acaba indiretamente engajando as pessoas. E quando você não fala acaba tendo uma relação fria. Vejo que a prestação de contas é um fator a ser bem trabalhado no Terceiro Setor.

Engajando essas pessoas elas podem se tornar futuros voluntários? Sempre. A partir do momento que você engaja, acaba determinando o que quer com ela. Você pode colocá-la como voluntária, mesmo física, pode ser voluntária em captação. A gente tem casos, por exemplo, que trabalham em empresas e na área comercial. Esses voluntários têm uma carteira de clientes e marcam reuniões com a gente em empresas que não temos contato. Muitas empresas que demorávamos anos para conseguir uma reunião, chegam através de um voluntário. É só mudar um pouco a cabeça que as coisas acabam acontecendo.

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ENTREVISTA

SHINYASHIKI “A APAE deve transformar o amor em resultados”

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édico psiquiatra e doutor em Administração e Economia, Roberto Shinyashiki é, hoje, um dos maiores conferencistas do país. Escritor de vários best-sellers, Shinyashiki vendeu mais de 7 milhões de exemplares e é reconhecido nos meios empresarial, acadêmico e popular. Após uma palestra no

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Encontro de Gestão das APAES, concedeu entrevista exclusiva para a revista APAE em Destaque.

Você diz que só o amor não é suficiente. Nas APAES as pessoas falam muito do amor. O que fazer? O amor tem que vir acompanhado de planejamento e organização, para que ele não se transforme em decepção. Isso vale em uma família,


“AS PESSOAS QUEREM TRABALHAR EM UM PROJETO QUE ELAS TENHAM ORGULHO, É FÁCIL DENTRO DA APAE CONSEGUIR ISSO”

na empresa e vale na APAE. Ás vezes, as pessoas quando casam pensam: “Nós nos amamos e vamos resolver tudo”. E quando elas se dão conta estão cheias de dívidas e começa aquele desespero de acusação. Esse é um momento importante, que esse movimento liderado pela Federação, de profissionalização, organização e gestão, é fundamental para que a APAE transforme o amor que existe dentro dela, no sentido de missão, em resultados para as famílias que são beneficiadas pela APAE.

Você comentou a importância das empresas evoluírem. Essa necessidade também se aplica às APAES, que há alguns anos correram o risco de perder os convênios das escolas de educação especial. A solicitação das pessoas, as necessidades, os desejos e os sonhos vão evoluindo. Quando nós vemos as instituições, as empresas do mundo, temos que perceber que as pessoas estão com novos desejos. Se a gente imaginar que a maior empresa de transporte do mundo, o UBER, não tem um carro, porque os motoristas e os clientes não precisam daquela estrutura. A maior empresa de hospedagem do mundo, a AIRBNB, não tem sequer um apartamento. Por que isso é possível? Porque as pessoas começam a ter interesse de ficar hospedadas em famílias para poder se relacionar e conhecer as pessoas do lugar. Quem não consegue ver essa mudança vai ficando para trás. A APAE está dentro desse mundo, de solicitações das pessoas e um dos desafios maiores que eu vejo na APAE é ser um centro de relacionamentos, onde as pessoas trocam ideias, oportunidades, informações.

No Brasil temos a cultura do chefe dizer aos funcionários não chegarem com problemas, mas com a solução. Como trabalhar essa mudança de mentalidade? O empresário tem essa mania no Brasil, não me venha com problemas, eu quero a solução. E ele

acaba dando o exemplo para os gestores da empresa dele de delegar o problema e a solução. Em medicina eu vejo isso, quando o caso é grave o médico mais experiente trata. E não quando o caso é mais grave vai para o estagiário resolver. O mais preparado, a pessoa mais graduada, a que está no topo da instituição tem que pedir os problemas. Eu começo minhas reuniões sempre com essa pergunta: “Gente, quais os problemas que vocês estão tendo que resolver?”. Porque eu sou a pessoa que tem mais conhecimento dentro da empresa. Certamente isso tem que mudar. Os gestores, os líderes, os presidentes têm que trazer os problemas para eles resolverem. Tenho um livro chamado “Problemas? Oba!” que mostra essa mudança de atitude.

No caso das APAES os dirigentes são voluntários e não tem muita disponibilidade. Como conciliar esse trabalho? Isso vai estar cada vez mais sendo cuidado pela contratação de profissionais competentes. Não tem problema (do dirigente) ter pouco tempo para a APAE. Tem problema se ele não tiver uma gestão profissional, um superintendente competente. Nós temos o exemplo de muitos empresários que vão uma ou duas vezes no mês ver a empresa. E porque ele consegue e o presidente da APAE não? Porque ele tem um paradigma que precisa criar sistemas, ter pessoas competentes, para que as pessoas toquem.

Como manter as pessoas motivadas? As pessoas querem trabalhar em um projeto que elas tenham orgulho, é fácil dentro da APAE conseguir isso, em uma empresa que aprendam e com um líder que admiram, quem falou isso foi o Bill Gates. Esse é o desafio da liderança, das instituições, manter gente competente dentro da empresa, trabalhando motivadamente.

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FEAPAES EM REVISTA

O SUCESSO DOS WORKSHOPS DO PROGRAMA APAE

EXCELÊNCIA

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Cerca de 90% das filiadas participaram das capacitações no primeiro semestre

rincipal foco da FEAPAES-SP em 2016, o programa APAE Excelência se tornou um sucesso consolidado no primeiro semestre. Nesse período, a Federação promoveu workshops nos 22 Conselhos Regionais com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento e crescimento das APAES e a capacitação continua

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de seus profissionais, garantindo assim a qualidade dos serviços prestados pelas filiadas. Mais de 1,3 mil profissionais do movimento apaeano participaram das capacitações entre os meses de fevereiro e junho. Os workshops contaram com adesão de mais de 90% das APAES e média de participação de 59 profissionais por edição. Os eventos são desenvolvidos com o objetivo de capacitar e orientar as APAES nas áreas


EQUIPE DA QUALIDADE – ASSISTÊNCIA SOCIAL: ELISA PARRA E MARLENE ALVES. EDUCAÇÃO: KARLA BORGES E KEILA STEFANI. GESTÃO: BRUNA FARIA E KARINA BELANGA. SAÚDE: CINTIA FACCIROLLI E LUCILA DE CASTRO

de ​​Assistência Social, Educação, Gestão e Saúde. Em todas as edições o workshop é segmentado em duas partes. No período da manhã os participantes acompanham a apresentação do programa e um panorama do movimento apaeano no Estado com as coordenadoras estaduais Eliete Travaini e Giuliana Baldon, que se revezam nas regiões. No período da tarde os profissionais se dividem por área de atuação e participam das orientações da equipe de Qualidade da Federação. A equipe é formada por oito profissionais com formação nas quatro áreas de atuação do movimento. Desse grupo, quatro colaboradoras ficam alocadas na Federação, realizando atendimentos às filiadas, e outras quatro desenvolvem as atividades presencialmente nos workshops. “A equipe da Qualidade conhece o cotidiano das APAES e foi capacitada para apresentar as orientações técnicas pautadas nos requisitos legais, estatutários, de boas práticas e excelência, desenvolvidas pelos Grupos de Trabalho”, explica Cristiany de Castro, presidente da Federação. Após participar do workshop do programa APAE Excelência as filiadas tem o prazo de 60 dias para enviar o Relatório de Implantação de Melhoria. Ao entregar o documento a APAE confirma sua participação contínua e em sequência recebe um certificado que atesta a iniciativa em buscar a melhoria contínua dos serviços através do programa. O APAE Excelência tem foco na profissionalização da gestão e na busca da excelência do

atendimento das APAES às pessoas com deficiência. “O programa foi formatado com base na metodologia PDCA (do inglês, planejar, fazer, checar e agir) e segue um ciclo contínuo de quatro etapas: estudo, capacitação, assessoramento e monitoramento”, explica Fernanda. No segundo semestre, o programa será direcionado aos Relatórios de Implantação de Melhoria, com acompanhamento contínuo da equipe da Qualidade e consultoria presencial quando necessário. Além disso, seguem as ações desenvolvidas nas áreas de estudo - com o aprimoramento de requisitos e desenvolvimento de pesquisas - e de capacitação, com a realização de cursos, workshops e palestras.

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FEAPAES EM REVISTA

FEAPAES-SP

PROMOVE 22 CURSOS NO PRIMEIRO SEMESTRE Mais de 1,3 mil profissionais do movimento apaeano participaram das capacitações

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m dos pilares do programa APAE Excelência é a capacitação e atualização contínua dos profissionais das APAES através de cursos e palestras. Cumprindo esse objetivo, a FEAPAES-SP promoveu de janeiro a junho 22 capacitações, que contaram com a participação de mais de 1,3 mil profissionais. Nos seis primeiros meses do ano foram realizados eventos nas quatro áreas de atuação do movimento apaeano: Assistência Social, Educação, Gestão e Saúde. Para possibilitar a participação de mais profissionais, a FEAPAES-SP promoveu capacitações regionalizadas. A palestra de serviços socioassistênciais no movimento apaeano, ministrada pela assistente social Fernanda Girardi foi realizada em seis cidades: Batatais, Bauru, Campo Limpo Paulista, Marília, Mogi das Cruzes e São Vicente. Na área de Assistência Social foram realizadas, ainda, capacitações sobre autodefensoria em Jaú e Sorocaba e a palestra “Habilitação e Reabilitação da Pessoa com Deficiência”, com Carlos Ferrari, em Franca. Outra capacitação repetida em diversas localidades foi o curso de Currículo Funcional Natural com a ortopedagoga Katrien Van Heurck. Os 22 Conselhos Regionais da FEAPAES-SP irão sediar esse curso em 2016. No primeiro semestre foram realizadas cinco edições: Guaratinguetá, Mogi das Cruzes, Mogi Mirim, Presidente Prudente e Ribeirão Preto. Assunto muito pautado pela FEAPAES-SP, a Gestão foi tema de um grande evento, o I Encontro

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NOS SEIS PRIMEIROS MESES DO ANO FORAM REALIZADOS EVENTOS NAS QUATRO ÁREAS DE ATUAÇÃO DAS APAES: ASSISTÊNCIA SOCIAL, EDUCAÇÃO, GESTÃO E SAÚDE

de Gestão Estratégica, em Campinas, e dos cursos de Planejamento Estratégico, em Araçatuba, e de Prestação de Contas, em Jaú. Profissionais da saúde também receberam orientações da FEAPAES-SP nos primeiros meses desse ano. As APAES de Registro e Taquarituba sediaram o workshop de Bandagem Terapêutica com foco no conceito de estimulação tegumentar. A capacitação foi ministrada pelo fisioterapeuta César Rálio, instrutor da Therapy Taping Association. Para encerrar o semestre, a FEAPAES-SP promoveu o I Fórum dos Direitos das Pessoas com Deficiência, em Franca. O evento contou com a presença de 300 pessoas e palestras de Vera Mendes, do Ministério da Saúde, e do deputado federal Eduardo Barbosa, presidente da Federação das APAES do Estado de Minas Gerais. A cobertura do evento está disponível no site e Facebook da FEAPAES-SP. Confira o agenda de eventos para o segundo semestre no site feapaesp.org.br, link AGENDA. Se inscreva para as capacitações no link INSCRIÇÕES PARA CURSOS.


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FEAPAES EM REVISTA

PROGRAMA APAE QUALIDADE DE VIDA E SAÚDE

É REFERÊNCIA NO ESTADO

Fruto de uma parceria entre FEAPAES-SP e Unicamp, projeto tem contribuído para a evolução do trabalho dos profissionais de educação física

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código de ética dos profissionais de Educação Física determina que é de responsabilidade do professor da área “elaborar o programa de atividades do beneficiário em função de suas condições gerais da saúde”. Atendendo as necessidades e solicitações desses profissionais, a Coordenadoria Estadual de Educação Física, Desporto e Lazer da FEAPAES-SP,

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organizou em 2013 um grupo de estudo (Colegiado de Esporte e Cultura) com profissionais das APAES e a parceria com uma equipe médica e de educadores físicos do Centro de Investigação em Pediatria da Unicamp com a intenção de desenvolver uma ferramenta simples, eficaz e padrão de avaliação física que possibilite aos profissionais e usuários uma margem de maior segurança. “O Projeto foi construído com o máximo rigor científico por meio de revisão sistemática da


“POR MEIO DA AVALIAÇÃO PODEMOS TER PARÂMETROS PARA TRABALHAR COM OS ALUNOS, ALÉM DE IDENTIFICAR POSSÍVEIS FATORES DE RISCO PARA O DESENVOLVIMENTO DE DOENÇAS”

literatura, baseando-se em estudos com elevado índice de impacto no cenário internacional”, comenta Roberto Antônio Soares, coordenador estadual de Esportes da FEAPAES-SP. Lançado oficialmente em maio de 2015, na Unicamp, o programa APAE Qualidade de Vida e Saúde é composto por três ferramentas de avaliação, sendo Ficha de Anamnese, Manual Técnico de Medidas e Avaliação e um Software. Instalado pela APAE de Guaíra ainda no ano de 2015, o programa tem contribuído para a evolução do trabalho dos profissionais de educação física. “Por meio da avaliação podemos ter parâmetros para trabalhar com os alunos, além de identificar possíveis fatores de risco para o desenvolvimento de doenças, auxiliar na melhora do condicionamento físico, no desempenho esportivo e qualidade de vida controlando seu percentual de gordura”, comenta Cláudia Almeida, professora de Educação Física da APAE de Guaíra, que atualmente conta com 140 usuários cadastrados no programa. Para Rodrigo Pedroso Bergamo, professor de Educação Física da APAE de Taquarituba que auxiliou na construção do projeto, o programa vai além da atuação do educador físico. “O programa é fundamental, pois unifica o trabalho dentro da instituição em todas as áreas de saúde, com isso a qualidade desse trabalho tende sempre a melhorar, visando resultado para os assistidos”, afirma. Agindo como plataforma multidisciplinar, o programa também tem priorizado metas e objetivos para a preservação da saúde dos assistidos da APAE de Sorocaba, que desde junho de 2015 já cadastrou 215 usuários. “Com os resultados das avaliações do ano de 2015 obtemos estatísticas importantes para realizarmos intervenções”, comenta Jociana Santos, professora de Educação Física da APAE de Sorocaba, acrescentando que “em 2016 as avaliações estão sendo realizadas no primeiro

semestre, e as estatísticas serão feitas posteriormente para um comparativo”. Disponibilizado para toda a rede apaeana do Estado de São Paulo, o programa demanda capacitação para ser aplicado. “Para apropriação dessas ferramentas os profissionais devem passar obrigatoriamente por uma capacitação, padronizando assim a metodologia de aplicação”, comenta Roberto. Diante da importância dessa ferramenta para o trabalho diário das APAES, a Federação está trabalhando na atualização do software do programa. Para Naylor de Oliveira, professor de educação física da APAE de Santo André, que atualmente conta com 385 alunos cadastrados, a expectativa é que o programa continue sendo prático. “Espero que a atualização faça com que ele continue sendo de fácil acesso e manuseio, pois hoje consigo elaborar atividades utilizando os parâmetros de segurança, com isso os alunos participam das atividades de uma forma segura”, pontua. Prevista para o segundo semestre desse ano, a atualização do software pretende melhorar a eficiência na leitura dos resultados da ferramenta. Segundo Roberto Soares, os procedimentos serão esclarecidos e divulgados posteriormente através do site da FEAPAES-SP. As APAES que ainda não fizeram a instalação do software do programa devem entrar em contato com a Federação e agendar um dia e horário para ser realizado de forma remota.

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TAUBATÉ SEDIA XIV FESTIVAL ESTADUAL NOSSA ARTE Evento terá 500 participantes de 43 APAES do Estado. Banda Detonautas fará show de abertura

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cada três anos o ciclo se inicia, os alunos das APAES se transformam em artistas e apresentam suas habilidades no Festival Nossa Arte. Em 2016, a etapa estadual chega a sua 14ª edição e será realizada em Taubaté de 13 a 16 de julho. 500 pessoas entre artistas, técnicos e acompanhantes de 43 APAES do Estado estão inscritas para participar do evento. O Festival terá apresentações em sete gêneros, sendo quatro de palco - dança, dança folclórica, artes musicais e artes cênicas; e três de exposição - artesanato, artes visuais e artes literárias.

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Organizado pela FEAPAES-SP e pela APAE de Taubaté com patrocínio master do VALE CAP, o Nossa Arte tem como objetivo incluir a pessoa com deficiência na sociedade através da arte, além de proporcionar o desenvolvimento da observação, sensibilidade, percepção e imaginação, abrindo oportunidades para que sejam profissionais e mostrem seus dons artísticos. Esse ano, a abertura do evento contará com uma atração musical. A banda Detonautas Roque Clube fará um show especial para os artistas das APAES e apoiadores do Nossa Arte. Além do show de abertura, os participantes terão diversas atividades culturais durante o evento. Estão programadas, ainda, duas festas para os artistas: uma a fantasia e outra julina, em ambas os alunos irão caracterizados.


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ARTISTA DE LIMEIRA VENCE CONCURSO DE

CARTÃO DE NATAL

O trabalho de Hudson de Souza será inscrito na etapa nacional do Concurso

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encedora do Concurso de Cartazes, a APAE de Limeira mostrou que tem talento para artes e conquistou, em maio, a primeira colocação no Concurso Estadual de Cartão de Natal promovido pela FEAPAES-SP (Federação das APAES do Estado de São Paulo). O resultado foi divulgado em Várzea Paulista, após análise de cinco jurados com formação em arte. A etapa estadual do Concurso contou com 16 inscritos. Os critérios para julgamento dos trabalhos foram: composição; originalidade; domínio técnico e trabalho de acordo com o tema.

O primeiro lugar ficou com o aluno da APAE de Limeira (Conselho de Nova Odessa), Hudson Roberto Gomes de Souza, de 16 anos. A segunda colocação foi para Danielle Girardi Pires, de 23 anos, aluna da APAE de Araçatuba (Conselho Regional de Penápolis). O terceiro lugar foi uma obra conjunta de dois alunos de Várzea Paulista: Jhonata, que fez a arte, e Emily, que pintou a obra. O corpo de jurados foi formado por: Alexandre Luís da Silva (Alex Roch), Edson Carneiro, José Moreira de Oliveira, Leandra Nunes e Marcela F. Gonçalves (Mazu). O cartão vencedor será inscrito na etapa nacional do Concurso e premiado na cerimônia de abertura do Festival Estadual Nossa Arte, em Taubaté. APAE EM DESTAQUE • ANO 2016 • EDIÇÃO 13

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VENCEDOR DA CAMPANHA APAE NOEL É DE MONTE ALTO (SP)

APAE vendeu o bilhete premiado e recebeu um veículo 0 Km

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APAE de Monte Alto foi a vencedora da campanha APAE Noel 2015. A entidade vendeu o bilhete sorteado para o primeiro prêmio e, consequentemente, também ganhou um carro 0 Km. O sorteio foi realizado pela Federação Nacional das APAES. O primeiro prêmio foi sorteado para o bilhete nº 673.029, que não foi vendido. Por aproximação, foi premiado o bilhete nº 672.666, adquirido pelo senhor José Luiz Marcussi, que recebeu um

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Fiat Pálio Fire, 1.0, 04 portas 0 Km. A APAE vencedora foi premiada com um Fiat Pálio Fire, 1.0, duas portas 0 Km. O segundo prêmio da campanha foi um Uno Vivace 02 portas sorteado para a APAE de Ilhéus (BA), o terceiro prêmio foi uma moto Dafra Apache 150cc para a APAE de Terra Rica (PR), o quarto uma moto Dafra Riva 150cc para a APAE de Chapada (RS) e o quinto para a APAE de Chapada (RS), uma moto Dafra Super 100cc. Esse é o segundo ano consecutivo em que a APAE de Monte Alto é premiada no APAE Noel.


Na campanha de 2014 a entidade vendeu o bilhete sorteado no segundo prêmio, um Fiat Pálio duas portas. “Em 2014 tivemos um envolvimento discreto na venda dos bilhetes. Divulgamos internamente para os familiares de todos os assistidos da APAE, colaboradores e diretores da Entidade. Recebemos então a notícia da premiação do 2º lugar e que um de nossos assistidos havia sido o ganhador. O que nos deixou muito motivados para organizarmos a campanha no ano seguinte. Em 2015 o envolvimento foi ainda maior. As famílias fortaleceram a campanha e realizamos um trabalho junto a comunidade de Monte Alto. Foi uma campanha muito boa, que resultou na venda de aproximadamente três mil bilhetes”, conta Simone Follador, diretora da APAE. Simone relembra a alegria que sentiu quando soube do resultado deste ano. “Quando recebi a ligação da FENAPAES nos informando a respeito do primeiro prêmio, a emoção tomou conta. O árduo trabalho realizado por todos durante a campanha, se transformou em um gesto concreto. Todos os envolvidos ficaram

muito felizes, e junto a comunidade realizamos a divulgação dos resultados, agradecendo a participação”, afirma. A diretora da APAE explicou que após reunião com a Diretoria Executiva e o Conselho de Administração, o carro foi direcionado para o uso nas atividades realizadas pela organização, como visitas domiciliares e atividades administrativas locais e regionais. “Além de colaborar muito para o deslocamento durante os eventos promovidos na cidade pela APAE”, completa. Além do prêmio para Monte Alto, o resultado do APAE Noel 2015 foi positivo para as 23 APAES do Estado de São Paulo que participaram da campanha. Juntas, as entidades venderam 25.350 bilhetes. A APAE de Americana foi recordista de vendas, com 10 mil bilhetes adquiridos. Em segundo lugar em volume de vendas ficou a APAE de Monte Alto. Itapira, Rio Claro e Sorocaba dividiram a terceira posição com dois mil bilhetes vendidos em cada APAE. Mais informações: http://www.apaebrasil.org.br/#/noticia/66248

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CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO DAS APAES SEGUE EM TRAMITAÇÃO

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Ação pretende estabelecer cláusulas para melhor adequação à realidade das APAES

m 2016, o Sindelivre, o Senalba e a Federação das APAES do Estado de São Paulo elaboraram uma Convenção Coletiva de Trabalho especialmente idealizada para as APAES do Estado de São Paulo, com melhores cláusulas para se adequar à realidade específica destas associações. “Trata-se de uma iniciativa importante, pois pela primeira vez as APAES terão um tratamento especial, com normas mais apropriadas, que buscam atender a seus fins institucionais tão nobres no auxílio às pessoas com deficiência”, comenta Cristiany de Castro, presidente da Federação das APAES do Estado de São Paulo, que também é advogada.

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Entre as cláusulas diferenciadas estão: reajuste salarial, pisos salariais iniciais para as categorias de profissionais que trabalham nas organizações, escala de revezamento, compensação de horas de trabalho, entre outras. A partir dessa Convenção ficará definido o enquadramento sindical, sendo as APAES filiadas ao Sindelivre e todos empregados das APAES filiados ao Senalba, independentemente de sua categoria, evitando-se assim, as confusões que ocorrem sobre qual sindicato cada empregado pertence. No dia 14 de maio, representantes do Sindelivre estiveram em Várzea Paulista para sanar dúvidas trabalhistas, bem como a questões relacionadas a esta Convenção Coletiva. De acordo com as partes, a Convenção Coletiva está aguardando aprovação dos sindicatos.


FEAPAES EM REVISTA

PARCERIA ENTRE

FEAPAES-SP E METODISTA

LANÇA PRIMEIRO CURSO DE CURTA DURAÇÃO Ação visa, além da profissionalização, oferecer preços mais acessíveis aos profissionais das APAES do Estado de São Paulo

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eferência educacional há mais de 70 anos, a Universidade Metodista possui grande experiência em especialização, principalmente no que se refere à Educação a Distância (EAD). Sabendo da necessidade de atualização constante dos profissionais das APAES e da demanda por flexibilidade, a FEAPAES-SP fechou uma parceria com a Metodista para promoção de cursos de curta duração e de especialização. Fechada em fevereiro desse ano, a parceria visa, além da profissionalização, oferecer preços mais acessíveis aos profissionais das APAES do Estado de São Paulo. O primeiro curso na modalidade à distância a ser lançado em julho é o “Currículo Funcional Natural: Didática de Ensino para Pessoas com Deficiência Intelectual que necessitam de apoio pervasivo”. O curso de curta duração terá a carga horária de 20 horas e contará com uma abordagem prática do currículo funcional, englobando os contextos da escola, família e comunidade. De acordo com o departamento de Desenvolvimento Institucional da Federação, a temática e a estrutura desse curso foram delineadas de forma a atender as demandas por qualificação e atualização dos profissionais das áreas de Assistência Social, Educação, Saúde e interessados em atuar no processo educacional de pessoas com deficiência intelectual acentuada, que necessitam de apoio pervasivo ao longo de suas vidas.

O CURSO TERÁ A CARGA HORÁRIA DE 20 HORAS E CONTARÁ COM UMA ABORDAGEM PRÁTICA DO CURRÍCULO FUNCIONAL, ENGLOBANDO OS CONTEXTOS DA ESCOLA, FAMÍLIA E COMUNIDADE.

Eliana Tresoldi, professora responsável pelo curso, possui Graduação em Pedagogia pelo Centro Universitário Claretiano de Batatais, especialização em Deficiência Mental (Intelectual) pela Universidade de Franca e pós-graduação em Educação Especial pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul. Atualmente, é professora de alunos com Transtorno Global de Desenvolvimento e coordenadora pedagógica na APAE Batatais. O certificado é emitido pela Universidade Metodista. As matrículas para o curso de curta duração estarão disponíveis no site da FEAPAES-SP e da Metodista a partir do mês de julho. Os cursos são abertos ao público em geral, mas o valor da mensalidade para os funcionários das APAES será reduzido. Segundo as partes, após o lançamento desse piloto haverá o investimento em outros cursos de extensão e em cursos de especialização em disciplinas correlatas.

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FEAPAES EM REVISTA

FEAPAES-SP E GERAES FIRMAM PARCERIA

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Empresa irá comercializar painel com desconto para as APAES de São Paulo

m painel assistivo com 11 teclas sensíveis ao toque e que substitui o teclado e mouse. Esse é o TiX, uma ferramenta inovadora desenvolvida pela Geraes, e que será comercializada para as APAES do Estado de São Paulo com 16% de desconto. A parceria entre FEAPAES-SP e Geraes também vai possibilitar o envio da ferramenta com frete grátis para as APAES. Além desse benefício, quatro filiadas foram contempladas com o painel assistivo: Batatais, Miracatu, Penápolis e São Caetano do Sul. A entrega do material foi realizada na APAE de São Caetano do Sul e contou com representantes das quatro entidades, além de profissionais da Federação e da empresa parceira. As quatro filiadas foram indicadas por estarem em regiões estratégicas do Estado e serem Conselhos de Administração da FEAPAES-SP, atuando como multiplicadoras da ferramenta. O TiX tem como objetivo tornar a informática acessível para pessoas com deficiências físicas,

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O TIX TEM COMO OBJETIVO TORNAR A INFORMÁTICA ACESSÍVEL PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIAS FÍSICAS, PARALISIAS, TREMORES, AMPUTAÇÕES

paralisias, tremores, amputações e outras limitações funcionais. Com o painel assistivo, a pessoa clica nas teclas em sequências duplas e consegue digitar todos os caracteres, pois a ferramenta possui teclas maiores. O painel dispensa o uso de software específico, basta plugar o aparelho em uma porta USB do computador. Para saber mais sobre o TiX, valores e encomendas, envie e-mail para institucional@feapaesp.org.br


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SETEMBRO VERDE

TERÁ PROGRAMAÇÃO ESPECIAL FEAPAES-SP planeja Seminário Integrado, jogos e desfile durante o mês

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m mês em que a inclusão social é o assunto principal. Esse é o objetivo do Setembro Verde, criado pela FEAPAES-SP e a APAE de Valinhos. Em seu segundo ano, a campanha terá uma programação especial para que a inclusão esteja presente no cotidiano das APAES e da comunidade. A cerimônia de abertura do Setembro Verde será realizada no primeiro dia do mês, na sede da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Na mesma data terá início a exposição ‘Arte Inclusiva’ com trabalhos de alunos das APAES e será feito o II Balanço Geral do Programa Estadual de Atendimento às Pessoas com Deficiência Intelectual. Durante a Semana da Pátria as APAES serão incentivadas a participar do desfile em suas cidades, vestir verde e levar mensagens de inclusão. Na semana seguinte, as ações da campanha terão foco em visitas de empresas amigas da APAE e instituições parceiras. No dia 21 está sendo programado um desfile inclusivo e nos dias 22 e 23 a segunda edição do Seminário Integrado das APAES. Na última semana,

É IMPORTANTE QUE AS APAES FAÇAM CONTATO NA CIDADE EXPLICANDO A CAMPANHA E PEDINDO APOIO AO SETEMBRO VERDE, QUE PODE SER ILUMINAR PRÉDIOS E ESTABELECIMENTOS DE VERDE, COLAR CARTAZES E DIVULGAR FOTOS E VÍDEOS

serão organizados jogos inclusivos e atividades de recreação entre as APAES e escolas de ensino regular. “É importante que as APAES façam contato na cidade explicando a campanha e pedindo apoio ao Setembro Verde, que pode ser iluminar prédios e estabelecimentos de verde, colar cartazes e divulgar fotos e vídeos apoiando a campanha e disseminando a importância da inclusão”, explica Cristiany de Castro, presidente da Federação.

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PARCERIA VIABILIZA

LIVOX PARA AS APAES DE SÃO PAULO 305 licenças do aplicativo serão doadas para as filiadas da FEAPAES-SP

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remiado pela ONU (Organização das Nações Unidas) como o melhor aplicativo de inclusão social do mundo, o Livox agora está disponível gratuitamente para as 305 APAES do Estado e a um preço reduzido para o público em geral. O aplicativo de comunicação alternativa permite que pessoas com deficiências que afetam a capacidade de fala possam se comunicar, assistir a filmes,

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ler e serem alfabetizadas. O software reproduz em áudio textos digitados através de teclado virtual ou oferece a construção de orações como “Eu quero…” seguido de opções como “brincar”, que, por sua vez, são sucedidos de botões com imagens e textos como “esconde-esconde”. A parceria firmada entre FEAPAES-SP e IWB/ LVX permitirá que as 305 APAES do Estado sejam contempladas com esse benefício; além disso, pessoas da comunidade interessadas em adquirir


o aplicativo terão 74% de desconto se mencionarem a APAE no ato da compra. A redução também será válida para as filiadas que desejarem adquirir mais licenças. A aquisição pode ser realizada pelo e-mail: livox.feapae.sp@gmail.com O primeiro ato da parceria, logo após a assinatura do Termo de Convênio, foi a doação de 22 tablets com o aplicativo aos Conselhos Regionais da FEAPAES-SP. “Espero que a gente possa mudar a vida de muita gente. Sei que muitas pessoas de baixa renda são atendidas pelas APAES e é por isso que fizemos parcerias e (buscamos) subsídios para permitir que elas possam ter acesso ao Livox e que isso possa também melhorar a qualidade de vida delas”, comenta Carlos Pereira, criador do aplicativo. “A gente espera que o Livox seja usado dentro das APAES primeiro para a inclusão e também para permitir que essas pessoas com deficiência possam aprender e se comunicar de forma mais eficaz”, completou. A utilização do aplicativo já está sendo estudada pelas filiadas. “Ele pode contribuir bastante, tanto para o apoio na sala de aula, quanto no

atendimento e desenvolvimento da comunicação das crianças com os pais e na vida social. Já tenho levantamento de alguns alunos com solicitações de professores para comunicação alternativa e o Livox vai cair bem para vários deles”, afirma Tatiane da Silva, da APAE de Várzea Paulista. Para incentivar a indicação do aplicativo o Livox lançou uma campanha de prêmios para as APAES. “Os prêmios variam a cada mês e o valor do prêmio pode ser resgatado em dinheiro caso não haja interesse no item. Serão doadas televisões, refrigeradores, computadores, mesa com cadeiras, entre outros itens”, explica Marina Salomão, coordenadora de Desenvolvimento Institucional da FEAPAES-SP. “Para contar na campanha as compras precisam ser efetivadas e a pessoa deve mencionar a APAE local no ato da aquisição. Em breve o Livox enviará aos Conselhos flyers e cartazes para que os mesmos sejam disponibilizados na secretaria ou recepção da APAE”, completa. Dúvidas podem ser sanadas pelo e-mail: institucional@feapaesp.org.br

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ENTREVISTA

A APAE PODE PROPOR O NOVO E DESENVOLVER ESTRATÉGIAS INOVADORAS EM

DEFESA DE DIREITOS

Carlos Ferrari fala sobre a tipificação dos serviços socioassistenciais e outros temas em entrevista exclusiva para a revista APAE em Destaque

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s objetivos da Assistência Social, caracterização dos serviços, tipificação, relação com as famílias e o trabalho com as diferentes idades. Temas do dia-a-dia das APAES que foram abordados nessa entrevista exclusiva com Carlos Eduardo Ferrari, membro titular do Conselho Nacional de Saúde, ex-presidente do Conselho Nacional de Assistência Social e secretário geral da Organização Nacional de Cegos do Brasil. Confira.

O que é Assistência Social? Assistência Social é uma política pública não contributiva, ou seja, todo o brasileiro tem direito. É uma política que assegura a todos os mínimos

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sociais, com vistas em atender as necessidades básicas desses cidadãos brasileiros.

Quais são os objetivos da Assistência Social? O primeiro objetivo é a proteção social, estruturar no país uma rede que proteja famílias em seus territórios para que elas não tenham situações de riscos sociais e vulnerabilidade que ameacem os vínculos comunitários construídos dentro da própria família. O segundo objetivo é a vigilância social, ou seja, acompanhar a capacidade dessa família como ente de proteção social de território, medir como isso é feito. O terceiro objetivo é a defesa de direito: fazer todo o conjunto de estratégias para que essas famílias e esses usuários possam acessar tanto as ofertas da


“AS ORGANIZAÇÕES E SUAS EQUIPES TÉCNICAS DEVEM PENSAR EM AÇÕES CRIATIVAS PARA QUE A GENTE SAIA DA CAIXINHA” Assistência Social quanto de outras políticas, numa perspectiva de que esse cidadão consiga acessar todos os direitos que estão assegurados na Constituição.

Falando sobre caracterização dos serviços em básica, média e alta complexidade. O que a APAE pode desenvolver dentro desses três âmbitos? Primeiro, a APAE pode se configurar como uma referência na habilitação e reabilitação da pessoa com deficiência. Ela pode construir um caminho para isso na medida em que constitui uma identidade e indicadores. A APAE pode propor programas, como está na Resolução 34, que qualifiquem os serviços já tipificados, ela pode fazer alianças com os Conselhos Municipais e quem sabe pensar em programas que qualifiquem esses serviços tipificados que ela já oferta em muitos municípios. E a APAE pode propor o novo, ou seja, a partir do que a gente já tem tipificado, ela pode desenvolver estratégias inovadoras de qualificar ainda mais essas ofertas de defesa de direitos.

Quais profissionais podem trabalhar na equipe de referência na área de Assistência Social? Na Resolução 17 de 2011, que estabelece categorias profissionais de acordo com o nível de proteção, nós temos profissionais de nível médio e o superior. Entre eles: assistente social, psicólogo, terapeuta ocupacional, economista doméstico, musicoterapeuta, contador e advogado.

Algumas APAES enfrentam dificuldades na forma que são caracterizadas nos Conselhos. Como isso pode ser trabalhado? Os Conselhos não caracterizam as APAES, que são entidades autônomas e tem total condição de se colocar junto aos conselhos, apontando sua missão. Eu entendo que este esforço que foi feito aqui hoje (na palestra realizada em Franca), de discutir a habilitação e reabilitação no ramo da assistência, pode ser um passo importante para que as APAES compreendam melhor o que os Conselhos estão demandando delas e também que ela possa falar melhor a língua da Assistência Social. Muitas vezes ela já está fazendo alguma coisa da Assistência Social, mas não sabe dizer isso, então informações como essa são muito importantes.

Em geral, o que os Conselhos demandam das APAES? Eles demandam da rede e as APAES fazem parte da rede. Eles demandam estratégias que estimulem a convivência, a acolhida, o desenvolvimento e a autonomia. Demandam a articulação de programas de transferência de renda, de benefícios ofertados e serviços que já existem na rede, a execução de programas que promovam o encaminhamento do jovem para o mercado de trabalho, que estimulem a ida da pessoa com deficiência à escola. Essa é a expectativa dos Conselhos de políticas de direitos.

Como trabalhar com as famílias? O grande pulo do gato de se ter uma política que tenha família, que a traga para a centralidade, é entender que a família é o ente fundamental para assegurar a proteção social para os indivíduos dentro de uma comunidade. É importante que toda a oferta que seja pensada não tenha foco exclusivamente no sujeito que está ali no serviço, a família é parte integrante da concepção do serviço, então ela também precisa ser acolhida, considerada no momento de se pensar as estratégias de convivência familiar e comunitária, e também precisa ser levada em conta quando eu penso em estratégias para articular serviços e benefícios. O desafio não é apenas receber bem a família quando ela vai levar ou trazer o menino, mas entender que a família faz parte da minha oferta.

Como trabalhar com todas as idades? Acho que isto está posto, inclusive no reordenamento da tipificação e na Resolução 34. Isso é algo que nos cabe e o grande desafio é pensar em estratégias modernas que permitam esse fazer. Eu entendo que essa não é uma resposta simples, ela depende de muito debate técnico entre os profissionais de diversas áreas, mas ela se materializa com programas específicos que coordenem interesses que estimulem a complementariedade de faixas etárias distintas. Isso, em resumo, é o norte que deve ser perseguido e que deve se utilizar aqui. As organizações e suas equipes técnicas devem pensar em ações criativas para que a gente saia da caixinha, de trabalho com o público de faixas etárias específicas.

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FEAPAES EM REVISTA

FEDERAÇÃO NACIONAL PARTICIPA DE REUNIÃO EM VÁRZEA PAULISTA

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om o objetivo de discutir ações de captação de recursos e estreitar o relacionamento entre Federação do Estado e a Nacional, a diretoria da FENAPAES (Federação Nacional das APAES) participou, em maio, da reunião ordinária da FEAPAES-SP em Várzea Paulista.

A reunião contou com a presença da presidente da FENAPAES, Aracy Lêdo, do vice-presidente José Turozi, do primeiro diretor financeiro Unírio Bernardi e de Roberto Salaberry, da Controladoria. Na oportunidade estiveram presentes 21 dos 22 Conselhos Regionais da FEAPAES-SP.

APAES RECEBERÃO MAIS DE 1,3 MIL CADEIRAS DE RODAS

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parceria de sucesso entre FEAPAES-SP e a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias irá beneficiar milhares de atendidos das APAES em 2016. A previsão é que até o final desse ano seja feita a doação de mais de 1,3 mil cadeiras de rodas, 196 andadores, 79 bengalas e 25 muletas. Serão beneficiados assistidos de 135 APAES do Estado de São Paulo e de seis organizações de Assistência Social de Franca. “A população idosa está cada vez mais debilitada por conta da falta de recursos. A doação dessas cadeiras vai melhorar muito a qualidade de vida deles”, comentou Ana Paula Santos, assistente social do Lar de Ofélia.

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FEAPAES EM REVISTA

PARCERIA COM A COOP RENDE MAIS DE R$ 150 MIL NO PRIMEIRO TRIMESTRE Dez APAES receberam repasses da campanha Troco do Bem e revista COOP

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parceria de sucesso entre FEAPAES-SP e COOP (Cooperativa de Consumo) nas campanhas Troco do Bem e revista COOP continua rendendo bons frutos. No primeiro trimestre de 2016 foram destinados mais de R$ 150 mil para a Federação e dez APAES localizadas na área de atuação da cooperativa: Diadema, Mauá, Piracicaba, Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, São José dos Campos, São Paulo, Sorocaba e Tatuí. Sucesso de participação, a campanha Troco do Bem rendeu mais de R$ 90 mil reais de janeiro a março desse ano. A unidade recordista de arrecadação foi a COOP de Mauá. Nos três meses de referência foram vendidas 64.454 exemplares da Revista COOP, que resultaram em mais de R$ 60 mil para as APAES. Na campanha Troco do Bem os consumidores da cooperativa são incentivados a doar pequenas quantias do troco de suas compras para a Federação. Já no programa Revista COOP R$ 1,00 do valor da venda de cada exemplar da publicação

SUCESSO DE PARTICIPAÇÃO, A CAMPANHA TROCO DO BEM RENDEU MAIS DE R$ 90 MIL REAIS DE JANEIRO A MARÇO DESSE ANO é repassado para a FEAPAES-SP e, posteriormente, às filiadas. Vendida ao público pelo preço de R$ 2,30 e com uma tiragem mensal de 15 mil exemplares, a Revista COOP tem 100 páginas de conteúdo de saúde, comportamento, beleza, roteiros turísticos e páginas dedicadas à receitas assinadas por chefs de cozinha e culinaristas. Com sede na cidade de Santo André, a COOP é a maior cooperativa de consumo da América Latina e tem como objetivo prestar um serviço à sociedade, promovendo o cooperativismo, a sustentabilidade e a responsabilidade social. A cooperativa conta, atualmente, com 28 unidades no Estado de São Paulo.

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POLÍTICA EM DESTAQUE

CONVÊNIO DA EDUCAÇÃO É TEMA DE REUNIÃO DA FEAPAES-SP EM SÃO PAULO

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umprindo a missão de representar o movimento apaeano nos organismos estaduais, a FEAPAES-SP se reuniu no final de maio com profissionais da Secretaria Estadual da Educação, em São Paulo. O encontro tratou do convênio da educação das APAES com a Secretaria, que atualmente beneficia mais de 20 mil alunos com deficiência intelectual e autismo de 258 APAES do Estado. Agendada a pedido da Federação, a reunião teve como objetivo tratar da manutenção da parceria e buscar viabilidade para o reajuste do valor do per capita, que não é atualizado desde 2014. Conforme levantamento realizado pela Federação, algumas APAES estão dando contrapartida superior a 40%.

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Outros tópicos abordados no encontro foram a ampliação da parceria para atendimento a um número maior de autistas e a necessidade de aumento do número de vagas nas escolas de educação especial. “A limitação numérica imposta pela Secretaria tem inviabilizado atendimentos. Existem APAES com fila de espera e atendendo alunos sem convênio”, explicou Cristiany de Castro, presidente da FEAPAES-SP. O grupo formado por membros da diretoria, profissionais e coordenadores da Federação pediu ainda a revisão de procedimentos previstos no documento orientador publicado no Boletim CGEB nº 128 e a continuidade da parceria existente com a Secretaria, nos termos da Lei nº 13.019, visto que as APAES são especializadas no atendimento a alunos com deficiência.


POLÍTICA EM DESTAQUE

FEAPAES-SP APRESENTA PLEITOS A INTERLOCUTOR

DO GOVERNO FEDERAL

P

rofissionais e dirigentes da FEAPAES-SP se reuniram no final de maio, na sede da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), com o tenente-brigadeiro-do-ar Aprígio Eduardo de Moura Azevedo. O encontro teve como objetivo apresentar pleitos do movimento apaeano do Estado de São Paulo para o Governo Federal. Dentre as pautas, estão solicitações nas áreas de Assistência Social, Educação e Saúde, além da inclusão da FEAPAES-SP na Comissão da Rede Intersetorial de Reabilitação Integral, instituída pelo Decreto 8.725 de 27 de abril de 2016. Estiveram presentes na reunião a presidente da FEAPAES-SP Cristiany de Castro, a diretora secretária Patrícia Miranda, o diretor secretário Celso Pegorin, o diretor social Paulo Arantes, a coordenadora estadual de Educação Carmem Cestari, a coordenadora de Educação Profissional Giuliana Baldon e a superintendente Fernanda Gomes. Na área de Assistência Social, a FEAPAES-SP solicitou uma definição de política pública que contemple os direitos das pessoas com deficiência intelectual e a revisão de valores da per capita em parcerias. Em Educação, foi requisitada a revisão da política pública, a fim de não excluir a participação das escolas de educação especial e mantendo as parcerias existentes. A FEAPAES-SP se colocou à disposição para parcerias em educação especial para o trabalho e no Atendimento Educacional Especializado, conforme Portaria 243 de 15 de abril de 2016.

DENTRE AS PAUTAS, ESTÃO SOLICITAÇÕES NAS ÁREAS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL, EDUCAÇÃO E SAÚDE, ALÉM DA INCLUSÃO DA FEAPAES-SP NA COMISSÃO DA REDE INTERSETORIAL DE REABILITAÇÃO INTEGRAL

Na Saúde, área com mais pleitos, a Federação pretende firmar parcerias e convênios, principalmente na ampliação do atendimento a casos de microcefalia; ampliar a rede de órteses, próteses e meios auxiliares de locomoção; e aumentar a quantidade de exames complementares de alto custo para a definição adequada das condutas terapêuticas. Além disso, foi solicitada maior facilidade dos procedimentos de saúde para que as pessoas recebam de pronto os materiais, medicamentos, dietas específicas e equipamentos de alto custo, entre outros; a revisão dos critérios de financiamento do Fundo Nacional de Saúde, pois atualmente não é permitida a compra de materiais e equipamentos que atendam as novas tecnologias de reabilitação. A FEAPAES-SP pleiteou ainda a revisão dos procedimentos do SUS para pessoas com deficiência, reajustes dos valores pagos e a definição de política pública para pessoas com doenças que determinam acompanhamento ao longo da vida, implicando em custos permanentes

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ARTIGO

SAÚDE MATERNO INFANTIL

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s cuidados com a gravidez devem começar antes de seu início, o planejamento da gestação é de fundamental importância para saúde materna e fetal, uma vez que previne uma série de patologias e intercorrências que podem ser prejudiciais à mãe e à criança. Algumas medidas são essenciais (tanto para as futuras mamães, quanto para os futuros papais) para buscar uma gravidez saudável: Antes de interromper o método contraceptivo alguns hábitos devem ser mudados, tais como o tabagismo, etilismo e uso de substâncias ilícitas. Esses hábitos apresentam potencial efeito tóxico ao sistema nervoso central do feto, levam o potencial risco de malformações congênitas, assim como a alterações de seu desenvolvimento pôndero estatural. Há descrição de diminuição de fertilidade feminina e da qualidade do sêmen pelo uso de cigarro.

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Cuidados com a gestação Além disso, o tabagismo pode levar a má nutrição fetal, levando a restrição do crescimento intrauterino da criança, maior risco de prematuridade e baixo peso ao nascer. A ingestão de álcool também apresenta risco ao feto. Não há dose segura para consumo do álcool durante a gestação, sabe-se que seu efeito teratogênico é mais importante no primeiro trimestre, mas não é limitado a esse período, podendo ocorrer em qualquer momento da gravidez. Os efeitos deletérios podem variar desde baixo peso ao nascer e dificuldade de concentração, até abortamento, má formação do sistema nervoso central ou síndrome alcóolico fetal (quadro grave bastante comum na prática neuropediátrica). O uso de drogas ilícitas como crack, cocaína, maconha, pode levar a alterações do fluxo sanguíneo placentário, levando a má nutrição fetal e hipóxia. Há também a possibilidade de efeitos mal formativos e sangramentos, condições que podem levar a


PARA AS FUTURAS MAMÃES É MUITO IMPORTANTE ESTAR EM DIA COM OS EXAMES GINECOLÓGICOS DE ROTINA, PROCEDIMENTOS ODONTOLÓGICOS(HÁ MAIOR PREDISPOSIÇÃO A GENGIVITE DURANTE A GRAVIDEZ) E REALIZAR CONTROLE DE PESO

atraso global do desenvolvimento neuropsicomotor da criança, bem como alterações do comportamento da mesma. Para as futuras mamães é muito importante estar em dia com os exames ginecológicos de rotina (mamografia, Papanicolau), procedimentos odontológicos (há maior predisposição a gengivite durante a gravidez). Deve-se também realizar controle de peso, o excesso de peso ou baixo peso materno podem levar a problema de fertilidade, diante disso, é importante manter IMC (Índice de Massa Corpórea) adequado. Atividade física, tais como caminhada, hidroginástica, yoga, pilates e outras práticas esportivas são benéficas durante a gestação e ajudam a diminuir o ganho de peso, varizes, dores lombares e ansiedade (problemas comuns durante a gravidez). O ideal é que a prática esportiva seja iniciada antes da gravidez. Realizar exames pré-concepcionais como hemograma, tipo sanguíneo (avaliar risco de incompatibilidade ABO entre mãe e feto) e RH (importante para evitar isoimunização RH para as próximas gestações, no caso da mãe ser RH negativo e o pai positivo), glicemia de jejum (avaliar risco para diabetes gestacional), sorologias (rubéola, citomegalovírus, HIV, toxoplasmose, hepatite B, sífilis) também deve fazer parte das preocupações ao se pensar em engravidar. Deve-se ainda diminuir ingestão de cafeína (café, chá preto, branco, verde e refrigerante tipo cola) pelo relato de maior incidência de baixo peso ao nascer e prematuridade em função do efeito vasoconstritor da mesma. Além disso, promove diminuição da absorção do ferro e afeta negativamente a fertilidade. Evitar alimentos crus durante a gestação (sushi, sashimi, carpaccio, quibe cru), evitar manipular fezes de animais, lavar muito bem as mãos e saladas cruas. São cuidados que minimizam o risco de toxoplasmose. Outra medida importante é iniciar uso de ácido fólico três meses antes de interromper o método contraceptivo e mantê-lo até o terceiro mês de gestação. O ácido fólico atua na proteção contra defeitos do

tubo neural no feto, fenda labial/palatina, cardiopatia e síndrome de Down, além de diminuir a atividade trombolítica e o risco de abortamento. Há também relato de contribuir na prevenção de diabetes gestacional tardia e atuar na expressão dos genes que facilitam o aparecimento de câncer de mama e cólon intestinal, diminuindo o risco do surgimento destas patologias. Suplementação vitamínica (C, D, E), que também deve ser iniciada três meses antes da interrupção do método contraceptivo e mantida até ao menos três meses de gestação. A vitamina C apresenta ação antioxidante, melhorando a resposta imunológica, sua deficiência na gestação pode relacionar-se a risco aumentado de aborto, prematuridade e descolamento precoce de placenta. Vitamina E também apresenta ação antioxidante, protegendo os tecidos do corpo, atuando beneficamente em pacientes com dificuldade reprodutiva. A vitamina D, por sua vez, tem importância para o sistema imunológico, crescimento ósseo, atuando na absorção do cálcio. Atualmente, há uma preocupação muito grande com o vírus Zika durante a gestação e considerando-se que não há vacina para a prevenção, somente tratamento de sintomas uma vez que o indivíduo esteja infectado, a orientação principal é de controle do vetor (Aedes aegypti), eliminando foco de proliferação do mosquito. Outra medida é proteger-se deixando o mínimo de pele exposta e com o uso de repelente. Para as gestantes os repelentes indicados são aqueles à base de Icaridina, DEET e IR3555. Os repelentes ligados à tomada de luz elétrica podem ser utilizados desde que estejam a mais de 2 metros da gestante. A consulta com obstetra deve ser feita assim que a decisão de engravidar for tomada, para que todas essas medidas sejam iniciadas e o primeiro passo para uma gestação saudável seja dado.

Dra. Daniela Collaço Casolaro Neuropediatra – APAE de Jundiaí CRM 105215

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ARTIGO

NOVO MARCO REGULATÓRIO

DO TERCEIRO SETOR 60 APAE EM DESTAQUE • ANO 2016 • EDIÇÃO 13


A

Lei Federal 13.019 que ficou conhecida como marco regulatório das organizações da sociedade civil, traz um conjunto de regras próprias para as parcerias entre o poder público e as organizações da sociedade civil. Ela tem caráter nacional, impactando diretamente União, Estados e Municípios. A legislação estabelece o regime jurídico para as parcerias celebradas entre a administração pública e organizações da sociedade civil, em regime de mútua cooperação, para a consecução de finalidades de interesse público e recíproco, mediante a execução de atividades ou de projetos previamente estabelecidos em planos de trabalho inseridos em termos de colaboração, em termos de fomento ou em acordos de cooperação. Aplica-se à administração pública (órgãos, autarquias, fundações públicas e as empresas públicas e sociedades de economia mista prestadoras de serviço público e suas subsidiarias) que firmam parcerias com as OSC (Organizações da Sociedade Civil), e definindo como deverá ser a relação jurídica entre eles nos casos de transferências de recursos para a execução de projetos de interesse público. As OSCs são pessoas jurídicas de direito privado sem fins lucrativos que não distribuem entre os seus sócios ou associados, conselheiros, diretores, empregados, doadores ou terceiros, eventuais resultados, sobras, excedentes operacionais, brutos ou líquidos, dividendos, isenções de qualquer natureza, participações ou parcelas do seu patrimônio, auferidos mediante o exercício de suas atividades, e que o aplique integralmente na consecução do respectivo objeto social, de forma imediata ou por meio da constituição de fundo patrimonial ou fundo de reserva. Frisa-se que a APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) é considerada Organização da Sociedade Civil. O novo marco regulatório apresenta em sua legislação todas as disposições importantes sobre as disposições gerais do projeto, planejamento, seleção e celebração de parcerias, as regras para a execução de parcerias, os critérios de monitoramento e execução das parcerias, os critérios de monitoramento e avaliação, dados e informações sobre as prestações de contas, participação social, exigências de transparência e divulgação das ações realizadas, capacitação e disposições finais.

OS TERMOS DE COLABORAÇÃO E FOMENTO SÃO INSTRUMENTOS UTILIZADOS PARA FORMALIZAR A PARCERIA ENTRE A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA COM A OSC, PARA A CONSECUÇÃO DE FINALIDADES DE INTERESSE PÚBLICO E RECÍPROCO

É importante, salientar que a administração pública pode realizar transferências de recursos para as OSCs, porém, será feita com o objetivo de que sejam realizados planos de trabalho em regime de mútua cooperação. O marco regulatório traz três modalidades de parceria entre a Administração Pública e as entidades do terceiro setor: o ‘Termo de Colaboração’, o ‘Termo de Fomento’ e o ‘Acordo de Cooperação’. Essas modalidades de parceira foram criadas para substituir os convênios, que passarão a ser utilizados apenas para relação do governo federal com os estados e municípios, ou seja, entre entes públicos, e para as parcerias com as organizações que atuam na área da saúde. Os termos de colaboração e fomento são instrumentos utilizados para formalizar a parceria entre a administração pública com a OSC, para a consecução de finalidades de interesse público e recíproco. Os termos de colaboração são propostas realizadas pela administração pública para as OSCs, e os termos de fomento são as propostas feitas pelas organizações para a administração pública, ambas envolvem a transferência de recursos financeiros, enquanto o acordo de cooperação é uma parceria que não envolve transferência de dinheiro. O chamamento público é o procedimento adotado pela Lei 13.019, que funcionará como um processo seletivo, destinado a selecionar a organização civil que será mais eficaz para executar o Plano de Trabalho e assim receber as transferências voluntárias dos recursos. A lei estabelece que o órgão público deverá indicar no edital as ações que pretende alcançar, o interesse público envolvido, o diagnóstico da realidade que pretende transformar, os benefícios e os prazos de execução da ação. Caberá a organização, por sua vez, elaborar cuidadosamente seu plano de trabalho, prevendo os

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Érika Faria objetivos, as metas, os custos, as atividades e os profissionais envolvidos em cada etapa. O plano de trabalho bem elaborado atendendo todas as exigências do edital é ponto fundamental para a realização de uma boa parceria. Portanto, OSC que for selecionada pelo chamamento público deverá celebrar o “termo de colaboração” ou “termo de fomento” com a administração pública. A parceria somente produzirá seus efeitos após o termo ou acordo for publicado em meio oficial de publicidade da administração pública. É permitido que duas ou mais organizações da sociedade civil se unam em rede para a execução de iniciativas de projetos. Assim, o trabalho das entidades que desenvolvem projetos em conjunto será reconhecido como atuação em rede. Para que as OSCs atuem em rede, elas devem especificar em seu projeto em quais atividades que cada uma irá desempenhar, sendo uma delas a responsável pelo projeto como um todo. Sobre a dispensa do chamamento público, a administração poderá dispensar a realização do mesmo no caso de urgência decorrente de paralisação ou iminência de paralisação de atividades de relevante interesse público, pelo prazo de 180 dias; nos casos de guerra, calamidade pública, grave perturbação da ordem pública ou ameaça à paz social; quando se tratar da realização de programa

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de proteção a pessoas ameaçadas ou em situação que possa comprometer a sua segurança e nos casos de atividades voltadas ou vinculadas a serviços de educação, saúde e assistência social, desde que executadas por organizações da sociedade civil previamente credenciada pelo órgão gestor da respectiva política. A Lei prevê também a inexigibilidade de chamamento público, ou seja, não será exigido em hipótese de inviabilidade de competição entre as organizações da sociedade civil, em razão da natureza singular do objeto da parceria ou se as metas só puderem ser atendidas por apenas uma entidade especifica. Salienta-se que mesmo nas hipóteses de dispensa e inexigibilidade não afastam a aplicação dos demais dispositivos da Lei, desta forma aplica-se as vedações, despesas, liberação de recursos, monitoramento, avaliação, prestação de contas e as demais disposições previstas. As emendas parlamentares permaneceram como estão, ou seja, não se submetem ao chamamento público. O novo marco regulatório tem como objetivo melhorar os trabalhos realizados pelas organizações da sociedade civil, bem como exigir a eficiência no que diz respeito à prestação de conta, exigir eficiência no planejamento das entidades, dar transparência aos trabalhos realizados na parceria. Além da Lei 13.019, que estabelece o regime jurídico das parcerias, faz-se necessário seguir as regras do Decreto 8.726 de 27 de abril de 2016, que regulamenta a Lei 13.019, dispondo sobre as regras e procedimentos que as parcerias devem adotar. As APAES e demais organizações da sociedade civil deverão observar o Decreto Estadual nº 61.981, de 20.05.2016 que estabelece o regime jurídico das parcerias com as organizações da sociedade civil no estado de São Paulo e o Manual do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo na instrução 01/2016. Portanto, as APAES do estado de São Paulo precisam seguir e respeitar o disposto em todas as legislações mencionadas e no âmbito do município a Lei ou o Decreto municipal que regulamentar as parcerias municipais.

Érika Faria OAB/SP 355.703 Assistente Jurídico - FEAPAES-SP Graduada pela Universidade de Franca Pós-graduanda em Processo Civil e Direito Empresarial na Faculdade de Direito de Franca


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Ano 2016 • Edição 13

REVISTA APAE EM DESTAQUE ANO 2016 • EDIÇÃO 13

A PROFISSIONALIZAÇÃO DA GESTÃO NAS APAES I ENCONTRO DE GESTÃO ESTRATÉGICA TRATOU O TEMA COM FOCO NO MOVIMENTO APAEANO

SHINYASHIKI: “A APAE DEVE TRANSFORMAR O AMOR EM RESULTADOS”

O SUCESSO DOS WORKSHOPS DO PROGRAMA APAE EXCELÊNCIA

Revista APAE em Destaque 013  

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