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Propagandas que marcaram nossa infância

Casas Pernambucanas


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m 1964 Joe Conelly e Bob Mosher apresentaram à CBS a sinopse de The Munsters (Os Monstros), na qual uma família de pessoas de aparência e hábitos anormais, conviviam com as ditas pessoas normais da sociedade americana dos anos 1960. Esse foi o pontapé inicial para uma série de 70 episódios de 25 minutos, parte preto e branco, parte em cores, que divertiu gerações mundo afora. Um piloto de 15 minutos foi apresentado em 1963, tendo Joan Marshall e Happy Dennan nos principais papeis e não agradou. O projeto, entretanto, acabou sendo arquivado, mas em 1964 outro piloto, desta feita contando com Yvonne de Carlo e Butch Patrick no elenco, caiu nas graças e foi aprovado. Os dois pilotos jamais chegaram a ser exibidos. A família Monstro era composta por Herman Monstro (magistralmente interpretado por Fred Gwynne), filho de um tal Dr. Frankeinstain; Lily Drácula Monstro (Yvonne de Carlo), a esposa devotada e vampira nas horas vagas; Vovô era vivido por Al Lewis, um doce velhinho de 370 anos, metido a experiências – praticamente todas malsucedidas – em seu laboratório; o filho Eddie (Butch Patrick), um pequeno menino-lobo e a doce Marilyn, que foi interpretada primeiro por Beverly Owen e depois por Pat Priest, que era sobrinha do casal Monstro. Marilyn era de aparência

normal, mas absolutamente feia, tristemente horrosa, para os padrões da família Monstro. Marilyn, aliás vivia conquistando namorados que ao conhecerem o restante da família, acabavam fugindo horrorizados. Havia também os animais de estimação: um morcego, companheiro do Vovô, um gato que não miava, mas sim rugia e Carranca, um dragão que jamais apareceu, mas vivia debaixo da escada da residência. O medo e desespero que os Monstros causavam na vizinhança movia as situ-

ações mais que engraçadas da série. Marilyn, loira, olhos azuis, linda, era quem mais sofria, pois só conseguia manter seus namorados até que estes conhecessem sua família. Infelizmente a falta de visão dos dirigentes, que destinaram orçamento baixo, levou o seriado a ter vida curta, embora fazendo grande sucesso. No Brasil – Os Monstros foram vistos na Globo, Record, SBT, Band e Nickel-odeon, sempre com muito sucesso e deixando uma verdadeira legião de fãs.

Vamos ver a abertura do seriado?


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Fred Gwynne – Nascido Frederich Hubbard Gwynne, nos EUA em 10 de julho de 1926, atuou em teatro, cinema e TV. Além disso foi desenhista, pintor, escritor e cantor. Sua atuação em Os Monstros foi tão magnífica e marcante, que Fred acabou tendo dificuldades para obter outros papeis após a série, embora tenha feito outros trabalhos. Morreu em 1993, oito dias antes de completar 67 anos, de câncer no pâncreas. Foi sepultado no cemitério de uma igreja metodista, em cova anônima.

Yvonne De Carlo – Dançarina e atriz, nasceu Margaret Yvonne Middleton, em 1 de setembro de 1922. Morena de olhos azuis, fez cinema TV e teatro, virando uma estrela. Após protagonizar grandes filmes em Hollywood, acabou ganhando uma nova legião de fãs na televisão, no papel de Lily Monstro, a esposa vampira de Herman. Após sua morte, de insuficiência cardíaca, em 8 de janeiro de 2007, foi premiada com duas estrelas na Calçada da Fama de Hollywood, pelo seu trabalho em filmes e televisão.

Al Lewis – Chamavase Albert Meister e nasceu em Nova Iorque em 30 de abril de 1923. Antes de entrar para o teatro, foi artista de circo e dono de restaurante. Chegou à TV no início dos anos 1960. Em 1998 chegou a concorrer ao governo de Nova Iorque, mas não se elegeu. Morreu em 2006, aos 82 anos.

Butch Patrick – Nasceu em 2 de agosto de 1953, está prestes a comemorar 65 anos. Seu nome real é Patrick Alan Lilley e atuou em várias séries como Daniel Boone, Jeannie é um Gênio e Os Intocáveis, entre outras, mas seu sucesso maior foi em Os Monstros. Atualmente mora na Flórida e participa de convenções e shows.

Beverley Owen – 81 anos e participou dos 13 primeiros episódios a pedido do namorado, um dos produtores do filme piloto. Pat Priest – A substituiu até o final. Fez também outras séries como A Feiticeira e Mary Tyler Moore. Vai fazer 83 anos. Ainda aparece de shows e convenções relembrando o seriado.


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• Enquanto os dirigentes da CBS trabalhavam na produção de Os Monstros, ficaram sabendo que a ABC estava para lançar algo semelhante. Houve então um corre-corre, mas mesmo assim Os Monstros acabaram estreando seis dias após a Família Addams (foto ao lado). • As séries eram realmente concorrentes, mas Família Addams acabou fazendo mais sucesso, embora até hoje há quem jure que Os Monstros seja uma produção muito mais divertida. Mas isso é uma questão do gosto de cada um.

seu vestuário era pesado demais. Só o par de sapatos plataforma, elevava seu tamanho dos naturais 1m93,o que já não era pouco, para nada menos que 2m23 (foto abaixo). • O lendário automóvel da família Monstro foi criado por George Barris, que alguns anos após seria também o criador do não menos lendário e muito famoso Batmóvel, do seriado Batman.

• Conforme Família Adams ia fazendo sucesso, Os Monstros sofria com sérias restrições orçamentárias que foram prejudicando sobremaneira a sua produção. • Assim o seriado ficou restrito a uma única câmera, poucas gravações de cenas externas e o elenco de apoio era bem pequeno. Devido ao peso das roupas, sapatos e maquiagem, Fred Gwynne só gravava suas cenas na parte da manhã. • A maquiagem, aliás, era um ponto alto. Mesmo quando produzido em preto e branco, os atores tinham o tom da pele modificado. • Quem mais sofria com maquiagem era Fred Gwynne, que ficava diante do espelho por mais de três horas a cada gravação. Além disso,

• Após o fim da serie, a grande, bela, suntuosa e aterrorizante mansão ainda foi usada em vários filmes da Universal. A verdade, entretanto, é que da mansão existia somente a fachada. Sendo assim, todas as cenas internas eram gravadas em estúdio.

• Devido a forte e pesada maquiagem, os pais do jovem ator Billy Mummy, recusaram o convite para que ele fosse Eddie Monstro. O papel então ficou com Butch Patrick. Algum tempo depois Billy (foto) viria brilhar como Will Robinson, de Perdidos no Espaço.


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Dois jovens e uma elefanta inteligente e carismática, nas selvas da Índia, davam o tom do seriado que não chegou a ser um clássico, mas teve seu público fiel.

Sajid Khan é ator e cantor. Nasceu em Bombaim, na Índia e tem 66 anos. Nascido numa favela, foi adotado por um cineasta, Bollywood Mehboob Khan, com quem fez vários filmes.

Jay North tornou-se celebridade logo aos seis anos de idade, quando estrelou Denis, o Pimentinha. Depois de adolescente, trabalhou em algumas séries televisivas, incluindo Maya. Já adulto, dedicou-se a dublagem. Hoje tem 66 anos. Seu nome de batismo é Jay Waverly North. Depois de deixar o show business e tornar público a verdade de sua infância conturbada como ator, criou uma empresa de consultoria com o amigo e ex-estrela infantil Paul Pertensen, usando suas experiências para aconselhar crianças e outros que trabalham na indústria do entretenimento.

aya foi um seriado de televisão americano, produzido pela NBC entre 16 de setembro de 1967 e 10 de fevereiro de 1968, protagonizado pelos adolescentes Jay North na pele de Terry Bowen e Sajid Khan, como o indiano Raji. O nome do seriado refere-se a elefanta Maya, que participa ativamente de todas as aventuras da série que contou com apenas 18 episódios. Maya foi rodado em uma área de selva da Índia e teve como produtor Frank King. O enredo conta a história de um garoto americano (Terry Bowen) que adentra a selva em procura do pai, um grande caçador perdido. Para isso, conta com a ajuda do amigo (Raji) que tem a elefanta. Os amigos viviam aventuras pelo interior da Índia, onde Terry procurava o pai e Raji, órfão de pai e mãe, era procurado pela polícia. Em procura do pai e fugindo da polícia, os amigos apegam-se a força e inteligência de Maya, que sempre acabava os livrando dos mais diversos e inusitados perigos. A série tinha episódios de uma hora de duração e no Brasil foi apresentada pela Record em 1971 e depois pela Tupi. Não está entre os grandes e inesquecíveis seriados, mas tinha lá algum charme.


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Eles morreram pobres e esquecidos Pode ser bem mais fácil chegar ao estrelato que manter-se nele. Muitos artistas que receberam o aplauso de multidões, acabaram morrendo pobres e esquecidos pelo público e alguns, infelizmente, até pelos amigos Norma Benguell – Cultuada a partir dos anos 1950, uma das grandes musas do teatro, cinema e TV, faleceu em 2013, aos 78 anos, alegando pobreza extrema, sem condições de pagar aluguel e ainda devendo quatro milhões de reais. Norma dizia que sequer conseguiu se aposentar. A atriz cultuada por ter protagonizado o primeiro nú frontal do cinema brasileiro, chegou a gravar discos, tendo a mú-

amigos. No vídeo, La Benguell

sica Você como um grande su-

canta Você, com Dick Farney e

cesso, vivia da caridade de

aparece nas mais diversas fotos.

César Macedo – Ator e humorista, o nome César Macedo, em si, pode não trazer nenhuma lembrança. Porém seu personagem de maior destaque – Seu Eugênio – até hoje é muito lembrado. Ele participou com graça, simpatia e competência dos programas Escolinha do Professor Raimundo (Globo), Escolinha do Barulho (Record) e Escolinha do Gugu (Record). Em setembro de 2015 o humorista foi diagnosticado com Mal de Alzheimer e em abril de 2016, internado em um hospital, em Mairiporã/SP,

após a fratura de uma perna, quando acabou contraindo uma infecção hospitalar e também pneumonia. César Macedo voltou a ser internado algum tempo depois, vindo a falecer aos 81

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anos na manhã de 30 de abril de 2016. Seu filho Renato Macedo disse que o pai estava muito triste por ter sido esquecido e não ter mais espaço na televisão.


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Francisco Di Franco – Um dos grandes galãs dos anos 1970, quando protagonizou novelas como Jerônimo, o Herói do Sertão (Tupi), começou em 1954, com figurações em circos e programas humorísticos da Record. A carreira começou a deslanchar quando Mazaropi o convidou para um papel no filme Zeca Tatu. Trabalhou em filmes e novelas, depois tornou-se diretor, mas acabou esquecido.

Francisco Di Franco, quando estava no auge de sua carreira, envolveu-se em um caso policial e houve muito sensacionalismo em torno de seu nome. Os convites sumiram, assim como os trabalhos, fazendo com que ele caísse em forte depressão. Quando morreu a 10 de abril de 2001, aos 62 anos, era motorista de ônibus em São Bernardo do Campo/SP. Seu velório contou com a presença de seis pessoas. Belchior – Compositor e cantor de grandes sucessos, teve suas músicas interpretadas por artistas do quilate de Elis Regina entre outros grandes nomes. A partir de 2005 começaram as controvérsias. Deixou a esposa e uniu-se a outra, passou a dever pensões alimentícias e suas contas acabaram sendo bloqueadas, inclusive deixando de receber os direitos autorais de seus inúmeros sucessos. Vendeu milhares de discos, mas em 2006 simplesmente desapareceu da mídia e do convívio dos parentes e amigos, pobre e endividado. Morreu de forma anônima, no Rio Grande do Sul/RS aos 70 anos.


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O primeiro herói brasileiro

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nspirado no trabalho da Polícia Rodoviária do Estado de São Paulo, O Vigilante Rodoviário foi o primeiro seriado da televisão do Brasil. Exibido na década de 1960 na Tupi, seu primeiro episódio foi ao ar em março de 1961. Idealizado e dirigido por Ary Fernandes, O Vigilante Rodoviário foi produzido por Alfredo Palácios e teve como protagonista o ator Carlos Miranda, que deu vida ao inspetor Carlos, que patrulhava a Rodovia Anhanguera. Carlos usava uma motocicleta Harley-Davidson 1952 e também um automóvel Simca Chambord 1959. Tinha como companheiro inseparável de aventuras o cão Lobo, um pastor.

Com um total de 38 episódios em preto e branco, O Vigilante Rodoviário foi exibido durante as décadas de 1960 e 1970, passando pela Tupi, Excelsior, Globo e também Record. Na TV Tupi, onde o sucesso foi maior, o seriado foi

exibido às quartas-feiras em São Paulo e no Rio, onde as fitas eram levadas de avião, era apresentado nas noites de quinta. Em ambas as emissoras, era levado ao ar às 20h, sempre após a apresentação do jornalístico Repórter Esso.


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ascido na capital paulista, Carlos Miranda está prestes a completar 85 anos. Sua carreira começou como cantor em circos aos 15 anos. Fez curso de artes cênicas. Quando começou a ser formado o elenco da série, havia 120 candidatos e Carlos Miranda acabou sendo o escolhido, agradando produtor, diretor e representante da Nestlé, patrocinadora. O sucesso de O Vigilante Rodoviário na Tupi fez com que o produtor Alfredo Palácios e o diretor Ary Fernandes passassem a transformar cada quatro episódios em um filme longa metragem, já que a série foi a primeira gravada em película cinematográfica na América Latina. Assim, em uma época em que não havia redes de televisão, O Vigilante Rodoviário passou a ser conhecido e querido no Brasil inteiro, já que desde as capitais até as cidades mais escondidas, tinham um cinema, uma sala de projeção onde era exibido.

Muitos artistas, hoje consagrados, começaram suas carreiras no seriado. Para citar alguns exemplos podem ser citados: Rosamaria Murtinho, Ary Toledo, Fúlvio Stefanini, Juca Chaves, Ari Fontoura, Milton Gonçalves e Luiz Guilherme entre outros. Carlos Miranda emprestou tanto realismo ao Inspetor Carlos, que o sucesso ultrapassou o set de filmagem. Após o término da série Miranda, então com 32 anos, foi convidado a ingressar na

A história de Lobo

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carismático cachorro companheiro inseparável do Inspetor Carlos era um pastor, chamado King, que passou a atender pelo nome artístico de Lobo. O cachorro vivia na casa de seu dono, chamado Luiz Afonso, na cidade de Suzano.

Polícia Rodoviária de São Paulo, onde prestou concurso e foi aprovado, cursando a Academia Militar do Barro Branco. Em 1990 foi para a reserva como tenente-coronel. Já o cão Lobo, seu grande companheiro de aventuras, morreu em 1971. Em 1992 Carlos Miranda entrou para o Guinness Book, o Livro dos Recordes, figurando como o único ator a se tornar na realidade o personagem que havia interpretado na ficção.

Quando o diretor Ary Fernandes o conheceu, foi amor à primeira vista. Segundo o diretor, «sempre gostei de cachorros, sempre tive cachorro em casa, tinha jeito para lidar com eles.» O nome King, porém, não o agradou. Como poderia a série sobre um herói genuinamente nacional ter um cachorro chamado King? O nome, então, foi mudado para Lobo. Foi feito então um teste de moto. Após Lobo mostrar suas habilidades de adestrado, subiu pela primeira vez em uma moto, sem qualquer problema. Obediente e inteligente, não foi difícil para o cachorro, o entrosamento com Carlos Miranda. Estava feita a parceria perfeita. O cão nasceu em abril de 1955, em São Bernardo do Campo e morreu, em Suzano, em 1971. Lobo deveria ser o primeiro de vários testes com cachorros. Foi o único.


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Excelsior: glória e queda I dealizada pelo empresário Mário Wallace Simonsen, que também era dono da Panair do Brasil (empresa aérea), a TV Excelsior foi uma importante rede de TV no início da história do veículo no Brasil. A emissora paulista entrou no ar em 9 de julho de 1960 e sua programação era baseada em jornalismo, musicais, séries e filmes estrangeiros, concorrendo com as emissoras já existentes: Tupi, Paulista (hoje Globo), Cultura e Record. Em pouco tempo os programas de auditório, os musicais e os humorísticos fizeram com que a Excelsior crescesse em audiência. Foi a primeira emissora a apresentar programação horizontal, em que a mesma atração é exibida diariamente no mesmo horário. Em 1962 a emissora construiu um grande e moderno estúdio no bairro Vila Guilherme (onde anos mais tarde seria usado pelo SBT) e adquire moder-

nos equipamentos, tornando-se a primeira emissora brasileira a transmitir em cores, com o programa Moacyr Franco Show. No ano seguinte – 1963 – comprou a concessão do Canal 2 do Rio de Janeiro, que até então pertencia à Rádio Mayrink Veiga, e inaugurou a TV Excelsior do Rio, iniciando o conceito de rede. Vale destacar que a Tupi tinha emissoras em São Paulo e Rio de Janeiro, mas eram consideradas co-irmãs e não uma só. Eram, na verdade, empresas concorrentes. Com programas que marcaram época, novelas de sucesso, inovando com o primeiro Festival da Música Popular Brasileira (que lançou Elis Regina ao estrelato), a Excelsior crescia de forma vertiginosa. Porém a partir de 1964 – em plena ditadura militar – a emissora passou a lutar contra uma série de dificuldades. Sofreu com a censura militar e foi

Parte do elenco milionário da Excelsior, destacando Tarcísio e Glória Menezes, Jota Silvestre, Francisco Cuoco e Regina Duarte, Vanderley Cardoso, Dionísio de Azevedo, Procópio Ferreira, Ivon Cury e outros

obrigada a tirar programas do ar, perdendo arrecadação. O sócio-majoritário Mario Wallace Simonsen passou a sofrer perseguição militar, por ter apoiado o presidente democrati-camente eleito João Goulart. Tais pressões levaram a Panair do Brasil à falência e a Excel-sior, cuja linha jornalística apoiava abertamente a demo-cracia, passou a sofrer sanções. Em 1969 a Excelsior foi vendida ao Grupo Folha de S. Paulo, mas pouco tempo depois foi devolvida a Simonsen e seus sócios. Não demorou para a TV estar totalmente perseguida, endividada e praticamente abando-nada. Não bastasse tudo isso, passou por dois incêndios em uma mesma semana. Um de pequenas proporções e outrode bem maior. A partir dai o Canal 9 só viu sua situação piorar. Juridicamente a Excelsior tinha o prazo máximo até 15 de dezembro de 1970 para se acertar com o governo Médici, pagando no mínimo metade de suas dívidas com impostos. No final do prazo não havia sido pago nem 1%. No dia 30 de setembro de 1970, durante a apresentação do programa Adélia e suas Trapalhadas, por volta das 18h40, o jornalista Ferreira Neto entra no estúdio, interrompe a atração e anuncia aos telespectadores que o governo militar decretara o fim da TV Excelsior – Canal 9 de São Paulo. Técnicos do DENTEL lacraram os transmissores, tirando definitivamente a emissora do ar. Os demais canais da rede, inclusive do Rio de Janeiro, foram cassados em 15 de dezembro de 1970. Um triste fim.


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A Excelsior em fotos Registro de agradecimento ao excelente Grupo TV EXCELSIOR no faceboock

Uma das cantoras mais populares do Brasil, Emilinha Borba comandou o Emilinha aos Sábados,na Excelsior Rio. Cauby Peixoto, quando era convidado, levava as fãs à loucura. Bibi Ferreira foi um dos grandes nomes nos primeiros anos da Excelsior. Comandando o programa de variedades Brasil 60, a estrela teve oportunidade de mostrar todo seu talento. Sucesso, o programa, com o passar do tempo virou Brasil 61, Brasil 62, Brasil 63...

Com muito dinheiro e visão empresarial, a Excelsior teve grande investimento na área técnica. Importou equipamentos de primeira. O ônibus de externas, se hoje parece obsoleto, no início dos anos 1960 era moderníssimo.

Times Square foi um dos maiores sucessos da Excelsior. Mesclando música e humor, lotava o teatro. Nomes como Aizita Nascimento, Grande Otelo, Dorinha Duval, Daniel Filho, Ema D’Ávila e outros formavam um grande elenco. O programa trazia o teatro de revista para a televisão. Não chegou a durar dois anos, mas marcou época. Só mesmo a Exselsior poderia reunir Pelé e Regina Duarte. Foi assim na novela Os Estranhos. No elenco,ainda, Stênio Garcia, Rosamaria Murtinho e Cláudio Corrêa e Castro, entre outros.

CURIOSIDADES • Foi o 9 que criou um departamento de vestuário. Antes, os artistas tinham de se apresen-tar com suas próprias vestimen-tas. • Em apenas seis meses de ope-

ração, tornou-se líder de audiência em São Paulo. • Entre 1964 e 1965, o humorístico Didi e Dedé foi o primeiro e reunir a dupla Renato Aragão e Dedé

Santana. • Tendo como astro maior Ted Boy Marino, as lutas livres eram um espetáculo à parte, também liderando a audiência.


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Hoje tem marmelada??? cord. Substituindo os palhaços e de modo mais moderno, vieram outros tipos de palhaços: Renato Aragão e Dedé Santana. Com eles, Ivon Curi, Wanderley Car-doso e Ted Boy Marino, com o programa Os Insociáveis, embrião do futuro sucesso Os Trapalhões. Mas isso é conversa para outra matéria, mais para frente...

Arrelia e Pimentinha: uma das duplas mais famosas para a criançada

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Cirquinho do Arrelia foi um programa de televisão de enorme sucesso e que teve duração de 21 anos – entre 1953 e 1974 – pela TV Record. Antes, em 1951, estreou na TV Paulista (hoje Globo), ficando por aproximadamente um ano.

Arrelia e Henrique Seyssel

No programa, Arrelia e seu inseparável companheiro Pimentinha (antes era com o irmão Henrique), faziam brincadeiras com a garotada da platéia e chamavam desenhos animados que eram sucesso na época. A forma de cumprimento entre Arrelia e Pimentinha marcou época. Principalmente pelo bordão: “Como vai, como vai, como vai? Como vai como vai, vai, vai? Muito bem, muito bem, mui-

to bem. Muito bem, muito bem, bem, bem!!!” Ficando no ar por 21 anos, era impossível não repetir brincadeiras. Mas era impossível, também, deixar de rir das tortas na cara, dos tabefes, banhos de talco, tudo acompanhado pela sonora de um baterista sempre muito atento a cada movimento. Na verdade a variação acabava ficando por conta das atrações como mágicos, acrobatas, contorcionistas e outros convidados, além dos desenhos animados. O entusiasmo das crianças festivas nas arquibancadas era enorme. Além de Arrelia, na verdade, Waldemar Seyssel, trabalhou também na época da TV Paulista, Henrique Seyssel, que era irmão de Waldemar. Já na Record, o palhaço fazia dupla com o sobrinho Walter Seyssel, o Pimentinha. Também Amélia Rocha Seyssel, na época esposa de Walter, participava das esquetes do programa. Em 1974 a atração deixou as tardes de domingo na Re-

Arrelia, Henrique e Pimentinha, entre outros palhaços

O êxito da dupla foi tamanho, que virou até revista em quadrinhos. Como não poderia deixar de ser, foi um sucesso.


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Trajédia no circo, levou à televisão

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ascido Waldemar Seyssel, o palhaço Arrelia nasceu em Jaguariaíva/PR em 31 de dezembro de 1905 e faleceu aos 99 anos, em 23 de maio de 2005, no Rio de Janeiro/RJ. A família, de origem francesa, era toda ligada ao circo. O apelido Arrelia veio porque o pequeno Waldemar, sempre inquieto, costumava “arreliar” a todos à sua volta. A estreia nos picadeiros tem data controversa, mas deve ter sido aos seis anos de idade. Começou como malabarista, trapezista e fez – como todos de circo – vários trabalhos antes de virar palhaço. Arrelia foi o primeiro palhaço de circo a ter um programa na televisão. Ele chegou a fazer testes na Tupi, na época de sua inauguração. O Cirquinho do Arrelia estreou em 1953 na TV Paulista e deu-se por conta de uma acontecimento trágico. O jornalista radialista e historiador Millton Parron descreve que “dia 21 de dezembro

de 1952, um incêndio destruiu o Circo Seyssel, armado nos baixos do Viaduto Santa Ifigênia, no centro de São Paulo.” Na oportunidade, o circo que funcionava desde 1922, estava sob o comando de Henrique Seyssel, irmão de Waldemar e tio de Walter. Parron diz ainda que “aquele incêndio foi determinante para que um dos palhaços mais queridos dos adultos e crianças daqueles tempos, o Arrelia, desgostoso com o acontecimento e cansado do esforço que a vida no circo demandava, se desligasse do grupo familiar, que contava com 28 membros.” Ainda em 1952 Arrelia passou a ter um quadro semanal no programa Bar Antarctica, na Rádio Bandeirantes. Em 1953 foi contratado pela TV Paulista para fazer o Circo do Arrelia. Anos mais tarde, o próprio Arrelia declarou que “deixamos a TV Paulista pois ela já estava em crise e não pagava salários.” Ainda em 1953 foi

contratado pela TV Record, onde o programa atravessou toda a era de ouro da emissora, povoando as tardes de domingo até 1974. Na Record, Henrique deixou o programa, entrando o sobrinho Walter, o Pimentinha que trouxe sua esposa Amélia Seyssel, que também trabalhou na emissora como garotapropaganda,. Arrelia e Pimentinha formaram uma dupla de estrondoso sucesso, sendo grandes ídolos da criançada, só superados, anos depois por Xuxa Meneghel. Os palhaços também abriram caminho para outros programas televisivos com a temática circo.

EM FOTOS = Em 1957, com Thereza Amayo e Paulo Goulart no filme Na Corda Bamba

= Em 1958, no auge da fama, Arrelia estrelou O Barbeiro que se vira, divertida comédia. Ao seu lado, Berta Loran e a estrelíssima Eliana. Curiosamente, Paulo Goulart e Thereza Amayo tambés estavam no elenco.

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Depois de deixar a televisão, Walter Seyssel, o Pimentinha, mudou-se para Itu, constituindo nova família. Pimentinha conviveu vários anos na cidade, esbanjando simpatia e atenção para com todos, mas de forma praticamente anônima, longe das câmeras e badalações. Faleceu em 1992, em Itu, pobre e esquecido da grande imprensa. Figura carismática, só fez colecionar amigos, embora tenha morrido tendo ao lado só seus familiares.


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A atração que colocou os homens, de forma assumida, diante de uma novela

Na próxima edição, em setembro, a revista eletrônica V RTUAL levará você para mais uma deliciosa viagem pela história da televisão. Esses e muitos outros assuntos estarão em nossas páginas. Você não pode perder... Ampulheta

Revista Ampulheta Virtual 001 Agosto 2018  

Edição 001 da Revista Eletrônica Ampulheta Virtual

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