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Ano 43 - Abril de 1995 - Edição Especial de Aniversário (nº 247) Alberto Dines Aluísio Maranhão Ana Arruda Ancelmo Góis André Motta Lima

Jorge de Souza Juca Kfouri Luis Edgar de Andrade Luiz Eduardo Borgerth

Antonio Carlos Fon

Márcio Bueno

Armando Nogueira

Mauro Multedo

Armando Strozemberg Barbosa Lima Sobrinho Bernardo Kucinski

Mauro Salles Milton Coelho da Graça Nilson Lage

Carla Siqueira

Otávio Florisbal

Carlos Chagas

Paulo Motta Lima

Carlos Eduardo Lins da Silva Clemente Nóbrega

Paulo Renato de Souza Pedro Pinciroli Jr. Ricardo Noblat

Daniel Herz

Roberto Duailib

Elísio Pires

Roberto Medina

Eucimar de Oliveira Evandro Carlos de Andrade

Sérgio Motta Tilden Santiago Villas Boas Correia

Fernando Barbosa Lima

Walter Clark

Fernando Segismundo

Wilson Figueiredo

Flávio de Andrade Herbert de Souza

Ziraldo Zuenir Ventura

BALANÇO DA COMUNICAÇÃO


flexões que esta edição pretende estimular entre profissionais, pesquisadores, estudantes e interessados no processo de comunicação social. Nestes tempos de louvação do mercado, cabe examinar que negócio é esse em que foi transformada a comunicação dita social. Balanço inevitável no delicado equilíbrio de poder. Aspectos éticos e da própria formação ganharam recentemente um maior peso, afetando a estabilidade de arraigadas convicções. Oscilações que permitem vislumbrar novos caminhos. Não foi sem razão que o dia 7 de abril, data da criação da ABI, em 1908, foi transformado em Dia do Jornalista. Desde o primeiro momento, na Ata de fundação, estava presente a preocupação da entidade com o profissional e com a própria profissão. E os anos seguintes provaram a

Desculpe nossa falha É duro admitir o erro numa profissão onde a precisão das informações faz parte da própria razão de ser da apuração. Mas a aceitação da possibilidade da falha é que permite a busca mais cuidadosa. Pensar o jornalismo, buscar explicações mesmo que acompanhadas das dúvidas, pode ser o melhor caminho para o exercício desta função social de informar. E é este espaço de reflexão, de autocrítica e liberdade que a Associação Brasileira de Imprensa pretende garantir com o lançamento de uma edição especial anual no seu mês de aniversário. Realizar um balanço da co-

municação no Brasil pode parecer presunção. Especialmente quando se descobre que precisão nos dados não é ponto mais forte das estatísticas do próprio meio. Há várias versões e muitas opiniões - o que, neste caso, é uma pluralidade indesejada. Falha que, admitida, pode vir a ser corrigida. Presunção por sinal é outra questão séria da profissão. Erro comum de quem se acha poderoso numa sociedade cada vez mais dependente de informações. Justiça se faça aos colaboradores deste empreendimento: todos solidários e dispostos a plantar idéias no terreno das re-

Teria forma o espaço onde a comunicação se estabelece? Seria um vaso? A comunicação toma a forma do vaso que a contém? Olho no olho, frente a frente, que temos um a dizer ao outro? A comunicação é uma decifração?

BAL ANÇO D A BALANÇO DA COMUNICAÇÃO

estreita ligação da entidade também com a defesa das liberdades e dos direitos humanos. Presença garantida nas grandes causas nacionais. Missão cumprida com os fundadores, cabe agora um novo desafio de coerência no resgate da origem. “A Associação de Imprensa publicará um anuário”, prometia a citada Ata. E acrescentava na pauta “detalhes de todos os interesses sobre artes, ciências e letras”. Uma preocupação cultural que pode ser entendida como ampliação de interesses para bem além de aspectos meramente corporativos. Retomando a idéia, admitimos o futuro. André Motta Lima Departamento de Divulgação e Intercâmbio da Associação Brasileira de Imprensa

Você a decifra ou ela te devora? A comunicação são perguntas? Ou são respostas? A comunicação-ção? A imagem à sua frente te intriga? Te instiga? Ah, te intriga e te instiga? Então era isto que eu queria. O resto é incomunicabilidade.

AAssociação Brasileira de Imprensa, fundada em 7 de abril de 1908, é considerada de utilidade pública, nos termos dos decretos 3297, de 11/07/1917, da União, e 1897, de 10/11/1917, do Distrito Federal. Funciona em sede própria, no Edifício Herbert Moses, prédio tombado em 29/05/1984 pelo Instituto do Patrimônio Histórico Nacional, na Rua Araújo Porto Alegre, 71 (Castelo), Rio de Janeiro (RJ) - CEP 20030-010, telefone (021) 2821292 e fax (021) 262-3893. Inscrição no CGC 34.058.917/0001-69. Mesa do Conselho Administrativo: presidente, Fernando Segismundo; primeiro secretário, Mário Barata; segunda secretária, Maria Lúcia Amaral; Diretoria: presidente, Barbosa Lima Sobrinho, primeiro vice-presidente, José Chamilete; segundo vice-presidente, Josué Almeida; secretário, José Augusto Ribeiro; primeiro subsecretário, Paulo Motta Lima; segundo subsecretário, Domar Campos; tesoureiro, Alfredo Marques Viana; subtesoureiro, Amaury Fonseca de Almeida; diretor da biblioteca, Augusto Villas-Bôas; diretor de sede, Henrique Miranda; diretor de atividades culturais, Ary Vasconcelos; REPRESENTANTE EM SÃO PAULO: presidente, Marcos Ubiratan Abrão; Rua Santa Isabel, 167 - São Paulo (SP) - CEP 01221-010, tel/fax: (011) 255-1544. EDIÇÃO ESPECIAL - diretor responsável, Barbosa Lima Sobrinho; editor, André Motta Lima (Departamento de Intercâmbio e Divulgação da ABI); coordenação geral, Luiz Rodolfo Viveiros de Castro; programação visual, Sandro Roberto dos Santos; editoração eletrônica, Daniel Chadid; colaboradores, Carla Siqueira, Ivan Pedro Cesar da Cunha e Oswaldo Maneschi; estagiários (convênio ABI-Universidade) , Antonio Lobo (jornalismo - UERJ), Alexandre dos Santos (jornalismo - UERJ), Arnaldo Branco (jornalismo - UERJ), Carla Miranda Barroso (jornalismo - UFRJ), Humberto Medina Coeli (jornalismo - UFRJ), Marcelo Jannuuzzi (relações públicas - UERJ), Marlon Secundo (relações públicas - UERJ); comercialização, Vilarde Comunicações - tel: (021) 493-3903 e Casa do Vídeo - tel: (021) 262-3011. Esta edição especial foi enviada gratuitamente, em mala direta, a todos os sócios da ABI e a deputados, senadores, ministro de estado e à Presidência da República. A título de cortesia, por critério da direção da entidade, foi enviado também a escolas e professores de Comunicação Social, bibliotecas, a sindicatos e associações de jornalistas, a assessorias de imprensa, a embaixadas brasileiras e a órgãos de imprensa em geral. É, ainda, expedido a sindicatos e associações de jornalistas no exterior. Tiragem desta edição especial: 8.000 exemplares. Fotolitos e impressão: Imprensa Oficial do Estado do Rio de Janeiro - Rua Marquês de Olinda,29 - Niterói - CEP 24.030-170 - Tel: (021) 719-1122.

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Barbosa Lima Sobrinho Na minha segunda presidincia da AlJ/, em /930, tive oportunidade de transferir a sede da enlida,de da Rua do Rosdrlo para a Rua do Posseio, a/ugando 0 primeiro andar do predio em que funcionava 0 C/u.be dos Democraticos. Era um esp/endido saMo em que antes tin ham espafo os bai/es imensos dos dias de carnaval, freqilentados por uma multidOo. umbro que quando Jui nova sede, em companhia de diversos companheiros no nossa diretoria, ia conosco Carlos Dias Fernandes, que acabava de desempenhar uma especie de comando na redafao do Unl40, da capital da Parafba, onde /iderava 0 movimento literario da regiao. Ao deparar-se com 0 enorme esparto da sede, Carlos Dios Fernandes, com seu temperamento impetuoso e sua imaginafao transbordonte, explodiu numa /rose que traduziu todo seu espanto: - Mos caberiam aqui as legioes de Xerxes! o que dava wia do grande esparto que lamos ocupar ate a construflio do sede atual. Era um problema de localizor;ao que consegufamos reso{ver com a 10CafaO do primeiro andar na Rua do Posseio.. Mos havia outro problema:.a presenfa. na capjtal do paJ.r, de duos oulros ossocUlfi5es de jornaJistas. 0 Qube de 1mprensa. com 0 prestfgio de Rodolfo Motta Lima, e a Associa¢o da Impre.nsa Brosileira, que 0 medico baiano Alvim Horcades cornandava com 0 auxilio de urn irmao. Entidades que surgiram como dissidincfas eleilorais em torno de candidatos que nlio haviam sido eleitos para os cargos que disputavam em pleitos passados. Tive a impresslio do que essos tres ossociar;Oes representavam para a defesa das causas dos jornalistas. De certo, a mais antiga era a nossa AssociafaO Brasileira de Imprensa, que vinha desde 1908 quando Gustavo de Lacerda a criara para facilidade da mesa de po/{cia que Juncionava em todos as redafOes, 0 que valia como consagrar;lio do trabalho da reportagem policial. E crescera de prestfgio quando Dunshe de A branches, no sua presidencia, projetara nossa entidade nos meios diplomaticos, contando com 0 apoio do Barlio do Rio Branco. Mas deca(ra depois por contar apenos com urna pequena mensalidade e com 0 desinteresse dos proprios jornais, mesmo quando tinha a sua /rente Joiio Melo, que contava com apoio do Jomal do Commercia. A ABl nlio contava com a solidariedode decidida de nenhuma redaflio de grandes jornais. Com uma mensalidalk onerada pelos despesos de aluguel da sede e com os despesas que nOo podia deaar de fazer, lutava com dificuldades que reduziam sua infIuencia. E tinha ainda por cima a pre-

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senr;a de outros duos entidades na concorrencia para 0 desempenho de SUDSJunr;iJes sociais. A rivalidade que nascera nos pleitos que haviam dado causa a formar;ao das duos outros entidades continuava como fator do desprestfgio de todos tres. Tive oportunidade de sentir de perto 0 que significava essa presenr;a de tres entidades como representar;lio da classe e dos interesses dos jornalistas. Eu tinha, no momento, necessidade de me aproximar do Instituto Historico, ate mesmo para encontrar apoio para investigar;oes que vinha fazendo em torno da hist6ria do jornalismo brasileiro - meu livro "0 Problema do lmprensa ", publicado no momento em que 0 Senador Adolfo Gordo recebera do Presidente Artur· Bernardes a incumbencia de promover urna lei que pusesse cobro a campanhas que hostilizavam 0 Governo da Republica no momento. Eu tivera a intenr;lio de evidenciar que a imprensa estivera presente nos grandes causos da nacionalidade e que, por ·isso mesmo, nlio havia C"omo negar sua- junr;ao de irrecusavel benemerencia na vida do. Brasi!. E, apesar de.rsafiulf40, que a propria historia documenlava. Jinha pela /rente uma poderma corrente ~ opiniiJes, sobretudo nos casos da Congresso, mio ~bstante Os brilhantes discursos do Senador lrineu Machado que, por isso mesmo, incorrera nos iros oficiais, ate 0 ponto da depurar;lio de seu legltimo mandato eleitoral. Nllo obstante tudo isso, a ABI nlio havia sido convidada para os congress os de historia que se estavam realizando. Nlio podia deaar de manifestar a minha esIranheza e meu protesto a Max Fleiuss, secretario perpituo do Instituto Historico Brosileiro. E a re.jposta de Max Fleiuss me esclareceu: - Como convidar a AB/, se havia tres ossociafOes de imprensa no Rio? 0 convile a uma podia deaar a impresslio de que era uma provocar;lio as outras. So havia uma solUflio: excluir as tres. Uma resposta que me abriu os olhos. Jd havia urna emenda doando a ABI um terreno para a construr;lio de sua sede na drea do Morro do Castelo. Lutara arduamente para tornar efetiva essa doar;lio junto autoridades municipais. Mas atender a ABI desagradava as duas oulros entidades, que tinham dire ito a formular protestos que nlio deaariam de atingir os outoridades que agissem nesse coso. Nlio estariam of os dificuldades que estava encontrando no pleito para tornar efetiva a doa¢o ABI? Por isso, cheguei conclusao: antes da dtJaflio havia que unificar os tres associOfOes de imprensa, reduzindo-as a uma .16, naturalmente a mais antigo, a que vinha de Gustavo de

Lacerda. a aprovaflio dosfilhos de lrineu Marinho, Mas como pleitear 0 desaparecimento sobretuda de Roberto Marinho, que ja codas outros se eu proprio continuasse no mandava a redar;iio. presidincia da ABI? Tinha urn mandato de Todavia. a assembteia convocada para dois anos. Estava no comer;o do primeiro a aprovar;lio da unificOflio concordara com ana de meu mandato. Mos 0 dire ito ao tero e/eiflio de dois dos presidenles para reno, no drea do Morro do Castelo, niio membros do Conselho Administrativo da podia deixar de decorrer da unificOflio das nova entidade. Mas sob inspirar;i5es sem nesociedades de imprensa. Para nOo huminhuma grandeza, fora excluido 0 nome de Ihar os presidentes das oulras entidades, Alvim Horcades, que era entlio presidente tinha de incluir, em nosso apelo, a renUndo Associaflio do Imprensa Brasileira. 0 cia ao mandato que acabara de receber. que me obrigou ao afastamenlo do entidode Sem essa renuncia tambem nlio have ria - de que havia sido presidente em 1927 e edificio. Por isso, quando procurei os pre1930 - para que Horcades nunca pudesse sidentes das duas oulras entidades tfnhasupar que eu haYia concordada com a sua exmos como condir;lio que lodos os tres precluslio. Guardei essa delibera¢o enquanto sidentes nos igualavamos na renUncia aos viveu ANim Horcades, cuja morte me liberou nossos mandalos. Acrescentava outra con- para continuar a servir a associaflio que dir;lio em que tambem nos igualavamos: Gustavo l.acerda haYia criado. nossa eleir;lio como membros permanentes E como Horcades niio chegasse a prodo Conselho Administrativo da ABI para teslar, nem tivera nenhuma iniciativa para que tivessemos 0 dire ito de jiscalizar ou de reslabelecer, como era de seu direi/o, a acompanhar 0 processo de unifiCOflio. AssociOflio do Imprensa Brasileira,jicara As assemb/eias gerais das duos entido- ~ concluldo 0 Irabalho para a unificOflio das des, que passavam a~ integrar a ABI, .con- -entidades de joma/istas. E aberto 0 camicordoram com as condifOes apresentadas. . Mo, com a unifica¢o, para a obtenfiio do Restava apenas a cOflcordOncia daABI terreno, aprovada pela Camara de' Yereapara homologar.() .acouJo. que hav£am.os dores da.entao capital da RepUblica. par concluido. .£. tambem'paru a.. elei¢o do JOffa de inicialiva que ficomos a dever ao novo pre$idenlepas associtll;/Jes uni.ficada!.. enJiio vereador Adalfo Bergamini. E so volTomei a iniciativa de prr;Jpor·o no.me de tei- a. AlJI depois da morle de Alvim Herbert Moses. Nlio havia nenhum veto a Horcades, para, em companhia de meu seu nome, ppis que estivera margem dos -amigo Miguel Costa Filho, tomar parte no dissldios anteriores que haviam inspirado haa que se travara pela liberdade de ima criOflio das duas enJidades. E traria con- prensa e pela segurOllfO dosjomalistas, que sigo 0 apoio de um grande jomal, como ja jd contavam com diversos mortos numa era 0 Globe naquela epoca, no qual figubatalha sem tregua contra urn regime ditaI rova como dire tor tesoureiro e contova com torial.

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87 ANOS DA ABI A IIist6rio do ABI, que se cOfl/uflde com a propria hisUlrla do jornaJismo no Brasi~ esta expona em paiflW, com mais d~ 150jO/QgrajlDS, flO saguao do QJJdiJorio do 9" andar do edijlcio-sede.. Uma exposityao que visiJa univusidades e institui¢es. A memorio destes 87 anOl 10mhim passeia pel4s paginas desta edityao especial, flUmo seJet;40 de monwr/QS 140 moramtes como a participat;40 th Barbosa Lima Sobriflho fla vida da entidade.. Desde 0 primdro mandato, em 1926, como 0 mois)o_ presldenu do ABI, ao discurso historico no Congraso Nacional, na quaJidade de signaJtfrio do pedido th impeDdlnwrl do Prtsidente Collor. • A Snc:ia 0 Globo •

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A realidade política condiciona o nascimento do jornalismo no Brasil, com a divisão entre o poder e a oposição, sem espaço para nuances: era ser contra ou a favor da independência do país. O início da República traz outra discussão: a independência do redator perante o dono da publicação. Do sonho so-

cialista de Gustavo de Lacerda às primeiras realidades práticas, a Associação Brasileira de Imprensa se transforma rapidamente em defensora do próprio exercício de informar, ameaçado pela prepotência dos poderosos. Uma tradição democrática que transforma a entidade numa trincheira da liberdade. BAL ANÇO D A BALANÇO DA COMUNICAÇÃO

jornal, estando esse cada vez mais atrelado ao poder econômico. A política sempre esteve presente e muitas vezes era levada para o lado da afronta. As campanhas presidenciais colocavam em lados opostos os jornais, que lutavam com todas as armas disponíveis, nem sempre muito éticas. No pós I Guerra Mundial os jornais já estavam totalmente definidos como empresas. Foi notória a influência dos comerciantes portugueses na orientação de alguns jornais. Barbosa Lima Sobrinho ressalta que a resistência dos jornalistas às interferências dos administradores era também a afirmação do nacionalismo dos brasileiros contra aqueles que haviam sido os detentores do poder político até o final do século passado. No início da década de 30, a interferência da Companhia de Comércio e Navegação fez com que Barbosa Lima Sobrinho, então editor chefe do Jornal do Brasil, tivesse divergências com Pires do Rio e deixasse o periódico do Conde Pereira Carneiro, ficando apenas como colaborador. Em depoimento gravado em vídeo na ABI, Barbosa lembra que a ação dos administradores era mais de conteúdo político e comercial. A estrutura de funcionamento das redações não era afetada. Ele mesmo foi o criador do primeiro sistema de arquivo em jornais. Como havia a necessidade de reaproveitar os clichês de zinco das fotografias, ficava sempre difícil completar as edições sem atraso. O arquivo, com indicações de tamanho, permitiu acelerar os fechamentos. As restrições ao direito de informação foram cruéis nos primeiros tempos, especialmente no governo de Artur Bernardes. Igualmente restritivas no período do Estado Novo. Nem se tratava mais da liberdade de manifestação de opiniões políticas contrárias ao poder dominante. A luta dos jornalistas,neste período, era para garantir o direito de informar fatos que, mesmo tendo acontecido, não eram de divulgação conveniente aos poderosos. Em 1951 chegou no país a técnica do lide , trazido pelo Diário Carioca. O lide fez com que a informação suplantasse de vez a opinião ao responder de forma direta os principais fatos de cada matéria: o quê, o quem, o quando, o onde, o como e o porquê. A ele foi acrescentado o brasileiríssimo sub-lide, que constituía em distribuir a resposta dessas pergunta em dois parágrafos e não em um. As opiniões foram ocupar as colunas e

Já no início um conflito: opinião ou informação? “Não sendo conveniente haver aí tipografias, nem mesmo utilidade para os impressores, por serem maiores as despesas que no Reino, de onde podiam vir impressos os livros e papéis, no mesmo tempo em que deviam ir as licenças da Inquisição e do Conselho Ultramarino, sem as quais não se podia imprimir nem correr obras.” A Ordem Régia de 1747 deixa clara a intenção portuguesa de que não houvesse circulação de idéias no Brasil colonial. Imprimir livros e panfletos era ilegal e punível, sendo motivo para o surgimento tardio da imprensa no país, se comparada com a América Espanhola. A repressão era de tal forma rígida que o primeiro jornal brasileiro teve de ser produzido e impresso fora do país. De Londres, Hipólito José da Costa fundou e dirigiu o Correio Braziliense, cujo primeiro número circulou em 1808, três meses antes do jornal “Gazeta do Rio de Janeiro”, órgão oficial de D. João e sua corte. Enquanto este era incipiente, com poucas páginas e matérias retiradas da Gazeta de Lisboa ou jornais ingleses, o Correio Braziliense era extremamente doutrinário. Procurava arregimentar opiniões através de suas cem páginas. O germe de oposição deixado por Hipólito incentivou a fundação de vários pequenos jornais, apesar de uma lei da época que impedia qualquer periódico no Brasil. Eram os pasquins, que defenderam grandes causas. Quando essas eram resolvidas, quase sempre os jornais paravam de circular. Foi o caso do próprio Correio Braziliense que tendo se dedicado à causa da Independência, acabou quando essa finalmente aconteceu. O novo status do país não acabou com violência contra o jornalista nem garantiu o direito de expressar idéias. Os pasquins eram na maioria das vezes escritos por uma só pessoa e impressos em fundos de quintais ou tipografias escondidas. Várias foram destruídas. Barbosa Lima Sobrinho, presidente da ABI, cita como exemplo de grande campanha da imprensa brasileira a abolição da escravatura. Muitas pessoas utilizaram o veículo para expressar opinião e defen-

der causas. O país fervilhava em idéias. Existiam inúmeros periódicos onde escreviam jornalistas recrutados entre os bacharéis, médicos e demais profissionais. Em jornais escreveram Rui Barbosa, Quintino Bocaiúva, Alcindo Guanabara e José do Patrocínio. Matérias e artigos eram muito opinativos, com linguagem tendendo à virulência. A intriga também era característica, não sendo raro que algumas questões acabassem evoluindo para o âmbito pessoal. Afrontas eram trocadas através dos jornais, onde existiam resquícios da linguagem dos pasquins. A imprensa também foi impulsionada pela publicação dos folhetins, obras literárias dos grandes mestres que saíam nos jornais diariamente. Eram folhetins românticos de Joaquim Manuel de Almeida e José de Alencar e, posteriormente, o realismo de Machado de Assis. Renderam assunto as rinhas famosas de Carlos de Laet contra Camilo Castelo Branco e Silvio Romero contra A. Bandeira de Melo, pseudônimo de Chateaubriand. Ainda no final do século passado os jornais começaram a adquirir estrutura de grandes empresas. Os pequenos jornais impressos em folhas tipográficas cedem lugar a uma estrutura organizada que dispunha de papel e equipamento gráfico necessários. O início de uma nova fase na imprensa é notado mais claramente na transição para este século. As modificações no método de produção irão afetar a circulação dos jornais, sendo aumentada a venda avulsa e a periodicidade dos jornais. As relações com os anunciantes e a política sofrerão alterações. Nos textos, porém, as alterações são poucas. Continuavam os artigos de fundo de linguagem rebuscada. No entanto, havia tendência para o desaparecimento dos folhetins, dando lugar às colunas e, posteriormente, às reportagens. O jornal como empreendimento individual desaparece dos grandes centros, ficando restrito ao interior. Acontece um processo de concentração da imprensa, restringindo o número de periódicos e dificultando o aparecimento de outros. A propaganda tornou-se mais presente no

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os editoriais. Passou a ser divulgada a ideologia da isenção e imparcialidade como fruto da nova técnica, que permitia, com a previsibilidade da diagramação, organizar o processo de produção industrial das empresas jornalísticas. As inovações técnicas e a disputa pelos anunciantes acirraram a concorrência entre os jornais e acabaram por restringir ainda mais o número de publicações. A partir de 64 com a ditadura militar, o Ato Constitucional número 5 cerceava a liberdade de expressão, notadamente a liberdade de imprensa. Surgiram jornais de oposição e houve novo levante de idéias. Foi a época do Pasquim. Nova época de prisões e torturas. Muitos jornais saíam com espaços brancos , onde deveriam estar as matérias que foram censuradas. O Estado de S. Paulo publicava receitas culinárias quando uma de suas matérias era vetada. Houve também jornais que estiveram a serviço da ditadura e dela se beneficiaram. Com o processo de redemocratização do país a liberdade de imprensa voltou. A campanha pelas Diretas teve o brilho de outras defendidas pelo jornalismo, como a independência, a abolição e a república. A tecnologia foi substituindo os linotipos por computadores acabando de vez com a intoxicação gerada pelos gases de chumbo e antimônio. “Hoje os jornalistas trabalham em ambiente refrigerado, valendo-se de computadores silenciosos e higiênicos”, diz Fernando Segismundo, presidente do Conselho Administrativo da ABI. “Há redações que parecem catedrais iluminadas”, acrescenta Segismundo. O jornalismo teve vocação romântica em seu início, ligada à expressão de idéias e à defesa de causas. Era a profissão onde grandes jornalistas defendiam bandeiras. Os jornais foram, desde o início do século, paulatinamente se afastando desse ideal romântico e adquirindo configuração de empresa capitalista de informação. O jornalismo de 50 anos atrás era mais romântico? Fernando Segismundo lembra do Correio da Manhã, que falsificou cartas para prejudicar a eleição do ex-presidente Artur Bernardes e deixou estragar fígado bovino para extorquir dinheiro de comerciantes portugueses. “Devaneador o “Correio da Manhã”, o das cartas falsas e do fígado podre?”, pergunta. Segundo Segismundo, a principal mudança foi mesmo a tecnologia. O conflito entre função social e interesses econômicos continua. (Carla Miranda Barroso)


Politica divide os jomalistas Carla Siqueira Na passagem do seculo XIX para

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xx. os jomais de grande circulayio estayam apenas com~do. Observa-Ios, hoje,

e revelador das dificuldades enfrentadas pelos jomalistas na lenta passagem de um jorna1ismo empreendido como sacerd6cio, como missio, para aquele" profissionalizado, em que a a~ do rep6rter est! atrelada a rela~io patrio-empregado. Olhar para 0 passado do jomalismo revelador das maneiras como os jornalistas de entio perceberam estas mudan~ e, neste \>rocesso, construiram um discurso legitimador da atividade. Tomemos como exemplo urn artigo safdo no Ditfrio de Nolieias de 19 de novembro de 1890, poucos dias ap6s 0 primeiro aniversario da republica brasileira. Ali, 0 jomalista Emanuel Camero usaria a demissio dos redatores de 0 Pai:. - que acabava de acontecer - como "gancho", para falar do estado da imprensa na epoca:

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" ( ... ) Empregado sem contrato, 0 redator do Jornal brasileiro esta sempre exposto a ser posto na rua, de um momenta para 0 outro, como caixeiro da venda da esquina. E esses fatos se reproduzem sernpre com maior freqilincia quando se labora em uma imprensa sem ideal nem aspira~Oes bem definidas, obedecendo a um capital estranho, que .Ie vem empregar na intiUstriajornalfstica, para ap/orar-Ihe niIo somente os lucros diretos de dinheiro, mas dirigir, embora erradamente, a opiniao publica emfavor de interesses estranhos. Para 0 Jornalismo a prime ira necessidade e que 0 capital perten~a ao Jorna/ista militante, educado na tempera eleVada dessa febre de dignidade que atua sobre nOs, de sorte que, num momento grave, numa questiio de alto brio e nobre patriotismo, a pena que trafa 0 artigo niJo tenha que torcer-se para salvor de prejuizos 0 capital de um terceiro (. ..J. Mas 0 Jornalismo encadeado a estes ou aqueles receios de perigos, ha de ser sempre essa coisa ridicula que se chama imprensa neutra, sem atitude definida, (...) e fazendo de um sacerd6cio uma especulafiio vulgar. Porque, sinceramente, a imprensa pock ser uma indUstria para todos, menos para 0 Jorna/ista verdadeiro, que sabe vazar no papel, nas horas dijiceis, um pedafo de sua alma e a /agrima de sew sacrificios.

nada nao a urn posicionamento "neutro", mas justamente a uma tomada de partido, no sentido de uma atitude "patri6tica", "civica". Uma unanimidade e patente entre os jomalistas de entio: a imporWtcia da imprensa na .vida naciona!. "A imprensa a vista da na9iio", diz Rui Barbosa. Lendo os jomais e revistas, percebemos 0 esfor~ cotidiano em afirmar a si mesmos como lugar de independencia, espfrito cientrfico e eleva~ao de ideias - "a verdadeira forma de republica do pensamento", como ja havia escrito Machado de Assis. A imprensa, em s~ pr6prias palavras, e interprete dos sentimentos populares, formadora da opiniao coletiva, anaIista dos neg6cios publicos. Seguindo a formulayao de Roque Spencer Maciel de 2 Barros , diriamos que ela e urn bra~o da "ilustra9io brasileira", ou seja, 0 movimento que em fins do seculo XIX formouse no Brasil, guardando, do i1urninismo euro\leu do seculo XVIU, uma crencta radical no poder da razio e da ciencia, e, portanto, no papel dos intelectuais. 0 autoretrato construido pela imprensa e a de urn instrumento direto e imediato de a~io educativa. a virada do seculo, a fun~ao i1uminadora da imprensa vern respaldada pela cren9a na ciencia, a e cientificidade jornalistica, por sua vez, confunde-se com civismo. Transparece, no discurso dos jornalistas da epoca, a divisao entre boa e rna imprensa, sendo boa aquela que fosse cfvica. Compreendendo 0 jomalismo como urn sacerd6cio, Emanuel Camero ressente-se da perda de autonomia dos profissionais, uma vez que 0 capital passa as mios dos empresanos da imprensa. Como explica Antonio Costella,"o novo jornal, entio nascido, nilo mais vivera em funyao de urn ou alguns nomes; sera urna organiza~ao cada vez mais complexa, onde divisao do trabalho se incumbira de apagar as estrelas, os colunistas-vedetes de antanho. Havera tambem uma sensfvel transforma~io de conteudo, de tal modo que os grandes jomais se afastario da Iinha de doutrina9ao ideol6gica para dedicar-se-mais a noticia',3. o artigo de Camero, assim como 0 incidente que 0 motivou, sao resultantes da condiyao ambigua da imprensa naquele momento, entre ser tribuna poJitica ou empresa. Em meio as comemorayaes do primeiro 15 de novembro, parte da reda~o de 0 Pair. e demitida, responsabilizada pel a publica9ilo no jomal de urn protesto anonimo contra uma manifesta~io de apoio ao ministro da Fazenda, Rui Barbosa, organizada pelas industrias cariocas. A autoria do protesto e atribufda ao tenente Jose Augusto Vinhaes, lider operario e membro do corpo de reda~o de 0 Pak. o incidente determina a demissio de redatores e a troca da di~io do jomal, de propriedade do conselheiro Francisco

e

(. ..) Ninguem suponha que se ilude a sagacidade perscrutadora de uma popuI~iio inteira; ninguem suponha que um Jomal possa ser feito com um amontoado de artigos e anuncios: um Jornal hd de ser sempre 0 homem ou os homens que 0 dirigem, impondo-se aconsiderafiio publica pela severidade dos sew prineipios, pe/a honradez do seu pass ado, pelas reve/~Oes do seu patriotismo, pelo valor moral da .leu talenlo ". A cita~io e longa, mas as palavras de Camero, figura importante daquele que e um dos principais jomais do tempo, revetam a percep<tio - e no caso, a indigna~o - quanta as transformayaes sofridas pela imprensa, na lenta passagem do jornalismo estritamente politico para aquele de fei~o empresarial. Em Iinhas gerais, podemos dizer que, ate a primeira metade do seculo XIX, a motiv~o primeira da imprensa havia sido a de influir no ambiente politico. Confor1 me descreve Ciro Marcondes Filho , 0 jomalismo que se fazia era de pequeno porte, com centenas de titulos diferentes e funcionava como uma especie de produto informativo num grande mercado de opinioes, constitufdo nas cidades. Esta circulayao de inform~oes interferia no jogo politico, na fermenta~o dos boatos, na formayio de opiniOes. Servia para que as pessoas consubstanciassem suas posiyaes politicas, se informassem sobre eventos desconhecidos e os utilizassem nas praticas ideol6gicas, revolucionanas, eleitorais,

a

etc. Ainda no seculo XIX, a imprensa inicia 0 lento processo de sua institucionaliza~io, estabelecendo uma imagem que passa a ser cada vez menos a de agente no mundo politico e mais a de meio, lugar de observ~o que se pretende imparcial. Podemos dizer que empreende urna transformayao semelhante a passagem de uma hist6ria concebida como "mestra da vida" para aquela que se pretende "cientifica", pois tam bern na atividade jornalfstica a autoridade desioca-se do narrador, que produzia urn ajuizamento particular, para 0 metodo, que visa estabelecer os fatos "objetivos". A questio da objetividade, que veio a tomar-se urn dos pilares sobre os quais a legitimidade da atividade jomallstica foi afirmada, e tangenciada pel a critica aimprensa "neutra" empreendida por Camero. No entendimento do jomalista, a imprensa teria a patri6tica missao de guiar a opiniio publica. Assim, a capacidade de apontar a "verdade dos fatos" estaria relacio-

7

de Paula Mayrink, presidente do Bane<> dos Estados Unidos do Brasil. A extensao da crise causada pelo protesta do dia 13 fica patente na safda dos diretores do jomal. Em 15 de novembro, Antonio Pereira Leitio e Belarmino Carneiro escrevem seu editorial de despedida, em que dizem que 0 Paiz, sob a sua administra~ao, nunca havia abandonado

"a sua parte de responsabilidade na forma~iio da Republicd'. Sao substitufdos por Eduardo Salamonde e Leo de Affonseca, ex-redatores do MercantiJ, de Sao Paulo. o Diar;o de Notfcias informa que Constancio Alves, ex-redator do Diario do Bahia, passava entao a ser 0 responsavel pel a nova "dire~iio polWed' de 0 Pai:., a qual 0 jomal monarquista 0 Brazil qualifica como "ultra govemista". Vinhaes nilo e apenas urn dos redatores do jomal 0 Paiz, tendo mesmo participado de sua cria980. Not6rio personagem da implanta980 da Republica, teve 0 apoio do ministro Quintino Bocaiuva e do jomal 0 Paiz em sua elei9ao para a Assembleia Constituinte naquele ano de 1890. 0 jornal ac1amou-o como importante lider operario e publicava sua coluna sobre a "questio social", na qual Vinhaes reiterava suas promessas de lealdade e ajuda aos trabaIhadores. a Republica iniciante, 0 Governo Provisorio aceita as manifesta~oes iniciais em prol da participa980 politica do povo, vistas como urn dado fortalecedor da Republica. 0 jomal A Voz do Povo, que circulou entre janeiro e mar90 de 1890 e do qual Vinhaes foi urn dos fundadores, foi saudado com simpatias pelo 6rgio oftcioso do governo, 0 Paiz. A imporWtcia politica da imprensa e evidenciada, por exemplo, pel a presen9a de Quintino Bocaiuva e Rui Barbosa - exredatores-chefes de 0 Paiz e do Diario de Nolieias - no primeiro ministerio republi-

87 ANOS DA ADI

Gustavo de Lacerda, reporter de 0 Paiz, fundou a Associa~iio de Imprensa, primeira denomina~iio da Associafiio BrasileiTa de I mprellsa, em 7 de abriJ de 1908.


cano. Mas, por sua vez, a demissão de Vinhaes revela como a atuação política do jornalista começa a conhecer os limites dados pelos interesses do empresário da imprensa. No final do século XIX no Brasil, o aparecimento dos primeiros jornais de perfil mais empresarial, preço menor e circulação mais abrangente (guardadas, nestes três ítens, as proporções da época) como a Gazeta de Notícias, a Gazeta da Tarde, o Diário de Notícias, o Cidade do Rio e O Paiz - esteve vinculado à politização urbana promovida em parte pelos movimentos abolicionista e republicano. Mas essa atuação política da imprensa sofrerá, a partir daí, a influência da sua iniciante configuração como empresa. A campanha republicana é bastante significativa neste sentido. Embora a imprensa tenha sido um elemento decisivo para a difusão e vitória das idéias republicanas, é preciso matizar os diferentes graus de envolvimento dos jornais na campanha. Os órgãos desta “grande imprensa”, embora tenham surgido em decorrência da movimentação política da segunda metade do século XIX, não faziam parte de uma imprensa republicana stricto sensu, isto é, não pertenciam àquele grupo de periódicos criados com o objetivo primeiro de angariar adeptos para a causa. São produtos de uma nascente mentalidade empresarial no meio jornalístico, que passa a enxergar esta atividade não só como instrumento de ação política, mas também como empreendimento econômico. Podemos dizer que esta dupla face fez com que o envolvimento na campanha republicana fosse por vezes cauteloso, calculado. Certamente, esta “grande imprensa” nascente, que aspirava à permanência, tentava escapar às dificuldades sofridas pelo jornalismo estritamente político. Em sua maioria, os jornais republicanos tiveram vida efêmera, decorrente das dificuldades políticas, que assumiam a forma de violência ou coação, bem como de discriminação na concessão de anúncios, o que se atenua à proporção que se consolida a campanha republicana e se prenuncia a sua vitória. Barbosa Lima Sobrinho demarca a forma de participação dos grandes jornais na campanha republicana. Segundo ele, a prática frequente era tomar atitudes cômodas em face da controvérsia essencial. Era o que mostravam os jornais de circulação mais extensa ou de popularidade mais definida, como a Gazeta de Notícias e O Paiz, que abriam espaço para colunas republicanas, conservando o seu direito de discordar ou de se opor aos pronunciamentos desse partido. Embora se soubesse que a redação dos jornais era composta de jornalistas, na sua quase totalidade, partidários ou entusiastas da causa republicana, a direção achava mais fácil não abrir mão de sua posição de neutralidade, pelo menos aparente, mesmo quando à sua frente estivessem republicanos notórios como

Quintino Bocaiúva ou Ferreira de Araújo. O comentário de Emanuel Carnero revela que a transformação do jornalista em empregado de uma empresa não significou a sua efetiva profissionalização. O jornalismo continuou a ser uma atividade parcamente remunerada e, no que tange às relações de trabalho, ainda não era assegurado aos jornalistas contratos e garantias que os isentassem do arbítrio e do personalismo. Mas isso não era marca exclusiva da imprensa: até o advento da legislação trabalhista nos anos 30, seria a regra entre as atividades profissionais. Sintomaticamente, aos comentários de Carnero, sobre a situação dos jornalistas em seu tempo, segue-se a publicação, na mesma página, de uma nota sob o título “Centro da Imprensa Brasileira”. Convocava os jornalistas fluminenses para a reunião que seria realizada naquele dia, no Club 14 Juillet, na rua Sete de Setembro, “afim de tratarem da fundação do Centro da Imprensa Brasileira”. No dia seguinte, a primeira página do Diário de Notícias noticia o comparecimento em peso de representantes da imprensa fluminense (Revista Illustrada, O Mequetrefe, Cidade do Rio, O Paiz, Jornal do Commércio, Novidades, Voce del Popolo, Gazeta da Tarde e O Apóstolo, entre outros), tendo sido eleitos como presidente e vice da diretoria provisória, Pardal Mallet e Raul Pompéia, respectivamente. Os propósitos específicos do Centro, segundo o Diário de Notícias do dia 24 de novembro, era o de constituir-se em “associação beneficiente, para o auxílio mútuo de seus membros, para o socorro dos inválidos do ofício”. A exemplo de outras iniciativas da época, o centro pretendia ter uma atuação basicamente assistencial, motivada pelo estado de miséria em que vivia a maior parte dos jornalistas. A listagem dos presentes à primeira reunião revela a união de jornalistas da pequena e grande imprensa - isto é, aquela exclusivamente militante e aquela de iniciante perfil empesarial - na tentativa de fundar uma associação profissional, o que só veio a tornar-se realidade com a iniciativa de Gustavo de Lacerda em 1908. É o movimento operário iniciado na virada do século que instaura a questão classista no interior da imprensa. A princípio, a imprensa serviu como instrumento ao movimento operário. Falar em movimento operário no Brasil, sobretudo na República Velha, é falar em jornalismo. Todas as tendências dentro do movimento utilizaram o jornal como portador de suas propostas, como veículo de resistências e como proposta de educação dos trabalhadores. Passo seguinte, a questão dos direitos da classe profissional adentra a imprensa, pelas mãos de líderes operários que eram também jornalistas. Entre eles, Edgar Leurenroth, anarquista, e Gustavo de Lacerda, socialista, que em 1908 fundou a Associação de Imprensa, primeira denominação da ABI.

Em seu idealismo, Gustavo de Lacerda defendia que o jornal não devia ser empresa destinada ao lucro dos acionistas, e sim, face à sua missão social, uma cooperativa entre todos os seus membros, sem distinção entre eles. É bastante provável que tenha sido este tipo de pensamento o que determinou que, em seu início, a Associação de Imprensa tenha sofrido a oposição dos diretores de jornal, que proibiam seus redatores e repórteres da participar da instituição. No início da década de 20, a discussão do projeto de lei de imprensa proposto pelo senador Adolfo Gordo torna o momento rico em matéria de reflexão da imprensa sobre si mesma. O projeto é intensamente debatido, sendo atacado, principalmente, pelos jornalistas que no período Epitácio e Bernardes conheceram prisões, perseguições e o estado de sítio. Antes desta lei, sancionada em outubro de 1923, uma outra havia sido feita em 1921, a lei nº 4.269, em repressão ao anarquismo e ao jornalismo a ele ligado, em decorrência do crescimento e acirramento da luta operária. Em meio ao debate sobre liberdade de imprensa, é reforçada afirmação da imprensa como sacerdócio e do jornalista como educador da sociedade. A partir daí, um diagnóstico frequente é o que vê a imprensa decaída, pela sujeição do jornalista ao editor e pelo relevo do jornalismo de “fatos” em detrimento do jornalismo de “idéias”. Nas primeiras décadas do século, as múltiplas mudanças pelas quais passa a sociedade brasileira, em acentuado processo de urbanização e industrialização, fomentam o aparecimento de uma imprensa “sensacionalista”, que vai justamente explorar os fatos do cotidiano urbano, ainda novo e surpreendente para o leitor. A formação deste público sequioso por notícias levará ao surgimento de vários novos títulos. Já em 1907, o cronista João do Rio comentava a transformação dos jornalistas em “caçadores de escândalos”, pois o público exigia “um assassinato diário”. O editorial de O Malho de 5 de agosto de 1922, por exemplo, faz a defesa do “jornal de idéias”: “A população letrada e pensante não é maioria. Para ela, o jornal de idéias não tem consumo; é artigo de luxo, monótono e pesado. Prefere o de fatos , de fatos ruidosos e sensacionais. (...) que lhe conta a intrigada da política, o arbítrio da administração, o sofisma da injustiça, a trapaça da finança, a desordem na taberna e os crimes de toda espécie, particularmente os crimes passionais, com os romances de lares desfeitos, que sacodem os nervos aos clientes mais frios e impassíveis, que gostam de ler tudo (...) num estilo que não lhes custe muito a soletrar... Esse jornal pode ter outras vantagens; a virtude da sobriedade é que ele não tem. Não educa nem corrige, favorece a disseminação de certos ,males”.

8

O Malho é a favor da regulamentação de uma lei de imprensa, “que venha exercer uma espécie de saneamento nos meios onde se fala para orientar a opinião pública”, mas teme que se queira “garrotear a imprensa, obrigando o jornalista, que exerce a sua missão como quem faz um sacerdócio, a distribuir aos leitores um simples boletim de informações”, o que o editorial qualifica como “uma calamidade”. E comenta, herdeiro dos reclamos de Emanuel Carnero: “A imprensa no Brasil deixou de ser a missão que o antigo romantismo denominava de alavanca liberal para ser uma picareta de negócios. (...) o jornal é o educador, por excelência, da atualidade. Dêlhe a verdade, e o espírito público se robusterá; dê-lhe a mentira, e ele se perveterá. (...) o jornalista a serviço de um editor reresenta, na vida, uma tragédia dolorosa, porque comumente pensa pela cabeça do patrão”. O pleno estabelecimento do “jornalismo de fatos” será conseguido com a chegada do lead, nos anos 50: representa uma etapa decisiva no referido deslocamento de autoridade, que é transferida do narrador para o método narrativo. O jornalista passa a ser entendido como um técnico da informação. No entanto, a imprensa ainda funciona simultaneamente como veículo ideológico e empresa. Esta dupla realidade fica evidente, por exemplo, na atuação de jornais como Última Hora e Tribuna da Imprensa. Mas a partir deste ponto na história do jornalismo brasileiro, torna-se decisiva a distância entre a iniciativa da maioria dos jornalistas empregados nas principais redações e o controle sobre o direcionamento político que é dado por essas mesmas redações às notí4 cias . Distância que se ampliou nos últimos 40 anos. 1

MARCONDES FILHO, Ciro - Jornalismo fin-de-siècle. 1993, São Paulo, Ed.Página Aberta. 2

BARROS, Roque Spencer Maciel de - A ilustração brasileira e a idéia de universidade. 1959, São Paulo, USP. 3

COSTELLA, Antonio - O controle da informação no Brasil.1970, Petrópolis, Editora Vozes. 4

LATTMAN-WELTMAN, Fernando Imprensa e sociedade: a economia do discurso público.IN: revista ARCHÈ, ano III, nº 8, 1994, Rio de Janeiro.

Carla Siqueira é jornalista, professora de História da Imprensa do Departamento de Comunicação Social da PUC/Rio e aluna do Programa de Mestrado em História Social da Cultura do Departamento de História da PUC/Rio. Este artigo é parte da dissertação de mestrado desenvolvida para o referido programa.


ABlnasce -e vive pela liberdade Que motivos teriam levado Gustavo de

Quase sempre defendia jomalistas e

recursos para a construcyao de urna sede

Lacerda e mais oito companheiros a fun-

jomais, dificil que era separar as funeyCles.

grandiosa e protestava contra limitacyCles

Lima Sobrinho, como Moses, foi a ima-

dar, em 07 de abril de ] 908, a Associayfu>

Mesmo a,ssim, antes do primeiro congres-

nos direitos de informar. Defendia a pes-

gem da imprensa.

Brasileira de Imprensa? 0 pr6prio local

so da categoria, em ] 918, ja se falava de

soa de cadajornalista'e conseguia favores

fortalecida pela dignidade pessoal de uma

da reuniao da urna pista: a sala-sede da

urna Escola de Jomalismo. Cabia digni-

para as empresas, como subsldios para

vida coerente. Uma coerencia semel han-

Caixa Beneficente dos Empregados do jor-

ficar a funyao. Basta lembrar

papel e outros descontos.

te a da propria entidade, especialmente no

motivo

0

do presidente Fernando Collor. Barbosa Uma imagem

socialista Gustavo de

que levou Barbosa Lima Sobrinho, em seu

A hist6ria, no entanto, acabou colocan-

Lacerda trabalhava, cobrindo as atividades

segundo mandato, em 1930, a promover a

do a AB! numa posicyio estranha: nlio e

ao lado da OAB, representou a pr6pria cons-

nal 0 Paiz, onde

0

periodo recente da ditadura milita:, onde,

da Prefeitura. Os "fins principais" da en-

unificayio da categoria,ja dividida em tres

mais a representante dos interesses pro-

cicncia democnltica e Iibertana da socieda-

tilo resurnida Associayao de Imprensa aju-

entidades. Em dado momento,

fissionais dos jomalistas, assim como nao

de civil.

0

secreta-

as necessidades objetivas dos doEbern verdade que foi a

dam a marcar a intenyao dos fundadores:

rio do Instituto Hist6rico nao soube a quem

atende

"criar e manter urna caixa de pensCles e

convidar para representar a imprensa em

nos de veiculos.

auxflios para os s6cios e suas famIlias ;

urn congresso. Barbosa Lima notou que

propria ABI quem tratou de fortalecer e

principais", passados 87 anos das iniciais

instalar

retiro da Imprensa, com enfer-

esta perplexidade transformava-se em per-

defender

e

definicyoes de Gustavo de Lacerda. 0 pr6-

maria e residencia para velhos e e,n fennos;

da de prestigio e de significacyao para toda

organizat iva de toda a sociedade, consci-

prio conceito de liberdade de imprensa ca-

a classe de jomalistas.

ente de que a antiga atividade assistencial

0

manter no centro da cidade, a sede social,

a

at ividade

sindical

Esta imagem que resta talvez seja a chave para a redefinicyao dos novas "fins

reee de uma melhor definiyio se colocada

.com biblioteca, salCles de confercncia e di-

o lendArio Herbert Moses, escolhido

versi5es etc; habilitar, por meio de titulo

para comandar a ABI unificada, acabou

bara por criar uma categoria com interes-

ro papel, dentro das mais coerentes tradi-

de capacidade intelectual e moral,

pre-

por misturar ainda mais as imagens de

ses economicos e trabalhistas num pro-

yOes da instituiyio, 56 podera ser desempe-

tendente ~ colocayao no jomalismo; pres-

jomais e jornalistas sob 0 conceito generi-

cesso de industrializayio das empresas.

nhado num quadro de ampla participayio

tar publica homenagem a Gutenberg,

co da imprensa. Eram igualmente inte-

0

0

fundador da imprensa, por meio de urna festa anual, para qual procurara associar o governo da Republica." Outra providcncia prevista juntava-se ao carater assistencialista, ~elineando a preocupayao com a corpo~o : "A Associayao de Imprensa publicara urn anuano

e de defesa da

profissional aca-

ao lado de limites eticos. Esse novo e futu-

Ficou a defesa da liberdade, da digni-

de todos os personagens do processo de co-

resses da imprensa a assistcncia a urn pro-

dade da profissao, da etica, das grandes

municayio atual. Uma tarefa tilo dificil e

fissional e a defesa da livre informacyao.

causas nacionais. E mais uma vez a ima-

igualmente estimulante como a que jun-

Moses era a imagem da imprensa. Nas

gem de profissionais e de patri5es voltou a

tou os novos jornalistas naquele pequeno

suas relayi5es com os poderosos conseguia

se unificar no epis6dio do impeachment

canto de 0 Paiz. (Andre Motta Lima)

Atuac;iio democrcitica da ABI

da mesma, com nome e idade de todos os s6cios, detalhes de todos os interesses so-

forma~ao

Fernando Segismundo

bre artes, ciencias e letras, e instituira a

Barbosa Lima Sobrinho, de 1978 ao pre-

agentes, cresceu a ABI na batalha con-

sente.

tra as restrieyoes e maus tratos infligidos aos desafetos do sistema.

carteira de jomalista, como atestado de

Funciona a Associacyao Brasileira de

No geral, a hist6ria agitante e decisiva

identidade e recomendayao do portador."

Imprensa como agente catalisador da de-

da ABI e conhecida. Mas nao se deixara

Era, na pratica,

infcio da defesa da pro-

mocracia. 0 que hA de rna is esclarecido

de a1udir aos momentos marcantes da enti-

respeito da atuayio de Herbert Moses jun-

fissio e dos profissionais. Ha que se res-

no meio jornalfstico procura nela atuar. A

dade nas decadas mais pr6ximas, predo-

to a Getulio Vargas, chefe do Governo.

circunstAncia de

minantes a liberdade de imprensa e a de-

Moses presidia a ABI e era diretor de 0

saltar que

0

0

conceito de sindicaJismo - e

0

profissional e

0

estu-

mesmo de jomais - era muito diferente

dante de Comunicacyao se voltarem para

naquele infcio de seculo. 0 jornalismo

ela se traduz

"beletrista", para citar Otto Lara Resende,

reaJidade:

misturava patri5es e empregados no cam-

da cidadania.

0

0

0

Gustavo nao freqilentava as rodas da cha-

quase urn seculo, em ambiente encrespa-

mada bocmia literana. Exercia a profis-

do, e por si a afirmayao do carater genero-

sao como urn sacerd6cio, confonne relata

so da grande maioria dos trabalhadores de

Edmar Morel em sua "A Trincheira da Li-

imprensa. Pleitear 0 ingresso em seu seio

berdade".

constitui inequivoca demonstracyao de

nhas em favor da sociedade e do Pais.

Liberdade" nos mais dificeis momentos brasileiros. Especialmente naquele inicio

por certo, e Urn patriota, urn nacionalista,

de seculo, quando empastelar jornais che-

alguem que erigiu

gava a ser uma banalidade. Houve ate

marco existencial.

apr6pria en-

presidente Dunshee de Abranches te, arma na mao.

0

respeitabilidade e permitiam-Ihe 0 acesso aos donos da situayao.

humanitarismo em

Seria exaustivo remontar aos prop6si-

0

tos iniciais da instituicylio, repassar os fa-

afren-

tos salientes dos. ultimos 50 anos e refletir

tidade, defendida pelos diretores, com

Estado Novo, censurados os

Ali se tern forjado inurn eras campaQuem se empenha em atividades na ABI,

caso de amea~a semelhante

0

filantropia.

lo do Iivro de Morel. Foi "Trincheira da

0

Sob

meios de comunicayio e oprimidos seus

87 ANOS DA ABI

A existencia dessa Casa, ao longo de

A hist6ria da ABI nestes 87 anos de

G1obo. Ambas as funcyoes cobriam-no de

fesa dos interesses corporativos.

exercfcio

po da escrita e da defesa de ideias. Mas

vida acaba sendo bern resumida pelo titu-

\

reconhecimento de uma

lugar certo para

Talvez subsistam incompreensi5es a

Em U de marro de 1995, 0 depoimento de Barbosa Lima Sobrinho e de Fernando Segismundo, sobre a hist6ria da ABI, abre a sirie MemOria do Jornalismo Brasileiro, um convinio com 0 Museu da Imagem e do Som..

os empreendimentos da administrayao

9

ts= ~

_.

___.


Jamais se omitiu ele na defesa dos confrades, fossem diretores de empresas, como Júlio Mesquita (O Estado de S. Paulo) e Orlando Dantas (Diário de Notícias), fossem anônimos repórteres. De dia e de noite, procurava as autoridades e restituía às famílias as vítimas da violência policial. Hábil, não queimava pontes. Ao mesmo tempo que pedia (e até exigia) o alívio de tantas aflições, lograva obter a importação de máquinas e papel ao arrepio dos impostos, fora vantagens outras a que aspiravam os empresários. Com Herbert Moses, e a despeito de amargas provações, viveu a Casa horas solares. Democrata atuante, ele próprio empresário, manteve abertas as portas da ABI a todas as correntes ideológicas. Ao longo dos 35 anos de sua presidência, nela se mostraram quantos o quiseram, de políticos nacionais e estrangeiros e escritores, artistas, religiosos, estudantes, operários e homens da rua. Sem favor, Moses fez da ABI “a porta da cidade”, o fórum dos desassistidos. Prática de democracia tem sido, paredes a dentro, a formulação das mais variadas mensagens, tanto de integralistas

como de comunistas, de conservadores e vanguardeiros, de católicos e espíritas, de minorias reclamantes e felizardos com seu poder e fortuna. Moses e os que partilharam com ele da alta direção da Casa - foram muitos nunca pediram atestados de ideologia ou de antecedentes a quantos se obrigaram naquele tempo de fraternidade. Assim também agiram seus sucessores, dentre eles Elmano Cruz, Danton Jobim e Prudente de Morais Neto. Numerosos e notáveis são os movimentos desencadeados na Casa por esses e outros dirigentes, conselheiros e co-diretores que constituiam a espinha dorsal da Associação. Depois, conheceu o País sucessivas campanhas em prol da anistia política, em favor da paz universal, em defesa da Amazônia e riquezas minerais, por eleições (“diretas já!”, pela Constituinte etc.) A consciência cívica do quadro social, referendada por integrantes da comunidade jornalística e delegados da população esclarecida, fez com que a Casa evoluísse de grêmio associativo para uma defensoria pública a serviço das mais nobres causas. Tal transformação atingiu o ápice nas reiteradas reeleições de Barbosa Lima So-

brinho, padrão de intelectualismo pátrio. Sem deixar de ser a mais antiga e prestante assembléia de jornalistas, atenta permanece a ABI ao evoluir dos fatos, posicionandose - como que por imposição coletiva - para a luta acauteladora da soberania nacional. O presidente e seus companheiros consagram-se ao resguardo das tradições democráticas e de valioso patrimônio natural. Cuida-se de atitude amadurecida que o tempo chancelou. Em grande parte, o impedimento de um presidente da República deve-se ao denodo da ABI, junto com a Ordem dos Advogados do Brasil, atendendo a apelo de Ulysses Guimarães, insigne democrata. O respeito aos princípios éticos da comunicação e na política é preocupação diuturna da Casa, como se constituiu em zelo cotidiano o respeito à Carta de 1988, ora em processo de descaracterização por diligentes neoliberais em reforço às pretensões forâneas de limitar a independência pátria. De confraria nacionalista gerada à sombra da ABI e presidida por Barbosa Lima Sobrinho - o MODECON -, têm saído advertências e instâncias a parlamentares e governantes para que, sob pressões inad-

ANÚNCIO O GLOBO

10

missíveis, não consintam no sacrifício da autonomia nacional. Conquistou a Casa do Jornalista, em duras pelejas, o direito de ser reconhecida como Casa da Liberdade e dos Direitos Humanos. Liberdade de expressão contra todos os óbices e defensora dos direitos de quantos foram presos, torturados e mortos à sanha do despotismo. Prossegue a Associação a contemplar seus integrantes com médicos e advogados, lazer e cultura. As causas nacionais são a meta da administração e do corpo social uníssono. Cabe à imprensa patriótica velar para que modismos econômicos e fracassadas experiências políticas não atinjam o cerne da nacionalidade, em nome da salvação pública. O tempo modelou, sublimou o destino da ABI. Seu papel no restabelecimentos e na manutenção do regime democrático só pode merecer o respeito, o incentivo e a melhor expectativa da categoria profissional e do povo. Fernando Segismundo, diretor da entidade por 45 anos ininterruptos, atualmente preside o Conselho Administrativo da ABI.


As previsoes pessimistas dos futur610gos do comunicat;50 foram derrubadas pelos fatos eo veiculo jornal provou que fem espat;o garantido r.o mundo dos avant;os tecno16gicos. Um espat;o que se concentra, com a redu¢o de alguns titulos, mas avant;a em busca das receifas publici/arias, com 0 melhor resultado dos ul-

fimos cinco anos. Apesar do crise do papel, os jornais buscam 0 crescimento das Iiragens, garantindo 0 marco da superat;50 do faaa do milhao de exemplares vendidos aos domingos - dia em que mais se encontram presentes os anuncios de lant;amentos imobiliirrios, tipicos destafase de crescimento publicitario. BAI.AN<;O DA COMUNICAc;AO

Jomais: menos titulos, mais receitas Os jomais tiveram no ano passado 0 maior percentual de investimentos publicitArios dos u!timos cinco anos: 35% de toda a verba destinada a propaganda, o que representa urn aumento de 1% em relayAo ao periodo anterior. De acordo com 0 anubio da AssociayAo Nacional dos Jomais (ANJ), de 1994/95, no Brasil atualmente existem 285 jomajs diarios. Segundo pesquisa desta entidade, 100 destes peri6dicos silo distribuidos nas capitais e 0 restante no interior. Os estados que detem os menoris Indices de a1fabetizayllo do pals silo os que possuem menos jomais. Urn 'exemplo desta situac;:ilo e 0 estado de AJagoas: tern 30% de sua populac;:ilo alfabetizada e apenas urn jomal diario para atender a 2,5 milh~es de habitantes. 0 estado de Sao Paulo IS 0 maior em nUmero de peri6dicos - 91 -, se_guido por Minas Gerais e Parana, com 27 cada urn. -Segundo dados do lYc (Instituto Verificador de Circulac;:ao) referentes a fevereiro de 1995, 0 jornal de maior circulayAo no Brasil IS a Folha de S. Paulo; Globo vern logo atrb, seguido do Estado de SAo Paulo. A Folha de S. Paulo IS 0 Unico peri6dico a uJtrapassar a marca de \,lm milhilo de exempJares aos domingos, dia que os jomais a1canc;:am as maiores tiragens. Atualmente, gra~ promoc;:ilo que distribui fascfculos da "EncicJopedia da Hist6ria Universal", 0 Globo tambem tem vendi do mais de urn milMo de exemplares, como mostra 0 selo de tiragem na prime ira pagina de suas uJtimas quatro edic;:<les dominicais. A empresa Lopes Consultoria lm6veis Ltda. foi a que mais investiu no veiculo jomal em 1994: US$ 57.509 milMes. Esta quantia representou 98% de todo 0 dinheiro gas to pelo grupo.em propaganda. A Casas Bahia Ltda. aparece em segundo, de acordo com 0 relat6rio da Nielsen Servic;:os de Marketing, seguido pelos grupos Globex Utilidades SA e a Encol Engenharia . A empresa Coelho da Fonseca Ltda. foi 0 grupo que investiu 0 maior percentual de suas verbas publicitArias no meio: 100%. A area economica que mais investiu no veiculo jornal foi a industria da construc;:ao. Forarn 80010 de uma verba total de USS 511.997 milh~s. 0 meio s6 perde para a televisao na captac;:llo de recuISos para a propaganda, ficando na frente do radio e das revistas. (Antonio Lobo)

o

N° de jornais dhirios

Maiores grupos empresariais - Anunciantes - Jornal-1994

Em circulac;:ao no Brasil (Por Unidade da FederayAo em ordem decrescente)

RANKING

UF SP MG PR

RS RJ

MS BA SC

AM PI MT PB MA PA RN CE

-

ES PE RR - SE AC DF GO RO AL AP

Tou.!

1994 91 27 27 26 22 12 11 10 06 06 05 05

1991 97 28 26 23 28 06

01 13 02 03 08 10 09 12 07 16

11

04

04 04 03 03 03 03 03 02 02 02 02 01 01 285

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ANUNCIANTE

USS (1000) PARTIClPACAoPORMEIO(%) TV RD RV JO

LOPES CONSULT. IM6VEIS LIDA CASAS BAHIA COML LIDA OLOB£)( 1.JI1LIDADES S.A. ENCOL SlA ENOENHARIA ORUPO pAo DE ACUCAR CASA CENrRO - CUKlER LIDA rr APLAN 1M6VEJS ADMINIST. LIDA GRUPO BRADESCO JULIO BOGORJCIN 1M6VElS LIDA COELHO OAFONSECA LIDA GRUPO FENfCIA FERNANDES MER.A IMOBIL. LIDA GRUPOITAUSA ROQUE 8< SEABRA EMP. IMOBIL. S.A. ROSSI RESIDENCIAL SA

57.509 46.297 41.996 37.180 30.392 29.662 21.0n

20.844 20.275 19.56 19.485 17.035 16.959 15.G40 14.476

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• Inferior a 1% •• NAo estavam classiIicados entre os 30 maiores em 1993 Nielsen - Midia

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do investimento por meio - 1994

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87 ANOS DA ABI - - - ----Augusto Malta, Arquivo MIS-

Interior da tipograjiQ do Jomal do Commerdo.

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tiragem. 0 crescimento do venda e bem mais que uma guerra de prestigio entre concorrentes. Faz parte de uma necessidade estrategica para permitir 0 aumento dos prefos do tabela publicitariq} essencial para enfrentar a propria crise de papel} jei que a produfao brasileira so pode voltar a crescer a partir de 1997.

A modemidade nosjornaisvai alem do inJormatiza¢o. Novos conceitos de administrarylio slio necessarios para enfrentar a crise. mundial de papel que fez dobrarem os preryos em pouco mais de urn ano. Redurylio de paginas e cortes editoriais para reduzir 0 consumo de papel se chocam com a necessidade de aumento do BAlAN~O DA COMUNJCA<;AO

o honirio nobre mais longo da midia Roberto Medina Mesmo em urn pals onde os Mbitos de leitura nao se situam e~tre os mais bern instalados no cotidiano do povo, p jomal representa uma forma de contato de uma comunidade consi~o mesma e de reaIizar a sua inseryao nos assuntos do mundo. !sso ocorre desde os tempos em que essa forma de difusao de notlcias reinava absoluta e mesmo quando 0 radio passou a empolgar como propagador de sonhos, alimentador da imaginayao e companhia nos dias e noites de urna plateia cada vez mais ampla, disseminada por todo 0 Pals. Descoberto como canal nilo apenas noticioso, mas tambem como uma maneira eficaz de implementar neg6cios, 0 jomal passou a abrigar reclames, influindo nos habitos da populayao e refletindo, a cada moment<>, a modemidade de consumo de urna sociedade que se desenvolvia a passos menos largos, mas disposta a se mostrar em dia com 0 seu tempo. Como instrumento de vendas, 0 jomal foi e continua sendo de grande eficacia, com 0 seu poder de agregar detalhes ainformayao e de ampliar 0 tempo de exposiyao da mensagem no receptor. Em contraposiyao a meios como a televisao e o radio, com os quais necessariamente ele nao conflita, 0 10mal oferece a vantagem de possuir urn horacio nobre que pode se estender pelas vinte e quatro horas do dia, segundo a predisposiyao de leitura, a disponibilidade e tempo e 0 interesse do leitor. A atrati" lade do jomal tende a se manter acentl .Jda, dado 0 poder que ele tern de ofereccr maiores espayos a informayao, podendo complementar a notfcia dos fatos que a televisao comum~nte apresenta de forma sintetizada e com pressa peculiar a urn meio de tao elevado custo operacional. De resto, pesquisas recentes, levadas a efeito em algumas nayoes do Primeiro Mundo, puderam comprovar na pTlitica aquilo que a sensibilidade, a experiencia profissional e alguns levantamentos eventuais ja sinalizaram: a complementaridade do jomal em relayao amldia eletr6nica. Nio que 0 jomal dependll; da televisao. Ele pode ser ate 0 meio exclusivo de algumas mensagens de natureza comercial,

dependendo da natureza e do volume das informay3es a serem transmitidas. 0 que foi medido e 0 efeito provocado no espectad or poI .urn e por outro meio e os resultados da sua associayao. Esses estudos demonstraram que, submetidas aapreciayao de comerciais de alguns produtos e serviyos, as pessoas pesquisadas declaravam a apreensao de certas caracteristicas e atributos desses bens de consurno anunciados. Nao todas e mesmo as percebidas e lembradas nem sempre 0 eram de forma completa. Ap6s essa primeira leitura, as pessoas eram convidadas a ler 0 anuncio com que cada produto ou serviyo, na mesma campanha. se apresentava ao publico na mfdia imprensa. Quando novamente confrontados com os comerciais de televisao, os integrantes dos grupos de testes passavam a destacar detalhes que nao haviam sido apreendidos. Alem de verem ampliado 0 seu entendimento sobre a proposta geral das mensagens e corrigidas certas deformayoes de percepyao, ocasionadas pela pressa ou pela postura mais passiva com que 0 telespectador se posta diante da sua teve. Tais conclusoes deixam bern clara a inexistencia de conflito entre esses meios e que eles pod em ser associ ados, numa convivencia amigavel, capaz de gerar beneficios a clientes, agencias e consumidores. Por possufrem caracteristicas diferenciadas e complementares, eles nao se excluem. Ao contracio, se somam na busca do resultado pretendido. Por essa mesma rauo, a mfdia impressa continua a ocupar lugar de destaque na distribuiyao das verb as publicitarias, chegando ate a ampliar em urn ponto percentual a sua participayao nesses investimentos. Ponto que a televisao perdeu. Essa e mais uma prova da vitali dade do meio e do quanto ele pode fazer pelo sucesso do que anuncia. o que ocorre e que, na sua parceria com 0 jomal, 0 pro fissional de propaganda deve 'atentar para urn fato sabido, mas nem sempre lembrado: 0 de que as pes soas nao vao ate as bancas em busca de seus exemplares - assim como nao ligam seus receptores de radio ou de televisao - com a finalidade basica de ver e ouvir os anuncios. !sso pode ocorrer, mas com urn peso estatistico tao baixo que confirma a regra

da prevalencia da programayao e de conteudo editorial sobre a peya publicitaria, nao obstante 0 fato de 0 intervalo comercial ou as paginas de antmcios se mostrarem as vezes mais inteligentes e criativos . do que 0 veiculo em que sao exibidos. No jomal, 0 que atrai de imediato e 0 fato mais quente do dia, seja ele a conquista de urn campeonato, as informay3es sobre urn grande show ou mesmo a ocorrencia de uma catastrofe. Assim, 0 material publicitario deve d1sputar seu espayo com as noticias, ser de tal modo instigante que possa atrair a atenyao ate do leitor quase sem tempo, que fica urn dia inteiro

com umjomal sem conseguir sequer ler a materia que motivou sua compra. Considerando que os custos das inseryoes nos diversos velculos de comunicayao se expressam a partir dos indices de prefereneia do publico, aumentar as tiragens dos jomais seria urn modo de trayar uma curva ascendente nas tabelas de veieulayilo. Esta nao parece seT uma alternativa faeil, porque depende de niveis educacionais mais altos e de melhor distribuiyao de renda. Robeno Medina e presidente da AJ1pJan Publicidade.

o que ha de novo Evandro Carlos de Andrade Durante trinta dos diferentes anos que pratico a profissao de jomaIista, batuquei furiosamente em maquinas datiJograficas, as vezes por seis horas cOnsecutivas. Nao tao furio samente quanto meu colega Raimundo Souza Dantas, mais tarde embaixador do Brasil em Gana, e que no veIho " Diario Carioca" literalmente esmagava, uns Contra os outros, as tecJas, do papel e .0 rolo da maquina, com tanto ruldo que nos dava a impressao de estar-se vingando de alguma crueldade sofridaantes de chegar a funyilo de rep6rter credenciado na antiga Camara dos Deputados. \ 1\05 ultimos anos, no entanto, apenas com tecJados de computador, assim como todos os meus companheiros do Globo. Na fase das remingtons e olivettis, a gente podia se queixar do barulho, nada mais. Nem mesmo 0 dedo indicador 50fria, embora fosse 0 mais acionado, a ba-ter infinitamente 0 "x" com que abafavamGS as erros de datilografia cometidos. Nunca ouvi outro tipo de queixa, nem mesmo soube de alguma entre aqueles datil6grafos dos cart6rios que copiavam sem parar as imensas escrituras. o advento do computador nas redayOes excitou os sindicatos. Sem duvida aJguma depois de alguns anos olhando para terminais de video, todos acabarlamos inevitavelmente cegos. E~a das caracterlsticas da grande maioria dos chamados IIderes sindicais, essa de procurar justificar sua inatividade buscando encontrar defeito de trabalho dos outros. Ate hoje, ninguem cegou, E pelo visto a Humanidade caminha bovinamente para esse triste destino de passar a maior parte da vida diante dessas telinhas, seja a trabalho seja para se

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divertir. E triste, mas pelo menos afeta muito poueo, se aJguma coisa, 0 aparelho visual. o mesmo, entretanto, e surpreendentemente, nao acontece com os dedos. Existe hoje nas redayoes, quase que uma praga de tendinite, doenya que antigamente 56 dava no ombro de tenista ou calcanhar de atleta. o comeyo achei ate que era blefe, vontade de morcegar. Mas tantos os casos, que hoje acredito: e doenya mesmo, tendinite em punhos, maos, dedos. Meu lado medico poe a especular: desenho dos m6veis? Nunca foram tao confortaveis . Configurayao dos teclados? Ha quem pense que sim, tanto que comeyam 87 ANOS DA ABI

Jomal 0 Paiz, Av. Central, esquiM com Rua Sde de SdenrbIo, primeira selle da Associa¢o de Jmprmsa.


a desenhar teclados em forma de ferradura, sem que os inventores com isso pretendam fazer qualquer homenagem irônica ao cérebro dos usuários. Mas tenho a impressão de que se deve uma chance à hipótese de estar o defeito na delicadeza. É como se um concertista passasse horas e horas todo dia, para não incomodar o vizinho, ensaiando todas as suas peças em pianíssimo. É bem possível que acabasse com todos os nervos abalados, e especialmente os das mãos. Em conclusão: quem sabe não será recomendável teclado mais resistente, que exija vigor digital no seu manuseio? Teclados à Souza Dantas. Convém alertar, porém,: não vale inventar tendinite. Qualquer médico, nem precisa ser especialista, saca logo se é doença ou chute. Tudo isso a que propósito? Para falar de novas tecnologias. EU gastei todo esse latim acima numa tecnologia que de, tão banalizada, já está velha. O que há de novo, o que vem por aí e tira o sono de alguns profissionais, é a ramificação da atividade. Meio aterrorizados, jornalistas de redação são informados de que o negócio deles agora não vai ser mais o jornal, vai ser a informação. E a informação será distribuída por uma quantidade expressiva de meios, cada um deles a exigir linguagem adequada : audiotexto, fax, cd- rom, videotexto, sei lá eu o que mais. É ruim? Não. É bom. Na pior das hipóteses, deve aumentar a oferta de emprego. Dificuldades que surjam se resolverão com treinamento, e quem sabe as faculdades de jornalismo já comecem agora a preparar seus alunos para esses novos mercados. A terrorismo está na profecia de que , com essas novidades, o jornal vai acabar. Duvido que aconteça. É mais ou menos como no caso das fontes de energia: a cada uma que surgia, previa-se que dispensaria as anteriores. E hoje todas se somam, do carvão de lenha à energia nuclear, e

continuam insuficientes. Não consigo vislumbrar o fim do jornal-impresso-em-papel- linha-dAágua. Reconheço que é esquisita essa prática de pôr abaixo florestas a cada dia para lançar às rua um produto que no dia seguinte vira papelão ou lixo( pois nem serve mais para os embrulhos da quitanda ou do açougue). Lembra o exemplo clássico do besouro. O besouro não é aerodinâmico. Tem asas curtas demais para deslocar aquele corpo pesadíssimo. Qualquer projetista aeronáutico diria que o besouro não pode voar. Se contarem esse drama ao besouro, ele vai continuar voando, porque é a sua natureza, mas provavelmente ficará neurótico. Li isso uma vez num livro de Kenneth Galbraith e acho que se aplica ao nosso caso. Nossa profissão é neurótica. Mas não vai acabar. O leitor por acaso já se imaginou levando seu computador de manhã para o banheiro, a fim de tomar conhecimento das últimas novidades? Ou ficar colado com a cara no terminal, como um prato de parede, sempre na mesma posição, para saber o que se passa? E vai abrir mão do prazer sensual de folhear o seu jornal, saboreando o poder de jogar fora tudo aquilo que não lhe interessa numa volumosa edição de domingo? Sim vai chegar o dia em que , ao lado do computador, haverá uma impressora, em papel-jornal-linha-dAágua, e o usuário escolherá na tela páginas que deseja imprimir, nítidas coloridas, como as de hoje, só que reduzidas as seu interesse pessoais e direto. Claro que não faltará quem mande imprimir o seu jornal inteirinho, mesmo. Eu, por exemplo, se posso, leio o meu de cabo a rabo. Mas isso em nada afetará o mercado dos fornecedores de informação. Na máxima, aposentará rotativas. E ainda vai demorar muito, pelo menos até o século que vem. Desgraça, mesmo para jornalista de redação, é não crasear direito ou confundir nas regências o uso das preposições.

voltou a uma situação econômica saudável no setor e os investidores e executivos das empresas já consideram novos investimentos. Na celulose, a Stora e MoDo, duas gigantes suecas no setor, têm planos de investir US$ 650 milhões na produção de usinas com capacidade combinada de 660 mil toneladas. Mais uma vez, como a construção de uma nova fábrica leva pelo menos dois anos, somente em 1997 (3º trimestre) é que teremos o cenário modificado. Mas, a demanda aponta um crescimento de 1% a 2% ao ano, o que desequilibra mais ainda o mercado (até 1997 - 3º trimestre). No papel jornal, a maior fábrica da Coréia, a Hansol, pega fogo e as exportações do mercado norte-americano para supri-la chegam ao preço de US$ 1.080/t. Os produtores canadenses estão reduzindo as exportações para a Europa, de 740.000 t para um estimado de 620.000 t, por esta ter aumentado sua produção interna e também pelo fato de os preços europeus serem relativamente baixos. Mas, a demanda da Europa Ocidental aumentou e, hoje, falta papel. Em janeiro, os preços aumentaram 25% na Europa continental. Neste ano, os canadenses foram atraídos por um mercado norte-americano mais forte e pelo aumento de preços na Ásia e América Latina. A produção de papel jornal está no limite e pouco aumento se espera para os próximos anos. A greve em três fábricas da Fletcher Challenge, em British Columbia, que terminou em 7 de fevereiro, reduziu a oferta de papel em 2.000t/dia durante os seis meses de duração. Na América Latina e Ásia, o crescimento de demanda, devido ao

Evandro Carlos de Andrade é diretor de redação do jornal O Globo.

Crise do papel altera planejamento editorial Pedro Pinciroli Jr. O mercado deve continuar “Mercado Vendedor” nos próximos anos. No Brasil, o aumento de consumo de papel jornal em 1994 foi de 17%, chegando a 534.000 t. Ao mesmo tempo nossas principais fábricas, Klabin e Pisa, têm produzido abaixo da média projetada: a 1ª, das 357 t/ dia está chegando a 300 t/dia e a Pisa, com uma parada de máquinas para manutenção na 2ª semana de fevereiro, veio a agravar de forma mais acentuada a oferta desta matéria-prima no mercado interno. Quanto aos investimentos para aumento da capacidade de produção, com novas máquinas, a Pisa resolveu aguardar até 1998 para tomar uma posição e a Klabin pretende decidir até junho próximo. Como da tomada de decisão,

ANÚNCIO IBM

até o star-up leva-se de 18 (130.000 t) a 36 meses (250.000 t), isto significa que a produção brasileira poderá crescer somente em 1997 ou, ainda, caso IKPC decida não investir em novas máquinas, no ano 2000. Para 1995, projeta-se um consumo de 560.000 t. No mercado mundial, a falta de celulose e acentuado aumento de seu preço - US$ 380/t no final de 1993 e US$ 750/t no momento, com as empresas suecas e norteamericanas estimando que os preços irão alcançar US$ 850/t em 1996 - criam uma nova alavancagem para futuros aumentos do papel-jornal e já levam os seus fabricantes a considerarem os aumentos ocorridos até agora como insuficientes para as margens de lucros projetadas. Seguindo o movimento de gangorra do mercado de papel e celulose, nem bem se

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aquecimento econômico, tem produzido um desequilíbrio e elevado os preços bem acima do mercado europeu. Fala-se de preços de US$ 1.000/t no sudeste da Ásia e US$ 900/t na América Latina. Estes dois mercados têm comprado 18% do papel canadense, quando compravam menos de 9%, há 10 anos atrás. Além dos aumentos de primeiro de março, média de US$ 50/t, a Bowater anunciou o maior aumento de todos: US$ 125/t a partir de primeiro de maio. Outras fábricas, como Abitibi, Champion e a Stone Consolidated, também anunciaram aumento semelhante. Assim, o consumo de papel jornal nos EUA, que é de 11 milhões de toneladas/ano, terá um aumento de aproximadamente 65% em primeiro de maio de 1995, em referência ao preço de maio/94. Neste momento, tão ou mais importante que o preço é a falta de ofertas, o que leva muitas empresas jornalísticas a uma situação de insegurança. Assim, como os preços de papel jornal continuam em ascensão e há dificuldades de fornecimento, os jornais devem ser eficientes, contatando vários fabricantes ou representantes, negociando preços e tentando antecipar compras. Além da preocupação em formar estoques, devem buscar cortes nos custos de distribuição e impressão, e ter planos alternativos de redução do consumo de papel (que vão do encalhe à redução do número de páginas por edição), para caso do agravamento da crise. Pedro Pinciroli Jr. é vice-presidente da ANJ.


A jun¢o social do jomalismo ficou ainda mais evidenciada depois do processo de impeachment do Presidente Col/or. Mas lui jornais queJazem da a1tica ao Congresso zona espeae de marketing proprio - uma postw-a bem diferente da cobertwaparlamentar na primeira melade do secu/o, quando edi~ extras divulgavam dis-

cursos do plenirrio. Hoje se nota um posicionamento em assuntos, como na a¢o dasJoryas armadas no combate ao crime no Rio de Janeiro. Ha tambem casos de prepotencia cia imprensa, que precisa enconJrar suaspropriasjormas de controle para continuar sendo prestadora de serviyos asocieciade. BALANC;O D.6. COMUNICAc;Ao

A fun9ao politica da imprensa

ANfES DA REVOLUc;AO DE TRlNTA

a Camara funcionava no Palacio Tiradentes e 0 Sen ado no Monroe.

Paulo Motta Lima A participay!o da imprensa em nossa evoluy!o politica fortaJeceu-se a partir das campanhas da AboJiy!o e da Republica. as quais se seguiram freqUentes demonstra y(5es de eficacia da atividade jornalistica. Lembro-me, por exemplo, do tempo em que os trens da Great Western levavam de Macei6 a Viyosa 0 "Jomal de AJagoas" de Luiz Silveira, infonnando sobre a Primeira Guerra Mundial 'e comentando 0 desdobramento das lutas que em todo 0 Nordeste derrubariam governadores que 0 povo odiava. Em AJagoas seria deposto Euclides Malta. Em Pernambuco, Dantas Barreto substituiria Rosa e Silva. Mudanyas identicas ocorreriam ate 0 Ceara. -Em todo 0 Pais, ate certa epoca, os jornais refletiam a personalidade e a linha partidaria de seus donos. Antes da insurreiyAo, em 1922, do Primeiro Cinco de Julho, destacavam-se no Rio "0 Imparcial" e depois 0 "Diano Carioca". Desta.cavam-se na redaylo do "0 lmparcial" Leanidas de Rezende, Humbc!rto de Campos, Pedro Motta Lima, Reis Perdigio, Manuel Gonyalves, Gildisio Oliveira e outros. Mario Rodrigues ganbou proj~ no "Correio da Manhi" e depois fundaria "A Manhi". Esta, substitufda pela "A Crftica", de Pedro Motta Lima, Oswaldo Costa, Alvaro Moreira, Otavio Malta, Sady Garibaldi, Ruberp Braga, Brasil Gerson e outros.

o JULGAMENTO DOS LEITORES

No auge de sua gl6ria, Heine ja realyava a influencia dos noticiaristas e comentaristas atraves de uma observayao valida ate hoje: "Eu escrevo com urna bonita caligrafia, que entrego ao compositor e ao impressor.' Mas 0 que e redigido, composto e impresso, vai receber dos leitor~ 0 julgamento definitivo."

AS SUCESSIV AS EmC;OES

Esse julgamento definitivo da opiniao publica, ao qual aludia Heine, aqui no Brasil, ao tempo dos jornais de Macedo e de Edmundo, era facilitado pelos vespertinos no lanyamento de sucessivas edi9OeS. Saiam a curtos intervalos 0 primeiro, 0 segundo, 0 terceiro e outros cliches, apregoados por jomaleiros de dez ou doze anos. Eles pulavamnos estribos dos bondes em movimento, anunciando aos passageiros o que vinha nas manchetes. Eram as vezes discursos pouco antes pronunciados no Palacio Tiradentes ou no Monroe. 0 tItulo do vespertino "A Noite" inspirou urn slogan gritado pelos pequenos vendedores: "Olha "A Noite'" A noite IS escural Quem nio sabe ler ve figural" .

Antes da Revoluyao de Trinta, candido de Campos orgulhava-se de seu vespertino " A Notfcia", primorosamente redigido. La, trabalhou como secretario de redar;:ao Rod Ifo Motta Lima, ao mesmo tempo em que tambem cumpria hor8rlo no "Correio da Manhli". As horas de sono dos profissionais da imprensa eram racionadas. Como, por sinal, ate hoje acontece. Trabalhar scm direito a dorrnir s~mpre foi milagre nao mencionado na "Legenda Dourada" de Jacque Voragine. Penitencia que nlio da ao jomalista acesso acano~o.

t BARAO DA IMPRENSA

Na hlst6ria do jornalismo tivemos urn homem apresentado em biografia escrita por Fernando Morais como "urn barlio da imprensa". Urn "barlio que trovejava". Com efeito, Chateaubriand marcou significativa transiyao. Ultrapassou 0 tempo dos "donos de jornais". Tomou-se imperador de vasta cadeia. Quando comeyou a construf-Ia, as sete da manha, ja estava de chap6u pa1heta e calrylio de banho, na Praia de Copacabana, conversando com magnatas nacionais e multinacionais. E s6 encerrava 0 expediente ao sair da redaylio da Rua Rodrigo Silva, altas horns da manhA, voltando para casa. OS INTROMETIDOS

Bittencourt urn amigo do dono da casa publicava pessimos artigos. Graciliano Ramos, embora sua tarefa se limitasse acorreyao de erros de portugues no editorial , nos t6picos e nas materias assinadas , urn dia, indignado,jogou na cesta a produc,ao literaria do articulista amador. Soube-se na redar;:1o que autor da obra-prima reclamara junto a Paulo Bittencourt, alegando ter sido desconsiderado. Como terrninaria 0 incidente? Era essa a expectativa. Mas no dia seguinte. chegando a redayao. Paulo Bittencourt, risonho, limitou-se a dizer a Graciliano : "Voce fez 0 diabo com fulano ." E foi andando, na atitude de quem se livrant de urn importuno.

o

TEM COMO HOJE

Constante tern sido a participar;:ao dos jornais em nossa evoluyao politica. Nos jornais pertencentes a "donos" e tambem nas empresas jornalfsticas. Assim, os que recentemente assistiram a inaugurar;:ao, em Florian6polis, da nova sede da Associayao Catarinense de Imprensa, solenidade em que se recordou a figura de Gustavo Lacerda, fundador da ABI, leram, gravadas em uma plaea, as seguintes palavras de Barbosa Lima Sobrinho: "A investigay!o da imprensa tern de ser continua porque e seu dever fiscalizar 0 Estado ." Paulo Mona Lima, aos 90 ano'.

No "Correio da Manha" de Paulo

I! 0 1° subscretArio da AB!.

87 ANOS DA ABI

AREPORTAGEM PARLAMENTAR

o AuxiLIO DO TELEFONE Ao tempo dos jornais vinculados apersonalidade de seus donos, antes do

dos e em seguida derrubados por banca-

Na Camara, enquanto ainda estava sendo pronunciado urn discurso capaz de alterar rumos politicos, Otavio Malta telefonava para 0 redator de plantao de seu jomal, Rafael de Holanda. Malta conservava a dicr;:ao nordestina e Holanda era meio surdo . Quando urn trecho era menos compreensivel , Holanda reclamava e dizia: "Malta, tira 0 cigarro da boca!". Acontece que Malta

das de imprensa, como as da epoca ern que

nio fumava .

surgimento do jornal-empresa, grande era a influencia da reportagem parlamentar, que ajudava a sustt!ntayao ou a derrubada de governos. Diante disso, os parI amentares buscavam

0

apoio da reportagem da

Camara e do Senado. E esse foi

0

caso de

Cafe Filho, Carlos Luz e outros, guinda~

15

Oficina do Jomal do Commercio

·Augusto Mall&, AnjUivo MlS·


A imprensa e 0 congresso Ricardo Noblat

o

jomalismo politico ganhou, ao longo dos anos, urn status especial dentro da profissio. Dele surgiram nomes impressionantes, que influencia.ram gera¢es, politicos e ate governos. 0 saudoso Carlos Castello Branco foi urn exemplo desse tipo muito especial de pessoa, co,mpleta e at>solutamente dedicada sua profissao. Castelinho, como era conhecido, vivill jomalismo 24 horas por dia. Escrevia pela manha: por volta das onze horas sua coluna ja estava pronta. Ele nao cuItivava as fontes. Os politicos tinham uma certa dose de ansiedade para conversar com 0 colunista do JB. E 0 procuravam. Castello e 0 exemplo do born jomalismo. Ele e imo~l na Academia Brasileira de Letras e nas redayoes. Teve 0 cuidado de dizer 0 possivel e 0 necessano durante a ditadura militai', quando, a1ias~ 0 Congresso s6 existiu na sua coluna no Jornal do Brasil. HA projetos de Castelinho em curso na imprensa brasileira atual, mas 0 noticiArio gerado no Congresso Nacional e usua1mente fraco, insuficiente e, nao raro, equivocado. Ninguem discute que 0 Congresso brasileiro tern defeitos, mas tambem tern suas virtudes. Ele ni\o sera diferente da media da sociedade naciona!. A bancada de RondOnia, por exemplo, tern side assaltada - com urna constancia assustadora - por casos de parlamentares ligados ao trlifico de drogas. Alguns foram cassados, outros estao sob investigayio. RondOnia eo estado brasileiro que tern as melhores ligayOes rodovianas com os paises produtores de cocaina. H8, portanto, alguma explicayio para o fato. Na outra ponta da linha, ha explicayoes para 0 fato de as Foryas Armadas estarem montando urn gigantesco projeto de radares, que se esconde sob 0 fragil argumento de defesa da ecologia. Na verdade, o SlYAM, que foi discutido pelos assessores parlamentares dos ministerios militares com diversos parlamentares, transitou durante muito tempo dentro do Congresso. Osjomalistas nao viram. Descobriram o neg6cio de mais de urn bilhilo de d6lares somente depois que 0 New York Times insinuou ter havido corrupyilo de funcionarios e parlamentares, para que a empresa norte-americana Raytheon ganhasse a 'c.oncorrencia. Os principais assuntos brasileiros transitam dentro do Congresso Nacional.

a

Nilo silo discutidos pelos jornais, nem objeto da curiosidade dos reporteres, Deputados e Sen adores gastam seu tempo em Brasilia conversando com Ministros, funcionArios do primeiro escallio e, as vezes, com 0 Presidente da Republica. Basta conversar com 0 parlamentar certo. Basta ter a vontade de encontrar 0 assunto. Basta ter a paciencia para ouvir muita hist6ria sem importfulcia, antes de chegar aquilo que, de fato, e noticia. A cobertura que os jornais e os jonialistas fazem do Congresso e normalmente extensiva. E preciso dizer que existe urn Pool informal, montado pelos pr6prios rep6rteres. Os integrantes desse pool decidem 0 que sera a noticia importante do dia seguinte e todos os colegas se lanyam na mesma direyio. Ocorre, enta~, aquele espetaculo lamentavel: os noticiArios de televislio slio todos rigorosam~ie 'iguais. Nlio ha furos, nile h8 materias exclusivas. Os rep6rteres disputam, somente, 0 melhor angulo para entrevistar 0 mesmo politico. Os jomais repetem a f6rmula. Todos tratam dos mesmos assuntos, co-m mon6tona regularidade. E ouvem as mesmas _ fontes. Exemplo ilustrativo: desde 0 in!cio do governo Fernando Henrique, os jornais repetem que as reformas da Constituiyilo serio aprovadas dessa ou daquela forma. Os textos dos projetos nilo entraram sequer na ordem do dia, nenhuma reuniilo dentro da Camara ou do Senado _ foi realizada, os lfderes nlio se mobilizaram, mas os jornais insistem em fazer urna futurologia baseada, somente, na vontade dos porta-vozes do governo. estranho fenOmeno que ocorre na cobertura do Congresso Nacional nlio e novo, nem original. Fernando Collor era urna pessoa conhecida em Brasilia. Seu brayo direito, Paulo Cesar Farias, tambem. As hist6rias sobre urn e outro correram, a farta, Ii boca-pequena por toda a cidade. Mas, somente depois que Pedro Collor decidiu dar sua famosa e bombastica entrevista Ii revista Veja, os jornais se movimentaram. Cobriram de maneira parcial o impeachment. 0 ex-presidente Collor teve todos os defeitos, foi responsavel por muitos desmandos pes ados ocorridos no Brasil, mas os jornalistas esqueceram-se de escrever sobre urn fato estranho: em nenhurn momento, durante todo 0 processo de impeachment, houve uma acusayilo formal contra 0 entao Presidente da Republica. Osjornalisw preocupararn-se, naque, la epoca, em colocar alguns pari amenta-

'res na posiylio de her6is modernos da recem-criada democracia verde-e-amarela. Alguns deles foram pegos no contrape da politica. Tinham se beneficiado das verbas do oryamento da RepUblica. Outros, que foram antecipadamente execrados, provaram sua inocencia,e a Comissilo Parlamentar de Inquerito nlio encontrou provas que os incriminassem. De novo, retorna Ii cena 0 pool, que decidiu 0 que fazer, 0 que idolatrar e 0 que puxar para as manchetes. Os jornalistas nlio sao os (micos responsaveis. Hajornais e noticiarios de televisao que fazem da criti ca ao Congresso Nacional uma especie de marketing de seu produto. E preciso falar mal da instituiylio e, por conseqUencia, falar mal de Brasilia. Sera que colocar a Capital da Republica no Rio de Janeiro, cercado por traficante, iria melhorar a qualidade da politica brasileira? Slio questoes que os marketeiros nlio respondem, Eles criam fatos, colocam as multi does nas ruas e depois conciliam suas versoes com a realidade dos fatos. 0 Congresso Nacional e urna instituiyio aberta e transpatente. Desarmada: E f~cil criticar 0 Parlamento. Nilo hA vinganya, revanche ou qualquer problema posterior. DificiJ e levantar criticas contra urn Governador de Estado ou urn Ministro. Urn e outro possuem 0 poder de criar problemas para 0 jomal e ainda mais para 0 jornalista.

. Os politicos, que precisam dos jorna-listas, vivem nessa berlinda e nesse dilerna, Sao obrigados a conversar com os rep6rteres, sugerem pautas, criam assuntos (entre eles, e corrente a expresslio "criar imprensa") para aparecer no noticiano. Na Constituinte de 1988 alguns deles tornaram-se famosos, porque entravam em reunioes importantes apenas para sair, minutos depois, e dar entrevistas aos jornalistas . E aquela imagem comum do politico abrindo a porta de algum gabinete famoso. A conclusao desse reiack'namento tenso e dificil entre jornais,jorna\istas e Congresso e 0 de que os dois lados precisam se conhecer melhor. Os politicos levam vantagem, porque conduzem 0 noticilirio. Os jomalistas se deixam conduzir por omisslio ou desinformayao. Perde 0 leitor que s6 consegue ter acesso ao noticiario serio e real mente importante quando 0 ass unto ganha outra dimenslio e sai das paredes e salas do Congresso. E todos, sem originalidade,justificam seus erros, criticando Deputados e Senadores. Esquecidos de que 0 assunto transitou pelas comissoes e pelo plenario, mas os rep6rteres nlio perceberam.

Ricardo Noblat ediretor de red~o do Correia Brazilieose,

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Meninos jornaIeiros garantilun a yelocidade do chegada da nodcia aos lei/ores


A função social do jornalismo Carlos Chagas O motorista de táxi exerce uma função social. Transporta passageiros para o trabalho, o lazer ou a residência. Da mesma forma o fabricante de sardinhas, que contribui para a alimentação do cidadão e sua família. Função social também tem o banqueiro, e o bancário, porque nos bancos se deposita dinheiro, se fazem pagamentos, aplicam-se economias e até, eventualmente, levantam-se papagaios. Nessa procissão interminável podemos colocar o funcionário público, o médico, o arquiteto, o padeiro e o lixeiro. Até mesmo o apontador do jogo do bicho, cuja função social é alimentar esperança do povo mais sofrido, sempre imaginando que um dia vai ficar rico. Onde a função social da imprensa difere das demais, ou pelo menos, assume características especiais? Dirão os materialistas ( ou serão os monetaristas?) que não difere em nada, porque o jornalista é remunerado pelo trabalho de informar, e o dono do jornal, mais ainda. Não são cavaleiros andantes de notícia, a enfrentar moinhos. A notícia, para eles, constitui mercadoria como as demais, igual ao transporte, a sardinha, o dinheiro e tantas outras. Só que não parece bem assim, mesmo se observando a avidez com que determinados veículos de comunicação incluem na prestação de informações prêmios e regalos como a distribuição de dicionários, enciclopédias, atlas, automóveis, apartamentos e muito mais coisa, tudo para aumentar a circulação. Trata-se de um artifício, às vezes pouco ético para com a notícia, de envolvê-la com penduricalhos de toda a ordem. Qualquer dia vão esquecer de informar para dedicar-se apenas aos brindes, com a evidente contrapartida do faturamento aumentado, mas essa é outra história. Vamos ficar na função social do jornalismo, sem a pretensão de imaginar que apenas a imprensa a exerce. Porque, pela ética, informar pressupõe informar corretamente. Com o animus de estar transmitindo ao leitor, ao ouvinte, ao telespectador e até ao proprietário de fax, computadores ou telex, a notícia precisa, correta e que interessa à sociedade. Alexei Soljenitsin, mesmo usado como produto de mercado pelo capitalismo, por ter sido censurado, preso e expulso da antiga União Soviética, surpreendeu seus padrinhos ao pronunciar conferência na Universidade de Columbia. Ao questionar o modo de vida americano, e o jornalismo praticado no mundo ocidental, per-

guntou quem havia dado direito aos jornalistas de selecionar os assuntos e as notícias que divulgavam. Foi um Deus nos acuda porque, sabemos mais do que ninguém, a notícia costuma ser manipulada. Publica-se o que não interessa porque a publicação rende dividendos. Deixa-se de publicar o que interessa porque a publicação criará problemas no faturamento. Mesmo assim, e apesar dessas exceções não raro transformadas em regra por conta da ganância, existe uma resposta para o escritor russo. Quando sentimos uma dor no estômago, vamos ao médico. É ele que está preparado para dizer que trata de úlcera, câncer ou uma simples diarréia. Muitas vezes erra e nos deixa na pior, mas, no geral, acerta. Porque? Porque preparou-se para o exercício da medicina. Estudou, praticou, discerniu e concluiu. A mesma coisa com o jornalista. Não obstante falhas conscientes ou propositais, quem melhor preparado para dizer o que é e o que não é notícia? Pelos anos seguidos de profissão, tanto quanto agora pelo curso praticado nos bancos universitários, um jornalista tem condições de saber o que interessa à sociedade. Aquilo que despertará a atenção do cidadão comum. Nesse exercício situa-se a função social do jornalismo, vale a repetição, apesar de incontáveis distorções, falhas e desvirtuamentos. No tempo dos generais era comum, durante processos pela lei de Segurança Nacional, ameaças ou simples reprimendas, ouvirmos dos potentados da época lições que começavam pela crítica do noticiário, apesar de censurado. “Por que só publicam o que é negativo? A tropa inteira desfilou garbosamente, e vocês só estamparam a fotografia do soldado que marchava de passo errado! Todos os aviões saíram no horário, apenas um se atrasou, e foi esse que ganhou destaque!”. O festival de besteiras não parava, tínhamos que engolir em seco, no máximo tentando mostrar ao general que se um cachorro morde um homem, não é notícia, mas se um homem morde um cachorro, é. Deve a imprensa, de passagem, registrar que tudo funciona bem? Deve, mas apenas de passagem, e até sem necessitar do respaldo de verbas públicas ou privadas sempre dispostas para promover pessoas ou produtos. Mas a essência da notícia situa-se do lado oposto. Nenhum jornal será procurado nas bancas, ao menos em tempos democráticos, se estampa em sua manchete que o ministro Tal está cumprindo suas obrigações. Trata-se do dever dele. Mas se o ministro escorrega,

mete a mão no erário, promove negociatas ou agride alguém, fatalmente se torna notícia. E notícia com evidente função social, porque será conhecendo denúncias de falcatruas ou sucedâneos de um seu auxiliar que um presidente da República, se não for sócio dele, mandará apurar o episódio e dispensará o mau assessor. Ao longo da história do país a imprensa tem prestado serviços inestimáveis à comunidade, através da seleção daquilo que é notícia. Apesar dos excessos, das velhacarias, das omissões e tudo o mais, o saldo continua positivo. Ainda recentemente, foi através de uma revista que começou a ser furado o temor colorido. Um irmão do ex-presidente Fernando Collor denunciou o PC e a roda se movimentou, obrigando o Congresso a instalar uma CPI. Em seguida, outra revista descobriu um motorista, testemunha-chave, que levava cheques-fantasma do palácio do Planalto para privilegiados governantes. Um jornal dedicou-se à exegese da vida da primeira-dama. Outro desvendou o cipoal das extorsões do tesoureiro da campanha do indigitado presidente. Chegaram aos jardins da Casa da Dinda e, afinal, motivada e indignada, a sociedade foi para a rua exigir a defenestração de Fernando Collor, que jamais teria acontecido não fosse o exercício livre do jornalismo. Coisa parecida aconteceu com os anões e brancas-de-neve do Orçamento. Isso é exercer uma função social, e diversa dos motoristas de taxi, dos fabricantes de sardinha e de outras categorias e profissões também voltadas para a comunidade. Registra-se um fato, nessa infausta atividade que precisava renovar-se a cada 24 horas, mas, agora, piorou, porque se encontra em permanente mutação a cada minuto, por força do rádio e da televisão. Durante séculos os jornais eram o veículo

transmissor da notícia. Mesmo com o advento do rádio, de início um instrumento mais de prestação de serviços e de entretenimento, o cidadão só acreditava na notícia quando a via impressa. Os jornais deitavam e rolavam, rodando às vezes sete ou oito edições diárias, à medida em que as notícias iam chegando. Quando apareceu a televisão, era apenas um brinquedinho de famílias ricas. Na era diluviana do vídeo, os telejornais pautavam e divulgavam, à noite, aquilo que os vespertinos e até os matutinos haviam publicado. O tempo passou, a tecnologia favoreceu a imprensa eletrônica e, hoje, o cidadão comum assiste na véspera, colorido e andando, aquilo que os jornais estamparão no dia seguinte. Ou nem isso, porque poucos os que podem dar ao luxo de informar o resultado do jogo de futebol da noite anterior, já assistido ao vivo nos vídeos. Morreu a imprensa escrita? Nem pensar. O fenômeno é mundial, e os jornais começaram a se reciclar. Não podiam mais apresentar a notícia pura e simples, conhecida na véspera, e tiveram que se dedicar à prospecção, à análise, à interpretação e à projeção das informações. A trabalhar o bastidor da notícia, seus pressupostos e suas conseqüências. Desse embate fascinante, o grande beneficiário é o público, premiado, aqui sim, de verdade, tanto com reportagens especiais, impressas, quanto pelo dinamismo com que a televisão e o rádio apresentam, ao vivo, os fatos mais importantes que estão acontecendo. Essa função social bafejada pela era da informatização é que deve ser preservada e melhorada. Muito acima e muito além das falsas portas da esperança e dos dicionários distribuídos em pílulas. Carlos Chagas é editor regional da Rede Manchete e representante da ABI em Brasília .

A imprensa anda a reboque do povo Villas-Boas Correia O problema da ética está hoje muito presente na sociedade. Mas me sinto um pouco perplexo, com o pé atrás, quando essa discussão invade as redações. Não que o jornalista deva deixar esse assunto de lado, mas essa preocupação não é uma constante na vida do repórter. Falo isso com a segurança de quem tem quase 50 anos ininterruptos de profissão. Uma vez ou outra o jornalista vai se encontrar em uma encruzilhada ética e, quando isso acontecer, é ele como pessoa que vai decidir o que fazer. Do mesmo modo que um médico ou um advogado faria. Trabalhar em jornal não deixa ninguém mais

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ou menos sensível a esse problema. Uma das raras ocasiões em que tive que me indagar sobre a minha profissão foi durante os anos negros da ditadura. Quando a Redentora instaurou o AI-5, o clima realmente ficou pesado nas redações. Nessa época eu assinava uma coluna de política no Estado de S. Paulo, uma verdadeira trincheira de luta contra o regime autoritário, mas as dificuldades em exercer a profissão eram enormes. Em um dado momento cheguei a pensar se não estaria coonestando o regime, na medida em que na verdade fingíamos que estávamos exercendo o livre direito de crítica. Foi quando parei para pensar se o que eu fazia era ético ou não e se, principalmente, estava cumprindo a função


social do jomalis18. Estava quase decidido a jogar a toalha, quando fui conversar com 0 Castelo, que tambem tinha urna coluna de polftica. Ele, com toda sua inteIigencia, me disse 0 seguinte: ''temos que ocupar todos os espayos, ate a ultima nesga, para contestar a di18dura." 1550 esclarece mui18 coisa sobre a fimyio social do jomal e sobre a ttica. Ao jomal cabe dar voz asociedade. Quanto aCtica, ela e do jomalis18 e nAo do jomal. Quando 0 jomal deixar de atcnder as demandas da sociedade, ai, sim, sua etica pode ser debatida. Pessoalmente, Dunca fui.forvado a escrever nenhuma materia safada, atacando essa ou aquela pessoa, esse ou aquele partido: Mas se isso acontecesse, acho que 0 caminho natural recusar e procurar os caminhos naturais do protesto, junto ao sindicato. Essa pequena introduyAo foi para dar urn apanhado geraJ sobre 0 que eu pen~o a respeito da etica e funyAo social do jornalismo, para depois poder relaciona-Ios com a violencia do Rio e sua exposiyao na midia. Bom, antes de mais nada, gostaria de dizer que eu sou contra ~sse neg6cio de militar subindo morro e exer~ito cercando favela. Por duas raz6es basicas: 1) nao existe plantayao de nia,conha. nem laborat6rio de cocaina nos morros. 2) a longo prazo, .0 Exercito .~cJ~ba.:.s~odo coop18do, como acontece~ com ' ~' PM,:e quando isso acontecer, vai se apela.r para quem? A s.:>luyao militar foi ':!IDa ideia que surgiu em meio aodima de terro~ que tomou conta de nossa sociedade, em face da escalada da violencia na cidade. Como ninguem agUentava mais nao poder nem sair de casa, adotou-se sem ressalvas uma suposta soJuyao milagrosa. Passado urn primeiro momento, viu-se que 0 milagre nilo se operou. Pode-se dizer que a grande imprensa carioca apoiou completamente a ideia da intervenyio militar, vedando 0 es~ adiscussao de outras solu~. Defuto, issoocorreu, mas e precise entender esse fenomeno. o clima era de tal desespero que, quando a proposta foi lanyada, 0 apoio da midia foi imediato, fechando 0 espayo para an8.Iises critieas e para propostas a1ternativas. Mas os jomalistas sao pessoas comuns, que pegam onibus, sao assaltadas, tem medo de sair de noite, como 0 resto da sociedade. Os jomais apenas refletiram 0 c1ima da populayilo, exerceram a sua fimyio social, que e dar voz a sociedade. Naquele momento, se alguem sugerisse que se contratassem tropas mercenarias para invadir morros e matar traficantes, 0 apoio viria tambem naturalmente. NAo e procedente criticar urn jomal quando ele estA apenas ampliando a voz de seus leitores. Mas seria 0 jomal apenas uma caixa de ressonancia da populayAo? Nao se pode dar urna resposta definitiva para essa questiio. As vezes, e a sociedade que apon18 os caminhos para a imprensa e, por vezes, e ela que faz com que a sociedade enxergue

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o que estA acontecendo. Depende da situayio. Ultimamente, a irnprensa andou a reboque do povo. Se pararmos para analisar a atuayio da mldia nos ultimos grandes acontecimentos, chegaremos a triste conclusAo de que ela veio na rabeira. Nas Diretas J8, s6 quando 0 movimento ja es18va-em sao Paulo, naquele comicio enorme, e que os jomalistas se deram conta do tamanho e da forya daquela manifestayAo. No impeachment de Coli or, houve urn grande consenso. Uma vez que 0 irmao dele denunciou tudo, e, depois, 0 mo. 1oris18 deu os de18lhes, nilo havia mais 0 que discutir, era tudo urn fato consumado. No esc3.ndalo do Oryarnento sim, a imprensa teve 0 papel de divulgar para a sociedade 0 que estava acontecendo! de mostrar urna realidade podre do Congresso. Mas isso niio foi 0 bastante para criar urn grande movimento de indignayio popular. A imprensa tem sido uma caixa de ressonancia, mas, a qualquer momento pode ser ela a indicar para a sociedade 0 ~inho a seguir. Essa relayao e bastantemutAvel. Os movimentos da sociedade civil, como 0 Viva Rio, servem urn pouco para i1ustraf 0, problema da eaixa de ressomincia. E claro que ~ma campanha mais agr~iva .de umjomal ,contra a violencia ou contra 0 crlIl!~_ ~~.tjm~la a criayio de movimentos civis da socioo!lCie. 0 sujeito, que vive um cotidiano em que a violencia estA presente .em quase todos os momentos, quando passa a ler nos jomais editoriais atacando a leniencia das autoridades, pass a aver todo dia estampado em primeira pagina um crime violento, se sente impelido a fazer alguma coisa. Dai podem surgir movimentos, a partir desse c1ima na.scido fia sociedade, mas reforyado pelo jomal. Mas hci oportunidades em que 0 jomal falha em capturar esse clima, perde urn pouco da sensibilidade. Ai surge urn movim~nto da sociedade, que acorda o jomal para 0 problema. No caso especifico da nos sa cidade, ha urna indignayAo geral, ninguem agUenta viver com medo. Nio que 0 Rio seja mais violento que Sao Paulo ou Belo Ho'i,zonte. Mas a topografia da cidade fez a violencia se espalhar por todos os bairros, a partir das favelas, onde os marginais se escondem em meio apopulaylio pobre. Em Slio Paulo, a violencia fica no suburbio, .escondida das classes formadoras de opiniio, que slio as classes media e alta. A imprensa paulista, profundamente provinciana, gosta de mostrar a violencia do Rio e finge que nlio ve a da sua propria cidade. Pior para eles. Enquanto a imprensa do .Rio estiver noticiando, reclam~do das autoridades e dan do espa90 para a manifestayio da indignayio da sociedade, havera uma pressio maior para que os problemas sejam resolvidos. Vi11as-Boas Correa ecomentarista politico do JOl'llal do Brasil e da Rede Manchete

'0 la:d6 negativo da noticia aos interessados em utiliza-Ia contra os outros. A maledicencia com a po)[tica e um velho esporte, al6m da tradiyio de Nio e de bO.m auguno ver socialmendescarregar sobre 0 Congresso 0 ~p de te juntas, Intimas da classe media, a imtodas as frustray3es pessoais e de ciasse. plicancia com a po)[tica e a intolerincia Mas e fenomeno passageiro, que vai e com a Iiberdade de imprensa. Separadas, volta. sao ate suportAveis. A relayio comproA veemencia crltica contra 0 que se metedora entre as duas pretende fazer a considera excesso de liberdade de imprencabeya do cidadiio geralmente desatento, sa sempre deixa no ar a conveniencia que nlio acompanha 0 que se passa ao seu (quem sabe?) de medidas restritivas. Nilo redor. pass a, porem, de insinuayao. No fundo, EClais que efeito das circunstancias a endossa-se a ilusao de que 0 desconhecima vontade em relayilo a po)[ticos e jor- mento da realidade, no que ela mostra de nalistas. A polftica e 0 jomalismo vivem pi~r, tem 0 poder de melhorar 0 Mundo e sob a mira da intransigencia. A atual . purificar a vida: 0 lade negativo rege 0 ofens iva nas duas frentes de queixas peruniverse em que gravitam os jomais: asmanentes aproveita a onda mora~ista que saltos, seqUestros, arrombamentos gapegou de mau jeito 0 Congresso e, de quenham peso esmagador na argumen18yio bra. quer incompatibilizar a liberdade de dos que acreditarn que a noHcia difunde imprensa com a opiniio pUblica. as tecnicas do crime. As pesquisaS indicam queda de presFica implicito no racioclnio ingenuatigio da politi~ mas nio tem opi~iio formente obscuro que a violencia perde gramada a respeito de jomalismo. N~.o ~ fevidade e se lorna epis6dica se nao for Ienomeno exclusivilIDente brasilei'ro 0 cosvada ao conhecimento publico. A censutume de descarregar eventualmente sobre ra vem a ser. sem dar 0 nome. 0 linico o Congresso a indignayio clvica. E a.desantidote contra efeitos sociais do crime. ccnfianya com a liberdade de imprensa e Essa leitura tern como premissa que jorprivilegio social. A prevenyao mais conais. radio e televisilo desprezam ( por mum contra 0 jomalismo, com raizes na principio) as boas noticias, e, com segunclasse media. parte da premissa segundo da intenyilo, dlio prioridade as catastroa qual a noticia ensina 0 assaltante em fes. ao crime, a anonnalidade, as crises. potencial, fonna pivetes, difunde as espeE dificil convencer grandes parcel as cialidades do crime. No entanto, fecha sociais de que jomal, radio e televisilo a os olhos a capacidade preventiva da notirigor nlio ~st.abelecem criterios, mas se cia. que atua tambem como vacina orientam instintivamente pelos leitores, coletiva. que nao querem saber do 6bvio. Nilo fosNilo ha limj18yio etica p.Ja 0 exercise assim, as relay3es com 0 publicoteriam cio de atirar pedras no telhado da i'epreoutro eixo e os velculos assumiriam outra sentayilo poHtica, depois que a etica desnatureza, certamente pragmatica. 0 ceu do 'seu pedestal ret6rico para servir jomalismo seria apenas um serviyo.

Wilson Figueiredo

87 ANOS DA ABI

o Liceu deAnne OjIdos, naRua 13 de Maio,sediou aABI entre 1916e 1922. 19


As incompatibilidades mais freqüentes entre algumas categorias de leitores e a liberdade de imprensa vão do messianismo ( tanto faz do jornalista ou do jornal) à origem indeterminada da informação. Manter oculta a fonte da informação, por necessidade de resguardála, ganhou cobrança ética. Os insatisfeitos com a liberdade de imprensa alegam dificuldade de serem publicadas suas retificações. Os jornais vão até o reconhecimento de enganos, mas raramente além disso. Pudera. Nas relações entre veículos e pessoas que são notícia, um dos aspectos mais delicados é o chamado direito de resposta. Realmente, nem os jornais gostam de franqueá-lo nem os noticiáveis sabem muito bem onde pisam. A pretendida reciprocidade de tratamento parte do princípio de que tudo que jornal publica é suscetível de retificação. A queixa, porém, não sabe distinguir a diferença entre informação e opinião (ou seja, de valor). A notícia é, naturalmente, sujeita ao engano de informação e, portanto, fica ao alcance da retificação. Mais que um direito, porém, a correção é dever do jornal para com os leitores, mas não pelas razões subjetivas do reclamante. Para invocar a lei, com direito ao mesmo lugar e destaque, o reclamante devia bater à porta da Justiça. O atalho que vai direto ao jornal, invocando o direito de

resposta, engrossou a animosidade recíproca entre duas maneiras opostas de apreciar a questão. Os jornais desenvolveram o anticorpo: quem quiser o mesmo espaço e o mesmo destaque deve tomar a via judicial. É inepta a invocação do “direito de resposta” nos casos de opinião emitida pelo jornal. Pelo julgamento e apreciações críticas em editoriais, ou através de opiniões de seus colaboradores em artigos assinados, o jornal e os articulistas respondem perante a lei. E a lei é com a Justiça. Querer que os jornais se desdigam num conceito pelo qual são responsáveis e concedam o direito de resposta no espaço que é seu, para emitir opiniões, “no mesmo local e com o mesmo destaque”, negaria a liberdade de imprensa. Difamação, calúnia e injúria não criam o direito de resposta a juízo dos interessados. O conflito foi razoavelmente atenuado desde o aparecimento das seções de cartas nas quais os leitores emitem julgamentos e comentam os fatos e declarações, e mais não foi possível porque políticos, autoridades públicas e empresários não gostam de ser igualados ao leitor. O destaque dá status. Outro equívoco anima a idéia de que jornais deveriam distribuir eqüitativamente as suas páginas, a exemplo do que fazem o rádio e a televisão em campanha eleitoral, por serem concessões do poder

público. A liberdade de imprensa não gera a obrigação de igualdade de tratamento. O assunto diz respeito apenas o jornal e seus leitores. Ela, a liberdade de imprensa, tanto se dá com a isenção e a neutralidade quanto com o compromisso político. Mas não impede partidos políticos de editar jornais para manter informados e mobilizados os seus eleitores. Os candidatos podem ter tratamento preferencial, ou mesmo exclusivo, sem que a desigualdade de tratamento viole a liberdade. Uma ironia fina permeia a circunstância de que os políticos formam na linha de frente da crítica a opção preferencial do jornalismo pelo que se chama de lado negativo da notícia e da opinião. (O jornalismo não adotou Pangloss como patrono. Logo, não tem compromisso ético ou político com otimismo). A começar da própria atividade parlamentar, que eles não gostam de ver noticiada sem a pompa retórica. O leitor não se interessa pela sessão da Câmara ou do Senado em tom de ata sonolenta, sem destacar um aspecto, ressaltar um orador, um aparte ou um fato capaz de ter repercussão política. No fundo, os políticos preferem que a ética seja uma obrigação alheia, da qual possam esquivar-se. Governantes ou oposicionistas (tanto faz) queixam-se indistintamente de notícias e fotografias que lhes parecem expri-

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mir segunda intenção. Do destaque negativo queixam-se igualmente o Legislativo, o Judiciário e o Executivo. É antológica a confissão do presidente Costa e Silva à condessa Pereira Carneiro, a quem se queixou do tratamento no JB. Aceitou com afabilidade a explicação de que eram críticas construtivas mas, ao fim do jantar, confessou com bom humor que reconhecia o sentido edificante do jornal, mas gostava mesmo era de elogios. Muita água passou por baixo da ponte desde que o Brasil veio vindo do autoritarismo até cair na Constituição que tudo prometeu ao cidadão, e pouco entregou. Desde que recuperaram a liberdade de fazer perguntas, os jornalistas foram agraciados com a imagem de estouvados com os poderosos, indiscretos com os políticos, imprudentes com os empresários e complacentes com as greves. A liberdade de obter informação passou a descontar o custo da censura prolongada. Paga quem deve. Era de qualquer jeito inevitável que a imprensa assumisse a função de incomodar, e se entende que os incomodados tenham levantado contra o jornalismo a preocupação ética. Para intimidar. Wilson Figueiredo é vice-presidente do Conselho Editorial do Jornal do Brasil.


o gol contra da imprensa JucaKfouri Toda vez, para espanto de muita gente, que escrevo ou digo que ja est! mais do que na hora de acabar com os campeonatos estaduais de futebol para dar lugar a urn verdadeiro campeonato brasileiro, disputado s6 nos fins de semana em tumo e retumo como em todo o mundo, deixo claro que nlio se trata de uma opinilio pessoal, como qualquer outra. Trata-se, isso siro, de uma simples constatayiio: 0 torcedor e quem diz isso nlio comparecendo aos jogos de campeonatos estaduais, preferindo os do nacional por mais bagunyados que tambem seja 0 tomeio organizado pela nossa triste CBF. Quer dizer; e a media baixfssima de publico presente aosjogos dos campeonatos estaduais que leva ao veredito 6bvio: e preciso acabar com eles. A mesma 16gica, portanto, que me faz ser implacavel com os nossos cartolas "~adores" serve, por analogia indiscutfvel, para avaliar 0 comportamento da imprensa brasileira. Ainda recentemente, novas pesquisas sobre 0 grau de confiabilidade das instituiyoes nacionais foram publicadas e os resultados sempre coincidiram. E baixa, muito baixa, a credibilidade da Imprensa, Radio e TV. 0 povo confia pouco'na gente. Como a ausencia do torcedor nos estadios deve fazer 0 cartola pensar, a falta de confianya do leitor, do ouvinte ou espectador deve fazer 0 jomalista refletir. Julgamento mais definitivo e impossive\. Nao e segredo para ninguem, ainda, que uma das areas mais visiveis da imprensa brasileira e a do jomalismo esportivo. Pelo carater emocional da materia-prima tratada, 0 jomalista esportivo tern em regra uma notoriedade maior que a de seus colegas de putras editorias. Por isso, parece sensato supor que tern grande parcela de responsabilidade no resultado das pesquisas que apontam para a pouca credibilidade da imprensa. E por que isso acontece? Porque e cada vez mais dificil distinguir 0 jomalista esportivo do garotopropaganda, do publicitario, do homem de marketing ou do empresario esportivo. Todas sao profissoes tlio dignas como quaisquer outras, mas, segura-

mente, ojorna1ismo e incompatfvel com tais atividades. Ou se e uma coisa ou outra. Quando urn jomalista bota a sua cara para dizer que determinado sablio lava mais branco, ele suja a sua credibilidade. Quando adquire urn evento para transmiti-Io, deixa de ser observador para ser s6cio, ele torce e distorce. Quando vende placas nos estadios, ele compra sua dependencia e quando explora a marca de urn clube implora a Deus para que ajude 0 time a ser 0 campelio. Tudo isso confunde a cabeya de quem espera de urn jornalista apenas informayoes e opinioesque ele possa ter. Agora, vejamos. Os rep6rteres de campo s..'" o ver dad' eITos "td ou ._o-?.rs " ambulantes. As mesmas vozes que transmitem os jogos anunciam os produtos dos seus patrocinadores. Alguns colunistas de jomal tern seus espayOS p.a trocinados e eles mesmos slio os agentes da venda de tais espayos. Como as divisoes de eventos e de jornalismo nao slio separadas como seria desejavel, chefes de equipes esportivas na TV negociam os direitos de compra dos eventos e acabam determinando a linha editorial do jomalismo das emissoras para qual trabalham, levando sempre em considerayao os interesses de quem vende os direitos, razlio pela qual tiguras nefastas, como Ricardo Teixeira, presidente da CBF, e Eduardo Jose Farah, presidente da Federayao Paulista de Futebol, sao invariavelmente poupadas. Pior. Jornalistas se transformam em empresarios, se associam a cartolas, sao intermediarios nas negociayoes entre veiculos e entidades, tern empresas - alguns disfaryadamente - de vendas de placas e continuam a exercer suas funyoes j omalisticas como se tamanha promiscuidade nao fosse perniciosa. Oaf, quando acontece de urn cartola pe'd ir a cabeya de urn jornalista (como ocorreu com a recente saida do comentarista Juarez Suares da Rede Bandeirantes), em vez da reayao meramente corporativa se,ia mais util aos jornalistas se perguntarem por que arbitrariedades semelhantes estao acontecendo em pleno Brasil democratizado. Nlio seria por que os patroes hoje estlio a vontade para dizer aos seus empregados que do mesmo jeito que eles (os patroes) fecham os olhos para

os neg6t:ios dos fUDcionarios, eles (sempre os patroes) tambem nlio querem ver seus neg6cios prejudicados? " Porque sera no minimo ingenuo supor que os don os das empresas de comunicayao desconheyam 0 quanta se ganha nas costas deles e, ate, quanta justiticativa se inventa em nome deles, po is ha muito mais realistas do que reis. Por isso, tenho me batido sempre em perguntar primeiro qual tern sido a nossa atitude, antes mesmo de discutir a postura dos donos dos vefculos. E falo com conhecimento de causa, porque eu mesmo recentemente andei ultrapassando os limites e sei 0 quanta isso tern me custado. Por circunstancias que nao vern ao caso, 0 epis6.dio da nomeaylio de Pele para 0 ministerio de Fernando Henrique Cardoso me transformou em eminencia parda, impressao que nlio corresponde a verdade, mas que, admito, teve razao de ser. Inutil dizer que nao e consideravel 0 prejuizo para minha sempre arduamente cO)lquistada independencia. "Afinal, esse cara e jornalista ou membro do govem~? Fala por ele ou pelo ministro?", eis ai uma duvida que acabei colaborando para entiar na cabeya do leitorltelespecta-

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dor. Menos mal, do meu ponto de vista, e claro, que de fato acredito no governo FHC e no trabalho que Pele possa desempenhar. E que pelo menos em materia de dinheiro 0 epis6dio apenas me custou algum, nlio 0 inverso. S6 que a questiio da etica, da independencia, nao se resume aos beneficios materiais. A verdade e que esta na hora de levarmos adiante 0 debate sobre quais sao os limites de atuayao do jomalista como protissional de imprensa, cidadlio e ganhador de dinheiro. Porque, como diria 0 imortal Stanislaw Ponte Preta, ou todos nos locupletemos ou restaure-se a moralidade. Ou, entao, os jornalistas continuarao perdendo de longe para os padres, os soldados do Corpo de Bombeiros, para os professores, Correios, medicos, juizes, os motoristas de 6nibus, guardas de trans ito, empregadas domesticas - e apenas empatarao com os advogados e funcionarios publicos, como mostram pesquisas. Definitivamente, uma posiyao vexatoria . Juca Kfouri e diretor de Pllicar e comentarista da TV Cultura de Silo Paulo,

87 ANOS DA ABI

Rua do Rosario, anos 20. A Associa~iio Brasileira de / mprensa muda-se para este novo en dere~o ao deixar a Rua r de Mar~o.


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Compre um jornal e ganhe um... Elysio Pires Jornal não é sabonete nem detergente. O leitor escolhe o seu jornal pela qualidade de informação, pela independência, pela isenção, pelo compromisso da busca permanente da verdade doa a quem doer. Que leitor trocaria o seu jornal, aquele em que ele acredita e confia por um dicionário ou um atlas disponíveis em qualquer livraria? E o apartamento é uma probabilidade mais remota de ganhar a sena. A mesma sena também disponível em qualquer esquina. Sabonete não é jornal. Sabonete tem permanência. Em toda compra tem o mesmo perfume, a mesma consistência, a mesma espuma, a mesma embalagem. Não deixa margem para subjetivismos ou interpretações. Não fala mal nem bem de ninguém. Se o consumidor em seus banhos e abluções usou durante tantos anos o sabonete que lhe satisfez plenamente por que haveria de trocá-lo por um outro que lhe oferece uma coleção de figurinhas ou o sorteio de uma casa ou automóvel? Todos os fabricantes costumam ter uma preocupação comum: o produto. O produto e seus inevitáveis desdobramentos. Insumos, estoques, processos de fabricação, controles de qualidade, distribuição... Os bons fabricantes de sabonete dirigem os seus melhores esforços para adquirir óleos vegetais e essências aromáticas na qualidade desejada pelo menor preço. Em atualizar os equipamentos de produção para melhorar a qualidade com menor custo. Em aperfeiçoar os canais de distribuição para que o produto chegue ao consumidor em perfeitas condições de uso e pelo menor preço possível. Os bons fabricantes de jornais concentram seus esforços em conseguir a melhor informação, tratá-la com absoluta isenção, reproduzi-la da forma mais legível e fazêla chegar às mãos de seus consumidores o mais rápido possível. Bons fabricantes de sabonetes e de jornais sempre tiveram um objetivo comum: apresentar ao consumidor um produto de qualidade. Por isso investem em máquinas, programas de qualidade, treinamento e reciclagem de pessoal. A informática tem sido quase uma obsessão, seja nas linhas de produção ou nas redações. No mergulho de suas prioritárias preocupações com a produção, fabricantes de jornais e sabonetes costumam deixar de considerar os desejos do novo deus da sociedade pós-industrial: o consumidor.

As boníssimas intenções de criar produtos com a melhor qualidade, sem a preocupação menor de saber o que o consumidor considera qualidade, têm locupletado as UTIs e as necrópoles do consumo. Todos temos na mente grandes marcas de sabonetes e de jornais que deixaram de existir ou estão em processo de desaparecimento. As nossas UTIs abrigam mais jornais que sabonetes. Os fabricantes de sabonete perceberam, antes dos fabricantes de jornais, que a única missão das organizações é agregar valores às relações com seus consumidores sendo todo o resto apenas consequência. Há muitos anos que o Brasil tem mais marcas de jornais que de sabonetes. No entanto, os usuários de sabonete sempre tiveram os seus desejos e necessidades mais bem identificados que os leitores de jornal. Felizmente, este quadro está mudando e alguns veículos estão descendo de arrogâncias centenárias e perguntando aos seus leitores que tipo de jornal eles gostariam de ler. Embora esta resposta seja muito fácil de se conseguir, certos jornais têm grande dificuldade em abrir os ouvidos... e os olhos. Quando um jornal oferece, gratuitamente, fascículos de um atlas ou dicionário ele está dizendo ao seus leitores atuais e futuros que ele os considera tão importantes que faz tudo para tê-los como leitores. A leitura é a mesma para cupons de sorteios de casas e carros ou cartões de crédito com a primeira anuidade grátis para assinantes. Além da demonstração explícita de interesse pelo leitor, o jornal que pratica este tipo de promoção de vendas está promovendo a experimentação do produto. E a experimentação, seja através de sampling (amostras gratuitas) ou vendas incentivadas é uma prática tradicional de marketing quando o fabricante tem a convicção de oferecer um produto ajustado aos desejos e necessidades de seu público-alvo. Alguns respeitados profissionais insistem em afirmar que passado o período promocional as tiragens dos jornais voltariam aos números anteriores. Tal fato pode acontecer tanto com promoções de venda de jornais e de sabonetes. Se os experimentadores que participarem da promoção não se identificarem com o produto, seja ele jornal, sabonete, shampoo ou detergente, não galgarão novos degraus na “escada de liberdade” passando de

experimentadores para repetidores de compra e clientes fiéis. Por isso, essas promoções costumam ser mais eficazes, quando antecedidas de ajustes no produto (reformulação gráfica, contratações de superstars, etc) definidos por pesquisa com leitores e prospectos. Para citar dois exemplos de veículos que seguiram o melhor figurino e estão colhendo os frutos de um marketing correto aí estão as tiragens recordes da Folha de São Paulo e de O Globo. Um conceito já incorporado por

marqueteiros de todo o planeta e que alguns de nossos jornais ainda não absorveram é de que as empresas não têm clientes, os clientes é que têm a empresa. Evidentemente, todos esses conceitos caem por terra quando inexiste a competição. Mas, depois dos anos de sucesso absoluto do Pravda e de sua derrocada, nem os teóricos do PPS seriam capazes de imaginar um quadro tão excêntrico. Elysio Pires é consultor de marketing

Falta de brinde é perda de tempo Mauro Salles Ao meu ver essas promoções dos jornais e revistas para vender enciclopédias, atlas e outras coisas mais, em fascículos, é mais do que válida. Há aí uma tentativa de modernização no sentido de comercializar o produto jornal. Havia , na velha escola, gente que achava que o jornal não era um produto e então não ficava bem vendê-lo. Ele teria que ser procurado. Para eles o jornal não tinha que ter assinatura e nem corretor. Quem quisesse o jornal tinha que ir à banca, o anunciante tinha que ir bater na porta do jornal. Isso acabou sendo desmentido pelos fatos. O jornal é um produto que tem que ser vendido todos os dias, tem que ter orgulho de ser vendido. E, como todos os produtos que você vende, você procura todos os instrumentos comerciais para vendê-lo melhor. A propaganda é um dos instrumentos. Hoje se faz anúncio de jornais, de revistas, de TV. A TV anuncia no jornal, o jornal anuncia na TV, a revista anuncia na rádio e por aí em diante. Há 20 anos isso não existia. Quanto à promoção de vendas, ela também é um instrumento largamente utilizado no mundo todo. A novidade é que, curiosamente, os veículos brasileiros que partiram para promoções mais interessantes associaram essas promoções a um sentido literário-cultural. Vale lembrar que o pioneiro nessas coisas foi o velho Victor Civita, quando começou a utilizar discos de ópera para ajudar a vender revista. Foi ele que começou a colocar a bíblia como encarte, introduzindo o que passou a ser chamado de brinde em fascículos. Hoje isso é uma prática mundialmente aceita e feita com competência. Dicionários, atlas, livros, anuários etc.. são peças promocionais que , além de ajudar a vender o veículo, carregam um valor próprio dentro de si mesmas. Quem compra uma revista que contém dentro um pedaço de um livro do Gabriel Garcia Marques está recebendo algo a mais. Antigamente os jornais faziam isso de outra maneira, os textos de grandes autores se

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transformavam em seriados, em folhetins. Você comprava Nelson Rodrigues dentro do O Globo, inclusive com o nome de Suzana Flag. A verdade é que, como todo esforço promocional, não há nada que garanta o seu sucesso. Algumas promoções vão ter sucesso e vão ajudar o veículo, outras não. Alguns críticos dizem que, com isso os jornais se dispensam do esforço para melhorar o seu conteúdo jornalístico, mas isso é uma falácia. Se você tiver a melhor promoção do mundo num jornal vagabundo, ele não vai resistir. Se você tiver um bom jornal e, com a promoção, você atrair leitores que não o conheciam muito bem, aí você tem o que se chama de valor residual. Durante a promoção você ganha 20% a mais de leitores e ao terminá-la você perde apenas 7% deles - os que estavam interessados apenas no brinde. Na verdade você acaba ganhando uns 12% de leitores residuais. Quem está trabalhando com a maior competência são os jornais O Globo e a Folha de São Paulo e a revista Isto É. Tanto a Folha quanto O Globo se parassem suas promoções agora, não ficariam no mesmo patamar de antes. Ficariam bem acima porque conseguiram atrair leitores que não liam esses jornais antes. Mas não se trabalha só pensando em tiragem, existe também uma preocupação com os leitores. O fato de se vender um milhão de exemplares aos domingos e você só ter dois leitores por exemplar, em termos de publicidade eqüivale ao mesmo que ter uma tiragem de quinhentos mil tendo quatro leitores por exemplar. O esforço é também para baratear o custo do anúncio por exemplar. O que se faz é tornar a publicidade mais competitiva ao torná-la mais barata. Esses jornais e revistas que estão usando dessa estratégia dos brindes estão roubando anúncios dos jornais e revistas menos competentes. Os jornais que não estão fazendo isso, estão perdendo uma coisa muito preciosa: o tempo. (Depoimento a José Augusto Ribeiro) Mauro Salles é fundador e conselheiro da Salles/DMB/B.


.jQ17JIllis.!ica e ,muilM. \v~uf!lizalJ« S~!hf!.acom~entoAia pr.ects,iio e aJe,4a-~~!leY.OfR~~:9J!!:!Xf!n!o,~ npY,?~ pr~~qs d'!. ,coJIIyricafPo. 'lltli 4.!!!liE,u!¥;q "Jtl.i1iz.9fQO dos"panfletos, e .cq~bqtfvos ta.l;lq~:. ~f!l,pre huscapdo ,tf criatividade, °jomal a~11f1a e'o principal.i~pt9J!R?if(~Q·dps movim~ntos sociais.

.pratjcamente totios:()s>.manuajs de propagQ1)dc(JX!liJicP..r:e¢t!:un p uso Qa,injoflnQ¢o oomo eficaz~ar.p1(J((Je. .Jrd!ue.n¢JIr44iJ9§.,N,i!Jguem,tiuvida·que.-aprOJ;ess();·de ,tQmath~co.1Pcjem;ia~a.pela . quantiiJade e ·qualidade,(/a injo]71fQfl1oJ,Os ~mpIQ~ ~4.g. muitos, .. nos gue"as e nos:recentes.bata/has eleitorais, 01!de qJingt!Qgem

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Apesardo ~~~to_de:AOVolD!eios Rio de J.-neifo~ - ~ .. '. para difuslo de info~ relativas .os . EJp ~I.~ ~s jOmaii . ~e ~airro. ~ movimegtos de ~o ..s<?CJa,l no ,Brasil, maispifi~.n q.b~arluas~~M,equais como sindic8tos. associayOe$.de bairr9s e ~~ .~Ji~, C} m~i9. (0 ~tituto ONGs, 0 jowaI continua 'sendo, 0 'lJ)eio Verifi~r.:de C~~,alegll; nIo ter .' · mais utilizado:por·. cssas entidadcs. !Sem condi~;tecni~ ' para verificar: os daassinantC$' e, ·n a maior parte. dos;:casos, . dos' aprcsentados)~ Apcsar ~'Ser uma for- ~. . scm anunciantes, a ,imprcnsa: altcmativa rna tradicional de divu1g~ de notlcias faz circular' milbarcs de 'pubJieia¢cs 110 (aprimciiOjoit)ahfo'baiiro fQi-publicado pais. ciD )985 em~SIO Paulo: "OBiUj: esscs Nem Feinando Henrique, oem _crise Um exemplo ea areasindical. A 6lti- peri6cncqs ~;" vida cil$ inUmCros de . do Mexico: 0 que preoeupa 0 peSsoaJ da

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_L!J!uz ,Sgbrinl?o, Oswaldo Souza e

res para gerentcs ~ «fU~" k '~,," ' (Frei ~etto, 6 ,~ . ~!~)~. ~ pagina de Nad4.qe banalilestas~; afilla1J, ~- classificados nas ediy6es de segunda-fei-

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. ta-se de urn&. publi~ d~!"~,lo.,a.lw.~ -.,cir- ra. ,. , ;; ,'~i''-' , . ,.· culando ·dcs.d e ·a fundayao ,P9 .$Jnp~~.to; . Ge~~ment~ ~~~~(~$~io.faz;eIll: ~esh8 mais tempo do que jomaisl d~ !grande tri~Oes _. distr\b.':I!Y~~ .4q :~Qiario~~' - 0

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Novos projetos de educação hoje em dia sempre mencionam a utilização de modernos meios audiovisuais como a melhor saída. O plano do Ministério da Educação para utilizar a televisão reitera a tendência, como mostra o ministro Paulo Renato de Souza em entrevista exclusiva para esta edição especial. A alfabetização pela

palavra escrita, no fundo, é o objetivo final de todos os processos. Condição essencial para o desenvolvimento da cidadania e da própria economia nestes tempos de revolução científico-tecnológica. Os jornais procuram colaborar com iniciativas que ainda não se transformaram em políticas definidas nas áreas de governo. BAL ANÇO D A BALANÇO DA COMUNICAÇÃO

Uma proposta de educação no ar P. O Sr. tem anunciado desde o começo do Governo que a prioridade do Ministério da Educação é o ensino básico e tem enfatizado a utilização de meios de comunicação no processo educacional, tanto diretamente, com os alunos, como na reciclagem dos professores. Como seria esta utilização? R. Em relação à utilização dos meios de comunicação no processo educacional, o que o Ministério pretende é criar e instalar ainda este ano um canal nacional, inteiramente dedicado à educação, com o objetivo de, em primeiro lugar, proceder ao treinamento de professores - uma proposta de treinamento permanente de professores - e, em segundo lugar, dar apoio à sala de aula, especialmente, em matérias especializadas da 5ª à 8ª séries do 2º grau. Nós pretendemos veicular este sinal por satélite, de forma que os estados e municípios que tenham redes educativas possam captar e organizar os seus cursos, os seus programas de treinamento e os seus telepostos, a partir do material que o MEC irá veicular. Por outro lado, as escolas que instalarem suas antenas parabólicas e tenham televisores e videocassetes poderão estabelecer seus programas próprios de treinamento e reciclagem de professores. P. Como seria a integração das esferas federal, estadual e municipal? O Ministério produziria o material e repassaria para os estados e municípios? Como o Sr. vê a questão das diferenças nacionais? R. O que nós pretendemos, em primeiro lugar, é realizar as tarefas próprias do Governo Federal, não interferindo, não criando paralelismo e não permitindo que o Governo Federal atrapalhe a ação dos estados e municípios. Queremos fazer as atividades próprias do nível federal, tais como avaliação, apoio ao treinamento de professores, melhoria da qualidade de didática, definição de um currículo nacional e a transferência de recursos. Em coordenação com os estados e municípios, queremos realmente garantir que os recursos financeiros cheguem às escolas. Na ação do Ministério da Educação, obviamente, as questões regionais têm que ter prioridade grande e temos que adotar critérios compensatórios para que as regiões menos desenvolvidas tenham

O uso do jornal para fins educativos no Brasil é uma prática recente e sem apoio governamental. Comum em todo o mundo, no Brasil a leitura orientada de jornais em sala de aula é geralmente coordenada por iniciativa das próprias empresas jornalísticas e escolas, sem intermediação do Ministério da Educação e Secretarias. Para os jornais esses projetos são interessantes para a formação de um público leitor; para levar informações aos alunos e contribuir com sua educação. Também para as escolas o projeto é importante, pois com ele o aluno aprende a perceber melhor a realidade: “Segundo os professores, a leitura de jornais é fundamental na formação da cidadania; faz os alunos descobrirem a importância do debate.”, afirma Péricles Barros, gerente de promoções de “O Globo”. Programas afins existem em diversos países, funcionado há tempo suficiente para ter a sua eficácia comprovada. Resultados positivos tanto em relação às vendas quanto ao nível de ensino foram verificados em lugares como os Estados Unidos (que inauguraram o filão, com um projeto do New York Times, em 1932), Suécia (onde os fabricantes de papel estimulam a formação de novos leitores) ou Espanha (com coordenação do Ministério da Comunicação). Esses projetos são conhecidos internacionalmente pela sigla NIE (Newspapers In Education). No Brasil, incentivados pela Associação Nacional dos Jornais, 18 jornais procuram manter programas ligados às escolas públicas e particulares, com características parecidas: leituras em classe, debates, temas para redação. O “Quem lê jornal sabe mais”, projeto de “O Globo”, por exemplo, vai todo ano a 50 escolas, selecionadas através de um formulário, para 15 dias de discussões nas salas de aulas, orientadas por livretes. Após esta etapa, segue-se um trabalho de acompanhamento e avaliação. Apesar do sucesso do uso do jornal como instrumento pedagógico, o governo brasileiro não parece disposto a assumir essa experiência. No pronunciamento de apresentação do plano de educação “Acorda Brasil: Está na hora da escola”, o presidente Fernando Henrique Cardoso não mencionou nada a respeito, optando pelo vídeo como instrumento de aprendizado: “A meta é colocar uma TV em cada estabelecimento escolar”, disse o presidente.

acesso maior aos recursos do Ministério. P. O Sr. já falou também que o conjunto da sociedade é responsável pela educação básica. Como se daria a participação da sociedade? R. O primeiro sinal de que o governo estimula este tipo de iniciativa foi dado pelo Presidente Fernando Henrique Cardoso, chamando os pais a participarem com as escolas da educação de seus filhos, tanto em casa, acompanhando seus deveres, como cobrando das escolas o ensino de qualidade. A parceria com os diversos segmentos da sociedade é uma meta desse governo e iniciamos este chamamento aos pais e empresários. Outro passo importante é a implantação do sistema de educação à distância, que servirá para treinar os professores. Para a recepção dos cursos, o governo pretende contar com a ajuda dos pais para a aquisição de aparelhos de televisão, videocassete e antena parabólica para se-

rem colocados em cada escola, a fim de auxiliar o professor na sala de aula. Apesar da educação ser obrigação do governo, as cooperativas de pais e professores são um ótimo exemplo de como a sociedade pode ajudar na conquista de um ensino de qualidade. P. Com os avanços tecnológicos e a facilidade de acesso ao vídeo, existe hoje uma tendência de utilização quase que exclusiva do televisor. No entanto, a leitura tem um papel fundamental no processo educacional. O Sr pretende utilizar outros veículos, como o jornal e revista, na educação básica? R. Eu concordo que a leitura tem um papel fundamental no processo educacional e acho que o jornal e a revista devem ser estimulados como instrumentos, sobretudo educacionais, dentro da sala de aula. Neste sentido, os recursos de atualização de professores que nós faremos, inclusive através da televisão, deverão esti-

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mular a utilização dos materiais de leitura, especialmente jornais e revistas, por serem estes de fácil acesso à toda população e a todos os professores. P. Vários jornais, por iniciativa própria e relacionando-se diretamente com as escolas, têm desenvolvido projetos de utilização do veículo jornal na educação básica. Como o Sr. vê este tipo de projeto? O Ministério da Educação poderia contribuir para a ampliação desta atividade? Como? R. Eu vejo o jornal e a revista como bons instrumentos de ensino, bons materiais pedagógicos. Acho até que os jornais deveriam estimular muito mais a inclusão de materiais especiais e encartes com um sentido eminentemente pedagógico para que realmente a imprensa possa se transformar num instrumento de utilização dentro de sala de aula pelo professor, juntamente com os alunos. Sei que alguns jornais já fazem isto, mas deveríamos estimular mais, mesmo porque desta forma pode-se aumentar o próprio mercado de jornais e revistas. P. Setores da intelectualidade criticam a programação da televisão no país e chega a falar de “deseducação” e estímulo à violência. O Sr., homem de origem acadêmica, concorda com estas opiniões? Qual sua visão da influência da programação sobre a cultura do nosso povo? R. É fato que a violência cresceu nos meios de comunicação, especialmente na televisão, como uma fonte de apelo à atenção da população, sobretudo dos jovens. É a constatação de uma realidade complicada, de uma realidade difícil de ser enfrentada. Temos, inclusive, experiências ou sabemos de experiências de países que tentaram coibir a veiculação de violência na televisão mas a população se viu atraída por programação de outros países onde a violência não tem limites de veiculação pela televisão. Esse é o caso que ocorre, por exemplo, em zona de fronteira. O Canadá impõe restrições mas os Estados Unidos não. No caso do Brasil, deveríamos estimular os meios de comunicação para que fossem adotados certos limites, certa cautela no uso exagerado da violência como uma apelo ao espectador. Mas isso deveria ocorrer sem a adoção de medidas impositivas por parte do governo.


Em qualquer reuniOo entre antigos jorndistas, a crlfi.ca ao tex/o atuaI dos veiculos de comunicO¢o surge norTnaJmerite. Escrever bem era um prediCadO herdadO dos temposremoios da i~ip:;ensa, onde sempre havia um lugar para 0 escritor. E muitos dos grandes romancistas brasileiros do passado jreqfJentaram as paginas dos

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" , peri6dicos C9~ assidJfi~. Entre'os argumentos mais usuais, a jaiencia do erzs.jno?xJsico quase que el1Jpata com a rna vo~ade dos -' ' clntigOS ao sistema industrial dos joniiJis, como bem lembra Zuenir Ventura - um jomaJista litera/mente jormado em letras: "sou do tempo em que boa materia era materia bem escrita, "

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BAlAN<;O! ~

C~UNICA<;AO l1.l~mdo onde 0 inesperado, ,0 ins6lito, 0 insepan'lveis que entre os dois nlD cabe vertigi,n oso ,disputam a aten~o do leitor nem virgula, 0 jovem rep6rter apr.enderia atravCs da imagem e do som da TV, do tambem que 0 born textojomalfstico nao radio' e d<? .cinema. e 0 que tenta imitar Machado d~ Assis. ~ Talvez esteja na hora de investir no Mas nie e tambem 0 que acredita fazer te~.o, nao apenas nos text:<>s das colunas, estilo repetindo cliches como ",fulano, cronlcas e artigos, recurs os extras e espe. quem diria", "personagem emblerDAtico", cie de luxe que os jomais es~o usando "brincadeiras Ii parte" (ou qualqueroutra sao de estar comprando uma televisao 80 para atrair leitores. Nao sou contra as co- coisa "a parte"), "enquanto politi 90" . Zueriir Ventura comprarumjomal. Mas "televisio porte- lunas, ao contrario, m,as gostaria que a Durante muito tempo, empobreceu-se levisio",jadissea,Jguem, !'eu prefiro a te.- <qu~i~de delas, ou pelo,m enos de algu- 0 universo lexico, sintatico e semantico A lingua portuguesa nie vern sendo levisie". ' ''' " ' .~ ¥ ,t· ~;, si' esp;dpasse poi,!~o 0 jomal, na- da imprensa sob a alegayao de qu~ nao se bern tratada nas reda¢es, essa e que e a 0 resultado ~'que se as;iste hoje a urn'a ' ·tuialrh~n(e, aSsim coirio a~ imagem nftida deve ,dar ao leitor 0 que ele,nao conhece: urna palavra n~va, uma constru~p ousaverdade. Nlo s6 nas reda¢e5, podt>-se alt>- esp6cie de suicfdio: quem est! matando a correta e (,:omum na televisao. Que 0 cuigar, mas tambem em outros lug ares onde pala,? escpta nao e a tel~visao, com9 se • dado com o· te~io fosse 0 mesmo I\as noti- [. da, urn sent,ido desconhecido. 0 leitor sedeveria ser respeitada: salas de aula. e~ temia; mas ,0 pr6prio jomalismo impres- ciai, ~eportageJs, perf ~ntrJvistas:; que ," -'ria mentalmente preguiyoso, amante da crii6rios de advogados, universidades, ca- so. fosse a norma, nao exce~o. redundancia e inimigo da informayllo oritedras, tribunas parlamentares. Por toda SozinluJ ~:rvr n~?1e~a,~~diyoes de : ' AS ie(ot1n~ operadas Q.Qsjomais nes- ginal;, E, sendo assim, nao adian~va exiparte, transgridem-se as regras gramati- derrotar a lII1prensa. asslm como' a fotoses ultimos tempos t6m contemplado 0 gir dele esforyo intelectual, crescimento . ,fico, a di~~o..- a tecnj_, :'l~l~~l. Sa~e-s~ hoje que 0 leitol- essa cais, assim como se infringem as leis de ~a ,010 Fbou t~m ~ lintura, nem 0 ~pecto. ~ transito. E urn desrespeito generalizado. . cmema fez esaparecer. 0 teatro e nem ca, mas vern relegando a- texto a sua,con- - ~~ti~e mlstenosa em nome do qual a Em meio a outrucrises. institucionais e de muito Ir..CIlOS 0 jomal.decretou a morte do diyao meramente utilitAria' e funcional, gente gosta de falar - pode ser tu 0 isso, val~ h8 essa aise da ~. escrita e livro. A hi~na d,!>~ meio! ~e ~r~ao ,e ,_ co~o~; ~es~a sua fun~ae.Portador da mas tambem e capaz de curtir 0 prp:er de o~ ....para preocupar 0 ~s e a lII1pre~ comunicaylo prova que uma nova informayao nao houvesse lugar ,para a urn born texto e 0 desafio de urna~ovi~pnnclpalmente a escnta. Co~o dlsse, _ ttAlolo~ad~ n~sariam~n,- ' excelSn tia estetica. , OS''''11l8{lu,afs; dcr , - ~e'tl?le est! sempre disposto a ser $edUZlOcta' P quando urna'socledade _eo ~' ;te,a-. •. ~fi-}'''' - \ . :mas ) eXlge -. ' 'I dcsta 'no · ·, redayao I " ' .~ VIO ~.. . m .aa.antenor, _ que• nlio por acas()' si9 tambem' . 'do. '" corrompe' a pnmetra COlsa q\Je se decom- minima uma adap~o, urna prbCura inbest-sellers _ tentaram consertar isso, 80 0 cinismo industrial costum4 pregar pc5e 6 ~ linguagem. . teligente de Sell qovo papel e de seu novo desenvolverem importante esforyo a faque "boa materia e a materia qu desce Ja houve urn tempo em qUtO jp~abs- espayo. ' vor da correy!o da linguagem. na hora". Como sou do tempo e~ ' . ~ue boa mo impressa dedicava ao ~xto.wn. Justo Ojoinalismo escrito nio est! sabendo Mas talvez seja preciso mais: alem de m~teri~ era materi.a bern escrita, pefiro 0 culto. Tratav~-o com a maJor digrudade, encontrar esse papel. ~do as fun~es correyao, pode-se tentar dar aO leitor pra:' pnncfplo ta.utol6gtco de que 0 se faz como ~ pr6pna raz!o de sec. Era 0 tempo ,que I'YCI'C' a CQm,exclusIY.ldaqe foram r,e- . . '" 6 t'd" . +~ ........c ,bel -C " CQI,D palavras. Ha os fatos, a apUlflY!0, a . .. " d ' . da ' .. ,<,~ '.' zer.-n..o s exa I ..0, mas ...... DGtn.;j eza: ' " -, . , ,.. , da "clvih.za~ verbal - 0 .remo pa.. ~ P.aitidas~los~correiites mais moder- ',. D ' ' . 'd '" ~'~d -~,' da~~ .,' , :tin(orma~o,... toda a matena-pnm mdlS.. da" '. -. ' ,~ .~;, , r . •• epols os manU81S e re , por que '. .' .... lavra. DePOIS, velo a era ~ent,. a, :', nosre(fe'ilcan'ccJmediato/ ele nie procu-' , '" .'.• : .... ti'-l" ? E"ste "" " . ". -pensavel,-mas nada dlSSO vuaJomallsmo " . '1' . ual" I ' "'- ad . nao os manuals ue es 0 sena urn bel al CIVl lzaylo VIS , e ate evlS4U qUl- rou 'explorar habilmente suas pr6prias b . d t t sem palavras - sem as boas e as p a,omalic~meyo par~ aJ~ ar ~to ex .o _vras escritas. riu a he&emonia da comuni~o de mas- ' vantagens isto e nie utilizou a capaci".A, ' •' Jom StlCO a conqulstar 'sua au nomla ' ' 'sa. estabelecendo com a lII1pre~~ ,Ll!Da .dAde especlfica cia mensagem.escnta no • ' . disputa de vida e morte. Foi 'assim tam- sentido da anaiise da docurnenta~ da estetlca: \ .. -Zuerur-, -Y-en-tura-e-J'-omaJ-iSla, -escn-'- t o - r - - - ' 1J. " A s s l m , atem de aprender que 0 sUJelbern em outros pafses, mas II essa guerra interpretayAo e da explica~ enfim, no " ' .' , ," . ' ecciitor-especiaJ do Jorul do Brad!. . ' ;, de - tudo aquilo quetransformou, ' to e 0 predlcado sao companhelros tio de c6digos nao teve vencl'dos nem vencc- sentido dores, 80 contrarlo do Brasil, onde pelo , por exemplo, os livros,jorn,alisticos em .87 ANqS Dj\ A\lI , menos as primeiraS batalhas ~rp sido gan~ 1 .,best,:Scller. "" ' :,,";:.. " '" ';·~-'w' ~.l. '" .... ; _ ~. "....... -..has pela televisao. Ecuriosa que no pais onde a imprenAqui, em lugar de ,aprim0nu: 0 ~xto sa ~6 ,cpnsegue a~entat ' ~igoific~ti~a: , ' para enfrentar a nova concorrencla, 0 Jormente.sims venw lanyando mao dos fasnalismo escrito resolveu sacrifica-lo, por cfculos, ou seja, pedindo socorro 80S oU.H descrenya no seu poder, e na sua fory&: tros _ 80S dicionArios, ~a hist6ria: i gea- ' diminu.i~ a sua impo~~ia. descuidou de gratia, Ii ciencia _, os livros de reportagem sua quabdade e restnngtu 0 seu espayo. sejam sucesso, oferecendo como atra~ • .:\chou'que a solu~ era dar menos.t.exto justamente 0 texto. Ha de chegar 0 dia em em vez de melhor. Partiu para a luta em que os jornais brasileiros viio se lembrar posi~ de inferioridade, reconhecendo a d . " uma granAe atra "' ..... ";0 ' em" casa~ . 'dade d 0 truDlIgo. . ., Ab' -,,- d e e que LC:m supenon nu UlAV ; ¥ . , .£ . . > . . a reportagem. . , '~ " seu especffico, 0 texto, para se sUJeltar 80 beJ. f::.<o'l "' . . _I • da'Imagem. , Sa se que .nao" ~I, Dara a IQlP.ren ' • ., ~., dOuuntO ' com a ongt . 'nal'da ,'trumentos Em.' vez d e reagrr I - sa adaptar . seus.Ins , -: ~'; \ .,dJ e.,c",a,pta~ao" ' . ' i' ", TV te tando coe transmlssie da~reahdade 'as novas ex 1d e, passou a mtnlmlzar a ,n .. ,' _" piar-lh~ artifIcios e metodos~ Encheu as gencI~ ~o lel~o~ mode~o, que, passoU a .. pagiD8f:de fotos, espalhou graficos, der- ser SOhC,ltad~ I.run~rrup~en!~)~or e.st{-:, , ramou:COres muitas cores, e fez'do c6di- mulos VISualS lJTesl~tfvels. Mas 010 e..al!rii:",,;<I:jt" J; go venial ~ dependente do ~isual, trans- ficil ~erceber tambem que 0 caminho n.ao ' formanco 0 textO em elcmento' 5ubsidia- - estHta;imi~;e ne!D<no -ve)ho .h8blto .~ .--":'0 pnfeikJ do 0 I6rmo da'J~lINIIIrIa rio da imagem, quase que simpl~' l,egen-, ' de tentar refietir, com~ se pudC$Se ser e,s.. ." do Castelo para a c:onsJnI9Io • 0Is4J do J(1nUI/ista, 9 de janeiro de 1932. cia. 0 leitor teria, assim, quem sabe, a ilu- pelho, os &tos e acontecimentos,de urn

Sociedade corrompida faz crise da palavra escrita

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de produJos publicitariamente convenienJes ao sucesso da emprei-

Os jorna/eiros tl'abalftam em bancas de revislas queJazem jus ao nome, repleta.s.que estiiq de rW,islas de totios os tipos e tamanhos. Mais que bancas, verdadeiros vitrines para os mais variados gostos::A coda dia sw-gem novos tiJuJos, buscando. 0 leitor de maneira mais dirigida. A segmentdyiW, pela especiaIizli¢o de.assuntos ou

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tada, e urn caminho consagrado,no mercado. Um mercado que parece ler no Brasil a peculiaridade de frazer para 0 veicu10 urn jornalismo investigativo que, no exterior, niio ecomurn. 14 osfu~ ros ficam para osjornais. Aqui elas podem pautar os jornais.

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~o Nacional de Editores de"Revisuis)fO .. ~ .. "" {11 }.1· ~.~., meio teve no ano de 1993 uma Circ\lJ~ : IJ ,.. -.: , l ~r ... · total de 222.3. milMes. de exenwl~es. AJCouiisto, 0 ve(culo,tambem v~ 28.1 mil paginas,de anUncios. A,s.'assinaturas nme ano movimentaram US 273 nulh3es,

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Carros, por exemplo, s~o hoje 0 tema Do que voce gosta? Charutos? Selos?, .~p~ncip81- de nze oDzel) diferentes reComputadores? Autom6veis? Se a sua lis- vistas brasileiras ' - t'odas especializadas ta de prefe;enci~ incl~ ~sl dois ~~e~; .... ~ ~~ cV-cl!.layl.o n~iona.!:. os compl;1,taros itens, v.oce ainda precisa es _ Urg ;. dores oM ficam mui!9~: seis delas~a pouco mais. Mas, ao contririo. se 0 seu tratim do assunto. Tudo bem, os !l'imira· assunto predileto tiYer a ver com chips'c i dores (Ie harutos e selos ainda es~o bytes ou rodas e motores. voc! muito pro- desguameciaos. Mas, ao que tudo indiC!&. vavelmente j.a sabe que ~ sc,informar isso ~ 56 ~ qu~tio-de tempo. .. melhor sobre 'eles'basta ir ate a~ banSegmen~ e 0 nome do fenomeno ca de ]ornais e comprar. U1PA das ~ ,·, que,.de temp'<}s para,ca. vern inundan~o do genera,,; Siro, revistas, no plural. pols paia ' as prateleiras ok tiancas br.sileiras com estes assuntos 'a oferta de titulos nacionais novos titulos. E ,.verdade .que ainda .,

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praidm~ .1DJ!rnit:s!lii4ie');-[ltfoSD da liberdode de 111J1lYml4 aWda J'!!Iq. .. ABl em 1935, da ~A Cotris:siJo de DqesIJ da LiberrIade de 117J1rf!1lSllfoi aiDda ~J1"l!*Ip(lS~ ~ pe/a DitatjqrzIV~ depois , da~1IIizLitde~N~emabriJ de 1935.

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estamos longe da alucinante compartimentalização do mercado norte-americano, onde já existe revista sobre tudo e para todos e, ainda assim, a cada dia eles conseguem o milagre de lançar algo novo no mercado. Mas, se existe alguma outra tendência no jornalismo brasileiro, além do fim da obrigatoriedade do diploma, com certeza é esta: a da especialização cada vez maior - senão do profissional, pelo menos do órgão em que ele atua. E esta segmentação, felizmente, já existe no Brasil. Dá, por exemplo, para imaginar uma banca com apenas,digamos, dez ou quinze diferentes revistas e todas iguais, de interesse geral, como Veja e Isto É? Pois é mais ou menos isso o que provavelmente aconteceria, se não houvesse a segmentação: todo mundo leria a mesma coisa e quem não se interessasse por assuntos gerais praticamente não leria nada. Como conseqüência, o universo de leitores leria bem menor do que é hoje. Também haveria bem menos editoras, já que é significativamente mais fácil e barato lançar uma revista de videogame do que uma de atualidades. Basta olhar um pouco para trás e ver quantas novas pequenas editoras surgiram, nos últimos anos, e que tipo de revistas elas optaram por fazer. No máximo, restará apenas a dúvida se a opção que estas editoras fizeram por determinado tipo de segmentação foi uma decorrência da vontade dos leitores ou da disponibilidade dos anunciantes. Ou, então, das duas coisas juntas, como geralmente ocorre no novo e vibrante mercado das revistas segmentadas nacionais.

Basta que haja um grupo significativo de pessoas apreciadoras de determinado assunto (não mais do que alguns milhares, por exemplo) e alguns anunciantes dispostos a conversar com elas, para que surja o embrião de uma nova revista. E, tanto num caso quanto no outro, as publicações segmentadas são de grande valia. Para o leitor, é uma garantia de que, da primeira à última página, o assunto básico será um só - justamente aquele que ele mais gosta e se interessa. E para o anunciante representa a certeza de uma verba bem empregada, sem nenhum desperdício, já que todos os destinatários do anúncio são consumidores em potencial daquele produto. É um tiro certeiro. Não uma metralhadora cuspindo munição para todos os lados. Nas publicações segmentadas, ocorre ainda um fato curioso: os próprios anúncios fazem parte da carga de informação que o leitor procura, pois, tal qual as matérias, eles, também, são especializados. Trata-se da mídia mais convincente para um leitor que, por outro lado, tende a ser muito mais exigente. Seriedade, aliás, é tudo neste negócio. Até porque está se lidando com um tipo de pessoa que, muitas vezes, conhece o assunto melhor do que o próprio jornalista, mas que ainda assim necessita de informações que só publicações dirigidas têm como dar. Como, por exemplo, as novidades do setor. Neste ponto, os brasileiros aficionados por automóveis e computadores já não têm muito do que reclamar. Ao contrário, para eles o negócio é comemorar, Viva a segmentação!

A partir daí, O Cruzeiro não parou de crescer. Em abril de 1957, surgiu O Cruzeiro Internacional, que chegou a desbancar na América Latina a liderança da Life americana. Tinha fila em Buenos Aires para comprar a edição estrangeira, que chegou a vender 300 mil exemplares (nós estamos falando de um mercado infinitamente menor do que o de hoje). A bancarrota dos Diários Associados, depois da morte de seu fundador, e principalmente o avanço da televisão foram mortais para a revista. Ainda houve mais tarde algumas tentativas de ressuscitar a publicação. A última delas, para horror de qualquer jornalista honrado, foi em 1982 ser iniciativa do regime militar. À frente da publicação estava o jornalista Alexandre Von Haumgarten, misteriosamente assassinado. Definitivamente a revista não merecia um fim tão melancólico. O caso da Veja também é fascinante. Aos 26 anos, a revista já acumula 24 prêmios Esso de jornalismo e uma história de resistência ao governo militar. Ainda no ano de sua fundação, em 1968, a revista foi apreendida pela Polícia Federal uma semana depois do AI-5. Em 1974, o governo impôs censura prévia à Veja. Em período recente, a revista produziu dois grandes furos que abalaram o país. Numa entrevista ao repórter Luis Costa Pinto, Pedro Collor denunciou a corrupção no governo do irmão. As declarações do economista José Carlos dos Santos ao repórter Policarpo Jr., da sucursal da Brasília, explodiram como uma bomba no país, detonando a criação da CPI dos Anões do Orça-

O brasileiro leva jeito na arte de fazer algumas coisas - revistas, acreditem, está nessa categoria. Quem tiver alguma dúvida é só dar uma passadinha na banca da esquina e admirar a diversidade e a qualidade dessas publicações. O mercado brasileiro de revistas cresceu cerca de 20% no ano passado. Foram impressas 268 milhões de revistas no país - o equivalente a 1,5 exemplar por habitante. De modo geral, as nossas revistas têm um padrão gráfico e editorial que não fica nada a dever ao que se faz lá fora. A edição brasileira da Playboy, por exemplo, com 400 mil exemplares mensais só perde em tiragem para a americana. Bate em número de exemplares as edições francesa, alemã, japonesa e de outros dez países. A Exame, com 170 mil exemplares, é um sucesso como revista de economia e

Ancelmo Gois é chefe da sucursal Rio da Veja.

Jorge de Souza é diretor editorial da Editora Azul.

Brasil é mestre em fazer revista Ancelmo Gois

mento. O sucesso de público da revista é gigantesco. Em março, a tiragem estava na casa de 1.100.000 de exemplares. Veja já é a quarta revista semanal de informação do mundo. Perde apenas para as três americanas: Time (4,1 milhões), Newsweek (3,2 milhões) e U.S. News & World Report (2,3 milhões). Bate na alemã Der Spiegel (980 mil). Ficam bem atrás da publicação brasileira revistas de grande prestígio como Le Nouvel Observateur, Le Point, Panorama e The Economist. Para um país pobre - ou melhor injusto, como diz o presidente FHC - é um baita feito. O sucesso da Veja, acreditem, repousa muito na sua capacidade de mexer com o país. De produzir reportagens de grande repercussão na vida política, econômica e cultural brasileira. Nesse sentido, tanto Veja como Isto é (cuja entrevista com o motorista Eriberto França, por exemplo, desempenhou um papel super importante no processo do impeachment) exercem um papel diferente das revistas semanais de informações em outros países. Nos Estados Unidos, é raro a Time ou a Newsweek produzirem grandes furos, capazes de abalar os alicerces da Casa Branca. Este papel no exterior é mais dos jornais até porque levam a vantagem de circularem todos os dias. A questão é saber se as revistas fazem isso no Brasil por competência própria ou por incompetência dos jornais. O meu palpite é que é um pouco de cada.

ANÚNCIO PREFEITURA

negócios tanto que se transformou numa multi-nacional brasileira, com edições em Portugal e na Argentina. Mas os dois maiores fenômenos editoriais brasileiros no ramo foram O Cruzeiro, no passado, e Veja, atualmente. Nas mãos do lendário Assis Chateaubriand, O Cruzeiro chegou à espantosa marca de 720 mil exemplares em outubro de 1954, numa época em que o país tinha pouco mais de 50 milhões de habitantes - um feito extraordinário mesmo para padrões internacionais. A revista passou para as mãos de Chatô em 1920 e chegou fazendo barulho. Cartazes espalhados pelas principais cidades brasileiras convidavam os leitores a conhecer “uma revista contemporânea dos arranha-céus”. Já nos primeiros números da nova fase, a revista, além de um refinamento gráfico avançado para a época, trazia entre seus colaboradores gente como Manoel Bandeira e, na parte de ilustração, Di Cavalcanti.

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Jns/ontQneidade, rapidez, velocidtide: Siio'mui/os cis jiaIi;NrtisjxiTa '

definir a agilidade do noticia no-radio. Nestes teiirpOSmodemoS-~' ( do ~uIar niio emOis nemprocuiar JIm te1ejonepara colo- ' caT a noticiQ no or. A Jin.ic9 rtrStrlfiio parece so. 0 poucO iempo naprogrQl1'lQ¢o, .~por~ ainda vigore 0 conceito de que a me-.

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A.M.L.: Mas vocês tinham gravador? Como é que era? Gravava-se a notícia na rua ? A.V.B: Não, a notícia era dada direto no ar. O gravador era pra gente fazer uma entrevista na rua e trazer para a rádio. O equipamento era muito pesado, requeria um carregador, o operador e o repórter. A.S.:É mais ou menos hoje o que é a televisão. L.R.:Mas, Augusto, a produção desse jornal matutino tinha que começar às cinco horas da manhã. A.V.B.:É, às cinco eu já estava na redação. Vinha alguma coisa do jornal da noite, já preparada para ser lida de manhã. L.R.: Era um jornal local ou era um nacional? A.V.B.: Bem nacional. A.S.: Como você obtinha essas informações de outros estados? A.V.B.:Nós usávamos a Agência Meridional, que tinha um sistema de telefonia direto entre Rio e São Paulo. A.M.L.:Mas não se botava no ar o telefone. A.V.B.: Não. A gente lia no ar. A.S.: Já havia telex? A.V.B: Não, não tinha não. L.R.: O programa era o mesmo no Rio e em São Paulo? A.V.B: Todas as emissoras e estações dos Associados captavam e transmitiam em cadeia ou gravavam e davam depois. A.S.: Voltando um pouco no assunto, a Agência Meridional transmitia as notícias por telégrafo? A.V.B: Ela tinha teletipo. Foi a primeira a utilizar o teletipo no Brasil. Tinha também telefoto, mas só entre Rio e São Paulo e só para os jornais. A.S.: Você não botava telefone no ar, você tinha pouco repórter, pra sair com uma equipe para a rua era muito complicada porque demandava uma série de pessoas. Como era esse encaixe de matérias lidas que chegavam de agências e a reportagem que chegava da rua. A.V.B.: Na rua, levando o equipamento todo, a gente conseguia transmitir a notícia quase simultânea ao fato. Quando era uma coisa muito importante ia pelo telefone mesmo. O som saia muito ruim, mas ia pro ar assim mesmo. L.R.: Eram dois apresentadores? A.V.B.: Não, eram três. Tanto pela manhã quanto à noite. Pela manhã, geralmente a gente fazia um pouco de escola. Quando o locutor tinha um certo nível ele não queria chegar para trabalhar cedinho. Mas houve coisas curiosíssimas. Por exemplo, uma figura importantíssima da televisão brasileira foi mandada para a rádio pelo João Calmon que vinha passando pela rua do Ouvidor e viu ele, que era uma espécie de camelô e o Calmon gostou da voz e o mandou para lá. Mas era tanta bobagem que ele dizia... A.S.: Seria o senhor Senor Abravanel? (risos) L.R.: Tá falando do Sílvio? (mais risos) A.V.B.:Coitado, ele dizia tanta bobagem... Teve uma ocasião que

Chateaubriand estava no auge da campanha do Masp. Ele fazia uma festa no Rio de Janeiro quando ele comprava uma tela importante, como se o artista estivesse presente. Ele se dava ao cuidado de titular a matéria. Ele tinha trazido, na ocasião, um Tintoretto. O coitadinho entrou no ar e leu: “Tiroteio no Museu de Arte” (risos). Depois nós fomos tomar um café e eu comentei que se o doutor Assis (Chateaubriand) tivesse ouvido o jornal naquele dia, íamos todos para a rua. E ele me perguntou: “Por quê? Ele é cupincha desse cara?”(mais risos). A.S.:Eu estou lembrando de uma coisa que o Augusto disse: que de manhã era meio que como uma escola, porque ninguém queria acordar cedinho.Quer dizer, o grande jornal era o jornal das dez horas da noite...

Sílvio Santos no ar: Tintoretto vira um tiroteio A.M.L.: A audiência maior era de noite? A.V.B.: Era. A.M.L.: Mesmo porque naquele tempo não havia ainda televisão. A.S.:Hoje ocorre justamente o contrário, a audiência maior é na parte da manhã. L.R.: Os jornais mais fortes são os da parte da manhã... A.V.B.: Mas, o matutino, depois de algum tempo, teve muita audiência. Era justamente o que eu dizia, o Ruy Carneiro ligava todo dia de manhã cedinho para passar notícias, ouvia e dava palpites. E não era só o Ruy que fazia isso. Muita gente importante ligava e dava suas opiniões sobre o programa. A.M.L.: Como funciona isso hoje, Laerte? Isto é, para se fazer, na CBN, um jornal de uma hora, vinte e quatro horas por dia? L.R.: Hoje nós temos um jornal de manhã que na verdade tem três horas de duração (de 6:00h às 9:00h), depois temos um jornal de meio-dia às 13:00h, outro de 18:00h às 19:00h, um das 20:00h às 21:00h e outro das 23:00h às 24:00h. São sete horas de jornal, numa programação de 24 horas, divididos nos horários mais nobres... A.S.: Ainda tem mais um de madrugada, não? L.R.: Isso, isso. Tem um de 4:00h às 5:00h. Então são oito horas de jornal numa programação de 24 horas. E a proposta da CBN foi a seguinte: em 1988 ou 1989 o José Roberto Marinho, o dono da empresa, foi aos E.U.A. e ficou encantado com uma rádio de Nova Iorque (acho que era a ABC) que veiculava muita notícia. Então ele resolveu implantar isso aqui. Chegou aqui e se deparou com uma estrutura anti-

ga, arcaica, eu diria mesmo mais tradicional como é a Rádio Globo. E aí tivemos muita dificuldade para implantar essa estrutura da CBN aqui dentro, mesmo com o dono apoiando a idéia. A.M.L.: Mas por quê? L.R.: Porque você está propondo numa empresa antiga uma coisa muito nova, um jornalismo completamente diferente do que já existia. Já existiam os jornais da Rádio Globo (“O Globo no Ar”, “O Seu Redator Chefe”) que estão meio aprisionados em horários. Aí, de repente, você subverte essa ordem e passa a dar prioridade ao repórter, à notícia instantânea... Na CBN você não tem nenhum tipo de obrigação de guardar uma informação, pelo contrário, as coisas estão acontecendo no Congresso e nós estamos lá, as coisas estão acontecendo no Rio de Janeiro ou em São Paulo e nós estamos dando a notícia na hora em que ela está ocorrendo. A.M.L.: O repórter pode, inclusive, hoje em dia, utilizar um telefone celular para entrar no ar a hora que quiser. Ele não precisa mais esperar o jornal entrar no ar. L.R.: Você vê que curioso: o mesmo estranhamento que o Augusto sentiu em 1947, nós, em 1991, também tivemos dificuldades. Nós tivemos pra implantar o projeto novo que é essa coisa de notícia porque também os programas que vêm depois dos jornais fechados são variações de jornal o âncora tá ali entrevistando uma pessoa, pára a entrevista, entra o repórter porque o repórter tem prioridade na CBN e é o que dá “molho”, agilidade a esse tipo de trabalho que nós fazemos, então nós somos como um rolo compressor de informação de notícia e a nossa pretensão é muito grande, nós pretendemos com esse projeto da CBN, com tudo que temos feito no Sistema Globo de Rádio, nós somos uma diretoria recente que está à frente desde o início de 1994. Nessa nova concepção nós pretendemos devolver ao rádio a importância que ele teve como mídia e como veículo. O rádio passou um período entregue às Ditaduras, sendo muito usado por elas, tanto a do Vargas como a Militar, virou meio que um veículo de comunicação de um determinado segmento que não era toda a população brasileira. Hoje nós não somos uma empresa de rádio, somos uma empresa de comunicação e usamos o instrumento mais instantâneo, mais rápido e menos complicado para a comunicação que é o rádio. Quando o José Carlos Alves dos Santos cortou os pulsos na prisão (o cara da CPI do Orçamento), ele cortou porque tinha acabado de ouvir pela CBN num radinho que o corpo da Elisabeth Lofran dos Santos, a mulher dele, que ele matou, tinha sido encontrado. O P.C. soube da morte da Elma Farias pela CBN, pelo radinho que ele tem ali grudado. Quando o helicóptero do Dr. Ulisses caiu lá em Angra, um repórter ligou pra cá e falou assim :”Olha, tem um corpo aqui numa enseada em Angra.” Aí a gente perguntou se era homem ou mulher e ele falou: “Eu não sei.” Então falei para ele entrar direto com a expectativa

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de que tinha um corpo e, confirmando a identidade, entrava de novo. Passou-se meia hora e divulgou-se que era o corpo do senador Severo Gomes. Até a televisão chegar ao local, se instalar, o repórter se colocar e mostrar a imagem do morto; é complicado. A.V.B.: O rádio já está muito longe... L.R.: Então você vê que a excelência do rádio é essa. Naquela Guerra do Golfo, o que o Peter Arnet fez, que causou tanto sucesso pela CNN, foi rádio. Ele ficava ali com a imagem parada, Bagdá ao fundo, aparecendo os clarões e dizia: “Hoje houve um bombardeio, Saddam Hussein fez isso e aquilo, derrubou tantos aviões...” Ele não usou imagem alguma, fez só uma locução em cima de uma imagem parada. Então é curioso você sentir que, na véspera do ano 2.000, a idéia nova ainda causa espanto como causou a CBN aqui. E hoje, a gente vê com satisfação que as nossas concorrentes (Bandeirantes, Jovem Pan...) tiveram que ampliar o espaço jornalístico das suas programações. Elas tinham jornais de meia hora, hoje já tem de uma hora e meia e duas horas, têm repórteres em Brasília... Nós temos uma melhor estrutura em Brasília, com 35 pessoas e essas concorrentes estão tendo que se aparelhar para nos acompanhar. Essa história de termos saído antes, nos dá uma vantagem de muitos corpos em relação à concorrência porque é a coragem de um empresário de investir em uma idéia nova e tirar a música. Pra você ver, nós somos a rádio que toca notícias, não tem música na CBN. Isso é uma coisa que “agride” o tradicional, o cultural das pessoas. Porque se convencionou dizer que rádio é bom para ouvir música. Não, o rádio é um veículo de comunicação por excelência. Hoje em dia, com a modernização da telefonia nesse país, o repórter pode ligar para o estúdio, a cobrar, de qualquer cidadezinha e entrar no ar. Em várias ocasiões, nós estamos com entrevistados importantes como ministros e outras autoridades e nós o interrompemos em seu raciocínio para a entrada do repórter. Ele e os ouvintes passam a ouvir a notícia “quente e fresca” do momento. Nós entendemos que autoridade é também o ouvinte. A.V.B.: Exatamente. L.R.: Então eu acho que se perdeu muito do rádio que o Augusto fazia com tanto brilhantismo. Num dado momento perdeuse essa concepção do que é o rádio, do que é o veículo. Aí ele passou a ser um campo para elucubrações e o cara vai e dá uma receita médica, uma receita de bolo, um conselho sentimental e, com isso, o rádio foi ficando um negócio secundário. A televisão, com a força que tem... A.V.B: Naquela fase em que não havia televisão, a força da rádio era a notícia. A.S.: E aqui, no Rio de Janeiro, é fácil de lembrar, a Rádio Continental tinha o Pallut (o radialista Carlos Pallut) e seu “comando”, que tomavam conta da cidade. Tomavam conta literalmente! Em tudo o que acontecia na cidade tinha lá um carrinho do Pallut. Eles entravam no meio da programação dizendo tudo o que esta-


vesse sua primazi~ e dwou vinte anos. Por va acontecendo. qUc.acabou esse programa? Entenderam? A.M.L.: Isso ja era em 1950/60:, o radio perdeu um pouco esse embalo. , A.S.: Isso mesmo. L.R.:: Correndo'urn'certo·risco 'de pa- Ten sido por causnia televisiio? A.V.B: Niio, eu achoque foijogar fora recer cabotino, eu:gostaria de·lembrar uma: coisa. ·Eu montei 'a CBN em 1991 com 0 a "galinha~dos .,ov.os 'de ouro". Porque os Jorge Guilhemie (que·foi 0 ideaJizador da donos..das,fAdios nunca'acreditaram muiradio junto:com 0 Jose ;Roberto'Marinho) to DO radiojQrnalismo. Eles apoiavam, m!lS e af fui para a·televisiio ser chefe de redayio muito relativamente. Eu acho que essa foi da TV Globo do Rio. Quando eu estava na a raziio principal, porque ainda hoje eu televislo 0·Jos6 Roberto ligou 'Para mime iCho""que''o radio' est! 'na frente. A televi: perguntau: "Vamos expandir,a CBN? Volta sao vern depois. A Doticia eradio. L.R.. Essa:"5edu~I' da televisiio 6 impara ca (ele estava sem diretordejomaIismo) e a gente"faz urn belo trab8Ibo." pression~ur ~do n6s lldamos com Uns amigos;meuSificaram'itripressionados ~muni~91. ~6~.t-i.~.?l'~~~~ v~dade de eu largar a' W "Globo"com tod~'iQ "rn bruto'J.iNdMdio voce-.temh!l val dade "glamour'''' com 'O' nominhO"girandp lla da VOl., da infonnayiio. Na televisio voce tela; e'voltar para 0 radio-Eu tambCrn"CPD- cresce a i~~9 ,R~::l!~~!p!a nos cafesso que a gente:tem esses D.lomentOs-de racteres. Acho que foi uma conjunyl0 de dlividas de estar ou niio fazend" fatores.que1'~coIIulue 0 radio ficasse.re.. . . -::-.,certa1 E~ nunca ,tomeifuma!decislo tAo legado. A inapet&lcia dos proprietarios em acertada -quanto a (f~;yoltar .para a~N. trataJ"a;infonnayiio DO:r8dio. foi 0 princiNeSs d6'ridio niio.pode'mos maisifiClll"com pal. Com 0 adventa da:.televisiio, eles.pr6essa'etema>cOns~;de que a·teleNi~ pcios ficaramiSCduziaos-pOr.esse novo vel61"antastica. N6sLtambem'>$amos 'fantasti~ culoJ O paIs .passourpor,trans~mQs absocos, somos.ate)mais.rfantasticos ainda: ~" ., lutOs, politicos,ie ficou 1vil]te 'anos numa . , A. V .B.:,Estou plenamenterde·'8cordo. ,. 3itadura·oiide voce ~o ·podia dizer as coiL.R. ~ Convencionou-se.colocar:a.telcStw.!O.ridio e::urn.velcu1o .para se fazer 0 vislo como 0 "bicho-pap!o'" da lcomuni~ que.esfamos.fazendo aqui, cada um abre 0 cayio: O Data-folha fcz.uma.i>esquisa.em seu cora¢o e prontO! ~...-,.... . ~ . outubro ou novembro de- 1993', em 'Siio ~:JflA.M.L": ~Quando eu:trabalhei no JorPaulO', e constatou-se que- urn milh!O · nal do Brasil;,em J%8, eu me lembro que meio·de.ouvintes por.minuto estiio Iigados a-Radio J!BAicava aoJado'da redayaci (na hadio-de' seis horas da marilia asJseis 'da A'Venida' Ri01Branco). A:,repressiio,sobre a tarde. No mesmo periodo~ . h8 'setecentos nbticia'Jera' muito maior 'na .1JWio ,do .que mil esp.ectadores·de televisao. d velculo no~omj.b-\· ,j, .)!'" ':"., _, "n·; \. ,",' l <io- ala e o- rildicC Tambem- consi'cieran'do .. n!; ?A~ &.. !.l\chOJque;-existe/umalcoisa -que que as decisc3es impdrtantes s!o1 tomadas n6S' p,eclsamosranalisar~ tprinpipallIlente • aqui.no:Riol de Janeiro,:que 6 uma realidaduran.t~ ,0 ~dia. 0 ' qongre.s,sg esta em de diferentoda realidade dOJadio em Silo atividade durante 0 dill, no Palacio 0 Paulo. ~do voltamos 80S anos 50, voce Presid~lf es.tA assinando, os p'apeis ... AV.B.: Nio esqucccndo 0 autom6vel. ve que existiam t:f!s, grandes cOnglomeraL.R.: Os carros, ne? Entiio eu acho que dos de radio::o do Govemo (RAdio Nacioo nosso trabalho 6 muito pretensioso. Niio nal), Associados (de Assis Chateaubriand) e no estilo "vamos faxer uma radio que e, com~do~a aparecer,.o Sistema Globo itinj&,Q prim~.i~o lugar, 'W.e .~~ .4~ ~~!!O 'de ' Radio (de Roberto Marinho). Esses dinheiro". NG-o, n6s temos uma empresa eram os tr!s maiores conglomerados ,de de comuni~, privada, capitalista e que radio do Rio de Janeiro. Com os Associavisa 0 lucro. Niio vamos ficar com aquele dos n6s ja sabemos 0 que aconteceu em romantismo de que esta.mos aqui fazendo todas as empresas, nAo s6 em radio: a TV um jomalismo mais puro. N6s estamos Tupi faliu; osjomais "0 Jomal", "A Noifazendo urn jomaJismo que e urn produto te" e "Diano Carioca" faliram e a RAdio vendAvel. Mas vendAvel com dignidade. Tupi continua'do jeito que pode. Em lerNossa pretens!o e muito grande, n6s que- mos 'da .estatal,. que e a RAdio Nacional, remos realmente resgatar 0 que 0 nWio,tem ela.era,ma epoca,·o que.hoje.6a TV Glode melhor, que e essa instantaneida4e que bo,.,isto 'e,(0 grande vefculo. de comunicafoi!perdida·por descaminhos'do,pafs ... ' yio dos 'anos 50, Hoje ela niio representa 10% do,que enL.1sso e urna coisa pr6pria llli .de todalestatillaqui no Brasil, .elas foram se dcixando aviltar em termos de organi~ ' e de ,realizayio. No final das con,IS" · tas, 'emrtermos,derRio de Janeir.o, quem racabou ficando.foLo Unico grupo particu..Ja~l'eJJ) que~s dODosascreditaram que 610 , Sistema 61C!)boJde RAdlO:' ,., ,;" ~,.::. ' ;\(lr - L!R'.- UJDlIlcoismque.·eu acho que.pode -·t er -CQntribufdo...p1lI'8l ess~degrada~ao do .!J'8diofoi it suautiliZayio colrio.mstrumento ~ politico."Vace n!cme0l-;mcUs"i1esse..lP91s A.M.L.: Como e que voces .anaJisam . empresBrlos qu~usem.cinldiO .colDO;neg6(talvez 0 Augusto prirneiro) a !tendencia , cio,-v.oce tem~pmsano,s..que ficam com do radio de perder esse embalo?:Porque.o ·uma radiozi.nha,]l~da3durante,qlla­ programa do Augusto foi -uni .grande su- tro anos para; em 6pocas de eleiyilojiutilicesso:Entrou;no ar, conquistou 0 publico . ·zar essa ridio::politiCamenteJ Eu'Viajei da ':ni8hh!;" segurou ·urna grande audien- para 0, interior de ,Sao, Paulo~ para: fazer cia. )embora o"horario da noite ainda ti- nossas fili~ no.interior: desse estado e

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n6s ... ,A.M.L.: Qiiantasjol tem hoje? . ~ L.R.: Siio quatorze, al6m das cinco originais. A.S.: Nilo, s~o nove, al6m das cinco onsin3Us. Sao qu~torze ao todo. A.M.L.: Quais s10 as cinco originais? A.S.: Rio, 'Brasilia, S10 Paulo, Bel6 Horizonte e Recife. L~: Temos rnais nove afiliadas e a conversa que eU, ~nho com as pessoas e a se.guinte: n~s , ,estamos v~ndendo "credibilidade", Se voce entrar num neg9clO d,ess~ ~han,do que vai distorce~ fatos,.. , ~orque 0 er:ro, no jomalismo, faz p~ & ess~nq!~ ~ pr~nssao;~ &~a coisa que se aprende na fa.culdade · de "vamos diz.er .a verdade,. doa a quem doer" e urn co~J~~e9!f: crimino~~: .~'!' • neg69p ~~pli9.':4.9' A minha verdage ~ ! ·1. ~ V_ .B,..;i ral,v,ez. agora:.mc:lh.2~ep1· , A.S.: Eu nlo..sei-, se o,Laerte lembra ¢;B-~ _~6s ~o~ x,amos presenci~ urn fato e.Jv0c8.,vai ter um)enf9<}ue ... t J'u.lo.,.lt' ).af .. I, • !jobre ele difedissot.!l1as st(n~~~s ~s~o q~di ~~tamos rente do meu. Entio n6s trabalhamos com ter uma afiliada 'na Bahia, e~ i~alv~pr Ngs tivemos grandes dificuldad~"porque, ~:1:erWi~ ~<?ss!~~I'< 0 o~vij{ie ~!O ~ espp'r.~is.lqu~ .yoce queira,a .[idie;> (:BN ~pi~9•.~\~ .s.~~tetqu,ando voct~stA ~.eq~o I,.' y:ive 4a is~nyao que ela tem.'Na·Bahla, em ~der~ioso. . A. V.B .: E v~rdade . Salvador, 6 impossiv:eJ ser isento; :, "._, . '. L.R.: 'f1.3~v:e ~a eleiyao ago~ ~ ~ n6~ tivCssemos para quaJquer urn .deJes teria 4.....t . . . ,. \~ , tro~o. Eu.tiye urna e)f.~riencia J (.', .t, ... 1 Jc.. '. ~£~rfasC,~~~j ~tt tenh.o.JtlP ,9omJ>~; dre que estava trabalhando na camparilia dificulfu~" - . .. ~l' ,.. , . ' dp eEWRr(.:Y,;P,d.i~ C;:jUllp~I~,p~~di?a~o ao , .' . .. ,.....;,'1!Jh ~ govemo do Distrito Federal pelo PTIl.c; uma" ~,~a ,que!;\d~, fa ?dp:~ ~~~l~ando cpm.o Cnst6vao, no PT, No mesmo dilcl. .c....... . ,I _" -, ,() n~A. e M!:~j~ ng.,segundo, to/D0, l]le liga ;( ~~~fur~o~~i f 4 ert sya rMi& ~~~. fa')Q 1':1:' .. zendo.o.jogo dq Valmir. nl0 estll -daildo .. -;,u __ .. _ Ye,f\J\lg,c~,st{>y~!.~ Ell disse} el~}ly.~ ~a l~_.... . . I t l l ! J~ ~.t,.,.t,fI~t: .., t~e,Iil~r~I9ue!.. " c~av, a ~ifi~ilJ ~~o ~~ '.. , A.M.L.: Ou econtra ou a f!'rYo)' do ~acontecendo;' Passou-se meia hora e me tOnio Carlo,S. ,. '- . ijga n R~ Stefaneli, meu comp~: e ~ J ..J ~ J ,:" A.S,: Isso. 0.0 as emptesa,s ~ os ~elql.\­ - J! 'tit{ oJ ,..,;:t' 'l"h ..' "Olba, desse jeito nl0 dol. 0 Crist6viio o.c,",,) u'los sao.contra ou a favor. De.qualquer uma "1>~1Od9 0 espayO al.. .. " En~o .foi a}, q~e eu . daS duas; maneiras voce 6 ·tendencioso. pensei: ~~.91J~ ~.om!. en~oses!A, ~gQ ~uili­ Como 6 que voce' faz numa hora 'dessas brado. Melhor deixar as coisas como esnUma emissora que tem como:base'o fato ~t!O..'1:iavia::-os dois grupos.disputando=e · 'de~ ser isentl'e nao ser teridehcio~?0:~I. . havia 0 nosso trabalho jomalistico para .-... 11 ~ r.--:- l"''''{; . . L.R.: Nas conversas que tenh'o cOni decidir o ,que fo importantC ,e 'que dosa..1 ~ ~'''' -. ., . dos os empresarios que estiio se filiando a gem dar. - " t

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A.V.B.: No nosso tempo nós tínhamos total liberdade, à exceção de uma meia dúzia de amigos diletos do Chateaubriand com os quais a gente não podia mexer. Fora isso, a gente fazia o que queria. A.M.L.: Augusto, como você vê a rádio de hoje em dia, comparada com a do seu tempo? Quais são as dificuldades e as semelhanças? A.V.B.: Em relação à essência de buscar e dar a notícia e o perigo que se corre, vendo por esse lado, hoje em dia é a mesma coisa. L.R.: Com relação à televisão, você conta quantas horas de noticiários ela comporta e vê que o espaço para essa categoria continua sendo o rádio. Esse deslumbramento com a televisão vai ter um momento estacionário, como o que aconteceu na Europa. A BBC, de Londres, é uma rádio impressionante. São quarenta línguas convivendo lá dentro. A.M.L.: Vamos aproveitar essa questão do exterior para dois aspectos. O primeiro: a valorização do veículo em relação aos profissionais que contrata. Não é só deslumbramento, trabalhar na Rede Globo significa ganhar mais. Já era assim no seu tempo, Augusto? O rádio sempre teve um pouco menos de retorno financeiro? A.V.B.: Naquela época não havia televisão. A.M.L.: Não, do rádio em relação ao jornal. Ganhava-se menos fazendo rádio? A.V.B.: No rádio você ganhava mais, sem dúvida nenhuma. Tinha o pessoal “arraia miúda” que ganhava menos, mas aqueles que tinham um certo nível ganhavam mais do que aqueles que trabalhavam em jornal. A.M.L.: Porque hoje isso é um quadro... L.R.: Hoje a comparação fica desconfortável para nós do rádio.

“O salário no rádio já foi maior que o da tv.” A.M.L.: Por que isso? L.R.: Se você olhar em termos de faturamento, a TV Globo chegou a US$ 1 bilhão. O Sistema Globo de Rádio teve US$37 milhões. São negócios proporcionalmente incomparáveis. L.R.: Mas o custo é muito menor. L.R.: O custo é muito menor. No ano passado nós tivemos um lucro considerável nessa empresa, que há uns sete ou oito anos não tínhamos, levando em consideração o que o Sistema Globo de Rádio passou com problemas de gerenciamento. Quando eu falo da importância do rádio, eu não sou maluco de falar: “parem de ver televisão, passem para o rádio porque ele é que é o bom!”. O rádio tem a sua especificidade. Ele é bom, tem sua agili-

dade mas a televisão tem a sua importância. Eu acho que, no rádio, você tem mais espaço, mais tempo, não há as amarras que existem na televisão. No caso da TV Globo, ela tem a audiência que tem, no país todo, mas também tem as suas limitações, simplesmente por ser tão hegemônico. No rádio a gente tem mais liberdade. A.S.: Quanto mais você amplia o seu alcance, em termos de rede, mais você fica preso a um trilho, sobre pena de se levar todas as composições a descarrilhar. Isso que a TV se impões com muito mais rigor, nós da CBN, com 19 emissoras, já sentimos. Você tem que estar muito mais preso a uma grade de programação, a um determinado formato do que anteriormente quando éramos apenas cinco emissoras. Coloque isso agora com som e imagem. Fica muito mais difícil e mais rígido a uma determinada forma pré-escrita. L.R.: Você paga um preço por esse alcance maior. A.M.L.: O que eu queria pegar era o aspecto no qual você cita a BBC de Londres e esse peso diferente que a rádio tem no exterior. No Caribe, por exemplo, sempre me impressionou o peso que o rádio tem perante os outros veículos. E dá para perceber, tanto pela BBC quanto pelas rádios do Caribe, o número de documentários que eles produzem. Por que, no Brasil, isso nunca vingou? L.R.: No caso da CBN, nós nos especializamos na rotina. Nós somos um veículo para a notícia instantânea do dia a dia. Nós estamos em Brasília, no Rio, em São Paulo, no Nordeste e eu posso dizer, com a maior segurança, que nós fazemos o melhor jornalismo em rádio. E eu não posso, agora que sou bom na rotina, parar e começar a fazer documentários. Nós temos que dar passos. O primeiro foi esse: nos estabelecer como a melhor equipe de jornalismo em rádio do país. Agora, o segundo passo é começar a aprofundar certas questões. Vamos ter agora, entre o meio-dia e meia e uma hora da tarde, o Álvaro Pereira, num programa chamado “Encontro Brasil”, onde vamos pegar grandes temas, como a privatização, e discuti-los no ar. Depois dessa etapa eu imagino que terei que deslocar algumas pessoas para matérias especiais, porque os nossos concorrentes já estão começando a fazer isso o que nós fazemos. E essa questão do não se fazer documentários, é, humildemente, porque ainda não temos competência para tanto. A.M.L.: E por que não se fazia antes, Augusto? A.V.B.: Também não havia recurso para isso. A.M.L.: Você acha que foi falta de recurso ou de ousadia com o veículo? A.V.B.: Principalmente por falta de recursos. O equipamento era muito restrito. Hoje existe muito mais conforto... L.R.: Como o Augusto viveu sua fase heróica de pôr um jornal de uma hora no ar, nós tivemos a nossa de pôr uma rádio com 24 horas de notícias também no ar, dentro de uma estrutura completamente arcaica e rudimentar. Nós pusemos 24 horas de uma programação completamente flexível e foi muito difícil coordenar as

nossas primeiras cinco praças dessa foram rudimentar. Com o computador nós agora passamos para uma nova era, para a automação. Eu imagino que nós gastaremos menos telefone... A.S.: Não só a informatização como a parte do satélite. O satélite digital nos dá a possibilidade de ganhos na qualidade de transmissão...

“A rádio ficou pobre porque ficou safada.” A.M.L.: Também na comunicação paralela que não vai ao ar. L.R.: A história do satélite é tão fascinante que se você tem uma bela idéia, de fazer um programa de rádio para crianças, você joga isso para o satélite, vende para todo o país sem precisar ter, necessariamente, uma instalação física. Quando você fala em comunicação, você tem que estar sempre atento e aberto para o que vem à frente. Nós hoje temos a TV e o rádio a cabo. Para você ver como o nosso pé ainda está no passado: com todas essas inovações que temos, eu me sinto muito mais próximo do heroísmo do Augusto do que da coisa cibernética dos países desenvolvidos, que já estão com o satélite e com sua comercialização toda informatizada. Um cliente que chega na rádio e diz que quer cem inserções do seu produto durante a programação tem a garantia de que essas cem inserções foram feitas? A partir do momento em que tivermos um controle eletrônico com expedição de certificado de irradiação, nós teremos um ganho de credibilidade tremendo com o cliente. O rádio ficou pobre, ficou largado, porque ele também ficou safado. Eu estou usando essa expressão forte, mas foi isso. A.M.L.: Ficou-se muito mais no “jabá”. A.S.: Havia negociações clandestinas. Eu não falo do “jabá”, não. Eu falo daquela feita diretamente pela pessoa que apresenta o programa e que, eventualmente em algumas rádios, compra o horário e negocia do jeito que pode. É aquilo que a gente chama de “mídia cardíaca”. Você chega num amigo e diz: “me dá um dinheirinho que eu estou precisando”. Então o cara finge que paga, porque deu dinheiro abaixo do que deveria, e o outro finge que colocou no ar e fez um programa decente. Nenhum fez nada disso e o veículo ficou com uma marca ruim. L.R.: Nós temos concorrentes importantes em São Paulo, onde o radiojornalismo tem mais força, onde há comerciais vendidos a R$30,00. Isso avilta o mercado como um todo. Nós temos uma tabela de preços da CBN que é uma tabela forte, não é Amaury? A.S.: É uma tabela alta porque temos que justificar os custos. L.R.: Há uma praga no jornalismo cha-

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mada desconto. Você tem um preço de tabela que é de R$100,00 e o cliente paga apenas R$25,00. Você tem aí 75% de desconto, o que é um absurdo! Quer dizer que para vender você abre as pernas e avilta o produto do seu ganha-pão. Naquele momento você acha que atingiu a sua meta, mas a longo prazo aquilo vai te tirar o emprego. A longo prazo você está trabalhando para os clientes que pagam pouco mas que dão uma mão de obra tremenda. Você tem que fazer a fatura, tem que cobrar... A.M.L.: E essa questão, do ponto de vista ético, da negociação direta com o próprio apresentador? Ele vira um corretor que acaba fazendo a comercialização do produto, ele usa a própria voz para isso. Você acha que isso foi um fator de complicação? L.R.: Sem dúvida. Eu não sou como uma freira achando que só tem anjo, no ar, falando. Mas eu acho que o comunicador tem que ter a isenção necessária, já que ele vai tratar de todos os assuntos. O interesse dele não deveria aparecer, mas isso ocorre.Eu não imagino os apresentadores de televisão, como o Cid e o Chapelain, vendendo comerciais para a própria TV Globo. O rádio perdeu nessa trajetória dele, com o surgimento da TV e o que ela é até hoje, nós perdemos muito nas questões éticas e de comportamento. Mas é possível retomar o trilho porque o rádio é um veículo fascinante.

“Jabá? Donos de coluna também faziam o diabo.” A.M.L.: Essas questões já existiam na sua época, Augusto? A.V.B.: Sempre existiram. Não somente no rádio, mas também na imprensa escrita, donos de coluna que faziam o diabo... L.R.: Isso não é prerrogativa do rádio. O gênero humano quando lida com grana, quando entra o “vil metal”, já se altera. Filosofando um pouco, isso já é da espécie humana. Mas se nós lidamos com comunicação, com informação, eu não admito qualquer pessoa na CBN tendo qualquer envolvimento com ganho que não seja o ganho do salário. Se não, não dá para conduzir um jornal. Nós, talvez por termos apenas quatro anos, nunca tivemos problemas com alguém que estivesse se locupletando com a informação para ganhar grana. Isso é um princípio da CBN. A gente começa uma rádio com alguns princípios basilares que haviam se perdido e isso já é um ganho fantástico. Não adianta nada eu tentar fazer um veículo decente se quem manda em mim, se o dono da empresa não estiver do meu lado. Isso tem que ser uma decisão do patrão. Se o meu patrão for honesto eu sou obrigado a ser também. É o que ocorre conosco aqui.


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de mas é a pessoa a quem os vizinhos, parentes ou colegas de trabalho ouvem quando querem conhecer mais sobre qualquer assunto ou não sabem como se posicionar diante de um problema. Suas idéias são respeitadas e, com freqüência, acatadas. Uma das missões mais difíceis para os sociólogos de todo o mundo é mensurar o grau de influência de cada meio de comunicação ou instrumento social ( o que Althusser chamava de “aparelhos ideológicos”) no processo de atitudes de um indivíduo ou de um grupo de indivíduos. Em alguns países, isso tem sido tentado, com poucos resultados conclusivos. No Brasil, poucos tentaram e, com recursos escassos, tiveram ainda menos sucesso. De qualquer maneira, o que se depreende de todos os estudos feitos com esse objetivo, é que o poder de influência da TV é contrabalançado pela ação direta dos outros meios de comunicação ou pelos seus efeitos via líderes de opinião, assim como pela atuação de instituições como igreja, família, sindicato, escola e pelas próprias convicções individuais de cada integrante da audiência. Em 1984, tivemos no brasil um exemplo de como o poder da televisão é superestimado. A TV ignorou por meses a campanhas pelas diretas já mas, depois que os líderes de opinião a adotaram e disseminaram pelo país, teve que se render e também passar a apoiá-la. Se a TV fosse tão poderosa como alguns pretendem, o país deveria ter ignorado a campanha pelas diretas já ou pelo menos, ela não teria crescido tanto quanto cresceu no período em que a TV a ignorou. O conhecimento acumulado por cientistas sociais que pesquisaram esse assunto também revela que o poder da TV de formar hábitos e opiniões é inversamente proporcional à importância que o assunto tenha na escala interna de valores do indivíduo. Quer dizer: em assuntos que estão na periferia dos valores da pessoa, a TV é mais influente do que nos que estão no núcleo de suas convicções. A TV é muito mais eficiente quando tenta vender um tipo de sapato do que quando tenta vender uma crença. Para a maioria das pessoas, o tipo de sapato é muito menos importante do que a religião. Na novela “Roque Santeiro”, na década de 80, a personagem de Regina Duarte usava um tipo de enfeite no cabelo que logo foi adotado por milhões de mulheres. Mas o mesmo personagem também praticava a bigamia ostensiva e seu comportamento não foi imitado na mesma extensão. Os analistas que supervalorizam o poder de influência da TV costumam usar como exemplo a facilidade com que milhões de pessoas adotam um modismo disseminado por seu intermédio: um vestido, uma expressão vocabular. Essas pessoas estendem de maneira simplista essa constatação à hipótese -

nunca comprovada - de que a TV, portanto, é capaz de tudo: eleger ou derrubar um presidente, aumentar os valores morais de uma sociedade. Fernando Collor não foi eleito por causa da TV em 1989, ao contrário do que muitos acreditam. Se TV elegesse presidente, Ulysses Guimarães e Aureliano Chaves, que tinham os maiores espaços de tempo na propaganda eleitoral gratuita, teriam tido resultados muito melhores do que os que conseguiram naquela eleição. Collor foi eleito porque a sua plataforma eleitoral coincidia com as aspirações da maioria dos eleitores. Se o que ele prometia correspondia ou não a suas verdadeiras intenções, é outro problema. A magnitude da violência na sociedade brasileira não é provocada pela TV. Se TV provocasse violência, o Japão, com seus desenhos infantis ultraviolentos, não teria os baixíssimos índices de homicídio que tem. Pesquisadores interessados no fenômeno da televisão mas preconceituosos e sem a instrumentação metodológica necessária, têm se limitado a contabilizar horas de conteúdo violento na TV para argumentarem que esse conteúdo é responsável pela violência na sociedade. No entanto, trinta anos de pesquisas muito mais sofisticadas feitas no EUA e na Grã-Bretanha sobre o assunto não foram capazes de estabelecer nenhuma relação definitiva de causa e efeito entre TV e violência no mundo real. A TV é mais poderosa no Brasil do que em outros países porque aqui ela se universalizou antes dos meios de comunicação impressos. O Brasil queimou etapas: pulou o degrau da educação básica para todas as crianças, foi do analfabetismo para as telas. É surpreendente que, apesar disso, alguns jornais diários brasileiros estejam sendo capazes de obter significativos avanços em sua circulação nos últimos anos. Em quase todos os países do mundo, os jornais estão perdendo leitores ou mantendo a duras penas os que conquistaram antes que a TV se universalizasse, mal dando conta de acompanhar o crescimento demográfico. O aumento de circulação dos jornais brasileiros é um dado animador não porque eles sejam “melhores” do que a TV. Não existem meios de comunicação melhores ou piores do que os outros. Mas não há dúvida de que o jornal ou a revista são capazes de proporcionar ao consumidor gama de informações mais complexas do que a TV, pela própria característica de cada um desses meios. Uma sociedade com jornais sólidos e consumidos por grandes números de pessoas estará sempre melhor equipada para superar seus problemas do que uma que não conte com eles. Carlos Eduardo Lins da Silva.correspondente da Folha de S. Paulo em Washington, é professor livre-docente e doutor em comunicação pela USP.

Televisão, poder e participação Herbert de Souza Até o surgimento da televisão, a formação ocorria dentro da família e na escola, os valores eram aprendidos nesses locais. Quem educa nossos filhos hoje? Em parte a família e em parte a escola, mas em grande parte é o que eles vêem na televisão. A TV oferece uma espécie de curso intensivo, para adultos e crianças, sem nenhum controle social. A família exerce seu próprio controle, a escola possui regras, mas a televisão não tem nada disso. A televisão aposta na violência e no desprezo pela vida, pelas normas éticas, pelos valores. A televisão despreza de forma agressiva, banalizando. Na telinha tudo é possível e nada produz resultados ou conseqüências. Num filme, duzentas pessoas são assassinadas e não acontece nada. Essa distorção acaba gerando um tipo de cultura da banalização da vida. Como na televisão tudo é banal, parece que se perde o sentido do trágico, do quanto o crime é trágico, do quanto a falta de ética é trágica. A televisão, como um todo, deveria ter uma função mais educativa. Essa idéia de liberdade de TV é ilusória. Toda televisão deveria ser educativa e a sociedade precisa ter o direito de controlá-la. Não o direito de censura, mas de controle. A televisão exerce um efeito muito grande sobre a sociedade, e a sociedade não exerce qualquer controle sobre a televisão. É uma relação unilateral. Mas também há o outro lado. A televisão, assim como a imprensa, é uma arma, um instrumento que tanto pode servir a determinados valores como a outros. Por exemplo, se nós tivéssemos uma TV educativa, criativa, profunda, mudaríamos o Brasil em um ano. Uma televisão que educasse com arte e criatividade provocaria uma revolução neste país. O efeito da TV depende do uso que a sociedade faz (ou permite que se faça) dela. A consciência coletiva no Brasil se

informa sobre alguns temas nacionais e internacionais - basicamente a partir do que se vê na TV. A TV alimenta e a consciência digere, quando tem tempo. A TV, neste sentido determina uma agenda, um modo de ver, uma visão, e vai desenhando os conteúdos básicos e as imagens que moldam o que chamamos de consciência coletiva. Essa é uma relação onde às vezes é a TV que domina, e em algumas outras circunstâncias é a consciência que reage. Hoje em dia aparecer na TV é quase uma condição para legalizar a existência das coisas, dos processos e das pessoas. A realidade existe quando vista na TV ou, em outras palavras: quando vista na TV a realidade é mais real, adquire importância, é pública porque é visível. Sou visto, logo existo. Não existe nenhuma possibilidade de gerar movimentos, decisões, consciências e mudanças sem que isso passe pela mídia. Esta não pode ser pensada como um corpo externo, mas interno. Não existe mídia privada, toda mídia é pública. Se é assim, é preciso que haja uma mudança dessa relação da mídia com a sociedade e vice versa. A sociedade não pode ter uma postura passiva ou de estranheza diante da mídia, ela deve lutar com a mídia, disputar a mídia página a página, vídeo a vídeo. Deve ser uma disputa constante, pois às vezes ganhamos e às vezes perdemos. Às vezes os seus donos prevalecem, às vezes o público prevalece. É um campo, uma arena de luta. Não é fácil ter essa atitude, pois nós idealizamos a mídia assim como ela tenta idealizar a realidade. Pensamos na mídia honesta, educativa e inteligente. São idealizações. Mas se a sociedade exigir objetividade, ela terá que oferecer de alguma forma. O que nós nunca teremos é a mídia ideal, ela sempre será inalcançável. Herbert de Souza, 59 anos, é sociólogo, diretor geral do IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas) e articulador nacional da Ação da Cidadania contra a Miséria e Pela Vida).

A tela que está mudando o mundo Armando Strozenberg A discussão será mais correta, e acadêmica, no futuro, quando os antropólogos, no tempo internetizado dos nossos netos, puderem analisar com isenção o que ocorreu no século XX. A começar por duas grandes guerras provocadas pelo esforço de propaganda de estados

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totalizantes, passando pela experiência da generosidade utópica da sociedade igualitária, até esbarrar, no que vivemos em nossos dias, na véspera de uma sociedade do tipo Laranja Mecânica, de que nos falou Anthony Burguess, na sua fábula da violência, sonorizada por Kubrick com a Nona de Beethoven. A tela da televisão, que tornou o fato ubíquo, colocou o mundo de ponta-cabe-


e parece que acreditamos ainda que 0 meira emenda a constituiyAo, aquela que em classes. mas em castas; cada wna·tinha · . oonscicnte coletivo. E temo' que; por 010· . meio seja a mensagem e que os demOnios assegurou a liberdade de imprensa. sem os seus fcones, e, a partir deles, soohava-se cotender que a telinha e a miquina de apossaram-se das cAmeras para espalhar limita¢es, porque, segundo 0 entendi- 0 sonho da disputa iotema, com tudo 0 que Guttemberg do tempo atual, esteja-se peno mal. Nesta materia, alias, a tinica coisa mento da Suprema Corte, na epoca, toda disputar representa de ooDrutos, ~ sando em controle do que se produz para Ii acorde e que a tela, na maior parte do restriyAo, ate a de impostos, era perverna. ate ~ os de sangue. Depois da televi- telinha, ou da fonna com que chega ao conOu a era do lidio, que fora 0 lado ro- s§o.amensagemqueembalaosonho6pro- sumidor final. Sera repetir urn erro, com mundo, espalha urn outro mau, 0 de gosmintico, foi usada, e abusada, ao romper priedade de todos, nao imparta 0 tamanho muitas chances de acenderem novas fogueito, mas isso e outra discusslo. o que me proponho, como publicit!- fronteira na pre~ cia guerra entre os cia tela, scndo razoivel imaginar-se que a rasinquisitoriais,estabeleceremnovossanrio, e discutir 0 poder cia televislo no propovos, ou das disc6rdias intemas, de tal cada urn e dado 0 direito de poder' sonhar e los ojicios e index para autores e progracesso de comunicayio de massa no Bra- ordem, que ate mesmo ainda boje exis- querer fer, diferenciando-se, ~ mas. Tudoissoscriefemero,eperdadetemsilo Coisa, alias, que n!o necessitaria ser tern os servi~s especializados em lingua mente, a forma com que pode abngir 0 que po e oportunidade, porque ja estamos saI:discutida, por ser inegavel, como foi, ali· estrangeira em estruturas respeit!veis deseja. Ea miseria do tempo em que.vive> tando para urn outro mundo de inf~ . is, nos anos cinqUenta, 0 poder do radio, como a BBC de Londres. Sem falar nas mos, DO qual insistimos em disaJtirvio~ com duas pontas - de iciae volta - atraves · a tal ponto que podemos afirmar existir outras avcnturas, scm ou com ofru ante>- cia apeoas sob a OCica de polici.a, qwmdo dos sio:temas como 0 Internet, boje quase , aincia parte cia popul~ brasileira fruto cipandOose a radio, na insist!ncia de se dev~os estar pensando em descobrir um mistCrio, mas, daqui a pouco, uma reada chamada cuilW'a da Radio Nacional - espalhar conceitos e ideias, heranya do ~ sUas ~ ~ outras areas, especia1men- lidade que tomani 0 bomem mais senhor que era amens., pelo menos em materia riodo cia guerrama, que acabou, mas que te naquela que fabrica 0 homem. isto 6, do seu p1aneta. . A discussio sobre a televisio e Oportu7:·} de musica popular, e indicadora de coi· ~!tCr deixado saudades, pelo menos onde ele vive e com ·~ ,tipo de acesso sas fUturas, com adramati78~O eletranica ifn9~deSempregad6s <!:as estrutl,lras de·es- . tern a infol1llllYio. 1>0 na, e deve servir para qtialificar 0 quC ~ -. sonora dos folhc.tins- herdados do infcio,"-:· P!onagem e dou~o. Nio se usa mais citar -Mac Luhan. produzido, ate peJo incentivo a ~ ~ da cu1tura tipogrtfica. ".:' '''. - _· A ·questJo principal e.que a televisio Mas. pelo menos como I~<"vale autores,esta~desonhadoresqueosanos:. Restrinjo-meaoquemepedeme..&JDCu e geral, e tornpu-se universal na sua dizerque,nosanossesscnta,ele~que. durosdeditaduradcstruiunaspr6priasuni-: campo de~: a televislo e ~Cma- ubiqo.idade, quando os satelites con'l~ atecnologiaeraextensiodossenti40S..hu- versidades. Penso, 00 entanto, sec melhor. mente importante para a publ ci~· aU ram a invadir 0 esp~ e seus sinais a eli- manos, Seus li\1Os, Welinnente, ficaram;.> . discutir 0 bomcm do tempo cia t.elevislo, que porque foi ela. nas redes i~L~f~~1L.',~ ~i~S~~~~~ ~~J!W'ais. Nio importa nas discuss3eS; (fQ ~~uo. ou .do .·que 7. e um SCl'difercnte, porque proprietBrio da" ~ Associadas e tomadas .pro~s,~~~~ce~ ·.;; setcr,illPfs pel,~e,p'~~Qsidade da igualda- dava ar ~~ iiiiel!~Snci~ ~~~,~~am ~ ".~o~ g~ aquelaqueotomasenh~: a Globo, quem pennitiu a '~st!!l~!a, de de, ou estabel~ldos p'cla maldade torna- ter merectdo DWor,~~ '8!C1para QUC de suas prOprias op¢es. ' " wn mercado nacional para 0 que 0 pais da sede de poder Por algum tipo de d6spud6ssemos prever_oq:af~lla.soci- .,~"'.' ~ um born simoma que a televisio 00;:' produz. Antes, tinha-se produ~ para pota. Onde antes tudo coma pela verda- ·edade da comuni~ ~ .~ ' ou do mec:e a sec usada com seriedade nos pt'C?-!, con sumo regional, cOJD rarbsimas de oficial, do jomal Unico, e dos censores , espetaculo, para usar aJ ~de um gramas de edu~ a distancia, porque ; ex~, e dentre elas, obrigatoriamen- criados a imagem e semelhanya dos_bOo • outio-estudioso cia rnatalL.Eu penso multiplica e qualifica a oferta do bolD c:nsi::;. te, as coisas impo~, especialmente mens do Santo Oficio, copte~u ~ s~ ~ ·a.teamlogia que criou a televislo, produ- DO, aquele que vai ~ a talentos que aquelas relacionadas-com higiene.pes50- imagens descOIWecidas"d~ wn m~d9,gue ,..,:~to dC? .e ngenho e ~ do homem,' tern um escondcm nos lugares mais.distantes, mui=..:. al, que nos chegavam via filmes e popu- .of~ecia_~elicidadc, eSPeci8Im~¥ ni p'u- ~r:.~J!lixomisso com um outrotipo deser hu- los que ell vi-'e ouvi quando participei coni . larizavam-se atraves ·dos geniais jingle., blicidade dos · servi~s ebens de cODSU- ; ,maoo, eoutra soci.edade. Na qual.nIo; seja Paulo Afonso GrisoUi de urn sonho~: de gente muito talentosa. ate hoj mo••Wisas criadas P,elo. pr6prio homem~ riegado-participar, e ~ qual sejam eIimina- do pacole cuiJuraI, pelo qual a Seaetaria ¢es que insistem em 'habitar ·05 "" ~m lh91V-a sua 'rel~o com ~ meio . do:S os apartados de todos os~ para que de Ednca~ do Estado levou 0 respeito As ouvidos. · , .y'~:mas cxp!QradaScomerciil-: . sej>Ossa~ai~~e comunidades do interior, que s~ Para com~ uma ooa disc ~quinas .fantasJicas gue . fer, co~ ali~ que ~~da,ffistO- ~ alltodescobr¥am. na medida em que ident.jpUblici dade trabalha com:~.~~~ , , ,:, '" . Wl .·~~~.a~.em.i~,cri d? jmp.~ri~"! ria (10 IJo!nem desde que a razio impOs a . ficaram os seus autores populares, e eleva-

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retira do inconsciente cofe"tivo·as chama- questOes mai~es, fico, no;enbmto, ~m' o . • ~ -reode ~segmC!)lar, ;pOrque estamos bani com os preconceitos. Ter medo dela e das ncccssidades, trabalhandZ;o; ou mais simples effificil de s~r entendido por . l~do a ~ga.jlCllte a quem subestimar a capacidade do telespcctador de insights para usar mais urna que,mJiio d~ja....ver:' a~tele!is!o PQssibi- d~j~ e pode ~mprar...o-~~unciamos. d.izz:r niIo, anglo-sax5nica do meio ' de so- · ·N~o~ creio g~e se ' possa, .1..:;.-_: _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ __ var 0 consurnidor. Nlo ~, ~ outras • AnnandoStrozenbecgediretortecnicodaContempofabrica tie pequenos . ; rGncae pre$identedo CapItulo Rio daAssociat;:lo Bra-. tudo e possivel, bastando sileirade Agfncias de Propaganda(ABAP) . , bancar 0 alto custo das . ;./ segurem wn GRP, de tal ordem "1~;!.""'Y..·:r., que sera impossivel ao pobrezinho (lO:Cl:'::T~'I : dadio-consumidor livrar-se do apelo. e bem assim, ou est! distante disso, ou nunca cbegara sequer pr6ximo do que se pensa ser. . . Eu imagino, quando me defronto com este tipo de discussio, 0 que foi 0 tormen· to dos santos homens do Vaticano, quando Lutero comeyou a imprimir, sem autorizayio, de forma rebelde, a traduyAo livre da Biblia, utilizando-se n!o mais de copiadores, mas da maquina fantastica do tipo m6vel de Guttemberg. Eles, os santos protetores dos coitadinhos de todos os Fonrllltllril dII tempos, estabelecerem logo 0 Santo OfI.. prlmeJrll tIIl7IfIl do cio, aquele que passou a dar 0 nihilobstat, alI'S . de Jomlllismo com a cri~ do index, para onde, antes -;t;, EscollJ NlldonaJ das fogueiras que queimarampIWCI e g _ di~oJill"triUlS­ te, eram mandadas as idei.s 'queConi~- 1 .. !(Ol~O;'hoJe em yam a circular sem ·o C9ntr~~~ ~OfpU!~~1j EicoiJ de Camun;~ Jtt ". . "10" • das igrejas. " CIIf40 dII UFRJ, no A histbria americana, seguindo amesClIIbe MiJiJIzr em ma linba de raciocfnio, pode ser deumbro de 1950. estabelecida a partir de uma famosa pri. '.at

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A chegada da televisao por cabo no BrasilJoj retardada e esta demora ganhou versOes variadas. Ainda recente e limitada aos grandes centros,ja recebe ana/ises eprevisOes que, se cor!firmadas, arnea~ mudar 0 mercado da televisiio no pais. Uma hipOtese: a exemplo dos &tados Unidos, poderia diluir a audiencia pertwbando os

indices quase absolutos da Rede Globo. Uma lese: conquistando espar;o entre 0 pUblico rejinado atrairia os anunciantes de peso deixando para as grandes redes os pUhlicos de baixa renda, que ntio justificariam anunciantes caros. De todaforma 0 cabo trouxe, com sua iegislar;Go, wna maior possibilidade de democracia. 8AI.AN~O ~

COMUNICA~O

A program~ao da TV perdeu a magia Walter Clark Falar sobre a atual estrutura de prograrn~ da televisao brasileira e urn pou-

co melanc6lico. A come~ pelo' adjetiv~o atual, que nio faz nenhum senti do, urna vez que 0 que vemos hoje em termos de grade com~u a surgir em meados de 60. De la para c8., duas coisas mudaram: I) a teve inovou.em term os de tecnologia; 2) tomou-se insuportavelmente cha1a. 0 sucesso do modelo aiado hA quase 30 anos e a Iideran~ absoluta e segura da GloOO contribuiram para que 0 telespectador de hoje assista amesma programaylo de segunda a sexta. No tim de semana piora. A primeira grande mudan~ na teva ocorreu em 1960, com 0 aparecimento do Yr. Antes disso, â&#x20AC;˘ programaylo era feita ao vivo, de urn. forma her6ica. Sem duvida, bouve urn. melhoria grande em termos de qualidade. Em setembro de 62, trabalhando Binda na TV Rio, lancei â&#x20AC;˘ ideia de grade de programaylo. Antes de come~ a falar sobre isso, cabe urna pequena expli~: a grade e 0 esplrito da programaylo, e urna forma de organizar os prograrnas de mane ira que urn capitalize a audiencia dos outros. Na verdade, e como 's e criassemos i1has de audiencia ao longo da programayia. Hoje, assim como ha 30 anos, 0 papel dessas tlhas e representado pel as novelas. Muita gente bSsiste a novela, mas nem tantos assistem a filmes ou program as de humor. Mas, se voca botar um tilme entre duas novelas de grande audiencia, ele vai ser urn sucesso de ibope. A grosse modo, qualquer coisa que venha entre duas novel as de sucesso tern audiencia. Nio da para falar em grade, em estrutura de programayio da teve brasileira, sem falar em novela. As novelas, que sao urna expressio cultural brasileira, comeyaram a se fmnar na programay!o quando a posiyio de Iideranya da TV Rio comeyou a ser ameayada pela Excelsior. Em urn dia, a TV Excelsior contratou 60 artistas do elenco da TV Rio, incluindo gente como Chico Anysio e Manga. A primeira novel a da TV Rio chamou-se "Morta sem Espfrito". 0 texto era de Nelson Rodrigues . e 0 elenco contava com Fernanda Montenegro, sergio Brito e ttalo Rossi. Era 0 melhor texto com 0 melbor teleteatro. Urna novel a que surgia queren-

do superar esse estilo soup-opera, estilo dramalbio latino . 0 govemo Carlos Lacerda, que era inimigo da TV Rio, achou que Nelson Rodrigues era muito obsceno e censurou a novela. Como naquela epoca a emissora nio tinha estrutura para improvisar urn final, a novela simplesmente acabou no meio, sem maiores explicay3es. Ainda por conta da briga entre as TelevisOes Excelsior e.Rio, n6s (da TV Rio) partimos para 0 contra-ataque. Contratamos Dercy Gonyalves e compramos "Oireito de Nascer". A principio, a novela co~u no hOMO classico, das 19:00 as 19:30 horas. It born que se diga que naquela epoca as novelas tinham meiahora, nio era essa coisa absurda de urna hora de novela. Mas, de novo 0. go verno da Guanabara criou diticuldades. Alegou que bavia problemas "raciBis" em "Oireito de Nascer.... Na verdade, havia urna personagem que era freira, teve urn filho e nia casou. Esse foi todo 0 problema. Com isso; a novela acabou indo para 0 horario das 21:3Q horas. Acontece que " Oireito de Nascec" foi urn sucesso louco, que acabou criando 0 babito de se ver novela em outra hora. Nesse momenta e que se deu a inseryio da novela no hOMO nobre. Nilo foi genialidade de nenhurn diretor ou programador. Poi pura pressao polltica do govemo Lacerda. Essa idiossincrasia do govemador com a TV Rio vinha do fato do Roberto Campos, seu inimigo politico, ter urn programa de meia hora na em issora. Alem disso I> Carlos Heitor Cony, aspero critico do regime militar, escrevia urna de nossas novelas. Em 1965, eu me mudei para a Rede G1obo, entio em quarto lugar. Eu tinha a estranha tarcfa de competir comigo mesmo, ja que 0 esquema da TV Rio, a lider de audiencia, havia sido criado por mim e pela minha equipe. Naquela epoca, a novela das 21:30 da Globo era urna novel a an6dina, patrocinada pela Colgate. Alias, nao s6 patrocinada, assinada pel a Colgate. Era comurn os patrocinadores de novela (marcas de sabio em p6, pastas de dentes, etc.) contratarem autores e produzirem novelas, que depois eles patrocinavam a pr~o vii para as emissoras. Para eles, ficava muito mais barato. Na G1obo, reclamava-se da GI6ria Magadan, que era a funcionana da Colgate cncarregada de supervisionar as novel.as. Foi quando re-

solvemos mudar de atitude e contratar a Gl6ria. Fizemos 0 6bvio. Se quem entende de dentifrlcio e a Colgate, quem tem de entender de novela e a emissora. Ai entio lanyamos " Eu compro essa mulhec" , com lena Magalhaes e Carlos Alberto. Urn sucesso estrondoso. Muito do que aGIobo e hoje deve a GI6ria Magadan, autora da novelajunto com Benedito Rui Barbosa. Logo depois lanyamos 0 "Sheik de Agadic" e 0 "Rei dos Ciganos", tambem grandes exitos. Estavam entio fonnadas as duas ilhas na programayao. De 19:00 as 19:30 uma novela, de 19:30 8S 20:00 0 Tele-Jomal, que depois virou 10mal Nacional, de 20:00 as 20:30 outra novela. De 20:30 as 21:30 uma linha de shows (Haroldo Barbosa, Max Nunes, J030 Roberto Kelly, Mauricio Shennann, e outros), ~ 21:30 outra novela, e as 22:00 a S~sao das Dez, que era urn longa-metragem apresentado pela celia Hiar, com uma piteira e urn gate Angora, 0 Ze Roberto. Com esse esquema, a Rede Globo saiu do quarto lugar para a Iideranya, logo no infcio de 66. E errado falar que a Globo tern hoje 0 monop6lio, 0 que ela tem ea maioria. Maioria esmagadora. Mas a Globo chegou onde est! competindo com outr8$ que nio sabem faze-Io. Essa estrutura, com as novelas¡ segurando a programayao, permanece ate hoje, s6 que agora a variedade proporcionada pela linha de shows sumiu. Sio tres no-

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velas de uma hora, entre elas, jomais. Variedade s6 depois das 22:00 horas. E mesmo assim e diticil. 0 telespectador est! sendo intoxicado com um mesmo tipo de programayao, ao ponto de nao poder decidir mais a que hora vai assistir ao noticiario. A falta de concorrencia, proveniente da lideranya esmagadora da Rede Globo, inibe qualquer ousadia. E urna lideranya tio folgada que 0 telespectador est! fadado a ticar no esquema novelajornal-novela etemamente. Ninguem ousa, todos tem medo de errar, quando ousar seria a altemativa inteligente. E as ' outras emissoras copiam 0 mesmo esque- .. mao Em meados de 70, numa reuniio em . Brasilia com a direyao da empresa, alertei que corriamos 0 risco de ticar mon6tono~, . que deverfamos entrar cada dia com urn evento fan$tico depois da ultima noveIa. E a teoria de que em time q~e est! vencendo nio se mexe prev~eceu. S6 que.o time est! perdendo e ninguem ve. Com a chegada inevitAvel da teve a cabo, sobra- ' rio para as grandes redes os publicos de baixa renda, que nao justitiCain anunciantes caroS. .A lideranya hoje exercida pela TV Globo nio pode ser jamais sequer ' am~ petos concorrentes, nie importa . o que eles fayam. A situayao e como a do . cara que chegou em cima do muro e est! de pc, quando alguem ameaya subir, ele pisa na mio e a pessoa cai. No dia da morte do Ayrton Senna, 0 Jomal Nacio-

87 ANOS DE ADI

o presidente Juscelino Kubitsclleck e Danton Jobim, conselheiro de imprensa da Presiden cia da RepubU. ca, em viagem ao Chile..


nal começou quinze minutos atrasado e durou uma hora. No mesmo dia, estreava uma novela no SBT. O Sílvio, como é cínico, botava slides dizendo que a sua novela começaria assim que acabasse a da Globo. Enquanto isso, tome Pantera Corde-Rosa. É uma coisa meio mórbida a exploração da morte de Senna, mas retrata bem em que nível se dá a briga por audiência. O único que chega a causar certa preocupação é o Sílvio Santos, mas ele é marcado em cima. Quando ele faz 8 pontos, já há um certo frisson na Globo. O Sílvio é um cara muito cínico e competente. Ele tinha um programa na Globo, mas o que ocorria é que ele na verdade era o dono do horário e não a emissora. Achei que a longo prazo seria uma pessoa nociva e preferi competir com ele lá fora. Hoje, como é dono da própria emissora e não ganha dinheiro com ela (o dinheiro vem do Baú, Telesena, etc.), Sílvio é um dos poucos que ousam. Nos domingos, que são dias mal resolvidos em termos de programação (não tem novela), à noite o Sílvio derruba o Dr. Roberto. A revolução que está explodindo, e que é irreversível, é a da segmentação. O cabo e o satélite chegaram para ficar, e o perigo que se corre é o de as redes convencionais ficarem entregues aos religiosos. No

caso, os evangélicos. O que é profundamente anti-democrático. Só seria democrático, se todas as religiões tivessem um canal para se expressar. Contudo, apesar de estarmos muito atrasados na tecnologia do cabo, com pouquíssimas empresas nacionais prestando esse serviço, o brasileiro se acostumou a ver, a tv como um produto nacional, e esse é um dos poucos méritos da nossa televisão. As novelas são uma expressão cultural profundamente relacionada com o povo. Não fosse isso, certamente seríamos invadidos por canais estrangeiros, de forma avassaladora. O que aconteceu com a televisão brasileira é que ela perdeu a magia. Como o trapezista. Quando não há uma rede de proteção, o número é muito mais emocionante. Quando se descobre a rede embaixo, acaba a emoção. Se ele cair, nada vai acontecer. Essa é a nossa situação em termos de programação nacional. Não há ameaça, não há concorrência, e a televisão está se matando. Um suicídio provocado por total falta de ousadia, daí cada vez pior o nível de jornalismo na tevê, pouco ousado e maduro. (Depoimento a Humberto Medina Coeli) Walter Clark é empresário na área de televisão e durante anos foi diretor geral da Rede Globo.

TV por cabo x TV aberta Luiz Eduardo Borgerth Como estes ouvidos que a terra há de comer, o autor destas linhas ouviu, em pleno Conselho Nacional de Comunicações, aí pelos idos de 78,79, da boca de um de seus membros, a declaração de que não era oportuno discutir-se televisão por cabo porque a tecnologia do cabo era uma tecnologia estrangeira. Por esta e por outras só agora chega, de fato, ainda que faltando sua regulamentação, a televisão por cabo no Brasil, como tudo mais, com algumas décadas de atraso. A televisão por cabo, ou melhor; a distribuição domiciliar de televisão por cabo desenvolveu-se nos Estados Unidos, praticamente ao mesmo tempo que a televisão transformava-se em meio de comunicação de massa. Com o objetivo de possibilitar ou melhorar a recepção da televisão aberta em locais fora do alcance ou de má recepção, o cabo desenvolveu-se com a mesma rapidez. Não se passou muito tempo até que as possibilidades da transmissão por cabo, além, da boa recepção que proporcionava, ficassem claras para os que se interessavam por transmissão de televisão. O fato de um sistema de transmissão dispensar publicidade comercial em troca de pagamento de um assinante abriu perspectivas desconhecidas, mas adivinhadas rapidamente. As vanta-

gens imediatamente aparentes eram muitas: transmissão de programas para um público mais exigente que poderia pagar para ver material que as emissoras existentes não podiam exibir para a grande população em geral; transmissão de programas que, pela sua natureza, não encontrariam patrocinadores fabricantes de produtos em busca de grande público; transmissões sem interrupções; possibilidade de transmissão de programas para públicos selecionados (hoje se diz segmentados), oferecimento de programas e produtos impensáveis pelos meios comuns como, por exemplo, os programas “sexys”, grande sucesso em TV a cabo - tudo isto a partir de emissoras mais baratas e mais simples. A interação, desenvolvida um pouco mais tarde, iria permitir o programa pago, individualmente, por exibição, para não falarmos nas possibilidades inimagináveis que ela trouxe para a própria administração dos sistemas de TV a cabo. Finalmente, o desenvolvimento dos satélites de comunicação, dos cabos de fibra ótica, da compressão de sinais e tantos outros aperfeiçoamentos que não param de surgir, permitiram a transmissão de um número praticamente ilimitado de sinais vindos de todas as partes do mundo. Rapidamente o cabo desenvolveu-se nos Estados Unidos, embora com resulta-

dos econômicos desiguais. A oferta durante algum tempo superou a procura, até que, com o tempo as dificuldades foram superadas e o cabo faz parte do cotidiano da vida americana. Com o surgimento do computador pessoal e de sua interligação com as fontes de informação, a tecnologia do cabo e da televisão, ou seja; a televisão-mais-cabo, tem a mesma importância tecnológica que a prensa-mais-papel tiveram (e tem) a partir do século XV. Assim como aconteceu com a imprensa, o Estado ameaçado pelo acesso do povo a mais informações procura embaraçar, senão barrar, o caminho das novas fontes, como conseguiu modernamente por quase um século num punhado de países do Oriente Europeu, para ficarmos nesta banda do Mundo. No Brasil, a burocracia, e não somente a burocracia governamental, mas a burocracia intelectual, a burocracia mental de cada um, esteve perplexa e imóvel durante décadas. Incapaz de compreender fenômenos mais simples, presa a interpretações da evolução social e tecnológica absolutamente primitivas, os governos e instituições (geralmente da sociedade “civil”) ficaram repetindo “idéias-de-ordem” para justificar o imobilismo, como ainda se encontram diante de muitas questões vinculadas à transmissão de informação, como pode ser verificado nas discussões de alguns pontos da chamada “reforma constitucional”. Amarrados aos 7 canais de VHF determinados pela configuração inicial dos que projetaram a televisão, e que era o melhor que a tecnologia e visão da época permitiam, a TV aberta teve o seu mundo abalado pelo advento da televisão por cabo de programação própria. A audiência da televisão, dividida exclusivamente entre, no máximo, 7 canais passou a ser dividida por um número cujo limite ainda não foi vislumbrado. Para resumir uma longa estória, o que era 100% em termos de audiência, para citar o exemplo americano, virou hoje, pouco mais de 60%. Acabarase a exclusividade da televisão aberta, inicialmente para mais de seis canais, hoje para mais de sessenta ou mais seiscentos, é só querer. A democracia radical chegava à televisão. A TV a cabo representou, apenas, a primeira ameaça, à hegemonia da TV aberta. O video-tape, o filme alugado, foi outra grande revolução da Televisão; o receptor que até antão era chamado de Televisão passou a ser Televisor. Com o computador e o C.D.ROM que, se não vão ocupar os mesmos televisores, vão, sem dúvida, manter as pessoas longe dos programas tradicionais de televisão, fechase, creio, o ciclo do Televisor. Nos Estados Unidos 65% dos domicílios estão conectados e recebem televisão a cabo, o que deve representar entre setenta milhões de pessoas. O desenvolvimento da TV a cabo no Brasil está, obviamente, condicionado ao seu desenvolvimento. Cabo significa desenvolvimento,

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significa riqueza. Pelos planos dos concessionários, até o fim do próximo ano, teremos um milhão e meio de residências “cabeadas”, o que indica segura confiança na economia brasileira. O índice de crescimento da televisão por cabo, operado pela iniciativa privada, será um excelente indicador do desenvolvimento econômico, ao mesmo tempo que, pelas possibilidades que abre para todo tipo de comunicação, é um fator de desenvolvimento. Não há razões para a televisão aberta temer o “cabo”. Acima dissemos que o cabo traz mais democracia ao trazer mais escolha para o público. Nenhum tipo de democracia deve ser temida. Ampliandose a oferta fortalece-se o mercado, mercado este de que faz parte a televisão aberta. Em primeiro lugar, é preciso lembrar que o mercado para a televisão convencional ainda não está saturado. Em segundo lugar - ao contrário da televisão aberta que o “cabo” encontrou na França ou na Argentina - a Televisão comercial brasileira é ágil, dinâmica, e oferece uma gama completa de programação popular. A televisão por cabo no Brasil não vai encontrar “aquela sopa” que foi encontrada nestes países pelos operadores de cabo. Na medida em que a televisão convencional brasileira mantiver sua qualidade - aliás reconhecida internacionalmente - a televisão a cabo irá encontrar seu público, inicialmente, dentre aqueles que pouco ou nunca assistem a televisão aberta ou que procurem programas de interesse acentuadamente minoritário. Pelo fato de ser gratuita, a televisão aberta, principalmente em países pobres e de alta taxa de analfabetismo como o Brasil, é o grande e único palco, a única janela para o mundo com que conta a massa de pobres e remediados que constituem a base de nosso povo. Para atender este povo, esta grande massa que realmente dela precisa, a televisão absorveu a sua sensibilidade e por isto produziu e sempre produzirá descontentes entre as camadas, pouquíssimo numerosas, mais afortunadas da população. Sendo paga, a televisão por cabo pode (e deve) apresentar programas para audiências que, por seu número, não podem (e não devem) ser atendidos pela televisão aberta de cobertura universal. Neste particular a TV por cabo vem atender uma real necessidade, que setores menos esclarecidos querem ver satisfeitas pela televisão comercial. Para atender a estes reclamos, a TV por cabo é bem-vinda ao universo televisivo e saudada com sincero entusiasmo pelos operadores competentes da TV aberta. Luiz Eduardo Borgerth é presidente de honra da International Association of Broadcasters, vice-presidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), vice-presidente da Organización de la Televisión Iberoamericana e diretor-secretário da Rede Globo.


Nova lei edas mais avan9adas do mundo

Saiba como a TV a cabo come~a a mudar a comunica~ao no pais

das mais democrliticas e avanyadas do Mundo. A Lei da TV a cabo abre ineditas possibilidades para 0 exercicio do direito de Aprovar a Lei 8.977, sancionada no ultimo dia e de janeiro, foi tio importante expressao, entre as quais destacamos: Realizayao de telejomais nacionais, como se conseguissemos recuar ate 0 inlcio da decada de 50 e regulamentar, da regionais e locais, produzidos por cenmelhor fonna possivel, a TV convencio- trais sindicais, federayoes , sindicatos e nal, via ar, evitando suas principais entidades associativas, com perspectiva distory3cs. Na epocs. nao havia possibili- diferente da grande imprensa. Transmissao, inclusive ao vivo, de dade da sociedade antecipar a importfulcia cultural, polltica e economica que a TV congressos de categorias profissionais, conveny(5es de partidos, assembleias de viria a adquirir. sindicatos e outros eventos, com a forAgora e diferente, os especialistas indicam que, em pouco mais de 5 anos, a TV a mayao de audit6rios eletronicos. Manifestayoes publicas de qualquer cabo sera mais importante do que a TV via na~reza. eventuais ou nao, transmitidas ar, que hoje concentra quase dois teryos do e recebidas gratuitamente ( atraves dos mercado de comunicayilo no Brasil. canais comunitArios) ou paga, pelo transAtualmente e possivel fazer previsoes missor ou assinante ( atraves dos canais fundamentadas. A sociedade conseguiu organizar-se no Forum Nacional pela De- de usa pennanente ou eventual). Veiculayao de cursos e programas de mocratizayao da Comunicayao para fazer fonnayao academics. profissional ou povaler urn projeto. Foi uma luta de 20 anos, \ftica. para publicos especlficos, conforiniciada em 1974, mas que pennitiu, pel a primeira vez na hist6ria da comunicayao me 0 interesse e 0 enfoque de detenninano Brasil, a elaborayao de urna legislayao da entidade. Acesso gratuito atransmissao ao vivo atribuindo ao empresariado de comunicadas sesl!oes e atividades na Camara dos yao uma missao compadvel com 0 inteDeputados, Senado Federal, Assembleia resse publico. , A legislayao de TV a cabo tern urna . Legislativa e Camara de Vereadores. Ate 0 final da decada a TV a cabo sera caracterfstica singular. Seu texto foi intemais importante que a TV convencional, gralmente fonnulado em uma negociayao via ar, devendo gerar urna gigantesca exdesenvolvida na sociedade, por urna ampansao do Mercado para profissionais de pIa representayao de entidades. 0 Congresso Nacional aprovou este texto sem oomunicayao no Brasil, grayas as condimudar urna vlrgula. Grayas a esta lei, e y(5es especiais previstas na Lei. Para perimpulsionada por uma sociedade que con- mitir esta abertura destacamos as seguintinua atuimte, a TV a cabo poderli ser tes possibilidades inauguradas pela Lei de TV a cabo: mobilizada para cumprir urn projeto releProduyao de eventos que poderao ser vante para 0 pais, deixando de ser apenas transmitidos, inclusive ao vivo, pelos caurn neg6cio e urn instrumento de , poder nais de uso eventual e pelos canais de utiusado por alguns poucos. lidade publica. A Lei da TV a cabo possibilita que 0 Produyao de manifestayoes de entidadesenvolvimento tecnol6gico seja orientades de qualquer natureza, que serao veido e tambem propicia que as novas redes, capacitadas para 0 transporte de sinais de culadas nos canais de uso eventual e, principalmente, no canal comunitArio. TV, alavanquem 0 desenvolvimento das teProduyao, em larga escala, de progralecomunicay3cs. mas educativos. o exercfcio do direito de expressao e Produyao de program as infonnativos da concorrencia comercial encontra ineditos estimulos neste novo serviyo. Este e de entretenimento para os mais diversos aproveitamento das melhores possibilida- segmentos de publico, principalmente des da TV a cabo agora depende da ma- atraves dos canais de usa pennanente, que nutenyao, pela sociedade, do esforyo de ficarao disponiveis para qualquer interesacompanhamento da implementayio deste sado. (Para se ter urna ideia das possibiserviyo . Tambem depende da capacidade lidades de segrnentayao, 0 Brasil tem hoje empreendedora de profissionais, entidades cerca de 920 titulos de revistas desdobrada sociedade civil e novas empresas, na ocu- das em 52 generos). Produyao de programas para os canais pavao dos espayos que foram abertos. Criouse, com a Lei 8.977, a possibilidade de gastar legislativos da Camara dos Deputados, Senado Federal, Assembleias Legislativas urn projeto que e, simultaneamente, cultural, e Camaras de Vereadores. politico e economico. Produyao de programas para os canais Pela primeira vez no pais, na area das educativos do& govern os federal, estaducomunicayoes, a dimensilo do publico subordinou os interesses particulares. E al e municipal. Produyao de programas para os canais conseguiu-se isto dom uma legislayao que surge com urn m04elo original e como uma universitArios.

Daniel Hen

A TV a cabo eurn serviyo privado, mas dotado de estatuto publico. A operadora do serviyo de 1V a cabo atua. mediante concessao, de acordo com regras minuciosamente adequadas ao interesse pUblico. Nao existini rede de TV a cabo. A rede implantada farli parte do sistema nacional de telecomunicayoes. Como regra geral, a rede de transporte (os troncos) serao de responsabilidade das concessionlirias de telecomunicayoes e as redes locais de distribuiyao (que cheguem ate os domicilios) pertencerao as operadoras, mas tambem poderao ser utilizadas pelas concessionarias de telecomunicayOes para os serviyos de telecomunicay(5es que estas considerarem adequados. Assim sera possivel disciplinar 0 desenvolvimento das redes e 0 seu potencial para 0 desenvolvimento global das telecomunicayoes. Todos os assinantes do serviyo de TV a cabo terao acesso, gratuitamente, a seis canais de utili dade publica. Tres deles legislativos, dedicados Ii transmissao ao vivo das sessoes da Camara; do Senado e, partilhando 0 tempo , assembleias legislativas e camaras de vereadores. Urn canal educativo para ser partilhado por 6rgaos governamentais que Iidam com educayao e cu ltura. Outro universitArio para as instituiyoes de ensino da area de

prestayao de serviyos. E urn comunitario, para uso livre e gratuito de qualquer entidade sem fins lucrativos. 30% dos canais tecnicamente disponiveis, de usa permanente, deverao ser utiIizados por terceiros, sem qualquer associayao com a operadora do serviyo de TV a cabo. Nurna operayao da Net (Globo), por exemplo, a TV A ( Abril) podera solicitar a distribuiyao do seu pacote de vito canais. Do mesmo modo uma pequena empresa pode solicitar disponibilidade para veicular, num detenninado canal, urn programs. por exemplo, das 20 h as 22 h, de segunda a sexta. Acessos deste tipo nao podem ser negados pel as operadoras. Pelo menos dois canais deverilo ficar reservados para uso exclusivo em caniter eventual. Assim, urn sindicato pode transmitir urna ass~mbleia; urn partido pode veicular sua convenyao; urna associayilo medica pode transmitir urn congresso, em escala estadual ou nacional; qualquer entidade pode ter acesso a canais para as manifestayOes de qualquer natureza, formando 0 que estA se apeJidando de audit6rios eletrOnicos. Daniel Herz e jornalista e diretor de rela~Oes institucionais da Fede r a~lIo Nacional dos Iomalistas (FENAJ),

87 ANOS DA ABI

路AgenciaOGlobo-

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o presidente JoiIo Goulllrt e Hubert Moses na inaugurafiIo do Conjunto dos JornaIistas no JarJlim de Alah em 1957.

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portagem. A jnjl~o do locutor dar um novo tom a noticia. A edifiio descuidada porjim a uma carreira. E com todos as cuida~ t dos e boas inte1Jfoe.s, ainda hoje niio se tem clareza sobre afonna, ·i mais apropriada de garantir 0 espafO opinativo no veiculo, pre~'~ servando a igualdade de oporlunidades para as lados opostos. ";~

EnojornaJismo que a televisiio enfrenta 0 aspecto mais delicado

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de critica. 0 inegavel impacto das imagens da realidade pode levar ao caminhofacil da transforma¢o do espetacular, que sempre marcou 0 jornalismo, em apelo jacil de aildiencia. Em u,,;a simples nuanfa de atuafiio 0 reporter pode modificar uma

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COMUNICA9AO

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o dia em que inatararn Cid Moreiraao vivo Luis Ed.g ar de Andrade Hi dois tipos de romancista: os que escrevem romances e os que fazem titulos de romance. Tenho urn amigo no segundo time. Ele, urna vez., me prop6s escrevermos a quatro mlos "0 Dia em Que Mataram Cid Moreira Ao Vivo". Poi dez anos antes de Arthur Jiailey lan~ 0 romance "Jomal da Noite". Era uma histOria dtMuspense sobre os bastidores do telejomalismo, que culminav. com 0 assassinato do apresentador.Cid Moreira no meio do Jonal N.cloul. Oitenta e cinco por cento dos brasileiros assistiam ao IN ncssa noite, atraidos pelo "Vej•• seguir 0 ultimo capitulo da novela". Quem te viu e quem te va! Lembreime de nosso 'beSt-seiler' e dos·saudosos 85 por cento, quando 5OUbe, outro dia, que a audiancia do Jomal Nacloul tinha caIdo para 39 pontos. A reaIidade supera a ficylo. Jamais passou-me pela ca~ que o maior telejornal do pals viesse a definhar tanto. Depois da queda do Muro de Berlim, a queda da TV Globo. Do alto dos tres pontinhos d.o Jomal d. Manchete, vejo que 0 nUmero de aparelhos desligados est! aurnentando. Os telespectadores que desertam da Globo nOO se mudam para os outros telejornais. Estao indo aos canais de assinatura, aos filmes das vldeolocadoras ou, quem sabe, ao cinema. E0 Plano Real. Todo bem traz seu mal. A crise do telejornaJismo est! no ar. Os telejornais andam chatos e arrogantes. 0 tedio comeya na pauta, oode s6 e notlcia aquilo que 6 problema. NOO foi problema nio 6 notlcia. Os pauteiros tern a slndrome da catAstofre. Ha materiaschatas sobretudo de polltica e economia. Algumas s!o inevit!veis porque, al6m de chatas, sio importantes. Outras vem com grcificos - injustamente chamados de arte - que as tornam mais complicadas. 0 defeito dessas mat6rias e que elas, por natureza, se passam em gabinete. Mostram pessoas reunidas em torno de mesas. Televisao nio e gente a falar sobre

Televisio e imagem. Imagem de televisio press~. ~ ou pelo menos movimento. Cabe ao rep6rtcr sair da sala. A vida est! Ia for&, palpitante. "A Verdade, a Justi~ e Hist6rias em Quadrinltos!" E0 que promete aos leitores 0 jomal americano Denver News. 0 'slogan' mostra a mistura de jcimalismo com entretenimento que com~ a haver nos Estados Unidos. Em televis!o a Iinha quc-separa essas duas coisas ainda e mais t!oue. SomOi vizinhos do cUco. No Bruil 0 buraco e mais em cima. Co~. haver. mistura da opinilo com • info~o. A bancadado apresenta- . dor esta virando pulpito. Uma pena porqu~ ~ telejo~ 010 existe, para salvar 0 Brasil. Telejokal e urn serviryo. 0 telespectador Iig. 0 aparelho para saber 0 que acontcceu e olhe Ii. Nio the iriteressa que 0 m~ ou a m~ seja a favor ou contr.. Apresentador apresenta, nio representa. Esta no seu papel traduzir em miudos wna coisa ou outra que ficou obs-· cur. por falha do rep6rter. Ate se admite, em alguns casos, que reaja instintivamente diante do fato, apanhado de

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yore, de frente para a pedra. Atris do homem ha. urna fogueira que el~ nlo v~. Entre 0 homem e a fogueira passa urna caravana: homens, mutheres e crianyas, a p6 e a cavalo. A imagem ~o ser em movimento 6 projetada na pared~ da cavema. · De costas para 0 mundo; a vida inteira, 0 homem s6 ve sombras e con-

funde as sombras com a realidade,

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toda a sombra 6 i1uslo. Dois mil e qui~?f . ,r. nhentos anos atris, Platao sem quercr p~~~ d . etAfi d t I's! ;.. !i UZlU urna m ora a e eVl o. .'.-\~

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LuIs Edgard de Andrade ediretor de red.III;:Io da Rede Ma.dtde.

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Armando Nogueira · .. . . A televisAo 6 urn velculo de massa, de grande · agilidade . E 0 ve(culo _dii instantaneidade. Todos os fatos, s.ejam politicos, econOmicos, policiais, esportivos, todos esses fenOmenos ~ convivancia humana tem na TV a sua grande ponte de Jigayao com a sociedade. Todos esses segmentos se interligam pelos canais magicos da TV, que e 0 instrumento de comunicaryao mais completo que existe porque registra a imagem , 0 som, a voz humana. E testemunhal, tem movimento, ary!o. A TV nOO serve p!o dormido, ~ fato

ocorre e. cobertura equase.simultAnel. E~~~.

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o advento·mais importante, a meu ver~ hist6ria da'. .hUmanidade. .' .. " "I~\t fato .da TV nlo ter um- caiitcr;~ contcstador, de ser solid8ria com 0 po4er:0 dominante.. nIo 6 urn defeito dela. ~~~. defeito e da .sociedade, porque ela ref1etC:~: o poder dominante. Como pode· ~ei~~ contcstadora do estado, se e esse mes~~:~: estado q~e permite a s~ sob~vivhcia~ Se a socledade se orgaruzar em nome da"~, cidadania, 8travCs dos instrumentos·d a niai~ nifC5taryao PoHtica, como 0 Congresso, ~l a sociedade se. dispuser a tirar do estado ·Q1( controle que hoje ele tem sobre a TV. e~~i­ nOO sera urn instrumento de oposiryao, masc?~

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~tadorde paI-

Fidel Castro chega II sede da ABI para entrevista coldiva em 5 de maio de 1959. '.

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Sociedade eque faz~ a tv apoiar opodeJi .~~

surpresa. Afinal nIlo 6 urn robO diante do maldito 'telepumJtc:r'. Mas ninguem agUenta 0 mat6ria na moo, a ditar regras, de instame em instante. Platao, no volume VII de sua obra "A Republica", apresenta uma alegoria da vida (0 homem na caverna) em que assinala a diferenrya entre 0 que achamos que existe e 0 que realmente existe. 0 homem da caverna esta acorrentado num tronco de ar-

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uma janela para receber manifestações de todas as correntes políticas. O sistema de concessões de canais de TV é inadequado para um regime democrático. Vivemos uma democracia que, infelizmente, não chegou à televisão, porque, na prática, quem tem o poder de conceder tem o poder de censurar. Em casos como o do impeachment e da cobertura da campanha pelas diretas, a TV foi usada como um instrumento pelas forças legítimas representadas no Congresso, representadas pela sociedade mobilizada. Nesses casos, a TV prestou um serviço inestimável. Sou contra invasões como a do horário político, contra a obrigação das emissoras em ceder tempo para os partidos políticos fazerem proselitismo. Afinal de contas, a televisão é ou não comercial? Ela é uma concessão de serviço público mas também precisa sobreviver. É evidente que se deveria procurar uma convivência em que a TV pudesse prestar serviços sem prejudicar seus interesses comerciais, a menos que o governo tenha uma cadeia séria - e não um cabide de empregos como é a TV Educativa - através da qual se pudesse divulgar as idéias dos partidos políticos. Até porque tivemos uma anomalia em nosso regime democrático, que é essa proliferação de partidos, com vinte e tantos deles representados no Congresso. Isso é uma fragmentação, danosa até para a própria democracia. Na área do comportamento, sou contra a influência perniciosa da violência exacerbada, seja ela na TV ou no rádio. É deplorável, lastimável, que isso aconteça. O governo, que zela pelos padrões de comportamento da nação, deve promover entendimentos com as emissoras para que elas criem, como a ABERT começa agora a criar com seriedade, padrões éticos pelos quais deve-se reger a TV. Falando da função pedagógica do veículo, acredito que o termo “educação pela TV” é mais adequado que “TV Educativa”. Me parece que o governo Fernando Henrique tem esse projeto de mobilizar a televisão para servir à cruzada da educação no Brasil, sem implicar as redes comerciais. Essas devem cuidar do entretenimento. Se puderem, dentro do espírito do entretenimento, contribuir para melhorar o padrão da educação brasileira, devemos aplaudir essa iniciativa. No caso específico da Rede Globo, da qual participei por 24 anos e meio, vejo

uma posição hegemônica que é fruto da qualidade da sua produção. O que posso observar na Globo é uma boa qualificação profissional de seu time, de seu contingente para fazer uma TV que agrade o maior número possível de espectadores. Nada mais democrático do que o botão seletor, do que o controle remoto. Isso é um exercício democrático, de escolha. Eu acredito que a televisão deve se abster o mais possível de opinar e quando opinar abordar sempre as duas faces da questão, oferecer um fluxo balanceado de opiniões e nunca uma versão só. Nas questões polêmicas, quando a verdade é discutível, a TV não deve opinar sob pena de estar exercendo um poder de maneira ilegítima. Sobre os âncoras, por exemplo: é apenas uma questão de estilo, de formato. Um que opine demais está distorcendo o sentido da TV , pois ela não é um veículo de mão única e sim de mão dupla. Se ele assume uma opinião sobre temas polêmicos, nega a oportunidade do outro lado se defender. O direito de resposta é uma conquista da televisão, da sociedade. A TV brasileira até aqui, por motivos de negligência do universo político, nunca procurou exercer esse direito. O direito de resposta é um dever da TV. Quando ela exibe uma opinião agressiva, uma denúncia contra quem seja, pessoa ou entidade, ela deve imediatamente oferecer suas câmeras para a parte acusada se defender. Costumo dizer que nas questões polêmicas é melhor ter duas versões do que uma verdade. Um programa polêmico como o “Aqui Agora” é, do ponto de vista da forma, excelente. É vivo, dinâmico, participante, atuante. Mas esse programa está muito exposto ao risco do sensacionalismo. É uma questão de segurar as rédeas desse potro que é a televisão. Se você não segurar ela, principalmente nesses casos de interesse popular, a TV corre o risco de transpor os limites da emoção e cair no campo temerário da comoção. Isso não é bom. Erros éticos nas coberturas do telejornalismo são uma fatalidade, como os erros dos médicos, dos advogados, dos engenheiros. O importante é que essas categorias se questionem o máximo possível, para reduzir as falhas. (Depoimento a Arnaldo Branco) Armando Nogueira é cronista esportivo e dirigiu, durante 25 anos, a Central Globo de Jornalismo.

Competição faz telejornalismo valorizar mais o espetáculo Márcio Bueno Hoje, muitos jornalistas de imprensa escrita ainda se perguntam se o jornalismo de TV não deveria ser mais sóbrio, menos espetaculoso e “performático”. Afinal, dizem, independentemente de ser

de TV, trata-se de jornalismo. Comparado com o jornalismo impresso, o telejornalismo deveria estar balbuciando, à procura de sua linguagem específica, idiossincrática. Os primeiros exemplares de jornais foram impressos na Alemanha, no longínquo ano de 1609. Uma das publicações foi editada na cidade de

Estrasburgo e a outra não traz qualquer referência ao editor nem à cidade, mas há indicações de que tenha sido em Bremen. A televisão não passa, portanto, de um bebê. Apesar de pertencerem a faixas etárias tão distintas e tão distantes, o telejornalismo já avançou bastante e deve continuar avançando, procurando ser o que deve ser. Um escultor já disse que seu trabalho consistia em desvestir a figura que já existia dentro da pedra bruta. Ao telejornalismo ainda restam arestas a serem aparadas, evidentemente. A rapidez com que caminhou até agora talvez encontre explicação no fato de ser filho do rádio e do cinema, dois veículos já bastante evoluídos. No início, a influência era apenas de um dos pais - o rádio. O locutor ia para a frente das câmeras e se limitava a ler o noticiário. Aos poucos foi surgindo a percepção de que o veículo exigia preocupação com outros elementos, como o vestuário, o cenário, a aparência, a dicção apropriada. Após a invenção do vídeo tape, já na década de 60, a incorporação da linguagem cinematográfica se acentua. O cinema começa a ensinar. E pensar que no início do século a arte, ainda incipiente, se debatia com questões hoje absolutamente superadas como definir se uma pessoa enquadrada da cintura para cima poderia ou não andar. “Quem não tem pernas, não anda”, decretavam os xiitas. Ao mesmo tempo em que incorporava a linguagem cinematográfica, o telejornalismo ia descobrindo que não competia com os jornais impressos. A disposição de quem sai de casa, tira dinheiro do bolso, compra um jornal e depois se dispõe a pregar os olhos em suas páginas em busca de informação e opinião não é a mesma de quem liga o aparelho de TV. O noticiário de televisão compete é com o mundo de sonhos e fantasias de outro canal. Basta rodar o sintonizador ou acionar o controle remoto. “O povo gosta de luxo. Quem gosta de miséria é intelectual”, já dizia Elio Gaspari, fugaz ‘ghost writer’ de Joãozinho Trinta. Esta competição força o telejornalismo a valorizar o espetáculo, a emoção. Um outro fator deve ser considerado. Em telejornalismo, o elemento mais importante é a imagem e o telespectador a recebe através da visão, que é um dos nossos cinco sentidos. A informação é, portanto, muito mais sentida do que assimilada mentalmente. Não seria um exagero afirmar que a televisão prende pelo coração e não pelo cérebro. Um dos ensinamentos básicos de qualquer manual de telejornalismo diz, não por acaso, que não se deve falar de uma idéia. “Fale do homem que teve a idéia”, acrescentam os manuais. Ou seja, para passar a idéia, que é uma abstração, que apresenta dificuldades de assimilação, é preciso centrar no personagem, no ser humano, que é casado, que ama os filhos... Valorizar a imagem, prender pela emoção é bom ou ruim? Ao invés de fazer um julgamento de valor, vamos refletir sobre alguns exemplos. Suponhamos que o editor está preparado para exibir uma matéria tratando da recessão, do au-

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mento do índice de desemprego, fatos que têm influência direta sobre a vida dos cidadãos e, já perto do ‘dead line’, surge uma matéria mostrando o flagrante da colisão de dois veículos, seguida de briga corporal entre os motoristas. Não há o que pensar. A decisão é automática e exatamente o oposto do que faria um editor de jornal. Recordemos agora um outro exemplo: o flagrante colhido por um cinegrafista da TV Globo, que mostra a execução fria de um assaltante nas cercanias do shopping Rio Sul, por um cabo da PM. O efeito foi muito mais devastador do que as milhares de laudas que já foram escritas a respeito da prática de execuções sumárias pelos policiais militares. O próprio cabo Flávio já havia executado um comerciante por engano, numa rua movimentada, e, apesar de registrado pela imprensa escrita, não houve qualquer comoção ou conseqüência e, no momento do crime do Rio Sul, não restavam sequer lembranças. Outro exemplo que mostra a força e a importância do telejornalismo foi o flagrante da execução de um jornalista americano na Nicarágua, o que acabou se tornando decisivo para o isolamento e queda do ditador Anastazio Somoza. Considerando todas as especificidades do veículo, um excelente repórter de jornal pode não se dar bem diante das câmeras. Não se exige que este profissional seja um dublê de jornalista e ator, mas ele precisa ter um mínimo de talento para a representação. Se ficar intimidado diante de uma câmera, se tiver uma dicção ruim ou apresentar uma marca física muito acentuada, a TV não deve ser o seu veículo porque estas características vão atuar como ímã sobre a atenção do público telespectador. Com base nestas exigências, tem havido muitos exageros como a busca do rosto perfeito, da beleza clássica, substituindo o talento, a tentativa de teatralizar as notícias, exigindo “performances” dos repórteres que acabam resvalando muitas vezes para o patético. Se está em um hospital, mesmo sem a menor necessidade, lá vem o repórter travestido de médico. Ou de engenheiro, no caso de estar numa obra. A coisa só vai adquirir autenticidade no dia em que o repórter escalado para fazer uma reportagem sobre a prostituição masculina, aparecer de salto alto, peruca, baton, bustier, mini-saia de napa, meias arrastão e rodando uma bolsinha. É verdade que alguns adorariam. Quanto à censura interna, ao controle e direcionamento da informação, se há, como se dá, isso é assunto já esmiuçado e dissecado pelos cientistas políticos. A imprensa surgiu e se desenvolveu como um poderoso instrumento de luta da burguesia emergente contra a nobreza e permanece como instrumento de luta ideológica até hoje. Dizem os estudiosos. Eu poderia expor longamente minha opinião sobre o tema mas, como vocês já devem ter notado, o espaço reservado para este artigo está acabando, acabando...acabou. Márcio Bueno é ex-diretor de telejornais da Rede Manchete, Rede Globo e ex-superintendente de jornalismo da TV Educativa.


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No po/{tica de concessoes do pais os politicos acabam sendo 0 maior problema. Pesquisa recente relacionou 130 par/amen/ares como donos de concessoes de radio e televisdo. Alem destes existem os testas-de-ferro. As taxas anuais que sdo pagas a Unido nao passam dos 110 reais para as concessoes de radio e niio chegam a

.450 teais no coso das telev4oes. A sociedade se organiza e quer mudar todo 0 sistema. 0 Ministro das ComW1ica90es, Sergio Motta,

garante que vai promover reformas. Em entrevista exclusiva para esta edi9do especial, ele relaciona telecomunica90es com desenvolvimento e afirma que "nao podemos esperar mais n. IlALANC;:O DA COMUNICAc;:Ao

Motta garante: concess5es vao mudar P: 18 existe alguma legisl~ que oriente 0 setor de telec<)municay6es no ~o de a emenda que propOe a flexiblil~ do monop6lio das telec<)munica垄es ser aprovada pelo Congresso? R: Sim, a lei de .concessOes, de fevereiro deste ano, que regul~enta 0 artigo 175 da Constitui~ e dispOe sobre 0 regime de concesslo e permisslo para pres~ de serviyos publicos. A Medicia Provis6ria 890 detalhou os procedirnentos legais da lei que estabeleceu 21 tip os de serviyos publicos passfveis de concesslo. Todas nonnas, 0 regime contratual entre a Unillo e os concessionarios, est19 estabelecidas ali. Dois destes serviyos, porCm, tern limitay6es constitucionais de explorayio, ou ~ja, tern que se; explorados por empresas de capital estatal. Os serviyos publicos de telec<)municay3es e a d.istribui~lo de gas canalizado. Isso sig- ' nifica dizcr que a lei de concess3es se aplica a ~ .d ois s~w.s,.estando, no mo- ' mento, restritos as t.Cles estaduais, no caso dos serviyos publicos de telecomunic;a~,controladas pelos Estados;em se tratando de distribui~ de gas canalizado. P: Quer dizer que, aprovada a emcncia, 0 caminho do setor d~ telec<)munica~es no pais ja est! determinado por esta legisL~?

R: Do ponto de vista das rela~es contratuais eQtre os concessionanos dos serviC(Os publicos de telecomunica~es com a Unilo, que eo poder concedente, sim. Logicaroente, 0 governo enviar' ao Congresso projews-de-lei estabelecendo as normas e procedimentos que se fizc. rem necessarios para complemental a Iegislay10 existente. P: !sso abrange tambem as emissoras de radiodifuslo? R: NAo. Esta nova lei das concessOes refere-se apenas aconcessilo e pennisslo de serviyos publicos. No caso das telecomuni~Oes, s6 aqueles abrangidos pelo inciso XI do artigo 21 da Constituiylo. Os serviyos de radiodifusao nlo slo considerados, tecnicamente, serviyos publicos e acham-se regulados por leis e regulamentos anteriores. 0 mesmo se da com outros serviyos nlo publicos, como 0 radioarnador, 0 serviyo Iimitado e outros. P: Como e hoje 0 processo de concessilo para os servi~s passfveis de concessilo a empresas privadas? R: Em se tratando de radiodifuslo, e adotada a Iicitaylo, cabendo ao Ministerio das Comunjca~s publicar os editais por iniciativa pr6pria ou provocado pelos interessados. Quanto aos demais serviyos, eles silo outorgados as empresas que

preencherem os pressupostos legais. Mas isso vai mudar... P:' O sr. se refere ao 路decreto que seu Ministerio prepara para adoylo de novas regras -de concesslo? R: Exatamente. Pela atuallegisla~o, h8 uma Case de qualificaylo tecnica e cabe, ao 'ministro, no c~o de路cmissoras de alcance local, ou ao presidente da Republica, nq caso emissoras de alcance regional ou nacional, decidir qual sera a vencedora entre as empresas qualificadas. 0 novo decreto tern por objetivo fixar nonnas impessoais e concorrenciais de escolha, garantin~o tambem 0 pluraJismo das concess6es e perrnissOes . . ALem disso, 0 que era dado de graya pelo Estado, passa a ter prey<> . . Estas regras irlo abranger os diversos serviyos de telecomuni~ e nilo somente os de radiodifusOes. P: Por que essa diferenya entre con~ c permiss1o? O .que isso significa? R: Essa difecenci~ ede lei. A divisid路entie~nces~. permissOes e auto~ varia de acordo com a importincia do serviyo. As concessOes resultam de contratos bilaterais, com compromissos da parte da Unilo e da empresa concessionana e tern praz.o estabelecido, ao final do qual pode haver a rcnov~. As permiss6es $lo feitas por &to unilateral do Ministerio e tlm carater prec4rio. JA as auto~ dizem respeito apenas a servi~s de cariter estritamente particular, nlo comercializAveis. Na c1assificay!o <!as concesslSes entram as emissoras de radio OM de a1cance regional ou nacional, as de Ondas Curtas. Tropicais e de TV, quando geradoras. Na de permissOes se enquadram as emissoras OM de alcanya local, as FM e as de TV quando retransmissoras. P: Alem da emenda constitucional e do decreto que trata dos criterios de concessio, 0 Ministerio cia ComunicayOes tern outras Crentes? R: Temos outros projetos extremamente irnportantes para 0 pais. A come~ pela polftica de satelites que vai oriental toda a ayAo de governo diante do grande leque de ofertas nesse setor envoivendo diferentes tipos de serviyos. Temos tambem 0 Programa de Ampliayao eRecuperaylo do Sistema de Telecomunicay3es e da ECT, que batizamos de Paste. Este prograrila vai teazer nile somente 0 cronogtama de investimentos do go verno nos proximos quatro anos (com projey3es para 0 quadrienio seguinte), como tambern a definiyAo das poUticas setoriais. No caso espec(fico da ECr, estamos desenvolvendo urn projeto para transforma-la nurn banco de serviyos ao cidadilo. - urn

posto onde ele possa se dirigir para resolver vanos problemas, como pagar seus impostos ou receber sua aposentadoria, alem do envio de correspondencia. Outro grande projeto e a preparayilo de urn grande debate nacional sobre a reguJamentayAo do uso dos meios de comunicayao a exemplo do que ja fizeram ou estllo fazendo os pafses mais avanyados e democraticos do mundo. P: Nilo sao frentes demais ao mesmo tempo? R: Silo as frentes necessarias . Nilo podemos esperar mais. Depois da revoluyao industrial, 0 Mundo vive agora outra profunda transfonnayilo, onde as rela~es de trabalho, a fonna de organizaylo da sociedade, e mesmo as rela~ pessoais

com~am a passar por mudanyas substanciais. Desde 0 funcionario que jA trabalha em cas&, usando 0 seu micro domestico, consultando arquivos no outro lade d~ pra~ neta, ate a rede intemacional de infovias que com~ a se desenhar e que permitinl outro padnlo de relacionamento entre os paises. E 0 resultado do que-poderiam~s chamar de a era da infonnayao - e enter)da-se infonnayao como a nova materiaprima do desenvolvimento. Nao hA como, nos dias atuais, separar desenvolvimento e serviyos de telecomunicay3es porque slo interdependentes. No caso brasileiro, precisamos garantir os investimentos necessarios no setor de telecomunicay3es para viabilizar 0 desenvolvimento e para garantir a inseryAo do pals nesta nova era:

Donos se escondem em testas-de-ferro o uso de testas-de-fen:Q e.comum no Comunicay3es, ha uma emissora em setor. A reportagem da Folha detectou Imperatriz (canal 10, afiliada cia Globo) van os exemplos de emissoras registradas registrada ern nome de Juarez de Castro em nome de pessoas desconhecidas nas Leite, que tambem e identi ficada na Iistagen) respectivas empresas. No Maranhlo, hi da Globo como TV Mirante. A reporta&cm indfcios de que a famllia do ex-presidcnte da Folha telefonou para a empresa, em Jose Samey controle mais emissoras do / Imperatriz, e 0 diretor Luiz Brasilia que as quatro radios e uma TV registradas conflnnou que a emissora pertence Afamilia em seu Dome. A TV Itapicuru, de Santa Samey. Questionado sobre a funyAo de InBs (afi Iiada da Globo) esta registrada em Juarez de Castro Leite (0 acionista nome de Jurandy de Castro Leite, mas responsavel, segundo os registros do seu endereyo e 0 mesmo da TV Mirante Ministerio), ele respondeu : "Esse nome ( Av. Ana Jansen , 200 - Sio Luis), nunca pousou na minha mesa". Mais ~ pertencente aos tres filhos do exradios (pedreira-FM, Vale do Mearim-FM presidente: Roseana, Jose Samey Fi.Lho, e Litoral Maranhense-FM) estAo regisFernando Samey. Na Iistagem da Rede tradas em nome de terceiros com 0 mesmo Globo com 0 nome de suas afiliadas, esta endereyo da TV cia famflia Samey. Em noemissora e identificada como TV Mirante. vembro do ano passado, Fernando Samey Pela listagem do Ministerio das negou que as empresas pertenyam a sua

o Governador do Rio Grantk do SuI, Leonu BrizoLa. visita a AlJI para homenagear os jornaJistas po' seu comport4mento durante a crise .' da posse do presidente /040 Goulmt em 1961.


família. Em Rondônia, o engenheiro Rômulo Villar Furtado, que foi secretário executivo do Ministério das Comunicações durante 16 anos (1974 - 90) é o suposto proprietário da rede "Rondovisão". No cadastro do Ministério, ele só aparece como sócio de uma TV no Estado do Rio de Janeiro (TV Cabo Frio - canal 8), em sociedade com o deputado federal Arolde de Oliveira (PFL - RJ) e com o ex-presidente da Embratel Cleofas de Medeiros Uchoa. Cleofas Uchoa aparece, por outro lado, como sócio de duas emissoras de rádio em Rondônia (Rádio Fronteira FM, de Porto Velho, e Rádio Clube FM, da cidade de Vilhena), mas afirma que não possui nenhuma emissora no Estado. Segundo ele, as rádios pertencem a Villar Furtado. Cleofas usa o seguinte raciocínio para explicar sua situação: “Desde que eu atenda aos pré-requisitos exigidos pelo Ministério, comprove capacidade financeira e idoneidade, não importa se o dono de fato sou eu”. Em São Paulo, Orestes Quércia (PMDB) tem três rádios registradas em Campinas e uma na cidade de São Paulo. Além disso, tem a posse efetiva de duas TVs (Princesa D’Oeste, em Campinas, e TV do Povo, em Santos) e de mais uma rádio em Sorocaba (Rádio Robatos). As duas TVs e a rádio de Sorocaba estão registadas em nome de outras pessoas, que assinaram contratos particulares de promessa de venda das emissoras e procurações para que executivos indicados por Orestes Quércia as administrem. O deputado federal Jorge Maluly Netto (PFL-SP) afirma que o Código

Brasileiro de Telecomunicações não é cumprido. O deputado presidiu, no ano passado, a Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara, responsável pelos projetos relativos às comunicações. Ele também conhece o setor como empresário: no cadastro do Ministério, há seis emissoras de rádio e uma TV (Araçatuba - canal 6, afiliada do SBT) em nome da família Maluly. Segundo o deputado, é generalizado o uso de testas-de-ferro no mercado, o que faz com que o cadastro do Ministério seja irreal. Para ele, parte dos problemas se deve à falta de estrutura do poder Executivo , no caso, do Ministério das Comunicações. Maluly Netto e familiares aparecem no cadastro como sócios das seguintes emissoras: Sistema Araçá de Comunicação ( Araçatuba, canal 6 ) e rádios Adamantina (FM), Mirandólis (OM), São Carlos (OM), Taubaté (FM), em São Paulo e rádio Três Lagoas (FM), no Mato Grosso do Sul. Ele disse que desconhecia a emissora do Mato Grosso do Sul, que vendeu há mais de três anos a rádio de Araçatuba e que os seus filhos só aparecem como sócios na rádio de São Carlos a pedido de um ex-prefeito que queria impressionar o ministro no momento da análise do pedido de concessão. Disse que já vendeu também a rádio de Taubaté, mas que figura como um dos proprietários porque um dos sócios morreu, e a transferência só poderá ser feita depois de concluído o inventário. (Esta reportagem, de Elvira Lobato foi publicada na Folha de São Paulo em 12 de junho de 1994)

Muda a música, os mesmos continuam dançando Tilden Santiago No último dia 8 de março, a Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados realizou sua primeira sessão deliberativa desta legislatura. Com o quorum surpreendente alto, a extensa pauta foi votada. Dezenove mensagens do Poder Executivo foram aprovadas, todas elas referentes a renovação de concessões ou permissões para a exploração de serviços de rádio e TVs em todo território nacional. A rádio Fandango, de Cachoeira do SulRS, a rádio Caiuá, de Paranavaí- PR, a rádio Atalaia, de Óbidos -PA e a TV Itapoã, de Salvador-BA, entre outras, tiveram o referendo do Poder Legislativo para continuarem operando em seus respectivos municípios e regiões. Algumas emissoras já estavam esperando por cerca de três anos para que as mensagens com as respectivas renovações tramitassem e fossem aprovadas pela Comissão de Comunicação. Paralelo a este procedimento formal que regula as concessões para a radiodifusão o Congresso assistiu, entre perplexo e conivente, a dois expedientes totalmente opos-

AMIL

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tos no que se refere a concessões de outros serviços de telecomunicações. No final do governo Sarney o Poder Executivo distribuiu em todo território nacional inúmeras autorizações para a TV a Cabo, sobre o disfarce de DisTV e, agora no final do governo Itamar, centenas de concessões foram distribuídas para exploração dos serviços de LMDS, Trunking e radiochamada. Nos dois casos o critério para outorga não obedeceu a nenhuma licitação ou passou pela Câmara ou Senado. Algumas cabeças coroadas, sempre as mesmas, abocanharam a exploração destes serviços. Ora, não se pode falar em rever a política de concessões, estabelecer novos parâmetros ou princípios para o tema, se não se avaliar a incongruência e hipocrisia da atual legislação. Por maior que seja a audiência de emissoras de cidades como Óbidos, Cachoeira do Sul ou Paranavaí, suas áreas de inserção serão infinitamente menores - e o retorno político-econômico idem - do que o da maioria das cidades atingidas pela TV a Cabo, ou agraciadas com a reserva de mercado para utilização de serviços de telecomunicações que utilizam tecnologia de ponta no país. Se o Congresso passa três anos discu-


tindo se renova ou 010 a concessio de uma gresso, pelo Executivo, atraves de Projetos Comunicac110 Social e, mais recentemenemissora de radio'no menor municipio do de ' Leis , com p~dos de uig!ncia te, a Lei 8.977 ( de6 dejaneiro deste'ano), pais, a titulo de exemplo, porque ele deve ' urgentfssima panl as suas trami~ Te- que regulamentou 0 servi~ de 1V a Cabo. ficar a margem da discussio de ouiros tipos nbo cetteza que as li~ partidarias nio A..aprovayao de leis para a area das de concessOes que envolvem as grandes me- se furtario a priorizar a questio e vota-la comunicayOes, defin idas como democratr6poles brasileiras. Isto cheira a pura ma- com a devida brevidade: ticas, para alguns talvez pareya estranho, M:Us do que Se discutir, no momento, nobra. Prende-se a ateit~ do Parlamento num pais onde pela segunda vez consecom a questio relevante, mas, hoje, apenas 0 conteUdo dos propostas para 0 setor cutiva, depois de mais de duas decadas de tecnologicamente secundaria, enquanto 0 e preciso definir, democraticamente, a forfile mignon e dividido pelos mesmos gro- rna como serio feitas as mudancras. 0 Con- regime militar, as eleiyOes presidenciais pos que ja abocanharam 0 que melhor se gresso Nacional e 0 espayo privilegiado foram decididas com os oligop6lios de coonde, bern ou mal, esta representada a mai- municaylio interv indo com praticas pOde distribuir em termos de radiodifusio. oria da sociedade. 'Se 0 Executivo insistir manipulat6rias de violentas. As radios e as televise>es no Brasil semPara a politica desenvolvida peLo pre serviram para enriquecer seus donos e em decidir sozinho, desconbecendo, desresforam utilizadas como instnunentos poUti- peitando e substituindo 0 Legislativo, mais F6rum, 0 convlvio com situayOes aparencos na mao de seus concessionarios. Do uma vez 0 ludiciario sera chamado a inter- temente paradoxais tern sido uma rotina. Menor municipio do pais, influindo e inter- vir. Os adversarios numa disputa, podem ser Eprecise alertar que os conchavos que os eventuais aHados em outra. 0 sentido ferindo na eleiylo do prefeito e da Cimara Municipal local, Ate as grandes redes de pennitiram com que os depUtados e sena- que marca as ayOes do F6rum, politica1V tomando partido nas elei~ presideD- dores recebessem concess3es a granel resul- mente aberto a muitas altemativas, e a perciais, 0 radio e t. TV a massa de analfabe- taram de 8CQfdos espUrlos feitos a revelia severancra na realizay110 de seu projeto e tos , semi-ana1fabetos e pseudo-al&betiz.a- do es~ institucional. 0 escindalo dos objetivos estrategicos tem possibilitado dos que formam 0 contingente de eleitores cinco anos de Samey, fartamente divu,lgado na imprensa, 56 foi possivel porque 0 conquistas surpreendentes. brasileiros. Em um minucioso levantamento feito, Poder Legislativo, enquanto Institui~, nao Finalidades Estratel:icas ainda no Congresso passado, 0 Diap -1)0. teve es~,legal para opinar, fiscalizar e partamento Intersindical de Assessoria Par- conceder. Isto abriu espayo para que partes Delimitaylio dos conflitos e abordagem lamentar - levantou que 130 parlamentares deste Peder se locupletasse. A sociedadc brasileira c1ama por trans- de luta pela democratizaylio com um prono ambito federal cram detentores de canais de radio e televisio. Se a isto fesse so- parencia e por demoaacia. Na feliz expres- cesso permanente, sobretudo como uma mado os inWneros cases em que os politi- sio do brilbante jornalista ELio Gaspari, em atitude da sociedade, que nlio se esgota cos sio representados por testas-de-ferro e artigo publicado no Correio Brasiliense de com a realizayao de nenhum programa sio os cases em que as ernissoras 010 sio de 15103195, .. 0 poder civil nio haveni de es- algumas das definiyOes balisadoras da politicos, mas que apoiaram diretamente tar' no jaquetio de S~ey, nas gravatas conduta do'F6rum. alguns parlamentares hoje eleitos chegare- Hermes de Collor, nas meias vermelhas de o F6rum, entretanto, nao se ilude com mos facilmente a conclusio que a maioria ltamar_ou.nas cal~ Tweed (muito largas) uma perspectiva de eliminayao dos antado professor Cardoso. Nio e 0 filto dos preesmagadora do Parlamento brasileiro depengonismos, po is considera que os contlitos de, direta ou indiretamente, destes'veiculos sidentes scmn paisanos que faz civil 0 pos110 inerentes acondiyio humana. As posder republicano. 0 poder civil esta na capade Massa para suas respectivas elei~. sibilidades d~ avanyo da democratizayio Fala-se agora, principalmente e feliz.. cidade do Congresso legislar e limitar a aya da comunicaylio decorrem d~ esfor~ po- . mente no ambito do proprio MiiUsterio das , da presidencia". Utico de no equacionamento dos contliN6s, parlamentares, 010 podemos abdiComuni~ em modificar-se os critCritos, num _ processo em que as parte olo os para conccssio de novos canais de radio- car desta necess8ria prerrogativa. A sociedifusio., Pensa-se, a imprensa brasileira ja dade civil organizada, ou cada cidadio in- abdicam a condiyao de parte, mas persevern diwlgando, em se limitar 0 nUmero de dividualmcnte, nIo podem abrir mio de sua , guem 0 reslduo de unanimidade que Pede concessOes e estabelecer-se uma cobrancra infiuCncia e de sua cidadania e devem so- existir mesmo no seio do conflito. pela outorga. Tudo isto, entretanto, vira atra- mar conosco no resgate deste papel. A CoUm exemplo desta politica do F6rum' ves de Decretos¡nIo prec~do set aprova- muni~ - que cleve sec tratada com ge- ,ocorreu na disputa da regulamentayio da do pelo Congresso Nacional, como registrou nero de primeira necessidade - 010 pode seT 1V a Cabo. 0 F6rum apresentou um proa folha de SAo Paulo do dia 14 de ~ de regulada apenas pela vontade e inspi~o jeto de lei ao Congresso Nacioilal e ten': de meia dUzia de buroaatas ou iluminados. 1995. tou, s,e m su cess o, negociar com Neste ritmo muda-se a mUsica, mas os Eno Congresso - apesar de, e are mesmo empresariado. In iciou entio um trabalho mesmos continuam dancrando. Ehora sim, por suas ja tio expostas mazelas- que 0 dequando esta em estudos a elabo~ de um bate eo embate terio que se travar. N110 novo C6digo Brasileiro de Telecomunica- ha poder mais fiscalizar, nem mais democratico. Nlo hi ninguem mais ~, de se rever toda a legisl~ pertinente a radiodifusio e as telecomunica¢es no credenciado para passar as questOes de tepais. 0 argumento de que 0 processo lecomunic~, e 0 Brasil, a limpo neste linear de seculo. legislativ~ e moroso, daf a necessidade de encaminhamento das reformas pot deere-toS ou portarias, mas totalmente falacioso. Tildcn Santiago edeputado federal (PT-MG) e Havendo vontade politica toda esta membrodacomissiodeCi&cia, Tccnologiae ComuparafemaJia pode ser encaminhada ao Con- nitaQOes da CAman do! Deputados

conj\lDlo com a Telebnis. Absorveu conbeC~CIlto tecni~ e elaborou urn novo projeto. Como 0 empresariado continuasse indisposto para a negociaylio, deflagrou a " guerra do cabo", com ay3es politi~ ejuridicas, na Procuradoria da Republica, no STF e no Congresso Naciona!. Diante da ameaya de prejulzo, 0 'empresariado foi para a mesa de negociayoes, Foi entio que o F6rum deu um giro e passou a enfrentar a intransigencia do Estado, materializada nas posiyOes do Ministerio das ComunicayOes e da Telebnis, que ameayavam inviabilizar urn desfecho para a negociayao. Assim, 0 F6rum assumiu uma posi~ mediadora e conseguiu patrocinar um acordo inedito. Alem de aprovar a Lei de 1V a Cabo, realizou urn dos seus mais caros' objetivos estrategicos: promover 0 estabelecimento de uma nova relayao entre 0 Estado, 0 setor privado e a sociedade. ACAo Positiva

Criado em mead os de 1991,0 F6rum hoje congrega 45 Comites Regionais pela democratizayao e 36 entidades nacionais. Estas dimensOes, entretanto, nlio sao as (micas caracteristicas distintivas do F6rum em relayio aos diverso movimentos pela democratizayio da comunica~ ,surgidos no Brasil desde a decada de 70. 0 F6rum e tributario destes movimentos, mas- superou a perspectiva oposicionista e contrapositiva que sernpre os caracterizou. Aniparado em propostas e projetos, a ayio ' positiva do F6rum nlio perde a radicalidade. Ao contnlrio, no seu progra- . ~ aprovado emjulho do ano passado, 0 F6rum afinna, categoricamente, que persegue "transformayOes revolucionanas". reconhecendo que 0 pais viveu do is grandes processos de mudanya revolucionaria.: na d6cada de 30 (com Getulio) e na dec.\ da de 60 (com 0 regime militar), porem, em bases conservadoras. As " transformayOes revoLucionarias" perseguidas 'pelo F6rum dizem respeito, sobretudo, a bus-

Farum introduz novidades na luta pela democratiza9ao As duas mais importantes leis da area das comunicayOes surgidas no pais, desde a d6cada de 60 - quando foi aprovado o C6digo Brasileiro de TelecomunicayOes ( de 27 de agost~ de 1962) - surgiram sob

a chancela do F6rum Nacional pela Democratizayao., foi grayas a perseveranya do F6rum na busca do consenso que surgiu a Lei 8.389 ( de 30 de dezembro de 1991) regulamentando 0 Conselho de

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Robert Kennedy disCllTSIl nil portll dll ABI


ca de ampliação do espaço da política, viabilizando-se a representação da pluralidade, e a criação de condições para a incidência do público sobre o privado, no seguimento da comunicação social. A democratização da comunicação é assim encarada como algo mais do que um mero elemento de disputa de poder: trata-se de uma condição decisiva para o desenvolvimento do país. A Estratégia do Fórum O programa do Fórum para democratizar a comunicação no Brasil apresenta 32 objetivos organizados em quatro linhas de ação estratégica : Controle Público A idéia de controle público do Fórum não se confunde com instrumentos autoritários de regulação burocráticas ou censória. Para o Fórum, controle público é a expressão de uma relação multilateral em que cada parte incide e sofre a incidência das outras. Enquadra-se na noção de controle público desde um singelo “ serviço de atendimento ao público”, a ser montado pelas empresas de comunicação ( conforme determina a Lei do Consumidor) até o Conselho de Comunicação Social, órgão auxiliar do Congresso, o primeiro espaço institucional criado para debate da comunicação.

A noção de controle público do Fórum permite relativizar a importância da propriedade como fator de poder e conceber formas democráticas de atuação dos veículos privados. Isto é, na medida que fossem sujeitos a um estatuto público - a exemplo do que ocorreu na legislação da TV a Cabo - a propriedade dos meios, apesar de continuar sendo importante, deixa de ser fator exclusivo na determinação do conteúdo dos veículos de comunicação, que é definido como principal objeto de disputa. Exemplo de projeto : A instituição de um programa ombudsman da mídia, veiculado semanalmente em horário nobre por todas as redes de televisão e mantido por uma fundação sem fins lucrativos, amplamente representativo da sociedade. Este programa será destinado a analisar criticamente a programação, apontando os maus programas e recomendado os de boa qualidade , assim como explicando aos telespectadores a lógica de ser do vídeo e, inclusive, denunciando abusos. Restruturação do mercado Restruturar os sistemas de comunicação é outro grande objetivo do Fórum, visando a superação da espontaneidade de lógica imposta pelo mercado. Favorecer o exercício do direito de expressão, a representação da pluralidade e o desbloqueio da concorrência comercial são outras das metas do Fórum.

Exemplo de projeto: Criação de um Circuito Nacional de Exibição Coletiva de Televisão e Vídeo ( as Salas de Cultura Contemporânea), integrado por pelo menos dez mil salas sediadas em empresas, escolas, centros comunitários, sindicatos e entidades de qualquer natureza. Estas salas terão vídeo e telão e exibirão, comercialmente ou não, programação de TV a Cabo e vídeos em geral. Possibilitarão, inclusive, a formação de auditórios eletrônicos em escala local, regional ou nacional. Capacitação da sociedade e dos indivíduos Os meios de comunicação devem favorecer o surgimento de indivíduos críticos e capazes de exercer autonomia intelectual. O Fórum defende isto como um fator de potência do país e não apenas com justificativas morais. A própria necessidade de avançar na democratização da comunicação pressupõe uma sociedade capacitada para pensar e orientar o desenvolvimento dos sistemas de comunicação e disputar democraticamente os seus conceitos. Exemplo de projeto: Criação de um Instituto de Altos Estudos de Comunicação e Estratégia, destinado a congregar instituição da sociedade ( profissionais, empresariais, acadêmicas e associativas) e os “setores pensantes” do Estado ( como Secretaria de Assuntos Estratégicos,

PÃO DE AÇUCAR

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Itamarati e Escola Superior de Guerra, por exemplo) com a finalidade de atender demandas e pautas de pesquisa e elaboração técnico-científica. Disputa da construção da cultura O Fórum esclarece que o sentido ultimo da luta pela democratização da comunicação é a disputa da construção da cultura do país. Um país que não controla os seus meios de produção da cultura e que não busca orientar o seu desenvolvimento, segundo o Fórum, está abdicando da sua soberania . É por isto que o Fórum destaca como aspecto central da luta pela democratização da comunicação a determinação do conteúdo dos meios de comunicação. Exemplo de projeto: Instituição da Agenda nacional para os meios de comunicação no brasil, através de uma interlocução entre o Conselho de Comunicação Social , as instituições da sociedade civil voltadas para o estudo teórico e político da problemática da comunicação, juntamente com o Governo Federal e o setor privado. Esta Agenda Nacional fixará objetivos culturais e políticos e não será impositiva. Fixará um compartilhamento voluntário de responsabilidades entre o Estado, o setor privado e a sociedade civil, visando o estímulo da autonomia intelectual dos indivíduos, o fortalecimento da cidadania e afirmação da autonomia estratégica do país.


A pub/icidade ealma do neg6cio. Uma defini¢o ajUSlada ao momento do comimico¢o no Brasil. Os idtimos vestibulares mos/raram uma concentra~iio de candida/osjamais Visla/xua os CW'sos de pub/icidade. Falsa i1usiio acarretada pelas helas meruagens que inundam os sentidos dojuventude? Ou a certeza de que, sem a

publicidade, nenJium neg6cio pode e}Jolllir nummundo dominado , pela no¢o prevaJecente do mercado? Pelas dedu~oes dos colaboradores, resposla positiva para as duas quesloes. ~cialinente pelo argumento de que muitas das vezes a imagem do marco vale mais que as milpalavras divulgadas pela concorrencia. 1IAlAN~ Of. COMUNICAc;Ao

Publicidade da gas para indUstria da comunicavao Otavio Florisbal A crise economica, que atravessou as ultimas dCcadu, teve urn impacto importante no marketing das empresas, na publici dade e, principalmente, nos meios de comunicayilo do pafs. A escassez de recursos provocou 0 fenOmeno da concentraylo e fez surgir os grandes grupos de comunicayilo. A partir de uma vido estrategica, da adoylo de tecnicas de marketing e da gestilo voltada para resultados, consolidaram-se os lfderes de hoje. Nessa disputa pelo mercado e tambem pela sobrevivencia, muitos desapareceram , vftimas da falta de planejamento e de uma admioistrayilo inadequada. Ha trinta anos ninguem poderia supor que gigantes da epoca como as Redes Excelsior, Tupi e Record; editoras do porte de "0 Cruzeiro", Vecchi, Vislo e jomais da importincia de um Correio da Manhl, Diirio de Notfcias, Diario de Silo Paulo, Diario da Noite, A Gazeta e tantos outros, sucumbiriam. Os que sobreviveram e souberam construir suas bases com 0 olb';' voltado para os mercados editorial e publicitArio tem boje bons motivos para comemorar. Conseguiram criar v'efculos de comunicaylode nfvel internacional, grayas 'a ganhos de qualidade, produtividade e treinamento de SQas equipes.

Maiores centros investimentos em mfdia -1994 pAIs

o plano real e 0 processo de estabilizaylo da economia brasileira abrem para as empresas de comunicayao urn futuro pronussor, com a sinalizayiio do aumento de investimento publici ~rio . Fato que comeyou a ocorrer desde 1993.

UM PERiODO DIFicIL PARA

USS (bil.biles)

EUA JAPAo ALEMANHA INGLATERRA CANADA FRAN<;A ITALlA ESPANHA MExIco COREA DO SUL AUSlRALlA CffiNA BRASiL TAIWAN ARGENTINA

68.273 29.356 15.607 10.304 7.131 6.871 5.736 4.955 3.822 3.758 3.606 3.219 3.098 2.804 2.524

PS: VaJores liquidos das midias tradicionais. Exclui marketing direto e miscelinea.

MlDIA IMPRESSA

Excluia comissOO deagenciaevcrbade~

Investimento publicitario per capita - 1993 pAIs

USS(biJhOes)

EUA

332,00 294,00 277.00 246,00 221,00 214.00 207.00 192.00 188,00 187,00 182.00 178.00 150.00 142,00 19,00

suI<;A JAPAo HONG KONG DINAMARCA .INGLATERRA ALFMANHA AUS1'RALlA NOVAZELANolA

CANADA

PORTO RICO CINGAPURA AUSTIUA FRAN<;A BRASIL

PS: Investimento publ iciWio total per capita Fonte: Zenith Media Wordlwidc

Fonte: Zenith Media Wordlwide

A falta de poder aquisitivo e do Mbite de ~eftura comprimiram as circulayoes de jornais e de revistas nas ultimas 0 nUmero de domidecadas. . . . ./ Enquanto . . cmos cOm TV mais que dobrou, as circulayoes se mantiveram estaveis. As revistas perderam participayao, mas sobreviveram grayas asegmentayilo POt generos e aqualidade editorial. Com a recente estabilizayilo da economia, as circulay<Ses voltaram a crescer, demonstraildo que 0 meio, apes"lr-de..ainda confin~do as classes ~uperiores, ~em \fm born p.otencial. o jomal foi 0 meio ' que menos sofreu com 0 aparecimento da televisiio . . . Isto se deve ao fato de que ele corre numa faixa pr6pria. Tem 0 setor de clas-. sificados, quase que em carater exclusivo, e uma participayiio muito ·importante em detenninados· setores, como 0 varejo, e m6vCis'e servi~o. 0 jomal vern aumentando sua partic'ipayilo de mrrcado.

Industria da comunica~io no Brasil -1994 - Meios e veiculos TV ABERTA

6 redcs

TVFECHADA

2 redcs

RADIO

7 redcs

264 Emissoras 26canais .1.570 an iss. AM

31.5OO.000domicUi05 com aparelhosdeTV 550.000 assinantes 34.500.000 dom icllios cI aparclhos de nldio

1.248 aniss. FM JORNAL

2.424 tltulos

REVISTAS

885 tltulos

CARTAZ MURAL

12.8571ocais

2.600.000 exemplares em dias uteis 4.800.000 80S domingo! (principais titulos)

CINEMA

3redcs

5.900.000 cxemplares (principais tltulos) 26.095 tabuletas

I

38l!cincmas

87 ANOS DA ABI

.; -ArouivoABI-

Brasil- Evolu~o da participa~o dos meios - Via - agencia ANO

1964

1974

1984

1994

TV JORNAL REVISTA RAmo CARTAZ MURAL OUfROS(l)

36,0 16,4 19,5 23,4 01,1 00,6

51,1 . 18,5 16,0 09,4 04,0 01,0

56,5 20,S '12,7 06,5 03,0 00,8

63,1 22,8 07,6 03,3 02,7 00,5

TOTAL

100,0

100,0

100,0

100,0

lorna/istas cariocas camlnlllllll pelo ce1!1ro do Rio de Janeiro 'ao encontro de .outros grupos de lIUIIIiftrStantes para/ormor "Passeata dos 100 Mil" em, 1968. Naprlmeirafila, da e.squerda para.a direita: Zlraldo (1', Femando Gabeira (5" Marcos de CllStro (6" Neusa Miranda (n, Nelson Lemos (8' e EstelD lAchter (9'

a

(I)ArLi~cincm..eu:

-----------------------------_...... "

Fonte : IWT. Lintu e Intermeios

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Com base em princípios de marketing os grandes jornais se reformularam, criaram cadernos, introduziram o uso de telemarketing e uma ampla prestação de serviços aos leitores. As perspectivas para o meio são boas. O crescimento das circulações, com base em promoções, é uma prova da sua vitalidade. Fechando o conjunto dos meios, podese dizer que também o outdoor experimentou uma evolução importante, substituindo a quantidade pela qualidade. E a introdução de novas tecnologias de exibição. Com isso a publicidade ao ar livre tem mantido e ampliado a sua participação de mercado.

O FUTURO JÁ CHEGOU

A estabilização da economia está impulsionando fortemente o investimento publicitário, que depois de se manter estável por muitos anos, praticamente dobrou de tamanho de 92 para 94. É de se esperar que ele cresça nos próximos anos, atingindo um nível de investimento da ordem US$ 4 a 5 bilhões em mídia. Equivalente ao de países como Itália, Espanha e um pouco abaixo da França.

A DISPUTA PELO MERCADO

Numa retrospectiva da evolução dos meios de comunicação, conclui-se que a televisão aparece como vencedora, conquistando a liderança de mercado. Não só pelos seus recursos de comunicação que são inquestionáveis, mas também porque teve competência na visão estratégica e na prática mercadológica voltada para a audiência e aos anunciantes. O conceito de rede nacional e ao mesmo tempo a segmentação geográfica do sinal. O uso da pesquisa de comportamento para construir estratégias de programação a evolução da pesquisa de audiência para medir a sua eficiência como veículo publicitário. E a adoção de práticas comerciais modernas, foram fatores determinantes para o seu sucesso.

OS PERDEDORES NA MÍDIA ELETRÔNICA

A grande vítima da televisão no mundo e também no Brasil foi o cinema, até então considerado um meio de massa. As salas desapareceram nas pequenas e médias cidades, para se concentrarem nas grandes metrópoles. Hoje o cinema

é uma mídia segmentada, de qualidade mas sem a participação e a importância que já teve. O rádio também perdeu um espaço importante. consegui de alguma forma se recuperar com o surgimento da FM, da segmentação, e, recentemente, com o aparecimento das primeiras redes via satélite. Com isso voltou a ser lembrado pelos anunciantes nacionais e continua como mídia relevante para verbas locais. Se isso faz do Brasil um dos quinze maiores mercados de publicidade, ele ainda é um dos menores centros, quando o parâmetro é o investimento per capita. Com mais recursos vindos da publicidade, a disputa pela preferência da audiência e das verbas vai se acirrar. Com isso ganham a sociedade, o mercado e os profissionais de comunicação. Continuarão vencedores os veículos de comunicação, as agências de publicidade e os fornecedores que souberam definir a sua missão, concentrar energia e talento nas suas atividades estratégicas e adotar uma gestão moderna e participativa. A chegada dos veículos dos anos 90, a super via da comunicação, não irá como muitos apregoam, significar o desaparecimento da mídia de massa. Certamente haverá lugar para todos no trem da modernidade. a mídia de massa continuará liderando o processo de comunicação, enquanto que a combinação com o computador e o telefone, irá explorar nichos de mercado. Do lado da receita, a situação será cada vez mais promissora. Tudo dependerá da competência de cada um em atender o mercado. Já do ponto de vista editorial, a postura dos veículos e da imprensa em geral precisa ser repensada. A ética e a responsabilidade editorial precisam ser resgatadas rapidamente por editores e profissionais de comunicação. Só assim a mídia de massa continuará sendo respeitada. É chegado o momento de se reconhecer que a sociedade brasileira está cansada de fracassos e desenganos. Lamentavelmente os veículos de comunicação insistem em vender a “indústria da crise” e não percebem que dependem da estabilidade e do progresso deste país. Sem a indispensável independência econômica, não há a liberdade editorial, fundamental ao regime democrático. Mas que precisa ser praticada com isenção e responsabilidade. Que o digam as vítimas do lamentável episódio da Escola de Base de São Paulo. Otávio Florisbal, publicitário e radialista, é superintendente comercial da Rede Globo.

Os lobos, a girafa, os vírus e os cordeiros Mauro Multedo O tema deste artigo é comentar as perspectivas da publicidade num quadro de estabilidade econômica. O título faz pensar, é provável, em uma fábula. Ou, talvez, em uma nova fase da campanha de Coca-Cola, depois dos ursos polares, das formigas robóticas, do canguru, do elefante apaixonado. Nem a opção A, nem a última. Apenas, quem sabe, uma fábula. Em qualquer tempo, a publicidade estará na linha de frente da formação de valor de cada marca. É claro que os produtos vêm antes da propaganda, assim como os conceitos vêm antes até dos produtos, e, indo mais além na origem, as necessidades de cada grupo consumidor e o acesso à tecnologia é que definem os conceitos de produto. A formação da imagem da marca, no entanto, é que estabelece a referência perante o consumidor do que é novo, do que é especial, daquilo que é relevante e daquilo que será permanente. Definir, ou diferenciar, foi, e é, certamente, será fundamental sempre. E parece não importar aí se estamos em um quadro de estabilidade econômica ou não. Sempre haverá, em uma categoria de produtos, opções mais baratas, mais caras, mais famosas, mais charmosas, novidades, especialidades e esquecimentos. Em certos segmentos de mercado mais competitivos, haverá também rejeições: eu compro uma coisa, posso substituir por outra, mais aquilo lá eu não compro de jeito algum. Decidir pela marca A ou B é privilégio de quem compra, não de quem vende. Óbvio, não é? Aparentemente, muitos de nossos empresários mais influentes só estão descobrindo isto agora. Outros, ainda não perceberam. Alguns, andando na frente, já estabeleceram uma forte relação com seus mercados e, independente do quadro econômico, criaram uma enorme estabilidade econômica interna para suas empresas. Estes souberam criar um motivo, uma definição, uma personalidade para suas marcas. Deram ao consumidor uma clara razão para escolher seu produto. A propaganda consolida a relação com as marcas de maneira direta. O consumidor metropolitano, eu estou certo de ter lido em algum lugar, recebe cerca de 1500 impactos publicitários por dia. Televisão, rádio, outdoor, jornais, revistas, backnights, gôndolas de supermercados, malas diretas. Escrevendo este artigo, eu posso ver Sony no monitor, Compaq no computador, Itaútec na impressora, Gravis

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no joystick, Marlboro no maço de cigarros, Coca-Cola impressa no isqueiro, Microsoft Word no cabeçalho. É apavorante supor que estas marcas todas, aqui em meio metro quadrado, valem uns 100 bilhões de dólares! A propaganda destas marcas agrega valor a cada segundo. A quem quer que se dirija, a cada impacto. E, pensando bem, não me lembro se comprei a impressora pelo preço, ou pela facilidade, respeitada a qualidade que associo aos produtos Itaútec. Não me recordo se Compaq era a marca mais barata, mas guardo comigo a promessa (até aqui cumprida) de um computador de grande velocidade, resistente, compatível com todos os programas e com meus filhos em idade escolar. O mesmo raciocínio, por paralelismo, é válido para os outros objetos citados, excluído o isqueiro, que vem de uma caixinha dentro de meu armário, que algum gerente amigo me deu. A propaganda, e o marketing por trás da propaganda, e o pensamento empresarial por trás do marketing deveriam buscar a diferenciação e a personalidade na criação de valor agregado à marca. Porque o consumidor, metralhado por milhares de impactos publicitários a cada 24 horas, precisará, cada vez mais, de referências sólidas, permanentes, definidas e inconfundíveis. Até para poder experimentar coisas novas, futuras grandes marcas, o consumidor precisará ter elementos de comparação externos e de convicção internos, projetados por comunicação séria, ética e diferenciada. Os cordeiros andam sempre em grupo, de cabeça baixa, se alimentam do que vêem (e enxergam muito mal). Qualquer coisa que os assuste gera uma debandada geral, muitas vezes sem nenhum propósito. Algum cordeiro lança um produto novo. Lá vão todos os outros cordeiros na mesma direção. Alguém determina um novo caminho criativo, e todo o rebanho segue aquele rumo. Ninguém sabe ao certo se vai ser bom ou não, se será positivo ou não, se há algum valor para o mercado. Lá vão eles, iguais, pelos campos: branquinhos, inofensivos e vulneráveis. Os cordeiros ainda são melhores que os vírus. Os vírus acabam matando o organismo em que se instalam. Alguém sempre terá uma utilidade para os cordeiros, a lã, a carne, o leite, são uns animais simpáticos. Os vírus fazem tudo para matar os cordeiros. E acabam por matar os que vivem da criação de cordeiros. Os vírus não agregam valor algum, são infecções oportunistas, oferecem menos por menos, não anunciam, não geram fidelidade, não têm marca, não têm mercado. Quando o organismo hospedeiro morre,


morrem junto. Certos virus, nem impostos pagaml Os cordeiros, todos juntos, todos iguais, nio desenvolvt:m defesa contra os virus. Os crituiores de cordeiros nio percebem a avio dos virus. Querendo ou nio, acabam convivendo com os virus em suas cria~. 0 pr~ de nio fazer Dada, antes tio interessante, acaba ficando imensamente caro para todos. E quem se lembra de cobrar prejulzos aos virus? JA os lobos sio diferentes. Os lobos convivem em grupo, mas cada urn preserva sua individualidade. Grandes cayadores percebem urna presa a centenas de metros: tern faro, audiyAo e velocidades incrlveis. Coisa de quem aprendeu a viver em cada urna das quatro estayCles, da fartura do verio a escassez terrivel da floresta gelada, das indefmi¢es do outono a esperan~ da primavera. Os lobos sio age is. Se algo novo os assusta, rnovern-se.

Mas tCm cnormesentido detetritorialidade. Ana1isam, identificam 0 padr30 de ataque e contra-atacam. Voltam para retomar 0 territ6rio,lutam por ele com determinayio e criatividade. Os lobos sio n6mades. Adaptam-se as circunstAncias de cada territ6rio, de cada estayAo. E a noite, quando os cordeiros assustados tentam dormir, e os vfrus seguem seu processo de corromper, os 10bos saem por al uivando, soltos, farejando, ouvindo, correndo, defendendo seus territ6rios, cayando, lutando por novos terrenos. Num quadro de estabilidade economica, as marcas terio de ser diferentes urna das outras, e estas empresas fortes , ageis, atentas as oportunidades fa rio parte de uma enorme matilha de lobos. Cordeiros sempre havera, mas retiran-

do a pele de alguns 1& cstara urn lobo, como sempre urn lobo diferente, definido. Os virus deixario de ter seu campo de cultura. Ninguem podcra ,dizer que a recessio cconomica e que coloca produtos scm personalida<!e a venda, posicionados apenas por prCÂĽO, sem dizer mais Dada, apenas se beneficiando dos esforyos dos cordciros em parecer cada vez mais iguais. ' Aqueles que se diferenciarem, como os lobos, telio for~ para conquistar novos territ6rios e enfrentar novas estayCSes. E a propaganda dos lobos exigira urna agencia de lobos. Esta e a perspectiva da publicidade num quadro de maior competitividade, maior merCado e mais consumidorcs. Aos que associaram a imagem dos 10bos a coisas negativas, politicamente incorretas, substituam-na pela da girafa A girafa sobrevive porque enxerga muito lon'ge, se move muito rapido, tern urn sO mecanismo de def~ 0 coice, mas 0 utiliza muito bern. Quando a savana sec&, a girafa consegue se alimentar dos brotos das arvores, que surgem dos galhos mais altos. Enquanto os outros animais definham, a girafa se alimenta, porque alcanya 0 que os outros ainda nem viram. A girafa nio emite som, mas suas cores, seu tamanho, seu longo pescoyo comunicam muito bern. Nunca tendo visto urn omitorrinco, a girafa e urn dos animais mais diferenciados que conheyo. Por certo, as girafas tambem vio pr~isar de agencias. Acho que serio agencias com lobos no comando. Como tudo isto e urna fflbula, lobos e girafas se entendelio muito bern. Mauro Multcdo edirctor nacional de o~ da Coca-Cola Indilstria Lilia,

Marca: 0 principal ativo das empresas

A comunicayAo de marcas deve SCI' tratada no seu sentido mais abrangcnte, com as organizayCSes utilizando cia maneira mais eficiente possivel os recursos disponiveis para atingir lodos os publicos relevantes, muitos dos quais ate bern pouco tempo n30 considerados na cadeia de comunicayao. A experiencia atual demonstra que obter I,>arceria e motiva~o de todos os publicos e fundamental para o sucesso das marcas de uma empresa, mesmo porque, muitas vezes, alguns des¡ ses publicos sao co-responsiveis pela qualidade e integridade dos produtos que a empresa oferece aos consumidores. 111 se foi 0 tempo em que 0 Diretor de Marketing de uma grande empresa p0dia se dar ao luxo de resolver seus problemas de comunicayio mediante a simples colocayao de mais publicidade nas televisCSes, jomais e revistas. Hoje em di~ uma empresa que quer ter marcas competitivas precisa se comunicar eficieotemente com todos os seus publicos-alvo, scm permitir, contudo, que seus custos de comunicayao cresyarn indiscriminadamcnte. Urn planejamen to de comunicayio abrangente e estruturado evitari. a situayio indesejflvel de penta de fuco e desgaste das marcas da empresa. Sao muitos os casos de emprcsas que conseguiram, atraves de estrategias de comunicayao eficazcs, dar consistencia a imagem de suas marcas, boje dcsftutmdo de urna posiyAo invejavel no men:ado cada vez mais globalizado e competivido. Nomes como Coca-Cola, Levi's, Nike,

Microsoft, MacDonald's, American outros, sio exemplos vivos de marcas de alto prestigio na percepy!o deconsumidores, fornecedores, distribuidoTeS, varejistas, etc. Modelos financeiros para "Brand Valuation" demonstram que essas marcas valem muito malS do que os ativos fixos das empresas que as detem. Li recentemente que 0 valor da marca Coca-Cola, por excmplo, estimado ern tome de USS 33 bilbiSes. Porm, 0 mais estimulante de tudo isso e que, mesmo essas empresas que conseguiram utilizar a comunicayAo de forma tao eficaz, construindo ativos tao valiosos, nio podem subestimar seus concorrentes e se descuidar do desenvolvimento da imagem de suas marcas, sob pena de se juntarem, par decisao dos conswnidores, alista de exemplos que ratificam a teoria do cicio de vida de marcas. A Souza Cruz, por exemplo, ao longo dos seus 93 anos de existencia, tern tido, como filosofia bAsica de atuayAo, agregar continuamente valor as suas marcas, atraves da utilizayAo planejada de todos os meios de comunicayao disponiveis para todos os pUblicos. , Hollywood, Free, Carlton e Derby, para dtar apenas algumas de nossas marcas, Passuem urn posicionamento c1aramente distinguido e altamente valorizado pelos seus consumidores, conseguido pela associ ayao da consistencia de suas estrategias de cornunica~ao a incansavel busca da qualidade sempre superior de produtos e serviyos da companhia, Acredito que a dedicayio, com a qual perseguimos esses objetivos, e responsflvel pela lideranya destacada que a companhia tern alcanyado no Mercado brasi leiro.

ExPrc:ss. entre

e

FlAvio de Andrade 6 diretDr de

nWta:ting da Souza Cruz SA

87 ANOS DA ABI

turidade e, a partir daf, pass am a de-

Flavio de Andrade

marcas, ou seja, aquela que afirma que

clinar, me pergunto se ela nlio foi construlda com base nos inumeros ca50S de marcas que perderam espayo no mercado, porque as empresas nio foram habeis e capazes de agregar valor mesmas, de maneira consistente e orientada. Acredito que e exatamente nesse contexto, ou seja, construir, desenvolvcr e sustentar ativos fortes , que a comunicaylo ganha importincia, tomando-se urn dos principais insumos nas estrategias empresariais de hoje. Quando eu falo em comunicayao, eu nio me refiro apenas a publici dade, mas sim a toda e qualqucr mensagem emitida pela empresa, dirigida a urn ou mais

a ma-

dos seus publicos-alvo, que po~em as-

Participar desta ediyio comemorativa do Joraal da ADI me dfl a oportunidade de abordar urn princlpio, que acredito ser comum na hist6ria de com~ panhias de sucesso: " Alem das pessoas, as marcas sio definitivamente os mais importantes ativos de uma organizayio ." Num Mundo onde os mercados tornam-se cada vcz mais competitivos, e fundamental que as empresas procurem aumentar continua e consistentemente o valor de suas marcas. Quando me deparo com a teo ria do cicio de v'ida de todas as marcas chegam um dia

sumir as mais variadas formas, tais como: . publico interno .fomecedores .distribuidores .clientes .0 consumidor final propriamcote dilo

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Barbosa Umtt Sobrinho disCUTSII em BraslJilJ tID lado de Ulj1$SD GU;nUlriJes durante a CIUIIpIInhadoMDBa Presidenci4 till RepubliCil

em

1973.

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Produtos e serviços dependem de uma imagem? Clemente Nóbrega As analogias e metáforas do mundo da ciência, seu riquíssimo manancial de “insights” criativos, suas histórias e seu vocabulário são muito adequados para nos inspirar e nos ensinar na tarefa mais importante a que temos todos de nos dedicar hoje, no mundo das empresas: aprender a nos reconstruir, abandonando velhas formas de pensar e agir que deram - e, em grande parte, ainda dão -, certo. O que está acontecendo hoje no campo do “business” é, em minha opinião, análogo ao processo que se iniciou há cerca de noventa anos no mundo da ciência, e levou ao que se considera a maior revolução intelectual da história da humanidade: a necessidade de se abandonar um modo estabelecido de pensar que vinha dando certo, para se poder continuar avançando. Falo como físico e também como diretor de marketing e vendas de uma das empresas de maior sucesso no Brasil, nos últimos anos.

Os físicos são julgados pelos “resultados” que obtêm com suas hipóteses e experimentos. Os homens de empresa também. Ambos têm de gerar resultados. Há muita coisa em comum entre eles. O teste de sucesso é empírico, pragmático, nos dois campos: funciona ou não? É assim no mundo do “business” e no mundo da ciência. O cientista pergunta: depois de tantas hipóteses, tantas conjeturas, tantas tentativas para inventar uma linguagem capaz de descrever corretamente um fenômeno, tanta matemática para criar modelos e simulações, o experimento confirma a teoria? Minha teoria é capaz de prever coisas que depois o experimento confirma? Ela é científica? O homem de marketing pergunta: depois de todas as pesquisas de mercado, todos os protótipos, todas as simulações de preço, todo o planejamento, todo o esforço de posicionamento do produto, as pessoas estão comprando? Nos dias de hoje, em livros, artigos,

seminários e workshops para executivos e “businessmen” em geral, só se fala sobre turbulência, caos, complexidade, imprevisibilidade, paradoxos disso e daquilo, sobre como ficou difícil continuar a fazer o que sempre se fez com sucesso: vender nossos produtos. Conquistar e manter clientes. Sobre a selva que é a competição. Sobre a falência dos velhos modelos de previsão do comportamento do consumidor. Sobre a ineficiência e desperdício da propaganda. Sobre a inadequação dos modelos de organização empresarial. Sobre a necessidade de se eliminar camadas na hierarquia, tornar a organização mais plana (“flat”), mais flexível. Descentralizar o processo de tomada de decisão, tornar a empresa capaz de responder mais rápido aos desafios do seu ambiente. Parece que, de uma hora para outra, perdeu-se o conjunto de referências que tínhamos: normas e conceitos que sempre serviram de guias para a ação do “executivo de empresa”. Perderam o valor. Não se aplicam mais. Olhe em redor e você verá um “executivo” perplexo. Inseguro. Um executivo que não executa. No início do século, os físicos começaram a pôr em dúvida a noção, até então inquestionada, de que “havia um mundo lá fora”, que eles, cientistas, tinham de desvendar, entender, dominar e explicar

ESSO

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objetivamente. Demorou, para que os cientistas aceitassem a maneira de entender a ciência que começava a se impor: como uma forma de linguagem que descreve (e não que explica ou disseca) o mundo e as coisas. A aceitação disso foi forçada por um terremoto no campo da idéias científicas, que ocorreu durante a primeira metade deste século, e levou de uma maneira dramática à constatação que o papel da ciência não poderia jamais ser aquilo que se pensava que era, desde os tempos de Newton. A nova física, que foi tomando forma a partir de 1900 e acabou por se impor como uma visão muito mais completa que a que Newton havia formulado, nos apresentou um mundo que nós jamais poderíamos desvendar, uma realidade que não se deixava capturar por nossa vontade de entender; apresentou-nos um mundo louco, improvável, sem leis rígidas, sem identidades definidas, cheio de imprecisões, dualidades. Um mundo em que o importante eram as relações entre as coisas, e não as coisas em si. Em que as coisas só têm existência definida em relação a algo, nunca como entidades independentes. Apresentou a impossibilidade de certezas como a única certeza possível. Mas ao mesmo tempo, e por mais paradoxal que possa parecer, nos ensinou que, apesar de tudo, é possível gerar re-


t ad o de inte ligen ci a , que esbanja maram, sem ninguem atravessar, como sultados no meio de tanta perplexidade. Onde quero chegar? E incrivel como uma ciencia tlo "imCom aenormecomplex.idade a que ten- criatividade diante de qualquer proble- nos sambas de camaval. precisa" acabou levando a aplicay3es pra- de a sociedade, 0 Mercado de massas vai ma e, por isto, ganha muito bem, e est! Depois dessa demonstrayio de brilho ticas tAo sensacionais (0 laser, 0 morrendo. 0 Marketing de massas vai se sempre na primeira classe dos vaos in- do texto, Eboli fez 0 teste de eficiencia microchip, a energia nuclear, entre ou- tomando mais e mais scm forya. A medi- temacionais. de vendas. Procurou saber quantos dos tras). da que avanyamos em complexidade socique estavam na sala haviam tomado 0 Sim e n~o . o primeiro grande sucesso de urna al, em variedade, em multiplicidade de esDe (ato, a profi ss~o oferece oportQ- xarope alguma vez na vida. conee~ de marketing de Massa surgiu colhas, em pluralidades de comportamen- nidades. Mas, ao mesmo tempo, exige Somente urn, entre os quarenta alumais ou menos na epoca em que a Ffsica tos, em liberdade individual, temos de ar- urna espartana aplicayao de talento e de- nos presentes - todos ja passados da ~o­ comeyou a entrar em crise: a Coca-Cola. ranjar outro paradigma para nossa atuayao dicayao de esforyos, os quais acabam ate lescencia - tinha tomado 0 conhecido proDe It para ca, 0 " marketing" se de- no Mercado. 0 «marketing newtoniano" tornando secundaria a importincia do duto. senvolveu segundo a crenya de que e pos- nIo vale mais. Como em muitas outras atividades de brilho intelectual. Se chamarmos a esse sfvel entender e dirigir 0 comportamento Tc:mos de inventar empresas quanticas. brilho intelectual de vocayio, entio, para natureza intelectual, nenhurn jovem pode das pessoas em rela~io acompra de coiComuni~ e parte do marketing, e alcanyar 0 exito na profissio, conta muito enganar-se com um i1us6rio e facil susas. De modo antlogo apretenslo dos ciparte do seu objetivo e criar percepy3es tambem 0 esforyo para reunir os dados cesso na carreira de publicitario. Para entistas "newtonianos", que pretendiam atravCs de linguag~ e c6digos de comu- que a1iceryam a 16gica e 0 born senso de veneer na propaganda a frase de Thomas entender e explicar a natureza, os nj~. Produtos e serviyos dependem de qualquer ideia vencedora. Edison se ap li ca: Genio slo 90% marketeiros pretendem entender, prcdizcr, uma imagem sim, e, por mais estranho que A lem do q ue costumo chamar de transpirayao e 10% de inspirayio. controlar e dirigir 0 "mercado". ~ em JDuitas circunstincias e tamCerta vez, urn dos mais brilhantes "chama sagrada", e preciso que baja soTenha 0 produto certo. Va de encon- bern a linguagem que usamos para falar Iidez de racioclnio e adequayio das in- cronistas e poetas brasileiros aborreeeutro .os desejos e necessidades dos consu- de uma empresa, de urn produto ou servi, fonnayt'Ses man ipuladas nesse raciocinio. se porque, solicitando ao presidente de midores a cada momento. Entenda-os yo, que cria a realidade a respeito deles. A luz que a propaganda aeende nio pode urna agencia emprego de redator para urn atraves de pesquisas e, depois, domirieComo em fisica. , parente, que ele considerava altamente ser vazia e fria . os. A fisica p6s-newtoniana (chamada fto c1arao que provoca na mente do qualificado para 'a funyio, viu seu recoDisse que seu comportame~to e depois sica quAntica) e essencialmente urna linconsumidor tem que ir ao encontro dos mendado ser recusado ap6s um pequeno venda para eles 0 que voce quiser, atravCs guagem que dt certo. 0 marketing depenval ores que 0 consumidor es.teja procu- teste de redayio. Entio, 0 cronista zomcia mensagem adequada a ,esse comporta- den cada vez mais disso tambCm: de se bou em sua coluna de j omal: "Para que rando, ou que atendam suas necessidasaba- articular a linguagem certa para promento. tais exames? Para no fun 0 sujeito escredes. Segundo essa con~, 0 "men:ado'\ duzir a resposta que seprocura. 0 que vai ver que 0 refrigerante tal e "Delicioso e , No inicio da Escola SUpCOQ( de Proestaria la fora, esperando para ser domi- , mudarhforma(X)[D()esSalinguagematua. refrescante"? paganda e Marketing, urn de seUs bri~_. nado. ' A propagandA de ~ vai se.tomando Q cronista estava contando ~ coma Ihantes professores de criavlo, ftalo A fisiC!- fQj.LPOl'Wl..1Q._~,_. mu- 6-eScentemente : d~iniportante para esse , inspirayio. Mas 0 pessoal de criaylo Cia Eboli, testou de modo pratico e pitoresdar ~ partir do inicio do s6cul9, abirultJ"~~ O 'que vii .ubstitui~la, como linguaagancia, para chegar aque~e slogan 'tAo nando • n~ de que ex.iste uma realida':' gem~ial-cio-markCting, e urna.rede co a validade ou a forya de venda de urn simples e encorajar-se a nele investir"os de objetiva a SCI' decifrada, e adoiando &OS : de rel~: cia ~~m ;Cus clientes, texto. Um produto para 'tosse fuja sua milhOes de cruzeiros do cliente, valeupoucos 0 entendimento de que nio epos- , fornecedores, fimcio~o~, etc.. A comu- propaganda atraves de uma sextilba, que se de pesquisa de milhares de consumini~ se dart 010-mais'~ves de algo ficou muito famosa pelo ritmo de seus dores. sivel captar a natureia real do mundo. 0 I papel do cientista e criar linguagens, as qUe se diz para urn Mercado passivo, mas versos e pela espontaneidade das rimas. Que os jovens continuem procuranquais 0 Mundo aatural responda. A Ffsi- pela qualidade das ' relayOe; que serio ("Vej a ilustre passageiro:....). Essa pro- do as escolas de propaganda; Mas nio se ca modema se conduz de acordo com essa estabelecidas com esses atores. Pela paganda era impressa em cartazetes exi- iludam com as boas roupas que vestem vislo. E nossa maneira de falar sobre a credibilidade gerada pCla "energia de Ii- bidos em todo os bondes das grandes ci- , os publicitarios. Eles tambem, para honrealidade que cria a realidade. g~" (tenno da ftsica),de cada urn deles , dades brasileiras. Eboli perg~tou aos 'ra e g16ria do Senhor, precisam, embaicerca de quarenta alunos presentes na xo da roupa suar a carnisa. A empresa modema tera que fazer 0 com a empresa. mesmo dpo de revisio. sala, se conheciam aqueles versos que Marketing sera cada vez mais isso. 0 Assim como a visio de Newton nio cliente It fora; que pode ser manipulado 'todos repetiam de cor. ' A resposta afirRoberto Duailibi estava errada - apenas 56 e aplicavel a uma pol' mensagens de com~~ "criativas", mativa fo i absolutamente uninime. E; dircItor-s6cio cia OPZ Propaganda e dimenslo relativamente simples da reali- morreu. A imagcm da cmpresa, do produ- comprovando..que conheciam de fato os pRaidenIe cia A.ssoc;i~ Brasileira de dade, a urna escala pouco complexa de ,to, sera 0 resultado que vaj emergir de re- versos, quarenta vozes em cora Ol! decla- Aa~dePropaga.ncla (ABAP) coisas, tamWm com 0 marketing assim. lacionamentos em muitos nfveis. 87 ANOS DA ADI marketing de massa triunfou, deu certo EXatamente como em fisica. e dt certo, enquanto a sociedade relati-ArquivoABIvamente pouco complexa, com papeis so- ClemcnteN6Inp6 diretorde ' ciais e comportamentos relativamente marbtina e vmdas claAMIL e dimor claPromarlcet, boUle agency do grupo AMIL bem definidos.

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ADI

x ....·== ...... ·m; Aliberdade de imprensa, '5 meta de 1976' ,: -". - - .-,.-_ .. _.......... _. -..

Propaganda: inspirn9ao etransp~o

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o..s. .. _ l r a pr..o 0 jorutiala Otludo Boafim!

Roberto Duailibi

ressc das novas gerayt'Ses.

Estio af os algarismos dos vestibulares para provar: 0 pereentual de jovens batendo as portas das escolas de propaganda superou 0 de todas as outras profilaOea ~~ antigamentcutrafam· o- inte- .

muito humanas. Criou-se nacionalmen-

o fen6meno esta na base de razt'Ses te urna aura 4e bito e prosperi dade em

Bolelim ADI, NovlDez., 1975 noticiondo "-_ ,

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moTte de Vladimir

blicitario e urn vitorioso nato para quem as-porta$ se abrem facilmente~ urn seriio-

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tomo do publicitario. Para muitos,

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obra. Mas nOo se Irata apenas doforma~ao e sim do regulamenta~iio que reserva aos formados as vagas no rnercado de trabalho. Uns esbravejam contra 0 que definem como urn corporativismo ou reserva de mercado. Outros reagem contra a politiea de vale-tudo que traria a quedo na qua/idade do exercicio profissional.

Uma confusa polemica envolve a forma¢o profissional do meio de comunica¢o social, especialmente a dosjornaIistas. Sobram argumentos condenando e defendendo a fo171UJ'¢o rmiversilana em escolas especfjicas, embora lados concordem que a base edueacional do pais niio permile previsao de qua/idade do mao-deIIALAN<;:O DA COMUNICA<;.AO

ABI ea origem dos

Sallio Nobre, unico lugar onde cabia a turma toda", conta Cecilia Ribas Carneiro, profissional formada nesta primeira turma. Foi nesta mesma epoca que Danton ~obim, professor de Etica e Tecnica Jomallstica, junto com 0 tambem professor Pompeu de Souza, ministraram a primeira aula sobre '.'Iead'.' no pais. Uma comissao de bachareis dessa primeira turma iria, tempos depois, encontrar-se com 0 Presidente Gerulio Vargas e entregar um documento reivindicando, entre outras toisas, a criayllo da carreira de jornalista. Mas foi somente em 1961, exatamente tres dias antes da renlincia de Janio Quadros, que se criou normas para o desempenho da funylio de jomalista. Ditava 0 Dec. nO 5 1.218 que 0 direito ao desempenho da profisslio ficaria a cargo dos diplomados ou daqueles que reechessem certificado de habili~ de ensino de jornalismo. Para que nao se fizesse uma injustiya com os profissionais atuantes, nliO seriam prejudicados aqueles que exercessem a profissio ha mais de dois anos e fossem registrados nos departamentos pessoais de suas empresas, bem como aqueles filiados aos sindicatos ou aAB!. Apesar de bem recebido, 0 decreto de Janio teve que ser revogado pois feria um principio geral do direto. "0 Decreto que tencionava regulamentar 0 Dec-Lei mimero 910 foi inconstitucional porque inovava em urn de seus artigos, com .a exigencia do curso de comunicayao para 0 jomaIista ser admitido em empresa. Decreto presidencial apenas regulamenta ou dirime duvidas mas nio pode extrapolar 0 que esta previsto na lei 0 no decreto-Iei. " argurnenta Reinaldo Santos, assessor juridico da AB!. Em conseqUencia disso, Tancredo Ne-

cursos de comunic3.9ao A ideia da criayio de ~ curso de jornalismo no Brasil nunca foi nova. Ela confunde-se com ~ :-r6pria hist6ria da Associayio Brasileira de imprensa (ABI) que desde sua fundaf(io, em 1908, tomou-a como uma de suas prioridades. Porem hi registros de que, em 1900, Te6filo Guimaries ja tenha articulado discuss3es a respeito da viabilidade e importincia de urn pro fissional de jornalismo com diploma a mio e vislo ampla. Isso tomando como exemplos casos como 0 da Franya, que contava com urn curso em Paris desde 1889, e da Inglaterra, onde, no infcio de seculo, se inaugurou urn curso exclusivo para mulheres. "Desde 0 surgimcnto da imprensa entre n6s, era jomalista quem 0 quisesse, bastando 0 ato expresso da escrita e os meios de transmiti-Ia, multiplicada, a determinado publico", lembra Fernando Segismundo, presidente do Conselho Administrativo da ABI. Era desejo de Gustavo de Lacerda, fundador da ABI, que se criasse um estabelecimento que viabilizasse a cdu~ moral do futuro jornalista, que Ihe llP,urasse a vocayio e Ihe incutisse e ampJiasse os preceitos de urna conduta etica. Gustavo faleceu 10$0 depois de fundada a associaylo de imprensa e scm saber que ainda seriam necess8.rios de mais de quarcnta anos ate que seu sonho se concretizasse. . Mas a ideia de urn curso de jornalismo nlo esmoreceu. Os demais presidentes da ABI, se nlo conseguiram, elaboraram pIanos futuros. Raul Pcderneiras (presidente da entidade no bienio 1915/1917) foi um dos grandes defensores da ideia na epoca. Em sua concepylo, 0 nlvel cultural do jornalista seria muito superior se refinado em escola pr6pria: "acabariam a ma fe, :1 ignorincia disseminada e os proccssos indecorosos de fuer imprensa". Joio Guedes de Melo - um dos grandes expoentes da casa e seu presidente em 1918/19 - era mais urn dos que se preocupavam com a integridade do pro fissional. Queria ele que os jornalistas de fato se unissem e cultivassem a profisslo com seriedade e contra "os aventureiros, os inconscientes, os analfabetos da profissAo". Foi por mer ito exclusivamente dele que se realizou 01 Congresso de Jomalistas Brasileiros, em 1918. Entre as discussi5es e debates, abordou-se a necessidade de urna escola de jornalismo. Saiu das mios de Jolo Gucdes de Melo 0 primeiro es~ de urn curriculo basico para a cadeira. Nele

se previa uma cadeira s6 para estudar a

hist6ria das instituiyi5es de poder no Brasil. Em 1938, ou seja, 20 anos depois, 0 Decreto-Lei nO 910, promulgado por GetUlio Vargas - que fora jornalista no Rio Grande do Sui - estabelece a criayao de escolas preparat6rias para a profisslio e que seus registros profissionais se dariam com a aquisi~ dos diplomas ou por exames prestados nestes locais. .Os interesses opostos ao Dec.-Lei nO 910 acabaram por transforma-Io apenas em promessa vazia. Herbert Moses,ja entio presidente da ABI desde 1931, olio mede esforyo"S para q~e 0 Governo baixe, em 13 de maio de 1943, 0 Dec-Lei nO 5.840, instituindo 0 curso de jornalismo como parte do sistema de ensino superior. o Decreto diz em seu artigo terceiro: "0 curso sera ministrado na Faculdade Nacional de Filosofia com a cooperayllo da Associa~ Brasileira de Irnprensa e dos sindicatos representativos das categorias de empregados e empregadores das empresas jomallsticas." Com 0 Ministerio da Educayio ficava a responsabilidade de fixar as materias que fariam parte do curriculo da cadeira. Mas a indecisio e a lentidao dos serviyos publicos pennitiram que 0 proprietArio de A Gazeta de SAo Paulo, Casper Libero, fundasse uma escola de jornalismo agregada Faculdade de Filosofia, Ciencias e Letras SAo Bento, da PUC-SP, em 1947. Dec. nO 28.923, de 1950, finalmente deu origem ao primeiro curso oficial de jomalismo, no Rio de Janeiro, vinculado aFaculdade de Filosofia da Universidade do Brasil (atual UFRJ) que, segundo Fernando Segismundo, "contava com professores indicados pela ABI e recursos financeiros obtidos junto a Companhia de Cigarros Souza Cruz, da qual Herbert Moses era diretor". Como conseqUencia do Dec-Lei n° 5.840, ficava a cargo do Ministerio da Educayao a formulayao dos program as de curso, tolhendo dessa forma a sua autono-

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yes, aepoca chefe do Conselho de Ministros, levou aapreciayao da ABI uma proposta do governo para a reuniao de um grupo fechado que pudesse rever a legislaylio e ouvir novas ideias. 0 que resultou no decreta nO 1.177 de junho de 1962, assinado por Tancredo e pelo Ministro da Justiya da epoca, Alfredo Nasser. Essa lei reconhecia os jomalistas autodidatas nas locaIidades onde nio houvesse escolas ou cursos de jomalismo, mas exigia 0 registro . profissional para diplomados e nio diplomados. Por fim, em 17 de outubro de 1969, durante 0 governo dos ministros militares que substituiram 0 presidente Costa e Silva (em fi!n de mandato e afastado por motivos de saude) • e promulgado 0 decreto-Iei numero 972 que criou a obrigatoriedade de possuir urn curso superior de comunicaf(io social para 0 ingresso em empresajornalistica. Abriu tambem quatro exceyoes que persistem ate hoje: ilustrador, rep6rter fotografico, rep6rter cinematografi<;a diagramador. Para essas quatro exceyOcs nao e exigido o diploma de curso de nivel superior. o ultimo diploma legal relacionadc;> a area de comunicaylio social, de 1979, esmiuya e esclarece 0 decreto-Iei 972. 0 inciso IV do artigo oitavo dita que para 0 registro de provisionado e necessaria a apresentayllo de certificado de segundo grau, isto e, nas localidades onde nio houvcr escolas de comunicayio, e exigido apenas que 0 profissional tenha concluldo 0 .segundo grau.

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Atualmeote. muita escola e pouco Mercado A proliferayao de faculdades de comunicaylio comeyou durante a decada de 70. Um enorme numero de novas faculda-

87 ANOS DA ABI

Mia. A primeira turma foi liberada dos exames de vestibular, contava com cerca de 300 alunos e alguns professores eram profissionais renomados mas que nunca haviam tido experiencia como professores ou posto os pes numa Faculdade. "A nossa turma era a maior, ela tomava a faculdade inteira. As aulas eram dadas no

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Hall do 7" andar do edijido dlutIll destruldo por umtJ bomba no dill 14/1176


des particulares e algumas federais começaram a surgir já em 1968. Segundo o professor Erasmo de Freitas Nuzzi, da Faculdade Cásper Líbero e estudioso do assunto, havia nesta época cerca de 40 escolas. Hoje temos 87 faculdades sendo: 55 particulares ou confessionais, 25 federais e 7 estaduais (sendo uma municipal em Taubaté, São Paulo). A maior concentração de faculdades de comunicação fica no sudeste: são 46 escolas distribuídas pelos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais. Em segundo lugar vem a região sul, com 15 escolas. Os estados do Acre, Amapá Rondônia e Tocantins ficaram de fora pois, segundo o professor Erasmo Nuzzi, “até dezembro de 1994 ainda não tinham escolas de comunicação”. No final de 1994 o MEC autorizou o funcionamento de mais quatro escolas: duas em São Paulo, uma no Rio de Janeiro e outra em Minas Gerais. Anualmente são oferecidas em todo o país 10.500 vagas, das quais 6.800 são provenientes das faculdades particulares. Mas este número de vagas não reflete a veracidade do número de alunos que estão efetivamente estudando. A porcentagem de evasão nos cursos de comunicação social gira em torno de 20%, ou seja, cerca de 32.000 vagas estão ociosas por motivo de abandono. O maior número de vagas oferecidas pelas faculdades de comunicação é para a habilitação de jornalismo, que anualmente despeja um número elevado de novos profissionais. Em conseqüência, mais de 50% desses diplomados não conseguem ser absorvidos pelo mercado de trabalho. (Alexandre dos Santos)

Escolas de comunicação Estados

SP RJ MG RS PR PE AM BA DF MT PA PB SC SE AL CE ES GO MA MS PI RN RR AC AP RO TO

26 12 8 8 5 3 2 2 2 2 2 2 2 2 1 1 1 1 1 1 1 1 1 0 0 0 0

Regulamentação da profissão de jornalista Um jornalista precisa de diploma universitário para exercer a profissão? Vários países, incluindo o Brasil, dizem que sim. No entanto, em nações como os Estados Unidos e França, o certificado do curso não é obrigatório por lei. As empresas destes lugares porém, costumam só contratar pessoas formadas na área. Uma pesquisa realizada pela FENAJ em julho de 1993, com 35 países, mostra que a questão da regulamentação da profissão é um tema mundial. Em 74% destas nações pesquisadas, o acesso ao mercado de trabalho é de alguma maneira regulamentado. Seja através de legislações específicas (38,5%) ou por meio de contratos coletivos (27%), negociados diretamente entre empresários e representantes da categoria. Em 15 países o diploma universitário é obrigatório. Em nove destas, o certificado de formação em uma escola de jornalismo é obrigatório. Outros países que não possuem leis que regulamentem a profissão encontram outros meios de garantir a qualidade dos profissionais da área. Nos Estados Uni-

dos, por exemplo, onde não há requisitos legais, 85% dos jornalistas têm formação universitária. Esta exigência vem dos próprios empresários, que preferem só contratar pessoas formadas, segundo dados de 1990 da associação de editores deste país. A mesma situação se repete no Japão, onde o aspirante de se submeter a um período de formação específica, após ser selecionado por concurso realizado pelas empresas. Na Europa, onde a profissão é, na maioria dos casos, regulamentada por contratos coletivos, combina-se a formação educacional com períodos de estágios nas redações. Este tempo de aprendizado nas empresas pode variar de acordo com o diploma do aspirante. Na Inglaterra, por exemplo, uma pessoa formada em jornalismo precisa de 18 meses de estágio, enquanto os não graduados necessitam de dois anos . Situação idêntica ocorre na Dinamarca, na França, quem for formado na área deve cumprir apenas um ano como aspirante, metade do tempo exigido para quem não

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possui um diploma. Na Itália, quem quiser ser jornalista deve passar 18 meses numa redação e depois ser aprovado nos exames da “Ordina dei Gionarlisti” ( Ordem dos Jornalistas), segundo uma lei de 1963. A situação dos países da América do Sul é na sua maioria parecida com a do Brasil. Na Colômbia, Chile, Peru, Equador e Venezuela existem leis específicas que regulamentam a profissão de jornalista e exigem o diploma universitário. Na Argentina, que possui a legislação mais antiga (1946), o Ministério do Trabalho exige do profissional dois anos de exercício como aspirante. A questão de regulamentação da profissão de jornalismo é um tema de discussão mundial. A ABI e FENAJ, órgãos que defendem os interesses dos jornalistas no Brasil, acreditam na necessidade da obrigatoriedade do diploma universitário. A qualidade dos jornais, revistas, rádios e tevês de nosso país depende diretamente da formação dos profissionais que nele trabalham. (Antônio Lobo)


A fonna9ao dos jotnalistas e a amea9a do futuro Nilson Lage A fo~ universitaria dos jomalistas e cinqOentenAria no Brasil e quase centenana nos Estados Unidos. A reivindica~ de cursos superiores especializados data, aqui, de 1918, por iniciativa da ABI, e a obrigatoriedade de conclus30 de curso para registro profissional consta de lei hA 25 anos. A discussio eantiga e os argwnentos a favor da graduay!o especializada ja convenceram geray3es de legisladores. E evidente que jomalismo e profiss!o de nivel superior: nw se trata de mero fazer tecnico, mas do domlnio de linguagens e de conhecimentos do meio social que excedem de muito as possibilidades do segundo grau. Pelo sistema de forma~ universa1mente adotado, e no ensino superior que se formam profissionais de nlvel superior. Nso e verdade que a exigencia de grad~ erie reserva de mercado para poucos: ha muito mais gente formada do que empregos. Os cursos de jomalismo suprem de profissionais especializados nao apenas jomais, revistas, emissoras de radio e televisAo, mas tambem empresas, instituiyOes e 6rgios de govemo, atendendo a demanda que essas estruturas rem de produzir e fornecer informa~o adequada para consumo publico. Ainda assim, hA excedentes de pessoal (sAo quase cern cursos de comuni~o no Pais) e 0 mercado e seletivo. Tambem nio e verdade que a obrigatoriedade de curso superior im~ a1guem de ter acesso aos veiculos de comuni~o. A restri~o s6 se apJica a fun93es profissionais tfpicas, como editor, redator ou rep6rter. nada impede que a1guem escreva e publique cartas ou artigos, fale, grave ou exiba documentarios sobre assunto de sua especialidade. a fato de instituiyOes e personalidades preferirem difundir suas ideias com intennedi~o profissional (em forma de entrevista, no noticiArio de eventos, etc.) e argwnento a favor, nio contra, a condi~ de jomalista como atividade.diferenciada. A tese, defendida pela Folha de Sao Paulo, de que se deveriam formar jomalistas em p6s-graduayso e ingenua e rnaliciosa como um velho filme de Mazaropi. Primeiro, porque s6 faz sentido para as estrategias de marketing da Folha: 0 mercado nie. paga salArios nem tem demanda apreciavel que justifique tal sofistica~o. Segundo, porque profissionais como medicos ou advogados tem sua etica pr6pria, que conflita com a pratica do jomalismo: medicos nao podem criticar medicos em publico nem advogados estariam avontade questionando juizes (0 que se pretende e que deixem de ser medicos ou advogados, assumindo nova profissio). Terceiro, porque 0 objetivo de p6sgra.dua~o nao e adestrar em tecnicas e conceitos oasicos: cursos de p6s-grad~o formam pesquisadores, professores universitA-

rios e especialistas num campo de conhecimento, disciplinar ou interdisciplinar. lmaginar que jornalismo seja especiaJidade medica ou area de pesquisa j uridica e ir muito a1Cin do bom senso. A existencia de cursos de p6s-gradua~ lato sensu, no estilo da Universidade de Coliunbia (ou como 0 que se pretende instalar na Universidade de Campinas), relaciona-se com a necessidade que alguns executivos sentem de conhecer os mecanismos te6ricos e processos de elabora~ do jornaIismo - nio para serem rep6rteres da FoIha, mas para operar meIhor estruturas administrativas (na gestio finance ira, de espetBculos, sistemas de saUde, etc.) que tern fortes vfnculos com informayio pUblica. Trata-se de especiali~o gerencial), 0 que fica claro ana1isando 0 cwnculo da universidade americana. Finalmente, a formayio univers itAria dos jornalistas, que ainda e novidade em grandes Areas do territ6rio brasileiro, vem determinando novos perfis para a profissi o. Surgem mais jomais permanentes (ninguem passa anos numa faculdade para se arriscar em aventuras de curta durayao), com novos comportamentos eticos e maior aceitayao, principalmente junto as empresas e fontes govemamentais, que hA muito incorporaram a 16gica dos niveis de escolaridade. Em muitos casos, a vida sindical renovou-se por foryade maior senso de profissionalismo dos jovens jornaIistas: cuidam da carreira que ~Iheram e na qual investiram para toda a vida. Se e assim, se os argumentos sao de tal maneira fortes, por que, enlao, se discute ainda 0 assunto? Porque se trata de questio polftica, de embate ideol6gico, em que pcsam poucas coisas como 0 interesse publico ou a racionalidade. E, neste plano, a forma~ profissional dos jorna1istas e apenas urna das conquistas importantes que estarnos em vias de perder. Havendo interesse em preservar 0 jornalismo como atividade economica e instrumento cultUral, e 0 caso nao apenas de pressionar para a melhoria e maior objetividade do ensino nessas escolas, que em gera! sao pessimas, mas tambem de aplicar recursos em programas capazes de gerar conhecimento, nos setores de produyiio e veicul~o de mensagens com auxilio de computadores. Por isso, em Santa Catarina, na universidade federal em que trabalho, estamos organizando para 0 ano, que vem urn curso de mestrado em Engenharia da Cri~ e da lnform~, mobilizando professores dos centros de Comunicayao e Expressao e Tecnol6gico. Em cinco anos, acreditarnos dispor de estrutura e conhecimentos - pas Areas da ciencia da cogniyao, da sernfuttica l6gica, da teoria da computa~o , telemAtica e afins - para iniciar a form~o em nivel de doutoramento. Mas havera realmente esse interesse? a Brasil assiste hoje aetapa culminante ;.

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de um processo cujo objetivo foi-se reyelando aos poucos: 0 desmonte das instituiQ3es nacionais. Em palses como este, que nio se fundam em unidaJe etica ou religiosa, 0 conceito de nayao se confunde com as institui,90es do Estado. No entanto, 0 a1vo dos dtmolidores ja nao sao apenas empresas publicas, constitufdas como base para 0 desenvolvimento do Pais e responsliveis por praticamente todo 0 acervo de tecnologia de que dispomos. Nem a universidade publica, onde se pret nde gerar conhecimento e acompanhar, tio de perto quanto possfvel, 0 avanyo mundial da ciencia (se a questio e apenas dar aulas, reproduzir conhecimentos, pode-se, de fato, ter escolas mais baratas). Agora, trata-se tambem das foryas armadas, a que se atribui indevidamente funyao de policia, e de Justiya, contra aqua! se erguem vozes influentes, como a do Sonador AntOnio Carlos Magalhies. Quando ouyo 0 que diz essa gente (e os jomais registram de maneira absolutamente acritica), sobre 0 Brasil, produto hist6rico de lideranyas intelectuais de porte de Monteiro Lobato e Barbosa Lima Sobrinho, militares com a estatura moral do Man:chal Candido Rondon ou de AJrnirante Alvaro Alberto, estadistas como D. Pedro IT e Vargas, fico imaginando 0 que pensam colocar no lugar de nossas institui90es nacionais, quando as demol irem. Acompanhei a campanha destinada a convencer os brasileiros de que ficariam ricos se exportassem pouco e importassem muito, como fazem os Estados Unidos - embora nossa moeda nao seja, como a de hi, padrao intemacionaJ apoiado pelos bancos centrais de todo 0 mundo. Agora, que os resultados de tal polftica se evidenciam no Mexico ou na Argentina, e com as ruas das cidades brasileiras exibindo inuteis carros de luxo, insiste-se na puni~ dos aposentados e dos pequenos agricultores, na liquidayao da 87 Petrobnis e na intemacionali-

quadrados , de territ6rio, 0 modelo institucio'nal que nos propoem e 0 de Cingapura, pais com a dimensio de um quadrado de 20 Ian de lado, onde se amontoa a popul~ de duas curitibas. Teremos escolas privadas, previdencia privada, estradas privadas, ferrovias privadas, penitenciArias privadas, pianos de saUde privados integrados, todos, a capitais globais. a Estado sera modesto escrit6rio para distribuiyio a particulares das verbas dos impostos que conseguir cobrar, aos pobres de anticoncepcion;Us, cestas bcisicas e ensino prim8rio rujo principal objetivo e "manter as erian~ longe das ruas"; de importante, tera wna forya policial para dar apoio as polfcias particulares e vigiar as Areas eventualmente nio cobertas por elas. a jomalismo sera um brayo do marketing institucional do sistema, destinado a difundir, com a unanimidade que conhecemos, a 16gica de que vai tudo sempre muito bern. a que me espanta mais e que as empresas jomalisticas nao percebam que, em tal cenArio, nao havera lugar para a reserva de mercado na area de inform~ publica. a que se avizinha nao e apenas a tDultimfdia, nem a hegemonia da telematica: e tambem a traduyio automatica, a perda do sentido e importancia dos assuntos nacionais ou 10cais, a intemacionalizayao integral ilo entretenimento, a total dependencia com reI a~ a detentores de softwares e hardware telemAticos. a que teremos, entio, no lugar da Rede Globo, da FoIha ou do Jornal do Brasil? Urn programa de meia-hora na rede CNN? Urn boletim sobre assuntos brasileiros gerado em Washington via Internet? Ai, de fato, para que formar jornalistas, se poderf!mos nos contentar importando informa9Oes? Nilson Lege ejomaJistD e professor titular da UFSC

ANOS DA ABI

~dos ban足

cos. :E preciso transformar em qu inqu iIharias de Miami 0 que constru imo s com sacrificio; em nome da modernj~ad e,

sacri fi car conquistas sociais bcisicas. Na divisao internacional do trabalho, cabenos competir em pe de igualdade nao com os metalu rg icos do Ruhr, mas com os refugiados cambodj ianos da Tailandia. Com 8,5 milhoes de quil 6'metros

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Boletim ABI, MarfOlAbril, 1984.


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Contra 0 diploma mas a favor de novo curriculo

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urn mural, 0 j omaI do campus e dois Iivros de reportagem por ano. Temos urn sistema atraves do qual nossos aIunos vilo para 0 exterior enos mandam Doticias feitas em tempo real jomalfstico. Esse curriculo possibilitou aWor into~ entre as faculdades. Em lese, penso que urn estudante de filosofia. urn (IStudante de outra unidade. mesmo um ji formado, tambem pode sec jomalista, desde que faya as materias tec:nicas. Houve urna reayio negativa no infcio mas depois os alunos perceberam que 0 novo c:urrfculo dava mais mobilidade para·a fac:uldade e ·que poderiam tirar 0 melhor proveito de todas as unidadeS da USP. Foi tam bern uma forma de valorizar 0 patrimonio da USP. E daro que 0 novo curriculo s6 tern sentido em universidades que possuem varias faculdades. Acabamos ·com a discussio de "se formamos para 0 mercado" ou nilo. Formamos urn aluno suficientemente robusto para ser disputado pelo mercado e ao mesmo tempo modifica-Io. C.h amamos isso de " conflito produtivo com 0 mercado". Isso porque achamos que 0 jomalismo e

essencial para a democ:racia e na democ:racia de massas, ele tern que ser exerci- . do tambem e principalmente nos meios . de comuni~ de mass&. . Bcom alunos formados dentro dessa Dova co~ que iremos reerguer 0 joroalismo brasileiro. N6s, em parte, estllmos indo contra a corrente. principalmente na questlo da demarcayio Ctic:a. A t.endCncia nilo e mais tratar 0 jomalismo com u'ma etic:a diferenciada. Hoje em dia, tudo e considerado a mesma coisa: comunic:ayio. Os sindic:atos estAo na luta errada. Precisavam lutar pelo contrato coletivo, que englobaria pessoas com ou sem diploma, pordAusulas que dificultem as demissCSes e por c:Iausulas de consciencia. A ABI podena ajudar mais nesse sentido. A ABI deveria ter sido mais alerta e atuante na questAo etica. Em geral, as associa~es e sindic:atos se erguem quando 0 poder se coloc:a contra 0 jomaIista e nilo quando 0 jomalista comete erros.

cos, empresas privadas, etc. A profissilo de jomalista nlo e 0 ato de escrever em si; estamos confundindo os meios com a Minha opiniilo foi expressa hi tem- . natureza Ctic:a do oficio. pos, quando ainda era minoria: sou conNo intuito de formar jomalistas metra a obrigatoriedade do diploma, que e Ihor preparados, iniciamos ha mais ou reflexo de urna conce~o autoritAria e menos quatro anos uma reforma no curcorporativista. Sou contrario por duas rariculo da Escola de Comunica~io e Artes roes principais: a primeira porque essa da Uni~ersidade de SAo Paulo. Antes, fiexig8ncia 010 ocorre em nenhurn pais ci- zemos urn diagn6stico das deficiencias da vilizado, somente em pafses de tradi~ilo faculdade e concluimos que faltava enfaantidemoc:nitica, como alguns da Amerise no ensino da etica profissionaI e que 0 ca Latina. A segunda razAo e que a luta curriculo era muito circular, voltado para pela reserva de mercado distorceu as funo pr6prio urnbigo. Podfamos dividir as ~es das associa~es da sociedade civil. materias em dois blocos: as preocupadas Os sindicatos, por exemplo, estAo preoem classific:ar os tipos de reportagens, encup ados apenas em decidir quem pode ou trevistas, artigos, que sAo muito redundannlo exercer 0 jomalismo, na tentativa de tes e as materias que desclassificavam os Bcmardo Kucinslci ejomaJisIa e profesllOr diminuir a oferta de milo de obra para aumeios de comunic:ay!o, que viam 0 jomadaEscola de Comuni~ e Artes cia USP mentar a remunC':ra~. Isso, alias, 010 Iismo como algo negativo e inevitavelconseguiram. Ora, 0 papel dos sindicatos mentemanipulador. Visitamos escolas na Fran~ na ln~ eproteger os trabalhadores a elc associados e nIo 0 de decidir quem pode ou n10 glaterra e DOS Estados Unidos. La, alem de se estudar 0 jomalismo, proc:ura-se forser assoc:iado. Ocorre atua1mente 0 afas.. tamento do jomalismo de sua fun~ como mar 0 individuo em outros campos. Cridefensor do interesse publico, porque 0 amos tim curriculo no qual 0 futuro jorpr6prio sindicato foi ampliando.conceito nalista, alem de seu preparo tecnico e eti.de reserva, para incluir atividades como co, e obrigado a cursar um conjunto de 1 policia contra dois funcionarios da Fodisciplinas formativas em aIgum outro assessoria de imprensa e posiy3es no serAnto~io Carlos Fon , Ih. de S.Paulo por exercfc:io i1egal da pro- . vi~ publico. Destruindo a de~ do campo do coflPecimento. No primeiro fisslo. jomalismo (seus limites eticos), destrui- ano, obrigat6rio para todos, 0 aluno ja se Os sindicatos de jomaJistas vivem hoje Havia varios motivos para a denlin- .. jomalismo e cursa introduz no mundo do mos 0 mercado. urn processo de esquizofrenia, do qual a cia, entre as quais c:abe destacar tres: 0 as primeiras· disciplinas de demarcayao Sou a favor da existencia das faculdadiscussilo da exigencia do diploma espc- comportamento imoral de urn dos denun- . des de jomalismo pois considero impor- etica, como etica joma\fstica, alem das c:ffico e apenas urn sintoma. A causa desciados que, exercendo cargo de chefia, tante que 0 jovem estude, que tenha um'l disciplinas introdut6rias aos varios camse processo e 0 Decreto 83.284, de 13 de demitiu uma rep6rter que nio cedeu formayio humanistica, intelectuaL 0 erpos do conhecimento. No segundo ano mar~o de 1979, que regulamenta 0 exerseu assedici sexual; a exigencia do Decrerado eachar que s6 quem-tern 0 diploma em diante cada aluno escolhe seu campo cicio da profi ssilo. to 83.284, que incumbe os sindicatos da po de ser jomalista. Em Sio Paulo, por de formayio complementar ao jom~lismo . Pessoalmente, sou a favor de Up18 re- denlincia do exerc:icio ilegal do jomalisexemplo, os sindicatos estAo colocando a Pode ser em economia, em po\ftica, em gulamentay80 pro fissional e contra a eximo, e a prepotencia do senhor Otavio Frias . . poUcia nas reda~CSes auas daqueles que ciencias sociais, hist6ria, ate mesmo em gencia do di pfoma. A posiyAo pode pare- Filho, que se rec:usou a disc:utir seriamente cer estranha, ja que em 1992. quando es- a questAo, chegando a afirmar que "eu fu~ n!o possuem habilita~io . A comuni~, no caso limite. Essas disciobrigatoriedade do diploma e um atentaplinas podem ser escolhidas em toda uni- tava na presidencia do Sjndic:ato dos 10r- a lei!". Prefiro oao comentar 0 epis6dio de . nalistas de Sio Paulo, apresentei queixa do contra a liberdade de expressilo e con- versidade e seu conjunto precisa ser aprotra a liberdade do trabalho intelec:tual. vado por urn professor orientador. Cada 87ANOSDAABI------------~ o c:6digo de etica adotado pel a FENAJ aluno tern um professor orientador. Ao mesmo tempo, 0 aluno vai adquin!o expressa a concepyAo do jomalismo rindo sua formayio jomalistica em disciliberal das democracias p6s-industriais, nas quais 0 jomalista nio pode trabaIhar plinas cursadas no pr6prio departamento ao mesmo tempo numjomal e num 6rg!0 de jomalismo. Ele tern que seguir uma publico ou num jornal e numa seqUencia obrigat6ria de laborat6rios :: ao mesmo tempo completar uma carga homultinacional automobillstica . NAo raria em discip li nas cri t icas ou vivienciarnos a democracia ao restringirdemarc:at6rias eletivas. Silo discipli nas mos 0 numero de pessoas que podem tracomo hist6ria do jomalismo, jomalismo balhar nas reda~es. Antigarnente a probrasileiro, jomal ismo economico, etc. fissAo era ··avacalhada- pois nio havia reDisciplinas que lidam com texto e Iinguagulamentayio e 0 jomalista precisava acugem sio min istradas no ambito dos mular empregos. ~oje M regulamentaprojetos laboratoriais. Nos laborat6rios yilo, mas 0 jomalismo continua deficiente pois em nome do -profissionalismo", os alunos produzem regularmente e esmuitos exercem dupla lealdade, trabacrevem para a agencia de noticias cientiTancredo Neves disClll'Sa na selle tkl ABI durante sua Ihando ao mesmo tempo na imprensa e ficas da ECA, que sao distribuidas para .. campanha Ii Presidlncia da Republica em 1984. jomais do interior. Alem,disso produzem L ______...;_____________________~ em assessorias de po\(ticos, 6rgilos publi-

Bernardo Kucinski

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ltegulamenta9ao sim, diploma nao

80.:

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assédio sexual, já que a colega foi readmitida após a pressão do Sindicato e nesses casos, no Brasil , a maior prejudicada é sempre a vítima. Mais grave até que isso, no entanto, é o Decreto 83.284 , de autoria do Senador José Sarney - por sinal, dono de jornal e emissoras de televisão. Ele jogou os sindicatos de jornalistas no pântano entre as atribuições normativas típicas de um conselho profissional e a defesa dos interesses de uma categoria de assalariados, característica de uma entidade de classe. Com todos os benefícios para as empresas. A discussão pode parecer de interesse apenas corporativo, mas coloca em questão a própria razão de ser do jornalismo, que é o direito da sociedade ser informada de forma isenta. Sendo uma entidade de classe, um sindicato não pode ter caráter normativo para, por exemplo, fiscalizar o exercício da profissão, impor normas de conduta e aplicar punções pela transgressão ao código de ética. Isso significaria a hegemonia dos trabalhadores sobre os empresários - que não é possível, pelo menos no capitalismo. Essas tarefas são normalmente entregues aos conselhos profissionais como o Conselho Federal de Medicina ou a Ordem dos Advogados do Brasil, que reúnem patrões e empregados. Um papel que, no caso dos jornalistas, poderia ser desempenhado pela Associação Brasileira de Imprensa que, além de congregar patrões e empregados, possui uma longa tradição de defesa da liberdade de imprensa e do direito à informação. Mas os jornalistas não possuem um conselho profissional capaz de elaborar um código de ética que defenda os direitos do cidadão à informação e contra os abusos da imprensa. Em vez disso ficam os sindicatos obrigados, sob o risco de cometerem crime de responsabilidade, a denunciar o exercício da profissão por quem não tenha o diploma. É verdade que isso pode estabelecer uma reserva de mercado, de eficácia, ali-

ás, bastante duvidosa entre as brechas existentes na legislação. Mas o que ganha o público, o jornalismo e os jornalistas com isso? Nada. Ao contrário. Meio conselho, meio entidade de classe, os sindicatos alojam hoje tanto patrões quanto empregados numa incrível promiscuidade. Quando presidente excluí dos quadros do sindicato de São Paulo várias dezenas de patrões. Não tenho nada contra nenhum deles, pessoalmente. Muito pelo contrário. Quero registrar a corajosa intervenção do senhor Rui Mesquita - um dos excluídos - para resguardar minha vida contra os facínoras do DOI-CODI, nos idos sinistros de 1973. Mas é que concordo com Lúcio Flávio Vilar Lírio que “polícia é polícia, bandido é bandido” - ou que patrão é patrão e empregado é empregado. Gostaria de conviver com todos eles, no entanto, em uma entidade como a ABI, transformada em conselho, com autoridade legal para impor padrões éticos, indiscriminadamente, a patrões e empregados. E se tivermos jornais e jornalistas éticos, pouco me importa se eles tiverem ou não o diploma. Uma imprensa, enfim, diferente da Folha de S.Paulo, que se acostumou a manipular informações para transformar seus interesses comerciais em questões éticas. E um exemplo disso é a forma como apresenta a regulamentação profissional dos jornalistas como “entulho do regime autoritário”, como se fossem os jornalistas e não as empresas jornalísticas os beneficiários da ditadura. Especialmente a Folha de S.Paulo, que além de ter transformado sua redação em uma senzala, hoje se apresenta como uma paladina da democracia, enquanto que em 1972 emprestava seus carros de reportagem para o DOI-CODI paulista assassinar opositores do regime militar. Antonio Carlos Fon é jornalista e ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo.

A formação acadêmica e a realidade do mercado Eucimar de Oliveira Por muitas vezes vi sobre minha mesa releases pouco convidativos e desinteressantes comunicados convocando jornalistas para um “importante” debate sobre a “Formação Acadêmica e a Realidade do Mercado”. Confesso que a nenhum deles fui. Alguns por serena opção. De outros fugi quando, em seqüência à convocação, quem dela se encarregava tinha a má idéia de tomar o telefone: “Recebeu meu convite?”. Respondi que sim para emendar uma desculpa qualquer, sempre uma viagem de

última hora. E como viajei ultimamente! Agora, da Associação Brasileira de Imprensa, com o prazer que não tive em oportunidades anteriores, quando o enunciado do tema era ao mesmo tempo o motivo do meu pouco entusiasmo e o limite tacanho da discussão, chega-me o pedido de um artigo sobre “Formação Acadêmica e Realidade do Mercado”. Mas antes que ponham em dúvida o que parece tão sólida coerência, explico: desta vez foi diferente. Poderia pegar o tema e dar-lhe a forma desenhada por minhas convicções e conceber um mostrengo

para os opostos ou um conjunto de raciocínios capaz de ser útil à reflexão de quem dele se ocupa e comigo se acumplicia no direito concedido à subversão. Portanto, a quem estiver disposto a prosseguir, sugiro apenas a troca na ordem de alguns adjetivos para pensarmos a seguir na “Formação no Mercado e na Realidade Acadêmica”, suas poucas virtudes e excesso de vícios. Esta inversão temática não resulta de inquestionável realidade. Pode, quando muito, ser a mais próxima do nosso cotidiano, ser aquela que atende exigências - nem sempre inteligentes e razoáveis, e muitas vezes autofágicas - do mercado de informação. O mais lamentável nisso é que enquanto nas universidades a má, pouca ou nenhuma formação de futuros profissionais, por carência de bons professores e inexistência de pesquisas e de material, causam um conseqüente aviltamento intelectual e prático nos cursos de Comunicação, nos jornais a praxis do ensinamento está presente de maneira medíocre. Ensinam os editores: “Faça o lide assim, faça assado, seja objetivo”. Mas poucos são aqueles editores e jornais que ajudam a habilitar o jornalista a dar ao leitor a capacidade de refletir, seja sobre um banal atropelamento ou a sucessão presidencial. Dentro dos intocáveis padrões de responsabilidade, julgo como inalienável função do jornalista a mediação dos fatos entre seus agentes provocadores e a sociedade, provendo seus leitores de capacidade de movimentação segundo qualquer nova circunstância. Pouco disso se faz hoje. Nos últimos anos nasceu nas redações, a princípio apenas como inspiração maledicente de algum desafeto do magistério superior, a máxima de que “professor de jornalismo é um jornalista frustrado”. Hoje, infelizmente, há muito mais de verdade e quase nenhuma maledicência na afirmativa. Claro que há muitos bons professores nas nossas escolas. Alguns também trabalhando em jornais e revistas. Juntos, contudo, pouco representam no imenso contingente destinado à preparação dos alunos. Jovens chegam às redações rigorosamente despreparados. Desconhecem o português, as regras básicas de construção de uma notícia e tampouco suspeitam como devem hierarquizar os acontecimentos que irão narrar. Mas essas deficiências, com o tempo, paciência do editor e interesse do iniciante são facilmente corrigidas. Mas nem por isso, mesmo com o português correto ou por dominar as mais refinadas técnicas de estruturação de uma informação podemos dizer: aqui temos um bom jornalista. Longe disso. Se a academia pouquíssimo contribui para moldar o jornalista, a fôrma do jornal é, invariavelmente, prática, condicionante e destituída de bons

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atributos intelectuais, como já foi no passado. O processo competitivo entre os jornais, a necessidade de estar cada vez mais cedo nas bancas e melhoria da qualidade gráfica propiciaram o surgimento de uma indústria pesada para atender o segmento jornal e afins. Novas rotativas foram projetadas, os computadores invadiram as redações, antigas etapas industriais acabaram pulverizadas pela informática e nem por isso, em sua maioria, os jornais melhoraram a qualidade de seu conteúdo. São mais bonitos, mais limpos, mais legíveis. As maravilhosas ferramentas tecnológicas ainda não cumpriram uma outra fase de sua função. Permanecem, salvo casos localizados, com fins em si mesmo e não como meios, embora capazes, de oferecer ao jornalista mais tempo de apuração e ao leitor, maior atualidade e precisão na informação. E não existe jornalismo sem atualidade. É nesta ordem de acontecimentos, de disputa acirrada e de correria desenfreada que os jornais não perceberam - ou se já percebem é timidamente - que a formação de pessoal precisa ser revalorizada. Não bastam máquinas e suas telinhas multicoloridas. É preciso gente qualificada à frente delas. É preciso rediscutir com a universidade a formação de profissionais. É preciso romper a perniciosa parceria de fornecimento de mão de obra ruim e a contratação de mão de obra barata. É um processo tão devastador para a qualidade da Imprensa que hoje os principais dirigentes de jornais defendem sem restrições a contratação de pessoas formadas em qualquer outra atividade. Não sou um defensor intransigente do diploma, mas entre eventuais benefícios que tal medida poderá trazer, identifico uma postura de desespero. Ora, já que os jornalistas das escolas de Comunicação não servem, que venham outros. Como médicos, economistas ou advogados que não conseguem se suceder bem como médicos, economistas ou advogados. Os acertos, os poucos que houver, serão, na sua maioria, fortuitas redescobertas vocacionais. Vivemos um quadro complexo. Salvo exceções, ouso dizer sem embargo que o modelo de formação universitária se esgotou na sua própria incapacidade formadora. A realidade acadêmica é trágica no que produz para fora de seus portões e a desejável formação pelo mercado pouco passa hoje de simplório treinamento técnico. No meio disso, o jornalismo, como recheio de um sanduíche cada vez menos saboroso, com menos informação, menos diversão e menos arte. Eucimar de Oliveira é editor-chefe do jornal O Dia


lomalista pret-a-porter: a exigeneia do mereado rio de que podemos dispor diariamente? "Porque essa meninada que sai da facui dade nia sabe nada" e a resposta ultiDesde que foram fundados os primei- mamente muito dada, mas nio satisfaz. ros cursos de jomalismo no Brasil, em Em primeiro lugar, porque a ultima pa1947, discute-se, nas redayOes e gabine- lavra nlo e da "meninada". Depois do tes de empres8rios da comunicayio, ' a rep6rter principiante, se nio ha mais 0 validade da fonnaylo de jomalistas na copidesque, hi 0 subeditor, 0 editor da universidade. Quando entrei para 0 Jor- seylo e 0 editorchefe. Alem disso, os Dal do Bruit, em 1958, recebi logo 0 computadores esllo ai para acelerar 0 "conselho" de n10 diur que era fonnada; processo de produylo e, portanto, dar pegava mal. mais tempo ao controle de qualidade e Esta relayAo inamistosa entre os pro- n10 0 oposto. E quem controla a qualifissionais fonnados na pratica e os egres- dade 510 os bons e bem pagos que represos de cursos superiores regulares conti- sentam 0 dono. nua a existir, apesar de hoje a grande As empresas tern que reconhecer que maioria dos jomalistas em exerclcio ter a baixa qualidade da mAo-de-obra nao e o diploma, obrigat6rio por lei. A maio- privilegio da area de comunicayio. Eurn ria dos empresarios de comunicayio - terrlvel problema que assola 0 pals de incluindo-se nesta denominaylo os jor- ponta a ponta e tem uma causa bem nalistas que alcanyaram 0 status de exe- sabida: nosso prec8rio sistema educaciocutivos - atribui a baixa qualidade de seus nat. A escola prim8ria brasileira e ruim, produtos .. ma-fonnaylo de seus empre- a secundaria e pior, a de terceiro grau gad os, isto 80S cursos univ,ersitArios n10 foge .. regra. Mas, se os cursos de de jomalismo. Nos varios encontros e 10malismo 510 precarios - e sio, n6s proseminarios de que tenho participado e fessores sabemos disso e alguns de n6s nos quais 0 usunto vern atona, ha ver- lutamos sem cessar para melhorar esta dadeiros duel os verbais entre professo- situaylo -, os de Direito, Engenharia e res e editores de jornais e revistas. Medicina tambCm 510. E nlo se ve doo tema tern que ser analisado, pois, nos de empresas de engenharia ou de dos dois pontos de vista. Se 0 mercado escrit6rios de advocacia deblaterando acha que a universidade nl0 forma jor- contra os cursos ou contra a fonnayao nalistas de qualidade, precisamos saber universitBria de seu pessoa\. o que e que 0 mercado chama de jomaUrn medico, para ter sua clientela ou lista de qualidade. Dentro da 16gica em- a chefia de urn setor em urn hospital, tern presarial, ~s melhores profissionais de- que ralar muito depois que sai da faculvern ser os que recebem maiores salarios. dade. Vai aprender com outros mestres, Portanto, sAo os que exercem cargos de os profissionais experientes, e ni~guem mando e uns pouquissimos colunistas, acha por isso que ele e todos os seus cotipo Paulo Francis, no jomalismo impres- legas fizeram cursos de rna qualidade e so; e, na televisio, apresentadores como desnecessanos. Vai para 0 exterior fazer Marflia Gabriela. cursos de aperfeiyoamento. Sempre foi Vamos e venhamos. Este pessoal que assim. A escola da os princlpios gerais, brilha nlo e exatamente 0 operariado de a formayao basica. a bibliografia, aponque os jomais, radios e televisoes preci- ta os caminhos. 0 exerclcio da profissam para serem bons, isto e, dar boa in- sio, 0 contato com os veteran os e que fonnayao, bern apurada e bern apresen- forma bons professores, bons anal istas de tada, a seus leitores e ouvintes. Escrito- sistema, bons economistas, bons enferres, politicos e pensadores de presHgio meiros e, portanto, tarnbem os bons j orsempre apareceram nos jomais, como urn nalistas. Sem a escola, porem, este aprenomamento, como 0 molho do prato de dizado seria mais lento, mais penoso, mais resistencia que e a notfcia. E a televisao eliminat6rio. S6 os genios nao precisam precisa tambem de gente bonita e inte- do ensino sistematico que se ministra, lectualmente agi!. Mas 0 que a empresa mal ou bern, na universidade . jomalistica pro mete e tern que fomecer Miguelangelo nao fez curso de aos seus consumidores e noHcia correta arquitetura, mas 0 mundo de hoj e necese comentario abalizado da notfcia. E por sita de muitos arquitetos e os que nio esta conseguindo isto? Por que miguelangelos sio raros. Para isso, fotantos equivocos, tanta desinformayio, ram fundados os cursos superiores de tanta incoerencia, tanta irr~sponsabili颅 arquitetura. Por que os jornalistas seriam exceyOes? dade (para nao falar da linguagem pauperri rna, assunto que neste jomal esta a Que hist6ria e essa de que 0 jomalismo e cargo do competente Zuenir) no noticia- atividade ,de qualquer pessoa ~ue saiba

Ana Arruda CaUado

e,

,\

escrever bern pode exercer? Qualquer pessoa habilidosa tarnbem pode construir sua pr6pria casa. Ja foi assim. Vamo~ agora dizer que as escolas de engenharia sao desnecessarias ou, pior ainda, que sao as culpadas por falhas que ocorrem na engenharia (em geral excelente) do Brasil? Acresce que as grandes empresas de engenharia, como as de outros setores, despendem dinheiro com fonnayao de pessoal, enviando empregados para cursos no exterior, financiando estagios e cursos de atualizayao intemos ou mesmo nas universidades. A pr6pria Universidade Federal do Rio ~e Janeiro recebe como alunos de seus cursos de p6s-graduayao em unidades como a COPPE e a COPPEAD, por exemplo, muita gente enviada por empresas brasileiras e mesmo do exterio~. Nao sei do caso de urn s6 jomalista que esteja estudando na UFRJ por conta de sua empresa. E tenho experiencia pior a relatar. Quando, em 1993, a pedido da Funda~ao de Amparo It Pesquisa no Estado do Rio de Janeiro - FAPERJ, organizei urn curso de atualizayao em jomalismo cientffico na Escola de Comunicaylo, fiquei estarrecida com 0 fato de nem uma s6 das empresas convidadas ter concordado em liberar urn jomalista para assistir ao curso de apenas do is meses. 0 curso nllo s6 era gratis, como a FAPERJ dava uma bolsa que poderia servir para pagar urn rep6rter substituto, enquanto o profissioDal selecionado ficasse na C$cola. E nio foram convidadas a dele participar pequenas empresas. Foram 0 Globo, 0 Jornal do Brasil, 0 &tado ck Sao Paulo, a Folha de S. Paulo, 0 Dia, a TV Globo, a Rtidio G1obo, a TV Manchete, enfim, as representantes da chamada grande imprensa. Tivemos, diante da atitude das empresas, que alterar 0 projeto de curso em tempo integral e realizar urn de meio-tempo. Os 15 rep6rteres que 0 assistiram, com sacrificio, porque tinham

6.3

que sair couendo para trabalhar depois da aula, tiveram a oportunidade de ouvir , palestras de 20 renomados cientistas, es- . pecialistas das areas mais presentes no noticiario, e com eles debater, inclusive, os problemas da inacessibilidade das fontes e da clareza da informayao versus exatidio neste genero de jornalismo. SacrifIcio pessoal dos profissionais que queriam aprender e indiferenya de suas empresas, que reclamam da qualidade da formayio do pessoal. Nlo e muito comum, po rem, esse tipo de curso. Depois que recebem 0 diploma, que eles pensam ser urn "abre-te, sesamo" nio s6 do emprego como do sucesso, os jovens jornalistas raramente voltam Auniversidade para ,s e aperfeiyoar. Muitos voltam, mas para fazer a p6sgraduayio com 0 intuito de se fazerem pesquisadores ou professores - ou mes- _ mos bolsistas profissionais, que sio urn ' fato -, e nao para se tomarem melhores jomalistas. E al podemos falar em culpa da escola,- que nao esta atraindo, pelo menos no Rio de Janeiro, este aluno jornalista. Ao inves da empresa dizer que a universidade nao Ihe da profissionais prontos - 0 que DaO e posslvel e Dio existe em pals nenhum -, deve del a se aproximar e com ela tratar da reciclagem e do aperfeiyoamento pennanente de seu pessoal. E a universidade, em vez de coa-, gir seus professores a abandonar 0 mercado profissional, criando a estranha categoria de professor <!e jomalismo que nlo conhece jomal, deveria se aproximar da empresa e a ela enviar professores seus para perfodos de reabastecimento de realidade e atualizayio tecnol6gica, uma vez que nio pode com ela competir em materia de equipamentos, mas tern muito a ensinar em materia de reflexlo. AnaArnxla Callado ~ jomaJista e:

professora cia Escola de: Comuni~ da UFRJ

87 ANOS DA ABI

'} l!.路

Chico Buarque de HoUanda, 0 senador Teot8nio Vilel/a e Evarislo de Ml?raes Filho, na ABJ, em alo publico pe/a anutia, em 18 de julho de 1979.


Falta coerência nesta discussão André Motta Lima Está faltando coerência em todos os lados dessa discussão sobre formação profissional, regulamentação e exigência de diploma. A única certeza que deveríamos ter todos é de que o tema é complexo e que os argumentos contrários podem trazer justas razões. Para um verdadeiro diálogo, só desarmando espíritos e buscando os pontos em comum, sem a pretensão de domínio da verdade. Parece pregação religiosa ou obviedade, mas essa introdução se faz necessária pela nossa tentativa de desarmar também alguns dogmas específicos. A principal crítica feita aos estudantes passa pela falta de cultura geral e de conhecimentos que o sistema de ensino deveria ter provido anteriormente, no primário e no secundário. Como profissional estreitamente ligado a televisão fico à vontade para criticar a excessiva valorização do audiovisual na educação. O velho texto ainda é o elemento fundamental para a articulação de pensamentos e idéias. No sentido mais amplo, a língua. Tomo por base a teoria de Basil Bernstein que, entre outras coisas, lembrava que a relação social cria discursos específicos inerentes a cada papel social. Para passar de um papel social a outro o indivíduo precisa saber articular o discurso. E, sem dúvida, o comunicador profissional, especialmente o jornalista, tem que ser um desvendador de discursos. Aquele “especialista em generalidades” tão louvado pelas redações. Como lembrava Nilson Lage no artigo-conferência “Sobre os incomunicáveis”, cabe ao jornalista desmontar o discurso de manutenção de poder dos conhecimentos específicos, permitindo que um especialista possa entender o outro. E, com a convicção da função social do jornalismo, transformar a “adequação das tarifas à realidade inflacionária” em um evidente aumento de preços com todas as explicações e implicações. É claro que precisamos, enquanto sociedade, melhorar o ensino básico. Até porque, nestes tempos de revolução científico-tecnológica e programas de qualidade total, não vamos sobreviver enquanto nação com o nível de miséria cultural e econômica, é claro - da maior parte de nossa população. Como lembra Alvin Tofler, acabou a era da mão-de-obra barata e sem especialização. Não caberia renegar o estudo aprofundado dos discursos e da comunicação, a especialização enfim, garantido o princípio de que talento não se aprende na escola - mas se aprimora, com certeza. Me parece incoerente da parte dos veículos o combate sistemático à formação específica ao mesmo tempo em que cresce o número de iniciativas de cursos práticos

de redação. Alguns deles com evidente sentido mercadológico. “O jornalismo moderno, mais que qualquer atividade,” receita o anúncio do curso do Grupo Estado, “necessita da atualização permanente de seus profissionais.” Representantes dos principais veículos do eixo Rio-São Paulo, inclusive o responsável pelo curso do Grupo Estado, estiveram reunidos com os representantes da faculdades públicas e particulares numa reunião promovida pela UFRJ e ABI, em outubro de 1993. Uma das recomendações do encontro foi apontar para a necessidade de intercâmbio de profissionais: o homem de redação passando um tempo na escola, ensinando, e o professor na redação, se atualizando. Isso nunca aconteceu e nenhum dos lados pode ser responsabilizado isoladamente. Se existe uma média ponderada - já que o consenso ainda está longe - é possível afirmar que a tendência é pela formação em nível superior. O próprio Grupo Estado - que, justiça se faça, não é dos maiores críticos das escolas - até se vincula a uma delas para afirmar que o seu curso é “o único reconhecido como especialização universitária em jornalismo impresso pela Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero.” Por que então não discutir juntos currículos e mudanças nas escolas já existentes para que elas sirvam melhor? Uma discussão que precisa levar em conta o dado de que os veículos não são mais os principais contratadores da mãode-obra formada nas faculdades. Já se pode afirmar hoje que a oferta de trabalho em

assessoria e empresas pelo Brasil afora, incluindo os pequenos jornais, supera de longe a possibilidade de oferta das grandes redações. Não dá para ter um só enfoque neste debate. Do ângulo das escolas a situação é igualmente incoerente. No ensino público a defesa do curso passa por algumas questões corporativas muito graves. Toda a estrutura acadêmica fica voltada para seu próprio sistema interno de valoração. Doutorado e mestrado passam a ser, muitas das vezes, bem mais importantes que a prática e a experiência profissional. Quem não possua mestrado só pode se habilitar ao cargo de professor auxiliar. Mas se aparecer um candidato com mestrado ou doutorado neste concurso, levará mais pontos na qualificação de currículo e, se vencedor, passa automaticamente a receber salário de professor assistente ou adjunto, conforme sua titulação. A busca de um professor com prática de mercado fica prejudicada. Sem falar que as reitorias preferem medir qualidade de ensino pela quantidade de doutores ou mestres. Nada contra o aperfeiçoamento teórico para quem tenha tempo ou desejo. Mas então por que não viabilizar uma política de contratação de professores visitantes com boa remuneração? Mais grave ainda no ensino público é permitir que as cadeiras técnicas sejam ocupadas por não profissionais. A lei de regulamentação da profissão, tão defendida, diz isso claramente. Cria reserva de mercado também no magistério. Algumas vezes o caminho tortuoso é o de um recém-formado em jornalismo que faz mestrado imediatamente e se transforma em professor de disciplinas técnicas sem a necessária vivência profissional, que era o que a lei buscava defender. Às vezes nem isso: existem casos de graduados em outras formações que se transformam em “comunicólogos” por

DIÁRIO NORDESTE

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conta dos mestrados e doutorados. E ocupam cadeiras que a própria regulamentação profissional não permite. No ensino particular os problemas se agravam. Não foi à toa que as escolas de comunicação se multiplicaram, no bojo da interação mundial e do deslumbramento da juventude. São grandes e lucrativos negócios. E, como negócio, a análise passa pelos números. Uma faculdade particular do Rio de Janeiro cobrava, no início do período letivo de 95, a mensalidade de R$ 220,00. Um aluno costuma ter cinco a seis cadeiras por semestre, com uma carga horária de 2 a 4 horas. A remuneração líquida mensal de um professor por cada 4 horas/aula semanais, incluindo correção de provas e preparação de aulas, ficava em torno dos R$ 150,00. Ou seja, a mensalidade de 5 a 6 alunos de uma turma paga os professores. Que outro tanto cubra despesas administrativas, teremos 12 ou, no máximo, 15 alunos bancando os custos. E o tamanho das turmas não fica nos 20 a 25 recomendáveis para a boa qualidade do aprendizado. Algumas turmas beiram os 50 alunos inscritos. Dá para perceber que é possível uma boa qualidade de ensino. Que é possível remunerar bem profissionais que estejam no exercício da profissão. Só não é possível continuar escondendo uma realidade que os alunos - eles mesmos, os focas tão criticados - levantaram através de pesquisa da Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social: mais da metade das escolas habilitadas, públicas inclusive, não atendem às exigências mínimas do antigo Conselho Federal de Educação. Faltam equipamentos, laboratórios, jornais de aprendizado - falta vergonha. André Motta Lima, jornalista e professor, é conselheiro e responsável pelo Departamento de Intercâmbio e Divulgação da ABI.


mas em praticamente todas as grandes empresas, existem assesso" rias de imprensQ.. Muitos jornalistas montwam seus proprios ser:vir;os, denominados de empresas de comunicar;iio empresarial. Terceirizados, eles empregam muitos 'frilas: com umfaturamento de mais de 81 milh5es de dO/ares no ana passado.

Fortalecidas no tempo do regime militar parafuncionar como ji/tro de informa¢o, as assessorias de comunica¢o sao hoje um neg6cio rentavel, um mercado de trabalho queja supera os empregos das ret:/afoes, onde p~rmanece 0 conflito entre colunistas e assessores em busea de notinhas. Nao existe estatistica especifica

Assessores viram empresas lucrativas Quase todas Iideradas por profissionais que embarcaram na onda da terceiri~io. as empresas prestadpras de serviyos de comunicaylo - essencialmente assessoria de imprensa e edjtor~ - nlo chegam. em sua grande maioria. aos 1 i) anos de vida. A Associaylo Nacional das Empresas de Comunicaylo Empresarial. presidida pelo paulista Mauro Wu. preve existirem atualmente 400 empresas deste tipo em todo 0 pais. com urn faturamento de USS 81,2 milh3es em 94 - urn crescimento de 33% em relay!<> a 91. quando esse mercado faturou USS 61.2 milhoes. Para 9S as empresas estio otimistas: esperam urn crescimento de 30% em relaylo ao que foi possivel faturar em 94. . Sio previsoes pr6ximas da realidade obtida pel a amostragem entre os 86 filiados da ANECE. em sua maioria (66) sediados em SAo Paulo. Anualmente a entidade se preocupa em realizar pesquisa detalhada do setor, 0 que permite apontar urn crescimento no faturarnento medio de 52,6% em relayio ao perfodo anterior, aumento significativo que. no entanto, ainda nAo resgata 0 grande mo~ vimento de 1990 (USS 225.7 mil) e 91 CUSS 204 mil) contra os USS 202,7 mil do ano passado. Pela pesquisa constata-se que os honorarios medios cobrados para serviyos de assessoria para pessoas juridicas sAo de 3 mil d6lares enquanto as pessoas flsicas pagam cerca de mil d6lares por meSo

Evolu~io

do Faturamento ,

ANOS

USSmil

1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994

129.0 199.5 225.7 204.0 112.4 133.4 202,7

Numero de empregados-f categorias e media de sahirios 'NUMERO DE EMPREGAOOS

%

-54.7

2,4 0,2 3,0 3,0 0,5 0,3 0,7 1,1

13.1 -9,7 -44,9 18.7 52.6

o sistema de cobranya mensal, com contratos anuais. e 0 predominante na relayAo dis empresas com seus clientes (28,6%). cabendo ao serviyo eventual urna participayio de 26,8%. o crescimento do setor se manifestou tambem na adoyAo de novos serviyos.. tais como'.o mark~ting "olftico, telemarketing e os 'clippings' eletr6nicos e de midia impressa, com 0 aumento para 10 no nfunero medio de clientes"onde predominam ·as empresas nacionais (62%) e as entidades de classe (13%). As empresas buscaram reduzir os espayos flsicos ocupados mas aumentaram os investimentos de informatizayao: 96% das pesquisadas funcionam com computadores e impressoras. Todas possu,em aparelhos de fax. Os sahirios praticados pel as empresas estlo acima da media do mercado para varias categorias e atividades. Evidentemente, na media dos 12 empregados por empresa, a maior participayio na folha e de jomalistas, com urn salario medio de 1.200 reais. (Andre Motta Lima)

JORNALISTAS FOTOORAFOS ADMINIS1RAnvo OPERACIONAL RELA<;x)ES PUBLICAS CLIPPING PUBLICITARIos FREE LANCER

650 a 2.000 600 a 1.000 140 a 1.500 14Oa1.500 500 a 1.500 140 a 250 280a 1.500 300 a 2.000

Servi~os

mais solicitados por novos clientes

SERVICOS ~S SOLICITADOS

%

Assessoria de Imprcnsa

100 48 36 32 20 12 36

Edito~

. ReI~Oes PUblicas Eventos Clipping Publicidade . Outros

MEDIAIRS

Servi~os

1200 750 360 360 850 200 750 850

de terceiros

TERCElRIZACAO DESERVICOS

%

Fotograficos Graficos Clipping Midia Impressa aipping E1etr6nico Audio-visuais Equipamentos (aluguel) RAdio Escuta

84 80 80 80 28 28 16

/'

Servi~os

prestados-pelas empresas PAIlTICIPACAO %

EsPECIFICACAO oos SEll V1COS

Assessoria de lmprensa Eventos Editora¢o ReiayOes Publicas Publicidade institucional Promo¢o Clipping elelronico Clipping impresso Marketing politico Pesquisa Treinamento QuirOS

.l.222

.l.22.4

100

1~

100 60 68 48 24

20

-

20 27

8 24 20 16 24 36

47 60 47

-

-

87 ANOS DAABI

No conflito das notas vale a credibilidade Pergunte a urn jornalista que tenha trabalhado em redacrlio durante a epoca da ditadura militar 0 que ele acha das assessorias de imprensa e voce certamente ouvira opinioes nilo muito agradaveis. Naquela epoca, de controle rfgido da informacriio, as assessorias eram as (micas fontes permitidas, atendendo a demanda por noticias atraves de famosos pressreleases. Esses poderiam ser secos e com poucos dados, ou longos, enrolados, mais parecidos com propaganda do que com

SALARJos EM RS

CATEGORIAS

noli cia. Em ambos os casos. nao atendiam as necessidades do rep6rter. Hoj e a situayio nao e rna is a me sma, mudou a funcrao do Assessor de lmprensa, mas muito do ranyo contra releases continua. Mas 0 que e urn assessor de imprensa? Como diferencia-Io do relacroes publicas, por exemplo? No emaranhado de leis que ~egulamentam as profissoes, existe uma diferencra entre essas habilitayoes, mas, na pratica, elas se misturam. o Manual de Assessoria de Imprensa.

Campanha nacionalista em defua do monopolio uta tal do petroleo no auditorio do 9- anda, daABI em 6 dejulho de 1987. /

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editado pela Fenaj, define Assessoria como sendo “o serviço de administração das informações jornalísticas e do seu fluxo das fontes para os veículos de comunicação e vice-versa”. Os demais contatos da instituição com seu público em geral( clientes, no caso de uma empresa) , seriam feitas pelas relações publicas. Além de manter o diálogo da instituição com a mídia, a Assessoria de Imprensa cuida de uma série de produtos específicos, como jornais internos, revistas, produção de vídeo, etc. A grosso modo, o Assessor de Imprensa tenta fazer com que a entidade para qual trabalha apareça ao máximo na mídia, ao mesmo tempo em que levanta tudo a ela relacionado que apreça nos meios de comunicação (press-clipping). De acordo com o manual da Fenaj, o AI “interpreta crítica e seletivamente o mundo exterior para antever objeções, inconvenientes e mal entendidos que possam atrapalhar alguma ação planejada pelo assessorado”. Para Terezinha de Fátima dos Santos., gerente de Comunicação Social da Golden Cross, o profissional de AI é uma pessoa constantemente preocupada com sua credibilidade junto às redações. Aliás, o AI sem credibilidade não existe, passa a ser evitado pelos repórteres. Como a maior parte dos assessores de imprensa, Terezinha trabalhou em jornais, mas mudou-se para Assessoria por questões bem pragmáticas: dinheiro e horário de trabalho. Enquanto o repórter comum não tem horário fixo e, geralmente ganha mal, o AI de uma grande empresa trabalha no horário comercial e é bem remunerado. Segundo pesquisa realizada pelo Conjai (Comissão Nacional dos Jornalistas em Assessoria de Imprensa) em 1993, um assessor de imprensa ganhava em média quatro vezes mais do que um jornalista de redação. Sérgio Gramático, ex-repórter do Jornal dos Sports, ex-redator de O Globo e atualmente trabalhando na Prefeitura do Rio, acha que a assessoria é o caminho natural de crescimento profissional. Segundo ele o número de veículos ao invés de aumentar, tem diminuído, o que torna o mercado muito competitivo e muito difícil a ascensão nas redações. “Só matando o redator- chefe ou o editor”, brinca. A pesquisa do Conjai, feita através dos cadastros dos Sindicatos de Jornalistas, demonstra que 60% do mercado de trabalho na área de jornalismo está nas assessorias. Mas não é só o estreitamento do mercado de trabalho e os baixos salários que estão levando cada vez mais profissionais para as assessorias. De fato, as empresas estão tomando consciência da importância de utilizar a mídia como canal de propagação de seus valores e atividades. Para tornar eficiente esse relacionamento, é necessário que dentro do quadro de funcionários da empresa exis-

tam funcionários que entendam a dinâmica dos meios de comunicação. O perfil do Assessor de Imprensa é mais ou menos esse : já trabalhou nas redações dos principais jornais, não ficou satisfeito com os salário, achou que trabalhava demais por muito pouco e acabou optando por ficar “do outro lado da notícia”. É claro que essa não é uma regra geral. Existem profissionais como Cristina de Aguiar Tavares, assessora da Fiocruz, que nunca trabalharam em redação. Aliás, o trabalho de assessoria em uma entidade como a Fiocruz difere em muito do trabalho de um assessor de grande empresa . Enquanto Cristina se preocupa em divulgar informações sobre prevenção e cura de doenças através de programas de rádio e telenovelas, o assessor de uma empresa quer saber quantas notas ele vai conseguir plantar nas colunas. Para a Fiocruz aparecer na mídia não significa mais ou menos contratos, enquanto que empresas precisam de divulgação para sobreviver no mercado. É justamente nesse ponto que está o nó da relação entre o profissional de AI e seu colega de redação. O que a notícia e o que é publicidade? Um exame detalhado das colunas de economia dos principais jornais pode revelar algumas notas meio estranhas, meio sem sentido. Mas, entendendo o relacionamrnto do assessor com o colunista, tudo se esclarece um dia, um assessor oferece um grande furo a um colunista; este por sua vez fica “devendo uma” ao assessor. Dias depois, o assessor cobra o favor e aparece uma nota meio sem sentido no jornal. É um toma lá dá cá simples, mas que exige confiança. Quem tentar vender gato por lebre fica queimado e praticamente excluído das principais colunas. Para Ancelmo Gois, da revista Veja, o Assessor é alguém tentando vender uma carne com osso. Para que o colunista engula o osso, é necessário que venha também um pouco de filé-mingnom. As distorções que ainda ocorrem na área de assessoria se devem as falhas do assessor ou do repórter, e não da profissão em si. Para Fernando Thompson, do Panorama Econômico (O Globo), há assessores que se sentem com o poder sobre a informação. Esses, ao invés de ajudar na divulgação da notícia, impõem uma série de dificuldades. São os bequesde-notícia. Prejudicam a entidade, que acaba não aparecendo nos jornais . A não ser que trabalhem para o governo, acabam na rua. Claudia Morretz-Sohn, do JB, aponta outra falha. Há assessores que, em vez de darem acesso à fonte, fazem eles mesmos as entrevistas e depois oferecem um resumo ao repórter. De acordo com manual da Fenaj, erro crasso. No lado das redações, há jornalistas preguiçosos ou com muito espaço e pouca notícia. Esses aceitam tudo das assessorias,

propiciando um verdadeiro varejo de “notinhas”. De um modo geral, se exercida de acordo com as normas da Fenaj, a profissão de assessor de imprensa tem tudo para deixar de lado o estigma de censura. E, junto com ele, o preconceito de que quem trabalha em assessoria é jornalista de segunda classe. Teodomiro Braga, do Informe JB, apesar de utilizar muito pouco o material mandado pelos Ais ( cerca de 50 fax e 40 telefonemas diários),considera o trabalho muito válido. Para Ancelmo Gois, os assessores merecem muito respeito: “É bom ter gente do ramo perto das fontes geradoras de notícia”. E como à cerca de dois anos ,

um assessor do Palácio do Planalto teve a idéia de divulgar um pacote econômico no sábado porque, de acordo com ele, os jornais de domingo são maiores e poderiam dar mais destaque à matéria. Ignorava o fato de que as edições de domingo são fechadas ao longo da semana. Não tivesse comentado o fato com o jornalista, teria incorrido no erro. Realmente, sem assessoria, muita informação relevante deixaria de vir a público. Hoje, Assessoria é antes uma ajuda à propagação de informação do que um filtro de notícias. Dependendo, é claro, dos profissionais, sejam eles assessores, colunistas ou repórteres. (Humberto Medina Coeli)

Conceito de assessoria de imprensa é o mesmo dos tempos de ditadura Milton Coelho da Graça O conceito de assessoria de imprensa ainda é, lamentavelmente, o mesmo dos tempos do autoritarismo militar. Assessor de imprensa ainda é cargo de confiança do dirigente, ou seja, ele é nomeado para passar aos meios de comunicação aquilo que for conveniente ao dirigente. O primeiro presidente da República a ter um assessor de imprensa foi Jânio Quadros. Ele nomeou Carlos Castelo Branco, nosso modelo maior de jornalismo, tanto do ponto de vista da qualidade como de isenção. Três anos depois veio o golpe militar e as assessorias de imprensa se espalharam por toda a estrutura de governo. Tinham a missão de passar o “prato feito” aos jornais, substituindo a censura prévia. A restauração democrática ainda não trouxe, mais de dez anos depois, uma revisão desse papel. As assessorias já deveriam ter sido extintas e substituídas por núcleos de informação pública - órgãos de Estado e não de governo com a missão de fornecerem todas as informações solicitadas pela imprensa ou pela cidadania. Minha primeira tarefa como responsável pela comunicação social da Prefeitura do Rio foi discutir esse novo papel com os companheiros das diversas assessorias. Devemos ser as vidraças, por onde a cidadania possa ver o que acontece na máquina do Executivo. E os repórteres dos jornais - mesmo representando os veículos mais irresponsáveis ou mais mal-intencionados - devem ser entendidos como embaixadores dos contribuintes, da cidadania, com o direito de receber a mais completa e clara informação. O sigilo ou a sonegação de qualquer informação somente podem ser justificados pelo próprio interesse da cidadania. A capacidade de fazer esse julgamento de maneira correta é a marca principal do dirigente democrático, aquilo que mais o diferencia de um dirigente autoritário. É claro que, com assessores de confiança dos dirigentes e não funcionários de carreira, essa mudança de papel não é fácil. Na administração Cesar Maia, ela só é realizável porque o próprio Prefeito a apóia decididamente. Mas é fácil perceber que o ranço do pensamento autoritário ainda está presente em muitas áreas. Também não se pode deixar de levar em conta que o nosso corporativismo, cevado pela legislação do Estado Novo, de inspiração fascista - desde o incompreensível registro profissional no Ministério do Trabalho até a irrealista

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jornada de cinco horas (menor que a dos trabalhadores em minas de carvão!) - ajuda a impedir o aperfeiçoamento da democracia no mundo da informação. Como - argumentou recentemente um respeitado teórico da administração - podemos pensar em criar um quadro permanente de assessores de imprensa, que teriam direito a trabalhar menos do que um professor, um médico ou qualquer outra categoria profissional? Qualquer um de nós pode também argumentar: por que devemos abrir mão de nossos privilégios, enquanto a propriedade e o controle dos meios de comunicação também ainda não entraram na era da democracia? Nos Estados Unidos, a lei defende o pluralismo da informação - por exemplo, rádios e tevês não podem pertencer aos proprietários de jornais da mesma área. Na Grã-Bretanha ou na França, seria impensável a permissividade ou a leviandade informativa de algumas de nossas emissoras. Enfim, estamos ainda muito longe de implantar a democracia no Quarto Poder da República. E, nos outros três poderes, a distância é ainda maior. O maior mentiroso deste país (lembram-se? - como porta-voz de Médici, ele dizia que não havia meningite no país, enquanto milhares de crianças estavam internadas nos hospitais), chegou a presidente do Tribunal de Contas da União, porque o povo, neste país, não tem o menor controle sobre o órgão que controla todos os outros. Os membros do Judiciário, do Congresso, das Forças Armadas, da Polícia, das empresas estatais e até da Orquestra do Teatro Municipal, também defendem vantagens e mecanismos legais que os coloquem acima dos outros 155 milhões de pobres mortais brasileiros. Alguns felizardos vivem pra cá e pra lá entre o Banco Central e os bancos privados, carregando consigo informações que valem dinheiro e poder. E as brechas da Lei - que, após 105 anos de República, ainda guarda o carinho das Ordenações Reais pelos barões, marqueses e duques - ainda permitem que muita gente saque mensalmente dos cofres públicos até 500 salários mínimos! Garantir as liberdades civis, acabar com os privilégios, oferecer a todos as mesmas oportunidades e assegurar a igualdade de todos perante a Lei. Esses são os princípios de uma democracia, de um verdadeiro governo do povo, pelo povo e para o povo. Mas ainda temos de trabalhar muito para chegar lá. Milton Coelho da Graça é jornalista, Conselheiro da ABI e, atualmente, Secretário de Governo da Prefeitura do Rio de Janeiro.


Uma lamtntavel/alha ';0 eorrldo proetJJO de /echamento da edif40 "peeial do JtJf1UIl uABIImJHdill a Iticltu40 th Femando BarbolaLima }tiff0 QO..f attIgOl brleladol na pQglIUI 37. Femando, filho de Bar60la LImo Sobrlnho, tem IImQ hLrtorla de 1YalJuIf~ e lfICeuo na televU40 e IfIQ coIabol"Clfl/o n60 poderla Mgada QO..f kltoru. Acaboll dutocada,

It,.

o ·PQder da TV Fernando Barbosa Lima

Uma crian~ brasileira assiste, em media, 6 holas de televisao por dia Isso signitica mais tempo diante de urn receptor de TV do que na escola, junto dos pais ou amigos. Hoje a noite mais de 100 milh5es de brasileiros vio estardiante da TV. Um ponto no mOPE significa mais de um milhao de pessoas. Para 0 povo brasileiro, de mvel cultural extremamente baixo, a TV representa 0 mais poderoso veiculo de comuni~ de todos os tempos. A televisao sabe tudo. Esta nos grandes estadios, filma em ·big close reis, rainhas, princesas e presidentes, navega no e~ a bordo de grandes naves, caminha dentro do c:orpo humano, participa das grandes guerras no mundo inteiro, etc... Faz 0 nosso povo rir e chorar num mesmo programa ou capitulo de novela Quanto mais pobre e humilde ea popuI~, mais poderosa ea televido. No Bra-

litera/mente. Ma:J n40 jiCOil uolado na:J del CllIpa3 fIIle devemol. JIillarBOar Coma, ali", th 10"",. eo"; a grafta do nome, ,,40 t",. me1tClo"ado em Itll artigo da:J paglncu J8 e J 9 a earacterLrtica de 1f40 It,. 11m tuto de Ilia aldoria, m~ 11m 11m depolmento, ·1TVuado por ele, a Hllmberto Medina Coeli. Mau lima W%. delell/pe Mlla/alha (A"drt Motta lima).

sil, com a ditadura militar em 64, ficou decidido que a TV seria 0 grande veiculo de comunica~ao do poder. Poi criada a Embratel e junto com ela fortalecida as redes do Rio e de Sao Paulo, mais f3ceis de controlar. Com isso se matou a nossa cultura regional. Logo em seguida, os militares criaram a Zona Franca de Manaus com a finalidade de produzir "no Brasil" aparelhos de Tv. . As redes nacionais, alem de receberem financiamento especial para a compra de equipamentos, tiveram do governo militar mais de 70 por cento das veroas de publicidade. Enquanto grandes jornais como 0 Correio da Manhi, Diario de Noticias, Correio do Povo e muitos outros, deixavam de circular, as redes cresciam e prosperavam. Durante quase trinta anos 0 nosso povo sofreu uma verdadeira lavagem cerebral. A televisao vendia a imagem do nillagre brasileiro. Uma fantasia colorida. Chegamas aver novelas onde um b6ia~fria analfabeto, Sassa Mutema, chega a prefeito de sua cidade e se prepara para ser presidente como um legitimo salvador cia Patria. Vivemos uma fase de grande alien~

politica e cultural. Durnnte esse tempo a TV, com 0 poder que tem, poderia ter alfabetizado todo 0 nosso povo, poderia atfa,. yeS cia medicina preventiva ter salvado milhares e milhares de vida, poderia ter criado um espirito de nacionalidade e confian~ no futuro brasileiro. Ainda vivemos .na nossa TVa ressaca da ditadura. Isso so podera ser curado quando 0 nosso Congresso eompreender que, pelo menos 30010 da TV cleve ser produzida regional mente. Trinta por cento deve ser uma produ~ totalmente independente que permita uma televisao mais democritica, mais criativa , mais brasileira. A nossa TV, por muitos anos, esteve ·a servi~ de uma ditadura. Hoje, ela esta a servi~ dos anunciantes, como se fosse urn grande bazar ou supermercado. J3 etenlpo de termos uma televisao que saiba colocar 0 interesse pUblico acima do interesse comercial. Uma TV que tenha a coragem de ver, do outro lado de sua tela luminosa, 0 rosto sofrido de seu povo. • Fcmando Barbosa Lima c diretor gcnl da Recle M.nchete.


AJAP· A ~ BlUiJcira de AceDt ciu dil'royapDda IalLCOIIlculbjeiiw COlI gar u ~ciu oa defca de Mill ' tcfcua e • prmoptiVu.' Foi Cwldada 00 primeiro dia de ~de.1 ~9.,e tem hqje'200 .gbeiu UIOCi· &das; trc elu apau de pcqJleno. medio e grande portes. 0 IIlUaI pceaidente cia ABAP 6 Rot.c.1o DuailIbi, cia OPl. 0 telefooe cia ABAP t (011)252-6966. ABECOM • A Associ&flo Bruileira de Eacolu de Comunicaylo Social foi eriada em 23 de janeiro de 198-4 Da eicWk de BrufliL A entidadc conare" 70 facuJdadea, depaI1amai' tos ,; CUlIOI de comuni~ aocial. Os princi· pai$ obje!ivos cia ABECOM 110 promover 0 in· terclmbio de eSlUdo• • pIIb/i~ e dado. aI' trc u ftIiadu. realiDr utudos e propor $0111¢es para 0 delenvolvimcnto e a mdhoria do

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Edsoo Se enine de A,war. O-telefon da ABECOM 6 (021) 599-7169. ABERT • Auocl~ Bruileira de f.mi5. $OI'U de JUdio e Tclevido lc'IC ioIcio a 26 de DOvembro de 1962,lutaodo COD~ a atat/7~1o do ridio c cia televido propoIla pclo aItIo In- • • idcnte cia repUblica Jolo Goulut. Scu prime/. I'D pRlldcnte fol Jolo Calmoa e 0 atuaI']a. quim Mcudoa~. AABEllTtem 1.736 emillCXV...OcIadu. 0 telelooccla eotidadc 6 (061) 224..uoG. ANECE • Associ~ Nacional cia Em pro. IU de Comuni~ Empresarial foi 1\mdada em 1986 vi undo eon,re,&I .. ontid.du especializadu em UICUOria de imprcnsa, or·

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Militanle: demonstre, pot a + b + I leU apolo Jomal/sla, propondo um novo sOclo.

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"oiuodo eveoto •• 'malliol" fuendo pcsquiau e daodo a.uiJl!ncia tecaica cjuridica 1OI16ci0i. TambOm reallza cunos para apri. m~en~tecaico. ~~=te~o

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_ . . -. diri,eata • pcofwiollliJ, contribuindo~a~.o~cotodo Idore cia cJ-. 0 _I11III pmidcnl.e6 MIura

Wu. 0 OWoCl'O do telcfooe cia ANECE 6 (021 ) 240-5905. ANER. ~ Naciooal de EdiIOlel de RevisIu foi COIIIlitWda oficialmeule _ doDlDbro de 1916. _ _ adaIo daJ dcz princi. pail edi~ru de reviltU do pall. Hoje aiAom 26 editaru uaooiadu. 0 objetivo cia ANEll' defeader 01 int.weua dna editoru de rwvUtu, tanto Da eaten Ilpaladv. quanto DU qualOa rdadoaadu _ comioa, im~ de papel • damaiJ lIIprimeDIGIo,lImbCI. ",,' di.6l0c0 COlD outru eotldadeJ do MtDr. Sou atuaI pruidentc 6 Thomaz Souto Conta. 0 telefooe eIa eotldade 6 (061) m-5Wi. ANJ • A Associ~ National dol lorui. fol fundIoda 17 dellOJlD de 197gehouu· tutela poe emprau jornaIblicu. Em 1916aua sede fol trIIIlfcrlcla do JUo de 110.0 para BraaI1ia. 0 objetivo eIa ANI , aarantir ... im. preaa _y...CDle for1&, CIpIZ de c:n.um ambieote propIc:io , caaJGljdarJo cia mail pia tibcrdadc de..uc~ do pmH"'all!' DO pal.. AtuaI _te Ii CDtidade , pnsidida poe hulo CabnI de Arailjo. do Correio Brazilieoae c pouui 95 I6doa. 0 telefooe eIa ANH (061)

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CONAR - 0 Coue1bo }Uciooal de Auto-

repJam~ PIabIleitiria rot fundedo em 5 de

lllaiO de 1910 •• pruldido poe lvan Pinto. Os objetivol do Caw 110: zclar pel_ COlDuoica~ comerciaI JOb todu u fonnu de JXOPIIID' cia, funcioaar como «,10 judicante oo.litJpo. ~ oC_ aueuoria tk.aica aobre Mica pIIb/jcitUia, divulpr os pciDc:lpiOi do C6diIO de Auto-reaulUDCIl~. IIlIar como i.nstn&mento de cooc6rdia no tmivcrJO de pcopapnela 0 dofender a tlbctdade de cxpcessJo _ercW . Atua1mCllte 0 Courtem 251 ,,&leiu auociaduo 0 tel.fooe do CONAR , (011) 251-7611 . CONFEIU'. 0 Cocuelbo Fedcnl de ProfwiooaiJ de ~ Pl\b/ica Coi I'uodado a II de IdaDbro de 1969 e tem como objctiYOI diJCiplinar e fucaliwo cxerclcio cia profiuIo, juJpr _ du dccisOa tomadu pc 01 Cal$Clbas ReponaiJ e promOVCf estudos e cool.. raaciu. Existem $CIe ConseIhOI Reponai. de Proliuionai. de R.el.~s PUblica. 0 telefooe cia entidade' (061 ) 224-31&3 . FENAJ • A F~o Nac:iooal dos Jornalistu Profwiooals foi 1\mdada a 20 de selem· bro de 1946 • repR$COla ccrca de 25 mil joroalisw e 31 sindicatOi cia catcgoria. 0 objctivo cia enticlade' lutar pel. melhoria das condi~. ~ trabalho e wUio e $C.US assoeiados e dOl Irabalbadores em ,cral, combatcndo desigualdades econ~lcu " sociais. em busca cia justl~ e de umaJloVlloealidade para 0 pal •. O.tual peelidente cia FENA16 Americo cesar AoIUDCfo telefoDC cia entidade 6 (061 ) 244-0SlI .

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Nap de!xs, entoo, Informar , 0 ABI tarla/T ~sourqrla), mpo, 0 seu -Bo.,vO Q ~ Eylte que nossa cac;oo com 0 ,' e;;$S5 assoclaao sofra q de contlnuldode. J

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vezes, de 1919 a 26. Efai ele.tquem articulou q PQsse de Barbosa , LimaSobrinho ~omo seu suceSsor. Fazendo e exercendo·a politiea .sem abandonar 0 exercfcio dacritica.mordaz. E 0 que mostra ' Amorim, charg4ta diana do Jomal dos Sports, no Rio de Janeiro, ,mantendo a tradi¢o'ckAlvarus; apesar~e seus 30-anos.'qe' ii:Jade.

" AIvarus, come/heira da ABI e um -estudioso daf07fD,dapIricatu':, ra, iniciou em 1979 a tradi¢o ikdu/inar a UItima~' a essa " conjuga¢o de arte com politica. Um ~Jlri.!!.I!~ afriilUentar a capo dosjomais, no infcio do seculo, ~ J?~irasfoi 0 ~ico homem do trOfO a asswnir 0 poder comopresidente daABJ, qUatro . ....... ,.~

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tolas, espartilhos e que andavam de bono" 'sa pCI~ paginas d'O Men;;Urio. ·~SOb i . des el~cos ou puxa40s a cavalo. Enfim,fl¥encia do entio Mestre Juli~~bado;: r' - eitQtic;,'S~'com ritmo' de vida; IC?go destacou-se por seu humo~ICvc;pelo ~ Certos (mas com umpe atrAs) de,que tcom leni sUficiehte,~pra 'chegarem-atra- 'trOcadlIh() descompromissado, porem sar~ ~ . atravessamos uma onda de revital~ Sid ,~ . " ~,f"o '!:' • " ~. cUrlCO e~ 0 b"~efIVO. ~ E i " . ~ ~, _ os"a seus COmproIDlSSOS... n 0 parou DWS, ral ;' dacidadedoRio,nadamaisoportunoJc;m'" ;r ERiUl'Ndemeiras'estava hi para prebiscandotodos9speri6dicosdaepoca,sen,;, brarmos que 'essa terra ja foi habitada por ' senciai'tO<laS IS' inudari~ ' de ~ostume d'c, com~ que no mesmo dia publi~m /.: amistosos ~vos:-, Nativos_que ~'~-",:~dteste~~~'~~~o, ja ~ue' em 189,~.. . ~a c~8rge' e~ dois jo~ais sobre 0 mes~ It vam tan~ ou cocares, mas ex6ticas car-- . entroU~~cac~c.!tamadt~!Dpren- mo ~m~: E ao...contrluio do que se apre-

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Bacharel em Direito e professor de Belas.:.irte,s; Raul;' antes de tudo, foi jomalista, sendo um dos pioneiros desta Associa~aoBrasileira de Imprensa, chegando a ser inclusive um de seuspresi~entes (fato r~io -um hu~orista concordar 'em ser presidente de alguma coisa, .J.r mas leve-se em conta que Raul cheg~>u ~ ser ate .delegado de poHcia d~rll1jte certo" periodo no governo Cam' p os t.ol.... • Sales). ' Pu~li~ou com grande s~cesso a coletAnea. ~Scenas ' da Vida Carioca", ~ f",,"'I;" I pn4~ l.egi~trou com talento 4!1' co 0 dia~~dia'deste povo que, ao que parece, nlio ..q:.~. ,,~ .'}'c.. perce~e~ 0 tempo passar.} ~fJnal, es~o todc;>s, espalhados p~r l!f atc..,hoje. . 'Por isso, e importante relembrarmos ... r r-' , " .o ~.j11 neste'mQmento, Pois, quando aldeclara aos\ .ventos 0" carster sadguem \ t. . "¥.' 0' . • rico'c- bem-humorado 40 Rio; nao quer lii;er: que 'as,outras cidades nag possuam essa caracterfstica. A diferen9a esta po:fato de qu'e aqui semple houve, seja plSl;p~ginas ' dps jpmais ou nas nossas CPM Ccudcio do~ , esquinas tortas, alguem:..para nos -IemI'jornlllisMo '\ prar disso. ' ,,' , , ~ ":>

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Jornal da ABI - Balanço da Comunicação  

Jornal da ABI - Órgão oficial da Associação Brasileira de Imprensa Ano 43 - Abril de 1995 Edição Especial de Aniversário (nº 247)

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