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Bike n.º 199

Outubro 2013 l Mensal l PVP continente 3,95€

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o vídeo do teste Berg Trail

magazine

EUROBIKE

NOVIDADES

2014 O futuro é agora!

Oferta de voucher Hotel Inatel Piódão

testes

+

RCZ|Race 27.5 SL Berg|Trail EX 6.0 4 produtos Reportagens

Maratona de Lisboa / Douro Bike Race Transpyr / TransRockies 74 www.bikemagazine.pt

ISBN 5601753001303

Escola Bike Provas épicas (primeira parte) Aprende a arte de pedalar

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Eurobike

Texto: Carlos Pinto Fotografia: Luís Duarte

b Friedrichshafen

venha 2014! A Eurobike é a maior feira do setor das bicicletas e derivados, mas o seu espetro não se resume à presença de empresas do velho continente. Ano após ano os pavilhões esgotam e as marcas portuguesas também já têm o seu espaço, neste concorrido setor de negócio.

P

ara termos a noção da dimensão desta feira, basta referir que Angela Merkel esteve presente no dia inaugural, dando um sinal claro de que este setor é crucial na economia alemã. Para além disso, os números impressionam: no Eurobike estiveram mais de 45 mil visitantes (lojistas, importadores ou agentes) de 111 países, contra os 43.700 do ano passado, e mais de 20 mil pagantes no único dia aberto ao público. Em termos de meios de comunicação social, 1.883 jornalistas de 45 países estavam acreditados.

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Tendências

Mais do que uma feira onde se dão a conhecer os novos modelos da coleção 2014, esta feira permite perceber de antemão quais serão as novas tendências para o próximo biénio e em que direção caminham as marcas. Por exemplo, todas as principais marcas aumentaram as suas gamas de bicicletas elétricas. Outra das claras tendências é o crescimento do número de gamas com rodas 27.5 polegadas. E, para além disso, como já há mais marcas a produzir rodas, pneus e suspensões próprias para esta medida, os preços baixaram

– tal como aconteceu com as 29´´fazendo com que seja agora muito mais acessível comprar uma bicicleta com este tamanho de roda. O terceiro ponto que queremos destacar é a introdução da tecnologia wireless aos comandos das suspensões e luzes. Tal já estava disponível nas câmaras Gopro, mas agora entra em mercados até agora desconhecidos. Fica com as novidades mais importantes já a seguir e se quiseres dá-nos a tua opinião sobre as inovações e modelos apresentados através do nosso facebook.


Abus Este é o capacete mais vendido da marca em Portugal e também o topo de gama. Está disponível em cinco combinações de cores diferentes, a pala é amovível e não tem furação, conferindo um aspeto limpo. Deste modo tanto pode ser usado em BTT como em estrada.

Assos A marca suíça de vestuário continua a crescer e, ao contrário de alguns dos seus concorrentes, apostou mais na divulgação do vestuário de inverno, com incidência no casaco Campioníssimo. Este modelo conjuga um conjunto de diferentes tecidos de alta qualidade, com parte frontal que retém a entrada de água mas que não descura a respirabilidade e a ergonomia. Os materiais laterais e traseiros são superelásticos, leves e confortáveis.

BBB Os holandeses da BBB continuam de pé e cal a oferecer uma quantidade enorme de produtos com várias cores e com uma relação preço/qualidade elevada.

Alpina Adidas Estes calções da Adidas são elásticos, o seu tecido seca rapidamente, possuem um almofadado interior destacável com painéis em rede e a traseira é mais elevada para evitar a entrada de lama ou detritos.

MARCA

NACIONAL

As cores aguerridas estão na moda e a Alpina, uma das marcas europeias mais bem cotadas ao nível da qualidade dos seus capacetes, aposta agora nesta característica gráfica. Em exposição estavam os novos modelos Elexxion RC e XC com entradas de ar massivas, mas também o E-Helm Deluxe com luz traseira e capa para a chuva. A marca tem também uma agradável coleção de óculos Pro Line.

Bell Stoker é o nome do novo capacete de All Mountain e Enduro. Mas não é só nestas disciplinas que os engenheiros estiveram focados. Para BMX, o Transfer 9 demonstra o ADN da marca derivado do motociclismo e DH. Destaque também para o Intersect com design clássico e conforto elevado.

Berg A marca comercializada em Portugal exclusivamente pelo grupo Sonae já está presente no mercado polaco, norueguês e italiano. Mas novas portas estão prestes a abrir-se um pouco por toda a Europa… e não só. Em termos de novos modelos, existe uma bike de Trail com 120mm de curso e rodas 27,5 (também existirá com 150mm), caixa cónica e com preços diferenciados, tal como as montagens. Também na área dos componentes e vestuário há novidades, como um novo capacete para Trail, mochilas leves, ergonómicas e a preços acessíveis e ainda roupa com nanotecnologia.

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Depois de ter participado em diversas competições por etapas um pouco por todo o mundo, para mim agora não basta simplesmente riscar da lista ‘’mais uma’’. Têm de me cativar por algum motivo, e a TransPyr teve vários. Texto: João Marinho Fotografia: Fotoesport BCN\João Marinho

O conceito A TransPyr consiste na travessia integral dos Pirenéus, isto é, começa no Mediterrâneo e termina no Atlântico, fazendo assim a união dos mares. Pelo meio, a imponente cordilheira montanhosa Pirenaica, que é o palco desta prova. Dividida em oito etapas, com um total de aproximadamente 850km e quase 20 000m de acumulado de subidas, esta competição é um verdadeiro desafio às capacidades físicas e técnicas de quem nela participa. Já vos explico porquê. Algo que também a distingue é o recurso à navegação em GPS, apesar de a organização colocar no terreno alguma sinalização o que ajuda imenso na navegação nos trilhos. Existem abastecimentos no terreno, apesar de serem escassos quando

comparados com outras provas. Por exemplo, numa etapa com 120km houve dois abastecimentos e dois pontos de água. Isto obriga a uma boa gestão por parte dos participantes para não ficarem sem comida e bebida nos trilhos. Para dormir existem fundamentalmente duas opções. Por um lado, estão disponíveis pavilhões desportivos onde os participantes ficam todos juntos. Os requisitos são saco cama, esteira e tampões para os ouvidos. É a solução mais barata, mas não de todo aquela que melhor se enquadra com as necessidades de descanso de que um atleta precisa para ultrapassar as dificuldades da prova. Depois existe o pack de hotéis que a organização coloca à disposição. É sem dúvida a melhor opção para esta prova, mesmo sendo mais dispendiosa. Nós ficamos no camping…

A dureza Sinceramente não estava à espera de algo desta natureza. A TransPyr entrou diretamente para a liderança a nível de dureza em provas de etapas que eu participei. E é dura porquê? Primeiro, as etapas são longas, com uma média superior a 100km diários. Com montanhas desta natureza, as subidas são também elas longas. Às vezes passávamos 30km sempre a subir! As inclinações em alguns pontos ultrapassavam os 30%! O piso em diversas zonas era extremamente irregular, não permitia subir em cima da bicicleta, ou era necessário um esforço adicional para manter o equilíbrio e progressão no terreno. A exigência técnica em alguns (muitos) trilhos a descer foi qualquer coisa que me deixou sem palavras. Foi na TransPyr que fiz 67


Media Partner

roteiro Piódão

Bike Inatel do Piódão magazine

Piódão

Presépio nas alturas Não há assim tantos locais em Portugal onde se possa pedalar a mais de 1300 m de altitude. A Serra do Açor oferece grandes desníveis para quem quer treinar e belas paisagens para quem deseja desfrutar do BTT em pleno. Texto: Pedro Pires Fotografia: Luís Duarte

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epois de mais de três horas de carro, eis que um aglomerado de casas no fundo de um vale nos chama a atenção. O Piódão não é apelidado de “aldeia presépio” por acaso. As casas de xisto perfeitamente restauradas e com os caixilhos das janelas azuis só encontram contraste na pequena igreja branca, que mais parece um bolo de noiva. À noite, luzes amarelas pontilham todas as casas, conferindo ao povoado um aspeto ainda mais natalício.

70 www.bikemagazine.pt

Quase a chegar à aldeia, que fica a 683 m de altitude, o hotel do Inatel impõe-se sem destoar, com a arquitetura austera a seguir a traça tradicional da região. É o ponto de partida para o ataque às serranias em redor, e como à hora da nossa chegada ainda nos restavam bastantes horas de luz, comemos a carne à portuguesa que nos foi servida sem demora e partimos à descoberta do percurso referido no site bikotels.com como “difícil”.

Depois de uma breve secção de estrada, entramos por um caminho de terra que subia suavemente, sempre com vistas para a Serra da Estrela do lado direito. Sem grandes problemas lá fomos progredindo pela encosta, com bastante tempo para descontrair numa longa e suave descida. Por volta do quilómetro 15 começavam as dificuldades. Primeiro em asfalto e depois em terra, subia-se com destino desconhecido, porque


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Escola Sabias que a arte de pedalar tem muito que se lhe diga? Não basta "dar aos pedais", é necessário saber com que intensidade... Texto: Tiago Aragão Fotografia: Arquivo

Abecedário do ciclismo

Viagem à base do BTT:

“A Arte de Pedalar”

Fazer BTT ou ciclismo transporta-nos para emoções únicas. O simples facto de podermos chegar do ponto A ao ponto B, milhares de quilómetros depois, muitas vezes faz-nos esquecer um ponto importante: o facto de termos pedalado com determinada cadência e a determinado ritmo. São precisamente estes pontos que vamos abordar.

O

primeiro “passo” mal nos colocamos em cima de uma bicicleta é começar a pedalar. É um gesto comum e banal à primeira vista, principalmente para quem utiliza a bicicleta única e simplesmente como um meio de lazer e de ocupação dos tempos livres. À medida que o compromisso desportivo vai evoluindo, torna-se imprescindível dar cada vez maior ênfase a todo o campo de ação do ciclista, tendo em vista a otimização das capacidades individuais de cada um. Sendo o gesto técnico a base fundamental na locomoção do binómio ciclistabicicleta, deve o mesmo ser alvo de reflexão, de forma a proporcionar ao atleta o melhor feedback do que será a cadência ideal para diferentes 76

ritmos/intensidades. À primeira vista pode parecer pouco importante ou pertinente dar tanta atenção a este pormenor técnico – a pedada -, mas, à medida que nos vamos interessando mais sobre a modalidade, verificamos que tudo parte daqui e que mínimas alterações no ritmo com que pedalamos, podem provocar desde logo um decréscimo ou incremento acentuado na performance física. Neste sentido, irei abordar alguns parâmetros relacionados com o ritmo de pedalada, dissertando sobre os principais aspetos em causa em cada uma das situações. A Cadência É a designação pela qual nos referimos à velocidade com que o

ciclista pedala, sendo expressa em revoluções/rotações por minuto (rpm), ou seja, pelo número de pedaladas que o atleta dá por unidade de tempo. Ligada a este conceito está a expressão que diz que, determinadas cadências são preferíveis em relação a outras. Vejamos: se colocarmos a desmultiplicação mais “leve” da bicicleta e começarmos a pedalar, executaremos menos força e atingimos elevadas cadências (apesar de produzirmos uma baixa velocidade de deslocamento) e acabamos por nos fatigar, principalmente, devido à elevada frequência gestual. Contudo, ao optarmos pela maior desmultiplicação da bicicleta, verificamos que temos que


empregar mais força para conseguir movimentar a bicicleta. Ambas as situações não são as ideais para nós, pelo que, torna-se necessário encontrar a relação óptima entre cadência e a desmultiplicação escolhida, para com isso tirar melhor proveito de cada rpm. Isto, segundo o perfil de terreno no qual nos deslocamos. Pedalar, pedalar e pedalar… O gesto de pedalar é infinitamente repetido pelo ciclista entre treinos e competições ao longo de toda a sua carreira desportiva e pré-desportiva. Uma breve reflexão sobre o percurso desportivo de um ciclista, indica-nos que durante todo esse período, um atleta realiza mais de 45 milhões de

ciclos completos de pedalada. Isto para atletas de nível nacional, e sem percurso competitivo internacional, pois aí os valores rapidamente disparam para mais de 55 milhões de pedaladas. Aspeto que também se reflete noutras modalidades desportivas, como o atletismo, natação, modalidades coletivas, etc… Neste sentido, ao longo da evolução do atleta durante a sua fase de formação, devemos dar especial atenção, por exemplo, à cadência média do atleta durante os treinos e competições e ir continuamente monitorizando esses dados, procurando promover adaptações lógicas que induzam melhorias no rendimento desportivo-motor, à medida que também vamos

comparando esses dados com os resultados desportivos. Performance aeróbia Uma grande parte do treino do ciclista é realizado a baixas intensidades, nomeadamente nos treinos longos e de recuperação. Estes treinos de baixa intensidade induzem melhorias na captação de oxigénio e na capacidade do nosso organismo o transportar até aos músculos ativos, de forma a utilizá-lo como energia principal para estes tipos de treino. Porém, devemos combinar este trabalho de baixa intensidade com ritmos de pedalada altos (na ordem das 90 rpm) por forma a induzir adaptações ainda mais significativas a nível fisiológico, e com isso tornarmo77


Reportagem

12º TransRockies

Há eventos neste mundo que vale a pena participar, pelo menos uma vez na vida, e o TransRockies é um desses. A BIKE Magazine foi a mais uma edição desta que é considerada uma das provas por etapas mais espetaculares do mundo. O relato, escrito com um sorriso de orelha a orelha, é dos nossos enviados especiais, Diogo Vieira e Miguel Gonçalves. Texto: Diogo Vieira e Miguel Gonçalves (Team Bike Magazine–Movefree) Fotografia: Gibson Pictures e Miguel Gonçalves

A

prova TransRockies decorre no interior das Rocky Mountains, montanhas na zona oeste do Canadá, cujo pico mais alto (Mount Robson) tem 3.954 m. Estas montanhas rochosas são compostas por xisto e calcário, têm alguma vegetação e singletracks brutais, e uma grande parte da sua área é protegida por parques florestais, sendo atualmente Património Mundial. Nesta edição participaram cerca de 400 atletas, 10 deles portugueses, todos na modalidade TR7. Mas já lá vamos…

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O que é o TransRockies Challenge? O TransRockies Challenge teve dois fundadores, Chester Fabricius e Heinrich Albrecht. Ambos são lendas do BTT que aproveitaram a sua experiência nas provas da Taça do Mundo de XC e na TransAlp para criar uma prova épica nas Rocky Mountains canadianas. A evolução das rotas nestes 12 anos levou a que a prova se caracterizasse, nesta sua última edição (apenas o TR3 se manteve), pelos seus

fabulosos singletracks com subidas íngremes e prolongadas e com as correspondentes descidas. Modalidades de participação A participação na prova tem várias modalidades possíveis: Transfondo – que significa na prática a participação apenas numa etapa a solo; TR3 consiste na participação em 3 etapas a solo; TR4 - 4 etapas a solo; e TR7 - 7 dias a solo e em duplas. Claro que quem participa no TR7, como nós, passa por tudo.


Quem se inscreve no TransRockies sabe de antemĂŁo que encontrarĂĄ singletracks de sonho numa paisagem quase irreal

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Reportagem

Para além das passagens nas florestas em terra, as Rocky Mountains são conhecidas pelos seus trilhos com "shores"

A modalidade TR3, por exemplo, decorreu nos primeiros 3 dias e permitiu aos participantes pernoitar numa só cidade (Fernie, British Columbia), e por conta própria. Aqui, os nomes dos trilhos são bastante explicativos da dureza que encontrámos pela frente: Upper Uprooted, Hyperventilation, Hyperextension, Roots Extention, Splitting Bears, Hedonism, Boom, Megasaurus, Rumplestumpskin e Ecoterrorist. Foi praticamente unânime 82

que estes 3 dias em Fernie foram os melhores desta edição, e para nós certamente dos melhores trilhos de BTT por onde já passámos. São duros a subir, técnicos e rápidos a descer, mas proporcionaram uma enorme diversão. Nas etapas 4 (início do TR4) e 5 tivemos que fazer o primeiro transfer da prova para Crowsnest Pass (Blairmore, Alberta). Nestas etapas começámos a sentir de forma mais vincada a razão do nome Rocky Mountains, pois

deixámos as paisagens muito verdes e com as árvores centenárias de Fernie, para percorrermos trilhos bastante mais rochosos. No entanto, os singletracks continuavam a ser a norma. Estas foram também as primeiras etapas onde tivemos de acampar. Na etapa 6 tivemos um novo transfer de manhã para o Pine Grove Group Camp. Há que esclarecer que devido aos fortes temporais de Junho deste ano, a organização do TR7 teve que alterar à última da hora uma parte significativa das rotas obrigando a transferes adicionais (foram 3 no total). A etapa 6 era também caracterizada pela obrigação para todos os atletas de se fazerem acompanhar por um repelente de ursos (o chamado “Bear spray”), pois este era o seu território. A pernoita, em tendas, no final da etapa, foi no Rafter Six Ranch, um genuíno rancho da América do Norte. A sétima e última etapa começou de novo com um transfer para o local de partida, Deadman’s Flats. Esta etapa foi feita em sistema de contrarrelógio e uma noite com fortes chuvadas dificultou em muito a tração e o disfrutar da beleza do trilho. No entanto, foi mais um dia de divertimento onde penso que todos os atletas tiveram a sensação de estarem


all about brake pads all about brake pads

Joost Joost Wichman Wichman © Irmo © Irmo Keizer Keizer

"Não podemos negar que nos sentimos um pouco ansiosos quando enviámos "Não podemos negar nosDiscstop sentimospara umum pouco enviámos as nossas pastilhas deque travão dosansiosos famosos quando testes das as nossas pastilhas de travão Discstop dos famosos das mais revistas “BIKE” e “Mountainbike”...É quepara eles,um efetuam sempretestes os testes revistas “BIKE” “Mountainbike”...É que sempre os testes exigentes. Maseeis que os recebemos deeles, voltaefetuam com uma classificação demais exigentes. eis que os volta com uma classificação de "sehr gut 'eMas a avaliação derecebemos serem umasdedas pastilhas de travão com mais "sehr gut a avaliação de serem umas das pastilhas com omais poder de 'e travagem, menos desgaste e mais rentáveisde dotravão mercado, que poder deque travagem, desgaste e mais rentáveis do mercado, o aque fez com o nossomenos coração parasse...tal como deve acontecer com sua fez com que o nosso coração parasse...tal como deve acontecer com a sua bicicleta vezes sem conta." bicicleta vezes sem conta." BBBCYCLING.COM BBBCYCLING.COM

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Reportagem

Bem ao estilo americano...

sempre à espera da maior subida, pois a ascensão nesse dia foi de apenas 1.000m. Balanço Do ponto de vista organizacional, pode-se dizer que no fundamental tudo correu como planeado. A organização adaptou-se às vicissitudes climatéricas, e mesmo a situações imprevistas como a que aconteceu na terceira etapa, onde a partida foi adiada 10 minutos, para que se alterasse o trilho e que se evitasse passar por uma mãe alce que tinha uma cria ferida mesmo no meio do trilho. Para além disso, o ambiente da prova é muito agradável, com dezenas de nacionalidades presentes, e consegue manter-se um excelente equilíbrio entre competitividade e envolvente familiar, em que o convívio entre atletas profissionais, semiprofissionais e os completamente amadores é muito próximo e amigável. As etapas são relativamente curtas (cerca de 40 km em média), comparando com outras provas épicas, no entanto a ascensão (1.500 m em média) e a tecnicidade dos trilhos, faz com que não seja propriamente um passeio. Todavia, é possível fazer praticamente todas as etapas em menos de 4 horas o que, 84

para atletas com um nível de preparação médio, permite uma melhor recuperação e aproveitar para conhecer as pequenas cidades canadianas por onde passámos e conviver com outros atletas e organização. Quanto às classificações, todos os atletas portugueses concluíram a prova, o que é o mais importante. Se desejares saber os resultados detalhados de cada um dos participantes (incluindo os tempos de cada etapa), consulta este link: www. transrockies.com/trc/wp-content/ uploads/2013/08/TR7-GC-Stage-7.pdf.

Classificações dos participantes portugueses: TR7 Solo 50+ Men TR7 Solo 40+ Men TR7 Solo Men TR7 100+ TR7 80+ Men TR7 Open Men

2º: Pedro Vieira 17º: Jorge Fernandes 22º: Rui Cardoso 23º: Hugo Noronha 4º: Jorge Damas e José Cunha 8º: Nuno Rapaz e José Abreu 5º: Diogo Vieira e Miguel Gonçalves

Se me perguntares se vale a pena atravessar o atlântico e o continente americano para participares nesta prova, só temos uma resposta: claro que sim!


facebook.com/RoseBikes

MONTA A TUA BICICLETA PSYCHO PATH 6

Para eu rumar para a vitória na taça do mundo, a minha bicicleta tem de suportar as minhas forças e destruir as minhas fraquezas. A minha Psycho Path está perfeitamente adaptada a mim e ajuda-me em todas as situações. É uma biccleta de sonho e com o Configurador de Bicicleta tu também vais conseguir a tua! Simon Gegenheimer, ROSE ultraSPORTS, Campeão alemão de cross country sprint

rosebikes.es

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Escola Alimentação, treino e recuperação fazem parte da preparação para as corridas. Mas quando as etapas se multiplicam, há que ter mais coisas em conta...

Preparação para longas distâncias

Provas épicas:

tu também as podes fazer! E se um dia acordares e te apetecer ir fazer uma viagem por etapas, uma prova épica ou uma competição de resistência? Sabes como te deves preparar? Se queres saber mais sobre a forma de te atirares para uma aventura deste género não deixes de seguir o pequeno manual que te vamos apresentar, nesta e nas próximas edições. Texto: Nuno Machado – Team Movefree – Atleta COFIDES/SNV

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A

ideia é, de forma rápida, apresentar-te alguns tópicos que te podem ajudar a atingir o teu propósito de alcançares a meta a que te propuseste. Nesta viagem, além da informação que te vamos proporcionar, vamos aproveitar o conhecimento de quem já passou por estas experiências para te guiar nesta viagem de preparação.

Como tudo começa Todas estas situações devem começar pela definição do objetivo. É preciso saber o que queremos fazer e quando. Não basta apenas dizer que se quer ir ao Cape Epic, temos de definir exatamente quando queremos ir. Um objetivo sem data de execução é apenas uma intenção. Este passo é para nós o mais importante, pois será ele que irá ditar se vamos conseguir lá chegar ou não. Devemos definir o objetivo de acordo com as nossas capacidades

e o conhecimento que temos acerca das nossas próprias performances. Celina Ca Não vale a pena pensar em provas Campeã na rpinteiro cional XCM que ocorram no verão se sabemos “Se tenho de competir na minha cla de antemão que nos damos mal prefiro alguém que tenha o mesmosse com o calor. O mesmo acontece andamento que eu. Se por out lad com a chuva. Não deves preparar o, posso competir em mistos e a claro provas como o TransRockies se sse não é importante então o meu parceiro é o não gostares de singletracks e Va léri Assim sei que corre bem de certeza”. o. trilhos técnicos. Outra situação a ter em atenção é se a prova em que participamos se disputa a solo ou por equipas. E se for por equipas por Vitor Gam quantos elementos deverá a mesma Vencedor T ito ser composta. Se for de dois, como ransportug al é usual, quem devo levar comigo? Deverei dar mais valor ao resultado competitivo ou ao convívio? Lê o que os nossos "experts" têm a dizer sobre este tema ao longo deste artigo.

“R egra geral escolho um parceiro que a objetivos semelhantes aos meus, e de preferência que tenha tambémtenh um andamento similar. Se for um amigo de longa data então o cenário fica perfeito” 91


Escola

A escolha da bicicleta Não podemos esquecer a bicicleta. Devemos levar uma rígida, semirrígida ou suspensão-total? Roda 26’’, 27,5’’ ou 29? Neste momento, as opções são inúmeras e a verdade é que todas são igualmente válidas. Desse modo, o que devemos escolher é a máquina que mais se encaixa com a nossa forma de andar. E claro, não podemos esquecer que iremos passar muitas horas junto da bicicleta. Como tal, conforto é a palavra-chave.

semirrígida com roda 27,5”. “Para mim nesta fase o que quero é uma que consigo retirar o melhor É onde me sinto mais confortável e onde sinto partido das minhas capacidades” Tiago Silva

3º no TransAndes

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três pratos, dois pratos, um prato... 10 e 11 velocidades.... O importante é que escolhas os andamentos com que te sintas mais confortável e que, em determinados momentos, te permitam descansar sem deixares de pedalar (noutro artigo explicaremos como treinar). E claro, é importante que as mudanças estejam afinadas e que o sistema funcione na perfeição durante o decurso de todo o evento. Na verdade, quando disputamos provas de longa duração é fácil encontrar apoios mecânicos, mas o mesmo pode não acontecer se a aventura não tiver uma organização por detrás. De preferência, afina sempre a bicicleta antes e após cada etapa.

Já que estamos a falar de bicicletas “Opto sempre pelos pneus is resistentes não esqueçam a importância dos e pelas transmissões maisma fiá vei pneus: tubeless é a melhor opção. sou adepto de poupar peso. O qus. Não e quero Devemos estudar de antemão o tipo é fiabilidade” de terreno que vamos encontrar para eventualmente decidir o tipo de rasto do pneu. Mas em provas tão extensas e com tanta diversidade de trilhos é importante que os mesmos sejam polivalentes. Outro conselho importante: nunca estreies uma bicicleta numa prova, já que tal requer habituação (durante a prova não terás tempo para reajustes) e o corpo ressentir-se-á. Quanto à transmissão da bicicleta, hoje Sérgio Pinho em dia existem para todos os gostos: Atleta provas épicas


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Escola Quando falamos do tema conforto é imperioso não esquecer o selim, os punhos e os pedais. Diogo Casado Vieira (Team Movefree) deixa-nos algumas dicas relativamente a esta matéria:

“Existem componentes que troco o menos possível, nomeadamente o selim oe os punhos. E quando os troco, nunca faço no mês anterior ao evento”.

E relativamente ao vestuário? Não te esqueças de que normalmente não é possível levar equipamentos para todas as etapas e que necessariamente teremos de os lavar no final de cada tirada (quase sempre à mão). Apostem no conforto dos calções, (sobretudo do almofadado) pois normalmente passamos muito tempo sentados na bicicleta e durante vários dias. Um bom calção pode significar a diferença entre horas de grande sofrimento e horas de um conforto absoluto. Claro que não podemos esquecer os sapatos, o capacete e as luvas. Aqui a palavra-chave também é o conforto e, claro está, sem nunca descurar a segurança. É de salientar que em algumas ocasiões podemos ter de caminhar e os sapatos devem ser adequados para a realização dessas curtas caminhadas. Os mesmos devem sempre ter o nosso tamanho preciso, ou meio número acima (no máximo).

Com o calor os pés têm tendência para inchar, por isso este espaço de manobra permite que possamos ter conforto quando o calor aperta. Por seu turno, o capacete deve estar sempre colocado e o mais ajustado possível, mas sem magoar os movimentos. Em espaço competitivo, é de salientar que normalmente existe a possibilidade de a organização nos transportar um saco com o material de que vamos necessitar. Pese embora as organizações limitem o volume a transportar (um saco), existem coisas que devemos levar para melhorar a nossa qualidade de vida e que eventualmente podem influenciar o próprio desfecho da prova. Nestas situações ainda temos de ser mais criteriosos no que devemos transportar.

Hélder Miranda Atleta provas épicas

Diogo Casado

Atleta provas épicas

“Os sapatos devem ser confortáveis e ter boa rigi dez na sola para que seja aproveitada toda a força aplicada nos peda is, o capacete deve ser leve, resistente e com boas entradas de ar”

Aqui te deixamos uma pequena lista de material que pode vir a fazer-te falta num evento desta natureza:

HIGIENE e saúde Material substituição

Ferramenta Roupa Outros

Pack banho Corrente Zip ties T-shirts Luz de cabeça Protetor solar Pastilhas travão Bomba Casaco impermeável Apito Protetor labial Dropout Óleo Calções de banho Ficha adaptadora Creme After Sun Pneus Alicate multifunções Saco cama Telemóvel Escova e pasta dentes Links de corrente Mini ferramentas Calças Carregador Repelente de insetos Válvulas Tubeless Bomba de suspensão Chinelos Bidons Detergente roupa Câmaras-de-ar Toalha de banho Moch. hidratação Creme de massagem Líquido vedante Ténis Desodorizante Raios Halibut Cleats de sapatos Medicamentos Material específico para a tua Bike Nesta fase ficamos por aqui. Nos próximos números da BIKE Magazine iremos abordar outros pontos acerca da participação em eventos de etapas 94

e de longa duração. Neste âmbito, inserem-se tópicos como a nutrição, suplementação, os treinos, a gestão da “jornada”, assim como do seu final.

Mas para já esperamos que estas linhas façam com que nas vossas cabeças se comece já a desenhar um objetivo para breve. Um abraço e pedalem muito!


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