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Boletim do Escritório Técnico do Mosaico de Unidades de Conservação da Mata Atlântica Central Fluminense - Ano I - nº 2 - março/2010

Por que planejar? Por que investir tempo e energia em pensar o futuro, se já temos tantos problemas no presente? Parece complicado, mas na verdade é muito simples: sempre que paramos e refletimos um pouco sobre nossos problemas presentes, em vez de simplesmente atacá-los afoitamente, maiores serão as chances de compreendê-los e superá-los. É um caminho de mão-dupla: a ação prática é corrigida pela reflexão e a reflexão é corrigida pela prática. Por isso o planejamento: para não se perder nos extremos, seja da ação impensada e irracional, de um lado, seja da teoria excessiva e ineficiente, de outro. Depois de três anos de ação e consolid(ação), o conjunto de atores do Mosaico Central Fluminense entendeu que chegou a hora de um planejamento estratégico, que vá além dos planos de ações operacionais que vêm acompanhando as atividades práticas do Mosaico até então. Qual a principal missão do Mosaico? Qual área geográfica, além do território específico das UCs componentes, que influencia e é influenciada pelo Mosaico? Qual é a relação presente e futura com as atividades industriais da região? Quais são as estratégias indicadas para ampliar a efetividade da conservação regional? Como se propõe, enfim, que o Mosaico deva se envolver com a dinâmica ambiental, socioeconômica, política e cultural da região em que está inserido? Estas perguntas refletem o escopo do planejamento estratégico que ora se inicia.

Alessandro Rifan/PETP

Hora do planejamento estratégico

Para tanto, ampliando o leque de parcerias do Mosaico, contaremos com assessoria da Escola Latinoamericana de Áreas Protegidas, com sede na Costa Rica, e financiamento da The Nature Conservancy. A coordenação do projeto é compartilhada entre integrantes do Mosaico e representantes da Conservação Internacional, Associação Mico-Leão Dourado e Valor Natural. A metodologia do planejamento estratégico será adaptada de experiências realizadas em mosaicos em formação na Amazônia, com as devidas adequações para a realidade de um mosaico

já formado e em funcionamento, o que permite aprimoramento de deficiências já detectadas e incremento dos pontos de acerto. É o processo de melhoria contínua através do manejo adaptativo: depois de pronto, o que se pretende no segundo semestre do ano corrente, o planejamento estratégico não será arquivo morto nalguma gaveta empoeirada, mas objeto de permanente aprimoramento e adaptação a partir dos resultados concretos das ações executadas. Neste sentido, seguem as ações. Planejamos ao mesmo tempo que fazemos. Nesta edição, você encontra al-

guns exemplos do que tem sido feito. A comunicação ganha grande impulso com a TV Mosaico. Pequenos vídeos abordando temas ambientais na região do Mosaico trazem a realidade das UCs para o universo da divulgação ilimitada da internet. Vale a pena ler a matéria e depois conferir os programas na grande rede. Ainda em relação à divulgação, há uma matéria sobre a visita do caminhão itinerante da SOS Mata Atlântica a Teresópolis, atividade realizada em parceria com o Mosaico. No campo da produção científica, trazemos aqui a íntegra do trabalho sobre a cooperativa Manguezal Fluminense apresentado pela equipe da APA Guapimirim e do escritório técnico no Seminário de Áreas Protegidas e Inclusão Social – SAPIS, em Belém, em novembro passado. Demos destaque nesta edição ao funcionamento da secretaria-executiva do Mosaico, exercida pelo Instituto Bio Atlântica - IBio. A ferramenta de informação geográfica GeoAtlântica, desenvolvida pelo IBio, é apresentada enfatizando seu potencial para o planejamento territorial. Estão registradas as comemorações de aniversário do Parque Nacional da Serra dos Órgãos (70 anos) e da APA Guapimirim (25 anos). Finalmente, apresentamos uma matéria com a recente aprovação do conselho do Mosaico à entrada de novas UCs. Cresce o Mosaico e com isso sua importância para a conservação da mata atlântica fluminense. Boa leitura!


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Ano I - nº 2 - mar/2010

ENTREVISTA: Gabriela Viana, secretária executiva do MMACF A veterinária Gabriela Viana é a secretária executiva do MMACF desde 2007. Coordenadora do Programa Serra do Mar do Instituto BioAtlântica (IBio), faz parte do Conselho Consultivo do MMACF na cadeira de representante da sociedade civil da APA da Bacia do Rio Macacu, área de atuação do IBio desde 2004. Nesta entrevista ao Conexão Verde, a Gabriela fala sobre o trabalho do IBio e o papel da Secretaria Executiva, além de apontar as perspectivas do mosaico para 2010. Como é o trabalho do IBio? O IBio é uma organização conservacionista sem fins lucrativos, fundada em 2002 e lançada publicamente em julho de 2003. Criado a partir de uma aliança estratégica entre ambientalistas e empresários, o IBio atua como um catalisador de parcerias e ações nas regiões onde trabalha. Nós executamos projetos em campo em quatro regiões estratégicas para a conservação da biodiversidade da Mata Atlântica e da zona costeiro-marinha, sempre em cooperação com instituições públicas das três esferas de administração, com empresas, grupos comunitários, proprietários rurais e outras organizações ambientalistas. Como o IBio foi escolhido para sediar a Secretaria Executiva? O IBio participou ativamente da construção do MMCF, em colaboração com o grupo envolvido. Estávamos realizando o projeto Entre Serras & Águas para elaboração da proposta de plano de manejo da APA da Bacia do Rio Macacu e compartilhávamos a mesma opinião sobre a importância dos mosaicos como ferramenta de gestão de unidades de conservação. Desde então, acompanhamos o fortalecimento da idéia e a formação do mosaico, até sua formalização, em dezembro de 2006. De modo

geral, fomos escolhidos por nossa experiência na região e por nossa capacidade administrativa, conhecida pelos parceiros nessa e em outras iniciativas. Qual é o papel da Secretaria Executiva? A memória do MMACF é guardada pela Secretaria Executiva, por meio de documentos, atas e imagens. É o registro da evolução do grupo que forma o Conselho. Procuramos organizar as informações das UC, auxiliamos a Presidência do mosaico, mantemos um canal de comunicação com os conselheiros, convocando as reuniões ordinárias e extraordinárias, além de elaborar as atas e os materiais de comunicação sobre o mosaico. O trabalho é importante para garantir que o trânsito de informações seja permanente entre os conselheiros e as UC, proporcionando facilidade e agilidade na troca de experiências e no desenvolvimento de iniciativas em diferentes áreas do mosaico. Muitas oportunidades de pesquisa, financiamento, educação ambiental e capacitações foram proporcionadas pelo trabalho de integração e comunicação realizado pela Secretaria Executiva. Além disso, executamos todas demandas emanadas das reuniões do Conselho, como o envio de documentos, elaboração de ofícios e troca de informações sobre os projetos e contatos dos conselheiros. Que diferença o mosaico está fazendo para as UC? O Mosaico tem como objetivo proporcionar um olhar mais horizontal sobre as UC. Entendemos as particularidades de cada UC, mas procuramos propor e manter a visão de gestão integrada, aproveitando os ativos de cada uma das áreas, cada projeto e/ou experiência exitosa que pode ser replicada nas demais unidades. Além disso, as câmaras técnicas (CT) são o braço executivo das ações planejadas em con-

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Boletim do Escritório Técnico do Mosaico de Unidades de Conservação da Mata Atlântica Central Fluminense

Escritório Técnico: Rua Rotariana, s/n, Parque Nacional da Serra dos Órgãos, Teresópolis-RJ, CEP 25.960-602, Tel. (21) 2512-1119, (21) 95143130, (21) 9973-9045. E-mail: secexecmosaicocentral@gmail.com

junto nas reuniões do Conselho, em especial, a CT de Proteção, na qual se planeja e executa ações conjuntas, como grande operações de fiscalização. Outra grande oportunidade é o intercâmbio de experiências e projetos que, em um universo de mais de 20 UC e 10 municípios, talvez não acontecesse. Quais os principais avanços alcançados até aqui? O amadurecimento institucional do mosaico fica evidente ao recordarmos a atuação do Conselho no processo de licenciamento do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), nas operações conjuntas de fiscalização, na elaboração de diretrizes para a educação ambiental no âmbito do mosaico e na concepção do escritório técnico. Eu destacaria a forma como o grupo acompanhou o processo de licenciamento do Comperj, chamando os técnicos da empresa para esclarecer muitas dúvidas que foram surgindo, acionando instituições de pesquisa para incrementar as análises técnicas e as deliberações e ações iniciadas pelo grupo. Neste ponto, chamo especial atenção ao indicativo para que a Petrobras restaure as matas ciliares dos rios de 5ª e 4ª ordens das bacias hidrográficas do rios Macacu e Caceribu, além da área de transição do Comperj com a APA Guapimirim, somando cerca de 4.500 hectares. Também estamos alcançando conquistas importantes para a construção da identidade do mosaico, por exemplo, com a produção de materiais de comunicação, como este boletim, os programas e televisão que estão sendo preparados e o website que já está no ar. Quais são as perspectivas para 2010? Nossas prioridades para este ano se concentram no Planejamento Estratégico do mosaico, que conta com apoio da The Nature Conservancy, sob a coordenação da Associação Mico-Leão-

Dourado, da Valor Natural e da Conservação Internacional. Será adotada a metodologia de Planejamento Estratégico de Mosaico (PEM), que vem sendo desenvolvida e refinada em alguns mosaicos na Amazônia. O objetivo é contribuir para o fortalecimento dos mosaicos do Corredor da Serra do Mar, a partir da elaboração do planejamento estratégico do nosso mosaico. Além disso, as iniciativas que promovam a conexão efetiva da paisagem dentro da área de abrangência do MMACF estão recebendo especial atenção e serão apoiadas e incentivadas por todas as instituições atuantes na região. Contato do Instituto BioAtlântica: www.bioatlantica.org.br

Atribuições da secretaria executiva Segundo o regimento interno, discutido e aprovado pelo Conselho do MMACF, em sua primeira reunião ordinária, em maio de 2007, são atribuições da Secretaria Executiva: I – Assessorar técnica e administrativamente a presidência do CONMAC; II – Organizar e manter arquivada toda documentação relativa às atividades do CONMAC; III – Colher dados e informações necessárias à complementação das atividades do CONMAC; IV – Receber dos membros sugestões de pauta das assembléias; V – Convocar as assembléias, por determinação da presidência, e secretariar seus trabalhos; VI – Elaborar e disponibilizar aos membros as atas das assembléias.”

Presidente do Conselho do Mosaico: Breno Herrera Assessoria de Comunicação e Jornalista Responsável: Francisco Pontes de Miranda Ferreira, Mtb 18.152 Articulação Política: Layse Rodrigues Fotografias: Equipe e cedidas pelas unidades Arte gráfica: Camilo Mota/Jornal Poiésis - (22) 9201-3349 Impressão: Sumaúma Gráfica e Editora Tiragem: 2000 exemplares

www.mosaicocentral.org.br


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Operação Serra e Mar para fortalecer a fiscalização no Mosaico Com o objetivo de incrementar ações de fiscalização em parceria foi criada a operação “Serra e Mar”. A idéia principal é fortalecer a visão de Mosaico onde todas as Unidades de Conservação devem promover ações em conjunto com uma finalidade maior que é a preservação da Mata Atlântica. A fragmentação de nossas áreas protegidas deve ser vencida através de parcerias importantes. A operação “Serra e Mar” aconteceu dos dias 12 a 15 de novembro de 2009 e contou com a participação de fiscais e funcionários do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) da Área de Proteção Ambiental (APA) Guapimirim, Parque Nacional da Serra dos Órgãos e Estação Ecológica da Guanabara; do Parque Estadual dos Três Picos, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Renováveis (IBAMA) da Prefeitura Municipal de Itaboraí e do Batalhão Florestal da Polícia Militar do Rio de Janeiro. Tratase, portanto, de uma ação integrada que envolveu Governo Federal, Estado e Município dentro dos princípios do Mosaico. Da Serra ao Mangue - O nome da operação reflete a intenção que foi atingir tanto a região serrana quanto a litorânea do Mosaico Central Fluminense. No dia 12 a operação se concentrou na apreensão de madeira de mangue nos bairros de Piedade, Roncador e Barbuda em Magé. O uso de madeira de mangue na APA Guapimirim para fornos de olarias e padarias já está extinto. No entanto, ainda existe o uso para currais de pesca, construção civil e fabricação de ferramentas. O objetivo é acabar totalmente com o uso dessa preciosa madeira que mantém o ecossistema de mangue que, por sua vez, é essencial para a sobrevivência da própria baía de Guanabara. Essa madeira é totalmente imune de corte como afirma a Lei 4771/65 do Código Florestal. Dia 13 a operação atingiu as irregularidades da região do entorno imediato do Parque Nacional nos bairros de Pau Grande em Magé e Meio da Serra e Caxambu em Petrópolis. Predominou a apreensão de pássaros silvestres em cativeiro. Neste dia foram apreendidos 70 pássaros, sendo 63 em extinção. Em

Durante a operação, caranguejos — capturados de forma irregular durante o defeso — foram devolvidos ao manguezal

uma só residência foram encontrados 42 chanchões. “Tudo indica que os animais foram capturados na imediação do Parque para a comercialização”, declarou a analista ambiental do Parque Nacional, Fumi Saito, responsável pelo setor de controle do entorno. As multas no dia 13 somaram R$ 282 mil. A multa para um animal ameaçado como o chanchão é de R$ 5 mil. A equipe constatou grande número de construções irregulares na região do Meio da Serra e Pau Grande e defende a realização de mais fiscalização por parte de várias instituições. No local existem, por exemplo, vários monumentos históricos ameaçados. No dia 14 ocorreu

uma operação em Santo Aleixo (Magé) com o objetivo de combater a captura e a manutenção em cativeiro de pássaros silvestres e ocupações irregulares. Dia 14 foram apreendidos 13 pássaros somando R$ 27 mil em multas. Além disso, duas construções irregulares na beira de canal fluvial foram autuadas e as obras embargadas. Dia 15 o foco foi controlar o comércio de caranguejos e sardinhas pescados de forma irregular durante o defeso. Para isso, a equipe optou por fiscalizar comércio verificando as irregularidades nos quiosques na praia de Camboinhas em Niterói. Nas feiras e mercados de Itaboraí e Alcântara foram apreendidos

A equipe de fiscalização formada nas operações do Mosaico conta com profissionais federais, estaduais e municipais

caranguejos. De acordo com a Portaria IBAMA 52/03 a captura de caranguejos é proibida durante todo os meses de outubro e novembro. A fêmea ovada nunca pode ser capturada e os animais devem ter sempre mais de 6 cm. Os 1500 caranguejos apreendidos no dia 15 foram soltos nos manguezais da APA Guapimirim. Integrar é a palavra chave - O coordenador de fiscalização do Parque Nacional e um dos principais organizadores da operação “Serra e Mar”, Leandro Goulart enfatizou que a operação vem ao encontro às demandas da região que ficaram claras após a operação anterior denominada de “Meio Ambiente em Dia”. “Sentimos urgência de ações em conjunto para combatermos a captura irregular do caranguejo no período do defeso e de pássaros em cativeiros que foram os focos dessa operação. Trabalhar em operações em outras áreas do país nos faz refletir mais sobre a necessidade de ações integradas na própria região do Mosaico Central Fluminense”, ressaltou Leandro. “Integrar os órgãos é essencial. Está no próprio conceito de mosaico. Nossa presença constante na região é muito importante”, disse o coordenador de fiscalização do Parque Estadual dos Três Picos, Marco Antônio Verly. O coordenador de fiscalização da APA Guapimirim Carlos Augusto Ribeiro Barbosa também salientou a questão da operação conjunta como fator essencial. “Cada vez mais temos que trabalhar em conjunto visando um meio ambiente melhor. Esse é o espírito do Mosaico”, afirmou Augusto. Vimos na operação “Serra e Mar” mais uma ação que engrandece o conceito de Mosaico para rompermos não só com as barreiras biológicas e geográficas, mas também as provocadas pelo isolamento administrativo e de fiscalização. O presidente do conselho do Mosaico e chefe da APA Guapimirim, Breno Herrera, concluiu que “a cada nova operação integrada sentimos os benefícios crescentes desta nova forma de gestão das unidades de conservação. Aos poucos vai sendo substituída a visão antiga de pensar as UCs como feudos isolados, por uma visão integradora e portanto, verdadeiramente ecológica”.


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Áreas Protegidas do Mosaico da Mata Atlântica Central Fluminense

Unidade de Conservação Área de Proteção Ambiental Guapimirim (21) 2633-0079 www.icmbio.gov.br/apaguapimirim Área de Proteção Ambiental Petrópolis (24) 2222-1651 Estação Ecológica Guanabara (21) 2633-0079 Parque Nacional da Serra dos Órgãos (21) 2152-1100 www.icmbio.gov.br/parnaso Reserva Biológica Tinguá (21) 3767-7009

Órgão Gestor ICMBio Chefe: Breno Herrera ICMBio Chefe: Sergio Bertoche ICMBio Chefe: Mauricio Muniz ICMBio Ernesto Viveiros de Castro ICMBio Chefe: Josimarcio Campos de Azevedo

Categoria

Decreto de criação

Área (ha)

Municípios de abrangência

Plano de Manejo

Conselho gestor

Uso Sustentável

Decreto nº. 90.225 de 25/09/1984

13.825

Magé, Guapimirim, Itaboraí, São Gonçalo

Sim

Sim

Uso Sustentável

Decreto nº. 87.561 de 13/09/1982

59.872

Petrópolis, Magé, Duque de Caxias e Guapimirim

Sim

Sim

Proteção Integral

Decreto sem n.º de 15.02.2006.

1.935

Guapimirim, São Gonçalo

Sim

Sim

Proteção Integral

Decreto-Lei nº. 1822, de 30.11.1939

20.030

Magé, Teresópolis, Petrópolis e Guapimirim

Sim

Sim

Proteção Integral

Decreto nº. 97.780, de 23.05.1989

26.136

Nova Iguaçu, Duque de Caxias, Miguel Pereira e Petrópolis

Sim

Sim

Vai virar núcleo do PETP Vai virar núcleo do PETP Vai virar núcleo do PETP

APA da Bacia do Rio dos Frades

INEA-RJ

Uso Sustentável

Lei Estadual 1775/1990

7.500

Teresópolis

APA da Floresta do Jacarandá

INEA-RJ

Uso Sustentável

Decreto Estadual 8250/85

2.700

Teresópolis

Uso Sustentável

Lei nº. 4.018, de 05/12/02

82.436

Cachoeiras de Macacu e Guapimirim

Uso Sustentável

Decreto Estadual 29213/01

35.037

Nova Friburgo e Silva Jardim

Não

Sim

Proteção Integral

Decreto nº. 9.803, de 12/03/87

4.920

Guapimirim e Cachoeiras de Macacu

Vai virar núcleo do PETP

Não

Proteção Integral

2002

46.350

Cachoeiras de Macacu, Nova Friburgo, Teresópolis, Silva Jardim e Guapimirim

sim

Sim

Proteção Integral

Resolução s/n da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento/1977

4.000

Petrópolis

Em elaboração

Não

1.700

São José do Vale do Rio Preto

Não

Não

14.000

São José do Vale do Rio Preto

Não

Não

346

São José do Vale do Rio Preto

Não

Não

211

São José do Vale do Rio Preto

Não

Não

15.538

Guapimirim

Não

Não Sim

APA da Bacia do Rio Macacu APA de Macaé de Cima Estação Ecológica do Paraíso (21) 2632-8309 Parque Estadual Três Picos (21) 2649-6847 www.ief.rj.gov.br/unidades/parques/ PETP/conteudo.htm Reserva Biológica de Araras (24) 2225-9144 Área de Proteção Ambiental Maravilha (24) 2224-1986 Parque Natural Municipal da Araponga Monumento Natural Pedra das Flores Estação Ecológica Monte das Flores Área de Proteção Ambiental GuapiGuapiaçu (21) 2632-2412 Parque Natural Municipal da Taquara (21) 2273-6346

INEA-RJ Chefe: Jaci Silva INEA-RJ Chefe: Carlos Martins INEA-RJ Chefe: Eduardo Rubião INEA-RJ Chefe: Theodoros Panagoulias INEA-RJ Chefe: Ricardo Ganem SEMMA S. J. V. do Rio Preto SEMMA S. J. V. do Rio Preto SEMMA S. J. V. do Rio Preto SEMMA S. J. V. do Rio Preto SEMMA Guapimirim

Uso Sustentável Proteção Integral Proteção Integral Proteção Integral Uso Sustentável

Decreto Municipal 1652/06 Decreto Municipal 1653/06 Decreto Municipal 1651/06 Decreto Municipal 1654/06 Decreto Municipal 620/04

SEMMA Duque de Caxias

Proteção Integral

Lei Municipal de nº1157 de 11 .12.1992

19.415

Duque de Caxias

Sim

RPPN CEC Tinguá RPPN El Nagual (21) 2630-2625 www.artnagual.com.br RPPN Querência

Privada

Uso Sustentável

Portaria Ibama 176/02

16,5

Tinguá

Sim

Privada

Uso Sustentável

Portaria Ibama 88/99

17

Magé

Sim

Privada

Uso Sustentável

Portaria Ibama 05/99

50

Magé

Sim

RPPN Graziela Maciel Barroso Parque Natural Municipal Montanhas de Teresópolis (21) 3641-5870 RPPPN Fazenda Suspiro (21) 2742-6888 Parque Natural Municipal de Petrópolis (24) 2246-8968 Monumento Natural Pedra do Elefante APA Jaceruba (21) 2667-1252 APA Suruí Parque Natural Municipal Serra do Barbosão (21) 3749-1111

Privada

Uso Sustentável

Portaria Ibama 20/05

184

Petrópolis

Sim

Proteção Integral Proteção Integral

Decreto 3693/09

4.397

Teresópolis

Em elaboração

Portaria IBAMA 03/99-n 1/2/1999

18

Teresópolis

Não

SEMMA Petrópolis

Uso Sustentável

Decreto 471 15/3/2007

16,7

Petrópolis

Não

SEMMA Petrópolis SEMMA Nova Iguaçu SEMMA Magé

Uso Sustentável

Decreto 071 24/7/2009 Lei municipal 3.592 7/7/2004 Decreto 2300/07

530

Petrópolis

Não

2.353 14.146

Nova Iguaçu Magé

Não planejado

Lei 0633 23/10/2007

878

Tanguá

Não

SEMMA Teresópolis Privada

SEMMA Tanguá

Uso Sustentável Uso Sustentável Proteção Integral

Não Não Não

Não se aplica Não se aplica Não se aplica Não se aplica Em formação Não se aplica Em formação Em formação Não Não Não se aplica


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Mosaico Central recebe quatro novas Unidades de Conservação Conselho do Mosaico aprovou a inclusão de quatro novas unidades de conservação. Duas de Petrópolis e duas de Teresópolis. Na reunião de 15 de dezembro realizada na RPPN El Nagual em Magé representantes das Prefeituras de Petrópolis e Teresópolis e o proprietário de uma RPPN apresentaram suas unidades e os interesses e justificativas para ingressarem no Mosaico Central Fluminense. O conselho enxergou de forma positiva para a conectividade e a ampliação das áreas protegidas a entrada destes quatro novos parceiros. Monumento Natural Pedra do Elefante - Essa nova Unidade de Conservação do Mosaico e do próprio município possui nascentes importantes para a região do Taquaril em Petrópolis, além de rica fauna com destaque para as aves raras. Existe um projeto de reflorestamento em andamento e a comunidade participou de todo o processo de criação. Os 130 hectares do Monumento Natural vão ajudar a conectividade do Mosaico já que os limites são próximos da APA Petrópolis e das Unidades de Conservação de São José do Vale do Rio Preto. O monumento também está próximo do Parque Nacional da Serra dos Órgãos. O local já é muito freqüentado por montanhistas e os amantes

O monumento natural Pedra do Elefante já é um ponto tradicional de montanhismo. Essa unidade agora pertence ao Mosaico Central Fluminense.

de caminhadas na natureza. Vista de longe (da rodovia BR 040) parece um elefante. Parque Natural Municipal de Petrópolis - O parque fica localizado no Centro Histórico dessa importante cidade. Trata-se de área verde em estado avançado de regeneração que vai garantir melhor qualidade de vida e ar puro para uma área intensamente urbanizada. O parque possui mais de 16 hectares e será mais um atrativo

turístico de Petrópolis bem perto da Catedral, do Palácio de Cristal e do Museu Imperial. Parque Natural Montanhas de Teresópolis - Essa unidade foi criada no início de 2009 na hora certa para barrar o crescimento desordenado nas encostas do município. Garante, antes de tudo, a belíssima paisagem formada por montanhas cobertas de florestas e com rochas exuberantes como a famosa pedra da Tartaruga.

Em torno desse parque temos áreas rurais e urbanas bem próximas. Na parte agrícola temos a maior concentração de produção orgânica do Estado. As comunidades participaram intensamente da criação do parque e ajudaram a aumentar a área preservada. Vão ser quase 5 mil hectares que incrementarão a conectividade, aproximando unidades de Teresópolis, Petrópolis e São José do Vale do Rio Preto que já fazem parte do Mosaico Central Fluminense. Além disso, Teresópolis vai contar com mais um potencial enorme para o turismo ecológico e de aventura. RPPN Fazenda Suspiro - O Mosaico Central ganhou mais uma Reserva Particular do Patrimônio Natural localizada na rodovia TeresópolisFriburgo e colada no Parque Estadual dos Três Picos. Essa RPPN garante área protegida e verde em local onde a especulação imobiliária avança. A ampliação e o aumento da conectividade do Mosaico são de extrema importância. No entanto, a inclusão de novas unidades de conservação deve ser realizada com critérios cuidadosos. “Nosso princípio é de ampliação de parceiros, mas o processo deve ser feito com muita cautela para mantermos e aperfeiçoarmos a qualidade da gestão”, concluiu o presidente do Conselho do Mosaico Breno Herrera.

TV Mosaico já está no ar Programas também podem ser assistidos pela internet O mosaico prevê que a conexão natural existente entre as várias Unidades de Conservação seja levada para o âmbito da gestão, interligando ações, promovendo decisões coletivas e integrando a sociedade civil. Para tanto, além de estratégias administrativas que alinhem os objetivos e mantenham os elos das conexões unidos, a comunicação também aparece como ferramenta fundamental para a construção desta gestão inovadora. E agora, junto com o site e o boletim informativo, o Mosaico Central também conta com produções audiovisuais próprias: a TV Mosaico.

Por meio de reportagens mensais, a TV Mosaico tem o objetivo de levar, tanto para as várias unidades de conservação quanto para a sociedade, os principais temas socioambientais da região, fomentando a discussão e a reflexão em busca de soluções para as questões levantadas. A característica do audiovisual, que une imagem e som, tem forte apelo sensorial, o que facilita o entendimento e desperta o interesse da sociedade para o trabalho

que vem sendo realizado no Mosaico. Com cerca de 20 minutos, as reportagens procuram mostrar as iniciativas do conselho gestor, a biodiversidade local e assuntos relevantes para a região, trazendo informações e entrevistas com representantes de instituições, do poder público e da sociedade civil. Embora a linha da TV Mosaico esteja estreitamente ligada com o fomento da sustentabilidade ambiental, as matérias não excluem os problemas sociais

presentes na região, já que, a construção de um ambiente mais sustentável só é possível considerando-se todos os aspectos da sociedade. A equipe de produção é formada pelo jornalista e geógrafo, Francisco Pontes de Miranda Ferreira, pelo jornalista Roberto Oto, e pelo cinegrafista e editor de imagens Breno Sadock. Para assistir aos programas acesse o site do Mosaico (www.mosaicocentral.org.br). A TV Mosaico também está sendo distribuída para escolas e instituições interessadas em veicular o programa, assim como para TVs locais da região.


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Aniversário de 70 anos do PARNASO ressalta parceria entre Meio Ambiente e Turismo

Parque Nacional da Serra dos Órgãos (PARNASO) é considerado hoje referência nacional. Comemorou 70 anos no dia 30 de novembro de 2009 e representa sucesso da parceria entre meio ambiente e uso público sustentável com destaque para o ecoturismo, o turismo de aventura, o montanhismo e as atividades de pesquisa. Durante a cerimônia de comemoração o presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Rômulo Mello, destacou a inauguração da sede de Petrópolis e a criação do Grupo de Esportes da Natureza como ganhos muito importantes para o PARNASO. Tudo está inserido no projeto de parceria promovido pelo governo federal entre os ministérios de Turismo e Meio Ambiente. Trata-se do Programa Turismo nos Parques que tem como lema “Preserve um tempo em seu roteiro para curtir a natureza”. O Programa destinou R$ 4 milhões para o PARNASO. Os parques nacionais podem se tornar importante fonte de geração de renda com a chamada economia verde, onde o turismo pode se tornar canal principal. Os parques nacionais norte-americanos, por exemplo, recebem cerca de 200 milhões de visitantes por ano enquanto que os nossos recebem apenas pouco mais de 4 milhões. É um setor da economia muito pouco explorado. O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, definiu os parques como “fábricas sem chaminés” e defende o uso público das unidades de conservação como fonte de renda, mas também como aliado da preservação. Minc ressaltou a importância dos Mosaicos para a recuperação da Mata Atlântica e dis-

Rômulo Melo, Luiz Barreto e Carlos Minc

se que a meta é dobrar a área preservada em 20 anos. O ministro destacou o papel da cultura e é a favor de atividades culturais nas unidades de conservação. “O meio ambiente tem que estar presente na vida das pessoas”, afirmou. O ministro do Turismo, Luiz Barreto, chamou a aliança entre os dois ministérios de “casamento prefeito”. Destacou a necessidade de incrementar em todo o país o desenvolvimento com a preservação através do crescimento do ecoturismo e do turismo de aventura e disse que o PARNASO é vanguarda desse proces-

so. O chefe do PARNASO, Ernesto Viveiros de Castro, relatou as novidades do PARNASO, essenciais para concretizar essa política, como a inauguração do centro de visitantes com uma exposição permanente, do novo abrigo do Açu a 2100 metros de altitude com capacidade para atender 30 pessoas e a recuperação do museu Von Martius na sede de Guapimirim. Ernesto apontou para o futuro e deseja ainda realizar muito mais para a Unidade. Espera um aumento de visitantes no futuro próximo com a copa do mundo e as olimpíadas. Chamou a atenção para as novas placas de si-

nalização em português e inglês para a orientação e informação dos visitantes e da nova trilha suspensa que foi ampliada e reformada. O prefeito de Teresópolis, Jorge Mario Sedlacek apontou o PARNASO como destaque para o turismo na região e homenageou a equipe da unidade de conservação. As autoridades e os convidados foram conhecer a trilha suspensa que agora tem 1300 metros de extensão e que pode ser visitada por deficientes físicos já que não possui degraus e pode ser percorrida com cadeira de rodas. O visitante fica bem próximo da copa das árvores. O artesão ambiental e importante ambientalista de Teresópolis, Zé Waitz, presenteou o ministro Minc com um de seus trabalhos chamado “Coração da Mata Atlântica”. Aproveitou a oportunidade para apresentar a necessidade urgente de saneamento para as comunidades do entorno do PARNASO. Proposta que foi aprovada no orçamento participativo do município. Zé defende a ampliação da área atendida, que deve incluir toda a parte mais alta da bacia, com pequenas estações de tratamento de resíduos. O ministro, por sua vez, afirmou que a próxima prioridade será justamente a despoluição da bacia do Paquequer e falou da possibilidade da implantação de um parque fluvial no local. Novo Guia do PARNASO - Junto com o aniversário de 70 anos do parque foi lançado o livro “Parque Nacional da Serra dos Órgãos: guia do visitante, do caminhante e do montanhista” de autoria de Waldyr Neto e Ernesto Viveiros de Castro. A publicação possui mais de 40 roteiros com caminhadas, escaladas e cachoeiras, além de informações geográficas e biológicas.

GeoAtlântica abrigará base de dados do MMACF Sistema desenvolvido pelo IBio facilitará a gestão e o planejamento estratégico do mosaico. O MMACF já possui a sua base de dados gerreferenciados. Por decisão do Conselho, todas as informações sobre o mosaico e as mais de 20 unidades de conservação que o compõem serão centralizadas no Sistema GeoAtlântica, ferramenta de gestão ambiental disponível gratuitamente pela Internet. Lançado em julho do ano passado, o GeoAtlântica é a mais completa base de dados sobre a Mata Atlântica e seus ecossistemas associados disponível na Internet. O sistema reúne dados de mais de 50 fontes de informação públicas e privadas que, integradas de forma simples e ágil, permitem a gestores

públicos, pesquisadores, empresários, ambientalistas e à população em geral o acesso a informação de qualidade, georreferenciada e padronizada segundo critérios técnicos. Entre as bases já dispníveis no GeoAtlântica, para o estado do Rio de Janeiro, destacam-se os dados sobre áreas potenciais para restauração florestal da Mata Atlântica, informações sobre áreas protegidas municipais, sobre infra-estrutura de óleo e gás e as informações das cartas de sensibilidade ao óleo na zona costeiro-marinha. O sistema também é o único a disponibilizar em formato digital os índices

ambientais, por microbacias ou municípios, do estudo Ações e Estratégias para a Conservação da Biodiversidade no Estado do Rio de Janeiro. “Esperamos que as informações estejam consolidadas em uma única base de dados, facilitando as ações de conselheiros e colaboradores das unidades de conservação”, comenta Gabriela Viana, secretária executiva do MMACF e coordenadora do Programa Serra do Mar do Instituto BioAtlântica (IBio). Com a consolidação da base de dados MMACF, será possível identificar lacunas de informação, equalizar a dis-

ponibilidade de dados, levantar oportunidades e potencialidades de sinergia entre as unidades de conservação do mosaico. A base georreferenciada também facilitará a priorização de intervenções e ações para a efetiva conexão de fragmentos florestais, o trânsito de biodiversidade, e ganhos de área protegida, além de contribuir facilitar planejamento estratégico do mosaico, previsto para 2010. Administrado pelo IBio, o Sistema GeoAtlântica possui o apoio da Conservação Internacional, da Petrobras e da The Nature Conservancy. Acesse www.geoatlantica.org.br


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EXPERIÊNCIA DA COOPERATIVA MANGUEZAL FLUMINENSE NA APA GUAPIMIRIM Breno Herrera, Layse Rodrigues e Francisco Pontes de Miranda Ferreira INTRODUÇÃO - Localizada no recôncavo da baía de Guanabara a Área de Proteção Ambiental (APA) Guapimirim é componente da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Protege os remanescentes de manguezal que ocupam a faixa costeira dos municípios de São Gonçalo, Itaboraí, Guapimirim e Magé. A APA Guapimirim é continuamente ameaçada pelo crescimento urbano e por poluição orgânica e industrial. Assegura a resistência da vida na baía de Guanabara, assim como a sobrevivência de uma população humana que mantém relações tradicionais com o ambiente, vivendo de seus recursos naturais, principalmente a pesca e a coleta de caranguejos. É necessário comprometer a população residente e do entorno com a recuperação e conservação dos bens naturais e culturais da região, através de um projeto que as integre efetivamente em um contexto produtivo ecologicamente correto, permitindo a ela melhores condições sócio-econômicas e ao manguezal, a sua conservação e a garantia de pescado. Neste contexto, foi implementada a Cooperativa Manguezal Fluminense, composta por pescadores, caranguejeiros e seus familiares que vivem na APA e seu entorno. OBJETIVO - O presente trabalho objetiva registrar e analisar criticamente o processo de formação da Cooperativa Manguezal Fluminense, bem como apontar os desafios e perspectivas futuras para sua consolidação. METODOLOGIA - A formação da Cooperativa Manguezal Fluminense pautou-se em três fases: mobilização comunitária, cursos de capacitação profissional e discussão sobre o modelo de organização. O projeto foi desenvolvido entre março de 2006 e maio de 2009, com recursos do Programa PDA Mata Atlântica, do Ministério do Meio Ambiente. Foi executado pela OSCIP INNATUS (Instituto Nacional de Tecnologia e Uso Sustentável), em parceria com a APA Guapimirim. O projeto surgiu como demanda e foi acompanhado em todas suas fases pelo Conselho Gestor da APA Guapimirim/ CONAPAGUAPI (HERRERA, no prelo). Além da formação da cooperativa, o projeto também resultou na elaboração do Circuito de Ecoturismo da APA Guapimirim. RESULTADOS E DISCUSSÃO - a) Mobilização: Objetivou o reconhecimento das populações alvo do projeto, sua divulgação e a identificação de pessoas comprometidas a compor a cooperativa. O CONAPAGUAPI serviu como referência para aproximação com comunidades locais e suas lideranças. Foram escolhidas as localidades de Praia da Beira (São Gonçalo), Itambi (Itaboraí),

Canal, Piedade, Roncador e Suruí (Magé), onde reuniões participativas divulgaram a idéia do projeto: agregar representantes das diferentes comunidades para compor um coletivo organizado na produção de bens e serviços relacionados à questão socioambiental. Houve dificuldade inicial, por conta de experiências frustradas com trabalhos anteriores desenvolvidos por ONGs, nos quais eram obtidas informações e colhidas contribuições das comunidades, sem o devido reconhecimento e retorno de benefícios às mesmas, ao término dos trabalhos. Tais dificuldades foram se atenuando à medida que se desenvolveram relações de confiança entre a equipe do projeto e os comunitários. Nas reuniões também se discutiram os problemas ambientais locais (e.g., lixo e saneamento) e sua estrutura urbana (e.g., transporte público, creches, saúde). Esta fase identificou 55 pessoas com potencial, interesse e perfil para participar diretamente do projeto. A composição deste grupo era basicamente de pescadores, caranguejeiros e suas mulheres. A alta representação de mulheres no grupo buscou lidar com o desequilíbrio de gênero típico destes ofícios eminentemente masculinos, onde as mulheres dedicam-se prioritariamente às atividades domésticas. b) Capacitação profissional: Aos sábados (de modo a não comprometer a rotina profissional de parte dos cursistas) foram realizadas aulas e oficinas de capacitação em viveirismo, artesanato e condução de visitantes. A sede da APA Guapimirim disponibilizou sala de aula, escritório, banheiros e copa para a cooperativa em formação. Na área externa foi construído um viveiro de mudas e um quiosque para exposição dos produtos. A organização e limpeza do espaço cedido ao projeto ficou sob responsabilidade dos cursistas ao longo de todo o período, o que contribuiu para o fortalecimento de um espírito de grupo, construindo gradativamente uma identidade da cooperativa em formação. O deslocamento e a alimentação dos cursistas foi financiado pelo projeto. Viveirismo: Este módulo contou com carga de 192 horas, sendo 20 teóricas. Foi implementado um viveiro-escola e uma área para compostagem de resíduos orgânicos. Houve capacitação em produção de plantas ornamentais (visando à comercialização imediata) e em essências nativas para reflorestamento. A venda das mudas e arranjos produzidos foi aquém da expectativa inicial, dado o mercado restrito e já ocupado por grandes produtores na região. Artesanato: Com ênfase no emprego de matéria-prima local, este módulo foi voltado à capacitação em produção de artesanato. O conteúdo programático abordou as

temáticas: arte e elementos artísticos; cores na formação das imagens; planejamento e artesanato em bijuterias, bambu, taboa e escamas de peixe. Os artigos produzidos foram expostos e comercializados em feiras locais. De um modo geral, as vendas foram pouco significativas, o que ensejou uma autocrítica dos cooperados quanto à qualidade dos produtos elaborados e à dificuldade de inserção em um mercado pequeno e extremamente saturado. Os produtos com maior potencial foram aqueles elaborados com taboa (cestaria, esteiras, pufes) e escama de peixe (brincos e colares). O módulo de artesanato teve carga de 212 horas. Condução de visitantes: Este módulo teve carga de 144 horas. Houve aulas teóricas sobre ecologia do manguezal; historia e arqueologia da região; interpretação de trilhas e educação ambiental. O projeto adquiriu duas embarcações tipo voadeiras de alumínio, cedidas à cooperativa, que serviram para as aulas práticas de navegação. Os cursistas obtiveram credenciamento junto à Capitania dos Portos para a condução das embarcações, além de receberem instruções básicas de primeiros socorros. Este módulo, associado à elaboração do Circuito de Ecoturismo da APA Guapimirim, objetivou a consolidação da cooperativa como principal operadora do ecoturismo local, privilegiando o elaborado conhecimento empírico dos cooperados acerca da natureza local e adequando-o a procedimentos necessários para a qualificação e profissionalização da atividade turística. A cooperativa vem operando esta atividade, principalmente na condução de grupos escolares, universitários e de pesquisa. c) Discussão sobre o modelo: Ao término da fase de capacitação, os alunos egressos dos três cursos juntaram-se a fim de discutir o modelo de organização daquele coletivo. Cerca de 25 comunitários concluíram devidamente a capacitação e compuseram a cooperativa. Com participação de assessoria jurídica especializada, se optou pelo modelo de cooperativa, em vez de associação, dado o viés econômico e produtivo das atividades desenvolvidas. Neste módulo houve capacitação básica em gerenciamento e legislação. Coletivamente foi eleita a coordenação do grupo e elaborado seu regimento interno, que prevê o mecanismo de partição dos lucros entre os cooperados. Em abril de 2009 foi formalmente criada a Cooperativa. CONCLUSÃO - Projetos de desenvolvimento local baseados na sustentabilidade ambiental e nos princípios da economia solidária, como a cooperativa em análise, representam uma oportunidade para a formação de cidadãos competentes, participativos e conscientes da necessidade de

preservação dos recursos naturais para as gerações futuras (HARVEY, 1996). As principais dificuldades encontradas pela cooperativa relacionam-se à inserção em um mercado de trabalho extremamente limitado e disputado, resultado do modelo econômico vigente (FOSTER, 2005 e GONÇALVES, 2004). Este fator manifestou-se principalmente no artesanato e no viveirismo. Por outro lado, verifica-se grande potencial na operação do ecoturismo. Para melhor desenvolver esta potencialidade, a cooperativa deve investir na sua divulgação, o que pode requerer ainda suporte técnico externo, antes de sua definitiva autonomia. Um produto ecoturístico bem elaborado pode incluir a venda de artesanato local, integrando e potencializando as duas atividades. Há ainda boa perspectiva de trabalho para a cooperativa em projetos de reflorestamento, resultantes de medidas condicionantes e compensatórias de empreendimentos potencialmente poluidores sendo licenciados na região. Embora a cooperativa ainda não esteja suficientemente madura para assegurar isoladamente a sobrevivência econômica dos cooperados, já se vêm resultados positivos na complementação da renda familiar dos mesmos. É necessária a continuidade do processo de profissionalização, bem como o aprofundamento de relações com outras experiências semelhantes no país, de modo a fortalecer uma efetiva rede de economia solidária (CASTELLS, 1996; LIANZA e ADDOR, 2005), de caráter coletivo e inclusivo, que gradualmente se estabeleça como alternativa concreta ao sistema econômico vigente, eminentemente privatista e excludente (MARTINEZ-ALIER, 2007; SANTOS, 2000). Referências Bibliográficas

CASTELLS, M. The Information Era: The Rise of the Network Society (Volume 1). Oxford. Blackwell. 1996. GONÇALVES, C. W. P. O Desafio Ambiental. Record. RJ/SP. 2004. HARVEY, D. Justice, Nature & the Geography of Difference. Oxford. Blackwell. 1996. HERRERA, B. Participação das Populações Locais no Conselho Gestor da APA Guapimirim: empecilhos e avanços. in: MEDEIROS, R. (Org.) Experiências na Implementação e Funcionamento de Conselhos de Gestão de Unidades de Conservação no Brasil. No prelo. LIANZA, S. e ADDOR, F. (Org). Tecnologia e Desenvolvimento Social e Solidário, Porto Alegre, UFRGS, 2005. MARTINEZ-ALIER, J. O Ecologismo dos Pobres. Contexto. São Paulo. 2007. SANTOS, M. Por uma Outra Globalização, Record RJ/SP, 2000


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Conexão Verde

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APA Guapimirim comemora aumento dos manguezais

História - Iniciou nos anos 70 a luta pela preservação dos últimos manguezais remanescentes do recôncavo da baía de Guanabara que já sofria muito com problemas de poluição e depredação. Esgoto, poluição industrial, aterros, retirada de madeira de mangue eram ações comuns. Em 1978, cientistas fizeram um pedido formal para a criação de uma Unidade de Conservação. De outro lado, o Departamento Nacional de Obras de Saneamento (DNOS) insistia em grandes projetos de drenagem, aterro de mangues e retificação de canais fluviais. Finalmente, em 25 de setembro de 1984, foi criada a primeira Unidade de Conservação de manguezais do Brasil. Apesar de importantes passos na preservação, a baía de Guanabara continua poluída e recebendo projetos industriais de grande porte, além da expansão urbana desordenada em quase toda sua zona costeira. A região também é marcada por acidentes como o derramamento de 1,3 milhões de litros de óleo da refinaria Duque de Caxias da Petrobras em janeiro de 2000 e o derramamento de 60 mil litros de óleo no rio Caceribu causado por um acidente com um trem da Ferrovia Centro-Atlântica da Companhia Vale do Rio Doce. Aspectos positivos e negativos - A constatação do aumento da área de manguezais anunciada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) é o aspecto mais positivo a ser comemorado nos 25 anos da APA. Mais de 400 hectares de manguezais foram recuperados. A região, no entanto, ainda sofre com os mesmos problemas do passado como a poluição das águas e a expansão urbana e industrial. “Notícia da ampliação da cobertura vegetal dos manguezais é muito importante. Enquanto a expansão da Mata Atlântica como um todo está estagnada, conseguimos aumentar a

área de manguezais. Outro aspecto muito positivo a comemorarmos é o aumento da participação popular na gestão. A criação da Cooperativa Manguezal Fluminense é um marco muito positivo. Celebramos também a parceria com a Fundação SOS Mata Atlântica para melhoramos a estrutura da APA Guapimirim e da Estação Ecológica (ESEC) Guanabara. Nossas maiores dificuldades são o crescimento urbano desordenado e a expansão industrial na região que afetam a qualidade ambiental dos manguezais e aumentam o assoreamento da baía”, ressaltou o chefe da APA Guapimirim Breno Herrera. Opinião semelhante tem o chefe da ESEC Guanabara Maurício Muniz enfatizando que “um dos aspectos mais positivos nesses 25 anos da APA é o envolvimento social. Pescadores e caranguejeiros hoje são parte importante do processo. No entanto, ainda temos problemas graves como a poluição dos rios. A falta de saneamento básico está

presente em toda a região. Outro problema grave é a expansão urbana e industrial”. A Fundação SOS Mata Atlântica vem auxiliando nos trabalhos de preservação dos manguezais e de melhorias estruturais das instalações da APA e da ESEC. Trata-se do Fundo Guanabara que visa complementar os recursos federais. “A partir de 2006 decidimos privilegiar a zona costeira da Mata Atlântica com atenção aos manguezais. Defendemos o olhar para o mar e o olhar no contexto do Mosaico. Os mangues são muito importantes para a Mata Atlântica como um todo. Iniciamos projetos de apoio à zona costeira no Atol das Rocas e a segunda área privilegiada é a APA Guapimirim e a ESEC Guanabara” destacou a diretora de gestão de conhecimento da Fundação SOS Mata Atlântica, Marcia Makiko Hirota. Homenagens - Adilson Fernandes (conhecido como Russo) é antigo morador e já foi caçador na região e hoje é contratado da

APA como piloto de barcos e defensor do ambiente. Ele recebeu uma especial homenagem durante a festa e lembrou que os mangues preservados representam “a vida da baía de Guanabara”. Ele está muito contente com o “aumento do número de jacarés, capivaras e peixes”. Também recebeu homenagem especial o mais antigo servidor da APA, Sebastião Monteiro da Silva, que muito emocionado também defendeu a importância do aumento da área de mangues preservados. Os pescadores Manuel Santos e Alexandre Souza também receberam homenagens. Alexandre faz parte do grupo “Homens do Mar da baía de Guanabara” e lembrou que os pescadores são os melhores indicadores da qualidade da água. Quando a pesca está ruim é sinal de queda da qualidade ambiental. Ele criticou muito a poluição provocada pelos empreendimentos Off Shore como os diversos gasodutos sendo instalados na baía. Cientista critica desenvolvimentismo não sustentável - Um dos mais importantes cientistas que lutou pela criação das Unidades de Conservação para salvar a baía de Guanabara é o professor Elmo Amador. Ele afirmou que a vida da baía de Guanabara só é possível graças a APA e a ESEC. “Estou muito contente com o aumento da área de manguezais. Antigamente o mangue era considerado podre e insalubre e a mentalidade era de aterrar. Hoje quase ninguém tem visão negativa do mangue”, explicou. Entretanto, professor Elmo está muito preocupado com a instalação do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (COMPERJ) na região. “A localização do empreendimento é criminosa e o próprio COMPERJ vai na contramão da preocupação ambiental essencial hoje. O potencial poluidor é assustador”, apontou Elmo.

Mosaico Central Fluminense participa do Projeto “A Mata Atlântica é Aqui” O projeto “A Mata Atlântica é Aqui – exposição itinerante do cidadão atuante” é promovido pela Fundação SOS Mata Atlântica e tem como objetivo levar informações sobre esse importante e ameaçado bioma. Tem a intenção de conscientizar as pessoas sobre a influência da Mata Atlântica em suas vidas. O projeto consiste em um caminhão equipado com multimídia, palco, livraria e toda uma estrutura para atividades artísticas, lúdicas, didáticas e informativas sobre a Mata Atlântica. Conta também com uma equipe especializada e muito dedicada. A

idéia é percorrer cerca de 40 municípios em 2010. Em janeiro o caminhão estacionou nas praças principais de Teresópolis e Nova Friburgo e o Mosaico Central Fluminense instalou um estande para divulgar para a popula-

ção o conceito de mosaico, a composição do Mosaico Central Fluminense e as diversas atividades que estamos realizando. Mais de 90% dos visitantes ainda não conheciam o Mosaico Central Fluminense e esse novo conceito de gestão de áreas protegidas. Muitos também não tinham contato com as Unidades de Conservação tão próximas e essenciais para a qualidade de vida da região. O dia 14 de janeiro contou com debate sobre o Mosaico Central Fluminense. Filme e mapa do Mosaico estarão circulando com o caminhão por vários cantos do Brasil. Atividades como essas são de

extrema relevância. Obrigado SOS Mata Atlântica por mais essa parceria. A Fundação SOS Mata Atlântica é uma ONG criada em 1986 e tem como objetivo valorizar e preservar os remanescentes desse bioma com destaque também para fatores históricos e culturais. Visite o site da instituição: www.sosma. org.br e o Blog com imagens das atividades do caminhão. A SOS Mata Atlântica vem participando de várias atividades de fortalecimento das Unidades de Conservação de nossa região.

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Boletim do Mosaico Central Fluminense, março de 2010

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