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perigosos, área sem lei etc., mas Mattos Pimenta retomou esse discurso, inserindo-o sobre a bandeira do nascente Urbanismo. Porém, diferindo das iniciativas reformistas de Barata Ribeiro e Pereira Passos, Pimenta preocupava-se com o destino da população moradora das favelas daquele período. Ele acreditava que a solução passava pela substituição das moradias precárias pela construção de conjuntos de prédios, financiados pelo Estado, porém pagos pelos próprios moradores. Previa, inclusive, uma remuneração de 9% sobre o capital investido, pois acreditava que muitos moradores tinham condições de pagar, já que viviam pagando aluguel na própria favela em que moravam (VALLADARES, 2000). Essa dualidade entre favela e a cidade, presente na campanha de Mattos Pimenta, ganhou dimensão oficial quando o prefeito Antônio Prado Junior decidiu-se pela realização de uma nova “intervenção” na cidade no final da década de 1920. Para a realização do Plano de Remodelação da Cidade do Rio de Janeiro, o prefeito escolheu o urbanista francês Alfred Hubert Donat Agache que, segundo Lícia Valladares (2000), incorporou muitas das proposições de Mattos Pimenta ao projeto que ficou conhecido como Plano Agache. Agache foi um dos primeiros a perceber que havia elementos exteriores à pobreza que também podiam explicar a ida de pessoas para a favela. Ele identificou, por exemplo, os obstáculos representados pelos trâmites burocráticos vinculados à atividade de construção e a própria atitude omissa dos poderes públicos e da administração municipal no que dizia respeito à habitação popular e aos pobres. Para Valladares (2000), isso foi, sem dúvida, um avanço, porém, de uma maneira geral, o urbanista endossou a ideia pré-existente de que a favela representava um sério problema, “não só do ponto de vista da ordem social e da segurança, como também sob o ponto de vista da hygiene geral da cidade, sem falar da esthetica”. Como solução para o problema, reiterou a proposta de Mattos Pimenta e propôs no seu Plano de Extensão, Remodelação e Embelezamento que fossem construídas habitações adequadas à sua população:

02 // Riqueza, pobreza e desigualdade na cidade capitalista

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Memória e Identidade dos Moradores de Nova Holanda  

O livro “Memória e Identidade dos Moradores de Nova Holanda” faz parte de um projeto mais amplo e ambicioso: apresentar a história e memória...

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