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Vinte mil pessoas foram desabrigadas pela demolição dos cortiços, ao passo em que ruas e avenidas foram alargadas, terrenos que acumulavam lixo foram transformados em praças e mais de 2.500 casas foram demolidas. Para essa reforma, o governo destruiu quase todos os cortiços da cidade. Com seu centro revitalizado, o valor do local no mercado imobiliário cresceu (VENTURELLI, 2007, p. 12-13), mas milhares de pessoas ficaram desamparadas no que dizia respeito a uma das necessidades mais elementares: a moradia. Isso porque, segundo Rolnik (1981), nos governos da República Velha (1889-1930), “o Estado privilegiava a produção privada e recusava a intervenção direta no âmbito da construção de casas para os trabalhadores. Suas iniciativas restringiam-se à repressão, via legislação sanitária e ação policial, e à concessão de isenções fiscais, que beneficiavam basicamente os proprietários de casas de locação, ampliando sua rentabilidade. Em suma, o Estado não assumia a responsabilidade de prover moradias e, tampouco, a sociedade lhe atribuía esta função” (apud BONDUKI, 1994, p. 2).

O significado concreto foi que, do ponto de vista de um direito social como a habitação, a República não apenas expulsou os pobres da cidade, como não garantiu qualquer outra opção, nem mesmo o subúrbio ferroviário da metrópole, pois as medidas do prefeito Pereira Passos não se limitaram à demolição dos cortiços. Através do Decreto 39, de 10 de fevereiro de 1903, ele criou uma série de normas para construção que dificultava ainda mais a edificação de habitações populares nos subúrbios. Como consequência, junto à eliminação das condições de permanência de habitação popular que antes prevalecia no centro antigo, houve a dispersão do contingente populacional pobre para áreas adjacentes, desprovidas de valor comercial, como os morros, beiras de rios e lagoas e/ou as periferias, onde ficou sujeito a inundações, deslizamentos, a doenças decorrentes da falta de saneamento e a outros fatores que precarizaram ainda mais a vida (FERREIRA, 2009).

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memória e identidade dos moradores de nova holanda

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Memória e Identidade dos Moradores de Nova Holanda  

O livro “Memória e Identidade dos Moradores de Nova Holanda” faz parte de um projeto mais amplo e ambicioso: apresentar a história e memória...

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