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Podemos situar o início desse processo segregacionista na segunda metade do século XIX, pois até os primórdios do ciclo do café, no início do século XIX, a cidade do Rio de Janeiro estava confinada ao quadrilátero formado pelos Morros do Castelo, Santo Antônio, São Bento e Conceição. Em 1821, as freguesias urbanas se limitavam a essa área central e alguns tentáculos seguiam as encostas norte e sul do Maciço da Tijuca. Maurício de Abreu (1987) explica que a falta e a precariedade dos meios de transporte não facilitavam a mobilidade dos moradores. Todos, fossem senhores ou escravos, viviam no quadrilátero limitado pelos morros tendo o Campo de Santana como limite ao norte. Como o mar e a baía eram, até então, o principal meio de transporte e o percurso por terra para sair da cidade era cheio de obstáculos, somente aqueles que possuíam seus próprios meios de transporte – montaria e/ou animal de tração, carro de boi ou puxado a burro – é que tinham mais liberdade de se deslocar (ABREU, 1987). Antônio José Pedral Sampaio Lins (2010) ratifica Abreu (1987) e ajuda a compreender melhor o porquê dessa ausência de crescimento do perímetro urbano, quando diz que “[...] a mobilidade talvez seja o motivo mais nítido para se entender como a cidade cresceu pouco em sua estrutura urbana nos três primeiros séculos. Numa sociedade escravocrata, que perdurou até final do século XIX, somente os que possuíam seus próprios meios de transporte tinham mobilidade fora do perímetro urbano, que se estendia a poucas quadras, entre a Praça XV e o Campo de Santana. Todas as classes sociais moravam no mesmo território restrito da cidade, fossem escravos, libertos ou senhores e proprietários. As residências urbanas abrigavam sob o mesmo teto os senhores e escravos. Somente após 1850, com a chegada de muitos migrantes atraídos pela expansão econômica gerada pela economia do café e, posteriormente, em cerca de 1870, quando foi inaugurado o serviço de transportes ferroviários de subúrbios, este círculo restrito do perímetro urbano foi rompido” (p.8).

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memória e identidade dos moradores de nova holanda

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Memória e Identidade dos Moradores de Nova Holanda  

O livro “Memória e Identidade dos Moradores de Nova Holanda” faz parte de um projeto mais amplo e ambicioso: apresentar a história e memória...

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