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Jailson de Souza e Silva e Jorge Luiz Barbosa (2005), no livro “Favela: alegria e dor na cidade”, ao tratarem da estereotipia das favelas e seus moradores, enfocam essa questão da individualização e precarização da existência, apontada por Frigotto (1998), quando examinam o papel da mídia na crescente socialização do desejo de consumir produtos específicos e distintivos num contexto em que apenas uma minoria social tem, de fato, acesso a esses produtos. Para eles, ao objetivar a formação do consumidor como um ser carente por natureza, a publicidade edifica um projeto de sociedade no qual a regulação ética, moral, social, econômica e cultural vem do mercado. Nesse mundo, a identidade (e, igualmente, a distinção social) do ser humano deverá ser construída a partir do padrão de consumo de cada indivíduo. O paradoxo entre a massificação do desejo de consumir, apresentada por esses autores, e as restrições impostas pela reestruturação produtiva mencionada por Frigotto (1998), que implica a chamada existência provisória, resultará no estreitamento progressivo dos tempos e espaços existenciais da maioria da população por meio de dois tipos de práticas sociais: a presentificação e a particularização. Para Silva e Barbosa (2005), este fenômeno afeta o próprio processo de humanização dos indivíduos, pois “a redução da vida cotidiana ao particular e ao imediato gera, no limite, a diminuição das possibilidades de humanização, em uma perspectiva plena e universal. O ser humano presentificado e particularizado, sem noção de passado ou de futuro e voltado à aquisição de bens materiais distintivos, não investe em projetos de longo prazo, como a educação, não desenvolve uma preocupação ambiental e tem como referência fundamental apenas a sua satisfação pessoal – no máximo, a de seu grupo familiar. Nesse processo, há uma progressiva perda do sentido da vida coletiva. Seu corolário é o aumento da intolerância e da sensação de insegurança, além da dificuldade em incorporar uma ética de responsabilidade em relação ao espaço público. Estas posturas tornam-se o alimento de múltiplas formas de violência na cidade [...]. São elas que vão deteriorando o social e piorando cada vez mais a qualidade de vida nas grandes cidades” (p. 61).

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memória e identidade dos moradores de nova holanda

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Memória e Identidade dos Moradores de Nova Holanda  

O livro “Memória e Identidade dos Moradores de Nova Holanda” faz parte de um projeto mais amplo e ambicioso: apresentar a história e memória...

Memória e Identidade dos Moradores de Nova Holanda  

O livro “Memória e Identidade dos Moradores de Nova Holanda” faz parte de um projeto mais amplo e ambicioso: apresentar a história e memória...

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