Page 151

Com relação à Nova Holanda, quando eu vim para o Rio, em 1961, nós viemos morar no Parque Santa Luzia, do outro lado. Era uma favelinha pequena, ali onde é a COHAB hoje. Muito boa, favelinha tranquila... Foi outro sofrimento ali que nós tivemos. Tinha 16 anos. E naquela época, ali era muito calmo. Eu fiquei morando lá 13 anos e vim para Nova Holanda em 1971. Quem fez isso aqui foi o Carlos Lacerda. Em 1964, Carlos Lacerda fez a Nova Holanda, aterrou toda essa área, construiu todos os barracos. Aqui dentro, tinha um regime na época em que eu me mudei pra cá, em 1971: o barraco era quarto, sala, cozinha e banheiro. E tinha uma área nos fundos e uma área na frente. Tudo que você fosse fazer lá no barraco, você teria que participar à Fundação Leão XIII. Era muito melhor do que hoje. Com alguns problemas que tínhamos, mas... A fiação, na época, em 1971, quando a gente veio, era toda organizada. Porque tudo aqui era comandado pela Fundação Leão XIII. Mas o Carlos Lacerda fez tudo. Deixou tudo pronto. Aí puxou a fiação por fora do barraco e por dentro fez a instalação das casas. As ruas eram de barro. Tudo direitinho, não tinha calçamento, não tinha nada, mas era bom. Quando o Carlos Lacerda fez isso aqui, ele fez para transferências de pessoas que não podiam pagar nada: nem água, nem luz, nem nada. Pessoas que não tinham condição de nada. Então, trazia praqui... E a Fundação Leão XIII fornecia tudo: luz, água, tudo de graça. A pintura era tinta na madeira mesmo. Você não poderia construir nada. Deve ter sido nos anos 80, quando a Fundação foi caindo e coisa e tal. Existiam as palafitas também, porque, depois que o Carlos Lacerda construiu isso aqui, não podia existir barracos de madeira. E o mar vinha até ali. O mar vinha até aqui, no final da Rua O. Dali pra lá era mar e nós saíamos para pescar de barco... Depois, foi sendo invadido. O pessoal fez aquelas palafitas de barracos de madeira em cima do mar. O banheiro era, quando faziam necessidades, caía dentro do mar mesmo. Eram uns barracos... Faziam uns paus altos e suspendiam o barraco de tábua ali. Mas era melhor... Tudo bem, tá certo! O número de pessoas também era muito menor e tínhamos vários problemas, como a dificuldade da água. Me lembro da Dona Antônia, que comprou uma bomba muito grande e ela puxava água. E muita gente ia lá e pe-

04 // A memória da Nova Holanda por seus moradores

149

Profile for Mórula Editorial

Memória e Identidade dos Moradores de Nova Holanda  

O livro “Memória e Identidade dos Moradores de Nova Holanda” faz parte de um projeto mais amplo e ambicioso: apresentar a história e memória...

Memória e Identidade dos Moradores de Nova Holanda  

O livro “Memória e Identidade dos Moradores de Nova Holanda” faz parte de um projeto mais amplo e ambicioso: apresentar a história e memória...

Profile for morula
Advertisement