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aqui está um sucesso. Isso aqui está a Zona Sul! A Teixeira Ribeiro era de uma largura pequenininha e a água ficava aqui embaixo. E a ponte era de pau! O caminhão da mudança passava por cima da ponte de pau! Pior que era! Onde era a Escola Nova Holanda, não tinha nada também. Era tudo água. Aqui era muito organizado mesmo. Aqui tinha tudo, só não tinha água. Água tinha muito pouco e apanhava água lá na Avenida Brasil. Com uns 13 anos, comecei a trabalhar e nós tínhamos que sair descalços, com o sapato na mão, pra lavar os pés lá na ponta da Avenida Brasil para poder pegar o ônibus. Mas agora melhorou “cem por cento”. Aqui está muito bom! Em vista, agora tá tudo asfaltado. Não era nada assim, não. Aqui tinha muito fogo. Antigamente, eu acho que tinha muito mosquito... Os outros pegavam aquele negócio de pó de serra e botavam numa lata e queimavam aquilo. Às vezes, era vela acesa, às vezes, as pessoas saíam e a vela caía. Era barraco! Era de pau. Foi quando eles fizeram essa remoção todinha. Eu me sinto bem aqui, me dou bem, graças a Deus, com todo mundo. Aqui sou uma pessoa muito considerada. Se os outros precisarem de mim, eu faço favor, eu ajudo. Minha falecida mãe também. O pessoal daqui da Teixeira Ribeiro, quando as moças iam ter os filhos, quem ajudava era minha mãe, era a minha mãe que fazia as coisas todinhas. Ivete Sati. E o nome da minha avó era Guliati. É porque a minha avó não era daqui. Ela gostava de jogar umas praguinhas nos outros. Tem uma história: tinha um menino que era colega da gente, o falecido Canema. Antigamente, tinha o posto policial que era aqui na Rua Principal e ele, para mexer com minha avó, em vez de chamar minha avó de Guliati, chamava ela de Gulivete. Minha avó então falou: “Tu vai entrar em cana,rapaz!” Pior que ele entrou em cana mesmo! O quê?! Ela era triste, minha filha! Ela também foi muito boa. A vovó Maria Conga tomava muito, muito café. Era o santo! Uma entidade. É africano. Minha família tem pé africano. África, eu também tinha. Agora não tem mais. A gente não se vê mais. Esse casarão aqui era do falecido Derley. Eu que passava a roupa de seda dele, ele só andava na seda... Eu nunca, nunca fui filha de san-

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memória e identidade dos moradores de nova holanda

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Memória e Identidade dos Moradores de Nova Holanda  

O livro “Memória e Identidade dos Moradores de Nova Holanda” faz parte de um projeto mais amplo e ambicioso: apresentar a história e memória...

Memória e Identidade dos Moradores de Nova Holanda  

O livro “Memória e Identidade dos Moradores de Nova Holanda” faz parte de um projeto mais amplo e ambicioso: apresentar a história e memória...

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