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Branco, e fomos vice-campeões e viemos desfilar em Bonsucesso pra avaliação, pra virar escola de samba, e fomos a melhor escola de Bonsucesso. Ainda hoje eu tive pegando na placa lá: “A melhor escola de 99 em Bonsucesso”. Está meio enferrujadinha e eu tô imaginando: “O que eu faço pra ela ficar bonita de novo?” E dali saímos do grupo E, fomos para o grupo D. Do grupo D fomos para o grupo C, aí, no grupo C nós estamos agarrados lá até hoje, desde 2001. Pelo menos, a gente não desceu, porque a pior coisa é descer, porque, quando você não ganha, mas permanece no grupo, deixa aquela esperança de que o ano que vem vai ser melhor. Nós fizemos nosso último carnaval em 2006 e em 2006 nós nos afastamos novamente, quer dizer, a família, porque eu sempre tive com a família dentro da agremiação. Quando um sai, sai todo mundo. Inclusive, nos últimos dois anos, o presidente era o meu filho, o Rafael, e ele é ótimo nesse ramo, ele é um bom carnavalesco, como a irmã dele também, a Roseni de Oliveira, que é ótima carnavalesca. Mas não adianta fazer, dar o máximo, procurar beleza, se não tiver dinheiro para comprar. Pensando nisso, a gente se afastou novamente e hoje em dia quem é o presidente é o Mauro Camilo e ele está lutando. São 14 agremiações, pra você ganhar das 14... Algumas das agremiações são famosas, que já desfilaram na Sapucaí e então desfilam com a gente lá. Quer dizer, é muito difícil ganhar deles. Agora, estou totalmente descompromissado, torcendo, porque pelo menos pra torcer não custa nada. Mas com certeza vou estar lá e se depender de mim alguma coisa... Eu amo a agremiação e não sou só eu, mas os meus filhos também. Quer dizer, a gente torce, a gente sabe que é difícil e sabe que o nosso presidente, ele tá sofrendo, porque ele já foi presidente do “Gato” na época que eu me afastei, de 86 até 98. Ele fez uma gestão e naquele tempo era muito mais fácil, porque era um bloco e agora é uma escola de samba do grupo C. É muita responsabilidade e o material humano que a gente tem na comunidade é muito difícil, a Igreja tem mais facilidade de catequizar componentes do que a escola de samba para o carnaval. Porque há de pensar o seguinte: existe a cultura de que quem gosta de carnaval vai pro inferno, não é mesmo? E quem gosta da Igreja vai pro céu, quem procura a Igreja vai pro céu. Você vê: não é muito difícil de escolher, por aí.

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memória e identidade dos moradores de nova holanda

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Memória e Identidade dos Moradores de Nova Holanda  

O livro “Memória e Identidade dos Moradores de Nova Holanda” faz parte de um projeto mais amplo e ambicioso: apresentar a história e memória...

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