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usualmente, na cabeça. Também utilizavam o rola, um barril, de vinho, protegido por dois aros cortados de pneus velhos e tracionado por uma vara de ferro de ¾ de polegada, fazendo-o girar sobre o próprio eixo. Os rolas eram feitos pelos próprios moradores. O pneu era fácil de encontrar na rua ou no posto de gasolina na Avenida Brasil, que, naquela época, era uma pista só para subida e outra para descida. E quem não podia ter o rolador trazia lata na cabeça. Antigamente os barris vinham cheio de vinho. O caminhão vinha cheio de vinho e aquele barril, quando esvaziava, eles vendiam. Tinha um ferro-velho aqui dentro que vendia os barris já vazios. O pessoal comprava, botava borracha, cortava o pneu e a madeira não pegava no chão. Tinha a Dona Antônia, que ajudava a fornecer essa água, ela vendia. Ela morava na Rua I. Era na rua do Zezito. Eu morava lá na frente. Ela vendia água. Um barril ela vendia, uma lata ela vendia. Ela tinha água na cisterna em casa. Já o Sr. Juvenal ali da esquina, ele não vendia, não, ele dava água. Todo mundo ele dava. As melhorias foram acontecendo. Tinha a Maria Amélia, que tinha uma creche. Ela tomava conta das crianças, juntava aquela criançada e levava pra casa dela. Levava pra escola. Ela passava por aqui com aquela meninada, parecia até uma procissão só de criança. Era de graça, ela fazia por amor às crianças. Quando eu cheguei aqui no Rio, em 1953, a Avenida Brasil tava lá, exatamente, em frente ao matadouro. Era uma pista só que tinha. Pra lá e pra cá. Era uma pista só. Começou lá embaixo e chegou lá na Penha em 1953, quando eu cheguei. Era tudo barro, tudo chão. Depois que foi aumentando e hoje parece que tem quatro pistas. Ainda é pouco. A construção da Linha Vermelha, eu só lembro quando ela chegou aí, mas de onde ela começou, eu não lembro. Aquilo tudo pertencia ao mar, foi aterrado, aterraram tudo e começou a Linha Vermelha. Quando eu vim morar aqui, as casas de madeira eram melhores que a minha, que eu morava lá em Brás de Pina. As tábuas eram novas e lá tudo era tábua velha, telha de lata. E aqui era telhadozinho. Era uma parede só pra dois moradores, pra mim e pro meu vizinho do outro lado. Era uma parede só. Eu comecei a construir a minha casa de tijolo depois do aniversário de 15 anos da minha filha e depois, comecei a fazer um pedacinho hoje, um pedacinho amanhã.

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memória e identidade dos moradores de nova holanda

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Memória e Identidade dos Moradores de Nova Holanda  

O livro “Memória e Identidade dos Moradores de Nova Holanda” faz parte de um projeto mais amplo e ambicioso: apresentar a história e memória...

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