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Geral Ordinária, a AMANH expôs aos moradores a situação geral da comunidade, alertou para o baixo impacto que o valor disposto teria sobre as famílias se usado individualmente e propôs a criação de um banco de material de construção dirigido pelos próprios moradores. O recurso inicial do banco de material seria o valor total dos recursos do Fala Favela. E, à medida que as pessoas fossem pagando, dentro de suas reais possibilidades, o material usado nas construções, outras iriam tendo oportunidade. Dessa maneira, o recurso se multiplicaria e um número maior de pessoas poderia se beneficiar. Com o amadurecimento das discussões em torno da questão da moradia na Nova Holanda, feitas a partir do levantamento da Comissão de Habitação, a direção da AMANH tomou uma importante decisão: “A definição da construção da COOPMANH (Cooperativa Mista e de Consumo dos Moradores de Nova Holanda), de forma a funcionar como uma entidade que garantisse o acesso aos moradores mais pobres ao material de construção por um preço mais acessível” (SOUZA SILVA,1995, p. 124).

Em outubro de 1988, houve a assembleia de fundação da instituição. Não transcorreu muito tempo para que se percebesse que a venda de material de construção, a preços subsidiados, para os moradores era inviável. Os preços conseguidos com os fornecedores não permitiam uma margem de lucro que garantisse capital de giro ao reaquecimento da COOPMANH. Diante disso, a direção da cooperativa começou a buscar formas alternativas de renda, que permitissem a manutenção do empreendimento. Assim, com o apoio dos técnicos do ARCO-USU (Universidade Santa Úrsula), foi implementada uma fábrica de material de construção, cujo valor da venda seria revertido para a manutenção das atividades da COOPMANH. A ideia era manter o preço de custo para que os moradores pudessem continuar a financiar suas construções. Segundo Souza Silva (1995), esse foi um processo que trouxe “novos desafios” para a cooperativa, pois ela começou

03 // A Nova Holanda

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Memória e Identidade dos Moradores de Nova Holanda  

O livro “Memória e Identidade dos Moradores de Nova Holanda” faz parte de um projeto mais amplo e ambicioso: apresentar a história e memória...

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O livro “Memória e Identidade dos Moradores de Nova Holanda” faz parte de um projeto mais amplo e ambicioso: apresentar a história e memória...

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