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obra reparadora –, representavam um risco de acidente e morte para muitos moradores e suas famílias. Nesse contexto, a reforma do conjunto de 228 barracos conhecidos como duplex, numa das localidades mais pobres da comunidade, era emergencial. Foi por ali que começou a luta do movimento popular da Nova Holanda no que diz respeito à habitação. Em reuniões, feitas por rua, definiram-se representantes para cada uma delas. Documentos escritos foram elaborados e encaminhados às autoridades públicas, manifestações foram planejadas e realizadas, usaram-se notícias de jornal e vídeos foram produzidos. Recursos, como dinâmicas de grupo, foram pensados para envolver diretamente as 228 famílias e panfletos e cartazes foram criados para mobilizar toda a comunidade. Com esses instrumentos, a Nova Holanda foi à luta, pois seus moradores entenderam que aquela realidade precisava ser transformada e, após três anos, logrou êxito. Porém, é preciso registrar mais uma vez que, vinculada à proposta dessa transformação, incluía-se, com a mesma importância, a de formação do morador. Também aqui os militantes viam a necessidade de uma consciência crítica para a garantia da qualidade e manutenção das conquistas realizadas. A AMANH, em sua postura de envolvimento dos moradores, materializava também essa preocupação. Segundo seu entendimento, a formação deveria se dar no mesmo momento em que acontecessem as lutas e, de fato, vários moradores que se engajaram no movimento popular a partir dessa luta deram importantes contribuições para a sua continuidade. A oportunidade de construir uma cooperativa aconteceu quando o governo federal, sob a presidência de José Sarney, realizou a doação de uma pequena quantia à AMANH através do programa Fala Favela, que buscava, de forma pouco expressiva, auxiliar os moradores das favelas a desenvolver a construção de suas moradias. A AMANH então tomou a iniciativa de formar uma Comissão de Habitação com a responsabilidade de fazer um levantamento das condições e do número correto de barracos ainda existentes na Nova Holanda. Dessa comissão participaram diretores da associação, agentes comunitários e representantes de rua. Em seguida, na Assembleia

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memória e identidade dos moradores de nova holanda

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Memória e Identidade dos Moradores de Nova Holanda  

O livro “Memória e Identidade dos Moradores de Nova Holanda” faz parte de um projeto mais amplo e ambicioso: apresentar a história e memória...

Memória e Identidade dos Moradores de Nova Holanda  

O livro “Memória e Identidade dos Moradores de Nova Holanda” faz parte de um projeto mais amplo e ambicioso: apresentar a história e memória...

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