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EXPOSIÇÕES CAPA I

RIOSHOW SEXTA-FEIRA 26.10.2012

RIOSHOW SEXTA-FEIRA 26.10.2012

DIVULGAÇÃO/SÉRGIO PAGANO

OUTRAS IMPRESSÕES

Ao redor, mais cores. E sabores

NEOIMPRESSIONISTMO. “O Castelo dos Papas”, de Paul Signac

O início, o fim e o meio No salão que se segue, “Regatas em Argenteuil”, de Monet, data de 1872, mesma época do quadro do pintor que deu origem ao nome do Impressionismo: “Impressão, Sol nascente”. Na parede oposta, vale observar, em “Colheita” (1851), a luz, os tons e as pinceladas rápidas de Charles-François Daubigny, pintor admirado por Van Gogh. Na sequência, há desde um quadro que Renoir pintou na Argélia, “Paisagem argelina, o barranco da mulher selvagem” (1881), a um exemplar das ninfeias de Monet, “O lago das ninfeias, harmonia verde” (1899). O tema a que Claude Monet se dedicou a pintar em Giverny há muito caiu no gosto dos cariocas. A exposição que o Museu de Belas Artes fez em 1997, com ninfeias do pintor, atraiu 423 mil visitantes.

Destaque De volta para o presente, no CCBB, as duas últimas salas do circuito são citadas como destaques da exposição “Impressionismo: Paris e a modernidade” pelo presidente do Museu d’Orsay. Ali, em obras que retratam terras fora da capital francesa, está o único Van Gogh da mostra, “O salão de dança de Arles”. O espaço serve para se

deter sobre uma das amizades mais importantes da história das artes: a relação entre Vincent Van Gogh e Paul Gauguin. A ideia era que os dois vivessem juntos no Sul da França, como numa espécie de “sociedade alternativa”, idílica. Mas, depois de desentendimentos, Gauguin partiu, e Van Gogh perpetrou a automutilação, cortando sua orelha, que imprimiu um tom de desespero ao episódio. Na parede, um bom exemplo dessa relação é “Les Alyscamps”, em que Paul Gauguin pintou troncos e árvores sem economia de cores, com direito a um laranja vibrante. O tema representado por trás da pintura também já foi retratado por Van Gogh, porém, com um tom melancólico. Além do destaque das cores, as figuras de Gauguin — que, quando pintou “Camponesas bretãs”, havia estado no Taiti — têm feições asiáticas. Na reta final da exposição, em “O Palácio dos papas” (1900), de Paul Signac, ressalta-se o neoimpressionismo. Pontos de cor lado a lado compõem uma atmosfera em que a luz e os tons ganham papel singular.

Viradão impressionista O batalhão responsável por zelar pela integridade das obras diz que um dos desafi-

os é equilibrar a temperatura com o fluxo de pessoas, já que o calor humano do dia dá lugar ao vazio absoluto à noite. Mas, este fim de semana, o problema é menor: o CCBB abre as portas amanhã às 9h e só fecha às 21h de domingo. É o Viradão Impressionista, para colocar ainda mais Monet, Renoir e cia. na ordem do dia — e da noite também.l

Serviço l CCBB: Rua Primeiro de Março 66, Centro — 3808-2020. Ter a dom, das 9h às 21h (excepcionalmente, a mostra abre amanhã às 9h e só fecha domingo, às 21h, funcionando durante a madrugada). Grátis. O segundo andar do CCBB será ocupado pela por atividades do CCBB Educativo, com senhas distribuídas 30 minutos antes de cada atividade. A seguir, alguns destaques: Laboratório de Ações Criativas: Tendo como referência a pintura pontilhista, uma das atrações é o laboratório “Cor. Cor”, que propõe composições usando carimbos, e a atividade “Essa pintura é massa!” cria texturas e volumes a partir de massa de modelar: ter a dom, às 14h, 16h e 18h. Em “Musicando”, são relacionadas artes visuais e música em várias atividades: sáb e dom, às 13h. Adulto: Na voz não convencional de Yvette Guilbert, anedotas da Paris dos cabarés, cafés e salões de arte. Sáb e dom, às 18h.

morena.madureira.personale@oglobo.com.br

Nos últimos anos, as coisas mudaram nos arredores do CCBB. Se, antes, era quase impossível encontrar algo aberto aos sábados e domingos, agora restaurantes, bares, galerias e lojas se multiplicam para atender a um público ávido por estender o passeio. No momento em que a região recebe a maior exposição do ano, não vão faltar, portanto, atrações paralelas. E uma das mais bacanas e baratas é um passeio por outros museus e galerias do corredor cultural. Neste domingo, por exemplo, terminam as mostras sobre o cantor Gilberto Gil (“Gil 70”) e da atriz Regina Duarte (“Espelho da arte — A atriz e seu tempo”), ambas no vizinho Centro Cultural Correios. E, na Casa França-Brasil, onde se monta a exposição “Ulisses”, de José Rufino (cuja abertura será em 25 de novembro), a pedida é assistir, de graça, à apresentação do conjunto vocal Calíope, que lança "Villa-Lobos", CD com

peças do compositor regidas pelo maestro Júlio Moretzsohn, amanhã, às 17h. No arredores, galerias como Progetti, Sérgio Gonçalves e Paulo Fernandes têm boas exposições. Esta última está ocupada com “Cássio Loredano — Desenhos”, que traz 40 retratos de intelectuais e personalidades políticas, culturais e esportivas feitas pelo artista. Vai até 13 de novembro. Para além de diversão e arte, também tem comida numa extensa lista de restaurantes. Nos fins de semana, os que ficam para além da Rua Primeiro de Março, em direção à Avenida Rio Branco, não costumam abrir. Mas, nas adjacências da Rua do Mercado tem muita coisa boa. Segundo Luiz Antônio Rodrigues, proprietário da Brasserie Rosário, o local foi pioneiro no funcionamento aos sábados, espalhando a moda entre os vizinhos. Ali, pratos de diversas influências da cozinha internacional atraem um público fiel. Às quartas, quintas e sextas-feiras, a Brasserie recebe um happy hour

ANA BRANCO/24-10-2006

TINTIM. O carrinho que o bistrô The Line fará circular para refrescar a fila da exposição

ARTE, ARTE, ARTE. Gravuras em cartaz na vizinha galeria Paulo Fernandes

com grupos de jazz. A música também rola às quartas no contíguo Al-Farabi, mescla de restaurante, sebo e galeria que, entre suas atrações, tem ampla oferta de cervejas artesanais e importadas. Aos sábados, a peça de resistência ali é a feijoada, a exemplo do que rola em outros pontos das redondezas. Na Rua do Ouvidor, o Antigamente é outro que aposta no nosso “prato nacional”, embalado, a partir das 14h, por um bom sambinha. Mas, se o plano é um almoço de sábado mais leve, experimente o Bistrô Coccinelle,

Al-Farabi: Rua do Rosário, 30/32, Centro — 2233-0879. Seg a sex, do meio-dia às 22h. Sáb, do meio-dia às 16h. C.C.: Todos. l Antigamente: Rua do Ouvidor 43, Centro — 2507-5040. Seg a sex, do meio-dia à meia-noite. Sáb, do meio-dia às 19h. C.C.: Todos. l Bistrô Coccinelle: Travessa do Comércio 11, Centro — 2224-8602. Seg a sex, das 11h30m às 19h. Sáb, das 11h30m às 17h30m. C.C.: Todos. l Bistrô The Line: Casa França-Brasil. Rua Visconde de Itaboraí 74, Centro — 2233-3571. Seg, das 10h às 18h. Ter a dom, das 10h às 20h. C.C.: Todos. l Brasserie do Rosário: Rua do Rosário 34, Centro — 2518-3033. Seg a sex, das 11h à meia-noite. Sáb, das 11h às 18h. C.C.: Todos. l Casa França-Brasil: Rua Visconde de Itaboraí 74, Centro — 2332-5120. Ter a dom, das 10h às 20h. Apresentação Calíope: amanhã, às 17h. Grátis. l Centro Cultural Correios: Rua Visconde de Itaboraí 20, Centro — 2253-1580. Ter a dom, do meio-dia às 19h. l Galeria Paulo Fernandes: Rua do Rosário 38, térreo — Centro. Ter a sáb, do meio-dia às 17h. l Tabacaria do Ouvidor: Rua do Ouvidor 39, Centro — 2232-1345. Seg a sex, das 10h às 22h. Sáb, do meio-dia às 18h. C.C.: Todos. l

O TRADICIONAL. A Brasserie Rosário, primeira a abrir no sábado

GUITO MORETO

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Serviço

No momento em que o CCBB recebe a maior exposição do ano, bares, restaurantes e galerias têm atrações para manter todo mundo na área MORENA MADUREIRA

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GUITO MORETO

CHARME. A fachada do Coccinelle, recente aquisição de uma região onde pipocam bons restaurantes

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do casal franco-japonês Yves e Maya. O cardápio, preparado por ela, também conhecida como Madame Coccinelle, segue a linha dos donos e mistura influências europeias e asiáticas. O resultado são pratos leves e belos, com ingredientes frescos, acompanhados por vinhos orgânicos franceses, exclusividade dali. Para quem quer usar o paladar de uma forma diferente, a Tabacaria do Ouvidor aluga narguilés por R$ 20 por um carvão que dura, em média, 40 minutos, com diversos tipos de essência. O lugar também conta com uma enorme

diversidade de charutos, que podem ser consumidos lá mesmo, no segundo andar, em instalações preparadas para receber a turma da fumaça sem defumar ninguém. Mas aos domingos, é bom saber, as opções escasseiam. O Bistrô The Line, na Casa França-Brasil, é dos raros abertos. E, neste período de burburinho, veja só, quem ficar na fila impressionante do CCBB pode se refrescar com taças de espumante vendidas num carrinho do restaurante, a circular por lá. Que tal um brinde à gostosa maratona cultural? l

O Globo / 26 out 2012  

Matéria publicada no caderno Rio Show de 26 de outubro de 2012 e que apresenta opções de entretenimento nos arredores do CCBB.

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