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mooo.mag

#76

[28 a 03.02.2009] a mooomag é uma magazine cultural virada essencialmente para si mesma. contudo os estilos apresentados são variados e assim, a pensar em todos os que a lêem... política mooo se não desejar receber a mooo, por favor contacte-nos expressando a sua vontade em desistir desta subscrição. caso a mooo não receba nada, continuaremos a enviar-lhe este semanário. o seu endereço electrónico, ou qualquer outra informação pessoal, fica connosco e, em caso algum, será cedido ou vendido a terceiros. toda a informação pessoal será manipulada apenas para uso da mooo e considerada estritamente confidencial...

ficha técnica da magazine: capa: anselmo coelho contra_capa: anselmo coelho edição | arte | moda | produção | ilustração | design: mooo.mag propriedade: mooo.mag/06 editor: anselmo coelho email: mooo.magazine(at)gmail.com

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o fim do ínicio

e a semana ainda agora começou...

esta semana, por entre escombros emocionais e o cansaço desmedido e auto-infligido, vi a vida de alguém que nos faz pensar e questionar o valor da minha e de todos os outros que me rodeiam. a ficção por muitas vezes que dilacerada pelo fantástico pode e deve ter sempre algo de real a nos ensinar. “seven pounds” com will smith, é algo do género. passou ao lado e podemos muito bem passar de lado também, é difícil contudo de fugir logo à personagem de ben thomas, interpretada por will em que o papel actor é refresco de emoções e sentimentos. o exagero é tal que nem se reconhece o personagem da pessoa. ainda não vi “em busca da felicidade” de gabriele muccino, de 2006 mas talvez a experiência de trabalho realizador/actor levou a esta cooperação e a qualidade de will é inegável. não que tenha o argumento do ano, ou uma excelente fotografia, aliás o filme no geral mais parece uma novela num só acto e o torna um pouco lamechas, é na música de angelo milli, viciante e arrepiante combinado com a actuação do principal que está o truque. a banda sonora vacila em orquestrações pesadas como em “a colisão” e o êxito rock dos muse “feeling good”. é o factor de trazer aqui e partilhar com os meus amigos que sei, perderem tempo a lere esta parte da magazine. parte e vai! vive a vida abundantemente! e se fôssemos felizes?! porque não? tudo isto são mensagens deixadas durante. rosario dawson interpreta uma insuficiente cardíaca com os dias contados que se apaixona por alguém que planeia suicidar-se e woody harrelson é um bom samaritano, sem visão, que confrontado com a sua incapacidade física e a vontade de amar, responde: “ela não me vê...! se no final do filme o resultado é idiota, durante o mesmo existem pequenas luzes e interruptores que nos modificam, fazem nos ensaiar por algo que sempre tivemos... escuto “no mercy for she”, orquestrado por yann tiersen e interpretado por shannon wright texto: anselmo coelho


songs of freedom durante seis noites o são luiz recebe jacinta, num projecto inovador e surpreendente. jacinta canta “songs of freedom” recordando êxitos dos anos 60, 70 e 80. em songs of freedom “a melhor jovem artista de jazz do continente europeu em 2007” - no âmbito da iniciativa o melhor da europa -, promete revelar todo o seu potencial enquanto intérprete, toda a dimensão da sua voz, por vezes portentosa, outras vezes sublimemente delicada e, sobretudo, a sua competência ao nível do swing. com irreverência e contemporaneidade, jacinta abraça célebres temas dos anos 60, 70 e 80 - de ray charles a stevie wonder, passando por, james brown, nina simone, bob marley, prince, the beatles, u2, entre outros, tecendo um soberba simbiose destas musicalidades com o jazz. neste regresso a um passado recente, a selecção dos instrumentos e os arranjos são criteriosos. em songs of freedom, a voz de jacinta faz-se acompanhar do saxofone barítono e tenor de paulo gravato e do piano de pedro costa. os arranjos são de joão gustavo. num projecto inovador, jacinta cria um espectáculo irreverente e absolutamente surpreendente, apresentando uma soberba simbiose do jazz com célebres temas dos anos 60, 70 e 80. de ray charles a u2, passando por james brown, nina simone, bob marley, beatles, beach boys, stevie wonder, prince, bee gees e bobby mcferrin, jacinta promete revelar todo o seu potencial enquanto intérprete. neste regresso a um passado recente, a selecção dos instrumentos foi criteriosa, apresentando-se num formato minimalista com piano e saxofone. evidenciam-se ainda os arranjos e as interpretações de jacinta que oferecerão a este espectáculo uma lufada de contemporaneidade. “jacinta canta do fundo da sua alma com uma alegria absolutamente contagiante... tratando com respeito todas as canções que interpreta”. desde, quinta 28no são luiz. entrada 15 euros


thrillertuga vs mamas a ideia é mesmo apoiar o cinema nacional, mas não só, tentar perceber partilhando convosco o porquê de certas coisas. uns mamam tudo e outros não mamam nada! esta premissa não é nova e se calhar com ela pergunto porque é que por exemplo, “coisa ruim” e noutro extremo, “entre os dedos”, dos mesmos realizadores e escritor não teve tanto mediatismo que os próximos “contrato” de nicolau breyner e “second life” de miguel gaudêncio e com a mão também de nicolau breyner.

contrato

nicolau breyner volta a dar mostras da sua versatilidade ao assinar, pela primeira vez, uma realização cinematográfica. “contrato” é o resultado da adaptação para cinema da obra “requiem para d.quixote”, de dennis mcshade, pseudónimo do jornalista dinis machado, segundo uma versão de pedro bandeira freire e com o argumento assinado por álvaro romão e nicolau breyner. já em rodagem, “contrato” vai estrear em cinema dois nomes em ascensão no audiovisual português, cláudia vieira e pedro lima. dois jovens actores que surgiram na televisão e ganharam o estatuto de vedeta fruto da aposta forte de josé eduardo moniz na produção nacional e através das telenovelas da tvi. texto: http://contrato-ho ramagi

ca.blogspot.com


este último, em conferência de imprensa diz que “second life”, é um filme “eminentemente comercial para as pessoas verem, gostarem e voltarem”. e provavelmente “contrato” anda na mesma calha. mas isto não continua a explicar o mediatismo. não levando o assunto mais extenso, penso que quando um thriller nacional está ao combate com algum erotismo sensacional, é dificil não arranjar promotores, apoios e o tão esperado mediatismo levando até mesmo a passar vezes sem conta na estação nacional paga pelos contribuintes, vários “making of´s”, entrevistas e “trailers” muito antes da antes estreia sem nunca antes frisar as mamas da claudia vieira e as cenas lésbicas de liliana santos e sandra coias, trunfos sem comparação deste pacote promocional

second life

“second life”, que começa com a morte do protagonista no dia do seu aniversário, foi rodado em portugal e itália e integra no elenco actores, modelos e figuras públicas como o futebolista luís figo e os apresentadores de televisão josé carlos malato,fátima lopes, ruy de carvalho, cláudia vieira, lúcia moniz, liliana santos, tiago rodrigues, paulo pires, josé wallenstein, pêpê rapazote, pedro lima, ana padrão e sandra cóias. “second life”, com a duração de 82 minutos, tem fotografia de acácio de almeida e banda sonora de bernardo sassetti, que gravou com a orquestra sinfonietta de lisboa. “é um filme muito bonito que eu julgo que vai captar a atenção dos portugueses, que estão ávidos de cinema comercial, sem com isto querer dizer que o cinema de autor não tem lugar em portugal. claro que tem”, diz nicolau breyner. “second life” custou cerca de 1,5 milhões de euros e alexandre valente vaticinou que “vai ser o filme mais visto do ano”. alexandre valente é o produtor de “o crime do padre amaro”, o filme com mais espectadores em portugal, e de “corrupção”, que joão botelho rodou e posteriormente renegou por desacordo com o responsável da utopia filmes. rtp1


transições manel de

armengol

esta exposição reúne uma selecção de 75 fotografias da colecção da fundación foto colectania, realizadas por manel armengol (badalona, 1949) em espanha, nos estados unidos e na china durante os anos setenta. estes três países, apesar de muito diferentes, tanto geográfica como culturalmente, viviam em comum, um período de mudanças fundamentais na sua história. a obra de manel armengol representa este momento, numa perfeita simbiose entre o lugar, o tema fotografado e o olhar do próprio fotógrafo. no arquivo fotográfico municipal em lisboa até 30 de janeiro


stranglers o grupo rock britânico the stranglers actua esta semana em portugal, em dois concertos onde tentará percorrer 35 anos de carreira, disse o vocalista e baixista, jean-jacques burnel, à agência lusa. menos de um ano depois de terem actuado no pavilhão atlântico, em lisboa, os stranglers tocam sexta-feira na aula magna, na capital, e no dia seguinte no cine-teatro batalha, no porto. «tivemos tantos sucessos em países diferentes... é difícil tocá-los numa hora e meia, mas vamos tentar abranger a carreira desde o começo até agora», disse jean-jacques burnel, que encetou no começo de janeiro uma digressão por 15 países europeus. apesar de não se saber o alinhamento dos concertos - «com os stranglers esperem sempre o inesperado» -, deverão ser tocados temas dos primeiros anos da banda, de «no more heroes» a «peaches», no rasto da cena punk britânica, mas também «golden brown» e «always the sun», sob influência da new wave. stranglers na aula magna dia 30 com bilhetes a partir dos 20 euros

texto: iol


Labyrinth um conto de fadas onde bowie aparece como o malvado rei jareth, que sequestra o irmão pequeno de sara. esta vai ter que se aventurar no mundo dos goblins, e tentar encontrar o caminho do labirinto. uma versão oitenteira de alice no pais das maravilhas. um musical na fase mais pop de bowie. labyrinth finaliza este ciclo promovido pelo bacalhoeiro durante o mês de janeiro integrado no programa filmes com jantar que desde sempre promoveram. labyrinth é acompanhado com arroz integral salteado com legumes no forno. salada de alface tomate e oregãos. esta terça dia 27

texto: bacalhoeiro


â&#x20AC;&#x2DC;a liberdade ĂŠ grande demais para ser enfiada pela soleira de uma porta fechada.â&#x20AC;&#x2122;

(harvey milk)


milk

a revolução ao alcance de um beijo... quando era adolescente harvey bernard milk foi apelidado de ‘glimpy’ devido a suas grandes orelhas, nariz e pés. a história de milk inspirou livros e filmes, em 1984 o excelente documentário ‘the times de harvey milk’ dirigido por rob epstein recebeu um oscar e depois foi transformado em uma ópera. a história de milk será novamente contada no cinema no filme homónimo realizado por gus van sant. o actor sean penn interpreta harvey milk. o filme conta a história do primeiro político assumidamente gay e o terceiro dos estados unidos. nova-iorquino de nascimento, depois de mudar-se para são francisco, harvey milk tornou-se um activista dos direitos dos gays. em 1977, milk que era conservador até ao fim dos anos 1960, tornou-se liberal por causa da guerra no vietname. foi eleito supervisor da cãmara de são francisco, e do presidente george moscone, mais especificamente para o distrito de castro, bairro gay da época e onde ele morava e tinha sua loja de câmaras fotográficas, tomando assim o lugar de dan white e tornando-se o primeiro gay eleito a um cargo público nos estados unidos. no ano seguinte, aos 48 anos, tanto ele como o presidente foram assassinados a tiro pelo supervisor anterior. assassino confesso, o conservador dan white foi sentenciado por homicídio ‘involuntário’, tendo cumprido cinco dos sete anos de prisão, três dos quais em regime aberto. a pena branda causou a revolta que levou a uma série de tumultos públicos que ficaram conhecidos na história do activismo gay como os ‘white night riots’, resultando em dezenas de feridos graves, tanto do lado dos policias como dos ativistas. foram os distúrbios mais violentos depois dos de ‘stonewall’ em 1969. a revolta também levou à abolição no estado da califórnia da legislação que levava em consideração em assassinatos o estado mental do assassino o que pôde diminuir a pena. milk é tido como herói nas comunidades lgbt do país e mesmo internacionais. estreia esta quinta em todo o pais


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agenda mooo

flow no parágrafo em almada às 23:45

bruno margalho & convidados na fábrica braço de prata às 22h entrada 3 euros

ping pong project - tó trips & vítor ruas & ricardo frutuoso & joão gomes no musicbox às 22:30 entrada livre weedub crew & naggafire & mask + unidade sonora + turndtable + lx bombers no armazêm f do cais do sodré ás 23h entrada 5 euros we will + trio gonzaga coutinho na braço de prata às 22h entrada 3 euros cão da morte na livraria trama às 21:30 entrada 3 euros cais do sodré funk connection no musicbox às 23h entrada 6 euros like the man said no parágrafo em cacilhas às 23.45 putas de luxo + the d!tch no ponto d’encontro também em cacilhas às 22h entrada livre poka sombra na crew hassan kubanga-te trio + red trio + paixão pela tónica + maria joão & joão farinha na braço de prata às 22h entrada 5 euros sir richard bishop no maxime sempre depois das 23h

beatbomber’s & supa + ride & steriossauro & x-acto no musicbox às 00h entrada 8 euros

evangelista + ches smith na galeria zé dos bois às 23h entrada 8 euros


S 3

três por trio no parágrafo às 23.45

fões em lisboa às 17h entrada 3 euros

kus kredo no alburrica bar do barreiro às phil mendrix band + longitude zero + 23h hélder moutinho + andré cabaço na braço de prata às 22h entrada 5 euros

abado

ena pá 2000 a jogar em casa. no maxitraumático desmame + lobster + me às 23:30 tiago sousa + chicken birdie joe entrada 10 euros na sdub os franceses do barreiro às 21h plastica no musicbox às 00h entrada livre entrada 6 euros

funkoffandfly + 2old4school no ar- for the glory + grankapo + reality slap mazém f do cais do sodré + ok killer entrada 8 euros no capricho setubalense às 21h entrada 4 euros wraygunn na aula magna às 22h entrada 15 euros banda sinfónica do exército & corvos no centro cultural olga cadaval em sintra às defying control + piss! + 5ohkubo + today’s 22 lesson (punch punk matinee) na casa de la- entrada 5 euros

feira

mike seeger (ciclo hootenanny) na culturgest em lisboa às 21:30 entrada 5 euros

the script na aula magna em lisboa às 21h enrtrada 20 a 25 euros


os britânicos kaiser chiefs vêm a portugal, apresentar o novo álbum “off with their heads” em dois concertos nos coliseus do porto e lisboa, dias 31 de janeiro e 1 de fevereiro, respectivamente. ricky wilson, andrew ‘whitey’ white, simon rix, nick ‘peanut’ baines e nick hodgson, são um daqueles raros casos de sucesso imediato ao primeiro álbum, “employment”. cinco rapazes de leeds, espantaram meio mundo em 2004, graças a singles como “oh my good” (que foi alvo de uma versão de lilly allen), “i predict a riot” e “everyday i love you less and less”. dois anos mais tarde, e para evitarem o risco de repetição, os kaiser chiefs inspiraram-se nos led zeppelin e no rock americano, para editarem o segundo longa-duração, “yours truly, angry mob”, que alcançou a categoria de platina no reino unido. dia 1 de fevereiro às 21h no coliseu dos recreios em lisboa. bilhetes a partir dos 30 euros

texto: coliseu dos recreios


isto não é um concerto “isto não é um concerto” inspira-se no gesto questionador de rené magritte (“ceci n’est pas une pipe”) para abordar as formas de relação e mediação entre a música e o público. a fórmula convencional da recepção musical moderna, o concerto, parece estar a esgotar-se na sua relação comunicacional com o público. o concerto como o conhecemos é uma invenção moderna, com pouco mais de 200 anos, no entanto, hoje, graças à grande velocidade a que se desenvolve a tecnologia, sectores relevantes do público parecem procurar novas configurações do olhar e da percepção, recorrendo aos dispositivos tecnológicos de mediação em voga. ao mesmo tempo, criadores musicais em todo o mundo interrogam com as suas obras as ideias dominantes. isto não é um concerto foi concebido como um espectáculo, encenado e programado como um todo, e recorre a meios electrónicos e visuais, criando uma forte componente de interactividade com o público.

texto: ccb


texto: cinemateca

american madness american madness de frank capra é o primeiro filme da frutuosa colaboração de capra com o argumentista robert riskin, e o que vem expor as bases da “filosofia” capriana de mr. deeds goes to town e it’s a wonderful life. em plena crise económica, esta obra surge para falar de confiança nas relações entre a banca e os depositantes durante a grande depressão. a não perder esta sexta dia 30 às 22h na cinemateca em lisboa


http://www.conradeditora.com.br

Kapranos

em degustação

acompanhar um músico como alex kapranos dos franz ferdinand pelas aventuras gastronómicas deu em resultado um livro recentemente editado no brasil como “mordidas sonoras”. numa parte do livro, relata adjectivando graciosamente a aventura de lisboa, um restaurante típico que muit o adora e o queijo de azeitão. “na mesa colocam umas entradas de queijo, presunto e azeitonas. vale a pena ir a lisboa apenas para comer queijo de azeitão. a capa exterior, envelhecida e enrolada num pano, faz lembrar a pele de uma múmia egípcia. a parte de cima foi cortada e encontra-se uma pequena colher no interior. é fabricado nas montanhas mais altas de portugal a partir de queijo de ovelha cru e não pasteurizado, usando cardo em vez de coagulantes de origem animal. espalhase como mel sobre o pão fresco e o doce aroma faz dilatar as narinas enquanto cobre o céu da boca.”



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