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U m a re v is ta d o se u m o d o

LifI

Decoração Estilo Gourmet Viagem Consumo Nº 15 Maio 2011 R$ 13,90

MOOD Sessions Inventar, narrar, descrever, criar e recriar para contar histórias 12 Estilo de Vida os aventureiros AmYr Klink e Arthur Veríssimo abrem seus diários de viagem 16 Especial BH um passeio pela capital mineira revela cores, sabores e sotaques que encantam 98

De sobrenome japonês e alma mineirinha, a cantora fala sobre música, literatura, maternidade e a parceria artística com o marido John Ulhoa

Fernanda Takai

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40 Fernanda Takai Em entrevista a seguir conhecemos uma Fernanda múltipla: mãe, escritora, compositora, cantora, e claro, uma grande “mulherzinha”

25 Mood Sessions Inventar, narrar, descrever, criar e recriar para contar histórias 12 Estilo de Vida Os aventureiros Amir Klink e Arthur Veríssimo abrem seus diários de viagem 16 Design Elementos inusitados viram arte-design na obra dos irmãos Campana 30 Dècor Casa Cor SC 2011: soluções tecnológicas e conceituais aliadas a sustentabilidade em projetos da Formaplas 36

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Mistura Fina As novidades que fazem nosso desejo de consumo 48

Portrait A arte de se relacionar bem de Daniela Masson 70

Estilo MOOD seleciona as melhores jóias e acessórios da estação e dá dicas para que a combinação entre terno, camisa e gravata não seja um martírio da hora de se vestir 56

Vida de artista Júlia Aissa: trajetória dedicada aos passos e aos palcos 72

Lounge A vida agitada e cheia de desafios do empresário Marcelo Cacique 66 Eu sou A rotina de persistência, criatividade e planejamento de Sílvio Marães 68

DECORAÇÃO | ESTILO | GOURMET | VIAGEM | CONSUMO

Vox Adrenalida full time na rotina do médico Djalmir Cesar 74 Vinhos O enófilo Douglas Mamoré fala sobre o universo dos vinhos na nova seção da MOOD 86 Viagem Em Paris, arte e luxo definem o moderno conceito de hospedagem do hotel Le Royal Monceau 88

114 Cultura Simplicidade, inquietude e esperança refletem a obra de Rubem Alves 96 Especial BH Um passeio pela capital mineira revela cores, sabores e sotaques que encantam 98


Quando eu vim de Minas » No Museu José Antônio Pereira o visitante pode reviver as aventuras do mineiro de Barbacena que, munido de coragem e ambição, pisou em terras da então Província de Mato Grosso no final do século 19. Região quase intocada onde mais tarde fundaria o Arraial de Santo Antônio do Campo Grande. Talvez por isso a capital de Mato Grosso do Sul tenha lá suas "mineirices"

CAPA Fernanda Takai. Foto: Alexis Prappas (Prappas Imagens) Produção Executiva: Melissa Tamaciro Maquiagem: Otho Marlieri. Fernanda veste Ronaldo Fraga Agradecimento: Museu de Arte da Pampulha - MAP

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espírito aventureiro orienta homens e mulheres a empurrar para mais longe as fronteiras do possível. É assim que começamos esta edição da MOOD Life. Inspirados pela ousadia de grandes exploradores que a História nos revela, desbravadores modernos não deixam de buscar o novo, sejam eles peregrinos ou navegadores, como nossos entrevistados Arthur Veríssimo e Amyr Klink. Na matéria de capa, a vocalista do Pato Fu, Fernanda Takai se mostra múltipla: conversa sobre música e literatura [recentemente lançou o livro Nunca Subestime uma Mulherzinha], fala sobre a parceria artística com o marido John Ulhoa e, claro, maternidade: “Sou uma mãe muito exigente como a minha própria mãe foi e acho que isso me fez uma pessoa mais comprometida com todos os aspectos da vida.” Nascida no Amapá e mineira de criação, Fernanda mora em Belo Horizonte, numa rotina que inclui atividades simples, como ir ao supermercado. E lá fomos nós: para uma “Beôzonte” que encanta com ou sem sotaque “mineirês.” A metrópole que abriga mais de três milhões de habitantes é referência na moda, cultura e gastronomia, temas de um especial sobre a capital mineira. Em Moda, o trabalho do estilista Ronaldo Fraga e sua loja no bairro do Savassi, que une moda e arquitetura num espaço cheio de originalidade. Em Gourmet, uma reportagem sobre o maior concurso gastronômico do Brasil, o “Comida Di Buteco”. Eduardo Maya, seu idealizador, adianta que Campo Grande está na mira do evento nas próximas edições. Em Cultura, o recém inaugurado Memorial Minas Vale, que leva os visitantes a uma viagem interativa no tempo – do século 18 aos dias atuais. Em Design, a marca dos irmãos Campana, que transformam elementos inesperados em arte-design, além das novidades da Feira de Design de Milão, Expo Revestir e a Kitchen&Bath. E como falamos de andanças por aí, mostramos algumas novidades sobre duas e quatro rodas, trazidas pelo jornalista especializado em veículos, Paulo Cruz. Em Estilo, opções de jóias e acessórios para a estação, além de lançamentos em Trend Beauty e Gadgets. Viagem, Gourmet, Cultura e muito mais. Boa leitura!


Expediente

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diretores Iara Diniz iara@moodlife.com.br Josué Sanches josue@moodlife.com.br Luis Pedro Scalise luispedro@moodlife.com.br Conselho Editorial Adriana Estivalet Alexis Prappas Iara Diniz Josué Sanches Linda Benites Luis Pedro Scalise Melissa Tamaciro Jornalista responsável Scheila Canto (DRT 152/ MS) redacao@moodlife.com.br Editor Eduardo Zeilmann editor@moodlife.com.br Arte Final Odirley Deotti arte@moodlife.com.br

Theresa Hilcar Mineira de nascimento e campo-grandense de coração. É assim que ela se define. Jornalista, escritora e membro da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, ao longo de sua carreira jornalística já passou pela televisão, revistas e jornais. Nesta edição Theresa nos brinda com o artigo “Um belo horizonte de montanhas e sabores”.

Paulo Cruz Apaixonado por máquinas que se deslocam sobre rodas, foi o criador do primeiro caderno dedicado a automóveis de Campo Grande. Em sua carreira de jornalista especializado em veículos, já participou dos mais importantes eventos automobilísticos do mundo. Agora, acelera com a equipe da revista MOOD Life.

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Editor de Imagem Alexis Prappas alexis@prappas.com.br

Gostaria de parabenizar a equipe da Mood pela última edição, pela qualidade do trabalho de vocês. Aproveito para agradecer a oportunidade de colaborar com o artigo da Consolação e dizer que adorei. Ana Karla Loureiro, jornalista Many thanks for the extensive coverage in the magazine. We are truly appreciative of this! Warm regards. Sandee Goh, Jumeirah Group Presto assessoria para a Sessu, no posicionamento e estratégia de marca. Recebi a Revista Mood, com um editorial de moda masculina onde o foco principal são os modelos da Sessu. Quero parabenizá-los pela excelente qualidade da revista, bom gosto das matérias e a forma elegante como nosso produto foi comunicado. Mônica Penteado, Brand Image Gil Saldanha (@gilsaldanha). Capa do @ lobaoeletrico na @RevistaMoodLife ficou perfeita e a entrevista nota mil. A nova com Patricya Travassos também está linda.

Fotógrafos Alexis Prappas, Jean Vollkopf e Marcos Vollkopf Holder Gestão Comercial PARA ANUNCIAR LIGUE (67) 3029-3426 comercial@moodlife.com.br Colaboraram nesta edição. Texto: Carla Matsu, Cidiana Pellegrin, Paulo Cruz, Theresa Hilcar e Thiago Andrade. Ilustração: Efe

Revista MOOD Life é uma publicação mensal integrante do grupo DNZ Participações e Negócios Ltda. Rua da Paz, 1584 – Santa Fé. Campo Grande/MS CEP 79021-220. A Revista MOOD Life não se responsabiliza pelos conceitos emitidos nos artigos assinados. As pessoas que não constam no expediente não tem autorização para falar em nome da Revista MOOD Life. Impressão e acabamento Idealiza Gráfica e Editora.

CONTATO Envie comentários e sugestões para a seção informando o seu nome completo. A revista MOOD Life se reserva o direito de resumir e adaptar os textos publicados, sem alterar o conteúdo. editor@moodlife.com.br www.twitter.com/revistamoodlife www.moodlife.com.br


© Mateus Mondini / Studio61

Elegância e sofisticação, sem abrir mão do conforto!

(outlet)


Hora da fantasia Inventar, narrar, descrever, criar e recriar para contar histórias Por Thiago Andrade Foto Alexis Prappas

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eixar a imaginação voar livremente é a primeira regra dos contadores de histórias. A segunda é gostar de livros e leituras. Regras de mentira, como quase tudo na ficção, mas muito importantes para a atividade, afinal, contar histórias para crianças é um trabalho sério. Tanto se fala do quanto é necessário ler, mas há quem se esqueça que este hábito deve começar na infância. A contação de histórias ou estórias é uma ótima maneira de mostrar aos pequenos o poder mágico da fantasia, ao mesmo tempo em que reforça laços familiares, aproximando pais e mães de seus filhos. Contar uma história exige apenas criatividade, acredita a professora e escritora, Sandra Andrade. Não é necessário aprender teatro ou comprar fantoches caríssimos para narrar aventuras, descrever cenários, inventar personagens. “O importante é saber o que a criança gosta e a partir disso criar algo que seja interessante para elas e para nós. Subestimar crianças é um erro, portanto, nada de chamar tudo pelo diminutivo ou contar algo sem a menor graça”, considera. Para Sandra, qualquer história é válida desde o porquê do nome da criança até aquelas inventadas por Sherazade nas “Mil e Uma Noites”. “É um momento de troca. Buscar um lugar aconchegante, em que não aconteçam interrupções, favorece para criar um clima mais gostoso. Usar objetos para ilustrar a contação sempre dá certo”, aponta a escritora, mãe de três filhos, aos quais sempre contou muitas histórias. “Vem de família. Minha mãe sempre inventava algo. Assim eu descobri que queria me tornar escritora”, completa. Além das crianças, a contação de histórias pode ser um momento para que os pais descubram a literatura. Sendo cada vez mais difícil ter tempo de qualidade ao lado dos filhos, estreitar laços por meio da diversão que uma história bem contada proporciona abre as portas da imaginação de grandes e pequenos.

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“Contar história é uma forma de dar carinho”, define Paula Lima Romero, da melhor maneira possível. Ela é a mãe de João Pedro, que aos três anos já é fascinado pelo mundo da fantasia e da literatura. Paula e Bruno Romero, ambos advogados, cultivam o hábito da leitura desde

que a criança nasceu. “Agora que ele está maior, procuramos ler mais. Não é apenas ler, a gente precisa dramatizar a história, criar vozes para os personagens, fazer com que ele se identifique”, explica a mãe. Com incentivo da escola, os pais não têm descanso. Todos

os fins de semana, João Pedro traz para casa um livro, que deve ser lido até a segunda-feira seguinte. “É um momento nosso, bem família. Ele se aconchega bem pertinho e o resto é imaginação”.


A MOOD indica três livros para começar a contar histórias às crianças “Reinações de Narizinho”, de Monteiro Lobato

“Onde vivem os monstros”, de Maurice Sendak

“O Pequeno Príncipe”, de Antoine de Saint-Exupéry

Pequenas histórias compõem o livro que inicia a série do Sítio do Pica-Pau Amarelo. Personagens como Pedrinho, Narizinho, Emília, Visconde de Sabugosa, entre outros, vivem aventuras em um mundo povoado por lendas e mitos da cultura brasileira.

Depois de se comportar mal em um jantar, Max é mandado para o quarto de castigo. Vestido com sua fantasia de lobo, ele se transporta para uma floresta, onde encontra monstros solitários. A imaginação do menino é tão grande, que logo realidade e fantasia se confundem.

A linguagem simples esconde máximas e personagens cheios de simbolismo. Na saga do Príncipe, que abandona seu planeta e acaba chegando à Terra, ele aprende o quanto é importante jamais se esquecer da infância.

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De aventura

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em aventura É assim que o jornalista Arthur Veríssimo e o navegador Amyr Klink conhecem culturas exóticas e regiões inóspitas do planeta. Jornadas onde o principal destino talvez seja: si mesmo

Alexis Prappas

POR SCHEILA CANTO

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esde os primórdios, façanhas do homem tentam driblar a natureza. Exercícios de criatividade e perspicácia ajudaram aqueles desconhecidos exploradores na procura de novas possibilidades de vida. Depois da descoberta do fogo, investidas em solos virgens foram aprimoradas e o tédio crescente em relação aos territórios já conhecidos era, enfim, amenizado com a promessa do novo. A partir daí, a exploração assumia um significado diferente. Descobrir não era apenas uma forma de lutar pela sobrevivência, mas de superar os próprios limites com coragem e conhecimento. Do fundo do oceano até o espaço, o homem provou ser capaz de transpor barreiras em extremos possíveis. Assim, movido pelo desafio, descobriu novas terras, povos, culturas e diferentes formas de viver e se relacionar com os outros e com a natureza. Foi assim, de aventura em aventura, que nossos entrevistados desvendaram os segredos dos mares e de culturas exóticas. E, como diz o primeiro brasileiro a pisar nos dois extremos do planeta (Pólo Norte e Sul), Júlio Fiadi: “não existe mais lugar na superfície da Terra onde o homem não pôs os pés. O que é bem diferente de dizer que tudo já foi explorado. Explorar é conhecer o desconhecido e aprender”.

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Andar com fé Depois de viver na loucura da noite, o jornalista Arthur Veríssimo trocou as baladas por uma vida peregrina Fotos Arthur Veríssimo e Olívia Faria

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ifícil definir o perfil deste jornalista e escritor, fanático por tatuagens e amante da cultura indiana. Ele também foi atleta, hippie, punk e DJ, um peregrino que abraçou Dalai Lama e Madame Satã [transformista emblemático da vida noturna no Rio]. Um verdadeiro camaleão que ao entrar em todas as tribos e passear por diferentes terras experimentou uma centena de alteradores de humor e saiu ileso para contar. Atualmente casado com a artista plástica e designer Olívia Faria, com quem teve seu terceiro filho, Pedro, 2 anos [Victória, 13, e João, 18, são de casamentos anteriores], Arthur está em um dos seus raros momentos de hibernação. O motivo, segundo ele, é que vive um novo solstício, afinal acaba de chegar de uma aventura inédita. Aos 52 anos fez um desafio a si mesmo: explorar alguns lugares com o pequeno Pedro. A proeza incluiu uma subida ao monte Kailash, no Tibet. Uma aventura cercada de imprevistos, fraldas e mamadeiras... Filho de pai pernambucano, um literato, e mãe acreana, professora de ginástica e ioga. Arthur diz que já era

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multifacetado desde a infância. Influenciado pela profissão da mãe, fez ginástica olímpica, salto ornamental, jogou vôlei, basquete e conseguiu a façanha de ser vice-campeão de esgrima. “Já era espada desde pequeno”, brinca. Sua alma inquieta o tornou especialista em diversos assuntos. Mas o evento que realmente mudou a vida de Arthur foi sua entrada na comunidade Rajneesh, movimento filosófico-religioso originario da Índia. “Aos 17 anos, subo num muro para espiar e vejo um monte de mulher bonita chacoalhando o corpo. Meninas lindas, de todas as idades... Eu falei: É aqui que eu fico. Amarrei meu jegue ali por mais de dez anos, curtindo, aprendendo essas coisas. Na comunidade eu viajava para Trindade, perto de Paraty no litoral do Rio de Janeiro e para Trancoso na Bahia. Conviver com essas pessoas especiais foi minha grande universidade de vida. Afinal nunca tive paciência de ficar sentado no banco de escola para aprender, preferi fazer isso com os livros e grandes figuras que encontrei mundo a fora”. Arthur lembra com orgulho da época em que trabalhou na


Divulgação

Ao lado, Arthur Veríssimo entre devotos do Deus Elefante, festival em direção a Chowpatty Beach, Índia. Sempre participativo, o jornalista se joga em suas experiências, algumas bastante excêntricas aos olhos de ocidentais. Em fotos tiradas por ele mesmo faz um recorte de um país caleidoscópico

Muitas de suas experiências viraram matérias na Revista Trip e, mais recentemente, livro: "Karma Pop", primeira publicação do escritor, foi lançado pela Editora Master Books no final de 2010. Um recorte fotográfico e jornalístico de uma Índia que sempre o fascinou. Foram 17 viagens ao longo de 20 anos. O autor também revela as amizades que fez, seu batismo na nascente do Rio Ganges, a integração com os peregrinos e os festivais do qual participou, como o Festival Khumba Mela e do Deus Ganesh.

antiga Vasp apenas para descolar um bilhete para Califórnia. “Chegando lá fui morar numa comunidade Rajneesh no deserto de Mojave. Fiquei lá quatro meses, mas pareciam quatro anos. Conheci terapeutas incríveis, mulheres maravilhosas”. Do tempo em que viveu em comunidades Arthur destaca outro momento marcante de sua vida que foi a entrada na banda Carbono 14, em São Paulo e a época em que foi DJ e se transformou no Doktor Ezoterik. Depois de viver na loucura da noite, Arthur trocou as baladas por vivências em comunidades alternativas, as ashrans, praticando o silêncio e fazendo a cabeça com meditações. Além disso, tornou-se vegetariano, o que para ele é uma vida simples, frugal, mas autêntica e saudável. Embora seu novo estilo de vida não o tenha impedido de experimentar coisas exóticas como chá de leite de iaque do Himalaia (um boi de pelos longos) e até escorpiões fritos. Foi morar em Bali e de lá teve oportunidade de conhecer centenas, das milhares de ilhas que compõem a Indonésia. Rodou pela Ásia, África, Europa, Estados Unidos e México.

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as centenas de viagens carimbadas no passaporte de Arthur Veríssimo, a mais recente delas e também a mais ousada, segundo ele, foi para o outro lado do mundo com o filho caçula. Experiente, Veríssimo conta que a aventura tornou-se uma proeza repleta de obstáculos. “Tinha hora que ele chorava, ficava irritado, não dormia, voltou a usar fraldas porque nossos trajetos eram longos. Tudo normal para uma criança de 2 anos. Nos preparamos, levamos fraldas, mamadeiras, leite em pó e um fogareiro... A experiência foi fantástica. Me realizei ao observar seus olhinhos brilhantes absorvendo cada paisagem, do Camboja, da Tailândia, do Nepal... Também não vou esquecer a cena dele ficar quase hipnotizado com a visão do Monte Kailaish, no Himalaia e do momento que ele estava irrequieto no convés do barco e quando entramos na Baia de Halong, no Vietnã, foi como se tivesse tomado um sedativo. O lugar é incrível e ele ficou maravilhado, extasiado”.

“Faço parte dos grandes caminhantes, para mim os maiores foram Buda e Jesus. Quem fica parado é poste”. O título de peregrino não veio à toa, por 20 anos seguidos fez 17 viagens para Índia e aprofundou seus conhecimentos da cultura local. Veríssimo participou de diversos festivais e circulou entre saddhus (monges), sikhs (minoria religiosa indiana), gurus e discípulos dos deuses Shiva, Ganesh e Krishna, entre outros, e realizou o sonho de mergulhar na nascente do Rio Ganges. Porém, seu maior orgulho foi ter participado de cinco Khumb Mela, festival religioso que ocorre em quatro cidades indianas (Ujjain, Allahabad, Hardiwar e Nassik), que reúne multidões de peregrinos e aventureiros. Quando lhe pergunto sobre a próxima viagem, ele responde: “Sou um peregrino, um sujeito movido pela fé. Já estive em Meca, Lurdes, San Tiago de Compostela e na Festa do Padre Cícero. Meu ideal agora é mostrar para as pessoas todo esse universo do xamanismo na América do Sul e na América Central. Toda a herança de povos como Maias, Incas e Yanomamis. Toda essa frequência que existe da espiritualidade no centro do Brasil, nos cultos afro-brasileiros. A curiosidade é muito grande”.

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Amir Klink O navegador brasileiro relembra suas experiências na Antártica e o desafio der dar a volta ao planeta em um veleiro Por Scheila Canto Fotos Marina Bandeira Klink

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le já circulou pelos lugares mais incríveis do mundo e teve a oportunidade de conhecer regiões inóspitas. Encalhou seu veleiro nas geleiras da Antártica e por alguns meses seu único amigo foi um leão-marinho que batizou de Theobaldo. Mas sempre voltou para casa em segurança. Longe de viver experiências como as de Chuck Nolland, personagem vivido por Tom Hanks no filme “Náufrago”, o navegador brasileiro orgulha-se dos contínuos êxitos de suas expedições. Em sua página na internet deixa a seguinte mensagem: “Um homem precisa viajar por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e seus pés, para entender o que é seu, para um dia plantar suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar do calor...”.

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Embora muitos identifiquem Amyr Klink com viagens em barcos ou veleiros, sua primeira aventura foi em cima de uma motocicleta, aos 23 anos, de Paraty, no litoral do Rio de Janeiro até o Chile. Cinco anos depois, em 1983, terminou a construção do seu primeiro barco: o I.A.T., com o qual no ano seguinte fez a primeira travessia solitária a remo do Atlântico Sul, uma jornada de 100 dias, retratada no best-seller “Cem Dias entre o Céu e o Mar”. Em 1986 realiza a primeira de suas 15 viagens à Antártica. Na volta, começa a construção do Paratii. Com esse barco, em 1989, estreia como velejador em uma viagem solitária que durou 642 dias, passando sete meses e meio preso em uma geleira, onde encontrou o leão marinho Theobaldo. Toda a façanha foi descrita em “Paratii, Entre Dois Pólos”.


Amyr Klink realizou 15 expedições para a Antártica, deu duas voltas ao planeta com o projeto “Circunavegação – Projeto Antártica 360 Graus”. No início suas viagens eram solitárias, com o tempo ganhou a companhia da família e hoje todos são envolvidos em desafiadoras viagens

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Numa sequência incansável de ideias e projetos, em 1994 inicia a construção do veleiro Paratii 2. Como a vida não é só trabalho, em 1996 casa-se com Marina Bandeira e no ano seguinte nascem as gêmeas Tâmara e Laura. Com aperto no coração, partiu em 1998 para sua última viagem solitária. A bordo do Paratii, inicia o Projeto Antártica 360 Graus, com objetivo de dar a volta ao mundo pela sua rota mais curta, rápida e difícil, passando pelo Cabo Horn, um dos lugares mais temidos pelos navegadores em razão da constante atividade vulcânica e do forte encontro de correntes marítimas que provocam ondas de até 15 metros. A viagem consumiu 88 dias, 14 mil milhas, cerca de 22,5 mil quilômetros, e rendeu mais um livro: “Mar sem Fim”. Em 2000, nasce sua filha caçula, Marina. No ano seguinte, após sete anos, Amyr conclui o Paratii 2, o mais moderno veleiro já construído no Brasil. Entre dezembro de 2003 e fevereiro de 2004, Amyr refaz a circunavegação polar, dessa vez com cinco homens na tripulação. A viagem durou 76 dias sem escalas, por 13,3 mil milhas e novamente outro livro “Linha D’água”. Embora seja um empresário – construtor de barcos – Amyr Klink não consegue levar uma vida normal de executivo. Para ele a graça está em conhecer o novo e desafiar o inusitado. “Não consigo ser prosaico, gosto de ter história para contar. E o melhor ainda: posso viver do que mais gosto de fazer”.

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CASA FLUTUANTE Há seis anos, Amyr Klink deixou as longas viagens em razão dos inúmeros convites para palestras em solo ou a bordo de barcos turísticos com destino à Antártica, além dos seus negócios na Marina do Engenho, em Paraty, lugar onde guarda e constrói barcos. Em alto mar só nos meses de férias (novembro a janeiro). Mas, seu espírito aventureiro o leva a outros caminhos em cima de duas ou quatro rodas. “No início deste ano rodei 6 mil quilômetros em quatro dias, acompanhado da família. No próximo mês estarei em outra viagem, desta vez de em cima de moto KTM e acompanhado dos amigos Júlio Fiad e João Cordeiro. O percurso é a rota transoceânica, a rodovia sai de Xapurí no Acre e chega a Cusco, no Peru, metade dela sem asfalto”, revela. Segundo Amyr suas viagens começaram sozinho, mas hoje a família toda está envolvida com as aventuras. “Minha esposa deixou sua empresa de lado para se dedicar à fotografia de grandes animais marinhos. Minhas filhas amam as viagens no veleiro, que na verdade é nossa casa flutuante, onde se tem o privilégio de mudar a paisagem de acordo com o mapa”, orgulha-se. E foi justamente no Paratii 2 que Amyr investiu mais tempo e dinheiro. “Tudo neste veleiro foi projetado pensando no conforto e na segurança de minha família. Alguns detalhes fiz questão de cuidar bem de perto, como a cozinha. Escolhi cada item do enxoval, do jogo de facas e panelas aos lençóis e toalhas. O Paratii 2 é a extensão do meu corpo. Um barco como esse é muito mais que uma casa, um carro de luxo ou uma moto... não é à toa que não damos nomes a esses outros bens, mas o barco tem uma identidade própria, uma espécie de simbiose com seu dono”, argumenta.

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Ideias para você vestir sua casa. Por Scheila Canto

Acessórios A Altero é a primeira empresa do segmento na América Latina a utilizar o acabamento em PVD, fazendo com que seus produtos brilhem como joias. Na edição da Kitchen & Bath, a fabricante apresentou um puxador com cristais Swarovski, com aplicação versátil em função do desdobramento de tamanhos. ONDE www.altero.com.br

Estilo vitoriano Acessórios A Zen Design inova no segmento de acessórios para banheiros e lavabos com peças marcadas pela modernidade das linhas retas e do inox, que fazem o contraponto com o luxo dos cristais Swarovski, a exemplo desta saboneteira.

ONDE www.zendesign.com.br

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Especializada em banheiras vitorianas e contemporâneas, Doka Bath Works acaba de lançar a Toulouse, que se destaca por sua profundidade e linhas sofisticadas. Compõe banheiros clássicos ou modernos e é fabricada em Quarrycast, composto de rochas vulcânicas cujas características mantêm a temperatura da água por mais tempo, impedindo desbotamento ou amarelamento.

ONDE www.dokabathworks.com.br


Ideias para você vestir sua casa. Por Scheila Canto

Romantismo As flores têm sido tema recorrente na decoração. A Biancogres buscou no provençal francês o tom para uma linha inovadora de revestimentos para parede. Essa coleção de monoporosas usa texturas e o acabamento acetinado para uma experiência sensorial, criando um efeito de papel de parede. A delicadeza das peças compõe ambientes clássicos, com atmosfera romântica. ONDE

www.biancogres.com.br

Dècor A artista plástica e design de interiores Danielle Drummond mostra a versatilidade da cerâmica unida com a arte. Suas peças feitas a mão revelam harmonia entre formas e cores que torna cada peça exclusiva. ONDE www.danieledrummond.com.br

Salão Internacional de Móvel de Milão Entre as novidades da coleção 2011, a Cerruti Baleri apresentou a instalação Canapé Cactus, dedicada ao designer italiano Maurizio Galante. A peça consiste em um único sofá em formato de cacto, projetado para a École de la Chambre, Paris. ONDE

www.cerrutibaleri.com

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Identidade Campana Elementos inesperados s達o transformados em arte-design na obra dos irm達os Fernando e Humberto Campana Por Cidiana Pellegrin

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Série Sushi: cadeiras, sofás, bancos, tigelas, mesas [2002 a 2004]. Mistura de materiais. "Nas favelas, se faz colchões e acolchoados com todo o tipo de pedaço de tecido. A gente começou com isso e pensamos em sushis. Várias texturas enroladas todas juntas."

Vaso Batuque [2000]. Vidro. Produzido por Estúdio Campana, Brasil. Desconstrução e simplicidade. Vários tudos de ensaio criam formas diferentes, de acordo com a posição em que o vaso é colocado.

Em

uma das regiões mais inventivas de São Paulo, o bairro Santa Cecília, está localizado o Estúdio Campana, fundado pela dupla que trouxe grande visibilidade internacional ao design brasileiro: Humberto e Fernando Campana. O trabalho dos irmãos começou a ser reconhecido pela ousadia no design de mobiliários e nas criações de objetos instigantes. Elementos considerados banais se transformam em nobres artigos de decoração. É o caso da famosa poltrona vermelha composta de cordas trançadas à mão. Há 13 anos a peça ícone do portfólio Campana passou a ser produzida e distribuída por uma das empresas de design mais importantes do mundo, a italiana Edra. A parceria empresarial valorizou o trabalho dos irmãos que iniciaram carreira na década de 80. Primeiro Humberto, bacharel em direito e apaixonado por artesanato, montou um pequeno negócio com produtos feitos à mão. Três anos depois, Fernando, já graduado em arquitetura, foi incorporado à iniciativa. Desde então eles se tornaram uma das duplas mais premiadas do design contemporâneo, entre os principais está o Prêmio Especial Museu da Casa Brasileira, e Designer of the Year, pelo Design Miami.

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Banquete [2004]. Mistura de materiais e ferro. Produzido por Estúdio Campana, Brasil. Leões, cachorros, jacarés e todo o tipo de bicho de pelúcia, juntos, formam essa cadeira nada convencional. Mais uma vez, os irmãos Campana conseguem transformar matéria-prima modesta em design

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Banco Vitória-Régia [2002]. Materiais diversos e ferro. Produzido pela Estúdio Campana, Brasil, desde 2003. Banco altamente decorativo, feito de pedaços descartados de tecido, tapete, forração e plástico coloridos, usando a mesma técnica empregada na série Sushi


EXPOSIÇÃO Blow-up [1993]. Alumínio. Produzido por Alessi, Itália. Os irmãos gostam de fundir o processo industrial com técnicas tradicionais de artesanato. Para produzir a escultura blow-up em alumínio, Fernando e Humberto estudaram como artesãos trabalhavam com o bambu

N Com o reconhecimento vieram novas parcerias. Para dar conta do trabalho eles lideram uma equipe de 12 pessoas entre arquitetos, costureiras e um artesão. Em uma mistura típica de ateliê essa turma concretiza ideias que são produzidas por empresas como Alessi, Artecnica, Magis, Bernardaud, Corsi Design, Kreo, Skitsch, Plus Design, Grendene e outras - quando não pelo próprio estúdio. Como desafio criativo, os irmãos Campana querem sempre traduzir a identidade brasileira. Seus projetos valorizam a sustentabilidade, preservam a estética e trazem interpretações de comunidades pobres do país. A cadeira Favela, por exemplo, foi criada em 1990 com inspiração na comunidade da Rocinha, no Rio de Janeiro. Uma série de pedaços de madeiras (certificadas) imitam a construção dos ditos “barracos”. Ainda com materiais inesperados, surgiram o sofá de papelão, poltronas cobertas por pelúcias, fruteiras com cerdas de vassouras, bancos decorativos utilizando retalhos de tapetes, mesas de tijolos de cerâmica, luminárias com bambu e outras combinações. Mas a inventividade está além do mobiliário. Fernando e Humberto estão se lançando como designer de interiores: repaginar o antigo “Olympic Hotel”, em Atenas, será o primeiro projeto assinado pela dupla.

o mês passado a exposição Anticorpos, inaugurada em 2009 na Alemanha, chegou ao Brasil trazendo a retrospectiva do trabalho dos irmãos. Mais de 200 obras criadas desde o início da carreira estarão abertas a visitação do público no Museu da Vale, em Vila Velha (ES), até 3 de julho. A mostra itinerante ainda prevê passagem por São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, além de países da América do Sul e Ásia.

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Vagner Giglio, diretor da franquia MS e MT, ao lado da mulher, Emily Ayoub Giglio

Casa Cor MS Evento já consolidado no estado promete superar resultados e surpreender visitantes Foto Jean Vollkopf

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inda faltam cinco meses para a abertura da segunda mostra da Casa Cor MS e neste ano a expectativa é ainda maior, com a comemoração dos 25 anos da marca. A casa mais charmosa do estado já possui data e local definido, ficará na Rua Abdul Kadri, 104, Chácara Cachoeira, e poderá ser visitada entre os dias 2 de setembro e 16 de outubro. Enquanto a gente espera as portas se abrirem, em entrevista, o diretor da franquia de MS e MT, Vagner Giglio adianta algumas novidades da maior mostra de Arquitetura, Decoração e Paisagismo das Américas.

Você acredita que essa credibilidade da marca aqui no Estado é reflexo do êxito da primeira edição ecoando desde 2009? Com certeza o sucesso de 2009 ainda se reflete. Naquele ano, não tínhamos o que apresentar aos profissionais e empresários locais, pois seria a nossa primeira edição. Agora que todos já sabem como funciona o evento e a sua repercussão local e nacional, é possível um planejamento melhor para participar do mesmo. Qual é o maior legado que uma mostra Casa Cor deixa para a cidade e estado onde ela é sediada? É possível traçar um parâmetro entre antes e depois de Casa Cor? A Casa Cor é um divisor de águas. Ela existe há 25 anos no Brasil, é um evento que divulga os arquitetos, designers e paisagistas de uma forma intensa, e é a única vitrine viva existente para que o público veja o trabalho deles e tenha contato com as novas tendências do mercado. Acredito que Casa Cor trouxe para Mato Grosso do Sul uma nova dimensão e projetou seus profissionais e empresas para todo o Brasil. Para se ter uma ideia, a Casa Cor MS de 2009 foi uma das mais comentadas em todo o Brasil e ganhou três prêmios nacionais.

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Há 11 anos você atua com a franquia que começou em Mato Grosso e em 2009 trouxe a novidade para o Mato Grosso do Sul. Embora o evento se repita nas mesmas cidades como fazer uma mostra diferente da outra? Eu sempre digo que nenhuma Casa Cor é igual a outra justamente pelo fato de que todos os participantes, inclusive nós organizadores, temos que nos superar para surpreender o público visitante, este é o desafio de Casa Cor. Como franqueado da Casa Cor, do Grupo Abril e Dória Associados, você tem parâmetros das mostras por todo o Brasil. De que forma a Casa Cor MS tem ajudado a mudar a imagem do estado? Foi surpreendente o resultado de 2009, porque mostrou ao Brasil que Mato Grosso do Sul não deve nada a outros estados. Casa Cor é um evento que exige de todos, muito profissionalismo, tem regras rígidas, mas tem motivos para existirem, pois seguimos todas as legislações em todas as esferas. Conviver em um espaço delimitado com vários profissionais e fornecedores juntos não é tarefa fácil, temos que ter disciplina, cumprir cronogramas e isto às vezes causa alguns desconfortos, pois não dependemos apenas do trabalho de um, mas de toda cadeia produtiva que entra no evento. Em 2011, a Casa Cor celebra 25 anos de tradição e credibilidade, o que significa para os profissionais e empresas parceiras estar associado a esta marca que é hoje a maior das Américas? Hoje a Casa Cor é passagem obrigatória de empresas que queiram lançar novos produtos, ter contato com os melhores profissionais do segmento e de um público ávido por novidades. Teremos muitas surpresas nesta comemoração por todo o Brasil. Por Contexto Mídia


Casa Cor SC 2011 Cozinhas trazem soluções para o cotidiano Por Scheila Canto

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uncionais, modernos e conceituais. Assim eram os seis ambientes da Formaplas expostos na 25ª edição da Casa Cor Santa Catarina, que terminou no dia 1° de maio, em Florianópolis. A mostra, que este ano teve foco em projetos voltados para a preservação ambiental, acessibilidade e sustentabilidade, guiou os projetos cozinhas da Formaplas para que pudessem, além de trazer seus mais novos lançamentos para os visitantes, pensar também em soluções criativas e ambientalmente corretas para o cotidiano.

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Ao lado, a copa e cozinha do Apartamento da Família, desenvolvida por Maurício Christen, foram projetadas com iluminação zenital, que aproveita a luz natural e diminui o consumo de energia elétrica

O Loft do Cubo de Vidro, dos arquitetos Paulo Rosenstock e Luciana Blagitz, ganhadores do prêmio de melhor projeto em 2010, reúne num único ambiente cozinha e dormitório. Os armários do quarto e da cozinha têm acabamento em alto brilho

PREMIAÇÃO Luis Pedro Scalise ganha Prêmio Sense de Arquitetura da Formaplas Atenta para o tema acessibilidade, a Formaplas lançou o Prêmio Sense, que este ano completou sua 4ª edição, com objetivo de contemplar os arquitetos que encontraram a melhor solução em projetos que priveligiam a acessibilidade. O arquiteto Luís Pedro Scalise, de Campo Grande, foi o vencedor do prêmio, que teve mais de 600 projetos inscritos, alguns deles por nomes que são referência da arquitetura e design de interiores.

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Multipla Fernanda De sobrenome japonĂŞs e alma mineirinha, Fernanda Takai sempre brilhou aos olhos nossos Por Carla Matsu

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Fotos Alexis Prappas


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Fernanda

é de uma delicadeza que parece não existir mais nos dias atuais. Algo que não se constrói com o tempo, algo que vem, talvez, de berço. Talvez de ancestrais. Descendente de japoneses, nascida no Amapá e mineira de criação confessa, Fernanda Takai é um daqueles rostos, personalidade e doçura que nos torna impossível não gostar. A voz quase que sussurrada, de tons angelicais, vem conquistando o cenário nacional da música desde os anos 90, quando surgia à frente do Pato Fu. De lá pra cá, as experimentações com a música incluíram até letra em japonês e instrumentos em miniatura. Nara Leão também foi ao seu encontro no aclamado álbum “Onde brilhem os olhos seus”. Na entrevista a seguir conhecemos uma Fernanda múltipla e única: mãe, escritora, compositora, cantora, e claro, uma grande “mulherzinha”.

Fernanda, suas escolhas levaram você até outra profissão, a de Relações Públicas, como foi o encontro com a música? Gosto de música desde muito pequenina, mas nunca pensei em viver de música. Ninguém na minha família tocava instrumentos, nem cantava. Sempre fomos apenas ouvintes. Era um hobby que eu tinha em minha vida. Cheguei a formar banda no colégio, me apresentar em alguns festivais, mas a forma como ela foi ocupando o meu tempo foi bem gradual. Tanto que até o terceiro álbum do Pato Fu eu ainda trabalhava numa agência. Em “Onde brilhem os olhos seus”, você apresentou a um novo público, Nara Leão. E o álbum foi um grande sucesso. Como foi interpretar e ter em mãos essa grande responsabilidade de dar a sua voz a outra intérprete tão particular? Eu só pude fazer um disco assim, aos 15 anos de carreira, porque já tinha uma discografia autoral com a banda e de certa forma meu timbre de voz era conhecido. Tentei fazer um disco dedicado a ela, mas com muita personalidade. Digo que eu e Nara somos do mesmo time de cantoras. Usamos a voz de forma econômica, quase ao pé do ouvido. Se ela não tivesse existido como artista, o nosso caminho seria mais difícil.

Como é um dia comum pra você? Li que você, além de ter uma hortinha em casa, vai ao supermercado pessoalmente. Você se dedica a essas atividades simples do dia a dia? Cuido ao máximo das coisas da casa pessoalmente. Um dia em Belo Horizonte geralmente começa com fazer a lição de casa com a Nina depois do café. Às vezes gravo algo no estúdio, ela vai brincar ou nadar. Almoçamos e levo Nina pra escola. Tenho a tarde pra despachar coisas por e-mail, assuntos das produtoras, entrevistas, ir ao supermercado, reuniões, cuidar dos bichos, ajudar a minha mãe que mora perto em algum assunto. Depois busco ela na escola, banho geral, jantamos, assistimos a um filminho ou jogamos videogame. Isso é bem resumido... Você escreve semanalmente crônicas e contos para dois jornais [Estado de Minas e Correio Braziliense] e publicou um livro [Nunca subestime uma mulherzinha] que reúne algumas dessas crônicas. O ato de escrever se tornou uma necessidade, é algo fluido e sempre em tom confessional? Nunca é fácil. Foi ficando menos complicado ao longo dos seis anos, mas eu tenho escrito com frequência porque o meu deadline me impõe essa produção. Se eu não tivesse a coluna, talvez não escrevesse tanto. Esse espaço nos jornais me colocou em contato com um público diferente que me dá um retorno muito carinhoso. Então é bom saber que as pessoas tem gostado dos meus textos. Respostas assim sempre nos empurram pra frente. Só que ainda me sinto um pouco constrangida em me apresentar como escritora. Sou ainda uma cantora com uma coluna. Fernanda, todo mundo lhe vê como uma pessoa doce, calma, delicada, muito querida. Mas sei que você se desdobra para dar conta de muitas funções, desde o papel de mãe à música, escritora e etc. Existe algo que lhe tire do sério? Sou uma pessoa muito responsável, então quando aceito essas funções todas tento ter a maior disciplina pra dar conta de tudo. Não gosto de atraso. Sou boa ouvinte. Talvez a minha imagem pública seja mais suave do que eu sou na vida real. Mas eu procuro sempre ser muito educada em qualquer situação.

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Nunca Subestime uma Mulherzinha Lançado pela Editora Panda Books, o livro reúne contos e crônicas publicados pela autora nos jornais Correio Braziliense e O Estado de Minas. Nas 135 páginas da publicação, o leitor conhece o talento literário e a irreverência de Fernanda, que narra com muita simplicidade os momentos de sua vida e cria outros que poderiam caber na vida de qualquer um. (Scheila Canto)

“A gente alimenta algumas ideias moldadas por um certo movimento retilíneo uniforme bobo do nosso cérebro. Para qualquer assunto temos lá nossas considerações a fazer. E um dos seres mais agraciados com opiniões dos outros somos nós, as mulherzinhas. E o pior: também fazemos parte dessa engrenagem e, de certa forma, nos sabotamos sem querer”. [Trecho da crônica Nunca Subestime uma Mulherzinha]

“Época molhada, tempo de ficar dentro de casa inventando passatempos pra crianças e adultos, claro. Se quem está cuidando dos pequenos também fica enfastiado, o tempo não passa mesmo. O negócio é todo mundo se divertir! Coisa interessantes podem acontecer. Primeiro temos que abolir a solução fácil de ligar a TV e assistir pela octagésima vez o DVD dos Monstros S.A. ou Procurando Nemo. São ótimos filmes, mas é coisa de todo dia. Férias são férias...” [Trecho da crônica Férias de Chuva]

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DVD

Luz Negra

Além do repertório do álbum “Onde Brilhem os Olhos Seus”, o registro ao vivo do show traz outras canções, muitas delas parte da memória afetiva da cantora. Fã de Duran Duran, Fernanda cantou “Ordinary World”. "Kobune", a versão japonesa para "O Barquinho", inspirada na banda Pizzicato Five, também está registrada no disco, assim como “Ben”. Além das três em inglês, Fernanda canta “5 Discos”, dela e de John Ulhoa, “Você Já me Esqueceu”, composta por Fred Jorge e cantada por Roberto Carlos e “Sinhá Pureza”, que fez sucesso na voz de Eliana Pittman. É também um documento visual da turnê solo de Fernanda Takai. Dirigido por Eduardo Zunza e Daniel Veloso com produção musical de John Ulhoa, o DVD também contém clipes, além de cenas de estrada e bastidores. (SC)

O que é, ou o que se tornou prioridade pra você? Tenho certeza de que a minha família sempre foi a coisa mais importante na minha vida. Se eu precisasse escolher apenas uma atividade, acho que preferia estar mais perto de casa sempre, por causa da Nina. Mas eu falo isso hoje, aos 18 anos de carreira que já me deu muito reconhecimento, muitas alegrias, tenho uma pequena história pra contar. Talvez se eu fosse mais nova, pensasse mais no profissional. O tempo nos faz enxergar as coisas de forma diferente mesmo. E como é a Fernanda enquanto mãe da Nina? Ela, que também participou da gravação do álbum “Música de Brinquedo”, já mencionou que também gostaria de trabalhar com Música quando crescesse? Sou uma mãe muito exigente como a minha própria mãe foi e acho que isso me fez uma pessoa muito comprometida com todos os aspectos da vida. Eu gostaria que a Nina tivesse a mais completa liberdade pra escolher o seu papel nesse mundo. Eu tive essa opção. E nem sempre as pessoas conseguem fazer escolhas genuínas. Quanto a você e o John, o que há neste equilíbrio entre vocês para que o casamento dê tão certo? Uma vez que um relacionamento duradouro que atravessa e se compartilha entre turnês não é mérito de muitos. Tanto a banda quanto nosso casamento são casos duradouros. Acho que isso se deve aos nossos objetivos juntos, respeito, divisão de tarefas, cumplicidade, amor e muito bom humor no dia a dia. Temos uma rotina parecida nas viagens, mas em casa ele fica mais no estúdio e eu na interface com o público e no gerenciamento cotidiano. Mas quando eu preciso dele, sempre está pronto a me dar uma mão. Confio muito no John, ele é uma das pessoas mais inteligentes e ponderadas que conheço. Sei que você é fã confessa do Duran Duran, Paul McCartney, Suzanne Vega, além de Clara Nunes e a própria Nara Leão. Quais seriam seus ídolos com os quais você sonharia, por exemplo, dividir o palco, ou gravar em estúdio? Você citou alguns dos grandes nomes que admiro na música, mas como tenho um gosto muito amplo, há vários mais. Fiquei muito feliz quando gravei e cantei com a Rita Lee, por exemplo. O convite do Herbert Vianna também foi muito especial. Tenho a sorte de ser amiga da Zelia Duncan, temos feito algumas coisas juntas.

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CD

Onde Brilhem os Olhos Seus A identificação artística de Fernanda Takai com Nara Leão a fez apostar num projeto audacioso em 2007, no lançamento do seu primeiro trabalho solo. A investida na regravação das canções deste ícone da MPB deu tão certo que o disco foi premiado como melhor álbum de 2007 pela APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte). O CD contou com a participação especial de Roberto Menescal e foi criado por sugestão de Nelson Motta, que já havia notado semelhanças nas vozes das duas cantoras, desde quando ouviu Fernanda Takai cantar pela primeira vez. (SC)

“Música de Brinquedo” é um disco lindo, sincero e genial. Como surgiu a ideia de fazer algo assim, tão lúdico, mas complexo ao mesmo tempo. Foi divertido fazê-lo? A ideia surgiu há muito tempo, em 1996, quando compramos um CD da turma do Snoopy tocando Beatles com instrumentos de brinquedo. Mas naquela época éramos uma banda que ainda começava. Tínhamos que construir uma discografia autoral. Depois que nossa filha nasceu é que voltamos a pensar nessa estética musical. O som de brinquedo é imperfeito, mas causa empatia quase que imediata. Não é fácil tirar os sons e fazer com que eles todos juntos tenham uma harmonia, mas o processo é divertido. Muita tentativa e erro. É bom recuperar um pouco da inocência que se tem quando começamos a gostar de música. Depois é que vamos tentando alcançar algum tipo de apuro formal que acaba engessando um pouco o trabalho, fica tudo muito parecido. Um disco assim é completamente fora dos padrões e tem sido muito querido por todos. Vocês surgiam nos anos 90, quando o Grunge predominava e que trazia uma estética sonora mais crua. O Pato Fu, pelo contrário, ousou no experimentalismo musical e foi para um lado mais doce. Quais eram as pretensões da banda? E quais são as de agora? Acho que a gente nunca pensou que o Pato Fu fosse durar tanto tempo. É um formato de banda meio improvável pra dar certo porque o mercado trabalha com compartimentos bem definidos e a gente sempre buscou a diversidade, o agridoce. Só sabemos fazer música assim: não-pura. Então agora que já estamos juntos esse tempo todo, vamos continuar a pensar que o melhor disco e turnê ainda não foi feito. A gente sempre fica feliz quando determinado álbum vai bem como esse porque nos dá fôlego novo e mais vontade de produzir.

CRÉDITOS Fotos: Alexis Prappas (Prappas Imagens) Produção Executiva: Melissa Tamaciro Maquiagem: Otho Marlieri. Fernanda Takei veste Ronaldo Fraga Agradecimento: Ana Paula Portugal. Museu de Arte da Pampulha - MAP

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E quanto à Fernanda, o que podemos esperar pela frente? Eu espero ter tempo de cumprir todos os compromissos que tenho assumido! E quero muito ser uma mamãe cada vez mais legal pra minha filha.


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gad g et s Novidades que fazem nosso desejo de consumo. Por Scheila Canto

Aspirador robô

Papo tecnológico O telefone IP multimídia GXV3175 é o irmão mais novo do premiado GXV3140, certificado pelo Skype, de grande sucesso entre corporações e pequenas e médias empresas. O equipamento tem visor LCD colorido touch screen de 7 polegadas, videoconferência de alta qualidade, PoE e WiFi integrados euma série de aplicativos de mídia avançados para usar em casa ou no escritório. Por R$ 1.633,00

Com design inovador, a LG apresentou o produto HOMBOT, que aspira o ambiente sozinho, proporcionando muito mais praticidade e comodidade. Ele possui um sistema de navegação inteligente que combina duas câmeras (superior e inferior) com sensores infravermelhos que mapeiam os ambientes, permitindo que o aspirador defina a melhor trajetória de limpeza e também desvie, com agilidade, dos obstáculos e evite colisões, além de limpar lugares difíceis como embaixo do sofá ou de camas. Isso sem contar que o produto reconhece desníveis como degraus. Ele conta ainda com quatro programas de limpeza diferentes e sistema inteligente de autorrecarga, que faz com que o Hom-Bot volte para a sua base quando a bateria estiver quase descarregada. Para mais praticidade, o produto oferece ainda a função “início programado”, em que é possível definir quando o aspirador deverá iniciar a limpeza do ambiente. Ele chega ao mercado por R$ 2.999,00

GPS com TV digital O novo Siga-me Smart TV, modelo fabricado pela Vista Tecnologia, promete aliar inovação, praticidade e entretenimento. O GPS com TV, agradar tanto quem dirige quanto os acompanhantes. É o único modelo disponível no Brasil que já vem com o navegador IGO Primo, um software com mapas originais, o que traz garantida das atualizações gratuitas de rotas e radares através do site www.naviextras.com. O modelo oferece diversos papéis de parede e cores para personalizar o display, além da opção de substituir a seta por um carro, bicicleta ou moto. Quando não está no modo de navegação, o GPS vira uma central multimídia e pode exibir programas de TV digital, reproduzir músicas, vídeos ou fotos, com aproveitamento total da tela de 5 polegadas em full screen. Por R$ 699,00

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Até debaixo d´água O Super Memory Cob, da AnovaTI, é um pendrive que tem muito a oferecer para quem tem um estilo de vida agitado e que precisa do maior número de gigabytes possível. Com capacidade de 4,8 e 16 Gb, o Super Memory é encontrado em diversas cores. Os diferenciais não param por aí. Ele tem taxa de transferência até duas vezes maior do que os pendrives convencionais, atingindo uma velocidade de 24mb por segundo, tecnologia à prova d’água, chip blindado de grande resistência e velocidade, além de garantia permanente. O modelo de 4 GB custa R$ 29,00


mot o r Novidades que fazem nosso desejo de consumo. Por Paulo Cruz

Briga de gigantes Não basta apenas ter um porta-malas saliente para conquistar a clientela, a briga entre os sedãs está cada vez mais acirrada. Apenas este ano três novos modelos desembarcaram por aqui, ameaçando a supremacia japonesa do Toyota Corolla em nossas ruas. Design, motor e mimos para os ocupantes fazem a diferença.

Volkswagen Jetta Renaut Fluence Dono de linhas imponentes, o Fluence impressiona pelo seu porte e chama a atenção por onde passa, dando a impressão de ser um carro de segmento superior. Por dentro, bom acabamento e um generoso GPS integrado ao painel. Sua direção é macia e o motor de 143 cavalos de potência, aliado a um eficiente câmbio automático, deixa sua condução agradável. A partir de R$ 59.990,00

Toyota Corolla Para se manter na dianteira nas vendas, o Corolla recebeu alguns retoques visuais que fizeram bem ao sedã. Mesmo assim, não pode ser considerado uma novidade. Seu conjunto mecânico equilibrado, confiabilidade e estilo que ainda agrada, faz dele um dos queridinhos da classe média. O acabamento é bom e o motor 2.0 chega a 153 cv com etanol no tanque. A partir de R$ 64.500,00

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O novo sedã médio da VW é vendido em duas versões de motor que fazem toda a diferença. O 2.0 de 120 cavalos tem desempenho comedido e o top de linha, que guarda 200 cavalos debaixo do capô, surpreende para disposição em acelerar. Suas linhas, mais sóbrias, agradam. Por dentro, vem bem equipado e com o bom acabamento típico dos VW. A partir de R$ 65.755,00

Peugeot 408 O sotaque francês faz bem para o design automotivo. O novo 408 tem linhas que massageiam o ego de quem está ao volante e pode causar torcicolos nas ruas por onde passa. O acabamento é primoroso. A lista de equipamentos é farta e conta até com para-brisa com tratamento acústico. O motor 2.0 rende 151 cv e o câmbio automático tem quatro velocidades. A partir de R$ 59.500,00


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DAD I L A U Q


mo t o r Novidades que fazem nosso desejo de consumo. Por Paulo Cruz

"Big Trails" Elas te levam a qualquer lugar.

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em só de aventuras sobre oceanos vive o navegador Amir Klink, um dos personagens desta edição. Acostumado a desafios, vai encarar a bordo de uma motocicleta KTM (representante do segmento das “big trail”) a rota transoceânica, saindo de Xapurí, no Acre, e chegando a Cusco, no Peru. Donas de motores anabolizados, suspensão e chassi reforçados, capazes de enfrentar praticamente qualquer caminho, essas máquinas são as companheiras preferidas em grandes expedições. Algumas dessas “big trail”, que podem custar mais que os sedãs da página anterior, são equipadas com sistema de freios ABS, que impedem o travamento das rodas, navegação por GPS e bolsas laterais que podem carregar quase tanta bagagem como o porta-malas de um carro popular. Separamos aqui três emblemáticas representantes das “grandes trilheiras”.

Yamaha XT 1200Z Super Ténéré O nome desta lendária “big trail” vem do temido deserto africano de Ténéré, no centro sul do Saara, uma das regiões mais inóspitas do globo. Dona de um vigoroso motor de dois cilindros paralelos com 110 cv de potência, tem transmissão final por eixo cardã, que substitui a corrente, controle de tração, freios ABS e conforto de sobra. Pode ser equipada com diversos acessórios, como os cases laterais em alumínio e faróis auxiliares. A partir de R$ 59.800,00

BMW R 1200 GS Adventure

KTM 990 Adventure

A principal concorrente da Ténéré é a luxuosa alemã BMW R 1200 GS, que ganhou recentemente a série especial Triple Black. O motor rende 110 cv e é suficiente para levar a “big trail” a 200 km/h, embora a velocidade não seja sua vocação. O piloto conta com ajuste eletrônico da suspensão e manoplas com aquecimento. Para estacionar uma dessas na garagem é preciso ter uma conta bancária bem saudável. A partir de R$ 59.900,00 na versão básica, chegando a R$ 90 mil, na top de linha

Marca pouco conhecida no Brasil, a austríaca KTM vem colecionando títulos nas mais importantes provas de rali do mundo, como Dakar. Dona de um visual inconfundível, com carenagem de ângulos retos e faróis sobrepostos, é equipada com motor de 999 cilindradas que rende 101 cv de potência e acelera forte. No Brasil há apenas seis concessionárias da marca. A partir de R$ 59.900,00 na versão 990 Adventure Dakar

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Sugestões e tendências em beleza. Por Scheila Canto

Edição limitada Em comemoração ao Mês das Mães, a Adcos lança em edição limitada duas novas versões de aroma para o Creme para Mãos FPS 8: Essência Thalasso e Essência Baunilha. Preço sugerido R$ 62,00 www.adcos.com.br

Linha SPA

For men

Composta de óleo e sabonete em barra, a linha Sakura no Ki (flor de cerejeira) foi inspirada nos povos orientais e promete trazer para as mulheres brasileiras todo o charme e encanto das belas gueixas japonesas. A nova fórmula possui ingredientes que garantem a hidratação e promovem o rejuvenescimento da pele. www.emporiobodystore.com.br

A nova fragrância masculina Davidoff Champion possui notas de cabeça que criam um impacto refrescante e imediato, graças à presença dos acordes de bergamota e limão. A nota de coração, então, ganha terreno com as essências energizantes e aromáticas do gálbano e da sálvia. Eau de Toilette – 90ml R$169,90 www.rrperfumes.com.br

Davidoff Champion

Novo Hydraseduction Depois do batom formulado com ouro 24K chega a vez de uma nova aposta da Avon, que tem como estrela a atriz americana Reese Witherspoon para apresentar o novo Avon Ultra Color Rich Hydraseduction Batom FPS 15. Produto inovador que combina a hidratação intensiva, como a de um condicionador labial, com o poder de sedução das cores. Sua bala possui uma linda aparência marmorizada. Preço sugerido R$ 20,00 www.avon.com.br

Attimo Uma nova fragrância com assinatura que expressa perfeitamente os valores de Salvatore Ferragamo: elegância inata, glamour, sedução refinada e estilo italiano. Um buquê floral multifacetado sustentado por uma base amadeirada extremamente sensual define Attimo Eau de Parfum. Preço sugerido R$ 195,00 (30 ml); R$ 265,00 (50 ml) e R$ 390,00 (100 ml)

Lançamento

By Shakira O Grupo Puig (que entre outras marcas de cosméticos detêm Carolina Herrera, Prada, Paco Rabanne e Antonio Banderas), junto com Shakira lançaram oficialmente no Brasil o perfume S by Shakira. Desenvolvido de perto pela cantora colombiana, o produto contou com três anos de pesquisas e investimentos da empresa. Segundo a cantora, o perfume é a cara dos brasileiros: um aroma sexy e envolvente. Preço sugerido R$ 119 (50 ml) e R$ 159 (80 ml). www.neutrolab.com.br

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Onde Por R$ 89,00 nas lojas O Boticário ou na internet. www.boticario.com.br


Fascínio eterno Selecionamos as melhores jóias e acessórios da estação Por Adriana Estivalet

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Fotos Alexis Prappas

música “Diamonds Are a Girl's Best Friend” (Diamantes São os Melhores Amigos de uma Mulher) faz parte do musical “Os Homens Preferem as Loiras”, estrelado por Marilyn Monroe. Um clássico do cinema que traduziu, com humor e sensualidade, o desejo de consumo por peças de luxo. Neste ensaio, diamantes, esmeraldas, rubis e couros exóticos aparecem em jóias e acessórios – um fascínio eterno.

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Colar de pérolas Maria Eduarda Jóias. Anel e brinco “candelabro” de rubi e diamantes, brinco de pérolas na Déborah Barros Jóias. Brinco de rubi e diamantes redondo na Angela Pacheco Jóias. Caneta mini da Mont Blanc na Lívari Joalheiros. Relógio Technos e óculos Balenciaga na Joiarte. Bolsa em couro vermelha da Viz Store Bolsas e Acessórios. Bolsa carteira Saad e sandália vermelha com cristais swarovski Zeferino na Ivaniza Boutique.

» Bracelete, maxi anel, brinco “folhas”, correntes, todos em ouro branco e diamantes na Déborah Barros Jóias. Brinco “Pena de pavão”, anel redondo e anel retangular em diamantes e pedras preciosas na Angela Pacheco Jóias. Caneta Mont Blanc Donna na Lívari Joalheiros. Capangas print onça, bolsa de franjas em couro preta modelo Shanya e Maxi Clutch Pony print zebra Viz Store Bolsas e Acessórios. Sapato Oxford da Santa Lolla.

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Colar de pedras Maria Eduarda Jóias. Pulseiras em ouro branco, amarelo e rosa com diamantes, anel de esmeralda e diamantes, maxi anel colorido e broche “arara” na Déborah Barros Jóias. Anel flores em diamantes na Angela Pacheco Jóias. Relógio Rolex na Lívari Joalheiros. Bolsa carteira de couro de avestruz verde e carteira de couro de jacaré azul bic com alça pulseira da Viz Store Bolsas e Acessórios. Lenço e sapatilha Saad na Ivaniza Boutique. » Brinco de pendente redondo, brinco flor em turquesa, anéis em diamante branco e diamante negro na Angela Pacheco Jóias. Anel Polvo em diamante negro na Eduarda Borges Jóias. Colar em pérolas champagne, colar negro e colar marrom Maria Eduarda Jóias. Carteira de mão com pedras, Bolsa de couro e scarpin de verniz Saad, lenço Nana Kokaev na Ivaniza Boutique. Óculos Balenciaga na Joiarte.

Onde Produção executiva Melissa Tamaciro Deborah Morbin Joias (67) 3383-6775 Angela Pacheco Joias (67) 9983-6263 Eduarda Borges (67) 8122-2312 Ivaniza Boutique (67) 3326-3424 Joiarte (67) 3317- 1159 Viz Store Bolsas e Acessórios (67) 3043-4848 Santa Lolla (67) 3389-8000

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DICAS 1. TERNO E GRAVATA ESTAMPADOS Pode-se usar uma padronagem dominante em cores próximas ou uma padronagem direcional como as listras 2. GRAVATA ESTAMPADA A estampa da gravata deve repetir a cor do terno, da camisa ou de ambos 3. CAMISA ESTAMPADA Neste caso, a camisa estampada deve repetir a cor da gravata ou do terno

Descomplicando o terno Mesmo vivendo em um país tropical, o terno é traje indispensável em algumas profissões e eventos. Mas ao contrário do que muitos pensam pode ser uma indumentária agradável mesmo no calor. Tudo vai depender do tecido escolhido. O mais indicado é lã, com trama super 100 ou 120, no mínimo, que funciona como isolante térmico e tem caimento impecável. Por Adriana Estivalet Fotos Alexis Prappas

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Modelo: Fernando Beni (Arena Models)

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A Astrologia e as mães, uma relação lunar Existem ferramentas para ajudar mães e filhos a se compreenderem melhor Por Thereza Christina Silva*

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ela astrologia, a mãe é representada pela Lua, regente do signo de câncer. Ela compreende todo universo feminino. É a mãe que gera, simbolicamente ela corresponde a todo nosso mundo emocional, aos nossos instintos, os mais básicos, como a nutrição, nossa base de segurança interior. A famosa expressão: ‘’fulano parece que é de lua” ilustra bem suas fases e as mudanças de humor, ora minguante, ora cheia, crescente ou nova, ela é flutuante, e quer coisa mais instável que o campo de sentimentos? Sentiram que a lua tem um poder imenso na nossa personalidade? Ela reflete tudo que absorvemos do mundo, e quem é nosso primeiro mundo? A mãe. É ela quem nos abriga nove meses em uma barriga e é ela que vem nos receber. Se a mãe é nosso primeiro amor, o que acontece quando essa receptividade não é boa? Podemos mais tarde fabricar problemas para vivenciar esse lado sombrio. Certa vez, quando levava minha filha a uma praça da cidade, vi uma mãe sentada, lendo uma revista bem compenetrada. Seu filho brincava com a babá na areia. Toda hora a criança chamava a mãe que pouco lhe dava atenção. De repente, ela machucou outra criança e só então a mãe se levantou e foi ver o que aconteceu. Em primeiro lugar, não sou contra babás, não é essa a questão, porém, existem momentos em que a criança precisa da mãe e não da babá. Ao falarmos da mãe, independentemente de ter gerado ou não, sabemos da grande responsabilidade. Na astrologia, temos ferramentas para estudar essa relação e ajudar mães a compreenderem filhos e vice-versa. Quando você faz o mapa astral do seu filho, através daquela simbologia, poderá entender a essência da alma daquela criança. Uma lua leonina pode ter dificuldades com um filho mais tímido. Então certos signos não combinam? Não é isso, mas algumas energias são mais conflitantes e podem ser trabalhadas.

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Na verdade, a criança vem com o mapa que precisa para evoluir, todas as dificuldades e facilidades estão ali, na medida certa. Porém, se ela encontra um ambiente que respeite essa essência, irá desenvolver melhor seu caminho pessoal. Astrologicamente a coisa funciona assim, é óbvio que não é tão simples, a análise do mapa apenas concede ferramentas para vocêr entender as relações. Vale falar que hoje vejo em muitos mapas infantis excesso de permissividade com os filhos, criança não pode tudo, falta de limites gera mais estragos que excesso. Neste mês, comemoramos o Dia das Mães. Aliás, todo dia é "dia de Maria", né? Que mãe que tira férias? Então deixo meu recado: conheça mais a você e seja inteira para o seu filho. Procure dar melhor atenção, babá não é mãe, avó não é a mãe, não é quantidade de tempo e sim qualidade de tempo. Parabéns a todas as guerreiras, as que abdicaram de muitos sonhos, àquelas que deixam seus filhos na creche para prover a família. Parabéns e força para aquelas que não geraram seus filhos, mas os criaram com um amor maior ainda, eu sou fã de todas vocês!

*Thereza Christina Silva é jornalista, astróloga, taróloga e professora tutura Ead. E-mail: tecaemaju@hotmail.com Twitter: Teca2011 Blog: www.astroloteca.blogspot.com


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Impressionando no primeiro contato "Cumprimentar e apresentar pessoas faz parte do nosso dia a dia e muitas vezes não nos damos conta da forma que estamos fazendo isso e a impressão que pode exercer sobre as outras." Por Adriana Estivalet*

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á falamos aqui, da importância em causar uma primeira boa impressão, tanto na vida social como profissional. Quando somos apresentados a alguém, temos a oportunidade de impressioná-la positivamente , principalmente se for demonstrado naturalidade, simpatia e cordialidade. Apresentar pessoas é uma arte e existem alguns critérios a ser seguidos que são muito elegantes. O homem é apresentado à mulher, mas quando se tratar de homem idoso, autoridade ou personalidade (como padre, ministro, artista renomado) a mulher é que deve ser apresentada a ele. Quando se tratar de senhora idosa e um jovem parlamentar, por cortesia ele se apresenta a ela. Utilize a palavra "mulher" e não "minha esposa" ou "minha senhora", assim como "marido" e não "meu esposo". A palavra “esposa” só é usada quando um homem apresenta a esposa de outro. Se estiver sentado, o homem levanta-se para cumprimentar a pessoa apresentada, mas isso é dispensável se ele for muito idoso. Já a mulher permanece sentada durante uma apresentação, mas deve se levantar quando se tratar de pessoa mais idosa ou de importância especial. Nas relações de trabalho e com autoridades, usa-se a maneira formal de apresentação: diz-se o nome e sobrenome, profissão ou cargo para facilitar a conversa. Quando estiver acompanhada de uma amiga e encontrar uma conhecida na rua, é conveniente apresentá-las imediatamente para que a acompanhante não fique constrangida aguardando a longa conversa. Uma dica de como responder as apresentações é dizer: “Como vai?”. Expressões como “muito prazer” ou “encantado” estão fora de moda. O aperto de mão é o gesto mais comum nas apresentações e o mais adequado nas relações profissionais. É um gesto revelador da personalidade e significa estima e confiança. Acontece de forma simultânea, mas se houver dúvida em estender a mão, esta deve partir da pessoa mais qualificada, mais idosa ou que tenha uma importância especial. Pessoas confiantes estendem as mãos de forma firme, bem encaixada, olhando nos olhos e com um sorriso cordial.

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Pode parecer um ato sem importância, mas o aperto de mão pode deixar uma impressão negativa dependendo da forma como acontece. Ao cumprimentar com a mão mole e frouxa, a pessoa estará demonstrando indiferença, assim como oferecer somente a ponta dos dedos transmite a impressão de que está com pressa para sair daquela situação. Algumas pessoas colocam tanta força no aperto de mão (chamado “aperto quebra-ossos”) que praticamente esmagam a mão do outro. Esse exagero de força é muito desagradável e faz com que as pessoas fujam de quem cumprimenta dessa forma. Alguns cumprimentos, ao invés de parecer simpáticos e agradáveis, acabam causando constrangimento, como o aperto em que a pessoa demora a soltar a mão e ainda faz movimentos frenéticos para cima e para baixo. Existem outras formas de cumprimento e todas passam uma mensagem e tem seu momento adequado. O tapinha nas costas, por exemplo, muito utilizado no meio político, é um gesto amigo e solidário. Os beijinhos e abraços devem ser reservados a familiares e amigos. Quando encontrar um conhecido em restaurantes e este estiver comendo, a melhor forma de cumprimentá-lo é à distância, através de um gesto com a cabeça ou um leve aceno para não interromper a refeição. Cumprimentar e apresentar pessoas faz parte do nosso dia a dia e muitas vezes não nos damos conta da forma que estamos fazendo isso e a impressão que pode exercer sobre as outras. Observe a forma como tem cumprimentado as pessoas e se, posteriormente, elas fizeram questão de se tornarem amigos ou dar continuidade a um negócio com você, pois a forma como foram tratadas pode tê-las aproximado ou afastado.

*Adriana Estivalet é consultora de estilo e imagem. Seu e-mail é adriana@adrianaestivalet.com.br


Marcelo Cacique Os passos de quem busca desafios Por Cidiana Pellegrin Foto Alexis Prappas

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mbora tenha nascido no Paraná, Marcelo é dono de uma simpatia mineira típica de suas origens familiares. O empresário, dono do restaurante de comida mineira mais tradicional de Campo Grande – o Fogão de Minas – é o primeiro da família a atuar na área gastronômica. O desejo de tomar decisões em um negócio próprio o fez abandonar a parceria com o pai no ramo da pecuária. Visionário, já fomentou várias oportunidades empresariais e confessa que está sempre buscando novidades. “Há cerca de um ano assumi um desafio: montei, em sociedade com meu primo, uma pedreira de extração de granito” conta Marcelo. O novo trabalho fica em Minas Gerais, o que exige viagens mensais do administrador. Comunicativo e boêmio, ele adora reunir os amigos em festas temáticas no próprio apartamento. “Proponho aos meus convidados que venham acompanhados de alguém que eu não conheça, assim o círculo de amizades aumenta,” revela. Quando está sozinho, Marcelo relaxa ouvindo música. “Ela me acalma. Há dias em que preciso chegar em casa e ouvir ópera, outros um rock’n’roll,” afirma Marcelo. O novo apartamento tem alto-falantes em todos os cômodos, uma exigência feita a sua mãe, a decoradora Meire Cacique. “Gosto de valorizar que temos uma grande sintonia e amizade. Uma ligação fraternal que ainda pode gerar novos projetos.”

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Silvio Marães Publicitário se reinventa com novos estímulos Por Cidiana Pellegrin Foto Alexis Prappas

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ublicitário há 14 anos, Silvio Marães decidiu enfrentar um novo desafio no final de 2009: montou sua própria agência em sociedade com um amigo. Deixou a direção de arte e assumiu a área de consultoria de negócios da empresa. A constante busca pelo novo, ainda na juventude, despertou o desejo de ingressar no curso de Publicidade e Propaganda. A criatividade sempre esteve presente: “Eu fazia adesivos em casa, a partir de revistas, e vendia na escola. Meu quarto era personalizado com minhas criações”, revela. Além da publicidade, Silvio se identifica com Tecnologia da Informação. Trabalhou por quase dois anos em uma multinacional do ramo em São Paulo. A experiência adquirida por lá foi aplicada em sua empresa, que também oferece suporte no setor de T.I. “Antes de cursar Publicidade, a Engenharia da Computação sempre fez parte dos meus planos. Apesar de não executar projetos, sou muito ligado a área”, complementa o empresário, que não se distancia das redes sociais. Unir os dois segmentos na vida empresarial

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trouxe a satisfação que Silvio procurava. Mas o trabalho tem bastidores de “persistência, criatividade e planejamento”. Para ele “só assim é possível construir o sucesso da empresa.” A receita deu tão certo que a Mob 360 Comunicação está abrindo filial em outro estado. Silvio costuma buscar referências que estimulem novas idéias e, no momento, a música é a principal fonte. Além do rock’n’roll, o ritmo africano da dupla Amadou e Mariam marca presença na sua playlist. Apesar da rotina exigente – em média 12 horas de trabalho – o publicitário reserva um tempo para se divertir. Uma vez por semana procura reunir os amigos em casa e cozinhar, revelando preferência no preparo de pratos da cozinha mexicana. O prazer pelas viagens também não fica de lado. “Na última, fui a São Paulo conferir o show da banda inglesa Morcheeba, uma grande descoberta”, diz entusiasmado.


Júlia Aissa Trajetória dedicada aos passos e aos palcos Por Thiago Andrade Foto Alexis Prappas

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omo muitas meninas, a bailarina Júlia Aissa começou a dançar cedo. A diferença, contudo, é que ela não parou e a sua trajetória de vida se tornou inseparável da carreira como artista. Quando começou a frequentar aulas de balé em Dourados, aos oito anos, mal poderia imaginar os caminhos que viria a trilhar. Hoje, aos 30, ela é responsável pela coordenadoria do Núcleo de Dança da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul e continua atuando como produtora independente ao lado do coletivo Corpomancia. Do interior do estado, a bailarina, que estudou balé até se formar no terceiro ano do Ensino Médio, foi parar em Campinas, uma das maiores cidades de São Paulo. Lá, cursou a graduação em Dança na Unicamp e se alimentou da pluralidade cultural que a cidade e a universidade tinham a oferecer. “Foi na faculdade que eu descobri meu caminho, fiz minha aposta na dança contemporânea e passei a descobrir as possibilidades do meu corpo para me expressar”, considera. Em espetáculo da coreógrafa e diretora alemã, Pina Bausch, Júlia descobriu quais os caminhos que gostaria de trilhar.

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Encerrada a graduação, a questão sobre o que fazer se desenhou à sua frente. Ela decidiu retornar ao estado em que nasceu. Na capital, tornou-se uma das bailarinas do Ginga Cia. de Dança. “Tudo que eu buscava na dança, encontrei no grupo. Minha transformação corporal, minha busca por um estilo, minha experiência de palco, tudo veio a partir dessa decisão”, conta. Junto à companhia, ela teve seu momento mais marcante na profissão. Participou da turnê por 36 cidades brasileiras do espetáculo “Cultura Bovina”. Júlia lembra que este foi o primeiro trabalho em que se colocou presente como criadora. Após sair da companhia, outro convite para dançar. Dessa vez, com cinco colegas no coletivo Corpomancia. Coletivo porque todos eram criadores e diretores dos espetáculos. Entre os trabalhos do grupo, “Memorar – O corpo em casa” talvez seja um dos grandes momentos da dança em Mato Grosso do Sul. Os bailarinos se apresentavam em uma pequena casa no Complexo Ferroviário. Júlia fazia um solo no banheiro da casa, iluminado por essas luzes de árvores de natal, em que fazia referência àquelas bailarinas de caixinhas de música. Com uma vida dedicada à dança, ela pondera: “viver de arte é um caminho cheio de dificuldades, mas eu não conseguiria fazer outra coisa”.

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Daniela Masson A arte de se relacionar bem Por Cidiana Pellegrin Foto Alexis Prappas

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omunicativa e bem humorada, Daniela Masson representa o perfil das mulheres que alcançaram os próprios objetivos muito cedo. Ainda acadêmica de Jornalismo iniciou sua experiência profissional nos segmentos de marketing e assessoria de imprensa, voltados a shopping centers. O bom trabalho aliado ao MBA em Gestão Empresarial trouxe valorização: com apenas 24 anos foi convidada a deixar Campo Grande para assumir o cargo de gerente de marketing do Goiânia Shopping, em Goiás. Três anos se passaram e ela está de volta movida pelo desafio de inaugurar o mais novo shopping da Capital, o Norte Sul Plaza. Reconhecida pela arte de se relacionar bem, Daniela conquista amigos sem esforço. Coleciona amizades antigas e tem o coração aberto às novas. Para ela a felicidade depende “de boas companhias para se viver momentos incríveis”. Entre as ocasiões especiais está a visita ao Chile. Mas diversão não significa apenas viagens. Encontros simples, embalados por boa música trazem grandes alegrias. Os estilos são variados: MPB, rock, blues... “Gosto de ouvir algumas bandas regionais como Bêbados Habilidosos, Beatlemaníacos e o jazz do Sandro Moreno,” revela a gerente de marketing.

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Djalmir Cesar O médico que enfrenta diariamente a intensa rotina de um hospital, escolheu o radicalismo do salto de paraquedas para aliviar o estresse Por Scheila Canto

aDRENALINA FULL TIME

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uma mesa de cirurgia um médico tem que ser preciso. Não há margem para erros e vidas dependem disso. A 5 mil metros de altura, saltando de um avião, um paraquedista também não pode falhar. Nesse caso, é a própria vida que está em jogo. Djalmir Seixas César, vive as duas situações em sua rotina de trabalho e lazer, se é que podemos chamar isso de rotina. Na área médica atua como clínico geral e conta também com duas especialidades: emergência e cirurgia plástica. Como atleta, seu currículo é ainda maior, com destaque para títulos internacionais, como o recorde mundial de queda livre, quando saltou junto com outras 282 pessoas, na Tailândia, e a participação do Massive Record, que contou com a participação de 572 paraquedistas em Bangcoc, ambos em 1999. Ao todo são nove recordes, conquistado em 20 anos de carreira.

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Da medicina ao paraquedismo, como foi essa jornada? Sempre quis ser médico e também paraquedista. É difícil saber qual vontade nasceu primeiro, tipo aquela história do ovo e da galinha. O primeiro salto que presenciei foi aos 4 anos de idade, dali em diante nunca mais esqueci aquela cena. Mas, posso dizer que me dediquei primeiro à medicina. Como médico recém-formado entrei para Aeronáutica e foi nesta época do serviço militar que iniciei a atividade. Fiz o curso civil e meu primeiro salto foi no dia 31 de agosto de 1991. De 93 a 95 fui atleta e médico da equipe de paraquedismo da Comissão de Desporto da Aeronáutica. Você se lembra da sensação do primeiro salto? Ela se repete ainda hoje? Tive um sentimento de completo abandono, que não me causou tristeza, mas me fez refletir, mesmo que em poucos segundos, tudo que havia feito da vida até ali. Nenhuma experiência até o momento se igualava ao sabor daquela adrenalina. A cada queda, a cada salto, há uma experiência diferente. Algo difícil de descrever em palavras. O privilégio de ver o pôr-do-sol de cima, além da linha do horizonte é algo magnífico, cuja beleza é imensurável...


Fotos: Djalmir Cesar (Alexis Prappas), saltos (acervo pessoal)

A medicina é uma profissão eletrizante, porque escolheu como hobby algo tão radical? São adrenalinas diferentes, embora nas duas atividades qualquer erro de cálculo e atitude põe em risco uma vida, a minha ou de outra pessoa. Mas, geralmente depois do salto chego em casa com a energia trocada, renovada. E, justamente por no meu dia a dia ver coisas pesadas e tristes, preciso fazer a troca da polaridade. O salto me deixa mais tranquilo. Você sonha em ser um profissional do paraquedismo? Meu sonho era aliar o paraquedismo à medicina. Gostaria de ser aquele médico que vai aos lugares onde dificilmente chegaria outro socorro. Gostaria de trabalhar no resgate de vítimas em situações e lugares inóspitos, por isso me especializei também no atendimento de emergência. Porém, ainda sou apenas atleta, não vivo de saltos. Meu sustento vem da medicina.

iminente. E quando estou planando a sensação é de liberdade, felicidade e paz. Como médico, você recomendaria o salto de paraquedas para aliviar o estresse? Se a pessoa tiver boa saúde, sim. Tanto que já fiz salto duplo com meu pai, minha irmã e meus sobrinhos, além de vários amigos. É lógico que não se trata de uma atividade sem riscos. É preciso ressaltar, como instrutor, que o salto mal feito é perigoso. Portanto, é fundamental ter muita técnica e excelente preparo, tanto físico como psicológico. Uma aventura ou esporte radical, seja mergulho, escalada ou salto de paraquedas, deve ser feito com segurança e cautela. Se fizer tudo certo, não há perigo, a menos que haja efetivamente um acidente. E isso pode acontecer com qualquer um em qualquer circunstância, até mesmo andando numa calçada.

O que mais te emociona no salto? Quanto mais alto se está mais tempo dura a queda livre. Já fiquei cerca de cinco minutos caindo livremente, mas parece ser uma eternidade. É tempo suficiente para fazer inúmeras reflexões e dar outro valor à vida, já que o risco de morte é

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e ve n t os Todeschini Afonso Pena Emocionante. Este foi apenas um dos adjetivos mencionados pelo empresário Wagner Freitas para exemplificar a sensação de estar entre os melhores franqueados da Todeschini no Brasil. Ao todo, participaram da premiação 300 lojas de todas as regiões do país. A Todeschini Afonso Pena, da qual Wagner é proprietário e responsável por liderar um time com mais de 80 colaboradores, ganhou o primeiro lugar regional (concorrendo com 53 lojas de 17 estados na região em que pertence). A empresa fez o maior percentual de vendas acima da meta e ganhou também o segundo lugar nacional com o maior volume de unidades vendidas no ano de 2010. O anúncio foi feito no último dia 3 de abril, durante uma grande festa realizada pela marca em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, terra natal da Todeschini e sede da maior fábrica de planejados da América Latina. Na ocasisão, os franqueados também conheceram a nova coleção da Todeschini, intitulada “Vida”, com ambientes cheios de jovialidade e originalidade. Além dos dois troféus, a Todeschini Afonso Pena foi premiada como a segunda empresa que melhor trabalhou com especificadores no Brasil, ficando atrás apenas do estado do Pará. Fruto das parcerias bem feitas com arquitetos, engenheiros, construtoras e designers renomados que confiam na marca e, é claro, do reconhecimento do consumidor, que elegeu a Todeschini como a preferida dos campo-grandenses no segmento de móveis planejados.

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1 Wagner Freitas, diretor da Todeschini Afonso Pena, entre Nereu Conzatti, diretor comercial da Todeschini e Alexandre Medeiros, gerente da região 4. 2 Nereu Conzatti, com João Farina Neto, presidente da Todeschini, Wagner Freitas e Virgína Farina, Jorge Pallastrelli e João Paulo Pompermayer, diretores administrativos, industrial e financeiro da Todeschini, respectivamente.

Foto 3 - Alexis Prappas

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e ven t os 2 anos de cenário feminino No ar desde abril de 2009, o Programa Cenário Feminino, produzido pela Black Vídeo, iniciou na TV Guanandi/Band e em fevereiro de 2011 entrou para a programação da TV Campo Grande/SBT. A comemoração pelos dois anos no ar aconteceu em espaço reservado, com variedade de tortas, pães, petits fours, sucos e bolos apreciados e elogiados por todos. A apresentadora Sonia Caldart faz um programa com variedades, entrevista, artesanato, novos talentos, saúde, culinária. O Programa vai ao ar aos domingos, 8h30min da manhã na TV Campo Grande /SBT e também pode ser visto na internet em www.youtube.com/cenariofeminino

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1 Juliana Caldart, Danilo Nuha, Sonia Caldart e Isabel Nuha. 2 Bibi e Leila Atala. 3 Miriam Bigolin e Andréia Fava. 4 Sonia Caldart e Adilson Santério. 5 Verhuska Tameiros. 6 Juseli Resende. 7 Paulo Cruz e Scheila Canto. Fotos Marcos Vollkopf

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e ve n t os Morada Móveis inaugura nova loja em grande estilo A Morada Móveis há 15 anos no mercado, uma das mais conceituadas lojas de móveis e decoração do Estado, está de casa nova. Um espaço inovador, projetado especialmente para que o cliente possa visualizar ambientes sofisticados e conferir marcas renomadas como Saccaro, tapetes e carpetes Santa Mônica e produtos para quem procura exclusividade e sofisticação na hora de decorar os ambientes. A loja fica na Avenida Afonso Pena 2968, quase em frente ao Obelisco. Agora com novo espaço dedicado a lista de presentes. Vale a pena conhecer. 1 Eduardo Felipe e Elke Lage. 2 Vera Cardoso, Vilma Vick e Sophia Figueiró. 3 Maria do Carmo Rondom e Maria Ines Barcelos. 4 Giovana Andrade e Eloisa Vicari. 5 Morada Móveis. 6 Anelise e Gelise. FOTOS Marcos vollkopf 1

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"Modernist Cuisine" Coletânea investiga receitas a fundo e aproxima ainda mais gastronomia e ciência Por Alexandre Furquim*

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magine uma cozinha de 1.800 m², que custou “a bagatela” de alguns milhões de dólares, repleta de fios e tomadas pendendo do teto e com equipamentos apenas encontrados em laboratórios hospitalares ou na NASA. Foi este o espaço criado pelo cientista norte-americano Nathan Myhrvold, para explorar a física e a química da culinária. Ph.D. em matemática, astronomia e geofísica, ex-braço direito de Bill Gates e apaixonado pela arte da gastronomia, Nathan decidiu investigar as receitas a fundo, revelar, por exemplo, o que acontece dentro do forno quando preparamos um assado ou na panela ao prepararmos legumes. O resultado pode ser lido na coleção Modernist Cuisine, kit composto de seis volumes, com uma brochura feita de papel à prova d’água. A partir da história da gastronomia, ele investiga todos os métodos de cocção [método no qual os alimentos sofrem a ação do calor e são mais facilmente digeridos] conhecidos pelo homem. De panelas a fornos mais complexos – aqueles combinados a vapor – a coletânea mostra como funcionam utensílios e eletrodomésticos. Ingredientes também são objetos de estudo, como carnes e frutos do mar, e a partir das experiências com vinho e café surgem truques para se criar inusitados espressos. Nathan ainda trata a gastronomia com rigor técnico e sem precedentes. Embora o livro exija certa “iniciação” ou como escreveu Michael Ruhlman em crítica no New York Times “seja necessária muita aspirina para sobreviver aos volumes”, digo que vale a pena dar uma conferida. Os seis volumes já estão disponíveis pelo valor de US$625 na Livraria online Amazon, ou pela Livraria Cultura, vendido sob encomenda por R$1.512,00. Quer saber mais? Fotos, vídeos e apresentação dos livros e repercussão na imprensa estão no site www.modernistcuisine.com

*Formado em Marketing e Gastronomia, Alexandre Furquim atua no ramo de restaurantes

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obra do jornalista Josimar Melo, crítico gastronômico da Folha de São Paulo há 22 anos, é um convite a saborosas descobertas na maior cidade do Brasil. Em sua 19ª edição, o Guia do Josimar 2011 aposta em restaurantes mais simples e com boa comida para estimular a gastronomia da capital e destaca que os jovens chefs, modernos e amantes dos ingredientes nacionais, estão ganhando força no segmento. Trazendo classificações e comentários de 870 restaurantes, 216 bares e cafés, além de 334 “lojas gourmets”, o guia orienta o leitor sobre qualidade e variedade, além de localização e preços, demonstrando que, muitas vezes, a boa cozinha também é acessível.

Por Cidiana Pellegrin


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Sabor de descoberta "O objetivo não é torná-lo um sommelier mas organizar este universo de forma simples e criativa"

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Por Douglas Mamoré*

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com grande alegria e expectativa que estou estreando a seção “Vinhos” na revista Mood Life. Todo mês teremos uma descontraída conversa sobre o universo dos vinhos, descomplicando e esclarecendo dúvidas sobre uma das bebidas mais antigas da humanidade e na minha opinião e de muitos outros enófilos, a mais fantástica e cativante de todas. Até bem pouco tempo, alguém disposto a desvendar os seus mistérios deparava-se com uma realidade bastante dura, já que as informações eram contraditórias e confusas. Acabavam passando um ar elitista, até mesmo esnobe, totalmente falso ao mundo do vinho o que, infelizmente, ainda causa uma sensação de resistência em muitas pessoas. A situação é mais confortável hoje, boas publicações vem aumentando muito o interesse, gerando um grande número de aficionados em nosso país. Com a Internet temos um acesso fácil e instantâneo ao conhecimento, o problema neste caso é o excesso de informação: sites duvidosos ou muito complicados, às vezes confundem ainda mais os iniciantes. Estamos falando de um assunto vasto e, por isso intimidante. São centenas de castas e cortes, milhares de vinícolas, e novos países produtores que há poucos anos nem sequer eram citados em publicações sobre a bebida. A tecnologia também abreviou a maturação de vinhos mais rústicos, como eram os argentinos, ampliando a oferta de vinhos de qualidade de grandes produtores, que mesmo jovens já estão prontos para beber. Nosso objetivo não é torná-lo um Sommelier e sim organizar este universo de forma simples e criativa. Por exemplo, todos podem compreender e curtir as boas surpresas que uma garrafa de apenas 30 reais pode conter. Queremos ainda provocar discussões e conquistar novos apreciadores, por isso falaremos também de coisas práticas, como a realidade do vinho em Mato Grosso do Sul, dos restaurantes, o serviço e suas cartas, chefs do Estado, de lojas, rótulos que você precisa conhecer, críticos, os melhores produtores, barganhas do mês, harmonizações e livros. Será divertido dividir com você leitor, as alegrias de descobrir não apenas o vinho como produto, já que ele sempre esteve presente em nossas vidas, mas sim como um velho amigo que um dia nos surpreende e percebemos nele um encantamento, uma sabedoria que não percebíamos antes, ele mudou... ou nós mudamos? Anos atrás, esta também foi a minha descoberta. Saúde!

*Desde 2005, o enófilo Douglas Mamoré Jr. dedicar-se exclusivamente ao universo dos vinhos. Seu e-mail é Douglas@mistral.com.br

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Enófilo Termo usado para descrever os amantes do vinho, ou seja, todos aqueles que se dedicam a estudar a bebida, profissionalmente ou não Sommelier É o profissional que tem grande conhecimento sobre vinhos. Trabalha como responsável e orientador da carta de vinhos de um restaurante ou loja. Castas São variedades de uvas usadas para fazer vinho, existem milhares de variedades, apenas 150 são plantadas comercialmente. Cortes Blends ou Assemblage, são misturas entre as diferentes uvas, (castas) quando um produtor procura obter um sabor mais autentico e peculiar para o seu vinho.


Arte na hospitalidade Em Paris, hotel Le Royal Monceau traz um conceito moderno de hospedagem Por Cidiana Pellegrin

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einaugurado no final do ano passado, o novo Le Royal Monceau trouxe um conceito de decoração que alia luxo, arte e hospitalidade, numa combinação proposta pelo designer Philippe Starck em parceria com o empresário Alexandre Allard para a Raffles Hotels. Fundado em 1928, o Le Royal Monceau foi sede de eventos históricos, culturais e políticos, como o encontro que oficializou a criação do estado de Israel. Com o tempo, o hotel se tornou popular para turistas e parisienses, perdendo espaço entre a elite. Em 2007 foi lançado o projeto que remodelou e devolveu o status majestoso ao empreendimento. O início das obras foi marcado por uma inusitada “demolition party” onde os convidados podiam demolir o que houvesse no local, até mesmo móveis não vendidos em leilão. O hotel ficou fechado por dois anos para a transformação que custou 100 milhões de euros. O projeto de interiores foi reinventado com modernidade, assim como as suas dependências. O resultado, repleto de originalidade, dá uma nova dimensão à hotelaria de luxo.

Na fachada é possível conferir a elegância e o estilo clássico comprovados nos tons de vermelho e branco. Na entrada o lobby foi substituído pelo Grand Salon, que funciona como corredor central, mas com pequenos nichos de hospedagem privada. Em contraste com a padronização internacional dos hotéis de luxo, que esbanjam excentricidade, Philippe Starck ousou com uma decoração que inspira emoções e memórias nos cômodos privados. Os quartos, suítes e apartamentos particulares transmitem a sensação de terem sido habitados, estão cheios de uma vida passada, uma história que o hóspede é convidado a continuar assim que recebe as chaves.

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QUEM Philippe Starck. O designer democrático

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francês Philippe Starck está entre os nomes mais renomados do design e da arquitetura. Versatilidade, ousadia e bom gosto são marcas de seus trabalhos. Já criou de tudo um pouco: vestuário, móveis, objetos, utensílios domésticos, motos e iates. A aptidão para o design despertou cedo. Com apenas 20 anos, Starck ocupava a cadeira de diretor de arte da Pierre Cardin, onde criou 65 peças com design exclusivo. Dez anos depois, quando montou a própria empresa, ganhou os holofotes ao assumir a renovação do apartamento do então presidente francês François Mitterand. A originalidade dos projetos de interiores chamou a atenção internacional e logo seu nome foi associado a uma revolução no conceito de hospedagem por estimular uma nova geração: o “Boutique Hotel”, que enfatiza elementos de arte, individualidade e interatividade. E se Paris está muito distante para contemplar o projeto de um dos ícones mundiais do design, o Rio de Janeiro, nem tanto. O hotel Fasano, em Copacabana, também traz sua assinatura.

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Gastronomia » Quanto aos prazeres à mesa, os hóspedes podem optar pela gastronomia francesa ou italiana. “La Cuisine” propõe uma abordagem amigável com a impressão de sala de jantar familiar, mas em grandes proporções. Os chefs André Laurent e Gabriel Grapin desenvolveram um cardápio que valoriza os sabores e produtos sazonais. Detalhe: as ervas utilizadas na preparação dos pratos são cultivadas no Jardim Botânico do Le Royal. » “Il Carpaccio” difere de restaurantes clássicos. Phillipe Stark buscou inspiração na arte barroca italiana e contemporânea, num clima alegre e poético. O chef toscano Rispoli Roberto priorizou receitas simples e com produtos frescos. As sobremesas, por sua vez, levam a assinatura do mestre dos macarrons Pierre Hermé.

No centro do Bar, uma mesa comprida, estreita e alta, emoldurada por espelhos e vidros foi colocada para estabelecer contato entre frequentadores. Um toque de informalidade proposto por Starck.

Serviço Diárias: a partir de € 780 Localização: 37 Avenue Hoche, 75008, Paris (próximo ao Arco do Triunfo) Informações: (331) 4299-8800 www.leroyalmonceau.com paris@raffles.com

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Por Thiago Andrade

Literatura

Música

Cinema

Perto dos deuses

Doçura e leveza

Em luzes neon

Entre as principais revistas literárias do mundo, a Paris Review conseguiu humanizar grandes escritores por meio de longas entrevistas que, por vezes, eram feitas através de anos. Fundada em 1953, nos Estados Unidos, tornouse uma das mais prestigiadas do mundo. A Companhia das Letras publicou “As entrevistas da Paris Review – Vol. 1”. Figuram nas páginas do livro autores como Ernest Hemingway, Jorge Luis Borges, William Faulkner, além de escritores contemporâneos como Amós Oz, Ian Mcewan e Paul Auster. Transcendendo os limites jornalísticos, cada conversa procura mostrar aspectos variados de cada entrevistado, além de discutir pontos da obra de cada um. Por R$ 58,00

Dois anos depois de seu primeiro disco, a cantora paulistana Tiê retorna com “A coruja e o coração”. Confirmando o sucesso da menina de voz doce, o álbum traz canções autorais e versões para músicas de amigos, como “Só sei dançar com você”, de Tulipa Ruiz, ou “Mapa mundi”, de Thiago Pethit. Um dos melhores momentos do disco é a inusitada versão do forró “Você não vale nada”, sucesso do grupo Calcinha Preta. Em uma mistura de valsa e tango, Tiê interpreta os versos melodramáticos, dando um novo ar de ternura à canção. Neste trabalho, lançado pela Warner, a cantora aparece mais madura, deixando um pouco da imagem menina tímida e introvertida de lado. Por R$ 27,20

Quando, em 1982, Francis Ford Coppola decidiu criar uma nova estética para os filmes, com muitas luzes neon e uma história de amor onírica e cosmopolita, a crítica e o público não o entenderam muito bem. Quase trinta anos depois, “O fundo do coração” é um marco da cinematografia do diretor. Hank e Frannie decidem que o casamento acabou no fim de semana do Dia da Independência. Em Las Vegas, o casal anda pelas ruas em busca de novas paixões, que sempre se mostram passageiras e vazias de qualquer significado. O diretor encontrou uma maneira original de retratar as crises e o sofrimento de um casal diante do fim. Por R$ 46,40

ONDE Na loja virtual da Livraria Cultura www.livrariacultura.com.br

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Garota Sangue Quente A cantora carioca Fernanda Abreu fala sobre planos e projetos para 2011

Leonilson de perto Retrospectiva e livro retomam legado de um dos principais artistas da Geração 80

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ara as artes plásticas brasileiras, a década de 80 foi uma das mais contundentes. Em meio aos artistas que desenvolveram pesquisas e criaram obras memoráveis nesse período, o nome de José Leonilson merece ser lembrado pelo trabalho intimista, autobiográfico e, ao mesmo tempo, capaz de lidar com as questões do mundo que se desenhava naqueles anos. Em “Sob o peso dos meus amores”, retrospectiva com mais de 300 obras, em exposição no Instituto Itaú Cultural, em São Paulo, é possível entrar em contato com as listas, coleções, números, símbolos e repetições que o artista usava como matéria prima para construir uma poética própria. Por meio do uso de materiais nada convencionais como tecidos, bordados e, por que não, vestidos e bolsas, o artista de Fortaleza produziu obras que atribuem novos olhares sobre a arte contemporânea brasileira. Morto em 1993, em decorrência da Aids, Leonilson problematizou em sua produção as relações entre o corpo, a identidade e o vazio, além, é claro, dos amores e da vida. Mesmo depois de quase vinte anos da sua morte, obras como “O mentiroso”ou “Ninguém”continuam a inquietar o público. Prova disso foi a participação do artista na 29ª Bienal de Artes de São Paulo, que apresentou quatro de suas obras no passado. Na impossibilidade de visitar o instituto, a editora Cosac & Naify publicou “Leonilson: Use, é lindo, eu garanto” que reúne mais de 100 trabalhos feitos para a coluna “Talk of the town”, de Barbara Garcia, na Folha de S. Paulo. Ilustrações que contextualizadas aos textos continham as interpretações de Leonilson sobre assuntos ligados ao cotidiano dos paulistanos. Contudo, é perceptível a transformação dos desenhos, que cada vez se tornam mais ácidos e empenhados em desmascarar regras, tabus e constrangimentos, afirmando a vida e a experimentação. Por Thiago Andrade Foto Romulo Fialdini ONDE Por R$ 99,00 na Loja Virtual www.cosacnaify.com.br O Instituto Itaú Cultural fica na Avenida Paulista, 149.

o que estou fazendo para manter a surpresa”, pondera. Mas ela adianta que as letras que escreve se baseiam no que vê por lugares onde passeia, principalmente na Capital fluminense, sempre com um olhar clínico para escavar crônicas cotidianas. Sonoramente, o disco futuro segue misturando ritmos como funk, soul, rap, rock n’ roll e MPB. O samba, segundo Fernanda, é um elemento que roduzindo música no Brasil terá destaque em seu novo desde o início dos anos 80, trabalho. Fernanda Abreu afirma que já Sem lançar disco com passou por momentos diversos músicas inéditas desde 2004, do mercado fonográfico. mas tendo produzido um Mas para ela, nenhum é tão álbum ao vivo e uma coletânea democrático quanto o atual. posteriormente, Fernanda se “Qualquer banda que decidir apresentou em Campo Grande gravar seu material, pode fazer no início do mês passado, na isso. Não precisa mais de uma primeira edição do projeto MS gravadora com equipamentos Canta Brasil, para um público caríssimos. No final, tudo vai de 15 mil pessoas. Uma das se transformar em um arquivo cantoras mais emblemáticas minúsculo para ser ouvido em da década de 90 aposta em fones de ouvido”, considera. uma vida tranquila no Rio de Sem apoio de grandes Janeiro ao lado do marido e gravadoras, entretanto, é das duas filhas. “O Rio é minha mais difícil divulgar o trabalho, casa, não tem lugar em que o que leva os músicos a me sinta tão à vontade. Mas aumentar números de show. adoro rodar o país e conhecer Nesse cenário, a cantora as particularidades de cada que entoava que o Rio de lugar. É o que me alimenta Janeiro “é uma cidade de para criar”, pontua. cidades misturadas”, conta Por Thiago Andrade que está produzindo material Foto Alexis Prappas para a gravação de um novo disco, a ser lançado ainda este ano. “Não gosto de adiantar

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Sem deixar o tempo fugir Simplicidade, inquietude e esperança refletem obra de Rubem Alves Por Thiago Andrade Ilustração Efe

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ma vez, ele escreveu: “A vida é uma ciranda de muitos começos”. Palavras sábias, sem dúvida. Mas, antes de tudo, simples. Foram escritas por um mineiro, que já coleciona 77 anos de histórias e aventuras de vida, chamado Rubem Alves. A simplicidade caminha ao lado da fé que conserva na humanidade, fruto talvez do nome da cidade em que nasceu, Boa Esperança. Inquieto por natureza, o escritor avisa que não foi sempre assim. “Na adolescência, eu me achava dono de verdades. Eu estava ligado a uma teologia inquisidora, intolerante e cheia de certezas”, lembra. Bastaram alguns anos no seminário para que mudasse de opinião. Convidado especial da 24ª Noite da Poesia, em Campo Grande, Rubem acumula mais de 70 livros escritos, nos quais fala sobre Deus, os homens, o tempo, a ciência, a espiritualidade, entre tantos outros assuntos que lhe são caros. Por vezes, também escreve para as crianças; atividade que considera gratificante. “Encontrar a simplicidade para falar de grandes assuntos com crianças é uma das coisas mais duras que existem. Aprendi que não tenho que rebuscar demais. Devo deixar as imagens desaguarem para o papel. É como Fernando Pessoa escreveu: as ideias se transformam em poemas”, considera o escritor, que falará ao público da Capital no evento que acontece entre os dias 19 e 20 de maio.

A inquietude fez Rubem navegar por uma infinidade de áreas do saber. No seminário, ele queria entender Deus. Mas, certo dia, como uma epifania, percebeu que Ele não pode ser conhecido e as religiões são apenas projeções da alma humana. Em vez de cair no desespero niilista, Rubem apostou suas fichas na filosofia. Tornou-se professor e passou a estudar as ciências, num ramo do conhecimento chamado de Epistemologia. “O problema é que no departamento, todos escreviam de maneira ininteligível. Preferi escrever de modo que todos pudessem compreender, mais simples possível”, pontua. Mais tarde, estudou Psicanálise e atendeu pacientes como terapeuta. Todavia, desistiu ao perceber que poderia ajudar mais escrevendo. Pai de três filhos e casado desde 1959, Rubem já foi chamado de subversivo e perseguido pelo Regime Militar. Decidiu se mudar com a família para os Estados Unidos, permanecendo até terminar o doutorado em Filosofia. Hoje vive em Campinas. Não se lembra da última visita que fez a Campo Grande. Conhece pouco da literatura da região, mas espera ansiosamente para conversar com Manoel de Barros. “Ele é um ‘equívoco’ da natureza”, brinca, usando as palavras como faria o próprio poeta. A vontade de conhecê-lo é antiga e temerosa. “A gente cria uma imagem dos autores que lemos. Encontrá-los é colocar a imagem real frente à imaginária. Quem sabe o que pode acontecer?”, indaga.

PARA LER RUBENS ALVES “Tempus Fugit”

“A caverna e o fogo”

“Conversas sobre política”

Livro de crônicas no qual o escritor fala sobre as coisas cotidianas, como sentimentos, relacionamentos e amigos

Obra infanto-juvenil , faz uma alegoria sobre o aquecimento global tratando de homens que vivem presos dentro de uma caverna e precisam de fogo pra se aquecer

No livro, o escritor estimula o leitor a se posicionar diante da realidade, pensando, sonhando e reivindicando o direito de cumprir seu papel na política

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BH » Um dos principais cartões-postais de Belo Ho-

rizonte, a Igreja São Francisco de Assis da Pampulha, foi o último prédio inaugurado no conjunto arquitetônico assinado pelo arquiteto Oscar Niemeyer. Formas ousadas marcam o projeto que abre mão do convencional em nome da inovação, por meio da estrutura ovalada em concreto armado. O projeto escandalizou a comunidade cristã e, por 14 anos, missas foram proibidas no local. Além de Niemeyer, o artista plástico Candido Portinari assina painéis que representam a Via Sacra no interior da Igreja e o paisagista Burle Marx criou os jardins do local. Por Thiago Andrade Foto Alexis Prappas


"Be么zonte" Mood faz um passeio pela capital mineira e revela cores, sabores e sotaques que encantam visitantes


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Tecnologia e Tradição

Três pavimentos abrigam obras de arte, utensílios domésticos, miniaturas, televisores e outros objetos selecionados pelo museógrafo e designer Gringo Cardia para dar vida às exposições do Memorial. Tudo foi organizado de modo que os visitantes, mais que observar, vivenciem aquilo que está sendo apresentado

Memorial faz com que o público mergulhe no universo cultural mineiro Por Thiago Andrade Fotos Alexis Prappas

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ais que expor a história e a cultura mineira do século 18 aos dias atuais, o Memorial Minas Gerais permite aos visitantes uma viagem interativa pelo tempo. Por meio da fusão entre tecnologia e objetos de época, o museu renova suas funções criando um espaço em que tradição e presente se fundem. Ocupando o antigo prédio da Secretária da Fazenda, o Memorial faz parte do Circuito Cultural Praça da Liberdade, complexo de antigos edifícios públicos de Belo Horizonte que foram restaurados, dando espaço a centros culturais. As 31 salas do local representam desde a história da capital mineira, suas famílias, políticos e o povo, até os artistas antigos e modernos do estado, como Guimarães Rosa, Sebastião Salgado, Humberto Mauro e Lygia Clark. Tudo se divide em três eixos: “Minas Imemorial”, que reúne cenários típicos dos séculos 18 e 19, como fazendas, lavras, quilombos e sítios arqueológicos; “Minas Visionária”, voltada aos conceitos de tradição, entusiasmo e utopia que formam a cultura e o pensamento mineiro; e, finalmente, “Minas Polifônica”, ambiente interativo de arte e conhecimento, retratando a miscigenação da cultura, o barroco, o modernismo e as festas populares.

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A história de MG contada do ponto de vista dos personagens políticos. Na sala “Panteão da Política Mineira” [à esquerda], os quadros são, na verdade, monitores que exibem figuras animadas. Durante 15 minutos, o visitante assiste a um espetáculo audiovisual, em que os personagens dialogam e discutem os pontos polêmicos de um episódio famoso da história brasileira: a Inconfidência Mineira

O cotidiano das vilas mineiras nos séculos 18 e 19 são retratados nessa sala. Durante todo um dia, desde o nascer do sol, seguido do repicar dos sinos, as atividades costumeiras são mostradas em telas espalhadas pelo espaço. As miniaturas reconstituem as construções da época, desde a grande Igreja Matriz às pequenas casas que se amontam nas colinas de Minas Gerais


Longe das cidades, desenvolviam-se atividades fundamentais para o crescimento da sociedade mineira como as criações de gado e o plantio de alimentos. Mobiliário e utensílios domésticos originais podem ser vistos no espaço “A Fazenda Mineira”. Sobre os objetos, todos pintados de branco, são projetados textos informativos, poemas e imagens de filmes do cineasta Humberto Mauro, que realizou produções entre o início e a metade do século passado

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BH CIRCUITO CULTURAL

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rédios que antes ocupavam funções públicas em Belo Horizonte, foram restaurados por meio de parceria entre o Governo de Minas Gerais e empresas privadas – como é o caso da Vale, responsável pela Criação do Memorial, dando espaço ao maior complexo aberto de cultura e lazer do País. O Circuito Cultural Praça da Liberdade conta com cinco espaços em funcionamento. Entre eles, o Centro Cultural Banco do Brasil, o Centro de Arte Popular Cemig, o Espaço Tim UFMG do Conhecimento e o Museu das Minas e do Metal.

Pluralidade de culturas populares gerou em minas um número enorme de celebrações festivas. Elas estão representadas na sala “Celebrações”, que traz também elementos do artesanato regional Vestígios de civilizações milenares podem ser encontrados em cavernas por todo o estado. No ambiente interativo “Minas Rupestre”, paredes rochosas reconstituem as pinturas e marcações feitas há milênios Mais de 500 mil km2 que envolvem diversidade de paisagen. No passado, os “Caminhos e Descaminhos” eram obstáculos para quem buscava riquezas em Minas Gerais. Hoje, oferecem aos visitantes a oportunidade para praticar esportes radicais em meio à exuberância da natureza

SERVIÇO O Memorial Minas Gerais funciona entre terça-feira e sábado, das 12h30 às 18h. Visitas podem ser agendadas diariamente, das 9h às 19h, pelo telefone (31) 3343-7317. Praça da Liberdade, s/nº, esquina com a Rua Gonçalves Dias.

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Botequeiro, sim! Eduardo Maya visita cerca de mil botecos por ano em busca de petiscos criativos, preparados especialmente com ingredientes regionais Por Scheila Canto Foto Beto Eterovick

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oêmio por natureza e gastrônomo por formação, Eduardo Maya é figura conhecida por entre bares, botecos e restaurantes não só de Minas Gerais, onde mora há 25 anos, mas do Brasil. Afinal, ele visita cerca de mil estabelecimentos diferentes por ano e foi dele a ideia de criar o Comida di Buteco, hoje o maior concurso de gastronomia do País. Por isso, este carioca, que já ganhou título de Cidadão Honorário de Belo Horizonte, define-se como "carioca da gema caipira". Nem é preciso argumentar quanto à sua paixão pela culinária brasileira. Mas ele mesmo faz questão de ressaltar: "adoro as combinações pitorescas e a infinidade de produtos que temos em nosso país. Em mãos habilidosas, ingredientes simples resultam em comidas de sabores, cores e aromas inigualáveis".

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O Comida di Buteco foi o grande divisor de águas da história de vida do empresário. A ideia do concurso - que hoje virou evento franquiado - começou em 1999, quando Eduardo trabalhava como produtor e apresentador do programa “Momento Gourmet”, da extinta Rádio Geraes FM. Na época ele apresentou à emissora a proposta de um concurso que elegesse o melhor tira-gosto de boteco da capital mineira. A iniciativa logo ganhou a adesão de João Guimarães, proprietário da emissora, e de Maria Eulália Araújo, diretora-executiva da rádio, que imediatamente sugeriu o nome do evento.


Segundo Eduardo Maya, idealizador do concurso Comidas Di Buteco, Campo Grande está na mira do evento nas próximas edições

Receita

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12ª edição do concurso Comida di Buteco elegeu mais de dez ingredientes para compor os pratos do festival, entre eles está a rapadura. O chefe de cozinha e coordenador do evento, Eduardo Maya descreve uma receita de molho para acompanhar carne serenada. Ingredientes (para 300 gramas de carne): • Rapadura picada (1 colher de sopa) • Manteiga de garrafa (1 colher de sopa) • Caldo de carne diluído (150 ml) • Cachaça (30 ml) • 1 cebola picada • 1 pimenta de cheiro Modo de preparo Em uma frigideira coloque a manteiga de garrafa, a cebola picada e a pimenta de cheiro. Deixe dourar e acrescente a rapadura. Mexa para diluir bem e adicione a cachaça para flambar. Depois misture 150 ml de caldo de carne e mexa até o molho ficar consistente. Finalize derramando o molho sobre a carne fatiada.

Semente que frutificou A primeira edição aconteceu no ano seguinte (2000), em Belo Horizonte, com apenas 10 botecos participantes. O resultado foi melhor que o esperado, com sucesso de público e crítica. Nos anos seguintes, o Comida di Buteco só cresceu, mesmo com o fim da Rádio Geraes FM, em 2005, se tornando uma empresa independente. Para se ter a dimensão do que o concurso é hoje, basta dar uma conferida nos números: está presente em 15 cidades e, só na capital mineira, o público participante é estimado em cerca de 800 mil pessoas por edição, com mais de 160 mil votos nos pratos inscritos, segundo dados do Vox Populi de 2010. A festa "A Saideira" – que tradicionalmente marca o encerramento e a premiação do concurso – se tornou um dos eventos mais esperados da cidade e recebe mais de 26.500 botequeiros nos dias em que é realizado. Para Eduardo Maya o sucesso vai além das estatísticas: "ninguém imagina o quanto é gratificante contribuir para que aquele estabelecimento que estava esquecido ou escondido numa esquina qualquer ganhe repercussão e visitantes como nunca se viu, ou seja, muitos passam de pequenos estabelecimentos a um local gerador de emprego e renda. Isso acontece porque qualificamos a mão de obra dos botecos, em cursos gratuitos realizados com a parceria do Senac. Ganhos como esses são realmente difíceis de contabilizar", explica o botequeiro de plantão. Outro item que Eduardo ressalta é que o concurso acaba propiciando o resgate da culinária de raiz. "Entendo que o evento hoje é um patrimônio brasileiro, pois está efetivamente contribuindo para que o cardápio nacional seja redesenhado, enaltecido e reconhecido pelos brasileiros e até além das fronteiras nacionais", finaliza Eduardo, acrescentando que Campo Grande está na mira do evento para as próximas edições.

O Clube da Esquina

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alento e amizade. Beatles e Nouvelle Vague. Contracultura e existencialismo. Da mistura disso e de muito mais surgiu “Clube da Esquina”, um dos grandes discos da década 1970. Falar da capital de Minas Gerais e se esquecer do grupo iniciado por Milton Nascimento, Wagner Tiso, Fernando Brant, Márcio Borges, Nivaldo Ornelas, Toninho Horta e Paulo Braga, é deixar de lado um dos momentos mais importantes da cultura mineira e, quiçá, brasileira. Em meio ao regime militar, usaram a poesia para protestar e para celebrar. O ponto de encontro era a esquina das ruas Divinópolis e Paraisópolis, no Bairro Santa Tereza. Lá, os músicos se reuniam para as conversas, a cervejinha, os jogos de futebol e, claro, a criação de letras e melodias. Faziam música para o mundo ouvir, mas nunca deixaram de lado o regionalismo. Influência da cidade, talvez, que nunca perdeu o ar de interior, mesmo sendo uma das maiores do Brasil. Gravaram dois discos e, assim como a Lagoa da Pampulha, tornaram-se símbolos maiores de Belo Horizonte. Por Thiago Andrade

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Ronaldo Fraga Loja em Belo Horizonte une moda e arquitetura num espaรงo cheio de originalidade Por Cidiana Pellegrin Fotos Alexis Prappas

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utoral e repleta de identidade brasileira, assim é a moda de Ronaldo Fraga. A cada desfile o estilista escolhe um tema diferente e o revela na passarela. Já criou peças sobre o universo de Carlos Drummond de Andrade, Arthur Bispo do Rosário, Tom Zé e Zuzu Angel. No último lançamento inspirou-se em Athos Bulcão, azulejista e colaborador de Oscar Niemeyer na construção de Brasília e se encantou com a forma sensível do artista integrar a arte à arquitetura. O resultado: uma coleção moderna e gráfica, cheia de poesia. A geometria presente nas pinturas, máscaras, gravuras e fotomontagens de Athos pode ser vista sob o olhar ousado em cada peça do estilista. O modernismo está nas estampas, formas vazadas, tecidos leves e transparentes como tule, seda, linho e tafetá. Com um jeito democrático de ver a moda, esse mineiro lança sua linguagem de estilo de modo abrangente, atendendo os públicos feminino, masculino e infantil.

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As cores preto, cinza-concreto, tangerina, azul e branco prevalecem na coleção inverno 2011 e se harmonizam ao estilo leve de decoração na sua loja em Belo Horizonte. O bairro Savassi, onde está localizada, já foi reduto da efervescência cultural mineira e hoje traz algumas das opções de consumo mais bacanas do país. No espaço comercial de Ronaldo é possível encontrar textos poéticos e balanços de madeira que dão ar teatral ao lugar. A irreverência está também em vários objetos de design dispostos pelo ambiente.

ONDE Rua Fernandes Tourinho n° 81, Belo Horizonte Contato: (31) 3282-5379 www.ronaldofraga.com.br


RONALDO EM RESUMO Mineiro nascido em Belo Horizonte, Ronaldo Fraga se tornou estilista por acaso. Nunca sonhou com a carreira nem teve influências familiares. Iniciou na moda pelo fato de saber desenhar. No início dos anos 90 graduou-se em estilismo pela Universidade Federal de Minas Gerais, buscou especialização na Parson´s School of Design de Nova York e na Saint Martins School de Londres. A marca que leva seu nome foi laçada em 1997 e desde 2001 o estilista integra o calendário oficial da São Paulo Fashion Week. Além de fazer moda uma repleta de referências da arte e de tradições populares, Ronaldo Fraga integra projetos de geração de emprego e renda em cooperativas ligadas ao artesanato. Em Mato Grosso do Sul, um grupo de artesãs de Coxim que utiliza a pele de peixe como matéria-prima participou de oficinas conduzidas pelo mineiro. Recentemente o estilista lançou em São Paulo a exposição “Rio São Francisco Navegado por Ronaldo Fraga,” que esteve na capital mineira em 2010. A mostra (em cartaz até final de junho, no Pavilhão das Culturas Brasileiras), nasceu da pesquisa feita para criar a coleção primavera-verão 2008.

Além dos trabalhos cheios de significados, Ronaldo Fraga é apaixonado por óculos. A peça virou marca registrada de seu visual. Já coleciona mais de 300 modelos. A cada aparição usa um diferente, todos dignos de um ícone do mundo da moda

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BH Cris Guerra O sucesso inesperado em uma história de luto e nascimento Por Cidiana Pellegrin

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scritora, mãe, publicitária e ícone fashion, Cris Guerra faz parte do time de mulheres cheias de atitude. No universo dos blogs, está entre as personalidades mais citadas. Em 2007 criou um diário virtual com a intenção de curar uma dor: o marido faleceu quando estava grávida de oito meses. Resolveu então transformar suas memórias em palavras, para que o filho, um dia, conhecesse o pai. “Escrevi compulsivamente para tirar de dentro de mim o que me machucava e poder seguir em frente,” desabafa. Surgiu assim o blog Para Francisco. Um registro amoroso e humano que não demorou muito para encantar um editor e se concretizar em livro. Quase dois meses depois do primeiro blog, Cris lançou um segundo: o Hoje Vou Assim, com fotografias de looks usados no trabalho. A publicitária caprichava nas produções diárias e sempre associou a “moda como forma de celebrar a vida.” No momento delicado, encontrou o otimismo que precisava. E foi de maneira despretensiosa que o site ganhou destaque entre os navegantes da web, atingindo seis mil visitas diárias. Dona de um estilo mutante, mas com apreço ao clássico e romântico, Cris compõe seus figurinos inspirados no humor do dia. “Para mim a roupa tem esse significado,” conta ela. Pela autenticidade de suas escolhas, a blogueira também se tornou formadora de opinião. Além de escrever para o Hoje Vou Assim, é colunista de moda da Rádio Oi FM Nacional e já cobriu eventos nacionais, como o São Paulo Fashion Week. Mensalmente escreve para as revistas Ragga e Encontro sobre assuntos distantes da moda. Mesmo com a rotina atarefada, o lado mãe sempre prevalece. Cris descreve uma relação de cumplicidade com o pequeno Cisco, como é carinhosamente chamado. “Chegamos ao ponto certo, estou sabendo me comunicar com ele e ele comigo. É um menino doce e bravo na mesma medida, muito companheiro e carinhoso,” revela. O filho, que fez quatro anos recentemente, ainda não conhece as lembranças do pai postadas pela mãe. Cris prefere esperar que tudo aconteça naturalmente. Enquanto isso, o blog Para Francisco continua colecionando histórias pitorescas sobre menino Cisco.

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No detalhe, ternura e cumplicidade entre Cris Guerra e Cisco aos 3 anos. Ao lado, numa produção do blog Hoje vou Assim: “A roupa sempre foi uma tara, desde os tempos em que eu desejava ter peças de marca na adolescência e minha mãe não deixava”

CRIS NA REDE parafrancisco.blogspot.com www.hojevouassim.com.br Primeiro amor Conversando sobre casamentos. – Eu também vou casar. – Vai, filho? Com quem? – Com cê. E um sorriso aberto pra dar o clima. [ Trecho do blog Para Francisco]


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Vinicius Dall’armellina Ideias que transcendem fronteiras

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Por Cidiana Pellegrin Foto Alexis Prappas

uando Vinicius Dall’armellina, executivo de negócios da GE, busca tranquilidade para pensar em novos projetos, seu canto preferido é uma área preservada do bairro Belvedere, onde reside. O local oferece uma vista incrível da capital mineira, que ele contempla com calma pelo menos uma vez por semana. “Gosto daqui porque vejo o horizonte. Tenho a impressão de um mundo imenso e que o meu canto está, na verdade, em diversos lugares”. Dono de um espírito aventureiro, Vinicius já morou em 13 lugares diferentes, entre eles Campo Grande. Seus pais se mudaram para cá quando era adolescente. Após se formar em Direito esse mineiro decidiu cursar uma especialização em Portugal. Como profissional atuou em multinacionais dos segmentos de logística e alimentos.

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Mas a inquietude e o desejo de experimentar sensações diferentes o levaram a África. Vinicius morou por dois meses em Gana onde colaborou com uma ONG voltada a refugiados da Libéria. “Queria trabalhar na área humanitária e precisava testar se me adaptaria” declara entusiasmado. Hoje as viagens ao continente acontecem por motivos empresariais. Mas o executivo ainda mantêm bem vivo o plano “de acumular capital e dentro de alguns anos retornar ao trabalho com refugiados de guerra na África”.


Um belo horizonte de montanhas e sabores “Passear, andar pelas ruas de BH por si só já é uma viagem” Por Theresa Hilcar* Foto Alexis Prappas

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capital de Minas é conhecida por vários nomes: Belo Horizonte, Beôzonte, BH, Belorizonte, Belô, com ou sem sotaque mineirês. Mas a metrópole que hoje abriga mais de três milhões de habitantes, terceira capital mais importante do país, referência na moda, cultura e gastronomia – entre outras coisas, ainda guarda os resquícios do tempo em que era simplesmente chamada de “Serra do Curral”, nome que ganhou quando foi fundada há 113 anos. A cidade projetada e construída para ser a capital de Minas Gerais é povoada de mineiros de todas as cidades do estado. É um retrato, digamos, cosmopolita do interior mineiro. BH é a síntese do interior do estado e quem não gosta do provincianismo típico das cidades pequenas costuma não se adaptar à cidade. É fato. O contrário também é a pura verdade. O escritor e saudoso amigo, Roberto Drumond nunca quis sair de BH. Nem o sucesso de “Hilda Furacão” o fez migrar para o eixo Rio-São Paulo como fizeram vários de seus contemporâneos. E talvez por isto o sucesso tenha chegado um pouco tarde a ele, que morreu pouco depois do tão almejado “sucesso nacional”. Assim como Drumond, existem centenas de talentos que nunca saíram da cidade – e nem querem. De uma coisa ninguém duvida: Belo Horizonte é uma bela cidade para ver, ouvir e sentir. As montanhas que a cercam inspiram músicos, escritores e poetas. Cultura é o que não falta por lá. Literatura, teatro, dança, canto, artesanato, artes plásticas, nascem feito jabuticaba – uma das frutas mais típicas de Minas. E tudo, digase de passagem, da melhor qualidade. A cidade só gosta do que é bem feito. E não se importa se isto vai ou não fazer sucesso em outras praças. O povo de lá faz o melhor para eles mesmos. Passear pelas ruas de BH por si só já é uma viagem. Experimente tomar um táxi “baratérrimo”, dar uma volta pela cidade e apreciar a arquitetura dos edifícios centenários, começando pela Praça da Estação, indo além da imensa e linda Avenida Afonso Pena, passando pela famosa região da Savassi – onde fervilham bares, restaurantes e lojas chiques e chegando até os altos da cidade, no bairro Belvedere, onde Oscar Niemayer construiu o palácio/residência do governador. Quem gosta de boêmia deve dar um pulo no tradicional bairro Santa Tereza e passar na esquina que inspirou a música de Milton Nascimento. E com sorte pode até encontrar com ele em algum bar da região. A esta altura, o motorista, além de explicar tudo nos mínimos detalhes, deve contar histórias hilárias sobre cada lugar. Aliás, “ô povo conversadeiro”, o belorizontino. De política, gente, comida, música e bordado, eles dão notícia de tudo. Ah! E se você por

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O Abraço, obra de Alfredo Ceschiatti. Representa duas mulheres abraçadas. Considerada imoral pelos mineiros, ficou guardada muitos anos até ser finalmente exposta em um jardim da Pampulha

acaso não tiver trocado eles simplesmente dizem: ”Liga não sô, da próxima vez o senhor paga!”. Verdade, verdadeira! Belorizontino faz conta de um tostão, mas pode perfeitamente deixar de cobrar alguma coisa, principalmente se ele foi com a cara da pessoa. Agora se o papo é boteco, aí não tem pra ninguém. A capital mineira tem mais boteco por metro quadrado do que imagina sua vã filosofia. É uma instituição, assim como “o pão de queijo nosso de cada dia”. E com um detalhe: todos eles ficam lotados de segunda a segunda. E tem boteco pra todos os gostos. Desde os tradicionais no Mercado Central – que lotam principalmente aos sábados e domingos, até os mais sofisticados que servem até champanhe “geladérrima”. Coisa de belorizontino. Mal comparando, é como uma Londres, que ao invés de pub tem boteco. Se não tem motivo pra beber, eles inventam. E tudo acompanhado dos petiscos tradicionais: linguicinha, queijo (mineiro, claro!), mandioca frita e um sem número de iguarias. Mas nem só de boteco é feita a cidade. São centenas de restaurantes para todos os gostos e bolsos. Sair para almoçar ou jantar na capital mineira é um programa e tanto. A comida bem feita, o atendimento gentil e os preços inacreditáveis fazem dela um dos melhores lugares pra comer e se divertir em alto estilo. Um dos meus preferidos é o Taste Vin, um bistrô especializado em suflês que a gente come rezando. Além da boa comida, BH é um excelente lugar para fazer compras, principalmente de roupas, sapatos e decoração. Tudo “Made in Minas”. Para quem não se preocupa com grifes e gosta de bons preços a cidade é prato cheio. Porque a gente nunca pode esquecer que mineiro é mesmo pãoduro. E belorizontino é mais ainda. Por isso “trem” caro lá não rola mesmo. Mas tem que ser “bão demais, sô...” Belo Horizonte é sem dúvida o típico lugar que faz qualquer pessoa se sentir em casa. Quando estou na cidade tem três coisas que eu não abro mão: ir a uma das dezenas – e excelentes – salas de cinema que lá existem, rever os amigos que, não obstante o tempo e a distância, sabem como poucos preservar uma boa amizade, e caminhar na Praça da Liberdade. É lá, em meio às palmeiras imperiais e ao burburinho de sotaque mineiro que eu fico pensando seriamente: por que é que vivo fugindo tanto de Minas? Vai saber.

*Jornalista, escritora, membro da Academia Sulmatogrossense de Letras e mineira, naturalmente.


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Mood Life #15 Maio 2011