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REPRESENTAÇÕES PROFISSIONAIS E NECESSIDADES DE FORMAÇÃO O CASO DOS JOVENS NO CONCELHO DE ARRAIOLOS

LEVANTAMENTO, CARACTERÍSTICAS E NECESSIDADES DAS EMPRESAS DO CONCELHO DE ARRAIOLOS


Ficha técnica Autores: João Antunes e José Ferreira Edição: Monte - Desenvolvimento Alentejo Central, A.C.E. Data: Fevereiro 2005 Número de exemplares: 500 Coordenação do estudo: Marta Alter Aplicação dos questionários nas empresas: Alexandra Rosado

Este estudo foi apoiado pelo Eixo 5 do Programa Operacional de Emprego, Formação e Desenvolvimento Social (P.O.E.F.D.S.) através da medida 5.1. APOIO AO DESENVOLVIMENTO SOCIAL E COMUNITÁRIO 5.1.2. DESENVOLVIMENTO SÓCIO COMUNITÁRIO 5.1.2.1 PROMOÇÃO DA PARTICIPAÇÃO E DA ACÇÃO COMUNITÁRIA


Índice 08 Preâmbulo 10 Apresentação do Monte 12 Apresentação do projecto “CASA - Rede de Solidariedades” 13 1.ª PARTE: REPRESENTAÇÕES PROFISSIONAIS E NECESSIDADES DE FORMAÇAO O CASO DOS JOVENS NO CONCELHO DE ARRAIOLOS

15 Agradecimentos 16 Introdução 18 Caracterização socio-económica de Arraiolos 27 Descrição do sector de Emprego em Arraiolos 30 Educação. 32 Metódos e técnicas utilizadas 32 Comportamentos e hábitos juvenis em Arraiolos 34 Os jovens de Arraiolos e a encruzilhada: profissões, formação, educação, representações e valores

34 36 39 39 40 40 41 41 44 45 45 46 48

Caracterização da amostra Ambiente familiar e sócio-económico Mobilidade e transporte dos jovens Experiência em actividades próximas das profissões O factor “ganhar bem”. Representações acerca da escola O futuro profissional? Começa hoje Profissões que os jovens gostariam de vir a exercer Representação do género na escolha profissional Razões de escolha das profissões Percurso para seguir as escolhas profissionais Continuar os estudos! Onde? Potenciais dificuldades no trajecto do percurso profissional

49 Comportamento entre variáveis 54 Recomendações e conclusões 58 Bibliografia 59 2.ª PARTE: LEVANTAMENTO, CARACTERÍSTICAS E NECESSIDADES DAS EMPRESAS DO CONCELHO DE ARRAIOLOS

60 Introdução 61 Análise regional 61 A população 63 As empresas 65 Emprego e formação

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66 Análise da amostra inquirida 66 Grupo 1: Identificação da empresa e do inquirido 67 Grupo 2: Caracterização das empresas 68 Grupo 3: Estrutura demográfica da mão-de-obra 68 Grupo 4: Proveniência da mão-de-obra 69 Grupo 5: Oferta de formação 69 Questão 6: Necessidades de formação 70 Grupo 7: Previsão de desenvolvimento 70 Grupo 8: Apoios às empresas 71 Questão 9: Qualidade e ambiente 73 Análise SWOT Forças, Fraquezas, Oportunidades, Ameaças 73 Acções a desenvolver 74 Formar empreendedores 74 Apoiar empreendedores 75 Formar quadros. 76 Bibliografia 77 ANEXOS 78 Representações profissionais e necessidades de formação dos jovens - Modelo de questionário aplicado aos Jovens

82 Levantamento, características e necessidades das empresas - Modelo de questionário aplicado às Empresas

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Índice de quadros, gráficos, mapas e pirâmides 11 Gráfico: A actividade do Monte, por eixos de intervenção, em 2004 13 1.ª PARTE - REPRESENTAÇÕES PROFISSIONAIS E NECESSIDADES DE FORMAÇÃO: O CASO DOS JOVENS NO CONCELHO DE ARRAIOLOS

19 Quadro n.º1: Áreas e densidade populacional 20 Quadro n.º2: População residente por freguesia 27 Quadro n.º3: Repartição da população do concelho de Arraiolos por sectores de actividade

28 Quadro n.º4: Número de estabelecimentos no concelho de Arraiolos em 1991 e 2000

29 Quadro n.º5: Número de pessoas ao serviço no concelho de Arraiolos em 1991 e 2000

30 31 31 42

Quadro n.º6: População Residente segundo o nível de Ensino Quadro n.º7: Caracterização das Escolas do concelho de Arraiolos em 2003/2004 Quadro n.º8: Número de alunos por Ciclo em Arraiolos no ano lectivo 2005/2006 Quadro n.º9: Sequência das profissões de cada jovem com ideia formada acerca da profissão

47 Quadro n.º10: Profissão escolhida em primeiro lugar pelos jovens e profissões dos pais

49 49 50 50 51 51 52 53

Quadro n.º11: Repetência por freguesia Quadro n.º12: Repetência e transporte para a escola Quadro n.º13: Transporte por freguesia Quadro n.º14: Causas repetência por género Quadro n.º15: Repetência e influência dos pais Quadro n.º16: Número de irmãos e causas repetência Quadro n.º17: Análise SWOT - Forças, Fraquezas, Oportunidades, Ameaças Quadro n.º18: Esquema lógico de interacção e organização social

23 Gráfico n.º1: População residente segundo a analfabetismo - sabe ler e escrever 23 Gráfico n.º2: População residente segundo a analfabetismo - não sabe ler nem escrever 24 Gráfico n.º3: População residente que sabe ler e escrever segundo a qualificação académica - com qualificação académica - Ensino Básico

25 Gráfico n.º4: População residente que sabe ler e escrever segundo a qualificação académica - Ensino médio

25 Gráfico n.º5: População residente que sabe ler e escrever segundo a qualificação académica - Ensino secundário

26 Gráfico n.º6: População residente que sabe ler e escrever segundo a qualificação académica - Ensino Superior

34 Gráfico n.º7: Idade dos jovens inquiridos projecto CASA rede de solidariedades 5


34 Gráfico n.º8: Sexo dos jovens inquiridos 35 Gráfico n.º9: Localidades de residência dos inquiridos 18 18 18 19 21 22

Mapa n.º1: Portugal Continental Mapa n.º2: Alentejo Central Mapa n.º3: Freguesias do concelho de Arraiolos Mapa n.º4: Total da população residente Mapa n.º5: População residente segundo o grupo etário 10 - 14 Mapa n.º6: População residente segundo o grupo etário 15 - 19

20 Pirâmide: População residente por grupo etário 59 2.ª PARTE - LEVANTAMENTO, CARACTERÍSTICAS E NECESSIDADES DAS EMPRESAS DO CONCELHO DE ARRAIOLOS

61 Quadro n.º1: População, variação da população e densidade populacional no Concelho de Arraiolos

62 Gráfico n.º1: Variação da população no concelho de Arraiolos, total e componentes crescimento natural e saldo migratório

62 Gráfico n.º2: Composição da população do concelho de Arraiolos por grandes grupos de idades e por sexos

63 Gráfico n.º3:Valor das vendas das empresas por habitante em idade activa e concelho 64 Gráfico n.º4: Correlação entre o volume de vendas e o número de empresas nos concelhos e entre o volume de vendas e o número de empresas por habitante em idade activa

64 Gráfico n.º5: Número de empresas e número de trabalhadores no concelho por CAE - Rev. 2

65 Gráfico n.º6: Distribuição da população activa segundo condição perante o trabalho 65 Gráfico n.º7: Níveis de escolaridade da população do concelho de Arraiolos por géneros

66 67 67 68 68 69

Gráfico n.º 8: Empresas inquiridas segundo CAE - Rev. 2 Gráfico n.º 9: Empresas inquiridas segundo o número de trabalhadores Gráfico n.º10: Empresas inquiridas segundo o volume de vendas Gráfico n.º11: Estrutura demográfica da mão-de-obra das empresas inquiridas Gráfico n.º12: Local de proveniência da mão-de-obra das empresas inquiridas Gráfico n.º13: Necessidades de formação identificadas pelas empresas inquiridas, agrupadas em áreas temáticas

70 Gráfico n.º14: Perspectivas de evolução das empresas inquiridas 70 Gráfico n.º15: Conhecimento dos inquiridos acerca de alguns dos apoios disponíveis para as empresas

71 Gráfico n.º16: Grau de implementação de sistemas de gestão e práticas de gestão nas empresas inquiridas

72 Gráfico n.º17: Participação das empresas inquiridas no processo Agenda 21 Local de Arraiolos

73 Quadro n.º1: Análise SWOT - Forças, fraquezas, oportunidades, ameaças.


PREÂMBULO A publicação de dois estudos sobre o Concelho de Arraiolos, integra-se no projecto de desenvolvimento sóciocomunitário “CASA - Rede de Solidariedades” (2004-2005), que tem por objectivo, entre outros, reforçar a empregabilidade e a inserção no mercado de trabalho da população (activa) do concelho, tendo particularmente em atenção, as especificidades dos jovens aí residentes e as características do mercado de trabalho do concelho. Com os dois estudos trabalha-se o que do nosso ponto de vista constituem dois dos vértices da empregabilidade: a formação profissional da população activa e a escolarização dos mais jovens; o reforço e interacção que se possam fazer entre as duas realidades, contribui para o desenvolvimento do emprego, do mercado, e como tal, para o desenvolvimento económico e social do Concelho. A formação profissional apresenta-se como um instrumento que deve ser utilizado para reforçar a inserção no mercado de trabalho e a competitividade empresarial. Como se pode ler das conclusões do segundo estudo aqui apresentado e que incide sobre as necessidades de formação profissional do tecido empresarial de Arraiolos, esta não tem estado integrada na base da estratégia de desenvolvimento das empresas. A ausência deste domínio na estratégia empresarial não aparece isolada, mas antes corresponde a uma das características do aparelho produtivo do concelho que se apresenta muito heterogéneo, e revela grande desconhecimento de outros instrumentos de apoio à gestão, que por esse motivo, não são sequer equacionados em termos de desenvolvimento empresarial. Mas o referido estudo, também mostra que as empresas instaladas gostariam que os seus trabalhadores possuíssem maior for8

mação e, simultaneamente, mais adequada às diferentes necessidades produtivas. Com efeito, o nível de escolaridade dos trabalhadores, na sua grande maioria mulheres, é em geral muito baixo, e não está adaptado às necessidades especificas das micro-empresas do concelho. À semelhança dos empregadores, também os jovens que frequentam o 9.º Ano de Escolaridade da Escola Básica dos 2º e 3º Ciclos e Secundário Cunha de Rivara de Arraiolos, demonstram alguma falta de informação. Os jovens têm um conhecimento muito fraco dos percursos formativos, alternativas e oportunidades que lhe estão associadas, e este será concerteza um dos factores que contribui para o insucesso e o abandono precoce da escola. Como todos os jovens, os de Arraiolos são ambiciosos e possuem expectativas elevadas para o seu futuro profissional; mas é quase apenas neste plano que conseguem perspectivar o seu futuro. Quando questionados para saídas profissionais e percursos formativos concretos, as respostas são irrealistas; desconhecem as relações e as necessidades de formação necessárias às escolhas profissionais que indicam. Por um lado, a comunidade escolar e a família são agentes fundamentais para a inversão deste processo. Contudo, os jovens registam a falta de abertura da escola à comunidade e ao apoio no seu processo de desenvolvimento educativo e profissional. Por outro lado, a família e a organização social constituem um meio pouco propício para melhorar a capacidade de escolha dos jovens do seu processo de desenvolvimento, conforme o primeiro estudo demonstra; embora os jovens procurem saídas profissionais claramente diferentes das dos seus encarregados de educação, não encontram


na família disponibilidade de informação que os apoie no processo de escolha profissional; não obstante esta necessidade e afirmação de mobilidade profissional (e social), os jovens não conhecem o tecido empresarial do concelho, mas tão só os Tapetes de Arraiolos. A certeza de que há muito trabalho a fazer nas vertentes analisadas pelos dois estudos é evidente. E é nessa perspectiva que se posiciona o Agrupamento Monte quando se abalança a apresentar publicamente os resultados dos trabalhos e a trazer para discussão as recomendações propostas. Mas como os jovens de Arraiolos, o Monte igualmente jovem na sua intervenção em Arraiolos, desafia os agentes do Concelho de Arraiolos a comprometerem-se com o futuro, e com as recomendações e intervenções propostas nos trabalhos. Pela nossa parte é isso que faremos, sendo certa a determinação de continuar a trabalhar no processo de desenvolvimento de competências e de fixação dos recursos humanos no Concelho. Os resultados dos estudos realizados são válidos por si só: quer na vertente empresarial quer na vertente de trabalho junto dos jovens residentes no Concelho; mas a realidade económica e social de um território é dinâmica e as variáveis cruzam-se nos seus efeitos e nas suas causas. E foi por essa razão que decidimos apresentar os estudos juntos, para provocar a discussão conjunta dos temas.

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APRESENTAÇÃO DO MONTE O Monte - Desenvolvimento Alentejo Central, A.C.E. é uma Organização Não Governamental para o Desenvolvimento (ONGD), criada em 1996, com sede na Vila de Arraiolos. É uma entidade privada sem fins lucrativos que tem como sócios quatro associações de desenvolvimento local, que representam 679 entidades das quais 16% são entidades colectivas e as restantes, pessoas em nome individual. É uma entidade reconhecida pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, desde 11 de Novembro de 2002. Inscrita na Plataforma Portuguesa das ONG desde Março de 2005. O Monte é uma Entidade Formadora Acreditada pelo Instituto para a Qualidade na Formação (IQF) , nos seguintes domínios: diagnóstico de necessidades de formação; planeamento de intervenções ou actividades formativas; concepção de intervenções, programas, instrumentos e suportes formativos; organização e promoção de intervenções ou actividades formativas; desenvolvimento/execução de intervenções ou actividades formativas e outras formas de intervenção. A equipa técnica do Monte em 2005 é composta por 14 elementos de áreas de competências diversas; nove elementos trabalham a tempo inteiro na organização, abrangendo formação de nível superior na área da agricultura e desenvolvimento rural, economia, sociologia, e relações internacionais; os cinco assessores prestam consultoria na área jurídica, informática, recursos humanos, contabilidade, e avaliação. No conjunto dos 14 elementos, 64% são do sexo feminino. A Administração do Monte é composta por quatro elementos do sexo masculino; as funções de administração são exercidas a título de trabalho voluntário; na sua vida profissional os quatro elementos são professores universitários e de liceu. Os recursos humanos a trabalhar na parceria 10

Monte são bastante mais numerosos e dos 25 elementos predominam os recursos humanos com formação de nível superior, e do sexo feminino. O Monte é uma parceria territorial cuja intervenção se baseia na complementaridade encontrada entre as quatro associações para a definição de um projecto de desenvolvimento local, numa perspectiva integrada e sustentável do território. A nossa missão consiste no desenvolvimento de intervenções que contribuam e promovam o desenvolvimento rural da região do Alentejo Central. O Monte desenvolve intervenções de carácter sócio-económico, através de acções de formação profissional, de incentivo à criação de (auto)emprego, de estímulo à cooperação entre agentes e territórios, e de valorização das identidades local e regional. Do conjunto das intervenções do Monte, destacam-se as Iniciativas Comunitárias Leader II, Leader+ e EQUAL, os Programas Recite II e ECOS-Ouverture, várias intervenções de iniciativa nacional no plano do emprego e alguns projectos de Cooperação Territorial com países africanos de língua oficial portuguesa. A intervenção do Monte é integrada para mais eficazmente responder aos problemas dos destinatários e sustentável do ponto de vista local. A estratégia desenhada passa pela dinamização da Economia Rural, através da promoção de oportunidades de emprego e da rentabilização das potencialidades e recursos locais, criando estratégias de economia social para cidadãos desfavorecidos. O Monte tem mobilizado em torno dos seus parceiros a defesa de uma metodologia de intervenção que se sobrepõe à lógica própria dos programas e dos apoios disponíveis, em cada momento. Tal significa que a gestão de


projectos multidimensionais e de abordagens ascendentes e integradas não esgotam a metodologia de intervenção do Monte: os programas que gere servem a sua metodologia de intervenção; a sua intervenção baseia-se nos princípios da subsidariedade e de gestão local participada.

em rede que se desenvolvem as parcerias locais, são estabelecidos os contactos adequados à dinamização de acções e projectos, são concebidos instrumentos específicos de intervenção, circula a informação, aprofunda-se o conhecimento, reforça-se a intervenção e as solidariedades locais.

O fenómeno da exclusão social é complexo e transversal às políticas e programas. Face às necessidades diagnosticadas, o Monte aposta no reforço das competências técnicas, e na cooperação entre agentes nas respostas aos problemas do território e de públicos desfavorecidos, nomeada-mente através da intervenção activa principal-mente nos seguintes núcleos de trabalho: Rede Social, REAPN (EAPN), Rede Temática Equal, R.M.G./R.S.I., Agenda 21 Local .

A avaliação de impacte das intervenções do Monte são globalmente positivas nas várias dimensões do desenvolvimento social e económico da Região do Alentejo Central. No que diz respeito à avaliação final das intervenções e tomando por referência o exercício de 2004, verificou-se que o Monte intensificou a sua actividade, ao nível dos vários eixos de intervenção, tendo aumentado o volume de recurso mobilizado e o número de beneficiários directos e indirectos das suas intervenções. A distribuição por eixos de intervenção da actividade desenvolvida pelo Monte em 2004, operou-se conforme gráfico que se apresenta a seguir:

Este trabalho é facilitado pelo funciona-mento em rede da parceria Monte: cada uma das Associações funciona como uma estrutura descentralizada do Monte. É através do trabalho

Gráfico A actividade do Monte, por eixos de intervenção, em 2004

O Eixo III - Intervenção Social - Qualificação, Emprego e Inserção Profissional, foi a área de actividade mais significativa nos meios e recursos mobilizados pelo Monte em 2004, nela estando incluída o Projecto CASA - Rede de Solidariedades do Eixo 5 - Promoção do Desenvolvimento Social Em termos financeiros, a actividade desenvolvida no Eixo III, envolveu montantes na ordem dos 494 mil euros o que representa

um crescimento na ordem dos 17% comparativamente a 2003. Em termos de impactos directos, em 2004 a actividade abrangeu directamente 131 beneficiários, o que representa uma variação positiva de 8% face ao ano anterior. Relativamente à inserção no mercado de trabalho dos beneficiários das actividades formativas manteve-se a taxa de inserção no mercado de trabalho na ordem dos 50% registada em 2003.

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APRESENTAÇÃO DO PROJECTO “CASA - REDE DE SOLIDARIEDADES” O “CASA - Rede de Solidariedades” é um projecto de desenvolvimento sócio-comunitário promovido pelo Monte - Desenvolvimento Alentejo Central, A.C.E. A zona de intervenção deste projecto corresponde às sete freguesias do Concelho de Arraiolos, nomeadamente: Vimieiro, Igrejinha, Santa Justa, São Gregório, São Pedro da Gafanhoeira, Sabugueiro e Arraiolos. Este projecto decorre entre Março de 2004 e Dezembro de 2005. Os principais objectivos deste projecto são: reforçar o espaço relacional de integração sócio-profissional dos grupos - jovens em risco, jovens à procura de primeiro ou novo emprego, mulheres, desempregados de longa duração, imigrantes e minorias étnicas, e beneficiários do Rendimento Social de Inserção - com particulares dificuldades de inserção e acesso ao mercado de trabalho, através de um conjunto integrado de actividades de promoção da cidadania e participação; reforçar a empregabilidade e a inserção no mercado trabalho, através do desenvolvimento de um conjunto de acções formativas orientadas e estruturadas à medida das necessidades dos grupos - alvo da intervenção; Em termos específicos o CASA - Rede de Solidariedades, pretende atingir os seguintes objectivos: reforçar a participação e a inserção sócio -profissional dos grupos alvo da inter12

venção, através do reforço da participação e envolvimento da(s) comunidade(s) locais, nomeadamente tendo presente a reanimação de actividades e vivências culturais, e valorização dos recursos e saberes locais ; reforçar a empregabilidade, através de acções que possibilitem uma melhor adequação dos grupos alvos às necessidades e oportunidades do mercado de trabalho; reforçar as qualificações, adaptando acções e conteúdos de forma a melhorar as competências finais dos grupos desfavorecidos, e reforçando a capacidade dos agentes que intervém junto destes grupos. Um projecto deste tipo envolve muitos destinatários e apenas com uma rede de parceiros forte e activos é possível desenvolver um projecto como este. Os parceiros foram formais e informais; foram formalizadas parcerias com: Câmara Municipal de Arraiolos; Santa Casa da Misericórdia de Arraiolos; Santa Casa da Misericórdia do Vimieiro; Escola Básica dos 2º e 3º ciclo com Ensino Secundário Cunha Rivara de Arraiolos; Agrupamento de Escolas de Arraiolos; CIDM - Comissão para a Igualdade e para os Direitos das Mulheres; CEAI - Centro de Estudo da Avifauna Ibérica; DECO - Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (Delegação Regional de Évora) e CLAI - Centro Local de Apoio ao Imigrante de Évora.


1ª PARTE: REPRESENTAÇÕES PROFISSIONAIS E NECESSIDADES DE FORMAÇÃO. O CASO DOS JOVENS NO CONCELHO DE ARRAIOLOS


“Alarga o teu hor izonte Mostra-me os teus sonhos Sonhar é uma vir tude Dá força e atitude

É uma escolha tua Agarra a vida É uma escolha que se tem Se queres ir mais além...”

Hino do Programa “Escolhas” (VILAÇA: 2004: 196)

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AGRADECIMENTOS Uma investigação deste tipo vai para a frente com o apoio de muitas pessoas. Por isso, este é o espaço indicado para agradecer a todos cujo contributo e envolvimento neste processo foi não só uma realidade, como também um marco para a progressão deste estudo. Uma palavra muito especial para todos que, directa ou indirectamente, colaboraram em algum momento na evolução deste estudo. Uma palavra de agradecimento para o para o Presidente da Câmara Municipal de Arraiolos, Sr. Jerónimo Loios, Prof. Joaquim Mira, a Prof.ª Anabela Garcia e Dr.ª Liliana Araújo da Escola Básica dos 2º e 3º Ciclos e Secundária Cunha Rivara de Arraiolos. Gostaríamos também de lembrar todos cuja participação em algum momento no âmbito do projecto “CASA - Rede de Solidariedades” foi essencial para o desenvolvimento deste. Agradecemos especialmente a todos os parceiros envolvidos neste projecto conjunto, mas também uma palavra de apreço para os destinatários e participantes nas actividades do projecto. A participação activa de todos os agentes e públicos materializou-se num contributo decisivo para o desenvolvimento deste e consequentemente, para o desenvolvimento sóciocomunitário da bonita vila de Arraiolos.

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INTRODUÇÃO Vivemos numa sociedade global onde o local ocupa um espaço decisivo na afirmação e na identidade das populações e indivíduos. Importa de facto conhecer o não local - global, para compreender o próprio local, por isso, a sociedade do conhecimento é essencial para planear as intervenções através da execução de políticas e programas de desenvolvimento. O progresso faz-se através da educação, formação e desenvolvimento de competências das pessoas, e aqui incluímos tanto os jovens como os adultos. Porém, os destinatários desta investigação são os jovens de Arraiolos. “...seria necessário promover uma maior articulação entre a oferta de formação e a necessidade do mercado de trabalho em termos de mão-de-obra, ou seja, existe a necessidade de uma comunicação entre por um lado o sistema de ensino e formação e, por outro lado, as entidades empregadoras” (SILVA e OLÍMPIO, 2003: 51). O principal objectivo deste estudo é o de compreender quais as representações sócio-profissionais dos jovens do concelho de Arraiolos em relação às profissões e às actividades formativas que tiveram, têm ou virão a ter no futuro. No fundo, o objectivo global deste trabalho é traçar cenários prospectivos para a formação profissional do concelho, isto é, conhecer e compreender as representações e motivações sócioprofissionais dos jovens. Através da realização deste estudo importa alcançar os seguintes objectivos: compreender se os jovens conhecem os percursos formativos que têm de efectuar para desempenhar uma determinada profissão;

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conhecer se as representações profissionais dos jovens do concelho vão ao encontro dos recursos locais existentes; permitir às entidades formadoras um conhecimento exacto das necessidades formativas do concelho, visa essencialmente o planeamento para intervenção futura; possibilitar no futuro uma maior sinergia entre entidades com responsabilidades formativas e/ou profissionais; comparar as motivações formativas e profissionais dos jovens com as necessidades e características das empresas locais. “... é necessário que os jovens adquiram uma série de capacidades, atitudes e competências no sentido de assumirem uma maior flexibilidade e capacidade de integração profissional” (SILVA e OLÍMPIO, 2003: 51). Apesar de haver alguma linguagem mais técnica, certa recorrência a dados estatísticos, e outras dificuldades, esperamos poder construir com este estudo um documento válido, de fácil leitura e um referencial para o conhecimento acerca da realidade dos jovens no concelho de Arraiolos. A metodologia assenta especialmente numa análise longitudinal, porém, temos humildade para pensar este estudo como um meio e não como um fim em si, tal como dizia o poeta “o caminho faz-se caminhando” e tanto melhor se feito com candeias. Esperamos ter construído uma. Importa ter presente o importante papel da escola, mas também o papel da formação profissional, sobretudo as suas histórias e


evoluções. A escola comporta um duplo papel, ela pode ter uma ligação forte com a formação profissional, mas a formação profissional pode ser frequentada por pessoas fora do sistema educativo1. Será que pelo facto de Arraiolos ser um concelho rural, o pensamento e a acção dos jovens das freguesias rurais de Arraiolos é actualmente condicionado por essa cultura e mentalidade? Ou pelo contrário, o urbano ocupa cada vez mais espaço nas ideologias e mentalidades dos jovens no meio rural? Até que ponto as profissões ligadas à ruralidade fazem parte do imaginário dos jovens de hoje? Colocamos a seguinte hipótese: será que a condição sócio-económica dos pais tem influência na progressão escolar dos seus filhos? E nas representações sócio-profissionais dos jovens? Paulo Pedroso entende existir uma relação clara entre as classes populares e os jovens sem grande ascensão escolar2.

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“A formação profissional como modalidade especial de educação escolar surge com o duplo objectivo de constituição de uma via de recorrência para jovens que concluem a escolaridade obrigatória sem as habilitações correspondentes e de alternativa ao ensino secundário para aqueles que a concluíram com êxito” (PEDROSO, 1998: 104). 2

“Verifica-se assim a existência de um processo de selectividade escolar na base, que implica que as classes populares estejam relativamente menos presentes quando se progride na hierarquia escolar” (PEDROSO, 1998: 157).

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CARACTERIZAÇÃO SOCIO-ECONÓMICA DE ARRAIOLOS A Vila de Arraiolos apresenta traços específicos do Sul. Localizada na Região do Alentejo Central, conjuntamente com os concelhos de Mora, Estremoz, Borba, Vila Viçosa, Redondo, Alandroal, Reguengos de Monsaraz, Mourão, Portel, Viana do Alentejo, Montemor-o-Novo, Vendas Novas e Évora. É essencialmente um concelho rural, mas Arraiolos tem duas áreas de influência urbana: Évora a sul e Estremoz a oriente. Apesar de haver vantagem nesta proximidade, este posicionamento face a zonas urbanas tem condicionado o seu desenvolvimento.

Mapa nº1: Portugal Continental

Mapa nº 2: Alentejo Central

Fonte: Associação Nacional de Municípios Portugueses http://www.anmp.pt

Mapa nº 3: A distribuição espacial das freguesias de Arraiolos


Mapa n.º 4: Total da população residente (Freguesias do concelho de Arraiolos)

Legenda: Valor Mínimo (>): 226 Valor Máximo....: 3549 Valor do Ponto...: 37 INE, Recenseamento Geral da População e Habitação, 2001 (Resultados Definitivos)

Desde 1940, o concelho de Arraiolos tem vindo a perder população. Na década de 90, o concelho de Arraiolos perdeu população em todas as freguesias. Em termos de densidade populacional, as freguesias com maior densidade populacional são as de Arraiolos e de Gafanhoeira (São Pedro).

Quadro n.º 1: Áreas e densidade populacional UNIDADE GEOGRÁFICA ARRAIOLOS IGREJINHA SANTA JUSTA SÃO GREGÓRIO GAFANHOEIRA (SÃO PEDRO) VIMIEIRO SABUGUEIRO TOTAL

ÁREA KM2 146,31 84,63 42,9 74,36 42,2 252,47 41,19 684,06

DENSIDADE POPULACIONAL (2001) 24,26 9,09 5,27 5,33 14,76 6,34 11 11,13

INE, Recenseamento Geral da População e Habitação, 2001 (Resultados Definitivos)

Como constatamos, a maior freguesia em termos de área é o Vimieiro (252 km2), seguido de Arraiolos. Porém, quanto à densidade populacional, a freguesia mais povoada é Arraiolos (24 pessoas por km2) e São Pedro da Gafanhoeira (15 pessoas por km2). A freguesia com menor área é Sabugueiro, São Pedro da Gafanhoeira e Santa Justa. Contudo, a freguesia com menor densidade populacional é Santa Justa (5 pessoas por km2), e igualmente São Gregório (também 5 pessoas por km2).

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Quadro n.º 2 : População residente por freguesia UNIDADE GEOGRÁFICA ARRAIOLOS IGREJINHA SANTA JUSTA SÃO GREGÓRIO GAFANHOEIRA (SÃO PEDRO) VIMIEIRO SABUGUEIRO TOTAL

TOTAL 1991 [NÚMERO] 3599 824 280 529 679 1770 526 8207

TOTAL 2001 [NÚMERO] 3549 769 226 396 623 1600 453 7616

VARIAÇÃO TOTAL [NÚMERO] -50 -55 -54 -133 -56 -170 -73

INE, Recenseamento Geral da População e Habitação, 2001 (Resultados Definitivos)

Este quadro demonstra a perda de população das freguesias do concelho de Arraiolos no espaço de dez anos, ou seja, entre 1991 e 2001. A freguesia mais povoada é Arraiolos com 3549 indivíduos; em dez anos teve um decréscimo de 50 pessoas. A freguesia do Vimieiro contava em 2001 com 1600 pessoas, esta perdeu 170 pessoas no espaço de uma década, o que não deixa de ser alarmante. Destaque também para a freguesia de São Gregório que viu diminuir os efectivos em 133 indivíduos. Pirâmide n.º 1: População residente em 2001 - Arraiolos Homens

Idade

Mulheres

INE, Recenseamento Geral da População e Habitação, 2001 (Resultados Definitivos)

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Como podemos visualizar através desta pirâmide de idades, existe no concelho de Arraiolos, um duplo envelhecimento, isto é, o concelho está envelhecido na base e no topo. Apesar de não podermos dizer claramente que na 4.ª idade há muitos indivíduos, podemos concluir a existência de muitos efectivos populacionais na terceira idade, sobretudo a partir da classe etária 65-69 anos. Acresce a isto, o facto de nas classes etárias dos 0-4 anos, 5-9 anos e 10-14 anos existirem poucos efectivos populacionais, revelador de um território envelhecido com dificuldades na substituição das gerações. Uma ressalva para mencionar o grupo etário dos 15-19 anos, em particular o significativo acréscimo de jovens face a outros grupos etários. Este facto tem particular importância porque alguns dos jovens inquiridos encontramse neste grupo etário e a maioria no grupo dos 10-14 anos.

Mapa n.º 5: Pop. res. seg. o grupo etário - De 10 a 14 anos Total (Freguesias do Concelho de Arraiolos)

Legenda: <17

>=17 e <26

>=26 e <34

>=34 e < 54

>=54

Resultado Nulo

INE, Recenseamento Geral da População e Habitação, 2001 (Resultados Definitivos)

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Com a visualização deste cartograma, podemos claramente identificar por freguesia onde residem os jovens com idades compreendidas entre os 10 e os 14 anos. Assim, concluímos que é nas freguesias de Arraiolos (177 jovens), Vimieiro (67 jovens) e Igrejinha (35 jovens) que reside um grande número de jovens com idades compreendidas naquele intervalo. Depois, São Pedro da Gafanhoeira (24 jovens) apresenta também um número importante de jovens com idades compreendidas no intervalo. No Sabugueiro existem 20 jovens com idades compreendidas entre 10-14. Em Santa Justa e São Gregório, a situação ainda é mais preocupante porque só existem 8 jovens no grupo etário dos 10-14 anos em cada uma daquelas freguesias. Mapa n.º 6: Pop. res. seg. o grupo etário - De 15 a 19 anos Total (Freguesias do Concelho de Arraiolos)

Legenda: <17

>=17 e <26

>=26 e <34

>=34 e < 54

>=54

Resultado Nulo

INE, Recenseamento Geral da População e Habitação, 2001 (Resultados Definitivos)

A situação do grupo etário dos 15 aos 19 anos é igual à situação do grupo etário 10-14 anos, apenas muda os efectivos. Em Arraiolos temos 241 indivíduos, no Vimieiro 83, na Igrejinha 54, São Pedro da Gafanhoeira 34, Sabugueiro 26, São Gregório 17 e Santa Justa 8. Como conclusão salienta-se que neste grupo etário, há mais indivíduos, mas a situação nas freguesias é inalterável face ao cenário pessimista traçado para o futuro, já que nas idades mais novas há cada vez menos população e registam-se cada vez menos nascimentos.

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Gráfico n.º 1: População residente segundo o analfabetismo - sabe ler e escrever

Instituto Nacional de Estatística Censos 2001. Dados comparativos 1991-2001

A evolução na década de 90 da população residente que sabe ler e escrever não se desenvolveu de forma homogénea e igual entre as freguesias do concelho de Arraiolos. Verificamos que existem dois grupos díspares, senão vejamos: por um lado, as freguesias onde a população evoluiu em saber ler e escrever, estão neste grupo as freguesias de Arraiolos e Igrejinha; e por outro lado, o grupo formado pelas freguesias onde assistimos na última década a um decréscimo relativo ao número de pessoas que sabem ler e escrever, nesta caso estão as freguesias de São Gregório, Vimieiro, Sabugueiro, Santa Justa e São Pedro da Gafanhoeira. Gráfico n.º 2: População residente segundo o analfabetismo - não sabe ler nem escrever

Instituto Nacional de Estatística Censos 2001. Dados comparativos 1991-2001

projecto CASA rede de solidariedades 23


Os dados do último recenseamento geral da população - Censos 2001, permite-nos ver a evolução na última década do número de indivíduos que não sabem ler nem escrever. A primeira conclusão a retirar diz respeito ao decréscimo entre 1991 e 2001 do número de pessoas que não sabem ler nem escrever. Na verdade, em todas as freguesias do concelho de Arraiolos há actualmente menos pessoas a não saber ler nem escrever. Porém, o género mais afectado pelo analfabetismo são as mulheres, em todas as freguesias são as mulheres que apresentam maiores taxas de analfabetismo.

A população de Arraiolos é constituída maioritariamente por mulheres, com efeito, a taxa de feminização indicava que em 2001, 52% da população total era constituída por mulheres. Comparando com os Censos de 1991, assistimos a um ligeiro aumento do número relativo de mulheres face aos homens, já que a taxa de feminização era de apenas 51%. Porém, como vimos, o número de população absoluta em ambos os sexos decresceu entre 1991 e 2001.

Gráfico n.º3: Pop. res. que sabe ler e escrever seg. a qualificação académica Com qualificação académica - Ensino básico

Instituto Nacional de Estatística Censos 2001. Dados comparativos 1991-2001

A população das freguesias do concelho de Arraiolos, tem no geral baixas qualificações. Para além da taxa de analfabetismo ser elevada, o grau de escolaridade predominante é o ensino básico. A maioria da população residente na freguesia de Arraiolos, tem habilitações escolares ao nível do ensino básico. Com efeito, 1966 dos indivíduos residentes na freguesia de Arraiolos têm o ensino secundário. O Vimieiro é segunda maior freguesia em termos de pessoas com

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o ensino secundário. O Vimieiro, com 805 indivíduos apresenta um importante número de pessoas com o ensino básico. Em termos de qualificações académicas com equivalência ao ensino básico os homens estão em maior número. Como veremos mais à frente, não admira pois que os homens ocupem actualmente profissões onde as baixas qualificações escolares imperem.


Gráfico n.º4: Pop. res. que sabe ler e escrever seg. a qualificação académica Com qualificação académica - Ensino médio

Instituto Nacional de Estatística Censos 2001. Dados comparativos 1991-2001

No concelho de Arraiolos, o ensino médio não tem muita relevância em termos estatísticos. Curiosamente, é na freguesia do Sabugueiro que existe o maior número de indivíduos com o ensino médio, superando em elevado número a freguesia de Arraiolos. Uma nota para o facto de se verificarem freguesias sem indivíduos com o ensino médio, como é o caso de Santa Justa e São Pedro da Gafanhoeira. Gráfico n.º5: Pop. res. que sabe ler e escrever seg. a qualificação académica Com qualificação académica - Ensino secundário

Instituto Nacional de Estatística Censos 2001. Dados comparativos 1991-2001

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Segundo os Censos de 2001, o ensino secundário corresponde à qualificação académica de 383 indivíduos da freguesia de Arraiolos. Para o Vimieiro, a mesma fonte indica a existência de 94 indivíduos com o ensino secundário. Enquanto, na Igrejinha há 60 pessoas com habilitações escolares ao nível do ensino secundário.

Gráfico n.º6: Pop. res. que sabe ler e escrever seg. a qualificação académica Com qualificação académica - Ensino superior - Total

Instituto Nacional de Estatística Censos 2001. Dados comparativos 1991-2001

A maior parte das pessoas com o ensino superior situam-se na freguesia de Arraiolos, com efeito, 141 indivíduos com o ensino superior residem neste freguesia. No Vimieiro, segundo os Censos 2001, há 34 pessoas com o ensino superior. Na Igrejinha, há 18 pessoas com o ensino superior. No Sabugueiro, havia em 2001 apenas uma pessoa com o ensino superior. Importa abrir um parêntesis para apontar o grande número de mulheres com o ensino superior, por exemplo, na freguesia de Arraiolos, o dobro dos indivíduos com o ensino superior são mulheres.


Descrição do sector do Emprego em Arraiolos Quadro n.º 3: Repartição da população do concelho de Arraiolos por sectores de actividade INDICADORES EMPREGO NO SECTOR PRIMÁRIO EMPREGO NO SECTOR SECUNDÁRIO EMPREGO NO SECTOR TERCIÁRIO

UNIDADE %

CONCELHO DE ARRAIOLOS 2001 1991 16 31,2

1991 23,2

ALENTEJO 2001 12

1991 10,8

PORTUGAL 2001 5

%

32,4

29,7

25,9

27,9

37,9

35,1

%

36,4

54,3

50,8

60,1

51,3

59,9

Fonte: INE, Recenseamento Geral da População e Habitação, 2001 (Resultados Definitivos)

No concelho de Arraiolos, o sector de actividade com maior número de efectivos a trabalhar no respectivo sector, era em 1991 o sector terciário com 36,4%, em 2001 essa percentagem subiu para 54,3. Entre a década de 90, tanto no sector primário como no sector secundário, as percentagens desceram. Em 1991 o sector primário empregava 31,2% dos trabalhadores, essa percentagem desceu em 2001 para apenas 16%. Relativamente ao sector secundário, verificou-se idêntica situação, em 1991 a percentagem de pessoas empregadas naquele sector era de 32,%, para em 2001 baixar para 29,7%. Em comparação com a situação do Alentejo e de Portugal, há algumas notas a ressalvar. Em 2001, no sector primário, o concelho tem uma percentagem de 16% em termos de empregados; o Alentejo tem no sector primário 12% e Portugal tem apenas 5%. A conclusão a retirar aponta para que Arraiolos é essencialmente um concelho rural, onde muitos dos seus trabalhadores encontram-se ligados à agricultura. No sector terciário concluímos que existem menos empregados relativos face às percentagens do Alentejo e às de Portugal, portanto, o sector dos serviços e comércio encontra-se ainda em fase de expansão.

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Quadro n.º 4: Número de estabelecimentos no concelho de Arraiolos em 1991 e 2000 ESTRUTURA SECTORIAL DOS ESTABELECIMENTOS

NÚMERO DE ESTABELECIMENTOS (1991)

NÚMERO DE ESTABELECIMENTOS (2000)

CAE 1 - AGRICULTURA, SILVICULTURA, CAÇA E PESCA CAE 2 - INDÚSTRIAS EXTRACTIVAS

66

90

TAXA DE EVOLUÇÃO DO NÚMERO DE ESTAB. ENTRE 1991 E 2000 27%

2

2

0%

CAE 3- INDÚSTRIAS TRANSFORMADORAS

26

50

48%

CAE 4 - ELECTRICIDADE, GÁS E ÁGUA

1

1

0%

CAE 5 - CONSTRUÇÃO E OBRAS PÚBLICAS

4

38

90%

CAE 6 - COMÉRCIO, RESTAURANTES E HOTÉIS

49

96

49%

CAE 7 - TRANSPORTES, ARMAZ. E COMUNICAÇÕES CAE 8 - BANCOS, SEGURADORAS, O.S.I., S.P.EMP.

2

10

80%

4

12

67%

CAE 9 - SERVIÇOS PRESTADOS COLECT. SOCIAIS E PESS. TOTAL

12

15

20%

166

314

47%

Fonte: Departamento de Estatística do Trabalho, Emprego e Formação Profissional. Ministério da Segurança Social e do Trabalho. 2003

Verifica-se que no concelho de Arraiolos existiu uma evolução significativa de emprego ligados ao sector da construção e obras públicas, na ordem dos 90% entre 1991 e 2000. Julgamos que esta situação é resultado da requalificação do concelho e ao fenómeno do crescimento de segunda habitação. Em igual período cresceu também a existência de estabelecimentos ao nível dos transportes e comunicações e Serviços. A agricultura foi um dos sectores onde se evidenciou uma evolução pouco significativa (apenas 27%) o que espelha o abandono crescente desta actividade. Como se vê no quadro n.º 5, o número de trabalhadores nesta actividade reduziu no espaço de 10 anos 43%. Globalmente, a conclusão a retirar prende-se com o facto do número de estabelecimentos ter crescido substancialmente no concelho de Arraiolos no período de espaço temporal entre 1991 e 2000. O número de estabelecimentos que se manteve inalterável entre 1991 e 2001, ocorreu apenas no caso das indústrias extractivas e no sector da electricidade, gás e água.

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Quadro n.º 5: Número de pessoas ao serviço no concelho de Arraiolos em 1991 e 2000 ESTRUTURA SECTORIAL DOS ESTABELECIMENTOS CAE 1 - AGRICULTURA, SILVICULTURA, CAÇA E PESCA CAE 2 - INDÚSTRIAS EXTRACTIVAS

NÚMERO DE PESSOAS AO NÚMERO DE PESSOAS AO TAXA DE EVOLUÇÃO DO NÚMERO DE PESSOAS AO SERVIÇO ENTRE 1991 SERVIÇO (2000) SERVIÇO (1991) E 2000 - 43% 371 530 11

23

52%

CAE 3- INDÚSTRIAS TRANSFORMADORAS

425

368

- 15%

CAE 4 - ELECTRICIDADE, GÁS E ÁGUA

4

3

- 33%

CAE 5 - CONSTRUÇÃO E OBRAS PÚBLICAS

26

172

85%

CAE 6 - COMÉRCIO, RESTAURANTES E HOTÉIS CAE 7 - TRANSPORTES, ARMAZ. E COMUNICAÇÕES CAE 8 - BANCOS, SEGURADORAS, O.S.I., S.P.EMP. CAE 9 - SERVIÇOS PRESTADOS COLECT. SOCIAIS E PESS. TOTAL

138

306

55%

13

25

45%

27

31

13%

62

150

59%

1236

1449

15%

Fonte: Departamento de Estatística do Trabalho, Emprego e Formação Profissional. Ministério da Segurança Social e do Trabalho. 2003

Como podemos visualizar através do quadro, a primeira conclusão que importa fazer prende-se com o facto do número de pessoas ao serviço no concelho de Arraiolos crescer cerca de 15% entre 1991 e 2000. A estrutura sectorial que teve o crescimento mais elevado foi o sector da construção e obras públicas (CAE 5), o sector dos serviços prestados a colectividades sociais e pessoais (CAE 9) também cresceu significativamente, exactamente 59%. Porém, houve alguns sectores que registaram decréscimos bastante acentuados, vejamos o caso da Agricultura, Silvicultura, Caça e Pesca (CAE 1) onde se verificou entre 1991 e 2000 uma descida de 43% no espaço da década de 90. Também o sector da Electricidade, Gás e Água (CAE 4) teve uma descida abrupta, mais concretamente, 33% entre 1991 e 2000; enquanto o sector das Indústrias transformadoras

(CAE 3) desceu 15% em termos de pessoas ao serviço. De um modo geral, o número de pessoas ao serviço subiu (com excepção daqueles três sectores que já analisamos) de 1236 pessoas em 1991 para 1449 pessoas em 2000. Podemos concluir que no período de 1991 e 2000, existiu uma complementaridade com a descrição anteriormente realizada, apresentando uma evolução significativa do número de pessoas ao serviço no sector da construção e obras públicas, bem como ao nível dos serviços. Entre 1991 e 2000, o número de pessoas ao serviço subiu 15%, cresceu mais do que o crescimento efectivo da população, que como vimos, diminuiu 7,8% no espaço daquela década.

projecto CASA rede de solidariedades 29


Educação Neste momento, é altura de conhecer melhor a realidade e os números do sector da Educação em Arraiolos. Com efeito, existe um apoio muito grande por parte da autarquia local em prol deste sector, como é o caso do auxílio económico, a alimentação, o transporte escolar, os projectos sócio-educativos, a “Oficina da Criança”, o projecto de educação musical, a biblioteca e vários espectáculos de animação. A autarquia está empenhada, entre outras iniciativas, no programa Rede Social, Conselho Municipal de Educação e Carta Educativa de Arraiolos.

Em 2003, a Escola Básica dos 2º e 3º Ciclos com Ensino Secundário Cunha Rivara tinha inscritos no Ensino Secundário 145 alunos. Neste mesmo ano, oferecia aos alunos os seguintes agrupamentos: 1, 3, 4, respectivamente - Científico-natural, Económico-Social e Humanidades. A classificação obtida em 2002 nos exames do 12º ano foi: na primeira fase, em 183 alunos obteve uma média de 9,66; enquanto na segunda fase, em 38 alunos a média desceu para 5,943.

Quadro n.º 6: População Residente segundo o nível de Ensino NÍVEL DE ENSINO NENHUM 1.º CICLO 2.º CICLO 3.º CICLO SECUNDÁRIO MÉDIO SUPERIOR ANALFABETOS C/ 10 OU MAIS ANOS TAXA DE ANALFABETISMO EM 1991 TAXA DE ANALFABETISMO EM 2001 TOTAL DA POPULAÇÃO

ARRAIOLOS 1546 3100 870 698 997 26 379 1186 21.0 17.0 7616

Fonte: Câmara Municipal de Arraiolos 2003

A maioria da população do concelho de Arraiolos tem como grau de escolaridade o 1.º ciclo, há 3100 pessoas com este grau de escolaridade. Entre o 2.º ciclo e o 3.º ciclo, a diferença não é muita, temos respectivamente 870 e 698 pessoas com aqueles graus de ensino. Relativamente ao ensino secundário, há no concelho de Arraiolos 997 pessoas que atingiram aquele grau de ensino. Já quanto ao ensino médio, há a frisar que aquele é o grau de ensino com menor quantidade de pessoas, apenas há a destacar 26 pessoas. Finalmente, o ensino superior tem uma certa representatividade já que 379 3

DUARTE, 2003: 198.

pessoas atingiram aquele nível de ensino. Apesar de a taxa de analfabetismo ter diminuído no concelho de Arraiolos entre 1991 e 2001, devemos mencionar que a descida não é muito acentuada, cifrou-se numa descida de 21% para 17%, este número continua a ser um número demasiado elevado e atesta o baixo nível de escolaridade da população do concelho de Arraiolos, este indicador remete para o facto da população do concelho ser uma população envelhecida, há um duplo envelhecimento no concelho de Arraiolos, na base e no topo da pirâmide etária.


Quadro n.º 7: Caracterização das Escolas do concelho de Arraiolos em 2003/2004

GRAU DE ENSINO PRÉ-ESCOLAR ENSINO BÁSICO - 1.º CICLO EBM (VIMIEIRO) ESCOLA BÁSICA DOS 2º E 3º CICLO COM ENSINO SECUNDÁRIO CUNHA RIVARA TOTAL

DISCENTES 173 272 12 498

DOCENTES 16 32 2 67

955

117

Fonte: Câmara Municipal de Arraiolos 2003

Quadro n.º 8: Número de alunos por Ciclo em Arraiolos no ano lectivo 2005/2006 CICLOS PRÉ-ESCOLAR 1.º CICLO 2.º CICLO 3.º CICLO SECUNDÁRIO TOTAL

NÚMERO DE ALUNOS 43 271 165 393 120 992

Fonte: Agrupamento de Escolas de Arraiolos

O número de docentes para o conjunto dos ciclos no ano lectivo 2005/2006 é 135. Através da visualização do quadro, é possível conhecer quais os efectivos, tanto em termos de alunos, como em termos de professores. No que aos discentes diz respeito, podemos constatar que o grau de ensino onde há mais discentes corresponde ao ensino básico dos 2º e 3º ciclo com ensino secundário Cunha Rivara. O ensino básico do 1.º ciclo tem em 2005/2006 precisamente 271 alunos. No total de discentes, o concelho de Arraiolos tem 992 alunos em todos os graus de ensino. Quanto ao docentes por graus de ensino, tal como nos alunos, também os discentes são em maior número na ensino básico dos 2º e 3º ciclo com ensino secundário Cunha Rivara, exactamente 67 discentes. O ensino básico é o grau de ensino que vem em seguida com maior número de discentes, exactamente 32. No total dos docentes, o concelho de Arraiolos tem 117 docentes para todos os graus de ensino.


METÓDOS E TÉCNICAS UTILIZADAS A metodologia seguida por este trabalho é a de estudo de caso. O estudo de caso corresponde aos jovens do 9.º ano da Escola Básica dos 2º e 3º Ciclos e Secundária Cunha Rivara de Arraiolos. Neste caso, foi aplicado um questionário aos jovens do 9.º ano da escola. Este estudo visa conhecer as profissões que os jovens pensam vir a exercer e qual o percurso que esperam fazer para alcançar essas metas4. Para executar este estudo utilizamos algumas técnicas de investigação, nomeadamente: pesquisa e análise de fontes documentais; utilização de fontes estatísticas e inquérito por questionário. A técnica de inquérito foi importante porque reproduz o que dizem os entrevistados, no fundo, “Um inquérito consiste em suscitar um conjunto de discursos individuais, em interpretá-los e generalizá-los” (GHIGLIONE e MATALON, 1997: 2). Contudo, este estudo não ficou apenas pelo questionário, nem poderia ficar, porque é importante haver várias técnicas para reproduzir o real, neste contexto “os fenómenos sociais não podem ser reduzidos ao que se retira do que deles dizem os indivíduos: são necessárias outras informações que podem ser recolhidas por diferentes métodos, tais como a observação, a experimentação, a análise de vestígios ou de diversos documentos” (GHIGLIONE e MATALON, 1997: 3).

4

O inquérito, comparativamente com a análise de estatísticas, apresenta algumas vantagens: permite provocar informação até então não disponível; permite observar relações entre indivíduos e permite conhecer mais informações sobre cada um dos indivíduos. Consideramos que a amostra é representativa da população porque o questionário foi aplicado aos jovens estudantes do 9.º ano da Escola Básica dos 2º e 3º Ciclos e Secundária Cunha Rivara de Arraiolos. Optamos por este grau de escolaridade porque é uma fase decisiva em termos de opção escolar, formativa e profissional. A amostra é representativa se “as unidades que a constituem forem escolhidas por um processo tal que todos os membros da população tenham a mesma probabilidade de fazer parte da amostra” (GHIGLIONE e MATALON, 1997: 31). Na análise e tratamento dos dados foi utilizada uma metodologia simples e evitou as medidas estatísticas de correlação e de evidência estatística de medição da influência entre variáveis dependentes e independentes.

A escolha do 9.º ano de escolaridade para objecto de estudo ficou a dever-se a vários factores. Um deles tem a ver com o abandono escolar. De acordo com Paulo Pedroso, a mudança de ciclos facilita o abandono. Vejamos, por exemplo, a ruptura física entre estabelecimentos que leva à ruptura simbólica e “naturaliza” (digamos assim) o abandono escolar: “O momento de ruptura entre ciclos do ensino básico, com a mudança dos estabelecimentos do “ensino primário” para os do “ensino preparatório”, é localmente o primeiro grande momento de filtragem no sistema escolar” (PEDROSO, 1998: 142).

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COMPORTAMENTOS E HÁBITOS JUVENIS EM ARRAIOLOS Este estudo tem como tema as Representações Profissionais e Necessidades de Formação dos Jovens de Arraiolos, é importante ter uma visão transversal porque o fenómeno é global, assim, é de todo relevante a complementaridade com estudo “A situação dos jovens alunos em matéria de Drogas e Toxicodependências, Tempos Livres, Expectativas profissionais e de Educação” elaborado em 2003 no âmbito do programa Rede Social de Arraiolos. O objectivo deste estudo foi compreender não só a problemática das drogas e toxicodependências, mas também os tempos livres, expectativas profissionais e de educação. Conclui que as drogas e toxicodependências não têm uma expressão muito significativa no concelho de Arraiolos, porém, o consumo de álcool, é de facto, um sério problema porque foi identificado um consumo excessivo por parte dos jovens, ou pelo menos, daqueles que disseram consumir. Este estudo teve o mérito de conhecer quais são as ocupações dos tempos livres dos jovens, nesse sentido ficamos a saber que é maioritariamente em casa que os jovens passam a maior parte do seu tempo livre, com efeito 30% disseram ser em casa onde ouvem música, vêm televisão/vídeo/ dvd e utilizam o computador. Para além disso, este estudo perguntou aos jovens quais são os equipamentos ou actividades sentidas como necessárias para ocupar os tempos livres, permitindo conhecer os interesses e motivações dos jovens por cada uma das freguesias. Porém, o que mais nos interessa neste estudo prende-se com as expectativas em relação à Educação, Formação e Emprego. Das conclusões do estudo, há a destacar o seguinte: 47% dos alunos pretendem con-

cluir o 12º ano de escolaridade e ingressar na universidade; 16% pretende concluir o 9º ano de escolaridade e ir trabalhar; 14% não sabe ou não responde a esta questão; 13% pretende concluir o 12º ano e frequentar um curso profissional; 10% pretende concluir o 12º ano e ir trabalhar; 0,82% não pretende concluir nenhuma escolaridade. Conclui-se que a maior percentagem de alunos com vontade de concluir o 9º ano para depois ir trabalhar, residem na freguesia de Igrejinha (37%), Vimieiro (32%). São Pedro da Gafanhoeira (22%) e Santa Justa (18%). Os jovens que procuram concluir o 12º ano de escolaridade para depois ir trabalhar apresentam valores mais elevados junto dos residentes de São Gregório (47%), Sabugueiro (27%) e São Pedro da Gafanhoeira (14%). Os alunos que pretendem concluir o 12º ano e frequentar um curso profissional representam 27% na freguesia do Sabugueiro, 19% na freguesia de São Pedro da Gafanhoeira e 15% na freguesia da Igrejinha. A maior parte dos jovens querem concluir o 12º ano e ingressar na universidade, na verdade 47% do geral dos alunos inquiridos têm este pensamento. Verifica-se a maior percentagem junto dos alunos residentes nas freguesias de Arraiolos (57%), Santa Justa (55%) e Sabugueiro (41%). Por fim, há a mencionar o facto de 20% dos alunos de São Gregório e 0,93% dos de Arraiolos não pretenderem concluir qualquer escolaridade, o que é uma diferença abissal entre estas freguesias.

projecto CASA rede de solidariedades 33


OS JOVENS DE ARRAIOLOS E A ENCRUZILHADA: PROFISSÕES, FORMAÇÃO, EDUCAÇÃO, REPRESENTAÇÕES E VALORES

Caracterização da amostra O aluno mais novo a responder ao questionário tinha 14 anos, enquanto o jovem mais velho tinha na altura 17 anos. O intervalo de idades foi desse modo de quatro anos. No que diz respeito à escolaridade, optamos por inquirir somente os alunos que frequentam o 9.º ano de escolaridade. Foram validados sessenta questionários. Em percentagem, a idade com maior número de respostas validadas foi a idade correspondente aos catorze anos, com efeito, corresponde a 42% dos jovens inquiridos. A idade imediatamente a seguir, com 28% dos inquiridos correspondeu aos quinze anos. Na nossa opinião, é fundamental desagregar os dados por género, nesse contexto, importa compreender as representações e as necessidades dos jovens por sexos, assim, tal como veremos posteriormente, verifica-se uma distinção na apreensão e visão dos jovens, no masculino e no feminino. Nos inquéritos aplicados, constatamos que 55% dos jovens inquiridos são do sexo feminino, a esta percentagem correspondem trinta e três jovens raparigas. Enquanto os vinte

Gráfico n.º 7: Idades dos jovens inquiridos

Fonte: Inquérito por questionário

Gráfico n.º 8: Sexo dos jovens inquiridos

Fonte: Inquérito por questionário

e sete rapazes inquiridos correspondem a 45% do total dos jovens inquiridos. Registou-se somente uma resposta que não deverá ser considerada.


Gráfico n.º 9: Localidade de residência dos inquiridos

Fonte: Inquérito por questionário

O questionário foi aplicado na Escola Básica dos 2º e 3º Ciclos e Secundária Cunha Rivara de Arraiolos. Nesta escola, para além de haver jovens provenientes de todas as freguesias do concelho de Arraiolos, há também a destacar, apesar de não ser muito significativa, a frequência de alguns alunos de outros concelhos. Relativamente aos locais onde os jovens inquiridos residem, há a mencionar o seguinte: 50% são da freguesia de Arraiolos; 17% da freguesia do Vimieiro; 7% da freguesia da Igrejinha; 7% da freguesia do Sabugueiro; de São Pedro da Gafanhoeira são originários 9%; da Graça do Divor, localidade pertencente ao concelho de Évora foram 3%; das Ilhas do concelho de Arraiolos, igualmente 3%; Aldeia da Serra 2% e também Pavia com 2%. Para finalizar, resta apenas mencionar o facto de três pessoas não terem respondido à questão do local de residência. No que concerne à repetência de ano escolar, foi possível através do inquérito verificar a enorme taxa de repetência, senão vejamos, 38% dos jovens inquiridos, e estamos apenas a falar de jovens no 9.º ano de escolaridade, disseram que repetiram pelo menos um ano. Apenas 62% dos alunos nunca repetiram qualquer ano escolar. Na opinião de treze jovens inquiridos, a falta de estudo foi a principal causa de repetência, com efeito, o pouco estudo durante o ano lectivo foi a causa do insucesso para os alunos repetentes. Outro entendimento tiveram cinco alunos, para quem a principal causa de repetência se ficou a dever à desmotivação e desinteresse. Por fim, as dificuldades de aprendizagem foram o motivo principal para a repetência de quatro jovens inquiridos. Gostaríamos de fazer aqui um parêntesis para indicar a existência no questionário de uma questão aberta, esta visava conhecer outras causas de insucesso apontadas pelos próprios jovens, porém, nenhum dos jovens indicou outras causas para além daquelas já inscritas no questionário.


Ambiente familiar e sócio-económico Na nossa opinião, a família é um elemento preponderante, em alguns casos o núcleo central do trajecto escolar e das escolhas profissionais dos jovens. Julgamos por isso essencial caracterizar as estruturas familiares dos jovens inquiridos. Adiante neste estudo iremos conhecer mais em profundidade o grau de influência exercido pelos pais e por outros agentes nas opções escolares e profissionais dos jovens de Arraiolos. Uma das notas principais, tem a ver com o grau de escolaridade dos pais e mães, neste contexto, a principal conclusão retirada com a aplicação do questionário tem a ver com o baixo grau de escolaridade dos pais, a maior parte dos pais, nomeadamente 34%, tem apenas o 4.º ano. Em relação a 30% das mães dos jovens, o grau de escolaridade é apenas o 6.º ano de escolaridade, por conseguinte, o grau de progressão escolar é genericamente baixo. De uma maneira geral, a quantidade de irmãos é um factor a ter em conta, especialmente em meio rural, onde no passado, os filhos contribuíam bastante com o trabalho, desde muito novos para o orçamento familiar. Actualmente, os filhos não são tanto uma fonte de rendimento, porém, consideramos interessante verificar as condicionantes e as representações dos pais para o futuro profissional dos seus filhos. No caso de Arraiolos, concelho rural e envelhecido, o número de irmãos é um factor importante nas escolhas e opções sócio-profissionais. Assim, importa conhecer em profundidade o número de irmãos dos jovens inquiridos, a saber: 66% têm um irmão; 12% têm dois irmão; com três irmãos há 7%; apenas 3% têm quatro irmãos e, por último, 12% são filhos únicos. A idade dos pais é também um factor a considerar porque tem a ver com o diálogo entre gerações, e num meio especialmente envelhecido como é o caso de Arraiolos, 36

podemos observar as idades da estrutura familiar dos inquiridos. Verificamos que os pais são mais velhos do que as mães, a esmagadora maioria dos pais (74%) têm entre 40 e 49 anos. Enquanto as mães são neste grupo etário dos 40 aos 49 anos de somente 49%. Com efeito, 43% das mães estão no grupo etário dos 30 aos 39 anos; porém, os pais com menos de 40 anos correspondem a apenas 16%. Por último, o grupo etário referente aos pais e às mães com mais de 50 anos, corresponde a 10% e 8% respectivamente. De acordo com os resultados deste estudo, os pais são os agentes com maior influência nas decisões relativamente ao futuro profissional dos jovens. O factor com maior importância nas representações profissionais e nas escolhas de formação escolar e profissional é efectivamente as profissões exercidas pelos pais e pelas mães dos jovens inquiridos. Assim, julgamos pertinente observar, ainda que de forma longínqua as profissões exercidos pelos pais dos jovens. A principal profissão exercida pelos pais dos jovens inquiridos é na construção civil, nomeadamente “pedreiro”, com efeito, 16% trabalham nesta profissão. Também o sector agrícola e os trabalho rural emprega um considerável número de homens, 12% dos jovens mencionar que o pais exerce a profissão de “agricultor” ou “trabalhador rural”, contudo, o número de pessoas empregadas na agricultura decresceu bastante nos últimos anos se atendermos ao facto de ter sido no passado o principal sector produtivo da região. Há novas profissões e sectores actualmente a despontar, relacionadas com o mundo rural, como é o caso do turismo, actividades ambientais e outras. Em seguida, a profissão de “comerciante” é exercida por um considerável número de pessoas, respectivamente 10%. Na “Administração pública” laboram 7%, este indicador não é estranho porque, como é do conhecimento


geral, as autarquias e o sector público são um dos principais agentes empregadores da região do Alentejo e de Arraiolos em particular. Já quanto à profissão das mães, há alguns números a reter, vejamos alguns: 28% das mães são domésticas; 8% das mães dos jovens inquiridos trabalham como operária fabril; 7% são comerciantes e 7% das mães estão desempregadas. Como é possível constatar, muitas mulheres não estão inseridas no mercado de trabalho e quando estão em grande parte dos casos correspondem a profissões que exigem baixas qualificações. Tal como observa Pierre Bourdieu, existe nas sociedades trajectórias sociais onde o conceito de habitus está presente como uma disposição corpórea, à luz desta teoria algumas das principais características dos pais tendem a ser apreendidas pelos filhos. Neste caso, a escolaridade dos pais é certamente uma variável com alguma importância para compreender futuros trajectos e formulação de projectos de vida dos mais jovens. Relativamente à escolaridade dos pais, observamos alguns aspectos fulcrais a reter. O grau de escolaridade dos pais é no geral muito baixo, efectivamente, 37% têm apenas o 4º ano de escolaridade, 21% somente o 6º ano, enquanto que com o 12º ano registamos só 19%. Nenhum pai tem mais do que o 12º ano, por conseguinte, não há pais com ensino superior ao nível de bacharel, licenciatura, mestrado nem doutoramento. Efectivamente, as profissões dos pais correspondem aos graus de habilitações, como vimos as principais profissões desempenhadas por aqueles são na construção civil e nos trabalhos rurais. Por último, uma nota para o facto de 7% dos jovens não terem respondido a esta questão, o que pode levar a criar especulações várias, por exemplo, não responderam por não saberem ou ignorância? Ou então, não deram a resposta por os pais

não saberem ler ou escrever e não gostariam que essa informação passasse? Infelizmente, neste ponto, a dúvida manter-se-á porque não temos dados para avaliar esta situação. Semelhante situação face à escolaridade vivem as mães dos jovens, contudo, verificamos um ligeiro aumento da escolaridade e progressão escolar comparativamente com os pais; porém, tal facto não invalida que genericamente e no seu conjunto, as mães possuam um grau de escolaridade baixo. As mães têm em 26% dos casos o 4º ano de escolaridade ou mesmo graus inferiores; 32% têm o 6º ano de escolaridade. Para finalizar este tema, resta contudo frisar a existência de 5% de mães com o grau de bacharel ou licenciatura, porém, e a contrastar com aquelas, há mesmo uma mãe que não sabe ler ou escrever. “Nada se perde, tudo se transforma”, com esta frase Lavoisier deu um contributo para a ciência, com efeito, a realidade social é dinâmica e mutável, assim a escola e a escolaridade muda ao longo dos anos, é normal e faz parte da vida. Esta introdução serve sobretudo para destacar o papel de um dos mais decisivos agentes de sociabilização e ao mesmo tempo o local onde as crianças e jovens passam muito tempo da sua vida, numa idade onde a aprendizagem é constante. A escola muda entre gerações, a escola dos nossos dias não é igual à escola do tempo dos nossos pais, constatamos nesse(s) espaço(s) um desenvolvimento e um progresso específico das sociedades dos nossos tempos. Aferir o grau de escolaridade dos pais é importante para compreender as escolhas educativas dos jovens e o percurso formativo que pensam seguir, porém, sabemos que a excepção confirma a regra e os filhos, apesar das fortes probabilidades, não têm de vir futuramente a ter o mesmo capital dos pais, e por capital, entenda-se na linha de pensamento de Bourdieu vários tipos: simbólico, cultural, económico, etc. projecto CASA rede de solidariedades 37


As expectativas e ideias dos jovens acerca das profissões são criadas e motivadas por uma série de agentes, porém, muitas das representações profissionais dos jovens ficam a dever-se especialmente à influência exercida pela família. No geral, os jovens consideram os pais como as pessoas com maior poder de influência nas suas próprias escolhas profissionais. Na verdade, os jovens em 48% dos casos entendem que a influência dos pais na sua própria decisão em relação ao futuro profissional é muita. Na opinião de 37% a influência dos pais é alguma. Na opinião de apenas 9%, a influência é nenhuma. Concluímos portanto o peso da família nas escolhas, mas gostaríamos de acrescentar mais um dado. Foi dada a oportunidade aos jovens de indicarem no questionário a influência de outras pessoas ou agentes nas suas opções escolares, formativas e profissionais, curiosamente, as respostas obtidas apontaram todas elas no sentido da família, indicaram as seguintes pessoas: familiares, irmão e tia. Este dado leva-nos a crer que a família é ainda nos nossos dias, um importante agente de socialização, condicionante e interferente com as várias opções dos jovens. Os agentes, com o segundo maior poder de influência junto dos jovens, são na opinião destes últimos, os professores. Por conseguinte, os jovens em 54% dos casos entendem haver alguma influência dos professores nas decisões relativas ao futuro profissional. Na opinião de 16% inquiridos há de facto muita influência por parte dos professores. Os agentes com menor poder de influência junto dos jovens são os amigos. Apesar de haver 41% dos jovens a avaliar a influência dos amigos como pouca ou nenhuma, há inclusive jovens em 46% dos casos a considerarem haver alguma influência por parte dos seus amigos. Uma das principais conclusões prende-se com o facto de haver um conjunto de influências a que os jovens estão sujeitos. Na verdade, seria interessante estudar mais 38

profundamente este tema, na sociedade onde se cruza os costumes locais/tradições rurais com a sociedade da informação/conhecimento interessava conhecer com maior profundidade as consequências desta interacção. Não foram muitos os jovens a indicar qual a profissão idealizada pelos pais para si mesmos. Foram obtidas 42 respostas válidas, mas importa fazer uma clara distinção entre dois tipos: o primeiro, diz respeito às respostas que indicaram clara e objectivamente a profissão pretendida pelos pais para os jovens filhos, porém, o número de respostas neste sentido foi limitado, correspondeu a apenas 17 casos. A outra situação, ficou a dever-se ao grupo de respostas mais genéricas e subjectivas, cerca de 23 respostas, no fundo, revelou uma confiança e tolerância dos pais face à decisão na escolha da profissão pelos próprios filhos, como paradigmático atentemos na seguinte expressão registada: “Eles dizem que eu é que tenho de escolher”.


Mobilidade e transporte dos jovens De acordo com um estudo efectuado no Alentejo5, uma das principais causas para o abandono escolar dos jovens resulta da inexistência de transporte. Com efeito, naquele estudo, 45% do grupo de pessoas sem a escolaridade obrigatória disseram que o facto de não disporem de transporte contribuiu de alguma forma para o seu abandono escolar. Porque pensamos que a questão do transporte casa-escola-casa é na verdade bastante importante para compreender os movimentos pendulares e as questões da acessibilidade e mobilidade dos jovens, iremos nas próximas linhas abordar esta temática. No caso específico de Arraiolos, a aplicação do questionário permitiu conhecer com maior profundidade o modo como os jovens se deslocam de casa para a escola e vice-versa. Importa ter presente a ruralidade do concelho de Arraiolos, os jovens deslocam-se entre a casa-escola-casa, sobretudo através de autocarro da autarquia. De entre os jovens inquiridos, 54% utilizam o autocarro como meio de transporte. A fazer o trajecto diário à pé entre a casa-escola-casa são 23% dos jovens inquiridos. A terceira opção escolhida foi o uso de carro, os jovens responderam usar este meio de transporte em 16% dos casos. Apesar de usado por um número limitado de utentes, o taxi é também usado para 5% dos jovens respondentes ao questionário, este meio é utilizado pelos jovens com residência nas localidades mais distantes e com menor oferta no número de transportes.

Experiência em actividades próximas das profissões Com a aplicação do questionário foi possível compreender se os jovens já alguma vez trabalharam em algum tipo de actividades, isto é, qual a experiência adquirida em termos de actividades desenvolvidas pelos jovens em algum momento da sua vida. A principal actividade dos jovens consistiu em trabalhar nas férias de Verão, com efeito, os jovens em 51% dos casos disseram já ter trabalhado a ajudar os pais na profissão. Em 39%, os jovens disseram já ter trabalhado através da ajuda prestada aos pais na profissão. O trabalho de voluntariado é a componente onde os jovens têm menor experiência de trabalho; com efeito, 80% disseram não ter experiência como voluntário. Os poucos jovens com experiência de voluntariado desenvolveram actividades nas seguintes áreas: Santa Casa da Misericórdia; biblioteca; papelaria; vindima e obras.

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FRAGOSO, 2001: 132

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O factor “ganhar bem” A remuneração é efectivamente um incentivo importante para o trabalho. Os jovens atribuem importância à remuneração, na verdade, 51% disseram ter sido remunerados quando desenvolveram algum tipo de trabalho. Neste caso, concluímos a existência de um grupo considerável de jovens com características materialistas6.

Representações acerca da escola Todos os indivíduos, grupos e organizações olham para a escola de modo específico, mas a pergunta essencial é: o que representa a Escola nos nossos dias? Para uns, este é um local para ensinar, para outros é para aprender e também há quem entenda aquele como um espaço para conviver e dar os primeiros passos no exercício da cidadania. Na nossa opinião, o dualismo não tem razão de ser e todas aquelas esferas se cruzam e completam entre si, tornando por vezes o conflito uma peça do processo evolutivo. Porém, para aprofundar esta questão seria necessário fazer um ou vários estudos sobre os olhares, interesses e argumentos em particular, mas essa é uma ideia para outro estudo. No que se prende com a importância da escola para os jovens, foi possível chegar a algumas conclusões. Os resultados alcançados foram obtidos através de resposta de escolha múltipla. A esmagadora maioria dos jovens inquiridos disseram que a escola é uma preparação para o futuro, com efeito, 92% entendem a escola como uma preparação para o futuro. Seguidamente, 43% vêem a importância da escola sobretudo enquanto preparação para o trabalho. Um significativo número de inquiridos acham a escola um sítio para estar com os amigos, na verdade, 43% correspondem a este perfil. Registamos 21% dos jovens inquiridos a afirmar a escola como uma estratégia para ter trabalho. Contudo, há a mencionar um número significativo de jovens para os quais a escola é uma obrigação, com efeito, 25% dos jovens têm este tipo de pensamento. Para 13%, a escola é especialmente uma forma de ocupar o tempo. Na nossa opinião, concluímos que as respostas alcançadas demonstram em particular a importância da escola como um espaço para o exercício da sociabilidade e interacção entre jovens, no fundo, é um território onde lhes é permitido a afirmação pessoal e o exercício da cidadania. Contudo, julgamos como sendo um dado preocupante, o facto de um quarto dos jovens inquiridos olharem para a escola com alguma descrença porque a avaliam como uma obrigatoriedade e um modo de ocupação do seu tempo.

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SAÚDE, 1998.


O futuro profissional? Começa hoje Os destinatários deste estudo são os jovens do 9.º ano de escolaridade da Escola Básica dos 2º e 3º Ciclos e Secundária Cunha Rivara de Arraiolos no ano lectivo 2004/2005. Estes jovens disseram, na maior parte dos casos, que já pensaram na área profissional que gostariam de seguir, efectivamente, 71% dos jovens inquiridos manifestaram já ter uma ideia formada acerca da escolha da profissão que gostaria de seguir. Porém, 28% ainda não pensaram na área profissional que gostariam de seguir. Por conseguinte, há aqui um problema, mais do que o número de jovens indecisos em relação à escolha profissional, a questão problemática colocase em termos de jovens que nem sequer pensaram acerca da formação que vão seguir, e muito menos sobre o seu futuro profissional. Neste contexto, importa compreender as causas desta indecisão e do adiamento de escolhas formativas e profissionais, por isso, importa atender aos resultados obtidos no questionário, assim, os jovens com pensamento não formado relativamente às escolhas formativas e profissionais alegaram esse facto com algumas justificações. Importa considerar sobretudo quatro argumentos, inclusivamente porque foram os mais mencionados. O maior número de reacções foi no sentido do clássico “Não sei”, na verdade, 5 jovens indicaram não saber porque é que ainda não tinham reflectido sobre o seu futuro profissional; seguidamente obtivemos por parte de 4 jovens a resposta “ainda é cedo para pensar nisso”; surge por parte de 4 jovens a justificação de “não tenho informação suficiente para pensar nisso”; há 2 jovens que ainda estão indecisos; e finalmente, registamos 1 jovem que teve a seguinte resposta “não acho importante pensar nisso”.

Profissões que os jovens gostariam de vir a exercer Neste capítulo, vamos tentar dar resposta a um dos principais objectivos deste estudo, ou seja, atender às profissões idealizadas para o futuro pelos jovens de Arraiolos. O questionário apresentava um desafio aos jovens, isto é, perguntamos quais são as três profissões que gostariam de vir a ter no futuro.

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Quadro n.º 9: Sequência das profissões de cada jovem com ideia formada acerca da profissão 2.ª PROFISSÃO

1.ª PROFISSÃO ASSISTENTE SOCIAL DESENHADORA MECÂNICO MECÂNICO DE AUTOMÓVEIS BRIGADA DE TRÂNSITO PEDIATRA AUXILIAR DE INFÂNCIA MECÂNICO EDUCADORA DE INFÂNCIA GUARDA NACIONAL REPUBLICANA JORNALISTA EDUCADORA DE INFÂNCIA MECÂNICA DE AUTOMÓVEIS EDUCADORA DE INFÂNCIA ENGª INFORMÁTICA VETERINÁRIA EDUCADORA DE INFÂNCIA ENGº MECÂNICO BIÓLOGO MARINHO EDUCADORA DE INFÂNCIA INFORMÁTICO TÉCNICO DE INFORMÁTICA INFORMÁTICA PROFESSORA DE EDUCAÇÃO FÍSICA EDUCADORA DE INFÂNCIA TÉCNICO DE INFORMÁTICA VETERINÁRIA POLÍCIA CANALISADOR ELECTRICISTA VETERINÁRIA MÉDICO VETERINÁRIO PROFESSORA DE EDUCAÇÃO FÍSICA ADVOGADA PROFESSORA DE EDUCAÇÃO FÍSICA PEDIATRA MECÂNICO ACTRIZ BIÓLOGO VETERINÁRIA PEDIATRA ESTILISTA HISTORIADOR ENGª AGRÁRIA FISIOTERAPEUTA Fonte: Inquérito por questionário 42

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ENFERMEIRA DESPORTISTA PINTOR DE AUTOMÓVEIS SERRALHEIRO CIVIL ADVOGADO FISIOTERAPEUTA CABELEIREIRA ECONOMISTA INTERNACIONAL ACTRIZ _ ADVOGADA MILITAR CORRIDAS DE ALTA COMPETIÇÃO EDUCADORA SOCIAL BIÓLOGA MARINHA MÉDICA PROFESSORA PRIMÁRIA ASTRÓNOMO BIÓLOGO ASSISTENTE SOCIAL MECÂNICO ENGENHEIRO DE INFORMÁTICA ELECTRICISTA EDUCADORA DE INFÂNCIA PROFESSORA PRIMÁRIA _ POLÍCIA FUTEBOLISTA MÉDICO DENTISTA MECÂNICO ENFERMEIRA ENGENHEIRO INFORMÁTICO COZINHEIRA PSICÓLOGA ASSISTENTE SOCIAL BIÓLOGA ASTRÓNOMO CANTORA PROFESSOR EDUCADORA DE INFÂNCIA EDUCADORA DE INFÂNCIA ARQUITECTA ENGº ELECTROTÉCNICO ENGª ZOOTÉCNICA TERAPEUTA DA FALA

3.ª PROFISSÃO » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » »

FISIOTERAPEUTA TÉCNICO INFORMÁTICA ELECTRICISTA CAMIONISTA SERRALHEIRO CIVIL ENFERMEIRA PSICÓLOGA CARTEIRO CABELEIREIRA _ MÉDICA CABELEIREIRA ILUSTRADORA PROFESSORA PRIMÁRIA _ ASTRÓNOMA BIÓLOGA MARINHA BIÓLOGO MARINHO _ _ _ _ ELECTRÓNICA _ _ _ TOP MODEL MECÂNICO CONSTRUTOR CIVIL FISIOTERAPEUTA _ _ _ MILITAR _ _ PROFESSORA DE DANÇA DIRECTOR DE UM GINÁSIO BIÓLOGA MARINHA JORNALISTA PROFESSORA DE LÍNGUA PORTUGUESA VETERINÁRIO VETERINÁRIA RADIOLOGISTA


Após observar o quadro sobressai três observações: primeiro, os jovens identificaram e escolheram genericamente profissões na mesma área ou agrupamento escolar, tirando algumas excepções, a 1ª, 2ª e 3ª escolha profissional tem a ver com a mesma área. Em segundo, há um número significativo de jovens que não identificaram a 2ª e 3ª escolha profissional. Não temos evidência, nem qualquer tipo de certeza para poder afirmar que, ou indicam apenas uma ou duas escolhas por não possuírem mais referências, ou, pelo contrário, se deve a um certeza quase dogmática referente à escolha de uma profissão que já está identificada e com uma certeza quase absoluta. Seria interessante aprofundar o conhecimento em torno das profissões para conhecer os maiores motivos de interesse, as dificuldades esperadas, as pressões, as referências de profissionais, etc. mas isso talvez para um estudo posterior. Em terceiro lugar, é curioso notar uma característica nestas respostas ao nível da escolha de áreas ou agrupamentos, isto é, há alguns jovens que escolhem as três profissões dentro da mesma área, mas se observarmos com alguma atenção, constatamos que há muitos jovens onde tal não acontece, assim escolhem profissões do agrupamento 1, seguida de profissões do agrupamento 3, alternando entre ciências e humanidades... Este facto denota uma certa inconstância e insegurança face às várias alternativas escolares, formativas e profissionais. A primeira profissão identificada pelos jovens é a profissão mais importante porque é a essencial e a preferida pelos jovens que responderam ao questionário, apesar da se-

gundo e terceira escolha ser importante, a primeira é de facto a mais importante. Contudo, importa conhecer a segunda e terceira opção para saber se os jovens têm várias escolhas e potenciais percursos de vida socio-económica mais ou menos definidos. Dentro da profissão escolhida em primeiro lugar, há 6 profissões em destaque: educadora de infância foi a principal escolha para 10% dos inquiridos, neste caso o género corresponde totalmente ao feminino, há portanto alguma evidência na escolha desta profissão por parte das raparigas. A segunda profissão com forte destaque é mecânico7, com efeito, 8% optaram por identificar esta profissão, há a fazer uma ressalva porque há um rapaz cuja escolha passa por ser engenheiro mecânico. Também a profissão de informático foi alvo de escolha de alguns jovens, na verdade, 8% dos jovens identificaram esta profissão para o seu futuro profissional8. Uma referência particular para o facto de 8% dos jovens terem escolhido a profissão de veterinário como a profissão por si idealizada. A profissão de professora de educação física foi escolhida por 5% dos respondentes, como curiosidade refira-se que as respostas neste sentido foram todas obtidas no género feminino. Finalmente, “last but not the least” um destaque para a profissão de pediatra ter sido escolhida por 5%, equivalente a três jovens, contudo, registamos mais alguns jovens interessados em trabalhar em profissões relacionadas com crianças, por exemplo, a profissão de auxiliar de infância. A primeira escolha não evidencia a necessidade de formação universitária, mas sobretudo formação técnica.

7 Num estudo efectuado pelas Associação Terras Dentro (FRAGOSO, 2001: 132) sobre a escolaridade obrigatória nos concelhos de Alcácer do Sal, Alvito, Cuba, Portel e Viana do Alentejo, a área de formação preferida foi também “Mecânica”. Como nota de curiosidade, as áreas de formação “Costura” e “Hotelaria” foram também mencionadas, porém, apesar de em Arraiolos ter um passado e presente virado para os Tapetes de Arraiolos, no estudo que aqui apresentamos, o Artesanato não foi uma opção mencionada por parte dos jovens, talvez pelo facto de ser um sector actualmente a atravessar algumas dificuldades. Sobre a Hotelaria, importa destacar as intenções traduzidas no Plano de Acção da Agenda 21 de Arraiolos em termos de formação e qualificação de mão de obra para trabalhar no sector turístico. 8 Durante os anos de 2004 e 2005 foram desenvolvidas várias actividades de informação e sensibilização, numa parceria entre o Monte e a Escola Cunha Rivara, para a área das Tecnologias de Informação e Comunicação, nomeadamente ensinar os jovens a executarem trabalhos utilizando o programa informático “Flash” para animações.

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Relativamente à segunda profissão, foi solicitado aos jovens para identificarem a profissão alternativa para além da primeira escolha, isto é, a segunda profissão que gostava de ter. Também aqui verificamos o interesse de algumas jovens em seguir a profissão de educadora de infância, concretamente 5%. A profissão de bióloga foi escolhida por 5% dos jovens, neste caso, correspondeu apenas a jovens do sexo feminino. Há ainda a ressalvar o facto de existirem algumas jovens com pretensão de vir a ser professoras (primárias). A profissão de mecânico obteve também aqui uma expressão significativa, com efeito, dois rapazes querem vir a ser mecânicos. Curiosamente, dois jovens gostariam de vir a ser no futuro astrónomos. Uma nota para a escolha da profissão de enfermeira por parte de duas raparigas. Por último, as profissões relacionadas com a área social, nomeadamente assistente social

e educadora social obtiveram alguma expressão junto dos jovens. No que concerne à terceira profissão que os jovens gostariam de ter, há a destacar mais uma vez a biologia marinha, 5% dos jovens revêm-se nesta profissão. As raparigas também identificaram a profissão de cabeleireira como uma profissão de futuro. Também neste caso, a profissão de professora foi escolhida em três casos, curiosamente, sempre em áreas diferentes, isto é: professora de dança, professora de língua portuguesa e professora primária. A profissão de fisioterapeuta foi escolhida por dois jovens.

Representação do género na escolha profissional Como resultado do estudo, uma dimensão importante tem a ver com a desagregação das escolhas profissionais por género. Uma das conclusões essenciais a retirar prendese com o facto de haver algumas jovens do sexo feminino a pretender exercer no futuro profissões tradicionalmente exercidas por homens, por exemplo militar, mecânica, polícia e professor de educação física. A situação inversa não se verifica, já que as profissões normalmente exercida por mulheres, não foram no âmbito deste estudo uma opção escolhida pelos jovens do sexo masculino; aqueles mostraram algumas reservas na escolha de profissões exercidas habitualmente por mulheres, por exemplo,

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educadora de infância, professora, etc. A escolha dos rapazes traduziu-se essencialmente em profissões relacionadas com as áreas das ciências e das tecnologias, enquanto as raparigas, apesar de também haver muitas interessadas naquelas áreas, verificamos que a área das humanidades e da acção social continua a ser bastante relevante nas suas opções escolares, formativas e profissionais.


Razões de escolha das profissões Neste ponto iremos debruçar-nos sobre as principais razões invocadas pelos jovens na escolha das profissões. A principal razão na escolha das profissões foi para os jovens inquiridos no âmbito deste estudo, o facto de se interessarem por este tipo de trabalho, efectivamente 69% optaram por esta opção. A opção mais escolhida em segundo lugar, tem a ver com a remuneração, com o facto do rendimento obtido no exercício daquelas funções, isto é, ganhar bem, 36% dos inquiridos optaram por este item9. E

finalmente, o facto de ter capacidade para trabalhar na área escolhida, foi a opção escolhida por 30% dos jovens escolhidos. No que concerne às razões com menor peso nas escolhas profissionais dos jovens há a mencionar o seguinte: 71% disseram não saber as razões das escolhas profissionais; 69% indicaram as razões como outras e, por último, 67% recusaram a opção que indiciava a escolha da profissão porque não precisam de estudar muito.

Percurso para seguir as escolhas profissionais O “caminho faz-se caminhando”, por isso, os jovens vão ter de traçar um percurso para seguir as escolhas por si efectuadas, assim, importa atender ao trajecto escolar e formativo previsto pelos próprios jovens para chegar às metas profissionais estabelecidas. De acordo com as respostas obtidas, concluímos a vontade da maioria dos jovens pretenderem seguir para a Universidade, por conseguinte, 18 jovens pretendem fazer este trilho. Na região do Alentejo há uma considerável oferta relativamente ao ensino superior, com efeito, há ensino superior público, universidade em Évora, ensino politécnico em Beja e Portalegre; universidade privada em Beja. Mas também a opção de seguir um curso profissional e fazer o 12º ano obteve valores consideráveis, efectivamente, 9 jovens estão nesta situação. E, por fim, o estudo obteve 7 jovens que ainda não sabem o percurso escolar e formativo futuro. 9

Por outro lado, os percursos que os jovens, na sua maioria, não querem vir a seguir são: 43 jovens não querem fazer o 12º ano numa escola artística especializada; recusam fazer uma acção de formação 43 jovens e, finalmente, 42 jovens não querem seguir um curso tecnológico para fazer o 12º ano. A esmagadora maioria dos jovens pensam fazer o secundário, com efeito, 69% dos jovens de Arraiolos inquiridos querem fazer o ensino secundário. Contudo, apenas 7% dizem não pensar fazer o ensino secundário. Um quarto dos jovens inquiridos não responderam a esta questão, para efeitos metodológicos estas são respostas inválidas.

Isto é uma ideia que os jovens têm sobre o assunto, no fundo, trata-se de uma representação.

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Continuar os estudos! Onde? Em relação ao local onde os jovens pensam fazer o ensino secundário, obtivemos os seguintes resultados: 19 jovens querem fazer o secundário na Escola Cunha Rivara EB 2,3 de Arraiolos. Os jovens que querem ir para o ensino secundário em Évora são 6. Uma nota para um aluno que gostaria de ir para a Escola Profissional da Região de Évora. Há também 1 aluno que pretende ir para a Bélgica. E por último, destaque para o facto de 9 jovens terem dito que ainda não sabem onde pensam fazer o secundário. Atendamos agora à escolha dos jovens por áreas escolares. Importa dizer que existe um latente equilíbrio entre as áreas, na verdade, não se verifica uma hegemonia de qualquer agrupamento/curso10 em relação aos outros. A acção social foi escolhida por 6 jovens, porém, as ciências sociais e humanas foram escolhidas por 3 jovens. Seis jovens revelaram alguma ignorância quando afirmaram querer seguir o agrupamento e/ou curso da área “científicahumanística”, ora como sabemos esta junção não existe e por isso não passa de ficção, por conseguinte, denota-se aqui sérios problemas de informação e conhecimento. No que se refere à ciência e tecnologia, este agrupamento foi escolhido por 7 jovens. Apesar de Arraiolos ser um concelho onde o artesanato e as artes estão profundamente enraizadas, o agrupamento / curso das artes foi somente escolhido por 2 jovens. Mas também houve jovens a dizer que querem ir para curso de electricista/mecânico; outro jovem quer seguir um curso profissional. Para finalizar, resta mencionar o facto de existirem 3 jovens indecisos no que se prende com a escolha do agrupamento / curso, nota-se portanto alguma indefinição.

10 De acordo com o glossário da publicação DUARTE, 2003: 261 “agrupamento de disciplinas” define-se por: “Conjunto de disciplinas dos cursos do ensino secundário organizados segundo uma dominante do conhecimento científico, em quatro agrupamentos: Científico-natural; Artes; Económico-social; Humanidades”. 11 Atenção porque há jovens que identificaram as profissões que gostavam de exercer no futuro (por exemplo: médico veterinário e polícia), contudo, não identificaram as profissões dos pais. 12 Existem dois jovens com pais com a profissão identificada.

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Quadro n.º 10: Profissão escolhida em primeiro lugar pelos jovens e profissões dos pais11 PROFISSÃO DO PAI

PROFISSÃO DA MÃE

JARDINEIRO OPERÁRIO PRINCIPAL PEDREIRO TRABALHADOR RURAL REFORMADO COMERCIANTE SERRALHEIRO PEDREIRO PEDREIRO COZINHEIRO EMPREGADO DE BALCÃO (2) PEDREIRO (2) COMERCIANTE MOTORISTA

DOMÉSTICA DESEMPREGADA DESEMPREGADA DOMÉSTICA DOMÉSTICA DOMÉSTICA CAIXEIRA EMPREGADA FABRIL ASSISTENTE MÉDICA DOMÉSTICA COMERCIANTE COZINHEIRA EMPREGADA BALCÃO EMPREGADA FABRIL EMPREGADA REFEITÓRIO ESTUDANTE EMPREGADA FABRIL EMPRESÁRIA FUNCIONÁRIA PÚBLICA TAPETEIRA _ DOMÉSTICA AJUDANTE DE COZINHA PROFESSORA 1º CICLO DESEMPREGADA DOMÉSTICA DOMÉSTICA TAPETEIRA DOMÉSTICA DOMÉSTICA AUXILIAR DE SERVIÇOS GERAIS DOMÉSTICA COZINHEIRA DOMÉSTICA ENGª ZOOTÉCNICA COMERCIANTE COZINHEIRA TRABALHADORA CÂMARA COMERCIANTE TRABALHA NUM LAR DOMÉSTICA EMPREGADA DE QUARTOS TAPETEIRA _

12

TRATORISTA VIGILANTE CARTEIRO FUNCIONÁRIO PÚBLICO TALHANTE TRABALHADOR RURAL COMERCIANTE FUNCIONÁRIO PÚBLICO PEDREIRO AGRICULTOR REFORMADO AGRICULTOR MARCENEIRO TALHANTE CONSTRUÇÃO CIVIL TÉCNICO ELECTRÓNICO AGRICULTOR TRABALHADOR RURAL TÉCNICO FARMÁCIA COMERCIANTE PASTOR PEDREIRO COMERCIANTE VAQUEIRO AGRICULTOR PEDREIRO SERVENTE TRABALHADOR RURAL

PROFISSÃO ESCOLHIDA EM 1º LUGAR PELO(A) JOVEM GUARDA NACIONAL REPUBLICANA ACTRIZ ADVOGADA ASSISTENTE SOCIAL AUXILIAR DE INFÂNCIA BIÓLOGO BIÓLOGO MARINHO BRIGADA DE TRÂNSITO CANALISADOR DESENHADORA EDUCADORA DE INFÂNCIA _ _ _ _ _ ELECTRICISTA ENG.º AGRÍCOLA ENG.º INFORMÁTICA _ _ ENG.º MECÂNICO ESTILISTA FISIOTERAPEUTA HISTORIADOR INFORMÁTICO JORNALISTA MECÂNICO _ _ MECÂNICO DE AUTOMÓVEIS _ PEDIATRA _ _ PROFESSOR EDUCAÇÃO FÍSICA _ _ TÉCNICO INFORMÁTICA _ VETERINÁRIA _ _ _

Fonte: Inquérito por questionário projecto CASA rede de solidariedades 47


Como é possível visualizar, as profissões escolhidas em primeiro lugar pelos jovens não são semelhantes às profissões dos pais, há claramente uma ruptura com a profissão exercida pelos pais dos jovens. Concluímos que as profissões que os filhos idealizam para si, não são as mesmas profissões exercidas pelos pais, porque se assim fosse, seriam no geral, profissões com baixas qualificações e baixa remuneração. Por isso, os filhos conhecem as profissões dos pais e querem para si profissões com maior qualificação, outro tipo de competências e genericamente maior remuneração.

Potenciais dificuldades no trajecto do percurso profissional As histórias de vida têm pelo caminho dificuldades e obstáculos, neste estudo uma das questões importantes tem a ver com a identificação das principais dificuldades diagnosticadas pelos jovens, bem como os aspectos que eles não consideram dificuldades relevantes no percurso formativo e profissional. A principal conclusão a retirar prende-se com o facto de muitos jovens apontarem como principal obstáculo o facto de não ter média para entrar na Universidade, neste caso 49% dos jovens inquiridos manifestaram este como o principal constrangimento para seguir a profissão desejada. O segundo factor impeditivo, tem a ver com os jovens mostrarem preocupação com a possibilidade de não ter capacidades, nem aptidões para obter sucesso na formação e no desempenho da profissão idealizada. No que concerne às dificuldades e obstáculos que os jovens entendem ser menos importantes e impeditivas para seguir as profissões idealizadas são: por um lado, a família não é encarada como uma dificuldade, senão vejamos: 98% dos jovens inquiridos disseram que o facto da família não gostar da profissão que eles querem, não é um factor impeditivo para seguirem aquela mesma profissão. Por outro lado, o poder económico dos pais não é na opinião dos jovens um obstáculo, 87% disseram que na eventualidade dos pais não terem dinheiro para os apoiar economicamente, não deixam de seguir o percurso profissional por si pretendido. Não podemos deixar de questionar como os jovens vão conseguir dinheiro para realizar os desejos formativos e profissionais, será que vão trabalhar numa qualquer actividade para juntar os recursos económicos necessário? Ou será que vão tornar-se trabalhadores-estudantes? No quadro deste estudo, não conseguimos responder a esta questão, contudo deixamos esta pergunta para posteriores investigações.

48


COMPORTAMENTO ENTRE VARIÁVEIS Nas linhas seguintes fazemos um cruzamento entre variáveis. Neste caso tomamos algumas variáveis por dependentes e outras por independentes, no fundo, existem variáveis que ajudam a explicar o comportamento de outras. Apesar de em termos metodológicos não optarmos pela utilização de medidas estatísticas de correlação entre variáveis, deixamos nas páginas seguintes alguns quadros com cruzamentos entre variáveis.

L O C A L I D A D E

Quadro n.º 11: Repetência por freguesia

ARRAIOLOS VIMIEIRO IGREJINHA SABUGUEIRO SÃO PEDRO GAFANHOEIRA GRAÇA DO DIVOR PAVIA ALDEIA DA SERRA ILHAS

TOTAL

SIM 5 5 4 3 1

REPETÊNCIA NÃO 22 5 1 4

1

1 1

1 1 21

1 35

TOTAL 27 10 4 4 5 2 1 1 2 56

Fonte: Inquérito por questionário

Quadro n.º 12: Repetência e transporte para a escola

TRANSPORTE PARA A ESCOLA

REPETÊNCIA

TOTAL

A PÉ AUTOCARRO CARRO TÁXI

SIM 3 16 1 2 22

NÃO 10 17 8 1 36

TOTAL

Ao atender ao número de repetências dos inquiridos por freguesias, obtivemos alguns aspectos interessantes: a taxa de repetência dos jovens inquiridos de Arraiolos é baixa; a taxa de repetência de jovens inquiridos da igrejinha e Sabugueiro é elevada; entre os jovens inquiridos do Vimieiro, apesar de haver algumas repetências, há também um considerável número de aprovações. Cruzando as variáveis dependente repetência com a variável independente freguesia ou localidade, obtemos alguns resultados interessantes. Dos jovens que responderam ao questionário, observamos que a freguesia/localidade onde residem os jovens com maior número de repetências relativas corresponde à Igrejinha (4 repetências e nenhuma transição de ano) e ao Sabugueiro (3 repetências e 1 transição). Mas também o Vimieiro (5 repetiram e 5 transitaram) e Arraiolos (5 repetiram e 22 transitaram) apresentam uma taxa de repetência considerável.

13 33 9 3 58

Fonte: Inquérito por questionário

projecto CASA rede de solidariedades 49


Quadro n.º 13: Transporte por freguesia

L O C A L I D A D E

ARRAIOLOS VIMIEIRO IGREJINHA SABUGUEIRO SÃO PEDRO GAFANHOEIRA GRAÇA DO DIVOR PAVIA ALDEIA DA SERRA ILHAS

TOTAL

A PÉ 14

14

TRANSPORTE PARA A ESCOLA CARRO AUTOCARRO 7 8 9 3 4 2 2 2 1 1 2 32

9

TAXI

1

TOTAL 29 10 4 4 5

3

2 1 1 2 58

1 1

Fonte: Inquérito por questionário

Verificamos que as repetências ocorrem sobretudo em jovens que se fazem transportar de autocarro. Retiramos daí a seguinte ilação, os jovens com residência mais distante e isolada, têm maiores probabilidades de insucesso escolar, efectivamente, entre os jovens que usam o autocarro e até mesmo o taxi, a taxa de repetência é mais elevada face aqueles que vão a pé ou de carro para a escola. Como é óbvio, o meio de transporte não explica totalmente o insucesso escolar, contudo é um indicador para situações de isolamento e interioridade a que alguns jovens são sujeitos. Por exemplo, Santa Justa, uma freguesia do concelho de Arraiolos tem presentemente apenas uma criança a estudar no 1.º ciclo. Da correlação entre as freguesias/localidades com o meio de transporte utilizado pelos jovens para se deslocarem para a escola verificamos o autocarro enquanto meio de transporte preponderante para as deslocações. Verificamos que o autocarro é um meio de transporte transversal a todos os jovens e localidades, isto é, este meio de transporte é utilizado por jovens de todas as freguesias e localidades. A utilizar o automóvel, há a mencionar sete jovens de Arraiolos e dois de São Pedro da Gafanhoeira. Por último, uma nota para os três jovens que usam o taxi como meio de transporte, estes vivem em locais isolados e distantes.

SE XO

Quadro n.º 14: Causas de repetência por género

TOTAL

MASCULINO FEMININO

CAUSAS DE REPETÊNCIA FALTA DE DESMOT./ DIF. DE ESTUDO DESINT. APREND. 8 4 1 5 1 3 13 5 4

Fonte: Inquérito por questionário

50

TOTAL

13 9 22


Observando as causas de repetência com o género, constatamos que a principal causa de repetência dos rapazes é a falta de estudo, oito rapazes identificaram esta como a principal causa para o insucesso escolar. A desmotivação/desinteresse foi uma causa apontada por um número significativo de jovens do sexo masculino. Curiosamente apenas um dos rapazes disse ter dificuldades de aprendizagem. Pelo contrario, registamos algumas raparigas a afirmarem ter dificuldades de aprendizagem, assim como por falta de estudo. Contrariamente à situação dos rapazes, a desmotivação/desinteresse não foi apontada como uma causa significativa entre as raparigas. Quadro n.º 15: Repetência e influência dos pais

REPETÊNCIA

INFLUÊNCIA DOS PAIS

TOTAL

SIM NÃO

NENHUMA 1 4 5

POUCA 3 1 4

TOTAL

ALGUMA 6 16 22

MUITA 12 14 26

22 35 57

Fonte: Inquérito por questionário

No que diz respeito à repetência dos jovens, pensamos ser relevante cruzar os jovens que repetiram com a influência exercida pelos pais. Neste contexto, os jovens que repetiram o ano escolar sentem mais a influência dos pais. Por um lado, a esmagadora maioria dos jovens que repetiram, dizem sentir que a influência dos pais é muita. Por outro lado, apesar de muitos jovens que até ao momento não repetiram o ano escolar terem dito que a influência dos pais é muita, a maioria entende que a influência dos pais é alguma. Independentemente dos jovens terem repetido ou não o ano escolar, concluímos que os jovens de Arraiolos sentem bastante a influência dos pais, mas também da família, apesar de não ser assim tão evidente. A influência dos pais é bastante sentida pe-los jovens independentemente do sexo dos jovens, com efeito, tanto os rapazes como as raparigas dizem haver alguma ou muita influência por parte dos seus próprios pais.

CAUSAS DE REPETÊNCIA

Quadro n.º 16: Número de irmãos e causas de repetência

FALTA DE ESTUDO DESMOTIVAÇÃO/DESINTERESSE DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM

TOTAL

0 1 1 2

1 9 1 3 13

NÚMERO DE IRMÃOS 2 3 1 1 1 1 2 2

TOTAL 4 2

2

13 4 4 21

Fonte: Inquérito por questionário

Os jovens com apenas um irmão, assim como os jovens com quatro irmãos apontam a falta de estudo como a principal causa de repetência. As dificuldades de aprendizagem são sentidas sobretudo por jovens com um irmão. Já quanto à desmotivação/desinteresse é mais transversal, independentemente do número de irmãos, porém, esta causa não apresenta evidências fortes consoante varia o número de irmãos. projecto CASA rede de solidariedades 51


- TECIDO EMPRESARIAL E INDUSTRIAL POUCO DESENVOLVIDO E MODERNIZADO - BAIXO NÍVEL DE EMPREENDEDORISMO E CRIAÇÃO DE AUTO-EMPREGO - ÍNDICES DE POBREZA E EXCLUSÃO SOCIAL 13 - DIFICULDADES ATRAVESSADAS PELO SECTOR DOS TAPETES DE ARRAIOLOS - POUCOS LICENCIADOS E FORMAÇÃO MÉDIA

- PATRIMÓNIO CULTURAL E AMBIENTAL - POTENCIAL DAS TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO - EXISTÊNCIA DE ESPAÇOS INTERNET PARA OS JOVENS - ASSOCIATIVISMO JOVEM - OFICINAS DE EXPERIMENTAÇÃO PROFISSIONAL - ESTÁGIOS DE EXPERIMENTAÇÃO EM CONTEXTO DE TRABALHO - APRENDIZAGEM INFORMAL ADQUIRIDA POR EXPERIÊNCIA AO LONGO DA VIDA (RECONHECIMENTO, VALIDAÇÃO E CERTIFICAÇÃO DE COMPETÊNCIAS)

- BAIXAS QUALIFICAÇÕES ESCOLARES E COMPETÊNCIAS PROFISSIONAIS - EMPREGO PRECÁRIO - DESERTIFICAÇÃO, ISOLAMENTO E BAIXA DENSIDADE POPULACIONAL NAS FREGUESIAS MAIS DISTANTES 14 - DUPLO ENVELHECIMENTO DA POPULAÇÃO (NA BASE E NO TOPO) - ELEVADO ÍNDICE DE DEPENDÊNCIA TOTAL - ABANDONO, INSUCESSO E ABSENTISMO ESCOLAR - BAIXA TAXA DE COBERTURA DOS ATL’S (SOBRETUDO NAS FREGUESIAS RURAIS) - INADEQUAÇÃO DE ALGUNS HORÁRIOS/PERÍODOS DE FUNCIONAMENTO DOS ATL’S - DESCONTINUIDADE NA PRESTAÇÃO DE ALGUMAS RESPOSTAS OU INTERVENÇÕES SOCIAIS (POR EXEMPLO INTERVENÇÃO PRECOCE) - DESFASAMENTO ENTRE OS REQUISITOS DE ENTRADA PARA ALGUMAS PROFISSÕES E AS PERSPECTIVAS QUE DETÉM EM APRENDÊ-LAS OU DESEMPENHÁ-LAS - REDE DE TRANSPORTES COLECTIVOS CONDICIONA O ACESSO À FORMAÇÃO PROFISSIONAL PELA INCOMPATIBILIDADE DE HORÁRIOS - ELEVADO CONSUMO DE TABACO E ÁLCOOL JUNTO DE JOVENS E ADULTOS - TAXA DE DESEMPREGO ELEVADA, SOBRETUDO FEMININO, COM BAIXA ESCOLARIDADE E JOVENS À PROCURA 1º EMPREGO - EXISTÊNCIA DE ALGUMA IMIGRAÇÃO CLANDESTINA

AMEAÇAS

FRAQUEZAS

FORÇAS

- QUALIDADE DE VIDA NO CONCELHO - BOA POSIÇÃO GEOGRÁFICA - RESTAURAÇÃO LIGADA AO TURISMO - DINAMISMO CULTURAL, DESPORTIVO E ACTIVIDADES DE LAZER - TRANSPORTE RODOVIÁRIO ESCOLAR - FRACA CRIMINALIDADE E MARGINALIDADE (INEXISTÊNCIA DE CONFLITOS ÉTNICOS) - BOAS RELAÇÕES DE PARTENARIADO - REFEIÇÕES GARANTIDAS AOS ALUNOS - CONTROLO SOCIAL POSITIVO - INEXISTÊNCIA PESSOAS SEM-ABRIGO - ENTRADA DE IMIGRANTES (ESTABILIZAÇÃO DA TAXA DE ATRACÇÃO) - LOTEAMENTOS DE TERRENOS PELA AUTARQUIA E BOA ACESSIBILIDADE AOS EDIFÍCIOS - VALÊNCIAS SOCIAIS PRESTADAS POR MISERICÓRDIAS E I.P.S.S.

OPORTUNIDADES

Quadro n.º 17: Análise SWOT - Forças, Fraquezas, Oportunidades, Ameaças

Nota: esta matriz foi elaborada com base no Diagnóstico da Agenda 21 Local de Arraiolos e Diagnóstico Social do concelho de Arraiolos. 13

Ver o estudo do Instituto da Segurança Social, I.P. apresentado em 2005 denominado “Tipologias territoriais de Pobreza e Exclusão Social em Portugal e desafios para as Políticas Sociais” em http://www.seg-social.pt. No despacho n.º 24/2005 (2.ª série), o concelho de Arraiolos foi considerado um território identificado como prioritário em termos de intervenção. 14 De acordo, com a Portaria n.º 1467-A/2001, Arraiolos é considerado um concelho que sofre de problemas de interioridade.

52


Quadro n.º 18: Esquema lógico de interacção e organização social

Com este esquema pretendemos esquematizar as relações entre três dimensões, através do ciclo e evolução do contexto pessoal e familiar destes jovens. Apesar das dinâmicas e as consequências serem entendidas no seu conjunto e com alguma lógica causal, não nos proibimos de tentar estabelecer algumas rupturas entre as dimensões, inclusivamente o factor tempo. Assim, a escolaridade e as profissões dos pais fazem parte de um passado/presente que explica de algum modo a forma como os jovens olham para a realidade, e também algumas condicionantes (ou não) ao desenvolvimento sócio-educativo e integração dos jovens nos grupos e na sociedade. Porque no geral, neste contexto, a formação escolar dos pais é baixa, partimos apenas das dificuldade15. A formação, em especial o percurso e as necessidades dos jovens são explicadas pelo passado/presente dos pais, isto é, a dimensão histórica está neste caso presente e condiciona as representações dos jovens acerca do mundo laboral, emprego e forma-

ção profissional. São presentemente reveladas as expectativas e representações dos jovens para o futuro em termos profissionais. A Escola, enquanto agente de socialização desempenha um lugar central na educação e na formação dos jovens, desempenha um papel chave no desenvolvimento das crianças e jovens, inclusivamente no seu próprio imaginário16. Relativamente ao futuro, os jovens falam apenas de suposições e expectativas, certamente, alguns não vão conseguir realizar os seus objectivos em termos profissionais. Porém, alguns jovens vão ter a profissão que gostariam de vir a ter, neste caso, destacamos os jovens que colocaram as profissões onde as exigências escolares e formativas não são tão elevada, mas não esqueçamos a necessidade de planeamento integrado, onde o social, económico e ambiental actuem em harmonia com os princípios de Desenvolvimento Sustentado.

15

Pensamos que seria recomendável elaborar um estudo para compreender as facilidades e as trajectórias de classe entre as pessoas de classes sociais mais elevadas. 16 Quando se trata de crianças as profissões são sempre muito ambiciosas e por vezes fora do comum, por exemplo, astronauta ou algo similar; contudo, pensamos que também há muitas crianças que quando lhes perguntam o que querem ser quando forem grandes, respondem que querem ser bombeiros, condutores de máquinas, polícia, etc., ou seja, profissões consideradas comuns. Normalmente, chegados à adolescência ou juventude, mudam de interesses e as profissões, grosso modo, das duas uma: ou as profissões desejadas mudam radicalmente; ou então, os jovens permanecem teimosamente indefinidos face à profissão pretendida.

projecto CASA rede de solidariedades 53


RECOMENDAÇÕES E CONCLUSÕES Num próximo estudo, a realizar futuramente, pensamos de todo relevante estudar quais são os principais factores de influência e pressão junto dos jovens na escolha das respectivas profissões, no fundo, aprofundar os principais obstáculos e dificuldades na escolha das profissões. Esta questão deverá estar relacionada e articulada directamente com as questões do insucesso, abandono e absentismo escolar dos jovens17. No estudo “A situação dos jovens alunos em matéria de drogas e toxicodepedência, tempos Livres, expectativas profissionais e de educação” foram identificadas as expectativas irrealistas de alguns jovens do concelho de Arraiolos. Com este estudo chegamos à conclusão que existem de facto alguns jovens com expectativas elevadas face ao seu potencial e algo desfasadas da realidade. Recomendamos por isso, um aumento na informação e na necessidade formativa para exercer certo tipo de profissões, pensamos ser necessário uma campanha de informação concelhia concertada entre os agentes competentes em matéria de educação, formação e emprego. Uma das boas práticas a disseminar está relacionada com o planeamento, alguns concelhos estão a elaborar a respectiva Carta Educativa. A Carta Educativa do concelho de Arraiolos já está em fase de conclusão. Importa por isso, valorizar este instrumento e aproveitar o potencial deste documento para intervir de modo consistente, planeado e integrado, de modo a rentabilizar os 17

recursos e potencialidades locais. Uma das necessidades diagnosticadas para Arraiolos pelos técnicos e vários diagnósticos efectuados, dizem respeito à abertura entre a escola e a comunidade. Em 2003, foi feito pela Rede Social em Arraiolos um workshop para técnicos com intervenção naquele concelho. Um dos principais problemas identificados foi a falta de abertura da escola à comunidade, respectivamente: “A Escola ainda se isola muito da comunidade”. No fundo, o objectivo mais importante seria proporcionar oportunidades às crianças para desenvolverem uma mentalidade aberta à cultura e encontrar pontes entre a escola e comunidade. De facto, é importante haver actividades partilhadas entre estes dois agentes de socialização, mas a questão da inovação em termos de formação é fundamental para a progressão escolar e profissional, nesse sentido, o sistema de educação-formação deverá ser criativo e renovar os modelos de desenvolvimento escolar e profissional18. Este estudo visa o planeamento enquanto forma de construção da acção colectiva, porém, esbarra com um aspecto importante que é tratar-se sobretudo de representações e expectativas, no fundo, os jovens exprimem os seus sonhos e vontades de, um dia vir a ser... São poucos os alunos interessados em frequentar acções de formação profissional e/ ou cursos tecnológicos, com efeito, a maior parte quer ir para as Universidades e não para o Ensino Politécnico.

Necessidade de realizar o estudo “Abandono, insucesso e absentismo escolar dos jovens em Arraiolos” expressa no Plano Desenvolvimento Social de Arraiolos produzido pelo Conselho Local de Acção Social de Arraiolos, no âmbito da Rede Social de Arraiolos e no Plano de Acção da Agenda 21 de Arraiolos. 18 “A rede escolar não potencia todos os mecanismos de inovação criados nos anos mais recentes e a oferta de ensino secundário disponível continua a estruturar-se na velha dicotomia de opções no ingresso ao ensino superior...” (PEDROSO, 1998: 200).

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Em alguns jovens nota-se algum desajustamento entre querer e poder, ou seja, têm expectativas elevadas face às suas reais capacidades reais. Desconhecem as profissões que necessitam de formação profissional, assim como aquelas que necessitam de habilitações de nível superior. Alguns jovens pensam chegar a certas profissões através de uma acção de formação profissional, em vez de percorrer um trajecto escolar universitário ou politécnico. A nossa sociedade é marcada pelo desencantamento e racionalização, e por isso desenvolveu o conhecimento científico em detrimento de outros conhecimentos mais especulativos e discursivos. Porém, mesmo assim há desfasamento entre as reais necessidades do mercado de trabalho (oferta) e as competências e qualificações dos jovens (procura). De acordo com o observado por Paulo Pedroso, à medida que se evolui em cada ciclo, a ambição de ter uma percurso universitário, ou académico, aumenta. Assim percebemos que, no 9.º ano há mais vontade em querer ir para um curso universitário do que no 7º ou 5º ano19. Também no decurso deste estudo constatamos o interesse de muitos jovens em vir a frequentar o ensino superior em detrimento de acções de formação e cursos tecnológicos. Recomendamos para o futuro fazer um trabalho de investigação sobre o modo como os jovens distinguem o instituto politécnico do ensino ministrado das universidades20.

Atenção porque há um grupo correspondente aos “conformados” que frequentam o ensino secundário mas não têm expectativas escolares elevadas, contudo, para aqueles, o sistema escolar não oferece alternativas de inserção profissional. Seria interessante estudar se os jovens gostariam de ficar em Arraiolos, ou se pelo contrário, pensam deslocar-se para outra região ou localidade. E se sim, porquê? Por obrigação ou por escolha própria? E será que sairiam mais os jovens de Arraiolos concretamente, ou os do povoamento disperso das freguesias? Quais são os valores, prioridades e identidades culturais dos jovens? Uma finalidade com este estudo é fazer planeamento prospectivo, nesse sentido, importa articular uma série de olhares e representações acerca de objectos. Nesse sentido, os resultados obtidos na primeira parte deste estudo cruzam-se com os resultados da segunda parte do estudo “Levantamento, características e necessidades das empresas do concelho de Arraiolos”. De um modo geral, os jovens relegados pelo sistema escolar sem qualificação profissional são um dos principais grupos-alvo da formação orientada para a qualificação profissional. Na nossa opinião, pensamos que também os jovens integrados no sistem a escolar devem ter alguma forma de qualificação profissional.

19 “...os projectos escolares consolidam-se à medida que se vai progredindo em cada ciclo, bem como sugere que a maior parte dos estudantes vive o ensino secundário como um trajecto intermédio para o ingresso no ensino superior e não como um trajecto terminal para a inserção profissional” (PEDROSO, 1998: 159). 20 Recomendamos a consulta ao estudo elaborado pelo CIES sob orientação do Professor António Firmino da Costa. Este estudo aborda as condições socio-económicas dos estudantes do Ensino Superior em Portugal.

projecto CASA rede de solidariedades 55


Os estágios de observação de profissionais promovidos pela Escola Básica dos 2º e 3º Ciclos e Secundária Cunha Rivara de Arraiolos são uma iniciativa interessante e seria adequado esperar pelos resultados da sua avaliação. Para o ano lectivo de 2005/2006 a Escola Básica dos 2º e 3º Ciclos e Secundária Cunha Rivara de Arraiolos iniciou dois cursos técnico-profissionais, nomeadamente: Serralharia e Reparação de Material Informático. A duração será, respectivamente, de dois e de um ano. Estes cursos destinam-se a jovens que possuem o sexto ano de escolaridade e certificam aqueles com o 9.º ano. É uma iniciativa interessante e possivelmente responde a alguns problemas, porém, a formação deve ser ao longo da vida e é um trabalho em contínuo, carece pois de acompanhamento individualizado. Em territórios com fraca densidade populacional e com acentuado desemprego, como é o caso de Arraiolos, as iniciativas locais de formação e desenvolvimento socio-económico têm impacto significativo, e por isso, devem ser incentivadas e apoiadas, de acordo com as características, potencialidades e recursos locais. Um número considerável de jovens raparigas gostariam de no futuro exercer a profissão de educadora de infância, porém, o problema demográfico da baixa taxa de natalidade e fecundidade pode vir futuramente a impedir a existência de emprego nesta área social relativa à infância. Porém, tal facto não impede que possam ter essa vontade e vir a exercê-la, nem que seja fora do

21

concelho ou mesmo longe da região. Esse cenário pode ser prejudicial para o desenvolvimento da localidade, porém, podem vir a ser repensados mecanismos de reconversão profissional com gestão partilhada entre as várias entidades responsáveis. Um dos pressupostos deste estudo tem como pilar a diversidade e heterogeneidade, ou seja, a riqueza nas expectativas, motivações e valores dos jovens. Neste pressuposto, este estudo permitiu compreender como se efectiva os juízos de valor e as expectativas dos jovens. Infelizmente, não foi possível com este trabalho aprofundar com o rigor científico exigível as motivações e o modo como estas se processam no processo de desenvolvimento cognitivocomportamental21. Nesse sentido, perante uma situação de perspectivas em vez de trajectos efectivos consolidados, somos levados a pensar numa multiplicidade e panóplia de contextos, circunstâncias e condicionantes várias com consequências nos trajectos pessoais e sociais dos jovens. Também este estudo nos leva a comprovar a existência em Arraiolos de jovens mais materialista e de outros jovens pós-materialistas. Em resumo, o importante é não uniformizar e padronizar os comportamentos, no fundo, a diversidade e a heterogeneidade são factores essenciais para compreender as dinâmicas e os processos de desenvolvimento22. Os pais dos jovens estão a trabalhar no sec-

Sobre a questão do desenvolvimento das crianças e jovens há um trabalho pertinente a ressalvar, nomeadamente, “Avaliação e Intervenção Psicoeducativa nas escolas de Ensino Básico e Secundário do Concelho de Arraiolos”. Devido a obstáculos vários, recomenda uma maior quantidade e qualidade na formação profissional e nas respostas sociais inovadoras a oferecer aos jovens, de modo a permitir a participação dos jovens num processo activo de empowerment, com actividades diagnosticadas, planeadas, executadas e avaliadas com os jovens. 22 “Tal como em todas as restantes dimensões em que podemos compreender e analisar a juventude, no capítulo relativo às suas representações, valores e aspirações devemos assumir sempre a riqueza da heterogeneidade como ponto de partida, porque a heterogeneidade é estruturante e estruturador da condição multiforme, inexorável, da sociedade em que participamos” (SAÚDE, 1998)

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tor primário, mas os filhos gostariam de trabalhar na área dos serviços, ou seja, no sector terciário. A profissão dos pais não explica o facto de os jovens não terem respondido qual é a profissão que gostariam de vir a exercer. “De acordo com a segunda parte deste estudo, nomeadamente “Levantamento, características e necessidades das empresas do concelho de Arraiolos”, o aumento do empreendedorismo ressalta como uma das principais necessidades, da mesma forma, é valorizada a formação orientada para a inovação, empreendedorismo e criação de empresas. Iniciou-se um trabalho interessante com base em parcerias, foram obtidos resultados muito interessantes com a Feira das Profissões, actividades de oficinas e ateliers no âmbito da Bússola Profissional. No quadro do Progride - Programa para a Inclusão e Desenvolvimento23, Arraiolos tem no terreno um projecto denominado “ParticipAR - Inovação para a Inclusão em Arraiolos” promovido pela Autarquia local e executado pelo Monte. Neste projecto destacam-se essencialmente duas acções destinadas a crianças e jovens, a saber: combater a infoexclusão através criação de um Espaço Internet numa localidade da freguesia de Arraiolos, nomeadamente Santana do Campo, bem como promover a certificação através do Diploma de Competências Básicas em Tecnologias de Informação e Comunicação; promover igualdade de oportunidades entre crianças e jovens com a dinamização de ateliers, oficinas de experimentação e orientação vocacional descentralizada por algumas freguesias. Como vimos, é consensual que o melhor caminho para a produtividade das empresas e satisfação profissional passa por desenvolver a formação. Há no concelho duas entidades acreditadas como formadoras24, neste contexto será importante envolver aquelas entidades na qualificação e formação de pessoas, sejam jovens ou adultos, desde que haja aqui um reforço de cidadania, valorização de competências e resposta face às necessidades das empresas, pessoas e território.

23

A entidade gestora do “PROGRIDE - Programa para a Inclusão e Desenvolvimento” é o Instituto da Segurança Social, I.P. A legislação corresponde ao Despacho n.º 24/2005 (2ª série) e n.º 25/2005 (2ª série). 24 Quando aquelas entidades não tiverem as competências necessárias para desenvolver algum tipo de formação, deve haver procura externa de entidades com intervenção fora do concelho com capacidade de know-how necessário para o aumento da produtividade/sustentabilidade concelhia.


Bibliografia AMARO, Rogério Roque (2003). A Luta Contra a Pobreza Exclusão Social. Experiências do Programa Nacional de Luta Contra a Pobreza. Organização Internacional do Trabalho. Programa Estratégias e Técnicas contra a Exclusão Social e a Pobreza. Genebra. ARAÚJO, Liliana (2004). Avaliação e Intervenção Psicoeducativa nas escolas de Ensino Básico e Secundário do Concelho de Arraiolos. Relatório de Estágio Profissional, Arraiolos. BOURDIEU, Pierre (2001). Razões Práticas: Sobre a Teoria da Acção. Celta Editora. CIDM (2003). II Plano Nacional Contra a Violência Doméstica 2003-2006. Resolução aprovada em Conselho de Ministros a 13 de Maio de 2003. CIDM (2000). Colecção “Bem me quer”, n.º 7, Receitas para o Mainstreaming. Diagnóstico Social do Concelho de Arraiolos (2004). Rede Social - Conselho Local de Acção Social de Arraiolos. DUARTE, Lygia Falcão (coord.) (2003). Roteiro das Escolas com Ensino Secundário 2002-2003. Ministério da Educação, Departamento de Avaliação, Prospectiva e Planeamento, Lisboa. DURAND, Jean-Pierre e WEIL, Robert (1997). Sociologie Contemporaine. Éditions Vigot, Paris. FRAGOSO, Francisco (coord.) (2001). Saí da Escola para comprar uns sapatos... Uma perspectiva sobre a escolaridade obrigatória nos concelhos de Alcácer do Sal, Alvito, Cuba, Portel e Viana do Alentejo, Terras Dentro, Alcáçovas. GERALDES, Maria (coord.) (2003). Expectativas profissionais dos Jovens na região do Algarve: Faro, Loulé e Tavira. Fundação da Juventude, Porto. GHIGLIONE, Rodolphe; MATALON, Benjamin (1997). O Inquérito. Teoria e Prática. Celta Editora, Oeiras. GUERRA, Isabel Carvalho (2000). Fundamentos e Processos de uma Sociologia de Acção. Principia, Cascais. IEFP (2003). Caracterização da procura de emprego registada na Região Alentejo em Junho de 2003. Direcção de Serviços de Planeamento Operacional e Controlo de Gestão. INE (2001). Anuário Estatístico da Região do Alentejo 2000. INE (2001). Censos 2001. Resultados preliminares - Região do Alentejo. PALMA, Graça e DIAS, Nelson (2001). Dar Rosto à Intervenção. Os Animadores de Desenvolvimento Local. In Loco, Faro. PEDROSO, Paulo (1998). Formação e Desenvolvimento Rural. Celta Editora, Oeiras. Plano Desenvolvimento Social de Arraiolos (2004). Rede Social - Conselho Local de Acção Social de Arraiolos. Plano Nacional de Emprego 2000, Portugal e a Estratégia Europeia para o Emprego. DEPP Departamento de Estudos, Prospectiva e Planeamento, Ministério do Trabalho e da Solidariedade. Plano Nacional de Emprego 2003-2006 (Versão 2003-09-16). Documento de Trabalho, Ministério da Segurança Social e do Trabalho. Plano Nacional de Acção para a Inclusão Portugal 2003-2005 (2003). Segurança Social. Lisboa. Pré-Diagnóstico Social do Concelho de Arraiolos (2002). Rede Social - Conselho Local de Acção Social de Arraiolos. SAÚDE, Sandra (1998). Os Valores e as Aspirações Profissionais dos Jovens - O caso dos estudantes do Ensino Secundário do concelho de Beja. Tese de Mestrado em Sociologia. Évora, Universidade de Évora. SILVA, Carlos Alberto e SANTOS, Marcos Olímpio dos (coord.) (2003). O impacto da formação profissional no desenvolvimento da Região do Alentejo, e designadamente, na taxa de empregabilidade juvenil. Fundação da Juventude, Porto. VILAÇA, Eduardo Macedo (2004). Jovens Sem Escolhas. Três anos a viver o Programa Escolhas. Edição do autor.

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2ª PARTE: LEVANTAMENTO, CARACTERÍSTICAS E NECESSIDADES DAS EMPRESAS DO CONCELHO DE ARRAIOLOS

projecto CASA rede de solidariedades 59


INTRODUÇÃO O território em estudo é o concelho de Arraiolos, que corresponde à zona de intervenção do Projecto Casa - Rede de Solidariedade, no quadro do Eixo 5 do Programa Operacional de Emprego e Formação Profissional. Neste trabalho procede-se a uma análise regional assente nas estatísticas oficiais disponíveis com o objectivo de identificar o quadro onde se inserem as empresas analisadas. Neste capítulo faz-se a análise da população do concelho, considerando em particular a variação intercensitária 1991 – 2001; a análise das empresas, enquadrando o concelho de Arraiolos na região correspondente à NUT III - Alentejo Central; e as questões do emprego e formação, onde se teve uma preocupação de analisar a situação por géneros. O segundo capítulo corresponde à análise das empresas, onde se encontra analisado o inquérito aplicado às empresas presentes nos parques industriais do concelho de Arraiolos. Neste inquérito analisam-se assuntos como tipo e características gerais da empresa, características da mão-de-obra e necessidades de formação e estratégia da empresa. O terceiro capítulo sintetiza os anterior e faz propostas de intervenção formativa para o concelho de Arraiolos. O elemento central é a análise SOWT de onde parte a proposição de linhas e metas de formação destinadas. Este documento foi elaborado com a preocupação de servir de base à estratégia das entidades formadoras que laboram no concelho de Arraiolos. Esse facto transforma este estudo num estudo mais operacional do que científico. Como se verá adiante, a situação económica de Arraiolos é resultado da ausência de uma dinâmica empresarial relacionado com o envelhecimento populacional e a baixa formação da população. A formação profissional, como mostra o trabalho, deverá orientar-se para o fomento do espírito empreendedor da população, dinamizando a economia e a demografia do concelho.

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ANÁLISE REGIONAL O território em estudo corresponde ao concelho de Arraiolos. O concelho é composto por 7 freguesias e habitado por 7616 habitantes, segundo o Censos 200125. Como se pode verificar pelo Quadro 1 a população do concelho está concentrada na freguesia sede de concelho, e o concelho tem vindo a perder população em todas as freguesias.

LOCALIDADE

Quadro n.º 1: População, variação da população e densidade populacional no Concelho de Arraiolos ZONA EM ESTUDO ARRAIOLOS IGREJINHA SANTA JUSTA SÃO GREGÓRIO GAFANHOEIRA VIMIEIRO SABUGUEIRO CONCELHO DE ARRAIOLOS

1991 3599 824 280 529 679 1770 526 8207

POPULAÇÃO 2001 CRESC. EF. 3549 -50 769 -55 226 -54 396 -133 623 -56 1600 -170 453 -73 7616 -591

VARIAÇÃO -1,4% -7,2% -23,9% -33,6% -9,0% -10,6% -16,1 -7,8%

DENS. POP. (HAB./KM2) 24,1 9,2 5,3 5,3 13,5 6,3 12,7 11,2

A população Verifica-se que o concelho de Arraiolos perdeu população em todas as freguesias, durante o período intercensitário de 1991 e 2001. É também de notar o efeito de períferia que existe nos diferentes ritmos de perda de população entre as freguesias do concelho: a freguesia sede de concelho é a que tem mais população e a que perdeu menos, quer em termos absolutos quer em termos relativos, no período de referência. Esta perda de população varia entre 33% e 1,4% entre as freguesias, fazendo com que a perda global do concelho se cifre em 7,8%. Esta perda de população, embora se esteja a atenuar-se, tem originado um esvaziamento populacional do território que resulta numa baixa densidade populacional: 11,2 habitantes por quilómetro quadrado, cerca de um décimo da média nacional. 25

Para melhor conhecer este decréscimo populacional, distinguiu-se as componentes saldo migratório e crescimento natural na variação total da população do concelho de Arraiolos (Figura 1). Para tal utilizou-se a informação disponível nos Anuários Estatísticos do Alentejo26 , cuja informação só estava disponível a partir de 1996. O problema que se coloca é que o valor de população residente disponibilizado pelo INE para o ano de 1996, foi alcançado por estimativa. Tomando-o como correcto, seríamos levados a afirmar que 72% da redução de população entre 1991 e 2001 aconteceu entre 1996 e 2001 – o que é pouco provável.

INE – Recenseamentos gerais da população e da habitação: dados comparativos 1991 – 2001. [CD-ROM]. Lisboa: INE, 2003. 26 Consultados em www.ine.pt


No entanto, não tendo disponível dados referentes ao número de óbitos e nascimentos no período entre 1991 e 1995, utilizou-se então o valor estimado para fazer a desagregação das componentes da variação de população total nas suas componentes, para o período de 1996 – 2001.

Gráfico n.º1: Variação da população no concelho de Arraiolos, total e componentes crescimento natural e saldo migratório

Como se pode verificar, é o crescimento natural que mais contribui para o valor negativo do crescimento da população de Arraiolos – por cada nascimento houve 1,88 óbitos entre o ano de 1996 e 2001. Considerando que a variação total da população está sobre-avaliada, e que os dados fidedignos que se dispõe dizem respeito ao saldo natural (sendo o saldo migratório correspondente à diferença) pode-se afirmar que a contribuição do saldo para o decréscimo populacional é maior que aquela que a Figura 1 apresenta. A composição da população do concelho de Arraiolos, como mostra a Figura 2, explica bastante o baixo saldo natural do movimento da população entre 2001 e 1991 – um quarto da população tem mais de 65 anos.

Gráfico n.º2: Composição da população do concelho de Arraiolos por grandes grupos de idades e por sexos

Embora o envelhecimento não seja encarado como um problema, ele aparece associado a dois grandes problemas que se manifestam em vários concelhos de Portugal que incluem Arraiolos. Estes problemas são a baixa actividade económica e a redução das taxas de fertilidade e natalidade. De acordo com um trabalho de Ramos e Rodrigues27 este envelhecimento estrutural, e o consequente número de activos por habitante, é a principal razão do baixo PIB per capita do Alentejo.

27

Pedro Nogueira Ramos e Alexandra Rodrigues – Porque é diferente o PIB per capita nas regiões portuguesas.

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As empresas O indicador que se vai analisar resulta da divisão do volume de vendas concelhio registado pelo Instituto Nacional de Estatística em 200228 pela população em idade activa registada nos Censos da População em 2001. Este indicador permite ter uma ideia sobre a criação de riqueza por concelho, ainda que não dê conta dos custos inerentes à geração destes proveitos. A utilização deste indicador permite ordenar os concelhos inseridos na NUT III - Alentejo Central, tendo em conta o volume de vendas por activo, que pode ser tomado como indicador da riqueza gerada.

Gráfico n.º3: Valor das vendas das empresas e empresas por habitante em idade activa e concelho

Como se pode verificar, Arraiolos é um dos concelhos com menos volume de vendas por população em idade activa, ficando em décimo lugar entre os concelhos do Alentejo Central. Esta posição que apenas deixa quatro concelhos em um valor mais baixo deste indicador (Alandroal, Mourão, Portel e Viana do Alentejo) mostra o baixo dinamismo económico das empresas do concelho, mas também a atracção que o concelho de Évora faz sobre os concelhos vizinhos. Aliás o elevado valor do volume de vendas das empresas de Évora por população em idade activa recenseada pode, em muito, justificar-se pelas migrações pendulares dos concelhos vizinhos em reforçam a trabalho disponível neste concelho. Isto é, a criação de riqueza no concelho de Évora beneficia das deslocações pendulares do habitantes dos concelhos vizinhos. A Figura 4 foi elaborada colocando em eixo das ordenadas o número de empresas e em eixo das abcissas o volume de vendas para obtenção do gráfico à direita. O gráfico da esquerda foi elaborado a partir dos mesmos valores divididos pela população em idade activa residente nos concelho. 28

INE – Anuário Estatístico do Alentejo. Consultado em www.ine.pt

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Gráfico n.º4: Correlação entre o volume de vendas e o número de empresas nos concelhos (à esquerda) e entre o volume de vendas e o número de empresas por habitante em idade activa (à direita)

Analisando o gráfico à direita nota-se o destaque de um concelho – o concelho de Évora – que se encontra isolado da nuvem onde perfilam os restantes concelhos. Este concelho está destacado dos restantes, com um maior volume de vendas e um maior número de empresas. Tal constatação reforça o que atrás se vinha dizendo: o concelho de Évora afirma-se como polo regional de atracção. Na Figura 4, o gráfico da esquerda mostra que não existe uma correlação directa entre o volume de vendas e o número de empresas. A correlação positiva encontrada no gráfico da esquerda deve-se a ambos estarem directamente relacionados com o volume de mão-de-obra disponível. Sendo assim, este volume de vendas depende mais da qualidade, em particular da dimensão, do que da quantidade de empresas que existem na região. É por isso que Évora é o quinto concelho com menos empresas e o primeiro com mais volume de vendas, neste

universo de catorze. Arraiolos encontra-se numa posição abaixo da média em ambos gráficos da Figura 4. Esta situação, demonstrativa de alguma fragilidade económica do concelho, é também efeito da atracção que a sede de concelho exerce sobre a sua mão-de-obra, como já foi anteriormente referido. Analisando o aparelho produtivo de Arraiolos por sector de actividade (Figura 5), recorrendo aos dados do Anuário Estatístico do Alentejo29, verifica-se que o maior número de empresas se encontra na secção G da Classificação das Actividades Económicos30, isto é, as empresa de comercio por grosso e retalho e reparação de automóveis, seguida das secções A e B correspondentes a agricultura, caça e floresta e pescas. Quanto à mão-de-obra, ela encontra-se maioritariamente nas actividades classificadas na secção D (indústria transformadora) seguida também pelo conjunto das secções A e B.

Gráfico n.º5: Número de empresas e número de trabalhadores no concelho por CAE - Rev. 2

29

Idem.

30

CAE – Rev. 2

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Emprego e formação O concelho de Arraiolos mostrou, nos Censos 2001, uma taxa de actividade baixa: 42%. Esta reduzida taxa de actividade deve-se principalmente ao grande número de reformados que são mais de metade da população activa e aos jovens que ainda não entraram no mercado de trabalho. Gráfico n.º6: Distribuição da população activa segundo condição perante o trabalho

Chame-se ainda a atenção para a população doméstica (não activa): ela é ainda uma fatia representativa e é apenas composta por mulheres. Este facto vem demonstrar que existe ainda uma renitência à entrada da mulher no mercado de trabalho, ideia que pode ser reforçada pela taxa de desemprego feminina, com 12%, quando comparada com a masculina (3%). Para analisar a formação no território, recorremos aos dados dos Censos 2001, fazendo a desagregação dos dados pela freguesia e por género. Como mostra a Figura 7, predomina a formação básica. As mulheres têm em geral menos escolaridade que os homens, embora a diferença seja muito pouco significativa; a verdade é que o maior número de mulheres sem escolaridade é compensado pelo maior número de mulheres com escolaridade média ou superior.

Gráfico n.º7: Níveis de escolaridade da população do concelho de Arraiolos, por géneros.

Assim está patente no gráfico as estratégias educacionais que se cruzam no mundo actual: a dos mais velhos, masculinizada que se queda pelo ensino básico – e por isso aparece a maior taxa de analfabetismo entre as mulheres; e a das novas gerações, superior e femininizada – daí o maior número de mulheres com ensino superior. Contudo, este perfil educativo moderno, espelhado no número de indivíduos com formação média e superior, é ainda exíguo no concelho de Arraiolos. Este factor pode considerar-se um estrangulamento à inovação e empreendedorismo no concelho.

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ANÁLISE DA AMOSTRA INQUIRIDA A fim de melhor compreender as necessidades de formação das empresas do concelho de Arraiolos, produziu-se um inquérito aplicado às empresas dos parques industriais do concelho: parque industrial de Arraiolos e parque industrial do Vimieiro. Estão registadas no Gabinete de Apoio às Actividades Económicas 22 empresas instaladas nestes parques industriais: 21 no parque industrial de Arraiolos e 1 no parque industrial do Vimieiro. Foi possível contactar 14 destas empresas (nas quais se inclui a sediada no Vimieiro) e a todas estas foi aplicado um inquérito com o objectivo de conhecer as suas necessidades formativas. Este inquérito foi composto por 9 grupos de questões, que fizeram-se corresponder a 55 variáveis. Essas variáveis analisam-se no texto que se segue. O inquérito estava vocacionado para dar a conhecer as necessidades de formação das empresas que podem ser respondidas pelas entidades formadoras: tipos de formação; bacia de mão-de-obra e perspectivas de desenvolvimento.

Grupo 1: Identificação da empresa e do inquirido As variáveis que se encontravam associadas a este grupo eram o nome e CAE da empresa e nome e cargo do respondente. Quanto à análise das empresas nota-se que os números da Classificação das Actividades Económicas (CAE, Rev. 2), nota-se um claro predomínio das empresas de comercio (sobretudo por retalho) na amostra inquirida. Gráfico n.º8: Empresas inquiridas segundo CAE - Rev. 2

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Assim, 50% dos inquiridos inserem-se da Secção G, correspondente às empresas de comercialização por grosso e retalho e reparação de veículos. Segue-se a (pequena) indústria transformadora – secção D – onde se devem destacar as indústrias alimentares – subsecção DA. Comparando com a Figura 5, nota-se que o padrão da distribuição das empresas por CAE se afasta, nos parques industriais, da distribuição do concelho pela ausência das actividades primárias – CAE A e B. Os respondentes foram na sua maioria (83%) Gerentes das empresas.


Grupo 2: Caracterização das empresas Os inquiridos respondem que as suas empresas produzem coisas tão diversas como caixilharias de alumínio ou queijos. Outras variáveis questionadas neste grupo permitiram determinar a dimensão das empresas contidas na amostra. Esta dimensão foi analisada com dois indicadores: número de trabalhadores e volume de vendas. As empresas inquiridas têm um número de trabalhadores que varia entre 2 e 66. A média do número de trabalhadores é de 13. No entanto, atente-se que 15% das empresas têm mais de 30 trabalhadores, enquanto as outras 77% têm menos de 10 trabalhadores. Nota-se que a presença de micro-empresas é muito importante no universo estudado. A análise desta variável é muito importante do ponto de vista das empresas formadoras, onde se nota que dominam as micro-empresas. As entidades formadoras dificilmente irão encontram receptividade por parte destas empresas: mesmo que o financiamento da formação seja garantido pelos programas decorrentes do Fundo Social Europeu, os custos de oportunidade de alocação do pessoal à formação dificilmente serão suportados por estas empresas. Assim, as entidades formadoras deverão oferecer a formação (em horário pós-laboral) directamente aos trabalhadores destas empresas, tendo em conta a bacia de mão-de-obra identificada pelo inquérito (Grupo 4: Proveniência da mão-de-obra). A volume de venda de empresas foi questionado com uma escala composta por quatro classes: menos de 2; entre 2 a 7; entre 7 a 10; entre 10 a 40 e mais de 40 em milhares de

Gráfico n.º 9: Empresas inquiridas segundo o número de trabalhadores

Gráfico n.º10: Empresas inquiridas segundo o volume de vendas

euros/ano. A média das respostas situou-se na classe entre 10 e 40 milhares de euros/ anos; no entanto a moda estatística situouse na classe de mais de 40 milhares de euros/ano.

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Grupo 3: Estrutura demográfica da mão-de-obra Por estrutura demográfica da mão-de-obra entendia-se a sua decomposição em género e classes de idade. Gráfico n.º11: Estrutura demográfica da mão-de-obra das empresas inquiridas

A presença das mulheres na mão-de-obra do concelho é notória: corresponde a 74% da mão-de-obra das empresas inquiridas. Contudo, este facto deve ser lido com cuidado – ele é determinado pelo peso que a maior empresa da amostra tem sobre o total. Ignorando essa empresa o valor desce para cerca de 40%. Quanto ao envelhecimento da mão-de-obra notamos que apenas 6% tinham mais de 50 anos, enquanto 50% têm menos de 30. Outro facto que corrobora o baixo envelhecimento da mão-de-obra da amostra é o facto de metade das empresas inquiridas terem mais de 40% da mão-de-obra com menos de 30 anos. Quanto às competências notou-se um baixo número de licenciados: 6%. Esta situação é natural, em consequência da baixa escolaridade do concelho.

Grupo 4: Proveniência da mão-de-obra Com estas questões quisemos perceber os locais de recrutamento de mão-de-obra feito pelas empresas. Esta é uma variável importante quando se fala de formação: uma vez que há muitas vezes um desligamento entre as entidades formadoras e as empresas contratantes, é importante que as empresas formadoras conheçam os locais de proveniência da mão-de-obra para melhor dirigirem a oferta dos seus serviços. Analisando o segundo aspectos – o local de proveniência da mão-de-obra – nota-se uma predominância daqueles que provêm da freguesia de Arraiolos (82%). Os restantes provêm de outras freguesias do concelho de Arraiolos (13%) e de Évora (5%).

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Os inquéritos apenas registam a presença de um trabalhador recrutados fora do distrito de Évora. Gráfico n.º12: Local de proveniência da mão-de-obra das empresas inquiridas


Grupo 5: Oferta de formação Nas questões relacionadas com a oferta de formação pretendeu-se conhecer a oferta de formação já instalada dentro das empresas. O número de empresas inquiridas que fizeram formação nos últimos 2 anos representam 33% do total. A formação ministrada foi variada – orientada para as necessidades de know-how técnico específico dos segmentos de mercado onde se inserem as empresas e também qualidade e higiene e segurança no trabalho. A maior empresa inquirida fez também uma formação em liderança e motivação de equipas. Metade das empresas que fizeram formação recorreram a empresas formadoras externas. Chame-se a atenção que as empresas que recorrem à contratação de empresas externas para a formação têm todas mais de 30 trabalhadores.

Questão 6: Necessidades de formação Com esta questão pretendeu-se conhecer as necessidades de formação identificadas pela empresa, tendo em conta a sua situação. Grande parte dos inquiridos (64%) afirma que mais formação dos seus colaboradores seria importante para a empresa. A fim de melhor perceber que tipo de formação se fala, o questionário tinha uma pergunta de resposta múltipla e uma pergunta de resposta aberta que questionado a formação que consideravam necessária. Verificou-se que 66% dos inquiridos sentiam necessidade de formação no ramo da empresa31. Na questão aberta tinha-se pedido dois exemplos de formação necessária para a empresa. 47% das respostas podem-se considerar formações específicas no ramo da empresa, 27% em comercialização e vendas e 20% em recursos humanos. A diferença entre esta e a variável anterior pode dever-se às perguntas estarem em aberto e ao maior número de não-respostas.

Gráfico n.º13: Necessidades de formação identificadas pelas empresas inquiridas, agrupadas em áreas temáticas

Os mesmos 64% dos inquiridos que afirmam que a formação é importante para a sua empresa, afirmam também que pretendem recorrer à formação para melhorar o trabalho dos colaboradores.

31 Não se pôde detalhar este indicador devido à heterogeneidade das empresas em estudo. Comparou-se antes formação escolar, formação em áreas transversais (ex.: contabilidade e recursos humanos), áreas específicas de trabalho das empresas, etc.

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Grupo 7: Previsão de desenvolvimento Neste grupo pretendeu-se, de forma simples, analisar as expectativas dos inquiridos quanto a empresa. Estas expectativas foram analisadas como equivalentes à disponibilidade para o investimento por parte das empresas a médio prazo. Gráfico n.º14: Perspectivas de evolução das empresas inquiridas

As variáveis analisadas eram 3: mão-de-obra; vendas e tecnologias. É na tecnologia que a tendência é mais positiva: 62% dos entrevistados afirmam que o papel da tecnologia na sua empresa vai aumentar. Quanto à mão-de-obra, 62% dos entrevistados dizem que se mantém, 23% afirmam que aumenta e apenas 15% dizem que diminui. Pode conclui-se que os entrevistados esperam pouca evolução, em termos de número, da mão-de-obra das suas empresas. Finalmente, sobre as vendas da sua empresa, 36% dos entrevistados dizem que vai aumentar; outros 36% afirmam que vai diminuir e 28% dizem que se vai manter. Esta divergência assinalável entre os respondentes, estando as respostas distribuídas quase de igual modo entre as hipóteses de resposta, significa uma de duas coisas: ou existem diferenças assinaláveis entre sectores ou está longe de ser certa qual a tendência em volume de vendas que as empresas do concelho de Arraiolos vão sentir.

Grupo 8: Apoios às empresas Com estas questões pretendeu-se conhecer se os apoios existentes para o desenvolvimento das empresas, são por estas conhecidos e utilizados. Os programas apresentados aos inquiridos foram o Programa Rede, o PRIME, os Estágios Profissionais e os Apoios à Contratação. As conclusões que podemos retirar é que a maioria dos inquiridos não conhece os apoios ao desenvolvimento que dispõe: os respondentes que dizem que não conhecem determinado tipo de apoio variam entre 80% e 42%, conforme a ajuda em causa. 38% das empresas inquiridas não conhecem qualquer destas ajudas.

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Gráfico n.º15: Conhecimento dos inquiridos acerca de alguns dos apoios disponíveis para as empresas


Por esta razão a utilização dos programas é muito baixa. Os inquiridos que afirmam já ter utilizados estes programas variam entre os 25% e os 0%, dependendo das ajudas. Assim, e detalhando por programa nota-se que o Programa Rede é desconhecido por 80% dos inquiridos apenas 10% o utilizaram. O PRIME é desconhecido por 73% dos inquiridos e não é utilizado por nenhuma das empresas respondentes aos inquéritos. Os Estágios Profissionais são a medida mais

utilizada pelas empresas inquiridas, embora ficando apenas pelos 25%. No entanto, continua a verificar que 58% dos inquiridos ainda não conhecem esta ajuda de que podem usufruir. Finalmente, os Apoios à Contratação são a medida mais conhecida – os que declaram desconhecê-la são 42%. 17% das empresas respondentes declaram ter beneficiado desta ajuda.

Questão 9: Qualidade e ambiente No capítulo da qualidade e ambiente, quisemos avaliar em que medida a empresa está empenhada na sustentabilidade ambiental do concelho. Este emprenho foi verificado em três áreas distintas: na utilização de sistemas de certificação existentes, no apoio ao processo Agenda 21 Local do concelho de Arraiolos e na valorização que fazem do ambiente para a sua vida pessoal do respondente e para a empresa. Perguntava-se aos inquiridos se aplicavam quatro normas de gestão: ISO 14000, ISO 9000, HACCP e OHSAS 18000. A primeira certifica a empresa pela existência de práticas de gestão ambiental, a segundo por práticas de gestão da certificação da qualidade dos serviços, a terceira é uma norma de segurança alimentar aplicável a empresas da fileira alimentar e a última corresponde a uma norma de gestão da segurança de higiene no trabalho.

Gráfico n.º16: Grau de implementação de sistemas de gestão e práticas de gestão nas empresas inquiridas

projecto CASA rede de solidariedades 71


Quanto a estas questão verificamos que as empresas são relativamente conhecedoras destas normas, variando entre 8 e 17% aqueles que dizem desconhecer uma destas normas. As ISO 14000 e ISO 9000 são aplicadas por 40 e 44% das empresas inquiridas. Por outro lado as normas HACCP e OHSAS 18000 são aplicadas por quase todas as empresas: o HACCP por todas as empresas onde é aplicável32 e o OHSAS 18000 por 92% dos inquiridos. Isto deve-se à obrigatoriedade da aplicação destas medidas. Analisando a participação no processo Agenda 21 Local salta a vista o desconhecimento do processo: apenas 29% dos inquiridos tinham conhecimento do processo. Por isso mesmo só 9% das empresas inquiridas participaram no processo. As respostas à pergunta se tem interesse no projecto dividem-se entre o “Sim” com 36% das respostas e o “Não sabe” com 64%, isto é, nenhum responde não, isto pode querer dizer que a baixa participação na Agenda 21 Local deveu-se à falta de promoção do processo por parte dos promotores.

Gráfico n.º17: Participação das empresas inquiridas no processo Agenda 21 Local de Arraiolos

Finalmente, quando era questionado aos inquiridos se o ambiente era importante para a sua vida pessoal, para o seu trabalho e para as vendas da empresa, 100% responderam que sim. Nota-se que a pergunta estava demasiado vaga para expor diferenças entre as empresas. Mas mostra, por outro lado, que as empresas foram susceptíveis à generalização das preocupações ambientais na sociedade.

32

Embora estas correspondam somente a 15% da amostra.


ANÁLISE SWOT FORÇAS, FRAQUEZAS, OPORTUNIDADES, AMEAÇAS Tendo em conta os dados que foram apresentados, procede-se à construção de uma matriz SWOT sobre o tecido empresarial e necessidades de informação no concelho de Arraiolos.

- CRESCIMENTO POPULACIONAL, EM PARTICULAR O CRESCIMENTO NATURAL, NEGATIVO - NÚMERO ELEVADO DE SAÍDAS PRECOCES DO SISTEMA DE ENSINO

Acções a desenvolver Já atrás foi notado que o mercado das empresas para as entidades formadoras, não é interessante. A principal razão apontada foi a ausência de grandes empresas e a reduzida presença de médias empresas. Considerando que a bacia de recrutamento da mão-de-obra destas empresas é relativamente limitada – 95% dos trabalhadores vivem no concelho de Arraiolos, as entidades formadoras do território podem tomar como públicoalvo os habitantes deste concelho. Percorrendo o trabalho atrás apresentado identificamos necessidades de formação que são manifestadas pelos respondentes aos questionários e outras que se constituem com formas de atenuar as fraquezas e potenciar oportunidades enumeradas na SWOT. projecto CASA rede de solidariedades 73

FRAQUEZAS

- PROXIMIDADE AO EIXO RODOVIÁRIO LISBOA – ÉVORA - PROXIMIDADE À BACIA INDUSTRIAL TECNOLÓGICA DE ÉVORA - PROGRAMAS DE APOIO ÀS EMPRESAS, EM ESPECIAL AO INVESTIMENTO (PRIME) E FORMAÇÃO (POEFDS E PROGRAMA REDE) - POTENCIALIDADES TURÍSTICAS LIGADAS AO TAPETE DE - ARRAIOLOS E AO CASTELO

- BAIXA DENSIDADE POPULACIONAL - POUCAS EMPRESAS E AUSÊNCIA DE GRANDES EMPRESAS - TAXA DE ACTIVIDADE BAIXA LIGADA AO ENVELHECIMENTO - POUCOS LICENCIADOS E COM FORMAÇÃO MÉDIA - INCERTEZA DOS EMPRESÁRIOS QUANTO AO FUTURO - BAIXA UTILIZAÇÃO E CONHECIMENTO DOS PROGRAMAS DE APOIO ÀS EMPRESAS

AMEAÇAS

FORÇA S

- PROXIMIDADE A ÉVORA (SEDE DE DISTRITO) - PRESENÇA DE INDÚSTRIA TRANSFORMADORA E RESTAURAÇÃO LIGADA AO TURISMO - MÃO-DE-OBRA POUCO ENVELHECIDA - ALGUM RECURSO À FORMAÇÃO POR PARTE DAS EMPRESAS - RECURSO A PROGRAMAS DE GESTÃO AMBIENTAL E DE QUALIDADE - PREOCUPAÇÃO DOS EMPRESÁRIOS COM O AMBIENTE E BEM ESTAR DO CONCELHO

OPORTUNIDADES

Quadro n.º2: Análise SWOT - Forças, fraquezas, oportunidades, ameaças.


Formar empreendedores A análise atrás feita, trouxe luz ao baixo dinamismo económico do concelho. Do nosso ponto de vista existe uma causalidade circular entre o saldo migratório e a dinâmica económica do concelho. Seguindo este raciocínio, considera-se necessário que a formação profissional a ministrar no concelho se oriente para a produção de empreendedores em empresas. Esta actividade poderá ser a alavanca para inversão do saldo migratório, actualmente negativo, no concelho.

(restauração, alojamento, animação, etc.), é necessário favorecer o aparecimento de novas empresas no sector, potenciando recursos construídos (ex.: castelo), culturais (ex.: tapete de Arraiolos) e naturais (ex.: barragem do Divor). Segundo, considera-se necessário integrar a economia no concelho de Arraiolos na bacia tecnológica do distrito de Évora. Dada a exigência em conhecimento do sector das novas tecnologias, este é um aspecto cujo estudo deve continuar para além deste trabalho, de forma a identificar que acções concretas se devem colocar em prática.

Cursos dirigidos A necessidade de formar empreendedores e fomentar a criação de empresas, apresenta-se com um elemento importante na dinamização da economia do concelho de Arraialos. A necessidade (e oportunidade) de dinamizar os parques industriais instalados no concelho reforça esta constatação. Existem, neste sentido oportunidades de negócio no concelho a potenciar. Primeiro, o aproveitamento do turismo já se encontra como um ponto forte do sector económico do concelho. Está, no entanto, limitado a pouco mais que o sector da restauração. Sendo o produto turístico um produto composto por múltiplo serviços

Mainstreaming Tendo em conta a prática corrente de formação do Monte no concelho, este trabalho considera pertinente que estes cursos incorporem um módulo de empreendedorismo. Desta forma, mais do que formar empreendedores, o objectivo é induzir um espírito empreendedor entre a população de Arraiolos

Apoiar empreendedores É conhecido que os cinco primeiros anos após a criação de uma empresa são cruciais para o seu desenvolvimento; a maior parte das falências de empresas ocorrem neste período. Neste sentido são propostos dois tipos de medidas.

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Introdução de conhecimentos A introdução de conhecimentos baseia-se na prestação de consultorias típicas, isto é, no recrutamento de especialistas para resolver problemas concretos que se colocam às empresas. Um dos problemas já identificado pelo estudo é o grau de desconhecimento dos programas de apoio ao desenvolvimento


económico do concelho. Neste sentido, o Programa REDE apresenta-se como a grande oportunidade a potenciar.

Gestão de conhecimentos Hoje o conhecimento é um valor estratégico e o segredo já não é a alma do negócio. Pelo contrário: empresas complementares (ou até concorrentes) têm benefício em partilhar conhecimento para melhorar o seu posicionamento estratégico num mundo em permanente mudança. Entrar na sociedade do conhecimento, ou na sociedade das redes, implica mudanças organizacionais complexas, para as quais ainda não há senão respostas difusas. No caso de

PME’s a complexidade ainda é maior porque exige respostas multiorganizacionais (por uma necessidade de escala que justifique uma equipa de gestão da informação) e por isso mais complexas. No entanto, este constitui um desafio que assenta no perfil exigido às associações de desenvolvimento local: a animação é um elemento central do trabalho desta associações. As associações de desenvolvimento locais poderão usar instru-mentos como workshops de construção de cenários, concursos de ideias e seminários de boas práticas para gerir o conhecimento entre as PME’s do concelho.

Formar quadros A formação de quadros das empresas é adequada a empresas já estabelecidas, onde a necessidade é a da consolidação do posicionamento já adquirido. As soluções aqui apresentadas, posicionam-se por oposição aos dois pontos anteriores, numa lógica de curto prazo. Na prática, respondem directamente a necessidades colocadas pelos respondentes aos inquéritos utilizados neste estudo.

Marketing e RH Como foi visto anteriormente, foram identificados temas de formação para quadros das empresas em duas grandes áreas: comercialização e marketing, e gestão de recursos humanos. A característica do público alvo pretendido - activos empregados - leva a que se aconselhe pequenas formações de algum modo especializadas, isto é, que atendam a pontos específicos de cada um dos temas por oposição a programas mais genéricos; sejam de curta duração e em horário pós-laboral.

projecto CASA rede de solidariedades 75


Bibliografia: QUIVY, Raymond Quivy e CAMPENHOUDT, Luc Van Campenhoudt (1998). Manual de Investigação em Ciências Social. Gradiva. FODDY, William (1996). Como Perguntar: Teoria e Prática da Construção de Perguntas em Entrevistas e Questionários. Celta Editora. INE - Anuário Estatístico da Região Alentejo. Consultado em www.ine.pt IQF - Guia para a concepção de cursos e materiais pedagógicos. IQF, 2004

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ANEXOS projecto CASA rede de solidariedades 77


PROJECTO CASA - REDE DE SOLIDARIEDADES

Representações profissionais e necessidades de formação dos jovens do concelho de Arraiolos

O Monte é uma entidade que trabalha em prol do desenvolvimento local de Arraiolos. Muito desse trabalho passa pela formação profissional da população Arraiolos. Com o objectivo de melhorar a capacidade e a qualidade do trabalho do Monte estamos a realizar este inquérito aos jovens de Arraiolos para perceber as suas expectativas profissionais e as suas necessidades de formação. Por isso, pedimos-te para preencher este inquérito Os dados serão sujeitos a tratamento estatístico, pelo que os relativos a cada pessoa permanecerão confidenciais!

1. Caracterização do inquirido Idade:

Sexo

Ano de escolaridade:

M

F

Repetiste algum ano?

Sim

Vives em que freguesia?

Não

Porquê? Falta de estudo Doença Absentismo Desmotivação/desinteresse Dificuldades de aprendizagem Outro

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Qual?

ano


2. Ambiente familiar e sócio-económico Idade do pai:

Número de irmãos:

Idade da mãe: Profissão da mãe:

Profissão do pai: Escolaridade do pai:

ºano

ºano

Escolaridade da mãe:

Qual a influência das seguintes pessoas na tua decisão em relação ao teu futuro profissional? Nenhuma

Pouca

Alguma

1. Os teus pais 2. Os teus professores 3. Os teus amigos 4. Outros Qual?

Qual é a profissão que os teus pais gostariam que tivesses?

Como vais para a escola? 1. A pé 2. De autocarro 3. De bicicleta

4. De mota 5. De carro 6. Outro Qual?

Já trabalhaste alguma vez? 1. A ajudar os teus pais na profissão 2. Nas férias de verão 3. Como voluntário 4. Outra situação

Onde? Qual?

Alguma vez foste renumerado?

Sim

Não

3. Representações acerca da escola A escola é... uma uma uma uma

preparação para o futuro preparação para o trabalho estratégia para ter emprego obrigação

(assinala com um x várias respostas)

um sítio para estar com os amigos uma forma de ocupar o tempo uma preparação enquaanto cidadãos não sei

Muita


4. Expectativas face à profissão Já pensaste na área profissional que gostarias de seguir?

Sim

Não

Se assinalaste Não, passa à última página Quais são as profissões que gostarias de ter?

1 2 3

Que razões te levam a escolher essas profissões? 1. Renumeração (ganha-se bem) 2. Horário de trabalho agradável 3. Interesso-me por este tipo de trabalho 4. Tenho capacidades para trabalhar nestas áreas 5. Não preciso de estudar muito 6. Conheço pessoas que trabalhem nestas áreas 7. Por curiosidade para conhecer melhor 8. Tem saídas profissionais 9. Outros 10. Não sei

(assinala com um x várias respostas)

1

2

3

Que percurso precisas de fazer para seguir estas escolhas? (assinala 1 resposta por coluna) 1. Acabar o 9º ano e ir trabalhar com alguém que conheço 2. Acabar o 9º ano e procurar emprego 3. Seguir um curso humanístico-científico e fazer o 12º ano 4. Seguir um curso tecnológico e fazer o 12º ano 5. Seguir um curso profissional e seguir o 12º ano 6. Fazer o 12º ano numa escola artística especializada 7. Fazer uma acção de formação 8. Seguir para a universidade 9. Ainda não sei Pensas fazer o secundário Se sim, onde?

Sim

1

2

3

Não Que agrupamento/curso?

Que dificuldades pensas encontar para seguires essas profissões? (assinala com um x várias respostas)

1. Não ter média para entrar na universidade 2. A formação de que preciso fica longe de casa 3. Posso não ter capacidades/aptidões 4. Os meus pais não têm dinheiro para isso 5. É um percurso demasiado longo 6. A minha família não gostaria 7. Outra situação 8. Ainda não sei

1

2

3


5. Expectativas face à profissão Nunca pensei na profissão que gostaria de seguir porque... (Se respondeste à página anterior, não respondas a esta pergunta) Que razões te levam a escolher essas profissões?

(assinala com um x várias respostas)

1. Ainda é cedo para pensar nisso 2. Não acho importante pensar nisso 3. Deixo que sejam os meus pais a pensarem nisso 4. não tenho informação suficiente para pensar nisso 5. Nunca me apercebi de que teria de pensar sobre o assunto 6. Não me sinto apoiado/incentivado para pensar no assunto 7. Não sei 8. Outro Qual?

Muito obrigado pelas suas respostas projecto CASA rede de solidariedades 81


PROJECTO CASA - REDE DE SOLIDARIEDADES

Levantamento das características e necessidades de formação das empresas do concelho de Arraiolos

O Monte é uma entidade que trabalha em prol do desenvolvimento local de Arraiolos. Muito desse trabalho passa pela formação profissional da população Arraiolos. Com o objectivo de melhorar a capacidade e a qualidade do trabalho do Monte estamos a realizar este inquérito às empresas no concelho de Arraiolos a fim de conhecer melhor as suas necessidades de mão-de-obra. Sabendo que o interesse no desenvolvimento do concelho de Arraiolos é comum, a Monte pede a cada empresa a sua melhor colaboração neste trabalho. Agradecemos, assim que preencha este inquérito Os dados serão sujeitos a tratamento estatístico, pelo que os relativos a cada empresa premanecerão confidenciais!

1 . Identificação da empresa e do inquirido Nome da empresa:

CAE:

Nome do respondente: Cargo:

2 . Caracterização das empresas Qual é o principal produto que a empresa produz? Para responder ás seguintes perguntas, considere sócios gerentes

Quantos trabalhadores tem a empresa: Qual é o volume de vendas da empresa: em milhares €/ano menos de 2 82

entre 2 e 7

entre 7 e 10

entre 10 e 40

mais de 40


3 . Estrutura demográfica de mão-de-obra Quantos trabalhadores, com menos de 30 anos tem na empresa? Quantos trabalhadores com mais de 50 anos tem na empresa? Quantas mulheres trabalham na empresa? Existem trabalhadores licenciados na sua empresa? Sim

Não

Se sim, quantos?

4 . Proveniência da mão-de-obra Quantos trabalhadores na sua empresa vivem... ...na freguesia de Arraiolos ...noutras freguesias do concelho de Arraiolos ...no concelho de Évora Já alguma vez recorreu à contratação de formação para os trabalhadores nos últimos 2 anos? Sim

Não

5 . Oferta de formação Na sua empresa fizeram-se cursos de formação para os trabalhadores nos últimos 2 anos? Sim

Não

Se respondeu Não, passe ao ponto 6 na página seguinte. Indique os principais cursos que realizou: 1. 2. 3. Indique também o número de trabalhadores que frequentaram e o número de dias que duraram: 1. trabalhadores dias 2. trabalhadores dias 3. trabalhadores dias Recorre a empresas formadoras externas para a organização da formação? Sim

Não


6 . Necessidades de formação Seriam importante se os trabalhadores da sua empresa tivessem mais formação? Sim

Não

Se sim, formação de que tipo? Relações humanas 9º ano Gestão e contabilidade Questões de trabalho Em informática Outra(s)

Quais?

Dê dois exemplos de cursos que poderiam melhorar a qualidade de trabalho dos trabalhadores da sua empresa 1 2 Pensa recorrer à formação de cursos que poderiam melhorar a qualidade de trabalho dos trabalhadores da sua empresa? Sim

Não

7 . Oferta de formação Tendo em conta os últimos 3 anos, o que pensa que vai acontecer nos 3 anos que aí vêm? Vai vender

Mais

Menos

Igual

O nº de trabalhadores da sua empresa

Mais

Menos

Igual

O investimento em tecnologia

Mais

Menos

Igual

8 . Apoios às empresas Dos diversos programas de apoio às empresas, diga quais conhece Programa rede

Não conhece

Conhece

Já usou

Prime

Não conhece

Conhece

Já usou

Estágios profissionais

Não conhece

Conhece

Já usou

Apoios à contratação

Não conhece

Conhece

Já usou

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9 . Qualidade e Ambiente Acerca das práticas de gestão da sua empresa diga quais existem na sua empresa... Sim

Não

Nunca ouviu falar

Sim

Não

Nunca ouviu falar

OHSA 18000

Sim

Não

Nunca ouviu falar

Gestão de qualidade ISO 9000

Sim

Não

Nunca ouviu falar

Sistema de Gestão Ambiental ISO 14.000 HACCP (Só aplicavel a estabelecimentos de fileira alimentar)

Higiene e Segurança no Trabalho

Está a ser implementada a Agenda Local 21 em Arraiolos. A sua empresa... ...tem conhecimento do processo

Sim

Não

Não sabe

...participou nesse processo

Sim

Não

Não sabe

...está interessada nesse processo

Sim

Não

Não sabe

A qualidade ambiental é necessária... ...para a sua vida pessoal

Sim

Não

Indiferente

...para o bom trabalho da sua empresa

Sim

Não

Indiferente

...para melhorar as vendas da sua empresa

Sim

Não

Indiferente

Muito obrigado pelas suas respostas projecto CASA rede de solidariedades 85


Representações Profissionais e Necessidades de Formação- O caso dos Jovens no Concelho de Arraiolos  

Consiste na publicação de dois estudos sobre o concelho de Arraiolos, integrando-se no projecto de desenvolvimento Sócio- Comunitário "CASA-...

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