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Genazzano, Abruzzi, 1929

Dia e noite / Day and night, 1938

litografia / lithograph | 26,8 x 19,6 cm

xilogravura / woodcut | 39,2 x 67,8 cm

Eternidade, infinitude e espanto: as gravura “Talvez eu esteja sempre em busca do espantoso e, por isso, procure apenas provocar espanto no espectador”, escreveu a um amigo o artista holandês Maurits Cornelis Escher (1898-1972). A arte de M. C. Escher vem maravilhando milhões de pessoas, de todas as idades e pelo mundo todo, há mais de meio século. Escher nos confronta com fenômenos estranhos que, por parecerem firmemente integrados à realidade cotidiana, não se destacam de imediato. O espectador muitas vezes volta a olhar a imagem para conferir aquilo que viu. Esse segundo olhar é o momento do espanto, do piscar de olhos perplexo: só agora você se dá conta de haver algo estranho naquilo que viu nitidamente sem, no entanto, ter assimilado.

Certas obras como Cascata e Belvedere têm, à primeira vista, um ar antiquado. Mas quem olha bem percebe toda sorte de detalhes incongruentes. A água não corre para cima. Uma escada com um homem em pé não pode estar simultaneamente dentro e fora de um mirante. O mundo de Escher combina objetos incompatíveis. O artista sempre nos propõe a mesma questão: “Por que o mundo – ao menos o mundo retratado na arte – não pode ser uma combinação de diferentes realidades?”. Escher põe em evidência os vínculos entre tempo e espaço, entre eternidade e infinitude, na superfície plana do desenho.


Tradição e renovação Na pintura europeia ocidental a perspectiva central é, tradicionalmente, o meio de vivenciar a profundidade de uma paisagem. Em seu interesse pela perspectiva, Escher se assemelha a um artista clássico. Até recentemente, o período italiano (1922-1935) era considerado como uma fase à parte em seu desenvolvimento artístico, sem conexão com o resto da obra. Belas imagens, mas muito tradicionais, dizia-se. O verdadeiro Escher teria desabrochado apenas em 1937, dois anos após a saída da Itália, quando surgem as ladrilhagens e as ilusões de ótica. Até então reinavam os temas tradicionais: paisagens, natureza, vistas urbanas.

as de M. C. Escher

Mas a crítica recente vem se conscientizando de que o realismo e a ilusão de ótica são para Escher ferramentas gêmeas, ideais para expressar a combinação da eternidade (perspectiva e espaço) com a infinitude (ladrilhamento e tempo). Esse insight permite discernir a existência de um fio ininterrupto na obra do artista. Novos pontos de vista surgem através da retomada e da recombinação de interesses antigos. Na segunda metade do século XX, maré alta do abstracionismo, Escher manteve-se ligado ao realismo. Ao mesmo tempo, buscou uma forma de expressão, uma metáfora, para conceitos abstratos tais como eternidade e infinitude. O ladrilhamento, ou preenchimento regular do plano, é para ele a solução ideal: teoricamente, um padrão de ladrilhagem pode se estender indefinidamente, tanto no espaço como no tempo.

Desenhando / Drawing hands, 1948

Ondulações / Ripples, 1950

litografia / lithograph | 28,2 x 33,2 cm

linoleogravura / linoleum cut | 26 x 32 cm


Autorretrato em esfera espelhada / Self-portrait in spherical mirror, 1935

Subindo e descendo / Ascending and descending, 1960

Cascata / Waterfall, 1961

litografia / lithograph | 35,5 x 28,5 cm

litografia / lithograph | 38,1 x 30 cm

litografia / lithograph | 31,8 x 21,3 cm

Escher fez duas contribuições específicas aos ladrilhamentos que vieram a desempenhar papel-chave em sua arte: substituiu as formas geométricas nuas, tais como paralelogramos, por imagens realísticas; e transformou essas imagens, fazendo-as evoluir em vez de se repetirem num padrão estático. Em uma só gravura, Predestinação, a unidade repetida se metamorfoseia de peixe em pássaro. Igualmente importante é que ele faz isso de forma tão natural que, aparentemente, nada de especial está acontecendo. Aqui, mais uma vez, trata-se de um momento de “piscar de olhos perplexo”. Embora o ladrilhamento fosse considerado por Escher como “a fonte de inspiração mais rica de que me nutri”, para o meio artístico tratava-se apenas de uma brincadeira matemática, o que impediu que

ele fosse oficialmente reconhecido como artista moderno por muito tempo. Durante longo período era mais fácil encontrar uma gravura de Escher em um departamento de matemática do que em um museu. Foi apenas em 1968, quatro anos antes de morrer, que Escher teve uma primeira mostra retrospectiva de sua obra em um museu de renome, o Museu Municipal de Haia.

As antigas paixões perduram Hoje é muito fácil alterar imagens no computador ou combinar objetos que nada têm a ver um com o outro, como em Dia e noite, com uma clicada de mouse. Mas Escher criava seus mundos estranhos com mais cuidado: talhando um bloco rígido de madeira ou arranhando a pedra para a litografia. Como nos jogos de fantasia, a arte de Escher


cria seu próprio universo paralelo. Ela também demonstra como as coisas podem ser vistas de diferentes perspectivas ao mesmo tempo – algo que hoje se tornou clichê, graças ao Photoshop e aos programas de visualização 3D, mas que para Escher era a solução de um complexo quebra-cabeças, concebida na prancha de desenho. Seu novo universo nasceu e cresceu ao ser desenhado.

conceitos matemáticos, Escher criou universos inteiros. Em carta de 4 de maio de 1929, enviada da Itália a um velho amigo, ele diz: “Não conheço prazer maior do que errar por vales e montes, de aldeia em aldeia, deixando a natureza sem artifícios agir sobre mim, apreciando o inesperado e o extraordinário, no maior contraste imaginável com o dia a dia caseiro”.

A arte de Escher se encaixa no País das Maravilhas de Alice. Ela estica a noção de realidade para todos os lados. No entanto, o desejo do artista é ordenar um universo caótico e, para isso, ele cria entidades que à primeira vista parecem possíveis, mas que de fato não podem existir. Trabalhando com conceitos clássicos da arte pictórica, como a perspectiva, o moto-perpétuo e o reflexo, entretecendo-os com sistemas de ladrilhamento do plano e outros

O inesperado e o extraordinário são o presente que Escher nos deu em sua longa vida.

Encontro / Encounter, 1944

Cada vez menor / Smaller and smaller, 1958

litografia / lithograph | 34,2 x 46,4 cm

entalhe em madeira e xilogravura / wood engraving and woodcut | 37,8 x 37,8 cm


Eternity, infinity and amazement: M. C. Escher’s prints “Possibly I only pursue amazement and thus attempt only to generate amazement”, Dutch artist Maurits Cornelis Escher (1898-1972) wrote to a friend. M. C. Escher’s art has been astonishing millions of people, of all ages and from all over the world, for more than half a century. Escher confronts us with strange phenomena that do not seem anomalous at first sight. Then the viewer does a double take and is suddenly amazed: something that was originally seen clearly but not fully grasped is now recognized as uncanny. Certain works such as Waterfall and Belvedere initially display a somewhat antiquated air. But closer observation reveals incongruous details. Water does not flow uphill. A ladder with a man standing on it cannot be simultaneously inside and outside an observatory. Escher’s world combines incompatible objects. The artist always poses the same question: “Why can’t the world – at least the world depicted in art – be a combination of different realities? Escher sheds light on the links between time and space, between eternity and infinity, on the drawing’s flat surface.

Tradition and renovation In Western painting, the central perspective is traditionally the means of conveying the landscape’s depth. In his interest in perspective, Escher resembles a classical artist. Until recently, his Italian period (19221935) was considered as a separate phase in his artistic development, bearing no connection with the rest of his oeuvre. These images were described as beautiful, but very traditional. The true Escher was said to have blossomed only in 1937, two years after he left Italy, when the images of tile patterns and optical illusions appeared. Up to then the traditional themes had prevailed: landscapes, nature, urban scenes. But more recently, art critics have advanced the idea that Escher uses both realism and optical illusion as twin tools, ideal for expressing the combination of eternity (perspective and space) and infinity (tile patterns and time). This insight reveals the existence of an uninterrupted thread in the artist’s work. New points of view arise through recurrence to these old interests and from their recombination. In the second half of the 20th century, during the heyday of abstract art, Escher remained linked to realism. At the same time, he sought a form of expression, a metaphor for abstract concepts such as eternity and infinity. The tile patterns, or the regular filling in of the plane, is an ideal solution for him: theoretically, a tile pattern can be extended indefinitely, both in space and in time.

Escher made two specific contributions to the tile patterns that would come to play a key role in his art: he substituted the stark geometric forms, such as parallelograms, by realistic images; and he transformed these images, making them evolve instead of merely repeating in a static pattern. In a single print, Predestination, the repeated motif morphs from a fish into a bird. Equally important is how the artist makes this happen naturally, almost as though nothing special were taking place. Here, once again, it happens in a “perplexed blink of an eye.” Although Escher considered the tile pattern as “the richest source of inspiration I have ever tapped,” for the art world it was nothing more than a mathematical game, which prevented him from being officially recognized as a modern artist for a long time. For many years it was easier to find a print by Escher in a mathematics department than in a museum. It was only in 1968, four years before he died, that the first retrospective exhibition of Escher’s work was held in a renowned museum, the Municipal Museum of The Hague.

The old passions persist Today it is very easy to alter images on a computer or combine objects that have nothing to do with each other, as in Day and Night, with the click of a mouse. But Escher created his strange worlds more painstakingly: carving a rigid wood block or scratching a stone slab for a lithograph. As in fantasy games, Escher’s art creates its own parallel universe. It also demonstrates how things can be seen from different perspectives at the same time – something which has today become a cliché, thanks to Photoshop and 3-D viewing software, but which for Escher was the solution of a complex puzzle, conceived on the drawing board. His new universe was born and grew as it was drawn. Escher’s art is akin to Alice’s Wonderland. It stretches the notion of reality in every direction. Nevertheless, the artist’s aim is to bring order to a chaotic universe, and to do this he creates contexts that seem possible at first sight, even though they could never possibly exist. Escher created entire universes by taking classical concepts of pictorial art – such as perspective, the perpetual motion machine and reflection – and interweaving them with systems of planar tile patterns and other mathematical concepts. In a letter dated May 4, 1929, sent from Italy to an old friend, he states: “I know no greater pleasure than wandering through hills and dales, from village to village, letting nature without artifices act on me, appreciating the unexpected and the extraordinary, in the greatest imaginable contrast with ordinary day-to-day experience.” The unexpected and the extraordinary are the gift that Escher gave us throughout his long life.


Escher Escher é tão é tão fácilfácil de de identificar identificar e, por e, por esteeste mesmo mesmo Escher Escher is extremely is extremely easyeasy to identify to identify and, and, for for thatthat veryvery motivo, motivo, tãotão difícil difícil de de descrever. descrever. SeuSeu ponto ponto de de vista vista reason, reason, extremely extremely difficult difficult to describe. to describe. HisHis point point of view of view surge surge na na linha linha do do horizonte horizonte queque nãonão existe. existe. EleEle rises rises from from a horizon a horizon thatthat doesdoes notnot exist. exist. HeHe subverts subverts subverte subverte a geometria a geometria e ae opinião a opinião emem outro outro ponto ponto geometry geometry andand opinion opinion intointo a different a different point point of of view. view. de de vista. vista. Mostra Mostra queque percepção percepção e ilusão e ilusão requerem requerem HeHe shows shows thatthat perception perception andand illusion illusion require require attention attention atenção atenção emem todos todos os planos. os planos. in all in all plans. plans. OO Museu Museu Oscar Oscar Niemeyer Niemeyer recebe recebe com com muita muita honra honra Museu Museu Oscar Oscar Niemeyer Niemeyer proudly proudly receives receives thethe exhibition exhibition a exposição a exposição “A“A Magia Magia de de Escher”, Escher”, com com 85 85 gravuras, gravuras,“The “The Magic Magic of Escher”, of Escher”, which which features features 85 85 works works andand e convida e convida o público o público a criar, a criar, a partir a partir do do universo universo de de encourages encourages thethe public public to to create, create, inspired inspired by by Escher’s Escher’s Escher, Escher, suasua própria própria percepção. percepção. universe, universe, their their ownown perception. perception. Estela Estela Sandrini Sandrini

Diretora Diretora do Museu do Museu Oscar Oscar Niemeyer Niemeyer

Relatividade Relatividade / Relativity, / Relativity, 1953 1953 litografia litografia / lithograph / lithograph | 29,1 |x 29,1 29,4 xcm 29,4 cm

Estela Estela Sandrini Sandrini Director Director – Museu – Museu Oscar Oscar Niemeyer Niemeyer

Laço Laço / Bond / Bond of union, of union, 1956 1956 litografia litografia / lithograph / lithograph | 25,3 |x 25,3 33,9 xcm 33,9 cm


A Magia de Escher The Magic of Escher Museu Oscar Niemeyer 12 abril a 21 julho 2013 | Salas 1 e 2 April 12 to July 21, 2013 | Rooms 1 and 2

Coordenadora do Sistema Estadual de Museus Coordinator of the State’s System of Museums Christine Vianna Baptista Coordenação de Comunicação – SEEC Coordinator of Communication – SEEC Thaísa M. Teixeira Sade Coordenação de Desenho Gráfico – SEEC Coordinator of Graphic Design – SEEC Rita Solieri Brandt

Coordenação de Acervo Coordinator of Collection Humberto Imbrunisio Ricardo Freire Taffarel Rômulo Vieira Documentação e Referência Search and Documentation Iolete Guibe Hansel Maita Pantaleão Franco Lêda Godoy Gomes Salles Rosa Coordenação Administrativa e Financeira Management and Finance Coordinator Elvira Wos Coordenação de Infraestrutura Coordinator of infrastructure Helio Figlarz

MUSEU OSCAR NIEMEYER Oscar Niemeyer Museum Diretora Director Estela Sandrini Diretor Administrativo e Financeiro Administrative and Financial Director Cristiano A. Solis de Figueiredo Morrissy Assessoria Jurídica Legal Advisor Janaina Bertoncelo de Almeida Assessoria de Comunicação Press Office Marianna Camargo Design Gráfico Graphic Design Marcello Kawase Marciel Conrado Maico Amorim Coordenação de Planejamento Cultural Coordinator of Cultural Planning Sandra Mara Fogagnoli Danielly Dias Sandy Coordenação de Produção e Montagem Coordinator of Production and Installation Fabiana Wendler Jacson Luis Trierveiler Vanderley de Almeida

Manutenção Maintenance Alceu Chmiluk Alaete José Alves Giomar Guandahim José Edson Ribeiro José Carlos Cordeiro de Oliveira Luiz Ferreira de Almeida Assessoria de Eventos Events Assistant Paula Moreira Juliana Curi Kalache

Concepção Conception Artyk / Art Unlimited

Projeto de iluminação (instalações com espelhos) Lighting design (installation with mirrors) Design da Luz Fernanda Carvalho

Curadoria Curated by Pieter Tjabbes

Pesquisa de filmes Film research Bernard Lemos Tjabbes

Coordenação geral General coordination Art Unlimited Pieter Tjabbes / Tânia Mills

Filme 3D 3D film Wennekes’ office for imagination Léon Wennekes

Arquitetura da exposição Exhibition architecture George Mills Arquitetos

Animações de imagens Image animations BAT Quinho Guimarães / Dudu Toledo

Design gráfico / Comunicação visual Graphic design / Visual communication Marina Ayra Luiz Dominguez

Tratamento de imagens Image editing Jorge Bastos

Direção de arte das instalações Art direction of the installations Marcos Muzi (Fator Z) Luís Felipe Abbud Consultoria Consulting Sandra Klinger Rocha Produção executiva Executive production Erika Uehara Sonia Leme

Apoio Técnico Technical Support Francieli Iantas Jéssica Mayumi Santos Karina Marques Lucas Murilo dos Santos Sabrina Ellen de Souza Tatiane Canalle

Equipe de produção Production team Ana Weiss Cristiane Guimarães Karen Rozenbaum Patrícia Magalhães Priscila Mealli Reginaldo Sousa Rose Teixeira Suellen Ferreira

Informática IT Claudio Osadczuk

Coordenação de montagem Setup coordination Hiro Kai

Segurança Security Divinalva Gomes Santos Sandro de Almeida Cardoso

Equipe de montagem Setup team Cícero Bibiano da Silva Junior Felipe Wandembruck Gustavo Divardim Thiago Provim Vinícius Viana Corrêa

Revisão Revision Armando Olivetti Tradução Translation John Norman Izabel Murat Burbridge André Riekes Bruel (Private Language Center)

As obras de M. C. Escher nesta exposição pertencem ao Acervo M. C. Escher Foundation-Baarn-Holanda As obras de M. C. Escher © M. C. Escher Foundation-Baarn-Holanda

The M. C. Escher works in this exhibition belong to the Collection M. C. Escher Foundation-Baarn-Netherlands The M. C. Escher works © M. C. Escher Foundation-Baarn-Netherlands

Realização

Diretora-Geral da SEEC General Director of SEEC Valéria Marques Teixeira

Patrocínio Sponsorship HSBC

Apoio institucional

Coordenação da Ação Educativa Coordinator of Educative Action Rosemeri Bittencourt Franceschi Sirlei Espíndola Karine de Castro P. Serafim Claudia Stoicov

Projeto de iluminação Lighting design Kristhyan Natal

Patrocínio

Secretário de Estado da Cultura State Secretary of Culture Paulino Viapiana

EXPOSIÇÃO Exhibition

Ingressos: R$ 6,00 inteira e R$ 3,00 meia-entrada. Entrada franca para maiores de 60 e menores de 12 anos. De terça a domingo, das 10h às 18h. Venda de ingressos até as 17h30. Acesso gratuito no primeiro domingo de cada mês. Toda primeira quinta-feira do mês horário estendido das 10h às 20h. Entre 18h e 20h entrada gratuita. Rua Marechal Hermes, 999 · Centro Cívico · Curitiba PR | CEP: 80530 230 · Tel.: 41 3350 4400 www.museuoscarniemeyer.org.br · facebook.com/monmuseu · twitter.com/monmuseu

Gestão Museológica Museum management Cristine Pieske

FOLDER COLECIONÁVEL

Governador do Estado do Paraná Governor of Paraná State Beto Richa


MON - Folder "A Magia de Escher"  
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