Issuu on Google+

C4

d e P E R N A M B U C O - Recife, quinta-feira, 30 de janeiro de 2014 DIARIOd vida urbana IIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII

Cremepe prorroga apuração Ór Órgão investiga responsabilidade de médico em morte de paciente que reduziu estômago. Família fez um abaixo-assinado

Mesmo que ela quisesse, o médico não poderia ter autorizado o procedimento” Rosineide Oliveira, jornalista e tia de Fernanda

ALICE SOUZA/DP/D.A PRESS

A

s 3.079 assinaturas colhidas em cerca de um mês por parentes e amigos da empresária Fernanda Nóbrega reforçam as esperanças de celeridade na apuração da morte dela, ocorrida após uma cirurgia de redução de estômago. Ontem, um grupo de 40 pessoas foi à sede do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe), onde uma sindicância foi aberta, para entregar a lista de assinaturas recolhidas via internet e em fomulários que vêm sendo distribuídos desde dezembro. O documento será anexado ao processo de investigação que, segundo o Cremepe, foi prorrogado por mais 60 dias. O médico responsável pela cirurgia, Gustavo Menelau, foi indiciado por homicídio culposo pela polícia. A sindicância foi aberta em 22 de novembro, 20 dias depois da morte de Fernanda. No abaixo-assinado, os familiares pedem rapidez nas investigações e cobram um posicionamento do conselho. Eles passaram cerca de duas horas em frente à sede do órgão, vestidos de camisas com fotografias da empresária e munidos de cartazes. “A gente quer justiça. A apuração desse caso precisa ser rigorosa, pois o que aconteceu com a minha sobrinha foi muito grave. E a quantidade de assinaturas que conseguimos em tão pouco tempo mostra como a sociedade nos apoia”, afirmou a tia da empresária, a jornalista Rosineide Oliveira. Além dos cartazes, os parentes e amigos também levaram duas faixas questionando a ética médica do responsável pela cirurgia. Uma delas com a mensagem “uma vida não tem preço”, a mesma que estampava a camisa ao lado da fotografia de Fernanda. “Cirurgia bariátrica não é tratamento estético”, ressaltou Rosineide. Fernanda morreu aos 26 anos, em 2 de novembro, quatro dias após a cirurgia. Sem diagnóstico de obesidade mórbida, buscava memelhoria estética. Procurou dois médicos que, segundo a família, recusaram-se a operá-la. O terceiro a convenceu a engordar 10 kg. Ela teve complicações pós-cirúrgicas, com vômitos e dores constantes, e precisou ser operada de novo. O inquérito policial está em

curtas

Amigos e parentes se reuniram em protesto ontem, em frente à sede do Conselho Regional de Medicina ALICE SOUZA/DP/D.A PRESS

entrevista >> Andréa Nóbrega,

irmã de Fernanda

“Ela não deveria ter feito a cirurgia” Vestindo uma camisa branca com a imagem de Fernanda, a enfermeira Andréa Nóbrega, 29 anos, não esconde o desconsolo de perder a única irmã. Passados cerca de três meses, ela chora ao falar sobre a dor. Ontem, Andréa foi uma das 40 pessoas a comparecer à sede do Cremepe e a responsável por protocolar o abaixo-assinado que será anexado à sindicância do órgão. Em entrevista ao Diario, expôs a indignação da família.

apreciação pelo Ministério Público. No último dia 22, a promotora Christiane Roberta Gomes de Farias, pediu novas diligências. O Cremepe informou, por nota, que a investigação sobre a ocorrência de infração ética corre em sigilo e aguarda o relatório final do conselheiro sindicante. O Diario tentou falar com o médico Gustavo Menelau, mas as ligações não foram atendidas.

Irmã de Fernanda entregou documento com mais de três mil assinaturas, que será anexado ao processo

Outroscasos

Pelos menos outros três casos seme seme-lhantes ao de Fernanda Nóbrega vieram à tona depois do resultado do inquérito policial. Um deles é o da pedagoga Simone Patrícia Ferreira, que morreu aos 37 anos depois de ser aconselhada a engordar 10 kg para se submeter à redução de estômago, em 2009. A dona de casa Rita de Cássia Oliveira, 27, também af afir irmou sofrer complicações depois de uma gastroplastia realizada em janeiro de 2008.

>>

acesse Assista a vídeo com o protesto e entrevista de familiares

JULIO JACOBINA/DP/D.A PRESS

Como tem sido a vida da família desde a morte de Fernanda? Minha irmã era uma pessoa extremamente presente. Uma amiga para mim, uma mãe maravilhosa para os filhos de três e quatro anos, além de um ser humano excelente. É muito difícil ver qualquer foto dela, lembrar do sorriso sempre no rosto, do jeito de ser dela sempre alegre e saber que ela não está mais aqui. É difícil entender que não tenho mais ela aqui comigo. O que a família espera após o abaixo-assinado? A gente quer que o responsável seja punido pelo que fez à minha irmã. Ela morreu porque não deveria fazer essa cirurgia. Não tinha indicação, mas o médico assumiu o risco autorizando e realizando o procedimento perigoso e desnecessário para a vida

dela. Viemos ao Cremepe para que a entidade nos dê uma resposta quanto ao trabalho realizado pelos profissionais médicos. A quantidade de assinaturas recolhidas em tão pouco tempo mostra que a sociedade também quer uma resposta. É um caso importante para a saúde. Sua irmã queria fazer a cirurgia? Ela tinha esse desejo, desenvolvido poucos meses antes do procedimento. A família não era a favor, pois ela não precisava. Fernanda chegou a procurar médicos que negaram e engordou a pedido desse médico para poder se submeter ao procedimento. A família não queria. E independentemente do desejo da paciente, o cirurgião só poderia autorizar a intervenção se fosse realmente necessária. Era uma questão de ética da profissão.

PEROLA FRANCA/DIVULGACAO

VAZAMENTO QUÍMICO

GATOS

JABOATÃO

Empresa terá que retirar produtos

ONG faz queixa sobre matança

Cinco lava-jatos furtavam água

Depois de ter a central de armazenamento na Imbiribeira interditada em função de um vazamento de amônia, a Masterboi foi notificada ontem a retirar todos os alimentos armazenados na unidade. A empresa terá um prazo de 20 dias para remover mil toneladas de produtos estocados nas câmaras frigoríficas e adotar um plano emergencial de contingência. Os alimentos deverão sair do local para que haja adequações na estrutura e na regularização junto ao município. Durante os 20 dias, o compressor do sistema de refrigeração responsá-

Voluntárias da ONG Gatinhos da Beira Rio prestaram queixa, ontem, na Delegacia do Meio Ambiente, sobre a matança de felinos na Avenida Beira Rio, no bairro da Torre, ocorrida na sexta-feira. Doze corpos de gatos foram encontrados no local e 16 animais estão desaparecidos. As colaboradoras da ONG acreditam que os bichos tenham sido envenenados. As ativistas aguardam o resultado de um laudo emitido por um veterinário que examinou um dos gatos, para anexar o documento ao boletim de ocorrência.

Uma operação conjunta das polícias Civil e Militar e da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) interditou, ontem, cinco lava-jatos que furtavam água através de ligações clandestinas, conhecidas popularmente como“jacarés”, em Piedade, Jaboatão dos Guararapes. Segundo o delegado Joel Venâncio, pelo menos cinco pessoas foram detidas e autuadas em flagrante por furto qualificado. A Compesa participou da operação desfazendo as ligações clandestinas e recolhendo bombas e canos, que serão encaminhados à delegacia como provas.

vel pelo vazamento de amônia terá que permanecer desligado. A Masterboi também terá que implantar uma série medidas preventivas, como implantação de sistema de alarme, sinalizações e sensores de vazamento. Caso volte a liberar amônia, terá todas as câmaras frigoríficas fechadas e os alimentos incinerados. Em nota, a empresa afirmou que retirou 60

toneladas de alimentos ontem e antecipou a implantação da mudança do sistema de refrigeração. Será substituída a amônia por outra substância de refrigeração,“tendo como principal objetivo o de preservar o bem-estar da comunidade do entorno”. A Masterboi afirmou ainda que o vazamento da última segunda-feira não atingiu os alimentos.

De acordo com a delegada responsável, Eliane Caldas, as investigações já começaram. “Ouvi duas voluntárias hoje (ontem) e vamos esperar a chegada do laudo para saber como agir. Precisaremos da ajuda de todos para que a justiça seja feita”, disse. Os sobreviventes saudáveis estarão disponíveis para adoção em evento na Beira Rio, no sábado.


Hapvida dp 30 01 2014