__MAIN_TEXT__
feature-image

Page 1

MONIQUE ALLAIN

MÉXICO IMAGINÁRIO MEMÓRIAS HERDADAS, VIVIDAS E INVENTADAS

Um livro dentro de um livro à espera de um livro

São Paulo 2016


MONIQUE ALLAIN

MÉXICO IMAGINÁRIO MEMÓRIAS HERDADAS, VIVIDAS E INVENTADAS 1ª edição

São Paulo Monique Marie Allain e Palomino 2016

5


Todas as imagens que compõem as páginas desta publicação são construções elaboradas com obras produzidas desde 1997. As raízes mexicanas, sempre muito presentes, falaram alto. Ao constatar o fato, adotei, entre 2000 e 2007, a identidade artísica Maria Palomino (adequação do meu próprio nome, Monique Marie Allain e Palomino), com a qual assinei diversos trabalhos.

Pinturas, esculturas, desenhos e fotografias expandem o alfabeto verbal em busca de uma dimensão sinestésica entre imagens e palavras, para expressar, com liberdade e entusiasmo, impressões, sentimentos e afetos.

Um livro dentro de um livro, dentro de um livro.

A reunião, a transformação e a integração dessas obras concebidas ao longo dos anos, todavia nítidas e significativas hoje, nutriram este ensaio. O presente, experiência viva do “aqui e agora”, apoia-se no acúmulo de passado e o atualiza, para situar-se e inventar-se a cada instante.

6


Mas o que é um livro?

"É preciso começar a perder a memória, mesmo que seja de pequenos fragmentos, para perceber que esta memória é o que constitui toda a nossa vida. Uma vida sem memória não seria uma vida (...) Nossa memória é nossa coerência, nossa razão, nosso sentimento, e mesmo nossa ação. Sem ela não somos nada (...)" Luis Buñuel 7


"Dos diversos instrumentos utilizados pelo homem, o mais espetacular é, sem dúvida, o livro. Os demais são extensões de seu corpo. O microscópio, o telescópio são extensões de sua visão; o telefone é a extensão de sua voz; em seguida, temos o arado e a espada, extensões de seu braço. O livro, porém, é outra coisa: o livro é uma extensão da memória e da imaginação.” Jorge Luis Borges

8


México imaginário. Memórias herdadas de um país outro.

9


Como é ser filha de mãe mexicana?

"(...) que tipo de vida, que tipo de mundo, de si mesmo, podem ser preservados em um homem que perdeu grande parte de sua memória e com ela sua situação e referência dentro do tempo?" Oliver Sacks 10


“Na busca do espaço, reencontramos a ansiosa busca de identidades ameaçadas (...) Nas lembranças, o espaço localiza o tempo. Perdido o espaço, a identidade vacila à medida que tempo/espaço compõem o quadro no interior do qual o sujeito se re-conhece.”

Sentir-se pertencente a esse país sem nunca o ter verdadeiramente habitado?

Marcia Mansor D’Alessio

11


É experimentar uma saudade infinita de um lugar que pouco conhecemos, mas que nos ocupa, nos reivindica, nos assombra. É sentir nostalgia de uma ficção oriunda de intensas memórias ancestrais, histórias, fantasias, demasiados afetos... e de algumas poucas recordações de momentos vividos. Nas lembranças, a distinção entre relatos e fatos se perde. Temporalidades distintas se atropelam e se atualizam reunidas em um mesmo plano, em um instante único, efêmero e inapreensível do tempo presente. Instante esse no qual concretude e abstração revelam o sentido da nossa existência e testemunham que a vida nada mais é do que uma ficção.

12


Ser filha imigrante.

de

imigrante

é ser eterna

É carregar consigo uma pátria sonhada, muitas vezes temida, amada e desejada, porém impossível de ser verdadeiramente encontrada. Uma pátria somente habitada na imaginação. É viver em nostalgia perpétua, em vã tentativa de alcançar um estado simultâneo de SER e ESTAR.

13


MĂŠxico imaginĂĄrio... Como pode ser esse lugar?

Intenso, arrebatador... Emotivo, dramĂĄtico!

14


De senso estÊtico apurado, elegância e sobriedade nas formas, cores vigorosas, porte nobre e orgulhoso.

15


16


País conhecedor de sua história, de suas tragédias, de suas origens.

17


Explosivo como um vulcão que cospe sua lava incandescente e a deixa transbordar, recobrir e perpetuar, assim, suas mágoas. Um território no qual um mútuo ranger mudo de dentes assola a convivência de colonizador e colonizado, entre muros não visíveis de rancor e sede de vingança.

18


México imaginário, majestoso...

País cuja cultura é filha do casamento de Montezuma com a Virgem de Guadalupe. País de fé e traição.

19


Um lugar onde porcelana e cerâmica se defrontam, se confrontam, se repelem, se atraem... e de uma mesma fornada constituem uma peça híbrida, única,

20


Hibridizações entre povos nativos das Américas e europeus colonizadores foram marcadas por tensões, acidentes, rachaduras, quebras, antropofagias e transformações.

sem dúvida vulnerável, com muitas trincas e cicatrizes! Mas uma peça inteira, rica, original, soberba em sua dignidade!

Naturezas tão distintas e hábitos e valores totalmente estranhos entre si viram-se confrontados. A produção de uma peça resultante da mescla de porcelana e barro originou-se do desejo de vivenciar e materializar esse processo.

A fragilidade da peça é consequência natural de uma iniciativa experimental e de risco. A proposta consistiu em apresentar como trabalho o que resultaria da queima, qualquer que fosse o resultado. E veio a surpresa. 21


22


23


Como será esse lugar

de água e óleo, luz e sombra, fé, calor e rudeza?

México imaginário...

24


Lugar ambíguo, de constrastes. Sensual, erótico, pulsante...

misterioso, monstruoso... de dominação e volúpia, no qual a natureza do homem, entre viril e frágil, oscila diante das próprias emoções.

25


Lugar onde o homem chora como criança a perda da mãe, caminha sem descanso e conforto em busca de sua presença intangível, e continua obedecendo-a mesmo após sua morte.

26


México imaginário... Povoado de crianças que correm, gritam e brincam; de apaixonados que cantam e dançam suas dores, desilusões e amores, que sussurram desejos. México, país de formas, cores, perfumes e sabores.

Vibrante, festivo, árido, ardido e apimentado.

País de sol, terra e mar, de sapos, cobras e lagartos, de tequilas e escorpiões. De missas cantadas pelos Mariachis, de chilis, churros y nopales; de sangrita, guacamole, ceviche e jugo de Jamaica.

27


Um lugar de fronteira no qual vivos e mortos convivem, se encontram, se tocam e comemoram?

28


29


Como pode ser esse lugar onde a existência se dá em uma potência máxima, onde os limites do possível e do impossível se dissolvem? Um lugar em que não se sabe mais quando a realidade acaba e começa a ficção?

30


Onde o encontrar senão na imaginação?

31


Onde ĂŠ esse lugar?

32


33


34


Lugar amoroso, lugar mãe, MÃE... ONDE ESTÁ VOCÊ?

35


“Graças à memória, o tempo não está perdido, e, se não está perdido, também o espaço não está. Ao lado do tempo reencontrado está o espaço reencontrado. Ou, para ser mais preciso, está um espaço enfim encontrado, um espaço que se encontra e se descobre em razão do movimento desencadeado pela lembrança.” George Poulet

MÉXICO IMAGINÁRIO: MEMÓRIAS HERDADAS, VIVIDAS E INVENTADAS é uma aproxima-

ção poética da cultura e do imaginário mexicano. Ela se desenvolve com base nas ressonâncias que, como brasileira, filha de mexicana, reconheci durante a leitura da novela “Pedro Páramo”, de Juan Rulfo. São memórias visuais de memórias ancestrais, histórias herdadas, e recordações de momentos vividos e inventados. Procuro raízes de antepassados perdidas em solo distante, inúmeras referências e múltiplos afetos que dão contorno à identidade e consolidam os vínculos com essa terra. Quem sabe, assim, uma pequena estrela, dentre as inúmeras constelações que habitam o céu deste país e inscrevem nele sua vibrante personalidade, torne-se mais visível. México é, para mim, sinônimo de infância, de mãe. É o desejo de um reencontro.

36


37


MONIQUE ALLAIN MÉXICO IMAGINÁRIO: MEMÓRIAS HERDADAS VIVIDAS E INVENTADAS concepção e projeto gráfico / monique allain texto e imagens / monique allain assistência de edição / jade marangolo revisão de texto / esther alcântara produção / aber – associação brasileira de encadernação e restauro

ALLAIN, Monique México imaginário: memórias herdadas, vividas e inventadas / Monique Marie Allain e Palomino.1ª ed.- São Paulo: Edição do autor, 2016. ISBN 978-85-921531-0-6 1. Artes. 2. Arte e Literatura. 3. México. 4. Memórias.

monique allain m.allain@uol.com.br http://moniqueallain-projetos.blogspot.com 38


Estela Vilela Fernando Durão

realização: ABER

REALIZAÇÃO

AssociaçãoABER Brasileira de Encadernação e Restauro Associação Brasileira de

projeto Vitrine ABER ABER – Associação Brasileira de Encadernação e Restauro Encadernação e Restauro

projeto Vitrine ABER

idealização: idealização:

R. Dr. Bráulio Gomes, 139 República, São Paulo, SP 01047-000

Estela Vilela Estela Núcleo deVilela Artes ABER Fernando Durão Fernando Durão Monique Allain realização: Associação Brasileira de realização: Encadernação e Restauro Apoio Institucional:

projeto Vitrine ABER idealização: Núcleo de Artes Monique Allain

Estela Vilela

Núcleo de Artes Fernando Durão Apoio Institucional: Monique Allain

Apoiorealização: Institucional:

Apoiadores:

ABER Apoiadores: Associação Brasileira de Encadernação e Restauro Núcleo de Artes Apoiadores: Monique Allain ABER ABER projeto Vitrine

APOIOS VSP Papéis Especiais

Apoio Institucional:Fedrigoni

Associação Brasileira de Encadernação e Restauro idealização:

projeto Vitrine ABER

Estela Vilela idealização: Fernando Durão

Biblioteca Mário de Andrade

Estela Vilela Fernando Durão

realização: realização:

Apoiadores: Núcleo de Artes Monique Allain

Núcleo de Artes Apoio Institucional: Monique Allain

Apoio Institucional:

Apoiadores:

PARCEIROS Senai Theobaldo de Nigris

Apoiadores:

Gráfica Águia

39


formato: 150 x 220 mm tipologia: avenir next nĂşmero de pĂĄginas: 36 40


Este é um livro dentro de um livro, à espera de um livro. Nasceu da experiência vivida pela autora, como integrante do grupo de pesquisa As matrizes do fabulário ibero-americano, dirigido por Nélida Piñon, durante o ano de 2015. Uma das intenções do trabalho foi subverter a ordem das coisas ao infiltrar este pequeno livro dentro de uma publicação acadêmica, território onde a principio não se espera encontrar uma obra de arte. Traduz uma vontade de aproximar a experiência sensível de reflexões suscitadas por ela. Infelizmente, a proposta foi recusada por não atender às especificações do edital de seleção de artigos do grupo de pesquisa, fato este que revela o hermetismo dos sistemas institucionais e as dificuldades enfrentadas para se estabelecer diálogos transversais entre modalidades e abordagens do conhecimento que envolvem liberdade poética. Uma obra de arte só existe quando apresentada ao público. MÉXICO IMAGINÁRIO: MEMÓRIAS HERDADAS, VIVIDAS E INVENTADAS é um trabalho incompleto em busca de um hospedeiro que lhe permita apresentar-se integralmente, para assim cumprir sua função. É um LIVRO DE ARTISTA em processo.

monique allain m.allain@uol.com.br http://moniqueallain-projetos.blogspot.com

Profile for Monique Allain

MÉXICO IMAGINÁRIO: MEMÓRIAS HERDADAS, VIVIDAS E INVENTADAS (COR)  

“A obra é uma aproximação poética sobre a cultura e o imaginário mexicano. Quem sabe, assim, uma pequena estrela, dentre as inúmeras constel...

MÉXICO IMAGINÁRIO: MEMÓRIAS HERDADAS, VIVIDAS E INVENTADAS (COR)  

“A obra é uma aproximação poética sobre a cultura e o imaginário mexicano. Quem sabe, assim, uma pequena estrela, dentre as inúmeras constel...

Advertisement

Recommendations could not be loaded

Recommendations could not be loaded

Recommendations could not be loaded

Recommendations could not be loaded