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Contando história Tentando reverter a imagem negativa deixada pela saída de John Galliano, a Dior deu início a uma exposição no Museu Pushkin, na Rússia.A mostra conta com 120 vestidos que representam a evolução da alta costura da maison francesa, desde sua criação por Christian Dior até as peças polêmicas de Galliano. É o primeiro passo em busca de uma recuperação frente ao grande público, que ainda está em choque com as declarações anti-semitas feitas pelo ex-designer da grife. De mãe pra filha E o mundo da moda parece se abrir cada vez mais às famílias. Além da já conhecida hereditariedade dentro das grandes marcas, agora é a vez dos bastidores conhecerem o nepotismo. Anna Wintour, badalada editora-chefe da Vogue América, anda circulando cada vez mais com sua filha, Bee Shaffer, e os rumores de que a jovem vai abandonar sua coluna no The Daily Telegraph e migrar para o escritório da mãe aumentam a cada dia. De mãe pra filha 2 Enquanto isso, Julia Roitfeld segue os passos de sua mãe famosa bem de perto. Além da carreira de diretora de arte, seus trabalhos como modelo se multiplicam em velocidade surpreendente. Em sua mais nova empreitada, a herdeira da ex-editora da Vogue francesa, Carine Roitfeld, pousou para as lentes do todo-poderoso Karl Lagerfeld, em um editorial para a revista Visionaire. Uma coisa fica nítida: a beleza, nesse caso, é hereditária. A estilista da princesa Depois do alvoroço causado pelo vestido de noiva de Kate Middleton, Sarah Burton, estilista que sucedeu Alexander McQueen a frente de sua marca, colhe os frutos do sucesso: seu nome já é um dos mais procurados nos sites de pesquisa e todos os veículos de comunicação querem uma entrevista com ela.


Em sua primeira declaração sobre o vestido real, a estilista elogia a nova princesa e afirma que foi uma colaboração entre as duas. Aguardamos uma nova parceria. Todo mundo veste Prada A coleção de verão 2011 da Prada não é considerada apenas um hit, mas já leva o título de a mais bem-sucedida da história da marca. Além de estar esgotada em boa parte das lojas da grife, a coleção é a estrela de, nada mais, nada menos, que 47 capas de revistas de moda pelo mundo. Publicações como Elle, Marie Claire e Vogue se renderam às listras coloridas e estampas de frutas criadas por Miuccia Prada, e lojas de departamento como a Zara já expõem as conhecidas “inspirações” em suas vitrines.


Novos ares e o mercado de luxo Vem ficando cada dia mais nítido o impacto do crescimento econômico brasileiro na indústria da moda no país. A vinda de marcas internacionais ao Brasil é, provavelmente, um dos exemplos mais simbólicos disso. Além de novas lojas da Dior, Gucci e Louis Vuitton, o país deve receber em breve as primeiras lojas da Miu Miu, Prada e Lanvin, todas estrategicamente distribuídas em pontos conhecidos pelo luxo na cidade de São Paulo. A Issa, grife do vestido de noivado de Kate Middleton, também aterrisa por aqui em breve. E os sinais não param por aí. De acordo com estatísticas publicadas na revista Carta Capital, nos últimos oito anos o consumo de bens de luxo no país aumentou cerca de 35%, movimentando aproximadamente 5 bilhões de reais. Segundo outra publicação especializada, a Cosmetics & Toiletries, o mercado de luxo corresponde a 3% do PIB brasileiro. Traduzindo os números para uma realidade leiga, é muito dinheiro circulando por aí. Enquanto muitos acham que tudo provém de uma parcela mínima da população e que esses indicadores só servem para apontar ainda mais as diferenças sociais no país, vale a pena lembrar que a economia é uma só. O impacto das compras que uma madame faz na Oscar Freire muitas vezes é mais significativo do que o de dez donas de casa em um loja de atacados, e é esse o movimento que atrai os investidores. Sem desmerecer ninguém – afinal de contas, estou muito mais perto do atacadão do que da Daslu – esse novo nicho que nasce na cultura brasileira tem tudo para criar muito mais do que apenas mocinhas ricas com bolsas de marca. Afinal de contas, não é novidade que tudo na moda se reinventa (um termo mais bonito para cópia e reciclagem). Dessa maneira, é fácil concluir que a mesma estampa presente na vitrine da Marc Jacobs do Shopping Cidade Jardim logo logo chega aos camelôs da 25 de março, encarregados de repassar essa tendência luxuosa para o dia-a-dia dos menos afortunados. E querendo ou não, é assim que o dinheiro gira.


Semanas de moda ou de celebridades? De uns tempos pra cá, as semanas de moda se tornaram muito mais do que apenas um evento dedicado a novas coleções. Em meio à loucura dos bastidores e modelos famintas, encontramos verdadeiros ratos de passarela que fazem de tudo por um convite para a primeira fila de um desfile badalado, sempre tentando pegar carona nas fotos. Fica então a pergunta: onde foi parar a moda? Quem manda na Fila A Enquanto jornalistas do ramo e representantes de agências saem no tapa por um lugar ao sol, as primeiras fileiras são povoadas por celebridades, namorados de modelos famosas e as tão controversas blogueiras de moda, que juram estar ali “por motivos profissionais”. Desfile vai, desfile vem, elas continuam reinando – e twittando - em suas confortáveis cadeiras, ao mesmo tempo em que muitos se matam por meia dúzia de fotos para mandar para o seu editor no dia seguinte. Quem paga mais É verdade que muitos estilistas estão por trás dessa bagunça toda, e é preciso analisar a razão disso um pouco mais a fundo. Hoje em dia a informação de moda está presente nessa realidade online em que os blogs “especializados” no assunto se multiplicam a cada dia. Querendo ou não, a visibilidade que as grifes conseguem através dos blogs é muitas vezes mais interessante do que o que a clássica mídia impressa tem a oferecer, e é aí que mora o perigo. Afinal de contas, vale mais arriscar na informalidade do que investir no profissional? O exemplo da Colcci E toda essa mistura não fica apenas entre os convidados não. A última edição da São Paulo Fashion Week mostrou que os investimentos das grifes em celebridades na passarela tem seus riscos. A aposta da Colcci em trazer o galã


Ashton Kutcher e sua mulher Demi Moore resultou em vaias e vergonha alheia, já que os pombinhos deixaram todos no aguardo por 3 horas até que resolvessem aparecer na Bienal. Tudo isso para que pudéssemos apreciar o ator por um minuto na última entrada do desfile – minuto esse que custou alguns milhões. Vale a pena? Nada impede uma celebridade de participar de uma semana de moda – de certa forma, essa atenção até que deixa tudo mais interessante. Mas deve existir um limite que garanta aos profissionais que vivem daquilo o necessário para que consigam realizar o seu trabalho, seja ele uma foto, uma entrevista uma simples caminhada pela passarela. Cabe agora aos responsáveis pelas grifes e aos organizadores dos eventos escolherem a forma mais adequada para manter esse limite e colocar a moda em primeiro lugar novamente.


O que a SPFW nos deixou E lá se foi mais uma semana de moda. Entre desfiles, modelos e celebridades, as tendências que ficaram nos mostram que vem aí um verão um pouco mais delicado e definido do que os anteriores, e vale a pena destacar alguns detalhes: Liso, lisinho Prepare-se para tirar a chapinha da gaveta. Enquanto nas estações anteriores os cabelos ondulados a la Gisele apareceram em diversas variaçãos – inclusive o tão odiado friss – dessa vez não existe espaço para um fiozinho sequer fora do lugar. Gloria Coelho, Tufi Duek, Cori, Triton e Maria Bonita foram algumas das marcas que apostaram no cabelo liso, mesclando as madeixas soltas com rabos de cavalo e até mesmo coques laterais. That’s 70’s Show Os anos setenta voltaram com tudo e, pelo visto, essa tendência veio para ficar por algum tempo. Calças de modelagem flare e tricôs com tramas maiores e coloridas marcaram presença, além de túnicas retas e com cortes mais assimétricos. Os desfiles da Cavalera e Animale evidenciaram bem a tendência 70’s, mas foi na passarela da Neon que as cores, formatos e hot pants nos provaram que voltamos no tempo mesmo. É hora de ser menininha Saias longas, comprimento midi, babados e renda. O mix de romantismo com sensualidade foi um dos grandes destaques nessa edição da SPFW. Os desfiles mais comentados, como os de Alexandre Herchcovitch, Reinaldo Lourenço e Maria Bonita, exaltaram a mulher que sabe ser mulher e aposta na sua feminilidade. Por outro lado, Mario Queiroz foi um dos poucos que ainda apostou no masculino para o próximo verão, brincando com tons sóbrios e


calças sequinhas e arrancando suspiros daquelas que continuam com o estilo boyfriend. Orgulho tuipiniquim A surpresa do verão vem nas estampas, que exalam brasilidade. Pedro Lourenço, o nosso jovem talento que conquista cada vez mais o espaço internacional, trouxe estampas de araras e coqueiros em suas peças leves e fluidas – que logo estarão tomando conta de inúmeros editoriais, pode escrever. Até mesmo a moda praia se rendeu, e foi nas coleções da Cia. Marítima e da alta costura praiana de Adriana Degreas que encontramos as cores e os formatos do Brasil.


Agora é Moda