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anuário tele.síntese | 2017

As teles descobrem o valor dos dados A partir do momento em que começaram a tratar de forma adequada a enorme massa de dados que movimentam todos os dias, as operadoras descobriram que aí pode haver um negócio. Os dados têm que ser agregados e impessoais. Por Wanise Ferreira A economia digital chegou ao eixo principal dos provedores de serviços de telecom. Depois de vários anos enfrentando a concorrência de OTTs (Over to the Top), de gigantes mundiais da internet e de novos entrantes em nichos específicos onde elas também atuam, as operadoras de telecom resolveram dar o troco. E ele veio na forma de serviços analíticos para terceiros que cobrem os mais variados aspectos do comportamento do cliente, desde deslocamento de passageiros pela cidade, ou pelo estado, ao interesse do consumidor por um determinado produto ou mesmo seu poder de compra. É a era do Big Data, que promete se consolidar nesse mercado. Esse já parecia ser o caminho natural para quem tem em suas mãos o maior volume de informações de consumidores e cidadãos. Afinal, são 242 milhões de pessoas em movimento com seus celulares, são 41,2 milhões de assinantes fixos que têm seus hábitos também registrados por essas companhias, são 27,5 milhões de clientes banda larga acessando sites, portais de e-commerce, informações, e ainda 18,6 milhões de pessoas conectadas em TVs por assinatura, ou consumindo vídeo on demand, com preferências de conteúdo sendo igualmente levantadas. Há pelo menos quatro anos que as operadoras de telecom perceberam a riqueza de informações que possuem e tentam descobrir a melhor forma de rentabilizar esse negócio. Algumas se adiantaram e outras ainda montam seus planos de negócios e testes de tecnologia. Mas todas estão dispostas a seguir esse caminho.

Essa disposição também coincidiu com outro momento significativo para o mercado de TI e telecom: a evolução do processamento de altos volumes de dados praticamente em tempo real. Dos sistemas de BI (Business Intelligence) para o Big Data, a trilha foi aberta. O tamanho do mercado de Big Data e analíticos (BDA) dá uma ideia do interesse que o uso dessas plataformas está causando na economia. Uma projeção inicial do IDC indicava que esse segmento teria uma expansão de 11,7% anual nos próximos anos até chegar a movimentar cerca de US$ 203 bilhões em 2020. Este ano, a consultoria previu que o faturamento de 2017 desse mercado poderá chegar a US$ 150,8 bilhões e praticamente manteve o percentual de expansão, 11,9%, para atingir um pouco mais em 2020, US$ 210 bilhões. De acordo com a Frost & Sullivan, no ano passado o faturamento dessa área na América Latina foi de US$ 2,48 bilhões e sua previsão é de que alcance US$ 7,41 bilhões em 2022. No Brasil, a receita chegou a US$ 1,16 bilhão em 2016, representando 46,8% do mercado latino-americano. Se os bancos podem liderar os investimentos em BDA de olho principalmente em segurança das informações e otimização da jornada do cliente, as operadoras de telecom, segundo o IDC, estão entre as indústrias que deverão registrar maior crescimento nos investimentos nessa tecnologia. Isso porque é uma ferramenta importante para ajudar no processo de retenção do cliente e conquista de

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