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anuário tele.síntese | 2017

“O custo de conexão depende do volume de dados. Sedes de data centers pagam menos.” maior parte dos investimentos para conectar grandes centros de dados, que faz aumentar a concorrência e cair os preços, é em rotas para os EUA. O custo de conexão entre a Europa e a África do Sul é o mais alto do mundo – uma banda de 10 Gbps entre Johanesburgo e Londres custava, ao final de 2016, cerca de US$ 40 mil por mês. Entre São Paulo e Miami, a mesma capacidade podia ser contratada por metade do valor, cerca de US$ 20 mil por mês. Os preços entre Brasil e EUA despencaram desde 2013, quando 10 Gbps custavam mais de US$ 90 mil por mês. O mesmo não se pode dizer dos custos de conexão entre São Paulo e Buenos Aires, por exemplo. De acordo com a TeleGeography, o preço de um circuito de 10 Gbps entre Buenos Aires e São Paulo hoje é duas vezes maior do que entre São Paulo e Miami. A Seaborn deve ativar seu cabo entre o Brasil e a Argentina, o ARBR, no final de 2018. O cabo submarino mais recente a conectar a Argentina entrou em operação há 16 anos – se sua atividade vai contribuir para reduzir essa diferença, o futuro dirá. Provedores de conteúdo A demanda dos provedores de conteúdos – como Google, Amazon e Facebook – está mudando o cenário das conexões submarinas. O que a TeleGeography chama de “redes privadas” – operadas por empresas e instituições que não são operadoras, como redes acadêmicas, bancos e, principalmente, provedores de conteúdos – ampliou de 13% sua participação no uso de banda em 2012 para 23% em 2016. Na América Latina, isso quer dizer que 8 Tbps dos 35 Tbps da capacidade da região eram ocupados por redes privadas ao final de 2016. Essa demanda, assim como a necessidade dos provedores

de levar seu conteúdo e serviços de nuvem para mais perto dos usuários finais, deve gerar novos investimentos em cabos e em data centers, explica Stephan Beckert, vice-presidente de Estratégia da TeleGeography. Além disso, acrescenta ele, regulações de proteção de dados de alguns países exigem armazenamento local das informações coletadas sobre seus cidadãos. Entre os novos empreendimentos que conectam o Brasil, a Google tem um papel de destaque. É sócia no cabo Monet, que liga Boca Raton (EUA) a Fortaleza, no Ceará, e Santos, no litoral de São Paulo, com a Algar Telecom, a Angola Cables e a Antel Uruguai. Também vai investir no Tannat, em parceria com a Antel Uruguai. E é a dona do Junior, entre São Paulo e Rio de Janeiro. A decisão de empresas como Amazon, Facebook, Google e Microsoft de investir diretamente na construção de cabos é consequência de seu próprio crescimento. Um dos fatores desse crescimento é o consumo de vídeos em todo o mundo. De acordo com a Cisco, a transmissão de vídeo por serviços como YouTube, que pertence à Google, Facebook, Netflix e Hulu, vai representar 82% do consumo mundial de internet em 2021. Ao fim de 2016, eram 72%. Além do consumo individual, o uso de comunicações em vídeo por empresas e de sistemas de vigilância vai contribui para que esse crescimento continue. Com grande parte da demanda internacional por tráfego nas mãos, as empresas provedoras de conteúdo avaliaram que o formato de consórcios com operadoras, o mais usado para a construção de rotas submarinas até então, era pouco flexível. E que o custo de construir suas próprias redes, com projetos sob seu controle, para conectar seus data centers e também para colocar seu conteúdo mais próximo dos usuários finais, é vantajoso.

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