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buzzine! Porto Alegre, Janeiro de 2005

Breve apresentação

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rovavelmente você, na fila da rematrícula, esperando uma cara, recebe essa folha e deve estar se perguntando, que merda é essa? Como você Nº 01 não tem o que fazer nessa fila mesmo, dê uma olhada pelo menos antes de amassar e jogar fora, ele pode ser de seu interesse.

SURGE UM ZINE NO UNIRITTER PARA APRESENTAR O QUE É DE INTERESSE DOS ESTUDANTES. DÚVIDAS, SUGESTÕES E/ OU RECLAMAÇÕES É BUZZINE@UNTITLED.ART.BR

A idéia de um zine surgiu na volta do Rdesign quando percebemos como a faculdade é pouco engajada no movimento estudantil. Encontramos nesse informativo a melhor maneira de transmitir nossas idéias e mostrar esse movimento. Além de tentar dialogar com os alunos sobre a faculdade e o que mais for de interesse. Com uma linguagem coloquial e um tanto chula, além do bom humor que não pode faltar, tentamos falar de coisas sérias as vezes. E coisas interessantes. Também, entrevistar pessoas legais.

Outro detalhe é que não temos habilidade de escrever, e não corrigimos os textos, mas não vamos mudar isso, pois são esses pequenos detalhes que tornam o Buzzine singular. Não há data para sair o próximo zine, ele sairá em breve, mas não se sabe quando. E assim que vai ser sem data, de repente ele aparece do nada. O layout muda, o logo muda, tudo muda, essa liberdade total é uma despreocupação que fazemos questão de ter. Contamos com a participação de todos para ajudar a construir esse novo meio de comunicação, por isso reclame, duvide, discuta, pergunte-se, é isso que queremos de certa forma, o email está ali do lado bem grande. buzzine!

Profissão Designer

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uita gente não sabe ainda, mas design não é uma profissão regulamentada. Não, não é. O diploma que estamos buscando aqui na faculdade, vai garantir apenas um título de Bacharel em Design (se é que não estará descrito como Desenho Industrial...), mas ainda estamos longe de um reconhecimento profissional frente à sociedade. Nos últimos tempos (meses, pra falar a verdade) li e ouvi coisas sobre o assunto. Não me aprofundei, achei que não era interessante, como muitos dos graduandos em design costumam fazer. Mas desde um ou dois meses pra cá, acho que está na hora de saber mais, e se engajar por essa causa. E olha que não é qualquer coisa não. A regulamentação tem esbarrado em inúmeros problemas: falta de informação sobre a profissão, falta de parlamentares que assumam com responsabilidade a causa e levem a discussão adiante, falta de consenso sobre

a questão. Aqui no UniRitter, poucas vezes ouvi falarem no assunto, apesar de termos grandes professores defensores da causa aqui dentro. Mas a grande pergunta que me faço é: realmente queremos que a profissão seja regulamentada? Isso é necessário? Durante os debates do RDesign (ah, RDesign, é o encontro regional de estudantes de design, ocorreu em Floripa em dezembro/2004), esse assunto foi colocado em pauta não uma, mas duas vezes. Algumas conclusões que pude tirar: - O design não é visto da forma correta pela sociedade. Para a maioria das pessoas, o design não significa "designar, dar sentido" a alguma coisa, mas é o elemento de "diferenciação" das coisas, é o que torna o mundo moderno "bonitinho”. Será que não é a hora de romper com essa idéia fazendo a sociedade enxergar o design como ele realmente é?

Fazendo as pessoas enxergarem o processo de desenvolvimento das idéias, que é o que está atrás do produto final do designer? Será que isso inclusive não passa por uma nova nomenclatura para a profissão? - Argumenta-se que o design não oferece riscos à sociedade, como a arquitetura ou a engenharia (nunca ninguém morreu por ler um folder com letras minúsculas...). Portanto, daria pra dizer que Design não mata. É inofensivo. Vamos aos fatos: Se você, enquanto designer, é contratado para fazer a sinalização de um grande edifício, e ao fazer toda a aplicação você indica uma saída para o lugar errado. Pensemos que acontece um incêncio e quinze pessoas, no momento de pânico, guiam-se pela sua placa errada e acabam encurraladas e morrem (ohhh!). Viu como design mata? - Há uma necessidade de formação específica. Com todo o

respeito aos profissionais arquitetos-designers, hoje a formação com disciplinas específicas para o trabalho em design já existe (no Brasil, há no mínimo trinta anos...) Além disso, passaremos 4 anos na faculdade, para que alguém nãoformado (vulgo micreiro) possa exercer nossa profissão com os mesmos direitos, e ainda fazendo concorrência desleal? - Há uma infinidade de cursos de design. Moda, calçados, moveleiro, jóias... cursos rápidos e inclusive sob demanda de determinado pólo industrial. Será que a formação em design não deveria ser uniforme, com um prazo fixo, e estes cursos em forma de especialização, pósgraduação? Isso tudo dá uma idéia do problema que temos pela frente. Acho que o UniRitter também deve servir para debatermos estes assuntos. Moisés Ribeiro Graduando de Design Gráfico


Quem imaginaria que em 1979, ano do tri-campeonato Colorado, nasceria um dos melhores webdesigners da atualidade. Pois é. E a criança cresceu, foi cursar arquitetura na PUC e de lá já mostrava dotes para o design. Mas por problemas estruturais ele mudou para a Ritter. Foi nosso colega por três semestres no design gráfico até ser chamado para a Globo.com. E o Buzzine entrevistou essa lenda viva do Webdesign brasileiro, confira!

entrevista

GUILHERME

NEUMANN O que te levou a fazer design? Quando isso começou? Sempre gostei de desenhar, amigos, pessoas, carros, talvez influenciado por meus pai desenhista de produto e minha mãe que sempre brincou de artista plástica. Aos 14 anos comecei a me interessar por arquitetura, fazia desenhos de aptos e casa, isso me levou cursar a faculdade de arquitetura em 1998, onde comecei a entrar em contato com design gráfico e web, fazendo em casa sites pessoais e na faculdade o site do curso de arquitetura. Site que me levou ao primeiro estágio com design em uma revista. Atualmente curso Design Gráfico e entre os cursos conclui a Escola de Criação. Qual foi o teu 1º emprego? Meu primeiro emprego foi na revista Advertising (www.adonline.com.br), revista voltada para o mercado publicitário, onde trabalhei por quase 1 ano criando/ desenvolvendo os sites da editora, abriu portas importantes para no futuro trabalhar nas

principais agências de Porto Alegre. Tu és um Webdesigner ou um Diretor de Arte? Ou os dois? Por definição Diretor de Arte é quem cria e orienta o trabalho do webdesigner, que por sua vez tem a função de finalizar o trabalho para ser desenvolvido por completo. Eu me considero um Designer Interativo que exerce a função de Diretor de Arte. Se não fosse designer seria o que? Com certeza seria arquiteto, só não sou arquiteto por problemas com cálculo estrutural e por gostar muito de design. Quais são as tuas inspirações? Fora aquele papo de que “tudo” é inspiração para o designer, procuro estar sempre informado com o que se faz de novo, design gráfico, webdesign... Navegar muito, prestar atenção nos detalhes, tento procurar referências em coisas fora da internet, sinalizações, revistas, jornais, etc.

Como foi a mudança para o Rio? Como é ter q se adaptar a uma nova cidade? O inicio foi complicado, primeiro decidir aceitar a idéia de trocar de vida, depois o período de adaptação, ainda mais numa cidade como o Rio de Janeiro e sua “fama” de violenta. Mas em 6 meses aqui tive a sorte de não ter sido assaltado nem ter visto nada fora do normal. Talvez o mais complicado seja a diferença cultural, esse é um problema que até hoje não solucionei por completo. Tu ganhaste dois prêmios? Que prêmios são esses? Ganhei o prêmio de Diretor de Arte de Internet do Ano e Webdesigner do Ano (2004), no Salão da Propaganda da ARP (Associação Rio-Grandense de Propaganda). Um referência de design em Porto Alegre: Bendito Design

Quem quiser ver o trabalho do cara visite www.mofo.art.br

Links e Livros

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reencha suas férias com algo útil e interessante pra se fazer. Além dos tradicionais jogos praianos (taco, canastra, entre outros), aproveite seu tempo pra ler e navegar na internet. O Buzzine manda algumas dicas: • www.loopreclame.com.br: site bem bacana, com bom layout, e ainda dá pra fazer suas próprias músicas. • www.4efx.com.br: já tradicional site de referências em design na web. Nacional. • www.webinsider.com.br: pra quem gosta de leitura na inet, o webinsider engloba diversos assuntos ligados à tecnologia e informação. • Ensaio sobre a cegueira: Livro do José Saramago, que fala de uma cidade onde todos ficam cegos. Bem, não todos... (tem na biblioteca) • O arqueiro - livro de férias, pra quem gosta de romances de ficcão histórica, conta a história de um arqueiro inglês durante a guerra dos 100 anos (não tem na bibloiteca)

É isso que queremos?

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ico chocado cada vez que preciso usar a gráfica instalada no UniRitter. Simplesmente, cansei de esperar um tempão para imprimir meus trabalhos, rezando para que não dê nenhum erro. Fora a fantástica (hahahh) qualidade da impressão. Parece mágica o que aquelas impressoras fazem, uma cor chapada pode tornar-se um gradiente, ou uma mancha ou simplesmente algo que não conseguimos descrever com palavras. Parece piada a gráfica imaginar que um computador na frente do balcão vai atender todos estudantes. Não há nem espaço

naquele balcão para ser bem atendido, nem uma fila, nem uma tentativa de organização. Fora quando o pessoal da arquitetura surge e aluga os PC's de dentro pra ficar plottando, e plottam, ficam horas e não desocupam nunca, causando um congestionamento monstro. O problema de demanda não é de hoje, desde o meio do ano passado as pessoas demonstravam insatisfação. Essa reclamação surge para alertar os estudantes que é preciso mudar, como está não pode. Os alunos têm que exigir boa qualidade em seus impressos ou começar a procurar outras gráficas, mais

alternativas, mesmo que isso tenha que ser feito com antecedência e não na última hora como é feito normalmente. E a gráfica precisa de organizar, buscar meios de acabar com as filas, e principalmente, oferecer impressões de melhor qualidade. A intenção do Buzzine não é “chutar o balde” e fazer baderna, essa crítica surge porque há uma insatisfação dos estudantes. Não importa ser for na gráfica, no bar, nas lojinhas ou na puta que o pariu, o Buzzine vai estar aí para defender aqueles que pagam para ter um bom atendimento. Pedro Biz Graduando de Design Gráfico

O Buzzine é um periódico sem data marcada pra sair. Ele é uma iniciativa independente, e sem fins lucrativos (imediatos, ao menos). Ele principalmente, quer ser um canal de comunicação entre a galera, e mais, um provocador de discussões e debates acerca de temas que dizem respeito ao nosso curso. E-mail: buzzine@untitled.art.br Composto com as fontes DIN e Officina Sans. Distribuição gratuita e dirigida.

Buzzine! #01  

Profissão Designer, entrevista com Guilherme Neumann e apresentação do zine.

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