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e seu marido. Quando se libertou do trabalho desumano, continuou produzindo as próprias peças para sobreviver. Hoje, orgulha-se da sua arte e prima pela qualidade e sustentabilidade de sua produção, reconhecida pelo Programa de Artesanato estadual e nacional.

À primeira vista, pode parecer um trabalho fácil, mas não é. Após a coleta do material, é preciso limpar, cortar, pintar e aquecer para modelar. O processo demora quatro dias. E mesmo não se dedicando exclusivamente ao artesanato, pois é psicóloga de formação, Iraneide confecciona uma média de 500 pulseiras por mês e vende cada uma a R$ 4. “Para mim, é uma terapia. Mas, assim como um artista plástico, a produção só é satisfatória quando estou inspirada”, ressalta.

Dos ossos que não interessam nem ao açougue nem aos consumidores, ela mesma cria o design ou o adapta à encomenda de profissionais. A cor também. Prezando pelo ecológico, descobriu, através de um incidente na cozinha, que o chá de canela seria uma ótima tinta natural, e assim, desenvolveu sua própria cartela de cores com vários outros sabores. Hoje, são doze tons, gerados a partir de vegetais, como a casca de uva, babosa, flor de abóbora, camomila e urucum.

Misto de artistas e artesãos, os designers de biojoias escoam a sua produção através de feiras e encomendas para todo o Brasil. Além disso, fazem parte do time que expõe no Museu Casa do Artista Popular, desenvolvido pelo governo do estado na Paraíba.

Ah, e a tintura é repleta de detalhes. São três dias para o osso absorver a cor, por exemplo. Enterrada na areia quente, adicionada de álcool, a peça esquenta sem nem mesmo ir ao fogo, economizando gás, carvão, energia elétrica ou o que quer que seja. O resultado são peças de beleza moderna, exclusiva, sustentável e valor cultural inestimável. E acredite, um conjunto de anel, brinco, colar e pulseira não chega a R$ 100,00 nas mãos da Jô.

Lixo Em Campina Grande, na região da Borborema, é o lixo que vira joia, ou melhor, biojoia. Com uma garrafa pet, Iraneide de Almeida Gouveia aprendeu a fazer pulseiras. Leves, pintadas à mão, elas combinam com vários tipos de visual. Do mais despojado ao clássico, quem opta pelo acessório carrega no braço uma arte única, “pois nem uma peça sai igual à outra”, como garante a artesã.

Museu do Artesanato No estado paraibano, o governo cadastrou 5.860 artesãos, em 126 municípios, através do Programa de Artesanato da Paraíba – PAP. A atividade promove organização social, capacitação gerencial, acesso ao crédito, promoção e comercialização de produtos. “O PAP promoveu o artesanato a uma verdadeira atividade econômica, interferindo de forma direta e benéfica no cotidiano do artesão”, comenta a gestora do Programa, Ladjane Souza. Dentre suas ações está o Museu Casa do Artista Popular, que reúne mais de duas mil peças em um acervo que enche os olhos de nativos e turistas, e promove a integração dos traços da história, das crenças, dos costumes e das tradições socioculturais da Paraíba à economia. Serviços Museu Casa do Artista Popular Local: Rua D. Pedro I, Praça da Independência, 56 - João Pessoa/PB Horário: terça a sexta, das 9h às 17h, e aos sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h Entrada gratuita.

Joaquim Vidal de Negreiros Filho Joias de pedras paraibanas - Picuí/PB (83) 3371-2128/ 9301-8409

Maria Joselene Bernardo de Souto (Jô) Bijouterias de osso de boi Forte Santa Catarina, Sala 20 - Cabedelo/PB (83) 3250-2123/ 9113-3465

Iraneide de Almeida Gouveia Bijuterias de garrafa pet Vila do Artesão - Campina Grande/PB (83) 9926-4750/ 8601-1068 www.modashoesbrasil.com

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