Page 111

economizar na compra da tal bolsa, que de tantas usuárias por metro quadrado já manchou a imagem de ‘exclusiva’. “Em Nova Iorque, mesmo com os 8,25% de impostos? Ou seria nas lojas próprias da grife em Paris?”. Gente, é muita preocupação nesses tempos de eleições municipais. Mas quem está interessado nos destinos da sua cidade nos próximos quatro anos se já tem traçado o roteiro internacional das férias de inverno? Essa conversa me fez lembrar do filme ‘Amor por Contrato’, de 2010, estrelado por Demi Moore. Sua personagem lidera a farsa de uma família feliz e super bem sucedida financeiramente, com pai, mãe e um casal de filhos adolescentes, todos bonitos, brancos e magros. Os quatro trabalham para uma empresa cuja missão é despertar o desejo de consumo na classe média alta, desde joias, acessórios e roupas de grife, passando por carrões e eletrônicos, até viagens, produtos gourmet e de decoração. Seu alvo são os moradores do condomínio classe A para onde se mudam.

joias de grife para a mulher e outros objetos, tão inúteis quanto caros. Assim, fica sem dinheiro para pagar a hipoteca e se suicida amarrado ao fio do cortador de grama “último tipo”, estacionado no fundo da piscina da sua bela mansão. Por se tratar de uma ficção, o filme pode mascarar nossas reflexões com um: “Isso não acontece comigo!”, mas será que muitas vezes não fazemos o papel dos amigos da família perfeita vivida pela bela atriz e seus pares? Os dramas reais estão cheios de exemplos com final nada feliz, embora não fatais. Portanto, ao ver it girls e seus acompanhantes produzidos e motorizados ‘para matar’, pense duas vezes antes de se endividar até o pescoço. Mesmo sem se dar conta, esses formadores de opinião às avessas estão a serviço das grifes que usam, mas, ao contrário dos personagens do filme, trabalham de graça para serem garotos-propaganda e, pior, ainda pagam milhares de dólares por isso. Um tipo de ‘servidão’ consentida.

“Tanto a indústria quanto o comércio e os serviços - e os empregos que geram - podem sobreviver a um público consumidor mais consciente”

O desfecho trágico da película liga o alerta ao nosso mundo real. Um dos vizinhos da família perfeita, ambicioso até o último crédito do cartão, financia um carro igual ao do farsante,

Ninguém está dizendo para não consumir, mas fazê-lo com moderação ainda é a melhor alternativa. Antes de gritar “Eu quero!” para tudo o que vir pela frente, pergunte-se: “Eu preciso mesmo disso?”. Tanto a indústria quanto o comércio e os serviços – e os empregos que geram – podem sobreviver a um público consumidor mais consciente. Celma Prata é jornalista (Diretora-Editora do Jornal AgroValor), escritora (autora do recém-lançado ‘Descascando a Grande Maçã’) e cronista (blog ‘Prata na Crônica’)

Luxo no pés Borgezie uma bela obra, ou seria uma jóia de valor bem “salgado”? De ouro maciço, com brilhantes custa mais de R$ 360 mil.

www.modashoesbrasil.com 111

Moda Shoes Brasil - ed03  

Moda, calçados, acessórios, bolsas e muito mais.

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you