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(Rede Globo/2011) e o filme “O homem que desafiou o diabo”, de 2007.

que o animal podia produzir. A carne era vendida para as charqueadas, o leite aproveitado na alimentação e o couro dava origem aos produtos descritos por Abreu.

No mundo da música, deixou sua marca no figurino de Luiz Gonzaga. O gibão e o chapéu utilizados pelo Rei do Baião em suas apresentações levam a sua assinatura.

Até no imaginário popular, o boi tornou-se muito presente. Diversos folguedos, danças, cantigas e histórias retratam essa relação. No Bumba-meu-boi, por exemplo, a mulher do vaqueiro deseja a língua do boi preferido do Coronel.

Um dos produtos mais comercializados pelo artesão teria tido a inspiração em outro rei nordestino, mas desta vez o do Cangaço, Lampião. O pai de Seleiro havia feito sandálias para Lampião. Segundo conta, um dos “cabras” do bando teria pedido para produzir a sandália do “chefe”. Seleiro ainda era uma criança quando herdou o molde do pai e guardou até o momento em que resolveu reutilizá-lo, por volta dos anos 1980. Queria diversificar a produção.

O autor da obra O Povo Brasileiro, Darcy Ribeiro, afirma que o sertanejo arcaico caracteriza-se por sua religiosidade singela tendente ao messianismo fanático, por seu carrancismo de hábitos, por seu laconismo e rusticidade, por sua predisposição ao sacrifício e à violência. E, ainda, pelas qualidades morais características das formações pastoris do mundo inteiro, como o culto da honra pessoal, o brio e a fidelidade a suas chefaturas.

“Ele é um gênio na arte de criar peças lindas sem precisar copiar de ninguém”, afirma o estilista e coordenador do Núcleo de Design da Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal), Walter Rodrigues.

Como não poderia deixar de ser, a moda também tem sua parcela neste cenário. A roupa do vaqueiro era feita de couro artesanalmente e servia como uma armadura para evitar os perigos da caatinga. A riqueza dos detalhes remetia a uma Europa marcada pela presença árabe. Assim como a vestimenta, a selaria também levava esse toque artesanal. A arte era passada de pai para filho. Foi assim que o senhor Espedito (grafado com “s” mesmo) Veloso de Carvalho, o Espedito Seleiro, iniciou aos oito anos.

Foto: Divulgação

A tradição de talhar, desenhar e confeccionar utensílios artesanalmente passou do avô para o pai, do pai vaqueiro para o filho, e, agora, para os filhos e para os funcionários, que trabalham na oficina em Nova Olinda, 500 km de Fortaleza. Hoje, aos 72 anos, suas sandálias, bolsas, botas, mochilas e carteiras fazem bem mais sucesso do que as vestimentas de vaqueiro e as selas que fazia no passado. Mas todas elas carregam a estética criada por esse período em arabescos e flores estilizadas. A inspiração, segundo ele, vem dos antigos clientes, tropeiros, vaqueiros e ciganos. Se levarmos em conta os arabescos, mais que explorados em diversas coleções do inverno 2012/2013 europeu e que logo chegam por aqui, os traços com detalhes coloridos de Seleiro continuam em alta. Seleiro e Gonzaga

Fotos: Divulgação

O seu design atemporal e único já passou até pelas passarelas da São Paulo Fashion Week, em desfiles de marcas, como Cavalera e Cantão. Assim como o sucesso de suas criações já o levaram ao figurino de produções de TV e cinema. Entre elas, a novela Cordel Encantado

Espedito imprimiu sua marca nos figurinos do Rei do Baião. O gibão e o chapéu fizeram sucesso www.modashoesbrasil.com 107

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