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GUIA DO PROFESSOR


GUIA DO PROFESSOR


PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA Presidente Luiz Inácio Lula da Silva

Elaboração de Texto Cristina Massadar Morel Eliane Dias de Franco Trigo

ÍNDIce

Consultoria de Texto Ministério da Justiça

Marco Morel

Ministro

Coordenação Geral

Tarso Genro

Elizabete Braga

FUNDAÇÃO BANCO DO BRASIL Presidente Jorge Alfredo Streit

Apresentação

4

Caminhos do Brasil

6

Coordenadores de Pesquisa

Traçando caminhos: o trabalho com mapas

6

Carlos Augusto da Rocha Freire

Natureza em risco

7

Preservar o meio ambiente

8

Vidas em perigo – desequilíbrio ecológico

8

1

Denise Portugal Lasmar Auxiliares de Pesquisa

Diretores Executivos

Antonio Venâncio

Eder Melo

Cleide Rodrigues

Tartarugas protegidas

10

Dênis Corrêa

Fabio Maciel

Paisagens do Brasil

10

Gerente de Educação e Cultura Marcos Fadanelli Ramos Assessoria Técnica Juliana Mary M. Ganimi Fontes FUNDAÇÃO NACIONAL DO ÍNDIO – FUNAI Presidente Márcio Augusto Freitas de Meira

Lucas Zelesco

Percorrendo caminhos: meios de transporte

11

Rodrigo Piquet S. Mello

Testemunho histórico

12

Rossana C. Leone

Testemunho histórico

13

Consultoria em Ciências

A medicina da mata

14

Eliane Dias de Franco Trigo

A “língua de mariano” e outras linguagens

14

Patricia C. Grigório

Análise de Produto Simone Melo

2 Índios no Brasil As culturas dos índios

16

O desconhecido

18

Veridiana Steck

Palavras

18

Pesquisa de Imagens

Cultura

19

Denise Portugal Lasmar

Testemunho histórico

19

Revisão de Textos MUSEU DO ÍNDIO Diretor José Carlos Levinho Serviço de Administração Rosilene de Andrade Silva SOCIEDADE DE AMIGOS DO MUSEU DO ÍNDIO – SAMI Presidenta Bruna Franchetto

16

Cely Curado

Design Gráfico

3 Palavras e imagens

20

Ruth Freihof | Passaredo Design

Explorações científicas

20

Christiane Krämer

Lendas

21

Tratamento de Imagem

Lembranças da comissão Rondon – fotografia e pintura

21

Testemunho histórico

22

Trio Studio

Diretora Executiva

Supervisão Geral

Memórias e culturas dinâmicas – datas comemorativas, museus

22

Valéria Luz da Silva

Ruy Godinho

A força dos meios de comunicação – rádio, televisão, internet

23

Diretor Financeiro José Ribamar Bessa Freire PRODUTORA CULTURAL

Imagem Capa

4 Homem público

General Rondon na base de rádio de um acampamento | Acervo Museu Histórico do Exército

Abravideo

25

Direitos humanos, cidadania, participação política

25

Testemunho histórico

26

Defesa de pontos de vista

27

Bibliografia

28


forma interdisciplinar, com a apresentação de sugestões de atividades organizadas

Apresentação Prezado(a) Professor(a), Os professores, ao lerem o Almanaque Histórico sobre a trajetória de vida de Cândido Mariano da Silva Rondon (1865-1958), poderão aprimorar seus conhecimentos sobre questões importantes da formação nacional. Ao mesmo tempo, vão identificar elementos interessantes para serem abordados em sala de aula. A vida longa e a atuação intensa do Marechal Rondon envolvem questões ligadas à natureza, à cultura, a inovações técnicas e à história do País. Com certeza, ninguém melhor do que cada professor ou grupo de professores para inserir de forma criativa os elementos apresentados no Almanaque no cotidiano de sua sala de aula. O objetivo deste Guia do Professor é, portanto, oferecer algumas sugestões de atividades que poderão ser adequadas à realidade de cada turma (levando em conta a faixa etária e o nível de conhecimento dos alunos) e de cada escola. Este Guia sugere atividades destinadas a turmas do Ensino Fundamental, enfocando as diferentes áreas do conhecimento, com ênfase em História, Geografia, Ciências e Língua Portuguesa, sem deixar de abordar Matemática e Artes. A questão indígena tem lugar de destaque no Almanaque. A Lei n.º 11.645, de 10 de março de 2008, inclui no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade

na mesma sequência dos quatro eixos temáticos do Almanaque: CAMINHOS DO BRASIL ÍNDIOS NO BRASIL PALAVRAS E IMAGENS HOMEM PÚBLICO A estrutura do Almanaque inclui ainda, como nas edições anteriores do Projeto Memória, os seguintes BOXES: Você sabia que... curiosidades. Por dentro da história... informações e episódios que vão além do conteúdo essencial do Almanaque, direta ou indiretamente ligados ao biografado. Nos dias de hoje... ligação entre a história e algumas questões atuais. Na ponta da língua... explicação e significado da origem de palavras. Histórias de vidas... pequenas biografias de personagens relacionados à trajetória do biografado. Para enriquecer seu trabalho, os professores poderão ter acesso a mais informações sobre o Marechal Rondon e às questões relacionadas à sua história no livro fotobiográfico, no site do Projeto Memória (www.fundacaobancodobrasil.org.br) e no filme.

da temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena”. No entanto, é muito comum que o tema seja abordado, nas escolas, de forma estereotipada e superficial, sendo os grupos indígenas vistos como figuras do passado, folclóricas, distantes. Esta é, portanto, a ocasião conveniente para tratar, no âmbito do Projeto Memória, de um tema que, embora apareça habitualmente no material didático utilizado em sala de aula, ainda não foi suficientemente abordado. É a oportunidade de mostrar que os grupos indígenas fazem parte de nossa cultura e de nosso tempo. A maioria das atividades propostas no Guia do Professor está baseada em imagens, relatos, curiosidades, mapas e quadros que constam do Almanaque. Este apresenta vários relatos de época que oferecem rico material para que os alunos possam refletir sobre como as pessoas viviam em outros tempos e qual a relação dessas formas de viver com os modos de vida atual. Esses relatos estão apresentados no Guia como “testemunho histórico”. 4

As questões desenvolvidas no Almanaque Histórico são enfocadas pelo Guia de

5


1 Caminhos do BRASIL Nesse capítulo do Almanaque, as regiões percorridas por Rondon e pelos indi-

víduos e grupos que integraram as equipes são abordadas, o que nos oferece elementos para trabalhar temas como: ecossistemas, meios de transporte, dimensão social da saúde e invenções tecnológicas. O trabalho com o Almanaque Histórico pode se iniciar com uma breve apresen-

organismos aos biomas citados etc.). Desse modo, estariam sendo fixados conceitos abordados anteriormente. Caberia ao professor selecionar as perguntas e formar com elas o “banco de perguntas” do jogo. Propor que analisem diferentes mapas, observando a maneira como são representados os variados aspectos (clima, vegetação, ocupação econômica, por exemplo). Levá-los a observar a função das legendas e escalas. Sugerir que elaborem mapas de ruas, bairros, cidades ou países, utilizando legendas e escalas. O Almanaque nos informa sobre a criação do Estado de Rondônia. O mapa

tação para os educandos de quem foi o Marechal Rondon.

atual é diferente do da época de Rondon. O que mudou desde aquela época?

Traçando caminhos: o trabalho com mapas

Rondon, por meio de suas expedições, contribuiu com muitos dados geográfi-

Existem, ainda hoje, propostas de criação de novos Estados? cos para a elaboração do mapa do então Estado de Mato Grosso, bem como Sugerir que cada aluno confeccione um mapa da própria sala de aula. A turma,

para a delimitação das fronteiras brasileiras. Se, na primeira metade do sé-

em seguida, vai comparar as produções e observar a sala novamente, para

culo XIX, a identificação dos acidentes geográficos dependia da presença de

depois refazer o mapa, procurando ser o mais fiel possível ao observado.

equipes nos locais, enfrentando inúmeras dificuldades de deslocamento, hoje

No mapa com os ecossistemas do Brasil (p. 11), localizar onde moram os alu-

em dia, existem variados recursos para a exploração dos espaços geográficos,

nos e escolher destinos a seguir. Pode-se trabalhar, então, as noções de distân-

como as imagens aéreas. Atualmente, que profissionais são responsáveis pela

cia e direção.

confecção de mapas? Em que se baseiam para elaborá-los? Realizar com os

A partir desse mesmo mapa, realizar um jogo de percurso – jogo que tem um

alunos uma pesquisa sobre o tema.

caminho a ser percorrido por um pino, com início e chegada bem definidos. SUGESTÃO DE ELABORAÇÃO DO JOGO: Material: mapa do Brasil semelhante ao apresentado no Almanaque (p. 11); pinos, que podem ser feitos com bolinhas de papel de cores diferentes; fichinhas com perguntas, elaboradas previamente pelo professor, que desafiem o aluno em relação tanto a seus conhecimentos quanto a sua imaginação. Exemplo de pergun-

Natureza em risco “Rondon possuía desde criança familiaridade com a natureza. Nas várias expedições de que participou, manteve contato com a diversidade da flora e fauna brasileira.” (Almanaque, p. 9)

ta de conhecimento: qual a característica do clima na Amazônia? Exemplo de pergunta de imaginação: se você fosse um animal, qual gostaria de ser e por quê? Regras: algumas “casas” estarão numeradas e, quando alguém parar nelas, deverá responder às perguntas das fichinhas. Para as perguntas que indagam sobre os conhecimentos do aluno, pode-se criar regras como: quem acerta anda duas “casas”, quem erra fica parado até a próxima jogada.

6

O respeito ao meio ambiente é a base da consciência ecológica. Rondon desenvolveu essa atitude no contato direto com a natureza, mas ela também pode ser despertada pela educação escolar. Em vários momentos, o Almanaque informa sobre a ação predatória do ser humano em sua busca incessante por recursos naturais. A partir disso, refletir

Pode-se, também, envolver os alunos na elaboração das perguntas do jogo.

com os alunos a respeito dos problemas ambientais ocasionados por ações

Para isso, uma boa alternativa seria dividir a turma em grupos de três ou, no

predatórias: que áreas estão sendo desmatadas e em que velocidade? Que

máximo, quatro alunos. O professor pediria a cada grupo que criasse pergun-

motivos movem essas ações? O que se faz com a soja plantada nas Regiões

tas sobre determinado tema envolvido no jogo (por exemplo: características da

Centro-Oeste e Norte? Quais as consequências ambientais do extrativismo

fauna e flora do Cerrado, Pantanal ou Floresta Amazônica; adaptações desses

mineral? Em que consiste a biopirataria?

7


Analisar com a turma as condições precárias e desrespeitosas nas quais ani-

seres que dela participam. Além disso, é uma ótima oportunidade para a prática de

mais são transportados ilegalmente para outras regiões do País ou para o exte-

exercícios como a corrida.

rior: de que interesses se revestem essas ações? Quais as consequências da

VAMOS PRECISAR DE:

biopirataria para os animais envolvidos? E para os ecossistemas locais? Há me-

Fitinhas verdes, azuis e amarelas; um apito; um relógio ou cronômetro para mar-

didas proibitivas a tais práticas? De quem é a responsabilidade da fiscalização?

car o tempo de cada jogada; papel; lápis ou caneta para anotar; um espaço fora da

Até que ponto essa fiscalização tem funcionado? É correto criar papagaios, ara-

sala de aula, que pode ser o pátio da escola; giz para marcar o chão.

ras ou micos como bichos de estimação? Em que condições isso é possível?

PREPARAÇÃO PARA O JOGO:

Preservar o meio ambiente O Almanaque se refere ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), na página 16. Esse órgão faz um trabalho de monitoramento da floresta, de modo a

1. A turma deverá ser dividida em quatro partes: 50% dos alunos da turma repre-

sentarão ALFACES; 30% serão COELHOS; 10% serão ONÇAS; os 10% restantes serão organizadores do jogo. 2. Os organizadores deverão amarrar fitinhas verdes no braço dos alunos que se-

rão alfaces, fitas azuis nos braços dos que serão coelhos e amarelas nos braços

detectar a extração ilegal de madeira. Pode-se aproveitar esse tema, pedindo que os estudantes pesquisem sobre alternativas viáveis à utilização de árvores para fabricar móveis e papel. Existem madeiras nobres na Amazônia? Estão ameaçadas

dos que serão onças. 3. Os organizadores farão dois grandes círculos no chão, sendo que um represen-

tará a toca dos coelhos e o outro, a das onças. Coelhos e onças deverão, nesse

de extinção? Discutir com a turma a possibilidade de mudança de hábitos para reduzir o consumo de bens. O que pode ser reutilizado? Existem produtos produzidos com material reciclado em sua localidade? O preço desses produtos é semelhante ao dos produtos feitos com material não reciclado? O que é coleta seletiva de lixo? Existem vantagens nesse procedimento? Quais?

momento, se colocar dentro de suas tocas. 4. Alfaces ficarão espalhadas pelo espaço onde for acontecer o jogo. Sugere-se

que esses alunos fiquem organizados em grupos de três. REGRAS DO JOGO: 1. O jogo terá rodadas de 30 segundos cada. O professor, ou um dos alunos orga-

nizadores, deverá cronometrar o tempo das rodadas. Outro organizador anota o

Existe coleta seletiva em sua localidade? Se for possível, fazer com os alunos visitação ao órgão responsável pela coleta de lixo da cidade: a coleta de lixo abrange todas as localidades da cidade? O

número de onças, coelhos e alfaces antes da primeira rodada. 2. Em cada rodada, as onças deverão sair da toca para caçar os coelhos (cada

onça só poderá caçar um coelho por rodada) e os coelhos deverão sair da toca

que fazem com o lixo coletado? O que são aterros sanitários? Eles são a melhor solução para o lixo da cidade? Promover uma oficina de reciclagem de papel. Há sites educativos com várias instruções para a reciclagem de papel, como, por exemplo, o www.cienciamao.if.usp.br.

para comer alface (cada coelho só poderá comer uma alface por rodada). 3. Ao final dos 30 segundos da rodada:

ma rodada. Onças que não caçaram serão alfaces na próxima rodada e devem

Depois de pronto, pode-se confeccionar com o papel blocos, capas de caderno, cartões etc.

mudar a cor da fita no braço (de amarela para verde).

e deverão trocar a fita do braço (de azul para verde). Coelhos que foram captu-

A partir do BOX Vidas em perigo (Almanaque, p. 12), propor o “Jogo da cadeia

rados por onças serão onças na outra rodada e mudam a fita do braço (de azul

alimentar”. A criançada costuma adorar! Nessa atividade pedagógica, são viven-

8

Coelhos que conseguiram alcançar uma alface permanecerão como coelhos na próxima rodada. Coelhos que não comeram virarão alfaces na próxima rodada

Vidas em perigo – desequilíbrio ecológico

ciadas situações que simulam a relação predador/presa de tal modo que levem os

Onças que conseguiram pegar um coelho permanecerão como onças na próxi-

para amarelo).

Alfaces que não foram pegas por coelhos permanecem como alfaces na outra

alunos a observar a interdependência existente entre os seres vivos de uma cadeia

rodada. Alfaces que foram pegas transformam-se em coelhos na próxima roda-

alimentar e o quanto é importante a manutenção do equilíbrio na quantidade de

da e trocam a fita do braço (de verde para azul).

9


4. Antes de cada rodada, o organizador responsável por anotar os dados deve

contar qual o número de alfaces, coelhos e onças da próxima rodada. 5. O jogo acaba quando não houver mais coelhos, alfaces ou onças, ou seja, as

A diversidade das florestas tropicais, como a Amazônia, ou subtropicais, como a Mata Atlântica (quase totalmente devastada nos dias de hoje), chama a atenção de quem só está acostumado a ver outro tipo de ambiente, como o europeu.

rodadas só acontecem quando há esses três elementos presentes (e não ape-

Refletir com os alunos sobre as características da flora e da fauna das flores-

nas dois).

tas brasileiras: o que significa diversidade animal e vegetal? Por que, nesses

De posse dos dados (número de coelhos, alfaces e onças por rodada), deve-se

ambientes, há maior diversidade do que em ambientes temperados, como os

pedir que os alunos montem gráficos (se já tiverem noções matemáticas para

encontrados na Europa? Por que é importante lutar pela preservação de am-

isso). Com o auxílio dos gráficos, ou pela simples observação, no caso de crian-

bientes com diversidade de seres vivos? É possível utilizar os recursos naturais

ças pequenas, discutir algumas questões: o que é cadeia alimentar? Quem fez o papel de produtor nessa cadeia alimentar? E quem foi o consumidor primário? E o secundário? O que ocorre com a quantidade de predadores se aumentar o número de presas? E se o número de presas diminuir?

Transpor a situação do jogo da cadeia alimentar para as condições atuais do veado-campeiro e da onça-pintada descritas no BOX do Almanaque, página 12: qual deles seria o consumidor primário e qual seria o secundário? Algum deles seria produtor? Refletir sobre os efeitos da extinção desses dois animais para o ecossistema que habitam.

provenientes da floresta sem comprometer sua sobrevivência?

Promover um passeio com a turma pelas redondezas da escola para observar, na localidade em que vivem, as características do ambiente. Em seguida, propor que desenhem o que viram. As paisagens são objeto de interesse não somente dos estudiosos de Geografia ou Ciências. Pinturas, filmes ou romances podem também dar destaque aos elementos da natureza. No Almanaque, faz-se referência ao filme Dersu Uzala (p. 19), com belas imagens da Sibéria. Que outros filmes apresentam um olhar mais detido sobre a questão da paisagem? Muitos outros romancistas, além de Ferreira de Castro, incluíram em sua obra

Tartarugas protegidas

literária a descrição das paisagens características da região onde sua história

O BOX dedicado ao Projeto Tamar (Almanaque, p. 12) pode ser utilizado para refletir com os alunos sobre soluções viáveis para a proteção de espécies ameaçadas de extinção. Que projetos semelhantes ao Projeto Tamar existem no Brasil? Quem os apoia financeiramente? O que é consumo consciente? Existe alguma vantagem em ser consumidor consciente?

Paisagens do Brasil

se desenvolve: Jorge Amado, na Bahia, e Érico Veríssimo, no Rio Grande do Sul. Selecionar pequenos trechos de romances para que os alunos identifiquem, somente a partir da narrativa, que região está sendo retratada. Em seguida, solicitar que os educandos a localizem no mapa do Brasil.

Percorrendo caminhos: meios de transporte Transporte fluvial: esse é o meio de transporte que predomina na Amazônia?

“A princípio, ainda os olhos fixavam o revestimento deste tronco e de outro, e outro, e outro, mas depois, abandonavam-se ao conjunto, porque não havia memória nem pupila que pudesse recolher tão grande variedade. Só de frutos que não se comiam e apodreciam na terra, porque nunca ninguém se arriscara a saber se eles davam volúpia ou também intoxicação, havia mais espécies do que todas as que se cultivavam nos

Os rios dessa região são navegáveis? Quais as dificuldades? Em que medida o relevo e o clima interferem no transporte fluvial? Os rios sofrem intervenção humana para serem navegáveis? Os meios de transporte fazem a ligação entre diferentes regiões, permitindo a circulação de pessoas e mercadorias. A história dos lugares também é a história dos meios de transporte. O que a canção Ponta de Areia, de Milton Nascimento e Fernando Brandt, sugere sobre o tema?

pomares europeus.” (Ferreira de Castro, A Selva, Obra Completa, vol. 1. Rio de Janeiro: 10

Ed José Aguilar, 1958. p.142) (Almanaque, p. 14)

11


Testemunho histórico

Ponta de areia

“(...) além dos fatores climáticos como a umidade constante

Ponta de areia, ponto final

na selva, dos inúmeros brejos e lagoas de água parada, ver-

Da Bahia–Minas, estrada natural

dadeiros laboratórios produtores de mosquitos, da ingestão

Que ligava Minas ao porto ao mar

de águas ‘malsãs’ de alguns córregos por onde passavam, era

Caminho de ferro, mandaram arrancar

vezes em quantidades insuficientes e até impróprias para o

preciso considerar os efeitos da alimentação inadequada e às consumo, devido às dificuldades de transportes (...)”

Velho maquinista com seu boné

(Maciel, p. 135/136) (Almanaque, p. 21)

Lembra o povo alegre, que vinha cortejar Quais as doenças predominantes à época das expedições de Rondon nas regi-

Maria-fumaça não canta mais

ões por ele percorridas? Quais seus agentes causadores? Por que muitas delas até hoje não foram erradicadas?

Para moças, flores, janelas e quintais

Doenças emergentes (AIDS, gripe H1N1), doenças reemergentes (tuberculo-

Na praça vazia, um grito, um ai

se, dengue): esse pode ser o momento oportuno para mostrar aos alunos a poesia de cordel que era utilizada por Noel Nutels em suas ações para preve-

Casas esquecidas, viúvas nos portais

nir a tuberculose. Fazer comparação com as campanhas atuais de prevenção e tratamento de doenças.

Testemunho histórico

Aproveitando esses versos de cordel, propor pesquisa a respeito de três ger-

“Tive inspiração de crismar o Caiamo-doguê-itugo-botuie

mes responsáveis por doenças infectocontagiosas importantes: vírus, bactérias

(rio de ponta de flecha de caiapó, em bororo) com o nome

e protozoários. Quais as diferenças quanto ao tamanho, à forma e aos hábitos

do Fundador da República, aproximando a majestosa grandeza

de vida de cada um? Quanto ao combate a doenças, para qual ou quais tipos

de ambos. Declarei solenemente perante os companheiros de

há vacinas disponíveis? Quando o soro deve ser utilizado? Antibióticos podem

construção, entre os quais alguns índios: ‘quando a cons-

combater todos os tipos de germes? Hábitos de higiene podem prevenir essas

trução chegar a este rio, passará ele a chamar-se Benjamin

doenças? O saneamento básico influencia na erradicação dessas doenças? Há

Constant’.”

saneamento básico em sua comunidade? Todos os germes são responsáveis (Almanaque, p. 9)

por doenças? Existem germes que são utilizados em benefício do ser humano?

Os alunos poderão fazer uma análise do relato do Marechal Rondon, procurando compreendê-lo em seu tempo histórico. O que importa é estimular os educandos a formularem hipóteses sobre os testemunhos históricos, procurando refletir sobre os elementos que tais relatos oferecem. Por que o Marechal Rondon quis homenagear Benjamin Constant? Por que Rondon não manteve o mesmo nome que os índios usavam para denominar o rio? Onde viviam os bororo? E onde vivem atualmente? Ponto interessante a investigar: como as pessoas se orientavam para se deslocar no início do século XX, e que recursos temos atualmente para essa 12

orientação?

13


A medicina da mata

uma xilogravura (gravação em madeira) na capa. Costumam ser cantados por violeiros, o que permite sua transmissão oral – essencial para aqueles que não

O Almanaque informa sobre práticas curativas indígenas utilizando ervas da flo-

sabem ler. Pode-se propor aos educandos que produzam sua própria literatura

resta. O texto pode ilustrar a importância da Floresta Amazônica como reservatório

de cordel, inclusive elaborando o desenho da capa, e depois a exponham, pen-

de substâncias ainda desconhecidas pela medicina tradicional.

durada em uma corda (essa é a origem do nome “cordel”). Por que não utilizar

Solicitar pesquisa, na comunidade onde moram os alunos, para verificar se são utilizadas ervas medicinais no tratamento caseiro de problemas de saúde. Comparar essas informações com a lista de ervas usadas por índios que consta no Almanaque.

como tema alguma passagem da vida do Marechal Rondon? Talvez algum aluno, professor ou funcionário da escola conheça um cordelista ou ainda um repentista (cantador) que possa fazer uma visita à escola, apresentando um pouco da sua arte.

Solicitar pesquisa a respeito dos nomes científicos das ervas informadas. Discutir com os alunos: quais dessas ervas já foram testadas por cientistas? Houve comprovação de sua eficácia? Alguma delas desperta interesse comercial? Alguma é objeto de biopirataria?

A “língua de Mariano” e outras linguagens O Código Morse e a literatura de cordel podem ser o ponto de partida para um trabalho sobre as diferentes formas de linguagem. No Código Morse, as letras do alfabeto são representadas por traços e pontos. Essa é uma boa oportunidade para trabalhar em sala de aula as diferentes formas de se comunicar por meio de signos, compreendendo sua função. Pode-se propor aos educandos que se apropriem desse código, escrevendo seu próprio nome com ele. Dependendo do seu domínio da linguagem escrita, podem escrever até mesmo mensagens. Além do trabalho com traços e linhas, seria interessante explorar a própria linguagem telegráfica, apresentando o seguinte desafio: o quanto podemos reduzir de uma frase sem tirar-lhe o sentido? Os alunos poderiam se comunicar utilizando diferentes tipos de mensagens (urgentes, afetivas, comerciais etc). Seria possível indagar, para aqueles que estão familiarizados com a linguagem da Internet, se eles identificam, na maneira como muitas pessoas se comunicam por e-mail, uma forma semelhante à telegráfica, abreviando várias palavras para tornar a comunicação mais rápida. Ampliando esse trabalho, linguagens de épocas e lugares variados podem ser abordados: as pinturas rupestres, os hieróglifos, a linguagem com outros alfabetos. A literatura de cordel narra de forma poética, por meio de versos bastante ritmados, fatos populares que se relacionam a romance, humor, aventura, heroís14

mo e encantamento. Os versos são impressos e reunidos em um folheto, com

15


2 ÍNDIOS NO BRASIL O Almanaque nos dá elementos para conhecer, junto com os alunos, um pouco mais sobre os grupos indígenas no Brasil. As populações com as quais Rondon entrou em contato nos levam a dimensionar a presença indígena na cultura e na sociedade brasileiras, com as formas de relação pacíficas ou violentas, bem como a riqueza cultural desses povos. Além desse capítulo, é possível encontrar, ao longo de todo o Almanaque, informações e questionamentos a serem abordados com os alunos sobre o tema.

lação brasileira. Alguém da turma tem notícias de ser descendente de índios? Proponha aos alunos que construam a sua árvore genealógica, identificando bisavós, avós, tios, primos, pais, irmãos. Quem veio de outro país, outra região ou estado do Brasil? Há pessoas que pensam que o povo brasileiro é composto pela mistura de raças. Essa é uma visão equivocada, pois confunde raça com etnia. Enquanto o conceito de raça leva a pensar em tipos bem distintos entre si, inclusive geneticamente, a noção de etnia congrega a variedade física dos humanos em uma mesma raça: a raça humana. De fato, somos uma só espécie, Homo sapiens, e não há raças, do ponto de vista biológico e genético, que nos distingam uns dos outros. Seria bom discutir isso com os alunos: o povo brasileiro é composto por raças? E os povos do mundo inteiro? Quais animais vocês conhecem que

As culturas dos índios

possuem várias raças?

“(...) A escola dos ‘juruá’ (dos brancos) não ensina pros

Propor que façam cartazes contendo animais e suas raças e seres humanos e

seus alunos quem somos nós e nem mostra a importância dos

suas diferentes etnias, mostrando que as diferenças entre os tipos humanos são

índios para o Brasil. Aí, o aluno que sai dessa escola trata

bem menos acentuadas que as apresentadas entre as raças de uma espécie.

o índio com desprezo, com preconceito e aí acaba ensinando a

Fazer, em seguida, uma pesquisa sobre os índios no Brasil, a partir do material

gente a ter vergonha de ser índio, estragando todo o trabalho

apresentado no Almanaque, utilizando o seguinte roteiro: quantos são (quantos

da escola guarani (...)”

eram antes da chegada dos europeus), onde vivem, suas línguas (quantas exis-

(professor guarani Algemiro Poty, em Bessa Freire, A representação

tiam antes da chegada dos europeus), medicina indígena, presença indígena na

da escola em um mito indígena) (Almanaque, p. 36)

cultura brasileira (língua, culinária etc.), seus direitos (à terra, à educação etc.),

Em várias passagens do Almanaque, alerta-se para a necessidade de evitarmos

o que é a escola indígena, como anda a saúde indígena.

as visões pré-concebidas sobre os índios ou a simples negação de sua existên-

Pesquisar em jornais e revistas da atualidade as notícias sobre os índios. Quais

cia. O BOX Na ponta da língua. Descobrimento? (p. 32) chama a atenção para

os temas em destaque (direitos, questão da terra, cultura etc.)? Que visões se

o fato de que, comumente, a chegada dos europeus no território brasileiro do

destacam (“índio puro”, “índio violento” etc.)?

século XVI é abordada de forma equivocada, não levando em conta a presença indígena.

16

No início desse capítulo, há referências às características genéticas da popu-

Essa seria uma boa oportunidade para trabalhar a linguagem jornalística: levar jornais para a sala de aula, analisar as diferentes sessões de política, esporte,

Da mesma maneira, encontramos com muita frequência em materiais didáticos,

cultura etc. Ajudar os educandos a identificar os elementos que compõem um

nos meios de comunicação e em produções culturais, visões distorcidas sobre

jornal: editorial, artigo, reportagem, entrevista, charge, quadrinhos, carta do lei-

os grupos indígenas. Depois de lido o Almanaque e identificadas as diferen-

tor. Pode-se criar um jornal que aborde as expedições de Rondon.

tes visões construídas historicamente sobre os índios, os professores poderiam

Completar essa pesquisa com uma análise das imagens dos índios em diferen-

pesquisar as concepções sobre os grupos indígenas nos livros didáticos e pa-

tes períodos históricos. Por exemplo, confrontando-se as fotos da época de Ron-

radidáticos e na literatura infanto-juvenil.

don com as atuais, podemos nos indagar sobre que imagem o fotógrafo parece

Investigar o que os alunos já conhecem sobre os grupos indígenas. Que infor-

querer transmitir sobre o índio, observando o que está em destaque e o que está

mações e impressões os educandos têm a respeito dos indígenas? Tiveram já

em plano secundário, as informações que as fotos revelam sobre cada época,

alguma oportunidade de contato com eles?

qual o ambiente retratado e o que as legendas informam sobre a imagem.

17


Todo esse trabalho poderia culminar com uma exposição aberta à comunidade do entorno da escola, apresentando, por meio de diferentes recursos (mapas, desenhos, dramatizações), todo o material levantado e analisado.

Cultura Várias passagens do Almanaque nos permitem trabalhar com os alunos o fato de que, muitas vezes, assumimos conhecimentos, valores e atitudes, acreditando

O desconhecido

serem naturais, sem nos darmos conta de que foram construídos histórica e culturalmente.

Os comentários de Jean de Léry sobre o abacaxi, no BOX Por dentro da história. A

“(...) qualquer criança humana normal pode ser educada em qualquer cultura,

descoberta de uma fruta (p. 35), expressam a reação de estranhamento que ocor-

se for colocada desde o início em situação conveniente de aprendizado.” (Felix

re quando entramos em contato com algo que nos é desconhecido e a necessi-

Keesing, apud Laraia, p. 17).

dade que temos de procurar compreender esse “estranho” a partir dos nossos conhecimentos prévios. Em que época Jean de Léry esteve no Brasil? O que caracterizava esse período? Esse pode ser o início de um estudo sobre a presença dos franceses em nosso país. Que tipo de influência deixaram os franceses? Propor um jogo de identificação de frutas e animais. Um aluno sai da sala e o grupo escolhe uma fruta ou um animal para que o aluno que saiu tente descobrir qual é a partir de perguntas formuladas sobre suas características (cor, formato, cheiro). O grupo deverá responder às perguntas apenas com “sim” ou “não”. Portanto, as perguntas devem ser diretas, como em “Esta fruta �� vermelha?” (e não, por exemplo, “Que cor tem esta fruta?”). O “jogo do sabor”: com os olhos vendados, as crianças deverão identificar alimentos com diferentes sabores (ácido, amargo, doce etc.).

“Dei ao cacique uma corneta, que foi entregue a um índio por ele designado para os toques, que, segundo combinamos, seriam dados do modo que ele julgasse mais perceptível ao ouvido da sua gente. Fato curioso. Aquele chefe indígena, querendo mostrar-se que havia conveniência em que fossem os seus toques dados à sua guisa, procurou convencer-me de que a minha corneta falando braire (brasileiro), a dele falaria bororo.” (Cândido Mariano da Silva Rondon. Relatórios dos trabalhos realizados de

Promover um jogo de mímica, em que um aluno vai imaginar que está comendo

1900-1906. p. 1.949) (Almanaque p. 8)

alguma coisa e os outros vão tentar adivinhar o que é: alguma coisa gostosa,

Esse relato pode ser o ponto de partida para uma reflexão sobre a importância

algo azedo, algo que nunca provou.

Palavras Analisar o quadro com palavras de origem indígena (p. 37). Pedir que cada aluno liste em uma coluna aquelas que conhece e, em outra, as que não conhece. Fazer, em seguida, um levantamento do que foi listado, identificando as palavras que não são conhecidas por ninguém da turma. A partir das palavras desconhecidas, fazer o “jogo do dicionário”: cada educando inventa um significado para a palavra. Depois, os significados inventados são misturados juntamente com os significados verdadeiros, escritos pelo professor. Quem consegue identificar o significado correto? Quem foi criativo o bastante para conseguir que sua sugestão de significado fosse convincente a ponto de ter sido escolhida por muitos colegas? Por fim, o professor apresenta à turma o qua18

Testemunho histórico

dro com a classificação das palavras, que se encontra no final do Almanaque.

da cultura. As diferenças culturais estão presentes não somente entre grupos de épocas diferentes ou de culturas variadas, como entre os índios, mas também entre pessoas que convivem no mesmo período e ambiente. (ver BOX Etnografia p.49). Por que os grupos humanos são diferentes? A diversidade pode ser constituída em função do gênero, da idade, do local de moradia, da classe social. Ao conhecer outras formas de viver, os alunos estarão também compreendendo melhor a sua própria cultura. Elementos de outras nacionalidades na nossa cultura: folheando revistas e jornais, identificar palavras estrangeiras incorporadas à nossa língua; identificar influências estrangeiras em nossos hábitos e nos objetos que usamos. Fazer uma colagem com esse material. Fazer um levantamento, com os educandos, sobre seus hábitos alimentares. Que alimentos são valorizados? Há alimentos proibidos? 19


3 PALAVRAS E IMAGENS

dos vegetais. Após a visita, que tal fazer uma exposição de fotos ou desenhos do material produzido pelos alunos a partir da excursão? Pedir que os alunos pesquisem a origem do horto ou do jardim botânico: o que havia antes da implantação do horto? Quem idealizou o projeto? Houve envol-

Podem ser abordados, a partir desse capítulo, temas relacionados aos saberes e

vimento de algum órgão governamental? Esse lugar é um centro de pesquisa

às produções culturais surgidas em consequência da atuação de Rondon (ciências

científica?

naturais, etnografia, fotografia, museus) e sua relação com os modernos meios de comunicação.

Explorações científicas As expedições lideradas por Rondon foram também oportunidades para realizar explorações científicas. Caso haja um horto ou jardim botânico no local onde se encontra a escola, desenvolver uma atividade interdisciplinar que envolva um grupo de professores. Para isso, é necessário que esses profissionais planejem previamente os objetivos que desejam alcançar com a atividade. Ir antes ao local para verificar suas possibilidades pedagógicas pode ajudar nesse planejamento. Pode-se aproveitar o contato com a natureza para propor atividades como corrida de saco, pula-corda, gincanas. Propor, antes da visita, que os alunos façam um levantamento de espécies vegetais possivelmente encontradas por Rondon e sua equipe durante as expedições ao Cerrado, ao Pantanal e à Floresta Amazônica, procurando por seus nomes populares e científicos. Essa é uma boa oportunidade para levantar algumas questões: o que são e para que servem os nomes científicos? Qualquer pessoa pode dar nome a um ser vivo? Em que língua os nomes científicos são escritos? Por que sempre são escritos com dois nomes? O Almanaque fornece informações a respeito da nomenclatura científica dos seres vivos. Caso sejam necessários outros subsídios, livros didáticos de ciências para o ensino fundamental são boas fontes. O levantamento da flora do Cerrado, do Pantanal e da Amazônia servirá de base para a visita ao horto ou jardim botânico: quais dos vegetais pesquisados podem ser encontrados nesse local? Como é seu aspecto (tamanho, cor, presença de flores e frutos, tipo de folha etc.)? Há alguma relação entre essas características e o ambiente do qual são originários? Há alguma adaptação

Lendas Na lenda da mandioca e na história do Uirapuru há, respectivamente (nos BOXES: Você sabia que ... Conta a lenda e Você sabia que ... Uirapuru), a transformação do ser humano em planta e em pássaro. As lendas abordam temas universais por meio da tradição oral. Muitas vezes, os personagens são seres mágicos que se transformam a partir da natureza. Contar para os alunos a lenda da mandioca e a história do Uirapuru. Identificar quais são as lendas conhecidas pelos educandos, ou por pessoas da região onde vivem. Sugerir que os alunos, se apropriando da linguagem fantástica, criem histórias sobre a origem de alguma planta ou de algum animal.

Lembranças da Comissão Rondon – fotografia e pintura O Almanaque Histórico se refere à origem da fotografia, à evolução dos recursos técnicos, aos componentes de uma foto (ambientação, enquadramento, pose), às diferentes funções da fotografia (documental, artística). Observar com os alunos as fotos apresentadas no Almanaque, a partir das características indicadas. Analisar com os educandos as fotografias de crianças apresentadas no Almanaque (p.30). Que imagem da criança o fotógrafo parece querer transmitir? Que impressões nos causam cada fotografia? Podemos deduzir algo sobre a vida dessas crianças a partir das fotos? Contar aos alunos que, na época do surgimento da fotografia, muitos acreditavam que ela poderia substituir a pintura. De forma semelhante, com o surgimento da Internet – que facilita e agiliza o acesso às produções escritas –,questionase se esse meio de comunicação substituirá os livros. Será que isso poderá acontecer?

desses vegetais à ocorrência de chuvas, à luz? Se houver possibilidade, podem 20

ser tiradas fotos das plantas. Se não for possível, podem ser feitos desenhos

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Testemunho histórico

pouco sobre quem são. Podem-se criar histórias ou dramatizações a partir do

“Pesados pacotes, então, de chapas de vidro que escapavam de se desfazerem em cacos, nos rudes transportes por terra ou na travessia de cachoeiras e corredeiras, onde tantas canoas, materiais e vidas preciosas ficaram para sempre sepultados, era quase por milagre que chegavam aos nossos gabinetes fotográficos nas cidades!” (Cândido Mariano da Silva Rondon. Índios do Brasil do Norte do rio Amazonas. Conselho Nacional de Proteção aos Índios, Rio de Janeiro, 1953, p. 4) (Almanaque p. 54) Aproveitar o relato de Rondon sobre a dificuldade de transporte do material fotográfico para apresentar a transformação dos recursos técnicos na fotografia. Ressaltar que, desde o daguerreótipo até a câmera digital, muita coisa mudou.

Memórias e culturas dinâmicas – datas comemorativas, museus

material trazido de casa. Investigar também a história local. Qual a origem da cidade onde vivem? Que pessoas do lugar poderiam ajudá-los a resgatar essa história? Quem já foi a um museu? Que museus existem na sua localidade? Seria interessante relatar como os ticuna criaram seu próprio museu, o Museu Magüta. Destacar que os museus não se limitam, atualmente, a preservar a memória de heróis nacionais e lideranças políticas. O museu é também o espaço para conservar a memória dos movimentos populares ou dos diferentes grupos étnicos. Dependendo das possibilidades do local, poderia ser organizada uma visita a um museu, uma exposição de fotografias ou obras de arte. Se tiverem acesso à Internet, os alunos poderiam conhecer o site do Museu do Índio. A partir das visitas reais ou virtuais, observar como é realizado o trabalho de preservação e divulgação do acervo histórico e cultural: pesquisar como se conservam os documentos, como são montadas exposições, que critérios são utilizados para selecionar as fotos, que profissionais estão envolvidos nesse trabalho. Lembrar que a conservação do patrimônio inclui também a preservação do meio ambiente.

No BOX Você sabia que... Dia da mentira, somos informados sobre a origem do hábito de fazer brincadeiras no dia primeiro de abril. É interessante fazer com os alunos um levantamento das datas comemorativas que costumam estar presentes no Calendário Escolar, identificando sua origem e seu sentido. Nesse capítulo, por exemplo, podemos conhecer em que circunstâncias foi cria-

A linha do tempo Comunicações no Brasil (p. 55) é oportunidade para discutir a

do o Dia do Índio. O objetivo era “valorizar e difundir a imagem histórica dos

história dos meios de comunicação e comparar diferentes veículos. Há, cada vez

povos indígenas e integrá-la às celebrações nacionais” (Almanaque, p. 57). Sua

mais, um aumento na velocidade e no volume de informação. Atualmente, as in-

escola comemora o Dia do Índio? Se a resposta for sim, seria o momento ade-

formações chegam quase em tempo real para muita gente, ao mesmo tempo, em

quado para refletir com os alunos sobre o sentido dessa comemoração. É inevi-

diferentes partes do mundo. Entretanto, a qualidade da informação melhorou?

tável que ela se dê a partir da nossa visão, que é a dos “não índios”(como seria a comemoração do “Dia dos não índios” pelos índios?). Mas isso não impede que seja uma boa oportunidade de conhecer e valorizar a presença histórica das populações indígenas na formação do Brasil. “Cada um de nós é quem é porque tem suas memórias.” (A arte de esquecer, Ivan Izquierdo, Rio de Janeiro: Vieira & Lent, 2007, p. 58 )

22

A força dos meios de comunicação – rádio, televisão, internet

Há também a coexistência de meios de comunicação que não necessariamente se substituem: o uso da Internet não substituiu o do telefone, por exemplo. O acesso não é o mesmo para todos, depende do poder aquisitivo e do local de moradia de cada um. A que meios de comunicação os alunos têm acesso? Comparar como uma mesma notícia é veiculada por diferentes meios de comunicação.

A formação de nossas identidades individual e social está relacionada com aqui-

Realizar uma pesquisa sobre a presença do rádio na vida das pessoas e no

lo que preservamos na nossa memória. O que é valorizado? O que é esquecido?

lugar onde vivem. Quem tem o hábito de escutar rádio? Em que circunstâncias

Pedir aos educandos que tragam para a sala de aula elementos que estejam

isso ocorre (em casa, enquanto trabalha etc.)? Que tipo de emissora e progra-

guardados em suas casas (objetos, fotos, registros escritos), entre aqueles que

mas prefere escutar (noticiário, música etc.)? Transformar em gráficos os dados

considerem significativos sobre sua vida ou de sua família, que mostrem um

levantados.

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Combinar com os alunos que têm acesso à TV a atividade de, no mesmo dia, observarem os diferentes programas (novela, propaganda, noticiário ou desenho animado), procurando refletir sobre estas questões: como a mídia trata a questão da diversidade humana? Todos são apresentados da mesma forma? E as crianças e jovens, como são apresentados? E os índios?

4 O HOMEM PÚBLICO Este capítulo dá ênfase à figura de Rondon em sua dimensão política, no sentido amplo, de alguém que exerceu com intensidade sua cidadania e defendeu suas ideias, marcando presença em episódios históricos importantes, inclusive em torno dos (ainda hoje) disputados direitos dos índios e das ações destes em defesa de suas vidas e culturas.

C O L Ô M B I A

E

Q

U

A

D

Direitos humanos, cidadania, participação política Os hospitais, as escolas, os museus, todos estão sujeitos a transformações em

O R

função da vontade e das ações de pessoas e grupos. Os alunos podem eleger

B

R

uma instituição pública de sua localidade e estudar sobre qual seria a sua fun-

A

ção, como funciona, como afeta suas vidas e de sua comunidade e que grau de

S

participação poderiam ter na mesma.

I

L

A partir das informações do Almanaque Histórico sobre a Guerra do Paraguai (p. 64 e p. 65 pintura), realizar um estudo sobre as origens e consequências desse conflito. Essa é uma boa ocasião para abordar temas como violência, nacionalismo, dominação econômica da Inglaterra, delimitação de fronteiras.

B O L Í V I A

Lembrar que, tempos depois da Guerra do Paraguai, Rondon esteve à frente da Inspeção de Fronteiras. De que guerras o Brasil já participou? Qual o papel dos militares? Seria a manu-

P A R A G U A I

tenção da ordem interna? Seria a proteção das fronteiras? Discutir a função dos uniformes no Exército, nas escolas e no trabalho. Caracterizar o País entre fins do século XIX e começo do século XX (movimento abolicionista, movimento republicano, exportação da borracha e do café, cres-

U R U G U A I

cimento das cidades, modernização tecnológica, novos meios de transporte, imigração europeia). Ver ainda o material do Projeto Memória Oswaldo Cruz, que aborda, em detalhe, esse período.

24

25


professores ou funcionários da escola, situações que envolvem intimidação, hu-

Testemunho histórico

milhação, perseguição, ameaças e isolamento, dentre outras, está sendo vítima

“Aliás, não tinha eu muito tempo para brincar. Quando não

de algum tipo de discriminação. Cabe aos professores criarem mecanismos de

estava agarrado aos livros, ia ajudar o tio na venda – venda

discussão para evitar que isso aconteça.

de roça, onde de tudo se vendia, inclusive peixe frito que,

Realizar uma pesquisa sobre as pessoas mencionadas nos BOXES Retratos de

com farinha, constituía a alimentação dos trabalhadores.”

vidas no Almanaque que, de alguma forma, compartilharam com Rondon seu

(Esther de Viveiros. Rondon conta sua vida. 1969, p. 25)

interesse em lidar com os grupos indígenas de forma diferente da dominante

(Almanaque, p. 66)

em sua época. Noel Nutels, Francisco Meirelles, Darcy Ribeiro e os irmãos Villas Bôas são alguns deles. A pesquisa poderia ser completada investigando-se os

Para Rondon, as obrigações tomavam mais tempo que o lazer. Investigar com os

órgãos atuais governamentais e não governamentais que se ocupam da ques-

alunos como é distribuído seu tempo: tempo da escola, tempo de lazer. Fazem eles

tão indígena, como a Fundação Nacional do Índio (FUNAI), a Fundação Nacio-

algum tipo de trabalho? Conhecem alguém que realize trabalho infantil? Pesquisar

nal de Saúde (FUNASA) e o Conselho Indigenista Missionário (CIMI).

com os educandos sobre como a legislação regulamenta essa questão. O Estatuto da Criança e do Adolescente, no Livro I, Título II, Capítulo V, Artigos 60 a 69, regu-

Defesa de pontos de vista

la a questão do direito à profissionalização e à proteção no trabalho, bem como estabelece a proibição de trabalho a menores de 14 anos, salvo na condição de aprendiz.

No Capítulo 1 do Almanaque, no BOX Os limites da floresta, se discute o embate entre defensores do agronegócio e ambientalistas. Cada posição defende veemen-

Utilizar a linha do tempo com fotos dos presidentes do Brasil (p. 70) para dis-

temente seus pontos de vista e considera que está do lado certo da questão. Eis

cutir eleições. Realizar com os alunos uma pesquisa sobre como se deram as

aí boa oportunidade para simular uma espécie de julgamento desses dois pontos

eleições para presidente no Brasil em diferentes períodos. Quando as mulheres

de vista em sala de aula. Tal atividade desenvolve a capacidade de argumentação

passaram a votar? Quando o voto passou a ser universal? Como eram esco-

e deve-se deixar bem claro que o que mais importa, nesse caso, é tecer uma boa

lhidos os presidentes durante o primeiro governo Vargas e a ditadura militar?

defesa em torno da qual estará quem poderá vencer o embate, pelo menos em sala

Relatar o período em que passamos a ter eleições diretas novamente.

de aula. As discussões geradas pela simulação de debate certamente servirão para

Organizar uma eleição na turma, ou na escola, para presidente e outros representantes. O que é ser brasileiro? É só ter nascido no País? Todos falam a mesma língua? Todos têm direitos iguais? Abordar diretamente com os alunos a questão da discriminação. Organizados

uma reflexão a respeito desse tema: 1. A turma deverá ser dividida em três grupos: I. Defensores do agronegócio II. Defensores do ambientalismo III. Comissão julgadora

em grupos, eles devem contar, por meio de dramatização, uma situação de dis-

2. O julgamento ocorrerá em quatro etapas:

criminação vivida por alguém da turma ou por alguém que conhecem. Discutir

I. Defesa do agronegócio: serão apresentados argumentos a favor dessa postura.

com a turma os motivos que levaram tal fato a acontecer. Os grupos devem, então, realizar nova dramatização, propondo como poderia o caso ter acontecido

II. Defesa da preservação ambiental: apresentação dos argumentos favoráveis

de forma diferente. Os alunos devem retratar, na primeira dramatização, como

a pessoa – vítima da discriminação – reagiu e, na segunda, como poderia ter

III. A comissão julgadora fará perguntas a ambos os grupos, de modo a testar

reagido. Aproveite a ocasião para abordar a questão da discriminação nas escolas. To26

das as vezes em que um aluno sofre de forma contínua, por parte dos colegas,

a essa posição. a consistência dos argumentos dos dois defensores.

IV. A comissão discutirá sobre qual dos dois grupos defendeu melhor suas ideias. O grupo que conseguiu argumentar melhor vencerá a discussão.

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http://www.danielkusaka.com/trabalhos/projeto_memoria/arquivos/material_pedagogico/pm_2009_rondon_gu