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Revista ABO Niterói

Regional Niterói

Revista ABO

Dezembro-Fevereiro Edição 4

Remoção de Cone de Prata

Por Philipe Lopes Peixoto e Anielle Santos dos Reis Os 10 mandamentos: análise de doenças ocupacionais Maria Cristina Rocha Dias


Editorial

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lá se foi mais um ano... Em primeiro lugar, queremos agradecer a Deus por nossa saúde e aos nossos companheiros, por estarmos à frente da ABO - Niterói e continuarmos na luta, correndo atrás de nosso sonho maior, a Nova Sede. O ano de 2011 foi de muitas conquistas, grandes vitórias e grandes eventos. Nossa programação cultural e nosso jantar do Dia do Dentista foram sucessos absolutos. Não ganhamos tudo o que queríamos, mas tudo o que pudemos e nos deixaram ganhar. A vida é feita de ganhos e perdas. Sábio é quem sabe perder, somar experiências e valorizar a vitória, principalmente a sua (nossa) vitória. Na odontologia, também é assim. Quantos projetos, sonhos e trabalhos não conseguimos realizar? No entanto, o importante é que, em todos eles, sempre lutamos – e acreditamos na sua realização. Isto é o que vale. Durante todo ano, fomos muito duros e incisivos em nossa fala. Entretanto, hoje, ao final de mais um ano, queremos falar

somente de coisas boas. Muito trabalho, muita saúde, novas conquistas e novas amizades. Ratificamos nossa gratidão a Deus por tudo o que vivemos nesse ano. Até as discordâncias de opinião valeram a pena, principalmente para nos conhecermos melhor, sabendo o que cada um pensa, porque sua opinião é importante para a ABO. Aos que discordaram de nós, nosso respeito, com o convite para voltarmos a estar juntos em 2012. Aos nossos parceiros, nosso agradecimento e o convite para continuarmos juntos em 2012. Aos companheiros, fiéis escudeiros da ABO - Niterói, nossa gratidão e nosso aplauso, em nome dessa casa, pela honestidade de propósitos, pela palavra certa na hora certa e principalmente pela lealdade. Aos alunos de nossa Escola de Aperfeiçoamento Profissional, nosso agradecimento pela confiança. Aos nossos professores, a gratidão de sempre. E, finalmente, à classe odontológica de nossa cidade, um convite: “Venham para a ABO – Niterói”. Nós esperamos todos vocês para o nosso fortalecimento, a caminho de novas conquistas. Finalmente, desejamos a todos: saúde, paz, amor, prosperidade e Boas Festas. Paulo Bonfim Presidente ABO- Niterói Sugestões e críticas para presidencia@aboniteroi.org.br

Diretoria Presidente | Paulo Bomfim Vice- Presidente | José Rodolfo E. Verbicário 1º Tesoureiro | Milan Bohumil Benes 2º Tesoureiro | Antonio Augusto Carvalho de Sá 1º Secretário | Aline Magalhães Galindo 2º Secretário | Mauro Cardoso Diretor científico | Edson de Almeida Murta Junior Departamento cultural | Raul Feres Monte Alto / Edson

Murta / Marcelo Comin Diretora de Eventos Comunitários | Manuela Braga Departamento Social | Ana Paula Porto Amorim Machado / Aline Magalhães Galindo / Manuela Braga / Michele Barilo Conselho Deliberativo Marcelo dos Santos Comin / Odilard da Silva Pontes / Cândida Nazário M. Miller / Carlos Alberto B. B. Junior / Nilson Cardoso José Djalma Viana / Margarida M. Osório da Costa / Cauby Alves

da Costa / Eduardo Gomes C. Castro / Carlos Alberto Rodrigues Conselho Fiscal: Membros Efetivos Luiz Paulino Victoria Neto / Edmundo Paulino E. Santo / Aldir Nascimento Machado Membros Suplentes Antonio Carlos Vieira Filho / Beatriz Pereira da Costa Russo / Carlos Alberto A. Finóquio

Expediente Presidente ABO Niterói Paulo César Lopes Bonfim / CRO-RJ 8135

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Palavra CRO - RJ

4ª CONEO define mudanças no Código de Ética Odontológica

Niterói, 10 de dezembro de 2011

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ais de 350 pessoas estiveram presentes à solenidade de abertura da 4ª Conferência Nacional de Ética Odontológica, que aconteceu em Goiás, no início de novembro. Representantes dos Conselhos Regionais e cirurgiões-dentistas de todo o país reuniram-se durante quatro dias para as discussões em torno das 458 propostas previamente apresentadas durante as Conferências regionais, para alteração aos atuais quarenta e oito artigos do Código, após as palestras dos professores Ronaldo Radicchi, sobre “Mercantilismo na Publicidade” e Casimiro Possante de Almeida sobre a “Vocação humanística e os conflitos pragmáticos atuais do exercício profissional do cirurgião-dentista”. O Estado do Rio de Janeiro encaminhou propostas que, sem desmerecer as demais, considero de muita relevância para alterações que atendam aos novos tempos que a Odontologia está vivendo. Posso destacar, a regulação dos direitos e deveres dos profissionais, fazendo com que o Código passe a ser aplicado também nas instituições públicas e a adoção como padrão ético mínimo de remuneração a Classificação

Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Odontológicos (CBHPO), incluindo suas instruções gerais e valores” No polêmico item Comunicação, o Rio sugeriu que seja permitida a “propaganda” em todos os meios de comunicação disponíveis, desde que respeitem as normas vigentes no código atual. Todas as sugestões foram discutidas nos seus mínimos detalhes, objetivando promover a modernização do atual Código de Ética Odontológica. Agora, serão submetidas a análise do Departamento Jurídico do Conselho Federal para atestar sua legalidade e constitucionalidade. Só então serão inseridas no novo Código. Posso afirmar que a 4ª CONEO revelou os anseios da classe sobre as alterações que se fazem necessárias. Ao mesmo tempo que demonstrou maturidade, com propostas respeitando os parâmetros éticos, inerentes à conduta profissional dos que, em última análise, lidamos com um importante segmento da saúde que é a Odontologia. Afonso Fernandes Rocha CD Presidente do CRO-RJ


Palavra ABO - RJ

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Marketing na Odontologia

Fim de ano, época de planejamento

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Niterói, 10 de dezembro de 2011

ão existe mês mais adequado para se planejar as ações do que o mês de dezembro. É neste período que devemos fazer um levantamento dos resultados alcançados no ano que está terminando e traçar novas estratégias de ações para o novo ano. O melhor caminho para se planejar é o plano de marketing que constituí um forte aliado na construção das estratégias e auxilia os dentistas a utilizarem as ferramentas corretas para o alcance de seus objetivos. Um bom plano de marketing precisa incluir algumas etapas, como: 1)  Análise do mercado, onde são verificadas a situação politica, econômica e social do país, a expansão e desenvolvimento do mercado odontológico e as oportunidades que tem surgido nos últimos anos. Mapeamento das forças e fraquezas do segmento de odontologia e o que pode ser favorável ao seu consultório. Conhecimento da concorrência. 2)  Definição dos objetivos a curto, médio e longo prazo. 3)  Estudo do perfil do consumidor, seus posicionamentos em relação à odontologia, uso e costumes, necessidades, expectativas e desejos. 4)  Os 4 P’s do marketing, onde devem ser analisados Ponto, Produto (serviço), Promoção e Preço. •   Ponto (localização) – verificar se o acesso ao consultório é facilitado, se possui estacionamentos, rampas para público cadeirante, pontos de ônibus ou metrô nas proximidades. •   Produto (serviço)- análise do serviço oferecido em relação as necessidades dos clientes, se as especialidades estão de

acordo com a demanda, o atendimento é de qualidade, existe pontualidade nas consultas, os resultados dos serviços realizados são de excelência. •   Promoção - quais os canais que estão servindo de divulgação do consultório, estes canais são de acesso do seu público alvo, qual o retorno obtido das mídias. •   Preço - verificar se os valores cobrados pelos serviços estão de acordo com os valores da concorrência, se são justos, ou seja, cobrem os custos, a mão de obra utilizada pelos serviços e se estão de acordo com o perfil do público atendido. 5)  Elaboração das estratégias de marketing a serem utilizadas. Quais as ações que serão implantadas, por quem e por quanto tempo. 6)  Monitoração dos resultados, onde serão avaliados periodicamente se as ações de marketing utilizadas estão de acordo com os objetivos traçados e se existe alguma dificuldade na implantação do plano. Caso a avaliação demonstre que os resultados não estão satisfatórios com as metas e expectativas é necessário que seja feita uma revisão no estudo do mercado e no posicionamento do consultório. Que em 2012 o sucesso seja uma constante em sua vida. Boas Festas!!

Márcia Nana Marketing e Gestão Estratégica ideia_consultoria@yahoo.com.br www.ideiaconsultoria.blogspot.com


Variedades

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ABO Niterói comemora o dia do dentista em grande estilo poder público e empresas parceiras em nosso já tradicional jantar dançante realizado no Clube Naval de Niterói. Ficamos muito satisfeitos com o brilho do evento, onde a ABO - Niterói e o CRO-RJ homenagearam vários colegas. Foram nossos parceiros na realização de nossa festa o CRO-RJ, ABORJ, ORAL B, Unicred Niterói e a Cervejaria Itaipava que ofereceram vários brindes para sorteio. É sempre muito gratificante reunir nossos colegas em um momento ímpar de uma data tão especial para a classe. Cabe-nos agradecer aos presentes e parceiros e contar que no próximo ano voltaremos a nos reunir em nossos encontros científicos e em mais uma linda festa em comemoração ao nosso Dia. Diretoria da ABO-Niterói Niterói, 10 de dezembro de 2011

A ABO Niterói em comemoração ao Dia do Dentista realizou em 21 de outubro três grandes eventos. Na oportunidade contamos com a excelência do Prof. Dr Dário Adolfi que apresentou na parte da manhã, o curso com o tema “ Planejamento Clínico e Laboratorial Anatomo- Funcional nas Reabilitações Totais” . À tarde tivemos a honra de receber o ilustre Prof. Dr Ronaldo Hirata que nos prestigiou com o curso sobre “ TIPS Dicas em Odontologia Estética”. Contamos com a presença de parceiros que vem nos acompanhando em nossos cursos científicos, Ultradent, SS White, Microdonto, Dentchic, Hamilton Livros, CEDT, SIN Implantes, CEDRO, X- Bloom e Unicred e ORAL B . À noite tivemos o prazer de confraternizar esta data tão especial com aproximadamente 280 colegas, amigos, autoridades da odontologia e do


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Materia Cientifica

Remoção de Cone de Prata com Agulha BD – Relato de Caso Philipe Lopes Peixoto (Especialista em Endodontia, Universidade Federal Fluminense) Anielle Santos dos Reis (Especialista em Endodontia, ABO – Niterói) Associação Brasileira de Odontologia, Niterói, Curso de Pós-graduação em Endodontia

Niterói, 10 de dezembro de 2011

Introdução Para alcançar o sucesso na terapia endodôntica não podemos menosprezar nenhuma das etapas relativas ao tratamento. Não adianta fazermos um correto diagnóstico e uma boa desinfecção do sistema de canais, se não fizermos uma obturação hermética do mesmo, impedindo, desta forma, uma recontaminação, levando ao insucesso. LEONARDO & LEAL (1991) afirmam que obturar um canal radicular significa preenchê-lo em toda a sua extensão com um material inerte e antiséptico, obtendo assim um selamento o mais hermético possível daquele espaço, de modo a não interferir e, se possível e melhor, estimular o processo de reparo apical e periapical, que deve ocorrer após o tratamento endodôntico radical. Os cones de prata foram introduzidos e preconizados por Jasper (1930) e utilizados por muitos anos na obturação dos canais. Eram frequentemente indicados em canais atrésicos e curvos em que a inserção da guta-percha era dificultada. Por possuírem algumas desvantagens, entre elas, possibilidade de corrosão e dificuldade de remoção depois de cimentado, caiu em desuso e ficou para as próximas gerações a árdua tarefa de tentar sua remoção nos casos de insucesso.

pequeno desgaste na dentina com ponta lisa de 24mm (Trinity – SP) para desprender uma parte do cone da parede do canal, foi fabricado um aparato para tentar sua remoção.

Figura 1 (Radiografia Inicial)

Relato de Caso

Paciente apresentava dor espontânea, pulsátil no elemento 37. Ao exame radiográfico observouse a presença de cones de prata como material obturador (fig. 1). Como havia um excesso coronário destes cones de prata, optou-se por tentar sua remoção com a pinça Stieglitz (fig. 2). Infelizmente, um dos cones de prata fraturou, e um fragmento do mesmo permaneceu na porção apical do canal. Com o auxílio do microscópio clínico (Alliance – SP), através do qual era possível observar o fragmento do cone de prata (fig 3), e do ultrassom (Dabi Atlante), com o qual foi feito um

Figura 2 (Pinça Stieglitz)


9 O aparato foi introduzido no canal e encaixado na porção liberada do cone de prata (Figs. 8 e 9). Em seguida, uma lima hedstroem #20 foi introduzida através do orifício criado e girada no sentido horário fazendo com que ranhuras fossem criadas no cone de prata pressionando-o contra a parede da agulha (Fig. 10). O aparato foi puxado em um único movimento e o cone de prata foi removido com sucesso (Figs.11, 12 e 13). Os canais foram instrumentados e obturados. Um controle de seis meses foi realizado (Figs. 14 e 15).

Fabricação do Aparato Fabricação do Aparato

Foi utilizada uma agulha BD de diâmetro 0,55 x 20 mm (Fig. 4). Com o auxílio de um disco de Carborundum removeu-se o bisel da agulha BD (Fig. 5). Foi realizada uma dobra de aproximadamente 45º na porção da agulha mais próxima ao seu conector (Fig. 6) e sofreu um desgaste com o auxílio de uma broca esférica diamantada próximo ao local da dobra produzindo um orifício para permitir a inserção de uma lima hedstroem (Fig. 7).

A remoção de fragmentos do interior dos canais, tais como limas e cones de prata, sempre foi um desafio ao endodontista. Técnicas e equipamentos têm sido utilizados com relativo sucesso nesses casos. Com o êxito no caso descrito, é importante salientar a importância de artigos clínicos que, aliado ao conhecimento científico, tem nos levado a atingir os objetivos desejados. Niterói, 10 de dezembro de 2011

Figuras 4 - 7


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11 Referência Bibliográfica 5. WARD, J.R.; PARASHOS, P.; MESSER, H.H .Evaluation of an ultrasonic technique to remove fractured rotary nickel-titanium endodontic instruments from root canals: an experimental study. J Endod, v. 29, n. 11,756-763, Nov. 2003. 6. ZUOLO, M.L., KHERLAKIAN, D., MELLO JR., J.E., CARVALHO, M.C.C., FAGUNDES, M.I.R.C., Reintervenção em Endodontia, 1ª edição, Editora Santos, São Paulo, 2009.

Niterói, 10 de dezembro de 2011

1. ELEAZAR, P. D.; O’CONNOR, R. P. Innovative uses for hypodermic needles in Endodontics. J Endod, Baltimore, v. 25, n. 3, p. 190191, Mar. 1999. 2. GETTLEMAN B. H.; SPRIGGS, K. A.; ELDEEB, M.E.; MESSER, H. H. Removal of canal obstructions with Endo extractor. J Endod, Baltimore, v. 17, n. 12, p. 608-611, Dec. 1991. 3. SIERASKI, S. M.; ZILLICH, R. M. Silver point retreatment: review and case report. J Endod, v.9, n.1, p.35-39, 1983. 4. SPRIGGS, K.; GETTLEMAN, B.; MESSER, H. H.Evaluation of a new method for silver points removal.J Endod, Baltimore, v. 16, n. 7, p. 335-338, Sept.1990.


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12 Classificados


Palavra do Especialista

Os 10 mandamentos:

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Critérios que auxiliam na correta análise de doenças ocupacionais

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necessidade de se estabelecerem critérios específicos para análise do nexo causal em doenças ocupacionais baseia-se na existência de laudos, que mesmo bem executados, deixam de considerar aspectos importantes e, muitas vezes, essenciais para a resolução do litígio. Para o estabelecimento da causa da doença ocupacional, existem critérios a serem adotados a fim de tornar a conclusão correta. A Associação Brasileira de Odontologia do Trabalho, no intuito de regulamentar estas conclusões, lançou no III CBOT – Congresso Brasileiro de Odontologia do Trabalho o manual com as Diretrizes para o Exercício da Odontologia do Trabalho - 2010, que aborda o estudo do homem no local de trabalho, assim como os dados epidemiológicos, entre outros aspectos relevantes para a saúde do trabalhador. A Resolução INSS/DC/nº 10, de 23 de dezembro de 1999, recomenda incluir alguns procedimentos no raciocínio pericial. Da união destes e demais estudos, propõe-se a análise de 10 critérios, descritos a seguir, que devem ser considerados para o estabelecimento do nexo causal em doenças ocupacionais.

LEGAL

A Lei 8.213/91 em seu Artigo 20, que define doenças profissionais e doenças ocupacionais do trabalho, informa que estas deverão estar descritas na relação elaborada pelo Ministério do Trabalho e Emprego. O Decreto 3.048/99 traz uma relação dos agentes patogênicos causadores de doenças profissionais ou do trabalho. A Resolução INSS/DC/ nº 10,

por sua vez, aprova e define os Protocolos de Procedimentos Periciais relativos aos fundamentos legais.

TÉCNICO CIENTÍFICO

Durante a análise, deverá ser demonstrada a existência de estudos abalizados pela comunidade científica sobre as relações de causa e efeito, dados epidemiológicos entre a patologia e a atividade específica executada.

INTENSIDADE E TEMPO

O perito deve afirmar na sua análise que a intensidade de exposição ao risco pode causar a doença. O risco será caracterizado pela freqüência do tipo de ação (repetitividade) ou pela sua manutenção (esforço estático).

TEMPO DE LATÊNCIA

O tempo de latência é o tempo entre o início da exposição ao risco e o aparecimento das queixas e da comprovação diagnóstica.

CONDIÇÕES PREGRESSAS

O critério de condições pregressas consiste na análise de todas as atividades laborais realizadas antes do ingresso na empresa e do início da doença, bem como na análise das condições físicas anteriores.

INCAPACIDADE

O termo “incapacidade laborativa” é muito genérico, devendo ser avaliado com cuidado, analisando-se a presença deste critério tanto no período contratual como no pós-contratual.

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Maria Cristina Rocha Dias Especialista em Odontologia do Trabalho e Odontologia Legal Coordenadora do Curso de Especialização de Odontologia do Trabalho ABO-Nit.


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Variedades No período contratual: considera-se haver comprovação de incapacidade se o funcionário se afastou por um período superior a 15 dias consecutivos e, portanto, passou a ter direito a afastamento previdenciário. No período pós-contratual: considera-se comprovação de incapacidade o afastamento previdenciário ocorrido após o contrato de trabalho, desde que o tempo ocorrido entre a demissão e o afastamento tenha nexo temporal com as atividades laborais.

AFASTAMENTO DO RISCO

As patologias exclusivamente relacionadas ao trabalho, quando afastadas do risco laboral que a determinaram, devem no mínimo permanecer estacionadas na sua evolução.

Niterói, 10 de dezembro de 2011

CRITÉRIO TEMPORAL

No critério temporal, o perito deve analisar a existência de provas suficientes do aparecimento e do diagnóstico da doença durante o período contratual ou de atividade exposta ao risco ocupacional.

COERÊNCIA CLÍNICA

A coerência clínica é definida como a harmonia entre fatos ou coisas. Em saúde do trabalhador, é preciso avaliar uma série de questões. Especial atenção é necessária na interpretação profissional

dos sintomas relatados e sua coerência com o diagnóstico da doença, assim como o local da queixa deve estar coerente com o resultado do exame complementar.

OUTRAS CAUSAS

Muitas das doenças discutidas como ocupacionais são multifatoriais. Isto não quer dizer que todas as causas estão agindo na gênese da patologia discutida, pois o mais comum é que apenas uma delas seja o fator determinante. O perito deve ter senso crítico na identificação da verdadeira causa para não penalizar o trabalhador ou a empresa de maneira indevida.

CONCLUSÃO

A ausência de descrição de determinada doença na relação das patologias ocupacionais não exclui a possibilidade dela ter origem na atividade laboral. Em casos excepcionais, mesmo não constando na relação, desde que devidamente comprovada que resultou das condições especiais em que o trabalho foi executado e com ele se relaciona diretamente, a doença será considerada acidente de trabalho. No entanto, para o estabelecimento do nexo causal entre a atividade laboral e o dano (doença apresentada) é necessário o laudo pericial comprobatório, seja ele do especialista de confiança no juízo, em caso de processo judicial ou do perito no INSS.

Referência Bibliográfica 1. Bamihas, A.; Giraldes, J. M.; Lima, M.C.R.D.;Diretrizes para o Exercício da Odontologia do Trabalho - Rio de Janeiro: Associação Brasileira de Odontologia do Trabalho 2010. 20p 2. Jorge, M. T.; Ribeiro, L. A.; Fundamentos para o Conhecimento Científico – Áreas de Saúde. São Paulo. CLR Balieiro. 1999. p 3 3. Mendonça, M. H.; Segurança do Trabalho em estabelecimentos de Saúde. Rio de Janeiro. SINDHERJ. 2001. p.9,14,25

4. Penteado, J.M.; Proteção - Revista mensal de Saúde e Segurança do Trabalho, Setembro/2011 – Ano XXIV 5. Souto, D. F.; Saúde do Trabalhador. Rio de Janeiro, 2005. p 15,60


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Congressos & Eventos


Revista ABO Niterói ed 4  

Revista ABO Niterói ed 4 Dezembro 2011