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CAROL GARCIA / SECOM

24 de março de 2014

Infraestrutura

Estrada longa e virtuosa

7,6 mil quilomentos de rodovias melhoram integração entre municípios; novos investimentos incluem mais estradas, ferrovia, ponte Salvador-Itaparica e aeroportos

Aeroportos recebem R$ 200 milhões em novos polos do interior

Cinco primeiros trechos da Fiol serão entregues até o ano que vem

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PROJETOS ESPECIAIS


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CORREIO Salvador, segunda-feira, 24 de março 2014

INFRAESTRUTURA

Mais integração pelo ar

REPRODUÇÃO

Aeroportos têm investimento de aproximadamente R$ 200 milhões Victor Longo victor.longo@redebahia.com.br

Possibilitar o desenvolvimento equilibrado de diferentes regiões do estado através da construção, ampliação ou realização de obras de melhoria de aeroportos e aeródromos em municípios importantes. Melhorar o transporte interregional de passageiros, a distribuição de mercadorias e o escoamento da produção. Com esses objetivos, a integração de todo o estado através do espaço aéreo é peça chave nos planos do GovernodaBahiaparaospróximos anos. Somente nos aeroportos geridos pelo governo do estado, os investimentos já em curso e previstos até 2015 somam aproximadamente R$ 200 milhões, incluindo aportes do Programa Federal de Auxílio a Aeroportos (Profaa), do governo federal, e de concessionárias privadas. O Departamento de Infraestrutura de Transportes da Bahia, órgão da Secretaria de Infraestrutura(Seinfra),executaumplano de desenvolvimento aeroviário desde 2010 em municípios escolhidos estrategicamente. MUNICÍPIOS Além de Ilhéus, Paulo Afonso e Salvador, com terminais da Infraero, estão em obras os aeroportos de municípios importantes para o Turismo, como Porto Seguro e Lençóis; assim como outros economicamente influentes, como Feira de Santana, Vitória da Conquista, Barreiras, Guanambi e Teixeira de Freitas. Cipó, Itaberaba, Sento Sé, Xique-Xique, Bom Jesus da Lapa, Jacobina, Santa Maria da Vitória, Irecê e Ibotirama também estão incluídos. “Os aeroportos são estratégicos para ligar essas regiões e apoiar o desenvolvimento”, resumiu o diretor de terminais do Derba, Denisson Oliveira. Segundoele,aideiaécapacitaraeroportos que hoje só recebem voos da aviação civil (pequenas aeronaves)paraaaviaçãoregional (comercial). “Teremos uma estrutura de aviação regional ligando todo o estado. Com isso, ficará mais fácil levar saúde, segurança e educação para todos”, disse. Segundo maior município do Estado, Feira de Santana é uma das prioridades. Lá, o Governo já investiu R$ 5 milhões em obras de requalificação. A concessionária responsável já investiu R$ 10 milhões e novos

EXPEDIENTE

Vitória da Conquista, no Sudoeste do estado, ganhará um novo aeroporto, com capacidade para receber cerca de 500 mil pessoas por ano

A integração de todo o estado através do espaço aéreo é peça chave nos planos do Governo da Bahia para os próximos anos Fazem parte do projeto aeroportos como o de Porto Seguro, Lençóis, Feira, Conquista, Barreiras e Teixeira de Freitas aportes do governo federal são previstos (leia mais ao lado). Outra prioridade é Vitória da Conquista. O município, hoje com 400 mil habitantes e terceiro maior do estado, receberá um novo aeroporto, com investimentos de R$ 60 milhões previstos.Umaáreade6milhõesde metros quadrados já está sendo preparada para que o novo aeroporto comece a ser erguido. As obras serão concluídas até o final de 2015. Os recursos são do governo federal e do estado. A previsão é que 500 mil passageiros por ano passem pelo município quando o aeroporto estiver pronto. A “Capital do Sudoeste”, como é conhecida Conquista, é uma das cidades quemaistêmcrescidonoestado

e a demanda pela aviação regional tem crescido. Quando o Derba iniciou o projeto do novo aeroporto, o antigo recebia 30 mil passageiros por ano. Hoje, segundo o órgão, já recebe cerca de 300 mil. Conquista é uma cidade-polo, com forte influência em várias cidades da região. OESTE Barreiras, município do Oeste do estado, tem investimentos previstos de R$ 35 milhões para a ampliação da pista, construção de uma nova Sessão Contra Incêndios (SCI) e ampliação do pátio de aeronaves. Segundo o Derba, já existe um convênio assinado com o governo federal e projetos em aprovação no Comando Aéreo Regional II (Comar II). A previsão é que as obras sejam concluídas no final de 2014. Tambématéofinaldesseano, obras nos aeroportos de Porto Seguro e Lençóis serão concluídas. Terceiro maior aeroporto regionaldoNordeste,comofluxo de 1,5 milhão de passageiros por ano, o de Porto Seguro recebeu quase R$ 30 milhões em recursos do estado nos últimos dois anos. As obras incluem a ampliação do terminal de passageiros, melhorias na pista e nosequipamentosdeproteçãoe navegação aérea. EmLençóis,naChapadaDiamantina, outros R$ 6 milhões foram investidos. Além das obras, o aeroporto receberá um Hangar do Grupamento Aéreo da Polícia Militar (Graer).

Estratégia é tornar aeroporto de Feira centro logístico de cargas

Diferente da maioria dos aeroportos em obras, que devem ter foco único no trânsito de passageiros, o Aeroporto de Feira de Santana será preparado para a aviação cargueira, segundo o diretor de terminais do Derba, Denisson Oliveira. “Estamos desenvolvento estruturas para a nova pista e terminal, exclusivamente para a aviação cargueira. A aviação regional para passageiros deve iniciar ainda este semestre”, revelou o diretor. “Os governos estadual e federal escolheram Feira de Santana, pela própria vocação do município”, disse. Segundo ele, o município é estratégico do ponto de vista logístico, já que hoje aproximadamente 200 mil toneladas por ano passam por lá. Localizado num entroncamento entre rodovias federais (BR-101, BR-116, e BR-324), Feira de Santana tem uma população de 606 mil habitantes e é o segundo maior município do estado, perdendo apenas para Salvador. “Além disso, estamos realizando obras na estrutura que já existe hoje: um terminal de passageiros, uma pista de 1500 metros e uma Sessão Contra Incêndio (SCI)”, afirma Denisson. A estrutura atual está sendo

requalificada, com um investimento de R$ 5 milhões somente do Governo do Estado. O consórcio UTC/Sinart, responsável pelas obras no aeroporto de Feira e vencedor da licitação, já fez um aporte de R$ 10 milhões para requalificar toda estrutura. “Deve haver também novos recursos do governo federal”, previu. Segundo ele, a ideia é que possibilitar que o aeroporto seja uma espécie de centro de recebimento e distribuição de cargas de vários pontos do Norte e Nordeste. “Potencialmente, Feira tem toda uma estrutura capacitada e pensada para o desenvolvimento logístico dessas cargas. Se o aeroporto tiver essa capacidade, vai incrementar o volume de cargas que passam pelo município, hoje já elevado”, vislumbrou Denisson. Espera-se, ainda, que as mudanças no aeroporto do município atraiam novos investimentos para Feira. “Devem ocorrer novos investimentos, sobretudo nos setores de transporte e de cargas, que poderão estar agregados e no entorno desse aeroporto”, projetou o diretor do Derba.

Edição e textos Victor Longo Design Morgana Miranda Tratamento de imagens Raniere Borja Oliveira (raniere.oliveira@redebahia. com.br) e Erlanney Rocha (erlaney.rocha@redebahia.com.br) Analista Responsável Projetos Especiais Vanessa Araújo Tel.: (71) 3203-1090 Analista Comunicação Marina Xavier (71) 3203-1870 Comercial Luciana Gomes e Sylla Rocha Tel.: (71) 3203-1357


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THIAGO TEIXEIRA / AGECOM

INFRAESTRUTURA

Obras na BA-420 em 2009 melhoraram o caminho entre São Félix e Maragogipe, dois importantes municípios do Recôncavo Baiano; intervenção beneficiou pelo menos 120 mil

Com o pé na estrada

Governo estadual investe em melhorias nas rodovias baianas Victor Longo victor.longo@redebahia.com.br

Se você costuma viajar pelas rodovias baianas, certamente percebeu mudanças nos últimos anos. Se antes era preciso parar por minuto para evitar cair em buracos e enfrentar perigosos trechos de estradas de terra, hoje essa situação tem se tornado cada vez mais rara. E os números comprovam o fato: dos 417 municípios baianos, apenas nove ainda não têm acesso pavimentado às principais vias da malha rodoviária estadual. Isso graças a intervenções como a recuperação de trechos e a implantação de novos, levadas a cabo especialmente nos últimos anos. Desde o início da atual gestão, iniciada em 2007, o governo do estado tem investido maçiçamente na melhoria das estradas, o principal meio de integração entre os municípios. No total, 7.622 quilômetros de estradas foram implantados e recuperados de janeiro de 2007 a dezembro de 2013, de acordo com os Relatórios de Atividades do Governo (RAG), do governo. Ao to-

do, cerca de R$ 1,5 bilhão foram investidos nessas obras. Entre os maiores investimentos feitos no período estão o trecho da BA-001 que liga Camamu, no Baixo Sul do estado, a Itacaré, passando pela entrada da BA-030. Foram investidos quase R$ 47 milhões em 32 quilômetros de extensão. Outra obra importante foi BA-420, que liga São Félix a Maragogipe. Calcula-se que a intervenção, realizada em 2009, tenha beneficiado pelo menos 120 mil pessoas. Outra grande obra foi a recuperação da BA-148, que liga a entrada da BR-242 ao município Livramento de Nossa Senhora, passando pelo acesso à BA-152. Com extensão de 288 quilômetros, o novo trecho custou R$ 56,9 milhões ao estado. Por sua vez, a BA-172, no trecho que liga a BR-242 ao município de Santa Maria da Vitória, foi alvo de investimento de R$ 47,8 milhões, em 254 quilômetros. Outros 903 quilômetros de obras em estradas estão em andamento, segundo informações do Departamento de

Dos 417 municípios baianos, apenas nove ainda não têm acesso pavimentado às principais vias da malha estadual

Infraestrutura de Transportes da Bahia (Derba), órgão da Seinfra. Segundo Saulo Pontes, diretor do órgão, o estado tem duas prioridades nas suas intervenções em rodovias. “Primeiro, ligar todas as sedes municipais à malha pavimentada do estado; depois, com o atendimento às diferentes rotas econômicas - eólica, mineradora, turística e de grãos”, explicou.

NOVAS OBRAS Ainda na atual gestão, o governo prevê realizar novas obras. Ao todo, o orçamento dessas novas intervenções totalizará R$ 269,1 milhões e incluirá três trechos da BA-001 - que parte de Itaparica e percorre todo o litoral baiano - e outras duas estradas. Na BA-001, o Derba promete construir o Semianel Rodoviário de Porto Seguro; a recuperação do trecho que liga Conceição de Salinas a Cairu (município que engloba as ilhas de Morro de São Paulo e Boipeba); além da Ponte Estaiada, que ligará Ilhéus ao bairro de Pontal. “Essa ponte será um novo cartão postal e muito funcional, porque vai favorecer motoristas que querem ir da orla Sul à orla Norte da cidade”, explica Saulo. Além dessas intervenções, outras obras previstas ainda para a atual gestão o Anel Viário de Candeias e uma ponte de 525 metros sobre o Rio Baetantã, na BA-534.

*7.622 1,5

RODOVIAS: VIAJE NOS NÚMEROS

QUILÔMETROS de estradas foram implantados e recuperados no período de 2007 a 2013, segundo relatórios do Derba

BILHÃO DE REAIS foram investidos no mesmo período na recuperação e implantação de trechos na Malha Rodoviária Estadual

903

269,1

QUILÔMETROS de rodovias estão em obras atualmente, com conclusão prevista para os próximos meses, segundo informações do Derba

MILHÕES DE REAIS serão investidos em novas intervenções, que incluem três trechos da BA-001, a BA-534 e o Anel Viário de Candeias

Governo não pretende realizar novas concessões de rodovias

De acordo com o diretor do Derba, Saulo Pontes, o governo do Estado não pretende conceder novas estradas à iniciativa privada, em um sistema de cobrança de pedágios. “Hoje eu não vislumbro nenhum segmento estadual comnecessidade de uma concessão”, disse. Segundo ele, as pistas que precisam de concessão são aquelas de maior fluxo, onde há necessidade de realizar caras obras de duplicação que

o estado não pode assumir. Ao longo do atual governo, 141 quilômetros de estradas foram concedidos à iniciativa privada. Em 2010, o Consórcio Bahia Norte venceu a licitação para ficar a cargo do Sistema BA-093, que liga o Polo Industrial de Camaçari ao Porto de Aratu e a outros municípios. Por sua vez, o Consórcio Litoral Norte ficou a cargo da BA-099, via que liga Lauro de Freitas ao Litoral Norte do estado.


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INFRAESTRUTURA

Fiol: de Ilhéus a Caetité Cinco primeiros lotes de ferrovia ficarão prontos até ano que vem Victor Longo victor.longo@redebahia.com.br

Considerado prioridade no alto escalão do Governo da Bahia, o trecho da Ferrovia de Integrãção Oeste-Leste (Fiol) que ligará Ilhéus, no Sul do estado, a Caetité, no Sudoeste, ficará pronto até o final de 2015. A previsão é do coordenador executivo de Infraestrutura e Logística da Casa Civil do governo, Eracy Lafuente. “Esse trecho é prioritário porque dará viabilidade, em termos de operação, ao transporte da carga de minério de ferro, de Caetité até Ilhéus, onde ficará o Porto Sul”, explica. Ao todo, o trecho contém cinco lotes, chamados 1, 2, 2A, 3 e 4. A empresa Bahia Mineração (Bamin), responsável pela exploração da maior mina de ferro existente em Caetité, utilizará o trecho da Fiol para transportar de 20 a 25 milhões de toneladas/ano do produto até o Porto Sul, onde terá um terminal de uso privativo (leia mais sobre o Porto Sul na página 7). Empresas que exploram outras minas de ferro, bauxita, magnesita e manganês na região também utilizarão o mesmo trecho da Fiol. EXTENSÃO No futuro, a ferrovia passará também pelo Oeste do estado, chegando a Figueirópolis, no Tocantins, e facilitando o escoamento da produção de grãos em municípios como Barreiras, Luís Eduardo e São Desidério. Ao todo, serão 1,5 mil quilômetros de extensão, dos quais 1,1 mil estarão em território baiano. Estima-se que um investimento total de R$ 6 bilhões serão feitos na Fiol, dos quais R$ 4,3 bilhões já estão licitados. No total, 6,3 mil pessoas trabalham atualmente nas obras

A empresa Bamin utilizará o trecho da Fiol para transportar até 25 milhões de toneladas/ano de minério de ferro Empresas que exploram outras minas de bauxita, magnesita e manganês também utilizarão o trecho

da ferrovia. Ao todo, cinco lotes compõem o trecho de Ilhéus a Cetité. O primeiro deles, o Lote 1, vai de Ilhéus até o Rio da Preguiça, em Itagibá, município onde há uma mina de níquel, explorada pela empresa australiana Mirabela. Com o total de 125 quilômetros, o trecho passa pelos municípios de Uruçuca, Aurelino Leal, Gongogi e Ubaitaba, e conta com um investimento de R$ 607,9 milhões. Por sua vez, o segundo lote ligará Itagibá a Manoel Vitorino, passando por Aiquara, Itagi e Jequié, o sexto maior município do estado, com população de 161,3 mil habitantes. Com investimento de R$ 650,4 milhões, o Lote 2 tem 119 quilômetros. As obras do trecho estão a cargo do Consórcio Galvão. Dentro desse trecho, será construído um túnel de 780 metros de extensão em Jequié, denominado Lote 2 A no projeto. Outro lote, que vai do Riacho Jacaré, em Manoel Vitorino, ao Rio de Contas, em Tanhaçú, no Sudoeste do estado, contam com um investimento de R$ 403,2 milhões e uma extensão de 119 quilômetros. Tanhaçu é produtor de cal, calcário e mármore. Denominado Lote 3, o trecho já está em obras, realizadas por um consórcio que inclui as empresas Torc, Ivai e Cavan. Por sua vez, o Lote 4, que vai de Tinhaçu e Caetité, está a cargo do consórcio formado entre as empresas Andrade Gutierrez, Barbosa Melo e Serveng. Esse lote tem 178 quilômetros e passa por outros seis municípios com participação relevante na rota da mineraç��o do estado: Aracatu, Brumado, Livramento de Nossa Senhora, Rio do Antônio, Lagoa Real e Ibiassucê. Ao todo, são previstos investimentos de R$ 739,8 milhões nesse lote, que culmina no Riacho da Barroca.

OUTROS LOTES O trecho seguinte, que vai de Caetité a Figueirópolis, no Tocantins, é considerado importante para contribuir com o escoamento da produção de grãos, especialmente da soja baiana, que também será levada até o Porto Sul para exportação. “A ferrovia servirá não só à mineração, como também para o transporte dos grãos produzidos no Oeste do estado e no Tocantins”, explica Lafuente, da Casa Civil. Para a economia baiana, os lotes 5, 5F, 6, 7 e 8, que vão de Caetité a Luís Eduardo, município do Oeste produtor de grãos, também são considerados essenciais. As obras dos lotes 5 e 5F já começaram, de acordo com o coordenador executivo da Casa Civil. “Ambos já foram autorizados pelo Tribunal de

Vários trechos da Ferrovia Leste-Oeste já estão com os dormentes instalados à espera dos trilhos

Esse trecho é prioritário porque dará viabilidade, em termos de operação, ao transporte da carga de minério de ferro de Caetité Eracy Lafuente, Casa Civil Sobre trilhos, além de minério, passará boa parte da carga de grãos

Contas da União, o TCU, e já a licença de instalação do Ibama”, explicou. O lote 5, a cargo do consórcio formado pelas empresas Pavotec e Trial, simbolizará um investimento da ordem de R$ 849, 7 milhões. O trecho, que terá uma extensão 162 quilômetros, incluirá municípios como Palma de Monte Alto e Riacho de Santana. O trajeto se inicia no Riacho da Barroca, em Caetité, e segue até o trecho do Rio São Francisco localizado no município de

Bom Jesus da Lapa. É justamente a construção da ponte sobre o Velho Chico de responsabilidade de um consórcio formado pelas empresas Loctec, Sanches, Tripoloni e Sobrenco - que foi denominado lote 5F. A ponte terá uma extensão de 2,9 quilômetros, custará R$ 134,9 quilômetros, e ligará Bom Jesus da Lapa até a Serra do Ramalho. O lote seguinte, de número 6, custará R$ 575,1 milhões de levará da ponte até a estrada vicinal de acesso à BR-135, no

município de Correntina. De acordo com Lafuente, o trecho já possui licença de instalação emitida pelo Ibama, mas ainda precisa de autorização do TCU. Mesma situação tem o lote 7, que vai de Correntina a São Desidério. O trecho é também considerado essencial, já que São Desidério tem relevante papel no cenário agrícola nacional. Nos últimos anos, o município do Oeste tem disputado o posto do município com maior Produto Interno


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INFRAESTRUTURA

até 2015 DIVULGAÇÃO

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OS NÚMEROS DA FERROVIA DE INTEGRAÇÃO

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BILHÕES DE REAIS é o investimento total previsto na Ferrovia de Integração Oeste-Leste, que ligará Ilhéus a Figueirópolis (TO)

4,3

BILHÕES DE REAIS é o montante já licitado do total a ser investido na Ferrovia. A maioria do aporte virá da iniciativa privada

Porto Sul somará investimento de R$ 5,6 bilhões Considerado essencial para o escoamento da produção mineral do Sudoeste do estado e os grãos do Oeste, o Porto Sul será instalado no Litoral Norte de Ilhéus. O contrato de adesão que autoriza a construção dos dois terminais que comporão o Porto foram assinados em janeiro último. O porto ficará situado entre as localidades de Aritaguá, Sambaituba e Itariri, e deverá gerar cerca de 4 mil empregos. Durante a assinatura do contrato, também foi lançado o edital para consulta pública de seleção de acionistas privados para constituição da Sociedade de Propósito Específico (SPE) responsável pela construção, operação e exploração do Terminal de Utilização Privada do Estado da Bahia. O outro terminal do Porto Sul será gerido pela

Bahia Mineração (Bamin). O investimento para a construção terá, em sua maioria, origem na iniciativa privada, e chegará a R$ 5,6 bilhões ao longo de 25 anos. Eracy Lafuente, da Casa Civil, ressalta importância do investimento para o estado. “O Porto Sul é um complexo com dois terminais, um de uso privativo para a Bahia Mineração escoar suas cargas da mina de Caetité, o que, por si só, já é relevante, porque dá fundamento e condições específicas para a exploração dessa commodity importante”, destaca. Além disso, ressalta ele, o porto terá um terminal compartilhado por diferentes empresas: o Terminal de Uso Privativo para a Zona de Apoio Logístico (TUP/ZAL). “Aí se instalarão vários outros detentores de cargas

ou investidores, que serão mineradores, detentores da carga de granéis sólidos na figura dos grãos e outras cargas”, diz. “Com isso, a gente espera somar 100 milhões de toneladas/ano em 25 anos”, projeta. Se estivesse em operação hoje, o Porto Sul já seria o terceiro maior terminal do país, destaca Lafuente, que acrescenta a importância do Porto para a economia do estado como um todo. “O porto é relevante porque dota, junto com a ferrovia, o estado da Bahia, principalmente a região do semiárido, de condições para a exploração de minerais e outros produtos que antes não tinham condições e viabilidade econômica”, diz. “Tudo isso vai incrementar o PIB, com a participação do estado e da iniciativa privada”, completa. DIVULGAÇÃO

1,5 DIVULGAÇÃO

MIL QUILÔMETROS será a extensão total da Ferrovia, que integrará o Oeste da Bahia ao Oceano Atlântico, permitindo o escoamento de produtos

1,1

MIL QUILÔMETROS é a parte da Fiol que ficará dentro da Bahia. Municípios como São Desidério, Jequié e Brumado estão no trajeto

11

LOTES compõem todo o trajeto da Fiol, dos quais oito estão dentro do território baiano, ligando Ilhéus a Luís Eduardo

Bruto Agrícola do país. O PIB Agrícola mede o quando de produtos do setor foi produzido em um ano. São Desidério disputa o pódio do faturamento agrícola com Sorriso, no Mato Grosso. Pela pesquisa mais recente, a soma do que saiu das lavouras deixa Sorriso em segundo lugar com R$ 2,66 bilhões e põe São Desidério em primeiro, com R$ 2,285 bilhões. Por fim, o lote 7, ainda sem autorização e sem licença, levará até Luís Eduardo.

A ferrovia servirá não só à mineração, mas também para o transporte dos grãos do Oeste do estado Eracy Lafuente, Casa Civil

Ocupação será semelhante a modelo de Camaçari Quando o porto estiver pronto, a ocupação do espaço pelas empresas que atuarão no Terminal de Uso Privativo para a Zona de Apoio Logístico (TUP/ZAL) será feito de maneira semelhante ao que ocorreu no Polo Industrial de Camaçari. O TUP/ZAL será a área do porto compartilhada por diferentes setores e terá o governo como sócio minoritário. Lafuente, da Casa Civil, explica que o modelo é uma espécie de “condomínio”, em que é preciso haver dois diferentes licenciamentos antes da instalação das empresas. “Em Camaçari é assim: primeiro, houve um licenciamento prévio geral de uma área e, em seguida, se planejou que tipo de ínstalações ficariam em cada lugar. Nós pensamos esse modelo para o porto”, compara. A licença prévia para a implantação dos dois terminais que comporão o Porto já foi concedida pelo Ibama em novembro de 2012.

Depois do licenciamento prévio, é preciso que a empresa interessada em se instalar obtenha um novo licenciamento, de acordo com o tipo de atividade que será realizada. “A cada demanda de carga vamos buscar uma licença de instalação dentro de uma licença de instalação já expedida”, esclarece Lafuente. “Isso garante a segurança ambiental, por haver dois licenciamentos, e, ao mesmo tempo, dá agilidade ao processo”, afirma. Do total de investimentos previsto no Porto, o TUP/ZAL terá a maior parte: R$ 3,6 bilhões. Desse total, o estado deverá aportar uma quantia em torno de R$ 30 milhões e R$ 50 milhões, segundo o coordenador executivo. “Com isso, seremos sempre sócios minoritários”, assegurou. No entanto, o estado será detendor de ações especiais, do tipo Golden

Share, o que o dará direito ao veto sobre novas instalações. De acordo com Lafuente, esse poder especial será usado para garantir a concorrência entre os diferentes empreendedores que atuarão no terminal. “Nosso papel será fiscalizar e verificar o procedimento de novas instalações. Não queremos que uma empresa ganhe e seu concorrente não possa usar o terminal”, projeta. “A nossa ideia é que o terminal seja útil, independentemente de quem seja o vencedor, para escoar as cargas de José, de Pedro e de Maria, não apenas para uma empresa”, diz. O governo pretende também utilizar suas ações para evitar a cobrança de tarifas abusivas para a utilização do porto. Já na parte offshore (marítima), o porto contará com um quebra-mar de 1 mil metros e de uso compartilhado, além de um terminal multiuso. A Bahia Mineração também terá quebra-mar próprio.


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SEPLAN

INFRAESTRUTURA

Ideia da Ponte Salvador-Itaparica está inserida em projeto mais amplo, que inclui a integração de vários municípios do Recôncavo e do Baixo Sul, aproximando-os da capital

Ponte: o elo que faltava

Edital será lançado ainda este ano; projeto inclui mais intervenções Victor Longo victor.longo@redebahia.com.br

Quando estiver pronta, a ponte que ligará Salvador a Itaparica beneficiará milhares de pessoas que, diariamente, precisam fazer a travessia entre a capital baiana e a ilha. Mas, diferentemente do que muita gente pensa, o projeto não é isolado, mas parte de um pacote de obras viárias que possibilitarão uma melhor integração de Salvador com regiões inteiras. Entre essas obras estão a reconfiguração da BA-001 dentro da ilha, a duplicação da BA-001 no trecho da cabeceira da Ponte do Funil até Nazaré, a duplicação da Ponte do Funil, a requalificação da rodovia entre Nazaré e Santo Antônio de Jesus, a construção da rodovia entre Santo Antônio de Jesus e Castro Alves e a requalificação de Castro Alves até a BR-116. Com todas essas obras, a Secretaria do Planejamento (Seplan) calcula que ao menos 24 municípios ficarão 40% mais perto de Salvador (veja os principais municípios benefi-

ciados na ilustração acima). Além de ser prática para o dia-a-dia do baiano que se locomove para trabalhar, estudar e fazer negócios, essa integração também é ecologicamente correta: significa que, nos próximos 30 anos, haverá redução de 4 milhões de toneladas de gás carbônico na atmosfera, equivalente a plantação de 100 quilômetros quadrados de mata atlântica. Com o ganho no deslocamento, estima-se que dentro de 30 anos, o fluxo diário nos dois sentidos alcance 140 mil veículos. PONTE Para tornar a ponte Salvador-Itaparica viável e de

A integração de Salvador com Itaparica dará mais dinamismo à economia regional José Sérgio Gabrielli, Secretário do Planejamento

forma responsável, é preciso realizar uma série de estudos de impacto, que já estão sendo feitos pela Seplan. O cronograma de ações de 2013 e 2014 inclui a contratação de estudos de sondagem, engenharia, impactos ambientais (EIA-RIMA) e urbanísticos. Além disso, está previsto para abril a realização de um convênio para estudos de hidráulica marítima e a licitação para estudos culturais e imateriais. O lançamento do edital para a construção e concessão da ponte, por sua vez, está previsto para o quarto trimestre deste ano. Calcula-se que as obras durarão entre 48 e 60 meses. O projeto de construção da ponte, duplicação das rodovias e investimentos em infraestrutura, que em 2010 demandaria um investimento estimado de R$ 7 bilhões, atualmente está sendo revisto. Entre os motivos estão a redução da taxa de juros nestes quatro anos e o aprofundamento dos estudos de sondagem, engenharia, meio ambiente, correntes marítimas, impactos culturais e imateriais, bem como análises sobre o desenvolvimento urbano. Com aproximadamente 12 quilômetros, a ponte Salvador-Ilha de Itaparica será a segunda maior da América Latina e ocupará a 23ª posição no ranking mundial de pontes

sobre mar, rio e baía. Longe de ser apenas um desafio de engenharia, a obra surge como um potencial vetor de crescimento e desenvolvimento socioeconômico, que beneficiará, especialmente, a Ilha de Itaparica, o sul do Recôncavo e Baixo Sul. Segundo o secretário do Planejamento da Bahia, José Sergio Gabrielli, estas regiões foram esquecidas pelo capital privado durante muitos anos. “O Litoral Norte concentrou mais de 90% dos investimentos privados relacionados ao turismo no Estado e mais recentemente, com o mercado imobiliário”, destaca ele, que explica ainda que este cenário

Com várias obras, incluindo a ponte, a Seplan calcula que ao menos 24 municípios ficarão 40% mais perto de Salvador Além de ser prática para o dia-a-dia do baiano, essa integração também é ecologicamente correta

está chegando ao limite. “A integração de Salvador com a Ilha de Itaparica reduzirá em até 200 quilômetros o percurso que os veículos fazem na direção Sul/Norte, passando pela Baía de Todos-os-Santos, o que trará maior dinamismo à economia da região. Do ponto de vista urbano, isso também cria uma nova alternativa para a expansão imobiliária e possibilidade de organizar a ocupação, que hoje, infelizmente, é desordenada”, detalha Gabrielli. HISTÓRICO Diferentemente do que muitos acreditam, o debate sobre a construção da ponte Salvador-Ilha de Itaparica e a necessidade de integração do fluxo de mercadorias, serviços e pessoas entre Salvador, Recôncavo e a Ilha não é recente. Em 1967, o arquiteto Sérgio Bernardes formulou uma proposta dentro do Plano Diretor do Centro Industrial de Aratu (CIA), que criava um anel viário, com três tipos de traçados: dois para o trânsito de veículos pesados, e a ponte interligando a capital e Itaparica. Apesar de algumas obras terem sido executadas, como a BR-324 e a BA-001, a ponte para atravessar a Baía de Todos-os-Santos não havia saído dos arquivos públicos até o governo atual decidir alavancar obras estruturantes.


Um País Chamado Bahia