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MÚSICA TRADICIONAL E RANCHOS FOLCLÓRICOS PORTUGUESES

Trabalho realizado pelas docentes de Educação Musical: Iva Sousa, Luísa Monteiro, Maria José Cabral


Características do Folclore Português: identidades locais, regionais, étnicas e nacionais

Instrumentos tradicionais e música popular 2


Portugal é um país com uma área territorial pequena. Mas ao nível etnográfico, antropológico e cultural é extremamente complexo. A sua situação geográfica e seu passado histórico contribuíram para esse facto.

Portugal está situado a sul da Europa, a oeste da Península Ibérica sendo um espaço onde a terra acaba e o mar começa.

Nesta faixa marítima estiveram fixados povos de terras distantes, vindos de terra e mar.

Sofremos a influência de povos mediterrâneos, de bárbaros vindos do Norte e Centro Europeu.

3


A cultura portuguesa foi-se construindo ao longo dos séculos com a presença de ROMANIZAÇÃO marcos importantes:

CELTIZAÇÃO CULTURA PALEOLÍTICA

Entre outros…

África; Ásia; América…

HELENISMO CULTURA ÁRABE 4


Sendo o folclore uma expressão cultural, e não é apenas a expressão musical e dança, mas também as tradições populares com os seus usos e costumes, reflecte a enorme variedade de influências que tivemos. Deste modo é natural que o nosso país tenha um folclore complexo e variado devido à sua riqueza histórica (RIBAS, 1989, 270).

“(…)Não é possível saber os caminhos do presente se não compreendermos o passado!” Francisco Moita Flores Música Tradicional e Ranchos Folclóricos Portugueses

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Ranchos Folclóricos em Portugal Portugal

está

dividido

em

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Províncias continentais, mais as regiões autónomas dos Açores e Madeira. As fronteiras da música tradicional de

cada

região

corresponde

nem

às

sempre fronteiras

administrativas. Contudo, a divisão administrativa do território é, no que se refere ao folclore, uma divisão cultural aceitável. 6


7


MINHO Província simultaneamente marítima e agrícola, com um grande desenvolvimento industrial nos últimos anos. Do ponte de vista antropológico divide-se em quatro regiões distintas: Alto Minho Litoral, Alto Minho Interior, Baixo Minho Litoral

e

Baixo

Minho

Interior.

São

exemplos disso a variedade de trajes femininos, os recursos naturais e as actividades

das

populações

que

se

traduzem nas manifestações folclóricas.

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Características musicais do Minho •

Rica em coros femininos polifónicos: polifónicos - Cantos dos velhos romances – a 1 ou 2 vozes; -Cantos coreográficos – uns só a vozes outros com acompanhamento

instrumental.

Exemplos:

viras,

fandangos, chulas, vareiras, canas-verdes, malhões, etc.

Gonçalo SAMPAIO refere que as Toadilhas de aboiar

Rondas

apresentam afinidades com a

Modas de romaria

música da Grécia antiga.

Modas do termo ou de lote

Algumas tonalidades, o

Toadilhas de aboiar

Coro das Maçadeiras

da voz e algumas terminações

Cantos populares à Nossa Senhora

que se encontram no

Rombeiros

cantochão são elementos que

Canções redondas

emprego do quarto de tono em cantos corais, certas inflexões

demonstram influências da arte grega. (1994, p.26) 9


Instrumentos tradicionais (Minho) •

Rusgas - conjuntos instrumentais populares de carácter festivo: festivo Viola braguesa, Cavaquinho, Violão, Tambor pequeno, Reque-reque (Braga, Esposende e Barcelos), Ferrinhos, Clarinete, Ocarina, Flauta, Guitarra, Rabeca, Banjolim, Conchas, Seixos, Castanholas,

Harmónica,

Acordeão,

Concertina,

Zuca-truca

(Guimarães). •

Zé-Pereiras - conjuntos instrumentais populares de carácter cerimonial: cerimonial Bombo, Caixa-tarola, Gaita de foles, Clarinete, Flauta, Pratos. Os Zé-Pereiras das áreas de Basto, Amarante, Porto e Mareantes são constituídos apenas por Bombos e Caixas. 10


Instrumentos tradicionais (Minho) •

Rogas - ranchos de homens e mulheres da Serra Duriense contratados para as vindimas do Douro e cujos alegres cantares têm por instrumental: instrumental Bombo, Ferrinhos, Gaita de beiços, Viola, Guitarra, Violão, Banjolim, Concertina, Assobio.

Chulas - geralmente modas vivas e festivas, cantares ao desafio ou coreográficos (região de Amarante, Terras de Basto, etc.): Rabeca chuleira, Viola amarantina, Violão, Tambor pequeno, Ferrinhos, Banjolim, Harmónica, Castanholas (Barqueiros).

"Calhandras" - Autos da Adoração dos Pastores (Terras do Gerês): Flauta, Pandeiro, Ferrinhos, Castanholas, "Calhandra" (idiofone especial da região de Barcelos).

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Instrumentos tradicionais (Minho)

Bombo e tambor pequeno Cavaquinho Guitarra e violรฃo

Viola braguesa

Violino e rabeca chuleira Gaita de beiรงos

Castanholas

Concertina Reque-reque

Zuca - truca Gaita-de-foles Banjolim

Ferrinhos 12


TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO •

Apresenta

duas

regiões

bem

Caretos endiabrados – no entrudo

distintas no que diz respeito ao folclore (distritos de Vila Real e Bragança): a Terra Quente, Quente nas margens do rio Douro e a Terra Fria, Fria nas serras do Barroso, Montesinho, Nogueira, Bornes e nas terras de Bragança, Miranda do Douro e Mogadouro. •

Trabalho

É das regiões mais antigas nas manifestações culturais musicais e coreográficas do país e Europa.

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Características musicais (Trás-os-Montes e Alto Douro) •

Trás-os-Montes é uma Região onde a música e as danças manifestam grandiosamente o meio físico, o isolamento do território e das populações, a rudeza dos modos de vida e a maneira de ser das suas gentes.

O património musical é riquíssimo e original: desde os cânticos religiosos, de trabalho, cantigas e modas de bailar, melodias dos velhos romances, etc. São geralmente melodias de compasso binário e ternário, a duas ou mais vozes, em que por vezes a voz principal, é a que musicalmente, figura como segunda.

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Instrumentos tradicionais (Trás-os-Montes e Alto Douro)

Gaita de foles, Bombo e Caixa: Constituem pequenos

conjuntos

tradicionais

designados

genericamente por gaiteiros. gaiteiros •

Tamboril e flauta: Tocados ao mesmo tempo por uma só pessoa - o Tamborileiro (Região de Miranda do Douro).

Pandeiro quadrangular: Tocado exclusivamente por mulheres, em ocasiões festivas (Região de Miranda do Douro).

Pandeiro

quadrangular,

"Ferranholas“,

Castanholas

Conchas e

ou

Ferrinhos:

Acompanhavam as canções de fiadeiro, etc. (Região de Vinhais) 15


DOURO LITORAL •

O Douro Litoral engloba o distrito do Porto e parcelas dos distritos de Aveiro e Viseu. Assim, do ponto de vista folclórico, é uma região complexa e diversa.

A sua música reflecte heranças e influências rítmicas e melódicas quer do Baixo Minho quer da Beira Litoral, de estrutura arcaico medieval, presentes nos cânticos religiosos (Reis, Quaresma, etc.), nas cantigas de carácter profano (canções de trabalho, de embalar e canções de desafio) e, ainda nas modas de bailar (chulas, viras, etc.) 16


Características musicais do Douro Litoral Grande número das canções durienses são modas de bailar: bailar - viras, malhões, o regadinho, a cana-verde, o vira da Régua (que é uma chula), o serra (Maia), a rolinha (Póvoa do Varzim), cana verde ricoqueira (Santo Tirso), o malhão traçado (São Martinho do Campo), a chula vareira (Paredes do Douro), o piriló, a chula rabela (Barqueiros), a chula de Pias (Cinfães), etc.… Entre Cinfães e Arouca existe um riquíssimo património vocal nomeadamente os famosos cramois.

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Instrumentos tradicionais (Douro Litoral) • • • • • • • • • • • •

Violino Viola amarantina Cavaquinho Concertina Bandolim Ferrinhos Bombo Harmónicas/gaita de beiços Rabeca chuleira Flauta de cana Guitarra Castanholas

Bandolim

Viola amarantina 18


BEIRA ALTA Região

central

da

primitiva

Lusitânia,

com

especiais

características

ecológicas, agrícolas e pecuárias que a par do seu passado histórico lhe confere originais aspectos culturais e folclóricos. Rancho folclórico de Mangualde

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Características musicais e instrumentos tradicionais (Beira Alta) •

A música desta região é mais vocal e vocal-instrumental do que apenas instrumental e tem nos seus descantes um dos seus melhores exemplos. Existem belíssimos corais vagarosos e bem harmoniosos, tipo orfeónico.

A maior parte das danças são danças de roda, no entanto é nas suas danças de complicada marcação que a Beira Alta tem a sua mais original expressão coreográfica (a farrapeirinha, o tareio, a retaxeira, o frade capucho e a moda indo eu, etc.)

A flauta travessa, o pífaro, a caixa e os bombos e tambores são os instrumentos mais populares apesar de se utilizarem outros como a viola e rabeca, concertina e outros cordofones tradicionais.

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BEIRA LITORAL •

A Beira Litoral é uma região caracterizada pela influência citadina de Coimbra, pela zona montanhosa do Buçaco e Caramulo, pela ria de Aveiro, pelos vales do Vouga e do Mondego e pelo passado histórico de Coimbra e Leiria.

É uma região complexa e variada que se reflecte na música popular e no seu folclore.

Encontram-se belas canções antigas, religiosas e profanas a três vozes, por vezes em falsete.

Entre as danças populares destacam-se o regadinho, a farrapeira, a ribaldeira, a ramaldeira, a tirana, o vira vareiro, o Senhor da Pedra, a ciranda, o malhão, etc.

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Instrumentos tradicionais (Beira Litoral)  Viola toeira, Violão, Guitarra, Pandeiro, Ferrinhos, Harmónica,

Cavaquinho

e

Concertina:

São

conjuntos acompanhando géneros musicais mais ligeiros.  Guitarra

e

Violão:

Instrumental

solista

ou

acompanhante do fado de Coimbra. Coimbra

Guitarra portuguesa

 Gaita-de-foles, Bombo e Caixa: Conjunto dos gaiteiros.  Guitarra, Violão, Ferrinhos e Garrafa com garfo: Conjunto próprio para folguedos e danças de ruas os fandangos, viras, malhões e farrapeiras (Lavos Figueira da Foz). Viola toeira

Violão 22


BEIRA BAIXA •

Região de complexo relevo e com um subsolo rico de minérios. As populações dedicam-se a variadas actividades: agrícola, pecuária, artesanal, etc. Durante séculos as populações viveram um profundo isolamento

que

fez

com

que

tivessem

modos

de

vida

essencialmente campesinos e rurais, permitindo-lhes até hoje, ter usos, costumes, práticas sociais e éticas e crenças de milenária origem que reflectem uma rica herança cultural (legada por populações Pré-lusitanas, Lusitanas, Romanos, Visigodos, Mouros, diversas entidades religiosas, etc.) •

A Beira Baixa é uma das mais ricas e originais regiões musicais e coreográficas do País. 23


Características musicais (Beira Baixa) •

No contexto da música tradicional, o canto das alvíssaras está associado às cantigas de romaria e é habitualmente acompanhado por um Adufe. Acontece logo após a alvorada, ou seja no início da festa religiosa com o lançamento de foguetes e a interpretação de músicas por uma banda filarmónica, um gaiteiro, um tamborileiro, Zé-pereiras ou uma fanfarra.

Realizam-se inúmeras romarias anualmente e têm um profundo significado religioso e social.

Existem preciosos espécimes musicais arcaicos e rurais: canções a várias vozes, de ritmo lento e expressão concentrada, caracterizadas, por vezes, com um aspecto barroco e, outras vezes, reflectindo influências do coralismo alentejano . Não esquecendo ainda das belas melodias dos velhos “rimances” genuinamente peninsulares.

• 24


Instrumentos tradicionais (Beira Baixa) •

Adufe: usado correntemente em ocasiões festivas e em funções cerimoniais.

Bombo,

Caixa

e

Flauta

travessa:

constituem

pequenas conjuntos designados por Bombos (Região do Fundão). •

Palheta (aerofone tipo oboé de palheta dupla).

Zamburra (Sarronca, zabomba, zorra), Almofariz e

Adufe Zamburra

Garrafa com garfo: acompanham, com o adufe, os cantos do Entrudo (Malpica do Tejo) •

Acordeão e Concertina.

Viola beiroa ou Bandurra: Acompanha os descantes festivos, "parabéns" e "serenatas" aos noivos.

Acordeão

Almofariz 25


Instrumentos tradicionais (Beira Baixa) •

Viola beiroa, Genebres (espécie de xilofone) e Trinchos: Acompanham a Dança dos Homens (Lousa).

Guitarra: Intervém na Dança das Virgens (Lousa).

Tambor: O instrumento obrigatório, por vezes único, que

Genebres

figurava nas “Folias” do Espírito Santo, (Região do Fundão). •

Realejo (de concepção primitiva e rústica) Viola beiroa

NOTA: Constituem várias formas instrumentais das "Folias" do Espírito Santo nesta região: Tambor / Bandurra / Pratos chamados Chim-chim (Fatela); Tambor / Trinchos (Escarigo); Tambor / Pratos / Trinchos (Capinha); Tambor / Viola / Pandeiro (Fundão).

Realejo 26


ESTREMADURA •

Região que desde a Pré-História se impôs pela sua

Lavadeira e Leiteira saloia

densidade populacional e pela sua actividade cultural. Na Antiguidade foi colonizada por povos mediterrânicos (Fenícios, Gregos, Cartagineses) e onde os Romanos e os Mouros se fixaram. •

É complexa porque engloba em si regiões dos

Camponeses saloios

pontos de vista geográfico, ecológico, etnológico, cultural e social diversificados e sofre influências de regiões ou distritos vizinhos. •

Daí não existir uma grande uniformidade na música e

nas

danças

estremenhas.

populares

nas

várias

zonas Pastor 27


Características musicais (Estremadura)

Lisboa, região onde afluiu grande número de trabalhadores rurais, militares e servidoras domésticas vindas de outros lados, teve influência nas canções e danças com ritmos de marcha, valsa, polca e mazurca. No entanto, alguma música da Estremadura ainda apresenta aspectos arcaicos e rurais.

São raras as canções polifónicas e mais numerosas as canções profanas do que as religiosas. Predominam as canções de diversão e modas de bailar, umas e outras bem ritmadas, alegres e melodiosas.

Na dança popular e folclore são comuns a ramaldeira, a ribaldeira, o enleio, o chicote, os reinadios, várias versões de viras, verde-gaio, ciranda, algumas saias, etc. 28


Características musicais (Estremadura)

A Nazaré

é

do

ponto

de

vista

etnográfico

(etnológico e folclórico) uma região isolada e “sui generis”: o seu folclore é restrito quase que ao concelho e praticamente não se expande. Facto que talvez se deva a uma possível ancestralidade pré-histórica e também se deve à fixação ali de núcleos piscatórios e marítimos da Beira Litoral e nortenhos. •

Os trajes a linguagem e as normas sociais e morais por que se regem à música e às danças até a alguns usos e costumes a gente da Nazaré constitui um grupo etnocultural particular.

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Instrumentos tradicionais (Estremadura) •

Concertina, Harmónica ou Gaita de beiços, Guitarra, Banjo e Flauta: conjuntos populares que tocam música festiva e coreográfica regional (de Alcobaça para o Sul)

Gaita de foles: figurava em todas as festas, sem qualquer Cântaro com abano

outro instrumento; subsiste nas áreas de Caldas da Rainha e Torres Vedras. Aparecia outrora em várias festividades, na própria cidade de Lisboa. •

Pinhas

Violão, Guitarra, Clarinete, Harmónica, Ferrinhos, Cântaro de barro com abano, Pinhas e Garrafa com garfo: Acompanham cantares e danças dos grupos folclóricos locais.

Viola e cavaquinho: Acompanhava modinhas e lunduns. Clarinete

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Instrumentos tradicionais (Estremadura) •

Guitarra e Violão - ligadas a uma forma musical específica - o fado de Lisboa.

Bandolão,

Bandoloncelo,

Violão baixo: Instrumentos

Violão( viola) e Violão baixo

de tuna, de carácter popular citadino.

Bandolão

Bandoloncelo 31


RIBATEJO •

Nesta província observam-se profundas disparidades não só físicas, paisagísticas e ecológicas como também humanas, culturais, etnográficas e folclóricas.

Apesar

do

Ribatejo

administrativamente

Ceifeira

absorver

regiões, só Santarém, Almeirim, Alpiarça, Chamusca ou Golegã são as consideradas genuinamente Ribatejanas. Mesma assim, destacam-se três zonas diferentes: a

Trajes domingueiros Trabalho

“lezíria” ou “borda-d’água”(campo e zonas ribeirinhas do Tejo),os bairros e a charneca.

Estas zonas têm de

comum a realidade agrícola. •

Na população ribatejana, de feição agrícola e rural, destaca-se um grupo sociolaboral que apresenta características especiais: o campino e que se tornou o emblema humano típico do Ribatejo.

Campinos 32


Características musicais (Ribatejo) •

A música, os cantares, as danças e os trajos populares, apesar de terem características próprias, reflectem variadas influências de regiões vizinhas.

As canções polifónicas são raras, mas existe um rico património de canções corais a uma voz. São mais frequentes as canções profanas do que religiosas. A canção popular é viva, alegre e bem ritmada e no geral é o suporte musical de modas de bailar, das fainas agrícolas e momentos de diversão ou festa.

A principal característica da música e das danças populares, reside na vivacidade e no poderoso ritmo que confere uma impressionante velocidade às mesmas. 33


Características musicais (Ribatejo) •

No Ribatejo a dança com maior difusão é o Fandango. É uma espécie de dança da sedução, o homem gira em torno da mulher cantando e gritando de forma entusiástica. Por vezes a dança é feita por dois homens que "competem", um contra o outro, frente a frente, sapateando o melhor que poderem.

Na Serra as danças são lentas e suaves, na Charneca são enérgicas, no Bairro as melodias são fidalgas e nobres e finalmente na Lezíria e na Ribeira os seus Bailaricos são vivos e bem mexidos.

Tocam-se, cantam-se e dançam-se: Fadinhos, Viras, Verde Gaios, Bailaricos, Corridinhos e Valsas.

E, como é natural num rancho ribatejano não faltam os Fandangos: Fandango Vara Pau, Fandango clássico, Fandango do Bairro de Santarém, Fandango do Bairro do Vale do Paraíso à moda do António Carvalhinho e o Fandango dos Casaleiros de Azambuja.

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Instrumentos tradicionais (Ribatejo)

Outros: Cavaquinho, Viola (Viol茫o), Guitarra, Gaita de foles, Gaita de boca ou Harm贸nica, Pandeireta, Castanholas e Flauta de Cana 35


ALENTEJO (Alto e Baixo) Apesar da divisão administrativa

do antigo

Alentejo estar repartido pelas províncias do Alto e Baixo Alentejo, sob o ponto de vista histórico, social, cultural, antropológico e folclórico é difícil separar uma da outra. A fixação longa dos Romanos e mais tarde os

Domingueiro

Trabalho

Mouros, deixaram vincadamente marcas étnicas e culturais nas gentes alentejanas. Por outro lado, na idade média, as ordens de cavalaria e religiosa desenvolveram uma intensa actividade em Évora, onde se veio a tornar um grande centro intelectual, literário, artístico e universitário no Renascimento. Pastor e ceifeira

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Características musicais (Alentejo -Alto e Baixo) A fusão de padrões culturais hispano-romano-godo-mourisco-cristãos, imprimiram a todo o Alentejo características originais de que são exemplos disso o folclore, o artesanato e sobretudo a arte moçárabe e arte mudéjar de que o Alto Alentejo é rico. No que se refere à música, existe um património rico e original cuja mais significativa

expressão

se

encontra

nos

seus

corais,

«canções

majestosas, graves, sentidas, dolentes, tristes e cadenciadas a duas, três ou mais vozes para serem cantadas em grupo e cujas letras expressam ora a resignação ora a revolta, ora a ironia e o lirismo característico das gentes alentejanas. Os corais religiosos são belos pela sua gravidade e sentimento e as modas de bailar pela sua alegria nostálgica mas viva. 37


Características musicais (Alentejo -Alto e Baixo) Os

cantes

alentejanos

são

um

dos

mais

curiosos

e

impressionantes espécimes da música popular portuguesa. Segundo alguns especialistas consideram que a sua origem está na música litúrgica (canto gregoriano, canto pleno ou cantochão). É caracterizado por melodias a duas vozes sem acompanhamento instrumental, sendo cantado unicamente por homens.

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Instrumentos tradicionais (Alentejo - Alto e Baixo) •

Tamboril e Flauta: (Concelhos de Moura, Serpa e Barrancos).

Viola campaniça: (Distrito de Beja e outras zonas próximas).

Adufe, chamado "Pandeiro: (Norte do Viola Campaniça

Alto Alentejo). •

Sarronca:

Encontra-se

como

Sarronca

Pandeireta de saias

instrumento de Natal (Região de Elvas e zona de além Guadiana). •

Outros:

pandeireta

trancanholas, castanholas.

harmónio,

de

Castanholas

saias,

guitarra

e

Trancanholas 39


ALGARVE Região que desde sempre sofreu ocupações de povos provenientes dos mais variados locais e culturas, o Algarve tem hoje características muito peculiares e transversais a todo o modo de vida da sua gente. São características expressas em áreas tão distintas como a Arquitectura (destacam-se as originais chaminés), a Música, a Gastronomia e artesanato. Particularmente atractiva é a música que em todo a região se pode ouvir. Dos cantares algarvios, destaca-se o “corridinho”, que anima ambientes diversos e contagia com o seu ritmo e velocidade. Algumas das principais tradições das gentes algarvias estão relacionadas com o Mar. É o caso das lides relacionadas com a pesca e com a apanha do marisco. 40


Características musicais (Algarve) •

O movimento acelerado da música e o colorido dos trajes são a alegria do folclore algarvio, enriquecido pelas sucessivas invasões, e viagens empreendidas pelos algarvios de espírito aventureiro.

O “corridinho”, o “baile de roda” e o “baile mandado”, em que

Domingueiro

Noivos

os dançarinos executam os movimentos que lhes dita o “mandador”, são as danças que melhor identificam o Algarve. •

Os cantares tradicionais apresentam uma faceta bem diferente das danças populares. É o caso das cantigas de trabalho, como as

“leva-leva”

dos

pescadores,

ou

das

cantigas

que

acompanham o ritmo da ceifa, nos campos, as canções de embalar e dos romances, que podem ser lentos e arrastados ou vivos como marchas. Normalmente, as letras são adaptadas ao tempo e às circunstâncias em que se cantam.

41


Instrumentos tradicionais (Algarve) • Flauta

travessa,

chamada

"pífaro"

ou

"gaita":

de

uso

esporádico. • Acordeão, chamado "Fole“, Harmónica de boca chamada "flaita": para acompanhar cantares e danças. • Viola (violão), Tambor, Ferrinhos e instrumentos de tuna (Bandolim, Cavaquinho, Bandoloncelo, Violão Baixo). • Violão, Guitarra, Bandolim, Harmónica, Ferrinhos e Garrafa com garfo: acompanham as Janeiras e Reis (Alportel).

42


MADEIRA De origem vulcânica, a Madeira e o Porto Santo, têm um relevo muito acidentado que forçou as populações a um certo isolamento entre si. O povoamento e colonização do arquipélago iniciou-se com populações agrícolas e piscatórias de todas as regiões do país mas, em maior número nortenhos e algarvios. Apesar de algumas aculturações que ocorreram ao longo de séculos, o património etnocultural madeirense resulta de heranças de usos e costumas continentais, sobretudo nortenhos (Minho, Douro Litoral e Beira Litoral). A sua música reflecte muitos aspectos da música popular portuguesa nortenha, nos cânticos religiosos e canções de trabalho, nas canções de diversão e modas de bailar. 43


Características musicais (Madeira) •

Os instrumentos e as práticas musicais variaram consoante a origem da população da ilha. Com o passar do tempo, a adopção de uns instrumentos em detrimento de outros marcou decisivamente o modo, a expressão musical e vocal dos madeirenses. A Mourisca, Mourisca o Charamba, Charamba o Bailinho, Bailinho os Cantos Religiosos e as Cantigas de Roda definiram-se progressivamente e não de um modo único. A Chamarrita é outro exemplo que existe em várias tipologias.

O bailinho das camacheiras ou “polquinha”, canta-se e dança-se em toda a ilha. Os jovens preferem este a outras danças porque brincam ao despique improvisando a letra (cantar às pegadinhas). A rima é dada pelo primeiro cantor que também é o tocador. Só ele pode mudar a rima.

• 25

44


Instrumentos tradicionais (Madeira) •

Braguinha (descendente do cavaquinho mas um pouco maior)

Rajão

Viola de arame

Rabeca

Castanholas ou tréculas

Bombo e tambores

Raspadeira

Pandeiro ou pandeireta

Brinquinho

Concertina

pandeireta Braguinha Brinquinho

Tréculas

Rajão

Viola de arame

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AÇORES As festas açorianas caracterizam-se pelo seu carácter fortemente religioso, destacando-se as festas do Espírito Santo que se estendem a todas as ilhas. Estas festividades, levadas para os Açores pelos primeiros colonos, terão sido fruto da devoção que a Rainha Santa Isabel dedicava ao Divino Espírito Santo. A ocorrência de catástrofes naturais, a dureza da vida e o isolamento das ilhas aliados à fama dos milagres operados pelo Espírito Santo contribuíram para que o culto se desenvolvesse e ganhasse raízes, sendo muitas vezes levado pelos emigrantes açorianos para terras distantes Com características diferentes de ilha para ilha e até mesmo de povoação para povoação, todas estas festividades têm em comum a coroação do Imperador e realizam-se desde o Domingo de Pentecostes até ao Verão. 46


AÇORES • Nos trajes açorianos usam-se capas a cobrir a cabeça, barretes cónicos de lã e carapuças de orelhas - as de campanha são típicas das Flores e as de rebuço de São Miguel. São também característicos os chapéus de palha do Pico. • Na tradição musical, destaca-se a lira, canção que se pode ouvir nas ilhas Terceira, São Jorge, Faial e Flores.

47


AÇORES •

É nos cordofones que reside a grande riqueza da música tradicional açoriana: na rabeca, guitarra portuguesa, violão e viola da terra ou de arame.

No entanto podem-se encontrar no folclore açoriano outros instrumentos: os ferrinhos, os tambores e a concertina.

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Bibliografia •

ALMEIDA, Fernando António, Roteiros de Portugal, Lisboa: Círculo de Leitores, 1995

ANTUNES, M. L.; XAVIER, A. Nova Enciclopédia Larousse, Rio de Mouro: Círculo de Leitores, SA, 2001

CASTELO-BRANCO, Salva, Enciclopédia da Musica em Portugal no século XX, Lisboa: Instituto de etnomusicologia, INET, 2010

PORTUGAL, Lauro, Ranchos Folclóricos e Bandas Filarmónicas – A voz e a alma de Portugal, Lisboa: Roma Editora, 2004

RIBAS, Tomás, Países, Povos e Continentes Portugal, Amadora: Lexicultural, 1994

SAMPAIO, Gonçalo, Cancioneiro Minhoto, Porto: Editora Educação Nacional, 1944

Webgrafia: •

http://www.raizesportuguesas.com/rubrique,folclore,18202.html

http://musicatradicional.no.sapo.pt/index.html

http://folclore-online.com/ranchos/menu.html

http://www.attambur.com/galeria.htm

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Música Tradicional e Ranchos Folclóricos Portugueses

Docentes: Iva Sousa, Luísa Monteiro, Maria José Cabral Trabalho de Etnomusicologia realizado em 13 /05/2010 50

musica tradicional e folclore portugues  

Estudo da música tradicional e do folclore portugues

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