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A Gente Se Vê Por Aqui Duração: 24h

sinopse Dois performers reproduzem na íntegra a programação da Rede Globo durante 24 horas, a partir da transmissão do Fantástico, no domingo à noite, até o final do Jornal Nacional, na segunda-feira. Com fones de ouvido, que os isolam do mundo exterior, recebem o áudio dos telejornais, filmes, novelas, programas de auditório, publicidade e vinhetas. No palco, têm à disposição um “kit-sobrevivência” – geladeira, fogão, comida, banheiro, sofá, cama, cadeira -, um “kit-jogos” - baralho, saco de boxe, luvas, peteca, bola, bexiga -, e um «kit-atuação» - peruca, maquiagem, máscaras e fantasias. Enquanto mimetizam ou reinterpretam a programação, sempre reproduzindo o áudio que recebem em seus earphones, realizam tarefas cotidianas, como cozinhar, ir ao banheiro, descansar no sofá, brincar. Idealizada e dirigida por Nuno Ramos, A Gente Se Vê Por Aqui opera por meio de deslocamentos – os atores vão performar o que já é representação, mas que quase nunca é percebido como tal, por conta da naturalização e das verdades construídas pela televisão.

histórico Ano passado, o artista plástico, compositor e escritor Nuno Ramos criou seu primeiro trabalho para internet. As imagens das edições do Jornal Nacional que anunciaram o impeachment de Dilma Rousseff e o vazamento dos áudios de Lula e da ex-presidente foram editados e combinados com a letra e a melodia de Lígia, música de Tom Jobim dos anos 1970, título da obra de Nuno. Na edição, os apresentadores William Bonner e Renata Vasconcelos cantam a letra da música, afinados com a voz de João Gilberto. Este trabalho ofereceu o insight para a performance A Gente Se Vê Por Aqui, realizada pela primeira vez no último mês de novembro, em Porto Alegre (RS), no Teatro Renascença. Nuno Ramos nasceu em 1960, em São Paulo, onde vive e trabalha. Formado em filosofia pela Universidade de São Paulo, começou a pintar em 1984, quando passou a fazer parte do grupo de artistas do ateliê Casa 7. Desde então, tem exposto regularmente no Brasil e no exterior. Participou da Bienal de Veneza de 1995, onde foi o artista representante do pavilhão brasileiro, e das Bienais Internacionais de São Paulo de 1985, 1989, 1994 e 2010. Em 2006, recebeu, pelo conjunto da obra, o Grant Award da Barnett and Annalee Newman Foundation. O primeiro livro de Nuno Ramos, Cujo, é de 1993. Publicou ainda títulos como Pão do Corvo, Ensaio Geral, Ó, Mau Vidraceiro, Junco, Sermões e, o mais recente, Adeus, Cavalo, lançado em 2017.

foto Pingo Alabarce

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Catalogo Mitsp 2018  

Catalogo Mitsp 2018

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