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criativo dos espetáculos e dos seus trabalhos, algumas outras ações ganham destaque. Joris Lacoste e Nuno Ramos - que idealizou a performance A Gente Se Vê Por Aqui, realizada durante 24 horas – dialogam, tendo como mediadora a jornalista e crítica Maria Eugênia de Menezes. Krystian Lupa será entrevistado publicamente pelo encenador Aderbal Freire-Filho, pela atriz Juliana Galdino e pelo jornalista Luiz Felipe Reis, assim como aconteceu no ano passado com Guillermo Calderón, diretor do espetáculo Mateluna. Durante o festival, há lançamentos relevantes inclusive no audiovisual, como a estreia latino-americana do filme Tribunal Congo, projeto do encenador suíço Milo Rau, que constitui originalmente uma peça e um filme e investiga a guerra que já deixou mais de seis milhões de mortos no Congo. Já no campo da literatura, o selo N-1 lança no Brasil a versão de um texto fundamental para pensar a negritude: Crítica da Razão Negra, de Achille Mbembe, além dos cordéis O fardo da raça, também de sua autoria, e Eu, um crioulo, de José Fernando Azevedo. Os espetáculos, como já é de praxe na MITsp, serão analisados por um grupo de críticos com atuação em vários lugares do Brasil. Os textos terão distribuição gratuita nos teatros no dia seguinte a cada estreia e serão publicados no site do festival. Ao final da mostra, os críticos vão debater a programação desta edição, procurando refletir sobre a cena contemporânea. Nesta revista Cartografias, publicada também desde a primeira MITsp, há algumas novidades: dois textos que procuram tecer pontes e relações entre os espetáculos da programação, chamados de “Textos de Atravessamento”, e a publicação de um Dossiê, que passa a ter periodicidade anual. Nesta edição, o tema é “Curadoria em Artes Cêni-

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cas”, uma importante reflexão sobre um campo pouco discutido no país, com seis abordagens de curadores em atuação no Brasil e na Europa.

Ações Pedagógicas Pela primeira vez, as Ações Pedagógicas espalham-se para além do centro de São Paulo e chegam a regiões como Cidade Tiradentes e Brasilândia, consolidando a missão fundamental de possibilitar intercâmbios e trocas entre os criadores que participam da MITsp com espetáculos, convidados especiais e os artistas brasileiros. A encenadora alemã Susanne Kennedy, que no ano passado participou da mostra com o espetáculo Por Que o Senhor R. Enlouqueceu?, volta ao festival para uma residência artística com foco nas novas formas de linguagem verbal aliadas à precisão das expressões corporal e vocal. Krystian Lupa, pela primeira vez no Brasil, vai compartilhar seu processo de criação de uma obra com 20 jovens intérpretes e encenadores durante um workshop de cinco dias. Ainda participam das Ações Pedagógicas os encenadores Joris Lacoste, Lola Arias, Boris Nikitin, além dos cinco criadores de País Clandestino: Florencia Lindner (Uruguai), Jorge Eiro (Argentina), Lucía Miranda (Espanha), Maëlle Poésy (França) e Pedro Granato (Brasil). Cada um dos workshops possui um escopo diferente, tendo como base os trabalhos desenvolvidos por cada artista. Os performers Bertrand Lesca e Nasi Voutsas do espetáculo Palmira, vão conduzir um workshop prático de dois dias com temas que sobressaem no espetáculo, como o conflito, a frustração e a reação diante de uma violência. Pela primeira vez na MITsp, a atividade será realizada numa ocupação, a Ocupação Independente Aqualtune, edifício do antigo Colégio Butantã, habitado por quase 30 famílias há cerca de dois anos. O diretor da Companhia de Teatro Heliópolis (SP), Miguel Rocha, organiza um laboratório teatral com seis encontros voltado apenas a imigrantes e refugiados. A intenção é oportunizar a visibilidade aos tra-

Catalogo Mitsp 2018  

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