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Estudo

INTOLERÂNCIA NAS REDES


Índice

Introdução.......................................................................03 Poder um pouco abusado...............................................04 Direito Digital...................................................................07 Bullyng e outras formas de intolerância..........................10 Racismo, preconceito e intolerância...............................14 Bolsonaro, alvo de críticas..............................................16 A internet também tem suas regras................................19 Aplicabilidade..................................................................20 Comentários....................................................................21 Metodologia.....................................................................22 Ficha técnica....................................................................23

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INTOLERÂNCIA NAS REDES

É fato que, com a internet e as redes sociais, os internautas conquistaram mais atenção das empresas, dos planejamentos das agências ou até mesmo dos governos, que buscam entender de que forma suas ações e imagens estão sendo avaliadas por todos. Através de pesquisas, cada vez mais profundas e constantes, há interesses em definir características sociais e emocionais desses indivíduos, e não mais somente as condições econômicas ou demográficas. Alguns exemplos desse poder das redes são os recentes casos de reclamações do consumidor que tiveram conceituadas empresas envolvidas nos cenários, como a Brastemp e Renault, que alcançaram proporções gigantescas para sua solução e, com isso, geraram uma repercussão muito negativa para as marcas. De certa forma esse comportamento (ser ouvido nas redes e não ser ouvido nos órgãos convencionais) cria uma falsa sensação de liberdade – é como se nas redes tudo pudesse ser dito sem nenhuma consequência. Comentários, discussões, debates e opiniões que apresentam normalmente um tom mais neutro ou apropriado nas conversas pessoais, agora geram reações intensas nos bate-papos virtuais ou perfis sociais, trazendo a tona uma preocupação extra com a liberdade de expressão – até onde vai o seu direito de expressar sua opinião e onde começa o direito do outro de ser exposto em proporções incalculáveis como ocorre no cyberespaço? Toda mudança de comportamento gera reflexos importantes. Nunca se falou tanto em casos de Bullyng – seja no mundo real ou virtual – aliás, hoje não se distingue essa relação e tudo faz parte do mesmo contexto. Discussões em torno da tênue linha que separa a liberdade de opinar e a intolerância são focos de grandes contextos nos veículos de comunicação e geram cada vez mais buzz nas redes. Num mundo conectado onde o acesso a informações e sua propagação é cada dia mais amplo, observamos casos de intolerância dentro e fora das redes. No Brasil ou em outros regimes redemocratizados recentemente, existe o medo constante da censura e do controle de idéias. Mas até onde vai a liberdade de expressão e começa um crime? Como se comportar diante de tanta polêmica e discussão, sem ferir a lei e a opinião pública? A internet é uma terra de ninguém ou existem leis que podem ser aplicadas em determinados casos?

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Poder um pouco abusado A internet, criada em 1960 com caráter colaborativo, foi pensada como uma rede de troca de informações. Não se cogitava na época, que poderia virar um grande centralizador de informações globais, tanto no âmbito pessoal quanto profissional, individual ou corporativo, onde as mais diversas pessoas propagariam informações e valores de contextos e culturas completamente distintas. Essas diferenças tão gritantes entre os indivíduos, seus conceitos pessoais, intelectuais e culturais, geram hoje o problema mais fundamental da rede: o que pode ser dito ou não na internet? E a discussão fica ainda mais intensa com o aumento dos usuários nas redes sociais e as facilidades, cada vez maiores, de acesso a produtos e serviços através de comércios eletrônicos. O problema reside no conceito entre o que pode ser público e o que deve ser privado, do que deveria ser restrito ao mundo real e aquilo que pode ser dividido no ambiente virtual, já que embora a distinção entre esses espaços atualmente seja quase inexistentes, a diferença de propagação e conseqüências ainda não é. Pessoas comuns abrem seus perfis nos canais de relacionamento, recriam novas identidades virtuais e expõem opiniões e experiências de forma aberta e intempestiva, muitas vezes bem mais intensa do que fariam em uma conversa pessoal. De acordo com Sérgio Amadeu, sociólogo e doutor em ciência política pela Universidade de São Paulo, as pessoas falam “essa casa é uma porcaria, só que na hora que se escreve isso, tem-se uma conseqüência jurídica. Quando você coloca na rede, vira crime; e, na verdade, se alguém fala que um determinado serviço ou um lanche é uma droga, ele tem que dar conta dessa acusação. Esse que é o ponto, o excesso”. Esse excesso pode ser verificado em todas as redes sociais. Uma comprovação disso é o grande número de comentários com teor negativo e uso de palavras de baixo calão citadas pelos usuários, muitas vezes associando diretamente marcas ou produtos. Monitoramos as principais redes sociais por um período de cinco dias, entre 02/04 e 06/04 e os resultados foram surpreendentes.

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Interações por período – plataforma postX

12.000 10.014

10.421

10.000

9.508

8.000 6.322

6.000

Total - 38.633

4.000 2.000

2.368

0 02/abr

03/abr

04/abr

05/abr

06/abr

Foram 38.633 comentários capturados contendo um conjunto de palavras-chave de baixo calão*, associando marcas, empresas, personalidades, ações ou pessoas comuns, atribuindo inclusive nomes e referências.

O objetivo foi demonstrar como os usuários estão fazendo comentários cada vez mais inflamados nas redes, além de não se intimidarem ao se referirem a outros de forma concreta usando esses termos pejorativos.

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Verificando a característica dessas menções e em quais redes sociais elas são feitas em maior número, é possível tirar algumas conclusões importantes. Interações por mídia social por período – plataforma postX

A mídia social com o maior número de comentários capturados é o Twitter. Foram 20.846 ou 53.96% dos “palavrões” monitorados no período. Isso está diretamente ligado a característica do canal, possibilitando aos usuários comentários rápidos, pouco profundos e, muitas vezes, por impulso, principalmente relacionando marcas e empresas.

O Facebook aparece em segundo lugar com 15.881 ou 41,11% do total de interações monitoradas. Essa porcentagem mostra o amplo crescimento dessa rede no Brasil. Além das páginas das empresas que recebem reclamações diariamente, é cada vez mais comum usar as redes para expor opiniões sobre tudo que se consome.

Casos de difamação e Bullying virtual nos perfis pessoais de usuários também são cada dia mais frequentes.

São justamente esses casos de Bullying nas redes, ridicularizando usuários publicamente, que geram uma discussão importante sobre as normas, regras e leis que existem ou deveriam existir na internet, de uma maneira geral. O direito digital, área jurídica especializada em casos de crimes no universo online, mostra os primeiros sinais de crescimento no país, mas a expectativa é de que esse crescimento seja a passos largos, do tamanho da urgência que o Brasil precisa.

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Direito Digital: existem leis para a Web?

A grande questão é a ausência de uma legislação ampla e apropriada ao universo digital. Muitos especialistas afirmam que o código penal brasileiro é capaz de penalizar todos os delitos que ocorrem dentro da internet, mas, como toda decisão judicial, as de referência ao direito digital também podem ser acometidas por equívocos de interpretação. Um dos exemplos mais recentes de questionamento sobre uma decisão judicial que envolve o ambiente online foi a do juiz Renato Maurício Basso, ao determinar a retirada do ar do site criado pela consumidora Daniely Argenton, que reclamava sobre o descaso da empresa Renault em resolver seu problema com um veículo da marca, após diversas tentativas de solução através dos canais convencionais da empresa. O fato de ter retirado o site do ar (na realidade, bloqueado os acessos ao endereço correspondente) não foi uma decisão positiva para a Renault, como esperava a montadora. Ao contrário, a proporção tomada pelo caso e o número de pessoas que se posicionaram a favor da consumidora trouxeram à tona questionamentos sobre a liberdade de expressão e os direitos de quem lesa ou é lesado. Hoje, no Brasil, existem pelo menos onze delegacias especializadas em crimes cibernéticos. Mas cada uma delas atua de forma independente, já que essa área do direito é relativamente nova em território nacional, estes órgãos, ainda em pequenos números, registram dados crescentes e assustadores de denúncias e reclamações. Somente no Distrito Federal, por exemplo, o número de crimes cibernéticos registrados em 2010 duplicou em relação à 2009. No ano passado foram 1650 denúncias na Divisão de Repressão aos Crimes de Alta Tecnologia do Distrito Federal (Dicat) e a maioria dos delitos reclamados são os que atentam contra a honra, com destaque para as difamações. De acordo com o diretor da divisão Silvio Cerqueira, o aumento das ocorrências pode estar mais ligado a inclusão digital do que o aumento real dos crimes: “A maior quantidade de registros também é prova de que a população está acreditando que comunicar esse tipo de crime às autoridades competentes está surtindo efeito”. Mas mesmo com a crescente procura nas delegacias, ainda fala-se pouco sobre esse assunto nas redes. Os resultados de um monitoramento no período do estudo envolvendo as palavras-chave “direito eletrônico, “crimes eletrônicos”, “crimes virtuais” e “cybercrimes”, termos que referem-se ao universo do direito digital, ainda são pouco expressivos.

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Interações por palavras-chave – plataforma postX

8%

17,33% direito eletrônico crimes cirtuais crimes cibernéticos 56%

cybercrimes 18.67%

A palavra-chave com maior número de ocorrências é Cybercrimes, com 56% do total capturado.

A maioria das interações referentes a esta palavra-chave correspondem a replicação de notícias, com a participação reduzida dos internautas com opiniões sobre o assunto nas redes. Isso reflete uma condição dos termos que é mais discutida no ambiente offline do que no online propriamente.

Nos veículos de comunicação online o assunto também não demonstrou ter tanto destaque no período pesquisado, se restringindo praticamente a informar os leitores sobre os casos que alcançaram grande repercussão.

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Notícias por categoria - plataforma Clipping Express 14

38,24%

12

32,35%

10

8,82%

8 6 4

11,76% 5,80%

2

2,94%

0 Agência de Notícias

Blog

Especializado

Grande Imprensa

On Line

Regional

O número de notícias sobre o tema na Grande Imprensa, Agências de Notícias e Veículos Online não superam as notícias sobre o assunto que circularam em Veículos Especializados ou Regionais, por exemplo. O assunto é de grande interesse de profissionais ligados ao judiciário e também na imprensa local onde os crimes foram identificados.

A discussão legal sobre o que pode ou não ser dito ou feito na internet é muito complexa e pouco debatida entre os internautas, mas quando o assunto é bullying o resultado é completamente diferente. Diariamente cresce o número de casos registrados no país e cada vez mais a sociedade brasileira discute os limites desse tipo de crime, dentro e fora da rede. Isso porque o Bullying, já tão preocupante quando acontece em escolas, universidades e outros espaços públicos, ganha uma conotação ainda mais impactante nas redes. É, de certa forma, uma evolução da intolerância, propagada para o mundo todo em um único click.

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Bullying e outras formas de intolerância O Assunto voltou a ser discutido em escolas de todo o Brasil depois de um vídeo tornar-se febre nas redes sociais. Casey Heyner, um menino que sofria bullying, como em tantas outras histórias, teve um ato surpreendente para quem sofre deste tipo de abuso: resolveu defender-se e teve sua “revolta” divulgada nas redes. O garoto virou símbolo de superação e luta contra a intolerância para muitos outros garotos e garotas que já sofreram bullying, e que se identificaram com Casey por desejarem ter a mesma reação, por mais violenta que tenha sido. O objetivo geralmente não é o de machucar o agressor, e sim, fazê-lo parar. O vídeo de sua reação foi visto por milhões de pessoas em todo o mundo e faz com que muitos pais questionem-se sobre como evitar que seus filhos sejam humilhados e ridicularizados a ponto de pensarem em suicídio, como disse Casey em uma entrevista também postada no YouTube. Os casos de violência iniciados por Bullyng no Brasil também são muitos, inclusive com último episódio estrondoso que estarreceu todo o país na última semana, com a tragédia em Realengo, Rio de Janeiro, que resultou no assassinato de 12 crianças e adolescentes em uma escola municipal. Durante o período de realização do estudo, que antecedeu ao crime, o número de notícias publicadas referindo-se as palavras bullying, cyberbullying e blllying virtual já é bastante expressivo.

Notícias por período – plataforma Clipping Express 80 70 60

29,18% 26,62%

50

21,46%

40 30

12,88% 9,87%

20 10 0 02/abr

03/abr

04/abr

05/abr

06/abr

No período foram levantadas 233 notícias, sete vezes mais do que o volume de informações relacionadas a direito digital, por exemplo.

Muitas notícias falam sobre o despreparo dos professores e das próprias escolas do país para lidar e combater os problemas de bullying.

Um caso que teve grande repercussão durante o estudo foi o da estudante de enfermagem de Ribeirão Preto,

Ana Cláudia Karen Lauer, de 20 anos. Ela teve o nariz fraturado com um capacete por uma colega de escola, depois de ter se queixado na coordenação da universidade, sobre um grupo que a perseguia constantemente. 10


Nas redes sociais o assunto também está em alta com os casos apontados. Muitos internautas comentam sobre os casos recentes, além de manifestar a preocupação que essa forma de intolerância gera na vida dos que sofrem esse tipo de agressão. Vemos abaixo o número de interações no período monitorado.

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Interações por período – plataforma postX

A Palavra Bullying possui o maior volume de interações totais. Foram 7.062 interações capturadas no período, representando um total de 93,49% do total.

Bullying virtual e cyberbullying, termos mais específicos por se referirem aos problemas de bullying apenas no universo digital, possuem um número bem menor de comentários, não atingindo 500 interações.

Isso ocorre porque a maioria das pessoas não relaciona esta diferenciação, já que embora os termos representem apenas os crimes no cyberespaço, seus reflexos estão diretamente ligados ao ambiente offline, sendo geralmente tratados como Bullyng como um todo. Muitas vezes, os fatos iniciam no ambiente virtual e se estendem e abalam o mundo real dos envolvidos, até porque hoje estar presente no ambiente online faz parte de uma das rotinas do cotidiano offline.

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A grande maioria dos comentários que tratam sobre o assunto replicam notícias sobre casos recentes, mas também com muitos internautas opinando sobre o assunto. Interações por Categoria - plataforma postX

357 Opinião Citação

Notícias

579

100

Avaliando uma amostra de 13% das interações capturadas envolvendo as três palavras-chave de referência, verificamos que a maioria (55,89% das interações ou 579 comentários) replicam notícias que foram publicadas durante o período.

Entretanto 34,45% dos internautas dão sua opinião sobre as notícias publicadas na grande imprensa.

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Infelizmente o Bullying não é o único exemplo de intolerância observado nas redes. Outros crimes, inicialmente tão sutis, geram também tantas sequelas e conseqüências, observadas diariamente no cotidiano real e virtual.

Racismo, Preconceito e Intolerância Todos esses problemas sociais como o Bullying, racismo e outros tipos de preconceitos estão diretamente ligados a ideias muito individualizadas de limites e parâmetros de certo e errado, do que pode ser tolerado ou não e do que, teoricamente, ofende e agride valores e culturas. É uma discussão profunda e cheia de nuances entre o que é legal e o que é considerado crime para a sociedade e área jurídica. Por isso, é difícil para o judiciário muitas vezes, configurar o que é de fato crime na internet e como qualificá-lo no código penal brasileiro. Assim como o Bullying estes termos são comentados diariamente em todas as redes sociais em grande volume. Os internautas não deixam de opinar sobre o assunto, mostrando que aos poucos os valores da sociedade se alteram de forma geral, quando colocadas à prova em alguns casos polêmicos.

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Interações por palavras-chave por data – plataforma postX 

É perceptível que o volume de interações no decorrer do período monitorado aumentou consideravelmente.

A palavra-chave Preconceito foi a que apresentou o maior volume de interações. Foram 6.456 interações ou 51,95% dos resultados. Racismo é a segunda palavra com maior volume de menções, com 4.504 citações ou 36,24% do resultado total das três palavras-observadas.

Observamos também um crescimento importante de todas as palavras-chaves do contexto no dia 05/04, isso se deve principalmente ao direito de resposta dado ao Deputado Jair Bolsonaro no dia anterior no programa CQC na rede Band, devido a declarações anteriores envolvendo o assunto e que tiveram grande repercussão nas redes e fora delas.

Além do grande volume de interações envolvendo o tema, o número de internautas que efetivamente opinou sobre as três palavras-chave analisadas neste contexto foi maior do que quando relacionadas apenas a palavra-chave Bullying, no contexto anterior, onde a maioria das interações avaliadas correspondia a replicação de conteúdo e não de opiniões a respeito do assunto.

Interações por categorias – plataforma postX

708

760

Opinião

Citação Notícias

164

Embora o número de pessoas que opinem sobre essas palavras-chave esteja muito próximo ao número de replicações de notícias, observamos com os resultados o quanto o tema gera controvérsias. Foram 798 menções, ou seja, 43,39% do total avaliado expressaram suas opiniões a respeito. Esse comportamento indica que a repercussão das declarações recentes envolvendo o deputado e o tema em sí gera realmente grande envolvimento público.

Observamos também que o número de internautas que replicam notícias a respeito dessas palavras-chave ainda representa a maioria dos resultados. Foram 760 interações ou 46,57% do total analisado, confirmando que mesmo em um assunto polêmico, quando o tema envolve maior conhecimento e aprofundamento, a replicação de notícias que se identifiquem com a opinião do internauta é o caminho escolhido pela maioria deles. 15


Bolsonaro alvo de críticas O Deputado Jair Bolsonaro está sendo alvo de uma crítica intensa pela opinião pública brasileira depois de sua participação no quadro “O povo quer saber”, do programa CQC da Band. Bolsonaro, já conhecido por suas opiniões polêmicas por declarar-se contra os homossexuais e qualquer projeto de lei que beneficie essa parcela crescente da população brasileira, fez declarações também racistas no quadro, referindo-se diretamente a Preta Gil. O vídeo oficial do quadro, postado no mesmo dia em que o programa foi ao ar, dia 28/03 passou dos 98.000 acessos em apenas 12 dias no canal Youtube. Na semana seguinte, no dia 04/04, foi dado a ele o direito de resposta no programa comandado por Marcelo Tas. O deputado defendeu-se de suas próprias declarações alegando não ter compreendido as perguntas, mas afirmou que condena qualquer comportamento homossexual e não tem medo que seus filhos sejam gays, já que foram muito bem criados. O efeito nas redes sociais foi automático. Além de estar nos Tts do Twitter com a palavra Bolsonaro, o deputado ganhou hashtag #forabolsonaro, demonstrando a indignação da maioria dos internautas.

Interações por período – plataforma postX

5000 4500

4.301

4000 3500

3000

2.850

2500

2.439 2.151

2000 1500 1000

963

500 0 02/abr

03/abr

04/abr

05/abr

06/abr

Durante os cinco dias de monitoramento da palavra-chave bolsonaro, obtivemos 12.704 interações.

O pico de menções nas redes sociais foi observado no dia 05/04, dia seguinte do direito de resposta veiculado na Band e na rede Youtube.

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Quando verificamos a tonalidade de uma amostra de 10% dos comentários capturados, ou seja, se os internautas avaliaram a palavra-chave bolsonaro com opiniões positivas, negativas ou neutras, o número de menções negativas é evidente. Tonalidade de Interações – palavra-chave “Bolsonaro” – plataforma postX

Positivo

36

Negativo

Neutro

1.151

Negativo Positivo

Neutro

113

0

200

400

600

800

1000

1200

1400

O número de comentários negativos representa 88,54% do total da amostra avaliada, mostrando que a imagem de Bolsonaro teve uma repercussão negativa por conta de suas declarações e também seus posicionamentos políticos.

Entretanto, existem também comentários positivos com relação as declarações do Deputado. Foram 36 menções capturadas durante os cinco dias de verificação, correspondendo a 2,77% do resultado.

Alguns exemplos desses comentários abaixo seguem a mesma linha de discurso usado por Bolsonaro no programa CQC.

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Nos veículos de comunicação, o deputado também foi manchete em vários jornais, blogs e revistas nacionais. Notícias por categoria – plataforma Clipping Express

500 48,26%

450 400 350 300 250 200

17,86% 14,27%

150 10,13%

100 50

6,97% 2,51%

0 Agência de Notícias

Blog

Especializado

Grande Imprensa

On Line

Regional

Somente sobre a palavra-chave Bolsonaro foram capturadas 918 notícias falando sobre o deputado ou sobre eventos que ocorreram a partir de suas declarações.

Uma dessas notícias foi a invasão de Hackers ao site da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT). Eles adicionaram dois posts homofóbicos à página de notícias, nomeados como 'Bolsonaro para presidente do Brasil' e 'Os Fatos Sobre a Homossexualidade'.

Novamente a discussão do que é legal e do que é um crime virtual toma proporções mais amplas e questiona se o direito digital é capaz de penalizar os transgressores. O que se discute na realidade é o direito a liberdade de expressão e até onde vai o limite das expressões individuais nas redes a fim de não ferir os interesses coletivos - o antigo e indispensável conceito sobre onde iniciam os direitos e onde começam os deveres de cada um.

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A internet também tem suas regras A existência de uma legislação específica e apropriada para crimes online não pode tardar a atuar de forma mais específica no Brasil. Os crimes eletrônicos identificados pela polícia e denunciados pelos cidadãos crescem a cada dia, não somente pela inclusão digital, O que continua a ser questionado é a forma como a lei é aplicada ou interpretada pelo judiciário. Por isso também os alarmantes números sobre o aumento de casos de Bullying dentro e fora da rede, além dos outros crimes já tão difundidos de intolerância como o racismo, categorizando uma das inúmeras condições de preconceito. O Deputado Jair Bolsonaro é um exemplo do que uma legislação extensa e processos inacabados podem gerar no imaginário coletivo da população. Apoiar-se em parte da lei e ignorar a opinião pública não é uma atitude esperada pela sociedade moderna e, tampouco, perpetua o direito à liberdade de expressão. É um grande avanço social e tecnológico ter um ambiente onde se pode demonstrar as opiniões abertamente – mas não se pode esquecer que a distinção entre o real e virtual, o público e privado é cada vez mais difícil de ser definida, justamente porque o homem é um ser único – cidadão de um mundo conectado – esperando avidamente por medidas urgentes e definitivas sobre as regras e políticas do cyberespaço, este novo mundo difundido entre on e off.

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Aplicabilidade do Estudo Mensurar a reflexão sobre ações, conceitos e imagens é fundamental para empresas, marcas e personalidades. Considerando que essas informações estão disponíveis no ambiente web e podem ser usadas para avaliar a visão do mercado e do consumidor, o monitoramento torna-se fundamental para criar planejamentos, antever crises e tomar decisões assertivas no ambiente corporativo e diante de personalidades públicas.

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Comentários das Plataformas Plataforma postX – Através da ferramenta foi possível verificar a mensuração e tonalidade dos comentários e constatar como a imagem de uma determinada figura pública, marca ou empresa está presente na mente dos eleitores ou consumidores. Plataforma Clipping Express – A movimentação observada nos veículos de comunicação online normalmente é refletida nas redes sociais. Através da avaliação quantitativa das matérias veiculadas sobre determinado assunto, é possível identificar o poder de reação dos internautas diante do fato noticiado e assim compreender condições de apoio, receptividade e rejeição em relação aos temas.

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Metodologia de Pesquisa As mídias sociais representam uma área movimentada para qualquer debate envolvendo conceitos do comportamento humano e das relações criadas com a internet. Para analisar temas de grande debate como a intolerância nas redes, suas causas e consequências, realizamos um monitoramento de cinco dias nas mídias sociais, envolvendo a palavraschave de referência. Utilizando a plataforma postX como ferramenta de rastreamento, conseguimos uma cobertura do Twitter, Facebook, Youtube, Fóruns, Blogs e Sites de Reclamação. A categorização das interações foram avaliadas em uma amostragem de 13% do conteúdo capturado e a tonalidade das interações foram obtidas a partir de uma amostra de 10% dos posts avaliados para o contexto representado. As mídias online foram utilizadas para mensurar a representatividade do tema estudado perante mais de 3500 veículos de comunicação monitorados, através da plataforma Clipping Express. A plataforma permitiu embasar o conteúdo apresentado como cenário atual sobre o tema e mensurar seu reflexo quantitativo nas mídias online por palavra-chave e por região. Os dados coletados para este estudo de apresentação são quantitativos, revelando em números o quanto as palavras-chave tiveram repercussão nas mídias sociais e mídias online.

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Ficha Técnica postX Período monitorado: 02/04 a 06/04/2011 Total de interações: 71393

Clipping Express Período monitorado: 02/04 a 06/04/2011 Total de notícias: 3114 notícias

Palavra-chave: Crimes Virtuais: 13 Cybercrimes: 42 Racismo: 4504 Cyberbullying: 182 Bullying Virtual: 310 Bullying: 7062 Preconceito: 6456 Crimes cibernéticos: 14 Palavras de baixo calão*: 38.633 Bolsonaro: 12704 Direito Eletrônico: 6 Intolerância: 1467

Palavras-chave: Crimes eletrônicos: 4 notícias Crimes cibernéticos: 9 notícias Preconceito: 651 notícias Direito eletrônico: 2 notícias Direito Digital: 15 notícias Bullying: 228 notícias Bolsonaro: 918 notícias Intolerância: 344 notícias Cyberbullying: 5 notícias Racismo: 558 notícias Hipocrisia: 76 notícias Crimes virtuais: 4 notícias Liberdade de expressão: 300 notícias

Diversas palavras de baixo calão monitoradas atribuídas à marcas, empresas, produtos ou pessoas. Interações por Mídia Social: Twitter: 38979 posts Facebook: 28540 posts Blogs: 3058 posts YouTube: 781 posts Fórum: 21 posts Reclamações 14 posts Interações por Data: 02/04 – 4435 posts 03/04 – 18289 posts 04/04 – 12153 posts 05/04 – 19917 posts 06/04 – 16599 posts

Notícias por Categoria de Veículo: Regional: 1455 notícias Online: 574 notícias Grande Imprensa: 432 notícias Especializados: 399 notícias Blog: 174 notícias Agência de notícias: 80 notícias Notícias por Data: 02/04 – 513 notícias 03/04 – 452 notícias 04/04 – 721 notícias 05/04 – 780 notícias 06/04 – 648 notícias

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Esse estudo foi desenvolvido pela MITI InteligĂŞncia. Acesse nosso site: HTTP://miti.com.br Siga-nos no Twitter: HTTP://twitter.com/fontemiti 24


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