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NESTA EDIÇÃO ENLUTADOS - POR QUE PARTICIPAR DE UM GRUPO DE APOIO

UM POUCO SOBRE NOSSA COMUNIDADE TERAPÊUTICA E A DEPENDÊNCIA QUÍMICA CONHECER A QUEM TANTO DEVEMOS SER PSICOPEDAGOGO NUNCA DESISTIR

SOBRE A ESCOLA DE GESTANTES DO CASPAJ

CRIANÇA OU ADOLESCENTE? A FAMÍLIA COMO PONTO DE PARTIDA A CURA ATRAVÉS DA MÚSICA DE BEETHOVEN E GYÖRGY AS ARMADILHAS DO MEDO NA HORA DO SONO

ACEITAÇÃO “PERDÃO”

FICA CONOSCO, SENHOR

DEPENDE DE NÓS...

ESTÁ CHEGANDO

FEIRA DA SOLIDARIEDADE 17/SETEMBRO

Revista Nosso Núcleo

NÚMERO I - AGO/2017 01


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EDITORIAL O “Paz e Amor” inicia nesse exemplar, uma nova etapa do nosso jornal “NOSSO NÚCLEO”.

NOSSO NÚCLEO é uma publicação do Núcleo Assistêncial Espírita “Paz e Amor em Jesus”. ................................ Rua Isidro Tinoco, 53 - Tatuapé São Paulo - SP - CEP 03316-010 Telefone: 11. 2296-8080 www.pazeamor.org ................................ DIRETOR PRESIDENTE Carlos Cesar J. Carvalho DIRETORA DE DOUTRINA Ezelda Zerbinatei de Oliveira CONSELHO EDITORIAL Tânia F. G. Carvalho ................................ COLABORADORES Foto da capa Rita Dadario Direção de Arte Missael Simões Produção Gráfica Jr. Cassola Impressão Rush Gráfica Tiragem 2.400 unidades Revista Nosso Núcleo

Com a ajuda de muitos, será possível transformá-lo em uma revista. Muitas mãos unidas para a divulgação da doutrina dos Espíritos. Lembrando Emmanuel, “A maior caridade que se possa fazer à Doutrina Espírita é a sua divulgação”. Lembramo-nos, que Gabriel Delanne(*), considerado apóstolo do Espiritismo, pelo seu trabalho de divulgação, certa vez recebeu uma carta de uma senhora, que lhe pedia fosse até sua casa, pois desejava dar-lhe conhecimento de algo importante referente ao Espiritismo. A carta estava escrita em papel inferior, redigida em termos obscuros, em estilo descuidado e cheia de erros de francês, além de falhas de ortografia. Delanne se sentiu tentado a desconsiderá-la, mas após refletir, decidiu procura-la e encontrou, uma casa antiga em local distante, na extremidade de um subúrbio, nos fundos de velho pátio. Depois de tocar a campainha três vezes, ouviu um passo pesado e a porta se entreabriu. Delanne entrou, sentou-se e ficou observando o ambiente, que lhe pareceu estranho. Com um acento inglês, a mulher começou a expor a ideia de fundar um pequeno jornal para divulgar o Espiritismo. 03


Mas, senhora, respondeu ele, é preciso dinheiro. Isso custa muito caro. A mulher se dirigiu, com seu passo pesado, para uma mala, abriu-a, apanhou cinco notas de mil francos, colocando-as diante de Delanne. Naquela época, ano de 1883, cinco mil francos representavam uma soma com a qual se podia tentar uma operação comercial. Aqui está, disse ela. Para as primeiras despesas. Depois, eu fornecerei o mais que seja necessário. O senhor aceita redigir o jornal? E, foi assim, graças à generosa inglesa, que não era outra senão a senhora D’Espérance(**), médium de feitos extraordinários, ainda não conhecida na França, que a revista Le Spiritisme veio a lume, em março de 1883, sendo um grande veículo de divulgação da doutrina espírita. Gabriel Delanne conservou a maior admiração por aquela, que assim dispôs dos seus bens.

(*) com base no cap. 1, do livro Gabriel Delanne, vida e obra, de Paul Bodier e Henri Regnault, ed. (**) Mme. d’Espérance (Inglaterra, 1855 Alemanha, 20 de Julho de 1918), foi uma médium de efeitos físicos e inteligentes, bem como escritora inglesa. Durante sua vida, Mme. d’Espérance teve sua mediunidade estudada por diferentes pesquisadores. O Dr. William Oxley conseguiu cultivar por três meses uma planta materializada pela médium, que permaneceu durante esse tempo dentro de uma estufa. Outros estudos foram realizados por Alexander Aksakof e pelo prof. Butlerof, catedrático de Química da Universidade de São Petersburgo, todos obtendo resultados satisfatórios de acordo com suas intenções. fonte: Wikipédia. (***) Após a morte de Allan Kardec, o Espiritismo contou com defensores sérios, raros discípulos ante uma multidão ignorante, presunçosa, não lhes poupou as zombarias. No meio desse caos, surgiram dois homens que, sem estardalhaço trabalharam para preserva-la: Léon Denis e Gabriel Delanne, este último era filho de Alexandre Delanne, amigo de Allan Kardec, quem apoiou sua esposa Amelie Boudet, e um dos seus fervorosos discípulos.

Também Jesus, conforme Lucas relata em seu evangelho, contou com pessoas melhor aquinhoadas, que financiavam Seu apostolado, Suas viagens e dos companheiros que Ele elegera para o colégio apostólico, como Susana, Madalena, Joana, a mulher do intendente de Cusa. O trabalho do bem se realiza com o esforço de todos. E, cada qual colabora com o que tenha: uns dispõem dos valores, outros do seu trabalho e esforço pessoal, e a todos, a família nucleada é grata. Assim se constrói o mundo novo. Ontem, hoje e amanhã. Boa leitura! Revista Nosso Núcleo

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Artigo Doutrinário 01

ENLUTADOS - POR QUE PARTICIPAR DE UM GRUPO DE APOIO HÁ UMA LENDA BUDISTA, QUE DIZ: “Uma mulher vai até Buda com o filho morto nos braços e suplica que o faça reviver. Buda diz a ela que vá a uma casa e consiga alguns grãos de mostarda. Mas, para trazer de volta a vida do menino, esses grãos devem ser de uma casa onde nunca morreu ninguém. A mãe vai de casa em casa, mas não encontra nenhuma livre da perda.” Desencarne, essa é a única certeza da vida, mas não gostamos de falar nesse assunto. Acredito que a Casa espírita é o local ideal e reúne condições especiais de nos ajudar trazendo respostas e consolação. Nossa experiência de mais de treze anos em grupo de acolhimento*, dentro do nosso Paz e Amor tem nos provado, que a participação nesses grupos de apoio mostram-se eficazes, as criaturas chegam com um olhar triste, desesperançado e saem, ao final de cada reunião, com outro semblante, olhar sereno e confiante. Cremos, que o atendimento pós-desencarne, como forma de “fechamento” de um ciclo, faz com que os que ficaram ressignifiquem a vida na morte, pois “a morte é sublime professora, ensina a quem vai e a quem fica”. O mais prazeroso dessas reuniões é observar no decorrer das reuniões os participantes mais “antigos” acolhendo e ajudando os “novos”, como exemplos vivos, incentivando-os a prosseguir. Destes encontros surgiu o livro “Deixe-me Partir”, que leva para fora deste trabalho os benefícios desse acolhimento. Se você está passando por esse momento ou conhece alguém que precisa desse acolhimento, venham nos conhecer... *Grupo “ENCONTRO AMIGO” • Atendimento a enlutados • 4ªs feiras • 20:00 às 21:00hrs.

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Artigo Doutrinário 02

UM POUCO SOBRE NOSSA COMUNIDADE TERAPÊUTICA E A DEPENDÊNCIA QUÍMICA O CREPAD (Centro de Recuperação para Alcoólatras e Dependentes Químicos), nossa comunidade terapêutica em Ferraz de Vasconcelos, foi inaugurada em julho de 2008, amparados tecnicamente e ante a orientação espiritual, os quatro primeiros internos foram encaminhados e hoje, julho de 2017 temos uma excelente infraestrutura onde podemos receber até 28 internos. Durante este período mais de 300 internos passaram e receberam tratamento baseado nos 12 passos do AA, NA, Amor Exigente, psicológico, terapia ocupacional, plano prevenção de recaída, terapia racional emotiva, laborterapia, espiritualidade entre outros. Como sabemos, a dependência química é uma doença que não tem cura e sim tratamento e controle e para esclarecer melhor, dependência química é considerada um transtorno mental, em que o indivíduo perde o controle do uso da substância, no qual sua vida psíquica, física, emocional e espiritual vai se deteriorando gravemente. Nessa situação, a maioria dos indivíduos precisa de tratamento competente e adequado. Dependência química não é simplesmente “falta de vergonha na cara” ou um problema de caráter ou moral, é uma doença como o diabetes, o indivíduo não escolhe ter a doença, mas pode sim escolher fazer o tratamento e o controle da mesma, assim como um diabético controla o açúcar no sangue com uma alimentação regrada e medicamentos, o dependente químico pode buscar ajuda para controlar sua adicção e entender o ciclo da doença que é considerada biopsicossocial. Outra preocupação nossa é dar apoio à família do dependente químico. Esse cuidado é fundamental para a eficácia do tratamento, afinal a família deve estar preparada para recebê-lo de volta para casa, após o período de internação e é por isto que os grupos de apoio são muito importantes, Revista Nosso Núcleo

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pois através deles os familiares entenderão melhor essa doença e poderão trocar experiências com outros familiares. Hoje em dia é cada vez mais nítida a importância dessa participação e do apoio da família na recuperação do dependente químico, afinal o tratamento não termina quando o paciente recebe alta da internação, ele é continuo, um dia de cada vez, para a eficácia do tratamento. Os grupos de apoios são fundamentais para que a família entenda o tipo de vicio do seu familiar e o que é preciso fazer para ajuda-lo em caso de recaída, que são frequentes e fazem parte desse tratamento. Por este motivo, o Núcleo Assistencial Espírita Paz e Amor em Jesus criou um grupo para atender não só aos familiares dos internos do CREPAD, mas também a outras famílias que possua um ente querido com esta doença tão grave, este trabalho é realizado todas as segundas-feiras às 20h00m em nosso Paz e Amor. E se você conhecer alguém que necessite de ajuda e internação em função desta doença avassaladora e progressiva, ligue 4675-5110 ou acesse www.crepad.com.br CREPAD CENTRO DE RECUPERAÇÃO PARA ALCOÓLATRA E DEPENDENTE QUÍMICO Inaugurada em julho de 2008 e localizada em Ferraz de Vasconcelos, nosso objetivo é oferecer atendimento especializado, acolhimento voluntário em regime residencial, auxiliando os indivíduos que sofrem com a dependência química a fortalecerem sua autonomia, resgatar vínculos familiares e fortalecer os recursos emocionais para lidar com as dificuldades do dia-a-dia; visando a transformação dos indivíduos através das vivências comunitárias e a reinserção Social. O tratamento é baseado nos 12 passos do AA, NA, Amor Exigente e espiritualidade, respeitando o credo de cada um, que nos procuram. Para maiores informações ligue 4675-5110 ou acesse o nosso site www.crepad.com.br

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Artigo Doutrinário 03

CONHECER A QUEM TANTO DEVEMOS • Pierre-Gaëtan Leymarie • 1827- 1901 (Nasceu em Tulle, França, em 02 de maio de 1827)

Pierre-Gaëtan Leymarie foi um dos mais destacados continuadores da obra de Allan Kardec. Foi um homem notável, que sempre se interessou pelos ideais nobres. Integrado às fileiras espíritas, empolgou-se com seus nobilitantes ideais e, quando Allan Kardec iniciou a publicação da Revue Spirite e das obras fundamentais do espiritismo, dando início às sessões de estudos e experimentações, contou com o incondicional apoio de Leymarie, o qual se tornou um dos seus mais assíduos assessores. Pouco antes da sua desencarnação, Allan Kardec lançou as bases de uma Sociedade Anônima, à qual legaria os seus bens, com objetivo de assegurar a difusão do Espiritismo. Leymarie foi um dos primeiros a integrar-se na Sociedade, da qual se tornou administrador. Também passou a exercer os cargos de redator-chefe e diretor da Revue Spirite. Durante trinta anos, no atribulado período que se seguiu ao decesso de Kardec, quando o Espiritismo era encarado com reservas, sendo alvo de zombarias e inconcebíveis ataques, Leymarie manteve-se em luta constante, proclamando bem alto os nobres ideais da Terceira Revelação, através das páginas da Revue Spirite e da palavra falada. A Revue Spirite se tornou órgão de divulgação de todos os ideais nobres de cunho humanitário, moral e espiritualista. Os trabalhos encetados na Inglaterra por William Crookes tiveram na revista a melhor acolhida e o próprio Leymarie fez experiências com um médium fotógrafo, obtendo uma série de fotos que foi publicada em suas páginas. Nessa época foi vítima de detratores do Espiritismo, quando o fotógrafo Buguet, fazendo uso dos meios fraudulentos na obtenção de fotografias de Espíritos, é processado pelo Ministério Público. Em 16 de junho de 1875, Leymarie e Firman foram também envolvidos no processo, em vista dos laços de amizade que mantinham com Buguet, e desta forma, julgados coniventes na fraude. Devido a depoimentos inverídicos de Buguet, os três foram condenados. Buguet e Firman conseguiram a liberdade. Leymarie não. Elaborou notável Memória à Corte Suprema, atestando, perante sua consciência e de seus filhos, a sua inocência, mostrando-se confiante na decisão final daquele tribunal. Com sentimento de remorso, Buguet escreve ao Ministro da Justiça dando testemunho sobre a inocência de Leymarie, acrescentando que, embora muitas das fotos fossem verdadeiras, devido ao desconhecimento que tinha da Doutrina Revista Nosso Núcleo

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Espírita, praticava a fraude, quando não as conseguia com sua mediunidade. Em sua carta ele afirmou: “Lastimo, pois, haver dito, na minha fraqueza, o contrário da pura verdade, renunciando eu à minha mediunidade e pedindo perdão a Deus por esse ato que deploro, pois, que ele serviu para incriminar um homem probo, cuja boa fé se tornou suspeita em face das minhas afirmações.” Amèlie Boudet, viúva de Allan Kardec, apesar de sua avançada idade, atuou no processo como testemunha. Cartas de solidariedade de todo o mundo foram enviadas a Leymarie. A “Sociedade para Continuação das Obras Espíritas de Allan Kardec” recebeu manifestações de simpatia de vários países, inclusive do Brasil, partindo elas tanto dos encarnados como dos desencarnados. Apesar de todo o empenho e de tantas declarações e testemunhos abonadores, Leymarie foi condenado a um ano de prisão celular. Um pouco mais tarde, anulada a sentença condenatória, o infatigável discípulo de Kardec voltou às atividades, retomando a direção da Sociedade e da Revue Spirite. Graças à ação de Leymarie as obras de Allan Kardec foram traduzidas para vários idiomas. Também realizou vária viagens à Bélgica, Espanha e Itália, difundindo os consoladores ensinamentos da Doutrina dos Espíritos. Participou como delegado do I Congresso de Bruxelas. Em 1888 foi eleito a ocupar uma das presidências do Congresso Espírita de Barcelona. Nessa ocasião, foi lida a comovente moção de gratidão enviada da prisão de Tarragona, por um grupo de condenados a trabalhos forçados, convertidos à fé espírita. Em 1889 Leymarie organizou o I Congresso Espírita da França. Leymarie foi assim, fervoroso propagandista da Doutrina. Orador e escritor, conseguiu, pela firmeza de seus ideais, atrair a simpatia e a admiração de muitos pensadores da época. Foi homem sensível e profundamente honesto. Sua esposa, Marina, deu-lhe sempre a máxima cooperação. Quando Leymarie foi processado, ela escreveu a admirável memória “Procés des Spirites”, que se tornou precioso documento para a história do Espiritismo. Leymarie desencarnou no dia 10 de abril de 1901, na cidade de Paris. • Túmulo de Pierre-Gaëtan Leymarie • Cemitério Père-Lachaise • Paris, França.

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Artigo Doutrinário 04

SER PSICOPEDAGOGO Os transtornos de desenvolvimento e aprendizagem são neurobiológicos, genético- hereditários e necessitam de intervenção multidisciplinar. Dentre os profissionais necessários para a reabilitação do indivíduo está o neuropediatra, o fonoaudiólogo, psicólogo, terapeuta ocupacional, psicomotricista e o psicopedagogo. A família e a escola também fazem parte dessa equipe, sendo fundamentais, mudando rotinas e fazendo adaptações, contribuindo para que as intervenções sejam completas e surtam resultados mais eficientes. O aluno (ser integral) não é só aluno. Ele é filho, ser social, biológico, emocional e espiritual. Se o foco da intervenção for só na aprendizagem, estarão sendo deixados de lado outros aspectos que o compõem e que fazem parte da sua personalidade. Na prática psicopedagógica essa parceria com a família é fundamental. Na realidade se a família não aderir ao processo, com paciência, persistência e afeto demonstrado, pouco se consegue em relação à evolução do caso. Assim essas intervenções vão muito além da reabilitação da escrita, leitura, compreensão e pensamento matemático. O indivíduo precisa ser trabalhado em suas potencialidades, habilidades e talentos, para que se substitua o “não consigo” pelo “consegui”. As dificuldades na escola são sintomas de que “algo a mais”, não vai bem. É, portanto, necessário por parte do profissional um olhar abrangente, amplo e o conhecimento de cada área envolvida. Assim saberá alinhavar as informações, analisar comportamentos, observar o que é depreendido. E somar àquilo que é medido em testes e poder chegar a um diagnóstico, para assim encaminhar à outros profissionais, se necessário. Além disso, saber como intervir, junto ao “aluno” e sua família, e orientar a escola de como proceder para realizar adaptações, faz parte do papel do psicopedagogo. É um processo longo, porém se todas as partes realizarem seus papéis, o resultado é muito produtivo. E, como educadora espírita, não poderia deixar de abordar a necessidade da Reforma Íntima por parte dos pais, para que sejam modelos positivos para seus filhos. Além disso, a Evangelização Infanto-Juvenil contribui de maneira ímpar para esse processo educacional. Lúcia Helena Zenha Pedagoga/Neuropsicopedagoga Educadora Espírita

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Artigo Doutrinário 05

NUNCA DESISTIR Pelo Espírito Hilário Silva. Psicografia de Francisco Cândido Xavier. Livro: O Espírito da Verdade. Lição nº 52. Página 125.

Allan Kardec, o Codificador da Doutrina Espírita, naquela triste manhã de abril de 1860, estava exausto, acabrunhado. Fazia frio. Muito embora a consolidação da Sociedade Espírita de Paris e a promissora venda de livros, escasseava o dinheiro para a obra gigantesca que os Espíritos Superiores lhe haviam colocado nas mãos. A pressão aumentava... Missivas sarcásticas avolumavam-se à mesa. Quando mais desalentado se mostrava, chega a paciente esposa, Madame Rivail - a doce Gaby -, a entregar-lhe certa encomenda, cuidadosamente apresentada. O professor abriu o embrulho, encontrando uma carta singela. E leu: “Sr. Allan kardec: Respeitoso abraço. Com a minha gratidão, remeto-lhe o livro anexo, bem como a sua história, rogando-lhe, antes de tudo, prosseguir em suas tarefas de esclarecimento da Humanidade, pois tenho fortes razões para isso. Sou encadernador desde a meninice, trabalhando em grande casa desta capital. Há cerca de dois anos casei-me com aquela que se revelou minha companheira ideal. Nossa vida corria normalmente e tudo era alegria e esperança, quando, no início deste ano, de modo inesperado, minha Antoinette partiu desta vida, levada por sorrateira moléstia. Meu desespero foi indescritível e julguei-me condenado ao desamparo extremo. Revista Nosso Núcleo

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Sem confiança em Deus, sentindo as necessidades do homem do mundo e vivendo com as dúvidas aflitivas de nosso século, resolvera seguir o caminho de tantos outros, ante a fatalidade... A prova da separação vencera-me, e eu não passava, agora, de trapo humano. Faltava ao trabalho e meu chefe, reto e ríspido, ameaçava-me com a dispensa. Minhas forças fugiam. Namorava diversas vezes o Rio Sena e acabei planejando o suicídio. “Seria fácil, não sei nadar” – pensava. Sucediam-se noites de insônia e dias de angústia. Em madrugada fria, quando as preocupações e o desânimo me dominaram mais fortemente, busquei a Ponte Marie. Olhei em torno, contemplando a corrente... E, ao fixar a mão direita para atirar-me, toquei um objeto algo molhado que se deslocou da amurada, caindo-me aos pés. Surpreendido, distingui um livro que o orvalho umedecera. Tomei o volume nas mãos e, procurando a luz mortiça de poste vizinho, pude ler, logo no frontispício, entre irritado e curioso. “Esta obra salvou-me a vida. Leia-a com atenção e tenha bom proveito. - A. Laurent.”

Estupefato, li a obra - “ O Livro dos Espíritos” - ao qual acrescentei breve mensagem, volume esse que passo às suas mãos abnegadas, autorizando o distinto amigo a fazer dele o que lhe aprouver. Ainda constavam da mensagem agradecimentos finais, a assinatura, a data e o endereço do remetente. O Codificador desempacotou, então, um exemplar de “O Livro dos Espíritos” ricamente encadernado, em cuja capa viu as iniciais do seu pseudônimo e na página do frontispício, levemente manchada, leu com emoção não somente a observação a que o missivista se referira, mas também outra, em letra firme: - “Salvou-me também. Deus abençoe as almas que cooperaram em sua publicação. - Joseph Perrier.” Após a leitura da carta providencial, o Professor Rivail experimentou nova luz a banhá-lo por dentro... Conchegando o livro ao peito, raciocinava, não mais em termos de desânimo ou sofrimento, mas sim na pauta de radiosa esperança. Era preciso continuar, desculpar as injúrias, abraçar o sacrifício e desconhecer as pedradas... Revista Nosso Núcleo

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Diante de seu espírito turbilhonava o mundo necessitado de renovação e consolo. Allan Kardec levantou-se da velha poltrona, abriu a janela à sua frente, contemplando a via pública, onde passavam operários e mulheres do povo, crianças e velhinhos... O notável obreiro da Grande Revelação respirou a longos haustos, e, antes de retomar a caneta para o serviço costumeiro, levou o lenço aos olhos e limpou uma lágrima...

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Artigo Doutrinário 06

SOBRE A ESCOLA DE GESTANTES DO CASPAJ Eu, de alguma maneira, sempre soube que trabalharia com gestantes... Assim, não fiquei surpresa quando fui direcionada para a Escola de Gestantes do CASPAJ*. Por quase dois anos, atuei na Escola de Gestantes do “Paz e Amor”, o que se revelou fundamental, notadamente em razão do intenso aprendizado que recebi da Dona Guiomar**. Nesta altura dos acontecimentos, já estava trabalhando no CASPAJ, aos sábados, pela manhã. Eis que veio a ideia (ou inspiração) para instituir a Escola de Gestantes por lá – o que foi feito no segundo semestre de 2013, de maneira tímida, mas com muita garra e muito amor no coração. Estamos, atualmente, realizando o 13º curso e, desde o primeiro, mais aprendemos do que ensinamos. Nossas alunas são, em sua quase unanimidade, bastante jovens – algumas, saídas, há pouco, da infância – e enfrentam dificuldades financeiras, familiares e até mesmo amorosas. Mas, apesar das dificuldades e de todas as vicissitudes, elas fazem a opção pela vida. E só por isso merecem o nosso carinho, a nossa alegria, a nossa disposição em dar a elas o melhor de nós mesmas. E assim tem sido... Celebramos a vida com muito amor! E é incrível o grau de desconhecimento dessas meninas-mães acerca das mais comezinhas regras contraceptivas, por exemplo, ou, ainda, sobre DST (doenças sexualmente transmissíveis), saúde bucal, depressão pós-parto etc. – o que pode explicar, talvez, o altíssimo índice de mortalidade infantil da região. Poder auxiliá-las não apenas com o amor, mas também com ensinamentos básicos, dá sentido à nossa vida e faz com que sejamos desvestidas de Revista Nosso Núcleo

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preconceitos e julgamentos equivocados acerca da gravidez tão precoce. E quando elas retornam ao CASPAJ com seus bebês no colo e dizem: “vim trazer meu filho para vocês conhecerem... vim pedir para que vocês deem um passe em meu filho...”, meu coração transborda de emoção e de alegria. São ocasiões em que fecho os olhos, dirijo o meu pensamento ao Mais Alto e agradeço a oportunidade bendita do trabalho, por meio do qual posso dar as boas-vindas a tantos espíritos. Que eles sejam felizes na linda morada que o Pai nos deu e possam contribuir para a transformação de nosso planeta num lugar mais justo e mais fraterno – é o meu mais profundo desejo! Cláudia Ramos *CASPAJ – Nosso Núcleo “Paz e Amor” no bairro de Guaianazes **Guiomar Ferracci – dirigente do primeiro trabalho assistencial do “Paz e Amor”-Tatuapé, onde permaneceu na direção, por mais de 40 anos, até seu desencarne.

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Artigo Doutrinário 07

CRIANÇA OU ADOLESCENTE? A FAMÍLIA COMO PONTO DE PARTIDA As crianças e adolescentes não conseguem definir exatamente o que pensam ou sentem, por ser uma fase de descobertas e de grande desenvolvimento e transformações, por isso a dificuldade em expressar suas emoções e sentimentos. Dessa forma é comum os pais não perceberem, terem dúvidas ou dificuldades em procurar um acompanhamento psicológico, o que ajudaria muito no processo de reforma íntima da criança ou adolescente. Existe uma grande dificuldade dos pais em perceberem quando termina a infância e quando começa a adolescência, devido a puberdade e sexualidade precoce, ao avanço da tecnologia e ao excesso de informações. Daí tantos adolescentes e jovens adultos com atitudes infantis e problemas emocionais. As crianças que não são tratadas, podem se tornar adultos com dificuldades emocionais, transtornos afetivo emocionais, problemas de auto estima e grandes dificuldades de relacionamento familiar e interpessoal. Hoje notam-se crianças e adolescentes com doenças de adultos, como ansiedade, depressão, fobia social e uso indevido de álcool e drogas. Situações que tem gerado grandes angústias para as famílias e muito prejudicam a evolução do espírito. Os familiares geralmente procuram ajuda psicológica quando percebem que a criança ou adolescente tem algum comportamento estranho ou dificuldade de aprendizagem, em casa ou na escola. Os pais devem ficar atentos quando a criança apresentar: - agressividade - bullying - inquietação - dificuldade de aprendizagem - apatia - ansiedade - tristeza/desânimo - baixa autoestima - timidez - birra - dificuldade de relacionamento - perturbações do sono - xixi na cama - transtornos alimentares - medos A Psicologia dá suporte e apoio a família, ajudando a criança ou adolescente Revista Nosso Núcleo

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a expressar suas emoções, a fim de modificar comportamentos e de ajudar no desenvolvimento psíquico. O tratamento psicológico ajuda a perceber e desenvolver as habilidades e potencialidades a fim de elevar a auto estima, trazendo bem estar físico, mental e emocional. No tratamento psicológico infantil, utilizam-se técnicas como o brincar, jogar, desenhar, contar estórias, para estudar melhor os sentimentos envolvidos, ajudando a criança a encontrar a solução para suas dificuldades. Com o adolescente trabalha-se o pensamento abstrato, para que ele crie seus argumentos, possibilidades e opiniões ajudando-o a fazer suas escolhas. Este trabalho também é feito através de jogos, conversas e desenhos. No adolescente é muito importante estar atento as mudanças bruscas de comportamento e de rendimento escolar, bem como a mudança do grupo de amigos, de atividades habituais e as más tendências. O apoio psicológico e a compreensão das leis que regem a evolução do espírito, ajudam a família a perceber e aprender a lidar com as dificuldades, as emoções e os conflitos de cada fase da vida, mas principalmente em promover o diálogo, e, perceber as potencialidades necessárias para ajudar no desenvolvimento emocional dos filhos e dos integrantes da família de forma positiva. Como se vê a tarefa de criar, educar e desenvolver os filhos, requer dos pais atenção, esforço, dedicação união e cuidados que podem ser facilitados pelo apoio psicológico tanto para os filhos quanto para os pais, pois deve-se lembrar que quando se trata de uma criança ou adolescente, a família também está sendo orientada. Devemos lembrar que não estamos em nossa família para sofrer, mas para sentirmos a possibilidade de evoluirmos amparados pelas leis que regem o progresso e o amor, aprendendo a perdoar e a amar, estreitando os laços afetivos e espirituais, elevando a auto estima e a saúde emocional. Ana Maria Martins Psicóloga Clínica CRP – 06/50302

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Artigo Doutrinário 08

A CURA ATRAVÉS DA MÚSICA DE BEETHOVEN E GYÖRGY A musicoterapia tem sido utilizada pela área da saúde no tratamento terapêutico, por psicólogos, psiquiatras, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, e por educadores no auxílio cognitivo demonstrando muitos avanços. A harmonia, o ritmo e a melodia da música, trazem uma modificação significativa mental e social. Os primeiros registros da utilização da música como terapia foram encontrados nos Papiros de Lahun (1800 a.c.), depois na transcrição dos filósofos pré-socráticos (600 a.c.), e pelo cientista filósofo Al-Farabi (872 d.c.) que utilizava a música observando o efeito no intelecto. Após a segunda guerra mundial, a sistematização com pesquisas realizadas nos Estados unidos, pela Universidade Estadual de Michigan em 1944, e no Reino Unido em 1950 e 1960, demonstrou que a musicoterapia utilizada em crianças autistas, e na psiquiatria infantil, deixavam os pequenos pacientes mais calmos e a tranquilidade era percebida em pouco tempo de terapia. Em 2011 uma pesquisa realizada no programa de Oncobiologia, na Universidade Federal do Rio de Janeiro, causou espanto pelos resultados obtidos após a utilização da Quinta Sinfonia de Ludwig Van Beethoven. Em testes de laboratório eram expostos uma cultura de células MCF-7, ligadas ao câncer de mama por meia hora ao som da Sinfonia. Surpreendentemente uma em cada cinco células MCF-7 morriam demonstrando que o timbre e a frequência desta música era capaz de matar as células tumorais, abrindo novas frentes quanto ao tratamento do câncer pela musicoterapia. Márcia Capella, a coordenadora do estudo no Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, surpreendeu-se com os resultados. A música produziu um efeito direto e imediato sobre as células, mostrando que a musicoterapia pode ir além do que já é utilizada nos tratamentos terapêuticos, e poderá em um futuro próximo trazer muitos benefícios no tratamento do câncer. Como as MCF-7 duplicam-se a cada 30horas, a coordenadora estendeu o estudo esperando dois dias entre uma sessão musical e os testes de laboratórios. E os resultados foram ainda mais inesperados. Neste interim, 20% da amostragem morreu e a células que sobreviveram, diminuíram de tamanho e granulosidade, significativamente. Revista Nosso Núcleo

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Outros testes com sinfonias foram feitos e a composição “Atmosphères” do húngaro György Ligeti, provocou efeitos semelhantes ao da Quinta Sinfonia de Beethoven, mas em outras sinfonias não foi observado o mesmo resultado. A expectativa era de que a sinfonia provocasse alterações metabólicas, como o aumento temporário do raciocínio espaço temporal como ocorre na “Sonata para 2 pianos em ré maior”, de Wolfgang Amadeus Mozart. Na Sinfonia de Mozart não houve alteração e morte das células como foi visto na sonata de Beethovem na Quinta Sinfonia e György Ligeti com “Atmosphères”. Os pesquisadores não acharam uma explicação plausível do por que destas duas músicas tão diferentes, provocarem o mesmo efeito matando as células cancerígenas, mas comemoram a descoberta. Animados com os resultados, e unidos à Escola de Música Villa-Lobos, continuam procurando mais respostas e músicas para entender se é o ritmo, um timbre ou a intensidade. Outros ritmos estão sendo testados, além de investigar se há outros efeitos no organismo, e se ouvir a música com som ambiente ou com fone de ouvido teriam efeitos mais significantes. Há esperança de grandes avanços no tratamento do câncer pela musicoterapia, e a sequência sonora poderá no futuro próximo indicar o tratamento de tumores através da melodia musical. Bibliografia: • Hilliard, Russell E. Music Therapy in Hospice and Palliative Care: a Review of the Empirical Data. • Léon Bence y Max Méraux Guía muy práctica de musicoterapia, Editorial Gedisa, Barcelona, 1988. • Leão, Eliseth R.; Silva, Maria J.P. Música e dor crônica músculoesquelética: o potencial evocativo de imagens mentais. Rev. Latino-Am. Enfermagem vol.12 no.2 Ribeirão Preto Mar./Apr. 2004 http://www.scielo.br/pdf/rlae/v12n2/v12n2a13.pdf. • Marcello Sorce Keller, “Some Ethnomusicological Considerations about Magic and the Therapeutic Uses of Music”, International Journal of Music Education, 8/2(1986), 13- 16. • Oncobiologia Portal do Programa: http://www.oncobiologia.bioqmed.ufrj.br/noticias_onconews_detalhes.asp?id=417. • UFRJ; Capella - http://www.somos.ufrj.br/professores/view/4853. • Oriana Serpa, psicóloga

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Artigo Doutrinário 09

AS ARMADILHAS DO MEDO Chegamos ao terceiro milênio e o que realmente constatamos, é que evoluímos intelectualmente porém moralmente, ainda estamos muito atrasados e, o momento em que vivemos é de intensos convites para o medo... Vemos constantemente situações tão difíceis que somente se nos mantivermos firmes na fé, conseguiremos dar continuidade aos compromissos por nós assumidos. O medo é um sentimento universal próprio de todas as faixas etárias, presentes tanto no homem como na mulher, independente de raça, religião, profissão enfim, todos sem exceção sentem pois é uma emoção inata do ser humano necessária para proteção e perpetuação da espécie logo, faz parte do nosso existir. É extremamente abrangente pois vai desde a decisão de lutar ou fugir até o acúmulo traiçoeiro que deságua no estresse e na ansiedade, levando ao esgotamento. (Dra. Ana Beatriz B.Silva – Psiquiatra)

A maioria de nós cresceu com a cultura do medo isto é, embora esta seja uma emoção inata do homem, foi muito alimentada para impor controle sobre os comportamentos das pessoas; alguns cresceram com a imagem de um Deus punitivo que conhecendo todos os pensamentos impunha em algumas atitudes a condição de “pecado mortal”... As crianças em seu processo de crescimento quando começavam a manifestar o medo não raro, eram ridicularizadas o que acabava desenvolvendo além do medo, outras emoções que comprometiam o seu amadurecimento e hoje estamos vivendo de uma forma intensa e patológica, os medos que estão cravados nas expressões das pessoas que quando não há permissão interna ou externa para vivenciá-los e dar a esta emoção a dimensão exata, sem potencializa-la ou negando e embutindo o sentimento presente, passamos a disfarçar e então nos sobrecarregamos e o que é natural se torna patológico, nos tornamos ansiosos e esta que é uma emoção de disfarce se envereda por uma série de transtornos como fobia, pânico, e tantos outros comprometimentos. Nós seguidores da doutrina de Kardec, sabemos que somos espíritos e que vimos passando por inúmeras reencarnações e que portanto, trazemos gravações psíquicas de medo, vividas nas experiências de vidas passadas e que de alguma forma podem se fazer presentes ainda nos dias atuais... Dentre as várias buscas do ser humano tem uma bastante presente, é a Revista Nosso Núcleo

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aceitação, queremos ser amados, respeitados, reconhecidos... O receio de que isso não aconteça faz com que desenvolvamos em nós, alguns medos básicos, ou seja: • Medo do medo; • Medo do abandono/da solidão; • Medo de não ser aceito; • Medo do julgamento; Estes estão muito presentes em nossas vidas e efetivamente se tornam as grandes armadilhas que criamos dificultando desta forma, nossa caminhada pois, uma vez intensificados podem inconscientemente conduzir a atitudes e comportamentos absolutamente inadequados comprometendo assim, a oportunidade reencarnatória. Os medos geralmente são alimentados pelo que chamamos de “Diálogo Interno” que é uma conversa interna neurotizante, despotencializadora, angustiante e que na maioria das vezes não temos consciência. Fica claro portanto, que na medida em que os medos são alimentados pelas crenças e pelos diálogos internos, o nosso corpo começa a emitir determinadas respostas que são sensações criadas por esta emoção quais sejam: • Batimento cardíaco alterado; • Sudorese especialmente nas extremidades; • Boca seca; • Dificuldade respiratória; • Dificuldade em coordenar as idéias; • Sensação de “buraco” no estomago. Suas manifestações podem ocorrer de várias maneiras e cada um de nós de acordo com suas experiências atuais e de vidas passadas dá forma aos seus medos; sendo assim, é importante termos consciências de suas diversas facetas: OS MEDOS E SUAS FORMAS • Medo e Ansiedade – emoção de disfarce. • Medo e Paralisia – domínio que o medo exerce sobre a vida da pessoa (“medo maior que ela mesma”). • Medo Introjetado – medo do outro que transferimos para nós. • Medo Criado – medo que criamos fora de uma situação de realidade. • Medo Real – medo autêntico a partir de um fato real. Revista Nosso Núcleo

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• Medo e Criança Interior – o medo sempre é uma emoção da nossa criança interna. • Medo Aliado – quando se torna um “aviso” de um perigo eminente. • Medo e Falta de Fé – estarmos alicerçados pela fé ajuda a raciocinar e dominar esta emoção. • Medo e Padrão Vibratório – na forma intensa e patológica, pode alterar o nosso padrão vibratório dando margens a uma série de comprometimentos no padrão de energia. VENCENDO OS PRÓPRIOS MEDOS Como vimos ao contrário daquilo que pensamos, o medo não necessariamente é uma emoção negativa; para tanto há que se permitir vivenciá-lo na medida exata da sua realidade, sem “medo” de manifesta-lo independentemente do julgamento que o outro possa fazer e com isso, viver a realidade que se apresenta isto é: “trabalhar a aceitação”. Dentre as várias maneira de trabalhar os medos, citamos algumas que estão ao alcance de todos: ESTRUTURAÇÃO DE TEMPO: - Nossas vidas são muito corridas, não temos muito tempo para nada, o relógio sempre nos vence e com isso, programamos muito mal o nosso tempo; essa má programação é um fator bastante significativo para alimentar o medo pois, ficamos com medo de que não dê tempo para realizar o que nos propusemos e com isso desagradarmos alguém e, conseqüentemente, não sermos aceitos – medo básico. A falta de tempo nos conduz a uma outra situação NOS ALIMENTAMOS MAL; determinados alimentos contribuem para o aumento do estado ansioso que como já dissemos esta vinculado ao medo, elevando todas as sensações desagradáveis, nos conduzindo a um outro tipo de medo: o medo de doenças. Uma dieta adequada contribui muito com o nosso processo digestivo e emocional. SUGESTÃO DE ALIMENTOS QUE ALIVIAM A ANSIEDADE • • • •

Verduras, frutas e legumes; Féculas – carboidratos leves Cereais integrais; Sementes e nozes;

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• Algumas carnes – em pequenas quantidades; E ainda... TÉCNICAS DE REALAXAMENTO / MEDITAÇÃO: - O relaxamento e a meditação nos conduzem a uma mudança do padrão de pensamento; o medo é uma forma de padrão de pensamento inadequado que certamente com a meditação que é o entrar em contato com sua essência, propicia bem estar pois, trabalhamos a aceitação de si e do outro. EXERCÍCIOS FÍSICOS: - Melhora o funcionamento cardiovascular, proporciona um mais adequado relacionamento consigo mesmo. PSICOTERAPIA:- Conduz ao auto conhecimento, ao mais adequado relacionamento consigo, com o outro e com o mundo; trabalha a reforma íntima. TERAPIA DA PRECE E DO PASSE: - A prece quando feita com entrega e fé, eleva o padrão vibratório e o passe, dissolve a energia negativa acumulada, permitindo a penetração de fluidos finos e luminosos que restabelecem as funções orgânicas e psíquicas. A doutrina espírita auxilia na cura das dificuldades emocionais pois nos dá o alicerce para entendermos as condições de nossas vidas atuais, nos leva a consciência de responsabilidade e a necessidade da auto transformação. Desenvolve a percepção de quem é e do como está; nos convida ainda a trabalhar auto aceitação e o auto perdão, que são ferramentas essenciais para o nosso desenvolvimento e evolução enquanto seres espirituais que buscam galgar faixas mais elevadas. Portanto alicerçados na doutrina de Jesus, sigamos em frente conscientes de que na prática do amar ao próximo como a si mesmo, encontraremos o medicamento eficaz para o nosso crescimento e desenvolvimento nesta caminhada evolutiva. Rosangela Maria Escudeiro Donadio, psicóloga Jul. /2017

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Artigo Doutrinário 10

NA HORA DO SONO O repouso mediante o sono é indispensável ao equilíbrio psicofísico dos seres, especialmente do homem. O sono representa um grande contributo à saúde, à harmonia emocional, à lucidez mental, à ação nos diversos cometimentos da existência humana. Enquanto se processa o entorpecer de determinadas células corticais, responsáveis pelo sono, liberam-se os clichês do inconsciente, que se transforma em catarse valiosa para a manutenção da paisagem mental equilibrada. Sobrecarregado pelas emoções refreadas, pelas reminiscências dolorosas, pelas frustrações, pressões, ansiedades, que se transformam em conflitos e complexos variados, o inconsciente se desvela nos estados oníricos, que dão origem aos sonhos, de valor inegável aos psicanalistas para o estudo do comportamento e da personalidade. O sono natural é de relevante significação para a vida e sua preservação durante a existência corporal, na qual o espírito processa a evolução. Com alguma justeza, alguns estudiosos do psiquismo afirmam que “dormir é uma forma de morrer”. Parecem-se, sem dúvida, os dois fenômenos biológicos, porquanto no sono, o espírito se desprende parcialmente do corpo, enquanto que, na ocorrência da morte, dá-se o desligamento total dos liames espirituais. Assim, conforme se durma, ou se morra, isto é, de acordo com as ideias acalentadas e aceitas, manifestam-se as consequências idênticas. No caso do sono, o espírito ressuma as emoções que lhe são agradáveis, acontecidas ou não, o mesmo sucedendo na morte, o que, por sintonia, propicia vinculação com outras mentes, com outros espíritos semelhantes. Sonhos ou pesadelos, desdobramentos de pequeno, médio ou longo porte, são resultados do estado emocional do individuo. Quando busques o repouso, cuida do panorama emocional através da meditação e renova a mente recorrendo à oração. Revista Nosso Núcleo

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Repassa as atividades do dia e propõe-te à reabilitação nos incidentes que consideres infelizes, nos quais constates os teus erros. Não conduzas ao leito de dormir pensamentos agressivos, angustiantes, coléricos, perturbadores... Os momentos que pecedem o sono devem ser higiene mental, de preparação para atividades, que ocorrerão durante o processo de repouso físico e mental. Outrossim, liberta-te das ideias perniciosas que são cultivadas com intensidade. O hábito de as fixares cria condicionamentos viciosos que atraem entidades semelhantes, que se te acercam e exploram-te as energias, exaurindo-te e dando início a lamentáveis processos de sutis obsessões, que se alongam, normalmente durante o novo dia, repetindo-se, exaustivamente, além da morte. Planeja o bem, vitaliza-o com a mente, vive-o desde antes de dormires, e, tão pronto se dê o fenômeno biológico, amigos devotados do mundo espiritual te conduzirão às Regiões Felizes, a fim de mais te equipares para os tentames, onde ouvirás preciosos ensinamentos, vivendo momentos de arte, beleza e encorajamento, que se poderão refletir nos teus painéis mentais, como sonhos agradáveis, revigoradores, que te deixarão sensações de inefável bem-estar. Da mesma forma, quando arrastado aos recintos licenciosos que o pensamento acalenta, o contato com seres infelizes se transformará em pesadelos inqualificáveis, desgaste e exaustão, que se manifestarão como irritabilidade, indisposição e enfermidades outras. Os momentos precedentes ao sono são de vital importância para o período de repouso. Assim, não te descures da educação da mente, da manutenção dos hábitos saudáveis e dos programas edificantes, a fim de que todas as tuas horas sejam proveitosas para teu crescimento interior e uma existência de paz. Do livro Momentos de Harmonia, espírito Joanna de Angelis, médium Divaldo P. Franco. (mensagem indicado pelo psicanalista Barjon Casson).

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Artigo Doutrinário 11

ACEITAÇÃO ACEITAÇÃO É A PRÁTICA DA HUMILDADE. A primeira impressão que temos quando ouvimos ou pensamos em aceitar, seja uma pessoa, um fato, uma perda, ou uma circunstância é que estamos nos submetendo, desistindo de lutar, desistindo de mudar, que estamos sendo fracos. Se quisermos modificar qualquer aspecto da nossa vida, das nossas relações ou de nós mesmos, temos que começar aceitando. Aceitar é respeitar, pois o respeito é o alicerce da paz. Respeitar é ser inteligente. A aceitação é detentora de um poder de transformação, que só quem já experimentou é que pode avaliar. É realmente difícil aceitar uma perda material ou afetiva, uma dificuldade financeira, uma traição, uma humilhação, uma doença e muito mais a perda de um ente querido, mas aceitar é amar a deus e sua criação e todas as coisas como elas são. Aceitação também é um ato de força interior, sabedoria e de humildade, já que existem inúmeras situações que não podemos mudar no momento em que acontecem. Se não houver aceitação, a nossa atitude será insana. Ser resistente, brigar, revoltar-se, negar, deprimir, desesperar, culpar, culpar-se, são emoções carregadas de raiva – raiva do outro, raiva de si mesmo, raiva da vida e infelizmente a raiva destrói, desagrega. A aceitação é uma força que desconhecemos porque somos condicionados a lutar, a esbravejar, a brigar, aceitar não é desistir, nem tampouco resignar-se, é estar lúcido no momento presente, e se assim a vida se apresenta, assim deve ser, já que tudo e coordenado pela ação e reação. Quando não aceitamos nos tornamos amargos, revoltados, frustrados, insatisfeitos, cheios de rancor e tristeza, e esses padrões mentais criam mais e mais dificuldades, nunca as soluções. Aceitar é expandir a consciência é encontrar respostas, soluções, alívio. Aceitar Revista Nosso Núcleo

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é o que nos leva a fé, seguir adiante com otimismo é ter muitos propósitos a serem atingidos é a nossa atitude saudável diante da vida. Aceitar se refere ao momento presente, ao agora. No instante que você aceita novas ideias surgem para prosseguir na direção desejada, saindo do sofrimento. No livro o sentido da aceitação – Marcel Souto Maior relata as lições de Chico Xavier. Ele tinha angina, catarata, teve várias pneumonias e trabalhava sem queixas. Quando desabafava o fazia com muita discrição. Exercitou além dos próprios limites da aceitação. Agradecia e aceitava as dores, as doenças e obstáculos da vida, pois com o sofrimento aprendia e resgatava os débitos de outras vidas. Os amigos questionavam onde estava o Dr. Bezerra de Menezes que não o ajudava. Chico respondia que não podia aceitar privilégios e contava a historia de Tereza D’Ávila, que na Espanha no século XVI, nobre, linda e rica, trocou tudo pela pobreza do convento carmelita e viajou pelo país fundando abrigos para órfãos e viúvas. Iam a pé e em mula pelos pântanos, montanhas e florestas, com febre e crise de angina. Durante um temporal, Tereza atravessou um rio e estava se afogando, mas, foi salva por Jesus, que lhe disse:Esta vendo Tereza? É assim em meio aos perigos que eu trato os meus amigos queridos. Tereza respondeu:É por isso que o senhor tem tão poucos. Chico se divertia e se consolava com esta história. Para terminar quero lembrar a todos que estamos nesta vida, pela misericórdia de deus, que nos concedeu uma nova oportunidade de renascimento no corpo físico, que as dores são transitórias, quando elas nos alcançarem, vamos trabalhar a aceitação, com serenidade e resignação. Olhemos para elas como mecanismos da lei universal que o pai utiliza para que possamos crescer em direção a ele. Aparecida Terezinha Falcão, trabalhadora junto ao “encontro amigo”, acolhimento a enlutados. Revista Nosso Núcleo

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Artigo Doutrinário 12

“PERDÃO” Simon Wiesenthal, quatro vezes indicado ao Prêmio Nobel da Paz, narra em seu livro O Girassol, que em 1944, jovem polonês judeu que era viveu encarcerado no campo de concentração de Mauthausen-Gusen, na Áustria, trabalhando em uma unidade de limpeza de resíduos médicos. Relata que se concentrava em girassóis que via crescer nos túmulos dos soldados nazistas e pensava na “injustiça” da vida e do silêncio de Deus. Um dia, a caminho do trabalho, Simon é parado por uma enfermeira e levado até uma cama, a pedido de um soldado nazista moribundo, de 21 anos, de nome Karl. Confuso Simon pergunta-lhe o que ele queria com um judeu. Karl conta-lhe sobre atrocidades que cometera durante seu tempo servindo como soldado SS, especialmente de como incendiara um prédio com mais de 200 famílias judaicas dentro e atirava nos que tentavam saltar pelas janelas para escapar das chamas. Depois de contar a Simon o que ele havia feito, Karl pede o perdão de Simon, pois sentia que a única maneira de morrer em paz seria limpar sua consciência e pedir perdão a uma pessoa judaica. No entanto, Simon sai do quarto sem responder-lhe. Naquela noite, Simon discute a questão moral com os amigos em seu quartel, uns acreditam que deveria perdoar, outros afirmavam que ele fizera bem em ouvir um moribundo e outros afirmaram que só Deus pode perdoar... No dia seguinte, quando Simon volta, Karl está morto. Através dos anos, Wiesenthal perguntou a muitos rabinos e sacerdotes o que deveria ter feito. Finalmente, mais de vinte anos depois da guerra, ele escreveu essa história e submete o leitor a uma questão: “- O que você teria feito em meu lugar?”. Vamos juntos buscar entender esse momento. Destaco alguns pontos desse relato: Primeiro – apesar de ter dado às costas a Karl, ele estava inseguro e algo lhe incomodava, precisava buscar respostas e procura conversar com seus colegas. Isso nos faz buscar a questão 621 de O Livro dos Espíritos, quando Allan Kardec pergunta ao Espírito da Verdade: “Onde está escrita a lei de Deus? – Na consciência.”. Todos nós sabemos o que é certo ou errado e mesmo em momentos estremados nossa consciência nos cobra a melhor postura. O segundo ponto que esse livro nos ajuda a observar: O TEMPO. “No dia seguinte, quando ele volta, Karl está morto.” Quantas vezes perdemos oportunidades ímpares de soluções de mudanças e Revista Nosso Núcleo

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deixamos passar... Jesus já nos alertara, há dois mil anos atrás: “Concerta-te sem demora com o teu adversário, enquanto estás a caminho com ele, (Mateus, V: 25e 26)”. O valor do tempo também é destacado no livro Dramas da Obsessão, quando o Espírito Bezerra de Menezes, na psicografia da médium Yvonne A. Pereira, apresenta-nos duas histórias baseadas em fatos reais com preciosos ensinamentos sobre a lei de causa e efeito, que aperfeiçoam nossas almas, reeducando-as no amor. A narrativa, que começa no século 16 – Portugal, com uma família judaica sendo “vítima” de padres inquisidores e termina nas Minas Gerais à época da inconfidência mineira. Alternam-se nesses quase 3 séculos, ódios e vinganças, onde ora a família judaica está encarnada e os padres desencarnados e vice e versa, até que o amor, especialmente de Angelita, abre-se à ajuda e séculos de sofrimento se dissolvem ao toque suave do perdão. Temos absoluta certeza de que perdoar aqueles que nos ofendem é decisão acertada, que somente benefícios nos proporciona no entanto, exercitar o perdão no quotidiano não é tarefa que realizamos sempre. Há na prática do perdão, e na prática do bem, em geral, além de um efeito moral, um efeito também material. Pesquisadores da Universidade do Tennesse, EUA, chegaram à conclusão que pessoas que param de se vingar e perdoam melhoram a qualidade do sono, a tensão, a fadiga e a depressão. (*) Pedir perdão e dar perdão tem feito milagres... O pastor Cláudio Duarte, afirma que: Perdão não é esquecer. Isso é amnésia. Perdoar é quando você lembra e não sente mais dor. Isso é cura!’ Portanto, perdoar é encontrar paz interior... Perdoar quem foi vítima de violência doméstica, por exemplo, não significa necessariamente retomar a relação... E pedir perdão? Estamos preparados, na humildade, para pedir perdão? Questão de treino e determinação. E perdoar-se? Pesquisadores da Universidade Baylor, EUA chegou à conclusão em suas pesquisas, que é muito mais fácil perdoar-se, quando se pede e se obtém perdão daqueles que magoamos... Em 13 de maio de 1981, durante ato na Praça São Pedro, ocorreu o ataque a João Paulo II, que perdoou o agressor, mas a justiça italiana, não, e expulsa turco, mantendo a ordem e a lei. A mensagem de perdão foi uma parte fundamental do evangelho que Jesus anunciava nas suas caminhadas pelas colinas da Palestina. Ele ensinou seus seguidores Revista Nosso Núcleo

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a estenderem perdão às pessoas que os ofendiam: “Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará; se, porém, não perdoardes aos homens [as suas ofensas], tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas” (Mateus 6:14-15). Não te digo até sete, mas até setenta vezes sete vezes“. (Mt 18,32) Pai perdoa-lhe, eles não sabem o que fazem. “… Porque se sois duros, exigentes, inflexíveis, se tendes rigor mesmo por uma ofensa leve, como quereis que Deus esqueça que, cada dia, tendes maior necessidade de indulgência? (Cap. X, item 15). A reencarnação, como já li, é quase o perdão de Deus a nós, oferecendo-nos outra oportunidade de aprendizado. O espírito Hammed, pelo médium Francisco do Espírito Santo, no livro Renovando Atitudes ensina que: “Perdoar aos inimigos é pedir perdão a si mesmo quer dizer: enquanto nós não nos libertarmos da necessidade de castigar e punir ao próximo, não estaremos recebendo a dádiva da compreensão para o autoperdão. Toda e qualquer postura que assumimos na vida se prende á maneira como olhamos o mundo fora e dentro de nós, podendo nos levar a uma sensação íntima de realização ou de frustração, de contentamento ou de culpa, de perdão ou de punição, de acordo com nosso código moral modelado na intimidade de nosso psiquismo. Nossa forma de avaliar e reagir frente aos nossos atos e atitudes frente aos outros, conceituando-os como bons ou maus, é determinada por um sistema de autocensura, que se encontra estruturado nos níveis de consciência da criatura humana. Uma das grandes fontes de autoagressão vem da busca apressada de uma perfeição absoluta, como se todos devêssemos ser deuses ou deusas de um momento para outro. Aliás, a exigência de perfeição é considerada a pior inimiga da criatura, pois a leva a uma constante hostilidade contra si mesma, exigindo-lhe capacidades e habilidades ainda não adquiridas por ela, são maneiras de expressarmos nossa culpa e o não-perdão a nós mesmos – exigências desmedidas atribuídas a pessoas perfeccionistas.” Perdoar-nos é não importar-nos com o que fomos, pois a renovação está no instante presente e o que importa é como somos agora e quais são as determinações atuais para o nosso progresso espiritual. Tânia Carvalho (*)Lawler, Kathleen. The Unique Effects of Forgiveness on Health Revista Nosso Núcleo

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Artigo Doutrinário 13 onde os males!... Conserva-nos a fé por luz acesa E ajuda-nos a ver na terrestre grandeza Com a benção de amor em que nos guardas. As longas retaguardas Dos irmãos despojados de esperança, A fim de socorrê-los em teu nome... Atenua, Senhor, a mágoa dessas vidas Que a tristeza consome Na dor que não descansa.

FICA CONOSCO, SENHOR Senhor Jesus, Sobre a Terra de agora, ansiosa e agitada, Que a ciência domina, Muitas ideias novas pela estrada Sonegam-te, no mundo, a Presença Divina... O homem superculto, Nas invenções geniais e nos feitos de vulto, Experimenta, experimenta... Entretanto, Senhor, por mais se lhe permite Revelações dos céus, sem pausa e sem limite, Ei-lo na indagação Em que não se contenta... Projetando satélites no Espaço E entesourando láureas da cultura Nem por isso largou-se Do tédio, do azedume, do cansaço De alma triste e insegura... Toda a Terra é um arsenal de maquinas potentes... Sondas, computadores... Investiga-se os mundos exteriores, Conclama-se ao progresso Todos os continentes... Mas a guerra campeia, O cérebro sem fé como que se incendeia E a violência se espalha mundo afora... É por isso, Jesus, que te pedimos: Fica conosco, em nossos vales, Enquanto tantos gênios Pairam em altos cimos, Brilhando sem saber onde os bens e Revista Nosso Núcleo

Ergue de novo, os corações caídos Em desesperação A buscarem na cinza os ausentes queridos Que a morte lhes furtou em processo violento, Ajuda-nos a ver o sofrimento Que o radar não percebe e o motor não consola... Substitui, Jesus, pelo apoio da escola A sombra do presídio que segrega Os irmãos que a revolta inda inspira e carrega Para os despenhadeiros da existência... Fica conosco, Mestre, e faze-nos prover De auxílio e reconforto, O sentimento amargo e semi-morto Da multidão sem paz, a chorar e a sofrer... Na fé que o teu amparo nos descerra Deixa-nos atingir o coração da Terra!... Faze que o Sol da Caridade A irradiar-te as bênçãos de alegria, Envolva, dia a dia, O pão que nutre o Bem de Toda a Humanidade. Não nos deixes a sós E ensina-nos, Senhor, A encontrar finalmente em cada um de nós O caminho de luz do teu reino de amor!... Pelo Espírito Maria Dolores. Psicografia de Francisco Cândido Xavier. Livro: Caridade. Lição nº 40.

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Artigo Doutrinário 14

DEPENDE DE NÓS... Quem já foi ou ainda é criança Que acredita ou tem esperança Quem faz tudo pra um mundo melhor” Tomei a liberdade para iniciar esse texto citando um trecho da música depende de nós composta por Ivan Lins e Vitor Martins para refletir um pouco sobre o tema “Evangelização Espírita Infanto Juvenil e Família”. É um tema que gosto muito de falar e falo por experiência própria, afinal tive a oportunidade de nascer em uma família espírita e de frequentar a evangelização desde que me conheço por gente. No meu caso eram aos sábados de manhã... Saia bem cedo da Vila Esperança, Zona Leste de São Paulo, para estar às oito horas e trinta minutos no centro da cidade... Inicialmente participava de um coral e em seguida assistia as aulas onde eram retratados os temas da doutrina espírita de forma lúdica tendo sempre o uso de músicas, jogos ou de artes. Tenho 37 anos e escrevo com convicção de que essa oportunidade, proporcionada pelos meus pais, impactou de maneira positiva a minha vida, me fazendo entender que existe um Deus único, soberanamente bom e justo, percebo que somos seres em evolução, que para cada uma de nossas ações existe um efeito, efeito este que é notado na forma como vivemos atualmente e ainda que Depende Nós a mudança, que queremos ver no mundo. Hoje participo do grupo de evangelizadores dessa Casa Espírita e percebo o quanto este trabalho é sério e importante, principalmente nos tempos atuais: onde crianças e jovens são bombardeados vinte e quatro horas com novas informações; onde os modelos sociais priorizam o ter a qualquer custo em detrimento do ser; onde as modas são lançadas e instantaneamente desaparecem; onde as mídias sociais dão a falsa impressão de que se tem um milhão de amigos, quando na verdade se está sozinho e alienado. Diante desse cenário precisamos: buscar ajuda e consolo no plano espiritual; retirar as máscaras do comodismo; arregaçar as mangas e colocar-se como o “agente” da mudança em prol do crescimento sadio das nossas crianças e jovens. A evangelização espírita é um caminho... O espírito Joana de Ângelis, por meio da psicografia de Divaldo Pereira Franco, no Livro “Constelação Familiar”, cita que “O indivíduo que tem formação religiosa, possui muito mais resistência em relação aos enfrentamentos morais, orgânicos, emocionais do que aqueles que não a tem.”. O fato de permitirmos a participação de nossas crianças e jovens na evangelização espírita é oferecer a elas a oportunidade do estudo da Doutrina; o estudo gera o Conhecimento; o Conhecimento gera Responsabilidade, a Responsabilidade gera Ações conscientes e Melhores. E a partir de melhores ações individuais pode-se mudar o coletivo. Então finalizo esse texto fazendo um convite a todos os pais, mães e familiares que façam um esforço constante para trazer suas crianças e jovens, sejam pacientes e persistentes, tenham constância de propósito e ofereçam a eles essa oportunidade, a experiência tem mostrado que a família ganhará com isso. Maria Luiza Marchiori Visintin Formigoni Revista Nosso Núcleo

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