Hospital da Prelada - Uma História de Sucesso

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ÍNDICE

UM HOSPITAL AO SERVIÇO DOS PORTUGUESES António Tavares

08

O HOSPITAL DA PRELADA EM NÚMEROS

10

HISTÓRIAS NA PRIMEIRA PESSOA

12

A Misericórdia, o SNS e o Hospital da Prelada – notas soltas Agostinho Branquinho

13

Hospital da Prelada, um exemplo incómodo

18

As verdades que não são ditas aos portugueses

Agostinho Pinto de Andrade Um lugar onde se cuida Alberto Baldaque

25

Eu e o Hospital da Prelada Alípio Moreira

26

Referência e exemplo no Sistema Nacional de Saúde António Canto Moniz

29

Criar um sistema de saúde sem paredes com investimentos em tecnologia, processos e pessoas agregadas ao talento, gestão de dados e cibersegurança João Figueiredo

30

Eu tive um sonho Júlio Santos

33

Um serviço inovador Manuela Pereira Leite

35

A Enfermagem do Hospital da Prelada Maria da Conceição Pinto de Almeida

37

Para os astros caminhos ásperos Nuno Lacerda

39

Passaram 30 anos Varejão Pinto

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SATISFAÇÃO NA PRIMEIRA PESSOA

104

ENQUADRAMENTO HISTÓRICO 1988-2018

106

Introdução 107 Origens 108 O Hospital da Prelada e a nacionalização dos hospitais

109

Misericórdia do Porto recupera a gestão do Hospital da Prelada

110

Acordo de Cooperação

112

Uma nova gestão hospitalar

113

Abertura e inauguração

115

Evolução 116 Recursos Humanos

117

Produtividade e rentabilidade

118

Coexistência do setor público com o setor privado

120

Entidades de gestão, administração e direção

129

Perspetivas - passado e futuro

134


UM HOSPITAL AO SERVIÇO DOS PORTUGUESES Tenho a honra e o privilégio de ser o Provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto quando o Hospital da Prelada celebra os seus trinta anos. São, pois, motivos de sucesso que nos permitem comemorar este momento. Mas ele não seria possível sem, antes de mim, Domingos Braga da Cruz, ao tomar a decisão, Pacheco de Almada, ao arriscar avançar com a construção, Aires Martins, ao conseguir criar as condições para o Hospital poder abrir e funcionar, José Luís Novaes, ao saber continuar este regresso à Saúde, José Avides Moreira, ao permitir colocar ambição no projeto, e Guimarães dos Santos, ao transportar o Hospital para novos desafios no século XXI. Seis homens que foram atentos Provedores, dos quais só resta hoje connosco o Dr. Guimarães dos Santos, mas que precisaram também da força e do estímulo de muitos profissionais da medicina, da enfermagem e do apoio logístico de outros para conseguirem cumprir a missão que, no início do século XX, D. Francisco de Noronha e Menezes desejava, ao deixar a sua fortuna para se edificar um novo Hospital. Quis o tempo e a roda da história que a tarefa não fosse assim tão simples. Primeiro porque entre 1903 e o fim da década de 50, do século XX, passou tempo suficiente para pensar e amadurecer uma ideia. Depois, tal como dizia Fernando Pessoa, “Deus quer, o Homem pensa e a Obra nasce” e assim apareceu Domingos Braga da Cruz com a ideia de completar o papel do Hospital Geral de Santo António. Vivíamos, então, um tempo de combates, onde as chamadas especialidades de guerra, como a Medicina Física e a Reabilitação, a Cirurgia Plástica, a Ortopedia e a Unidade de Queimados ganhavam relevo. Assim se escreveu a história do Hospital da Prelada, com muitos altos e baixos, com muito entusiasmo e desânimo, com o desvio das verbas do Totobola e, a seguir ao 25 de Abril, sem os seus hospitais (Santo António, Conde de Ferreira e Rodrigues Semide) mais difícil ainda foi, levando a Misericórdia a uma crise profunda. No final da década de 80, em 1988, foi possível concluir a obra e começar esta caminhada. Ser um hospital inovador e pioneiro no Serviço Nacional de Saúde.


Admirados por uns, contestados por outros, soubemos fazer o nosso caminho sempre a pensar nos doentes. Hoje, aqui chegados, novos desafios se colocam. O mundo já não é o dos anos de 1950 ou de 1988. O mundo mudou. As tecnologias são outras. A medicina revolucionou-se. A esperança de vida é, cada vez, mais um objetivo consolidado. Temos novos paradigmas para atingir. Espero e desejo que com o novo Plano de Modernização do Hospital (PDIMOR 20) seja possível, dentro de cinco anos, ter todo o Hospital completo e pronto para mais trinta anos. Parabéns ao Hospital da Prelada por estes 30 anos ao serviço dos portugueses e do Serviço Nacional de Saúde. Parabéns à Santa Casa da Misericórdia do Porto por esta oportunidade. Muito obrigado a todos aqueles que ajudaram a fazer este Hospital. Aos profissionais e aos doentes. Sem eles, esta aventura não tinha existido.

Que Nossa Senhora da Misericórdia, no seu largo manto, continue a proteger-nos a todos.

Porto, novembro de 2018

António Manuel Lopes Tavares Provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto

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O HOSPITAL DA PRELADA EM NÚMEROS 1988

(outubro)

IMAGIOLOGIA

ANÁLISES CLÍNICAS

total de exames realizados

total de exames realizados

2018

454.622

2.445.176

(agosto)

2008 20 anos após abertura

1998 10 anos após abertura

IMAGIOLOGIA

ANÁLISES CLÍNICAS

total de exames realizados

total de exames realizados

315.780

1.723.880

IMAGIOLOGIA

ANÁLISES CLÍNICAS

total de exames realizados

total de exames realizados

181.426

751.516


gias irur

de c ir u rg

8c 35

as por médico po r an izad eal o= r ai s

total de consultas realizadas

278.309

1.881.430

gias irur

média de

11.409.708

das por médico por liza a no rea s = ia

CIRURGIAS

CONSULTAS

total de cirurgias realizadas

total de consultas realizadas

165.841

1.058.689

TRATAMENTOS MFR total de tratamentos de Medicina Física e Reabilitação realizados

8.224.920

das por médico por liza a no rea s = ia 8c 34

cir urg

TRATAMENTOS MFR total de tratamentos de Medicina Física e Reabilitação realizados

2c 50

CIRURGIAS

gias irur

média de

CONSULTAS

total de cirurgias realizadas

cir urg

média

CIRURGIAS

CONSULTAS

total de cirurgias realizadas

total de consultas realizadas

69.111

462.599

TRATAMENTOS MFR total de tratamentos de Medicina Física e Reabilitação realizados

4.010.022


HISTÓRIAS NA PRIMEIRA PESSOA


A MISERICÓRDIA, O SNS E O HOSPITAL DA PRELADA – NOTAS SOLTAS

1. Quando passados pouco mais de 20 anos depois do Rei D. Manuel I ter exortado os “homens bons” do Porto, em 1499, a criarem a Misericórdia do Porto, e esta começou a gerir a maior parte dos hospitais que então existiam na cidade, iniciava-se, assim, o desenvolvimento de uma área de atuação na qual esta Santa Casa permanece há já cerca de cinco séculos. Poucas, muito poucas, serão as instituições no Mundo que atuam num determinado setor há 500 anos! Mas esse é o ADN da Santa Casa da Misericórdia do Porto, com uma curtíssima pausa de pouco mais de uma década, nos idos da segunda metade dos anos setenta e dos anos oitenta, do século passado, como adiante veremos. Durante estes cinco séculos, muitos dos avanços da Medicina, em Portugal, têm a marca da presença da Misericórdia do Porto. A conceção e construção de hospitais de raiz para tratar as maleitas das pessoas, como foi, primeiro, o caso do Rocamador e, mais tarde, do Hospital de Santo António, ou a construção do primeiro hospital de alienados, como então se dizia, – o Conde de Ferreira –, ou hospitais para o tratamento de doenças infetocontagiosas ou até a criação da escola médico-cirúrgica, embrião do que é hoje a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e o Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, são testemunhos reais da atuação que a Misericórdia do Porto tem tido na área da Saúde. 2. A revolução democrática do 25 de Abril, na senda do que já tinha sucedido em outros momentos de rutura política, veio amputar a Misericórdia do Porto, durante quase década e meia, dos meios que dispunha na área da Saúde, designadamente o Hospital de Santo António, que ainda hoje é gerido pelo Estado, sendo o edifício propriedade da Misericórdia do Porto. Mas se o abalo dessa intervenção do Estado foi enorme para a Misericórdia do Porto, pondo em causa, inclusive, a sua sustentabilidade económico-financeira, a Instituição, mais uma vez, soube “dar a volta” e já no final dos anos 80, do século passado, abriu ao público o seu mais recente Hospital, cuja conceção e construção se tinham prolongado por quase três décadas – o Hospital da Prelada - Dr. Domingos Braga da Cruz. Anos mais tarde, o Estado acabou por devolver, também, à Santa Casa o Hospital Conde de Ferreira (já agora, diga-se, em condições muito deficientes e que têm obrigado, nestas duas últimas décadas, a investimentos vultuosos por parte da Misericórdia do Porto na recuperação dessa unidade hospitalar). E, assim, a Misericórdia do Porto regressou à área da Saúde, vocação original e sempre presente na vida da Instituição.

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3. O 25 de Abril permitiu, em Portugal, a construção de uma sociedade democrática. São inúmeras as áreas onde os impactos dessa transformação política se fizeram sentir, mas é naquilo que hoje se designa como “Estado Social” que as modificações foram mais estruturais, permitindo que os portugueses, independentemente da sua origem social, passassem a ter acesso generalizado à educação, à saúde e a um sistema de apoios sociais e de previdência que praticamente não existiam. A construção da democracia social, no nosso país, tem, do nosso ponto de vista, a sua expressão máxima com a criação do Serviço Nacional de Saúde (SNS). O SNS permitiu que Portugal seja hoje, no cômputo das Nações, um dos países mais evoluídos (os recentes relatórios da OCDE colocam-nos na 14ª posição, à frente de países como o Reino Unido, a Itália ou a nossa vizinha Espanha). A muito significativa diminuição da mortalidade infantil, o espetacular aumento da esperança de vida, a posição cimeira que temos no tratamento de algumas doenças, uma rede de cuidados de saúde primários, hospitalares e de cuidados continuados, espalhada por todo o território nacional, são a expressão do desenvolvimento alcançado (é certo que temos muitos problemas para resolver, designadamente o subfinanciamento crónico da área da Saúde, mas isso não nos pode impedir de constatar os avanços significativos registados nestes últimos 40 anos). 4. O SNS assenta, historicamente, as suas bases de atuação num modelo de complementaridade entre o setor público, o setor social e o setor privado. São estes três pilares que têm dado sustentação às múltiplas respostas na área da Saúde, permitindo aos Portugueses uma resposta, com elevados níveis de eficácia, aos seus problemas/necessidades. Porém, uma boa parte das razões que levaram ao sucesso do SNS público, em Portugal, tem a ver com a sua rápida disseminação territorial. E isso só foi possível porque essa célere expansão foi feita, na maior parte dos casos, através da utilização das infraestruturas hospitalares da rede social, como aconteceu com a Misericórdia do Porto, a qual, como antes se referiu, de um momento para o outro se viu espoliada dos seus hospitais – o Hospital de Santo António, o Hospital Conde de Ferreira e o Hospital Rodrigues Semide. 5. Mas, a Misericórdia do Porto rapidamente se recompôs dessa decisão unilateral do Estado, apesar dos fortes constrangimentos criados à sua sustentabilidade e, logo no ano de 1988, como antes se referiu, é inaugurado o Hospital da Prelada - Dr. Domingos Braga da Cruz. E, curiosamente ou talvez não, o Hospital da Prelada, desde a sua abertura, integrou a rede de hospitais SNS, sendo o primeiro hospital não público dela a fazer parte.


Isso significou que, desde o primeiro minuto da sua atividade, o Hospital da Prelada começou a dar resposta às necessidades dos portugueses, nas especialidades então existentes, da mesma forma e com o mesmo tipo de acesso que tinham nos hospitais da rede pública. 6. A relação entre o Estado e a Santa Casa da Misericórdia do Porto, tendo em vista a abertura do Hospital da Prelada às populações, constituiu, à época, uma inovação social, assente na contratualização de serviços, ou seja, de produção hospitalar, quer em termos de consultas, quer em termos da atividade cirúrgica. Uma contratualização que passou a constituir o paradigma da relação do Estado com outras Misericórdias, anos mais tarde. 7. O modelo de gestão que a Santa Casa da Misericórdia do Porto aplicou no Hospital da Prelada foi ele próprio, também, inovador e uma clara disrupção com o que então – e até ainda nos dias que correm – se praticava, em Portugal e noutros países. Os dois eixos fundamentais desse modelo assentaram na criação de um corpo clínico de qualidade, em exclusividade de funções, e em índices de produtividade acima da média, conseguidos através de incentivos à atividade clínica, que estimulavam não só um incremento quantitativo da produção do Hospital, como permitiam elevados níveis de excelência nos resultados alcançados. 8. Três décadas depois da abertura do Hospital da Prelada muitas coisas mudaram no panorama da Saúde, em Portugal e no Mundo. Os avanços da investigação e da tecnologia, com impactos significativos, quer no desenvolvimento de novos fármacos, quer no desenvolvimento de novos dispositivos médicos, seja na área dos meios complementares de diagnóstico, seja mesmo na atividade cirúrgica, mudaram a face da prática da Medicina. E, mais recentemente, a digitalização generalizada da Saúde em curso, o tratamento de metadados, a inteligência artificial, a robotização e os continuados avanços na investigação são a porta de um novo Mundo, cujos contornos ainda não conhecemos de todo, mas que criam a esperança de uma melhor e mais rápida resposta às necessidades de saúde das populações. Porém, se tivermos um olhar crítico adequado sobre o passado, verificaremos que os princípios básicos da relação entre o Estado e a Misericórdia do Porto (bem como com as outras instituições da Economia Social com atividade na área da Saúde) se mantêm: a contratualização da produção e a complementaridade na atuação em relação às respostas públicas. 9. Nestes novos tempos, o que há necessidade é de se aprofundar o compromisso entre as partes, com base no respeito mútuo dos contratos assinados, sobretudo na sua estabilidade temporal, na necessidade de uma melhor e mais

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atempada planificação da atividade a desenvolver, assente em orçamentos plurianuais e do aprofundamento da regulação e da fiscalização, de forma a continuar a garantir uma resposta de excelência aos cuidados de saúde prestados aos portugueses. E, no plano operacional, a necessidade de se caminhar para um sistema nacional integrado, eliminando alguns dos atuais constrangimentos, sobretudo no tratamento dos dados clínicos, onde o Processo Clínico Eletrónico Único poderia ser um excelente começo, evitando-se perda/ausência de informações relevantes e criando verdadeiras sinergias nos players existentes com resultados positivos óbvios para as populações, a par de se assegurar, dessa forma, uma real capacidade de escolha das pessoas. Na mesma senda, continuar a aposta na contratualização dos serviços prestados, mas com base nos resultados alcançados, porque estes são, em última análise, aquilo que verdadeiramente importa para as pessoas que recorrem ao SNS. 10. A finalizar, pensar que no SNS apenas a componente pública é relevante é não entender nada do que se passa na área da Saúde e na qualidade dos serviços prestados aos portugueses e que são auditados pelas instituições internacionais. O nosso sucesso reside, sobretudo, nesta capilaridade existente no território e na atuação conjunta e concertada, seja nos cuidados primários, nos cuidados hospitalares ou nos cuidados continuados. E que, nos dias que já estão aí, essa concertação terá que ser alargada a novas áreas, como sejam a prestação de cuidados domiciliários especializados e a uma maior integração das duas áreas centrais no processo de envelhecimento da população – as áreas do apoio social e da saúde. Nesta matéria, a Misericórdia do Porto, tal como há quinhentos anos, é um parceiro de excelência para se encarar os desafios destes novos tempos, com a esperança de uma melhor e mais eficiente resposta nos cuidados a prestar. 11. Daí que “SNS” signifique hoje mais “Sistema Nacional de Saúde”, onde as sinergias entre os diferentes atores permitem, de forma crescente, melhorar o acesso e a sua equidade aos cuidados de saúde de qualidade, começando pela educação e prevenção. 12. Por último mesmo, a Santa Casa da Misericórdia do Porto e o Hospital da Prelada – e nesta definição estão incluídos, obviamente, todos os seus profissionais – têm que saber interpretar os novos sinais e decifrar bem as variáveis dos tempos que vivemos. Antes de mais, colocar em primeiro lugar, como tem sucedido nos cinco séculos de existência da nossa Instituição, as pessoas e a procura da resolução dos seus problemas. Depois perceber que o todo significa mais do que cada uma das partes e que é para esse mesmo todo que estamos


a trabalhar em equipa, com as nossas competências individuais ao serviço dos projetos que temos que levar por diante. E, por fim, que a realização profissional de cada um é um desiderato que deve ser prosseguido num ambiente de uma sadia competitividade e imbuída dos valores de solidariedade que caraterizam a Misericórdia do Porto, sintetizados naquilo que são as 14 Obras de Misericórdia e a doutrina social da Igreja. Agostinho Branquinho Conselho de Administração da Saúde da Santa Casa da Misericórdia do Porto Vice-Presidente dos Conselhos Executivos do Hospital da Prelada e do Centro Hospitalar Conde de Ferreira

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HOSPITAL DA PRELADA, UM EXEMPLO INCÓMODO As verdades que não são ditas aos portugueses

Apesar de nestes 30 anos o Hospital da Prelada ter apresentado sempre os melhores índices de produtividade, de eficiência, de qualidade e de humanização, o melhor número de operações e de consultas por médico, o maior número de doentes tratados por cama, por médico e por enfermeiro, o mais baixo custo por doente tratado, não houve um só poder político que tivesse tido a força ou a coragem para enfrentar as corporações profissionais para instalar, pelo menos apenas noutro Hospital, o modelo de gestão do Hospital da Prelada, totalmente inovador e cujas traves mestras são a exclusividade e o horário completo para os médicos e remuneração proporcional à rentabilidade. Vejamos a que ponto chegou a Saúde no nosso País. Vamos aos factos. A população portuguesa tem-se mantido praticamente em número estável, para não dizer que até tem diminuído. O orçamento do Ministério da Saúde todos os anos aumenta, é sempre cada vez maior e sempre são constantes as exigências de mais dinheiro, mais recursos humanos, mais equipamentos, novos Hospitais, etc., etc.… e ninguém se espanta que aquele Orçamento comparado com o dos países da UE já seja superior à média daqueles países. São generalizadas as queixas de falta de médicos nos Hospitais e Centros de Saúde e, no entanto, nós temos um ratio de médico por número de habitantes mais elevado que a média da Europa dos 27, acima de países como Alemanha, Bélgica, França, Reino Unido, Noruega, etc. A média da Europa é de 345 médicos por 100.000 habitantes e em Portugal era de 486, em 2016. Existiam em 1991, em Portugal, 28.326 médicos e em 2016 eram 50.239. Médicos de Medicina Geral e Familiar, em 1990, eram 275 e, em 2016, eram 6.530! Portugal foi o País da Europa com o maior aumento percentual de enfermeiros formados desde o ano de 2000, com 5,4% ao ano. Dados de 2016 indicam que existiam 673 enfermeiros por 100.00 habitantes, mais do que noutros países como Espanha, Estónia, etc. O problema dos enormes e sempre crescentes custos do nosso SNS centra-se na produtividade e eficácia dos recursos humanos e nas despesas que estes originam ao nível de farmácia e equipamentos. Só melhorando a produtividade e racionalizando os gastos com os consumíveis e equipamentos se consegue diminuir de modo sensível e duradouro os custos


da manutenção e funcionamento do SNS, melhorando simultaneamente a qualidade dos cuidados prestados. Como se pode obter isto? Vejamos qual a produtividade actual, por exemplo, ao nível médico. Nos anos 80, no Serviço de Urgência (SU) de um Hospital Central (Hospital Geral de Santo António) eram atendidos, em média, 800 doentes diariamente por uma equipa constituída por 24 a 26 médicos. Hoje, a média nacional dos doentes atendidos em cada SU oscila à volta de 550 doentes/dia, sendo agora as equipas constituídas por mais de 40 médicos. Apesar disso, nesse tempo os doentes não tinham que esperar várias horas para serem atendidos nos Serviços de Urgência, como agora acontece com as mais variadas desculpas e alegadas insuficiências. É totalmente inaceitável que num Serviço chamado de “Urgência” haja doentes que tenham que esperar horas para serem atendidos. E o mais grave é que os atrasos já são pacificamente aceites e reconhecidos oficialmente, como uma fatalidade, conforme comprova o recurso ao programa de triagem na generalidade dos principais Hospitais. Os doentes não podem ser culpabilizados pelo caótico funcionamento dos Serviços de Urgência. Os únicos responsáveis são os gestores hospitalares e os “responsáveis” do Ministério da Saúde. O Estado deveria acabar por compreender que é perder tempo fazer campanhas contra a preferência das populações. Se estas preferem ir aos Serviços de Urgência dos Hospitais, estes devem-se preparar para as receber, nomeadamente fazendo deslocar recursos humanos dos Centros de Saúde para os Hospitais. Desde há mais de 40 anos que todas as Instituições do Ministério da Saúde, Ordem dos Médicos, Grupos de Trabalho, etc., etc., tentam convencer e “educar” a população que deveria recorrer em primeiro lugar ao seu Centro de Saúde e só nos casos “justificados” recorrerem aos Serviços de Urgência. Isto seria óptimo, todos estamos de acordo, mas ao fim de mais de 40 anos temos que ser realistas e aceitar que este não é o caminho viável, infelizmente. A solução é os Hospitais prepararem-se para receber os doentes que o procuram nas Urgências, arranjando instalações e equipas separadas, para atenderem os doentes que não estão em risco de vida e os que realmente estão em situação de emergência. Chegou-se a uma triste situação em que vemos os Hospitais e os Centros de Saúde a queixarem-se que têm demasiados doentes e a empurrá-los de uns para outros, em vez de se sentirem orgulhosos por terem os Serviços mais procurados e merecerem o agrado e a preferência das populações, tal como se passa nos privados. E isto porquê? Porque os profissionais dos serviços do Estado não

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têm nem temem qualquer concorrência. A sua sobrevivência está assegurada, qualquer que seja a sua qualidade e rentabilidade. Na grande maioria dos Hospitais Centrais, o número médio de cirurgias efectuadas mensalmente por cada cirurgião oscila à volta de 25, enquanto que por exemplo no Hospital da Prelada essa média anda à volta de 70-80. O mesmo se podia referir acerca de outros actos médicos, como por exemplo, anestesias, consultas, exames, número de doentes tratados por cama, etc. No Diário de Notícias de 21-XI-2011, lê-se no excelente Relatório do “Grupo para a Reforma Hospitalar” que o número de cirurgias que o Cirurgião, na região de Lisboa, faz por ano é de 76!!! Inacreditável. Nesse mesmo Relatório constata-se que ao nível nacional dos Hospitais do Estado, a média nacional do número de camas por médico é de 1,21! E em cada sala do Bloco cirúrgico dos Hospitais do SNS realizam-se 2,5 operações/dia útil! Na rede do SNS, os pedidos de Consulta hospitalar são classificados em: • Muito prioritárias – podem ser marcadas até 30 dias! • Prioritárias – podem ser marcadas até 60 dias. • Normais – podem ser marcadas até 90 dias. Como é possível aceitar-se que uma Consulta classificada como “Muito Prioritária” seja marcada até 30 dias? Como é possível que gestores médicos hospitalares aceitem esta situação quando sabemos que um médico hospitalar (descontando já que apenas 50% fazem Consultas) faz, na média nacional, 3 Consultas por dia útil? Por cada doente tratado, com alta hospitalar, existem 45 funcionários do SNS. Como foi possível chegar a esta trágica e vergonhosa situação? Como é possível alegar-se que não há médicos que cheguem, que não há enfermeiros que cheguem, que não há camas para deitar os doentes, que se deixem morrer doentes na Urgência por falta de especialistas que se recusam a trabalhar porque não lhes pagam? Como é possível o País assistir resignado a doentes que morrem depois de recusados, transferidos ou terem tido alta precoce da Urgência? Situações dramáticas com parturientes, com recém-nascidos, etc. Como foi possível chegar a este ponto, em que todos aceitamos ser coniventes na vergonha e na desgraça dos doentes a fazerem fila, a partir das 5 ou 6 horas da manhã, às portas dos Centros de Saúde só para obterem marcação para uma consulta? Ao assistirmos a este espectáculo, alguém se interrogará quantas consultas e quantas horas trabalham realmente os médicos? E quantos dias trabalham por semana? E por mês? E por ano? E quantos dias são desviados para acções de “formação”, para reuniões pluridisciplinares, para planeamento de campanhas, para congressos, seminários, etc., etc.


E que dizer com as situações de infecções contraídas nos Hospitais, com os surtos de Legionela que se vão tornando assustadoramente recorrentes? Como se pode corrigir esta rentabilidade e melhorar a qualidade dos Serviços Clínicos? Duas coisas são indispensáveis: estímulos permanentes à produtividade e uma Gestão dos Serviços, exigente e sabedora, que esteja diariamente atenta à monitorização da rentabilidade e qualidade. A qualidade e a rentabilidade de um Hospital é o resultado do que se passa nos seus Serviços Clínicos, o modo como são geridos e dirigidos. É prática comum na generalidade dos Hospitais encontrarem-se enormes disparidades dentro do mesmo Serviço, com médicos que para tratarem o mesmo tipo de patologia gastam muito mais exames e medicamentos, por exemplo, do que os seus colegas, obtendo os mesmos resultados no tratamento dos doentes. Na zona Norte o custo do doente tratado, com alta hospitalar, é de 4.022€ e na zona de Lisboa é de 5.306€. Alguém se preocupa em descobrir as verdadeiras razões? Só uma gestão atenta, motivada e sabedora por parte de cada Director de Serviço pode detectar e tomar as providências, corrigindo estes desvios geradores de enormes desperdícios. O controlo de qualidade, optimizando os gastos em Recursos Humanos, em consumíveis e equipamentos, é absolutamente indispensável para a viabilidade do SNS, libertando recursos para que mais doentes possam ser atendidos, nomeadamente os que necessitam de elevados meios. Todos os hospitais deveriam ter orgulho de poderem apresentar a conhecimento público quais os indicadores de qualidade por que eles são avaliados mensalmente (quando o são). O mesmo devia acontecer com os Serviços Clínicos que deveriam expor ao público os resultados dos seus tratamentos, pelo menos os das patologias mais frequentes. Mas isto só é possível com Conselhos de Administração (CA), Directores Clínicos e Directores de Serviços devidamente motivados, conhecedores e cumpridores de todas as exigências das suas importantes funções. Como são escolhidos ou nomeados desde há vários anos os Directores dos Hospitais, os Directores Clínicos, os Directores de Serviço? Pela sua competência? Pelo seu curriculum profissional? A destruição das Carreiras Médicas iniciada há mais de 14 anos, juntamente com a abolição do Exame para Especialista da Ordem dos Médicos, veio provocar enormes repercussões e irrecuperáveis prejuízos para a qualidade dos cuidados de saúde, com a crescente generalização da desmotivação dos profissionais. E como é preciso arranjar uma desculpa, o dinheiro é sempre o culpado.

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A motivação, o empenho, a dedicação ao seu Hospital ou ao seu Centro de Saúde desceram a níveis nunca vistos. A autoridade e a liderança dos gestores é praticamente inexistente, porque ela não deriva da competência, da sua preparação, da sua experiência e do seu prestígio, salvo honrosas excepções. Também em termos de Indicadores de Qualidade, cada Hospital devia perder o temor de dar a conhecer à população a sua rentabilidade ao nível de doentes tratados por médico, doentes tratados por enfermeiro, doentes tratados por cama, demora média de internamento e taxa de ocupação. Quem fala destes Indicadores de Qualidade? Quem beneficia com a falta de produtividade? Ao longo de mais de 30 anos de funcionamento do SNS, tendo-se duplicado ou triplicado o número de Hospitais Centrais, tendo-se implementado uma enorme rede de Centros de Saúde, tendo-se criado a carreira de Medicina Geral e Familiar, as necessidades que as populações têm de recorrer aos Serviços Privados não têm diminuído e o número de Hospitais Privados multiplica-se por todo o País. A maioria da nossa população é economicamente débil e, no entanto, Portugal é um dos países europeus que tem mais Serviços Privados, pelo menos em termos proporcionais. É indispensável a existência de uma boa Medicina Privada, que possa competir com os Serviços Públicos. Mas é fundamental que os Serviços Públicos sintam que a sua sobrevivência pode depender da competitividade com os Serviços Privados, ou seja, só teriam viabilidade aqueles Serviços com qualidade e produtividade nunca inferior à do sector privado garantindo-se a todos os cidadãos a total liberdade de escolha do Hospital Público em que deseja ser tratado, o que só fomentaria a qualidade e a eficiência pela competitividade. Até agora, só existiu um Ministro da Saúde que teve a coragem de encerrar um Serviço Público por estas razões. E qual foi o resultado final? O Ministro teve que se demitir e nunca mais alguém teve a coragem de repetir o exemplo e assim os orçamentos do Ministério da Saúde continuam a subir desmesuradamente todos os anos e serão sempre insuficientes. Só chefias que possam dar o exemplo em termos de competência e cumprimento das suas funções, estão aptas a poder exigir o mesmo a todos os seus colaboradores e assim diminuírem o panorama do actual desperdício e de falta de eficácia e desorganização que acontece no SNS. Porque acreditamos com a maior e total convicção e experiência nesta fundamental importância, quisemos dar o nosso contributo, para o que organizámos


4 Cursos de formação prática de Director de Serviço Hospitalar: 2 no Porto, 1 em Lisboa e 1 em Vila Real, em 2008 e 2009. Infelizmente, apesar da grande adesão e interesse por parte dos médicos envolvidos, os resultados na prática foram efémeros, já que posteriormente aqueles médicos na sua actividade hospitalar não receberam o devido apoio por parte das Direcções Clínicas e/ou dos Conselhos de Administração (CA). Apresentámos posteriormente propostas ao Ministério da Saúde e a vários Hospitais para efectuarmos, graciosamente, Cursos de formação prática para Director Clínico e Director do Hospital, mas não houve resposta. A generalidade dos Directores de Serviço, dos Directores Clínicos e CA não receberam formação específica para o exercício dessas funções, pois a sua nomeação não depende de real qualificação. A maior parte dos Directores Clínicos e CA dos nossos Hospitais não têm uma verdadeira Agenda Mensal em termos de fomento e controlo da rentabilidade e qualidade, uma área em que os seus conhecimentos são reduzidos, o que os leva à sua desvalorização, não sendo capazes de reconhecer a decisiva importância da avaliação sistemática e diária da qualidade e rentabilidade e da necessidade de introduzir ou alterar estímulos à sua melhoria contínua. Resultado: estabelecimentos cujo funcionamento custa a todos nós muitos milhões, são geridos por pessoas sem a devida competência ou desprovidas de meios para estimular e monitorizar a rentabilidade, a eficácia e a qualidade. As suas preocupações ficam assim reduzidas aos aspectos meramente administrativos e de expediente da sua gestão, cumprindo as orientações do Ministério da Saúde, que pouco têm a ver com índices de rentabilidade e de qualidade. Conforme a experiência tem demonstrado, infelizmente, os problemas não se resolvem aumentando o número de médicos, de enfermeiros ou de Hospitais. Na década de 80, na área da grande Lisboa existiam 3 grandes Hospitais e na área do grande Porto existiam 2. Actualmente existem mais do dobro, sem que o número de habitantes tenha evoluído nessa proporção. Se os Hospitais do SNS melhorassem apenas em 1/3 a sua produtividade com qualidade – há exemplos, raros, no País que provam que até é possível mais – isto significaria que, por exemplo, no Norte passaria a haver o equivalente a mais 2 grandes Hospitais e em Lisboa a 3, sem se ter dispendido custos de construção, de manutenção e equipamento e praticamente pouco aumentando os custos em recursos humanos. Parte dos milhões que se gastam na construção de grandes Hospitais, no seu equipamento e depois na sua manutenção, deveriam ser aplicados na melhoria dos actuais Hospitais, na promoção de estímulos e permanente monitorização à

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sua produtividade, eficiência e qualidade, libertando verbas para serem eficazmente aplicadas na resolução das necessidades das populações. Para que é que servem tantos organismos oficiais na dependência do Ministério da Saúde? A existência destes organismos, expoente maior duma burocracia totalmente dispensável tem como objectivo prioritário assegurar a sua própria sobrevivência e justificação. Quantos milhões são assim desperdiçados e que bem falta fazem para tratamento da nossa população. Agora estamos na “época” das greves dos profissionais da Saúde. Os sindicatos têm que justificar a sua existência e em particular a dos seus dirigentes, com promessas de melhores vencimentos, melhores carreiras, maior número de profissionais, etc. Que o País não se iluda com as promessas de aumentar o Orçamento em cada ano, aumentar o número de profissionais, mais Hospitais, etc. As desculpas irão ser sempre as mesmas e assim irão continuar. Agostinho Pinto de Andrade Ex-Diretor e ex-Diretor Clínico do Hospital da Prelada Comissário das Comemorações do 30.º aniversário do Hospital da Prelada


UM LUGAR ONDE SE CUIDA

Há muito que participo na vida da nossa Irmandade – onde cada um de nós é chamado a servir e a defender o próximo – e acompanho o que diz respeito ao Hospital da Prelada. Houve um tempo de sustos e de agitação a que se seguiu um novo tempo de serenidade, seriedade e afirmação, o tempo que hoje vivemos. Não fosse este novo tempo e o sonho da Prelada não teria passado disso mesmo: sonho. Poderia, se o espaço fosse maior, relembrar e louvar muitos que ajudaram efectivamente a criar e a cimentar este novo tempo que tornou efectivamente possível a sobrevivência do Hospital da Prelada. Sendo impossível, apenas relembro: o Senhor Dom Armindo Lopes Coelho, Bispo do Porto, que criou as condições objectivas para a mudança de rumo; o actual Provedor, Doutor António Tavares, que soube conciliar e criar equipas; o Provedor José Luís Novaes; Albino Aroso, com o seu passado respeitado na Irmandade; os Directores Pinto de Andrade e António Canto Moniz, hoje Vice-Provedor; a Directora Carolina Oliveira. O Hospital da Prelada é hoje uma unidade reconhecida pelo seu rigor e pela excelência técnica que não esquece a identidade, a singularidade e o enigma ontológico de cada um dos pacientes que confiam o seu corpo a todos que trabalham nesta unidade de saúde. Isto assim é porque a Prelada, estando inserida nesta grande Irmandade que é a Misericórdia do Porto, tem o Evangelho como uma das traves fundacionais. Esta forma de agir orgulha os Irmãos por verificarem que o Hospital da Prelada não é apenas um lugar de cura, também é lugar onde se cuida, ou seja, onde a importância afectiva que cada paciente merece, caminha a par da importância científica e técnica da sua operação. Este é um elogio que se houve amiúde e que enobrece todos os que nele trabalham. Pensar global e agir localmente trouxe-nos até hoje. Respeitar o passado inovando, é o nosso futuro. Alberto Baldaque Irmão da Santa Casa da Misericórdia do Porto

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EU E O HOSPITAL DA PRELADA

Apresentei-me no dia 02 de Janeiro de 1979 no Hospital da Prelada, designado nessa altura como “Hospital – Centro de Reabilitação da Prelada – D. Francisco de Noronha”, para iniciar a minha actividade, sendo integrado no chamado “Gabinete de Coordenação e Fiscalização para a Construção do Hospital”. Aí comecei a desenvolver, entre outras, funções de coordenação, fiscalização e acompanhamento de todos os trabalhos na área da electromecânica, assim como todo o tipo de medições dos trabalhos que iam sendo executados para efeitos de facturação. Verificava e conferia facturas e as respectivas revisões de preços, participava nas reuniões com todos os empreiteiros para a decisão de como executar e coordenar as várias instalações a fazer. Trabalhei na construção do Hospital da Prelada desde o início de 1979 e, propriamente dito, até ao final do ano de 1988. Neste último ano fui destacado e, a mando do Sr. Provedor Brigadeiro Aires Martins, para trabalhar directamente com a empresa “Hospitália”, contratada pela Santa Casa da Misericórdia do Porto, para lhes dar todo o apoio necessário pelo conhecimento que tinha das instalações, para a organização e apetrechamento do hospital para a sua abertura, ano em que se efectivou o mesmo e, propriamente dito, foi quando terminaram as obras, pois foi nesta altura que se concluíram alguns trabalhos como a “Iluminação Exterior”, os “Arruamentos Exteriores” e a “Esterilização”, entre outros. No início, o hospital não passava de um “esqueleto”, pois só existiam as estruturas em betão armado e as paredes exteriores. Os pisos superiores estavam em bruto, onde somente existiam os pilares. O actual piso -1 estava em terra, que mais parecia um lago de água. A chuva entrava a Norte e saía a Sul. No exterior estavam montados os “Estaleiros”, locais onde se fazia a guarda de materiais, ferramentas e a preparação dos trabalhos. Também existiam as chamadas “Casernas”, onde pernoitavam os trabalhadores, que só iam a casa aos fins-de-semana. Num canto das casernas havia um poste com uma caixa para a distribuição de corrente eléctrica, usada para fazer trabalhar as máquinas. Num determinado momento foi necessário reparar e alterar a situação, pelo que tive que o fazer com a corrente ligada e, a um dado momento, cai-me o cabo com alta corrente no peito, e fiquei “agarrado” ao poste. Tinha a chave da cabine no bolso, pelo que o homem que me ajudava não podia cortar a corrente eléctrica. Eu já estava a ficar numa situação bastante complicada, pelo que me ocorreu que, para me libertar, teria que saltar, para me desligar de tudo. Mas corria outro


perigo, que era o de cair no telhado. Mas assim fiz. Preferi saltar e aleijar-me nas costas, que ficaram todas pisadas, em vez de morrer electrocutado. Na altura, em que estavam adjudicadas todas as empreitadas, trabalhavam entre quatrocentas a quinhentas pessoas. Não era fácil de “comandar” toda esta gente, pois exigia que os trabalhos fossem feitos de acordo com a boa arte e o caderno de encargos. E, como consequências disso, ouvia muitas “bocas ameaçadoras” por parte dos trabalhadores, chegando mesmo a ser ameaçado. No exterior à obra ouviam-se os mais diversos comentários, desde pessoas que nos abordavam a perguntar se vendiam andares, até a comentários de que a obra estava parada porque os fiscais fugiram. Sim, a obra esteve quase parada, mas porque a Misericórdia estava a passar por grandes dificuldades financeiras. Lembro-me também de passar na rua e ver crianças a brincar num terraço superior, porque a mãe estava, digamos, “sem roupa”, a tomar banhos de sol, tendo-nos obrigado a dizer que saísse. No decorrer desses trabalhos surgiu-me a ideia de começar a reunir uma série de documentos, escritos e fotografados, sobre a construção do Hospital, porque sentia algo de especial. Comecei por estar atento a tudo o que era jornais e revistas que encontrava, no lixo, em sótãos a guardar velharias, e a tirar umas fotografias com uma velhinha máquina fotográfica de cassete. Desta forma fui juntando recortes de jornais, alguns dos quais em mau estado. Por isto, vi a necessidade de os recompor e então procurei digitalizar todos esses documentos. Arranjei o programa “Photoshop” e quem me desse umas orientações de como trabalhar com ele, e assim comecei a refazer alguns recortes de jornais danificados e/ou fotografias. No decorrer desses trabalhos e os constantes contactos, fui ganhando confiança com o Sr. Arquitecto Afonso, autor do projecto, sendo convidado a executar diversos trabalhos. Foi aí que comecei a frequentar o seu atelier de desenho, no qual vi umas fotografias muito interessantes sobre a construção do hospital. Não hesitei e logo lhe fiz uma proposta. Ele ficou de pensar e de me dar uma resposta. Não tardou muito. Certo dia apareceu no hospital e trazia um envelope tipo A4 e disse-me: “Olha, trago aquilo que me pediste. Eu já nada farei com elas, mas se tu tens intenções de lhes dar utilidade, ofereço-tas”. E deu-mas para a mão. Eram as fotografias que eu vi, fotografias essas que, a não ser assim, provavelmente estariam no lixo. Fotografias muito importantes sobre vários aspectos e momentos da construção, e que nunca mais seriam possíveis de se ter. Mais tarde, surgiu a oportunidade de organizar uma exposição e logo contactei os senhores administradores para pedir autorização, os quais quiseram ver pri-

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meiro os recortes de jornais e as fotografias que tinha. Acharam interessante, até porque vinha ao hospital o Senhor Primeiro-Ministro, José Sócrates, e a Senhora Ministra da Saúde da altura, Ana Jorge. Assim, foi-me concedida autorização e organizei a primeira exposição nas comemorações dos 20 anos e, mais tarde, no 28.º aniversário da abertura do hospital. Alípio Moreira Colaborador do Serviço de Instalações e Equipamentos da Hospital da Prelada


REFERÊNCIA E EXEMPLO NO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE

Dos anos noventa até hoje, reflectindo sobre o êxito que é o Hospital da Prelada (HP). O HP nasce do ideal de D. Francisco de Noronha, da vontade da Irmandade e do apoio dos diferentes Governos da República. O projecto e a Instituição que é o HP foram realizados por homens como Braga da Cruz, Leal Freire, José Luís Novaes, Avides Moreira, Pinto de Andrade, Mário Martins, António Tavares e outros. Não esquecer o apoio financeiro do Governo, canalizando para o HP dinheiros do Totobola, empréstimos e negociando o contrato com a FLAD – Fundação Luso-Americana. Sem a vontade do poder político não teria sido possível viabilizar o HP. Aqui foi notabilíssima a vontade política da Ministra Leonor Beleza. Inovadora e de máxima importância foi a forma de contratualizar do Ministério da Saúde, com a implementação de grupos Homogéneos de Diagnóstico no financiamento do HP. Foi o HP o primeiro Hospital da rede do SNS a ser financiado por Grupos de Diagnósticos Homogéneos (GDH). Hoje, todo o financiamento dos hospitais da rede pública é baseado em GDH. Fundamentais foram, também, os princípios de gestão implementados pelo Director Clínico, Dr. Pinto de Andrade, com óbvio apoio da maioria das Mesas Administrativas, e que passo a expor: - Independência de gestão para com o nosso maior financiador – o Ministério da Saúde; - Independência de gestão dos recursos humanos e técnicos; - Exclusividade do trabalho médico e adopção de prémios de produtividade para os diferentes profissionais de saúde; - Informação e discussão dos resultados clínicos e financeiros com o Corpo Médico; - Manutenção das Chefias, independentemente das diferentes Mesas Administrativas (sempre que tal não aconteceu, conhecem-se os resultados); - A contratação recente de empresas externas como o IASIST e CHKS, como consultores para o controle de governação, de segurança e execução clínicas. Hoje, com as dificuldades motivadas por Contractos-Programa mais exigentes e de menor financiamento, o HP, se não esquecer os princípios que aqui reporto, irá continuar a ser uma referência e exemplo no Sistema Nacional de Saúde. António Canto Moniz Vice-Provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto Presidente do Conselho Executivo do Hospital da Prelada

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CRIAR UM SISTEMA DE SAÚDE SEM PAREDES COM INVESTIMENTOS EM TECNOLOGIA, PROCESSOS E PESSOAS AGREGADAS AO TALENTO, GESTÃO DE DADOS E CIBERSEGURANÇA

A evolução tecnológica está a mudar a vida das comunidades numa base diária, sendo cada vez mais rápida e difusa. Desta forma, é fundamental atuar da melhor forma, procurando antecipar as tendências futuras, tomando as decisões adequadas considerando um período temporal alargado. O hospital do futuro será com certeza diferente do hospital de hoje. Tecnologias em rápida evolução e crescente consumismo, conjugadas com mudanças demográficas e económicas, exigem medidas de adaptação e estratégias definidas a curto, médio e longo prazo. Neste contexto, a Santa Casa da Misericórdia do Porto (SCMP) tem desenvolvido estratégicas no sentido de racionalizar os recursos disponíveis na área das Tecnologias de Informação e Comunicação, procurando o desenvolvimento consolidado das suas diferentes áreas de intervenção, de forma a crescer mais com os meios existentes, possibilitando uma evolução sustentada. A área da Saúde, pela sua dimensão no universo SCMP e pela sua especificidade ao nível do negócio, dos recursos envolvidos e dos próprios SI/TIC, vem observando também um processo de integração e consolidação, nas áreas de suporte à prestação de cuidados de saúde, em termos administrativos, técnicos e clínicos. Desde 2012, o Hospital da Prelada tem apresentado estratégias ao nível da prospeção de soluções inovadoras e evoluídas em termos dos padrões de arquitetura das SI/TIC atuais, destacando-se, neste contexto, uma série de projetos adotados e introduzindo novos conceitos e plataformas, como são os casos da arquitetura orientada a serviços e das experiências no domínio da virtualização e ambientes Private Cloud da SCMP. Na área das SI/TIC está bem definida a estratégia de contínua identificação do seu estado de referência e definir o que será necessário para evoluir para o futuro estado digital global, centrado na experiência/jornadas dos nossos clientes internos e externos, recursos necessários e respetivo portfólio, estabelecendo para o efeito Programas, Projetos e Business Cases nas seguintes áreas: • Prestação de cuidados redefinida: recursos emergentes, incluindo recursos digitais centralizados para permitir a tomada de decisões, monitorização clínica contínua, tratamentos (como a impressão em 3-D para cirurgias) e o uso de dispositivos ajudarão a caraterizar os hospitais de cuidados agudos (IoT – Internet of Things);


• Experiência digital do cidadão/utente: tecnologias de inteligência artificial (AI) que irão ajudar a permitir interação sob procura e processos contínuos, por meio de escolha de dispositivos para melhorar a experiência do utente; • Desenvolvimento de talentos: automação de processos robóticos (RPA) e (AI) para permitir que os clínicos/cuidadores/prestadores passem mais tempo a executar a sua atividade e menos tempo em áreas de registo de dados, numa perspetiva colaborativa para melhorar o desenvolvimento e a aprendizagem em termos de partilha de conhecimento; • Eficiências operacionais através da tecnologia: cadeias digitais, automação, robótica e interoperabilidade de próxima geração podem gerir automaticamente operações e eficiências de back-office. Não existe necessidade de esperar por um Click de construção para integrar tecnologias emergentes em operações hospitalares. Várias soluções digitais não requerem novas construções, sendo passíveis de implementação no futuro próximo para melhorar as eficiências operacionais e respetivos resultados: A. Elevar a experiência do utente recorrendo a soluções digitais para ajudar o acesso omni-channel, incluindo aplicativos, portais, kits digitais personalizados e quiosques self-service. Além disso, tecnologias digitais, como IoT, realidade aumentada e a realidade virtual irão ajudar a personalizar as necessidades do utente, durante os seus episódios no Hospital da Prelada. Paciente remoto, monitorização, tele-saúde, análises avançadas e wearables podem transformar o hospital existente num sistema de fornecimento de serviços de excelência com maior envolvimento e participação dos utentes para melhor qualidade e resultados. B. Operações digitalizadas: Muitas funções de back-office podem beneficiar da robótica, análise avançada, sensores e automação para aumentar a eficiência. Estas funções também podem ser melhoradas digitalmente usando cloudbased da SCMP com soluções de planeamento de recursos mais curtos, mais rápidos. C. Flexibilidade e escalabilidade: Como as tecnologias digitais estão em constante evolução, durante a implementação pode ser crítica, pelo que a política atual inclui adicionar, modificar ou substituir a tecnologia a custos mais baixos. D. Os dados são essenciais: O Hospital da Prelada tem vindo a criar uma infraestrutura de dados forte em todo o sistema, enquanto os requisitos de interoperabilidade de dados, escalabilidade, produtividade e flexibilidade têm tido elevada prioridade, sendo construídos sobre uma base sólida de captura, armazenamento, proteção e análise.

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E. Talento 4.0: Tem sido mantida a política de amplas oportunidades de desenvolver habilitações digitais. Uma força de trabalho aumentada e o uso de novas tecnologias deverá evoluir naturalmente para o recurso a robôs e processos de AI. F. Cibersegurança: Com a proliferação de tecnologias digitais, o cyber é já uma grande ameaça para os hospitais do presente e do futuro. A gestão de topo tem mantido a estratégia de que, em projetos de transformação digital, a cibersegurança é a outra metade da implementação digital. João Figueiredo Diretor do Departamento de Sistemas de Informação da Misericórdia do Porto


EU TIVE UM SONHO

Desde cedo a Prelada, a Quinta da Prelada, entrou na minha vida, já que foi na Escola do Carvalhido que decorreu o meu Ensino Primário. O espaço actualmente ocupado pelo Hospital era o local privilegiado para as actividades de tempos livres. Iniciado o Internato Complementar no Serviço de Ortopedia do Hospital de Santo António, à época administrado pela Santa Casa da Misericórdia do Porto, a Quinta da Prelada, recordação da minha infância, passou a estar de novo presente; por ser o local onde, num projecto pensado por quem acreditava que, cito, “Deus quer, o Homem sonha, a Obra nasce”, iria ser construído um Hospital para alojar o Serviço de Ortopedia, Cirurgia Plástica e Medicina Física. Passaram anos, tendo, entretanto, os citados serviços sido instalados no Hospital Rodrigues Semide, recuperado para esse fim. O Sonho, que era então o de muitos de nós, não se concretizava. Finalmente, em 1988 a Obra sonhada por tantos era uma realidade. Nasceu um novo Hospital para o qual era necessário definir um modelo de funcionamento inovador, que satisfizesse as expectativas dos que nele iriam trabalhar e dos que seriam os utilizadores, dotá-lo de gestão eficaz, nomeadamente capaz de garantir a viabilidade financeira. Eis-me de novo na Quinta da Prelada. O Serviço de Ortopedia integrou catorze especialistas, com a responsabilidade de assegurar a dinâmica pioneira que se pretendia para o Hospital. O trabalho médico seria exercido em exclusividade plena, com incentivos por objectivos qualitativos e quantitativos, bem definidos, permitindo a actividade privada fora do horário de trabalho que seria de oito horas diárias, não havendo carreira médica. Desde cedo surgiram críticas por vezes com carácter ofensivo. A execução do trabalho programado com competência e dedicação, o aproveitamento total e criterioso do tempo disponível, contrariando o cepticismo de muitos, tornou possível não só atingir os resultados operacionais previstos, como, nalgumas situações, ultrapassá-los. Foi um privilégio pessoal e profissional ter trabalhado no Hospital da Prelada Dr. Domingos Braga da Cruz, coordenando uma equipa de médicos altamente competentes e diligentes que sempre souberam responder aos que lhes foi solicitado, por vezes com sacrifício. Estou convicto que todos os que comigo estiveram nesse percurso, médicos, enfermeiros, auxiliares, administrativos, disfrutam do sentimento de serem responsáveis por uma Obra exemplar.

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A todos os actuais trabalhadores que dão vida ao Hospital da Prelada, herdeiros de um legado único na prestação de cuidados de Saúde, neste 30.º aniversário desejo o melhor bem-estar e o maior sucesso pessoal e profissional. Júlio Santos Ex-Diretor do Serviço de Ortopedia do Hospital da Prelada


UM SERVIÇO INOVADOR

O Serviço de Medicina Física e de Reabilitação do Hospital da Prelada, propriedade da Santa Casa da Misericórdia do Porto, assumiu características inovadoras, quer pelo regime de exclusividade de trabalho do seu Corpo Clínico, quer pela organização dos diferentes departamentos terapêuticos com a atribuição de tempos médios de tratamento por doente/sector e pela atribuição do número de doentes a tratar por terapeuta/sector. O objectivo do Serviço é a qualidade na prestação de cuidados de saúde a doentes com deficiências, lesões ou doenças que causam limitações funcionais, restabelecendo dentro do possível as funções físicas e mentais e restituindo ao indivíduo a capacidade para a sua reintegração sócio-familiar e profissional. O Serviço responde a solicitações do exterior e dos serviços clínicos do hospital. Ao Serviço de Medicina Física podem aceder utentes do SNS, ADSE, subsistemas de saúde e doentes privados. O Serviço dispõe de profissionais de comprovada competência pela sua elevada diferenciação técnico-científica. O Serviço iniciou o seu funcionamento em 17.10.1988, com a abertura do ambulatório. Numa óptica de desenvolvimento procede-se à abertura da primeira fase do internamento em Maio de 1989, com 50 camas, e posteriormente em Janeiro de 2007 à expansão do internamento que passa a ter 68 camas. O Serviço na sua velocidade de cruzeiro disponibilizava em média 10.000 consultas/ano, tratava em ambulatório cerca de 6.200 doentes/ano e tratava cerca de 290 doentes no internamento. Reformulando os processos de trabalho, implementaram-se: - As consultas diferenciadas – patologia do ombro, lesões do sistema nervoso central, lesões do sistema periférica, disfunção vesical neurogénea e disfunção sexual neurogénea. - Desenvolveram-se e aperfeiçoaram-se departamentos terapêuticos – terapia ocupacional, terapia da fala e cinesiterapia respiratória. - Desenvolveu-se o gabinete de estudos urodinâmicos. - Cria-se um novo ginásio no piso 0 para tratamento de doentes do ambulatório. - Individualizou-se o ginásio do piso 1 apenas para tratamento de doentes internados. - Apostou-se na realização de novas intervenções terapêuticas:

• Viscosuplementação em doentes artrósicos;

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• Doseamento e reenchimento de bombas de baclofeno intratecal em doentes com espasticidade grave generalizada;

• Aplicação de toxina botulínica na espasticidade localizada.

O Serviço participa na formação graduada e pós-graduada de diferentes grupos profissionais, forma os seus próprios internos e colabora na formação de estágios parcelares de internos de outros hospitais. Colabora com várias escolas de Enfermagem. Colabora com várias universidades na formação de Técnicos de Diagnóstico e Terapêutica, Terapeutas Ocupacionais e Terapeutas da Fala. Colabora na formação de Auxiliares de Acção Médica. Colabora na formação de Ajudantes Técnicos de Fisioterapia. A formação contínua é outro dos objectivos do Serviço, com a realização de reuniões científicas periódicas, cursos, congressos e programação de estágios. O Serviço colabora ainda em protocolos de investigação. Os nossos profissionais participam como docentes convidados na Faculdade de Medicina Desportiva, Universidade Fernando Pessoa, Faculdade de Psicologia e CESPU. O Serviço afirma-se como um Serviço de referência no âmbito da reabilitação; deste Serviço emanaram cinco futuros directores de Serviço, um na zona Centro (Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra) e quatro na zona Norte (Hospital Santos Silva, IPO Porto, Centro de Reabilitação do Norte e Hospital da Prelada). Não podemos também esquecer o seu quadro de Técnicos de Diagnóstico e Terapêutica e de Enfermagem, que se distinguiu na colaboração da formação de profissionais de várias Escolas. Uma palavra de reconhecimento para todos os que colaboraram e colaboram com o Serviço e uma palavra de Saudade para aqueles que já não estão entre nós. Manuela Pereira Leite Ex-Diretora de Serviço de Medicina Física e de Reabilitação do Hospital da Prelada


A ENFERMAGEM DO HOSPITAL DA PRELADA

Naturalmente será a última oportunidade que me é dada de, por escrito, poder expressar o meu “carinho” pelo Hospital da Prelada. Foi um empenhamento enorme aquando da sua abertura e ainda durante mais de 10 anos em que nele trabalhei – saí no final de 1998! Já se passaram quase 20 anos. Nunca deixei de vir à Prelada e sinto que as pessoas que ainda me conhecem, e são muitas, têm sempre uma novidade ou um segredo para me contar acerca do Hospital, que ouço religiosamente. Os tempos não são fáceis para quem aqui trabalha – mas nunca o foram – sendo certo que o facto de ter um emprego é por si só uma grande “chance”. Agora quero lembrar a todos os Enfermeiros, e que me desculpem os outros sectores hospitalares:

• que trabalham num Hospital que tem boas instalações;

• que é um Hospital higienicamente arejado e limpo – o chão parece um espelho; • que é um Hospital em que as pessoas se conhecem (e isto é muito importante);

• em que os Doentes são bem tratados;

• não há falta de materiais para tratar os Doentes;

• em que os familiares dos Doentes são atendidos e informados;

• em que a alimentação dos Doentes e do Pessoal obedece a padrões de qualidade;

• em que o fardamento ainda é agradável de usar;

• em que a Administração do Hospital tem procurado renovar os materiais deteriorados, etc., etc. Dos Enfermeiros que trabalham no Hospital quero salientar os que foram admitidos nos anos 80 e 90 – foram os que me ajudaram a fazer e a formar a Enfermagem do Hospital da Prelada. Para os mais novos formulo um desejo:

• não desistam de trabalhar no Hospital da Prelada;

• este Hospital há-de continuar a ser um bom Hospital, escolhido por muitos Doentes para nele serem tratados e, reconhecidamente, é um Hospital que tem bom Pessoal nos diferentes sectores, condição essencial para ser considerado um Hospital com qualidade.

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Um agradecimento especial aos Enfermeiros Maria da Graça Serôdio – Ida Maria Ribeiro – Isabel Carvalho – Maria de Fátima de Sousa – Lígia Oliveira – Maria da Graça Alves – Marta Figueiredo – Eduardo Braga – Ana Isabel Campos – Maria José Nozes Pires – António Pereira – David Reis – Filomena Maia – Maria José Peixoto – América Almeida, por terem continuado o trabalho por nós iniciado em 1988 – há 30 anos. Maria da Conceição Pinto de Almeida Ex-Enfermeira Geral do Hospital da Prelada


PARA OS ASTROS CAMINHOS ÁSPEROS

Falar do Hospital da Misericórdia do Porto – Hospital da Prelada – é falar de uma casa à qual dediquei alguns anos da minha vida e que vi nascer e crescer, dentro dos princípios que considero fundamentais na prestação de cuidados de saúde, sejam hospitais públicos, privados, misericórdias, e que se resumem num só “O respeito pela vida humana e consequentemente pelo doente”. Nos tempos de indiferença social em que vivemos, embora nunca como hoje proliferem as ditas Instituições de Solidariedade Social o que é reconfortante e até possa ser apaziguador de consciências, mas sentir que a acção da Misericórdia do Porto no Hospital da Prelada se mantém fiel aos princípios que são seu apanágio há alguns séculos, princípios esses que se consubstanciam na preocupação com o doente como a sua principal missão, missão essa que o Hospital da Prelada continua a cumprir na sua plenitude, é para mim motivo de regozijo e satisfação. Um sonho de um homem, Dr. Domingos Braga da Cruz, transformou-se numa realidade que já entrou para este século XXI. Contudo, não posso deixar de referir alguns nomes que considero basilares nesta nova fase da vida do Hospital da Prelada. Desde logo, Dr. Agostinho Pinto de Andrade e Enfermeira Pinto de Almeida, traves mestras do arranque deste processo. Depois os seus legítimos herdeiros, o actual Director Clínico Dr. António Adérito Varejão Pinto e a Enfermeira Isabel Carvalho, a que quero juntar o nome do Dr. Agostinho Branquinho, actual Administrador, profissionais firmes no cumprimento desta eterna missão. Também uma palavra de agradecimento ao Corpo Clínico e de Enfermagem, Técnicos dos Serviços de Auxiliar de Diagnóstico, Terapeutas, Auxiliares de Acção Médica e a todos os Administrativos e Colaboradores do Hospital da Prelada. Finalmente uma palavra para duas personalidades que, neste momento, e em representação de toda a Irmandade, dirigem o Hospital da Prelada. O Dr. António Canto Moniz, antigo Director Clínico e actual Vice-Provedor desta Irmandade e Presidente do Hospital da Prelada, a quem com a sua competência técnica se vai ultrapassando muitas dificuldades. Ao nosso Provedor Dr. António Tavares reconheço o decisivo papel na transformação do Hospital da Prelada no quadro do Serviço Nacional de Saúde. Não precisamos de recuar no tempo, desde o início dos mandatos do nosso Provedor, para ver a sua obra.

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À Mesa Administrativa, pelo apoio leal como sempre tem aprovado as deliberações tomadas. O Hospital da Prelada tem a única loja da ADSE do Porto, atendendo os beneficiários deste subsistema de saúde desde Maio de 2018. A obra fala por si. E, como dizia Voltaire, “O valor dos grandes homens mede-se pela importância dos serviços prestados”. A minha autoridade emana por ser o mais antigo Irmão da Misericórdia do Porto em funções. Deixo então aqui o meu testemunho com a firme convicção de que vamos continuar a saber servir quem precisa. Bem-haja Dr. António Tavares. Nuno Lacerda Irmão da Santa Casa da Misericórdia do Porto


PASSARAM 30 ANOS

Nos 500 anos da história da Santa Casa da Misericórdia do Porto, 30 anos é pouco tempo, no entanto esta unidade de saúde foi e será sempre uma referência dentro da Instituição. O Hospital da Prelada nasceu e iniciou a sua actividade com as dificuldades inerentes a um projecto novo, criado de raiz, com um funcionamento e uma gestão inovadores para a época. Um quadro clínico em exclusividade, com a possibilidade de exercer a clínica privada dos médicos nas instalações do hospital, incentivos à produção, tudo isto provocou discussão nessa época. O hospital baseou o seu quadro clínico em médicos originários do Hospital de St. António, um pequeno grupo de especialistas já com experiência, e todos os outros eram médicos recém especialistas. O crescimento do hospital foi acompanhado pelo desenvolvimento e apuro técnico dos seus médicos, que se foram impondo perante a comunidade científica e população em geral. A organização de toda a estrutura, os números de consultas efectuadas e o número de doentes operados, anualmente, por um reduzido número de médicos, foram sempre diferenciadores. A colaboração dada na formação de novos especialistas, vindos de outros hospitais, a formação de internos do próprio hospital, a publicação de trabalhos em revistas da especialidade, a realização de congressos com a presença de convidados estrangeiros de nomeada, foram sempre uma preocupação dos médicos, apesar do trabalho intenso efectuado diariamente. Em 2011, em plena crise económica, com a tomada de posse do actual Provedor, Doutor António Tavares, deu-se início a modificações profundas na gestão do hospital. Efectuaram-se acordos com todas as seguradoras e sub-sistemas, iniciou-se um processo de informatização de todo o hospital. Entraram, gradualmente, novos médicos permitindo uma renovação tranquila do corpo clínico, tentando sempre que se mantivesse o espírito de “médico da Prelada”. Ainda que continue a preponderância das áreas de especialidade principais, o hospital tem vindo a alargar a oferta de outras especialidades que têm aumentado, progressivamente, o seu movimento, ganhando importância no desempenho do hospital.

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Dentro do equilíbrio orçamental necessário tem-se feito um investimento grande em equipamento médico moderno e já se deu início ao novo plano director do hospital, que vai permitir criar uma unidade autónoma de cirurgia de ambulatório, melhorar significativamente o internamento e também dar melhores condições de trabalho aos profissionais. Deste modo vamos poder aumentar a nossa produtividade e oferta. Nesta importante data não posso deixar de lembrar os médicos que trabalharam no hospital desde o início e que, entretanto, se aposentaram: Júlio Santos, Antonello Ferraro, Isolino Ferreira da Silva, Azevedo Franco, Teixeira Sousa, Manuela Pereira Leite, Afonso Martins e Alípio Silva. A Jaime Lanhoso, Correia Pinho, Manuel Bertão e Rui Pimenta, entretanto falecidos, uma palavra de saudade. Cresci aqui como médico e como pessoa. Nestes 30 anos fui aqui feliz, tive desilusões, mas também muitos sucessos. Foi uma aposta que valeu a pena e que marca a minha vida. Varejão Pinto Diretor Clínico do Hospital da Prelada



/ imagem aérea do Hospital da Prelada / s.d. / © Alípio Moreira


/ Entrada ex-Lar D. Francisco de Noronha e Menezes / s.d. / © Alípio Moreira

/ Vista ex-Lar D. Francisco de Noronha e Menezes / s.d. / © Alípio Moreira


/ Hospital da Prelada em construção / s.d. © Alípio Moreira

/ Hospital da Prelada em construção / s.d. © Alípio Moreira

/ Pormenor da construção do Hospital da Prelada / s.d. © Alípio Moreira

/ Hospital da Prelada em construção / s.d. © Alípio Moreira

/ Hospital da Prelada em construção / s.d. © Alípio Moreira

/ Hospital da Prelada em construção / s.d. © Alípio Moreira


/ Hospital da Prelada em construção / s.d. / © Alípio Moreira

/ Hospital da Prelada em construção / s.d. / © Alípio Moreira

/ Hospital da Prelada em construção / s.d. / © Alípio Moreira


/ Área envolvente do futuro Hospital da Prelada / s.d. / © Alípio Moreira

/ Área envolvente do futuro Hospital da Prelada / s.d. / © Alípio Moreira


/ Jornal de Notícias / 22.09.1962 / © Alípio Moreira

/ Jornal de Notícias / 22.09.1962 / © Alípio Moreira


/ Jornal de Notícias / 22.09.1962 / © Alípio Moreira


/ Diário do Norte / s.d. / © Alípio Moreira


/ recorte de jornal não identificado / s.d. / © Alípio Moreira


/ Jornal de Notícias / 21.09.1962 / © Alípio Moreira


/ Diário Popular / 22.09.1962 / © Alípio Moreira

/ Diário de Notícias / 21.09.1962 / © Alípio Moreira


/ Jornal de Notícias / 09.03.1968 / © Alípio Moreira

/ Jornal de Notícias / 27.12.1969 / © Alípio Moreira


/ Jornal de Notícias / 27.12.1969 / © Alípio Moreira


/ Jornal de Notícias / 24.10.1987 / © Alípio Moreira


/ Jornal de Notícias / s.d. / © Alípio Moreira


/ Jornal de Notícias / 10.12.1968 / © Alípio Moreira


/ Jornal de Notícias / 10.12.1968 / © Alípio Moreira


/ O Comércio do Porto / 22.09.1962 © Alípio Moreira

/ O Século / 22.09.1962 / © Alípio Moreira


/ O Primeiro de Janeiro / 22.09.1962 / Š Alípio Moreira


/ Jornal de Notícias / 23.02.1976 / © Alípio Moreira


/ Jornal de Notícias / 27.12.1969 / © Alípio Moreira


/ Hospital da Prelada em construção / 19.02.1976 © Jornal de Notícias

/ Hospital da Prelada em construção / 19.02.1976 © Jornal de Notícias

/ Hospital da Prelada em acabamentos / 25.09.1980 © Jornal de Notícias

/ Hospital da Prelada em acabamentos / 25.09.1980 © Jornal de Notícias

/ Hospital da Prelada em acabamentos / 25.09.1980 © Jornal de Notícias

/ Hospital da Prelada em construção / 15.03.1973 © Jornal de Notícias

/ Hospital da Prelada em construção / 15.03.1973 © Jornal de Notícias

/ Hospital da Prelada em construção / 15.03.1973 © Jornal de Notícias


/ 10.º aniversário do Hospital da Prelada com descerramento de busto do Dr. Domingos Braga da Cruz / 27.11.1998 / © Jornal de Notícias


/ Inauguração do Hospital da Prelada / 26.11.1988 / © Jornal de Notícias

/ Inauguração do Hospital da Prelada / 26.11.1988 / © Jornal de Notícias

/ Inauguração do Hospital da Prelada / 26.11.1988 / © Jornal de Notícias


/ Inauguração do Hospital da Prelada / 26.11.1988 / © Jornal de Notícias

/ Inauguração do Hospital da Prelada / 26.11.1988 / © Jornal de Notícias

/ Inauguração do Hospital da Prelada / 26.11.1988 / © Jornal de Notícias


/ 20.º aniversário do Hospital da Prelada / 22.11.2008 © Misericórdia do Porto

/ 20.º aniversário do Hospital da Prelada / 22.11.2008 © Misericórdia do Porto

/ 20.º aniversário do Hospital da Prelada / 22.11.2008 © Misericórdia do Porto

/ 20.º aniversário do Hospital da Prelada / 22.11.2008 © Misericórdia do Porto

/ 20.º aniversário do Hospital da Prelada / 22.11.2008 © Misericórdia do Porto

/ 20.º aniversário do Hospital da Prelada / 22.11.2008 © Misericórdia do Porto

/ 20.º aniversário do Hospital da Prelada / 22.11.2008 © Misericórdia do Porto

/ 20.º aniversário do Hospital da Prelada / 22.11.2008 © Misericórdia do Porto


/ 20.º aniversário do Hospital da Prelada / 22.11.2008 © Misericórdia do Porto

/ 20.º aniversário do Hospital da Prelada / 22.11.2008 © Misericórdia do Porto

/ 20.º aniversário do Hospital da Prelada / 22.11.2008 © Misericórdia do Porto

/ 20.º aniversário do Hospital da Prelada / 22.11.2008 © Misericórdia do Porto

/ 20.º aniversário do Hospital da Prelada / 22.11.2008 © Misericórdia do Porto

/ 20.º aniversário do Hospital da Prelada / 22.11.2008 © Misericórdia do Porto

/ 20.º aniversário do Hospital da Prelada / 22.11.2008 © Misericórdia do Porto

/ 20.º aniversário do Hospital da Prelada / 22.11.2008 © Misericórdia do Porto


/ 20.º aniversário do Hospital da Prelada / 22.11.2008 © Misericórdia do Porto

/ 20.º aniversário do Hospital da Prelada / 22.11.2008 © Misericórdia do Porto

/ 20.º aniversário do Hospital da Prelada / 22.11.2008 © Misericórdia do Porto

/ 20.º aniversário do Hospital da Prelada / 22.11.2008 © Misericórdia do Porto


/ Homenagem colaboradores do Hospital da Prelada 26.11.2008 / © Misericórdia do Porto

/ Homenagem colaboradores do Hospital da Prelada 26.11.2008 / © Misericórdia do Porto

/ Homenagem colaboradores do Hospital da Prelada 26.11.2008 / © Misericórdia do Porto

/ Homenagem colaboradores do Hospital da Prelada 26.11.2008 / © Misericórdia do Porto

/ Homenagem colaboradores do Hospital da Prelada 26.11.2008 / © Misericórdia do Porto

/ Homenagem colaboradores do Hospital da Prelada 26.11.2008 / © Misericórdia do Porto


/ Homenagem colaboradores do Hospital da Prelada 26.11.2008 / © Misericórdia do Porto

/ Homenagem colaboradores do Hospital da Prelada 26.11.2008 / © Misericórdia do Porto

/ Homenagem colaboradores do Hospital da Prelada 26.11.2008 / © Misericórdia do Porto

/ Homenagem colaboradores do Hospital da Prelada 26.11.2008 / © Misericórdia do Porto

/ Homenagem colaboradores do Hospital da Prelada 26.11.2008 / © Misericórdia do Porto

/ Homenagem colaboradores do Hospital da Prelada 26.11.2008 / © Misericórdia do Porto


/ Homenagem colaboradores do Hospital da Prelada 26.11.2008 / © Misericórdia do Porto

/ Homenagem colaboradores do Hospital da Prelada 26.11.2008 / © Misericórdia do Porto

/ Homenagem colaboradores do Hospital da Prelada 26.11.2008 / © Misericórdia do Porto

/ Homenagem colaboradores do Hospital da Prelada 26.11.2008 / © Misericórdia do Porto

/ Homenagem colaboradores do Hospital da Prelada 26.11.2008 / © Misericórdia do Porto

/ Homenagem colaboradores do Hospital da Prelada 26.11.2008 / © Misericórdia do Porto


/ Descerramento placa evocativa 20.º aniversário do Hospital da Prelada / 26.11.2008 / © Misericórdia do Porto

/ Descerramento placa evocativa 20.º aniversário do Hospital da Prelada / 26.11.2008 / © Misericórdia do Porto

/ Descerramento placa evocativa 20.º aniversário do Hospital da Prelada / 26.11.2008 / © Misericórdia do Porto

/ Descerramento placa evocativa 20.º aniversário do Hospital da Prelada / 26.11.2008 / © Misericórdia do Porto

/ Descerramento placa evocativa 20.º aniversário do Hospital da Prelada / 26.11.2008 / © Misericórdia do Porto

/ Descerramento placa evocativa 20.º aniversário do Hospital da Prelada / 26.11.2008 / © Misericórdia do Porto


/ Descerramento placa evocativa 20.º aniversário do Hospital da Prelada / 26.11.2008 / © Misericórdia do Porto

/ Descerramento placa evocativa 20.º aniversário do Hospital da Prelada / 26.11.2008 / © Misericórdia do Porto

/ Descerramento placa evocativa 20.º aniversário do Hospital da Prelada / 26.11.2008 / © Misericórdia do Porto

/ Descerramento placa evocativa 20.º aniversário do Hospital da Prelada / 26.11.2008 / © Misericórdia do Porto

/ Descerramento placa evocativa 20.º aniversário do Hospital da Prelada / 26.11.2008 / © Misericórdia do Porto

/ Descerramento placa evocativa 20.º aniversário do Hospital da Prelada / 26.11.2008 / © Misericórdia do Porto


/ Ofertas aos doentes 20.º aniversário do Hospital da Prelada / 28.11.2008 / © Misericórdia do Porto

/ Ofertas aos doentes 20.º aniversário do Hospital da Prelada / 28.11.2008 / © Misericórdia do Porto

/ Ofertas aos doentes 20.º aniversário do Hospital da Prelada / 28.11.2008 / © Misericórdia do Porto

/ Ofertas aos doentes 20.º aniversário do Hospital da Prelada / 28.11.2008 / © Misericórdia do Porto

/ Ofertas aos doentes 20.º aniversário do Hospital da Prelada / 28.11.2008 / © Misericórdia do Porto

/ Ofertas aos doentes 20.º aniversário do Hospital da Prelada / 28.11.2008 / © Misericórdia do Porto


/ Encontro com médicos de família / 23.11.2013 © Misericórdia do Porto

/ Encontro com médicos de família / 23.11.2013 © Misericórdia do Porto

/ Encontro com médicos de família / 23.11.2013 © Misericórdia do Porto

/ Encontro com médicos de família / 23.11.2013 © Misericórdia do Porto

/ Encontro com médicos de família / 23.11.2013 © Misericórdia do Porto

/ Encontro com médicos de família / 23.11.2013 © Misericórdia do Porto


/ Encontro com médicos de família / 23.11.2013 © Misericórdia do Porto

/ Encontro com médicos de família / 23.11.2013 © Misericórdia do Porto

/ Encontro com médicos de família / 23.11.2013 © Misericórdia do Porto

/ Encontro com médicos de família / 23.11.2013 © Misericórdia do Porto

/ Encontro com médicos de família / 23.11.2013 © Misericórdia do Porto

/ Encontro com médicos de família / 23.11.2013 © Misericórdia do Porto


/ Encontro com médicos de família / 23.11.2013 © Misericórdia do Porto

/ Encontro com médicos de família / 23.11.2013 © Misericórdia do Porto

/ Encontro com médicos de família / 23.11.2013 © Misericórdia do Porto

/ Encontro com médicos de família / 23.11.2013 © Misericórdia do Porto

/ Encontro com médicos de família / 23.11.2013 © Misericórdia do Porto

/ Encontro com médicos de família / 23.11.2013 © Misericórdia do Porto


/ Encontro com médicos de família / 23.11.2013 © Misericórdia do Porto

/ Encontro com médicos de família / 23.11.2013 © Misericórdia do Porto

/ Encontro com médicos de família / 23.11.2013 © Misericórdia do Porto

/ Encontro com médicos de família / 23.11.2013 © Misericórdia do Porto


/ 22.º aniversário do Hospital da Prelada / 26.11.2010 © Misericórdia do Porto

/ 22.º aniversário do Hospital da Prelada / 26.11.2010 © Misericórdia do Porto

/ 22.º aniversário do Hospital da Prelada / 26.11.2010 © Misericórdia do Porto

/ 22.º aniversário do Hospital da Prelada / 26.11.2010 © Misericórdia do Porto

/ 22.º aniversário do Hospital da Prelada / 26.11.2010 © Misericórdia do Porto

/ 22.º aniversário do Hospital da Prelada / 26.11.2010 © Misericórdia do Porto

/ 22.º aniversário do Hospital da Prelada / 26.11.2010 © Misericórdia do Porto

/ 22.º aniversário do Hospital da Prelada / 26.11.2010 © Misericórdia do Porto


/ 22.º aniversário do Hospital da Prelada / 26.11.2010 © Misericórdia do Porto

/ 22.º aniversário do Hospital da Prelada / 26.11.2010 © Misericórdia do Porto

/ 22.º aniversário do Hospital da Prelada / 26.11.2010 © Misericórdia do Porto

/ 22.º aniversário do Hospital da Prelada / 26.11.2010 © Misericórdia do Porto

/ 22.º aniversário do Hospital da Prelada / 26.11.2010 © Misericórdia do Porto

/ 22.º aniversário do Hospital da Prelada / 26.11.2010 © Misericórdia do Porto

/ 22.º aniversário do Hospital da Prelada / 26.11.2010 © Misericórdia do Porto

/ 22.º aniversário do Hospital da Prelada / 26.11.2010 © Misericórdia do Porto


/ 22.º aniversário do Hospital da Prelada / 26.11.2010 © Misericórdia do Porto

/ 22.º aniversário do Hospital da Prelada / 26.11.2010 © Misericórdia do Porto

/ 22.º aniversário do Hospital da Prelada / 26.11.2010 © Misericórdia do Porto

/ 22.º aniversário do Hospital da Prelada / 26.11.2010 © Misericórdia do Porto

/ 22.º aniversário do Hospital da Prelada / 26.11.2010 © Misericórdia do Porto

/ 22.º aniversário do Hospital da Prelada / 26.11.2010 © Misericórdia do Porto

/ 22.º aniversário do Hospital da Prelada / 26.11.2010 © Misericórdia do Porto

/ 22.º aniversário do Hospital da Prelada / 26.11.2010 © Misericórdia do Porto


/ 22.º aniversário do Hospital da Prelada / 26.11.2010 © Misericórdia do Porto

/ 22.º aniversário do Hospital da Prelada / 26.11.2010 © Misericórdia do Porto

/ 22.º aniversário do Hospital da Prelada / 26.11.2010 © Misericórdia do Porto

/ 22.º aniversário do Hospital da Prelada / 26.11.2010 © Misericórdia do Porto


/ 22.º aniversário do Hospital da Prelada / 26.11.2010 / © Misericórdia do Porto

/ 22.º aniversário do Hospital da Prelada / 26.11.2010 © Misericórdia do Porto

/ 22.º aniversário do Hospital da Prelada / 26.11.2010 © Misericórdia do Porto

/ 22.º aniversário do Hospital da Prelada / 26.11.2010 © Misericórdia do Porto

/ 22.º aniversário do Hospital da Prelada / 26.11.2010 © Misericórdia do Porto


/ 23.º aniversário do Hospital da Prelada / 26.11.2011 / © Misericórdia do Porto

/ 23.º aniversário do Hospital da Prelada / 26.11.2011 / © Misericórdia do Porto

/ 23.º aniversário do Hospital da Prelada / 26.11.2011 / © Misericórdia do Porto


/ Serviço de Ortopedia do Hospital da Prelada / 24.10.2008 © Misericórdia do Porto

/ Serviço de Ortopedia do Hospital da Prelada / 24.10.2008 © Misericórdia do Porto

/ Serviço de Ortopedia do Hospital da Prelada / 24.10.2008 © Misericórdia do Porto

/ Serviço de Ortopedia do Hospital da Prelada / 24.10.2008 © Misericórdia do Porto

/ Serviço de Ortopedia do Hospital da Prelada / 24.10.2008 © Misericórdia do Porto

/ Serviço de Ortopedia do Hospital da Prelada / 24.10.2008 © Misericórdia do Porto


/ 24.º aniversário do Hospital da Prelada / 27.11.2012 / © Misericórdia do Porto

/ 24.º aniversário do Hospital da Prelada / 27.11.2012 / © Misericórdia do Porto

/ 24.º aniversário do Hospital da Prelada / 27.11.2012 / © Misericórdia do Porto


/ 27.º aniversário do Hospital da Prelada / 26.11.2015 / © Misericórdia do Porto

/ 27.º aniversário do Hospital da Prelada / 26.11.2015 © Misericórdia do Porto

/ 27.º aniversário do Hospital da Prelada / 26.11.2015 © Misericórdia do Porto

/ 27.º aniversário do Hospital da Prelada / 26.11.2015 © Misericórdia do Porto

/ 27.º aniversário do Hospital da Prelada / 26.11.2015 © Misericórdia do Porto


/ 27.º aniversário do Hospital da Prelada / 26.11.2015 © Misericórdia do Porto

/ 27.º aniversário do Hospital da Prelada / 26.11.2015 © Misericórdia do Porto

/ 27.º aniversário do Hospital da Prelada / 26.11.2015 © Misericórdia do Porto

/ 27.º aniversário do Hospital da Prelada / 26.11.2015 © Misericórdia do Porto


/ Inauguração do Hospital da Prelada / 26.11.1988 / © A. Pinto de Andrade

/ Inauguração do Hospital da Prelada / 26.11.1988 © A. Pinto de Andrade

/ Inauguração do Hospital da Prelada / 26.11.1988 © A. Pinto de Andrade

/ Inauguração do Hospital da Prelada / 26.11.1988 © A. Pinto de Andrade

/ Inauguração do Hospital da Prelada / 26.11.1988 © A. Pinto de Andrade


/ O Diabo / 06.12.1988 / © A. Pinto de Andrade

/ Jornal Público / 14.04.1991 / © A. Pinto de Andrade


/ O Primeiro de Janeiro / 27.11.1988 / © A. Pinto de Andrade

/ O Comércio do Porto / 27.11.1988 / © A. Pinto de Andrade


/ O Tempo / 07.12.1988 / Š A. Pinto de Andrade

/ Recorte de jornal / 07.12.1988 / Š A. Pinto de Andrade


/ O Comércio do Porto / 27.11.1988 / © A. Pinto de Andrade


/ O Século / 29.08.1989 / © A. Pinto de Andrade


/ O Comércio do Porto / 17.08.1989 © A. Pinto de Andrade

/ O Tempo / 23.02.1989 / © A. Pinto de Andrade


/ O Comércio do Porto / 17.02.1989 / © A. Pinto de Andrade


/ Expresso / 03.12.1988 / Š A. Pinto de Andrade


/ Dr. Domingos Braga da Cruz / s.d. / Š A. Pinto de Andrade



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SATISFAÇÃO NA PRIMEIRA PESSOA

Agradeço pela disponibilidade constante, a simpatia e o profissionalismo demonstrado por toda a equipa deste hospital. Obrigada! S. Domingues Doente do Hospital da Prelada

Quero agradecer a todos os colaboradores do serviço de Cirurgia Plástica pela simpatia, profissionalismo e dedicação. Ao longo destes trinta anos de atividade foi um orgulho compartilhar o local de trabalho com profissionais tão competentes e dedicados ao serviço dos doentes e da Instituição.

S. Alves Doente do Hospital da Prelada

José Manuel Rocha Coordenador do Serviço de Gestão de Doentes do Hospital da Prelada

Simpatia, eficiência, disponibilidade e vontade de ajudar. Obrigada a todos. S. Rocchi Doente do Hospital da Prelada

O Hospital da Prelada, ao longo destes 30 anos conseguiu combinar a tradição dos 500 anos da Santa Casa com a modernidade dos avanços da prática clínica, assente nos pilares da ética e dos mais elevados padrões de qualidade. Na senda da nobre Missão desta Santa Casa, continuamos a apoiar o País e somos um dos pilares do Serviço Nacional de Saúde e do Estado Social, ao serviço dos que de nós necessitam. O reconhecimento dos nossos doentes é a melhor prova que atuamos com respeito pela individualidade de cada doente, colocando à sua disposição não só todas as nossas competências técnicas, mas aquilo que mais nos diferencia, o “cuidado especial” que dedicamos a cada um. Luis Matos Administrador Executivo do Hospital da Prelada


Agradeço a toda a equipa de Medicina Física e de Reabilitação por todo o profissionalismo. Foram impecáveis. Um bem-haja! A. Leite Doente do Hospital da Prelada

Fico muito agradecida a todos os profissionais de saúde por terem feito com que um momento menos bom fosse muito mais fácil de ultrapassar. Muito obrigada do fundo do coração. H. Borges Doente do Hospital da Prelada

30 anos a fazer bem e diferente. O Hospital da Prelada foi-se construindo e reconstruindo até chegar ao que hoje é, um hospital respeitado e respeitável. Muito do mérito dessa consolidação fica a dever-se aos Enfermeiros e aos Auxiliares, que pelo seu exemplo e dedicação aos doentes, e denodo profissional, representam uma notável conjugação de profissionalismo e altruísmo. Durante três décadas foi possível formar um grupo profissional de enfermeiros competente, motivado e reconhecido interna e externamente. Longa vida ao Hospital da Prelada e a todos os seus colaboradores… Isabel Carvalho Enfermeira-Geral do Hospital da Prelada

Só posso agradecer a todos os profissionais, desde o segurança da entrada, às enfermeiras, auxiliares e aos médicos pelo amor, carinho e paciência que me dispensaram. A. Osório Doente do Hospital da Prelada

Agradeço a toda a equipa do serviço de Cirurgia pela paciência e pela forma carinhosa e meiga como me trataram. Obrigada. A. Dionísio Doente do Hospital da Prelada

Quero deixar o meu sincero agradecimento ao profissionalismo, dedicação e prontidão da equipa do Hospital da Prelada, que estão sempre a pensar na satisfação do doente. Parabéns! C. Reis Doente do Hospital da Prelada

Não posso deixar de parabenizar toda a equipa médica. O tratamento e o apoio que prestam é simplesmente extraordinário. Muito obrigada a todos. S. Costa Doente do Hospital da Prelada

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ENQUADRAMENTO HISTÓRICO 1988-2018


INTRODUÇÃO Quando, em novembro de 2015, o Provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto, António Tavares, convidou A. Pinto de Andrade para escrever a história do Hospital da Prelada, a propósito da comemoração do seu 30.º aniversário, o ex-Diretor do Hospital aceitou a incumbência com entusiasmo e até com emoção. O desejo e a necessidade de ver resguardadas muitas das memórias, que o tempo e o desaparecimento dos intervenientes faz fatalmente apagar, constituiu um indeclinável imperativo de conservação da história, conceção, concretização e desenvolvimento de um património que é da maior importância e significado para a Santa Casa da Misericórdia do Porto e para a cidade do Porto. E que honra a memória de todos aqueles que participaram neste projeto, desde o Provedor Domingos Braga da Cruz, até ao mais anónimo colaborador do Hospital da Prelada. A. Pinto de Andrade é uma das poucas pessoas ainda vivas que tiveram o privilégio de acompanhar e participar, desde os remotos tempos de 1974, no planeamento, na organização, no desenvolvimento e na direção do Hospital da Prelada. É, por isso, perfeitamente natural que sejam muitas as memórias que guarda e que lhe permitem dar testemunho vivo das esperanças postas neste hospital, assim como dificuldades que foi necessário ultrapassar e dos sucessos e êxitos alcançados. Ao registar por escrito estes testemunhos neste enquadramento histórico, esforçou-se para que as suas emoções não diminuíssem a sua imparcialidade, isenção e veracidade. Socorreu-se o mais possível da documentação em seu poder e de toda a que lhe foi disponibilizada e decidiu omitir toda a apreciação e valoração subjetiva de todos quantos são referidos neste texto, com exceção para com o Provedor Domingos Braga da Cruz. A celebração solene do 30.º aniversário do Hospital da Prelada e a publicação da sua história serve para prestar homenagem a todos os colaboradores do Hospital que tornaram possível que o sonho de Domingos Braga da Cruz se tornasse realidade e, mais do que isso, se tornasse um êxito que constitui um justificado motivo de orgulho para todos quantos trabalharam e trabalham neste Hospital, para a Santa Casa da Misericórdia do Porto e para a cidade do Porto. O Hospital da Prelada não pode deixar de se considerar um exemplo ímpar no panorama hospitalar. Este hospital, desde a sua abertura, apesar de afrontado por tantas dificuldades, soube afirmar-se e desenvolver-se, baseado na excelência do seu trabalho, organização, humanização e profissionalismo. A uma excecional produtividade e rentabilidade, sem qualquer paralelo com outro hospital nacional, soube sempre aliar os mais elevados padrões de qualida-

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de, conforme o atestam os vários prémios concedidos por entidades nacionais e pela contínua Acreditação e Certificação de todos os seus serviços, por duas das mais exigentes e prestigiadas entidades internacionais (CHKS e ISO 9001). A finalizar esta introdução, não podemos deixar de lembrar que esta unidade foi inovadora e pioneira em muitas áreas do panorama hospitalar nacional, marcos que muito justamente enriquecem o património histórico deste hospital, cujo testemunho se regista para que jamais seja esquecido.

ORIGENS O Hospital da Prelada deve a sua existência a um dos mais notáveis Provedores da Santa Casa da Misericórdia do Porto: Domingos Braga da Cruz. Em 1956, a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, pressionada pelo Governo de então, face às carências assistenciais do país e às exigências que se começaram crescentemente a sentir resultantes da nossa guerra em África, decidiu construir um grande Centro de Reabilitação no Alcoitão, que viria a ser solenemente inaugurado em 1966. Esta unidade obedecia aos mais altos padrões de qualidade, sendo considerada, à época, uma das melhores da Europa e constituiu um justificado motivo de orgulho para todo o país. No Norte, também desde há muito se sentiam grandes carências na área da Reabilitação, que pouco foram amenizadas pelo novo Centro do Alcoitão, já que este cedo se viu absorvido pela assistência naturalmente preferencial aos doentes das regiões mais próximas (Centro e Sul). É neste contexto que, em 1961, Domingos Braga da Cruz, com total apoio da Mesa Administrativa da Santa Casa da Misericórdia do Porto, decidiu construir no Porto uma grande unidade hospitalar com vocação maioritária para a Reabilitação. “Vamos construir o Alcoitão do Norte“, costumava assim dizer o Provedor. Ficou decidido o local, que seria na Quinta da Prelada D. Francisco de Noronha e Menezes, junto ao Lar de Convalescentes, então lá existente e que hoje é a Casa da Prelada, que alberga o Arquivo Histórico da Instituição. Para a elaboração do Programa e do Plano Diretor do hospital ficou encarregado o Grupo de Trabalho de Planeamento e Programação (GTPP) existente no Hospital Geral de Santo António (HGSA). As linhas mestras deste programa obedeciam ao objetivo de instalar um grande serviço de Reabilitação com todas as valências e, acessoriamente, um serviço de Ortopedia e um de Cirurgia Plástica e Reconstrutiva, a transferir do HGSA, e uma Unidade de Queimados, a primeira a ser construída no Norte.


Previa-se que seriam necessários 12 médicos a trabalhar em regime de residência de 24 horas, pelo que o projeto contemplava as respetivas instalações que foram, posteriormente, aproveitadas para consultórios e sala de espera da atual zona do Atendimento Permanente. Recorde-se que o HGSA, sendo propriedade da Santa Casa da Misericórdia do Porto, era nessa altura também por esta Instituição gerido e administrado, sendo seu Diretor o Provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto, Domingos Braga da Cruz. Encarregou-se do projeto o Arquiteto António Afonso, profissional de reconhecidos méritos, com larguíssima experiência na área da projeção e construção de edifícios hospitalares, e técnico da Direção-Geral das Construções Hospitalares do Ministério da Saúde. Uma obra desta dimensão e qualidade ultrapassava as disponibilidades financeiras da Santa Casa da Misericórdia do Porto, pelo que se tornaram necessárias as demoradas e persistentes diligências junto do Estado para obtenção de ajuda financeira, até que ficasse assegurada uma comparticipação através de uma verba retirada das receitas do Totobola. Reuniram-se, assim, as condições necessárias para que se pudesse iniciar a construção do Hospital da Prelada em 1971. As obras foram evoluindo a um ritmo satisfatório e, em 1974, a Santa Casa da Misericórdia do Porto nomeou uma “Comissão para o Estudo do Equipamento do Hospital da Prelada”, a primeira de que temos registo.

O HOSPITAL DA PRELADA E A NACIONALIZAÇÃO DOS HOSPITAIS Em 1975 deu-se, em todo o país, à nacionalização dos Hospitais Centrais e Distritais, pelo que ficou a gestão e administração do HGSA em posse do Estado, o que arrastou, em consequência, que a gestão e a decisão dos serviços a instalar no futuro Hospital da Prelada passassem a ser da responsabilidade do Estado, embora o seu edifício, tal como o do HGSA, continuasse propriedade da Santa Casa da Misericórdia do Porto. Por esta razão, a obra continuou a fazer-se sob a responsabilidade da Santa Casa da Misericórdia do Porto, o que lhe provocou grandes dificuldades financeiras, que se tornaram insuperáveis quando foi cortado o apoio da verba oriunda do Totobola, em 1983. A obra foi então prosseguindo lentamente e só possível com um profundo endividamento da Santa Casa da Misericórdia do Porto. Em 1981, seis anos após a nacionalização dos hospitais, estando assente a con-

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sequente gestão do Hospital da Prelada pelo Estado, foi nomeada, por Despacho de 19 de novembro de 1981 do Secretário de Estado da Saúde, uma Comissão Paritária para o Hospital da Prelada, constituída por três elementos propostos pela Santa Casa da Misericórdia do Porto – Manuel Leal Freire (Vice-Provedor), Horácio de Carvalho (Vice Secretário-Geral) e Valdemar Maia – e três elementos propostos pelo HGSA – Pinto de Andrade (Diretor do Hospital), Luís de Carvalho (GTPP) e Costa e Almeida (Administrador) –, para acordarem no desenvolvimento e implementação do Programa e do Plano Diretor do Hospital da Prelada, e nas eventuais alterações ao Projeto Arquitetónico. Esta comissão passou a reunir-se regularmente, as primeiras vezes ainda no antigo Lar de Convalescentes (atual Casa da Prelada) e, posteriormente, já nas instalações do Hospital da Prelada. Como se pode constatar, um dos elementos pelo HGSA foi o seu, então, Diretor que, muito mais anos depois, viria a ser nomeado o primeiro Diretor Clínico do Hospital da Prelada.

MISERICÓRDIA DO PORTO RECUPERA A GESTÃO DO HOSPITAL DA PRELADA A Santa Casa da Misericórdia do Porto não se conformou com as consequências da nacionalização do HGSA, em particular com as que dizem respeito à gestão do Hospital da Prelada, e foi mantendo firmes negociações com o Governo, fazendo valer a justeza das suas razões e convicções, até que por fim, em 1987, sendo Luís Barbosa o Ministro dos Assuntos Sociais e Paulo Mendo o Secretário de Estado da Saúde, se chegou a acordo entre a Santa Casa da Misericórdia do Porto e o Estado e se fez publicar um Despacho no Diário da República em que ficou “acordado entre o Ministério da Saúde e a Santa Casa da Misericórdia do Porto que o Estado abdicava da gestão do Hospital da Prelada, confirmando que é a Santa Casa da Misericórdia do Porto a responsável pela sua gestão e administração, competindo-lhe definir e instalar os serviços do HP, com o compromisso de prestar assistência na área de Ortopedia, Cirurgia Plástica e Reconstrutiva, Medicina Física e Reabilitação e Queimados, melhorando em conforto e quantidade de actos a oferta até então feita pelo HGSA”. A fim de mostrar o seu interesse na concretização de todo este projeto, e para incentivar a abertura do novo hospital, o então Primeiro-Ministro, Aníbal Cavaco Silva, visitou o Hospital da Prelada, já em fase final de construção, acompanhado pela Ministra da Saúde, Leonor Beleza, em 14 de fevereiro e em 19 de junho de 1987. Mas esta decisão de devolver a gestão do novo hospital à Santa Casa da Misericórdia do Porto, sua legítima proprietária, ao fim de 12 longos anos (desde


a nacionalização em 1975), veio perturbar a enorme esperança e a profunda convicção que se havia instalado na generalidade dos profissionais dos serviços de Medicina Física, Ortopedia e Cirurgia Plástica do HGSA, de que todos iriam ser transferidos para o Hospital da Prelada, sem serem submetidos a qualquer processo de escolha ou seleção. Readquirida a posse da administração e gestão do novo hospital pela Santa Casa da Misericórdia do Porto, cabendo em consequência a esta Instituição o recrutamento e a seleção dos profissionais para trabalharem no Hospital da Prelada, instalou-se uma profunda frustração e revolta nos profissionais, em particular dos médicos que não foram escolhidos para o novo hospital. Esta frustração e revolta fez-se sentir através de uma longa e persistente campanha pública de difamação e injúria, que se iniciou com a abertura do Hospital da Prelada e se personalizou contra a pessoa do recém-nomeado Diretor Clínico. Perante as grandes dificuldades financeiras, a Santa Casa da Misericórdia do Porto não dispunha de recursos para finalizar os últimos acabamentos na construção e, principalmente, para aquisição de todo o vasto e dispendioso equipamento hospitalar. Para resolver esta delicada situação, e com a ajuda do Governo de então, a Santa Casa da Misericórdia do Porto procurou o apoio da Fundação Luso-Americana (FLAD), de que era então Presidente Rui Machete. Para o efeito, deslocou-se à FLAD, em agosto de 1988, uma representação da Santa Casa da Misericórdia do Porto constituída pelo então Vice-Provedor José Luis Novaes, pelo Mesário Jorge Calheiros e pelo recém-nomeado Diretor Clínico A. Pinto de Andrade. Desta reunião resultou a concessão, por parte da FLAD, de um empréstimo à Santa Casa da Misericórdia do Porto no valor de 600.000 contos (3 milhões de euros) a um juro muito favorável e a ser pago em dez anos. No início de 1988 estabeleceram-se os princípios orientadores do protocolo a celebrar entre o Ministério da Saúde e a Santa Casa da Misericórdia do Porto, definindo-se que o pagamento dos serviços que o Hospital da Prelada iria realizar para o Estado teria como base a tabela dos Grupos de Diagnóstico Homogéneos (GDH), ficando desde logo assente que o novo hospital ficaria integrado na rede dos hospitais do Serviço Nacional da Saúde. Em 24 de outubro de 1988 foi assinado o Acordo de Cooperação entre o Ministério da Saúde e a Santa Casa da Misericórdia do Porto, que determinou no seu ponto n.º 1 que o Hospital da Prelada ficava integrado na rede hospitalar nacional e, no seu ponto n.º 16, que “o SNS suporta os custos de tratamento dos doentes no Hospital em regime de internamento, de harmonia com o método (tabela) dos Grupos de Diagnóstico Homogéneos, nos termos e condições referidos no Anexo ao presente Acordo e que dele faz parte integrante”.

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O ponto 3 do Anexo III do Acordo de Cooperação, assinado em 4 de janeiro de 1990, veio estabelecer que a forma de financiamento dos doentes do SNS internados no serviço de Medicina Física e de Reabilitação e os doentes internados na Unidade de Queimados seria determinado pelo seu custo real aceite como razoável e justificado pelo Hospital da Prelada. Por sua vez, para obviar às necessidades de tesouraria para os primeiros três meses de funcionamento do hospital, o Ministério da Saúde concedeu um adiantamento de 120.000 contos mensais (600.000 euros) sobre a faturação referente à atividade que o hospital se comprometesse a desenvolver e a pagar ao longo dos doze meses seguintes, conforme o estipulado no ponto n.º 4 do Anexo I do Acordo de Cooperação. O empréstimo recebido da FLAD e o adiantamento do Ministério da Saúde foram escrupulosamente pagos dentro dos prazos e das condições estabelecidas.

ACORDO DE COOPERAÇÃO Em 5 de abril de 1991, o Ministério da Saúde determinou que os doentes do serviço de Medicina Física e de Reabilitação passassem a ser pagos de acordo com o estabelecido na Portaria 409/1990 do Ministério da Saúde, com efeitos desde 1 de janeiro de 1990. Em 18 de setembro de 1992, o Ministro da Saúde autorizou que o Hospital da Prelada passasse a receber doentes do Serviço Nacional de Saúde nas valências de Cirurgia Geral e Urologia. Em 24 de maio de 1993, novo Despacho do Ministério da Saúde que aprovou várias matérias, das quais se destacam: • atualização do limite da faturação mensal para 189.000 contos (943.000 euros); • pagamento dos doentes internados na Unidade de Queimados pela Tabela dos GDH com efeitos desde 1 de janeiro de 1993; • indicação de que, no futuro, a percentagem do aumento do limite da faturação pelo Hospital da Prelada seria sempre igual à do aumento do financiamento dos Hospitais Centrais. A evolução do limite da faturação mensal ao Serviço Nacional de Saúde, através do Departamento de Gestão Financeira do Ministério da Saúde (IGIF), foi a seguinte: • Até dezembro de 1989: 70.000 contos/mês (350.000 euros); • De janeiro a dezembro de 1990: 110.000 contos/mês (550.000 euros);


• De 01 de janeiro de 1991 a 30 de setembro de 1992: 150.000 contos/mês (750.000 euros); • De 01 de outubro de 1992 a 31 de maio de 1993: 180.000 contos/mês (900.000 euros); • De 01 de junho de 1993 a 30 de junho de 1995: 189.000 contos/mês (945.000 euros); • A partir de 01 de julho de 1995: 283.000 contos/mês (1.415.000 euros); • Em 2004: 2.880.000 euros/mês (34.600.000 euros/ano); • Em 2012: 3.375.000 euros/mês (40.500.000 euros/ano); • Em 2014: 2.520.000 euros/mês (30.270.000 euros/ano).

UMA NOVA GESTÃO HOSPITALAR Em finais de julho de 1988, o então Provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto, Brigadeiro Ayres Martins, procedeu, por entrevista pessoal, aos convites para os primeiros Diretores de Serviço: Pinto de Andrade para Diretor Clínico, acumulando com a direção do serviço de Ortopedia; Manuela Pereira Leite para Diretora do serviço de Medicina Física e de Reabilitação; Antonello Ferraro para Diretor do serviço de Cirurgia Plástica e Reconstrutiva. É convidada para Enfermeira-Geral a Enfermeira Pinto de Almeida. É de toda justiça recordar aqui a elevada estatura e superior visão do Provedor Brigadeiro Ayres Martins, que soube delegar e dar a maior liberdade de atuação aos responsáveis nomeados, o que contribuiu poderosamente para a rápida entrada em funcionamento do hospital e para uma organização homogénea e consistente. O Diretor Clínico assumiu a responsabilidade e o compromisso de organizar e pôr em funcionamento um hospital do mais elevado padrão científico, e com produtividade e rentabilidade que assegurasse a sua sustentabilidade e viabilidade, e os serviços comprometidos com a maior humanização. Para assegurar a concretização destes objetivos, o Diretor Clínico elaborou um conjunto de normas e princípios que foram aprovados em 18 de agosto de 1988 pelo recém-criado Conselho Geral do Hospital da Prelada, permitindo que se desse início a um modelo de gestão hospitalar inédito ao nível nacional. Das linhas mestras desse modelo, destaca-se: • Exclusividade recíproca de local de trabalho para os Médicos. Isto significava que os médicos que ficassem a pertencer ao quadro do hospital só podiam exercer qualquer tipo de atividade médica no Hospital da Prelada. Por sua vez, no hospital só podiam trabalhar os médicos pertencentes ao seu quadro.

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Excetuavam-se as necessidades pontuais de colaboração de especialistas de valências não existentes no hospital. • Autorização para os médicos do quadro do hospital exercerem clínica privada no próprio hospital, fora do horário normal de serviço. • Atribuição de Prémios de Produtividade para os grupos profissionais considerados, nessa altura, mais diretamente responsáveis pela rentabilidade do hospital.

• Organização do hospital por serviços, com quadro próprio.

• Dependência hierárquica e funcional de todos os grupos profissionais de atividade médica à Direção Clínica (médicos, enfermeiros e técnicos). O órgão de gestão do hospital, desde 1988 até janeiro de 2011, foi o Conselho de Gerência, constituído por Diretor Clínico, Administrador e Mesário nomeado pela Mesa Administrativa, que o preside. O Conselho de Gerência respondia em primeira linha ao Conselho Geral do hospital, constituído por Provedor, Vice-Provedores, Mesário Secretário-Geral, Mesário Tesoureiro-Geral e Mesário-Presidente do Conselho de Gerência, Diretor Clínico e Administrador do hospital (estes dois últimos sem direito de voto). Em fevereiro de 1996, o Conselho de Gerência passou a ser constituído por Mesário Presidente, Diretor Clínico, Administrador e Enfermeira-Geral. A partir de janeiro de 1999, a composição do Conselho de Gerência regressou ao modelo anterior. Por princípio, as reuniões do Conselho Geral com o Conselho de Gerência eram quinzenais e as suas deliberações eram obrigatoriamente submetidas a aprovação da Mesa Administrativa. Foi nomeado Administrador do hospital Silveira Botelho, da empresa “Hospitália”, contratada a partir de agosto de 1988, para a área administrativa, instalações e equipamentos. Para facilitar a transferência de profissionais do HGSA para o Hospital da Prelada, em 5 de setembro de 1988 foi publicado um aviso no Boletim Informativo do HGSA, no qual se noticiava que era concedida licença em Comissão de Serviço aos profissionais que desejassem trabalhar no Hospital da Prelada, o que lhes permitiu manter todos os vínculos laborais e assistenciais do Estado. Em novembro de 2007, o Conselho de Gerência do hospital passou a ter nova composição: Mesário-Presidente, Mesário Vice-Presidente, Diretor Clínico, Diretor Clínico-Adjunto e Administrador. A partir de 1 de setembro de 2011, os órgãos de Administração e Gestão do Hospital da Prelada passaram a ser o Conselho de Gestão da Saúde e a Comissão de Apoio Executivo, constituída por Mesário que a presidia, Administrador Executivo, Diretor Clínico e o Controller Financeiro e Operacional da Saúde. Deixou de


existir o Conselho de Gerência e o Conselho Geral. Atualmente existe um Conselho Executivo, constituído por Mesário que o preside, Vice-Presidente, Administrador Executivo e Diretor Clínico. Este Conselho Executivo reporta ao Conselho de Administração da Saúde da Misericórdia do Porto, presidido pelo Provedor, e que integra os Conselhos Executivos das unidades operacionais de saúde.

ABERTURA E INAUGURAÇÃO Com a determinação e o profissionalismo postos em conjunto por Direção Clínica, Diretores dos serviços e empresa “Hospitália”, foi possível em cinco semanas dotar o hospital com os recursos humanos, técnicos e equipamento, de modo a poder receber os primeiros doentes em 17 de outubro de 1988 na Consulta Externa, nas valências de Ortopedia, Cirurgia Plástica e Medicina Física e de Reabilitação. Os serviços de Internamento de Ortopedia e Cirurgia Plástica abriram a 24 de outubro de 1988 e a primeira intervenção cirúrgica foi realizada no dia seguinte. O hospital, à data da sua abertura, tinha ao seu serviço cerca de 146 colaboradores, entre os quais 22 médicos, 27 enfermeiros, 2 técnicos superiores, 1 assistente social, 8 técnicos paramédicos, 2 informáticos e 23 auxiliares de ação médica, distribuídos pelos seguintes Serviços: • Internamento: Ortopedia (42 camas de enfermaria e 8 quartos particulares no piso 5), Cirurgia Plástica e Reconstrutiva (42 camas de enfermaria e 6 quartos particulares no piso 2); • Outros Serviços: Anestesia, Medicina Física e de Reabilitação (Ambulatório), Bloco Operatório (2 salas de operações e 1 sala de recobro), Sala de Operados, Medicina Interna, Hemoterapia, Farmácia, Patologia Clínica, Radiologia Convencional, Esterilização Central, Aprovisionamento, Recursos Humanos, Contabilidade e Faturação, Instalações e Equipamentos, Serviços Gerais, Rouparia, Serviço de Doentes (Internamento), Consulta Externa, Serviço Social, Informática e Gabinete de Codificação Clínica. Os serviços de Restauração, Lavandaria, Limpeza e Segurança eram fornecidos por empresas externas. A data da inauguração oficial do hospital é acordada com o Governo para o dia 26 de novembro de 1988, tendo estado presentes: Primeiro-Ministro, Aníbal Cavaco Silva; Vice-Primeiro-Ministro, Eurico de Mello; Ministra da Saúde, Leonor Beleza; Ministro do Plano e do Ordenamento do Território, Valente de Oliveira; Ministro do Emprego e da Segurança Social, Silva Peneda; Arcebispo-Bispo do

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Porto, Sua Exa. Rev.ma Júlio Rebimbas; Provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto, Brigadeiro Ayres Martins; Vice-Provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto, José Luís Novaes; elementos da Mesa Administrativa, da Assembleia Geral e do Definitório da Santa Casa da Misericórdia do Porto; autoridades civis e militares; diretores dos principais hospitais da região. A inauguração do Hospital da Prelada iniciou-se pela bênção das instalações pelo Arcebispo-Bispo do Porto e pelo descerramento de uma placa alusiva a Domingos Braga da Cruz, consagrando assim o seu nome ao hospital, a que se seguiu uma visita pelos membros do Governo e demais convidados, finalizada com uma sessão solene no ginásio da Medicina Física e de Reabilitação, especialmente preparado para o efeito. O Mesário Secretário-Geral da Santa Casa da Misericórdia do Porto apresentou os oradores: Provedor e Vice-Provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto, Diretor Clínico do hospital, Ministra da Saúde e Primeiro-Ministro.

EVOLUÇÃO Face à procura crescente por parte da população, em janeiro de 1989 o serviço de Ortopedia passou a ocupar também o piso 4, aumentando a sua lotação em mais 42 camas de enfermaria e 8 quartos particulares. Em maio do mesmo ano abriu o Internamento do serviço de Medicina Física e de Reabilitação no piso 1, com a lotação de 21 camas de enfermaria e 4 quartos particulares. A lotação ficou concluída em janeiro de 1990 com 37 camas de enfermaria e 8 quartos particulares. Durante o ano de 1989, o Bloco Operatório foi aumentado com mais duas salas de operações tendo, no final do ano de 1991, entrado em funcionamento mais uma sala, perfazendo um total de cinco salas nesse ano. Em fevereiro de 1994 passou a ter a sexta sala de operações. O serviço de Ortopedia aumentou a sua lotação em setembro de 1991, com a abertura da Ala Nascente do piso 3, com mais 21 camas de enfermaria e 4 quartos particulares. Esta localização foi substituída em 1992 pela Ala Poente do piso 6. Em 19 de julho de 1991 o Hospital da Prelada solicitou, por ofício ao Ministério da Saúde, um aditamento ao Acordo de Cooperação, de modo a que também fosse possível ao hospital tratar doentes das especialidades de Cirurgia Geral e Urologia. Após os necessários estudos e audições de múltiplos setores, e diligências junto de responsáveis dos Centros de Saúde, foi possível obter autorização de modo a permitir que o Hospital da Prelada abrisse às populações o seu novo serviço de


Cirurgia Geral e Urologia em janeiro de 1993. Nesta data abriu, ainda, a Consulta Externa de Cirurgia Geral e Urologia. Duas semanas depois o seu Internamento. Estas duas novas valências estavam reunidas num só serviço e utilizavam camas disponíveis nos pisos 5 e 6. Só em março de 1994, ou seja um ano depois, o serviço de Cirurgia Geral e Urologia passou a ter instalações próprias na Ala Nascente do piso 6, ficando a dispor de 21 camas de enfermaria e 4 quartos particulares. A partir de 1 de setembro de 2007, o serviço de Ortopedia foi dividido em dois serviços: Ortopedia 4 instalado no piso 4 e Ortopedia 5 instalado no piso5, cada um com o seu próprio Diretor e Enfermeiro-Chefe. A partir de janeiro de 2011 voltou a existir um só serviço de Ortopedia.

RECURSOS HUMANOS À data da abertura, em outubro de 1988, o Hospital da Prelada tinha ao seu serviço 146 colaboradores. No final de 1989 trabalhavam 333 colaboradores, dos quais 26 médicos, 72 enfermeiros, 60 administrativos, 60 auxiliares de ação médica e 17 operários, para uma lotação de 181 camas (155 camas de enfermaria e 26 quartos particulares), a que corresponde um ratio de 1,8 funcionário/cama. Um ano mais tarde, em 1990, o número de colaboradores passou a ser de 384, dos quais 28 médicos, 118 enfermeiros, 25 técnicos paramédicos, 64 administrativos, 94 auxiliares de ação médica, 17 operários e 38 outros (porteiros, telefonistas, motorista, etc.), para uma lotação de 226 camas, a que correspondia um ratio de 1,6 funcionário/cama. Em 1991 a situação não sofreu alteração significativa, apenas mais dois médicos e um enfermeiro. No final de 1992, o pessoal do hospital era constituído por 406 colaboradores: 32 médicos, 130 enfermeiros, 29 técnicos paramédicos, 62 administrativos, 101 auxiliares de ação médica, 17 operários e 35 outros funcionários. Verificou-se um pequeno aumento da lotação do hospital, mais cinco camas, constatando-se um ratio de 1,75 colaborador/cama. Em 31 de dezembro de 1993, o Hospital da Prelada tinha ao seu serviço 422 colaboradores: 33 médicos, 143 enfermeiros, 28 técnicos paramédicos, 19 operários e 37 outros funcionários. Manteve-se inalterada a sua lotação, pelo que o ratio passou a ser de 1,8 colaborador/cama. Em dezembro de 1994, o número de colaboradores passou para 462: 37 médicos, 160 enfermeiros, 27 técnicos paramédicos, 67 administrativos e 113 auxiliares de ação médica. O ratio passou a ser de 2 colaborador/cama.

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Registe-se que, em cada ano, de 1988 a 1994, o grupo profissional que mais regularmente cresceu foi o da enfermagem, seguido do pessoal auxiliar. Em 2012 o quadro era constituído por 485 colaboradores: 40 médicos, 159 enfermeiros, 91 administrativos e 126 auxiliares. Em 2016, o número total de colaboradores do hospital era de 466: 40 médicos, 170 enfermeiros e 126 auxiliares. Em agosto de 1995 foi aprovado o regulamento do pessoal de enfermagem, dos técnicos de diagnóstico e terapêutica e dos auxiliares de técnicos de fisioterapia, com regras para atribuição dos prémios de produtividade e de progressão horizontal na carreira. Já em 16 de outubro de 2006 iniciou a atividade do Núcleo de Formação do Hospital da Prelada, constituído por Diretor Clínico-Adjunto, Diretora do serviço de Recursos Humanos e um secretário. As suas atribuições principais consistiam em:

• Efetuar o registo de todos os estagiários presentes no hospital;

• Elaborar as folhas de registo de presença para os estagiários nos serviços;

• Elaborar o plano anual das ações de formação obrigatória para todos os colaboradores;

• Elaborar os registos da frequência das ações de formação;

• Assegurar a ligação com o Centro de Formação da Santa Casa da Misericórdia do Porto;

• Promover o intercâmbio no âmbito da formação com outras instituições.

PRODUTIVIDADE E RENTABILIDADE Assegurados os recursos financeiros, os recursos humanos, os recursos técnicos e de equipamento, e bem definidas e estabelecidas as normas de funcionamento, perante a incredulidade de diversos setores, em particular a generalidade da opinião médica e até de Irmãos da Santa Casa da Misericórdia do Porto, cerca de um mês após a sua abertura, a atividade assistencial do hospital atingiu os valores considerados necessários para assegurar a sua sobrevivência e que vieram confirmar a razão da confiança que o Ministério da Saúde, a FLAD e os responsáveis da Santa Casa da Misericórdia do Porto tinham depositado nos colaboradores que tinham assumido a responsabilidade de preparar e pôr em funcionamento, em novos moldes, um hospital: • 480 Operações/mês; • 3.000 Consultas/mês; • 500 Doentes/dia em tratamento no Ambulatório de Medicina Física e de Reabilitação.


Em 30 de abril de 1989, ou seja, decorridos cerca de seis meses após a sua abertura, a Direção Clínica teve a justificada emoção de comunicar por ofício à Mesa Administrativa da Santa Casa da Misericórdia do Porto que se havia realizado, no Hospital da Prelada, a milésima operação de Ortopedia. Em dezembro de 1988, com o objetivo de cumprir as condições contratuais com o Ministério da Saúde que estabeleciam que o Hospital da Prelada ficava obrigado a receber os doentes transferidos do Serviço de Urgência do HGSA, celebrou-se entre estes hospitais um Protocolo de Cooperação para doentes de Ortopedia. Em março de 1989 celebrou-se outro protocolo, desta feita com o Hospital de S. João, com vista à transferência de doentes em lista de espera do serviço de Cirurgia Plástica daquele para o Hospital da Prelada, conforme instruções recebidas do Ministério da Saúde por ofício n.º 100026 de 13 de fevereiro desse ano. Reunidas as condições logísticas e assegurados os exigentes recursos técnicos e humanos, em junho de 1989 foi aberta a Unidade de Queimados com oito camas, sendo então a única no Norte do país, após se terem firmados protocolos de cooperação com os Serviços de Urgência de todos os hospitais da região. Em novembro de 1989 procedeu-se à bênção e abertura da Capela Privativa. Em 1991 entrou em funcionamento, em fase experimental, um “Serviço de Atendimento Permanente”, das 08h00 às 20h00 nos dias úteis, a que se chamou “Trauma Center”, destinado a doentes privados para as valências existentes no hospital. Passados cerca de 12 meses, este serviço foi suspenso devido à impossibilidade dos médicos conciliarem a necessária disponibilidade com a restante e mais importante atividade do hospital. Desde a abertura do Hospital da Prelada que o acordo estabelecido entre a Santa Casa da Misericórdia do Porto e o Ministério da Saúde vinha sendo motivo de acesa polémica e interpretações incorretas por parte de todos quantos se opunham ao projeto do Hospital da Prelada. Destacavam-se as forças políticas da oposição ao Governo e significativa parte da opinião médica nacional, nomeadamente a Ordem dos Médicos, que então estava em conflito aberto com a Ministra da Saúde pelo facto deste querer instituir nos hospitais públicos o regime de exclusividade para os médicos. E o Hospital da Prelada tinha sido o primeiro (e único ao nível nacional) a instituir esse regime, por partilhar, com a mais profunda convicção, a necessidade dessa medida. Os opositores acusavam também, com a maior veemência, o Ministério da Saúde de conceder subsídios ao hospital, confundindo assim o adiantamento com a concessão de um subsídio; adiantamento esse que o hospital se comprometia a reembolsar ao ministério. Esta questão foi de tal modo exaltada que, em 1993, a Comissão Parlamentar da Saúde decidiu convocar o Diretor Clínico do Hospital

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da Prelada para audição parlamentar na Assembleia da República. Nesta audição ficaram desfeitas todas as dúvidas e foi dada ao Diretor Clínico a oportunidade de informar os deputados, membros daquela comissão, dos altos índices de produtividade e rentabilidade e dos novos princípios da gestão hospitalar aplicados pela primeira vez no país. Demonstrou-se que os custos para o Estado dos doentes tratados no Hospital da Prelada ficavam cerca de 30 a 40% abaixo do que os custos que teriam caso fossem tratados nos hospitais centrais ou especializados do setor público. O resultado da audição levou a que aquela Comissão convidasse o Diretor Clínico do Hospital da Prelada, em 28 de maio de 1996, para proferir uma conferência sobre este tema, num fórum promovido pela Comissão Parlamentar da Saúde na Assembleia da República. Em 1998, decorridos dez anos da abertura do Hospital da Prelada, a produtividade foi a seguinte:

• 666 Operações/mês;

• 4.442 Consultas/mês;

• 686 Doentes com Alta do Internamento/mês;

• 650 Doentes/dia em tratamento no Ambulatório de Medicina Física e de Reabilitação.

COEXISTÊNCIA DO SETOR PÚBLICO COM O SETOR PRIVADO Outra acusação proferida contra o Hospital da Prelada era que os doentes do Serviço Nacional de Saúde ficavam prejudicados pela propositada e crescente lista de espera desta unidade, que facilitava e promovia o desvio desses doentes para a sua Clínica Privada. Esta acusação não tinha o menor fundamento, embora se reconheça que a coexistências dos dois sistemas na mesma organização possa dar azo a suspeições. Apesar da elevada produtividade do Hospital da Prelada, muito acima da de qualquer outro hospital nacional, o facto é que a crescente procura dos seus serviços por parte das populações fez, desde logo, com que se originassem crescentes listas de espera para internamento e consultas para os doentes tratados ao abrigo do Serviço Nacional de Saúde, ou seja, para os doentes exclusivamente tratados no horário das 08h00 às 17h00. O controlo do cumprimento rigoroso dos programas cirúrgicos e da atividade da Consulta eram a garantia de que o hospital colocava todas as suas capacidades na procura de satisfazer os doentes que o procuravam através do Serviço Nacional de Saúde.


Para reforçar esta posição, e para afastar dúvidas que mesmo assim pudessem subsistir, instituiu-se um procedimento que só permitia o internamento de doentes para o regime privado após assinarem um documento que atestava que tinham sido previamente informados que, se o motivo desse internamento fosse urgente, o hospital interná-los-ia através do Serviço Nacional de Saúde sem dispêndio de qualquer importância. Mais tarde, ao abrigo da legislação aplicável ao regime remuneratório pelos GDH, o Hospital da Prelada colocou à disposição dos doentes do Serviço Nacional de Saúde o regime semiprivado, que permitia, aos doentes que o desejassem, escolher o seu médico e optar pelo internamento em quarto privado, pagando apenas os honorários médicos e a diária do quarto, ficando a cargo do Serviço Nacional de Saúde as despesas em economato e farmácia. Em 1991, a Inspeção-Geral da Saúde fez uma minuciosa auditoria ao Hospital da Prelada, em especial à atividade dos médicos para o setor do Serviço Nacional de Saúde e para a Clínica Privada, à faturação dos doentes do Serviço Nacional de Saúde pelos GDH enviados mensalmente ao Ministério da Saúde, à atividade desenvolvida pelo hospital no horário reservado ao setor público e à atividade do setor privado. Não se constataram quaisquer irregularidades em qualquer aspeto do funcionamento do Hospital da Prelada. Não se pode deixar de realçar a existência, no mesmo hospital, destes dois regimes – público e privado –, com respeito recíproco e sem prejudicar o interesse público, numa demonstração inequívoca das virtudes de um modelo de gestão que não conseguiu ter êxito ou não souberam implementar nos outros hospitais do Serviço Nacional de Saúde ao nível nacional. Com a ajuda dos recursos gerados principalmente pelo hospital, em agosto de 1993 a Mesa Administrativa da Santa Casa da Misericórdia do Porto fez publicar em Nota Informativa a dar conta que “pela Santa Casa da Misericórdia do Porto foi liquidada a dívida ao Montepio Geral no valor de 359.158.000 escudos”, cerca de 1.750.000 euros. Face à procura sempre crescente por parte das populações das mais variadas e distantes regiões do país, o hospital teve necessidade de aumentar a sua capacidade assistencial, pelo que em 1994 inaugurou mais duas salas de operações, uma delas provida com “Fluxo de Ar Laminado”, especialmente vocacionada para cirurgia protésica e dos grandes implantes. Em fevereiro de 1996, o Conselho Geral do hospital publicou o regulamento que concedia facilidades de internamento em quarto particular aos colaboradores, no ativo ou aposentados, no regime do Serviço Nacional de Saúde. Em março 1996 foi efetuada uma inspeção ao hospital pela Inspeção e Auditoria

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de Gestão do Ministério da Saúde, com resultados totalmente satisfatórios. Entretanto começou-se a fazer sentir a necessidade de alargar a capacidade da Consulta Externa e do Ambulatório de Medicina Física e de Reabilitação, assim como de criar instalações para uma atividade que vinha ganhando crescente importância noutros hospitais: a Cirurgia de Ambulatório. Surgiram várias opiniões, todas elas envolvendo o aproveitamento dos pisos 7 e 8, que se encontravam devolutos. Das várias sugestões então discutidas avultou o projeto de transferir as instalações da Direção e Gestão do hospital, assim como os serviços administrativos, para o piso 8 e reservar o piso 7 para Quartos Particulares. Em maio do mesmo ano, o Conselho Geral aprovou a proposta do Conselho de Gerência do para a elaboração do Plano Diretor do hospital, com o principal objetivo de fazer um diagnóstico da situação e planear uma estratégia de desenvolvimento, cujas principais linhas de orientação eram as seguintes: • Expansão do Ambulatório, em especial a criação do Hospital de Dia e a Cirurgia de Ambulatório; • Reavaliação da lotação do serviço de Cirurgia Geral e Urologia; • Redimensionamento do Bloco Operatório e das instalações dos serviços complementares de diagnóstico; • Instalações separadas para o internamento dos doentes privados; • Criação de espaços para funções de ensino e investigação; • Melhoria das condições de alojamento; • Reforço e melhoria das condições de segurança interna e externa. Em junho de 1996, a pedido da Santa Casa da Misericórdia do Porto, o Arquiteto António Afonso apresentou um plano com “Projeto de Intenções” para: • Localização da Cirurgia Ambulatória; • Nova localização do Laboratório de Análises Clínicas; • Nova sala de operações na Unidade de Queimados; • Ampliação da Consulta Externa; • Instalações para atividades de formação com um anfiteatro em anexo; • Transferência da Direção e dos serviços administrativos para o piso 8; • Transferência de todos os Quartos Particulares para o piso 7. Este projeto não avançou e, em julho de 1997, o Arquiteto António Afonso elaborou nova proposta de “Plano Diretor” para remodelação e ampliação do hospital, cuja estimativa orçamental apresentada era de 735.800 contos, cerca de 3.700.000 euros. Este projeto também não foi levado a bom termo, já que implicava opções de difícil consenso quanto à sua rentabilidade e que a prudência aconselhava a melhor ponderação.


No entanto, o hospital não deixou de efetuar as obras que mereciam acordo geral quanto à sua necessidade: • Expansão da Consulta Externa, construindo-se a Ala Sul com mais consultórios, uma sala de espera e ampliação dos balcões de atendimento; • Adaptação de uma área da Ala Norte da Consulta Externa para Cirurgia Ambulatória; • Instalações para Endoscopia Digestiva; • Instalações para o serviço de Informática e salas para ações de formação. Esta área, mais tarde, sofreu profunda remodelação e atualmente está reservada à Direção e Gestão do hospital. Em 19 de novembro de 1997, por deliberação do Conselho Geral, foi criado o Serviço de Tecnologias de Informação, com a seguinte competência e funções: • Gerir, de acordo com as diretivas do Conselho de Gerência, o sistema de informação do hospital, promovendo a participação ativa dos serviços utilizadores; • Aquisição, manutenção, inventariação e definição das regras de utilização do equipamento informático; • Promover e monitorizar os programas de formação; • Desenvolvimento e implementação de novos sistemas de informação; • Desenvolvimento de ferramentas de suporte à gestão do hospital; • Implementação de workflows; • Acesso à knowledgebase do hospital; • Apoio aos serviços na área informática. Também nesta data, o Conselho de Gerência decidiu criar o Serviço de Informação de Gestão (SIG), com as seguintes funções: • Fornecer ao Conselho de Gerência a informação necessária ao planeamento estratégico do hospital; • Fornecer a cada nível de responsabilidade a informação necessária à prática da gestão por objetivos, com controlo periódico dos resultados e análise dos desvios verificados. A 26 de novembro de 1998, o Provedor José Luís Novaes e a Mesa Administrativa da Santa Casa da Misericórdia do Porto promoveram uma Sessão Solene para comemorar o 10.º aniversário do Hospital da Prelada, que decorreu igualmente no ginásio do serviço de Medicina Física e de Reabilitação, uma vez mais devidamente preparado para a ocasião. A sessão foi presidida pelo Secretário de Estado da Saúde, Francisco Ramos, em representação da Ministra da Saúde, Maria de Belém Roseira. Descerrou-se uma lápide evocativa do Provedor Brigadeiro Ayres Martins, que ficou a dar o nome

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ao Salão Nobre e Auditório do hospital e descerrou-se, nos jardins, um busto do Provedor Domingos Braga da Cruz – principal impulsionador do projeto do Hospital da Prelada. Foram igualmente distinguidos todos os colaboradores que completaram dez anos de trabalho no hospital. Com o decorrer dos anos, o Hospital da Prelada consolidou uma cultura própria e um estado de espírito de permanente exigência de elevados níveis de qualidade e dedicação profissional e científica, sempre acompanhados pelas preocupações de atendimento humanizado e personalizado. Como corolário desta cultura, surgiu em 2004, com o forte empenho do então Provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto Guimarães dos Santos, a vontade do hospital se submeter a um exigente e reputado programa de acreditação de todos os seus serviços. Para o efeito foi selecionada uma das mais prestigiadas e exigentes entidades internacionais na Certificação de Qualidade, o Health Quality Service (HQS), atual Caspe Healthcare Knowledge Systems (CHKS). Criou-se, então, o Gabinete de Auditoria e Qualidade, que ficou responsável pela implementação e monitorização do processo de acreditação. Em 2007, o hospital obteve a sua primeira Acreditação em Qualidade, sendo o primeiro hospital IPSS - Instituição Particular de Solidariedade Social em Portugal a recebê-la. Desde então, o Hospital da Prelada tem-se mantido em contínua avaliação por aquela entidade, que renovou a acreditação em 2009, 2013 e 2016, após as devidas auditorias. Em 2011, o hospital obteve, ainda, a Certificação de todos os serviços pela ISO 9001. Em setembro de 2006 foi publicado o regulamento do serviço de Voluntariado do Hospital da Prelada. No dia 16 do mês seguinte iniciou-se a atividade dos serviços de Nutrição e Psicologia Clínica, com o objetivo de melhorar o apoio a todos os serviços clínicos do hospital, para além de satisfazer a procura externa. Em 18 de outubro de 2006 entrou em vigor o regulamento para a utilização das salas da “Pequena Cirurgia”, localizadas no piso 0. Já em dezembro, o médico Varejão Pinto foi nomeado “Assessor para a Clínica Privada”, tendo-lhe sido confiada a tarefa de apresentar uma proposta de regulamento para o exercício da clínica privada no hospital. Em janeiro de 2017, a Ala Poente do piso 6, que estava adstrita ao serviço de Ortopedia, passou a ser utilizada pelo serviço de Medicina Física e de Reabilitação, devido às elevadas taxas de ocupação e demora média. Em fevereiro foi criado um “Grupo de Trabalho para Instalação de uma Unidade de Cirurgia Ambulatória”, constituído pelo médico Alberto Lemos (coordenador), a Enfermeira-Geral Lígia de Oliveira e o enfermeiro Rui Bastos. A partir de 1 de março desse ano procedeu-se à transferência da Unidade da


Pequena Cirurgia para a área da Endoscopia Digestiva, assim como a instalação da Medicina Interna e dos exames de Cardiopneumologia. Ainda em março de 2007 iniciou-se o processo de renovação e substituição das camas do internamento. A partir de abril desse ano, a Sala de Operados passou a encerrar entre as 08h00 de sábado e a as 08h00 horas de segunda-feira. No dia 9 de abril entrou em funcionamento, no piso 3, a Unidade de Recobro da Cirurgia de Ambulatório (URCA). Esta unidade foi encerrada em 1 de junho de 2008 por “necessidades de reorganização do espaço físico do Hospital”. A partir de 1 de junho de 2007 fez-se a reformulação da rede de comunicações telefónicas, com a integração da rede fixa e móvel e a atribuição de equipamentos móveis aos responsáveis dos vários setores. Também a partir desse mês de junho, o hospital passou a dispor de um Gabinete de Comunicação e Marketing e de um Gabinete de Consultadoria Jurídica permanente. Em 22 de agosto de 2007 entrou em vigor o Regulamento de Acesso ao Parque de Estacionamento do hospital que passou a ser pago, exceto para os colaboradores. Ainda no ano de 2007, o hospital submeteu-se a um concurso internacional que incluía hospitais de todo o mundo com Acreditação. O Hospital da Prelada integrou o grupo de 6 finalistas do “CHKS Quality Improvement Award”. Em janeiro de 2008 foi publicado o “Regulamento da Policlínica do Hospital da Prelada”, com vista a clarificar e definir o acesso, as condições de funcionamento, o quadro clínico e outro pessoal, a organização administrativa e financeira da Clínica Privada dentro do hospital. Em outubro desse ano, a Direção Clínica decidiu iniciar a implementação do Processo Clínico Eletrónico, tendo como primeira fase o processo da Consulta Externa, e que ficou concluído em 2018. A 22 de novembro de 2008 iniciou-se uma semana de comemorações do 20.º aniversário do Hospital da Prelada, com uma sessão solene que contou com a presença de Primeiro-Ministro José Sócrates e da Ministra da Saúde Ana Jorge. O ginásio do serviço de Medicina Física e de Reabilitação acolheu, uma vez mais, as centenas de convidados, que presenciaram a assinatura do Contrato-Programa entre o hospital e o Ministério da Saúde por mais cinco anos. No dia 26 de novembro, e ainda no âmbito das comemorações do 20.º aniversário, o Provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto, José Luís Novaes, foi homenageado com o descerramento de uma placa alusiva, instalada na entrada principal do hospital, e a sessão contou com a presença de Sua Exa. Rev.ma o Bispo do Porto, D. Manuel Clemente, muitos Irmãos da Santa Casa da Misericór-

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dia do Porto e numerosos colaboradores do hospital. Também os funcionários com 20 anos de serviço no Hospital da Prelada foram homenageados nesse dia. Em fevereiro de 2009 foi criada a Unidade Hospitalar da Gestão de Inscritos para Cirurgia (UHGIC), para apoiar o hospital na adesão ao Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia (SIGIC), nos termos do Acordo de Cooperação celebrado com o Ministério da Saúde. No dia 2 de março de 2009 o Hospital da Prelada conquistou o 1.º lugar dos “Prémios Hospital do Futuro 2008/2009”, promovidos pela Fundação GroupVision, na categoria “Qualidade em Saúde - Acreditação”. Em outubro desse ano, a Unidade de Endoscopia Digestiva e, provisoriamente, os serviços administrativos do hospital mudaram de instalações para o piso 3. Atualmente, a Unidade de Endoscopia Digestiva está localizada no piso 2. Entretanto, construíram-se instalações para a Cirurgia Ambulatória na Ala Nascente da Consulta Externa. A Unidade de Oftalmologia, destinada a doentes de ambulatório, também entrou em funcionamento e, na Ala Norte da Consulta Externa, foram criadas as instalações para a cirurgia de Oftalmologia, que arrancou a 21 de dezembro de 2009. Estas instalações deixaram de serem utilizadas para Cirurgia Ambulatória com a criação da Unidade de Cirurgia de Ambulatório, no piso 2, já em 2013. Ainda em 2009 iniciou-se a renovação e melhoria das condições dos quartos particulares e ampliaram-se as instalações do serviço de Medicina Física e de Reabilitação no piso -1, destacando-se a abertura de um novo ginásio multidisciplinar dois anos depois, em 2011. Antes disso, em julho de 2010 foi assinado um protocolo entre o Ministério da Saúde e o Hospital da Prelada para o tratamento cirúrgico da Obesidade, com vista à autorização para aumento do número de doentes. Este tratamento já se havia iniciado no hospital em 2002, tendo-se atingido, em 2009, o número de 160 intervenções cirúrgicas para esta patologia, prevendo-se com este protocolo alcançar as 220 cirurgias/ano. Ao longo do ano de 2011 completaram-se as novas instalações para a Medicina Interna, Cardiologia, Exames de Cardiopneumologia e serviços administrativos, no piso 0. A nova “Ala Dr. Albino Aroso” foi inaugurada a 25 de novembro, homenageando o médico que exerceu os cargos de Vice-Provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto e de Presidente do Conselho de Gerência do Hospital da Prelada. Em 2012, o Hospital da Prelada celebrou acordos de prestação de serviços com várias entidades como a Medicare, a Multicare, o Montepio Geral e diversas companhias de seguros. Desde então, tem alargado o número de entidades com as quais tem acordo de prestação de cuidados.


Naquele ano de 2012 entrou, ainda, em funcionamento o “Centro de Atendimento”, criado de raiz no piso 0, junto da entrada principal do hospital. Neste serviço de atendimento multicanal os seus operadores fazem atendimento administrativo de primeira linha por telefone, email e presencialmente. Foi, ainda, em 2012 que o Hospital da Prelada alcançou o 3.º lugar dos Prémios “Hospital do Futuro 2011/2012”, na categoria “Gestão & Economia da Saúde”. Nesse ano, o hospital também obteve, pela primeira vez, a classificação de “Hospital 5 estrelas”, atribuída pelo SINAS - Sistema Nacional de Avaliação em Saúde, da Entidade Reguladora da Saúde. O Hospital da Prelada manteve-se no topo da avaliação nacional da Saúde nos anos de 2013, 2014, 2015, 2016 e 2017. Já nos anos de 2012 e 2013, o hospital integrou o grupo de 5 finalistas do “Prémio Saúde Sustentável, na categoria “Cuidados Hospitalares”. O ano de 2013 ficou marcado pela instalação da BlueClinical Phase I no Hospital da Prelada. Esta unidade de ensaios clínicos foi a primeira em Portugal certificada para realizar testes em seres humanos. A BlueClinical Phase I, inaugurada a 12 de julho, ficou instalada no piso 3 do hospital. Em 2014 procedeu-se à fusão dos serviços de Cirurgia Geral/Urologia e Cirurgia Plástica, Reconstrutiva e Estética num único, o Departamento Cirúrgico, localizado no piso 6. Para além disso, entraram em funcionamento as especialidades de Medicina Dentária, Dermatologia e Ginecologia, numa vertente puramente privada. No ano 2015 iniciaram-se as consultas de Psiquiatria e de Avaliação do Dano Corporal. Em 2016 apostou-se, ainda mais, na diversificação das especialidades com a abertura das consultas de Nefrologia e Neurologia. Foi, ainda, criado o Centro de Medicina Desportiva para prevenção de lesões e aumento da performance dos atletas, agregando as especialidades de Fisiatria, Ortopedia, Cardiologia e Nutrição. O ano de 2017 ficou marcado pela criação de um novo serviço de Atendimento Permanente, localizado na área da Clínica Privada. Aberto ao público no dia 3 de março, o serviço recuperou o conceito de acesso do grande público a uma consulta de Clínica Geral, programada ou não programada. Desde então, o Centro de Atendimento Permanente para adultos funciona das 08h00 às 20h00 (dias úteis) com médicos especialistas em Medicina Geral e Familiar. Foi a 8 de maio de 2017 que a Santa Casa da Misericórdia do Porto e a BlueClinical formalizaram o acordo de expansão da unidade de ensaios clínicos inaugurada quatro anos antes. Com estre novo projeto, que prevê a disponibilização de 120 camas e que ocupará 3.000m2, a futura unidade será a maior e a mais moderna infraestruturada de ensaios clínicos da Europa. Com a expansão das

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instalações, ocupando os pisos 7 e 8 do hospital, a nova unidade terá capacidade para realizar 100 ensaios por ano. No ano de comemoração do 30.º aniversário do Hospital da Prelada, a Santa Casa da Misericórdia do Porto traçou o futuro desta sua unidade de saúde. A 27 de fevereiro foi firmado um memorando de entendimento com a CISCO para criação do primeiro “Smart Hospital” em Portugal. O “Hospital da Prelada Powered by Cisco” será, ainda, um dos primeiros “Smart Hospital” ao nível europeu. Esta unidade hospitalar inteligente irá melhorar a experiência, o conhecimento e o acesso dos utentes aos serviços. A gestão de filas e dos espaços será otimizada, tornando a gestão hospitalar mais eficiente. Para além disso, a disponibilização dos serviços hospitalares será feita através de uma rede de comunicações sem fios de última geração. O “Smart Hospital” irá basear-se em redes de comunicações de elevada qualidade, resilientes, seguras e preparadas para o futuro. Os próprios utentes serão encorajados a participarem de forma mais ativa nos seus cuidados de saúde, em particular no acompanhamento e na monitorização dos indicadores de saúde. Já a 3 de outubro de 2018, a Santa Casa da Misericórdia do Porto conquistou o “Prémio HINTT - Maturidade Digital”, na categoria HINTT - Value Proposition, com o seu projeto “Saúde Agora”, desenvolvido em parceria com a Fundação Vodafone, destacando-se assim da concorrência na área da tecnologia e do digital.


ENTIDADES DE GESTÃO, ADMINISTRAÇÃO E DIREÇÃO

Provedor da Santa Casa

Diretor do Hospital da Prelada

da Misericórdia do Porto

• Pinto de Andrade

• Brigadeiro Ayres Martins • José Luís Novaes

Diretor Clínico do Hospital da Prelada

• José Avides Moreira

• Pinto de Andrade

• Guimarães dos Santos

• António Canto Moniz

• António Tavares

• Artur Osório • Luís Monteiro • Varejão Pinto

Mesário Presidente do Conselho de Gerência do Hospital da Prelada • José Luís Novaes

Diretor Clínico Adjunto do Hospital

• Mário Martins

da Prelada

• António Canto Moniz

• Luís Monteiro

• Albino Aroso • Luís Roboredo e Castro

Administrador do Hospital da Prelada

• Faria e Almeida

• Silveira Botelho

• Costa e Almeida

• Ivo Martins

• Guimarães dos Santos

• Castanheira Nunes • Costa e Almeida

Mesário Vice-Provedor e Presidente

• Meneses Correia

da Comissão de Apoio Executivo

• Moreno Rodrigues

do Hospital da Prelada

• José Avides Moreira

• José Caiano

• Ilídio Lobão

• Fernando Gomes

• Luis Matos

• António Canto Moniz Enfermeira-Geral do Hospital Mesário Vice-Provedor e Presidente

da Prelada

do Conselho Executivo do Hospital

• Maria da Conceição Pinto de Almeida

da Prelada

• Lígia Oliveira

• António Canto Moniz

• Isabel Carvalho

Vice-Presidente do Conselho

Enfermeira-Geral Adjunta do

Executivo do Hospital da Prelada

Hospital da Prelada

• Agostinho Branquinho

• América Almeida

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Diretor de Serviço/Coordenador/

- Cirurgia Plástica, Reconstrutiva

Responsável do Hospital da Prelada

e Estética: • Antonello Ferraro

a) Serviços Clínicos

• Manuel Maia

- Análises Clínicas:

- Consulta Externa:

• Manuela Aguiar

• Rufino Freitas

• Jorge Saavedra

• Alípio Dias

- Anestesia:

- Dermatologia:

• Isolino Ferreira da Silva

• Cármen Lisboa

• Edgar Lopes • Vítor Carvalho

- Departamento Cirúrgico: • Manuel Maia

- Avaliação do Dano Corporal: • Inês Machado Vaz

- Endoscopia Digestiva: • Rosa Ramalho

- Bloco Operatório:

• Vasconcelos Teixeira

• Fernando Vieira

• Isabel Pedroto

• Enes Martins • José Tulha

- Ginecologia: • Rita Sousa

- Cardiologia: • Aníbal Albuquerque

- Hemoterapia: • Manuel Campos

- Cirurgia Ambulatória: • Alberto Lemos

- Medicina Dentária:

• Luís Monteiro

• Manuel Neves

- Cirurgia Geral:

- Medicina Física e de Reabilitação:

• António Canto Moniz

• Manuela Pereira Leite

• Artur Cabanelas

• Rúben Almeida

• Luís Monteiro

• Gonçalo Borges

• Paulo Baldaque


- Medicina Interna:

- Radiologia:

• Afonso Martins

• Almeida Pinto

• Torcato Freitas

• Adolfo Pinto Leite

• Marta Azevedo

• Nuno Pinto Leite

- Nefrologia:

- Saúde Ocupacional:

• João Frazão

• Francisco Braga da Cruz • Álvaro Ferreira da Silva

- Neurologia: • Lopes Lima

Unidade de Queimados: • Antonello Ferraro

- Nutrição:

• Manuel Maia

• Branca Sousa

• Fátima Barros

• Sílvia Pinhão • Rosário Seixas Martins

- Urologia:

• Mariana Marques

• Fernando Vieira • Armando Reis

- Oftalmologia: • Paulo Torres

b) Enfermagem

- Ortopedia:

- Bloco Operatório

• A. Pinto de Andrade

• Graça Serôdio

• Júlio Santos

• Lígia Oliveira

• Alberto Lemos

• Isabel Carvalho

• Varejão Pinto

• Isabel Raimundo

• Rosmaninho Seabra

• Sónia Soares

- Psicologia:

- Cirurgia de Ambulatório

• Filipa Vieira

• Rui Bastos

• Clara Estima

• Graça Brás

- Psiquiatria:

- Cirurgia Geral/Urologia

• Ana Cordeiro

• Ana Isabel Campos • Alcina Ferreira

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- Cirurgia Plástica, Reconstrutiva

- Medicina Física e de Reabilitação

e Estética

• Fátima de Sousa

• Fátima de Sousa

• David Reis

• Maria José Nozes

• Lígia Oliveira

• Graça Alves

• Graça Alves

• Ida Ribeiro

• Ana Isabel Campos

• Filomena Maia

• Rui Guerra

• Rui Guerra - Ortopedia - Departamento Cirúrgico

• Marta Figueiredo

• Graça Alves

• António Pereira • América Almeida

- Consulta Externa

• Eduardo Braga

• Lígia Oliveira

• Ana Isabel Campos

• Helena Vasquez

• Filomena Maia

• Alcina Ferreira

• Rui Guerra

• Ana Isabel Campos

• Alcina Ferreira

• Marta Figueiredo • Rui Guerra

- Unidade de Cuidados Intermédios

• Alexina Crespo

• Lígia Oliveira

• Filomena Maia

• Helena Vasquez • Alcina Ferreira

- Esterilização Central

• Isabel Carvalho

• Lígia Oliveira

• Isabel Raimundo

• Helena Vasquez

• Sónia Soares

• Filomena Maia • Alcina Ferreira

- Unidade de Queimados/Unidade

• Sónia Soares

de Cuidados Especiais • Maria José Nozes • Maria José Peixoto • Filomena Maia • Rui Guerra • Eva Capitão • Sónia Soares • Graça Alves


c) Serviços Não Clínicos

- Instalações e Equipamentos: • João Gonçalves

- Aprovisionamento:

• José Sousa

• Vasco Meireles

• Paulo Lobo

• Manuel Sá • Elisabete Mendes

- Recursos Humanos e Formação

• Rui Gonçalves

Profissional:

• Paulo Lobo

• Guiomar Fontes • Joaquim Sala

- Assuntos Jurídicos e Contencioso: • Isabel Mendes

- Serviços Gerais: • Américo Dias

- Comunicação e Marketing:

• Fernando Pereira

• Teresa Calisto

• Fernando Costa

• Helena Almeida • Luís Pedro Martins

- Serviço Social:

• Adriana Aguiar Branco

• Rita Geraldes

• Florbela Guedes

• Teresa Soares

• Rosa Carvalho

• Patrícia Soares • Deolinda Bessa

- Consulta Externa e Gestão de Doentes: • José Manuel Rocha

- Tecnologias da Informação e Comunicação:

- Dietética:

• Jorge Lima

• Ilda Amorim

• João Figueiredo

- Farmácia: • Lúcia de Freitas • Maria do Céu Pereira • Cláudia Nascimento - Internamento e Arquivo Clínico: • Carlos Marques

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PERSPETIVAS - PASSADO E FUTURO Quando, em 16 de maio de 1903, D. Francisco de Noronha e Menezes, por seu testamento, doou perpetuamente a Quinta da Prelada à Santa Casa da Misericórdia do Porto, expressou a sua vontade e condição de que a “Casa da Quinta da Prelada, de muros a dentro, seja no praso de dous annos destinada a um Hospital de Convalescentes, ou outro qualquer fim humanitário”. Dando cumprimento à disposição testamentária de D. Francisco de Noronha e Menezes, em 26 de fevereiro de 1906, dois anos após a morte deste grande benfeitor, a Santa Casa da Misericórdia do Porto inaugurou na Casa Prelada um Hospital de Convalescentes, que funcionou até à década de 70. Inicialmente, este hospital começou por acolher doentes, na maior parte do sexo feminino, transferidos do Hospital de Santo António, ao qual servia como uma Unidade de Cuidados Continuados. Mais tarde, em 1953, passou também aí a funcionar uma Consulta Externa de Pediatria com internamento, sob a direção do serviço de Pediatria do Hospital Geral de Santo António. A partir de 1961, a Casa da Prelada passou a desempenhar funções de Centro de Recuperação de Diminuídos Físicos e do foro da Ortotraumatologia e acidentes de trabalho. A partir de 1973, o edifício transformou-se num lar de terceira idade, tendo mantido esta atividade durante 30 anos. Esta foi a semente lançada, no início do século XX, de desafio a uma grande instituição, que a soube guardar, desenvolver e transformá-la, 85 anos depois, numa inimaginável, à época, grandiosa realização aberta às populações em 1988, honrando a memória do seu benfeitor, glorificando a Santa Casa da Misericórdia do Porto, prestigiando a cidade do Porto e o panorama hospitalar nacional. Uma unidade como o Hospital da Prelada, com 30 anos de funcionamento, desenvolveu e consolidou uma cultura própria, baseada na excelência da sua qualidade e produtividade, que certamente será o mais sólido garante da sua continuidade na procura e na aplicação dos novos conhecimentos e tecnologias para melhor servir as populações. Por fazer já parte da história deste hospital, não podemos deixar de enunciar áreas em que foi inovador e pioneiro no panorama hospitalar nacional, e que são marcos que muito justamente enriquecem o seu património histórico e, por isso, devem ficar registados, para que continuem servindo como exemplo e motivo inspirador:


• Exclusividade de local de trabalho para todos os médicos do quadro; • Uso obrigatório de fardamento completo para todos os médicos; • Relatório mensal do Enfermeiro-Chefe sobre as condições logísticas de cada serviço; • 1.º Hospital a criar uma Grelha Mensal de Governação Clínica e de Auditoria Clínica; • 1.º Hospital a implementar o “Consentimento Informado” por patologia; • 1.º Hospital a implementar a avaliação obrigatória do risco de queda, para todos os doentes internados; • 1.º Hospital a criar e definir “Indicadores Mensais de Qualidade”, com registo online para os serviços de Internamento, Anestesia e Patologia Clínica; • 1.º Hospital a implementar o uso obrigatório da Folha de Admissão ao Bloco Cirúrgico; • 1.º Hospital a instituir uma checklist para a “Cirurgia Segura” (time-out); • 1.º Hospital a definir critérios e procedimento para a suspensão automática da medicação; • 1.º Hospital a criar uma checklist para “auditoria ao percurso do doente cirúrgico no dia da cirurgia”; • 1.º Hospital do Norte a ter uma Unidade de Queimados; • 1.º Hospital a implementar horários alargados de visita aos doentes; • 1.º Hospital a ter as suas instalações e o Plano de Emergência Interna e Externa aprovados pela Autoridade Nacional dos Bombeiros; • 1.º Hospital a ter uma linha telefónica interna e assistência para uso exclusivo da Emergência Clínica Interna.

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HOSPITAL DA PRELADA - DR. DOMINGOS BRAGA DA CRUZ Rua Sarmento de Beires, 153 4250-449 Porto