Page 1

EDIÇÃO Nº 11 BIMESTRAL || SCMG | Jul/Ago | 2011 Gratuito

SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE VILA NOVA DE GAIA

LAÇOS DE AMOR Uma família ao ser viço da comunidade

Mata da Quinta da Chamorra é o Pulmão Verde da Misericórdia de Gaia


ÍNDICE EDITORIAL 82 ANOS DE HISTÓRIA A PALAVRA DOS UTENTES O QUE ACONTECEU

22.º Aniversário do Serviço de Voluntariado da Misericórdia de Gaia

I Jogo de Futsal Inter-Misericórdias: Misericórdia de Gaia vs Misericórdia do Porto ENTREVISTA

O último feitor da Quinta da Chamorra

3 4 6 7

14

15

19

19

NÚCLEO MUSEOLÓGICO ESPAÇO SAÚDE HISTÓRIAS DE VIDA

20 21 24

Maria Teresa Macedo é a Irmã n.º 1 da Misericórdia de Gaia ESPAÇO VOLUNTARIADO AGENDA SABIA QUE...

24

26 27 27


EDITORIAL

SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE VILA NOVA DE GAIA

A Santa Casa da Misericórdia de Vila Nova de Gaia já pratica a solidariedade há mais de 82 anos. Durante a sua já longa vida, felizmente suplantada pela idade de muitos dos seus Utentes, ocorreram em Portugal e no mundo muitas situações de tempestade, a que sempre se seguiu a bonança. Houve uma guerra mundial, guerra nas nossas ex-colónias, o 25 de Abril, a construção e a queda do Muro de Berlim, a entrada na CEE, ataques terroristas terríveis em Nova Iorque e em muitos outros locais, revoltas no mundo árabe e, várias vezes e recentemente, agitação social em capitais europeias. Houve longos períodos de emigração, em que muitos Portugueses tiveram de procurar modo de vida noutros países, aconteceu o regresso dos retornados das ex-colónias e, mais recentemente, recebemos imigrantes atraídos, como nós, pelo sonho europeu. Vivemos anos de aparente prosperidade que, infelizmente, se verificou não ser sustentável, pois estávamos todos – pessoas, famílias e Estado – a gastar mais do que realmente produzíamos. Esta ilusão de podermos viver acima das posses, nos últimos anos, levou-nos a acreditar que havia um Estado Providência que se encarregava de nos proteger na doença e na velhice e que pagava a educação dos nos-

sos filhos. Assim, não precisávamos de poupar e, como o crescimento económico parecia eterno, aproveitámos o crédito fácil para consumir acima dos nossos limites e endividámo-nos muito para além do que seria prudente. O Estado e as Autarquias também gastaram mais do que tinham em obras e em benefícios sociais e acumularam dívidas enormes. Chegou a altura dolorosa de pagar a fatura. Terminada a ilusão, temos de encontrar uma saída, o que certamente vamos conseguir, como sempre conseguimos no passado. Temos de ser realistas e voltar a investir e a confiar mais nas famílias, nas IPSS e especialmente nas Misericórdias, que já demonstraram ser mais eficientes que o Estado, prestando serviços sociais a mais baixo custo e certamente, com maior proximidade e com mais carinho. A atual crise reduz a capacidade de intervenção direta do Estado na esfera social e, infelizmente, também no apoio às Misericórdias. Por outro lado, neste contexto, há uma dificuldade acrescida de rentabilizar o património imobiliário resultante dos legados. Ainda assim, nestes tempos difíceis que se anteveem, a atividade da Misericórdia de Gaia, vai certamente continuar a crescer e a ganhar mais qualidade, através da dedicação de uma equipa corajosa, competente e motivada, ao serviço de quem mais precisa.

Joaquim Poças Martins (Presidente da Assembleia Geral da Misericórdia de Gaia)

Caros leitores, A Resolução do Conselho de Ministros de 9 de dezembro de 2010 aprovou a aplicação do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa no sistema educativo no ano letivo de 2011/2012, e a partir de 1 de janeiro de 2012 ao Governo e à Administração Pública. A mesma Resolução aprovou ainda que a partir de 1 de janeiro de 2011 fossem intensificadas todas as iniciativas de informação e de sensibilização dos cidadãos em geral com o objetivo de esclarecer adequadamente sobre as implicações do novo Acordo Ortográfico, através dos sítios na internet dos vários ministérios. A Santa Casa da Misericórdia de Vila Nova de Gaia tem o prazer de informar que a partir de outubro toda a comunicação escrita da Irmandade será em concordância com as regras do novo Acordo Ortográfico. Nesse sentido, a edição n.º 11 da Revista Laços de Amor começa já a dar o exemplo com todos os seus artigos escritos com a nova grafia. Pedro Nobre (Diretor)

3


A MISERICÓRDIA DE GAIA...

SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE VILA NOVA DE GAIA

Entretanto, as dificuldades que eram sentidas pela Misericórdia de Gaia, também se estenderam à Santa Casa da Misericórdia do Porto, como se pode comprovar pelo extrato da notícia publicada no Comércio do Porto de 11 de agosto de 1950 e da ata da reunião da Mesa Administrativa da nossa Irmandade de 26 de junho do mesmo ano. A ata diz

a dado passo:

4 “O Senhor Vice - Provedor (Dr. Basílio Ferreira de Macedo) diz que por intermédio do Chefe dos Serviços desta Misericórdia havia tomado conhecimento da deliberação da Santa Casa da Misericórdia do Porto, de não continuar a receber gratuitamente, no seu Hospital Geral de Santo António, em regímen de internato os doentes deste Concelho, dadas as precárias disponibilidades financeiras daquele Hospital, pelo que a partir do próximo dia um de Julho, os mesmos doentes só poderão ser recebidos mediante termo de responsabilidade, pelo pagamento da diária de doze escudos e cinquenta centavos, passado pela Excelentíssima Câmara Municipal deste Concelho. Dada a importância de tal deliberação, que muito poderia afectar os doentes deste Concelho, o Senhor Vice - Provedor diz ter-se avistado imediatamente com o Excelentíssimo Presidente da nossa Edilidade, a quem informou do que se estava passando, tendo dessa entrevista trazido a certeza de que o internamento de doentes não seria prejudicado, pois aquela Edilidade passaria a partir da data indicada

a assumir a responsabilidade pelos referidos internamentos. Continuando no uso da palavra o Senhor Vice – Provedor estoria as demarches que ele e o Senhor Presidente da Câmara levaram a efeito sobre o assunto e que infelizmente não surtiram o efeito desejado, por a resolução daquela Santa Casa se basear única e

simplesmente nas dificuldades financeiras com que luta o Hospital Geral de Santo António”. Meio ano depois, continuavam as dificuldades na nossa Irmandade, daí que a Mesa Administrativa tenha aprovado por unanimidade na sua reunião de 25 de janeiro de 1951, uma proposta apresentada


ANOS DE HISTÓRIA pelo referido Senhor Dr. Basílio Ferreira de Macedo, relativa à administração do Asilo Salvador Brandão. A proposta era do seguinte teor: “A receita do Asilo Salvador Brandão tem diminuído devido: primeiro: A redução da taxa de juros nas conversões obrigatórias por capitalização de créditos hipotecários e outros; Segundo: Ao congelamento dos rendimentos provenientes do Brasil; Terceiro: A diminuição e suspensão de rendimentos de papéis de crédito estrangeiro. A despesa tem aumento em muito maior proporção devido à carestia dos alimentos e artigos de vestuário e de ordenados e salários. Fui encarregado pela Mesa de estudar a realização dum justo equilíbrio financeiro que permita arrecadar no fim de cada ano económico uma verba razoável que permita manter a boa conservação do património e ainda ocorrer a qualquer despesa imprevista de absoluta urgência. Neste sentido submeto à apreciação da Mesa um conjunto de medidas, sem prejuízo de outras a apresentar ulteriormente, condensadas na seguinte Proposta: Primeiro: que a partir do dia um de Fevereiro próximo cessem os subsídios a asilados externos, bem como o fornecimento aos mesmos dos medicamentos. Segundo: que se mantenha o auxílio já aprovado pela Mesa ao dois asilados internos que, por sofrerem de doença contagiosa passaram à categoria de asilados externos. Terceiro: que a racção de tabaco a fornecer aos asilados seja reduzida a metade. Quarto: que a cota de comparticipação nos ordenados dos dois funcionários da Secretaria da Misericórdia seja fixada em vinte mil quatrocentos e setenta e dois escudos, cota que foi mantida desde o ano de mil novecentos trinta e sete até mil novecentos e quarenta e oito. Quinto: que se entregue para grangeio ao caseiro agrícola da quinta da Chamôrra, Salvador

Gomes da Silva, o campo denominado “Ribeira da Ponte” e os matos da “Chamôrra” e “dos Bicos fora da Mata” até agora fabricados pela Secção Agrícola do Asilo, pela renda anual de quatro carros de milho de quarenta medidas de vinte litros. Sexto: que em contrapartida seja reduzido o pessoal jornaleiro da Secção Agrícola na medida do possível. Sétimo: que me sejam dados os necessários poderes para de acordo com a Regente do Asilo estabelecer um novo regime alimentar. Oitavo: Que os Serviços da Secretaria organizem os serviços de forma a impedir que a despesa por verbas, a realizar no ano mil novecentos e cinquenta e um, não ultrapassem a realizada no ano de mil novecentos e cinquenta. No caso de ser aprovada esta minha proposta obteremos em conjunto uma economia que deve andar à roda de vinte e cinco mil escudos. A Misericórdia terá porém na sua receita uma diminuição no ano de mil novecentos e cinquenta e um de treze mil e quinhentos escudos proveniente na comparticipação nos ordenados, sem falar na que poderá provia da totalidade da percentagem de cinco por cento sobre as receitas. A despesa da Misericórdia vai aumentar em larga escala com as facilidades de métodos de diagnostico e tratamento postos no ano transacto ao dispôr dos clínicos da instituição. Quando a Mesa aprovou esta nova modalidade de assistência fiz sobre elas algumas objecções e assim ficou resolvido estudar posteriormente o assunto, com bases em dados concretos. Já devem existir elementos seguros para um estudo definitivo do assunto e assim proponho: primeiro: que se estude imediatamente este assunto e se procure uma solução consentanea com a previsão orçamental das receitas, tanto quanto possível, certas. Segundo: que se aproveite a oportu-

nidade para rever as tabelas de serviços pagos do contrato com a Mutual do Norte cuja última alteração data de um de Julho de mil novecentos e quarenta e seis. Por proposta do mesmo Senhor, aprovada por unanimidade, foi o Senhor Provedor encarregado de proceder ao estudo relativo ás possibilidades da Misericórdia, a que na proposta anterior se alude”. Apesar de todas estas dificuldades, os Corpos Gerentes continuaram a procurar encontrar soluções que permitissem reabrir o Hospital encerrado em 1940, conforme se infere da ata da reunião da Mesa Administrativa de 13 de novembro de 1952. Nela é relatada uma conferência que o Senhor Vice – Provedor (o Senhor Provedor tinha falecido) teve com o Senhor Presidente da Câmara e a reflexão que a Mesa teve sobre o assunto. No próximo número, daremos nota dos pontos mais importantes sobre este assunto. Luís Marques Gomes

(Diretor-Geral da Misericórdia de Gaia)

5


A PALAVRA DOS UTENTES

SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE VILA NOVA DE GAIA

História de vida

6

Naquele tempo, havia pessoas ricas e abastadas. Existiam os pobres e os muito pobres. Os mais pobres daquele século viviam mais pobres do que os mais pobres deste século. Conheci pessoas doentes e idosas que tinham trabalhado muito e criado filhos. Essas pessoas tiveram que pedir para matar a fome. Existiam também os envergonhados, que passavam fome. Morriam pessoas muito novas, porque não tinham condições de vida saudável: má alimentação, falta de recursos para médicos e falta de medicamentos. Não havia horário de trabalho. Ainda passei um pouco por esse tempo. Na agricultura, muitas vezes, começava-se a trabalhar às 6h00 da manhã e terminava-se às 24h00 ou mais. Os agricultores foram sempre os mais penalizados. Não tinham qualquer apoio. Os operários da construção civil e outros faziam as viagens a pé ou de bicicleta. Andavam muitos quilómetros, todos os dias, para chegar ao trabalho. Mais tarde, estes operários começaram a fazer descontos para a Caixa. Assim, tinham abono para os filhos até aos 14 anos. Também tinham direito a receber determinada quantia, por isso, quem ficasse doente por trabalho tinha direito à invalidez. O que, se por um lado foi bom, por outro resultou em muita invalidez fraudulenta. A reforma passou também a ser um direito. Mas o pior foi quando as pessoas começaram a gastar mais do que recebiam. Então, toca a ir ao crédito. A economia começou a andar para trás. O desemprego foi uma peste que tirou hábitos de tra-

Poema

Triste canta o passarinho Nos beirais do meu telhado. Não sei quem tem, coitadinho, Tão triste fado. Eu dei-te o meu coração. Em troca deste-me o teu. A minha vida é tua, O teu viver é o meu. Foi tal a nossa paixão Que hoje vivo satisfeito Por saber que no meu peito O teu viver é o meu. Foi tal a minha paixão Por saber que tu voltavas, E saber na minha vida A vida que tu me davas. Agora já estou contente. Quer tu queiras, quer não, A minha vida é tua E tu dás-me o teu coração. Esta vida amargurada Foi a vida que eu escolhi. Dei-te o meu coração, Porque eu sempre gostei de ti.

balho a muita gente. Os governos e economistas perderam a capacidade de controlar a situação. Foi o pior que podia acontecer. Os próprios governos começavam a ir ao crédito. Ficavam a dever aos credores. Às vezes, sinto um sentimento de revolta. Apenas quero dizer que os meus pais viviam pobres e precisavam da ajuda dos filhos, porque não quiseram vender o pouco que tinham. Os filhos não quiseram que os pais, depois de tantos sacrifícios, tivessem uma vida apertada. Naquele tempo, os filhos davam-lhes por mês 600$00 cada um. Maria Clara Cavadas (Utente do Lar António Almeida Costa)

Quadras soltas

"E a igreja estava toda iluminada Para ver a mulher casada. E eu também fui para a ver. À saída da igreja iluminada, Ela estava já casada, a mulher que eu adorei. Entre amigos e parentes desejava Que fosses sempre feliz. A igreja estava toda iluminada. Mostrando de cara a cara, Não soube o que dizer. Foi chorando seu pranto E o seu vestido foi molhando. O teu amor por mim...”.

De tanto dançar contigo Até rompi os sapatos. Tu sabes de onde eu sou, Do Lar José Tavares Bastos. Eu gosto muito de ti. Quer queiras, quer não, Vamos saltar a fogueira Na noite de S. João. Depois de tanto dançar E de ficarmos estafados, Fomos para a cama dormir E ficámos abraçados. S. António e S. João São Santos casamenteiros. Vamo-nos casar os dois E não somos os primeiros. Depois de tanto dançar Até alta madrugada, Fomos para a tasca comer A boa sardinha assada. Na noite de S. João Formámos a nossa rusga. Depois de tanto dançar Até ficámos pitosgas.

Matias Gonçalves

Matias Gonçalves

Matias Gonçalves

(Utente do Lar José Tavares Bastos)

(Utente do Lar José Tavares Bastos)

(Utente do Lar José Tavares Bastos)

Recordar uma linda canção de amor


SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE VILA NOVA DE GAIA

O QUE ACONTECEU...

… NO CENTRO DE ACOLHIMENTO TEMPORÁRIO N.ª SR.ª DA MISERICÓRDIA

CAT no ZOO da Maia As férias das crianças do Centro de Acolhimento Temporário N.ª Sr.ª da Misericórdia foram muito agitadas. Os meninos participaram em várias iniciativas, juntamente com os utentes da Cercigaia, como uma visita ao ZOO da Maia. Em agosto visitaram a Feira Medieval. As crianças do Centro de Acolhimento Temporário N.ª Sr.ª da Misericórdia (CAT) juntaram-se aos utentes da Cercigaia para uma visita ao ZOO da Maia, no passado dia 17 de julho. As crianças do CAT puderam ver de perto os animais que estão habituados a ver na televisão e nas histórias dos livros. A iniciativa foi integrada no passeio de fim de ano da Cercigaia. Na hora do almoço, os meninos do CAT juntaram-se aos utentes, familiares e técnicos da Cercigaia para fazerem um piquenique e, da parte da tarde, assistiram a um espetáculo de focas, que adoraram. O período de férias para os meninos do CAT ficou ainda marcado pela ida à Biblioteca Municipal de Gaia, onde ouviram a história de “Um sapo lambareiro…”, por um passeio de elétrico até à Foz do Douro, uma ida ao cinema e pela presença no aniversário da Voluntária do Centro, Albertina da Cruz.

Feira Medieval

No início de agosto, as crianças aprenderam como era viver na Idade Média. Foram à Feira Medieval em Santa Maria da Feira onde visitaram o castelo, ouviram uma história na floresta encantada, viram princesas e cavaleiros. No final da visita, comeram não uma, mas duas fogaças quentinhas.

7


O QUE ACONTECEU... … NA CRECHE E JARDIM DE INFÂNCIA D. EMÍLIA DE JESUS COSTA

Pequenada foi ao Zoo de Santo Inácio O passeio de final de ano letivo da Creche e Jardim de Infância foi ao Zoo de Santo Inácio. Mas na primeira quinzena de julho, as crianças não perderam umas idas à praia. O passeio de final de ano letivo 2010/2011 da Creche, Jardim de Infância (CJI) e Atividades de Tempos Livres (ATL) D. Emília de Jesus Costa foi ao Zoo de Santo Inácio, em Avintes, no dia 1 de julho. As crianças de todas as salas e valências, juntamente com as suas educadoras e auxiliares, puderam observar de perto animais que já tinham ouvido falar e conhecer muitos outros. Depois da visita ao Zoo, o convívio entre os mais pequenos da Misericórdia de Gaia continuou num animado piquenique que assinalou o fim do ano letivo.

8

Creche e Jardim de Infância D. Emília de Jesus Costa

A Segurança

O Bem-Estar

Época Balnear Durante a primeira quinzena de julho, as crianças da CJI e ATL viveram momentos inesquecíveis na praia da Madalena, onde se juntou sol, mar e muitos castelos na areia. No último dia, os meninos receberam um “miminho doce” para que nunca se esqueçam das suas educadoras, auxiliares e “amiguinhos” que os acompanharam durante todo o ano.

Do seu filho...


… NO LAR RESIDENCIAL CONDE DAS DEVEZAS

19 Primaveras

O Lar Residencial Conde das Devezas comemorou 19 Primaveras, no passado dia 4 de julho. O momento juntou a “família Misericórdia de Gaia”.

9

Elementos da Mesa Administrativa, Residentes, Colaboradores, Utentes dos três lares sociais… foram muitos os que fizeram questão de se juntarem para a comemoração do 19.º aniversário do Lar Residencial Conde das Devezas (LRCD). O almoço de aniversário abriu com uma saudação bastante sofisticada com as Colaboradoras do Residencial a desfilarem pelo meio da sala com vestidos de gala e a cumprimentarem todos os presentes. Residentes e convidados ficaram agradavelmente surpreendidos com o desempenho das funcionárias que, para além de já terem dado provas de que são excelentes profissionais no cuidado e atenção diária a todos os Residentes, de serem excelentes atletas de Futsal, têm ainda talento para a dança e representação. Depois do almoço foi a vez do Coro do Lar Residencial atuar, cantando canções já conhecidas de todos. O empenho e a sofisticação têm sido uma constante ao longo dos 19 anos de existência do LRCD.


O QUE ACONTECEU... … NO LAR ANTÓNIO ALMEIDA COSTA

Utentes têm cuidado com a exposição solar

A época balnear para os Utentes do Lar António Almeida Costa realizou-se de 5 a 14 de julho. Antes do início das idas à praia, os Utentes participaram na palestra “Cuidados a ter com a exposição solar”.

10

Com o aproximar da época balnear, os Utentes do Lar António Almeida Costa (LAC) ficaram sensíveis aos cuidados a terem com a exposição solar. A Enfermeira do mesmo lar, Soraia Pereira, dirigiu aos Utentes uma palestra, subordinada ao tema “Cui-

dados com a exposição solar”, no passado dia 4 de julho. Atentos, os Utentes fizeram várias questões à Enfermeira e, durante a época balnear, já não foi necessária a insistência da Animadora Sociocultural para colocarem o protetor solar e beberem muita água.

A época balnear do LAC realizou-se de 5 a 14 de julho nas praias da Madalena e de Lavadores. Na praia, os Utentes ajudavam a colocar os guarda-sóis, para-ventos e cadeiras, bem como recordavam as idas à praia na sua juventude.


… NO LAR SALVADOR BRANDÃO

Salvador Brandão em época balnear

O verão no Lar Salvador Brandão foi bastante animado para os Utentes. Se alguns aceitaram o “convite” do sol e do mar e foram à praia, outros optaram pela sombra e frescura do Lar, dedicando-se à pintura.

À semelhança dos anos anteriores, o Lar Salvador Brandão (LSB) realizou mais uma época balnear para os seus Utentes. Durante a segunda quinzena de julho, os Utentes receberam o “convite” do sol e do mar da praia de Francelos e não se fizeram rogados. Houve mesmo quem se lembrasse dos tempos em que frequentavam a mesma praia com a família, das idas à praia de camioneta, da barraca da praia que alugavam… Para além dos banhos de água e de sol, os Utentes passaram ainda alguns momentos a jogar cartas e no bar da praia.

Salvador Brandão com arte

11

A arte da pintura invadiu o LSB na última quinzena de julho. Os Utentes realizaram pinturas com tintas de aguarela e utilizaram a técnica de estampagem. As criações de arte foram expostas como elementos decorativos em vários espaços do Lar, nomeadamente, no jardim de inverno e no Salão Lúdico, Recreativo e Cultural D. Lucinda Brandão.

Misericórdia de Gaia no Porto Canal Os Utentes dos lares sociais da Misericórdia de Gaia foram mais uma vez notícia na comunicação social. O telejornal do Porto Canal do dia 25 de agosto difundiu uma reportagem sobre a vivência dos idosos nos lares da Irmandade. Os Utentes entrevistados no Lar Salvador Brandão e no Lar José Tavares Bastos contaram como foram admitidos nos lares sociais da Instituição, bem como decorre o seu dia a dia. Os Utentes reiteraram que já vivem há alguns anos nos lares sociais, sentindo-se bem e gostando de lá estar. Os idosos que a Misericórdia de Gaia acolhe encontram nesta Instituição o seu lar.


O QUE ACONTECEU... … NO LAR JOSÉ TAVARES BASTOS

Dia Metropolitano dos Avós

Utentes da Misericórdia de Gaia participaram da festa do Dia Metropolitano dos Avós, que se realizou no passado dia 26 de julho no Pavilhão Multiusos de Gondomar.

12

Os Utentes dos lares sociais António Almeida Costa (LAC) e José Tavares Bastos (LJTB) não faltaram à comemoração do Dia Metropolitano dos Avós. O evento realizou-se no passado dia 26 de julho no Pavilhão Multiusos de Gondomar, local em que estiveram presentes mais de sete mil avós dos concelhos da Área Metropolitana do Porto. Os Utentes da Misericórdia de Gaia

puderam conviver com seniores de outros municípios, e divertiram-se com as atuações dos grupos Gestrintuna, Academia de Danças e Cantares da Foz do Douro e Bandalusa. A Câmara Municipal de Gaia assegurou o transporte dos Utentes e distribuiu t-shirts laranjas. A festa dos avós da Misericórdia de Gaia foi passada numa tarde repleta de cor e de sabedoria.

Passeios… … de verão!!!

As tardes dos meses de julho e agosto dos Utentes do LJTB foram passadas ao sol nas esplanadas de Miramar e de Espinho, e à sombra, a desfrutarem da natureza do Parque da Lavandeira, que alguns não conheciam.

Verão é sinónimo de praia, mas também de passeios para os Utentes da Misericórdia de Gaia. Do norte ao centro do país, os Utentes passaram por várias regiões que alguns ficaram a conhecer e outros a recordarem velhos tempos… Para além dos momentos de convívio, os idosos aproveitaram ainda para “beberem” da cultura dos locais que visitaram.

S. Jacinto e Aveiro No dia 15 de julho pela manhã, os Utentes do Lar António Almeida Costa e Salvador Brandão seguiram pela marginal à beira mar até S. Jacinto, onde pararam para tomar um café. A viagem prosseguiu até Mira, onde almoçaram com vista para a ria e visitaram o Museu Etnográfico da região. No regresso para os lares passaram ainda por Aveiro para comprarem os tradicionais ovos moles.


Arcos de Valdevez e Ponte de Lima Mais a norte do país, os Utentes dos lares sociais António Almeida Costa e Salvador Brandão deslocaram-se a Arcos de Valdevez e a Ponte de Lima. A manhã do dia 5 de agosto foi passada a apreciar o estilo barroco da Igreja da Lapa, devotada a N.ª Sr.ª da Lapa. Os idosos espreitaram ainda os turistas na praia fluvial do rio Vez. Durante a tarde, os Utentes aproveitaram para passear pelo centro de Ponte de Lima.

Cabeceiras de Bastos Os três lares sociais da Instituição e o Lar Residencial Conde das Devezas realizaram em conjunto um passeio a Cabeceiras de Bastos, no passado dia 18 de agosto. Antes de chegarem ao destino pretendido, os Utentes e Residentes pararam na cidade berço de Portugal, Guimarães, para visitarem a Igreja da N.ª Sr.ª da Oliveira. Em Cabeceiras de Bastos, os visitantes não perderam a oportunidade de apreciarem o Mosteiro de São Miguel de Refojos de Basto.

Luso e Curia

É triste É triste irmos ao passeio, E trazer más recordações. Virmos a chuchar no dedo, Porque não nos levaram aos leitões. Adriana Pereirinha (Utente do Lar José Tavares Bastos)

O centro de Portugal também recebeu os Utentes da Misericórdia de Gaia. Utentes e Colaboradores dos lares António Almeida Costa, José Tavares Bastos e uma Residente do Lar Residencial Conde das Devezas foram ao Luso, no passado dia 11 de agosto. Como não poderia deixar de ser, alguns Utentes foram beber à fonte a tradicional água do Luso, enquanto outros foram visitar as conhecidas Termas da região. Os Utentes passaram pelo Buçaco, onde visitaram a capela da N.ª Sr.ª da Vitória e o Museu Militar. A Curia foi outra paragem obrigatória. O passeio terminou na festa da N.ª Sr.ª da Saúde com a prova de deliciosas farturas.

Desafio Informático

Soluções Desafio Informático

Soluções Inteligentes

Completamente preparadas para o SNC do Sector Não Lucrativo

Os nossos clientes encaram todas as exigências legais tranquilamente porque sabem que as soluções Desafio Informático estão realmente preparadas muito antes dos prazos legais obrigatórios.

Veja, experimente, teste! Visite um cliente nosso! Contacte-nos e saiba como!

Gestão de Valências | Contabilidade | Recursos Humanos | Compras, Stocks e Consumos | Base de dados dos Irmãos | Gestão de Arrendamentos | Imobilizado | Tesouraria | Gestão Documental e Correspondência | Gestão da Qualidade | … | saiba mais em www.desafioinformatico.pt

Certificadas pela Direcção Geral de Contribuições e Impostos Prontas para o cálculo da sobretaxa extraordinária de IRS 2011 Completamente Integradas com a solução de Gestão Clínica MedicineOne® e possibilitando a prescrição electrónica de medicamentos e as requisições electrónicas de Meios Complementares de Diagnóstico e Terapêutica

SNC no Sector Social Software pronto e testado

R. Agro, 206 1º Dto | 4400-003 V.N. Gaia T. 22 372 23 83 / 4 | F. 22 372 23 85 di@desafioinformatico.pt

13


O QUE ACONTECEU... SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE VILA NOVA DE GAIA

22.º Aniversário do Serviço de Voluntariado da Misericórdia de Gaia

O aniversário do voluntariado da Misericórdia de Gaia constitui a ocasião ideal para, acima de tudo, proporcionar um momento de convívio ao conjunto dos nossos Voluntários, uma vez que, no exercício das suas tarefas vão permanecendo dispersos pelos nossos estabelecimentos sociais. É o espaço ideal para se promover o conhecimento mútuo e a interação, e para se favorecer as relações interpessoais entre os nossos Voluntários.

O Serviço de Voluntariado da Santa Casa da Misericórdia de Vila Nova de Gaia comemorou 22 anos de existência no passado dia 1 de julho. O dia foi lembrado com um encontro de oração e reflexão por todos os Voluntários da Irmandade.

A data foi, este ano, assinalada com a realização de um encontro de reflexão sobre o Voluntariado, que decorreu nas instalações do Lar Salvador Brandão, em Gulpilhares. O Encontro foi orientado pelo Sr. Padre Francisco de Jesus e pela Dra. Diana Salgado, da Organização “Missionários da Boa Nova” de Valadares. Em complemento, foi exibida uma apresentação audiovisual com os momentos mais marcantes destes 22 anos de caminhada do nosso voluntariado.

14

Senhor! A vida é um cenário de nobres causas Que visam a promoção humana. Neste propósito, coloco-me a serviço dedicando um dia, um espaço, algumas horas, alguns minutos para actuar como voluntário. Senhor abençoa essas iniciativas e também a de muitos outros que não medem esforços para promover campanhas, criando recursos, apoiando em pequenos gestos… Ofereço-te, Senhor, as sementos espalhadas, os gestos solidários, as palavras de incentivo que apontam horizontes para se exercer a cidadania. Ilumina-me para perseverar e servir com alegria nesta acção concreta. É gratificante ser um voluntário, por isso, anseio e creio que surgirão outras pessoas capazes de se dar aos outros como Tu. Obrigada Senhor por inspirares tantos exemplos maravilhosos na construção de um mundo mais justo e fraterno. Ámen.

O sopro das velas por um voluntário de cada equipamento e pelo Provedor.


Da parte da tarde, os Voluntários foram convidados a participarem num curto exercício de grupo. A cada grupo foi distribuída a descrição de uma determinada situação (situações hipotéticas mas vivenciadas no dia a dia pelos Voluntários) para refletirem, concluírem e apresentarem aos restantes participantes qual a atitude que tomariam se confrontados com uma situação como aquela. Este dia festivo terminou com uma celebração eucarística presidida (e “animada” à viola) pelo Sr. Padre Francisco e, em sinal de agradecimento, cada um pegou na sua “Mão” para uma leitura conjunta da “Oração do Voluntário”. Pe. Francisco, Diana e Salomé dos Missionários da Boa Nova

Célia Rodrigues (Coordenadora do Serviço de Voluntariado da Misericórdia de Gaia)

I JOGO DE FUTSAL INTER-MISERICÓRDIAS

Misericórdia do Porto levou taça de Gaia

15

A Misericórdia de Gaia convidou e a Misericórdia do Porto aceitou o desafio de realizarem o I Jogo de Futsal Inter-Misericórdias. O encontro aconteceu no passado dia 2 de julho, no Pavilhão Polidesportivo de Gulpilhares. Apesar da luta dos anfitriões, a Misericórdia do Porto acabou por levar a taça para a outra margem do rio.

Pela primeira vez, as duas Santas Casas da Misericórdia juntaram-se em campo e disputaram a taça do primeiro Jogo de Futsal Inter-Misericórdias. Apesar da luta e do excelente desempenho da equipa da Misericórdia de Gaia, chegando mesmo a estar a ganhar 3-2, um jogador da Casa da Cultura e Desporto (CCD) da Misericórdia do Porto marcou um golo, e outro marcou o quarto. A taça deste primeiro encontro de Futsal Inter-Misericórdias acabou por ir para a outra margem do rio.

Como o CCD não tem nenhuma equipa de futsal feminina, as Colaboradoras da Misericórdia de Gaia demonstraram que, além de boas profissionais são também excelentes desportistas ao realizarem o III Jogo de Futsal Feminino, composto pela equipa “Laranjinhas”, elementos do Lar Residencial Conde das Devezas, e pela equipa “Superstars”, com jogadoras do Lar Salvador Brandão, António Almeida Costa e da Farmácia da Misericórdia de Gaia. O jogo foi ganho pela equipa “Laranjinhas” por 3-2.


O QUE ACONTECEU...

De azul a equipa da Misericórdia de Gaia e de branco a da Misericórdia do Porto.

De azul as SUPERSTARS e de laranja, as LARANJINHAS.

16

Os meninos do CAT também assistiram ao jogo.

Utentes do Lar Salvador Brandão.

Na cerimónia de entrega dos prémios, o Provedor da Misericórdia de Gaia, Joaquim Vaz, referiu a importância de haver uma ligação entre as duas Misericórdias: “Estamos nas margens do rio Douro e nada nos vai impedir de unirmos as pontes de entendimento e da cultura de Misericórdia”. “Os nossos Colaboradores fazem todos os dias o melhor que podem”, acrescentou sobre o empenho dos funcionários/”jogadores” da Irmandade. O Provedor da Misericórdia do Porto, António Tavares, falou da proximidade das duas Instituições, das dificuldades que ambas atravessam, mas evidenciou a necessidade do esforço e sacrifício: “Nada na vida se consegue sem esforço. Neste jogo de Futsal vimos pessoas esforçarem-se para marcar golos, mas quem não se esforçar, não obtém nada”. No encontro marcaram presença Mesários, Utentes dos lares sociais da Misericórdia de Gaia, as crianças do Centro de Acolhimento Temporário N.ª Sr.ª da Misericórdia e o Presidente da Junta de Freguesia de Gulpilhares. Este foi mais um dos muitos encontros que vão ser realizados entre as Santas Casas da Misericórdia de Gaia e do Porto em preparação do X Congresso Internacional das Misericórdias, em 2012.

Utentes do Lar António Almeida Costa.

A entrega dos prémios foi no Salão D. Lucinda Brandão.

O árbitro Carlos Leite.


ESPECIAL MATA DA QUINTA DA CHAMORRA

17

Pulmão verde no coração do complexo social Salvador Brandão Poderia ser uma floresta mágica como a dos contos infantis. Poderia ser um potencial parque da cidade em Gulpilhares. Mas é unicamente a mata da Quinta da Chamorra, onde funciona o Lar Salvador Brandão. Pertença do grande benemérito da Santa Casa da Misericórdia de Vila Nova de Gaia, Salvador Brandão, à mata da Quinta da Chamorra estão associados alguns dos maiores eventos históricos de Gulpilhares e de Vila Nova de Gaia, várias iniciativas de convívio no presente e, quiçá, novos projetos no futuro que assegurem a sua vitalidade.


ESPECIAL laboradora fazia em criança com as freiras do Asilo Salvador Brandão: “Elas diziam-me para eu rezar ou então para ficar caladinha”, recorda.

Eventos internacionais de Folclore realizados na mata.

Os eventos…

18

Já não é a ponte de madeira que separa a exploração agrícola da mata, mas sim um curto caminho de terra que conduz a um enorme pulmão verde com quase 18 000 metros quadrados. Conta-se que a benemérita do casal, D. Lucinda Brandão, passava grande parte dos seus dias a ler na gruta do lago da mata da Quinta e a passear de barco no mesmo lago com familiares e amigos. Num passado mais recente, as memórias são da queda de água nessa gruta, onde as filhas mais velhas do último feitor da Quinta da Chamorra bebiam água, depois de terem estado a trabalhar com o pai na terra, dos patos e gansos que povoavam o lago… “Lembro-me de caminharmos por uma beirinha muito pequenina para beber a água que caía da gruta. Era uma água muito fresca”, conta Isaura Pereira, filha do último feitor da Quinta e, atualmente, Colaboradora da Farmácia da Misericórdia de Gaia. Numa altura em que não havia bonecas, nem carrinhos, a mata era o lugar ideal para as escondidinhas e outras brincadeiras das crianças. “Nós arrastávamos os outros irmãos para brincarem na mata”, acrescenta. “No inverno íamos para a mata apanhar cogumelos e depois a nossa mãe cozinhava-os. Era muito bom”, lembra Fátima Pereira, filha do feitor e também Colaboradora da Instituição na Creche e Jardim de Infância D. Emília de Jesus Costa. “Os cogumelos eram grandes, pareciam uns guarda-chuvas”, acrescenta Alzira Oliveira, a outra filha do casal feitor e Colaboradora da Misericórdia de Gaia no Lar Salvador Brandão. Isaura recorda ainda a apanha das nozes na mata e do cheiro das Camélias. Um outro momento que faz parte das memórias da funcionária da Farmácia refere-se aos retiros na mata que a Co-

Na mata da Quinta da Chamorra realizaram-se muitos convívios entre Utentes, Colaboradores e familiares. As festas, os piqueniques, as comemorações oficiais, como o Dia da Comunidade, foram sempre uma constante naquele espaço verde e natural. No entanto, ninguém se esquece do primeiro Festival Internacional de Folclore, organizado pelo Rancho Regional de Gulpilhares, que teve a presença de grupos de folclore estrangeiros, e que se repetiu durante largos anos. Esse era um dos momentos culturais por que mais aguardavam os cidadãos gaienses. “O Festival de Folclore era muito bonito. Todos os anos era aquela expectativa”, afirma Isaura. A famosa ponte de madeira com uns pilares em pedra, em que se podia passar por baixo, já não existe. O lago já não tem tanta água. As mesas e os bancos de pedra já são poucos. Mas o verde e a sombra do gigante arvoredo permanecem. O vento que incita ao bater dos ramos das árvores uns nos outros proporciona tranquilidade e paz deste cenário que por ser tão natural e espontâneo não é comum encontrar-se nos dias que correm. A agitação e os momentos de lazer que aconteceram no passado renovam-se no presente, uma vez que a mata é bastante requisitada para eventos familiares e sociais. Com água, luz, equipamentos para preparação de alimentos, espaço para a colocação de mesas e cadeiras, um palco, espaços para a realização de jogos tradicionais e radicais, a possibilidade da descoberta de inúmeras espécies de vegetação, bem como com uma paisagem invejável, a mata da Quinta da Chamorra é o sítio ideal para momentos de descanso, promovendo um bem-estar físico e mental. Para além de ser fonte de prazer, este pulmão verde no centro do complexo social Salvador Brandão é também fonte de vida.

A mata é requisitada para muitos eventos.

A mata tem água, luz e equipamentos para preparar alimentos.

As casas de banho.


ENTREVISTA MANUEL PEREIRA TRABALHOU 22 ANOS NAS TERRAS DA MISERICÓRDIA DE GAIA Manuel Alves Pereira foi o último feitor da Quinta da Chamorra, onde se situa o Lar Salvador Brandão. Aos 76 anos de idade e já reformado lembra com saudade o esforço, a dedicação e as alegrias durante os 22 anos que teve ao serviço da Instituição.

O último feitor da Quinta da Chamorra

O senhor Manuel Pereira foi o último feitor da Quinta da Chamorra, atual Lar Salvador Brandão… Sim, fui feitor de 1966 a 1988. Entrei no dia 3 de novembro de 1966, tinha 30 anos, a convite do Provedor Manuel Moreira de Barros. É natural de Celorico de Bastos. Quando foi convidado para vir trabalhar na Quinta trouxe a sua família, certo? Vim com a minha mulher e as minhas três filhas mais velhas, que trabalham atualmente na Misericórdia de Gaia. Ainda nos lembramos da viagem de comboio a carvão que fizemos nesse dia… Adaptou-se bem à sua nova vida na altura? Sim. Só tínhamos que comprar a roupa para vestir, de resto davam-nos tudo: alimentação, alojamento, roupa da cama… Mas eu, a minha mulher e as minhas filhas trabalhámos muito na Quinta. Na altura em que vim trabalhar para a Misericórdia de Gaia, ainda estava lá a D. Julinha, que era a governanta da Quinta na altura do Salvador Brandão.

Manuel Pereira com a esposa e duas das suas filhas.

Isaura Pereira é filha do feitor Manuel Pereira e Colaboradora da Farmácia da Misericórdia de Gaia.

Ouvia histórias sobre a família Salvador Brandão… Ouvia sim, às vezes via as fotografias dele. No lago ainda havia os remos do barco em que andava a D. Lucinda Brandão… Trabalhava na exploração agrícola? Tratava dos vários campos da Misericórdia de Gaia e da mata. Embora estivesse na Quinta da Chamorra, onde na altura funcionava o Asilo Salvador Brandão, cheguei também a ir trabalhar para as terras onde estavam os Lares António Almeida Costa e José Tavares Bastos. Lembro-me bem que não faltava nada na Quinta da Chamorra: era hortaliça, fruta, batatas, vinho… Também havia vinho…? Colhíamos muito vinho. Levávamos vinho para o Lar António Almeida Costa e para o Lar José Tavares Bastos. Mas para além do vinho, a Quinta também tinha muita água para consumo, não é assim? Havia uma mina de água, que nascia na Serra de Canelas e que desaguava na Quinta da Chamorra. Essa mina dava para encher dois tanques que existiam na Quinta. Na altura dos Festivais do Rancho de Folclore, as pessoas iam ver a água da mina a cair. Era água boa para consumo. Essa água fornecia todo o Asilo Salvador Brandão? Sim e também era usada para a agricultura. O senhor Manuel Pereira também trabalhava na mata, do que é que se lembra desse tempo? Era uma mata bestial… O Rancho de Folclore atuava lá todos os anos. Nos dias do Festival parecia um arraial. As

pessoas levavam o merendeiro e comiam lá. A mata estava limpa e tinha muito arvoredo. Havia mesas e bancos de pedra ao longo de toda a mata. Quando o senhor Manuel Moreira de Barros morreu, o Provedor que se seguiu, o senhor Pacheco, chamou-me e ao feitor do Lar José Tavares Bastos e disse-nos que queriam comprar um trator para trabalhar nas terras, mas que não tinham dinheiro. Sugeri vendermos o gado para fazermos dinheiro. O senhor Provedor perguntou-me se não tínhamos pinhal e eu disse que não. Tínhamos era a mata com muito arvoredo e o senhor Pacheco disse para cortarmos as árvores. Eu conhecia aquilo tudo. Existe uma história engraçada com enguias no lago da mata… Uma vez estava a trabalhar na mata com um primo meu e encontrámos enguias na água do lago da mata. A primeira que encontrei era muito grande e tive medo. Existiam muitas enguias e chegámos a levá-las para serem cozinhadas no antigo hospital. Também descobri na mata tartarugas. Tartarugas? Sim. A primeira que encontrei foi no local, onde existe uma palmeira. Andava a regar e apareceu uma tartaruga. Na altura eu nem sabia o que era e dei-lhe com a sachola para ver se a esmagava, mas era muito dura e não consegui. Depois levei-a para casa e a peixeira é que me disse que era uma tartaruga (risos). Tempos mais tarde, encontrei outra. Tem saudades do tempo em que trabalhava na Quinta da Chamorra? Tenho saudades desse tempo, porque era novo, mas também do meu trabalho. Trabalhei muito na Quinta. Lembro-me muito bem do Professor Pires Veloso... Tenho boas memórias do Asilo/Lar Salvador Brandão e gostava muito de lá estar.

19


NÚCLEO MUSEOLÓGICO

20

SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE VILA NOVA DE GAIA

Apresentamos hoje duas esculturas de valor que merecem um adequado tratamento, quando houver condições económicas e financeiras que o permitam. Em primeiro lugar, gostaríamos de nos referir à escultura de N.ª Sr.ª da Conceição, que se encontra exposta no Gabinete da Provedoria. É uma escultura de vulto inteiro, em madeira, representando N.ª Sr.ª da Conceição, sobre crescente lunar de pontas erguidas, assente sobre nuvem decorada com três cabeças de anjo, sobre soco baixo, octogonal, com pequeno ressalto. Imagem posicionada de frente, de mãos postas, perna esquerda ligeiramente fletida, originando movimento de corpo em “S”; rosto menineiro, com cabelos compridos e ondulados, caindo sobre os ombros. Veste túnica comprida que cai sobre os pés em pregueado solto e ondulado, deixando visível as extremidades dos sapatos; na cabeça tem um pequeno véu branco, esvoaçante e sobre os ombros um mantelete atado à frente com nó, o manto, que apoia sobre as costas e que tem as duas pontas apanhadas debaixo do braço esquerdo, caindo em movimento ondulante. Na cabeça tem coroa fechada, em prata, com seis arcos imperiais, rematando com pomba do Espírito Santo; arcos decorados com motivos vegetais e volutas e dupla faixa em torsal, no aro da coroa.

A segunda escultura é de Santa Teresa do Menino Jesus, de acordo com o parecer das técnicas do Instituto Português dos Museus, que procederam ao Inventário do Património Móvel desta Irmandade, em 1999. A descrição daquelas técnicas é a seguinte: Escultura em madeira, figurando, presumivelmente, Santa Teresa do Menino Jesus, sobre peanha octogonal moldurada e estrangulada na secção intermédia. Figura posicionada de frente, corpo infletindo ligeiramente sobre a direita e cabeça inclinada também à direita; nas mãos deveria segurar algo, entretanto desaparecido, estando a direita ligeiramente erguida, à altura da cinta e a outra posicionada à altura da anca. Rosto sobre o oval marcado pelas rugas na testa e em volta da boca, acentuando a expressão de angústia, olhos voltados para cima. Veste hábito de carmelita, em castanho, com orlas contornadas a dourado, que cai pesadamente sobre os pés, mas deixando ver as pontas. Luís Marques Gomes

(Diretor-Geral da Misericórdia de Gaia)


ESPAÇO SAÚDE

SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE VILA NOVA DE GAIA

21

Regime Terapêutico O Regime Terapêutico (RT) representa um conjunto de medidas, de âmbito multidisciplinar, com base em fármacos, e cujo objetivo é a promoção da saúde e o prolongamento da vida humana, de acordo com os padrões de qualidade e dignidade humanas definidas na nossa cultura. Engloba várias fases e é uma dimensão importante para os lares, com fortes implicações para o trabalho da enfermagem, especialmente, junto dos doentes crónicos. O RT começa pela prescrição médica, materializada pela Receita Médica. A partir daqui, o RT está completamente associado à enfermagem, e, eventualmente, a um elemento auxiliar,

implicando alguns procedimentos que consomem uma fatia importante do tempo de trabalho, a saber: Atualização imediata do guia terapêutico; Verificação das existências de medicamentos no lar, a fim de atualizar o RT; Registar as receitas emitidas e providenciar o seu envio à Farmácia; Receber a medicação enviada pela Farmácia, conferindo-a pelo registo das receitas; Preparação da medicação para distribuir aos Residentes; Vigilância e promoção da adesão ao RT.


ESPAÇO SAÚDE

SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE VILA NOVA DE GAIA

No caso da preparação, esta, normalmente, é efetuada todas as semanas após atualização das prescrições. Para além do tempo dispendido com os primeiros cinco procedimentos referidos, e não deixando também de serem procedimentos que requerem concentração e disponibilidade por parte do Enfermeiro que os executa, a vigilância e a promoção da adesão ao RT são das tarefas mais prioritárias, mais conflituosas e mais diretamente implicadas na promoção da saúde e da qualidade de vida dos Residentes. A vigilância e a promoção da adesão ao RT passa por um acompanhamento contínuo de cada um dos Residentes, especialmente, quando ocorrem mudanças na medicação prescrita, averiguando os efeitos terapêuticos e/ou adversos dos fármacos que constam do RT. É também de importância crucial averiguar a adesão ao RT por parte do Residente. Verificar se toma a medica-

ção, averiguar até que ponto está apto a gerir o seu RT ou se necessita de apoio para isso, qual a sua recetividade para tomar uns fármacos e não tomar outros, esclarecendo as dúvidas e receios que vão surgindo. Capacidade para gerir o RT e adesão ao RT são duas problemáticas da enfermagem, consagradas, internacionalmente, e para as quais devem existir as condições para que possam ser trabalhadas adequadamente. O acesso à medicação tem um custo partilhado. O seu bom uso é da responsabilidade de quem a prescreve, de quem a toma e de quem a gere. Fernando Araújo (Enfermeiro do Lar Residencial Conde das Devezas)

22

POR ESTARMOS AO SERVIÇO DA SOCIEDADE, E PARA SERMOS REFERÊNCIA NOS CUIDADOS DE SAÚDE,

HUMANIZAR É O VERBO DAS NOSSAS ACÇÕES.

A saúde é o bem mais precioso que o ser humano pode possuir. A recuperação e reabilitação de pessoas cujo estado de saúde se encontra fragilizado, é uma missão que a Clínica Fisiátrica da Santa Casa da Misericórdia de Gaia, com a sua equipa de profissionais de saúde, cumpre com dedicação, grande empenho e satisfação. A Clínica da Santa Casa da Misericórdia de Gaia, está incorporada no complexo do Lar Salvador Brandão, com amplos espaços verdes e um parque de estacionamento privativo. Beneficia ainda, de fácil acesso pelas novas vias de circulação circundante.

Nova valência – Terapia da Fala ACORDOS ARS ADM ADMG CAIXA GERAL DEPÓSITO CAIXA DE PREVIDÊNCIA

MEDIS (ACIDENTES TRABALHO) MINISTÉRIO JUSTIÇA MONTEPIO GERAL PLANICARE PORTUGAL TELECOM

SAD/PSP SAMS SAMS QUADROS SEG. MULTICARE SEG. AÇOREANA

SEG. ALLIANZ SEG. AXA SEG. FIDELIDADE MUNDIAL GLOBAL SEG. IMPÉRIO BONANÇA

SEG. LUSITÂNIA MACIF SEG. SAGRES SEG. TRANQUILIDADE SEG. VITÓRIA


ESPAÇO SAÚDE

SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE VILA NOVA DE GAIA

TEMPO DE NUTRIÇÃO

O Direito à Alimentação A Declaração de Direitos Humanos nos seus artigos 22.º a 26.º afirma: “Todo o homem tem o direito a um nível de vida adequado à saúde e ao bem-estar de si próprio e da sua família, incluindo alimentação, vestuário, casa e assistência médica e necessários serviços sociais, e o direito à segurança no caso de desemprego, doença, incapacidade, velhice e outra falta de recursos em circunstâncias que ultrapassam o seu controlo”. A mundialização ou globalização por via da abolição das fronteiras nas várias dimensões: económica, social e mesmo cultural, não cumpriu ainda um dos seus principais pressupostos, que é a exportação para os países mais necessitados da parte sul do globo, dos ganhos em desenvolvimento técnico-científico dos países do norte. Atualmente, enquanto o mundo desenvolvido luta com o flagelo da obesidade e das doenças crónicas decorrentes da abundância alimentar, no mundo em vias de desenvolvimento, a malnutrição e a fome atingem proporções alarmantes, em cerca de 1 bilião de pessoas e um número incalculável de mortes em crianças. Apesar do apelo ao instinto humanitário e o sentido de responsabilidade mundializado, não se verifica um firme sentido de obrigação assumida pelos líderes mundiais, encontrando-se as regiões do mundo mais sensíveis à pobreza entregues à compaixão das organizações humanitárias. A recente crise financeira que abalou o mundo consumista veio, subitamente, reduzir a esperança dos mais necessitados, assistindo-se, ao invés, à expansão da pobreza e, consequentemente, da fome. O aumento do desemprego, a diminuição da qualidade de vida das famílias, o enfraquecimento da proteção dos idosos e dos incapazes, a substituição do valor das coisas pelo preço das coisas, impõe uma mudança do paradigma da comunidade, à luz do conhecimento científico, que permita, por essa via, redimensionar o mundo tal qual está, invertendo este rumo do incremento da pobreza mundial. Don Reeves considera as seguintes evidências no conceito da pobreza: Pobreza é falta de leite de mãe por falta de alimentação, ou crianças demasiadamente esfomeadas para estarem atentas na escola;

Viver em multidão sob um pedaço de plástico em Calcutá, ou sem casa em Washington; Ver o filho morrer por falta de uma vacina que custa cêntimos e por nunca ter sido visto por um médico; É um boletim de inscrição que o interessado não sabe ler, um professor numa decrépita escola, ou a falta de escola; É sentir-se desamparado, sem dignidade ou esperança. A escassez mundial de alimentos e a respetiva má governação, moldará cada vez mais a política global. O mundo precisa centrar-se não só na política agrícola, mas numa estrutura que a integre com as políticas de energia, população e água, as quais afetam a segurança e sustentação alimentar. Carlos Leite (Assessor para a Nutrição da Misericórdia de Gaia)

23


HISTÓRIAS DE VIDA

SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE VILA NOVA DE GAIA

IRMÃ Nº1 DA MISERICÓRDIA DE GAIA

“O tempo demasiado curto nas Instituições não deixa fazer obra, nem perspetivar o futuro” 26 24

A natureza juntou-as e a vida também. As irmãs Lage, gémeas, vivem no Lar Residencial Conde das Devezas desde 1994, e durante 89 anos nunca se separaram. Em décadas Maria Teresa Sampaio controversas da Mariani sociedade, Ferreira de Macedo entrou como as irmãs Lage foram Irmã da Misericórdia de Gaia a pioneiras e impulsionadoras 19 de janeiro de 1930. Tinha, na de muitos hábitos que altura, 7 anos de idade. Após outras mulheres seguiram. uma recontagem dos Irmãos da

Instituição, em 2005, passou a ser a Irmã n.º1.

Com uma curiosidade que lhe é característica e o olhar atento, Maria Teresa de Macedo não escondeu alguma admiração ao olhar para a sua ficha de inscrição como Irmã da Misericórdia de Gaia há já 81 anos. “A minha letrinha do tempo da primária não era nada feia. Antigamente, fazia-se muita questão da caligrafia, hoje é que já ninguém fala nisso”, comenta. Maria Teresa de Macedo foi proposta como Irmã da Misericórdia de Gaia pelo seu pai, Basílio Sarah Sampaio Ferreira de Macedo, que fez parte dos primeiros Corpos Gerentes da Instituição, como membro do Definitório. O seu pai assumiu ainda a função de Vice-Provedor na Misericórdia de Gaia durante vários mandatos e foi Provedor na Mesa Administrativa de 1952 a 1955. Para além do pai, também o tio e padrinho, Artur Emílio Sampaio Ferreira de Macedo, esteve ligado à Irmandade, uma vez que fez parte da Comissão Promotora para a fundação da Misericórdia. Por isso, Maria Teresa de Macedo desde muito cedo que esteve ligada à Instituição: “Ouvia falarem muito sobre a Misericórdia em casa”.

As memórias… Maria Teresa de Macedo recorda com entusiasmo o episódio da chegada do General Óscar Carmona a Gaia, em 1932: “Tinha nove anos e estava com um vestido cor-de-rosa. Lembro-me que fui entregar um ramo, penso que de rosas, ao General e de ter o meu pai atrás de mim a dizer-me `não te esqueças de dizer que o ramo é em nome da Misericórdia´”. “Recordo-me que quando lhe ofereci o ramo, o General deu-me


dois beijos. Tinha uns bigodes muito grandes e retorcidos e cheirava a tabaco”, acrescenta. A Irmã n.º 1 lembra-se ainda das visitas surpresa que fazia com o pai ao Lar Salvador Brandão: “O meu pai nunca avisava quando lá ia. Lembro-me de uma mata muito bonita com um lago e do meu pai dizer-me para não ir para a mata, porque depois não me encontrava". Das suas memórias faz ainda parte o relacionamento que a sua família tinha com o Conde das Devezas.

Homenagem dos 50 anos como Irmã No dia 26 de junho de 1989, Maria Teresa de Macedo esteve presente na comemoração do 60.º aniversário da Misericórdia. A Irmã n.º 1 recorda-se muito bem desse dia em que descerrou uma placa com o nome dos elementos da Comissão Promotora da Irmandade e da homenagem que recebeu por ter sido uma das Irmãs com mais de 50 anos de ligação à Instituição. Com uma história pessoal e familiar sempre muito ligada à Misericórdia, Maria Teresa de Macedo é perentória ao afirmar que a mudança das direções nas instituições é positiva se for com moderação: “O tempo demasiado curto nas Instituições não deixa fazer obra, nem perspetivar o futuro”.

25 27

Uma vida repleta de melodias… Maria Teresa de Macedo, além de ser uma excelente comunicadora, é ainda detentora de uma vasta cultura e simpatia. O gosto pela música nasceu desde muito cedo, tendo sido influenciada positivamente pela mãe e avó que tocavam piano. O pai e o tio também eram amantes de música. Aprendeu muito com os professores e músicos que teve pelos países por onde passou e aproveitou sempre as oportunidades para evoluir. A experiência internacional fê-la olhar para a música e para a pedagogia da música com um olhar diferente. Ao que tudo indica, Maria Teresa de Macedo foi, provavelmente, a primeira mulher no país a estudar Direção Musical. A Irmã da Misericórdia tem tido uma forte participação no panorama musical do país ao ser júri de muitos concursos. Com uma carreira invejável no mundo da música, Maria Teresa de Macedo começou a trabalhar na Academia de Música da Vila da Feira, e lecionou vários cursos. “Fundei com uma amiga a Academia de Música de Matosinhos, fui professora no Conservatório de Música do Porto, e fui nomeada para a Comissão Instaladora da Escola Superior de Música do Porto”, afirma. A Irmã deu também aulas no Conservatório Nacional em Lisboa: “Saía do Porto para ir para Lisboa dar aulas às sextas e aos sábados e voltava a vir ”. Foi convidada para dirigir o Departamento de Música da Escola das Artes da Universidade Católica. Pela Irmã n.º1 já passaram muitos jovens. Para Maria Teresa de Macedo a sua missão é ensinar música, que faz de forma apaixonada como entende que toda a gente deveria executar as suas funções. “Mas também continuo apaixonada por ver nascer os feijões e as batatas. A natureza e a música são valores que preservo”, reitera.


ESPAÇO VOLUNTARIADO

SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE VILA NOVA DE GAIA

TESTEMUNHOS DOS NOSSOS VOLUNTÁRIOS

“A minha entrada como Voluntária foi uma bênção enorme”

26

“Sinto-me realizada por fazer o que gosto” “Há 14 anos frequentava o Lar Salvador Brandão, onde dedicava algum tempo livre ajudando os Utentes. Como nessa altura estava desempregada, tive de arranjar emprego e deixei de frequentar o lar por falta de tempo. Atualmente, estou reformada e, como sempre tive o desejo de voltar a conviver com os velhinhos, candidatei-me a Voluntária. Sinto-me realizada por fazer o que gosto e agradeço à Misericórdia de Gaia ter sido aceite.” Margarida Cavadas

(Voluntária no Lar Salvador Brandão)

“Quando me reformei antecipadamente, não imaginava que esta situação me fosse causar tanta angústia. Sentia-me deprimida e desorientada, pois não conseguia encontrar uma solução que preenchesse o vazio que eu sentia. Um dia, quando conversava com uma amiga sobre a minha situação, ela perguntou-me se eu gostaria de fazer voluntariado, sugerindo-me o Lar Salvador Brandão. A ideia agradou-me de imediato, pois comecei logo a pensar que poderia ser útil, ajudando os mais carenciados. Orientada por essa amiga, dirigi-me à Santa Casa da Misericórdia de Vila Nova de Gaia, onde manifestei o meu desejo de ser Voluntária. Graças a Deus o meu pedido foi aceite, e hoje posso afirmar, com toda a convicção, que a minha entrada como Voluntária foi uma bênção enorme que recebi! Sinto-me muito feliz pela ajuda que dou aos velhinhos e doentes e por sentir que da parte deles também recebo muito carinho. Por isso, estou grata a todas as pessoas que contribuíram para que fosse Voluntária, visto que me ajudaram a encontrar um novo sentido para a minha vida.” Gracinda Barbosa (Voluntária no Lar Salvador Brandão)

Farmácia da Misericórdia de Gaia Novo Serviço de

PODOLOGIA Brevemente…

CONSULTAS DE NUTRICIONISMO Segunda a sexta-feira das 9h00 às 20h30 e Sábado das 9h30 às 13h00 R. Capitão Salgueiro Maia, 311/7; 4430-518 Vila Nova de Gaia Tel.: 227828971; Fax.: 227826246


SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE VILA NOVA DE GAIA

AGENDA

SETEMBRO - Passeio ao Parque da Lavandeira pelos Residentes do Lar Residencial Conde das Devezas DIA 1 - Abertura do novo ano letivo da Creche e Jardim de Infância D. Emília de Jesus Costa - Abertura das novas instalações da Creche D. Emília de Jesus Costa DIA 9 - Peregrinação anual à Sr.ª da Saúde nos Carvalhos OUTUBRO DIA 4 - Comemoração DIA 7 - Comemoração DIA 18 - Comemoração DIA 27 - Comemoração

do Dia do Idoso no Lar José Tavares Bastos do Dia do Idoso no Lar Residencial Conde das Devezas do 78.º Aniversário do Lar Salvador Brandão do 23.º Aniversário da reabertura do Lar José Tavares Bastos

SABIA QUE... … A rainha D. Leonor foi a fundadora das Misericórdias Portuguesas? … Nos anos 50 eram às Irmãs Franciscanas hospitaleiras portuguesas que competia o serviço do Lar Salvador Brandão? … A unidade de Creche D. Emília de Jesus Costa vai disponibilizar mais 26 novas vagas?

FICHA TÉCNICA: PROPRIETÁRIO: Santa Casa da Misericórdia de Vila Nova de Gaia; DIRECTOR E EDITOR: Dr. Pedro Nobre; COORDENADORA: Dr.ª Célia Rodrigues; REDACTORA: Dr.ª Marisa Pinho; COLABORADORA: Manuela Pinto; DESIGN GRÁFICO: Thing Pink - Publicidade e Comunicação; TIRAGEM: 1000; PERIODICIDADE: Bimestral; SEDE DA REDACÇÃO: Rua Teixeira Lopes, n.º 33, 4400-320, Vila Nova de Gaia; PRODUÇÃO: Sersilito, Empresa Gráfica Lda, Travessa Sá e Melo, 209 - Apartado 1208, 4471-909 Maia NOTA: Publicação isenta de registo na ERC ao abrigo da Lei de Imprensa 2/99 de 13 de Janeiro, artigo 9

Os artigos foram escritos com base no novo acordo ortográfico

27


EQUIPAMENTOS SOCIAIS E UNIDADES DE EXPLORAÇÃO

Laços de Amor n.º 11  

A revista Laços de Amor é uma publicação trimestral e gratuita da Santa Casa da Misericórdia de Vila Nova de Gaia. Em Laços de Amor os leito...

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you