Issuu on Google+

EDIÇÃO Nº 9 BIMESTRAL || SCMG | Mar/Abr | 2011 Gratuito

SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE VILA NOVA DE GAIA

LAÇOS DE AMOR Uma família ao ser viço da comunidade

Volta do Voluntariado na Baixa do Porto Misericórdia de Gaia esteve presente nas iniciativas do Distrito do Porto no âmbito do Ano Europeu do Voluntariado


ÍNDICE EDITORIAL 82 ANOS DE HISTÓRIA PALAVRA DOS UTENTES O QUE ACONTECEU

Novos Padrinhos do CAT

Júlia Pinheiro esteve na Misericórdia de Gaia

Utentes foram à Praça da Alegria

25 de Abril contado às crianças NÚCLEO MUSEOLÓGICO ESPAÇO SAÚDE HISTÓRIAS DE VIDA ESPAÇO VOLUNTARIADO AGENDA SABIA QUE...

3 4 6 7

7

14

15

19

20 21 24 26 27 27


EDITORIAL

SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE VILA NOVA DE GAIA

Fechar a porta à crise

As Misericórdias num cenário de Crise Social!

Crise económica, financeira, social, política e dos valores humanos! FMI! C. E. E., Banco Central Europeu! Mais impostos! Aumento do desemprego. Mais trabalho. Descida de salários! Todos os dias somos bombardeados com estas expressões. O medo e a insegurança instalam-se e as dificuldades realmente aparecem no dia-a-dia dos cidadãos, na vida das empresas e das instituições. A Misericórdia foi constituindo a maior parte do seu Património, através de importantes heranças, deixadas por testamentos e doações.  Ao longo destes 82 anos, tem procurado gerir estes recursos de modo eficiente, com vista à obtenção de rendimentos que permitam cumprir o seu objectivo principal, que é o apoio social, “Acolhendo e cuidando dos mais frágeis e desamparados”. As receitas que recebemos das comparticipações da Seg. Social, das pensões de reforma dos Utentes e complementos das Famílias são insuficientes para custear as despesas com vencimentos do pessoal,  cuidados de saúde, alimentação, vestuário e outras. A minha ligação a esta Instituição remonta a 1981 quando, em 13 de Março desse ano, fui admitido como Irmão, em reunião da Mesa Administrativa, sob proposta do Irmão e Provedor Senhor Professor Manuel Pires Veloso. Muitos foram os Irmãos que integraram os Órgãos Sociais ao longo da sua existência, mas não foram também menos os Colaboradores que com o seu trabalho, tanto contribuíram para que ela chegasse até aos nossos dias. Um número substancial desses Colaboradores executa funções mais

próximas dos Utentes como a higiene pessoal, funções de limpeza das instalações, etc. Estão atentos aos seus movimentos e, como bons samaritanos, ajudam-nos a ultrapassar as suas limitações ou impedimentos. A Misericórdia de Gaia está também atenta a esse esforço e cuidado que é dedicado aos nossos Utentes. São estes nossos funcionários que, de modo dedicado, fazem o trabalho que muitos dizem não conseguir fazer, ou não querem fazer. Reitero que estou muito atento e procurarei, como sempre tenho feito, defender em todos os meus actos o superior interesse da Instituição que sirvo. Faço um exercício contínuo de “Olhar para fora por dentro”, cuidando dos Utentes, mas tendo sempre presente a importância dos funcionários para a prossecução desses cuidados. Nesta edição de Laços de Amor continuamos a dar a palavra aos Utentes e a destacar os principais eventos que ocorreram na vida desta grande família. E dado que estamos no Ano Europeu do Voluntariado destacamos um especial “A Volta de Voluntariado”, que aconteceu na Baixa do Porto para assinalar a data, e na qual a nossa Instituição participou afincadamente.    O dever de cidadania encaixa muito bem na qualidade de Irmão de Misericórdia que também ele, de modo empenhado, deve ser o rosto da caridade junto dos mais desfavorecidos, através da prática activa das 14 Obras de Misericórdia.   Joaquim de Lima Moreira Vaz (Provedor da Misericórdia de Gaia)

3


A MISERICÓRDIA DE GAIA... Nos últimos anos da década de trinta, com o crescimento dos serviços de assistência prestados no Hospital e a crise que se vivia a nível nacional, a Misericórdia de Gaia viveu momentos muito difíceis, e apesar de em todas as actas das reuniões da Mesa Administrativa constar a entrada de vários donativos, este Órgão viu-se na necessidade de pedir com frequência reuniões conjuntas com o Definitório, nomeadamente, para se organizarem peditórios e para se tomarem outras iniciativas visando a obtenção de apoios financeiros.

4

Foi o que aconteceu na reunião conjunta, realizada em 24 de Janeiro de 1938, podendo ler-se na acta o seguinte: “O Sr. Provedor diz que o motivo desta reunião conjunta é expôr aos Corpos Gerentes a precária situação financeira em que se encontra a Misericórdia. Fez uma detalhada exposição do movimento de socorros prestados pelo hospital e demais Serviços da mesma, cujo movimento do dia a dia se vai notando maior em face do aumento de infelizes que a eles acorrem, salientando não haver sido realizado o costumado peditório público no passado ano, o que concorreu também para agravar a presente situação, que urge remediar…. Depois de demorada discussão do assunto, foi deliberado que o referido peditório seja feito por subscrição, prosseguindo a organização do mesmo em nova reunião conjunta que terá lugar no dia um do próximo mês de Fevereiro” . Na reunião do referido dia 1 de Fevereiro de 1938 foi submetido pelo Sr. Dr. Bazílio de Macedo à apreciação dos presentes o projecto da Circular-apelo a endereçar aos habitantes da vila, documento que foi plenamente aprovado, bem como os “apensos descriminativos dos benefícios prestados por esta Misericórdia aos pobres do Concelho durante os dois últimos anos”. E foram organizadas as diversas zonas a percorrer, sendo nomeados como responsáveis quase todos os membros dos Corpos Gerentes: zona um, a cargo dos Srs. Miguel Leal Junior, Alfredo Meireles dos Santos, Dr. João Alves Pereira e Armando Gomes Pessanha; zona dois, a cargo dos Srs. Manoel Cardoso Martins e Dr. Bazílio Ferreira de Macedo; zona três, a cargo dos Srs. Luiz António Pinto de Aguiar e Eugénio de Lima Matos; zona quatro, a cargo do Sr. Abade Jacinto de Magalhães e Lino Francisco dos Reis; zona cinco, a cargo do Sr. Camilo José de Macedo; zona seis, a cargo dos Srs. Conde das Devezas e Joaquim Teixeira d’Almeida; zona sete, a cargo dos Srs. António Fernando Domingues de Freitas e António Gonçalves de Castro; zona oito, a cargo dos Srs. Dr. Artur de Macedo e Salviano Valente Perfeito.

SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE VILA NOVA DE GAIA

Este peditório, que teve o seu termo no final do ano, rendeu a importância de vinte e nove mil quatrocentos e setenta e seis escudos e cinquenta centavos. Em 4 de Outubro de 1939, realizou-se nova reunião conjunta, com vista à organização de novo peditório e cujo apuro final teve lugar na reunião de 4 de Março de 1940, tendo-se apurado o valor final de trinta e dois mil duzentos e vinte e dois escudos. De permeio, a Mesa Administrativa fez exposições da situação difícil da Misericórdia a diversas entidades, nomeadamente, ao Senhor Ministro do Interior, à Direcção-Geral da Assistência, ao Senhor Governador Civil do Porto e ao Senhor Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, a quem pediu a concessão de subsídios extraordinários. Só em Abril de 1940 é que foi comunicado à Misericórdia o despacho ministerial, que atribuía um subsídio de vinte mil escudos, subsídio sobre o qual o Sr. Provedor referiu na reunião conjunta com o Definitório, realizada em 29 de Abril de 1940, o seguinte: “Infelizmente, apesar de todos e tantos esforços, esta Mêsa só em parte acaba de ver atendida a sua petição, o que a coloca numa situação deveras delicada e crítica, como todos os presentes certamente compreenderão.” Foi por isso, com base nessa realidade, que a Mesa Administrativa e o Definitório deliberaram na aludida reunião, o seguinte: a) reduzir o número de camas em cada enfermaria a seis, reservando-se destas uma cama para casos de comprovada urgência; b) limitar a ocupação das duas camas de cirurgia aos casos extremamente urgentes; c) que a medicação dos doentes, em todos os Serviços da Misericórdia, seja regida, exclusivamente, pelo Formulário usado no Hospital Geral de Santo António; d) que o fornecimento de medicamentos gratuitos pela Consulta Externa seja limitado a cianeto e benzoato de mercúrio, e que as aplicações gratuitas do soro escurotónico sejam destinadas, exclusivamente, aos clientes que façam concumitantemente testamento anti-sifilítico, com exclusão dos doentes inscritos na Associação de Assistência aos Pobres de Gaia, os quais continuarão gozando das regalias que vinham tendo.” Na reunião seguinte, em 6 de Maio de 1940, foi aprovada a representação a enviar pelos Corpos Gerentes da Instituição ao Senhor Ministro do Interior, e na qual se lhe agradecia a concessão do subsídio extraordinário de vinte contos e se manifestava a esperança mantida por aqueles ditos Corpos Gerentes de que Sua Excelência se dignará completar até ao fim do corrente ano a importância solicitada por esta Instituição. Na reunião conjunta da Mesa Administrativa e do Definitório de 17 de Junho de 1940, consta o seguinte: “O Senhor Provedor, dirigindo-se aos ilustres membros do Definitório, diz


ANOS DE HISTÓRIA que foi com grande tristeza que lhes dirigiu o convite para a sua assistência a esta reunião, tristeza essa motivada pelo conteúdo do ofício do Excelentíssimo Senhor Governador Civil do Distrito do Porto, que ia mandar ler. Finda a leitura desse documento em que o Excelentissimo Governador Civil informa haver-lhe sido comunicado pela Direcção Geral da Assistência que, por determinação de Sua Excelencia o Senhor Ministro do Interior, não há possibilidade material de solucionar no sentido pretendido a solicitação do auxilio constante da representação dirigida por esta Misericordia no dia dez de Maio último áquele Excelentissimo Ministro, foi pelo Senhor Doutor Basilio de Macedo relatado minuciosamente tudo quanto ocorreu após a entrega da dita representação, e do bom acolhimento à mesma dispensada por aquela Autoridade Superior do Distrito que prometeu patrocina-la junto do Excelentissimo Ministro, tendo o mesmo até sugerido a ida a Lisboa de uma delegação desta Misericórdia no momento que ele entendesse mais oportuno para o fim em vista. Que tanto Sua Excelencia como o Excelentíssimo Senhor Presidente da Camara de Gaia teem sido de uma solicitude a toda a prova a favor da pretensão desta Misericórdia que lhes fica devendo o maior reconhecimento e imensa gratidão. Que, em face dos dizeres do ofício que acabou de ser lido, a projectada ida a Lisboa junto do Excelentissimo Ministro lhe parecia agora desnecessária, e que portanto o que se torna preciso, infelizmente, é tomar medidas que se harmonisem com a critica actual situação financeira da Instituição, visto a falta de auxilio dos Podêres Superiores no momento presente. Depois de demorada discussão do assunto em que intervieram quasi todos os assistentes, o Senhor Doutor Artur Ferreira de Macedo, usando da palavra, alongou-se em considerações sobre as dificuldades que assoberbam esta Misericórdia e diz que, julgando concretisar o sentir de todos os dirigentes da mesma, ia mandar para a Mêsa a seguinte proposta, que lê: ´Proposta: A Mêsa Administrativa da Misericórdia de Gaia e o Definitório da mesma Irmandade ao tomarem conhecimento, em sessão conjunta, que Sua Excelencia o Senhor Ministro do Interior, por intermédio da Direcção Geral da Assistencia Pública, indeferiu o pedido feito por esta Instituição, em representação de dez de Maio passado, na qual, e pelas razões nela contidas, que se dão aqui como reproduzidas, era solicitado, com a possível urgência, o complemento do subsidio extraordinário de vinte contos, já concedido, até prefazer quarenta e oito contos, importância que esta Casa de Caridade, escrupulosamente, apurou como necessária para manter aberto o seu hospital até ao fim do corrente ano económico; considerando que, de harmonia com o deliberado na última sessão conjunta da Mêsa e do Definitório desta Misericórdia, o pedido de auxílio do Poder Central, agora considerado como infrutífero, foi então resolvido como úl-

timo recurso para sustentar-se aberto o serviço do hospital, sem prejuízo das regras de sã administração financeira da Corporação; considerando que, infelizmente, subsistem hoje as mesmas razões se não ainda agravadas com as dificuldades crescentes reflectidas pelo conflito europeu; considerando que os esforços dos Corpos Gerentes da Misericórdia para, há cinco anos, conseguir, sob as mais repetidas e directas promessas dos Poderes Públicos, a fundação do pequeno hospital encontraram sempre a melhor protecção, bem como durante o seu funcionamento, junto da Excelentíssima Câmara Municipal de Gaia e ainda a mais desinteressada cooperação do Excelentíssimo Corpo Clínico que prestou sempre gratuitamente os seus serviços, tanto de medicina como de cirurgia; considerando que a Misericórdia de Gaia tem encontrado na Santa Casa da Misericórdia do Porto a mais eficaz e leal cooperação; considerando que a Misericórdia de Gaia sempre reconheceu como valiosos e altamente caritativos os serviços prestados no hospital pelas Reverendas Irmãs Hospitaleiras Franciscanas de Calais; resolvem por unanimidade: a) Fazer encerrar as enfermarias do seu hospital, ficando a Mêsa com plenos poderes para regular a execução desta medida; b) Consignar o profundíssimo desgosto dos Corpos Gerentes desta Irmandade ao reconhecerem que, apesar dos esforços tentados, tal deliberação tem de ser inadiavelmente tomada, revogando-se assim os seus melhores propósitos de ser mantido e desenvolvido o pequeno e único hospital de Vila Nova de Gaia, e atingindo-se por forma bem grave os doentes pobres deste Concelho de mais de cem mil habitantes; c) Fazer extrair copias desta deliberação e envia-las com os protestos da mais elevada estima e gratidão dos Corpos Gerentes da Misericórdia de Gaia aos Excelentíssimos Governador Civil do Porto, Presidente do Município de Gaia, Excelentíssimos Clínicos do Quadro que prestaram serviços nesta Casa, Reverendíssima Superiora Provincial da Congregação das Franciscanas de Calais e Excelentíssimo Provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto; d) Tornar pública a presente resolução, fazendo acompanhar a notícia dos agradecimentos a todos os benfeitores da Instituição que permitiram os benefícios prestados pelo hospital até á data, e pedindo a continuação do seu auxílio para os serviços de assistência que ainda ficam funcionando. Vila Nova de Gaia, dezoito de Junho de mil novecentos e quarenta. O Vogal do Definitório (a) Artur Ferreira Macedo´. Aceite, e submetida á discussão esta proposta, usaram da palavra vários dos presentes apoiando a doutrina da mesma, sendo em seguida posta á votação, pela presidência, verificando-se haver sido aprovada por unanimidade.” Luís Marques Gomes

(Director-Geral da Misericórdia de Gaia)

5


A PALAVRA DOS UTENTES Chegámos ao mês de Março e com a sua chegada  vem a Primavera. Mês de muitas coisas bonitas. Começam as árvores a florir, o tempo fica mais ameno com flores coloridas, ouve-se já o chilrear dos passarinhos que começam a fazer os seus ninhos e é neste mês que temos o dia de S. José a quem pedimos a sua protecção para o nosso Lar e para todos os que cá vivem e trabalham.. Adriana Pereirinha (Utente do Lar José Tavares Bastos)

Nesta edição, os idosos escrevem algumas citações intemporais: 6

- Não compres sem precisares, senão vendes sem desejares. - Se és amigo, entra comigo já que a casa é tua, se não és, também te digo que é melhor ficares na rua. - Quem dá aos pobres empresta a Deus. - Se vens com Deus, nunca te direi adeus. - No S. Gonçalo compra um galo, na Santa Rita compra uma pita.

Revista à Portuguesa - Chapéus há muitos, seu palerma... - Há mais burros na cidade do que em Caneça… - Oh Evaristo, tens cá disto... - Cuidado com a língua Chico Fininho... (Utentes do Lar José Tavares Bastos)

AS PROFISSÕES

Dialogar à volta de uma mesa redonda sobre as muitas e diversas profissões é dar valor ao trabalho. Deus criou o homem com capacidades para criar, recriar, construir, reconstruir aperfeiçoar, gerir. Fazer um mundo mais feliz, mais fraterno, mais irmão.

O trabalho serve ao homem. O homem serve à sociedade. É comunhão de interesses comuns, embora diferentes. Cada homem e cada mulher com o seu trabalho estão a valorizar a sua pessoa, a sua família, a empresa onde trabalham, a sociedade e o país. Não seria mais proveitoso em vez de se pagar o rendimento mínimo às pessoas que não têm trabalho, pagar-lhes um ordenado para limparem matas, fazerem plantações novas de qualidade para dar boas madeiras? Para evitar os incêndios e cultivar um ambiente saudável? Penso que isto poderia evitar grandes desperdícios, poupar muitas vidas e prejuízos materiais.

SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE VILA NOVA DE GAIA

As minhas quadras soltas No dia deste passeio Foi festa à brasileira. Lá fomos nós, os idosos, A caminho da Torreira. Lá fomos todos contentes. Foi tal o nosso instinto. E sabeis onde aterrámos? Na base de S. Jacinto. E depois de tudo isto E com imensa alegria Desfrutámos da paisagem Desta grande e imensa Ria. E depois de tudo isto Lá parámos um instante Para vermos com alegria Onde havia um restaurante. Para lá nos dirigimos. Foi esta a nossa missão, Pois fomos tão bem servidos Com uma Santa Refeição. E agora sou eu que falo E penso o que tu farias. E sabeis quem nos serviu? O nosso Utente Matias. Fi-lo com alegria E com toda a consideração, Lembrando os tempos Da que foi a minha profissão. Cá chegámos a Aveiro. Foi esta a nossa surpresa. Pois fomos visitar a nossa linda Veneza.  Matias Gonçalves (Utente do Lar José Tavares Bastoss)

O trabalho dignifica e enriquece a própria pessoa. Todo o trabalho tem o seu valor. Todo o trabalho é nobre, deve ser feito com empenho, responsabilidade e dignidade. Deve ser remunerado justamente, segundo as leis em vigor. O trabalho é de riqueza. Como diz o ditado: uma roda toca a outra. Havendo matéria-prima há sempre trabalho. Clara Cavadas (Utente do Lar António Almeida Costa)


O QUE ACONTECEU...

SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE VILA NOVA DE GAIA

… NO CENTRO DE ACOLHIMENTO TEMPORÁRIO N.ª SR.ª DA MISERICÓRDIA

12 Anos a dar colo O Centro de Acolhimento Temporário N.ª Sr.ª da Misericórdia festejou, no passado dia 8 de Abril de 2011, 12 anos de existência. A “família” da Misericórdia de Gaia ficou alargada com a entrada dos novos Padrinhos do CAT. As crianças receberam a visita especial do Provedor, de elementos da Mesa Administrativa, de Colaboradores, de Voluntários, dos Padrinhos e de novos amigos, que foram brindados com uma ternurosa actuação musical. O Provedor Joaquim Vaz partilhou com os convidados a história do Centro, bem como as várias dificuldades para continuar a garantir a sua sustentabilidade. O Presidente da Academia do Bacalhau do Porto, César Pina, foi um dos convidados presentes que ficou rendido aos encantos das crianças e sensibilizado com os problemas deste Centro de Acolhimento Temporário (CAT). César Pina anunciou que vai organizar uma recolha de fundos junto dos “Compadres” da Academia do Bacalhau do Porto em favor das crianças do CAT.

Primavera…

Novos Padrinhos

O CAT festejou o Carnaval com um grupo de jovens do 12º ano da Escola Secundária António Sérgio que, mascarados de palhaços, fizeram um desfile para as crianças do Centro e ofereceram-lhes um lanche “carnavalesco”. As crianças comemoraram também o Dia do Pai (ou de um Amigo Especial) e não deixaram escapar a chegada da Primavera, promovendo actividades no interior e no exterior do CAT.

No dia do aniversário, o Provedor e a Mesária do CAT, Inácia Leão, descerraram uma placa com o nome dos primeiros Padrinhos das crianças do Centro, que ficarão para a história da Instituição. Inácia Leão distribuiu os diplomas aos Padrinhos e agradeceu o importante contributo que dão à instituição, mas sobretudo, às crianças que precisam de continuar a ter o apoio da comunidade.

7


O QUE ACONTECEU... … NA CRECHE E JARDIM DE INFÂNCIA D. EMÍLIA DE JESUS COSTA

Chega a Primavera, chegam as festas… No mês da chegada da Primavera, a Creche e Jardim de Infância D. Emília de Jesus Costa trabalhou com as crianças os vários eventos da época. A destacar o Carnaval, que fez a alegria das crianças, o Dia do Pai que teve a presença dos familiares e a Páscoa, lembrada por todos. Fantasiados a rigor, as crianças da Creche, Jardim de Infância e Actividades de Tempos Livres D. Emília de Jesus Costa brincaram, no passado dia 4 de Março, ao Carnaval. Desde princesas, fadas a piratas todos capricharam e encarnaram as suas personagens. A ameaça do frio lá fora fez com que o habitual desfile de Carnaval das crianças fosse realizado pelas diversas salas do complexo D. Emília de Jesus Costa, sempre com muitas fitas, serpentinas e cor à mistura.

8

Dia do Pai  Creche e Jardim de Infância D. Emília de Jesus Costa

Para festejar o Dia do Pai, no passado dia 18 de Março, as crianças do pré-escolar fizeram um almoço com os seus respectivos pais. No fim, todos os pais levaram como prenda "O Jogo do Galo" feito pelas crianças com motivos alusivos ao projecto da Instituição "A Biodiversidade". Na Creche os festejos realizaram-se à tarde numa actividade que teve como participantes pais e filhos.

A Segurança

O Bem-Estar

Páscoa Páscoa é tempo de reflexão, partilha e solidariedade. Por isso, a Creche e Jardim de Infância D. Emília de Jesus Costa sensibilizou as crianças para esta época, promovendo os valores, por vezes esquecidos no frenético dia-a-dia, que nunca é demais lembrar. Para celebrar esta época, todas as crianças fizeram um postal que posteriormente ofereceram às suas famílias.

Do seu filho...


… NO LAR RESIDENCIAL CONDE DAS DEVEZAS

Carnaval no Residencial O Lar Residencial Conde das Devezas organizou uma grande festa de Carnaval para os seus residentes, no passado dia 4 de Março. Os Residentes fizeram um Passeio de Páscoa até Braga e receberam os vizinhos do Lar António Almeida Costa para uma Tarde de Teatro.

Como não poderia deixar de ser, a festa foi animada com música brasileira, protagonizada pelo Colaborador da Misericórdia de Gaia Joel Granja. Embora fantasiadas, as Colaboradoras do Lar Residencial Conde das Devezas são facilmente reconhecíveis. A Residente Cremilde Vidal destacou a fantasia e a actuação de algumas das Colaboradoras: “A Lucinda era um diabinho irrequieto e a Fernanda Silva um velhote impagável e quase repugnante”. “Por fim, apareceu a Laura como uma moçoila jeitosa”, continuou a Residente a sua avaliação. A festa terminou em grande com uma rapsódia que levou Utentes e Colaboradoras a encetarem uma marcha por toda a sala.

9

Tarde de Teatro O Lar Residencial Conde das Devezas recebeu, no passado dia 19 de Abril, os vizinhos do Lar António Almeida Costa que foram os protagonistas de uma agradável tarde de teatro. Os Utentes do LAC Odete Machado e Benjamim Carvalho encenaram alguns sketches humorísticos que tiveram como consequência uma avalanche de gargalhadas e de palmas da parte dos Residentes.

Passeio de Páscoa O Passeio de Páscoa do Lar Residencial Conde das Devezas foi, este ano, até Braga, no passado dia 13 de Abril. Os Residentes visitaram o “Tesouro Museu da Sé de Braga”, tiveram ainda a oportunidade de assistirem à inauguração de trabalhos de artesãos da região de Braga e de visitarem o “Bom Jesus”.


O QUE ACONTECEU... … NO LAR SALVADOR BRANDÃO

TORNEIO INTER-LARES 2011 Entrega de Prémios

O Torneio de Jogos Inter-lares 2011 chegou ao fim. A entrega dos prémios realizou-se no passado dia 5 de Abril no novo Salão Lúdico, Recreativo e Cultural do Lar Salvador Brandão. A tarde foi de convívio com os cerca de 120 participantes de várias instituições sociais, que apresentaram momentos humorísticos e lúdicos.

10

O Lar Salvador Brandão (LSB) entregou várias medalhas aos vencedores das outras instituições, mas conseguiu que ficasse na “casa” a medalha do primeiro lugar da modalidade do Jogo do Bingo, ganha pela Utente Maria Ferreira, e a medalha do quarto lugar da modalidade de Dominó, ganha pelas Utentes Palmira Oliveira e Maria Ferreira. “O jogo é uma forma de passarem o tempo, distraírem-se e exercitarem o cérebro. Portanto, estas iniciativas são de louvar ”, referiu a Animadora Sociocultural do Lar Salvador Brandão, reiterando que “ganhar ou perder tudo é desporto, o que importa é participar ”.

VENCEDORES DO TORNEIO DE JOGOS INTER-LARES 2011 Torneio da Sueca

1º lugar: Paulo Costa e Isabel Costa do Centro Social de S. Miguel 2º lugar: António Félix e José Tavares do Lar António Almeida Costa 3º lugar: Carolina Vale e Ana Fortuna do Centro Social de S. Miguel

Torneio do Bingo

1º lugar: Maria Ferreira do Lar Salvador Brandão 2º lugar: Rosa Correia do Centro Social de S. Miguel 3º lugar: Fernanda Pinto do Centro Social de S. Miguel e Inês da Associação N.ª Sr.ª da Esperança de Sandim

Torneio de Dominó

O LSB comemorou o Dia de S. José com uma missa animada pelo grupo de cantares e celebrou a Quaresma com uma Via Sacra todas as sextas-feiras e com vários momentos de oração e reflexão.

1º lugar: Ermelinda Soares e José Costa do Centro Social de Pedroso 2º lugar: Carolina Vale e Ana Fortuna do Centro Social de S. Miguel 3º lugar: Gracinda Rocha e Augusto Pereira do Centro Social de S. Miguel 4º lugar: Palmira Oliveira e Maria Ferreira do Lar Salvador Brandão


… NO LAR ANTÓNIO ALMEIDA COSTA

Comemoração dos Aniversários

Os meses de Março e de Abril foram de muita actividade no Lar António Almeida Costa. Comemoraram-se os aniversários dos Utentes e Colaboradores, festejou-se o Carnaval com a presença de muitos convidados, realizou-se o Passeio de Páscoa e houve ainda palestras sobre saúde. O Lar António Almeida Costa (LAC) festejou, no passado dia 31 de Março, os aniversários do mês de Março dos Utentes e de duas Voluntárias. A tarde foi bastante animada com a recitação de um poema sobre as crianças da autoria da Utente Aurora Poças, as Utentes Clara Cavadas e Eunice Canavarro contaram a “História do Gato” e os demais Utentes participaram na representação teatral “O Exame da Mariazinha”. Como já é habitual, o Grupo de Cantares do LAC actuou com a orientação do Maestro Mário Mesquita. A festa dos aniversários contou com a presença dos alunos da Escola Secundária de Valadares e das crianças da Escola das Devesas, com quem a Misericórdia desenvolve um programa intergeracional. No passado dia 13 de Março, os Utentes realizaram o Passeio de Páscoa a Braga e prepararam a Quaresma com várias actividades religiosas, organizadas pela Utente Palmira Silva de 90 anos, e a Via Sacra uma vez por semana.

Palestras de saúde "Envelhecimento Activo, Envelhecimento Saudável" e “Prevenção da auto medicação e poli medicação" foram as palestras de saúde dos meses de Março e Abril, respectivamente, dirigidas pela enfermeira estagiária Soraia Pereira aos Utentes do LAC. Todos os meses a enfermeira falará de um tema de saúde mais relacionado com a terceira idade até ao final de Outubro. Estas palestras têm sido do interesse dos Utentes que participam de uma forma bastante activa. As estagiárias de Animação Sociocultural realizaram com os Utentes actividades de criação de instrumentos musicais, que também foram um sucesso.

Carnaval, a diversão total! No passado dia 7 de Março, o LAC recebeu a presença do Provedor Joaquim Vaz, da Mesária Maria Augusta e dos Utentes dos lares sociais Salvador Brandão e José Tavares Bastos para uma grande festa de Carnaval. A festa, que contou com todos fantasiados a rigor, foi animada com músicas populares, protagonizadas pela Academia Sénior de Canelas.

11


O QUE ACONTECEU... … NO LAR JOSÉ TAVARES BASTOS

Passeio de Primavera em Espanha O Passeio de Primavera deste ano realizou-se no passado dia 25 de Março e teve como destino o Monte de Santa Tecla em Espanha, seguindo-se uma visita pelo alto Minho.

12 Neste passeio participaram Utentes e Colaboradores dos três lares sociais da Misericórdia de Gaia. “Estávamos muito contentes, parecíamos crianças, se é isso que se pode chamar, pois é nesta idade que nós nos transformámos em crianças, segundo a filosofia dos tempos”, disse Matias Gonçalves, Utente do Lar José Tavares Bastos (LJTB). Os Utentes desfrutaram da paisagem do Monte de Santa Tecla: “Só foi pena a capela estar fechada, mas em compensação pudemos ver a maravilhosa paisagem”. O passeio continuou por Vila Nova de Cerveira e Viana do Castelo: “Subimos ao monte de Santa Luzia e visitámos a Basílica”, lembrou Matias Gonçalves. Sempre que possível, a Instituição promove estes momentos de convívio em conjunto como forma de estreitar ainda mais as relações entre todos os membros da “família Misericórdia de Gaia”.

Tarde Musical No passado dia 31 de Março, o LJTB promoveu uma agradável tarde musical com a presença da Voluntária Isabel Vilaça e de dois músicos convidados que tocaram órgão e viola para acompanhar as vozes dos Utentes. “Relembrámos temas conhecidos e ensaiados, como a “Nossa aldeia” o “Teodoro” e os idosos superaram o desafio de interpretar uma rapsódia”, comentou a Animadora Sociocultural Bruna Oliveira. O LJTB foi decorado a rigor para ilustrar a época Pascal.


SEMINÁRIO DE ANIMAÇÃO SOCIOCULTURAL

Directora do Salvador Brandão falou de Animação Sociocultural

A Directora do Lar Salvador Brandão, Irene Fontoura, foi uma das convidadas, no passado dia 15 de Março, do Seminário sobre Impactos da Formação em Contexto de Trabalho/ Estágio do Curso Profissional de Animação Sociocultural, na Escola Secundária Dr. Manuel Laranjeira. Num auditório repleto de estudantes de Animação Sociocultural, a Directora Técnica Irene Fontoura apresentou a estrutura da Misericórdia de Gaia e do Lar Salvador Brandão, bem como está organizada a Animação Sociocultural no Lar. “Só temos uma Animadora Sociocultural, o que para um lar desta dimensão, com 100 Utentes, é muito pouco”, referiu, acrescentando que

também é preciso compreender os “problemas financeiros das Entidades”. A Directora comentou a experiência “positiva” que a Instituição tem tido com os estagiários da Escola Dr. Manuel Laranjeira: “Os estagiários ajudam-nos muito, os alunos desta escola têm muita sensibilidade com os idosos”. “A Instituição também tem a sorte de ter uns idosos muito simpáticos. Eles recebem muito bem e gostam muito dos jovens”, referiu Irene Fontoura.

Segundo a Directora, “os Utentes têm saudades dos estagiários que passam pelo Lar”. Questionada pelos alunos sobre quais as qualidades que os estagiários de Animação Sociocultural do Lar Salvador Brandão devem ter, a Directora respondeu que é importante “gostarem da área das relações humanas”, “saberem ouvir”, respeitarem o trabalho que está planeado, terem conhecimento das características psicossociais dos idosos e estimularem as suas capacidades, bem como “terem uma formação o mais diversificada possível”. “Essencialmente é preciso estar disponível para aprender, sendo-se flexível”, reiterou a Directora.

13


O QUE ACONTECEU... “QUERIDA JÚLIA” NA MISERICÓRDIA DE GAIA

14

Júlia Pinheiro distribuiu beijinhos na Misericórdia de Gaia A apresentadora de televisão da SIC, Júlia Pinheiro, esteve, no passado dia 3 de Março no Lar José Tavares Bastos, na Madalena, em gravações para o programa “Querida Júlia”.

Foi com grande satisfação que o Provedor Joaquim Vaz, o Vice-Provedor Artur Leite, o Mesário Sílvio Ribeiro e a Directora Técnica do Lar José Tavares Bastos Dália Esteves receberam Júlia Pinheiro e ofereceram à apresentadora várias lembranças da Misericórdia de Gaia. Os Utentes do Tavares Bastos ficaram bastante entusiasmados com a visita de Júlia Pinheiro, que fez questão de cumprimentar e falar com todos. “Eu conheço a senhora da televisão e gosto muito de si”, disse um Utente a Júlia Pinheiro. “Agora está a ver ao vivo”, retorquiu a apresentadora. Na entrada do Lar estavam vários populares que quiseram cumprimentar e dar flores à apresentadora. O programa da manhã da SIC “Querida Júlia” continua a entrar pelo Lar José Tavares Bastos dentro todas as manhãs.


Misericórdia de Gaia e UMP na Praça da Alegria

Os Utentes dos três lares sociais da Misericórdia de Gaia acompanharam Infância Pamplona, membro do Secretariado Nacional da União das Misericórdias Portuguesas e Responsável pelo Voluntariado da mesma organização, ao programa da RTP Praça da Alegria, no passado dia 21 de Março.

Infância Pamplona anunciou o espectáculo de solidariedade “Contra a Indiferença Sê Voluntário” que se realizou no passado dia 26 de Fevereiro, no Campo Pequeno, em Lisboa. O leque de luxo de artistas, como Rita Guerra, Quinta do Bill, Muxima, Miguel Ângelo e Miguel Gameiro, Mafalda Arnauth, Katia Guerreiro, Jorge Palma, João Pedreira, Ensemble Escola de Jazz Luiz Villas-Boas e Hot Club de Portugal conseguiu um grandioso e solidário espectáculo, cujas receitas reverteram a favor dos Doentes de Alzheimer. Às 15h00 deu-se início a uma colheita de sangue e a uma identificação de dadores de medula.

15


O QUE ACONTECEU... ESPECIAL 2011: ANO EUROPEU DO VOLUNTARIADO

A Volta do Voluntariado As actividades de voluntariado constituem uma experiência enriquecedora, permitindo o desenvolvimento de capacidades e competências sociais e contribuindo para o reforço da solidariedade. No âmbito do Ano Europeu do Voluntariado, o Governo Civil do Porto organizou a “Volta do Voluntariado”, que contou com várias iniciativas.

16

O Conselho de Ministros da União Europeia instituiu o ano de 2011 como o Ano Europeu do Voluntariado com o propósito desta realização representar uma oportunidade para demonstrar que, no contexto europeu, as actividades de voluntariado reforçam a participação cívica e podem também ajudar a desenvolver um sentimento de pertença e o empenhamento dos cidadãos em relação à sociedade em que estão inseridos, a todos os níveis: local, regional, nacional e europeu. Através do intercâmbio de experiências e de boas práticas, o principal objectivo do Ano Europeu do Voluntariado consiste em incentivar e apoiar as iniciativas que tenham em vista a criação de condições propícias ao desenvolvimento do voluntariado, bem como aumentar a visibilidade das actividades de voluntariado. Inserido neste contexto, a Cidade Invicta do Porto acolheu, de 19 a 22 de Março, “A Volta do Voluntariado”, organizada pelo Governo Civil do Porto, cujo programa contou com diversas iniciativas. Na tarde do dia 19, o Cortejo da Primavera “Sê Voluntário! Faz a Diferença”, percorreu as principais ruas da Baixa portuense. Centenas de Voluntários de diversas organizações do Distrito do Porto concentraram-se na Praça da República e, em cortejo, seguiram pelo Viaduto Gonçalo Cristóvão, Rua Santa Catarina, Avenida dos Aliados, até à Igreja dos Congregados. Pelas 18 horas desse dia, deu-se a abertura oficial da “Mostra do Voluntariado”, na Estação de Metro de S. Bento.


Cortejo da Primavera

Esta Mostra esteve aberta ao público do dia 19 ao dia 22, das 12 às 20 horas, e contou com a participação de diversas instituições / organizações, tais como a União das Misericórdias Portuguesas, a Liga dos Amigos do Hospital Santo António, a AMI, a Cruz Vermelha, a Liga dos Amigos do Hospital S. João, a Federação Nacional de Voluntariado em Saúde, a Liga Portuguesa Contra o Cancro, o Banco Alimentar Contra a Fome, Corporações de Bombeiros Voluntários, o Centro Nacional de Apoio ao Imigrante, entre muitas outras. No stand atribuído à União das Misericórdias Portuguesas estiveram representadas a Misericórdia do Porto, no dia 20, a Misericórdia de Amarante, no dia 21 e a Misericórdia de Gaia, no dia 22, que procuraram divulgar e dar visibilidade ao voluntariado nelas praticado. Durante o funcionamento da Mostra foi possível assistir a certos momentos de animação sociocultural, da responsabilidade de algumas instituições. Ainda no dia 22, ao final do dia, teve lugar o “Meeting-Volunteers”, um espaço informal de comunicação e partilha de experiências individuais de voluntariado. Este espaço contou com algumas intervenções de Voluntários, destacando-se o testemunho da Mesária do Lar António Almeida Costa que foi uma das pioneiras do Serviço de Voluntariado da Misericórdia de Gaia. O Voluntariado do Distrito do Porto correspondeu à iniciativa da “Volta do Voluntariado” e, nesses dias, “fez-se a diferença” na estação de Metro de S. Bento. Célia Rodrigues (Coordenadora do Serviço de Voluntariado da Misericórdia de Gaia)

Foram milhares os que participaram no Cortejo da Primavera, no passado dia 19 de Março, que se realizou na Baixa do Porto e que assinalou o Ano Europeu do Voluntariado. A Misericórdia de Gaia vestiu a camisola da iniciativa e juntou-se às demais instituições e Voluntários que encheram de cor, de música e de alegria as ruas do Porto. Os participantes não perderam a oportunidade de passarem pela abertura da “Mostra do Voluntariado”, na estação de metro de S. Bento, que decorreu entre os dias 19 a 22 de Março.

“Mostra do Voluntariado” O Voluntariado da Misericórdia de Gaia esteve em destaque na “Mostra do Voluntariado” que aconteceu na estação de metro de S. Bento desde o dia 19 a 22 de Março. Foram muitos os transeuntes do metro e curiosos que pediram informações sobre o voluntariado que se realiza na Misericórdia de Gaia e que confraternizaram com os Voluntários e profissionais da banca da Irmandade. Na Mostra, a Misericórdia de Gaia elaborou uma apresentação na qual deu a conhecer a história e os diferentes serviços de voluntariado de que dispõe.

Mesária no “Meeting Volunteers” A Mesária da Misericórdia de Gaia Maria Augusta Ferraz foi uma das participantes na Mostra do espaço “Meeting Volunteers”, dedicado à partilha de experiências individuais sobre voluntariado. A Mesária contou a sua história de vida como Voluntária, que começou desde muito cedo quando tinha 14 anos de idade e se dedicava a ajudar os outros na sua paróquia. Maria Augusta foi bastante aplaudida quando referiu o nome de Maria Teresa Salgado, médica do Hospital S. João e promotora da primeira rede de voluntariado no Porto. Maria Teresa Salgado deu várias formações que serviram de mote para a criação do voluntariado noutras organizações. “Ela foi uma mulher extraordinária”, referiu a Mesária.

17


O QUE ACONTECEU... SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE VILA NOVA DE GAIA

Gala dos Sonhos A Associação Tertuliana dos Alunos EFA (ATAE) organizou uma “Gala dos Sonhos”, no passado dia 9 de Abril de 2011, a favor das crianças do Centro de Acolhimento Temporário N.ª Sr.ª da Misericórdia. A noite foi de música, dança e solidariedade.

18

Uma Gala de sonho por uma causa muito real – ajudar as crianças do Centro de Acolhimento Temporário N.ª Sr.ª da Misericórdia (CAT). O espectáculo realizou-se no Salão Nobre dos Bombeiros Voluntários da Aguda e foi protagonizado por jovens artistas da área da dança e da música que, voluntariamente, aceitaram o convite da Associação Tertuliana dos Alunos EFA (ATAE) para proporcionarem este grande evento. “Tivemos jovens que

vieram de Lisboa, às suas custas, para actuarem nesta noite. Ver jovens tão solidários por uma causa é muito bom”, disse a Laços de Amor a Presidente da ATAE Lucília Silva. Além do espectáculo, a ATAE organizou, durante o mês de Março, uma recolha de fundos para o Centro de Acolhimento que entregou ao Provedor da Misericórdia de Gaia, juntamente com cestas de bens de higiene e conforto para as crianças.

“É muito importante que a sociedade se associe à Santa Casa da Misericórdia de Vila Nova de Gaia para lutarmos por esta causa e, neste espectáculo, os jovens que actuaram deram-nos um grande exemplo”, afirmou o Provedor Joaquim Vaz. No entanto, Lucília Silva acrescentou: “Não estamos a fazer favor nenhum a ninguém, porque as crianças do CAT não são os filhos dos outros, são as nossas crianças”.

LAR SALVADOR BRANDÃO

Novo Salão Lúdico, Recreativo e Cultural

O Lar Salvador Brandão tem agora um novo Salão Lúdico, Recreativo e Cultural. O Salão D. Lucinda Brandão foi inaugurado, no passado dia 8 de Abril de 2011, com a presença do Provedor, Mesa Administrativa e Utentes da Misericórdia de Gaia.

“Estamos a homenagear D. Lucinda Brandão, que era uma mulher muito virtuosa”, afirmou o Provedor da Misericórdia de Gaia no dia do 90.º aniversário do falecimento da benfeitora, que foi também o dia escolhido para a inauguração do novo Salão Lúdico, Recreativo e Cultural no Lar Salvador Brandão, em Gulpilhares. “Espero que esta seja uma sala onde reine muita amizade, convívio e respeito”, continuou, recordando aos Utentes do Lar a história de amor do primeiro casal benfeitor da Misericórdia de Gaia, Salvador e D. Lucinda Brandão, bem como as origens do Lar. A homenagem a D. Lucinda Brandão terminou com a colocação de uma coroa de flores no túmulo da benfeitora, no cemitério de Gulpilhares, que contou com a presença do Presidente da Junta de Freguesia de Gulpilhares, Alcino Lopes. O Salão Lúdico, Recreativo e Cultural D. Lucinda Brandão será um espaço de excelência para a prática de actividades, comemorações e lazer de todos os Utentes do Lar Salvador Brandão.


PROGRAMA INTERGERACIONAL

25 de Abril contado às crianças História e emoção povoaram mais um encontro intergeracional. Os Utentes dos três lares sociais da Misericórdia de Gaia representaram o 25 de Abril para as crianças e seus familiares, no passado dia 27 de Abril, na Escola das Devesas. As crianças apresentaram aos seus familiares os idosos com quem trocam correspondência.

Um ano depois o sucesso repetiu-se. A representação cénica do 25 de Abril, protagonizada pelos Utentes da Misericórdia de Gaia superou, mais uma vez, todas as expectativas, este ano na Escola das Devesas, que contou com a presença dos alunos do terceiro ano e dos seus familiares. Esta iniciativa da representação cénica do 25 de Abril contado às crianças insere-se no programa intergeracional entre os alunos da Escola das Devesas e os Utentes da Misericórdia de Gaia, que trocam correspondência e se encontram uma vez por mês. As crianças estavam atentas aos vários momentos da história, mas também ao desempenho dos “seus idosos”. No final, houve lugar para beijinhos, para os alunos apresentarem os idosos aos

seus familiares e também momentos de muita emoção. “O Ivo tem a fotografia da D. Odete no quarto e fala da senhora com muito carinho. É muito importante as crianças aprenderem a respeitar os mais velhos”, disse Sara Bastos, mãe de Ivo que troca correspondência com uma Utente do Lar António Almeida Costa. “Este encontro de gerações é muito bom. As crianças têm um carinho muito especial quando fazem os presentes para oferecerem aos idosos”, referiu Maria José Salgado, Presidente da Associação de Pais da Escola das Devesas. “Este evento teve uma adesão muito grande e é certamente para repetir”, acrescentou Teresa Costa, Coordenadora da Escola das Devesas.

BREVES 128.º Aniversário do Centro Hospitalar Conde Ferreira O Provedor da Misericórdia de Gaia esteve presente na Cerimónia dos 128 anos de existência do Centro Hospitalar Conde Ferreira, propriedade da Santa Casa da Misericórdia do Porto, no passado dia 24 de Março. O Provedor Joaquim Vaz foi recebido pelo Provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto, António Tavares. A cerimónia iniciou-se com dois Utentes residentes a oferecerem uma coroa de flores à imagem de Conde Ferreira.

Provedor da Misericórdia de Gaia no “Falar Saúde” O Provedor da Misericórdia de Gaia, Joaquim Vaz, foi um dos oradores convidados do Congresso do Sistema de Saúde Português “Falar Saúde”, no passado dia 24 de Março, na Faculdade de Medicina do Porto. A intervenção do Provedor Joaquim Vaz centrou-se na competitividade que existe no sector social, e focou as respostas que as Misericórdias conseguem dar do ponto de vista clínico. Do painel de luxo fizeram ainda parte vários Directores Clínicos que, de um modo interactivo, reflectiram sobre a temática “Clínica Competitiva”.

Assembleia Geral O Relatório de Actividades e Contas da Misericórdia de Gaia foi aprovado por unanimidade na Assembleia Geral do passado dia 29 de Março. No início da Assembleia Geral todos os Irmãos fizeram um minuto de silêncio pelo falecimento do Irmão Honorário Amândio Matos, que foi Provedor e membro do Conselho Geral da Misericórdia de Gaia. O Provedor Joaquim Vaz falou aos Irmãos do trabalho que a Mesa Administrativa tem desenvolvido em favor dos mais desfavorecidos. O Director Administrativo destacou vários acontecimentos que marcaram a Irmandade no ano transacto e o Chefe dos Serviços Administrativos e Financeiros apresentou a análise financeira e económica da Instituição, relativa a 2010.

19


NÚCLEO MUSEOLÓGICO

SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE VILA NOVA DE GAIA

20

Prosseguimos hoje a apresentação de algumas peças provenientes da herança do benemérito casal D. Lucinda Monteiro de Castro Portugal Brandão e Salvador Ferreira Brandão. Desta vez, vamos falar das peças mais importantes da sala de visitas do palacete da Quinta da Chamorra, em Gulpilhares, doado pelo casal e que ali se mantiveram até às obras de remodelação e ampliação do Lar Salvador Brandão, concluídas em 1997. Em primeiro lugar, citamos o candeeiro de tecto em estrutura de latão, estampado e fundido e com ornamentação, constituída por elementos de porcelana. Este candeeiro, que agora está exposto no Núcleo Museológico, tem uma plataforma suspensa no tecto, em gesso modelado em forma de águia com as asas abertas, a cabeça virada para a direita, e as garras fixas em tronco em cujo centro se suspende o candeeiro.

Mantém-se, entretanto, no Lar Salvador Brandão, agora no hall em frente à Capela, o mobiliário que a seguir se descreve: - Secretária em madeira e 3 cadeiras, modelo tipo D. José (3º. Quartel do Século XVIII), sendo uma delas, de braços. - Móvel pequeno em madeira, decorado na porta, com o monograma enlaçado: SFB, ao centro. Luís Marques Gomes (Director-Geral da Misericórdia de Gaia)


ESPAÇO SAÚDE

SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE VILA NOVA DE GAIA

Os Enfermeiros, a prevenção e o tratamento

Com o aumento da esperança média de vida, os nossos Utentes, residentes no Lar António Almeida e Costa, são indivíduos, na sua grande maioria, de idade cada vez mais avançada. O nível de dependência associado às patologias psíquicas e físicas atingem cada vez um grau mais elevado. Para que os nossos Utentes tenham uma qualidade de vida satisfatória, torna-se fundamental a actuação de uma equipa multidisciplinar, da qual faz parte o Enfermeiro. Nesta equipa, o Enfermeiro tem responsabilidades importantes na prevenção da doença e promoção/restabelecimento da saúde dos nossos Utentes. As funções mais importantes do Enfermeiro no nosso lar, prendem-se com: - Organizar a nível de saúde, identificar necessidades, ge-

rir stocks de material clínico e farmacológico, preparar e administrar medicação, avaliando os seus efeitos; - Estabelecer uma relação de proximidade e cumplicidade com o Utente e respectiva família; - Controlar factores de risco, nomeadamente, diabetes, HTA e colesterol. Para isso, terão início no nosso lar consultas de enfermagem, referentes a cada um destes factores, baseadas num rastreio previamente realizado durante o 1º trimestre deste ano. Estes rastreios e consultas são da maior importância, uma vez que nos permitem minimizar a morbilidade e mortalidade do idoso, que, como tal, deve estar alertado para colaborar e procurar estes meios de controlo e prevenção. O Enfermeiro é o elo de ligação entre os Utentes e os restantes técnicos de saúde, pelo que uma relação de proximidade com o Utente torna-se de fulcral importância quando há necessidade de actuar em situações de emergência/urgência, prevenção e controlo, que deve ser trabalhada, tanto do nosso lado, estabelecendo uma empatia com o idoso, como do lado do Utente, confiando e contando o que o preocupa na sua saúde. O humor desempenha um instrumento essencial no trabalho com o idoso. Segundo Robinson (1991), “O humor e o riso desempenham um importante papel na manutenção de uma saúde psicológica e fisiológica, ajudando a fazer face ao stress da vida e promovendo, assim, o bem-estar das pessoas”. Daí a importância da relação de proximidade atrás referida. Para concluir, quero salientar que o nosso trabalho de grande complexidade e exigência é muito gratificante e, normalmente, reconhecido por todos os que cuidamos aqui neste lar. Ricardo Teixeira (Enfermeiro do Lar António Almeida e Costa)

O Stress O Stress tal como a crise são termos que dominam o nosso quotidiano sempre que nos referimos a algo desagradável e que gostaríamos de ver bem longe de nós. “Ando stressado”, “não aguento tanto stress”, “vou stressar”, “estou mal por causa do stress” são algumas expressões frequentes. Desde as mais insidiosas e vulgares situações, como o trânsito que engarrafou, o cliente que não pagou, às extremas causadoras de distúrbio pós-traumático de stress, como o na-

21


ESPAÇO SAÚDE

SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE VILA NOVA DE GAIA

vio que naufragou, a al qaeda que atacou, desde sempre a humanidade enfrentou, ao longo dos tempos, situações causadoras de stress. O conceito surge proveniente não de área da ciência social, fisiológica ou psicológica, mas da engenharia, em que as estruturas são projectadas e construídas para resistir aos efeitos da utilização normal e de ocorrências incertas, pelas forças da natureza. Assim, o ser humano responde à pressão, resultando uma tensão causadora de resposta fisiológica ao surgir a hipertensão, a dor, a angústia ou a depressão e muitas outras benignas ou muito graves causadoras até de eventos fatais. Não é exclusiva das situações desagradáveis. Circunstâncias pesarosas e desejáveis são também fonte de stress, mas seguramente preferiríamos suportar a pressão de ganhar o campeonato ou o euro milhões, a suportar os cortes do FMI ou o desemprego. Também nem todos respondem da mesma maneira, podendo para alguns a sua ausência causar tanto dano como o seu excesso, lembrando os reformados colocados subitamente num vazio de experiências e ficando à espera do nada. Bem como pode mobilizar energias e forças que julgávamos não possuir. O facto de podermos estar integrados em grupos ou redes sociais protege-nos, o mal de muitos é mais fácil suportar.

Stress e doença não são sinónimos, dependendo da forma como cada um lida com as situações desencadeadoras de stress, as experiências anteriores, as estratégias que adopta, os mecanismos adaptativos que desenvolve, e os resultados que espera. As situações difíceis podem representar oportunidades para nos revelarmos e descobrirmos soluções que pareciam improváveis. Nada se consegue sem persistência mas não convém o passo maior que a perna e é, acima de tudo, indispensável que nos deixem avançar. Fernandes Costa

(Médico Psiquiatra da Misericórdia de Gaia)

22

POR ESTARMOS AO SERVIÇO DA SOCIEDADE, E PARA SERMOS REFERÊNCIA NOS CUIDADOS DE SAÚDE,

HUMANIZAR É O VERBO DAS NOSSAS ACÇÕES.

A saúde é o bem mais precioso que o ser humano pode possuir. A recuperação e reabilitação de pessoas cujo estado de saúde se encontra fragilizado, é uma missão que a Clínica Fisiátrica da Santa Casa da Misericórdia de Gaia, com a sua equipa de profissionais de saúde, cumpre com dedicação, grande empenho e satisfação. A Clínica da Santa Casa da Misericórdia de Gaia, está incorporada no complexo do Lar Salvador Brandão, com amplos espaços verdes e um parque de estacionamento privativo. Beneficia ainda, de fácil acesso pelas novas vias de circulação circundante.

Nova valência – Terapia da Fala ACORDOS ARS ADM ADMG CAIXA GERAL DEPÓSITO CAIXA DE PREVIDÊNCIA

MEDIS (ACIDENTES TRABALHO) MINISTÉRIO JUSTIÇA MONTEPIO GERAL PLANICARE PORTUGAL TELECOM

SAD/PSP SAMS SAMS QUADROS SEG. MULTICARE SEG. AÇOREANA

SEG. ALLIANZ SEG. AXA SEG. FIDELIDADE MUNDIAL GLOBAL SEG. IMPÉRIO BONANÇA

SEG. LUSITÂNIA MACIF SEG. SAGRES SEG. TRANQUILIDADE SEG. VITÓRIA


ESPAÇO SAÚDE

SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE VILA NOVA DE GAIA

Saúde do idoso e envelhecimento activo O envelhecimento humano é um processo universal, progressivo e gradual, para o qual concorre uma multiplicidade de factores de ordem genética, biológica, social, ambiental, psicológica e cultural. A variabilidade individual e os ritmos diferenciados de envelhecimento tendem a acentuar-se conforme os determinantes socioculturais, de forma a que não podemos constatar uma correspondência linear entre idade biológica e cronológica. Entre as questões que abordam o envelhecimento, a saúde surge como elemento balizador pelo forte impacto que exerce sobre a qualidade de vida, constituindo-se como uma das principais fontes de estigmas e preconceitos em relação à velhice. O envelhecimento é um processo inevitável e irreversível, mas não é uma doença. As condições crónicas e incapacitantes que frequentemente acompanham o envelhecimento podem ser prevenidas ou retardadas, não só através de intervenções médicas, mas também sociais, económicas e, fundamentalmente, ambientais. O envelhecimento activo, como protagoniza a Organização Mundial de Saúde (OMS), vai mais além do envelhecimento saudável, já que considera, para além da habilidade para manter-se fisicamente activo, um engajamento continuado com a vida. Por razões de ordem demográfica e socioeconómica, a promoção da saúde tem sido destacada no âmbito das prioridades políticas contemporâneas na área do envelhecimento. O desenvolvimen-

to de programas e acções tem orientado os idosos e os indivíduos em processo de envelhecimento quanto à importância da melhoria constante das suas habilidades funcionais, mediante a adopção precoce de hábitos saudáveis de vida (alimentação saudável, prática regular do exercício físico, convivência social estimulante, actividade ocupacional prazerosa e mecanismos atenuantes de stress) e à eliminação de compor-

tamentos nocivos para a saúde (tabagismo, alcoolismo, auto e poli medicação, sedentarismo, isolamento). No âmbito da promoção da saúde estão definidas estratégias que englobam todos os seus determinantes, que segundo Buss (2003) podem ser assim sintetizadas: - Políticas públicas saudáveis; - Desenvolvimento de ambientes favoráveis à saúde, criando um clima favorável à saúde; - Reforço da acção comunitária, através da integração da responsabilidade individual e colectiva na promoção da saúde; - Desenvolvimento de habilidades pessoais favoráveis à saúde em todas as fases da vida; - Reorientação dos serviços de saúde, impondo a superação do modelo biomédico, actualmente, centrado na doença como fenó-

meno individual e na assistência médico-curativa como foco essencial de intervenção. A saúde não deve ser vista como um objectivo em si mesmo, mas numa base da vida quotidiana, instrumento para a realização de aspirações e sentimentos de satisfação no curso de vida. Não deve ser encerrada em propósitos apenas estéticos, individualistas e mercadológicos, mas preservar a capacidade de lidar com a vida, mesmo na velhice e na presença de doenças e limitações. As acções educativas em promoção da saúde com idosos devem fornecer a reflexão sobre o envelhecimento a partir da promoção de encontros, espaços que vinculem afectivamente as pessoas e valorizem as suas trajectórias e saberes. O idoso deve decidir livremente o seu estilo de vida, como ser singular e como ser cidadão, e este padrão não é, necessariamente, aquele concebido pelos profissionais de saúde. O papel destes é informar, orientar e assistir. De facto, é necessário o envolvimento dos idosos em grupos que estimulem a autoconfiança, os vínculos sociais e o investimento construtivo na vida, no sentido de contrariar a actual visão do mundo que considera o idoso um encargo não produtivo, que apenas contribui para o consumo de recursos. Com o envelhecimento activo pretende-se não apenas viver mais tempo, mas enfatizar um pensamento participativo e criativo sobre a vida e o desejo de ser actuante na construção de viver realidades possíveis, mais propícias à qualidade de vida num envelhecimento bem sucedido. Carlos Leite (Assessor para a Nutrição da Misericórdia de Gaia)

23


HISTÓRIAS DE VIDA

SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE VILA NOVA DE GAIA

CAROLINA SANTIAGO TEM 90 ANOS DE IDADE E ESTÁ HÁ 10 NO LAR JOSÉ TAVARES BASTOS

“O Bolhão era o Jornal de Notícias” 26 24

Carolina Santiago tem 90 anos de idade e é Utente do Lar José Tavares Bastos há 10 anos. Aos 20 anos de idade, a Utente deixou a sua casa na Madalena para ir viver e trabalhar para casa de uma família no Porto e no Mercado do Bolhão. A fruta e os legumes, as peripécias no Bolhão, os “fregueses” e a “família verdadeira” que teve fazem parte da História de Vida desta Utente da Misericórdia de Gaia. Natural da freguesia da Madalena, aos 20 anos foi trabalhar para casa de uma família, no Porto: “Fui para a Casa das Bandeiras na Rua de S. João”. A senhora que lhe deu trabalho em casa tinha um negócio no Mercado do Bolhão de fruta e legumes, onde Carolina Santiago também trabalhou. “Estive a trabalhar em casa dessa senhora e no Bolhão durante 62 anos”, recorda Carolina Santiago. A Utente conta que a sua patroa e amiga, como gosta de a chamar, quando ficou doente decidiu passar o negócio do Mercado do Bolhão para o nome de Carolina, com a condição de que continuasse a trabalhar na casa dos senhores. “Muito embora ela tivesse uma empregada doméstica, precisava de mim. Ela gostava da minha companhia”, anuncia.


Saudades Questionada se tem saudades desse tempo, responde que antigamente tinha mais saudades: “Tinha saudades, porque tinha saúde, agora não tenho.” No entanto, recorda com nostalgia o ambiente e a actividade do dia-a-dia daquele tempo. “Depois de ter saído do Bolhão nunca mais lá fui. Às vezes ia no autocarro até ao Porto e quando passava perto do Bolhão virava a cara para o lado, para não me lembrar”, recorda.“O Bolhão foi muito abaixo, já não é o Bolhão que era antigamente. Está muito diferente”, continua. Carolina Santiago deixou o Bolhão quando ficou doente e teve que ser operada a uma perna, mas continuou a viver na casa da sua patroa/amiga. “Chamava-se Maria José Martins”, lembra com saudade o nome da sua patroa, a sua doença e a sua morte. “Quando ela morreu, vim para a Misericórdia de Gaia, porque nós vivíamos numa casa antiga do Porto com muitas escadas e, como eu também já estava doente, a casa não tinha condições para eu ficar lá sozinha”, justifica. “Aqui estou melhor”, reitera de imediato. A Utente entrou primeiro para o Lar António Almeida Costa, mas cedo fez notar à Directora Técnica desse Lar que preferia vir para o Lar José Tavares Bastos por estar localizado na Madalena, local de onde é natural. Carolina Santiago diz sentir-se bem no Lar, mas não gosta de convívios, nem participa nas actividades: “Gosto de ver e de fazer o meu comentário, mas não costumo participar”. Carolina Santiago nunca casou nem teve filhos, a sua vida foi sempre dedicada ao Bolhão e à família da casa para onde foi trabalhar, que considera ser a sua verdadeira família. “A minha patroa e os filhos desde sempre foram muito meus amigos, a filha dela telefona-me muitas vezes. Eles foram a minha família verdadeira”, reitera.

27 25

O Bolhão “Era a banca número 1, logo ali à entrada, quem entra à esquerda. Era o melhor lugar”, recorda ao pormenor a localização da banca de fruta e legumes que vendia no Bolhão. Carolina Santiago continua a orgulhar-se de ter vendido a melhor fruta do mercado: “Não é para me gabar, mas tinha sempre fruta muito boa. Vendia fruta para os restaurantes e já se sabe que os restaurantes só querem o que é bom”. Na sua banca, Carolina Santiago já tinha clientes certos: “Tinha bons fregueses”. “O Bolhão era o Jornal de Notícias, ali sabíamos tudo”, acrescenta, lembrando que era uma “vida alegre, mas também maçadora”. A Utente lembra os bons e maus momentos desse tempo: “Apanhei muito frio e muita chuva. Lembro-me de estar a servir um freguês e vir um pé d´água, nem tínhamos onde nos abrigar”. “Tínhamos que gramar aquilo tudo, porque não podíamos abandonar a banca”, afirma. Carolina Santiago lembra ainda os clientes aborrecidos e os problemas com a fiscalização.


ESPAÇO VOLUNTARIADO

SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE VILA NOVA DE GAIA

Testemunhos dos nossos Voluntários

26

“A minha acção enquanto Voluntária tem-se pautado pelo rigor e constante respeito pelo Utente. Ouvindo, aconselhando e acarinhando, tenho procurado ser um elo de proximidade e de conselho sempre com a máxima do sigilo bem presente. De futuro, continuarei a percorrer os trilhos do serviço harmonioso em prol do desenvolvimento integrado do Utente, ao mesmo tempo que engrandece a minha satisfação enquanto elemento útil de toda a equipa”. “O balanço que faço como Voluntária é positivo. Respeito e sou respeitada por funcionários e Utentes. A todos respeito e trato com carinho. Estendo a mão e dou um abraço e uma palavra amiga a quem precisa. Um sorriso, por vezes, dá alento ao sofrimento físico e moral de cada um”.

“O meu desempenho como Voluntária sempre se baseou no amor e serviço aos Utentes, respeitando-os no seu todo (...) A perfeição não existe, mas é bom ter o sentido de que muitas metas possam ser vencidas e alcançadas”. “Sinto-me realizada, porque os Utentes são aqueles amigos que estão sempre à minha espera e, por vezes, fazem-me confidências”.


AGENDA

SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE VILA NOVA DE GAIA

MAIO DIA 10 - Passeio a Fátima do Lar Salvador Brandão DIA 12 - Representação Cénica da Oração do Terço no Lar José Tavares Bastos DIAS 15 e 17 - Comemoração do Dia da Família nos Lares Salvador Brandão e António Almeida Costa DIA 25 - Actuação do Grupo Coral da Cruzada de Bem-Fazer da Paz no Lar José Tavares Bastos DIA 26 - Baile Convívio no Lar Salvador Brandão DIAS 26 e 27 - Peregrinação Anual ao Santuário de Fátima pelo Lar Residencial Conde das Devezas, pelo Lar António Almeida Costa e pelo Lar José Tavares Bastos DIA 28 - Procissão N.ª Sr.ª da Misericórdia às 17h00

JUNHO DIA 1 - Comemoração do Dia Mundial da Criança DIA 17 - Festa dos Finalistas da Creche e Jardim de Infância D. Emília de Jesus Costa Dia 22 - Festejos dos Santos Populares Dia 26 - 82.º Aniversário da Misericórdia de Gaia Dia 27 - Comemoração do Aniversário do Lar António Almeida Costa

SABIA QUE... … A Misericórdia de Gaia tem cerca de 1500 Irmãos? … A actual sede da Irmandade já foi o primeiro Hospital de Vila Nova de Gaia? … A Clínica Fisiátrica da Misericórdia de Gaia tem um novo serviço: - A TERAPIA DA FALA?

FICHA TÉCNICA: EDIÇÃO: Santa Casa da Misericórdia de Vila Nova de Gaia; DIRECTOR: Dr. Pedro Nobre; COORDENADORA: Dra. Célia Rodrigues; REDACTORA: Dra. Marisa Pinho; COLABORADORA: Manuela Pinto; DESIGN GRÁFICO | PRODUÇÃO: Thing Pink - Publicidade e Comunicação; TIRAGEM: 1000; DATA: Mar./Abr.

27



Laços de Amor n.º 9