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Órgão Internacional dos Adventistas do Sétimo Dia

Ma i o 2 0 0 9

l a b o r a t ó r i o de

LIDERANCA 12

Ferido pelas Pessoas

24

Mulher Determinada

26

Fiel Mesmo Sob Pressão


Maio 2009 A

IGREJA

EM

AÇÃO

Editorial............................. 3 A R T I G O

D E

C A P A

3 Notícias & Imagens

Laboratório de Liderança

Janela

Coisas boas estão acontecendo no campus do Istituto Internacional Adventista de Estudos Avançados.

Visão Mundial

B L A C K M E R

DEVOCIONAL

L A R R Y

Por Gina Wahlen ............................. 16

VIDA

Notícias do Mundo

Por que orar pedindo perdão é mais fácil do que perdoar os outros?

Ferido pelas Pessoas

Por Robert Ramsay .......................... 12

ADVENTISTA

7 Zâmbia por Dentro

8 Cinco Coisas que Aprendi

SAÚDE

Efeitos da Icterícia ............................ 11 Por Allan R. Handysides e Peter N. Landless

Novas da Graça na Mongólia

Por Llewellyn Juby ....................................................................... 14 Como a Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais proporciona novas oportunidades para pessoas sem horizontes. CRENÇAS

BÍBLICAS

Fiel Mesmo Sob Pressão..................... 26 Por Angel Manuel Rodríguez

FUNDAMENTAIS

Nova Terra – Em Construção

CURSO

Por Keisha McKenzie ................................................................... 20 Quando Deus faz tudo novo. DESCOBRINDO

O

ESPÍRITO

DE

PROFECIA

Da Parcialidade à Totalidade: O Plano de Deus para o Mundo que Perece

Por Vicki Griffin .......................................................................... 22 A saúde de amanhã começa vivendo bem hoje. HERANÇA

PERGUNTAS

ADVENTISTA

Mulher Determinada

Por Roy Branson.......................................................................... 24 Quando enfrentava obstáculos, Anna Knight encontrava maneira de contorná-los.

BÍBLICO

Fé que Transforma Vidas ................................. 27 Por Mark A. Finley INTERCÂMBIO

MUNDIAL

29 Cartas 30 O Lugar de Oração 31 Intercâmbio de Ideias

O Lugar das Pessoas ............................. 32 Tradução: Sonete Magalhães Costa

Adventist World (ISSN 1557-5519) é editada 12 vezes por ano, na primeira quinta-feira do mês, pela Review and Herald Publishing Association. Copyright (c) 2005. Vol. 5, nº 5, maio de 2009.

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www.portuguese.adventistworld.org


A Igreja em Ação EDITORIAL Nossa Comunidade em Cristo

N

a região onde moro, a primavera está acordando o mundo de volta para a vida, com novos brotos nas árvores, botões de flores e temperatura agradável. Enquanto escrevo, a grama se veste de um novo verde e as roupas de inverno são guardadas. Em outro lugar, na metade sul do mundo, a 800 quilômetros abaixo de Santiago, no litoral de Chilean, a paisagem e o sentimento da estação são quase o oposto. Embora aquecida pelos ventos do Pacífico sul, a região próxima a Temuco está entrando no outono. A lenha está sendo empilhada para sobreviver às chuvas geladas do inverno em maio, junho e julho. Ainda mais longe, a meio mundo de distância, próximo a antípoda (exatamente oposta ao lugar onde moro), há uma pequena ilha vulcânica a três mil quilômetros a sudeste de Réunion, chamada Île Saint-Paul, no Oceano Índico. Não há população permanente ali. Apenas andorinhas-do-mar e focas desfrutam do clima temperado, além das visitas ocasionais de cientistas. Envolvido com os prazeres do meu mundo, é tentador esquecer quão diferente é a visão do mundo para quem as flores, o canto dos pássaros e o brilho do Sol não são revelados. Meu

período de alegria pode ser o tempo de tristeza e ansiedade de outros. A esperança que transborda em meu coração pode não ser compartilhada por aqueles cuja alimentação de amanhã é incerta ou para os que são feridos pela oposição dos governos à sua fé. Esta revista é chamada de Adventist World (Mundo Adventista) por procurar, de coração, fazer dos adventistas uma família mundial, que se conhece mutuamente e que compartilha muitas coisas em Cristo. Nestas páginas, você vai ler sobre homens e mulheres que estão fisicamente longe de você, porém mais perto em relação às coisas que realmente têm valor do que as pessoas de sua rua e cidade. Você será encorajado pela fé e perseverança deles, e eles aprenderão com sua generosidade e força. Todos nós seremos lembrados de que fomos chamados para uma comunidade cristã, fundada sobre as verdades eternas das Escrituras e comprometida em preparar pessoas para a segunda vinda do Salvador. Nestas páginas, você lerá histórias sobre a graça de Deus e de uma igreja que testemunha para um mundo necessitado de esperança. Uma família mundial, com cerca de 17 milhões de membros batizados e um total de 25 milhões de membros, se encontra nestas páginas todos os meses. “Onde não há grego, nem judeu, circuncisão, nem incircuncisão, bárbaro, cita, servo ou livre; mas Cristo é tudo em todos” (Cl 3:11). – Bill Knott

NOTÍCIAS DO MUNDO

D A R I Q U E N H A P O R T O

“A atividade deste ano foi fantástica”, disse Freddy Sosa, diretor de Comunicação para a igreja de Porto Rico. “A revista deste ano foi uma continuação do projeto do ano passado, que lançou uma campanha preventiva a favor da família, oferecendo informações aos pais para sua vida diária, em casa.” Segundo Sosa, cerca de 350 mil revistas foram distribuídas de casa em casa e em áreas comerciais, em apenas um dia. Ao custo de mais de 106 mil dólares com impressão e promoção da atividade no rádio e televisão, os líderes da igreja creem que compensou o investimento para recuperar uma sociedade enferma.

U N I Ã O

■ Comprometidos a fazer uma diferença positiva em sua comunidade, milhares de adventistas do sétimo dia, em Porto Rico, deixaram de ir ao culto, no sábado (7 de março), para distribuir mensagens de esperança em suas comunidades, que têm sofrido com o aumento da violência. Os membros da igreja distribuíram gratuitamente uma revista de 16 páginas intitulada “Um Olhar Sobre a Família Porto-Riquenha”. O esforço para a distribuição massiva é a segunda atividade desse tipo, na igreja, a atingir toda a ilha. No início do ano passado, cerca de 250 mil revistas foram distribuídas.

I A S D

Igreja Adventista do Sétimo Dia de Porto Rico vai ao Encontro da Comunidade

CAMPANHA DE LITERATURA: Milhares de adventistas do sétimo dia saem para distribuir uma revista especial no sábado, 7 de março. A revista inclui mensagens de esperança direcionadas às crianças e famílias.

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A Igreja em Ação VISÃO MUNDIAL A revista concentra-se na criança, oferecendo artigos sobre como ajudála em sua vida moral e espiritual, os resultados do abandono da escola, educação de crianças portadoras de deficiência, obesidade, comunicação com a criança, entre outros. Durante entrevista para um jornal, José A. Rodríguez, presidente da Igreja Adventista do Sétimo Dia em Porto Rico, disse que o propósito da publicação é guiar e educar as famílias da ilha. “Temos consciência dos problemas enfrentados por pais e filhos hoje, e aceitamos o desafio de continuar promovendo a educação integral para que nossa sociedade possa ter ferramentas úteis para tomar decisões corretas”, disse Rodríguez. O esforço foi um entre muitos iniciados no ano passado, focados na necessidade de um estilo de vida livre de violência entre as famílias e crianças e para dar maior visibilidade à igreja, disse Sosa. Em fevereiro, a igreja iniciou uma série de mensagens de 60 segundos no maior canal de televisão de Porto Rico, o WAPA, durante horário nobre da manhã. As mensagens abordam temas como ódio, suicídio e felicidade por meio de submissão a Cristo. “Estamos muito animados, pois recebemos resposta positiva dos espectadores. Ao escritório da União chegaram muitos telefonemas de pessoas que necessitam de aconselhamento, ajuda e orientação.” Os segmentos estão planejados para continuar durante todo o ano. Eles são parte de um projeto maior da Igreja Adventista do Sétimo Dia em Porto Rico de prover soluções para os problemas sociais da ilha. Segundo Sosa, a igreja não planeja distribuir revistas no próximo ano, mas outras iniciativas e atividades darão continuidade ao projeto na comunidade.

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Mais de 36 mil adventistas do sétimo dia, em Porto Rico, frequentam 330 igrejas e congregações. Constituída de territórios regionais, a igreja administra duas estações de rádio, 20 escolas de ensino fundamental e médio e uma universidade. – Reportagem de Libna Stevens, Divisão Interamericana.

Evangelismo via Satélite Causa Impacto na Euro-Ásia ■ O evangelismo da Igreja Adventista do Sétimo Dia atrai, mais uma vez, milhares de pessoas às igrejas na região Euro-Asiática, uma década após o declínio do interesse pelo cristianismo, após o aumento inicial, assim que a União Soviética caiu, dizem os líderes da igreja. A iniciativa do evangelismo via satélite, transmitido de Lutsk, noroeste da Ucrânia, completou recentemente uma série de duas semanas com audiência de mais de 500 pessoas cada noite. Ivan Ostrovsky, porta-voz regional da igreja, relata que mais de mil pessoas assistiram ao programa nos países vizinhos, incluindo Rússia, Cazaquistão e Alemanha. Os líderes da igreja estimam que cerca de metade das pessoas que aceitaram unir-se à igreja por meio

das reuniões têm menos de 35 anos de idade, o que é um dado encorajador. O prefeito de Lutsk e membros da câmara da cidade assistiram à reunião do dia 7 de março e agradeceram aos adventistas por oferecerem alternativas positivas aos jovens, em vez de álcool e cigarro. Há dois anos, o evangelista adventista Peter Kulakov dirigiu um evangelismo via satélite para toda a região de Kiev, capital da Ucrânia, com uma audiência de milhares de pessoas, pelo Hope Channel (Televisão da Igreja Mundial). Para obter informações sobre a programação, visite hopechannel.info. – Reportagem de Rede Adventista de Notícias.

Líderes Batistas e Adventistas se Reúnem para Confirmar Valores Comuns ■ Delegados da Aliança Mundial Batista reuniram-se com Jan Paulsen, presidente mundial da Igreja Adventista do Sétimo Dia, no início do mês de março, para confirmar seus valores denominacionais comuns e para renovar seus alvos compartilhados de liberdade religiosa. O encontro, do qual participaram outros líderes da igreja, foi realizado na

R A J M U N D

D A B R O W S K I / R A N

SOLO COMUM: Dulcie Callam, ao lado do esposo, Neville Callam, secretário geral da Aliança Batista Mundial; John Graz, diretor de Relações Públicas e do Departamento de Liberdade Religiosa da Igreja Adventista, e Fausto Vasconcelos, diretor de Evangelismo e Educação da Aliança Batista Mundial. O grupo participou de um encontro realizado, no início de março, na sede mundial da Igreja Adventista do Sétimo Dia, em Silver Spring, Maryland, Estados Unidos.


VISÃO MUNDIAL

treinamento para o e va n g e l i s m o a l c a n ç a

União

a

Báltica

Evangelizando os vizinhos na Letônia, Estônia e Lituânia

O

R O B E R T S / U N I Ã O

B Á LT I C A

s líderes da Igreja Adventista do Sétimo Dia dos países bálticos, Letônia, Estônia e Lituânia, concordam que o seminário de dois dias, para treinamento evangelístico, preparou o terreno para o crescimento da igreja naquela região. Cerca de 40 pastores e membros leigos vindos das igrejas adventistas da Estônia, 45 pastores e membros leigos da igreja adventista da Lituânia renovaram seu compromisso com o evangelismo e exploraram novas formas de alcançar os não alcançados em sua vizinhança, durante os seminários de treinamento evangelístico em Tartu (Estônia), Riga (Letônia) e Kaunas (Lituânia), organizados pela Divisão Trans-Europeia (DTE) da Igreja Adventista do Sétimo Dia.

ORANDO PELA COLHEITA: O presidente da Associação da Letônia, Viesturs Rekis; Janos Kovacs Biro, diretor de evangelismo, pequenos grupos e crescimento da igreja na Divisão TransEuropeia; o presidente da União Associação Báltica, Valdis Zilgavis oram durante seminário de treinamento em evangelismo, em Riga, Letônia.

I V O

sede mundial da Igreja Adventista, em Silver Spring, Maryland, Estados Unidos. Os adventistas do sétimo dia e os batistas “compartilham uma fé cristocêntrica e muitos valores em comum”, disse John Graz, diretor de Relações Públicas e do Departamento de Liberdade Religiosa da Igreja Adventista. “Também compartilhamos a paixão pela liberdade religiosa e nos unimos em muitos países ao redor do mundo, para promover e defender essa liberdade.” Neville Callam, secretário da Aliança Batista Mundial desde 2007, concordou com a necessidade comum de trabalhar pela liberdade religiosa. “Parte da formação genética da comunidade batista é a confirmação da dignidade humana”, disse Callam. Ele ainda expressou o interesse em continuar “a partilha e colaboração mútua em causas comuns” no futuro. O presidente mundial da Igreja Adventista, Jan Paulsen, também elogiou o grupo por colaborações no passado na área da liberdade religiosa. “A força de afirmar e proteger a liberdade religiosa depende da participação de muitos. [Vamos] explorar oportunidades para trabalhar juntos em nome de Cristo e para fortalecer nosso testemunho para Ele”, disse Paulsen. Paulsen acrescentou que a parceria tem proporcionado “um solo espiritual fértil para nossa família de fé”. A Aliança Batista Mundial foi fundada em 1905 e atualmente representa 105 milhões de membros em 119 países. A Associação Geral foi organizada em 1863 e representa a igreja mundial com mais de 16 milhões de membros batizados em 203 países e territórios. Estima-se que 30 milhões de pessoas frequentam os cultos da Igreja Adventista do Sétimo Dia ao redor do mundo, semanalmente. – Reportagm de Rajmund Dabrowski, Rede Adventista de Notícias, com equipe da AW.

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A Igreja em Ação VISÃO MUNDIAL

PARTICIPAÇÃO DOS PRESENTES: Questão levantada durante o seminário em envangelismo, em Riga, Letônia. I V O

R O B E R T S / U N I Ã O

B Á LT I C A

O programa proporcionou aos participantes muito sobre o que pensar e discutir. Conforme o líder jovem da Associação da Estônia, Ivo Käsk, foi muito importante ouvir, mais uma vez, que se quisermos e estivermos prontos, seremos usados por Deus em Sua obra. “Esses seminários de dois dias foram muito produtivos, uma grande oportunidade de renovar nosso compromisso com o evangelismo e pensar em novas estratégias. Gostaria de expressar minha gratidão a Janos Kovacs-Biro e a toda equipe (da Divisão) pelo seminário e pelo apoio à missão”, disse Viesturs Rekis, presidente da Associação da Letônia. “Os seminários chegaram bem na hora”, disse Bertold Hibner, presidente de Campo na Lituânia. “Percebo que as pessoas estão muito motivadas a se envolver ativamente no evangelismo ao verem como ele pode ser realizado, ao ouvirem que a DTE e ABAU estão dispostas a dar o suporte financeiro e ao sentirem a calorosa motivação por parte da liderança. Creio que os membros da igreja assumirão corajosamente a responsabilidade de partilhar a fé com seus amigos. Estamos trabalhando para escolher dez projetos

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para planejar o ciclo evangelístico que Janos nos ensinou”, disse ele. “Creio que esse treinamento ajudou as pessoas a cristalizar os planos pelos quais já vinham orando e pensando. Estamos muito gratos pelos seminários. Estou muito grato a toda a equipe da DTE e ABAU por organizar esse evento”, concluiu Hibner. Em nossa sociedade secular, uma das principais perguntas é o que realmente funciona e o que potencialmente traz pessoas para Deus. Os participantes dos seminários disseram que encontraram as respostas durante o treinamento. “Enquanto desfrutava do encontro pessoal com meus amigos, fiquei feliz em saber que 76% das pessoas que vão para a igreja o fazem graças a relacionamentos de amizade”, disse Toivo Kaasik, que pastoreia duas pequenas igrejas no centro da Estônia. “Um amigo, parente ou vizinho que não crê em Deus deve ser o primeiro a ser convidado para estudar a Bíblia conosco e com quem devemos conversar e conduzir a Cristo.” Os participantes tiveram várias ideias novas para o evangelismo. Na Estônia, a mais apoiada foi uma rede de serviço social. Na Letônia, o maior apoio recebido foi a ideia de construir uma igreja inflável e portátil. Na Lituânia, foi sugerido que se fizesse um contrato com uma padaria local, para colocar propaganda da Igreja Adventista nos rótulos dos pães. Agora, os membros das igrejas terão que trabalhar sobre essas ideias e transformá-las em projetos. “Vimos grande resposta a esses seminários de treinamento na Estônia, Letônia e Lituânia. Eles impressionaram os participantes e provocaram novas iniciativas, novas séries evangelísticas”, disse o presidente da União Báltica, Valdis Zilgalvis. “O treinamento foi simples e muito prático. Percebi que Janos fala de sua experiência e a prática convence mais poderosamente. Agora, todos os nossos pastores estão trabalhando em projetos evangelísticos.” Zilgavis acrescenta: “Temos apoio financeiro para dez campanhas evangelísticas em cada país báltico. Cada uma delas receberá em torno de 700 dólares da Divisão TransEuropeia e aproximadamente 373 dólares da União Báltica. As associações e igrejas locais também contribuirão. Graças a essa iniciativa, muitas pessoas ouvirão as boas novas de Jesus Cristo e encontrarão novo sentido na vida.” –Reportagem de Guntis Bukalders e Lauri Beekmann, União Báltica com equipe na AW.


JANELA

ZÂMBIA Capital: Lusaka Principais Idiomas: Inglês (oficial), Bemba, Lozi, Nyanga e Tonga. Religião: Católica Romana, 26%; Protestante, 27%; Hindu, 24%; Muçulmana, 1%; outras, 22%. População: 11,4 milhões* Membros adventistas: 568.000* Adventistas per capita: 1:20* *Arquivos Estatísticos da Associação Geral, 144° Relatório Estatístico Anual.

Zâmbia

Por Robert Ramsay

por Dentro

Z

âmbia é um país interior (sem litoral) da África Austral, situado entre a República Democrática do Congo, ao norte e Zimbábue, ao sul. Localizado logo abaixo da linha do Equador, a maior parte do país é um alto platô, o que lhe proporciona um clima moderado subtropical. Em Lusaka, a capital, a média de temperatura é de 16 graus centígrados no inverno, e 21 graus no verão. Em 1855, o famoso missionário inglês, David Livingstone foi um dos primeiros ocidentais a viajar através do que é hoje o Zâmbia, e a descobrir a formidável cachoeira Victoria Falls, no curso do Rio Zambezi. Desde 1870, cerca de meia dúzia de países europeus brigaram pelo controle da maior parte da África, à procura de recursos naturais. Como parte da “Luta pela África”, a Companhia Inglesa Sul-Africana (BSA), em 1888, sob uma carta de proteção do governo britânico, transformou o que hoje é o Zâmbia, em uma nação protegida, a qual chamaram Rodésia do Norte. Zâmbia permaneceu sob o controle da BSA até 1923, quando o governo britânico assumiu o controle até conceder sua independência em 1964. O país tem vastas campinas, salpicadas de árvores. Animais selvagens como F O T O S :

K I R K

P F L A U M

leões, elefantes, rinocerontes e antílopes passeiam livremente pelos campos. É um país conhecido por ricos depósitos naturais, especialmente reservas de cobre. No fim da década de 1960, era o terceiro maior produtor de cobre do mundo. Infelizmente, sua dependência da exportação do cobre era tal que à medida que os preços caíram, em meados dos anos 70, a economia do país quase entrou em colapso. Zâmbia ainda depende do cobre para a maior parte do seu comércio externo. Como a maioria dos países da África sub-Saara, o HIV-AIDS é endêmico ali. A malária e outras doenças fazem com que a expectativa de vida seja de apenas 38 anos. Segundo algumas fontes, mais da metade do país vive abaixo da linha de pobreza do Banco Mundial, ou seja, menos de um dólar por dia. Dos cerca de 12 milhões de pessoas que vivem nesse país, aproximadamente 600 mil são adventistas do sétimo dia, uma proporção de um adventista para cada vinte pessoas. Mesmo assim, no país inteiro, a Igreja Adventista tem apenas uma escola de ensino superior e umas poucas de ensino fundamental e médio. Em 2003, a Igreja Adventista fundou a Universidade Adventista de Zâmbia,

no sul do país, pouco mais de 160 quilômetros fora de Lusaka. Mais de 800 alunos estudam ali. A biblioteca tem 42 mil livros, mas não possui espaço para acomodá-los. Parte da oferta do décimo terceiro sábado neste trimestre será destinada à construção de uma biblioteca para essa universidade. Você pode ajudar a contar ao mundo sobre Jesus ao reconstruir escolas adventistas em Angola e Zâmbia, para que os jovens possam ter a educação necessária para se tornar membros ativos da igreja, contribuindo com ela e com a sociedade. Com seu apoio, eles podem pregar a mensagem de esperança em Jesus às pessoas de sua comunidade. Muito obrigado por fazer sua parte para levar o amor de Deus ao mundo. Obrigado por apoiar as missões com suas ofertas semanais. Para saber mais sobre o trabalho missionário da Igreja Adventista do Sétimo Dia em Zâmbia, visite: www.AdventistMission.org.

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A Igreja em Ação

5queCApren oisas VISÃO MUNDIAL

Por Jan Paulsen

F

alar sobre “o que aprendi” não é uma ciência exata e há sempre o perigo de autoilusão. Sempre que realmente aprendemos alguma coisa, não podemos prová-lo simplesmente falando, mas quando somos testados em momentos de decisão ou nas crises. Ao refletir nos últimos cinquenta anos de ministério, administração da igreja, particularmente os últimos dez anos como presidente da Associação Geral, vejo uma série de lições que Deus tem, paciente e persistentemente, tentado me ensinar em Suas aulas de relacionamentos humanos. Como Seu aluno, nem sempre aprendi facilmente. Mas, nos últimos anos, uma série de lições se cristalizou em minha mente. São lições que não aprendemos de um livro ou sentados numa carteira; ao contrário, aprendemos na dinâmica, na “desordem” da vida cotidiana. São lições que aprendi ao adorar a Deus com pessoas de idiomas, costumes e experiências

Jan Paulsen é presidente mundial da Igreja Adventista do Sétimo Dia.

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diferentes dos meus; ao me relacionar com colegas, lutando juntos em meio a decisões difíceis e opiniões conflitantes; ao conversar com jovens, idosos e pessoas que acham minhas opiniões e gostos tão estranhos como acho os deles, e, apesar disso, considero cada um como irmãs e irmãos em Cristo. Essa lista é incompleta; o processo de aprendizagem nunca é estático. Essa é uma lista que cresce em número de tarefas “recebidas”, como a necessidade de guardar a Palavra de Deus e Sua vontade, no centro da vida, diariamente submetendonos à Sua direção e buscando Seu perdão. Essas são coisas que Ele continua a me ensinar. É nesse contexto que destaco cinco lições:

1

As pessoas são mais importantes.

Pode ser fácil, como igreja e, especificamente, para os que exercem liderança, pensar em termos de itens, “não pessoas”. Assentamo-nos nas comissões e discutimos valores, posições, declarações, metas, projeções, regras, planos e, em algum ponto, tudo isso se torna separado da experiência humana, pessoal. Começamos a considerá-las de valor intrínseco, em lugar de valorizá-las apenas por serem úteis aos propósitos de Deus em nutrir Seu povo. Tudo que Deus faz no domínio humano é para alcançar as pessoas, para trazê-las para junto de Si, por Seu amor


irrepreensível, e guiá-las para a eternidade. As pessoas são o principal objetivo de Deus. Elas constituem a razão pela qual Cristo veio ao mundo! Essa simples verdade tem consequências incalculáveis para saber como viver cada dia e como interagimos uns com os outros. Em cada tipo concebível de relacionamento, o valor da outra pessoa é maior do que posso compreender. Assim, dentro da igreja, nossa pergunta constante deve ser: “Como isso afeta as pessoas?” Isso não é humanamente lógico, mas é o ilógico amor de Deus por Seus seres criados que deve ser o centro de tudo o que somos e fazemos. Sim, às vezes, falhamos; às vezes, a igreja falha corporativamente. A lição, porém, não é menos importante e permanece comigo.

di 2

Mantenha-se focado no mundo exterior.

A igreja está aqui pela missão. Essa simples declaração é o pivô sobre o qual equilibramos nossa identidade, nosso propósito e a própria razão de nossa existência. Aprendi que esse princípio contém implicações muito importantes. Como a igreja deve priorizar os gastos em tempos difíceis? Ou, como devemos estruturar nossas instituições e administrações? Ou, como a igreja deve funcionar em determinada parte do mundo? Quase todas as perguntas importantes caem nessa simples consideração: o que é o melhor para a missão da igreja? Esses princípios também estão ligados ao modo como usamos nossos recursos humanos. Já disse antes, mas deve ser dito outra vez: Creio que nossa capacidade para realizar a missão deteriorou-se ao longo dos anos, devido à nossa incapacidade de dar às mulheres papéis significativos no ministério e na liderança, e em deixarmos de chamar nossos jovens e jovens profissionais, abaixo de 35 anos de idade, para os processos de decisão da igreja. Sendo claro, nosso alvo principal tem a ver com o lugar em que colocamos nosso foco. Precisamos de reavivamento e renovação na igreja? Certamente! Para mim, porém, colocar e concentrar nossa atenção em nós mesmos só deve acontecer no contexto de nos tornar mais efetivos no evangelismo.

Quando nos tornamos preocupados em tomar a ‘temperatura’ de dentro da igreja, em detrimento do objetivo da missão, a igreja torna-se introspectiva, isolada e ineficaz na comunidade. Colocar nosso foco continuamente na igreja pode ser também ser desanimador. Se formos honestos vamos ver muitas falhas em nossa igreja. Consertá-las seria, então, nosso principal desafio? Não! Até que “isto que é corruptível se revestir da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revestir da imortalidade” (1Co 15:54) devo conviver com as falhas humanas, as dos outros e as minhas. Também aprendi que, a despeito disso, Deus perdoa, cura e restaura. Ele toma o quebrado, o frágil e o inseguro e os capacita, levando-nos adiante para que cumpramos a missão.

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O diálogo triunfa sobre a tirania.

Há muitos anos, um administrador da igreja, com muitos anos de experiência, me disse: “Lembre-se, você está no controle apenas se não tiver que provar.” E aprendi essa verdade.

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A Igreja em Ação VISÃO MUNDIAL Não há lugar na liderança da igreja para tentar “provar” sua autoridade − por muito pouco ela se torna tísica, em exercício defensivo de autoafirmação; e, pior, torna-se autoritária e ditatorial. É dito que, na igreja, não funcionamos com o modelo presidencialista. É verdade, embora algumas decisões executivas devam ser tomadas e certas responsabilidades, em última instância, devem estar sobre alguém. Mas, ao tomar decisões, em todos os níveis da liderança da igreja procuramos a opinião dos outros, conversamos sobre os problemas e procuramos o consenso. Aprendi que as melhores decisões e as mais seguras que podem ser tomadas por um líder espiritual são … tomadas num fórum de consulta, onde haja franca troca de ideias; onde ninguém se considere maltratado por outros que defendem diferentes pontos de vista; onde não haja “tabus” ou opiniões corretas e onde você possa dizer: “Talvez eu tenha errado”, ou “Compreendo o seu ponto, mas não concordo.”

Tenho essa forte sensação quando visito os membros da igreja em diferentes partes do mundo. Muitas vezes, uma pessoa que nunca encontrei antes vem a mim e diz: “Pastor, quero que saiba que oro pelo senhor. Menciono seu nome perante Deus todos os dias.” Ninguém pode imaginar quanto isso significa para mim, pois sinto que o Senhor ouve suas orações e que, em Seu amor por Sua igreja e por Seu povo, Ele me concede a capacidade de retornar ao verdadeiro equilíbrio de corpo e mente, não por causa de quem eu sou, mas por causa do que Ele quer que eu faça. Tenho sentido, também, a mão ministradora de Deus ajudando-me a balancear melhor minha teologia hoje, do que quando era jovem. Agora posso enxergar aspectos que mantêm a igreja unida, não dispersando o rebanho; assim, sou mais “generoso” como teólogo do que há 25 anos. Como professor de Teologia, tinha algumas linhas dentro das quais eu trabalhava – o livro-texto de Teologia. Hoje, apego-me

É bom que cada um de nós olhe para trás e reflita no que o Senhor está nos ensinando ao longo do caminho.

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Não leve você mesmo muito a sério.

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Deus completa o incompleto.

Aprendi que a solenidade não tem força em si mesma. A habilidade de ver a ironia, a surpresa, o lado humorístico em diferentes situações pode ser maravilhosamente saudável na vida da igreja. Sim, nosso trabalho é sério. Porém, coisas engraçadas acontecem e, ao compartilharmos um sorriso, demonstramos nossa humanidade. Sem sermos frívolos ou irreverentes, os momentos de humor podem aliviar algumas situações de grande tensão ou trazer alguma abertura a relacionamentos estremecidos. Podem ser um antídoto efetivo para a arrogância ou para o “nariz empinado” espiritual. Tenho visto muitas e muitas vezes que damos nosso melhor quando estamos à vontade com os outros e com nós mesmos. Sem perder o senso de importância do trabalho em que estamos envolvidos, voltar atrás para um momento de leveza, reconhecendo o elemento humano naquilo que fazemos, pode ajudar a abrir caminho num momento difícil. E eu creio que Deus também ri conosco.

Aprendi que, importando-Se com meus erros e defeitos, o Senhor continuará a andar comigo, sustentando-me e equipando-me para Seu propósito. E isso não é um privilégio só meu. Creio que Deus toma cada um de nós pela mão e diz: “Olha, estou lhe dando uma tarefa especial, mas vou continuar ao seu lado e suprirei todas as suas deficiências de modo que Minha obra seja realizada.”

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firmemente à nossa Teologia; entretanto, relaciono-a com a igreja como uma comunidade de fé viva, orgânica, global, um povo ao qual Deus quer manter unido como uma só pessoa. Vejo isso como parte de um círculo de ideias, o modo como o Senhor tem tentado me ensinar o imenso valor que Ele dá aos indivíduos. Assim, minha abordagem sobre teologia deve procurar chamar as pessoas para dentro, não empurrá-las para fora. Sim, há posições que são uma negação de nossa identidade e das Escrituras, e não podem ser reconciliadas e acomodadas. Mas, aprendi que, às vezes, nem todos veem as coisas do mesmo modo e mesmo assim estamos unidos como uma comunidade cujo destino é o mesmo. Como é que essa mudança aconteceu em mim? Novamente, penso que foi uma deficiência que o Senhor supriu, uma necessidade em mim que Ele transformou para cumprir Seu propósito. E se Ele faz isso por mim, faz também pelos outros. É bom que cada um de nós olhe para trás e reflita no que o Senhor está nos ensinando ao longo do caminho. Ao fazermos isso, creio que seremos capazes de perceber o contorno de Sua mão ao trabalhar em nossa vida e em nosso coração. Pois todos nós somos “alunos na escola de Cristo, aprendendo cada vez mais do Céu, das palavras e da vontade de Deus; mais da verdade e como usar fielmente o conhecimento que recebemos.”* *Ellen G. White, Filhos e Filhas de Deus (1955), p. 72.


Efeitos

S A Ú D E

N O

M U N D O

Icterıcıa

da

Por Allan R. Handysides e Peter N. Landless

Felizmente nosso bebê, agora, está saudável, mas, ao nascer, sofreu com uma icterícia severa. Embora os médicos tenham procurado algum problema de grupo sanguíneo, não conseguiram encontrar a causa. Hoje, ela está crescendo e com uma ótima aparência. Há, porém, algum risco de ela ter complicações futuras?

A

icterícia em recém-nascidos é bastante comum e afeta cerca de 60% dos infantes durante a primeira semana de vida. A causa mais comum é que o bebê possui altos níveis de hemoglobina, nome da cor vermelha do sangue. Essa hemoglobina tem de ser processada pelo fígado do bebê e excretada na bile, mas, na maioria dos casos, o metabolismo do fígado não começa a funcionar imediatamente. A hemoglobina é convertida em bilirrubina (o pigmento amarelo) e liga-se a um ácido para torná-lo solúvel na bile. É importante que essa junção com o ácido não aconteça antes do nascimento, porque não passaria pela placenta. Antes de unir-se ao ácido, a bilirrubina é chamada de bilirrubina não-conjugada, porque não é processada ou conjugada, uma vez que está ligada ao ácido glucurônico. Bebês com icterícia necessitam ser cuidadosamente observados, porque altos níveis de bilirrubina podem causar danos cerebrais. Felizmente, tal complicação é muito rara em nossos dias, porque os médicos têm consciência do perigo. Há outros fatores que aumentam a destruição das células vermelhas do sangue, transformando em bilirrubina por causa da imaturidade do fígado do infante, podendo causar icterícia de risco significativo. Entre eles, está a incompatibilidade sanguínea entre a mãe e o bebê. A mais conhecida é quando a mãe é Rh negativo e seu bebê, ou bebês, são Rh positivo. A sequência de eventos é a seguinte: As células do bebê cruzam a placenta e caem na circulação materna fazendo F O T O :

M A R K

E VA N S

com que seu sistema imunológico utilize os anticorpos para destruir as células vermelhas “estranhas”. Infelizmente, esses anticorpos cruzam a placenta e atacam as células vermelhas dentro do bebê. Geralmente, o segundo ou terceiro filho é o mais severamente afetado, porque vários períodos de gravidez funcionam como estimulantes para o sistema imunológico da mãe. Felizmente, hoje, uma injeção de anticorpos ao antígeno Rh é aplicada na mãe Rh negativo para prevenir problemas mais sérios. Esse medicamento é chamado Rhogam. Outros bebês podem nascer com problemas hereditários, como a esferocitose, que causam a destruição das células do sangue mais rapidamente do que o normal, ou uma deficiência enzimática. Outros bebês podem ter, ainda, problemas no fígado, dificultando o processo de conjugação. Um desses problemas, bastante comum, é a síndrome de Gilbert. O processo do nascimento é difícil e alguns bebês nascem com uma protuberância embaixo do couro cabeludo, chamada céfalo-hematoma, que é uma coleção de sangue abaixo da membrana fibrosa que cobre os ossos do crânio. Quando esse sangue é reabsorvido, pode liberar mais hemoglobina do que o fígado é capaz de suportar. O maior grupo de bebês saudáveis, porém ictéricos, são aqueles nos quais o leite materno é insuficiente na quantidade, ou contém grande porcentagem de compostos da progesterona, o que atrasa a maturidade do fígado. Esses

efeitos são passageiros e com pequenas consequências, se o nível de icterícia não for muito alto. A fototerapia é o processo pelo qual os bebês são expostos à luz intensa, obviamente, com proteção para os olhos. A luz quebra a bilirrubina, possibilitando sua excreção pelos rins. O uso da fototerapia diminuiu drasticamente a necessidade de transfusão de sangue, procedimento antes muito comum, e raro hoje em dia. Uma vez que sua filha recebeu alta do hospital, concluímos que não terá outros problemas com os efeitos da icterícia; embora não tenha distúrbios subjacentes, pode apresentar uma tendência para a anemia, sem colocar a vida em risco. Siga as instruções de seu pediatra e não se preocupe; tudo indica que você tem uma garotinha saudável.

Allan R. Handysides, M.B.,

Ch.B., FRCPC, FRCSC, FACOG, é diretor geral do Departamento de Saúde da Associação Geral.

Peter N. Landless, M.B.,

B.Ch., M.Med., F.C.P.(SA), F.A.C.C., é diretor executivo da ICPA e diretor associado do Departamento de Saúde.

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D E V O C I O N A L

A

refeição estava ótima. A companhia, genial. A conversa após o jantar, animadora. A vista das montanhas e do rio, espetacular. Eu estava feliz por ter aceitado o convite de Gladys e Bert* para jantar com eles em seu novo apartamento em frente para o rio. Ao sair da mesa, segui Bert até seu escritório para ver algumas artes indígenas que ele havia trazido da Bolívia. Alguns minutos mais tarde, quando retornei à sala-de-estar, vi Gladys mostrando a outros convidados a fotografia que eu lhes havia dado de presente. − Boa foto; moldura barata! – ouvi Donald dizer. Congelei no corredor, enquanto minha face queimava de raiva e mágoa. Seria realmente a voz de Donald? Por que ele diria tal coisa? Não havia razão alguma para me diminuir com uma observação tão sarcástica. Escolhi aquela moldura propositadamente, pois a foto poderia ser removida facilmente e havia dito a Gladys e Bert que, quando estivessem cansados de minha fotografia, se sentissem à vontade para substituí-la por uma nova. Esperei um pouco no corredor para me acalmar, antes de reunir-me ao grupo, mas estava chateado. Não fazia muito tempo que eu havia retornado à Igreja Adventista e admirava Donald por seu entusiasmo pela vida e por seu amor a Deus. Ele me ensinou a importância de ter um relacionamento diário com Jesus. Na volta, enquanto dirigia naquela noite, confortava a mim mesmo com a oração que Jesus ensinou aos Seus discípulos: “Perdoa as nossas dívidas assim como nós perdoamos aos nossos devedores.” Em meu coração, sabia que queria perdoar Donald, não apenas porque essa seria a atitude de Jesus, mas porque não sabia com que frequência já havia ferido alguém com minhas próprias palavras impensadas. Não querendo pensar mal de Donald, me perguntava se ele não estaria enfrentando algum problema pessoal. Talvez eu tenha sido o alvo de seu dardo incandescente ao se sentir impotente e frustrado em seu

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Você

Quando

F erido Pelas Pessoas

é Por Robert Ramsay

Lições da experiência pessoal

relacionamento com alguém próximo, e eu era um alvo fácil. Ser ferido por aqueles que amamos não é uma experiência rara. Os mais próximos e mais queridos para nós são os que mais podem nos ferir, e isso pode acontecer tanto na família da igreja como na família de sangue. À medida que minha raiva e mágoa foram amainadas pela influência do Bálsamo de Gileade, refleti na Oração do Senhor (Mt 6:9-13) e o que ela deve significar para os seguidores de Cristo. F O T O :

Revendo Palavras Familiares

“Pai Nosso …” Fico emocionado em saber que, na língua original, isso pode ser traduzido por “Nosso Papai”, algo que aprendi com o Donald e, às vezes, uso essa expressão carinhosa quando oro em público. Deus quer nos envolver com Seus braços para que O conheçamos melhor, de modo que cresçamos espiritualmente saudáveis – assim como um pai terreno coloca seu filhinho no colo e leva a colher até sua boca. M AT T H E W

H E R Z E L / M O D I F I C A D O

D I G I TA L M E N T E


“... que está nos Céus, santificado seja o Teu nome.” O nosso Pai “mora” no Céu. Ele é o centro do Universo. Ele sustenta os planetas e cuida de cada lei natural que rege a vida nesta massa azul e branca, que chamamos Terra. Ele está acima

“O pão nosso de cada dia nos dá hoje.” Fortifiquemo-nos, diariamente, com alimento espiritual, para que possamos compartilhar com aqueles que encontramos durante o dia. No sábado de manhã, quando olhamos o cardápio espiritual do dia, não torçamos o nariz,

são verdadeiros, honestos, justos, puros, amáveis, de boa fama e cheios de virtude (veja Fp 4:8). Somos motivados a procurar livramento do mal, não apenas para nosso próprio bem, mas para o bem-estar da grande família da igreja também.

Quando tivermos morado por dez mil anos no reino de amor, as irritações e mágoas deste mundo terão se apagado na obscuridade. e além de todos os pais terrenos e, mesmo assim, podemos comungar com Ele. “Vinde, pois, e arrazoemos, diz o Senhor” (Is 1:18). Nossa mente luta para compreender tão grande privilégio: comungar com o Criador do Universo. Assim, quando entramos na Sua casa, com reverência, esperamos avidamente que Sua voz mansa e delicada fale conosco. “Venha o Teu reino. Seja feita a Tua vontade, assim na Terra como no Céu.” Jesus descreve o reino de nosso Pai quando Ele diz: “Quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; e quem quiser ser o primeiro entre vós será servo de todos” (Mc 10:43, 44). Devemos nos perguntar se estamos nos preparando, diariamente, para morar em tal reino. Enquanto nos preparamos para ir à igreja aos sábados pela manhã, nossa atitude deveria ser: “Pai, mostra-nos como podemos servir a alguém hoje.” Nossos ouvidos deveriam estar prontos a ouvir com simpatia, nossa boca a falar com bondade e nossas mãos prontas para tocar gentilmente. Se nossa atitude for amar aos outros como a nós mesmos, há uma boa chance de que a vontade de nosso Pai seja feita na Terra.

se por acaso ele parece não satisfazer nossas necessidades imediatas. Ao contrário, graciosamente consideremos que o estudo da lição e o sermão podem ser armazenados como vitaminas e sais minerais, para alguém que possa estar necessitando com urgência. “E perdoa as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores.” Lembremo-nos de que, nos assentos ao nosso redor, estão santos lutadores que batalham com problemas dos quais nada sabemos. Como nosso Pai do Céu, relacionamo-nos com eles com simpatia, mesmo quando nos jogam palavras rudes e olhares maldosos. Como Jesus, dizemos: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lc 23:34). Mantendo em mente que eles não conhecem as circunstâncias da nossa vida nada mais do que conhecemos os detalhes da vida deles, realmente cremos em nosso coração que são ignorantes da mágoa que nos causaram e, genuinamente, os perdoamos. “E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal.” Alimentemo-nos diariamente da Palavra do Pai para obter confiança em Sua força e para nos livrar de circunstâncias difíceis. Ao mesmo tempo, protegemo-nos contra as tentações quando escolhemos livros, revistas, websites e programas de televisão que

“Pois Teu é o reino, o poder e a glória para sempre.” A glória do reino eterno de nosso Pai é mantida pelo amor. As táticas da força nunca são usadas. Seu reino sempre existiu e existirá para sempre. O melhor de tudo é que podemos fazer parte dele. Se escolhermos diariamente ser um dos filhos do Pai, poderemos viver com Ele eternamente, desfrutando de Seu imenso amor e alegria pela eternidade. Quando tivermos morado por dez mil anos no reino de amor, as irritações e mágoas deste mundo, como a observação grosseira de Donald, terão se apagado na obscuridade. Então, por que nos afligir com tais coisas, hoje? “Amém.” Que assim seja! Está certo, Pai! Que as palavras e conceitos desta oração se tornem realidade na vida de cada membro de Tua família! *Todos os nomes foram trocados.

Robert Ramsay é

organista e escritor ‘freelance’, que mora em Courtenay, Columbia Britânica, Canadá.

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V I D A

A D V E N T I S T A

n o v a s da g r a ç a na

Mongó Por nove anos, Llewellyn Juby foi diretor da Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA), na Mongólia. A seguir, ele conta experiências desse período em que morou e trabalhou com o povo daquela região. − Os Editores Da Prisão para a Liberdade

Preso em 1987, com uma sentença de um ano e meio por um pequeno delito, Gambat uniu-se à gangue da prisão para sobreviver ao encarceramento. Ele se envolveu numa briga da gangue, e sua sentença foi aumentada para 19 anos. Recentemente, entretanto, foi libertado e, como homem livre,

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voltou para um mundo que não mais reconhecia. Na época em que Gabat foi preso, em 1987, a Mongólia era um Estado soviético; quando saiu da prisão, era república. Na capital da Mongólia, transitavam cerca de 80 veículos, apenas, a qualquer hora do dia. Hoje, mais de 100 mil abarrotam as estradas. Os novos prédios, placas de propagandas e os milhares de ônibus deixaram Gambat assustado e desnorteado. Ele precisava de assistência prática, após tantos anos na prisão. Uma organização não governamental (ONG) gentilmente alugou um pequeno quarto para ele em um porão e pagou por um

curso de dois meses em construção de prédio para ensinar-lhe uma habilidade que o ajudasse a encontrar emprego. Os funcionários da ONG sugeriram, então, que ele entrasse em contato com a ADRA para suprir suas necessidades de roupa. Ele foi ao nosso escritório, e deixamos que escolhesse o que precisava. Também conversamos sobre sua experiência. A história de Gambat era muito triste. Ele nos contou sobre os muitos anos na prisão e da morte de companheiros de cela que desistiram ou se tornaram muito fracos para continuar lutando. Ele descreveu outros que, após dois anos apenas, foram acometidos de


problemas crônicos de saúde, devido à a dieta da prisão. Ele sobreviveu por 19 anos. Contou que os que morriam eram enrolados em sacos de cimento para que os outros ficassem com as suas roupas. Ele também expressou seu temor de encontrar ex-colegas de prisão e ceder à tentação de consumir álcool. Tornou-se óbvio que Gambat desejava, desespera-

lia Por Llewellyn Juby

damente, abandonar seus maus hábitos e começar vida nova. Observei Gambat tirar seu velho e manchado boné e jogá-lo ao chão. Em seu lugar, colocou um gorro de lã bem quentinho, que lhe dei. Um largo e feliz sorriso se abriu em sua face – ele se livrara de mais um símbolo do seu aprisionamento. Ele amou o casaco e as luvas que lhe demos. Com camisas novas, calças, meias e roupas de baixo longas e quentes, pode agora enfrentar as temperaturas geladas da Mongólia. Gambat saiu muito alegre, carregando um saco de roupas e vestido como um homem livre.

“Se vocês forem generosos com o faminto e doarem-se para o necessitado, sua vida começará a brilhar na escuridão, as sombras da sua vida serão banhadas com a luz do sol. Sempre lhes mostrarei para onde ir” (Isa 58:9, 10).* Lutando Pela Vida de Seu Filho

Parecia impossível para a mãe, jovem, solteira e desempregada, conseguir os 850 dólares necessários para uma derivação no cérebro de seu filhinho de um ano. Ela implorou a ajuda, sem obter sucesso, de várias organizações e empresas antes de ir à ADRA. Desejávamos prover o valor total necessário, mas, com tantas pessoas pedindo ajuda, tivemos que limitá-las a não mais de 100 dólares por pessoa. Fizemos uma lista de outros possíveis doadores para a jovem mãe, mas descrevendo os desafios médicos que a criança enfrentava. Usando plásticos para proteger cada página, organizei uma página de informação esclarecendo todos os dados de seu caso. Anexa, estava uma carta do governador do subdistrito, o diagnóstico médico de hidrocefalia, uma fotografia da criança e a preciosa lista de doação. O primeiro nome da lista era o da ADRA; ao lado, estava o carimbo da instituição e o valor doado. Esperávamos que essa prova de autenticidade encorajasse outros a doar também. Após duas semanas de incansáveis visitas a várias organizações, ela havia arrecadado apenas 375 dólares. Fez uma lista fiel de todas as organizações visitadas e as razões pelas quais a maior parte delas não dera qualquer ajuda financeira. Contamos, então, sua história para nossa equipe e eles responderam com enorme generosidade. Em uma tarde, conseguimos mais 266 dólares e o inesperado aconteceu. Foi dada a ela a oportunidade de ir a um programa de televisão para falar do seu desafio. Um telespectador comoveu-se com sua situação e ofereceu-se para pagar pela

derivação, permitindo que ela usasse o resto do dinheiro arrecadado para a cirurgia, hospitalização, acompanhamento médico pós-cirúrgico e até com algum alimento. Nossas orações foram atendidas. O Senhor a proveu com dinheiro mais que suficiente para suprir suas necessidades. “Jesus foi objetivo: Você não terá nenhuma chance se quiser fazer por si mesmo. Terá todas as chances do mundo se permitir que Deus faça” (Mc 10:27).* Espetáculo de Alegria

Esperamos por cinco meses para que, finalmente, chegasse da Austrália, a preciosa caixa contendo 52 pares de óculos. Um grupo de oftalmologistas daquele país foi à Mongólia como voluntários, no verão, visitou 22 escolas num período de duas semanas, fez exames oftalmológicos em mais de quatro mil crianças e adultos. Embora tenham levado malas cheias de óculos, não puderam prover óculos com prescrição correta para todos; assim, enviaram mais. Tive o privilégio de distribuí-los aos 16 estudantes que esperavam ansiosamente. A alegria era evidente no rosto deles. Alguns estavam preocupados, achando que “os australianos moravam tão longe que não se lembrariam de sua promessa”, e agora se alegravam, porque a promessa não fora esquecida. Que sentimento pode ser comparado à alegria que vem com a oportunidade de ajudar alguém em necessidade? “Você nunca vai estar errado se lembrar-se sempre do que nosso Mestre disse: Você vai ficar muito mais feliz dando do que recebendo” (At 20:35). * Os textos bíblicos são da versão The Message. Copyright 1993, 1994, 1995, 1996, 2000, 2001, 2002. Usado com permissão da NavPress Publishing Group.

Llewellyn Juby é regional da ADRA no Sudão.

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A R T I G O D E C A PA

l a b o r a t ó r i o

de R

LIDERANCA

aios de sol coroam o topo dos coqueiros à medida que a manhã revela os jardins cuidadosamente cultivados e a sequência de telhados vermelhos dos prédios, no campus do Adventist International Institute of Advanced Studies, AIIAS (Instituto Internacional Adventista de Estudos Avançados). Figuras isoladas caminham a meditar pelas calçadas, perdidas em seus pensamentos matinais. O canto dos pássaros

Gina Wahlen é jornalista free-lance, em

Silver Spring, Mariland, USA. Ela e o esposo, Clinton, que é diretor associado do Instituto de Pesquisa Bíblica, serviram no AIIAS de 2003 a 2008.

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nas sebes bem aparadas chama a atenção. Um grupo de estudantes se ajoelha no jardim tropical de oração, pronunciando suavemente orações que se misturam com o borbulhante barulho da água. Não muito longe, nos apartamentos dos alunos, os aromas de todas as partes do mundo inundam o ar, transformando em um desjejum gourmet para os sentidos. Logo o campus estará vivo, com alunos e professores, em sua jornada para transformar o mundo. O AIIAS é uma das cinco instituições de ensino avançado administradas pela Associação Geral dos Adventistas do Sétimo Dia, e a primeira fora da América do Norte.1 Localizada a aproximadamente 50 quilômetros ao sul de Manila, o campus está na porta de entrada da Ásia, na chamada “Janela 10/40”, região do mundo onde a presença de cristãos e adventistas é


a menor no globo.2 Com professores e alunos vindos de mais de 40 países, o campus tem um distinto sabor internacional: sem predominância de qualquer cultura. “Sentimo-nos bem-vindos e amados e, quanto mais tempo ficamos aqui, mais próximos ficamos das pessoas. Agora sim, compreendo o que é a igreja mundial!” diz Marcel Wieland, pastor vindo da Alemanha. Ele e a esposa, Nicola, graduaram-se recentemente no AIIAS. Essa instituição, especializada em cursos de educação avançada, concentra-se na formação de líderes para que voltem a seus países bem habilitados, com conhecimento em várias áreas, para servir à Igreja Adventista. “O AIIAS foi fundado para suprir uma necessidade urgente de oferecer educação de alta qualidade aos adventistas, com programas internacionais de pós-graduação na Ásia”, diz o Dr. Stephen Guptill, presidente da instituição. “Estamos formando pessoas para atender às necessidades de liderança nessas áreas.” Trazendo Mudanças Desejadas

China: Linda Zhu (Zhu Qing Yan), da China, é uma dessas alunas. Linda graduou-se em teologia em 1996 e no mestrado em 1998. Ao retornar à China, começou a abordar as questões prementes de habitação e ambientais, em Zhejiang, sua província natal, na região nordeste do país, onde introduziu a construção de prédios com

estejam. Como parte do seu projeto, Júlia criou um programa de educação pré-natal e, em suas viagens pelas perigosas áreas montanhosas ao redor de Kabul, treinou as parteiras locais. Em 2007, Júlia foi uma das primeiras alunas a se formar em um curso totalmente online, oferecido por uma instituição adventista. Mongólia: A maior parte dos três milhões de habitantes da Mongólia tem menos de 30 anos de idade: a maioria é atéia. Até o início dos anos 90, não havia adventistas do sétimo dia no país. Quando os missionários da linha de frente chegaram para partilhar a fé, Bold Batsukh foi um dos primeiros a ser batizado. Com profundo sentimento por seus compatriotas, Bold quis tornar-se pastor e foi o primeiro ministro adventista do sétimo dia a ser ordenado na Mongólia. Em busca de mais instrução, Bold fez seu mestrado em Divindade no AIIAS, graduando-se em 2005. Hoje, serve como pastor da igreja da capital, Ulaanbataar. A Igreja Adventista na Mongólia é ainda jovem e Bold está na vanguarda para incentivar e formar jovens para serem membros ativos da igreja. Países Islâmicos: Noel Nadado, nativo da ilha Mindanao, predominantemente muçulmana, ao sul das Filipinas, completou seu mestrado em religião no AIIAS e continua trabalhando em um programa de doutorado. Uma parte de sua tese doutoral – “Por que Cristãos se Convertem ao Islamismo: na Perspectiva Filipina” – foi publicada

História do AIIAS fardos de palha. Por sua iniciativa, foram construídas mais de 600 casas, culturalmente apropriadas e energeticamente eficientes, além de três escolas. Hoje, ela está servindo como diretora da Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA) na China. Afeganistão: O fato de viver em um país devastado pela guerra não deteve a estudante Júlia Shayunossova de concluir seu mestrado em saúde pública pelos cursos oferecidos online pelo AIIAS. O Departamento de Ensino a Distância foi criado em 2001 para oferecer qualidade, formação cristã para profissionais dedicados em qualquer parte do mundo onde

Por Gina Wahlen

no Jornal do Seminário Adventista da Ásia (JSAA,) chamando a atenção de todo o mundo. A pesquisa de Nadado baseia-se em sólida fundamentação teórica dos ministros “fabricantes de tendas” que trabalham em países islâmicos – incluindo sugestões do que pode ser feito para encorajar os crentes a permanecerem fiéis cristãos. Profundidade e Amplitude

O AIIAS oferece cursos de doutorado pela Escola de Estudos Avançados e pelo Seminário Teológico, assim como uma variedade de cursos de mestrado online e por meio de uma rede de Centros de Ensino a Distância por toda Ásia. Em 2007, o AIIAS distinguiu-se como uma das primeiras instituições educacionais adventistas a formar alunos, em nível de mestrado, com cursos totalmente online.

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Em 2007, a escola lançou o doutorado (Ph.D) em Administração – primeira instituição adventista a fazê-lo. “Tem havido uma demanda crescente de alunos para doutoramento na área de liderança empresarial e educação”, diz o Dr. Ron Vyhmeister, diretor do departamento. “Nosso desejo é que esse curso nos ajude a preparar professores de administração imbuídos de atitude cristã.” No momento, nove alunos fazem o curso. Professores visitantes têm comprovado que o AIIAS construiu uma forte tradição acadêmica, atraindo professores de alto nível, a maioria com diplomas de universidades renomadas em todo o mundo. O baixo número de alunos por professor oferece as vantagens de grupos pequenos, inclusive na relação interpessoal.

oportunidade de aprender sobre outras culturas do mundo. Amizades para toda a vida nascem do convívio e do fato de aprenderem juntos os valores fundamentais do amor a Deus e pelo serviço de Sua igreja. “Esse é o resultado do que aprendemos aqui no AIIAS”, diz Joseph Bieksza, aluno e presidente da classe de Mestrado em Divindade. “Não é apenas o fato de recebermos um diploma. É claro que desenvolvemos nossas habilidades, mas aqui o propósito principal é ensinar como tocar vidas e imitar Jesus.” Na turma de Bieksza, um grupo de 95 formandos, havia 21 países representados: África do Sul, Alemanha, Bangladesh, Canadá, China, Congo, Coreia, Estados Unidos, Filipinas, Gabão, Holanda, Indonésia, Japão, Malásia, Mianmar, Moldávia, Nigéria, Ruanda, Tailândia, Taiwan e Tonga. Os alunos do AIIAS são incentivados a praticar a fé ao desenvolver atividades evangelísticas na comunidade. Uma dessas atividades é o evangelismo semanal no Presídio Dasmarinas, na cidade vizinha, onde uma nova congregação adventista do sétimo dia, com 200 pessoas, se reúne semanalmente para o culto.3 A congregação foi criada a partir de um esforço evangelístico dirigido, no presídio, por professores e alunos do AIIAS. Esse ministério também construiu um novo prédio para o presídio, ajudando a aliviar a superlotação. Duas vezes por ano, é realizada uma semana de oração, reunindo alunos, professores, funcionários e suas famílias todas as manhãs e noites para adorar e orar juntos. Frequentemente, os oradores dessas semanas são líderes famosos nesse tipo de reavivamento espiritual (veja quadro). No outono de 2009, uma necessidade urgente da escola será suprida quando for inaugurado o novo prédio multifuncional, com um grande auditório para cultos, várias salas de aulas e estúdio/laboratório de mídia.

A missão do AIIAS de expandir a presença da Igreja na Ásia, resultou na abertura para contato em locais específicos através de iniciativas especializadas. Enquanto muitas universidades internacionais lutam para conseguir boas bibliotecas, a Leslie Hardinge Library, biblioteca da escola, é formada por mais de 50 mil volumes, oferecendo as ferramentas necessárias para pesquisa dos alunos em nível de pós-graduação. Assinaturas de periódicos da imprensa secular e de bancos de dados acadêmicos oferecem aos interessados o acesso, na íntegra, a mais de mil jornais. A biblioteca também possui um Centro de Pesquisa Ellen G. White – um dos 14 centros administrados pela Igreja Adventista em todo o mundo. O Centro também possui uma vasta coleção de material histórico da Igreja Adventista. Atmosfera do Campus Estimula Aprendizado

Como não há uma cultura dominante, nem mesmo a filipina, o campus oferece a muitos alunos sua primeira

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Conhecendo Uns aos Outros

A vida no AIIAS não é apenas missão e estudos. Todos os meses de janeiro, a comunidade do AIIAS separa dois dias para realizar as “Miniolimpíadas”, das quais times formados por alunos, professores e funcionários participam em vários esportes. Associado às miniolimpíadas está o Festival de Culinária Internacional, onde se pode desfrutar, ao mesmo tempo, autênticas especialidades da cozinha européia, asiática, africana, norte e sul americana. No mês seguinte, é realizada a tradicional “Noite Cultural”, durante a qual o programa pode apresentar a graciosa cerimônia coreana de leques, o tamasudare japonês, o tradicional e elaborado modo indonésio de contar histórias, as apresentações africanas, canções folclóricas europeias, música latina com os tradicionais instrumentos de sopro e os coloridos desfiles filipinos.


Construindo Pontes

A missão do AIIAS de expandir a presença da igreja na Ásia tem propiciado a construção de pontes em determinadas áreas, por iniciativas especializadas, como no Qatar e China, e por meio de programas de intercâmbio cooperativo. Em 2006, os professores do Seminário Teológico do AIIAS fizeram uma viagem histórica à China. A delegação encontrou-se com o Dr. Cao Shengjie, presidente e secretário geral do Concílio Cristão Chinês (CCC). Pela primeira vez foi concedido a uma delegação adventista do sétimo dia o privilégio de uma reunião oficial com o presidente dessa organização religiosa oficial do governo chinês. O grupo foi calorosamente recebido pelo Rev. Yu Xin Li, presidente do Concílio Cristão de Pequim, Três Movimentos Patriotas (TSPM) e presidente do Seminário de Pequim. A delegação visitou vários dos dezoito seminários teológicos da China, incluindo o seminário nacional em Nanjing. Os professores de administração do AIIAS têm sido úteis à China. Através de contatos realizados por um aluno, professores foram convidados a lecionar quatro matérias no Instituto Nacional de Tecnologia de Pequim, em 2007. Em 2008, foi inaugurado no Qatar um Centro de Ensino a Distância (CED), o primeiro centro educacional do AIIAS no Oriente Médio. Localizado próximo aos Emirados Árabes Unidos e à fronteira da Arábia Saudita, esse pequeno país, rico em petróleo, está procurando educação internacional para seus jovens. Por meio desse CED localizado na capital, Doha, o AIIAS oferece o curso de MBA a alunos desse país predominantemente muçulmano. Em seu campus principal, o AIIAS recebe alunos da Indonésia, tanto muçulmanos como cristãos, por meio de um programa de intercâmbio. Os oito alunos do intercâmbio (5 muçulmanos e 3 cristãos) estudavam economia, psicologia, educação e saúde pública em universidades famosas da Indonésia. Após apenas um mês no AIIAS, estavam maravilhados com a escola. “A impressionante biblioteca e o clima amigável das aulas me encorajam a usar meu senso crítico quando emito opinião em classe”, disse um aluno. “Nesse lugar eu me sinto circundado pelo amor.” Outro aluno comenta: “No AIIAS, ganhei muito conhecimento e observei muitas coisas! Morar com um grupo tão distinto, respeitando as opiniões e uns aos outros, parece ser vantajoso para todos nós.” Por mais de 135 anos, a Igreja Adventista do Sétimo Dia tem feito grandes investimentos na qualidade da educação, crendo que homens e mulheres com formação de nível serão mais eficientes na missão. Na porta de entrada do continente asiático, o AIIAS está formando uma nova geração de líderes para evangelizar os milhões que ainda não conhecem o amor de Jesus. 1 As outras são: Universidade Andrews (Berrien Springs, MI, EUA; Universidade Loma Linda (Loma Linda, CA, EUA; Universidade Oakwood (Hunstsville, AL, EUA; Universidade Adventista da África, Nairobi, Quênia). 2 Janela 10/40 é o termo usado pelos planejadores de missão para descrever a região entre os 10 graus de latitude sul e os 40 graus de latitude norte, faixa entre o oeste da África e o sudeste da Ásia. 3 Veja o editorial “A Igreja Além dos Muros”, Adventist Review, 11 de setembro de 2008.

Semana de

Fortalecimento da Fe O ventilador no teto do meu apartamento de visitas girava tão rápido quanto meus pensamentos. Dormi muito pouco em minha primeira noite no AIIAS, metade do mundo e 12 horas de distância de minha cama habitual. Como orador convidado pela escola para a Semana de Oração de agosto de 2008, eu conhecia os procedimentos formais da semana que estava à minha frente: pelo menos uma dúzia de sermões, várias palestras em salas de aula, muitas entrevistas particulares com alunos e professores. Assim como as lâminas do ventilador giravam e os grilos “cantavam” ao longo da noite, eu perguntava a mim mesmo: A que se parece o Adventismo nesta acolhedora e rica paisagem? Que tipo de comunidade de fé é esse lugar de aprendizado? Nove dias mais tarde, quando parti para o aeroporto, igualmente no meio da noite, eu tinha as respostas, muito, muito além do que poderia pedir ou imaginar. No AIIAS, encontrei uma comunidade de adventistas intelectuais – professores e alunos – centrados, com grande clareza e fervor, no avanço da missão da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Nas sessões de aconselhamento e círculos de oração, descobri em todo o campus uma profundidade e maturidade espiritual que gostaria de ver reproduzida em cada uma das igrejas de nossas quase cem universidades no mundo. Ao cantarmos juntos, todas as manhãs e noites, revelavase a maravilhosa harmonia de tantas e tão diversas culturas convivendo lado a lado, aprendendo e adorando em união. A semana que passei no AIIAS fortaleceu minha confiança no futuro que Deus está preparando para Sua igreja remanescente. Enquanto me encontrava com homens e mulheres que serão os professores, pastores e administradores desse movimento mundial, cresceu minha certeza de que cada peso, euro, dólar, real e iene aplicado na educação adventista será, um dia, o melhor investimento.

Por Bill Knott, editor-chefe e administrativo da Adventist World.

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C R E N Ç A S

F U N D A M E N T A I S

NÚME R O 2 8

Nova

Terra Em

Por Keisha McKenzie

Essa expectativa deveria determinar como vivemos hoje

S

empre que posso, quando viajo de avião, escolho uma janela. Guardo minhas coisas, afivelo o cinto de segurança e fixo meus olhos primeiro no solo, depois nas nuvens que vão se movendo ao redor do jato. Plantações de algodão misturam-se com desfiladeiros e montanhas vermelhas, enquanto fachos brilhantes de luz solar se cruzam no pálido azul do céu. Os campos amarelos da Inglaterra transformam-se em vales verdebrilhantes; os picos das montanhas cinza-azuladas da Jamaica, em neblina; as águas azul-cobalto da América, na costa de areia branca. Sempre fico admirada. A Terra é um lindo planeta. Mesmo assim, os profetas Isaías e João nos falam de uma nova terra que excede toda essa beleza (veja Is 35; 65; Ap 21).

Sombra da Beleza

Quando pousamos na pista, entretanto, posso ver ainda mais. A beleza que admirei olhando de cima, não desaparece, embora eu também veja algumas sombras nela – evidências do conflito, injustiça e abuso contra as pessoas, as criaturas e o solo. Ao observar essas sombras, os ensinos da Bíblia sobre a Nova Terra podem nos confortar e desafiar. Por meio deles aprendemos que Deus fará total renovação, bem aqui, em nosso planeta. As visões dos profetas não são especiais apenas porque mostram perfeição. Elas também são especiais porque mostram a beleza que um dia tivemos, que ainda teremos e para a qual, hoje, somos chamados por Cristo a entregar nosso coração. Bolo de Fumaça e Pão de Cada Dia

Keisha McKenzie é

comunicadora técnica. Escreveu este artigo quando morava no Oeste do Texas, EUA.

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Jesus lança esse desafio no Sermão da Montanha (Mt 5-7). Entre as bemaventuranças e a casa construída sobre a rocha, Ele nos pede que troquemos o pesadelo das preocupações diárias pela vida de confiança, agindo com coragem;

de um bolo de fumaça para o pão nosso de cada dia. Essa mudança de atitude não é uma sugestão. Jesus nos instruiu a orar pelo “pão de cada dia” e seguir amando os outros, cada dia, como um testemunho de nosso relacionamento com o Pai(Mt 5:38-48; 6:11). Assim, todas as vezes que leio os ensinamentos de Cristo, eu me forço a voltar do futuro para o presente. Quando Jesus nos ensina sobre a transformação futura, qual Seu desafio para nossa vida hoje? Que aspectos da Nova Terra estão, no momento, “em construção”? Ao mudar nossa abordagem para hoje, como é possível nos alinhar com alguns dos planos de construção de Deus? As visões dos profetas sugerem dois aspectos de nossa vida que serão transformados na Nova Terra: nossa compreensão de tempo e espaço e como nos relacionamos com a natureza e uns com os outros. A atenção cuidadosa a esses dois elementos pode nos ajudar a aprofundar nosso relacionamento com Deus – o eterno Criador e Salvador de todos (Ap 21:3 e 4). Ao considerarmos como lidamos com o tempo, espaço,


natureza e outras pessoas na Terra, mostramos nosso compromisso com a futura reconstrução. Conexão Eterna

O tempo e o espaço têm dirigido nossa vida desde que Deus estabeleceu ritmos, tempos e estações para regular as atividades terrestres (Gn 1 e 2). Ele “estabeleceu os limites da sua habitação”, e nos incentivou a povoar toda a Terra (Gn 1:18; Is 45:18). Durante a vida, aprendemos a respeitar nossos padrões finitos: dia e noite, verão e inverno, atividade e repouso. Os pastores trabalham com o ciclo de acasalamento e ordenha, os jardineiros respeitam o período de plantação e colheita, e as nossas sociedades formalizaram o tempo através de relógios e festivais. Nossas metrópoles, sempre em expansão, nos forçam a ser conscienciosos com o espaço e até os nossos cultos tornaram-se estruturados por essas duas medidas. Nossa dependência de tempo e espaço nos lembra de que somos finitos, e pode ser essa a razão pela qual a eternidade e o infinito nos fascinam: temos esperança de ter o que nos falta. O Pregador disse que Deus “pôs no coração do homem o anseio pela eternidade” (Ec 3:11, NVI). João também viu que “o primeiro céu e a primeira terra passaram”, inclusive o Sol e a Lua; não havia mais o mar divisor e havia alegria e contentamento para sempre (Ap 21:1, 23:25; cf. Is 65:17, 18). Como podemos compreender essas imagens em um mundo passageiro e limitado? A palavra grega kairos, “o momento oportuno”, é um modo de aproximarnos da amplitude e eternidade da Nova Terra. Teólogos e retóricos comparam kairos com chronos, ou tempo de relógio finito. Para nós, kairos descreve qualquer situação na qual sentimos que Deus está agindo entre nós com um propósito e na medida certa. Uma mente kairos, sensível, marca nosso tempo e espaço com a assinatura de Deus e salienta Sua significativa autoridade sobre tempo, ordem e lugar.

Ao longo de nossa vida, esse sentimento estende nossa finitude e nos conecta ao eterno e infinito Deus, que nos chama para junto de Si. Conseguimos ver em nosso mundo Deus agindo em nós e conosco, o tempo todo. Como resultado, todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o Seu propósito (Rm 8:28). Ele está “sempre” conosco; somos Seu povo e Ele é nosso Deus (Mt 28:20; Ap 21:3). Redes Naturais

Mas as visões da Nova Terra não devem sugerir apenas uma abordagem diferente de tempo e espaço. Devem também sugerir uma abordagem diferente da natureza e das pessoas. A Bíblia diz que a natureza geme sob a atual condição e “A natureza criada aguarda, com grande expectativa, que os filhos de Deus sejam revelados” (Rm 8:19, NVI). Assim, os profetas descrevem a criação restaurada à sua glória, equilíbrio e paz originais. “O lobo e o cordeiro comerão juntos, e o leão comerá feno, com o boi ... Ninguém fará nem mal nem destruição em todo o Meu santo monte, diz o Senhor”(Is 65:25, NVI; cf. 35:1, 2). Gênesis descreve a paz harmoniosa entre todos os sistemas da Terra existente desde o princípio. Os capítulos 1 e 2 descrevem os seres humanos cuidando da criação e sendo parte dela. Deus nos formou do “pó da terra” e nos pediu que a cultivássemos, criando-nos para trabalhar na natureza e em seu contexto (Gn 2:15). Todas

as partes da criação funcionavam em harmonia, porque o domínio humano não era limitado. A natureza colabora com seus mordomos humanos enquanto nós respeitarmos as condições de vida dos sistemas que a compõem. Como aprendemos, até no jardim, quando não respeitamos a ordem e os sistemas da criação, toda a natureza sofre, e nós também. A mesma inter-relação e responsabilidade aplicam-se às nossas relações humanas. A amorosa produtividade e os relacionamentos prósperos da família da Nova Terra reprovam, pelo contraste, toda a destruição provocada pela humanidade (Is 65:19-24; Mt 5:21-48). Jesus nos ensinou claramente que, quando amamos a Deus, também devemos nos amar uns aos outros. Isso significa que é impossível desrespeitar nossos irmãos sem desrespeitar nosso Pai (1Jo 3:11-18; 4:7-21). Na Nova Terra, “o mar já não existe”: não haverá mais separação entre nós e Deus, nem entre um ser humano e outro. Um conhecimento profundo entre Deus e Seu povo substitui padrões duplos e divisão de todos os tipos, pois todos são um em Cristo Jesus (Rm 12; Ef 4). Um belo mundo, sem sombras, é o mundo em que você e eu planejamos morar. Esse é o mundo que, em Cristo, nos comprometemos a construir e ocupar. Ele pede que nossa vida seja os tijolos para a construção. Podemos construir com confiança, porque Seu alicerce é firme.

Nova

Na Nova Terra, em que habita justiça, Deus proverá um lar eterno para os remidos e um ambiente perfeito para vida, amor, alegria e aprendizado eternos, em Sua presença. Pois aqui o próprio Deus habitará com o Seu povo, e o sofrimento e a morte terão passado. O grande conflito estará terminado e não mais existirá pecado. Todas as coisas, animadas e inanimadas, declararão que Deus é amor; e Ele reinará para todo o sempre. Amém. (2Pe 3:13; Is 35; 65:17-25; Mt 5:5; Ap 21:1-7; 22:1-5; 11:15.)

Terra

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D E S C O B R I N D O

O

E S P Í R I T O

D E

M AT T H E W

H E R Z E L

Bons Velhos Tempos?

Será que os “bons velhos tempos” eram realmente bons? Geralmente, pensamos que o período entre a segunda metade do século XIX e o começo do século XX, na América, era de tranquilidade, charme, encanto e passeios despreocupados de charrete pelos campos verdejantes. Entretanto, tente comprar manteiga ou “margarina” no armazém da cidade. O historiador Otto Bettmann descreve assim: “Os produtos de laticínio eram para os produtores do período vitoriano, uma ótima oportunidade de improvisar; era necessária muita imaginação, não escrúpulos … Nos anos 1800, esses produtos eram vendidos pela respeitável quantia de 30 centavos o quilo, mas geralmente estava rançoso, e era uma mistura de caseína com água, ou de cálcio, gesso, gordura de gelatina e purê de batatas … “As alternativas eram manteiga ‘adulterada’ … banha de porco junto com todas as partes concebíveis dos animais que o matadouro não conseguisse transformar em dinheiro, processadas pelos fabricantes de óleo, em galpões imundos. Adicionavam alvejantes à mistura para dar ao produto a aparência de manteiga de verdade. Um empregado da fábrica de margarina em 1889 … [ficou] ‘com as mãos tão machucadas … que suas unhas e cabelos caíram e ele teve que ser confinado ao Bellevue Hospital por debilidade geral’.” 1 As antigas casas das fazendas eram rodeadas por jardins de rosas, circundados de sujeira e adubo mal cheiroso que

Da

P R O F E C I A

atraíam centenas de carrapatos, portadores de doenças, mosquitos e moscas. Os poços de água potável eram, quase sempre, próximos aos celeiros, currais, chiqueiros ou galinheiros, sem nenhuma drenagem. “A gordura da cozinha, dejetos das latrinas e o líquido infiltrado dos animais” contaminavam a água, deixando o ar extremamente malcheiroso. 2 Se você contraísse uma doença pelo ambiente sórdido, os médicos do meio do século XIX poderiam dizer que a causa da doença fora “muita vitalidade” e fariam uma sangria com sanguessugas.3 Em uma nota no diário de Angeline Adrews, lemos: “Carlos Beeman morreu esta manhã … Havia alguns dias, ele estava com a garganta inflamada. Ontem, a garganta foi lancetada e ele pensou que teria uma boa noite de sono. Jantou substanciosamente. Por volta das onze horas, sua esposa lhe deu uma dose de morfina, prescrita pelo médico. Imediatamente ele dormiu e nunca mais acordou.”4 Os bons velhos tempos eram, na realidade, terríveis! Ellen White e a Mensagem de Saúde

No dia 5 de junho de 1863, Ellen White participava de um culto, com um pequeno grupo em Otsego, Michigan, quando recebeu uma visão sobre saúde, durante 45 minutos. Quando lhe pediram que a explicasse, ela apenas disse que não entenderiam tudo de uma vez. Essa visão veio num tempo em que

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O Plano de Deus Para o

Mundo Perece que

Por Vicki Griffin

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o fumo era usado como tratamento de infecção do pulmão; mercúrio e arsênico eram considerados tônicos de limpeza, e a luz do sol, durante o dia, e o ar fresco da noite, causadores de doenças. O historiador adventista Mervyn Maxwell faz essa descrição em seu livro Tell It to the World (Conte ao Mundo): “A visão falava contra o uso da bebida alcoólica, temperos fortes e sobremesas gordurosas. O tabaco foi denunciado como um ‘veneno do tipo mais enganoso e maligno’, e o chá e o café, como tendo efeitos ‘similares aos do tabaco’, mas em menor escala. “Foi mostrado que é muito prejudicial comer muito, mesmo bons alimentos, comer entre as refeições ou pouco antes de ir para a cama … A visão indicou solenemente o ‘alimento animal’ (carne) como a principal causa do declínio da raça humana. A carne suína, em particular, foi condenada … “Trabalhar demais foi apresentado como um grande mal … Ellen White foi instruída a tocar o alarme contra o uso de ‘drogas’ – arsênico, estricnina, subcloreto de mercúrio, etc.”5 Entre os conselhos positivos, estava: manter a residência limpa por dentro e por fora; iluminada pelos raios de sol e inundada por ar puro; alimentar-se com abundância de frutas frescas, vegetais, grãos e castanhas. Fazer exercícios, especialmente ao ar livre; cultivar uma atitude mental de gratidão, confiança em Deus e otimismo, segundo ela, são as maiores salvaguardas da saúde.6 Nutrir hábitos regulares, bons hábitos em relação ao sono e domínio próprio para a saúde, tanto física quanto mental, porque “alimentar-se e dormir em horários irregulares suga as forças do cérebro”.7 A ciência mostra que tais conselhos, baseados na Bíblia e escritos há tantos anos, são igualmente relevantes hoje. Recentemente, o estilo de vida adventista foi notícia numa edição especial da National Geographic, destacando “Os Segredos da Longevidade”: “A Igreja Adventista, nascida durante o período de reformas de saúde do século XIX, que popularizou o vegetarianismo organizado, os biscoitos integrais e cereais para o desjejum (John Harvey Kellogg era adventista quando começou a fabricar flocos de trigo) – sempre pregou e praticou a mensagem de saúde. “Ela proíbe, expressamente, o cigarro, consumo de álcool e o consumo de alimentos biblicamente imundos, como o porco. Também desencoraja o consumo de outras carnes, alimentos gordurosos, bebidas cafeinadas e condimentos ‘estimulantes’. ‘A dieta escolhida por nosso Criador foi: grãos, frutas, castanhas e vegetais’, escreveu Ellen White … Os adventistas também guardam o sábado, desfrutando de um tempo sagrado que ajuda a aliviar o estresse. Hoje, a maioria dos adventistas segue o estilo de vida prescrito − um testemunho, talvez, do poder da união da saúde com a religião.”8 Estrelas Contam a História

O Estudo Adventista sobre saúde é um estudo sobre os adventistas, iniciado em 1958 e que, até hoje, está em andamento. Das populações estudadas, os adventistas são os

que mais vivem na Terra. Cinco comportamentos simples, promovidos pela igreja ao longo de 100 anos, aumentam a expectativa de vida em mais de dez anos: não fumar, dieta baseada em plantas, consumir castanhas várias vezes por semana, exercícios regulares e manter um peso corporal saudável.9 Outros importantes hábitos de saúde, como descanso adequado, guardar o sábado, praticar a gratidão e controlar o estresse, também são proteções benéficas. Pesquisas revelam que o estilo de vida adventista reduz, significantemente, o risco de muitas doenças crônicas, promove a saúde mental e espiritual, aumenta a qualidade de vida e a longevidade. Livros Para Crescimento

O livro A Ciência do Bom Viver, de Ellen White, é um dos guias mais úteis para levar às pessoas que sofrem a mensagem de Cristo para a cura. Muitos de seus outros escritos estão repletos de conselhos sábios, práticos e inspirados sobre vida saudável: Temperança, Conselhos Sobre o Regime Alimentar, Conselhos sobre Saúde e Mente, Caráter e Personalidade. Esses livros destacam a visão de Deus para um viver saudável unida à pregação de nossas doutrinas, a conexão mente/corpo, orientações sobre dieta e estilo de vida, princípios gerais sobre saúde mental e física e guia espiritual para aqueles que lutam contra problemas específicos. Vida Mais Abundante

Jesus foi enviado para um ministério de cura: “Enviou-Me a curar os quebrantados do coração. A pregar liberdade aos cativos, e restauração da vista aos cegos, a pôr em liberdade os oprimidos.”10 Deus, porém, promove mais do que a remoção do quebrantamento e maus hábitos; Ele quer que desfrutemos um estilo de vida saudável que nos prepare para o Céu. Encontramos na Santa Bíblia e nos escritos inspirados de Ellen White, o manual básico, as promessas e a força para praticarmos tal estilo de vida. O. Bettman, The Good Old Days—They Were Terrible (New York: Random House, 1974), p. 116. Ibid., p. 51. C. Mervyn Maxwell, Tell It to the World: The Story of Seventh-day Adventists (Mountain View, Cal.: Pacific Press, 1977), p. 206. 4 Ibid. 5 Ibid., p. 207. 6 Veja A Ciência do Bom Viver, p. 281. 7 The Youth’s Instructor, 31 de maio, 1894, p. 198. 8 “The Secrets of Long Life,” D. Buettner, National Geographic Magazine, novembro de 2005, p. 22, 25. 9 Adventist Health Study Report 2008, vol. 5, p. 5. 10 Lucas 4:18, 19. 1 2 3

Vicki Griffin, MPA, MACN, é diretora do

Departamento de Saúde da Associação dos Adventistas do Sétimo Dia de Michigan, em Lansing, Michigan, EUA.

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H E R A N Ç A

A D V E N T I S T A

A

White Moonshiners (fábrica de uísque), no estado americano do Mississipi, enviou uma mensagem ameaçadora para a jovem enfermeira negra, adventista, a educadora que acabara de abrir uma escola com apenas uma sala e estava visitando as igrejas, aos domingos. Eles a avisaram que se não parasse de ensinar as pessoas como parar de beber, seria “tirada de circulação”. Anna Knight respondeu: “Quando vocês estiverem prontos para atirar, eu estarei pronta.” Isso foi em 1898 e a obra adventista no Mississipi estava apenas começando. Em Vicksburg, o barco a vapor Morning Star, capitaneado por Edson White e seguindo as instruções de Ellen, sua mãe, tornou-se o centro de um amplo ministério para libertar escravos e meeiros. Todas as semanas, cultos, sermões e aulas eram levados a efeito, a bordo do Morning Star. Havia, também, uma gráfica no navio, na qual Edson imprimiu 75 mil cópias do seu livro O Rei Vindouro, que era vendido para manter o trabalho na região sul. Não estando contente com instruções religiosas apenas, Edson White, do Morning Star, ensinou até mesmo diversificação na plantação da lavoura. Ele instou com os agricultores que trabalhavam em grandes plantações de algodão para alcançar maior auto-suficiência econômica mediante a criação de galinhas e abelhas, como também a melhoria da qualidade do solo pelo cultivo de amendoins, morangos, tomates e couve. O ministério sediado no Morning Star espalhou-se por todo o Mississipi e, na realidade, por todo o sul. Umas das pessoas alcançadas por ele foi Ana Knight, filha de um escravo que, de algum modo, aprendeu a ler, e conheceu os folhetos produzidos pelos adventistas. Diligentemente, começou a se corresponder com as pessoas que haviam lhe enviado os panfletos. Posteriormente, esses adventistas a convidaram a unir-se a eles e a ser batizada, o que foi aceito por ela. Conseguiram, então, que Anna frequentasse uma escola em Battle Creek, Michigan, EUA. Ali ela completou o curso, primeiro na Escola Industrial e finalmente, em 1898, de enfermagem, pelo Colégio Médico Missionário Americano. Quando John Harvey Kellogg, diretor do colégio, descobriu que Anna estava aceitando o chamado para ser missionária, dizendo que gostaria de voltar para o Mississipi, deu-lhe o que dava aos outros formandos: despesas com o transporte para retornar ao Mississipi, um uniforme de enfermeira e todas as cópias que ela precisava de seus livros de psicologia. Anna voltou para casa, no Mississipi, e iniciou uma escola para todos os que quisessem entrar num barraco de madeira, na fazenda de seu tio. Em poucos meses, ela mudou a escola para um novo prédio, cuja construção

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ulher Meterminada D

Por Roy Branson

Anna Knight foi uma mulher com quem podia se contar

a n n a

k n i g h t


supervisionou pessoalmente. Ela ensinava 24 alunos das oito séries, além de viajar para visitar as escolas dominicais na sua região. Baseada em suas aulas de Bíblia em Battle Creek e na filosofia de ministério completo, ela ensinava caligrafia, leitura, aritmética e culinária aos adultos. Deu especial ênfase à necessidade de saúde e temperança. Dessa experiência, ela escreveu mais tarde: “Quando montava meu gráfico de fisiologia e mostrava às pessoas o que a bebida causava em seu coração, fígado, rins e outros órgãos, eles tiveram medo e pararam de comprar uísque.” Por esse motivo, ela foi ameaçada pelos fabricantes da bebida. Após a ameaça, Anna comprou um cavalo bem rápido e começou a carregar um revólver e uma espingarda. Como excelente amazona e atiradora, certa vez, até cavalgou através de um corredor de inimigos, deslizando para baixo do pescoço do cavalo enquanto atiravam nela. Audaz, ela pendurou a espingarda no canto da sala de aula e continuava ensinando o povo sobre os males do alcoolismo. “Eu levava meus livros e minha arma, todos os dias, para o trabalho”, escreveu ela. “Quando meus inimigos perceberam que eu não tinha medo, deixaram de me causar problemas.” O Dr. Kellogg conseguiu que ela participasse da famosa Conferência Geral de Battle Creek, em 1901, onde a denominação Adventista do Sétimo Dia foi reorganizada em sua estrutura moderna. Anna foi delegada – com voz e voto − e prestou um relatório do trabalho que realizava no campo missionário do Mississipi. Mas um apelo para o serviço missionário em terras estrangeiras, feito na Conferência Geral, produziu forte impacto nela. Ela amava seu trabalho no Mississipi e havia arriscado a vida por ele, mas cria que deveria comprometerse e ir para o campo missionário. Sem sequer voltar para casa, tomou providências para que seus familiares continuassem o seu trabalho em sala de aula e viajou diretamente para Nova York, a bordo de um navio a vapor e, de lá, para a Índia. Em 1901, Anna Knight tornou-se a primeira mulher negra, de todas as denominações, a ser enviada para a Índia, como missionária, e assim como todos os adventistas, em todos os lugares que vão, fazia de tudo. “Trabalhei em muitas áreas”, escreveu ela. Extraía dentes, lancetava furúnculos e abscessos, fazia a contabilidade para a Missão, dava aulas de Bíblia e inglês e vendia literatura. Essa filha do solo do Mississipi também cria nos princípios da rotação de culturas e começou a ensinar às pessoas como deveriam arar e adubar a terra. “Bem”, disseram eles, “isso pode funcionar na América, mas não na Índia.”

Ela conseguiu, então, uns bois, atou-os a um bom arado americano e plantou canteiros com nabos, couve-flor, tomates, beterrabas e outros vegetais, ensinando os camponeses como cultivá-los. “Houve uma colheita de vegetais como nunca haviam visto antes em Karmatar”, ela disse. Desse início, ela supervisionou a criação de uma instituição médica, escola para treinamento, uma gráfica e uma igreja, virtualmente recriando outra Battle Creek. Quando de férias nos Estados Unidos, Anna ouviu que os fabricantes de uísque, no Mississipi, haviam fechado sua escola. Resolveu, então, não retornar à Índia, mas voltar ao seu campo missionário de origem e reabrir a escola, dessa vez, no centro da sua cidade natal. Em 1909, deixando sua querida escola aos cuidados de sua irmã, Anna mudou-se para Atlanta, na Georgia, e começou a fazer palestras sobre saúde, aos domingos, além de dirigir uma escola noturna na Associação Cristã de Moços (ACM), onde ensinava primeiros socorros e enfermagem doméstica. Seu relacionamento com a ACM teve início na Índia, pois a organização ficou impressionada com sua combinação de evangelho da saúde com educação que considerou seriamente usá-la como modelo para o programa nacional. Anos mais tarde, foi convidada para cargos de liderança em nível de Associação e União da Igreja Adventista. Em 1932, foi eleita secretária associada dos departamentos Missionários do Lar, Missionários Voluntários e Educação para a União do Sul. Ela ainda insistia em mudar a sociedade. Ao morrer, em 1972, com 98 anos de idade, Anna trabalhava como presidente da Associação Nacional de Professores Negros. Anna Knight foi uma heroína adventista na reforma social, num tempo em que relativamente poucos se envolviam. Para os adventistas, são verdadeiramente adventistas aqueles que se lançam a tarefas espinhosas e desafiadoras, livrando as pessoas de doenças e incapacidades, e demonstrando concretamente como será a resplendente cidade do Apocalipse, na qual todas as lágrimas serão enxugadas e a morte não mais existirá. Sem dúvida, Anna Knight foi esse tipo de adventista que transforma o mundo e proclama o evangelho eterno.

Roy Branson, hoje jubilado, foi por muitos

anos professor de colégios e universidades adventistas, bem como diretor do Instituto Washington, em Washington, D.C., EUA. Esse artigo é uma republicação da edição da Adventist Review de 12 de fevereiro de 1998 (www.adventistreview.org).

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P E R G U N TA S B Í B L I C A S

P E R G U N T A : Qual

é o significado da expressão “perseverança dos santos” em Apocalipse 14:12?

Para a igreja de Éfeso, Jesus disse: “Conheço as suas obras, o seu trabalho árduo e a sua perseverança” (Ap 2:2, NVI). As obras são definidas como trabalho árduo e perseverante. O contexto indica que, nesse caso, “perseverança” se refere osto dessa pergunta. Ela se refere à vida cristã e como à opressão causada pelos ataques à doutrina interna. Em deve ser vivida, em lugar de pormenores interessantes Apocalipse 2:3, hupomonē é usada para descrever a resposta que, geralmente, não impactam significativamente dos fiéis ao ataque dos falsos mestres. Embora sob opressão, nosso relacionamento com Deus. Os que gostam de estudar eles perseveraram em sua fé a qualquer preço. O mesmo uso a Bíblia devem tentar compreender o máximo possível sua é encontrado em Apocalipse 2:19, cujo contexto sugere que mensagem e conteúdo. Entretanto, se esse estudo não faz de os falsos ensinos de Jezabel ameaçavam a fé e a comunidade, nós melhores cristãos, estamos perdendo tempo. Assim, o que embora muitos deles se opuseram corajosamente a ela. A significa “perseverança dos santos”? igreja de Filadélfia parecia estar enfrentando conflitos internos, mas os verdadeiros fiéis foram chamados pelo Senhor 1. Significado do Termo: O termo grego traduzido por para resistir, sabendo que o Senhor iria livrá-los (Ap 3:10). “perseverança dos santos” é hupomonē, que expressa a ideia Em Apocalipse 13:10, a igreja de suportar ou permanecer é perseguida, mas lembrada a firme sob circunstâncias difípermanecer fiel à convicção ceis. Poderia ser traduzido por de que o Senhor retornará e “paciência” ou “esperança”. Na reverterá a sua sorte. literatura grega, ela é atribuída a uma atitude de perseveran3. Perseverança e o Povo ça agressiva e desafiadora ao de Deus no Tempo do Fim: A enfrentar dificuldades e inforúltima passagem que aplica o túnios. Revela coragem, pertermo hupomonē para desigsistência e disposição diante nar o povo de Deus do temdo sofrimento. Essas ideias po do fim descreve-o como expressam bem o significado aqueles que têm a “paciência principal do termo hupo dos santos”, que guardam os (“sob”) e men ō (“permanemandamentos de Deus e têm cer”), ou seja, “permanecer a fé de Jesus (Ap 14:12). O sob” pressão, sem desistir. contexto imediato (capítulos Por Angel Manuel Rodríguez Na Bíblia, é acrescentada 12 e 14) torna claro que a uma nova dimensão de sigcapacidade de resistir, de nificado. A tradução grega do suportar, é necessária porque Antigo Testamento usava esse termo para traduzir algumas os poderes do mal proclamam a falsa mensagem, ou seja, conpalavras hebraicas para “esperança”. Por essa razão, adicionou vida o povo a adorar a imagem da besta. E porque sua vida ao termo grego a ideia de expectativa, espera (Jr 14:8; Sl está sendo ameaçada, estão sob imensa pressão (Ap 13:15). 71:5). Essa esperança era considerada como vinda de Deus, a Entretanto, eles resistem sabendo que podem confiar no livraesperança de Seu povo. O termo grego expressava não apenas mento do Senhor. Essa resistência é baseada no compromisso paciência e perseverança sob pressão, mas também a base pessoal com o Cordeiro e na profunda convicção de que Ele para essa perseverança, isto é, confiança e esperança em Deus, os libertará. que pode libertar Seu povo de situações ameaçadoras que Em Apocalipse, hupomonē é a característica chave dos trazem angústia para a alma. remanescentes que enfrentaram perseguição, sofrimento e engano. Alguns dos leitores podem estar enfrentando, hoje, 2. O Uso de Hupomonē no Apocalipse: O substantivo perseguição; outros podem estar lutando contra falsos hupomonē é usado sete vezes no livro de Apocalipse (sete é ensinamentos. A mensagem para todos nós é: Permaneça fiel um número comum e recorrente no livro). Ele designa a core firme mesmo sob pressão, estando completamente seguro reta resposta do povo de Deus quando sua fé é ameaçada. Em de que pode esperar pelo Senhor. Apocalipse 1:9, é destinada à experiência de João e das igrejas para as quais escreve. Eles eram co-participantes no sofrimento, no reino e na “paciente perseverança”. Unidos a Cristo, suportaram corajosamente os sofrimentos e aflições, enquanto esperavam Angel Manuel Rodríguez é diretor do Instituto de Pesquisa Bíblica da Associação Geral. pelo Reino de Deus.

G

Fiel

Mesmo Sob

Pressão

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E S T U D O

B Í B L I C O

que é F

Transforma Vidas Por Mark A. Finley

Alguma vez você já questionou o que Jesus quis dizer quando afirmou que, se tivermos fé tão pequena como um grão de mostarda, moveremos montanhas? O que faz com que a fé seja tão poderosa? Por que parece que alguns cristãos têm muito dessa fé e outros têm tão pouco? Na lição de hoje, estudaremos como ter muito dessa fé que transforma vidas.

1.

Que pedido importante os discípulos fizeram a Jesus?

“Então disseram os apóstolos ao Senhor: Aumenta-nos a fé” (Lc 17:5). Os discípulos pediram a Jesus para aumentar sua

.

Na sua opinião, por que eles fizeram esse pedido?

2.

Como Jesus respondeu ao pedido dos discípulos?

“Respondeu-lhes o Senhor: Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a esta amoreira: Arranca-te e transplanta-te no mar; e ela vos obedecerá” (Lc 17:6). Jesus disse que se a fé dos discípulos fosse tão pequena como um

,

veriam grandes milagres.

A semente de mostarda é uma das menores sementes que existem. Mesmo a menor quantidade de fé transforma vidas. Quando Jesus disse que a fé do tamanho de um grão de mostarda seria suficiente para arrancar uma amoreira pela raiz e transplantá-la dentro do mar, Ele estava ilustrando o incrível poder da fé.

3.

De onde vem a fé? Como podemos recebê-la? A fé pode ser gerada por nós mesmos?

“Porque pela graça que me foi dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo, além do que convém, antes, pense com moderação segundo a medida da fé que Deus repartiu a cada um” (Rm 12:3). “Toda boa dádiva e todo dom perfeito é lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação, ou sombra de mudança” (Tg 1:17). Fé é uma que vem do

.

A fé não é algo que construímos; é algo que recebemos como presente do Céu. Quando aceitamos Jesus e nos tornamos parte da família de Deus, nosso Pai celeste dá a cada um de nós uma medida de fé. Maio 2009 | Adventist World

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4.

Que papel a fé desempenha em nossa salvação?

“Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isso não vem de vós, é dom de Deus” (Ef 2:8). Somos salvos pela

.

Somos salvos por meio da

.

A fé não é nossa Salvadora; Jesus é nosso Salvador. Salvação é um presente da graça. Quando, por um ato de fé, confiamos em Deus, recebemos Sua graça. Mesmo quando exercitamos a fé para receber o presente da salvação de Deus, é também um presente. Nosso papel é escolher aceitar o presente que, gratuitamente, Deus nos oferece.

5.

Além de sermos salvos pela fé, o que mais a fé realiza em nossa vida? Como Jesus descreve o papel da fé? “Para lhes abrir os olhos e convertê-los das trevas para a luz e da potestade de Satanás para Deus, a fim de que recebam eles remissão de pecados e herança entre os que são santificados pela fé em Mim”(At 26:18). Somos

pela fé.

A palavra “santificar” significa separar algo para um propósito santo. Está relacionada a algo consagrado ou feito santo. Quando aceitamos a salvação de Jesus pela fé, Ele inicia em nós uma obra de santificação ou nos faz santos. Pela fé, confiamos em Sua graça para nos salvar da penalidade do pecado e, pela fé, cremos em Sua graça para nos salvar do poder do pecado.

6.

Qual é o segredo de uma vida cristã vitoriosa, feliz e livre de culpa?

“Visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé” (Rm 1:17). “Visto que andamos por fé, e não pelo que vemos” (2Co 5:7). Vivemos pela

.

Andamos pela

.

Viver e andar pela fé é viver, diária e continuamente, confiando em Deus. Quando exercitamos a fé que Ele colocou em nosso coração e confiamos nEle como nosso melhor amigo, sabendo que deseja somente o nosso bem, nossa fé é fortalecida e experimentamos uma vida cristã abundante.

7.

Que conselho deu Jesus aos Seus discípulos em relação à vida cristã vitoriosa?

“Ao que Jesus lhes disse: Tende fé em Deus” (Mc 11:22). Jesus insistia com Seus seguidores a ter fé em

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Fé em Deus é o segredo para lidar com a preocupação, ansiedade, culpa, medo e frustração. Deus colocou em nosso coração uma medida de fé e, todos os dias, temos a promessa de que Ele aumentará nossa fé. Nossa fé cresce ao lermos Sua Palavra e ao deixarmos os desafios de nossa vida com Ele. Tiremos os olhos de tudo que nos deixa perplexos e, confiando nossa vida em Suas mãos, viveremos uma vida cristã cheia de fé e alegria.

No próximo mês, daremos início a uma série de estudos sobre o livro do Apocalipse, com “O Incomparável Jesus do Apocalipse”.

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Intercâmbio Mundial C A R TA S Já É Tempo

Escrevo em reposta aos comentários da seção Perguntas Bíblicas de março de 2009, sobre o tema “Já é Tempo”, por Angel Manuel Rodríguez: “Os períodos de tempo mencionados em Daniel 12:11, 12 (1290 dias e 1335 dias) devem ser compreendidos como literais ou simbólicos?” A melhor discussão sobre esses textos que já encontrei está em Daniel e Apocalipse, por Urias Smith. Se considerarmos a recomendação de Ellen White sobre Daniel e Apocalipse (veja “Declarações relativas às Considerações sobre Daniel e Apocalipse”, Manuscritos, v. 1, p. 60-65), devo dar crédito ao que Smith escreveu. Considere também o artigo de J. N. Loughborough na Advent Review and Sabbath Herald, de 4 de abril de 1907. Clarence W. Blue Collegedale, Tennessee, Estados Unidos Alongamentos

Obrigada pela matéria “Convivendo com Dor Ciática Crônica”, escrita por Allen R. Handysides e Peter N. Landless (março de 2009). Sugiro à pessoa que sofre desse mal que tente exercícios de alongamento. Foi muito benéfico para mim. Faço alongamentos como primeira atividade do dia e à noite, antes de dormir. Os exercícios produzem grande alívio à tensão muscular. Estender os braços acima da cabeça e dobrar o corpo para tocar os artelhos e lateral externa dos pés realmente torna meus músculos mais flexíveis, aliviando o desconforto da dor. Faço alongamentos por, no mínimo, cinco minutos. Roberta Goodman Idaho, Estados Unidos

“Escolhi o Sábado”

Obrigado pelo artigo de capa “Escolhi o Sábado”, por Andrew McChesney (fevereiro de 2009). A dolorosa luta de Daniel Lisulo, sob extrema pressão exercida pela reitora da faculdade de medicina, é uma história que jamais esquecerei. O comportamento insensível, cruel e rude da reitora reflete a cultura ateísta da Rússia, uma década após a queda da União Soviética. É inacreditável que alguém possa testar, tão maldosamente, um aluno estrangeiro, vindo da África. Após exigir que soletrasse corretamente algumas palavras, a reitora mudou para música, fazendo com que Daniel cantasse perfeitamente cada palavra. Cem palavras, foi um milagre! “Você é incrível!” exclamou ela, em inglês. “Você é muito bom! Vá e acredite em seu Deus!” Sim, o compromisso de obedecer a Deus, a convicção de guardar o santo sábado e a coragem para permanecer firme, mesmo que fosse “expulso” da faculdade de medicina – tudo isso é uma poderosa história e maravilhoso

testemunho de um zambiano com apenas 18 anos de idade. Keith R. Mundt Riverside, Califórnia, Estados Unidos Uma Luz no Caminho

Obrigada pelo artigo “Uma Luz no Caminho”, de Ron Laing (dezembro de 2008), sobre um dos quadros de Harry Anderson. Usei esse artigo quando fui ao hospital visitar um senhor com câncer de pulmão. Quando mostrei aquele quadro ao paciente, ele o contemplou por algum tempo e, então, colocou a revista sobre seu peito, em um gesto de abraço. Disse-lhe que Jesus estava ao pé da cama, exatamente como ilustrado no quadro, e Seu desejo era que ele Lhe entregasse o coração. Nos poucos minutos que fiquei com aquele paciente, ele demonstrou tranquilidade e paz. Ele disse que o prognóstico médico era de apenas mais uns dias de vida, mas, após contemplar aquela pintura, sua confiança em Deus e em Seu Filho Jesus Cristo foi restaurada. Com o apoio de uma irmã da igreja que tem uma conexão da Internet, vi outros quadros de Anderson, que são lindos e espiritualmente edificantes.

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Intercâmbio Mundial C A R TA S Que Deus continue a abençoar toda a equipe dessa revista ao escolher os artigos e ilustrações de cada edição. Espero que no futuro vocês publiquem outros quadros de Anderson, a quem Deus dotou com um talento especial para ilustrar as passagens bíblicas. Rosario Tello Cidade do Panamá, Panamá Vícios e Comportamentos de Risco

Muito obrigado por publicar o artigo Cartas para o Editor – Envie para: letters@adventistworld.org As cartas devem ser escritas com clareza e ao ponto, com 250 palavras no máximo. Lembre-se de incluir o nome do artigo, data da publicação e número da página em seu comentário. Inclua, também, seu nome, cidade, estado e país de onde você está escrevendo. Por questão de espaço, as cartas serão resumidas. Cartas mais recentes têm maior chance de ser publicadas. Nem todas, porém, serão divulgadas.

“Vícios e Comportamentos de Risco”, pelos Drs. Allen R. Handysides e Peter N. Landless (dezembro de 2008). Sou professor em uma escola adventista e li esse artigo para meus alunos. Eles têm uma atitude positiva em relação aos cristãos, especialmente por causa da educação adventista. Alguns, inclusive, sofrem com diferentes tipos de vícios. Por favor, orem para que esses alunos mudem de atitude e abandonem os vícios. Sijo Kurian Antony Pune, Índia

mente os artigos do Espírito de Profecia e “Nos Ombros do Papai”, na edição de fevereiro de 2008. Muito obrigado, novamente, e que Deus abençoe todos os planos para Sua obra. Irankunda Nicolas Douala, Camarões

Nos Ombros do Papai

Obrigado pela revista Adventist World. Mesmo não a recebendo regularmente, as poucas que recebi me ajudaram em minha luta contra o mal, especial-

O LUGAR DE ORAÇÃO Peço aos adventistas de todo o mundo que orem por mim e por minha família em relação aos seguintes assuntos: Quero passar em meus exames; meus irmãos e irmãs no Zimbábue precisam encontrar paz; meus pais necessitam de uma vida melhor e eu preciso encontrar algum tempo para cuidar deles também. Creio que, com Deus, nada é impossível. Harrison, Malavi Por favor, orem para que Deus abençoe e proteja meu avô que, com 83 anos de idade, teve um câncer diagnosticado. Sei que, aos olhos divinos, tudo é possível. Angel, Estados Unidos

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Estou procurando trabalho. Por favor, orem por mim. Robert, Tanzânia Muito obrigada por suas orações. Agora tenho um emprego, graças a Deus! E muito obrigada a todos que separam um tempo para orar pelos outros – que sejamos soldados do mesmo Espírito! Por favor, agora orem para que eu encontre a pessoa certa para ser meu esposo. Não quero cometer um engano e, mais tarde, me arrepender por isso. Netsai, Zâmbia Por favor, orem por meus alunos e os problemas que estou enfrentando em relação ao sábado. Orem também por um grande amigo meu. Okassa, França

Trabalho em Taiwan. Dificilmente vou aos cultos aos sábados, porque tenho de trabalhar. Meu patrão não me permite faltar, pois não há ninguém que me substitua. Sei que Satanás está feliz com isso. Por favor, orem para que Deus faça um milagre. Estou me candidatando a um emprego no Canadá. Gedion, Filipinas Pedidos de oração e agradecimentos (gratidão por resposta à oração). Sua participação deve ser concisa e de, no máximo, 75 palavras. As mensagens enviadas para esta seção serão editadas por uma questão de espaço. Embora oremos por todos os pedidos nos cultos com nossa equipe durante a semana, nem todos serão publicados. Por favor, inclua no seu pedido, seu nome e o país onde vive. Outras maneiras de enviar o seu material: envie fax para 00XX1(301) 680-6638, ou carta para: Intercâmbio Mundial, Adventist World, 12501 Old Columbia Pike, Silver Spring, Maryland 20904-6600 EUA.


INTERCÂMBIO DE IDEIAS

A

Igreja Guardadora

do Sábado A

ndravinambo é uma vila pequena e tranquila, conhecida pela baunilha em sua floresta e localizada entre duas grandes cidades na costa nordeste de Madagáscar. A maioria dos evangelistas tende a realizar campanhas em grandes centros e ninguém acredita no que aconteceu nessa vila quando Deus encontrou outra maneira de salvar almas para Sua glória. Um pequeno grupo de adventistas costumava viajar para vários lugares vendendo panelas. Um dia, chegaram a Andravinambo. Como de costume, planejaram descansar no sábado e, por Grupo de fiéis no local onde a isso, perguntaram aos moradores se havia nova igreja será construída. alguma igreja adventista na vila. A resposta foi negativa. Insatisfeitos com a resposta, os visitantes fizeram outra pergunta: “Vocês conhecem algum grupo de pessoas que faz cultos aos sábados?” Os moradores responderam gentilmente que havia alguém que cultuava todos os sábados em uma casa. Quando chegaram ao local, viram uma placa em frente, onde se podia ler: “Igreja Guardadora do Sábado”. Dentro havia cerca de cinquenta pessoas adorando. Após o culto, os visitantes perguntaram a um dos líderes, catequista da igreja protestante, um pouco mais sobre o grupo. Ele disse que estavam ouvindo a Rádio Mundial Adventista (RMA) todos os dias e, convencidos da verdade, decidiram seguir a vontade de Deus porque queriam estar prontos para a segunda vinda de Jesus. Ao saber que deveriam santificar o dia de sábado, decidiram adorar a Deus nesse dia e por essa razão escolheram o nome “Igreja Guardadora do Sábado”. Sabiam que a RMA pertence à Igreja Adventista, mas não se atraveram a usar seu nome até que encontrassem um pastor adventista que lhes dissesse o que deviam fazer. Enquanto isso, seguiam tudo o que aprendiam ouvindo os programas da RMA, diariamente, e aos sábados, discutiam as verdades bíblicas que haviam ouvido. Surpresos e impressionados, os adventistas relataram essa história ao pastor distrital mais próximo, responsável pela região de Sambava. Imediatamente, o pastor planejou uma série evangelística em Andravinambo e após o evangelismo, um ancião foi designado para ir, todos os finais de semana, cuidar do grupo de crentes. Uma senhora do grupo doou um terreno para construir um templo adventista na vila. A RMA fez a semeadura e a igreja local está encarregada do acompanhamento da semente plantada. –Por Pr. Ramanantsalama Berjoseclin, responsável pelo distrito de Sambava, quando escreveu a história, e Elian Andriamitantsoa, diretor do estúdio da RMA em Madagáscar. F O T O :

C O R T E S I A

D A

R Á D I O

M U N D I A L

A D V E N T I S TA

“Eis que cedo venho…”

Nossa missão é exaltar Jesus Cristo, unindo os adventistas do sétimo dia de todo o mundo numa só crença, missão, estilo de vida e esperança. Editor Adventist World é uma publicação internacional da Igreja Adventista do Sétimo Dia, editada pela Associação Geral e pela Divisão Ásia-Pacífico Norte. Editor Administrativo Bill Knott Editor Associado Claude Richli Gerente Internacional de Publicação Chun, Pyung Duk Comissão Editorial Jan Paulsen, presidente; Ted N. C. Wilson, vice-presidente; Bill Knott, secretário; Armando Miranda; Pardon K. Mwansa; Juan Prestol; Charles C. Sandefur; Don C. Schneider; Heather-Dawn Small; Robert S. Smith; Robert E. Kyte, assessor jurídico Comissão Coordenadora da Adventist World Lee, Jairyong, presidente; Akeri Suzuki; Donald Upson; Guimo Sung; Glenn Mitchell; Chun, Pyung Duk Editor-Chefe Bill Knott Editores em Silver Spring, Maryland Roy Adams (editor associado), Sandra Blackmer, Stephen Chavez, Mark A. Kellner, Kimberly Luste Maran Editores em Seul, Coréia Chun, Jung Kwon; Choe, Jeong-Kwan Editor Online Carlos Medley Coordenadora Técnica Merle Poirier Assistente Executiva de Redação Rachel J. Child Assistentes Administrativos Marvene Thorpe-Baptiste Alfredo Garcia-Marenko Atendimento ao Leitor Merle Poirier Diretor de Arte e Diagramação Jeff Dever, Fatima Ameen, Bill Tymeson Consultores Jan Paulsen, Matthew Bediako, Robert E. Lemon, Lowell C. Cooper, Mark A. Finley, Eugene King Yi Hsu, Gerry D. Karst, Armando Miranda, Pardon K. Mwansa, Michael L. Ryan, Ella S. Simmons, Ted N. C. Wilson, Luka T. Daniel, Alberto C. Gulfan, Jr., Erton Köhler, Jairyong Lee, Israel Leito, Geoffrey G. Mbwana, Paul S. Ratsara, Barry Oliver, Don C. Schneider, Artur A. Stele, Ulrich W. Frikart, D. Ronald Watts, Bertil A. Wiklander Aos colaboradores: São bem-vindos artigos enviados voluntariamente. Toda correspondência editorial deve ser enviada para: 12501 Old Columbia Pike, Silver Spring MD 20904-6600, EUA. Escritórios da Redação: (301) 680-6638

E-mail: worldeditor@gc.adventist.org Website: www.adventistworld.org A menos que indicado de outra forma, todas as referências bíblicas são extraídas da Versão João Ferreira de Almeida, Revista e Atualizada no Brasil pela Sociedade Bíblica do Brasil, 1993. Adventist World é uma revista mensal editada simultaneamente na Coréia, Austrália, Indonésia, Brasil e Estados Unidos. Vol. 5, No. 5

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Q U E

L U G A R

É

E S S E ?

O Lugar Das

PESS DEN T R O

D A

AS

C A I X A

(curtos pensamentos de leitores sobre a Bíblia e nossa fé)

Estamos testemunhando uma geração em que a violência, o ódio e a crueldade são revelados em muitas faces nas ruas, nos locais de trabalho e em todo lugar. Esse é o resultado da miséria, doenças, drogas e inúmeras outras influências diabólicas. Somente a história de Jesus, Sua vida, morte, ressurreição, ascensão e breve retorno podem trazer esperança a um mundo como este. Portanto, vamos levar a mensagem do Seu amor, cuidado, misericórdia e promessa a este mundo perdido. – Eleazar Ufomba, estudante de teologia, Nigéria

VID A A D V EN T I S TA Um dia, em nosso período de férias, meu tio veio nos visitar. Foi a primeira vez que minha filha mais velha (então com 7 anos de idade) teve a chance de observar cuidadosamente uma pessoa fumar. Após alguns minutos de observação, ela cochichou: “Essa é a chupeta do diabo.” – Zarina Da Graça, Brampton, Ontário, Canadá

DO

MÊS

“Não diga às pessoas para fazer o que você diz, e sim, o que você faz.” – Juanita Pretorius, diretora do Riverview Wellness Center, Kafue, Zâmbia, durante uma palestra de saúde no curso de Evangelismo Médico Missionário.

D H O LT S A N

C O N H EÇA SEU VIZINHO “não adventistas”. Sandholt também Kari Lill Sandholt é norueguesa, com quase 70 anos, e está realizando era a palestrante convidada para a campanha evangelística da Missão um trabalho incrível. No momento, patrocina os estudos de quatro garo- Global 2005, em Kutus, Quênia, quando iniciou esse projeto. Na tas em um internato adventista, no foto, Sandholt aparece com uma das Quênia. Seu amor transcende todas as religiões, culturas, nacionalidades estudantes. e identidades tribais, porque duas – Enviado por Edward Kimotho, coordenadessas meninas são consideradas dor do Distrito de Kutus, Quênia.

RESP O S TA : Em Manágua, Nicarágua, Rebeca Ortiz posa para um fotógrafo, em seu vigésimo terceiro aniversário. Ortiz trabalha num laboratório de análise de mercúrio e diz que Deus sempre nos dirige com Suas santas mãos.

R I K A

FRASE


Adventist World (Maio 2009)