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INFORMATIVO DO IX FESTIVAL DE ARTES DO VALE DO SÃO FRANCISCO

Ano VI Edição nº 02 do IX Aldeia | Petrolina, 08 de agosto de 2013

Cinema

diálogos, tendências, temáticas, narrativas e estéticas no Aldeia O Aldeia do Velho Chico nunca esteve tão cinematográfico como nesta 9ª edição.

por Carlos Laerte

C

onsiderado por muita gente como a “Arte do século XX”, o cinema – esta mágica forma de expressão para a qual convergem outras linguagens artísticas, é p re s e nç a q u a s e q u e o b r i g a tó r i a e m praticamente todos os dias da programação. Ora dialogando com sua arte irmã mais velha, o teatro, ora incorporando os fazeres, recursos e artifícios da literatura, fotografia e artes visuais mais recentes, a linguagem do cinema pode ser conferida em vários espaços por públicos das mais diferentes idades. Seja nos domingos na Ilha do Massangano, com a exibição de curtas, ou através do Cine Dona Amélia, com as mostras do Festival Internacional de Cinema Nueva Mirada e de Vídeos Documentários – que serão apresentadas no Teatro Dona Amélia (Sesc Petrolina), os cinéfilos terão oportunidade de conferir excelentes filmes – curtas, longa metragens, produções de cineastas

Foto Rodolfo Araújo

pernambucanos e de outros estados. Isto sem falar da combinação com a programação do Teatrosesc – na Cohab VI, onde também poderão ser conferidas ótimas opções de cinema. E, concluindo o longo e delicioso passeio pelo Aldeia do Velho Chico, o cinema embarca no espaço Tecendo Ideias, na forma de um bate-papo com cineastas e estudiosos sobre “O documentário enquanto gênero cinematográfico”. Diálogos, interpenetrações e ambiguidades. É o cinema, no dizer do professor e historiador José D’Assunção Barros, “incorporando criativamente as demais linguagens artísticas, seja superpondo-as, seja transformando completamente seus objetivos. Levando-se em consideração a história de uma relação transdisciplinar que atravessa sucessivos contextos históricos e estéticos”.

Cinema No Teatro do Sesc Petrolina | Gratuito 04/08 e 11/08 Domingo 16h Livre Mostra do Festival Nueva Mirada: cinema para infância e juventude 11/08 Domingo 20h 16 anos Sessão de lançamento do filme Cru 04/08 Domingo 20h 14 anos Mostra de vídeos documentários: Ser é ver sentir – a surdez falando de si Juazeiro invisível Eu tenho pra mim que tinha que ser assim... Tadeu Lino – Em seu tempo Ailton Marcus – Um Pouso Para a Dança


Ano VI Edição nº 02 | 08 de agosto de 2013

Teatro para crianças ganha programação intensa e diversificada nesta edição do Festival por Luciana Passos Expediente

Informativo número 02 da IX edição do Aldeia do Velho Chico – Festival de Artes do Vale do São Francisco, realizado pelo Sesc Petrolina com apoio do seu Departamento Nacional. 08 de agosto de 2013. Tiragem 2.000 exemplares. Assessoria de Imprensa Clas Comunicação & Marketing Jornalista Responsável Luciana Passos (DRT/BA- 3737) Reportagem Carlos Laerte (DRT/PE-1781) Luciana Passos Revisão Ariane Samila Pautas Thom Galiano Fotos Arquivo Sesc Projeto Gráfico Miro Borges Coordenação Geral do Festival Jailson Lima Galiana Brasil Gerente do Sesc Petrolina Hednilson Roberto Bezerra da Silva

Foto Leonardo Carvalho

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quando a cortina se abre... eis que surgem palhaços, bailarinas, Rapunzel, pulgas adestradas, Maria Botina e Lampezão, entre outros tantos personagens e histórias de Cascudo numa programação montada especialmente para a criançada nesta edição do Aldeia do Velho Chico. Mesmo voltado para crianças, o pai, a mãe, o irmão, a tia, a avó, e quem mais desejar pode vir prestigiar os espetáculos. “Atrair os pais é fazer com que o espetáculo também converse com o adulto e possa promover um diálogo entre a família”, afirmou a atriz Raphaela de Paula, da Trup Errante. Quem entra em cena para atuar também espera ansioso pelo abrir das cortinas, momento de interatividade e troca de experiências. De acordo com Raphaela, falar para um público cujo olhar está em formação é desafiador, mas é um aprendizado mútuo. “A grande peculiaridade de se trabalhar com criança é não subestimála. Nos preocupamos, dentro dos nossos espetáculos, em dar espaço para que elas também possam conversar conosco. Isso nos faz trabalhar dentro do improviso, vivendo cada situação de uma vez, tentando estar pronto para o que virá da plateia. Às vezes dá certo,

outras não.”, declarou. Mas para garantir uma produção de qualidade é necessário muito trabalho e investimento. No entanto a falta de patrocínios e apoio é mais uma dificuldade com a qual os artistas convivem. Se por um lado falta apoio, do outro, pais garantem a ida ao teatro proporcionando uma comunhão familiar. Segundo Raphaela, isso é muito importante, pois mostra que os pais-espectadores compreendem que a arte pode ser uma atividade tão educativa e instrutiva quanto a sala de aula. E são estas atitudes que fazem com que a atriz se orgulhe da experiência de produzir/atuar para os “pequenos”. “Acho perfeito. Ouvir a colocação de uma criança diante de um questionamento feito por um personagem é muito rico e quer dizer que conseguimos fazê-la entender que aquele espaço pode e deve ser ocupado por ela", destaca a atriz. E para continuar mantendo a plateia e atrair novos públicos não há segredos, diz o diretor da Cia Biruta, Antônio Veronaldo Martins. “Boas propostas acompanhadas de bons textos ou provocações e um elenco que possa te dar possibilidades para desenvolver um belo trabalho é o caminho”. Os espetáculos teatrais voltados para criança acontecerão em todos os polos do Aldeia. Confira a programação e venha fazer parte desta plateia.


ARTIGO

Política Pública de Cultura,

aquilo que temos é aquilo que eles querem dar? por Maércio José dos Santos

N

ão se concebe uma determinada cultura da noite para o dia, assim como uma expressão artística não surge sem antes passar pelo processo de percepção, maturação (período tácito) e finalmente a expressão pública ou restrita apenas aos sentidos de quem exercita o ato artístico. Por outro lado, não se pode conceber uma Política Pública sem a participação dos membros da sociedade que com ela vai conviver. O que faz com que uma pessoa saia de casa, em um dia de domingo muito frio, percorra três horas a pé, subindo e descendo montanhas, passando por trilhas muito estreitas e com abismos totalmente perigosos? Aos olhos de muitos poderia não ser importante passar um dia assistindo e ouvindo grupos cantando à capela, comendo polenta e queijo, alimento típico de quem mora nas montanhas do norte da Itália, região onde se encontram as “Dolomiti”, patrimônio natural mundial reconhecido pela UNESCO. Mas, só após observar os gestos das pessoas e a satisfação dos que estavam ali é que se pode compreender a importância de cada passo dado em direção àquela atividade e, compreendendo, sobretudo, como as tradições, o bem estar, os processos educativos promovidos ou despertados a partir de uma atividade artística norteiam ou preenchem os espaços ocupados pela “ignorância”. No local não havia uma grande estrutura metálica ou uma assombrosa sonorização e nem os artistas mais caros do globo, porém, existia o ideal para aquela atividade. Foi necessário um urgente descanso, afinal de contas, o percurso foi percorrido sem interrupção até a chegada ao local do Festival “Voci dalle Torri di Neva”. Ao observar a qualidade dos trabalhos apresentados e a interação dos participantes e do público presente, muitas ideias vieram à mente. Em cada canção executada à capela ou no

olhar, na concentração de pessoas com ouvidos atentos, agasalhadas por conta da temperatura muito baixa, muitas questões vinham como verdadeiras “avalanches”, pensando na realidade cultural da cidade de Petrolina/PE. Uma das questões principais era o tratamento dispensado à cultura local versus atrações provenientes da indústria cultural. A supervalorização do espetáculo em detrimento aos valores simbólicos materiais e imaterial das culturas e manifestações culturais (das cidades).

"...trata-se de observar o quanto que se perde em não valorizar o que se tem e o que se pode ter..." Pode-se observar isto nos momentos de grandes eventos, principalmente nos círculos carnavalescos e juninos, quando se percebe que as prioridades são invertidas e as atrações midiáticas passam a ocupar o lugar de protagonistas de eventos típicos regionais, ficando as manifestações “típicas” destas cidades servindo como “logotipos” ou “slogan” destes eventos. Observar isto não é uma atitude ingênua, romântica ou mesmo bairrista, trata-se de observar o quanto se perde em não valorizar o que se tem e o que se pode ter, ou seja, garantindo, a partir de uma política pública, os direitos à preservação das manifestações existentes, o incentivo às novas manifestações e, de forma democrática, garantir a difusão e a contemporaneidade do fazer cultural. Uma Política Cultural responsável precisa ter espaços dialéticos de efetiva participação do “eu coletivo”, membros da cidade promotora e de outros nós coletivos de outras cidades. Precisa pôr em prática o direito à diversidade cultural no mundo cada vez mais global e gerido, intencionalmente, com fins homogeneizantes. Quem milita ou atua na cena cultural da cidade de Petrolina sabe o que significa lutar por política pública de cultura. Os obstáculos são imensuráveis ou trágicos. Existe um grande contingente de artistas e de fazedores de cultura, porém, pouca oferta de espaços para difusão da produção local. Temos números significativos de “consumidores” da produção cultural, mas faltam mecanismos ou canais de aproximação destes consumidores com quem produz tais produtos. Isto sem falar no potencial turístico que existe e que é desperdiçado por falta de visão,

inexperiência ou por perversidade dos órgãos/ pessoas responsáveis por articular as demandas e ofertas com intuito de fazer com que o município também seja conhecido pelas riquezas culturais e artísticas, como forma de dizer que na cidade existem pessoas/gente e não apenas mangas e uvas. Por que lutar pode ser trágico? Se forem somadas todas estas questões acima, isto já seria o suficiente para justificar os atos que o “Movimento Meu Partido é a Cultura” tomou durante o ano de 2012, mas, para muitos e muitas os protestos e textos escritos durante o ano e, em período eleitoral, tinham objetivos meramente políticos partidários. Não se pode esquecer que somos seres políticos. “Toda ação tem um objetivo político”. Alguns preferem lutar por um objetivo coletivo, outros por um objetivo individual. Quando se omite e não vai para a luta ou se cala perante o opressor, se está fazendo política. Quando se vai para rua cobrar os direitos que estão garantidos em uma lei maior, também se está fazendo política. Quando um gestor deixa de priorizar a construção e execução de uma política pública de cultura justificando falta de recursos financeiros, mas, ao mesmo tempo promove grandes eventos, atraindo grandes multidões, ocupando o espaço do palco e fazendo uso da palavra, ele está fazendo autopromoção com dinheiro público e fazendo política. A luta por mudanças em nossa sociedade não é algo fácil, pois isto também requer quebra de paradigma. É algo também cultural e só por meio da desconstrução e de um novo fazer e pensar cultural - sobretudo, sem querer o papel do opressor - mas ocupando espaços participativos e construindo uma cultura libertadora, que se podem alcançar os resultados das pautas legitimadas por membros de uma sociedade.

"...reivindicar direitos negados não pode ser confundido com “politicagem”..." Contudo, pensar política pública é criar meios de proposição, de gerenciamento e de efetivação daquilo que faz parte de um coletivo, de um povo, de uma nação. Ocupar ruas, reivindicar direitos negados não pode ser confundido com “politicagem”, mas deve ser praticado cotidianamente, pois a nossa cidade, o nosso país, é a nossa casa. Portanto, é necessário que se tenha bem estar e garantia de sobrevivência com dignidade onde se habita para que se alcance uma cultura de paz e equilíbrio social.


Ano VI Edição nº 02 | 08 de agosto de 2013

VISUALIDADES ALDEIA

Sem título por Lys Valentim

POEMAS PESCADOS

Querida Sylvia Plath por Tatyane Diniz Viana

Tantas vezes presa Pelo silêncio de seus poemas. Na plenitude de seu amor Atravesso o horizonte, E desmancho lençóis de Corpo nu no apartamento Depurado na decepção de críticas. Será que ainda vou te lembrar, Nas minhas simples pinturas Do quadro? Será para sempre lembrada! Outras esquisitices da alma Nem o suicídio explicaria O peso de suas palavras Deixadas para nós, mulheres: Poetisas com alma e flor Brutas de encantamento!

Nanquim sobre papel. 21cm x 29,7cm. Petrolina/PE, 2012.

Cursos de Artes

Dança de Salão SEG e QUA – 05/08 a 04/12 19 às 20h (Adultos iniciantes) 20 às 21h (Adultos avançados) Com/dep R$ 30,00 Usuário R$ 60,00 Dança Contemporânea SEG e QUA – 05/08 a 04/12 19 às 21h (Adulto) Com/dep R$ 22,00 Usuário R$ 44,00 Dança do Ventre TER e QUI – 08/08 a 07/12 19 às 20h (Adultos iniciantes) Com/dep R$ 30,00 Usuário R$ 60,00

Foto Silvia Nonata

Ballet Clássico SEG e QUA – 05/08 a 04/12 16 às 17h (07 a 09 anos) 17 às 18h (acima de 09) Com/dep R$ 30,00 Usuário 60,00

2013.2

TER e QUI – 06/08 a 05/12 09 às 10h (3ª idade) 15 às 16h (07 a 09 anos) 16 às 17h (04 a 06 anos) 18 às 19h (acima de 17 anos) Com/dep R$ 30,00 Usuário 60,00

QUA e SEX 07/08 a 06/12 09 às 10h (04 a 06 anos) 10 às 11h (07 a 09 anos) Com/dep R$ 30,00 Usuário 60,00 Violão SEG e QUA – 05/04 a 04/12 19 às 20h30 (Avançados) Com/dep R$ 30,00 Usuário 60,00 TER e QUI – 06/08 a 05/12 16 às 17h30 (Iniciante) 19 às 20h30 (Avançado) Com/dep R$ 30,00 Usuário 60,00 Iniciação Teatral SÁB e DOM – 24/08 a 20/12 15 às 18h (iniciantes) Com/dep R$ 22,00 Usuário 44,00 Pintura para Crianças TER e QUI – 20/08 a 18/12 16 às 17h30 (06 a 12 anos) Com/dep R$ 22,00 Usuário 44,00 Inscrição: RG, CPF, comprovante de residência, 1 foto 3x4, taxa de R$ 6,00. Informações 3866-7474/3866-7454.


ENTREVISTA

Renata Pimentel, o olhar poético e a via trans

M

últipla, irreverente e provocadora. Assim é a poeta, pesquisadora e professora de Literatura da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Renata Pimentel. Com mestrado e doutorado em Teoria e Estudos Literários pela UFPE, ela é uma daquelas personalidades na qual se percebe a força dos propósitos ao primeiro contato. Escritora de uma obra considerável, onde se destacam artigos, ensaios e crônicas, Renata Pimentel ampliou o universo de leitores em todo o país com a publicação dos livros: Uma Lavoura de insuspeitos frutos, pela editora Anablumme (São Paulo, 2001); Copi: transgressão e escrita transformista, pela editora Confraria do Vento (RJ, 2011) e Da Arte de untar besouros, com poesias, também pela Confraria do Vento, em 2012. Quando não está escrevendo ou em sala de aula, ministrando disciplinas como literatura contemporânea brasileira, latinoamericana e francesa, além de dramaturgia, esta recifense dedica suas horas e atenções ao teatro e à dança, tendo inclusive formação em dança clássica e atuação também em dança contemporânea. Nesta entrevista, ela fala um pouco das suas andanças e paragens, interesses, convergências e divergências. Com vocês, a mulher para quem a poesia é ligar imagens com palavras. A Ponte: Você transita pelos universos da literatura, psicanálise, filosofia, teatro e dança, ou seja, o mundo das artes e das humanidades. Em que lugar se sente mais à vontade? Meu lugar é sempre a via trans, ao menos assim me reconheço. Portanto, o lugar em que me sinto à vontade (mas não exatamente um “lugar de conforto”, porque insistir no fazer artístico é colocar conforto e desconforto convivendo) é exatamente nos conjuntos de interseção, ou seja, nos “entrelugares” em que se misturam, se hibridizam as linguagens; mas a primazia é sempre do artístico, o olhar poético é que me move em todos esses terrenos. A.P: Qual a natureza de suas relações com a dramaturgia e a dança contemporânea? Uma natureza absolutamente promíscua, e muito amorosa! Uma noção de dramaturgia me parece imprescindível a tudo: uma aula; a ordenação de um livro ou das músicas de um disco; um espetáculo de dança; a preparação de uma refeição; um cortejo amoroso... Cada dimensão do olhar artístico me interessa e me alimenta, porque conflui em educação da

percepção estética e criativa e em educação da humanidade... A.P: As poéticas da contemporaneidade também ocupam lugar privilegiado no seu olhar. De que forma elas se fazem notar nos seus estudos, escritos e ensinamentos? Bem, antes é preciso dizer que acho fundamental o estudo em qualquer área de saber, ou seja, para fazer arte, é preciso verticalizar o conhecimento sobre a humanidade e sobre a produção de arte nas mais variadas linguagens, sociedades, culturas e épocas. Mas se trata de um universo de amplidão geográfico-cronológica (além de em outras dimensões) impossível de se esgotar. Logo, essa ressalva é para afirmar que a contemporaneidade e suas realizações me interessam muito, mas nunca como algo isolado e, sim, como uma dimensão caleidoscópica do homem: ou seja, como uma espécie de “portal” para compreendermos o tempo em que estamos vivendo como uma dimensão carregada de marcas históricas... A.P: O seu primeiro livro publicado, Uma lavoura de insuspeitos frutos, foi considerado à época (2001), “um verdadeiro mergulho pelas águas da prosa poética de Raduan Nassar, em seu romance Lavoura Arcaica”. Como foi pra você fazer esta obra? Trata-se de um romance e de um escritor ímpares em nossa literatura: porque criou uma obra absolutamente poética e sem se alinhar diretamente a um cenário coletivo em seu contexto de produção (durante uma ditadura militar no Brasil, quando às artes - a literatura obviamente entre elas - parecia se exigir um tom “engajado e militante”). Escrever este estudo em uma linguagem que assumia declarado tom de ensaio poético foi um mergulho de imenso prazer (assim entendo estudar, pensar e fazer arte) e de rigor, no sentido de usar conceitos e saberes teóricos de variados campos das humanidades, mas com o propósito prioritário de adensar a percepção da literatura e iluminar outros leitores a aventurarem-se nesse universo. A.P: Entre a realidade e a literatura. Quem é mais relevante e improvável? Se lembrarmos das palavras do escritor Oscar Wilde: “A vida imita a arte”, e acrescentarmos: “e vice-versa”, provavelmente poderemos dizer que o mais relevante são as milhares de relações possíveis entre esses universos. E quanto ao “improvável”, quem

entrevista por Carlos Laerte

talvez ainda queira “provas“ seja o mundo jurídico... Aqui, abro parêntesis para rir, e prossigo: a arte não quer provar nem “improvar” nada, ela desautomatiza nossas percepções, para nos lembrar nossa dimensão humana; e quanto à realidade: esta é uma invenção discursiva dos seres humanos. Basta ver o quão divergentes são os relatos de testemunhas de um mesmo evento! A.P: E a emoção, a memória e a oralidade. Como você lida com esses fenômenos? São elementos muito interligados do processo de auto-invenção do ser humano: para nos apreendermos, nos “inventarmos” como sujeitos; logo, para além da vida prosaica, são um manancial fundamental para a criação poética, seja na literatura, na dança, em qualquer forma de arte... São ferramentas muito importantes na construção do jogo de criar. A.P: Depois de inúmeras passagens por Petrolina, agora você vem com uma oficina de literatura (Da língua ao Eros ou Ouroboros: dos ímpetos humanos), e participando de uma mesa redonda com o tema: Na via do desvio, o TRANS: da vida à cena: do masculino ao feminino, com Rossana Ramos e Cia Mungunzá e mediação de Galiana Brasil. De que forma o sexo e o erotismo se apresentam na sua obra? Esta é realmente a “enésima” vez que venho a Petrolina, já perdi a conta... rsrs. Já tenho uma espécie de afeto enraizado neste chão: na luz, nas frutas, no vinho, nos amigos daqui. Quanto a esses dois momentos de “trabalho”, é mais um imenso prazer e uma possibilidade de aprendizado pela “troca”. Sobre sexo e erotismo em meus trabalhos, acho que o criador é quem menos sabe falar teoricamente da sua obra. Diria apenas que são duas energias fundamentais, vitais mesmo, em minha existência e, consequentemente, no meu modo de criar e me conduzir pela arte.


Ano VI Edição nº 02 | 08 de agosto de 2013

Festival mantém descentralização das ações por Luciana Passos

04/08 16h Ilha do Massangano Livre Gratuito BAQUE OPARÁ(Petrolina/PE) O CIRCO DE LAMPEZÃO E MARIA BOTINA / Caravana Tapioca (Recife/PE) VÍDEO CONVERSA DE COMADRE DONA SELMA DO COCO (Olinda/PE) SAMBA DE VEIO (Petrolina/PE) 11/08 16h Ilha do Massangano Livre Gratuito RAPUNZEL – ANJO DE CANDURA CORAÇÃO DE RAPADURA / Trup Errante (Petrolina/PE) CHICO PEDROSA E SUSANA MORAIS CURTA: MUGANGA (Olinda/PE) TAMBOR (Buíque/PE) GAIOLA DE MOSCAS / Grupo Peleja (Olinda/PE) SAMBA DE VEIO MIRIM (Petrolina/PE)

13/08 a 16/08 19h | Bairro Cohab VI Livre Gratuito

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ando continuidade à proposta de descentralizar as ações, a IX edição do Aldeia do Velho Chico amplia seus “territórios” e abraça uma diversidade cada vez maior de público. De acordo com o coordenador do Festival, Jailson Lima, a intenção é atender o maior número de pessoas, valorizando os artistas envolvidos. “Queremos estimular a atividade cultural no bairro e as relações de grupo na cidade, além de democratizar a produção cultural”, afirmou. Inédita no Festival, a Cena Biruta chega como mais um polo cultural desta Aldeia e vem para contribuir com a dinamização da sede da Cia Biruta, localizada no bairro São Gonçalo. No espaço serão promovidas apresentações gratuitas de espetáculos para a comunidade e processos de formação artística para atores. Mais uma oportunidade de a população ter acesso a novas experiências estéticas, além de um lazer diferenciado. “A presença de um Festival dessa magnitude valoriza o bairro e seus moradores, além do grupo nele instalado, o que é um incentivo muito importante para todos nós”, afirmou a produtora/atriz da Cia Biruta, Cristiane Crispim. Pelo terceiro ano, o Teatrosesc estaciona na quadra poliesportiva do bairro Cohab VI. Adaptada com palco e telão para exibição de filmes, a carreta que vira Teatro receberá uma programação com shows musicais, espetáculos de teatro e dança, além de cinema. Segundo Cristiane, as experiências com as atividades desenvolvidas neste polo são sempre positivas. Por ser itinerante, a carreta do Teatrosesc leva o artista ao público, onde

ele reside, facilitando assim seu acesso. “É um ambiente aberto ao público em geral e todos se sentem muito à vontade para prestigiar”, destacou Cristiane. Como já é tradição, as escolas públicas continuam sendo palco para o Circuito Itinerante de Artes. A ação, que tem como objetivo democratizar a arte pensando a formação integral das pessoas, busca proporcionar a estudantes, professores e comunidade de bairros descentralizados a interação com produções artísticas em diversas modalidades. Com um número maior de ações, este ano as atividades artísticas foram desenvolvidas em seis escolas públicas localizadas na sede e área rural da cidade. Consolidado no evento, o Domingo na Ilha, que acontece na Ilha do Massangano, no próximo dia 11, traz uma programação concebida especialmente para a comunidade local, que recebe de braços abertos e com muita festa os visitantes. Segundo o responsável pela produção do Festival na Ilha, Francisco Chagas, a ligação do Sesc com a Ilha do Massangano se fortalece gradativamente. “Nossa parceria tem dado muito certo e vai além do Festival, incluindo ainda o Aldeia Vale Dançar e a Festa de Santo Antônio, tradicional na comunidade. Em todas estas comemorações temos a participação efetiva do Sesc, que está sempre levando atrações que garantem a interação entre visitantes e ilhéus”, finaliza Chagas. Diante de tantas opções, agora é escolher onde vai prestigiar as apresentações. E só para lembrar, toda a programação dos polos é gratuita.

13/08 Terça 19h CURTA: O VELHO CHICO QUER NASCER DE NOVO (São Paulo/SP) EU VIM DA ILHA / Cia de Dança do Sesc (Petrolina/PE) SAMBA DE VEIO (Petrolina/PE) 14/08 Quarta 19h CURTA: O SER TÃO AVOADOR (Juazeiro/BA) GRUPO FORRÓ XAXADO (Petrolina/PE) UNI VERSOS / Josy Lélis (Juazeiro/BA) 15/08 Quinta CURTA: DEVANEIOS E EMBRIAGUÊS DE UMA ATRIZ (Petrolina/PE) TAMBOR DE HISTÓRIAS (Carneiro/PE) HISTÓRIAS DE CASCUDO / Cia Biruta (Petrolina/PE) SHOW TRAJETÓRIA / Gean Ramos (Jatobá/PE) 16/08 Sexta CURTA: MUGANGA (Olinda/PE) DO TERRÊRO DE SALU / Cia Balançarte (Petrolina/PE) AFINIDADES / Marcone Melo (Petrolina/PE)

05/08 a 08/08 18h | Bairro São Gonçalo Livre Gratuito 05/08 Segunda O CIRCO DE LAMPEZÃO E MARIA BOTINA / Caravana Tapioca (Recife/PE) 06/08 Terça HISTÓRIAS DE CASCUDO / Cia Biruta (Petrolina/PE) 07/08 Quarta RAPUNZEL – ANJO DE CANDURA CORAÇÃO DE RAPADURA / Trup Errante (Petrolina/PE) 08/08 Quinta SAÍDA DE PALHAÇO | São Gonçalo


TRÊS PERGUNTAS PARA

Nilzete Miranda Chaveirinho P

por Carlos Laerte

ouca gente conhece Nilzete Miranda, mas se alguém chamar Chaveirinho, uma voz firme certamente responderá: sim! Admitida recentemente pelo Sesc Petrolina na função de Assistente – Áudio e Vídeo, esta pequena/grande mulher vem cativando o meio artístico há bastante tempo. Com uma bagagem de sete anos atuando na Aldeia do Velho Chico, ela já esteve em diversas atividades, destacando-se como Anjo – na recepção aos grupos de artistas de fora e como Anjo – cupido que entrega recados aos enamorados. Figura emblemática e de marcante presença nos bastidores, bem humorada, irreverente e sempre pronta a atender as demandas dos companheiros de trabalho, Chaveirinho é isso aí e algo mais.

A.Ponte: O que mais te emociona no Aldeia do Velho Chico? Sou suspeita para falar dessa longa maratona de arte e cultura do Vale do São Francisco. Fico contando a sua tão esperada chegada, o evento é

muito relevante para a nossa Petrolina, intensificando a democratização à cultura, chegando a bairros onde a nossa comunidade não tem acesso. Será estranho dizer que cresci junto com ele? No tamanho sim, mas profissionalmente não, a cada ano aprendo um pouco mais, me emociono mais e mais com sua repercussão, geração de entretenimento de qualidades, intercâmbios entre grupos locais e de outras regiões, estimulando a criatividade e a reflexão a partir da prática e apreciação da cultura.

A.P: De que matéria é feita uma boa profissional dos bastidores?

A.P: Das linguagens artísticas que mais evoluíram no Vale do São Francisco, a dança certamente tem lugar de destaque. Como vc avalia esse crescimento?

Gosto do que faço, gosto de estar nos bastidores. Encaro com bom humor, qualidade, esforço e dedicação, entro no clima do espetáculo, na montagem e desmontagem de cenários, nos efeitos luminosos e sonoros que integram a representação e servem para realçar o texto. As exigências são muitas, para que tudo dê certo, é um esforço constante, mas que no final termina com APLAUSOS!!!

Inicio dizendo que: A dança é a arte de mexer o corpo, através de uma cadência de movimentos e ritmos, criando uma harmonia própria. Avalio esse crescimento tendo conhecimento da produção de grupos que trabalham a dança como ferramenta de expressão artística, o festival do SESC vem fortalecendo as ações formativas nessa linguagem artística, participo da Cia de Dança do Sesc e até eu já dancei com a cara, a coragem e meu movimento.

FOTO CHAMADA

Cena Bacante Coletivo Canibal Vegetariano Juazeiro/BA

09/08

Sexta Assoc. de Moradores Areia Branca 23h 16 anos FESTA ALDEIA CANIBAL

16/08

Sexta Assoc. de Moradores Areia Branca 23h 16 anos FESTA HTTP//:ALDEIA@CANIBAL.COM.BR


Programação Segunda Semana

IX FESTIVAL DE ARTES DO VALE DO SÃO FRANCISCO

Foto Silvia Nonata

10/08 Sábado

14/08 Quarta

MERCADO CULTURAL | Sesc Petrolina 16h Livre Gratuito

HISTÓRIAS DE CASCUDO / Cia Biruta (Petrolina/PE) | Salão do Sesc 16h Livre Gratuito

O CIRCO DOS ASTROS (Recife/PE) | Salão do Sesc 16h Livre R$10,00/R$5,00 GAIOLA DE MOSCAS / Grupo Peleja (Olinda/PE) | Teatro Sesc Petrolina 20h Livre R$10,00/R$5,00 CENA 10 | Sesc Petrolina 22h 16 anos Gratuito

11/08 Domingo EXPOSIÇÃO MOSTRA FLUTUANTE | Porta do Rio 14h e Ilha do Massangano 16h Livre Gratuito MOSTRA NUEVA MIRADA: Cinema para infância e juventude | Teatro Sesc Petrolina 16h Livre Gratuito SESSÃO DE LANÇAMENTO DO FILME CRU (Brasília/DF) | Teatro Sesc Petrolina 20h 16 anos Gratuito Domingo na Ilha | Ilha do Massangano 16h Livre Gratuito: RAPUNZEL – ANJO DE CANDURA CORAÇÃO DE RAPADURA / Trup Errante (Petrolina/PE) CHICO PEDROSA E SUSANA MORAIS CURTA: MUGANGA (Olinda/PE) CURTA: TAMBOR (Buíque/PE) GAIOLA DE MOSCAS / Grupo Peleja (Olinda/PE) SAMBA DE VEIO MIRIM (Petrolina/PE)

Teatrosesc | Cohab VI 19h Livre Gratuito: CURTA: O SER TÃO AVOADOR (Juazeiro/BA) GRUPO FORRÓ XAXADO (Petrolina/PE) UNI VERSOS / Josy Lélis (Juazeiro/BA) FUÁ NA CASA DE ZÉ MANÉ / Cia de Dança do Sesc (Petrolina/PE) | Teatro Sesc Petrolina 20h Livre R$10,00/R$5,00

15/08 Quinta RAPUNZEL – ANJO DE CANDURA CORAÇÃO DE RAPADURA / Trup Errante (Petrolina/PE) | Salão do Sesc 16h Livre Gratuito Teatrosesc | Cohab VI 19h Livre Gratuito: CURTA: DEVANEIOS E EMBRIAGUÊS DE UMA ATRIZ (Petrolina/PE) CURTA: TAMBOR DE HISTÓRIAS (Carneiro/PE) HISTÓRIAS DE CASCUDO / Cia Biruta (Petrolina/PE) SHOW TRAJETÓRIA / Gean Ramos (Jatobá/PE) PARA SEMPRE TEU / Qualquer Um dos 2 Cia de Dança (Petrolina/PE) | Teatro Sesc Petrolina 20h Livre R$10,00/R$5,00 Mostra Sonora Brasil: RAÍZES DO BOLÃO/ Marabaixo (AP) | Terraço da Galeria 21h Livre Gratuito

12/08 Segunda TU SOIS DE ONDE? / Grupo Peleja (Olinda/PE) | Teatro Sesc Petrolina 20h 12 anos R$10,00/R$5,00

16/08 Sexta Palco Giratório: SIMBÁ, O MARUJO / Trupe de Truões (Uberlândia / MG) | Teatro Sesc Petrolina 16h Livre Gratuito

13/08 Terça

Teatrosesc | Cohab VI 19h Livre Gratuito:

O PALHAÇO E A BAILARINA / Cia de Danças e Teatro Nego D'água (Juazeiro/BA) | Sesc Petrolina 16h Livre Gratuito

CURTA: MUGANGA (Olinda/PE)

Teatrosesc | Cohab VI 19h Livre Gratuito: CURTA: O VELHO CHICO QUER NASCER DE NOVO (São Paulo/SP) EU VIM DA ILHA / Cia de Dança do Sesc (Petrolina/PE) SAMBA DE VEIO (Petrolina/PE) ANÔNIMO / Grupo Peleja (Olinda/PE) | Teatro Sesc Petrolina 20h 12 anos R$10,00/R$5,00

DO TERRÊRO DE SALU / Cia Balançarte (Petrolina/PE) AFINIDADES / Marcone Melo (Petrolina/PE) NO CAMINHO DAS ALIMENTADEIRAS / Coletivo Trippe (Petrolina/PE) | Sala Dança 20h 14 anos R$10,00/R$5,00 Mostra Sonora Brasil: SAMBA DE CACETE DA VACARIA / Samba de Cacete (PA) | Terraço da Galeria 21h Livre Gratuito Cena Bacante: FESTA HTTP//:ALDEIA@CANIBAL.COM.BR / Coletivo Canibal Vegetariano (Juazeiro/BA) | Assoc. de Moradores Areia Branca 23h 16 anos R$10,00/R$5,00


A PONTE ano VI nº2 08.08.2013